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COMPLETÀS 205
204 MANIO DE ANDRADE POESIAS

E de-noite monotonos reunidos na mansarda, bancando Um silêncio nortista, muito claro!


À, ,o*b.u, se agarravam no folhedo das árvores

As mulheres fumam feito chaminés sozinhas, Talqualmcnte Préguiças Pesadas'


o'$i';;;taro'ooí b",''"o't tomando banho-de-luz'
Os homens destilam vicios aldeões na catinga;
E como sempre entre êles tem sempre llm que manda
sempre em todos, Tinha um sossêgo tão antigo-no iardim'
Tudo calou de sopetão, e no ar amulegado da noite que Uma fresca táo"de máo lavada com limão'
súa. . . Era tão maruPíara e descansante
-ã"t"1"i..'.
q"" Mulher não desejei .náo' desejei" '
- Côro? Onde se vru agora côro a quatro vozes, ninha Si eu tivesse a mcu lado ali passeando
gente! -
S.,pãrrf,u-os Lenine, ôa'Ios Frestes, Gandhi' um
dêsses! ' ' ' I
São coros, coros ucranianos batidos ou misticos, Sehnsucht
d'alem-mar!
Home... Sweet Que sejam felizes aqui! Na doçura da manhã quasi acúada
um bocadinho'
Éi, ü"" r"r"uu
"ord"nl,n'"nte: - Se abanqtrem
dos nossos perxes'
E havia de contar pra ôles os nomes
Mas eu não posso não me sentir negro nem vermelho! pieto, 4e vitoria, Marajó,
ou descrevia ouro a entrada
De certo que essas cores tambem tecem minha roupa um disfarce cle festa
arlcqrrinal, Coisa assim, que pusesse
Mtts eu nito mc sinto ncgltl, rÍrrts cll não me sinto vermelho, úo p"rru*.rrtã «.láttot tempestades cle homens'
N4e sinto só branco, relumeando caridade e acolhimento,
Purificaclo na revolta contra os brancos, as patrias, as guerras,
as posses, as preguiças e ignorancias! I\4OMENTO
IMe sinto só branco agora, sern ar neste ar-livre da America!
Me sinto só branco, só branco em minha alma crivada cle ( 16-IX-1928)
laças!

Deve haver aqui perto uma roseira florindo'


MANHÃ Não sei.. . sinlo for mim uma harmonia'
ü; ü;"" da imp'arcialidade gue a fadiga traz consigo'
( 18-rrr-1e28 )
OIho-fápra minhas mãos.sobreE uma terlura -perigosa
lA" passar a boca elas, roçando'
O iardim estava em rosa ao pé do Sol ( De certô é algurna rosa. '' )
E o ventinho de mato que viera do Jaraguá, Numa ternura q.," é mais perigosa náo' é piedade
Deixando por tudo uma presença de água, uaciente.
"áã
Banzava gosado na manhá praceana. A, .isas... Os milhões de rosas paulistanas" '
Iá tanto que enxerguei milhas mâos trabalhando'
Tudo limpo que nem toada de flauta. 'r táp"ot"ri, por briiqrredo umas costas, de amigo'
Se entregarem pra irimigo' erguereln dinheiro do
chão"
 gente si quisesse beijava o chão sem formiga, nuns labios'
 boca roçava mesmo na p,aisagem de cristal. Ú*u- r"it', -"rr' d"do, póisataú

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