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Imunologia

Testes Imunológicos
01-Teste de Imunodifusão em gel de ágar: usado para sorologia (pesquisa de anti-
corpos). Orifícios são escavados no ágar e as soluções-teste de antígeno (Ag) e anti-
corpo (Ac) são adicionadas. Estas soluções se difundem e onde Ag e Ac encontram-se
há a ligação, podendo então precipitar formando-se uma linha de precipitação. Se dois
antígenos estiverem presentes na solução e ambos forem reconhecidos pelos Ac, duas
linhas de precipitação serão formadas independentemente.

-Utilização: brucelose, anemia infecciosa eqüina, vírus da ‘língua azul’, vírus da


febre aftosa e leucose bovina.

-Características: teste simples e barato, boa especificidade, baixa sensibilidade


(aspecto negativo, porque precisa de uma grande quantidade de Ac)

-Fatores que interferem: concentração (Ag-Ac), temperatura (ambiente, 25-


35ºC), peso molecular, formato da molécula, viscosidade do meio

Identidade Total: usa-se um Ac padrão, um Ag padrão e o soro


(amostra), para mostrar que há alguma doença específica ou não (Ac do soro forma
identidade com Ac padrão).

Identidade Parcial: o Ag do animal é inespecífico. Uma parte do Ac não


forma uma linha igual ao do soro (amostra)

Não identidade: os Ac usados (do animal e padrão) agem um contra o


outro, não reconhecendo alguma proteína.

02-Teste de Imunoeletroforese: algumas misturas de antígeno são complexas para serem


estudadas por imunodifusão, então usa-se a técnica de Imunoeletroforese.

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03-Teste de Imunoflorescência: é uma técnica que permite a visualização
de antígenos nos tecidos ou em suspensões celulares utilizando corantes fluorescentes,
que absorvem luz e a emitem num determinado comprimento de onda.

Direta: a solução-teste do Ac fluoresceinado é aplicado em gota sobre o


corte, incubada e lavada. Qualquer Ac ligado é revelado sob a luz U.V. do microscópio.
O campo da objetiva fica escuro com áreas fluorescentes onde o Ac estiver ligado.

Indireta: o Ac aplicado ao corte é visualizado utilizando-se um anti- Ac


fluoresceinado.

Utilização: raiva

04- Aglutinação: Principalmente pesquisa de Ac, pesquisa de Ag. Pode ser qualitativa
ou quantitativa (diluição seriada – título de soros).

-Aglutinação em látex

-Aglutinação em ágar

-Aglutinação em lâmina

05-Teste de ELISA: esse teste detecta a presença de Ac normalmente, mas pode ser
usado para detecção de antígeno. Põe-se Ag na placa e adiciona-se soro com Ac do
animal na placa, permitindo que haja a ligação Ag-Ac específico. Após um período de
incubação a placa é lavada para retirar os Ac não ligados. Para detectar os Ac ligados
aos Ag é utilizado um conjugado (anticorpo anti-imunoglobulina ligado quimicamente à
uma enzima). Após um período de incubação a placa é lavada para retirar os conjugados
não ligados. Então é adicionado um substrato cromogênico para detectar a presença da
ligação Ag-Ac.

Interpretação: a intensidade da cor desenvolvida pelo substrato é proporcional a


quantidade de anticorpos (específicos para o antígeno) presentes no soro. A intensidade
pode ser analisada por um espectrofotômetro (quantitativamente).

06-Soro proteção: utiliza-se 3 cobaias (ratos). No 1º rato inocula-se um anticorpo A, no


2º um anticorpo B e no 3º um anticorpo C. Logo em seguida inocula-se nesses ratos um
Vírus C. Como só o rato nº 3 tinha o anticorpo C,

Evolução do programa sanitário

- Fase de controle: custo com diagnóstico e vacinação;

- Fase de erradicação: custo com eliminação dos focos;

- Zona livre: custo com vigilância ativa.

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Teste Diagnóstico (aplicação)

-Indivíduo: conhecimento da doença a fim de instituir tratamento: Medicina


Veterinária Curativa;

-Em uma população: confirmar a presença, estimar a prevalência e confirmar a


ausência. Permite diferenciar infectados de sadios.

-Diagnóstico de situação: fase de planejamento, definição de prioridades,


possibilidades de uso de amostragem;

-Fase de ataque: saneamento do rebanho, papel dos inconclusivos ou suspeitos,


exames regulares de todos os suscetíveis.

-Fase de manutenção: vigilância epidemiológica, possibilidade de uso de


amostragem.

Características de um Teste

-Precisão: resultados consistentes em várias realizações;

- Acurácia ou validade: resultados próximos da situação real;

- Padrão ouro de realidade:

Gold standard: funciona com um controle de qualidade.

Limiar de detecção de alguns testes:

Primários: mais precisos;

Ex.: Radioimunoensaio, elisa.

Secundários:

Ex.: Precipitação em gel (baixa sensibilidade)

Padronização dos testes:

Infecção experimental: sensibilidade e especificidade absolutas.

Teste ideal

Máxima sensibilidade e especificidade, simplicidade de execução, baixo custo,


disponibilidade do material (relação custo-benefício).

Sensibilidade

Capacidade de identificar corretamente os infectados ou doentes.

Erro: falsos negativos.

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Especificidade

Capacidade de identificar corretamente os não infectados ou sadios, mais


especifico (menos sensível)

Erro: falsos positivos.

Impacto dos erros nos diagnósticos:

Falso negativo: permanência de fontes de infecção no rebanho.

Falso positivo: eliminação desnecessária de animais saudáveis.

Reflexão: nível de Prevalência; fase inicial e fase final de um programa. Ajuste


dos critérios segundo o momento.

Imunidade Contra Vírus


As principais células do sistema imune inato contra vírus são as células
exterminadoras naturais e macrófagos ativados.

A infecção viral de linfócitos leva à produção de citocinas antivirais os IFNs, os


quais ativam diversos mecanismos antivirais em células teciduais ainda não infectadas
(ex: inibição da síntese protéica e degradação do RNA/DNA viral) tornando-as
resistentes à infecção.

As respostas imunes adaptativas (específicas) são ativadas, com o aparecimento


de células T citotóxicas, células T auxiliares e anticorpos que neutralizam vírus
impedindo re-infecção e disseminação nas fases extracelulares.

O complemento também exerce atividade nas infecções virais embora seja mais
importante na infecção bacteriana e parasitária.

Mecanismo de Escape Viral

-variação antigênica;

-proteínas que bloqueiam Fc, citocinas e complemento;

-proteínas que inibem o transporte de MHC I (evitando assim a identificação de


células infectadas);

-Alguns vírus são difíceis de eliminar, pois entram em um estado quiescente


dentro das células quando não se replicam nem geram peptídeos derivados virais
suficientes para sinalizar sua presença para as células T citotóxicas. O desenvolvimento
deste estado de dormente, é denominado latência e não causa doença, é uma estratégia
característica do herpes vírus.

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Hipersensibilidade

Distúrbios causados por respostas imunológicas são chamados doenças por


hipersensibilidade. Normalmente, a resposta imune erradica os organismos infectantes
sem lesão séria aos tecidos dos hospedeiros. Entretanto, algumas vezes estas respostas
são inadequadamente controladas, ou inapropriadamente direcionadas para tecidos do
hospedeiro e nestas situações a resposta imune é a causa da doença.

Causas e tipos de doenças por hipersensibilidade: as respostas imunes podem


ser patológicas em virtude de diversas anormalidades diferentes

-Auto-imunidade: uma falha dos mecanismos normais de autotolerância


resulta em reações contra as células e tecidos do próprio organismo. As doenças
causadas por auto-imunidade são denominadas ‘doenças auto-imunes’

-Reações contra micróbios: respostas imunes contra antígenos


microbianos podem causar doença se as reações forem excessivas ou os micróbios
forem inusitadamente persistentes. Se Ac forem produzidos contra estes antígenos, eles
podem se ligar aos antígenos microbianos produzindo complexos imunes, os quais se
depositam nos tecidos e desencadeiam inflamações. As respostas das células T contra
micróbios persistentes podem dar origem a inflamação grave, algumas vezes com a
formação de granulomas; esta é a causa de lesão tecidual na tuberculose e em outras
infecções.

-Reações contra antígenos ambientais: a maioria dos indivíduos não


reage contra substâncias ambientais comuns, geralmente inofensivas, mas quase 20% da
população é ‘anormalmente responsiva’ a estas substâncias. As reações contra estas
substâncias ambientais podem ser causadas por reações de hipersensibilidade imediata
ou do tipo retardado (DTH).

Tipos de hipersensibilidade Mecanismos imunopatológicos Mecanismos de lesão tecidual e doença

Hipersensibilidade imediata: Tipo I Anticorpo IgE liga-se ao Mastócitos e seus mediadores (aminas
mastócitos e há liberação de vasoativas - imediata, mediadores lipídicos
mediadores. [prostaglandinas, leucotrienos e fator
ativador de plaquetas] e citocinas - tardia)

Hipersensibilidade mediada por anticorpo: Anticorpo IgM e IgG contra Opsonização e fagocitose de células.
Tipo II antígenos da superfície ou da
matriz extracelular. Recrutamento e ativação de leucócitos
(neutrófilos e macrófagos) mediados por
complemento e receptor Fc.

Anormalidades em funções celulares (Ex.:


sinalização por receptores hormonais).

Hipersensibilidade mediada por Complexos imunes de antígenos Recrutamento e ativação de leucócitos


complexos imunes: Tipo III circulantes e anticorpos IgM e mediados por complemento e receptor Fc.
IgG

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Hipersensibilidade mediada por células T: 1. Células T CD4 1. Ativação de macrófagos,
Tipo IV (hipersensibilidade do inflamação mediada por citocinas.
tipo tardio)
2. Destruição direta de células-alvo,
2. Células T CD8 (citólise inflamação mediada por citocinas.
mediada por células T)

Resposta Primária: é o 1º contato com o antígeno. Formação de anticorpos (+ demorada


porque não tem células de memória). Grande quantidade de IgM. Formação de células
de memória.

Resposta Secundária: subseqüente exposição ao antígeno. Formação rápida de


anticorpos (porque possui células de memória já), maior quantidade de anticorpos do
que na primária. Grande quantidade de IgG.

Doenças auto-imunes: a auto-imunidade resulta de uma falha ou interpretação dos


mecanismos normalmente responsáveis para manter a autotolerância em células B,
células T, ou ambas. Os principais fatores que contribuem para o desenvolvimento de
auto-imunidade são a suscetibilidade genética e os desencadeantes ambientais, como as
infecções. As doenças auto-imunes podem ser sitêmicas ou órgão-específicas.

Resposta 1ª Resposta 2ª IgM

IgG

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Referências Bibliográficas

Abbas, A.K. e Lichtman, H. Imunologia Celular e Molecular. Editora Elsevier, 2005.


Balestieri, F.M.P.

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