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30/10/2019

FORMAÇÃO
ESPECIALIZADA EM

ESTIMULAÇÃO COGNITIVA NAS


DIFERENTES FASES DA DEMÊNCIA

APOIO: SUSANA
JUSTO-HENRIQUES
2019

ESTIMULAÇÃO COGNITIVA NAS DIFERENTES FASES DA DEMÊNCIA | Susana Justo Henriques | 2019

CONTEÚDOS DA FORMAÇÃO (I)

 Classificação e tipos de demência: demências degenerativas primárias e corticais,


demências primárias subcorticais.
 Diferentes fases de demência de acordo com as orientações do DSM-5: Perturbação
Neurocognitiva [PNC] Ligeira e Major.
 Estágios de Declínio Cognitivo de acordo com a Escala de Deterioração Global de
Reisberg.
 Domínios Neurocognitivos.
 Estimulação Cognitiva Global: conceito, benefícios, neuroplasticidade.
 Estimulação Cognitiva ajustada aos diferentes tipos e fases de demência.

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CONTEÚDOS DA FORMAÇÃO (II)

 Apresentação e realização de várias propostas de exercícios, dinâmicas e técnicas


ajustados aos diferentes tipos e fases de demência.
 Elaboração de plano terapêutico a nível da funcionalidade cognitiva, com base em
estudo de caso.
 Avaliação do impacto do plano terapêutico.
 Consolidação dos conceitos através da discussão de proposta de intervenção com
base num caso prático.

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“Os analfabetos do próximo século não são aqueles que não


sabem ler ou escrever, mas aqueles que se recusam a
aprender, reaprender e voltar a aprender”.

Alvin Toffle
1928 - 2016

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ENVELHECIMENTO

O envelhecimento é um processo contínuo ao longo da vida e num sentido


amplo pode começar desde o nascimento, ainda que se tenha determinado
que é a partir da adultez média, estabelecida desde os 45 anos, de acordo
com a teoria do ciclo vital (Woods e Clare, 2015), quando acentua o declínio
nas capacidades funcionais devido à idade (Fjell et al., 2010).

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ENVELHECIMENTO

O envelhecimento leva a um aumento


das doenças crónicas e degenerativas.

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ENVELHECIMENTO

Principais mudanças produzidas


pelo envelhecimento
primário ou normal

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ALTERAÇÕES CEREBRAIS ENVELHECIMENTO

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ENVELHECIMENTO

ALTERAÇÕES
CEREBRAIS

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ENVELHECIMENTO

ALTERAÇÕES
CEREBRAIS

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ENVELHECIMENTO

ALTERAÇÕES
CEREBRAIS

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ENVELHECIMENTO

ALTERAÇÕES
CEREBRAIS

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CLASSIFICAÇÃO E TIPOS DE DEMÊNCIA

CONCEITO – CID-11
Síndrome cerebral adquirida caraterizada por um declínio em relação a um nível
prévio de funcionamento cognitivo com défice em dois ou mais domínios
cognitivos (tais como memória, funções executivas, atenção, linguagem,
cognição social e julgamento, velocidade psicomotora, capacidades
visuopercetuais ou visuoespaciais). O défice cognitivo não pode ser diretamente
atribuído a um envelhecimento normal e interfere significativamente com a
independência no desempenho da pessoa em atividades de vida diária.
Baseando-se nas evidências disponíveis, o défice cognitivo é atribuído ou
assume-se que seja devido a uma condição neurológica ou médica que afeta o
cérebro, trauma, deficiência nutricional, uso crónico de substâncias ou
medicação específicas ou exposição a metais pesados ou outras toxinas.
Fonte: World Health Organization. (18 de junho de 2018). International Classification of Diseases -11 User Guide.
Retirado de https://icd.who.int/browse11/l-m/en

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Neurocognitive Disorders
CLASSIFICAÇÃO E Transtornos Neurocognitivos
TIPOS DE DEMÊNCIA Trastorno Neurocognitivo

• De acordo com o DSM-5, as  Doença de Alzheimer  Doença dos priões


patologias que integram as  Degeneração lobar  Doença de Parkinson
PERTURBAÇÕES Frontotemporal
NEUROCOGNITIVAS, são:  Doença de Huntington
 Doença de corpos de Lewy  Outra condição médica
 Doença vascular  Múltiplas etiologias
 Lesão cerebral traumática  Não especificada
 Uso de
PERTURBAÇÕES substância/medicamento
NEUROCOGNITIVAS  Infeção por VIH

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CLASSIFICAÇÃO E TIPOS DE DEMÊNCIA

DEMÊNCIAS CORTICAIS
 Os défices iniciam no declínio das funções cognitivas.
 Considerando que o córtex cerebral é constituído por áreas especializadas e
interligadas entre si de forma complexa, disfunções dessas áreas (em geral), levam a
défices de linguagem, funções executivas, visuo-espaciais, raciocínio aritmético,
memória, evocação…
Exemplos:
Doença de Alzheimer
Degeneração Lobar Frontotemporal

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CLASSIFICAÇÃO E TIPOS DE DEMÊNCIA

DEMÊNCIAS SUBCORTICAIS
 O comprometimento recai predominantemente na modulação do comportamento e
da atenção.

Exemplos:
Doença Parkinson
Doença de Corpos de Lewy
Doença de Huntington
Doença Vascular (na maioria dos casos)

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CLASSIFICAÇÃO E TIPOS DE DEMÊNCIA

DOENÇAS NEURODEGENERATIVAS
 Perda progressiva e irreversível dos neurónios localizados em regiões específicas do
cérebro.
Exemplos:
Doença de Alzheimer
Doença Parkinson
Doença de Corpos de Lewy
Doença de Huntington
Degeneração Lobar Frontotemporal

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CLASSIFICAÇÃO E TIPOS DE DEMÊNCIA

DOENÇAS CEREBROVASCULARES
 Disfunções cerebrais relacionadas com a doença dos vasos sanguíneos que
fornecem sangue ao cérebro.

Exemplo:
Doença Vascular

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CLASSIFICAÇÃO E TIPOS DE DEMÊNCIA

INFECIOSAS
 Algumas doenças infeciosas podem causar dano neurológico manifestando-se com
sintomas tais como confusão mental, delirium, perda de memória e outros
sintomas demenciais.

Exemplos:
Doença dos Priões
Infeção por VIH

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DIFERENÇAS ENTRE PERTURBAÇÃO NEUROCOGNITIVA LIGEIRA E MAJOR


PERTURBAÇÃO NEUROCOGNITIVA LIGEIRA PERTURBAÇÃO NEUROCOGNITIVA MAJOR
Tabela 1

- Evidência de declínio cognitivo modesto em relação a - Evidência de declínio cognitivo significativo em relação a
um nível prévio de desempenho num ou mais domínios um nível prévio de desempenho num ou mais domínios
cognitivos (atenção complexa, funções executivas, cognitivos (atenção complexa, funções executivas,
aprendizagem e memória, linguagem, percetivomotora aprendizagem e memória, linguagem, capacidade
ou cognição social) com base na preocupação do percetivomotora ou cognição social) com base na
indivíduo, informantes próximos do participante, do preocupação do indivíduo, em informantes próximos do
clínico, testes neuropsicológicos estandardizados ou participante, do clínico, testes neuropsicológicos
outras formas de avaliação clínica quantitativa. estandardizados ou outras formas de avaliação clínica
quantitativa.

- Os défices cognitivos não interferem na realização - Os défices cognitivos interferem na realização


independente das atividades de vida diária, embora possa independente das atividades de vida diária (isto é, no
existir necessidade de maior esforço ou estratégias mínimo necessita de assistência nas atividades
compensatórias. instrumentais complexas da vida diária, tais como pagar
contas ou gerir a medicação).
Associação Psiquiátrica Americana ou Associação de Psiquiatria Nota. Adaptado de APA (2013/2014);
Americana [APA] (American Psychiatric Association) Henriques (2019).

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ESTÁGIOS DE DECLÍNIO COGNITIVO


ESC ALA DE DETERIORAÇÃO GLOB AL DE REISBERG [GDS]
 A Escala de Deterioração Global [GDS] foi desenvolvida por Reisberg, Ferris, Leon e
Crook (1982) para identificar demências degenerativas de causa primária.

 Foi traduzida e validade para a população portuguesa por Leitão, Nina e Monteiro
(2007).

 De acordo com esta escala existem 7 estádios de deterioração nos quais estão
afetadas diferentes atividades.

 Segundo os autores, a partir do estádio 5 o indivíduo não consegue viver sem ajuda
ou assitência.

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ESTÁGIOS DE DECLÍNIO COGNITIVO


ESC ALA DE DETERIORAÇÃO GLOB AL DE REISBERG [GDS]

Diagnóstico Fase Sinais e sintomas


Tabela 2

Fase 1:
Sem A pessoa tem uma função normal, não evidencia perda de memória e é
Sem declínio
demência mentalmente sã.
cognitivo
Esquecimento normal associado ao envelhecimento, p. ex., esquecer-se de
Fase 2:
Sem nomes e de onde se guardam objetos familiares.
Declínio cognitivo
demência Os sintomas não são evidentes para os familiares próximos nem para o
muito ligeiro
médico.
Esta etapa inclui um maior esquecimento.
Ligeira dificuldade em concentrar-se.
Fase 3: Diminuição do rendimento no trabalho.
Sem
Declínio cognitivo Pode perder-se com mais frequência.
demência
ligeiro Dificuldade para encontrar as palavras adequadas.
Os familiares próximos começam a notar um declínio cognitivo.
Duração média: 7 anos antes do início da demência.

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ESTÁGIOS DE DECLÍNIO COGNITIVO


ESC ALA DE DETERIORAÇÃO GLOB AL DE REISBERG [GDS]
Dificuldades em concentrar-se.
Continuação

Dificuldade para recordar-se de situações recentes.


Tabela 2

Dificuldade para gerir as finanças ou viajar sozinho para novos lugares.


Fase 4:
A pessoa tem problemas para realizar eficientemente tarefas complexas.
Etapa inicial Declínio
Pode não querer assumir os seus sintomas.
da demência cognitivo
Pode isolar-se dos amigos e da família porque a interação social torna-se mais difícil.
moderado
O médico pode notar problemas cognitivos muito claros durante uma avaliação e
entrevista com o paciente.
Duração média: 2 anos.
Não recorda dados relevantes da sua vida atual: tais como a sua morada ou
telefone de muitos anos, os nomes de familiares próximos (como os netos), o
Fase 5:
nome da escola, etc.
Declínio
Etapa média É frequente uma certa desorientação no tempo (data, dia da semana, estação, etc.)
cognitivo
da demência ou no espaço.
moderadamente
Necessita de ajuda para realizar as atividades diárias (vestir-se, tomar banho,
grave
preparar a comida).
Duração média: 1.5 anos.

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ESTÁGIOS DE DECLÍNIO COGNITIVO


ESC ALA DE DETERIORAÇÃO GLOB AL DE REISBERG [GDS]
Continuação

Necessita de assistência para realização das atividades diárias.


Tabela 2

Começam a esquecer os nomes dos membros da família e têm muito pouca


Fase 6:
recordação dos eventos recentes. Muitas pessoas apenas conseguem recordar alguns
Declínio
detalhes da infância ou juventude.
Etapa média cognitivo
Pode ser incapaz de contar de 10 para trás, e em alguns casos até para a frente.
da demência grave
Incontinência (perda de controlo da bexiga ou dos intestinos).
(demência
Mudanças de personalidade: delírios, sintomas obsessivos (repetir uma atividade, como
média)
limpar), ansiedade ou agitação.
Duração média: 2.5 anos

Fase 7:
Nesta fase a pessoa basicamente não tem a capacidade de falar nem comunicar.
Declínio
Etapa Necessita de ajuda com a maioria das atividades (p. ex., ir à casa de banho, comer).
cognitivo
avançada da Frequentemente perdem as capacidades psicomotoras (p. ex., a capacidade de
muito grave
demência caminhar).
(demência
Duração média: 2.5 anos
avançada) Nota. Elaboração própria baseada em
Reisberg et al. (1982).

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ESTÁGIOS DE DECLÍNIO COGNITIVO


ESC ALA DE DETERIORAÇÃO GLOB AL DE REISBERG [GDS]
 A delimitação de cada estádio é baseada na descrição de características clínicas e
medidas psicométricas concomitantes, como por exemplo através da interpretação
dos resultados do MMSE.

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ESTÁGIOS DE DECLÍNIO COGNITIVO


ESC ALA DE DETERIORAÇÃO GLOB AL DE REISBERG [GDS]
ESTADIO FASE CLÍNICA
GDS 1. Ausência de défice cognitivo
Normal MMSE: 30
Normalidade
GDS 2. Défice cognitivo muito leve 
Normal para a idade. Esquecimento MMSE: 25‐30
DCL/MCI

GDS 3. Défice cognitivo leve – Início da Doença de  Défice limite


Alzheimer. MMSE: 20‐27

GDS 4. Défice cognitivo moderado Doença de Alzheimer leve 


Demência Leve MMSE: 16‐23

GDS 5.  Défice cognitivo moderadamente grave
Doença de Alzheimer moderada MMSE: 10‐19
Demência moderada

GDS 6. Défice cognitivo grave Doença de Alzheimer moderadamente grave 


Demência moderadamente grave MMSE: 0‐12

GDS 7. Défice cognitivo muito grave Doença de Alzheimer grave


Demência grave MMSE: 0

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COGNIÇÃO

O que é a cognição?

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COGNIÇÃO

Cognição é o processo intelectual ou mental através do qual um


organismo toma conhecimento do mundo.

A CIDa–11 (Organização Mundial da Saúde [OMS], 2018): incluí


no mesmo código da cognição, a regulação emocional e o
comportamento. Relaciona os sintomas e sinais relativos à
cognição com a consciência.
Esta classificação distingue claramente as habilidades cognitivas
(ou a falta delas) das patologias do foro mental.
a
Classificação Internacional das Doenças

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COGNIÇÃO

AQUISIÇÃO

RECUPERAÇÃO COGNIÇÃO MANUTENÇÃO

CONHECIMENTO

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DOMÍNIOS COGNITIVOS

 Os domínios cognitivos são os mecanismos mediante os quais o ser


humano recebe, processa, armazena e recupera toda a informação
relativa a si mesmo, as outros e ao meio e gera toda essa informação
através do conhecimento, da compreensão e do raciocínio.

 Tudo aquilo que sabemos ou supomos acerca da realidade foi


mediado, não unicamente pelos nossos órgãos dos sentidos, mas
pelos complexos sistemas que interpretam e reinterpretam a
informação sensorial (Neisser, 1967).

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DOMÍNIOS COGNITIVOS

 Os domínios cognitivos permitem-nos interagir com as pessoas e


com o mundo, na busca do sentido da vida.
 A independência e a autonomia nas atividades de vida diária, básicas e
instrumentais, estão estritamente relacionadas com eles.
 A nossa individualidade é o resultado do acúmulo de conhecimento
da nossa história e da cultura que herdamos. Neste sentido, a perda
da cognição ou incapacidade cognitiva é, portanto, o
desmoronamento da identidade que nos distingue como ser pensante
(Moraes e Daker, 2008).

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DOMÍNIOS NEUROCOGNITIVOS Manual de Diagnóstico e


Estatística das Perturbações Mentais
SEGUNDO O DSM-5 (5ª ed., Texto Rev.; DSM-5; APA, 2013/2014)

Domínio Cognitivo Exemplos de sintomas ou de observações


Tabela 3

Atenção Ligeira. As tarefas normais demoram mais tempo do que antes.

(Atenção sustentada, atenção dividida, Começa a encontrar erros nas tarefas de rotina; considera que o trabalho tem de ser

atenção seletiva, velocidade de verificado mais vezes do que antes. O pensamento é mais fácil quando não existem

processamento) outros estímulos em competição (rádio,TV, outras conversas, telemóvel, condução).

Major. Apresenta maior dificuldade em ambientes com múltiplos estímulos (TV, rádio,
conversação); é com facilidade distraído por acontecimentos externos simultâneos. É
incapaz de prestar atenção a menos que os estímulos sejam restingidos e simplificados.
Tem dificuldade em reter novas informações, tais como recordar números de telefone
ou moradas acabados de dar, ou relatar o que acabou de ser dito. É incapaz de fazer
cálculos mentais. Todo o pensamento é mais demorado do que o habitual e os
componentes a ser processados têm de ser simplificados para um ou dois.

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DOMÍNIOS NEUROCOGNITIVOS Manual de Diagnóstico e


Estatística das Perturbações Mentais
SEGUNDO O DSM-5 (5ª ed., Texto Rev.; DSM-5; APA, 2013/2014)
Continuação

Domínio Cognitivo Exemplos de sintomas ou de observações


Tabela 3

Percetivomotor Ligeira. Pode necessitar do apoio de mapas ou de terceiros para obter as


(Inclui as aptidões que estão incluídas nas direções. Utiliza notas e segue terceiros para chegar a um local novo. Pode
designações perceção visual, perder-se ou mudar de direção quando não está concentrado na tarefa. É
visuoconstrutiva, percetivomotor, praxia e
menos preciso no estacionamento do carro. Necessita de realizar um esforço
gnosia)
maior em tarefas espaciais, tais como carpintaria, montagem, costura ou tricô.

Major. Apresenta maior dificuldade em atividades que lhe eram previamente


familiares (utilização de ferramentas, condução de veículos motorizados),
conduzir em locais familiares; está com frequência mais confuso ao anoitecer,
quando as sombras e a menor quantidade de luz alteram as perceções.

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DOMÍNIOS NEUROCOGNITIVOS Manual de Diagnóstico e


Estatística das Perturbações Mentais
SEGUNDO O DSM-5 (5ª ed., Texto Rev.; DSM-5; APA, 2013/2014)
Continuação

Domínio Cognitivo Exemplos de sintomas ou de observações


Tabela 3

Aprendizagem e memória Ligeira. Tem dificuldade em recordar acontecimentos recentes e depende cada vez
(Memória imediata, memória recente, mais da realização de listas ou de calendários. Necessita de lembranças ocasionais
memória de longo prazo [semântica; ou de reler para se conseguir lembrar das personagens de um filme ou romance.
autobiográfica, aprendizagem implícita]) Ocasionalmente pode repetir várias vezes a mesma coisa à mesma pessoa durante
algumas semanas. Dificuldade em recordar se pagou ou não as contas.

Major. Repete várias vezes a mesma coisa, com frequência durante a mesma
conversa. Não consegue fazer compras de acordo com uma pequena lista ou seguir
uma lista de planos para o dia. Necessita de repetidas chamadas de atenção para
se manter focado na tarefa que está a realizar.

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Estatística das Perturbações Mentais
SEGUNDO O DSM-5 (5ª ed., Texto Rev.; DSM-5; APA, 2013/2014)
Linguagem Ligeira. Tem notável dificuldade em encontrar palavras. Pode substituir termos gerais
Continuação
Tabela 3

(Linguagem expressiva [incluindo por termos específicos. Pode evitar o uso de nomes específicos de conhecidos. Os
nomeação, encontrar palavras, fluência, erros gramaticais envolvem omissões discretas ou o uso incorreto de artigos,
e gramática e sintaxe] e linguagem preposições de verbos auxiliares, etc.
recetiva)

Major. Apresenta dificuldades significativas com a linguagem expressiva ou recetiva. Usa


com frequência frases de aplicação geral tais como «essa coisa» e «tu sabes o que eu
quero dizer» e prefere os pronomes gerais aos nomes. Nos casos de défice cognitivo
grave pode até não recordar os nomes de amigos próximos ou de familiares. Ocorre
utilização idiossincrática de palavras, erros gramaticais e espontaneidade do discurso e
menor produção de discurso. Ocorrem estereotipias do discurso; a ecolalia e o
discurso automático em geral precedem o mutismo.

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DOMÍNIOS NEUROCOGNITIVOS Manual de Diagnóstico e


Estatística das Perturbações Mentais
SEGUNDO O DSM-5 (5ª ed., Texto Rev.; DSM-5; APA, 2013/2014)
Função executiva Ligeira. Aumento do esforço necessário para completar projetos com várias fases.
Continuação
Tabela 3

(Planeamento, memória de trabalho, Tem maior dificuldade em realizar múltiplas tarefas simultaneamente ou em
resposta às reações/correções dos retomar uma tarefa que foi interrompida por um visitante ou por um telefonema.
erros, inibição, flexibilidade mental,
Pode queixar-se de maior fadiga provocada pelo esforço extra que é necessário
tomada de decisões)
para organizar, planear e tomar decisões. Pode referir que grandes reuniões
sociais são mais penosas ou menos agradáveis devido ao maior esforço necessário
para seguir as mudanças de conversas.

Major. Abandona projetos complexos. Necessita de se concentrar numa tarefa de


cada vez. Precisa de contar com terceiros para planear atividades instrumentais da
vida diária ou para tomar decisões.

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Estatística das Perturbações Mentais
SEGUNDO O DSM-5 (5ª ed., Texto Rev.; DSM-5; APA, 2013/2014)
Cognição social Ligeira. Apresenta alterações subtis no comportamento ou na atitude, muitas vezes descritas
Continuação
Tabela 3

(Reconhecimento de emoções, teoria como uma alteração na personalidade, tais como uma menor capacidade de identificar
da mente) pistas sociais ou ler expressões faciais, redução da empatia, aumento da extroversão ou da
introversão, redução da inibição ou apatia ou inquietação subtis ou episódicas.

Major. Comporamento claramente fora dos limites socialmente aceitáveis; mostra falta de
sensibilidade em relação às normas socialmente aceites e de modéstia no modo de vestir
ou em temas de conversa sobre política, religião ou sexuais. Foca-se excessivamente num
tema, apesar da falta de interesse ou de reações diretas do grupo. Intenções
comportamentais sem considerar a família ou os amigos. Toma decisões sem considerar a
segurança (por exemplo, veste-se de forma não adequada à temperatura ou aos contextos
sociais).Tipicamente tem pouca noção sobre estas alterações.

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DOMÍNIOS COGNITIVOS

Segundo Madrigal (2008), as áreas cognitivas que devem ser reforçadas em


treinos são:

Atenção Gnosias
Perceção Espacial e Temporal Praxias
Cálculo Funções Executivas
Linguagem Memória

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DOMÍNIOS COGNITIVOS

 ATENÇÃO

 A atenção é o processo cognitivo que nos permite orientar para


os estímulos relevantes e processá-los para responder em
conformidade (Kramer e Madden, 2008).

 Atendendo à sua funcionalidade, devemos distinguir três tipos de


atenção

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 ATENÇÃO DOMÍNIOS COGNITIVOS

TIPO DE
Tabela 4

BREVE DESCRIÇÃO
ATENÇÃO
SELETIVA A capacidade que a nossa mente tem para se centrar em estímulos concretos e,
por conseguinte, inibir o processamento da informação não relevante.

DIVIDIDA A capacidade que a nossa mente tem para se centrar em diferentes tarefas ao
mesmo tempo.

SUSTENTADA A capacidade para manter o foco atencional numa atividade ou estímulo durante
um longo período de tempo. Nota. Elaboração própria baseado em
Bruna et. al. (2011).

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 ATENÇÃO DOMÍNIOS COGNITIVOS

 A atenção é um aspeto básico da cognição estando intimamente


ligada aos outros processos mentais, como a memória ou a
função executiva. Tendo em conta esta relação, é natural que a
disfunção atencional possa estar presente em diversas condições
onde o défice cognitivo é o principal sintoma (Verhulsdonk,
Hellen, Hoft, Supprian e Lange-Asschenfeldt, 2015)

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DOMÍNIOS
COGNITIVOS

 PERCEÇÃO ESPACIAL E TEMPORAL


 A Capacidade de avaliar como se ordenam as coisas no espaço, e investigar as
suas relações no ambiente. Uma boa percepção espacial permite-nos
compreender a disposição do nosso entorno e a nossa relação com ele.
 Além de nos localizar no espaço, permite a nossa organização no contexto em
que nos encontramos, prevenindo riscos, como por ex: ir de encontro a objetos.
 A título de exemplo, quando vamos fazer compra, a perceção espacial permite
ter em conta o "planta" dos grandes armazéns e compreender a posição das
entradas, os distintos departamentos e banheiros.

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DOMÍNIOS
 PERCEÇÃO TEMPORAL COGNITIVOS
 Descreve a experiência subjetiva do tempo e como cada pessoa
interpreta a duração de um evento. Dependendo da ocasião, a pessoa
pode sentir que o tempo passa depressa ou devagar.
 Além de estar relacionada com várias ações cognitivas e
comportamentais, também se deve ao modo como o nosso sistema
central processa a informação ambiental.
 As distorções da interpretação do tempo podem estar associadas
com algumas doenças psiquiátricas e neurológicas (Fontes et al,
2016).

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DOMÍNIOS COGNITIVOS

 CÁLCULO

 O cálculo mental é a conexão entre a lógica, a reflexão e a memória.

 Controlado pelo lobo parietal esquerdo, é responsável pelas


operações numéricas e exerce grande influência para o
desenvolvimento do raciocínio.

 O cálculo agiliza o treino cognitivo.

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DOMÍNIOS COGNITIVOS

 LINGUAGEM

 Domínio cognitivo formado por um sistema complexo e dinâmico que


permite ao ser humano a comunicação e interação com outros indivíduos
através da partilha de informações, pensamentos, conceitos, desejos,
sentimentos, necessidades e dúvidas por meio de sons, gestos e sinais, sendo,
por isso, responsável pela formação, transformação e transmissão de
conhecimento. (Moraes e Lanna, 2008).

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 LINGUAGEM DOMÍNIOS COGNITIVOS

 Os distúrbios de linguagem derivam da diminuição de aspetos


sociolinguísticos e o seu agravamento pode ser correlacionado à
intensificação do acometimento cognitivo (Klimova, Maresova, Valis, Hort e
Kuka, 2015)

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 LINGUAGEM DOMÍNIOS COGNITIVOS

Processo Principais alterações da linguagem no declínio cognitivo


Tabela 5

AFASIA Distúrbio na perceção e expressão da linguagem. Na afasia de Wernicke, a compreensão


encontra-se comprometida, mantendo a expressão verbal intacta. Na afasia de Broca, a
expressão oral é afetada e a linguagem torna-se reduzida.

ANOMIA Resulta da dificuldade em nomear pessoas ou objetos. Em pessoas com compromisso


cognitivo a anomia é compensada pelo recurso a termos vagos, circunlóquios, repetição de
ideias, uso excessivo de referências indefinidas como “coisas” ou “aquilo”, empobrecendo o
discurso e tornando-o logorreico.
PARAFASIA Deslocação da estrutura fonémica das palavras, com eliminação, inversão ou substituição de
sílabas, uso de palavras deformadas, porém, ainda identificáveis.
Nota. Adptado de Henriques (2019).

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 LINGUAGEM DOMÍNIOS COGNITIVOS

 Nos casos de pessoas com perturbação neurocognitiva, a linguagem é um dos


domínios afetados, verificando-se regularmente a presença de dificuldades em
encontrar palavras durante a conversa, dificuldade na nomeação e em tarefas
que envolvam descrição (Jokel, Lima, Fernandez e Murphy, 2019).

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DOMÍNIOS COGNITIVOS

 GNOSIAS

 Resultado de um processo no qual, os órgãos dos sentidos percebem


o estímulo do mundo exterior, transmitindo-o ao Sistema Nervoso
Central (SNC), onde este é descodificado e reconhecido.

 O comprometimento desta função (agnosia) traduz-se na


incapacidade de descodificação ou reconhecimento do estímulo,
embora não se verifique comprometimento dos órgão dos sentidos
(Moraes e Lanna, 2008).

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 GNOSIAS DOMÍNIOS COGNITIVOS

 A agnosia visual é a mais comum e é percebida quando a pessoa não


consegue reconhecer objetos, locais, cores ou faces (prosopagnosia) que lhe
são apresentados visualmente, ainda que mantenha conservado o seu
conhecimento (Moraes e Lanna, 2008;Ventura e Bottino, 2000).

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DOMÍNIOS COGNITIVOS

 PRAXIAS

 Capacidade de formular, sequenciar, coordenar e executar gestos ou


atos motores aprendidos, com uma finalidade determinada, quer seja
de forma espontânea ou sob comando (Moraes e Lanna, 2008).

 O lobo parietal do hemisfério dominante, usualmente o esquerdo, é o


principal responsável por essa função.

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 PRAXIAS DOMÍNIOS COGNITIVOS

 O comprometimento desta função (apraxia) é uma desordem na transmissão


motora, no controle de programação e da automaticidade articulatória para
uma produção voluntária e resulta da incapacidade de executar movimentos e
gestos precisos previamente aprendidos, na ausência de anormalidades
sensoriais e motoras, falta de atenção ou compreensão de comando (Lima,
Servelhere e Matos, 2011).

 Este tipo de défice dificulta a concretização de movimentos e gestos de maior


precisão, impedindo a pessoa de realizar um ato complexo intencional (Ward,
Cecato, Aprahamian e Martinelli, 2015)

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DOMÍNIOS COGNITIVOS

 FUNÇÕES EXECUTIVAS

Designam os processos cognitivos de controlo e integração destinados à


execução de um comportamento dirigido a objetivos complexos, necessitando
de subcomponentes como atenção, programação, sequenciamento temporal,
inibição de processos e informações concorrentes, monitorização e seleção de
estratégias (Kolb e Wishaw, 2008).

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Dentro das FUNÇÕES EXECUTIVAS,
encontramos diferentes processos
(Moraes e Lanna, 2008; Taussik e Wagner, 2006).
DOMÍNIOS
 FUNÇÕES EXECUTIVAS COGNITIVOS
Processo da função executiva Descrição e exemplos de exercícios
Tabela 6

Memória de trabalho Capacidade de reter informação temporariamente durante um curto


período de tempo e de a manipular (p. ex., somar uma lista de
números ou repetir uma série de números ou de palavras do fim para
o princípio).
Planeamento Capacidade de encontrar uma solução para um problema (p. ex.,
interpretar uma sequência de imagens ou um conjunto de objetos).

Resposta às reações/correções Capacidade para beneficiar das reações para inferir as regras para a
de erros resolução do problema (p. ex., realização do Wisconson Card Sorting
Test).

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DOMÍNIOS
 FUNÇÕES EXECUTIVAS COGNITIVOS
Processo da função executiva Descrição e exemplos de exercícios
Continuação
Tabela 6

Flexibilidade cognitiva Capacidade para adaptar o nosso comportamento e pensamento a novas situações,
inesperadas ou de mudança (p. ex., de números para letras, de respostas verbais
para respostas de pressionar botões, de somar números para ordenar números, de
ordenar objetos por tamanho para os ordenar por cor, teste de Stroop).
Inibição Capacidade para controlar respostas impulsivas ou automáticas e gerar respostas
mediadas pela atenção e raciocínio (p. ex., desviar o olhar da direção indicada por
uma seta; indicar o nome da cor das letras de uma palavra em vez de indicar a
palavra).
Tomada de decisões Capacidade para escolher uma opção entre várias alternativas de maneira eficiente e
pensada (p. ex., simulação de jogo).

Nota. Elaboração própria baseado em Diamond (2013).

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DOMÍNIOS
 FUNÇÕES EXECUTIVAS COGNITIVOS

 As funções executivas são o que nos permite estabelecer, manter,


supervisionar, corrigir e alcançar um plano de ação dirigido a uma
meta.

 Exemplo: planificar o nosso dia quando nos levantamos pela


manhã, pensando no que temos para fazer, por que ordem, quanto
tempo nos levará a realizar cada tarefa indo de um sítio para o
outro, assim como mudar o plano caso exista um imprevisto ou
alterem as circunstâncias.

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DOMÍNIOS
 FUNÇÕES EXECUTIVAS COGNITIVOS

 O declínio das funções executivas foi associado a um risco mais


elevado de fragilidade na terceira idade e, consequentemente,
com um maior nível de dependência (Gross et al., 2016)

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DOMÍNIOS
COGNITIVOS

 MEMÓRIA

 O cérebro tem a capacidade e a função de filtrar os dados recebidos,


selecionar a informação mais relevante e, posteriormente armazená-la.
 A informação é recebida através dos órgãos sensoriais, retida e processada.
 Neste sentido, o conceito de memória pressupõe a existência de um
conjunto de processos mnésicos que se caracterizam pelo processamento de
informações em três estágios:

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DOMÍNIOS
 MEMÓRIA COGNITIVOS

 CODIFICAÇÃO: entrada da informação.


 ARMAZENAMENTO: consolidação, manutenção da informação no sistema da
memória.
 EVOCAÇÃO: acesso e produção de informações anteriormente
armazenadas.

Estes estágios não são meramente sequenciais, existindo uma interação recíproca,
tornando-os interdependentes (Charchat e Moreira, 2008).

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DOMÍNIOS
 MEMÓRIA COGNITIVOS

Ao contrário do que é comum pensar-se, os vários elementos de um


episódio são armazenados em diferentes áreas cerebrais, pois foram
codificadas segundo diferentes códigos.
 Lóbulo Frontal: memória de trabalho.
 Lóbulo Temporal: memória autobiográfica.
 Lóbulo Parietal: coordenação de informação percetiva, memória de
curto prazo.
 Lóbulo Occipital: informação visual.
 Subcortical – Hipocampo: mapas cognitivos, codificação da
informação e memórias complexas, consolidação da memória de
longo prazo.
 Cerebelo: codificação da memória procedimental e motora.
 Amígdala: memória emocional.
Kolb e Whishaw, 2008
 Glânglios da base: memória implícita e memória de trabalho.

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DOMÍNIOS
 MEMÓRIA COGNITIVOS

Tipo de memória Breve descrição


Tabela 7

Memória de curto É entendida como um sistema de capacidade limitada que permite manter
prazo temporariamente e processar a informação que necessitamos em cada
momento para executar a tarefa que estamos a realizar. Pode ser:
 Memória imediata: inclui a retenção por alguns segundos, de um
número limitado de informações.
 Memória recente: inclui a informação recolhida entre alguns minutos e
dias, e a sua capacidade de armazenamento é maior que a da memória
imediata.

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DOMÍNIOS
 MEMÓRIA COGNITIVOS
Continuação
Tabela 7

Tipo de memória Breve descrição

Memória de Estrutura de memória com uma capacidade de armazenamento ilimitada. Contém recordações
por um prazo de tempo que pode prolongar-se desde alguns dias até décadas. Esta, por sua vez,
longo prazo
é constituída por dois grandes subsistemas:
 Memória declarativa: inclui conhecimentos baseados na experiência e na aprendizagem
conscientes, acontecimentos e datas que a pessoa pode evocar voluntariamente.
Distinguem-se dois tipos:
 Memória episódica: constituída por recordações sobre as experiências vividas pela
pessoa.
 Memória semântica: sistema de conhecimento genérico sobre o mundo e a
linguagem.
 Memória não declarativa: inclui a aprendizagem de várias habilidades que nos permitem
interagir com o meio ambiente sem consciência. Nota. Elaboração própria baseado
em Frankland e Bontempi (2005),

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DOMÍNIOS
 MEMÓRIA COGNITIVOS

A memória encontra-se envolvida desde a recuperação consciente e intencional das


múltiplas experiências passadas até à aprendizagem de novas informações, tornando-
se fundamental na construção e manutenção da personalidade e identidade da
pessoa, pelo que o seu comprometimento acarreta consequências desastrosas em
toda a esfera pessoal e social (Moraes e Lanna, 2008).

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DOMÍNIOS
COGNITIVOS

 COGNIÇÃO SOCIAL

 Conjunto de processos cognitivos mediante os quais interpretamos,


analisamos e empregamos a informação sobre aspetos sociais. Inclui o
processamento da informação social, em particular a sua codificação,
armazenamento, recuperação e aplicação em situações sociais.
 Faz referência a como pensamos acerca de nós mesmos, dos outros e dos
seus comportamentos nas relações sociais, e como damos sentido a essa
informação, emitindo comportamentos com base nela (Fernández-Sotos et al.,
2019).

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DOMÍNIOS
 COGNIÇÃO SOCIAL COGNITIVOS

 Através destas capacidades somos capazes de interpretar as emoções das


outras pessoas, deduzir se estão na origem de um episódio de alegria ou de
tristeza; bem como conseguirmo-nos colocar no lugar do outro, perante uma
determinada situação de forma a perceber como se está a sentir, o que
poderá estar a pensar ou como poderá reagir (Adolphs, 1999).

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DOMÍNIOS
 COGNIÇÃO SOCIAL COGNITIVOS

 Pessoas com PNC do foro doença de Alzheimer, tendem a apresentar défices


relacionados com a cognição social, principalmente em fases moderadas e
severas da perturbação. Já no caso de PNC Frontotemporal, os défices neste
domínio são mais severos englobando perda de empatia, dificuldade em
reconhecer expressões faciais e défices de autoconsciência (Christidi,
Migliaccio, Santamaría-García, Santangelo e Trojsi, 2018).

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ESTIMULAÇÃO COGNITIVA GLOBAL

 Pode ser definida como sendo programas baseados numa reorientação e


estimulação geral da pessoa com perturbação neurocognitiva em estádios ligeiros a
moderados.
 É um tipo de intervenção dirigido principalmente a pessoas com perturbação
neurocognitiva, que oferece várias atividades agradáveis que fornecem uma
estimulação a nível geral para a atenção, memória, linguagem, funções executivas,
entre outros domínios cognitivos, que pode ser conduzida individualmente ou em
pequenos grupos, com o intuito de melhorar o funcionamento cognitivo e social.

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ESTIMULAÇÃO COGNITIVA GLOBAL

PRESSUPOSTOS:
 Está provado que mesmo pessoas com perturbação cognitiva mantêm a sua capacidade de
neuroplasticidade e conservam parte da sua reserva cognitiva (reserva de capacidades
cognitivas, influenciadas por fatores como a inteligência, experiências de vida, escolaridade…,
que permitem à pessoa tolerar melhor mudanças patológicas no cérebro).
 Assim, existe possibilidade de, com os programas adequados, atrasar ou reverter a
progressão da doença, treinando o cérebro para criar novas conexões sinápticas e, deste
modo, outras áreas cerebrais assumirem a responsabilidade por determinadas capacidades e
da pessoa permanecer mais tempo sem manifestar sintomas da doença, mantendo-se
autónoma durante mais tempo.
 Baseada no princípio “use it or lose it” em que a estimulação mental pode impedir ou
abrandar o declínio cognitivo, devido à evidência de que a ativação dos neurónios pode
melhorar o seu funcionamento e sobrevivência.

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ESTIMULAÇÃO COGNITIVA GLOBAL

PRESSUPOSTOS (cont.):
 Promove a memória de curto prazo porque apresenta a informação por diferentes
vias (p. ex., combinação dos sistemas auditivo e visual).
 Promove a memória de longo prazo devido à repetição periódica da informação (p.
ex., duas sessões por semana), intensificando a sua importância e ajudando a que a
informação seja transmitida da memória a curto prazo para a memória a longo
prazo.
 Promove a memória de trabalho pois implica ir buscar informação às memórias de
curto e longo prazo para as assimilar e/ou manipular, sendo esta a base das funções
executivas.

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ESTIMULAÇÃO COGNITIVA GLOBAL

BENEFÍCIOS:
 Melhoria do funcionamento cognitivo.
 Aumento da qualidade de vida e bem-estar.
 Melhoria da comunicação social e interação social.
 Melhoria dos sintomas comportamentais da demência.
 Recetores deste tipo de terapia referem sentir-se mais positivos, relaxados e
confiantes.

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ESTIMULAÇÃO COGNITIVA GLOBAL

EXERCÍCIOS:
 A estimulação cognitiva global engloba os melhores elementos de várias terapias não
farmacológicas para criar um programa terapêutico baseado na evidência, entre elas:
 Estimulação / Reabilitação Neurocognitiva
 Método Montessori em Geriatria
 Terapia de Orientação para a Realidade
 Terapia de Reminiscência
 Arteterapia
 Musicoterapia
 Jogos terapêuticos para adultos

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ESTIMULAÇÃO COGNITIVA GLOBAL

EXERCÍCIOS:
O programa de estimulação cognitiva mais referenciado é o Making a Difference
desenvolvido por Spector, Thorgrimsen, Woods e Orrell (2006), adaptado para Portugal
por Apóstolo e Cardoso (2012). Composto por 2 partes, a primeira dura 7 semanas
com 2 atividades por semana (total de 14 sessões) e a segunda dura 16 semanas com 1
sessão por semana. Dirigido a grupos de 4-8 elemntos com 1-2 monitores. Os
exercícios que o compõem englobam a orientação para a realidade segundo vários
temas (dinheiro, jogos físicos, alimentação ou trivial em equipa), a identificação da
música do grupo, jogo com bola e referência da atividade anterior. Estudos recentes
comprovam a eficácia da terapia de estimulação cognitiva individual baseado neste
programa em pessoas com perturbação neurocognitiva ligeira (Justo-Henriques,
Marques-Castro, Otero,Vázquez e Torres, 2019).

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ESTIMULAÇÃO COGNITIVA GLOBAL

Spector, Orrell 14 sessões de EC em grupo. Resultados mostraram melhorias ao


e Woods nível da linguagem. Não se verificaram diferenças significativas ao
(2010) nível da memória, orientação e praxias

Aguirre et al. 14 sessões de EC em grupo. Resultados mostraram melhorias


(2012) significativas em pessoas com demência no funcionamento cognitivo
e qualidade de vida, tendo potencialmente mais benefícios para as
mulheres

ESTIMULAÇÃO COGNITIVA NAS DIFERENTES FASES DA DEMÊNCIA | Susana Justo Henriques | 2019

ESTIMULAÇÃO COGNITIVA GLOBAL

Mapelli et al. 40 sessões individuais diárias de uma hora. Verificou-se que a EC


(2013) promoveu melhorias ao nível cognitivo e comportamental em
pessoas com demência.

Justo- 2 sessões individuais por semana de 45 minutos, durante um ano


Henriques et (total de 88 sessões por participante). Verificou-se que a EC, de
al. (2019) longa duração e em formato individual, promoveu melhorias no
estado cognitivo, desempenho cognitivo e na sintomalogia
depressiva em pessoas com perturbação neurocognitiva ligeira.

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ESTIMULAÇÃO COGNITIVA GLOBAL

Cheng et al.
Revisão sistemática de ensaios aleatórios controlados que
(2019) administraram EC a pessoas com doença de Alzheimer. Concluiu-se
que a EC em combinação com fármacos é eficaz independentemente
da sua duração, embora a EC de longo prazo seja mais eficaz.

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NEUROPLASTICIDADE CEREBRAL

 A neuroplasticidade cerebral ou plasticidade neuronal é definida como a capacidade


inata dos neurónios cerebrais mudarem e reorganizarem-se constantemente de
modo a responder às necessidades dinâmicas do ambiente interno e externo.
 Esta adaptação ocorre tanto ao nível da estrutura como do funcionamento, via celular,
bioquímica, comportamental e por remodelação sináptica, ao longo da vida e em
resposta às experiências pessoais.
 Os mecanismos de neuroplasticidade variam entre os diferentes indivíduos. A
neuroplasticidade foi correlacionada de forma positiva com diversos fatores, por
exemplo, a nutrição, educação, atividade física, inputs sensoriais e emoção, e de forma
negativa com envelhecimento, lesões, variações genéticas e estilo de vida.

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NEUROPLASTICIDADE CEREBRAL

 Este processo permite otimizar as redes neuronais, fortalecendo ou


debilitando sinapses, transferindo determinada atividade cerebral associada
a uma função para outra parte do cérebro e/ou criando novas redes
neuronais.

 Neurónios lesionados conseguem regenerar-se e estabelecer novas


conexões em todas as fases da vida, embora essa capacidade seja também
influenciada por fatores intrínsecos, como a genética e o envelhecimento, e
extrínsecos, como o nível de escolaridade e o ambiente.

ESTIMULAÇÃO COGNITIVA NAS DIFERENTES FASES DA DEMÊNCIA | Susana Justo Henriques | 2019

NEUROPLASTICIDADE CEREBRAL

Neuroplasticidade e envelhecimento:
 A neuroplasticidade do cérebro diminui com a idade e afeta diferentes níveis,
desde a formação de novas sinapses ao nível molecular até à familiarização com
novos conceitos cognitivos ao nível comportamental.
 A diminuição da neuroplasticidade é considerada um dos fatores que contribuem
para o aumento da prevalência da perturbações neurocognitivas em idades mais
avançadas. No entanto, este processo permite que o cérebro se reorganize em
caso de ontogenia, para aprendizagem ou até após lesão.
 A neuroplasticidade está relacionada com a idade, alias experiências semelhantes
em diferentes idades despoletam diferentes respostas. Além disso, está
intimamente relacionada com as experiências de vida da pessoa.

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NEUROPLASTICIDADE CEREBRAL

Neuroplasticidade e envelhecimento:
 Existem evidências de que intervenções com base na saúde e no estilo de vida
que promovem a neuroplasticidade, podem melhorar o funcionamento cognitivo
em idades avançadas e reduzir o risco de demência.
 Apesar da neuroplasticidade estar diminuída em pessoas com perturbação
neurocognitiva, ela ainda está presente, nomeadamente em etapas iniciais da
doença, justificando intervenções cognitivas para atrasar ou reverter a condição.
 No caso de pessoas em fases mais avançadas da perturbação neurocognitiva, a
neuroplasticidade é nula, devido à perda de massa neuronal, desarborização
sináptica e bloqueio de neurotransmissores.

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NEUROPLASTICIDADE CEREBRAL

Neuroplasticidade e envelhecimento:
 Em pessoas idosas, a neuroplasticidade pode ser promovida através da imersão
em ambientes estimulantes, novos, que estimulem a atenção focalizada e
compostos por desafios.
 Deste modo, um estilo de vida ativo ao nível da cognição durante a vida pode
gerar uma influência positiva no funcionamento cognitivo em idades mais
avançadas e no défice cognitivo ligeiro.

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NEUROPLASTICIDADE CEREBRAL

Pauwels, Os resultados estabelecem uma relação significativa entre inconsistência,


Chalavi e plasticidade, desempenho cognitivo e trajetórias de mudança cognitiva
Swinnen relacionadas com o envelhecimento. Uma maior caracterização destes
(2018) fatores dinâmicos é necessária, assim como maior investigação da sua
utilidade como proxies da integridade neurológica e marcadores pré-
clínicos de patologias, como a demência.

Kumar et al. Demonstrou a plasticidade do córtex dorsolateral pré-frontal, sendo que


(2017) pode ser usada como medida do funcionamento desta área cerebral e
um potencial alvo de tratamento para melhorar a função desta área e a
memória de trabalho em pessoas com Alzheimer.

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NEUROPLASTICIDADE CEREBRAL

Grand, Stawski Os resultados adicionaram força à importância da plasticidade


e MacDonald ao longo da vida induzida pelo treino de tarefas. Concluiu-se que
(2016) competências motoras e de outros tipos podem ser adquiridas
em qualquer idade, embora o progresso possa ser mais lento
em pessoas mais idosas.

Díez-Cirarda As conclusões apoiam a possibilidade de que os programas de


et al. (2018) reabilitação cognitiva na doença de Parkinson, podem prevenir o
declínio cognitivo mesmo num follow-up de 18 meses, revelando
plasticidade cerebral em casos de doenças neurodegenerativa.

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ESTIMULAÇÃO COGNITIVA PARA


RECOMENDAÇÕES
AS DIFERENTES FASES DA DEMÊNCIA

 A Scottish Intercollegiate Guidelines Network recomenda a aplicação da


estimulação cognitiva em pessoas com demência no Reino Unido.
 O departamento de saúde do Reino, o National Institute for Health and Clinical
Excellence (NICE) aconselhou a estimulação cognitiva como a única intervenção
não farmacológica recomendada para sintomas cognitivos e manutenção cognitiva,
reforçando a importância desta terapia ser oferecida de forma rotineira nos
serviços providenciados.

ESTIMULAÇÃO COGNITIVA NAS DIFERENTES FASES DA DEMÊNCIA | Susana Justo Henriques | 2019

ESTIMULAÇÃO COGNITIVA PARA


RECOMENDAÇÕES
AS DIFERENTES FASES DA DEMÊNCIA

 A Alzheimer’s Research UK reforça a existência de vários benefícios da


estimulação cognitiva para pessoas com demência, incluindo melhorias na
memória, raciocínio e qualidade de vida.
 A Alzheimer’s Disease International referiu que a estimulação cognitiva deve ser
providenciada de forma rotineira a pessoas em estádios iniciais de demência pois
é eficaz e de baixo custo.
 A Direção Geral de Saúde no seu Programa Nacional para a Saúde das Pessoas
Idosas recomenda a estimulação das funções cognitivas como estratégia de
promoção de um envelhecimento ativo.

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ESTIMULAÇÃO COGNITIVA PARA


PREVENÇÃO
AS DIFERENTES FASES DA DEMÊNCIA

Prevenção / estádio pré-clínico:


 Em caso de histórico familiar de doença ou para pessoas acima dos 60 anos de
idade, prevenir é a melhor opção.
 A prevenção começa com a proatividade e isso inclui a prática de exercício físico
regularmente, apostar na qualidade do sono, promover uma dieta equilibrada
(focada em carnes brancas, peixe, fruta e vegetais, óleos saudáveis como o azeite e
diminuir a ingestão de açúcar), manter a interação social e realizar atividades que
estimulem a cognição de forma rotineira.

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ESTIMULAÇÃO COGNITIVA PARA


ESTÁDIO INICIAL
AS DIFERENTES FASES DA DEMÊNCIA

 É a fase ideal para intervir nos défices cognitivos, se possível a intervenção deveria
começar até antes do aparecimento dos sintomas, como forma de prevenção.
 Segundo a Associação Internacional da Doença de Alzheimer [ADI] (2011), em
casos de perturbação neurocognitiva ligeira existem terapias não farmacológicas
cuja eficácia foi comprovada, como é o caso do treino cognitivo, da reabilitação
cognitiva, da orientação para a realidade, da terapia da reminiscência e também da
estimulação cognitiva.

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ESTIMULAÇÃO COGNITIVA PARA


ESTÁDIO INICIAL
AS DIFERENTES FASES DA DEMÊNCIA

 O Sistema Nacional de Saúde do Reino Unido também recomenda a estimulação


cognitiva como uma terapia não farmacológica para pessoas em estádios iniciais
de perturbação cognitiva.
 O Instituto Nacional para a Saúde e Excelência Clínica [NICE] (2007) do Reino
Unido, menciona no seu guia a importância de incluir indivíduos com perturbação
neurocognitiva ligeira em programas de estimulação cognitiva. não tratamento

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ESTIMULAÇÃO COGNITIVA PARA ESTÁDIO


AS DIFERENTES FASES DA DEMÊNCIA MODERADO

 O Sistema Nacional de Saúde do Reino Unido recomenda como uma terapia não
farmacológica para pessoas com perturbação cognitiva moderada a terapia de
estimulação cognitiva, por estar provado que tem benefícios para esta população.

 O Instituto Nacional para a Saúde e Excelência Clínica [NICE] do Reino Unido,


aconselha a administração de estimulação cognitiva a pessoas com diagnóstico de
perturbação cognitiva moderada. tratamento

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ESTIMULAÇÃO COGNITIVA PARA


ESTÁDIO SEVERO
AS DIFERENTES FASES DA DEMÊNCIA

 Atendendo a que, nesta fase, a pessoa já requer bastantes cuidados, não consegue
funcionar de forma independente, a capacidade de neuroplasticidade é quase nula
e por vezes capacidades cognitivas essenciais, como a linguagem e a perceção,
estão significativamente afetadas, a estimulação cognitiva não teria efeitos
benéficos.
 A revisão sistemática realizada por Woods, Aguirre, Spector e Orrell em 2012
confirma isso, tendo-se verificado que pessoas nos estádios mais avançados da
demência não beneficiaram da estimulação cognitiva.
 Daí a importância de uma intervenção precoce, antes que a doença progrida para
um nível em que a probabilidade das terapias surtirem efeito diminui
drasticamente.

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