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NOME DA ALUNA

SUSTENTABILIDADE NA CONSTRUÇÃO CIVIL:


O USO DE PNEUS INSERVÍVEIS NA PAVIMENTAÇÃO

UNIVAP – Universidade do Vale do Paraíba


Faculdade de Engenharia
São José dos Campos
2017
NOME DA ALUNA

SUSTENTABILIDADE NA CONSTRUÇÃO CIVIL:


O USO DE PNEUS INSERVÍVEIS NA PAVIMENTAÇÃO

Monografia apresentada como requisito parcial para


conclusão da graduação de Engenharia da
Universidade do Vale do Paraíba.

Orientador: Prof. Nome do professor

UNIVAP – Universidade do Vale do Paraíba


Faculdade de Engenharia
São José dos Campos
2017
NOME, Nome da aluna. Sustentabilidade na construção civil: o uso de pneus
inservíveis na pavimentação. 2017. 48 p. Monografia (Graduação em Engenharia).
Universidade do Vale do Paraíba – UNIVAP, São José dos Campos – São Paulo.

Prof. Nome do professor/orientador, Faculdade de Engenharia/Univap,

Orientador__________________

NÃO autorizo para fins acadêmicos e científicos, a reprodução total ou parcial desta
monografia, por processo fotocopiador ou transmissão eletrônica.

Aluno: Nome da aluna


Data: _____/_____/_______.
DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho aos meus familiares, aos amigos, aos professores e colegas de
curso da UNIVAP – Universidade do Vale do Paraíba, que dedicaram seu talento
para me propor real crescimento profissional e pessoal.
AGRADECIMENTOS

À UNIVAP – Universidade do Vale do Paraíba que cedeu a biblioteca para


elaboração do estudo da arte da pesquisa e a todos os funcionários desta
instituição.

Ao meu Professor Orientador Nome do Professor pela dedicação, paciência, apoio e


enorme contribuição para a realização deste trabalho.

A minha família pelo apoio incondicional em todos os momentos da minha vida.


“Aprender é a única coisa que a mente
nunca se cansa, nunca tem medo e
nunca se arrepende”.

Leonardo da Vinci
RESUMO

O presente estudo tem por objetivo ceder revisão bibliográfica, concisa, acerca da
sustentabilidade, elucidando se a reutilização de pneus inservíveis na pavimentação
urbana além de gerar benefícios, significativo, a sustentabilidade também pode
viabilizar, as organizações de construção civil, aumento na qualidade de seus
produtos/ serviços e nos lucros das mesmas, justificando assim sua utilização por
essas. O concreto asfáltico modificado com borracha diminui as vibrações geradas
pela carga do tráfego, e resulta em danos reduzidos causados pelo esforço cíclico.
O uso de betume modificado com polímero proporciona maior longevidade e
benefícios de custo de vida útil marcados, aumentando a sustentabilidade dos
pavimentos.

Palavras-chave: Sustentabilidade. Construção Civil. Pneu. Asfalto. Pavimentação.


ABSTRACT

The objective of this study is to provide a concise bibliographical review on


sustainability, elucidating whether the reutilization of waste tires in the urban
pavement in addition to generating benefits, significant, sustainability can also make
feasible, civil construction organizations, increase in the quality of their Products /
services and profits, thereby justifying their use by them. Rubber-modified asphalt
concrete reduces the vibrations generated by traffic load, resulting in reduced
damage caused by cyclic stress. The use of polymer modified bitumen provides
increased longevity and marked cost of living benefits, increasing pavement
sustainability.

Key words: Sustainability. Construction. Tire. Asphalt. Paving.


SUMÁRIO DE FIGURAS

Figura 1 - Triple Bottom Line.......................................................................................14

Figura 2 – Três pilares da sustentabilidade................................................................19

Figura 3 - Pneu inservível...........................................................................................25

Figura 4 - Pneu triturado.............................................................................................30

Figura 5 - Gestão de resíduos....................................................................................33

Figura 6 - Trituração pneu...........................................................................................37

Figura 7 - Pavimentação com pneus inservíveis........................................................41


SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO.........................................................................................................10

2 SUSTENTABILIDADE.............................................................................................13

2.1 Conceito de sustentabilidade............................................................................14

2.2 Crescimento econômico x degradação ambiental............................................15

2.3 Pilares da sustentabilidade................................................................................18

2.4 Proteção ambiental............................................................................................20

2.5 Capacidade de suporte.....................................................................................23

3 PNEU INVERSÍVEL.................................................................................................25

3.1 Emprego de reuso de pneus inservíveis...........................................................26

3.2 Gestão de resíduos...........................................................................................32

3.3 Asfalto de borracha............................................................................................36

RESULTADOS E DISCUSSÃO..................................................................................40

CONSIDERAÇÕES FINAIS........................................................................................43

REFERÊNCIAS...........................................................................................................44
10

1 INTRODUÇÃO

A mudança e a adaptação a novos conceitos são inerentes a todos os


setores da sociedade, e para isso é necessário comprometimento das ações
empregadas para que os objetivos estabelecidos sejam devidamente
alcançados. O combate ao desperdício passa a ser o foco da gestão, o que
demanda tempo e esforço, e é por esse motivo que muitas empresas desistem
no meio do caminho, pois não conseguem alcançar o tempo de maturação
necessário para se atingir seus objetivos.
O conceito de sustentabilidade acabou se tornando um princípio, o qual
se refere ao uso de recursos naturais, a fim de satisfazer as necessidades sem
interferir na qualidade da utilização dos recursos das gerações futuras. O termo
sustentável significa sustentar; defender; favorecer, cuidar, e dessa forma a
prática sustentável da utilização dos recursos naturais necessita ser bem
orientada.
Independentemente do conceito adotado a sustentabilidade tem de ser
entendida como sendo uma questão social. Com o passar dos anos, as
discussões sobre o assunto se desenvolveram de maneira conjunta com uma
série de procedimentos que afeta a vida em sociedade, e desse modo, os
cidadãos até as organizações/ empresas, voltaram seus olhos a aplicação de
novos hábitos em prol da conscientização ambiental.
A necessidade de se ter um consumo responsável com relação aos
recursos naturais é de suma importância, pois, as modificações realizadas
pelos indivíduos na natureza devem ocorrer também com relação a busca de
produtos ecologicamente corretos e que possam ser substituídos ou reciclados.
A construção de um cenário perfeito e livre de problemas se torna utópico,
frente a busca excessiva pelo lucro das corporações. Assim, se verifica que o
cenário em que vivemos influencia o modo de pensar das pessoas, e nesse
contexto, algumas questões primordiais são deixa de lado ou esquecidas, mas
tais ações refletem no nosso modo de viver.
A noção da prática da sustentabilidade transcende o de ser uma
característica ou condição do que é sustentável, sendo que no ambiente de
11

negócios, a sustentabilidade, envolve a capacidade de ação do


empreendimento de gerar processos, produtos e serviços que não impactem
negativamente no meio ambiente e/ou que incluam ações que neutralizem os
efeitos negativos gerados. Dentro das organizações do segmento de
engenharia civil, as discussões acerca do tema sustentabilidade proporcionam
a adoção de novas práticas visualizando a utilização de diversos materiais de
descarte, tal qual é o caso dos pneus inservíveis a ceder uso na pavimentação
urbana. Os autores explicam que o reuso de pneus, ou da borracha dos
mesmos, é o processo de reciclagem, o qual se dá junto a pneus que seguem
inadequados ao uso veicular em face, principalmente, de desgaste e/ ou de
danos irreparáveis, tais como punções/ fissurações, nos mesmos.
O fato de os pneus inservíveis terem sido descritos como fonte de
problemas com relação aos resíduos, especialmente por seu grande volume
produzido/descarte, e por sua alta durabilidade/degradação, outras
características se mostram viáveis quando inservíveis alvos se mostram
atraentes para a reciclagem, ou seja, os pneus inservíveis podem ser
reciclados para uso em quadras de basquete, solas de sapato e pavimentação
urbana, onde, de um modo generalista, se pode dizer que seu reuso de pneus
emerge como parte do desenvolvimento humano sustentável, atual e futuro,
sendo a mesma parte componente dos desafios globais de sustentabilidade.
(MIHELCIC; ZIMMERMAN, 2012, p. 63).
Diante do supracitado surge a questão problema do estudo: “Quais os
benefícios que podem ser gerados pela reutilização de pneus inservíveis na
pavimentação urbana da construção civil?” Com a utilização dos pneus na
pavimentação é possível manter a qualidade da manta asfáltica para transporte
dos veículos terrestres, proporcionando qualidade de tráfego, e reduzir custos
relacionados a sua manutenção, além disso, ele é bem menos agressivo ao
meio ambiente do que os derivados de petróleo comumente utilizados, e com
isso cumpre-se a tarefa de cuidado com o meio ambiente e com a
sustentabilidade.
O presente estudo tem por objetivo ceder revisão bibliográfica, concisa,
acerca da sustentabilidade, elucidando se a reutilização de pneus inservíveis
na pavimentação urbana além de gerar benefícios, significativo, a
sustentabilidade também pode viabilizar, as organizações de construção civil,
12

aumento na qualidade de seus produtos/ serviços e nos lucros das mesmas,


justificando assim sua utilização por essas.
A metodologia empregada em presente estudo se refere a uma revisão
bibliográfica qualitativa, de caráter descritivo-exploratório, a qual inclui análise
detalhada e crítica e interpretação científico - literária de conteúdos textuais
que seguiam ligados ao tema “sustentabilidade na construção civil: o uso de
pneus inservíveis na pavimentação”. (MARCONI; LAKATOS, 2008).
O método de pesquisa bibliográfica procura iniciar a sua compreensão a
partir do levantamento realizados dos conceitos teóricos já realizados sobre um
determinado tema, publicadas por vários escritos e eletrônicos, seja em livros,
monografias, websites, dentre outros. A pesquisa qualitativa não envolve
representação numérica, mas sim, o aprofundamento da compreensão.
Quando essa é descrita como sendo básica, deve-se entende-la como sendo
uma pesquisa que buscar gerar novos conhecimentos, sem necessariamente
esses advirem de uma aplicação prática imediata. (GERHARDT; SILVEIRA,
2009).
É vital ressaltar ainda que os materiais utilizados como fonte de
pesquisa passaram por uma previa seleção de conteúdo, o que permitiu que
nesses ocorre-se separação detalhada do que seguia válido ou não ao referido
tema/ objetivo do estudo. Tal ato permitiu que os conteúdos selecionados se
tornassem base segura para a produção do estudo em si. Os conteúdos
selecionados foram coletados de artigos e livros, de publicação nacional, tendo
os mesmos sido publicados nos últimos dez anos. Os artigos foram coletados
no acervo público digital, de sites como Scielo e Lilacs, onde as palavras-
chaves foram: Sustentabilidade. Pneus inservíveis. Asfalto borracha.
Construção civil. Pavimentação.

2 SUSTENTABILIDADE
13

A sustentabilidade é uma palavra derivada do latim sustinere (subir,


elevar, para cima), podendo essa significar manter, apoiar ou suporta. Desde a
década de 80 a sustentabilidade tem sido utilizada no sentido de indicar uma
maior sustentabilidade humana no planeta Terra o que resultou na definição
lincada ao conceito de desenvolvimento sustentável. (DINIZ; BERMANN, 2012).
O desenvolvimento sustentável pode ser descrito como o processo que
visa dar suporte as necessidades humanas sem prejudicar as gerações futuras
satisfazerem as suas próprias necessidades. (MELO; SALLES; VAN BELLEN,
2012, p.701-720).
A Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Social 2005 identificou metas
de desenvolvimento sustentável, como: desenvolvimento econômico;
desenvolvimento social, e proteção ambiental. (DA ROCHA BUSCOLI;
OLIVEIRA SOUZA, 2013, p.51-68).
Este ponto de vista foi expresso como uma ilustração usando três
elipses sobreposição indicando que os três pilares da sustentabilidade não são
mutuamente exclusivas e podem reforçar-se mutuamente. Os três pilares têm
servido como uma base comum para vários padrões de sustentabilidade e
certificação de sistemas nos últimos anos, em especial para indústria de
alimentos e de energia. A tal conceito inovador de sustentabilidade se deu o
nome de “Triple Bottom Line”, o qual em português significa tripé da
sustentabilidade, onde ambiental, econômico e social seguem equilibrados
dentro dos resultados. (OLIVEIRA, 2012, p. 70-82).
14

Figura 1 - Triple Bottom Line

Fonte: Almeida, 2007, p. 45.

O desenvolvimento sustentável consiste em equilibrar os esforços locais


e globais para atender às necessidades humanas básicas sem as destruir ou
degradar o meio ambiente natural. A questão torna-se então como representar
a relação entre essas necessidades e ao meio ambiente.

2.1 Conceito de sustentabilidade

De modo simplista a sustentabilidade é algo que melhora a qualidade da


vida humana, enquanto viver dentro da capacidade de carga de apoiar
ecossistema, embora sendo vaga, transmite a ideia de sustentabilidade tem
limites quantificáveis. Referidos autores cedem ainda destaque ao fato de que
a sustentabilidade também é uma chamada à ação, uma tarefa em andamento
ou viagem, e, portanto, um processo político, por isso algumas definições e
metas devem a esse ser estabelecidas. (GALLO, 2012, p.1457-1468).
A Carta da Terra fala de uma sociedade sustentável global cujas práticas
sejam desenvolvidas com base no cumprimento do cuidado pelo meio
15

ambiente, nos direitos das pessoas em usufruir dos bens naturais, na paz
social e na justiça econômica. Porém, mais do que isso, a sustentabilidade
implica a tomada de decisão responsável e proativa e inovação que minimiza o
impacto negativo e mantém o equilíbrio entre a resiliência ecológica, a
prosperidade econômica, justiça política e a vitalidade cultural para garantir um
planeta desejável para todas as espécies, agora e no futuro. (DA ROCHA
BUSCOLI; OLIVEIRA SOUZA, 2013, p.51-68).
Compreender sustentabilidade e o desenvolvimento sustentável é
fundamental, uma vez que sem tal conhecimento não é viável se ceder metas
claras onde liberdade e justiça sejam utilizados em prol do bem comum.
(MELO; SALLES; VAN BELLEN, 2012, p.701-720).
Um dos principais motores do impacto humano sobre sistemas terrestres
é a destruição de recursos biofísicos não renováveis e ecossistemas. O
impacto ambiental de uma comunidade ou da humanidade, como um todo,
depende tanto da população como dos indivíduos, uma vez que esse depende
das formas complexas em que as pessoas se utilizam de seus recursos, e
cedem destino/ uso a seu lixo. Assim, tão importante como elevar a gestão aos
recursos renovais é elevar a gestão de produtos inservíveis (outrora
considerado lixo/ descarte) a fim de propiciar em crescimento econômico
sustentável evitando a degradação ambiental. (GALLO, 2012, p.1457-1468).

2.2 Crescimento econômico x degradação ambiental

Historicamente, tem havido uma estreita relação entre o crescimento


econômico e a degradação ambiental. Essa tendência é claramente
demonstrada nos gráficos que relacionam crescimento da população humana,
crescimento econômico e indicadores ambientais. (BERMANN, 2008).
O crescimento econômico insustentável tem sido duramente comparado
com o crescimento maligno de um câncer uma vez que esse, tal qual o câncer,
corrói a Terra, os serviços e os ecossistemas, os quais são o suporte à vida.
16

O fato de que existe uma grande preocupação de que, com a utilização


desenfreada dos recursos não renováveis, a civilização moderna global siga o
caminho das civilizações antigas que entraram em colapso através
superexploração de seus recursos. (MISOCZKY; BÖHM, 2012, p.546-568).
O fato de que enquanto a economia convencional vem ligada ao
crescimento econômico e o desenvolvimento social global a economia
ecológica vem ligada ao crescimento econômico e seus efeitos sobre os
recursos naturais, buscando com essa produzir uma escala econômica
sustentável a todos, tendo a mesma o lema de que “o negócio não pode ter
sucesso se a sociedade tiver falha. (SANTOS, 2013).
Economistas da base ambiental relatam que a associação entre
produção econômica e qualidade ambiental vem sendo cada vez mais utilizada
em todo o mundo, sendo o fato altamente positivo, uma vez que quando essas
são utilizadas em modo conjunto a capacidade econômica crescer sem incorrer
negativamente na base ambiental. (GRZEBIELUCKAS; CASAMAR; SELIG,
2012, p.322-332).
A associação entre produção econômica e qualidade ambiental tem sido
considerados como sendo um tema emergencial ao planeta. Referido autor
lembra que em 2011, o Painel de Recursos Internacional, organizada pelo
Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), advertiu que,
se nada for feito/ mudado, em 2050 a raça humana, anualmente, poderá vir a
consumir cerca de 140 bilhões de toneladas de minerais, minérios,
combustíveis fósseis e biomassa, número esse três vezes superior à taxa de
consumo de 2011. Tal relatório ainda observou que só os cidadãos dos países
em desenvolvimento, tal qual o Brasil, consumiriam um quarto do total das
toneladas indicadas de consumo para 2050, ato que viria em decorrência do
baixo índice de educação da população, em especial no que refere a
sustentabilidade. (PINTO, 2011).
No que refere à tecnologia em prol da sustentabilidade, em especial no
segmento da construção civil, existem pontos de vista conflitantes sobre o fato
de ser as inovações tecnológicas serem ou não eficientes a sustentabilidade no
que refere a dissociação completa do crescimento econômico e a degradação
ambiental. As discussões se fixam em dois pontos:
17

1. Tem sido repetidamente afirmado, por especialistas em eficiência,


que a intensidade de utilização dos recursos (ou seja, energia e
uso de materiais por unidade do PIB) poderia, em princípio, ser
reduzida, em pelo menos quatro ou cinco vezes, permitindo assim
a continuidade do crescimento econômico sem aumentar o
esgotamento de recursos e poluição associada.
2. Por outro lado, uma extensa análise histórica da melhoria da
eficiência tecnológica mostrou, conclusivamente, que a melhoria
da eficiência do uso de energia e materiais foram quase sempre
ultrapassados pelo crescimento econômico, em grande parte por
causa do efeito rebote (conservação) ou Paradoxo de Jevons,
resultando em um aumento líquido no uso de recursos e poluição
associada. Além disso, esses não são inerentes termodinâmicos
(ou seja, a segunda Lei da termodinâmica) e limites práticos para
tudo deter de eficiência e melhorias. Assim, pode-se dizer que
uma vez que é praticamente impossível aumentar a eficiência da
utilização dos recursos indefinidamente, é igualmente impossível
manter contínuo o crescimento econômico, sem um aumento
concomitante no esgotamento de recursos e poluição ambiental,
ou seja, o crescimento econômico e o esgotamento dos recursos
podem ser dissociados em algum grau, a curto prazo, mas não a
longo prazo. Por conseguinte, a sustentabilidade, a longo prazo,
requer a transição para uma economia de estado estacionário,
onde o PIB permanece mais ou menos constante, ato que já foi
anteriormente defendido por Herman Daly e outros na economia
ecológica comunidade, que indicavam que o ponto chave a se
manter o planeta benéfico e sustentável a vida é ou se
“estacionar” o PIB ou se elevar o investimento no uso de recursos
renováveis. (MISOCZKY; BÖHM, 2012, p.546-568).

Um recurso renovável é uma forma orgânica de se utilizar um bem


orgânico, uma vez que o referido recurso pode ser reposto após seu uso, seja
por meio da reprodução biológica ou por meio de processos que naturalmente
18

se renovam. Os recursos renováveis são uma parte do ambiente natural da


Terra e os maiores componentes da sua ecosfera. (GOLDEMBERG; LUCON,
2007).
Historicamente, recursos renováveis, como lenha, látex, carvão vegetal,
cinzas de madeira, cores vegetais como índigo e produtos de baleia foram
cruciais para as necessidades humanas, mas não conseguiram suprir a
demanda no início da era industrial. Nos ditos “tempos modernos” puderam ser
vislumbrados grandes problemas advindos do uso excessivo de recursos
renováveis com base no desmatamento, pastoreio excessivo e pesca
desenfreada, ato que trouxe à tona, em 2005, grandes discussões sobre o
tema na Cúpula Mundial sobre o Desenvolvimento Social. (DA ROCHA
BUSCOLI; OLIVEIRA SOUZA, 2013, p.51-68).

2.3 Pilares da sustentabilidade

A Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Social 2005 identificou três


pilares chave para se deter de um desenvolvimento sustentável, sendo esses
que o primeiro é o desenvolvimento econômico; o segundo o desenvolvimento
social; e o terceiro a proteção ambiental. Esses três pilares foram expressos,
em todo o mundo, na forma de uma ilustração de elipses sobrepostas, a qual
indica que os três pilares da sustentabilidade não são exclusivos e por isso
podem ser reforçados mutuamente. Na verdade, os três pilares são
interdependentes e a longo prazo não podem existir um sem os outros.
(COREMAL, 2016).
19

Figura 2 – Três pilares da sustentabilidade

Fonte: Coremal, 2016. Pg 1.

Os três pilares da sustentabilidade têm servido, nos últimos anos, como


base para numerosos padrões de sustentabilidade e certificações de sistemas,
em particular na construção civil e na indústria de alimentos.
Os pilares da sustentabilidade buscam ditar é que o desenvolvimento
sustentável consiste em equilibrar os esforços locais e globais para atender às
necessidades básicas humanas sem destruir ou degradar o meio ambiente
natural, e investir pesado não somente no uso sustentável como também no
reuso de itens indicados como inservíveis/ descartáveis, ato que também
auxilia, imensamente, no aumento da qualidade de vida de todos. (BELLEN,
2007).
Em sua concepção, os pilares da sustentabilidade podem ser definidos,
como sendo o mínimo a se fazer para se alcançar uma melhora na qualidade
da vida humana na Terra, a qual equilibra capacidade produtiva X
ecossistemas. Embora vaga essa definição claramente transmite a ideia de que
a sustentabilidade tem limites quantificáveis. (DINIZ, 2012).
Os limites da sustentabilidade também podem ser quantificados por uma
visão política, o que tem possibilitado que algumas definições permitam a
definição de metas e valores comuns, tal qual os observados na carta da terra
que fala de uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela
natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e em uma
cultura de paz.
20

Assim, em linhas gerais, pode-se dizer que a sustentabilidade implica na


tomada de decisões responsáveis e proativas de inovação a minimiza o
impacto negativo e manter o equilíbrio entre a resiliência ecológica,
prosperidade econômica, justiça política e vitalidade cultural para garantir um
planeta desejável para todas as espécies, agora e no futuro, com base na
capacidade de suporte de tal. (BOFF, 2012).

2.4 Proteção ambiental

O meio ambiente passou a ser tutelado a partir do momento em que se


percebeu que a sua degradação afetaria a qualidade de vida dos homens que
habitam a terra ou até mesmo sua sobrevivência. Além disso, percebeu-se que
um meio ambiente sadio era necessário para que se pudessem garantir outros
valores já incorporados à sociedade. Portanto, a preservação do meio
ambiente não é um fim, por si só, mas um meio de realização de outros valores
já positivados.
Cabe lembrar que é preciso existir harmonização e coerência entre os
valores já protegidos e aquelas condutas necessárias para que eles sejam
garantidos e protegidos, o que indiretamente, fará com que o meio para tanto,
de torne também um valor, pois estão intrinsecamente ligados.
O que despertou a consciência ecológica foi a revolução industrial e a
explosão demográfica, bem como a valorização das manifestações históricas e
artísticas na formação da identidade de um povo. Com a revolução industrial,
viu-se aumentar a necessidade de consumo e a produção de lixo, o que, hoje
já se sabe, causa grande poluição. Surgiram então aqueles que eram contra a
industrialização e a destruição da natureza, que serve a todos, em benefício de
poucos, estes foram chamados de ecologistas, seu objetivo era proteger esse
novo valor, qual seja, o da preservação do meio ambiente.
Em 1972, o Clube Roma, formado em 1968 para debates políticos,
econômicos e sociais, publicou um livro intitulado Os Limites do Crescimento,
nos quais trazia consequências do crescimento rápido da população mundial,
21

levando em consideração que os recursos naturais são limitados. Tudo isso,


levou que fosse criado o direito ambiental, que é a área do conhecimento
jurídico que visa o estudo das interações do homem com a natureza, bem
como os mecanismos legais para sua proteção. (PHILIPPI; MALHEIROS,
2012).
Segundo QUADROS, 2009, p. 72:
“O ambiente pode ser compreendido como substantivo ou adjetivo.
Enquanto substantivo é mais abrangente e será aquilo que cerca os
seres vivos e as coisas em geral, sendo, portanto, o ar que
respiramos, as árvores, os animais, a paisagem, espaços, recintos,
lugares, conjunto de influências abstratas, intelectuais, ou seja, o
meio em que vivemos. Enquanto adjetivo será a qualidade daquilo
que nos envolve, que é envolvente, como a temperatura ambiente”.

Contudo, um meio ambiente equilibrado e preservado é meio para sadia


qualidade de vida, sendo, todavia, composto por recursos, que são meios para
o progresso de nossa sociedade, principalmente à riqueza. Assim, percebe-se
que, tanto o que o compõe, quanto o meio ambiente como um todo, são
necessários. Daí a necessidade de equilíbrio entre a extração e a preservação
da natureza que nos supre as necessidades. O meio ambiente passou a ser
tutelado a partir do momento em que se percebeu que a sua degradação
afetaria a qualidade de vida dos homens que habitam a terra ou até mesmo
sua sobrevivência.
Percebe-se que um meio ambiente sadio era necessário para que se
pudessem garantir outros valores já incorporados à sociedade, tal como
qualidade de vida, dignidade humana, cidadania, nacionalidade, solidariedade,
preservação de todas as formas de vida. Portanto, a preservação do meio
ambiente não é um fim, por si só, mas um meio de realização preservação de
outros valores já efetivados e que necessitam de proteção. Assim, é preciso
que haja uma harmonização e coerência entre os valores já protegidos e
aquelas condutas necessárias para que eles sejam garantidos e protegidos, o
que indiretamente, fará com que o meio para tanto, de torne também um valor,
pois estão intrinsecamente ligados.( SACHS, 2002).
Segundo BURZRTN, 2001, p. 58:

“O que despertou a consciência ecológica foi a revolução industrial e


a explosão demográfica, bem como a valorização das manifestações
históricas e artísticas na formação da identidade de um povo. Com a
22

revolução industrial, viu-se aumentar a necessidade de consumo e a


produção de lixo, o que, hoje já se sabe, causa grande poluição. A
partir daí surgiram então aqueles que eram contra a industrialização e
a destruição da natureza, que serve a todos, em benefício de poucos,
estes foi chamado de ecologistas, seu objetivo era proteger esse
novo valor, qual seja, o da preservação do meio ambiente”.

Assim, surgiu a criação da proteção ambiental e cujo estudo visa


analisar a interação do homem com a natureza, bem como os mecanismos
para sua real proteção. Os recursos naturais devem ser utilizados de forma
inteligente, de maneira a colocar o interesse dos seres humanos e do Planeta
acima do desenfreado interesse econômico, causador de graves problemas
ambientais.
Desse modo, todos os atos realizados em face da proteção ambiental
pelo Estado de uma forma geral suscitam indiretamente uma reflexão sobre a
ética, pois, o meio ambiente representa a essência da vida humana seja dessa
ou das novas gerações. E por isso, todos os fatos relacionados a destruição
ambiental que envolvem diretamente a ação humana devem ser objetivo de
discussões.
Os aspectos próprios da cidadania guardam intimidade com o processo
de democratização das relações humanas. Os Direitos Sociais suscitam
comportamentos adequados dos dirigentes das instituições que formam a rede
social, esses direitos somente serão realidade quando escorrerem como a
água por todas as frestas e orifícios da sociedade, assim, a educação será o
veículo condutor da população pelo caminho que a levará ao encontro da
consciência cidadã.
A falta da predisposição indica indiferença, pois, a sociedade acaba
induzindo os indivíduos em programas de responsabilidade social, e de
educação ética em suas atividades, embora devam conter capacidade para
compreender a atitude ética para decidir sobre o que é ser ético num mundo
onde impera a desvalorização humana.
Segundo DIAS, 2010:

“A responsabilidade social baseia-se no entendimento de que as


“organizações são instituições sociais” só existem porque a sociedade
deseja e permite. Sendo assim, há entendimento no sentido de que
essas organizações afetam diretamente o convício social e
consequentemente a qualidade de vida dos indivíduos”.
23

De qualquer maneira que se analisem os problemas da nossa sociedade


em suas estruturas sociopolíticas, seus processos econômicos, seus sistemas
sempre deixam um fundo de insatisfação. Obviamente, as estruturas morais
das crianças e dos jovens não tiveram a força necessária para enfrentar as
exigências da transição para a vida adulta e os adolescentes estão tratando por
todos os meios de encontrar novos conceitos que possam guiá-los em suas
decisões fundamentais a respeito de seu futuro.

2.5 Capacidade de suporte

Na escala global, dados científicos têm indicado que os seres humanos


estão vivendo além da capacidade de suporte do planeta Terra, o que não
pode continuar indefinidamente ou uma catástrofe, sem precedentes, poderá
ocorrer. É interessante ressaltar que não é de hoje que estudos científicos
cedem alertas sobre a necessidade de pensamentos mais sustentáveis para o
planeta, ato que se comprova em 1972 com a publicação da Avaliação
Ecossistêmica do Milênio, o qual se deu após um exame detalhado e precoce
de limites globais ao crescimento. Em 2012 a Avaliação Ecossistêmica do
Milênio recebeu uma revisão feita por 22 pesquisadores, de diversos países, os
quais expressaram preocupações acerca dos resultados, ditando que o
indicado em 1972 a ocorrer em 2050 já pode ser conferido em presente ano, o
que indica que, se nada for feito, ainda em 2020 se poderá ser vislumbrada a
denominada mudança de estado na biosfera, o que gerará mudanças
significativas no clima, vegetação, distribuição de águas, gelo e deserto em
todo o mundo. Referidos pesquisadores indicaram ainda que se algo for feito a
reverter o consumo no mundo, talvez, o ciclo de mudanças de estado poderia
ser reduzido ou mesmo revertido, porém para isso ocorrer o mundo
necessitaria deter em uma pegada ecológica o quanto antes. (MIHELCIC;
ZIMMERMAN, 2012).
A pegada ecológica apresenta maior impacto sobre o consumo e o reuso
de produtos pelo homem, o que viabilizaria que a terra se mantenha
24

biologicamente produtiva, tendo tempo para absorver o descartado, e refazer o


que será necessário ao consumo. (BOFF, 2012).
O crescimento da população tem uma influência marcante sobre os
níveis de consumo e eficiência dos recursos do planeta, sendo uma das metas
centrais da sustentabilidade elevar o padrão global de vida sem aumentar o
uso de recursos para além dos níveis globalmente sustentáveis, ato que
poderia ser mais facilmente alcançado com a adoção da gestão de resíduos
que mesmo sendo indicados como sendo inservíveis possuem sim
empregabilidade prática no cotidiano humano, tal qual é o caso dos pneus
inservíveis que, em especial na construção civil, onde esses detém de uma
ampla gama usos sustentáveis e ecologicamente corretos. (RAMALHO, 2009).

3 PNEU INSERVÍVEL
25

A reciclagem de pneus inservíveis ou reciclagem de borracha é o


processo de reciclagem dos pneus de veículos automotores que já não são
mais adequados para uso devido ao desgaste ou a existência de danos
irreparáveis nos mesmos. (FARIA, 2006).
Os pneus inservíveis estão entre as maiores fontes de problemas
quando se pensa em sustentabilidade, em face ao grande volume de produção,
durabilidade e o grande número de componentes tóxicos, que são
ecologicamente problemáticos, contidos nesses. No entanto, as mesmas
características que tornam os pneus inservíveis um problema, também acabam
por torná-los alvos atraentes a reciclagem uma vez que sua borracha bem
como sua ferragem interna podem ser reutilizados em diversos segmentos,
sustentáveis ou não. (MENDES; NUNES, 2009).

Figura 3 - Pneu inservível

Fonte: Mendes, 2009.

Os pneus inservíveis quando reutilizados em diversas ações


sustentáveis, mais da metade desses acabam simplesmente sendo queimados
por seu valor de combustível, o que cede reuso aos mesmo, porém, também
cede emissão de gases e fumaças tóxicas na atmosfera gerando mais
degradação do que benefícios ao planeta.
26

Os aterros sanitários rejeitam a recepção de pneus por diversos motivos,


sendo pelo grande volume que geram, o qual rapidamente consome espaço
valioso do aterro, e por sua emissão de gases de metano, o que gera bolhas de
superfície flutuante e traz riscos de explosão e danos na forragem do aterro
que tem por finalidade manter os contaminantes do mesmo longe do contanto
do solo e dos lençóis freáticos, evitando assim a contaminação desses.
Os pneus inservíveis são indevidamente armazenados ou ilegalmente
descartados, esses podem também trazer grandes riscos de incêndios que são
muito difíceis de serem extinguidos e, tornarem-se verdadeiras armadilhas a
vida/ saúde humana uma vez que começam a servir como reservatórios de
água da chuva e por consequência serem áreas ideais para a reprodução de
mosquitos, ou mesmo roedores, transmissores de doenças.
O reuso dos pneus inservíveis, dentre outros atos, ajuda a reduzir o
número de pneus em armazenamento, minimizando drasticamente o risco
desses a saúde do homem e do planeta. (THIVES, 2011. p. 1-8).
O descarte ilegal de pneus inservíveis polui ravinas, bosques, desertos e
terrenos baldios; o que levou muitos países pelo mundo, incluindo o Brasil, a
criar normatizações Legais a ceder uma logística reversa a gerar uma gestão
adequada desses. Referido autor ressalta ainda que, infelizmente, ainda hoje, o
armazenamento ou descarte inadequado de pneus inservíveis está ligado a
falta de consciência ambiental ou mesmo educação ambiental dos indivíduos
que o fazem, sendo necessárias medidas Legais e educativas a mudá-las na
sociedade. (FARIA, 2006).

3.1 Emprego de reuso de pneus inservíveis

Embora os pneus sejam normalmente queimados, não reciclados, os


esforços para sua reutilização encontram valor na sustentabilidade. Os pneus
podem ser reciclados para serem utilizado, por exemplo, na pavimentação de
asfalto. A pirólise pode ser usada para reprocessar os pneus em gás
combustível, óleos, resíduos sólidos (carvão), com baixo teor de carbono.
27

O ciclo de vida do pneu pode ser identificado pelos seguintes passos:


 Desenvolvimentos e inovações de produtos como compostos
aprimorados e modelagem de pneus aumentam a vida útil de sua
utilização, além de proporcionar redução no desperdício de
pneus;
 Produção adequada e qualidade proporcionam benefícios a
população;
 Distribuição direta através de varejistas, reduz o tempo de
inventário e garante que a vida útil e a segurança dos produtos;
 As opções de uso dos pneus são inúmeras assim, como seus
benefícios;
 Fabricantes e varejistas definem as políticas de retorno,
recauchutagem, e substituição de reduzir os resíduos gerados a
partir de pneus, assumindo total responsabilidade pelo seu
descarte ou à sua reutilização;
 Reciclagem de pneus são desenvolvidas através de estratégias
que visam processar resíduos em novos produtos. (DIAS, 2016).

A pirólise é um dos principais tipos de reciclagem empregada aos pneus


inservíveis, em todo o mundo, sendo essa utilizada a ceder o reprocessamento
dos pneus em gás combustível, óleos motores e resíduos sólidos (carvão) de
baixo grau de fumo negro. ( THIVES, 2011. p. 1-8).
Embora grande parte dos pneus, ainda hoje, seja queimado a fim de
servir como fonte combustível, uma nova mentalidade verde tem indicado
ótimos usos desses na reciclagem sustentável o que cede aos mesmos um
novo valor. Existem diversos outros empregos ao uso de pneus inservíveis que
podem além de ser ecologicamente mais corretos também são
economicamente mais atraentes do que a simples pirólise desses, tais como:

 Na engenharia da construção - os pneus inservíveis podem ser


utilizados com diversas segmentação tais como: preenchimento
de blocos, enchimento de pilares de pontes, isolamento térmico,
sistemas de drenagem séptica, contenção lateral de aterros,
28

barreiras de colisão, controle da erosão, escoamento de águas


pluviais, tapetes de detonação, controle de ação de ondas sobre
pierse, barreiras sonoras e na construção de casas onde os
pneus são enchidos com terra e cobertos com concreto;
 Na criação de recifes – recifes artificiais podem ser construídos
utilizados pneus que são ligados, entre si, em grupos. Existe
alguma controvérsia sobre a forma como os pneus são eficazes
como um sistema de recife artificial, um exemplo é The Reef
Osborne projeto que se tornou um pesadelo ambiental que vai
custar milhões de dólares para corrigir, no entanto, diversos
especialistas indicam que, quando corretamente planejados,
esses recifes artificiais podem ser bem-sucedidos gerando
benefícios a biodiversidade marinha;
 Na moda/ vestuário – cortes de pneus são usadas em alguns
produtos de vestuário, tais como malas, mochilas, sandálias,
cintos e solas de sapato;
 Nas siderúrgica – essas podem utilizar os pneus inservíveis como
fonte de carbono, substituindo o carvão;
 Na produção de produtos moldados – nesse tipo de reuso a
borracha processada/ moída dos pneus inservíveis são
misturadas com compostos de borracha virgem, a produzir novos
itens de borracha, com o intuito de manter o desempenho dos
mesmos enquanto reduz, substancialmente, o custo final desses.
Alguns exemplos desses produtos são: tapetes de veículos,
materiais de revestimento, para-choques portuários, plataformas
de pátio, blocos de cruzamento da estrada de ferro, tapetes de
gado, telhas de borracha, paletes, dormentes, piso de áreas
esportivas e de lazer também;
 Na pratica esportiva - pneus inservíveis podem ser aplicados
como equipamento de exercício para programas esportivos, tais
como o “pneu Run” onde os pneus estão dispostos lado a lado, e
o atleta tem de pisar no interior de cada pneu em ato acelerado, o
que o leva a fazer pequenos “pulos”;
29

 Na pavimentação - a utilização da borracha dos pneus inservíveis


pode ser amplamente empregada na pavimentação de vias
urbanas, ato que pode ser conseguido com a fusão, a quente, das
migalhas de borracha dos pneus na base asfáltica ou no concreto,
levando esses a serem denominados de asfalto emborrachado.
(NEVILLE; BROOKS, 2013, p. 211).

O asfalto emborrachado, asfalto ecológico ou simplesmente Concreto


Asfalto Emborrachado (CAE), é, basicamente, o pavimento asfáltico
conseguido com a mistura de cimento com a borracha advinda de pneus
inservíveis. O CAE é um material de pavimentação asfáltica de estradas feita
pela mistura de base asfáltica com a borracha, moída, de pneus inservíveis que
são, em póstuma, misturados com materiais agregantes asfálticos
convencionais gerando então uma mistura liganosa que é, então, utilizada a
gerar pavimentação de estrada/ vias urbanas de fluxo automotor. (UNICEUB,
2016).
O CAE tem sido classificado economicamente como sendo um dos
maiores mercados industriais emergentes dos Estados Unidos da América
(EUA), podendo outros países deterem de mesma classificação se, adotarem
pequenos adendos de Lei e/ ou Regulamentações que estimulem ações
voltadas ao reuso de pneus, ato que, além de ser economicamente
interessante as nações, é ecologicamente atraente em face de sua
segmentação sustentável. (MENDES; NUNES, 2009).
No final de 2012, as indústrias de pneus atuantes no Brasil tiveram de se
“encaixar”, em definitivo, as normativas de logística reversa que acabaram por
serem atreladas a Resolução 258/ 99, do Conselho Nacional do Meio
Ambiente. (BRASIL, 1999, p. 1).
Por isso, atualmente, grande parte pneus produzidos/ utilizados no Brasil
são reciclados/ reutilizados na indústria, em especial nas de asfáltica/
pavimentação, que, basicamente, buscam atender as normativas legais do
país, ceder reuso sustentável aos pneus, e aumentar a durabilidade asfáltica
das vias urbanas no país. Nesse ponto, indicar que o reuso de pneus
inservíveis na pavimentação é aprovada pelo IBAMA (Instituto Brasileiro do
30

Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) como sendo fim


sustentável e ambientalmente adequado aos mesmos. (RAMALHO, 2009).

Figura 4 - Pneu triturado

Fonte: Ramalho, 2009.

Com tais medidas Legais, desde findo 2013, o Brasil recolheu cerca de
183 toneladas de pneus inservíveis, o que equivale dizer que cerca de 36,6
milhões de unidades de pneus de veículos de passeio foram levados ao reuso
sustentável no país. Assim, pode-se dizer ainda que as normativas de logística
reversa atreladas a Resolução 258, do Conselho Nacional do Meio Ambiente,
tornaram possível que, de 1999 a 2013, cerca de 2,46 milhões de toneladas de
pneus inservíveis fossem recolhidos e devidamente destinados ao reuso com
foco sustentável no país. (THIVES, 2011. p. 1-8).
A coleta se fez possível no Brasil graças a investimentos, advindos dos
fabricantes de pneus, de aproximadamente US$ 212,30 milhões, no programa
de Reciclanip, entidade ligada à ANIP (Associação Nacional da Indústria de
Pneumáticos). (BALAGUER, 2012).
O CAE não é só um produto sustentável, ele é economicamente atrativo
uma vez que pode gerar diversos benefícios, tendo visto que esse: rentável,
durável, seguro e detém de fácil manuseio.
31

No que refere aos benefícios do CAE basicamente são:

 O CAE detém de longa duração quando comparável ao asfalto


dito tradicional. Estudos de caso têm demonstrado,
repetidamente, que CAE, quando concebido e construído de
forma adequada, pode durar até 50% mais tempo que o asfalto
dito tradicional/ comum;
 Na maioria das aplicações, o CAE pode ser usado com uma
espessura reduzida em comparação com sobreposições de
asfalto convencionais, o que pode resultar em redução
significativa de material e custos;
 Ele resiste a rachaduras em face, principalmente, da sua alta
resistência de dilatações por variação de pressão e temperatura,
o que cede ao mesmo redução imensa de custos com
manutenção;
 Melhor resistência de derrapagem, o que pode proporcionar uma
melhor tração e menores riscos de derrapagem, elevando a
segurança das vias;
 O CAE mantém a cor escura por mais tempo o que favorece o
destaque das marcações da pavimentação, as deixando mais
destacadas/ visíveis;
 Apresenta menor propagação de ruídos da circulação veicular. O
ruído gerado pelo veículo vem do ruído aerodinâmico dos pneus.
Em velocidades superiores a 50 mph, o ruído dos pneus no
pavimento tradicional é equivalente a 70dBA, enquanto que no
CAE o ruído é de cerca de 3dBA. O ruído causado pela circulação
veicular em grandes estradas, quase sempre, se dá por meio da
construção de paredes de som, ao longo das mesmas, onde o
som gerado pelo deslocamento veicular é “contido” na estrada,
ato que (1) é caro, (2) pode prejudicar a atuação dos condutores
que passam entre essas paredes de isolamento sonoro e (3) pode
reduzir o valor venal de imóveis que circunde área que
32

contenham tais paredes de isolamento uma vez que toda a


aparência do local fica comprometida;
 Apresenta melhor custo X eficácia quando comparado a
pavimentação asfáltica dita tradicional/ comum;
 Benefícios ambientais infinitos, uma vez que o CAE se utiliza da
borracha de pneus inservíveis os retirando da deposição na
natureza e os cedendo nova destinação ecologicamente correta.
(BALAGUER, 2012).

Mesmo detendo o CAE de um custo pouco mais elevado do que a


pavimentação asfáltica dita tradicional/ comum esse é compensado,
imensamente, com os benéficos de médio e longo prazo desses. No entanto,
referido autor destaca o fato de que o CAE se limita quando comparado ao
asfalto tradicional/ comum no que refere a sua colocação, sendo que essa não
pode se dar em ambiente úmido ou em locais onde a temperatura esteja em
extremos (muito frio ou muito quente). O CAE deve ser colocado/ assentado
em dias sem chuva, em solo seco e com temperaturas acima de 13ºC e
inferiores a 40ºC.

3.2 Gestão de resíduos

A gestão dos resíduos pode ser descrita como sendo o conjunto de


atividades e ações necessárias para gerir os resíduos desde seu início
produtivo até à sua eliminação final, o que inclui, entre outras coisas, recolha,
transporte, tratamento e eliminação de resíduos juntamente com o
acompanhamento e regulação desses. (PHILIPPI; MALHEIROS, 2012).
O termo gestão de resíduos normalmente se refere a todos os tipos de
resíduos, quer gerado durante a extração de matérias-primas, a transformação
de matérias-primas em produtos intermediários e finais, o consumo de produtos
finais, ou outras atividades humanas, incluindo as municipais (residencial,
33

institucional e comercial), os agrícolas e as sociais (saúde, resíduos


domésticos perigosos, lamas e depuração).( MUHRINGER, 2007).

Figura 5 - Gestão de resíduos

Fonte: Muhringer, 2007.

Em linhas gerais, se pode dizer que a gestão de resíduos busca reduzir


os efeitos adversos dos resíduos na saúde, no ambiente ou na estética de uma
biosfera. A gestão de resíduos também engloba o quadro Legal e regulamentar
no que diz respeito à gestão de resíduos, abrangendo orientação sobre
34

descartes, logística e reciclagem de itens, sendo interessante frisar que tal


gestão não é uniforme entre os países, sendo que cada nação tem sua própria
Legislação/ normativa a cerca dessa.
A gestão de resíduos existe, basicamente, por dois fatores, o primeiro é
que alguns resíduos, por serem danosos/ perigosos/ tóxicos, devem ter seu
descarte, cuidadosamente, gerenciado a fim de evitar danos saúde e a todo o
ecossistema do planeta e, o segundo está relacionado com o fato da grande
maioria dos resíduos terem um reuso valioso, sendo esse encontrado pela
gestão dos mesmo a qual encontra endereçamento/ destino correto a esses,
gerando diversos benefícios, diretos ou indiretos, a todos, tais como:

 Economia – a gestão de resíduos cede melhora na eficiência


econômica das nações uma vez que cede melhor aproveitamento
e tratamento dos meios e recursos da nação, criando junto a
esses novos mercados onde práticas eficientes de produção e
consumo são aplicadas resultando na (1) recuperação de itens
valiosos, (2) melhor utilização de recursos, (3) maior geração de
renda e (4) menor desperdício de matérias primas;
 Social – a gestão de resíduo acaba por ceder redução nos
impactos negativos sobre das ações produtivas e de consumo do
homem sobre a saúde geral e o meio ambiente, gerando
sociedades mais equilibradas e socialmente desenvolvidas
gerando, basicamente, melhora na saúde, qualidade de vida e
emprego dessas;
 Ambiental - a gestão de resíduo cede redução e/ ou eliminação de
impactos negativos sobre o meio ambiente através da redução,
reutilização e reciclagem de itens de descarte, o que cede (1)
menor extração de recursos, (2) melhor qualidade do ar, (3)
melhor qualidade das águas e (4) redução do efeito estufa;
 Equidade entre gerações - a gestão de resíduo viabiliza a prática
de gestão eficazes de itens de descarte, o que pode fornecer, em
especial as gerações futuras, uma economia mais robusta e justa,
35

uma sociedade inclusiva e um ambiente mais limpo. (PHILIPPI;


MALHEIROS, 2012).

Há uma série de conceitos generalistas sobre gestão de resíduos que,


mesmo variando de nação para nação, em suas raízes se mantém
equivalentes. Alguns desses conceitos incluem:

 Hierarquia de resíduos – essa se refere aos “3 Rs” reduzir,


reutilizar e reciclar, que classificam as estratégias de gestão de
resíduos de acordo com sua conveniência, em termos de
minimização de resíduos. O objetivo da hierarquia dos resíduos é
o de extrair o máximo de benefícios práticos de produtos gerando
uma quantidade mínima de resíduos. A hierarquia dos resíduos
representa a progressão de um produto/ material através dos
estágios sequenciais da pirâmide de gestão de resíduos;
 Ciclo de vida de produtos – essa se inicia com a concepção, em
seguida, prossegue através de fabricação, distribuição, uso e, em
seguida, segue através de estágios da hierarquia de resíduos de
reduzir, reutilizar e reciclar. Cada uma das fases anteriores do
ciclo de vida oferece oportunidades para a intervenção política, a
repensar a necessidade para o produto, para redesenhar a
minimizar o potencial de resíduos, para estender seu uso. A
chave por trás do ciclo de vida de um produto é para otimizar o
uso de recursos limitados do mundo, evitando a geração
desnecessária de resíduos;
 Eficiência dos recursos – essa reflete o entendimento de que, o
crescimento global atual, em sua esfera econômica e de
desenvolvimento, não pode ser sustentado com os padrões de
produção e consumo atuais. Globalmente, estamos extraindo
mais recursos para produzir bens do que o planeta pode repor. A
eficiência dos recursos é a redução do impacto ambiental da
produção e do consumo destes bens, desde a extração de
matéria-prima final a última utilização e eliminação. Este processo
de eficiência dos recursos pode abordar a sustentabilidade
36

produtiva de itens variados, tais como os pneus. (PHILIPPI;


MALHEIROS, 2012).

A reciclagem de pneus, ou reciclagem de borracha consiste no processo


de reciclagem de pneus de resíduos que não são mais adequados para uso em
veículos devido ao desgaste ou danos irreparáveis. Estes pneus são uma fonte
problemática de resíduos, e devido ao grande volume produzido à durabilidade
dos pneus e seus componentes são ecologicamente prejudiciais ao meio
ambiente. O asfalto de borracha é utilizado para fortalecer e melhorar o asfalto
das ruas e estradas, e sua utilização visa melhorar a resistência, visando
amenizar as rachaduras ocasionadas pelo tráfego de veículos. Além do mais, a
utilização do pneu no asfalto aumenta o tempo de manutenção, e
consequentemente reduz o custo, e aumenta a vida útil das estradas.

3.3 Asfalto de borracha

O uso primário de asfalto (betume) está em 70% da construção de


estradas, onde é utilizado como cola ou aglutinante misturado com partículas
agregadas para criar betume asfáltico. O concreto de asfalto com borracha,
também conhecido como asfalto borracha é o pavimento material que consiste
em betuminoso misturado com granulado de borracha feitos a partir de
reciclados pneus. (LAGARINHOS; TENÓRIO, 2012).
O concreto asfáltico de borracha é um material de pavimentação de
estradas feito com a mistura de pneus reciclados para produzir um aglutinante
que é então misturado com materiais agregados convencionais na construção
do asfalto. Esta mistura é então colocada e compactada numa superfície de
estrada.
O pneu para ser utilizado no asfalto deve primeiramente ser triturada
(processo denominado de chip) até chegar ao formato de granulação de
micropartículas tendo entre 1,5mm a 3 mm de diâmetros. A partir daí o pneu
pode ser transformado em litigante, ou seja, um litigante asfáltico é obtido
37

através da combinação de polímeros visando obter uma mistura que será


utilizada como asfalto com maior durabilidade, maior elasticidade, menor
deformação e menor potencial de criação de ruídos. Os pneus usados são
processados separando as carcaças, o tecido e o aço. A borracha extraída é
então moída para a consistência do café moído. Aproximadamente 1.500
pneus são usados para cada pista-milha de pavimentação de borracha.
(BERTOLLO; JÚNIOR; SCHALCH, 2002).

Figura 6 - Trituração pneu

Fonte: Bertollo et. al., 2002.

Dois requisitos de controle de qualidade são necessários quando se usa


borracha asfáltica, o primeiro é que a borracha asfáltica precisa ser agitada
constantemente para manter as partículas em suspensão; e a segunda é que
com o processo de trituração do pneu o fenômeno da devulcanização e
despolimerização pode fazer com que a borracha peca sua elasticidade, e se a
borracha asfáltica for mantida a altas temperaturas por mais de 6-8 horas isso
significa dizer que ela deve ser usada dentro de no máximo 8 horas após a sua
produção. (RODRIGUES; HENKES, 2015, p. 448- 473).
38

O asfalto feito com pneu de borracha é um produto com alguns


benefícios, ou seja, ele é rentável, durável, seguro, silencioso e uma alternativa
ambientalmente amigável quando comparado com o método de pavimentação
de estradas tradicional, dentre seus benefícios é possível citar:

 Custo-benefício: na maioria das aplicações o asfalto feito com


pneu inservível pode ser usado com uma espessura reduzida em
comparação com sobreposições de asfalto convencionais - em
alguns casos com metade da espessura do material
convencional, isso pode resultar em redução significativa de
material e economia de custos;
 O asfalto feito com pneu inservível é durável, seguro, silencioso e
duradouro. O asfalto com é mais resiste à fissuração, o que pode
reduzir os custos de manutenção. Além disso, o ele proporciona
uma melhor resistência ao deslizamento, o que pode proporcionar
uma melhor tração dos veículos circulantes;
 Amigável com o ambiente: a pratica e/ou ato de reutilizar e de
forma inovadora ter uma visão economicista de saber reciclar.
Essa postura pode representar resultados em benefícios próprios
e também para a sociedade e às futuras gerações.
(LAGARINHOS; TENÓRIO, 2012).

A borracha reciclada dos pneus é utilizada como componente de vários


produtos vulgarmente designados por produtos derivados de pneus. Tais
produtos incluem misturas de pavimentação de asfalto. Dentro dos projetos de
pavimentação o asfalto modificado por borracha permite a estruturação das
vias de tráfego por veículos automotores.
Os pneus não reciclados são resíduos que trazem enorme problema
global por causa da sua não biodegradabilidade, ou seja, a sua inflamabilidade
e composição química levam à extração de substâncias tóxicas. Como eles são
pesados, grossos os pneus de sucata apresentam desafios distintos na
reciclagem e descarte.
Os resíduos de pneus são geralmente descartados após a ocorrência do
desgaste do material. Ao mesmo tempo, eles também são indesejáveis em
39

aterros e têm provado ser uma ameaça ambiental. Devido ao grande volume
de pneus descartáveis, eles ocupam um grande espaço valioso em aterros
sanitários.
Segundo FARIA, 2006:
“Para converter o pneu residual em um produto valioso, ele deve
primeiro ser reduzido em tamanho e depois reciclado. O processo de
reciclagem começa primeiro pela trituração de pneus em pequenos
chips gerenciáveis que são então resfriados a temperaturas
criogênicas, fazendo com que as peças se tornem quebradiças. Estas
peças frágeis são então pulverizadas num material que deve ser
rastreado para remover grandes pedaços de borracha ou polímero”.

Durante o processo de reciclagem do pneu, o seu fio de reforço é


removido, assim, como a sua fibra é removida. O aço é removido por ímãs e a
fibra é removida por aspiração, ou seja, as partículas de borracha são
peneiradas e separadas em diferentes frações de tamanho, conforme sua
destinação.
As partículas de borracha resultantes são consistentemente
dimensionadas e muito limpas, pois, os sistemas automatizados de
ensacamento ajudam a garantir pesos apropriados para os sacos e eliminam
eventuais contaminações que possam ocorrer nesse processo.( GOMES
FILHO, 2007).
Na mistura final de asfalto emborrachado, a borracha de pneu é
misturada no ligante de asfalto no terminal de asfalto ou refinaria e é enviado
para a fábrica de produção de asfalto como um ligante acabado, sem
manipulação adicional ou processamento necessário. A borracha de pneu é
incorporada no asfalto para proporcionar óleos de estireno, butadieno, e
aromáticos proporcionando um material estável e homogéneo que será
devidamente aplicado nas vias terrestres. (LAGARINHOS; TENÓRIO, 2012).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A sociedade é eticamente responsável pela condução e reestruturação


da trajetória da natureza e da história do mundo contemporâneo. Dessa forma,
acredita-se que por intermédio desta investigação haverá uma possível
conscientização da promoção da educação para a sustentabilidade com a
40

intenção de contribuir com o desenvolvimento da Responsabilidade


Socioambiental.
A educação para a sustentabilidade teve e continuará tendo nas
imensuráveis iniciativas socioambientais públicas globais, nacionais e locais as
suas mais importantes fontes de desenvolvimento. Consequentemente, a
educação vem se afirmando como a mais expressiva área capaz de multiplicar
as ações humanas em favor de uma melhor qualidade de vida às gerações.
(ALMEIDA, 2007).
Sob outra ótica, sabe-se que a mobilização por um planeta com menos
desigualdades e agressões à natureza vem se tornando uma necessidade para
a sobrevivência. Nessa perspectivação, também se considera que criar e
promover diferentes práticas voltadas a sustentabilidade em áreas expressivas
da sociedade, mediante práxis diferenciadas é uma opção bastante
interessante, especialmente, quando voltada para a conscientização pela
preservação e criação de hábitos sustentáveis. (BOFF, 2012).
A educação para a sustentabilidade por intermédio da educação
ambiental e, ainda, mediante a implementação de uma gestão participativa,
materializada através de organizações educacionais, denota o quanto ações
políticas públicas ou privadas tornam-se aliadas consistentes para melhorar a
conscientização e a responsabilidade socioambiental. Por isso, quando falamos
em sustentabilidade há de se ter em mente que tal termo foi criado para definir
um conjunto de ações relacionadas umas com as outras, e atividades humanas
que visam suprir as atuais necessidades sem prejudicar as próximas gerações,
ou seja, a sustentabilidade está diretamente ligada ao desenvolvimento
econômico, social, ambiental e cultural para que se possam evitar contínuas
agressões ao meio ambiente, fazendo com que seja feita a utilização
inteligente dos recursos naturais para que se garanta um desenvolvimento
sustentável. (DIAS, 2010).
Os americanos geram quase 300 milhões de sucata de pneus a cada
ano, de acordo com a Environmental Protection Agency (EPA). Historicamente,
esses pneus geralmente acabavam em aterros, tornavam-se criadouros para
mosquitos e roedores portadores de doenças, além de representar potencial
risco de incêndio. (RODRIGUES; HENKES, 2015, p. 448- 473).
41

Figura 7 - Pavimentação com pneus inservíveis

Fonte: Rodrigues, 2015, p. 448-473.

Segundo a National Science Foundation (NSF), nos Estados Unidos o


pneu de borracha está sendo experimentado em diferentes tamanhos de
partículas, as vezes com acréscimo de outros componentes visando melhorar
os materiais e a qualidade do asfalto, assim, como o seu envelhecimento. O
asfalto de pneu inservível é muito durável. (DIAS, 2016).
A borracha de asfalto é o maior mercado de borracha moída,
consumindo cerca de 220 milhões de libras, ou aproximadamente 12 milhões
de pneus, de acordo com a EPA. Na Califórnia e no Arizona a maior
quantidade de borracha asfáltica utilizada está na construção de estradas,
seguido pela Flórida. Outros estados que estão usando borracha asfáltica, ou
estão estudando seu potencial, incluem Texas, Nebraska, Carolina do Sul,
Nova York e Novo México. (RODRIGUES; HENKES, 2015, p. 448- 473).
A borracha para pneus de solo, quando misturada com asfalto, produz
superfícies de estrada mais duradouras e pode reduzir o ruído da estrada e a
necessidade de sua manutenção. As aplicações de asfalto têm o potencial de
contribuir para a solução do crescente problema de resíduos sólidos, desde
que sejam abordadas as questões de engenharia e ambiental.
42

É importante reconhecer que a utilização de pneu inservível na


pavimentação não é apenas triturar um estoque de pneus velhos e adicionar a
borracha ao asfalto quente. O processo de manuseio e trituração é
cuidadosamente planejado e monitorado para produzir um material de borracha
limpo e altamente consistente. A borracha é produzida através de um processo
de moagem de pneus de borracha em partículas muito pequenas. Trabalhar
com asfalto emborrachado é muitas vezes muito semelhante ao asfalto
tradicional. Pode ser ligeiramente mais duro e mais pegajoso de trabalhar com
que o asfalto regular. (GOMES FILHO, 2007).
O equipamento de pavimentação convencional é usado para aplicar
asfalto de borracha. O único equipamento especializado necessário é a fábrica
de borracha que mistura borracha com asfalto para a fabricação da
pavimentação. Unidades portáteis podem ser configurados e operadas no local
em menos de um a três dias, e as aplicações de pulverização são aumentadas
para acomodar o material viscoso. As novas tecnologias que contribuíram para
a utilização do pneu no asfalto têm mais uso em misturas densas e graduadas
e que são adequadas para a pavimentação de ruas, estradas, estacionamentos
e etc. (LAGARINHOS; TENÓRIO, 2012).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Em face da pesquisa teórica e da pesquisa prática concluímos que a


reutilização de pneus inservíveis na pavimentação, além de gerar benefícios,
significativo, a sustentabilidade também pode viabilizar, as organizações de
construção civil, aumento na qualidade de seus produtos/ serviços e nos lucros
das mesmas, justificando assim sua utilização por essas.
43

O concreto asfáltico modificado com borracha diminui as vibrações


geradas pela carga do tráfego, e resulta em danos reduzidos causados pelo
esforço cíclico. O uso de betume modificado com polímero proporciona maior
longevidade e benefícios de custo de vida útil marcados, aumentando a
sustentabilidade dos pavimentos. Portanto, com a utilização dos pneus na
pavimentação é possível manter a qualidade da manta asfáltica para transporte
dos veículos terrestres, proporcionando qualidade de tráfego, e reduzir custos
relacionados a sua manutenção, além disso, ele é bem menos agressivo ao
meio ambiente do que os derivados de petróleo comumente utilizados, e com
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