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TEORIA E TÉCNICAS PSICOTERÁPICAS I - PSICANÁLISE.

ALUNA: DANIELA DE OLIVEIRA LOPES


MATRICULA: 201520707
RELATÓRIO
IDENTIFICAÇÃO DO TRABALHO
O fator presente no filme é a transferência da figura paterna da criança com o
psicólogo, além da contratransferência do psicólogo em relação a seu último paciente com
graves problemas no qual ele não conseguiu ajuda-lo e em decorrência disso ambos vieram a
óbito.

RELATO
No filme, o psiquiatra infantil Malcolm Crowe, após vencer um prêmio especial por
sua carreira, ele reencontra um rapaz que havia tentado curar, mais que não obteve sucesso. O
rapaz alega que o doutor não foi capaz de ajudá-lo e acaba dando um tiro contra ele, se
matando logo depois. Um ano depois do ocorrido, Malcolm conhece Cole Sear, um garoto
com as mesmas características de seu outro paciente, então em meio a essa situação Crowe
acredita que se conseguir ajudar o menino, estaria de alguma forma ajudando a si mesmo e
àquele menino no qual ele havia falhado. Porém, Cole possui um segredo que deixará o
psiquiatra surpreso. O garotinho vê fantasmas, que os machucam e atormentam o tempo
inteiro. Crowe, além de se culpar devido que no passado não conseguiu ajudar seu paciente,
ele possui problemas no seu casamento em decorrência do seu trabalho, mas não vê como
salvá-lo, por se sentir um estranho na presença de sua esposa. Já Cole Sear, além de ser
atormentado por assombrações, não consegue fazer amigos na escola, por acharem ele
estranho. Foi abandonado pelo pai na infância e Cole estabelece uma relação paternal com
Malcolm, denominando-o como o único adulto confiável de seu círculo. A perda do pai foi o
primeiro rompimento familiar do garoto, mas também o princípio traumático acompanhado de
suas visões fantasmagóricas. O garoto tem consciência de que nem todos são capazes de ver
os ‘fantasmas’, mas por medo de rejeição, ele não contar seu problema à mãe. Além da mãe
possui dois empregos para manter o sustento familiar, ela parece ignorar ou desconhece os
problemas que o filho sofre na escola.

RELAÇÃO COM OS PRESSUPOSTOS TEÓRICOS

 TRANSFERÊNCIA.
A transferência é considerada um elemento importante para a psicanálise, pois durante
a análise é importante que haja pouca intervenção do psicanalista. Com o objetivo de que o
paciente possa projetar os seus sentimentos e pensamentos, ou seja, por meio da transferência,
o paciente pode reconstruir e resolver conflitos reprimidos, os causadores de sua doença.
Então, Freud vem conceituar a transferência como:
Transferências são reedições, reduções das reações e fantasias que, durante o avanço
da análise, costumam despertar-se e tornar-se conscientes, mas com a característica
de substituir uma pessoa anterior pela pessoa do médico. Dito de outra maneira: toda
uma série de experiências psíquicas prévias é revivida, não como algo do passado,
mas como um vínculo atual com a pessoa do médico. Algumas são simples
reimpressões, reedições inalteradas. Outras se fazem com mais arte: passam por uma
moderação do seu conteúdo, uma sublimação. São, por tanto, edições revistas, e não
mais reimpressões. (FREUD, 1969. v. 7, p. 109-19)
Então a transferência, seria basicamente isso, onde ocorre quando o analisado projeta
geralmente no seu analista as pessoas do convívio presente ou figuras importantes do passado.
Esse processo acontece normalmente de maneira inconsciente, mas simbólica e esse
procedimento é considerado importante na terapia e na cura do paciente. Diante disso, “Freud
postula que o paciente não recorda coisa alguma do que esqueceu e reprimiu, mas expressa-o
pela atuação, ou seja, ele reproduz o reprimido não como uma lembrança, mas como uma
ação repetitiva e inconsciente.” (ISOLAN, 2005)
Nessa perspectiva, a transferência ocorre na relação entre paciente e psicanalista, com
isso, acrescido de sua infância o desejo do paciente diante do processo terapêutico se
apresenta atualizado. Logo, ocorre a repetição de modelos infantis, mas também figuras
parentais.
“Foi apenas em 1909 que Freud parou de considerar a transferência como algo contra-
produtivo para o processo analítico. Pois, até então, a transferência era considerada um
obstáculo para a análise, uma resistência do paciente.” (LÖSCH, s.d..)
A ocorrência da transferência parece ter um caráter ambivalente, e essa relação se
destaca tanto no relacionamento analista-paciente quanto o inverso, ou seja,
dificultando a fluidez da análise. No entanto a transferência é condição para que o
tratamento ocorra e, ao mesmo tempo, a maior resistência possível ao tratamento.
(ROBERT, s.d)
Nesse contexto, a transferência se torna um grande instrumento por meio do qual o
analista pode trabalhar o passado do paciente, ou seja, transferindo os desejos e as figuras para
o analista, além das impressões dos primeiros vínculos afetivos que podem ser sentidos e
vivenciados novamente na atualidade. Entretanto a transferência pode possuir um caráter
ambivalente, pois levando em consideração a relação analista-paciente e o inverso dela, pode
dificultar o andamento da análise, ou seja, Robert esclarece bem essa questão, “a transferência
é condição para que o tratamento ocorra e, ao mesmo tempo, a maior resistência possível ao
tratamento.”.
Dessa forma, a utilização da transferência é considerada importante na técnica de
análise. De acordo com esses estudos Freud criou e sistematizou uma teoria da técnica
analítica, permitindo assim uma compreensão e a articulação de fenômenos clínicos gerados
pelo tratamento.
Freud afirma que nas psiconeuroses, sentimentos afetuosos e hostis, conscientes e
inconscientes ocorrem lado a lado e são direcionados respectivamente para a mesma pessoa.
Assim, repetir, resistir e elaborar são trabalhos que acontecem neste ambiente que engloba a
proporção da ambivalência.
 CONTRATRANSFERÊNCIA.
A contratransferência seria as emoções que o terapeuta sente no decorrer de uma
análise, em relação ao paciente, e que são relacionadas com situações da sua própria vida, que
o afetaram consciente e inconscientemente, ou seja, assim como os pacientes têm
transferência, os analistas têm a contratransferência.
Segundo Isolan (2005), a contratransferência inicialmente passou pelas mesmas
vicissitudes da transferência, sendo vista como uma manifestação indesejável no tratamento.
O conceito de contratransferência foi introduzindo por Freud que o definiu como sendo aquilo
que "surge no médico como resultado da influência que exerce o paciente sobre os seus
sentimentos inconscientes". (FREUD, 1969, p.125-36)
A contratransferência não ganhou muito credibilidade inicialmente, devido a
estudiosos e psicanalistas acreditarem que era necessário um controle diante da
contratransferência, pois poderia ser perigoso não saber a necessidade e a utilidade dela.
Afirma então, Laplanche e Pontalis (2001) que o fenômeno da contratransferência se ampliou
depois de Freud, principalmente à medida que o tratamento foi sendo compreendido enquanto
uma relação e também com a expansão da psicanálise a novos campos, a análise de pacientes
psicóticos e de crianças, sendo assim essas reações inconscientes do analista podiam ser mais
solicitadas.
Após Freud, o conceito tomou novas conotações, ampliando consideravelmente a
sua compreensão. Pode-se dizer que quase cada autor que escreveu sobre o
fenômeno da contratransferência nestas últimas décadas, apresentou sua própria
versão. Há desde os que consideram como contratransferência a totalidade das
reações do analista como relação ao paciente, aos que limitam o conceito às
respostas eliciadas pela contratransferência do paciente, sem falar na concepção
atualmente mais divulgada, segundo a qual a contratransferência compreende as
reações oriundas do inconsciente do analista, vinculadas experiências da infância do
analista, projetadas na relação analítica. (ANDRADE, 1983)
O desenvolvimento do conceito de contratransferência surgiu quando passou a
considerar os aspectos positivos, principalmente como elemento importante para a
compreensão do inconsciente do paciente. Esclarece Andrade (1983), “a reação ou atitude
contratransferencial deixou de ser considerada como um simples obstáculo, e a sua natureza
terapêutica passou a ser reconhecida e valorizada.”.
A contratransferência é um dos conceitos fundamentais do campo analítico, além de
ser uma das mais complexas e controversas entre as diferentes correntes psicanalíticas, mas
que permanece até hoje problemática. Diante dos textos escritos por alguns teóricos a
contratransferência é uma reação inevitável do analista.

ANÁLISE CRÍTICA
O filme faz a relação do real com o sobrenatural, ou seja, primeiramente expressa à
realidade, através do acompanhamento com o terapeuta em sua linha de raciocínio em um
homem da ciência, onde todos “os sintomas” são completamente preenchidos para elaboração
de um diagnóstico de um transtorno mental. Já a questão do sobrenatural dos fantasmas, nota-
se uma correlação do sobrenatural com a realidade, sendo não apenas fantasmas de outro
mundo, mas também os fantasmas internos, principalmente os do psicanalista Malcolm Cole.
Além do poder da cura, através da psicoterapia, o real problema é revelado onde o
menino pode ver pessoas mortas o tempo inteiro, nessa perspectiva o filme ganha outra
dimensão, não apenas da cura da criança, mas sim, o motivo pelo qual os fantasmas querem a
criança. A partir dessa descoberta, Malcolm, acredita que existe uma razão para os fantasmas
aparecerem para Cole, porém Crowe descobre o motivo de todo ambiente estranho, e nota-se
que ele não está mais vivo em decorrência daquela noite do incidente e ajudar a criança seria
sua salvação.
Diante disso, notamos a contratransferência do Analista diante de sua situação falha no
passado, entretanto foi necessário para assim, estabelecer um vinculo e dar andamento ao
processo, sem afetar ou prejudicar o caso.
Enfim, diante de tudo que foi exposto, sabemos que esses conceitos (transferência e
contratransferência) estão presentes em no nosso cotidiano, sendo um aspecto inerente à
personalidade humana. Esses conceitos ultrapassam do setting terapêutico, e vai além dos
mais variados ambientes de relacionamentos sociais. Tais situações ocorrem quando
projetamos no outro, expectativas nas quais nos gostaríamos que a pessoa fizesse, tivesse,
porém, essa distorção ocorre devido ao auto engano, resultado das nossas ausências, carências
e faltas que projetamos no outro.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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