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1.

JUSTIFICATIVA

A história da matemática esteve sempre rodeada de mitos e credos acerca dos


métodos e das dificuldades apresentadas para que a sua aprendizagem fosse
significativa. O ensino de matemática é nitidamente visto como algo complicado e
dificílimo, é fato que se faz necessário bem mais que a permanência em sala de aula
para que o conteúdo dessa disciplina seja assimilado pelo educando, necessita-se
também de incentivo, encorajamento, persistência e mediação do docente da disciplina,
da escola e principalmente da família.
A participação da família no âmbito escolar é imprescindível, muitas vezes o
fracasso escolar é fruto do abandono dos pais quanto educação de seus filhos. Muitos
pais entregam à escola toda a responsabilidade, de socialização e formação de seus
filhos, como se não fossem participes da educação dos mesmos, isso acontece em todas
as áreas de ensino e principalmente no ensino de matemática, por ser ele tido como
complexo os pais não se veem como agentes contribuintes do ensino/aprendizagem do
mesmo.
A escola por sua vez sente-se acuada, por saber que não depende apenas dela o
processo de socialização e desenvolvimento do saber em todas as modalidades de
ensino e em particular na complexidade do ensino matemática, o resultado dessa
discórdia entre de quem é o dever de educar, é um ensino fragmentado e o aluno
alienado.
Sanchez (2004, p. 174) aponta que as dificuldades de
assimilação/aprendizagem em Matemática podem manifestar-se nos seguintes
aspectos:

...”Dificuldades originadas no ensino inadequado ou


insuficiente, seja porque à organização do mesmo não
está bem seqüenciado, ou não se proporcionam
elementos de motivação suficientes; seja porque os
conteúdos não se ajustam às necessidades e ao nível de
desenvolvimento do aluno, ou não estão adequados ao
nível de abstração, ou não se treinam as habilidades
prévias; seja porque a metodologia é muito pouco
motivadora e muito pouco eficaz.”

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A dificuldade de assimilação do conteúdo matemático é comprovada por
Sanchez, no entanto, podemos entender que o fato do ensino vir a ser
inadequado ou até insuficiente existe por não existir um diálogo entre a escola
e a família, as mesmas caminhando juntas podem vir a detectar o déficit de
aprendizado do educando, repensar a prática de ensino e avaliar o que é
significativo ou não para o alunado. Malavazi (2000, p. 258) confirma o que
evidenciamos aqui, ao dizer que:

“[...] algumas atribuições são específicas da família que tem o direito de


reivindicá-las para si, enquanto outras cabem a escola que, pela sua natureza,
poderá ocupar-se melhor delas”.

Assim nasce a proposta do nosso estudo, com o objetivo de compreender o nível


de intervenção entre a família e a escola como mediadoras da aprendizagem,
objetivamos tomar conhecimento acerca das implicações da participação, ou da não
participação das mesmas no processo de ensino de matemática no fundamental II da
rede pública de ensino.
Fundamentaremos nosso estudo na Escola Municipal Francisco Francelino de
Moura, situada na cidade de Patu-RN que atende em sua maioria um alunado de classe
financeira baixa, a instituição encontra-se em condições físicas precárias, com um
espaço inadequado para a quantidade de alunos matriculados, o que dificulta ainda mais
o desenvolvimento do ensino/aprendizado e gera conflitos infindos.
Estamos cientes que essa temática é de suma importância para a socialização do
saber, a partir da mesma buscaremos respostas para muitas indagações advindas das
dicotomias existentes entre a relação da instituição de ensino e os pais, vindo a deixar
sua principal cópula com uma mediação fragmentada, ou seja, vindo a deixar o
educando a deriva no processo de desenvolvimento cognitivo. Embasados na proposta
de Paro 2007, p. 32. “pretende-se que a família continue (reforce) a educação dada na
escola, especialmente com a ajuda dos pais nas tarefas dos alunos.”

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2. PROBLEMATIZAÇÃO

O ensino de matemática sem sombra de dúvidas é complexo, suas dificuldades


tem gerado dor de cabeça em professores, pais e principalmente em alunos. As
tentativas de amenizar o déficit de aprendizado nessa disciplina, e de construir um novo
conceito acerca da mesma tem sido frequentes, no entanto o medo da reprovação nesse
ensino ainda não foi erradicado. Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais para a
área de matemática 2001, p. 59: é necessário que haja:

“... Uma prática que favoreça o acesso ao conhecimento matemático que


possibilite de fato a inserção dos alunos como cidadãos, no mundo do
trabalho, das relações sociais e da cultura.”

Há a necessidade de que se moldem estratégias que possibilite ao educando


superar suas dificuldades, é notório que quando o mesmo vem de origem pobre, as
dificuldades tendem a aumentar, por motivo de que os pais em sua grande maioria não
alfabetizados, não terem ciência de que 50% da responsabilidade de educação
significativa de seus filhos pertencem a eles, ou seja, não entendem que precisam
estimulá-los a vencer seus obstáculos cognitivos no conhecimento matemático.
Podemos tomar como base teórica às palavras de (Polônia, Dessen, 2005).quando diz:

[...] “À instituição de ensino cabe também o reconhecimento da importância


da colaboração dos pais na história e no projeto escolar, o auxílio às famílias
no exercício de seu papel na educação, no desenvolvimento e no sucesso
profissional de seus filhos e, concomitantemente, na transformação da
sociedade.”

O papel dos pais é primordial, e isso já foi elucidado aqui, mas o que leva o
distanciamento dos pais na educação dos filhos? A responsabilidade do aprendizado
deve ser apenas da escola? Para Kaloustian (1998, p.11-12),

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[...] “a família é o espaço indispensável para a garantia da sobrevivência de
desenvolvimento e da proteção integral dos filhos e demais membros,
independentemente do arranjo familiar ou da forma como se vêm estruturando. É a
família que propicia os aportes afetivos e, sobretudo, materiais necessários ao
desenvolvimento e bem-estar dos seus componentes. Ela desempenha um papel
decisivo na educação formal e informal, é em seu espaço que são absorvidos o valor
ético e humanitário, e onde se aprofundam os laços de solidariedade.”

Cabe assim a família a tarefa de socializar, e a escola o papel de mediar, a


mediação e a socialização leva ao desenvolvimento das inteligências múltiplas, a partir
delas todo conhecimento torna-se fácil, até o conhecimento matemático. Compete às
famílias auxiliar na organização escolar e na transmissão do equilíbrio emocional e
afetivo para a formação cidadã.
O nosso ponto de discussão, bem como nossa hipótese é que a educação é um
dever da família e da escola, a interação de ambas garante o suporte e o
desenvolvimento pleno da aprendizagem do educando.
A relação entre família e escola influencia no processo de ensino aprendizagem
de matemática no ensino fundamental II? Essa indagação é o nosso ponto de partida,
buscaremos respostas para esse questionamento por meio de um estudo que servirá de
alicerce para o nosso embasamento teórico e metodológico no ensino
Identificar o que compete à escola, e o que só ocorrerá com a intervenção da
família, vem a ser o nosso objeto de estudo. Tendo em vista que o ensino de matemática
é visto com maus olhos e reconhecido como ponto chefe do fracasso escolar de
crianças, adolescentes e/ou jovens.
A hipótese desse estudo é que a aprendizagem e o ensino da Matemática são
primordiais, a cópula entre a escola e a família muito influencia no processo de
aprendizagem. Ao trabalharem em conjunto no projeto de aprendizado significativo
podem levar, o educando a vencer seus bloqueios de assimilação de conteúdos. O aluno
não pode ficar no centro das discussões entre a escola e a família, pois ele é o sujeito
mais importante dessa relação.

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3.OBJETIVOS

OBJETIVO GERAL:

 Compreender a relação família/escola e sua possível função no desempenho


escolar dos alunos no fundamental II na disciplina de matemática.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

 Identificar os conflitos existentes entre família e escola na disciplina de


matemática.
 Levantar meios onde a escola possa promover uma maior aproximação com as
famílias dos alunos.
 Avaliar a participação da família bem como sua avaliação quanto o aprendizado
de matemática na instituição.

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4. REVISÃO DA LITERÁTURA

4.1 Ensino de matemática: o papel da escola X o papel da família.

Sabe-se que o conhecimento matemático não é fácil, que é um processo lento e


gradativo, assim sendo, o papel da escola, ou melhor, do professor nesse processo de
aprendizagem do educando é de extrema relevância, uma vez que sua postura e atitudes
podem auxiliar o aluno em seus objetivos ou prejudicá-lo ainda mais, caso haja algum
transtorno de aprendizagem, segundo (Drower, 1995) O professor deve estar sempre
atento às etapas do desenvolvimento do aluno, colocando-se na posição de facilitador da
aprendizagem e calcando seu trabalho no respeito mútuo, na confiança e no afeto.
Assim, não há como uma aprendizagem não ser significativa mesmo no ensino
complexo dos números. Segundo os PCN’s 2001, p. 59 “a matemática... faz parte da
vida das pessoas como criação humana, ao mostrar que ela tem sido desenvolvida para
dar respostas às necessidades e preocupações de diferentes culturas, em diferentes
momentos históricos”.
É importante a interação do educando com o objeto a ser conhecido, para que o
mesmo vença barreiras de assimilação. A matemática como objeto de conhecimento
responde as necessidades do educando, tornando-o mais astuto e mais atento as
preocupações da vida, encontrando uma resolução descomplicada para elas.
A matemática é em suma complexa, mas não impossível de se dominar assim
como se é capaz dominar a língua materna, ou seja, a língua portuguesa, ela também faz
parte de nossas vidas, e estamos em contato constante com ela, ao contrario do que se
pensam, ela não é domínio para poucos. Acredita-se que com incentivo, motivação
pode-se levar a intimidade com as fórmulas infindas dessa disciplina.
A intervenção da família frente às dificuldades encontradas pelo indivíduo é de
suma importância, uma vez que é no ambiente familiar que ele vai buscar uma zona de
conforto para os seus possíveis problemas. Faz necessário a observação dos pais, o
acompanhamento do desenvolvimento é de inteira responsabilidade deles, é dele que
devem ser partido o estímulo maior, claro que o que o professor é incumbido dessa

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tarefa de estimulação também, no entanto o mesmo observa de maneira plural, devido o
número de alunos em sala de aula.
A família entra no rol da motivação, do incentivo e participando das tomadas de
decisões da escola, os pais [...] além de terem melhores condições de influir nas tomadas
de decisão a respeito das ações e objetivos da escola, eles estarão investindo na
melhoria da qualidade da educação de seus filhos, bem como na melhoria de sua própria
qualidade de vida, na medida em que esses adultos estarão mais capazes,
intelectualmente, de usufruir melhor de bens culturais a que têm direito e que antes não
estavam a seu alcance. (Paro, 2001, p. 68).
Fundamentando nosso conceito um pouco mais, citamos as celebres palavras de
Rangel (1992, p.17):

“O ensino de matemática... não leva em conta suas experiências diárias, nas


quais estabelece relações de semelhanças e diferenças entre objetos e fatos,
classificando-os, ordenando-os e quantificando-os. Assim, o ensino torna-se
distante da realidade, a criança é induzida a aceitar uma situação artificial,
sem significado para ela.”

A maior dificuldade dos alunos são as salas de aulas é com superlotação das
mesmas, os alunos que não sentem dificuldade em matemática acabam por ter, e os
alunos que sentem não veem a luz do vir a não ter dificuldades, o professor por sua vez,
pode sentir-se sem meios de mediar uma aprendizagem significativa.
Os resultados encontrados serão analisados, para mostrar as respostas que foram
dadas nos questionários, isto é, serão analisados separadamente os dados referentes aos
métodos e técnicas de ensino utilizado em Matemática, à conduta dos professores e a
participação dos pais na formação do conhecimento do aluno.

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5. METODOLOGIA

O presente estudo investiga a realidade a intervenção familiar e escolar no


processo de desenvolvimento do aprendizado do educando, quanto ao ensino de
matemática no fundamental II da rede pública
Segundo Paulo Freire, (1999:32-33) ensinar exige pesquisa e isso fala da
concretude do gesto afetivo vivido como prática pedagógica. Não há ensino sem
pesquisa e nem pesquisa sem ensino. Um está no corpo do outro. Freire nos coloca que
pesquisamos para constatar, constatando, intervimos e intervindo educamos e nos
educamos. Daí surge os termos educando e educador, quem ensina, aprende e quem
aprende, ensina na mesma cadencia, no mesmo passo e compasso.
Então, a ultrapassagem do senso comum exige uma atitude afetiva de respeito e
qualificação da experiência do educando e o cuidado e desafio à sua capacidade
criadora através da consciência crítica: “Pensar certo implica o respeito ao senso comum
no processo de sua necessária superação. Implica o compromisso do educador com a
consciência crítica do educando, cuja “promoção” da ingenuidade não se faz
automaticamente”.
Sendo assim será necessário realizar um levantamento e questionamentos a cerca
da prática da relação escola/família e a sua contribuição para a educação e formação de
conceitos. Tal ação faz parte do processo do estudo que, justamente prima por
identificar os diferentes contextos em que a prática se desenvolve, nessa pesquisa os
dados serão coletados através, de questionários que serão aplicados aos professores do
ensino de matemática da Escola Municipal Francisco Francelino de Moura, a fim de se
conhecer o nível de participação da família, quanto o processo de assimilação dos
conteúdos do ensino de matemática.

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6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Por meio dos resultados obtidos, conclui-se que, embora a família seja
fundamentalmente importante no processo de desenvolvimento integral das crianças, ela
não pode sozinha assumir a culpa pelo sucesso ou pelo fracasso escolar dos alunos, pois
o bom ou o mau desempenho escolar não depende exclusivamente da
participação/presença ou não da família na escola, mas a motivação e o apoio no
desdobrar das dificuldades adquiridas, podem ficar a cargo da mesma.
As dificuldades de aprendizagem em Matemática podem ocorrer isso é fato, mas
é imprescindível que haja uma preocupação maior com relação à educação do indivíduo
em texto e contexto, não se pode apenas detectar os problemas é preciso saná-los. É
relevante que o sistema de ensino esteja adequado à realidade do aluno e que busque
alternativas para desenvolver o cidadão, preparando-o para a vida em sociedade.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DROWET, Ruth Caribe da Rocha. Distúrbios da aprendizagem. São Paulo: Ática,


1995.
PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS: Matemática. Secretaria de
Educação Fundamental. –Brasília: MEC/ SEF, 1998.

MALAVAZI, Maria Márcia Sigrist. Os pais e a vida escolar dos filhos.


2000. 320 p. Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade de Educação, Universidade
Estadual de Campinas, 2000.

PARO, Vitor Henrique. Administração escolar e qualidade de ensino:


o que os pais ou responsáveis têm a ver com isso? In: BASTOS, João
Baptista (Org.). Gestão democrática. 2. ed. Rio de Janeiro: DP & A, 2001. p. 57-72.

_______. Qualidade do ensino: a contribuição dos pais. 3. reimpr. São Paulo: Xamã,
2007.
POLÔNIA, Ana da Costa; DESSEN, Maria Auxiliadora. Em busca de uma
compreensão das relações entre família escola. Psicologia Escolar e Educacional,
Campinas, v. 9, n. 2, p. 303-312, dez. 2005.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. Saberes Necessários à Prática Educativa.


São Paulo: Paz e Terra, 1999.

SANCHEZ, J. N. G. Dificuldades de aprendizagem e intervenção psicopedagógica.


Porto Alegre: Artmed, 2004.

KALOUSTIAN, Sílvio Manoug (Org.). Família brasileira: a base de tudo. 3. ed. São
Paulo: Cortez; Brasília, DF: Unicef, 1998.
RANGEL, Ana S. Educação matemática e a construção do número pela criança.
Porto Alegre: Artes Médicas, 1992.

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