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Índice

GRAMÁTICA........................................................................................................................................ 5

INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS........................................................................................................ 29

LITERATURA....................................................................................................................................... 43

INGLÊS................................................................................................................................................. 57

HISTÓRIA GERAL............................................................................................................................... 73

GEOGRAFIA.........................................................................................................................................101

FILOSOFIA...........................................................................................................................................127

SOCIOLOGIA......................................................................................................................................141

MATEMÁTICA.....................................................................................................................................153

FÍSICA...................................................................................................................................................235

BIOLOGIA 1.........................................................................................................................................279

BIOLOGIA 2.........................................................................................................................................293

QUÍMICA.............................................................................................................................................317
GRAMÁTICA
Divisões da gramática
Fonologia 1
Fonologia 2
Fonologia 3
Acentuação Gráfica
DIVISÕES DA GRAMÁTICA
I. Divisões da gramática

O estudo gramatical, para grande parte dos linguistas, apresenta-se dividido em:

- Fonologia
- Morfologia
- Sintaxe
- Semântica
- Estilística

II. Fonologia

a) Definição de Fonologia:

Fonologia (do Grego phonos = voz/som e logos = palavra/estudo) é o ramo da Linguística que estuda o sistema
sonoro de um idioma.
Estuda os sons da língua, sua capacidade de combinação e distinção. Ela se ocupa da função dos sons dentro da
língua, os quais permitem aos falantes formar palavras e identificar os seus significados.

b) Aspectos estudados na Fonologia:

→ Conceito de Fonema
→ Tipos de Fonema: Vogais, Semivogais e Consoantes
→ Fonema e Letra
→ Encontros: Vocálicos, Consonantais, Dígrafos e Difonos
→ Contagem de Fonemas
→ Conceito de Sílabas
→ Separação de Sílabas
→ Classificação das Palavras: Quanto ao Número de Sílabas
→ Classificação das Palavras: Quanto à Tonicidade
→ Acentuação
→ Novo Acordo
→ Ortografia
→ Hífen

III. Morfologia

1. Definição de Morfologia:

A palavra em si nos lembra “forma”, e é exatamente isso que faz a morfologia. Tem por finalidade estudar a estrutura,
a formação e os mecanismos de flexão das palavras, ou seja, a palavra e suas “formas de apresentação”. As classes gramaticais
representam o alvo principal da morfologia, pois seu estudo é essencial para o bom uso das palavras de forma a produzir bons
textos.

2. Aspectos estudados na Morfologia

O estudo da morfologia pode ser dividido em três partes:


O estudo da Estrutura das Palavras (morfemas), os Processos de Formação de Palavras e por fim as Classes de Pa-
lavras e suas Flexões.

a) Estrutura das Palavras: Morfemas.

São as partes de uma palavra, é a menor partícula significativa da língua portuguesa. Estudar a estrutura é conhecer
os elementos formadores das palavras. Assim, compreendemos melhor o significado de cada uma delas.
Chamam-se morfemas: Raiz, Radical, Tema, Vogal temática, Desinência e Afixos (prefixos ou sufixos).

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DIVISÕES DA GRAMÁTICA
b) Estrutura e Processos de formação de palavras:

Por Composição: Justaposição e Aglutinação.


Por Derivação: Prefixal, Sufixal, Prefixal e Sufixal, Parassintética, Regressiva, Imprópria.

c) Classes de Palavras e suas Flexões:

As palavras são classificadas de acordo com as funções exercidas nas orações. Na língua portuguesa podemos classificar
as palavras em 10 classes diferentes:

→ Substantivo
→ Adjetivo
→ Verbo
→ Advérbio
→ Pronome
Pronome pessoal
Pronome possessivo
Pronome demonstrativo
Pronome relativo
Pronome indefinido
Pronome interrogativo
→ Artigo
→ Numeral
→ Preposição
→ Conjunção
→ Interjeição

IV. Sintaxe

1. Definição de Sintaxe:

Compreende o estudo das relações que se estabelecem entre os termos da oração; como os termos se relacionam,
combinam entre si, a fim de que possamos produzir textos claros, objetivos, coerentes e coesos.
Para tanto, divide-se em sintaxe das funções, a qual estuda a estrutura da oração e do período, e sintaxe das rela-
ções, priorizando, a colocação pronominal, a concordância e regência.

2. Aspectos estudados em Sintaxe:

a) Predicação Verbal:

→ Verbos Intransitivos.
→ Verbos Transitivos Diretos.
→ Verbos Transitivos Indiretos.
→ Verbos Transitivos Diretos e Indiretos.
→ Verbos de Ligação.

b) Análise Sintática da Oração (análise do relacionamento entre os termos):

→ Conceitos de frase, oração e período (simples / composto).


→ Período simples ou oração: estudo dos termos de uma oração.

Termos essenciais da oração: Sujeito, Predicado e Predicativo (do sujeito e do objeto).


Termos integrantes da oração: Complementos verbais (objeto direto e indireto), Complemento Nominal, Agente da Passiva.
Termos acessórios da oração: adjunto adnominal, adjunto adverbial, aposto.
Termo independente: vocativo.

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DIVISÕES DA GRAMÁTICA
c) Análise Sintática do Período Composto por Coordenação.

- Orações Coordenadas Assindéticas.


- Orações Coordenadas Sindéticas: Aditivas, Adversativas, Alternativas, Conclusivas e Explicativas.

d) Análise Sintática do Período Composto por Subordinação.

- Oração Principal.
- Orações Subordinadas: Substantivas, Adjetivas e Adverbiais.

Orações subordinadas substantivas: subjetiva, objetiva direta, objetiva indireta, predicativa, completiva nominal e apositiva.
Orações subordinadas adjetivas: restritivas e explicativas.
Orações subordinadas adverbiais: causal, comparativa, concessiva, condicional, conformativa, consecutiva, temporal, final
e proporcional.

e) Sintaxe de Colocação: Próclise, Ênclise e Mesóclise.

f ) Sintaxe de Concordância: Verbal e Nominal.

g) Sintaxe de Regência: Verbal e Nominal.

h) Pontuação.

i) Emprego da Crase.

V. Semântica

É a parte da gramática que estuda a interpretação do significado de uma palavra, de uma frase ou de uma expressão
em um determinado contexto.

→ Assuntos estudados em Semântica:

Sinônimos;
Antônimos;
Polissemia;
Homônimos;
Parônimos.

V. Estilística

É a parte da gramática que trata das “estratégias artísticas e criativas” usadas na língua (principalmente as figuras
de linguagem). Tais recursos têm o objetivo de sugerir, provocar, embelezar a forma e/ ou o conteúdo do texto. Alguns
assuntos que são estudados em Estilística:

Denotação e Conotação;
Figuras de Linguagem;
Vícios de Linguagem;
Funções da Linguagem.

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DIVISÕES DA GRAMÁTICA

Fonologia: Sons da língua e suas combinações


Morfologia: Formas de apresentação das palavras e como podemos flexioná-las.
Sintaxe: Relação entre os termos de uma oração ou entre as orações de um período composto, a fim de dar-lhes sen-
tido, clareza e coerência.
Semântica: Significado, interpretação das palavras nas frases.
Estilística: Estratégias utilizadas para dar mais estilo, mais beleza ao texto.

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FONOLOGIA 1
I. Fonologia 1

1. Definição de Fonologia:

Fonologia (do Grego phonos = voz/som e logos = palavra/estudo).

Fonologia é o ramo da Linguística que estuda o sistema sonoro de um idioma. A fonologia tem como foco de estudo
a forma como os sons de uma palavra se organizam para produzir significados diferentes. Todo idioma tem a sua fonologia
própria e diferente das demais.
Na fonologia, essa unidade de som mínima é chamada de fonema, e é a partir dela que todo o estudo é desenvolvido,
desde as sílabas à acentuação das palavras.

2. Aspectos estudados na Fonologia:

a) Conceito de fonema:

Dá-se o nome de fonema (fono – som / ema – menor unidade) - ao menor elemento sonoro capaz de estabelecer
uma distinção de significado entre as palavras, ou seja, os sons produzidos de maneira organizada para que consigamos
formar palavras, entender seu significado e com elas, formar frases.
Cada fonema tem a função de estabelecer uma diferença de significado entre uma palavra e outra. Por exemplo, na
linguagem oral as palavras “manto” e “canto” se distinguem apenas pelos fonemas “m” e “c”.

b) Classificação dos fonemas: vogais, semivogais e consoantes

Os fonemas são classificados em vogais, consoantes e semivogais:

→ Vogais: representaremos por V


Sinais gráficos das vogais: A - E - I - O - U a–e–i–o-u

As vogais são sons musicais produzidos pela vibração das cordas vocais, oriundos do pulmão, passando livremente
pela boca, sem obstáculos. São chamados fonemas silábicos, pois constituem o fonema central de toda sílaba. Na língua
portuguesa, não existe sílaba sem vogal. As vogais são pronunciadas de maneira forte e lenta.

→ Semivogais: representaremos por v

Sinais gráficos das semivogais: E - I - O - U e–i–o-u

As semivogais s ã o representadas pelas letras “i” e “u”, quando essas não forem núcleo da sílaba como em saída, bica,
onde a “i” é vogal.
Por vezes, “i” e “u” aparecem apoiados em uma vogal, formando com ela uma sílaba, ou seja, é pronunciada em uma
só emissão de voz. Nesse caso, esses fonemas são chamados de semivogais.
A diferença entre vogais e semivogais está no fato de que estas últimas não desempenham o papel de núcleo silábico,
além de ter o som p r o n u n c i a d o mais fraco e mais rápido, apoiando-se na vogal.
Exemplo: céu = é – vogal / u - semivogal

Os fonemas /i/ e /u/ podem aparecer representados na escrita por” e”, “o” ou “m”.

mães / mãis/ Pão / pãu/ Tem /t i/

Como as letras que representam as semivogais são as mesmas que representam as vogais, pode haver certa dificuldade
para diferenciá-las, mas para isso basta atentar para o seguinte: se na sílaba só há uma letra que representa vogal (a, e, i, o, u),
essa é necessariamente uma vogal, pois as semivogais não aparecem sozinhas na sílaba, mas sempre acompanhadas por uma
vogal.

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FONOLOGIA 1
Outra dica simples é observar se na mesma sílaba houver uma letra “a”: O “a” sempre será vogal e a outra letra repre-
sentará a semivogal. Se pronunciada separadamente, vagarosamente e com som forte – será uma outra vogal, se pronunciada
numa só emissão de voz (com a vogal), rapidamente e som fraco, será uma semivogal.

Exemplo:
pAi – i é semivogal - é pronunciada rapidamente e junto com a vogal A – formando uma só sílaba.
sAIda – i é vogal – é pronunciada forte e lentamente – é uma sílaba independente.

→ Consoantes:

Podemos definir consoantes como: são sons musicais produzidos pela vibração das cordas vocais, porém diferentemente
das vogais e semivogais, esses sons são produzidos com algum tipo de obstrução no trato vocal, de forma que há
impedimento total ou parcial da passagem de ar. As consoantes nunca são núcleo das sílabas, são ruídos. Seu nome advém
justamente desse fato, pois, em português, sempre consoam (“soam com”) as vogais.

“A” é sempre vogal;


Não existe sílaba sem vogal;
Cada sílaba levará sempre UMA vogal – que será pronunciada mais forte e mais lentamente:
Cai – xei – ro;
A semivogal será sempre pronunciada mais fraca – mais rapidamente: ou - ro / cei – a.

3. Diferenciando fonema e letra:

A palavra falada é formada por combinações de unidades mínimas de som (fonemas). Na escrita, a representação
do fonema ocorre através de letras. Portanto, o fonema não pode ser confundido com a letra. O fonema é a menor
unidade sonora da língua, enquanto a letra é tem a função é representar o fonema graficamente.
Portanto, podemos definir letra como a representação gráfica dos fonemas, isto é, uma representação escrita de um
determinado som, as letras são também chamadas de grafemas. Quando alteramos um fonema é necessário alterar o
sinal gráfico (a letra) que o representa – como consequência – também é alterado o significado da palavra. Exemplos:

BALA – FALA
BALA – BOLA
BALA – BATA

Existem três maneiras básicas de comunicarmos a mesma coisa a alguém:

Símbolo:
Letra - Palavra: CASA
Fonema - Som: /KAZA/

Podemos dizer que o FONEMA é o SOM de cada LETRA.


LETRA é a representação gráfica dos FONEMAS.

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FONOLOGIA 2
I. Fonologia 2

Encontros entre fonemas: encontros vocálicos, encontros consonantais e dígrafos.

1. Encontros vocálicos:

Encontro vocálico é o agrupamento de vogais e semivogais em uma palavra, como em ágUA, pedrEIra.

Lembrando que:

A = É sempre vogal.
Toda sílaba tem obrigatoriamente uma vogal.

→ Como diferenciar as VOGAIS das SEMIVOGAIS?

Tendo em vista que as letras que representam as semivogais são as mesmas que representam as vogais, pode haver
certa dificuldade para diferenciá-las, mas para isso basta atentar para o seguinte:
Se na sílaba só há uma letra que representa vogal (a, e, i, o, u), esta é necessariamente uma vogal, pois as semivogais
não aparecem sozinhas na sílaba, mas apenas acompanhadas por uma vogal.
Outra dica simples é observar se na mesma sílaba houver uma letra “a” e outra letra. O “a” será sempre vogal, portanto
a análise será feita em relação à outra letra.
As vogais sempre possuem som mais forte em relação às semivogais. Assim, se na mesma sílaba houver duas
ou três letras que representam semivogais (e, i, o, u), a vogal será sempre a que tiver som de “e” ou “o” (som mais forte), as
semivogais serão as que têm som de “i” ou “u” (som mais fraco).
Caso haja uma sequência de letras que representam vogais e os sons de “i” e “u” sejam tão fortes como os outros sons
(“a”, “e”, “o”), estas letras não estarão na mesma sílaba, serão “base da sílaba”, ou seja, serão vogais.

São três os encontros vocálicos: ditongo, tritongo e hiato.

a) Ditongo: v + V ou V+ v

É um encontro formado uma vogal junto a uma semivogal, ou a reunião de uma semivogal junto a uma vogal -
em uma só sílaba.

Por exemplo, rei-na-do, fei-ti-ço.


São inseparáveis, tendo em vista serem pronunciadas numa só emissão de voz.

→ Classificação dos Ditongos:

Os ditongos podem ser classificados de duas formas: crescente ou decrescente, e oral ou nasal.

Ditongo Crescente: o encontro de uma semivogal (menos intensa) mais uma vogal (mais intensa), na mesma sílaba.
v + V - qua-dra-do (u=SV, a=V)
Exemplos: série, próprio, nódoa, mágoa, quadro, área.

Ditongo Decrescente: o encontro de uma vogal (mais intensa) mais uma semivogal (menos intensa), na mesma sílaba.
V + v - noi-te (o=V, i=SV)
Exemplos: pouco, pai, mais, maus, mingau, intuito.

Ditongo Oral: o som passa pela cavidade oral, impedindo a passagem do ar pelas vias nasais. Exemplos: ouvir, tranquilo,
sequestro, viu, fugiu.

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FONOLOGIA 2
Ditongo Nasal: o som passa essencialmente pela cavidade nasal, produzindo um som nasalizado. Exemplos: pão, mãe,
quanto, delinquente, frequência, enxaguemos.

b) Tritongo: v + V+ v

É o encontro, na mesma sílaba, de uma vogal tônica V ladeada por duas semivogais v.

Exemplo: sa-guão; U-ru-guai.

As vogais e semivogais não se separam, portanto os tritongos são inseparáveis, pois assim como os ditongos, são pronunciados
numa só emissão de voz.

Exemplo:
Pa – ra – guai.

→ Classificação dos tritongos:

Os tritongos também podem ser classificados em nasais ou orais.

Tritongos orais: Paraguai, iguais


Tritongos nasais: Saguão, enxaguem, quão

c) Hiato: V + V
É o encontro de duas vogais que se pronunciam separadamente, ou seja, em duas diferentes emissões de voz.

Exemplo: mi-ú-do, bo-a-to, hi-a-to.



O hiato forma um encontro vocálico disjunto, isto é, na separação da palavra em sílabas, cada vogal fica em uma
sílaba diferente: fe-ri-a-do, cu-i-ca

2. Encontros Consonantais:

O encontro consonantal é a sequência de duas ou mais consoantes, sem vogal intermediária, que não sejam dígrafos, ou
seja, as consoantes são “pronunciadas”. Esse encontro pode ocorrer na mesma sílaba ou não (carpete, bíblia).
Existem basicamente dois tipos de encontros consonantais:

Os inseparáveis: Os que resultam do contato de uma consoante +  “l” ou “r” e ocorrem numa mesma sílaba. Exem-
plo: pe-dra,  pla-no, a-tle-ta, cri-se. Além desses, são inseparáveis também os grupos consonantais que surgem no início dos
vocábulos: pneu – gnomo
Os separáveis: Os que resultam do contato de duas consoantes pertencentes a sílabas diferentes e também os que
ocorrem após a primeira sílaba. Exemplo: por-ta, rit-mo, lis-ta

3. Dígrafos:

De maneira geral, cada fonema é representado, na escrita, por apenas uma letra.
Exemplo: casa. Possui quatro fonemas e quatro letras.
Há, no entanto, fonemas que são representados, na escrita, por duas letras.
Exemplo: bicho. Possui quatro fonemas e cinco letras.
Na palavra acima, para representar o fonema |xe| foram utilizadas duas letras: o “c” e o “h”. Assim, o dígrafo ocorre
quando duas letras são usadas para representar um único fonema – um único som (di = dois + grafo = letra).
Em nossa língua, há um número razoável de dígrafos. Podemos agrupá-los em dois tipos: dígrafos consonantais e dí-
grafos vocálicos.

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FONOLOGIA 2
a) Dígrafos Consonantais:

Duas letras com um só som – este som é de uma consoante. São dígrafos consonantais da língua portuguesa: lh, nh,
ch, rr, ss, qu e gu (seguidos de e ou i), sc, sç, xc.

Letras Fonemas Exemplos


Lh lhe telha
Nh nhe marinha
Ch xe chato
Rr re (no interior da palavra) carreata
Ss se (no interior da palavra) passa
Qu que (seguido de e - i) queijo, quiabo

Gu gue (seguido de e - i) guerra, guia


Sc se crescer
Sç se desço
Xc se exceção

b) Dígrafos Vocálicos: 

Formados pelas vogais nasais em que a nasalidade é indicada por “m” ou “n”, encerrando a sílaba por “M” ou “N”
em uma palavra. O som é de ã – e – i – o – u. (com sons anasalados)

Fonemas Letras Exemplos


à am tampa
an canto
Ê em templo
en lenda
Î im limpo
in lindo
Õ om tombo
on tonto
Û um chumbo
un corcunda

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FONOLOGIA 2

Quando falamos em dígrafos – falamos em som – e a contagem fonética é a de um só fonema. Temos que obser-
var com atenção os casos em que, mesmo parecendo dígrafos – não o são – em função de as letras terem os sons
pronunciados separadamente.
Exemplo: “sc” em esclarecer – não é dígrafo, pois s – c = têm som;
Exemplo: “xc” em exclamar - não é dígrafo, pois o x = tem som de s e o c tem seu próprio som.
“Gu” e “qu” são dígrafos somente quando, seguidos de “e” ou “i”, representam os fonemas /g/ e /k/: guitarra,
aquilo. Nesses casos, a letra “u” não corresponde a nenhum fonema. Em algumas palavras, no entanto, o “u” representa
um fonema semivogal ou vogal (aguentar, linguiça, aquífero...) Nesse caso, “gu” e”qu” não são dígrafos. Também não
há dígrafos quando são seguidos de “a” ou “o” (quase, averiguo).
Quanto ao “am - em - im - om - um” ou “an - en - in - on – um” = não são dígrafos se apresentarem som.
Exemplo: cantaram – (som de rão), fizeram – (rão), também (ei), homem (ei). Nestes casos os sons de / ã – o
/ são contados – foneticamente. Nessas situações temos um ditongo – pois contamos dois fonemas.

4. Dífono: Dois sons para uma só letra.

Chamamos de Encontro Consonantal Fonético, ou seja, ele existe somente no aspecto fonético (som).
Exemplo: Quando “x” corresponde a ks (táxi, pronunciamos - taksi – temos dois sons para uma só letra - dífono).
Os conceitos de “dígrafo e dífono” são importantes, sobretudo para o conteúdo a seguir: a contagem fonética e
separação silábica, que por sua vez levam à correta classificação do vocábulo quanto ao número de sílabas e tonicidade, con-
ceitos fundamentais para o estudo da acentuação gráfica.

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FONOLOGIA 3
I. Fonologia 3

1. Contagem de fonemas:

Como visto anteriormente, pode-se dizer que o FONEMA é o S O M de cada LETRA, logo, letra é a representação
gráfica do fonema. Baseados nesse conceito, façamos algumas observações importantes sobre a contagem fonética.
A contagem de fonemas é diferente da contagem de sílabas. A separação silábica se dá pela soletração da palavra,
respeitadas as regras vistas anteriormente (uma só emissão de voz), já a contagem de fonemas é diretamente ligada ao som
de cada letra.
Na palavra sapo, por exemplo, a letra s representa o fonema /s/ (lê-se sê); já na palavra brasa, a letra s representa
o fonema /z/ (lê-se zê). Às vezes, o mesmo fonema pode ser representado por mais de uma letra do alfabeto. É o caso do
fonema /z/, que pode ser representado pelas letras z, s, x:

Zebra
caSamento
eXílio
Em alguns casos, a mesma letra pode representar mais de um fonema.
A letra x, por exemplo, pode representar:

Fonema sê – teXto
Fonema chê – enXame
Fonema zê – eXibir
Fonema ks - taXi

A separação dos fonemas é identificada pela presença de barras separando os fonemas => / /

Tóxico - fonemas: /t/ó/k/s/i/c/o/ letras: t ó x i c o sílabas: tó-xi-co


1 2 3 4 5 6 7 12345 6 1 2 3

Galho - fonemas: /g/a/lh/o/ letras:g a l h o sílabas: ga-lho


1 2 3 4 1 2 3 4 5 1 2

Campo - fonemas: /c/am/p/o/ letras: c a m p o sílabas: cam-po


1 2 3 4 1 2 3 4 5 1 2

2. Relação letra e fonema:

O ideal seria que cada letra correspondesse a um fonema, ou seja, cada letra tivesse um som correspondente.
Exemplo – casa = k a z a (4 letras e 4 fonemas). Porém nem sempre é assim. Pode acontecer que:

→ Uma letra corresponda a dois fonemas, ou seja, tenha dois sons.


Exemplo: taXi. Nesse caso o X tem dois sons – KS. (São os dífonos).

→ Um fonema- um som: seja representado por duas letras.


Exemplo: Cachorro. Nesse caso o CH tem um só som – X. (São os digrafos)

→ As letras “m” e “n” em determinadas palavras não representam fonemas, ou seja, não tem som, em outras sim.
Nessas palavras, “ m” e “ n” indicam a nasalização das vogais que as antecedem.
Ex: dança: o n não é um fonema; o fonema é /ã/, representado na escrita pelas letras “a” e “n”.
Já na palavra nave: o /n/ é um fonema (tem som).

→ A letra “h”, ao iniciar a palavra, não representa um fonema.


Exemplo: hoje
fonemas: ho / j / e / letras: h o j e
1 2 3 1 2 3 4

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FONOLOGIA 3
Portanto, assim como a compreensão de ditongos, tritongos, hiatos e encontros consonantais são indispensáveis para a
correta divisão silábica, a compreensão dos conceitos de dígrafos e dífonos é fundamental para a contagem fonética.
Encontrando-se os dígrafos e dífonos do vocábulo, consegue-se fazer a contagem fonética com extrema facilidade.

3. Conceito de sílaba:

A palavra “calor” está dividida em grupos de fonemas pronunciados separadamente: ca - lor. A cada um desses grupos
pronunciados numa só emissão de voz dá-se o nome de sílaba. Em nossa língua, o núcleo da sílaba é sempre uma vogal. Não
existe sílaba sem vogal e nunca há mais do que uma vogal em cada sílaba. Dessa forma, para sabermos o número de sílabas de
uma palavra, devemos perceber quantas vogais tem essa palavra.

4. Separação silábica:

Na língua portuguesa, a divisão das sílabas deve ser feita a partir da soletração, usando o hífen para marcar as sílabas
(con-ver-sí-vel). A maneira mais fácil para separar as sílabas é pronunciar a palavra lentamente, de forma melódica.
Como visto nos conteúdos específicos, no que diz respeito aos encontros vocálicos, encontros consonantais e dígra-
fos, a separação silábica obedece a algumas regras específicas. Portanto, uma bela dica para a perfeita separação silábica é a
identificação dos encontros vocálicos e seu enquadramento em ditongos, tritongos ou hiatos; a identificação dos encontros
consonantais observando se eles acontecem no início ou interior da palavra e, por fim, a identificação dos dígrafos.

5. Regras de “Separação Silábica”:

As letras dos dígrafos = rr, ss, sc, sç, xc.


car-ro, as-sa-do, des-cer, des-çam, ex-ces-so

As vogais dos hiatos.


co-or-de-nar, gra-ú-do, hi-a-to, ra-i-nha, ru-í-na

Separam-se
Os encontros consonantais
(consoantes se destaquem foneticamente uma da outra – desde que não
estejam no início do vocábulo)

uma consoante + uma consoante: ap-to, af-ta, op-tar


uma consoante + duas consoantes: as-tro, es-tre-la
duas consoantes + uma consoante: pers-pi-caz, sols-tí-cio
duas consoantes + duas consoantes: pers-cru-tar
três consoantes + uma consoante: tungs-tê-nio

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FONOLOGIA 3

As letras dos dígrafos consonantais ch, lh, nh, gu, qu, e os dígrafos
vocálicos am – an – em – em – im – in – om – on – um – um
cha-péu, lha-ma, mi-nha, man-gue, es-qui-lo, cam-po

As letras dos encontros consonantais formados por


(consoante + L ou + R)
re-cla-me, fla-ma, glo-bo, pre-to, dra-ma

Não se separam
As letras dos encontros consonantais
(quando se encontram no início da palavra)

pneu, pneu-má-ti-co, psi-co-se, psi-co-lo-gi-a, gno-mo

As letras que representam ditongo ou tritongo


ditongos: pai-sa-gem, cau-sa, sé-rie
tritongos: a-ve-ri-guei, sa-guão, Pa-ra-guai

pato: 1 palavra, 4 letras, 2 sílabas (pa-to) e 4 fonemas (/p/ /a/ /t/ /o/)
exceção: 1 palavra, 7 letras 3 sílabas (ex-ce-ção) e 6 fonemas = /e/ /s/ /e/ /s/ /ã/ /o/

1ª divisão: PALAVRAS
/ Os / fonemas / são / as / menores / unidades / sonoras / de / uma / língua /

2ª divisão: SÍLABAS
/ Os / fo / ne / mas / são / as / me / no / res / u / ni / da / des / so / no / ras / de / u / ma / lín /gua/

3ª divisão: LETRAS
/O/s/ /f/o/n/e/m/a/s/ /s/ã/o/ /a/s/ /m/e/n/o/r/e/s/ /u/n/i/d/a/d/e/s/ /s/o/n/o/r/a/s/ /d/e/ /u/m/a/ /l/í/n/g/u/a/

4ª divisão: FONEMAS.
/O/s/ /f/o/n/e/m/a/s/ /s/ã/o/ /a/s/ /m/e/n/o/r/e/s/ /u/n/i/d/a/d/e/s/ /s/o/n/o/r/a/s/ /d/e/ /u/m/a/ /l/in/g/u/a/

6. Classificação das palavras quanto ao número de sílabas:

Com relação ao número de sílabas, as palavras podem ser classificadas em monossílabadissílabas, trissílabas e polissí-
labas.

a) Monossílabas: possuem apenas uma sílaba. 


Exemplos: dó, mel, mãe, já, flor, cá, lá, meu.

b) Dissílabas: possuem duas sílabas. 


Exemplos: ca-sa, i-ra, a-í, tran-car

HELP VESTIBULARES 17
FONOLOGIA 3
c) Trissílabas: possuem três sílabas. 
Exemplos: ca-dei-ra, ci-ne-ma, pró-xi-mo, pers-pi-caz, ó-ti-mo

d) Polissílabas: possuem quatro ou mais sílabas. 


Exemplos: a-ve-ni-da, con-si-de-ra-vel-men-te, li-te-ra-tu-ra, a-mi-ga-vel, or-ga-ni-za-do,

→ Sobre os monossílabos:

Não se pode dividir um monossílabo, portanto sua classificação é diferente: ou são inteiros fortes (tônicos) ou intei-
ros fracos (átonos).

São os de pronúncia branda, os que têm a vogal fraca, não acentuadas. Incluem-se na lista dos monossí-
labos átonos:

Artigos, preposições, conjunções, pronomes pessoais oblíquos,


Átonos As combinações pronominais
O pronome relativo ‘que’.

Por exemplo - a, em, de, com, por, nem, lhe, no, me, se, lo, la.

São os de pronúncia forte, independentemente de sinal gráfico sobre a sílaba. Os monossílabos tônicos
são das seguintes classes gramaticais:

Substantivos;
Adjetivos;
Advérbios;
Numerais;
Verbos.
Tônicos
Por exemplo, pé, gás, foz, dor, má, três, lá

Os monossílabos tônicos soam distintamente no interior da frase. Já os monossílabos átonos, não pos-
suindo acentuação própria, soam como uma sílaba da palavra anterior ou da palavra posterior.

Quero encontra-la lá. Dê o livro de Português. Tenho dó do menino.

7. Classificação das palavras quanto à posição da sílaba tônica:

→ Conceito de Sílaba Tônica: Na emissão de uma palavra de duas ou mais sílabas, percebe-se que há uma sílaba de maior
intensidade sonora do que as demais.
sabor - a sílaba bor é a de maior intensidade
faceiro - a sílaba cei é a de maior intensidade.

→ Classificação da Sílaba quanto à Intensidade:

Tônica: é a sílaba pronunciada com maior intensidade.


Átona:  é a sílaba pronunciada com menor intensidade.

18 HELP VESTIBULARES
FONOLOGIA 3
De acordo com a posição da sílaba tônica, os vocábulos da língua portuguesa podem ser classificados em:

a) Oxítonos: 
São aqueles cuja sílaba tônica é a última. 
Exemplos: avó, urubu, parabéns

b) Paroxítonos: 
São aqueles cuja sílaba tônica é a penúltima. 
Exemplos: dócil, suavemente, banana

c) Proparoxítonos: 
São aqueles cuja sílaba tônica é a antepenúltima. 
Exemplos: máximo, parábola, íntimo
Nem sempre a sílaba tônica recebe acento gráfico. O acento tônico está relacionado com intensidade de som; o gráfico
existirá em algumas palavras, de acordo com regras de acentuação.

Dica do 3 - 2 - 1 para se determinar a tonicidade da palavra.

Pronuncie a sílaba mais forte - mais alto – para ter certeza de qual é a sílaba tônica!

Caiu no 1 oxi
Caiu no 2 par oxi
Caiu no 3 pro par oxi.

CABELO : CA – BE – LO Sílaba tônica caiu no 2 – palavra paroxítona


. 3 - 2 - 1

CAFÉ: CA – FÉ Sílaba tônica caiu no 1 – palavra oxítona


2 - 1

AMPARO: AM – PA – RO Sílaba tônica caiu no 2 – palavra paroxítona


3 - 2 - 1

PARALELEPÍPEDO: PA – RA – LE – LE – PÍ – PE - DO
3 - 2 - 1
Sílaba tônica caiu no 3 – palavra proparoxítona

HELP VESTIBULARES 19
ACENTUAÇÃO GRÁFICA
I. Acentuação gráfica

1. Diferença entre acento tônico e acento gráfico:

O acento tônico ou prosódico (referente à fala, à oralidade) está relacionado com o som, com a intensidade dos fo-
nemas que formam as sílabas das palavras.

Exemplos:

Galinheiro: ga – li – nhei – ro. Acento tônico – na sílaba “nhei”


Café: Ca - fé. Acento tônico – na sílaba “fé”

Nem sempre a sílaba tônica é acentuada graficamente. O acento gráfico marca a sílaba tônica na escrita. Em alguns
casos é utilizado de acordo com regras específicas.

2. Os acentos gráficos:

a) Acento agudo ( ´ ):

Acento agudo é colocado sobre as letras “a”, “i”, “u” e sobre o “e” do grupo “em”, indicando que essas letras fazem
parte da sílaba tônica (forte).

Exemplo: amém, também, Amapá, saí, Jaú

O acento agudo colocado sobre “e” e “o” indica, além da tonicidade, timbre aberto.

Exemplo: rói, Pelé, céu, dói, teleférico.

b) Acento circunflexo (^):

Quando colocado sobre as letras “a”, “e” e “o”, indica além da tonicidade, timbre fechado:

Exemplo: tâmara, Atlântico, pêssego, dispôs, avô.

c) Acento grave ( ` ):

Indica a existência de crase, ou seja, a fusão da preposição “a” com o “a” artigo e pronome demonstrativo. Esse assunto
será abordado em “Sintaxe - Emprego da Crase”.

Exemplo: à – às – àquelas – àqueles

3. Regras de acentuação:

a) Acento diferencial:

Após o Novo Acordo, usa-se o acento diferencial apenas em duas palavras. Na língua escrita, existem dois casos em que
os acentos são utilizados para diferenciar palavras homógrafas (de mesma grafia).

Veja:

Pôde = 3ª pessoa do pretérito perfeito do indicativo (verbo poder)


Pode = 3ª pessoa do presente do indicativo (verbo poder)

Pôr = verbo
Por = preposição

20 HELP VESTIBULARES
ACENTUAÇÃO GRÁFICA
Portanto:

Pôde (passado) ACENTUA-SE ≠ Pode (presente) NÃO SE ACENTUA


Pôr (verbo) ACENTUA-SE ≠ Por (preposição) NÃO SE ACENTUA

→ Acento diferencial facultativo (opcional):

É facultativo o acento diferencial em:

Dêmos (1ª pessoa do plural do presente do subjuntivo) para distinguir de demos (1ª pessoa do plural do pretérito perfeito).
Fôrma (substantivo) para distinguir de forma (substantivo e verbo).

O Novo Acordo Ortográfico, faculta o emprego do acento circunflexo na palavra “forma” quando pronunciada com
“o” fechado, mas não o torna obrigatório. No registro oficial do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, a palavra é
grafada sem acento nenhum

b) Acento nas formas verbais “TER” e “VIR”, e seus derivados:

Nos verbos ter, vir e seus derivados, utiliza-se o acento diferencial, para que se identifique a terceira pessoa do singular
e terceira pessoa do plural – no presente do indicativo.

TER e VIR
Singular ele tem, ele vem NÃO ACENTUAR
Plural eles têm, eles vêm ACENTUAR (acento circunflexo)

DERIVADOS de TER e VIR (deter, manter, reter, intervir, sobrevir etc.)


Singular ele mantém - ele intervém ACENTO AGUDO
Plural eles mantêm - eles intervêm ACENTO CIRCUNFLEXO

c) Monossílabos tônicos:

Relembrando o conceito de monossílabo tônico: são monossílabos tônicos todos aqueles que possuem autonomia e
possuem significado na frase: substantivos, adjetivos, numerais, verbos, advérbios...
Exemplos: pá, má, três, dá, lá, etc.
Muitas pessoas são más, mas eu não.
Nessa frase, o monossílabo tônico, que possui sentido, é o primeiro “más” = ruins.
O segundo “mas” é um elemento de ligação, é vazio de significado.
Os monossílabos átonos são palavras vazias de sentido, sendo representados por artigos, pronomes oblíquos, elementos
de ligação (preposições, conjunções).

Nos monossílabos átonos a vogal final se modifica ou pode modificar-se na pronúncia.


Com os tônicos, não ocorre tal possibilidade.
Exemplos:
Vou de carro para o meu trabalho. (de = monossílabo átono - é possível a pronúncia di ônibus.)
Dê um auxílio às pessoas. (dê = monossílabo tônico - é impossível a pronúncia di um auxílio.)

HELP VESTIBULARES 21
ACENTUAÇÃO GRÁFICA
Relembrado o conceito, vamos à regra: acentua-se os monossílabos tônicos termnados em:

A(S): cá, dá, má, já, vá, Brás, gás, más, pás, vás;
E(S): crê, dê, fé, lê, pé, ré, crês, dês, mês, pés, rês;
O(S): dó, nó, pó, só, nós, cós, pôs, pós, sós.

Acentua-se também os monossílabos tônicos terminados em DITONGOS ABERTOS: ÉI - ÉU - ÓI

Exemplos:

ÉI: réis (moeda)


ÉU: véu, céu, réu, léu;
ÓI: sóis, dói, rói, mói

ACENTUA-SE OS MONOSSÍLABOS TÔNICOS TERMINADOS EM:

VOGAIS DA PALAVRA = c A m E L O
ÉI, ÓI, ÉU (imagine alguém chamando a atenção para si)

→ Regras de Acentuação para Oxítonas, Paroxítonas, Proparoxítonas e dos Hiatos:

As regras a seguir, dependem da divisão silábica e da classificação quanto a tonicidade. Ou seja, se as palavras não se
enquadrarem nas três regras acima, o próximo passo é fazer a sua divisão silábica e classificá-la quanto á tonicidade.

Guarde a palavra DIFORE

DI – DIvide a palavra (separação silábica – observando as regras)


FO – Acha a sílaba FOrte – (oxi – paroxi – proparoxi - i/u 2ª vogal hiatos)
RE – Vá à REgra específica.

d) Oxítonas:

Acentua-se as oxítonas terminadas em:

A(S): cajá, vatapá, jacá, Pará, quiçá, dará, Satanás, aliás, ananás, atrás;
E(S): café, rapé, sapé, você, através, pontapés, cafés, cortês, português, freguês;
O(S): paletó, cipó, mocotó, dominó, avô, compôs, robô, vovô, avós, cipós.

Acentua-se as oxítonas terminadas em ditongos abertos: Éi / Ói / Éu

ÉI: papéis, anéis, fiéis, cordéis, quartéis, coronéis;


ÓI: herói, anzóis, lençóis, faróis, constrói.
ÉU: troféu, ilhéu, mausoléu, fogaréu, chapéu;

22 HELP VESTIBULARES
ACENTUAÇÃO GRÁFICA
Acentua-se as oxítonas terminadas em:

EM (ENS): também, ninguém, vinténs, Jerusalém, além.

ACENTUA-SE AS OXÍTONAS TERMINADAS EM:

VOGAIS DA PALAVRA = c A m E l O
ÉI, ÓI, ÉU (imagine alguém chamando a atenção para si)
AMÉM - PARABÉNS

e) Paroxítonas:

Acentua-se as paroxítonas terminadas em:

PS: bíceps, fórceps, Quéops, tríceps;


L: ágil, amável, afável, fácil, hábil, cônsul, desejável, útil, nível, têxtil, móvel, incrível;
N: éden, hífen, pólen, abdômen, líquen, sêmen, Nélson, Wílson;
R: caráter, revólver, éter, mártir, destróier, açúcar, cadáver, néctar, repórter; câncer;
X: tórax, fênix, ônix, Félix, cóccix, córtex, códex, xérox (xerox), látex;
à / ÃO (S): ímã, órfã, ímãs, órfãs, Bálcãs; órfão, órgão, bênção, sótão, órfãos;
I - IS: júri, cáqui, beribéri, táxi, lápis, grátis, oásis, miosótis, tênis;
OM - ONS: rádom, iândom, cátions, íons, nêutrons, prótons
UM - UNS - US: médium, álbum, fórum, médiuns, álbuns, fóruns; bônus, ônus, vírus.

Acentua-se as paroxítonas terminadas em ditongos orais S (seguidas ou não de S): áurea, azaléa, marmórea, argênteo,
terráqueos, ígneo, ânsia, boêmia, frequência, calvície, imundície, cárie, barbárie, declínio, pátios, lábios, amêndoa, Páscoa,
mágoas.

→ As paroxítonas terminadas em “-en”, como gérmen, éden, líquen, hífen, no plural perdem o acento: germens, edens,
liquens, hifens.

→ Não são acentuados os prefixos terminados em “i “e “r” (inter, super, semi) – Exemplos: inter-helênico, super-homem,
semi-histórico.

→ A maioria das paroxítonas termina em -a, -e, -o, -em, podendo ou não ser seguidas de “s”. Essas paroxítonas, por serem
maioria, não são acentuadas graficamente.

HELP VESTIBULARES 23
ACENTUAÇÃO GRÁFICA

→ ACENTUA-SE AS PAROXÍTONAS TERMINADAS EM:

L I N U R X ÃO

PS → OM – ONS, UM – UNS e DITONGOS

f ) Proparoxítonas:

Todas as proparoxítonas são acentuadas.

Exemplos: aeródromo, biológico, cálido, cátedra, ênclise, fonógrafo, hífenes, hipódromo, trágico, cântico, áspero

Caiu no “3” – CRAU

g) Vogais “I” e “U”, quando segunda vogal tônica do hiato:

Acentua-se o “i” e “u” – quando forem a segunda vogal tônica de um hiato, e estiverem sozinhos (ou seguidas de s):

heroína (he-ro-í-na - I - 2ª vogal do hiato – tônico e sozinho)


ataúde (a-ta-ú-de - U - 2ª vogal do hiato – tônico e sozinho)
balaústre (ba-la-ús-ter - U - 2ª vogal do hiato – tônico e seguido de S)
Piauí (Pi-au-í - I - 2ª vogal do hiato – tônico e sozinho)

Exemplos: ateísmo, reúne, saúde, ruína, raízes, países, faísca, doía, egoísmo, egoísta, saída, suíço, aí, Jacareí, Pirajuí, Icaraí,
Grajaú, Avaí, etc

ATENÇÃO ÀS EXCEÇÕES:

→ NÃO se acentua o I e o U segunda vogal tônica dos hiatos quando:

- estiverem repetidos e em sequência: xiita. (xi-i-ta)

- seguidos de letra diferente de S: ainda (a-in-da > I seguido de N), cair (ca-ir > I seguido de R), raiz (ra-iz > I seguido de Z)

- quando a sílaba seguinte começar por NH: rainha (ra-i-nha), moinho (mo-i-nho)

→ Quando o “I” e o “U” dos hiatos forem precedidos de ditongo – temos duas situações:

- ACENTUA-SE o I ou U - segunda vogal tônica dos hiatos - quando precedidos de ditongo:


Nas palavras OXÍTONAS e que estejam em posição final ou seguidas de s: Piauí (Pi-au-í), tuiuiú (tui-ui-ú), tuiuiús (tui-ui-
-ús).

- NÃO SE ACENTUA o I e o U - segunda vogal tônica dos hiatos - quando precedidos de ditongo: nas palavras
PAROXÍTONAS: feiura (fei-u-ra), baiuca (bai-u-ca)

24 HELP VESTIBULARES
ACENTUAÇÃO GRÁFICA

Muitos verbos, ao se combinarem com pronomes oblíquos, produzem formas oxítonas ou monossilábicas que devem
ser acentuadas por acabarem assumindo alguma das terminações contidas nas regras. Exemplos:

beijar + a = beijá-la
dar + as = dá-las
fez + o = fê-lo
fazer + o = fazê-lo

Para acentuar as formas verbais com pronome oblíquo em ênclise (depois do verbo) ou mesóclise (no meio do verbo),
cada elemento deve ser considerado como uma palavra independente.

Exemplos:

jogá-lo
jogá = oxítona terminada em a (portanto, com acento)
lo = monossílabo átono (portanto, sem acento)

jogá-lo-íamos
jogá = oxítona terminada em a (portanto, com acento)
lo = monossílabo átono (portanto, sem acento)
íamos = proparoxítona (portanto, com acento)

 
4. Novo Acordo Ortográfico:

Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa: assinado em 1990 e visa à padronização da ortografia da língua por-
tuguesa. Países signatários: Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP): Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau,
Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

→ Principais alterações:

a) Trema:

Antes do acordo: Trema no u dos grupos güe, güi, qüe, qüi, quando pronunciado e átono (semivogal): agüentar, lingüiça,
freqüente, tranqüilamente, cinqüenta, etc.

Depois do acordo: Eliminou-se o trema no u dos grupos gue, gui, que, qui, quando pronunciado e átono (semivogal):
aguentar, linguiça, frequente, tranquilamente, cinquenta, etc.

Mantém-se o trema nas palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros que em sua escrita possuem trema: mül-
leriano, de Müller, Gisele Bündchen – continuam com o uso do trema em seu nome, pois é de origem alemã. (neste
caso, o “ü” lê-se “i”)

HELP VESTIBULARES 25
ACENTUAÇÃO GRÁFICA
b) O Alfabeto e as letras “K”, “W”, e “Y”:

Há muito tempo as letras “k”, “w” e “y” faziam parte do nosso idioma, porém não faziam parte oficialmente do nosso
alfabeto. Elas já apareciam em unidades de medidas, nomes próprios e palavras importadas do idioma inglês, como: km –
quilômetro, / kg – quilograma / Show, Shakespeare, Byron, Newton, dentre outros. O Novo Acordo inclui as três letras
oficialmente em nosso alfabeto.

c) Vogais dobradas:

O acento pertencente aos hiatos “oo” e “ee” (e seus derivados) no final da palavra - que antes existia - agora foi aboli-
do.

Antes do acordo Depois do acordo


dêem deem

vêem veem

crêem creem

lêem leem

revêem reveem

vôo voo

enjôo enjoo

d) Ditongos abertos das paroxítonas:

Os ditongos de pronúncia aberta “ei”, “oi” - nas paroxítonas (penúltima sílaba forte) - que antes eram acentuados,
perderam o acento de acordo com a nova regra.

Antes do acordo Depois do acordo


Assembléia Assembleia

Idéia Ideia

Geléia Geleia

Jibóia Jiboia

Apóia Apoia

Paranóico Paranoico

Plebéia Plebeia

e) Grupos GUE – GUI – QUE – QUI:

→ Acento agudo:

Antes do acordo: Acento agudo no u tônico dos grupos gúe, gúi, qúe, qúi: argúi, averigúe, obliqúe,
Depois do acordo: Eliminou-se o acento agudo no u tônico dos grupos gue, gui, que, qui: argui, averigue, oblique, etc.

26 HELP VESTIBULARES
INTERPRETAÇÃO DE
TEXTOS
Diferenciando “Compreensão” e “Interpretação”.

Tipos de questões
DIFERENCIANDO “COMPREENSÃO” E “INTERPRETAÇÃO”.
I. Diferenciando “Compreensão” e “Interpretação”. g) O autor sugere ainda...
h) O autor afirma que...
As provas de língua portuguesa são decisivas nos vesti- i) Na opinião do autor do texto...
bulares. Em todas elas, prestigiam-se as questões relacionadas
à compreensão e interpretação de textos. Pesquisas recentes 2. Interpretação:
comprovam que as questões relacionadas ao entendimento
de textos correspondem a quase metade das questões de Lín- Interpretar significa ir um pouco além e estabelecer
gua Portuguesa (47%). Em seguida vem redação com inci- conexões entre o texto e a realidade. Quer dizer tirar conclu-
dência de 11% e questões referentes à concordância verbal sões tendo como base as ideias apresentadas pelo autor. Em
e nominal (9%). Isso acontece porque as questões de com- geral, a resposta para uma questão de interpretação está na
preensão e interpretação de textos requerem outros tipos de capacidade de você deduzir a partir daquilo que o texto diz.
conhecimento do candidato: a percepção de mundo, a ex- Ou seja, você deve buscar a resposta em você, naquilo que
periência como leitor, o poder de dedução, a capacidade de você pôde deduzir a partir do que está escrito. Por isso, os
avaliar possibilidades, etc. comandos do enunciado de questões interpretativas devem
Por isso, é muito comum, entre os candidatos a uma remeter à conclusão que você chega após ter lido o texto.
vaga nas universidades, a preocupação com a compreensão e São exemplos de enunciados de interpretação.
interpretação de textos uma vez que lhes faltam informações
específicas a respeito dessa habilidade tão constantemente a) Depreende-se/infere-se/conclui-se do texto que...
exigida nos vestibulares. Por não haver uma “matéria a ser b) O texto permite deduzir que...
estudada”, já que não se pode prever quais textos serão pe- c) É possível subentender-se a partir do texto que...
didos, é que as questões de compreensão e interpretação de d) Qual a intenção do autor quando afirma que...
textos são, muitas vezes, negligenciadas pelos candidatos na e) O texto possibilita o entendimento de que...
hora de estudar. f ) Com o apoio do texto, infere-se que...
Há, sim, uma dinâmica a ser observada quando o as- g) O texto encaminha o leitor para...
sunto é compreensão e interpretação de textos. Você poderá, h) Pretende o texto mostrar que o leitor...
a partir de agora, colocar em prática algumas técnicas que i) O texto possibilita deduzir-se que...
facilitarão o entendimento do texto, tanto do ponto de vista
do que ele nos diz quanto do que concluímos a partir dele. Entenda: Enquanto a compreensão de texto trabalha com
Para começar, compreender não é interpretar. Talvez as frases e ideias escritas no texto, ou seja, aspectos visíveis, a
esse seja o ponto chave de todo o processo de entendimen- interpretação de textos trabalha com a subjetividade, com o
to do texto: a compreensão é uma fase da interpretação. Por SEU entendimento do texto.
isso, é preciso que você atente para o enunciado da questão. É
nele que constam os comandos do que você deverá buscar no 3. Exemplo comentado:
texto. Seguem alguns conceitos básicos que poderão ajudar
no momento de responder as questões relacionadas a textos. Pode dizer-se que a presença do negro representou
sempre fator obrigatório no desenvolvimento dos latifúndios
1. Compreensão: coloniais. Os antigos moradores da terra foram, eventual-
mente, prestimosos colaboradores da indústria extrativa, na
Compreender o texto significa decodificar sua reda- caça, na pesca, em determinados ofícios mecânicos e na cria-
ção e entender o que foi dito. Ou seja, consiste em assimilar ção do gado. Dificilmente se acomodavam, porém, ao traba-
o que está realmente escrito. Em outras palavras, a respos- lho acurado e metódico que exige a exploração dos canaviais.
ta para uma questão de compreensão está escrita no texto. Sua tendência espontânea era para as atividades menos se-
Pode mudar uma palavra ou outra, mas a ideia, o que o autor dentárias e que pudessem exercer-se sem regularidade forçada
quer dizer APARECE no texto. Você chega à conclusão de e sem vigilância e fiscalização de estranhos.
que está diante de uma questão de compreensão de texto a Sérgio Buarque de Holanda, in Raízes
partir do comando expresso em seu enunciado. Os comandos
de compreensão são aqueles que nos remetem diretamente ao Infere-se do texto que os antigos moradores da terra eram:
texto, como os seguintes: a) os portugueses.
b) os negros.
a) Segundo o texto... c) os índios.
b) O autor/narrador do texto diz que... d) tanto os índios quanto aos negros.
c) O texto informa que... e) a miscigenação de portugueses e índios.
d) No texto...
e) Tendo em vista o texto...
f ) De acordo com o texto...

HELP VESTIBULARES 29
DIFERENCIANDO “COMPREENSÃO” E “INTERPRETAÇÃO”.
Observe: trata-se de um texto curto, porém complexo. Você quando receberam uma verba de US$ 1,2 milhão da univer-
pode rapidamente entender que os antigos moradores da ter- sidade para investigar o tema. Entretanto, entre os jovens,
ra seriam os negros. No entanto, os negros não foram os an- estudos há anos procuram relacionar o vício em games  ao
tigos moradores da terra; eles vieram depois. Inclusive depois déficit de atenção, embora ainda não haja um diagnóstico
dos portugueses. Quem estava aqui antes de todos eles eram formal sobre esse tipo de comportamento.
os índios. Isso não vem escrito no texto. Você deve deduzir MACHADO, André. Games: bons para a terceira idade. O
a partir do conhecimento que você tem de história. Trata-se, Globo, 28 fev. 2012. 1o Caderno, Seção Economia, p. 24.
portanto, de uma questão de interpretação. Note o comando Adaptado. 
“Infere-se”. Voltando ao enunciado você poderia rapidamen-
te resolver essa questão. A resposta correta é a alternativa C. 1. A leitura do texto permite concluir, relativamente ao tem-
po gasto no game com os idosos da pesquisa, que eles: 
a) jogaram o game durante 14 horas seguidas.
b) jogaram a mesma quantidade de horas todos os dias du-
Texto 1 rante 14 dias.
c) passaram duas semanas jogando 14 horas por dia.
Games: bons para a terceira idade d) gastaram o mesmo tempo que os outros 10,3 milhões de
usuários.
Jogar  games  de computador pode fazer bem à saúde e) despenderam cerca de 14 horas de atividade no jogo ao
dos idosos. Foi o que concluiu uma pesquisa do laborató- longo de 14 dias.
rio Gains Through Gaming (Ganhos através de jogos, numa
tradução livre), na Universidade da Carolina do Norte, nos 2. O primeiro parágrafo do texto apresenta características de
EUA. argumentação porque:
Os cientistas do laboratório reuniram um grupo de a) focaliza de modo estático um objeto, no caso, um game.
39 pessoas entre 60 e 77 anos e testaram funções cognitivas b) traz personagens que atuam no desenvolvimento da his-
de todos os integrantes, como percepção espacial, memória e tória.
capacidade de concentração. c) mostra objetos em minúcias e situações atemporalmente.
Uma parte dos idosos, então, levou para casa o RPG d) apresenta uma ideia central, que será evidenciada, e uma
on-line “World of Warcraft”, um dos títulos mais populares conclusão.
do gênero no mundo, produzido pela Blizzard, e com 10,3 e) desenvolve uma situação no tempo, mostrando seus des-
milhões de usuários na internet. Eles jogaram o game  por dobramentos.
aproximadamente 14 horas ao longo de duas semanas (em
média, uma hora por dia). Texto 2
Outros idosos, escolhidos pelos pesquisadores para in-
tegrar o grupo de controle do estudo, foram para casa, mas Os cientistas já não têm dúvidas de que as tempera-
não jogaram nenhum videogame. Na volta, os resultados fo- turas médias estão subindo em toda a Terra. Se a atividade
ram surpreendentes. Os idosos que mergulharam no mundo humana está por trás disso é uma questão ainda em aberto,
das criaturas de “Warcraft” voltaram mais bem-dispostos e mas as mais claras evidências do fenômeno estão no derreti-
apresentaram nítida melhora nas funções cognitivas, enquan- mento das geleiras. Nos últimos cinco anos, o fotógrafo ame-
to o grupo de controle não progrediu, apresentando as mes- ricano James Balog acompanhou as consequências das mu-
mas condições. danças climáticas nas grandes massas de gelo. Suas andanças
— Escolhemos o “World of Warcraft” porque ele é de- lhe renderam um livro, que reúne 200 fotografias, publicado
safiante em termos cognitivos, apresentando sempre situações recentemente.
novas em ambientes em que é preciso interagir socialmente Icebergs partidos ao meio e lagos recém-formados pela
— disse no site da universidade Anne McLauglin, professo- água derretida das calotas de gelo são exemplos. Esse der-
ra de psicologia do laboratório e responsável pelo texto final retimento é sazonal. O gelo volta nas estações frias − mas,
do estudo. — Os resultados que observamos foram melhores muitas vezes, em quantidade menor, e por menos tempo. Há
nos idosos que haviam apresentado índices baixos nos testes três meses um relatório da NASA, feito a partir de imagens
antes do jogo. Depois de praticar o RPG, eles voltaram com de satélites, mostrou que boa parte da superfície de gelo da
melhores índices de concentração e percepção sensorial. No Groenlândia foi parcialmente derretida − transformada em
quesito memória, entretanto, o efeito do game foi nulo. uma espécie de lama de neve − em um tempo recorde desde
Outro pesquisador que participou da pesquisa, o pro- os primeiros registros, feitos trinta anos atrás. Outro relató-
fessor de psicologia Jason Allaire, comentou no site  que os rio, elaborado pela National Snow and Ice Data Center, mos-
idosos que se saíram mal no primeiro teste mostraram os tra que o gelo do Ártico, durante o verão do hemisfério norte,
melhores resultados após o jogo. Os dois estudiosos vêm pes- teve a maior taxa de derretimento da história, superando o
quisando os efeitos dos games na terceira idade desde 2009, recorde anterior, de 2007. Nem sempre, porém, menos gelo
significa más notícias. A alta da temperatura na Groenlândia

30 HELP VESTIBULARES
DIFERENCIANDO “COMPREENSÃO” E “INTERPRETAÇÃO”.
permitiu a volta da criação de gado leiteiro e o cultivo de e) os sinais de aquecimento do planeta têm sido evidentes
vários tipos de vegetais, como batata e brócolis. Além disso, em algumas regiões, mas ainda não há conclusões científicas
o derretimento do gelo no Ártico vai permitir a exploração seguras a respeito das causas desse aquecimento.
de reservas de petróleo e abrir novas rotas de navegação. O
que se vê nas fotos de James Balog é um mundo em trans- 6. (PUCPR 2018) Leia o seguinte fragmento do livro Um
formação. mestre na periferia do capitalismo, de Roberto Schwarz, a
Adaptado de Carolina Melo. Veja, 7 de novembro de 2012, p. respeito de Memórias póstumas de Brás Cubas.
121-122
  A solução artística elaborada no Brás Cubas marcava
3. Percebe-se claramente no texto: o fim de um ciclo da literatura nacional. A figura do narra-
a) a necessidade do desenvolvimento da agropecuária em dor desacreditado e pouco estimável não se prestava ao papel
uma região carente de recursos, submetida a condições de construtivo que por mais de um século os escritores, tanto
temperatura excessivamente baixa. árcades como românticos, impregnados pelo movimento de
b) a ocorrência de fenômenos naturais que confirmam ple- afirmação da nacionalidade, haviam atribuído às letras e a si
namente as análises de cientistas sobre as consequências da mesmos.
presença do homem em algumas regiões da Terra. SCHWARZ. Roberto. Um mestre na periferia do capitalismo:
c) a importância das imagens obtidas por satélites, que per- Machado de Assis. São Paulo: Duas Cidades. Ed. 34, 2000. p.
mitem observação mais eficaz de fenômenos naturais ocorri- 118.
dos em regiões distantes, muitas vezes inacessíveis.
d) o papel fundamental dos relatórios feitos com base em Com base nesse excerto é CORRETO afirmar que:
estudos científicos, que propõem medidas de contenção do a) com Memórias póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis
derretimento de geleiras em todo o mundo. rompe definitivamente com seu passado arcádico e românti-
e) o emprego de recursos auxiliares, como o oferecido pela fo- co, iniciando o Realismo na literatura brasileira.
tografia, nos estudos voltados para a preservação das belezas b) esse romance é o marco inicial do Realismo, pois com ele,
naturais existentes no mundo todo. pela primeira vez na narrativa de ficção brasileira, aparece um
herói verdadeiramente positivo, capaz de representar em si o
4. O último parágrafo do texto expressa: movimento de afirmação da nacionalidade.
a) as previsões alarmistas que, ao considerarem os dados re- c) com a figura de Brás Cubas, o narrador-protagonista, um
sultantes das pesquisas sobre o aquecimento global, vêm con- “autor defunto”, inaugura-se um novo ciclo na literatura bra-
firmar os riscos de destruição do planeta. sileira, um ciclo de maior liberdade e pesquisa formal, que
b) a possibilidade de destruição total de uma vasta região do resultaria no Modernismo de 1922.
planeta, pondo em risco a sobrevivência humana, por escas- d) Machado de Assis, com esse romance, assinala uma rup-
sez de água e de alimentos. tura não somente com o romantismo, mas com toda a linha-
c) as conclusões dos cientistas a respeito das evidências do gem da literatura nacional desde o Arcadismo.
atual aquecimento mais rápido do planeta, fenômeno que e) como “a figura do narrador desacreditado e pouco estimá-
prejudica a agricultura nas regiões polares. vel não se prestava ao papel construtivo que por mais de um
d) um posicionamento otimista quanto às consequências de século os escritores, tanto árcades como românticos”, haviam
um fenômeno que, em princípio, é visto como catastrófico buscado, Machado de Assis, em Memórias póstumas, parte em
para o futuro do planeta. busca de um novo narrador determinado, íntegro e viril, ima-
e) uma opinião pouco favorável à exploração econômica, ain- gem da nação que se pretendia construir.
da inicial, de uma das regiões mais frias do planeta, coberta
por geleiras. 7. (PUCPR 2018) Considere o trecho a seguir.

5. De acordo com o texto: [...]


a) o ritmo acelerado de derretimento alerta para a necessi-
dade de controle da presença humana em algumas regiões, O menino ouviu a narrativa de um arqueiro que pas-
evitando-se que as geleiras desapareçam completamente. sou anos e anos treinando a arte do arco e flecha, até se tornar
b) os benefícios econômicos trazidos pelo derretimento da um especialista. Ao chegar a uma reunião com outros arquei-
calota polar são indiscutivelmente superiores ao dano produ- ros, encontrou uma extensa parede com inúmeros alvos – e
zido pelo aumento de temperatura na região. flechas cravadas bem no centro deles. O arqueiro ficou im-
c) as fotografias, que mostram principalmente a beleza da re- pressionado. Não acreditava que uma única pessoa havia feito
gião polar, atestam que nem sempre o aquecimento terrestre aquilo. Era uma proeza. Uma multidão de flechas milime-
traz consequências danosas à natureza. tricamente no centro dos alvos, quem realizou aquele feito?
d) as imagens gravadas em fotos recentes são utilizadas pelos Havia um garotinho perto dos alvos e o arqueiro perguntou:
pesquisadores para confirmar as razões do desaparecimento “Você sabe quem lançou essas flechas?”. E o garoto disse:
de geleiras na região polar. “Sim, fui eu”. O arqueiro não conseguia acreditar. Como

HELP VESTIBULARES 31
DIFERENCIANDO “COMPREENSÃO” E “INTERPRETAÇÃO”.
assim? Aquele garotinho era o responsável por tamanha faça- desviar a raiva que nos provocaram e continuam a provocar,
nha? Então o menino contou como fez aquilo: “Primeiro eu e despejar nossa ira, alternadamente, sobre seus produtos, ao
jogo a flecha e depois pinto o alvo ao redor”. [...] nosso lado e ao nosso alcance. Isso, claro, não vai chegar nem
Disponível em: <http://observatoriodasjuventudes.pucpr. perto das raízes do problema, mas pode aliviar, ao menos por
br/2015/07/28>. Acesso em: 13/06/17. (Excerto). algum tempo, a humilhação provocada por nossa impotência
e incapacidade de resistir à debilitante precariedade de nosso
Os ditados populares e provérbios têm a propriedade de sin- lugar no mundo.
tetizar interpretações sobre fatos da vida cotidiana, geralmen- BAUMAN, Z. Estranhos à nossa porta. Trad.: Carlos Alberto
te ilustrados por narrativas que contêm quebras de expectati- Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2017, p. 21-22.
va. Considerando essas informações, o possível provérbio que
melhor sintetiza o texto é: O autor do texto apresenta o hábito que os humanos têm
a) Não adianta chorar sobre o leite derramado. de culpar e punir o mensageiro por causa do conteúdo da
b) Água mole em pedra dura tanto bate até que fura. mensagem que conduzem. Para tanto, fundamenta seu ponto
c) Cada macaco no seu galho. de vista:
d) Quem com ferro fere, com ferro será ferido. a) nos mecanismos de apagamento das consequências das
e) Em terra de cego, quem tem um olho é rei. ações globais.
b) na percepção do panorama gerado pelas forças da globa-
8. (PUCPR 2018) Considere o texto a seguir. lização.
c) na precariedade de nosso lugar no mundo diante da crueza
Futuro incerto de nossa ira.
d) no exemplo de como lidamos com os produtos da globa-
O futuro das inteligências artificiais – como está na lização.
literatura – pode ser desenhado e projetado, em grande me- e) na humilhação provocada por nossa impotência diante das
dida, por elas mesmas. O que vale dizer que elas poderão incertezas.
evoluir independentemente de nós. Se é capaz de aprender,
tem êxito na primeira geração, retoma e otimiza a segunda Leia atentamente o texto a seguir que servirá de base para a(s)
geração, sem que nenhuma pessoa tenha tido influência al- questão(ões) a seguir.
guma no processo. Desse modo vão se criando efetivamente
organismos quase biológicos. As pessoas se ofendem com quem é autêntico
Sociologia, ed. 69, jun/17, p. 77. (Excerto). Marcel Camargo

O texto revela uma análise sobre as inteligências artificiais. “Ser autêntico virou ofensa pessoal. Ou a criatura faz
Um exemplo que ilustra a projeção descrita no texto é: parte do rebanho, ou é um metido a besta.” (Martha Me-
a) a invasão de sites de segurança máxima por hackers espe- deiros)
cializados.
b) o processo de comunicação em rede que despreza frontei- Uma de nossas características enquanto seres huma-
ras físicas. nos gregários vem a ser a necessidade de interação com o
c) o armazenamento de dados humanos para o avanço da próximo e, para tanto, precisamos ser aceitos. É na comu-
ciência. nicação com o mundo que nos rodeia que amadurecemos
d) a propagação de discursos de ódio via sistema operacional nossas ideias e nos tornamos capazes de agir frente ao que nos
invadido. desagrada. Em determinadas situações, é em grupo que nos
e) o desenvolvimento de robôs capazes de tomar as próprias fortaleceremos e nos motivaremos a continuar.
decisões. Essa necessidade de aceitação é mais forte entre os
adolescentes, que querem se auto afirmar junto àqueles com
9. (PUCPR 2018) Considere o excerto a seguir. os quais se identifica, ou mesmo junto aos que julgam des-
colados. A maturidade vem nos tranquilizar nesse sentido,
É um hábito humano – muito humano – culpar e punir facilitando nossa conformidade com o que somos e temos,
os mensageiros pelo conteúdo odioso da mensagem de que tornando-nos mais aptos a nos aceitar, a sermos o que pulula
são portadores – nesse caso, das enigmáticas, inescrutáveis, aqui dentro.
assustadoras e corretamente abominadas forças globais que Infelizmente, muitos não conseguem encontrar a pró-
suspeitamos (com boas razões) serem responsáveis pelo pria individualidade, incapazes que são de se tornarem seres
perturbador e humilhante sentido de incerteza existencial autônomos, com vontades e desejos próprios, permanecendo
que devasta e destrói nossa confiança, ao mesmo tempo que dependentes do julgamento alheio enquanto viverem. Pas-
solapa nossas ambições, nossos sonhos e planos de vida. E sam a vida seguindo o rebanho homogêneo do que é comum,
embora quase nada possamos fazer para controlar as esquivas socialmente disseminado como o certo, do que é da maio-
e remotas forças da globalização, podemos pelo menos ria, menos de si próprio. Lutam contra si mesmos, deixando

32 HELP VESTIBULARES
DIFERENCIANDO “COMPREENSÃO” E “INTERPRETAÇÃO”.
adormecidos seus sonhos e aspirações, por medo da censura 12. (G1 - Utfpr 2018) Assinale a alternativa correta de acor-
alheia. do com o texto.
Isso porque não é fácil viver as próprias verdades, cor- a) A sociedade exige que as pessoas vivam conforme ditames
rer atrás do que faz o nosso coração vibrar, dizer o que sen- e convenções e não de acordo com suas verdades e sonhos.
timos, exprimir o que pensamos, haja vista o policiamento b) Quando o ser humano, gregário por excelência, se indi-
ostensivo de gente que critica agressivamente qualquer um vidualiza, passa a viver a tortura de uma vida de mentiras e
que não siga o rebanho dos ditames e convenções sociais já frustrações.
cristalizadas. Hoje, ser alguém único, autêntico, verdadeiro c) Os adolescentes fazem parte de um rebanho homogêneo,
consigo mesmo, é ofensivo e passível de ataques condenató- porque querem ser aceitos e viver sua própria individualida-
rios por parte da sociedade. de.
Até entendemos a homogeneidade nas vestimentas e d) Para viver socialmente, as pessoas devem evitar a ofensa
linguajares de adolescentes, porém, a vida adulta nos impõe pessoal e se tornarem autônomas e dependentes da opinião
nada menos do que viver o que se é, lutar pelo que se acre- alheia.
dita, fazer o que se gosta, sem ferir ninguém, mas agindo de e) A comunicação com o mundo na maturidade faz com que
acordo com o que pulsa dentro de cada um de nós. Agradar os indivíduos deixem seus sonhos e aspirações e se tornem
a maioria, enquanto se vive em desagrado íntimo, equivale a aptos a lutar contra si mesmos.
uma tortura diária e injusta. Nascemos livres para sermos nós
mesmos, porque não há nada mais belo e prazeroso do que Leia o texto para responder à(s) questão(ões).
uma vida sem mentiras e frustrações.
Fonte: http://www.contioutra.com/pessoas-se-ofendem-com- Menino de 7 anos escreve livro para ajudar amigo doente
-quem-e-autentico/. 27 abr. 2017.
Um menino norte-americano, de 7 anos, escreveu um
10. (G1 - utfpr 2018) Segundo o texto, é correto afirmar livro para arrecadar fundos e ajudar o melhor amigo, que so-
que: fre de uma doença rara. Dylan Siegel aceitou o desafio de se
a) apenas os adolescentes seguem o rebanho homogêneo do tornar um autor após descobrir que a família de Jonah Pour-
que é comum, ou seja, não têm individualidade nem são au- nazarian, de 8 anos, não teria condições financeiras de bancar
tênticos com eles mesmos. o tratamento do jovem. Com auxílio de familiares e amigos,
b) a maturidade ajuda-nos a nos tornarmos autônomos, in- eles começaram uma campanha na internet para vender a pri-
dependentes do julgamento alheio, a aceitar o que e como meira publicação de Dylan e já arrecadaram pouco mais de
somos. R$ 88 mil.
c) a maioria da população vive buscando agradar a opinião Jonah é portador de glicogenose, uma doença rara e
alheia mesmo que em desagrado íntimo, pois é o correto a incurável, que reduz o armazenamento de glicogênio no or-
ser feito. ganismo. Assim, o jovem sofre com constantes quedas no ní-
d) os adolescentes são os que mais sofrem por não poderem vel de açúcar no sangue. O tratamento da doença custa caro
agir livremente na escolha de suas vestimentas e linguajares e, por isso, Dylan decidiu escrever “Chocolate Bar” (Barra de
homogeneizados. Chocolate) e colocá-lo à venda para juntar dinheiro e dá-lo
e) a sociedade encontra-se em desequilíbrio econômico, polí- a fundações de pesquisa sobre a doença. Sua esperança é que
tico e financeiro, pois a população está vivendo uma vida de uma cura seja encontrada para o problema do companheiro.
mentiras e frustações. [...]
http://extra.globo.com
11. (G1 - Utfpr 2018) No trecho retirado do texto: “Pas-
sam a vida seguindo o rebanho homogêneo do que é comum, 13. (G1 - Utfpr 2018) Segundo o texto, é correto afirmar
socialmente disseminado como o certo, do que é da maio- que:
ria, menos de si próprio. Lutam contra si mesmos, deixando a) Jonah Pournazarian, de 8 anos, escreveu um livro e colo-
adormecidos seus sonhos e aspirações, por medo da censura cou-o à venda para ajudar um amigo doente.
alheia”, os verbos passar e lutar referem-se a: b) a glicogenose é uma doença rara, que reduz o armazena-
a) descolados. mento de glicogênio no organismo.
b) aptos. c) a glicogenose é uma doença incurável, que provoca au-
c) seres autônomos. mento constante no nível de açúcar no sangue.
d) desejos e vontades. d) o tratamento da glicogenose é caro e realizado por meio do
e) muitos. consumo de barras de chocolate puro.
e) o tratamento da doença do menino norte-americano custa
um pouco mais de R$ 88 mil.

HELP VESTIBULARES 33
DIFERENCIANDO “COMPREENSÃO” E “INTERPRETAÇÃO”.
Leia o texto abaixo que servirá de referência para a(s) ques-
tão(ões) a seguir.

Como o novo jogo pokémon go coloca pessoas para an-


dar e já causou problemas com a polícia

Depois de muita espera, ele está causando um rebu-


liço nos países onde já foi lançado. Tanto é que até a polícia
precisou intervir. Pelo menos foi o que ocorreu na Austrália,
onde as autoridades precisaram emitir um alerta para que
jogadores de Pokémon Go não se aventurassem em lugares
perigosos, como túneis, ou recomendar que os mesmos tirem
“os olhos do telefone e olhem para os dois lados da rua antes
de atravessar.”
Pokémon Go é a atualização mais recente da franquia
de jogos de videogame lançada pela Nintendo há 20 anos. A
nova versão começou as ser lançada mundialmente há pou-
cos dias e leva jogadores a procurar pokémons em museus,
parques, esquinas, em seus banheiros e até no porta-luvas do
carro. Toda essa atividade, contudo, levou a preocupações
com segurança.
Go Pokémon é um jogo de realidade aumentada que
deixou os videogames para se instalar em smartphones e se
estender pelo “mundo real”. Os jogadores se tornaram agora
treinadores que saem à caça dos pokémons - como são cha-
madas as criaturas com diferentes habilidades que “vivem”
em bolas especiais. [...]
Um perigo?
A polícia da Austrália tem razão quando adverte os fãs
de Pokémon para não esquecerem de olhar para os dois lados
antes de atravessar a rua?
“Infelizmente, eu acho que não vamos demorar muito
para ver casos de pessoas com problemas de roubos, atrope-
lamentos e quedas, por estarem mais focados em olhar para a
tela do que realmente ao seu redor”, diz um agente da polícia.
“Acontece que as pessoas já se distraem olhando para o
celular e agora esse problema será ampliado. Isso se transfor-
mará em um perigo real aumentado”.
http://noticias.r7.com/

14. (G1 - Utfpr 2018) Segundo o texto, é correto afirmar


14. D
que:
13. B
a) as autoridades australianas emitiram alerta para que os jo-
12. A
gadores de Pokémon Go baixassem aplicativos seguros.
11. E
b) o jogo de videogame Pokémon Go vem recebendo atuali-
10. B
zação pela Nintendo nos últimos 20 anos.
9. D
c) o Pokémon Go é um jogo de realidade aumentada que
8. E
pode ser instalado em qualquer tipo de telefone.
7. E
d) os jogadores se tornaram treinadores que saem à caça dos
6. D
pokémons com diferentes habilidades.
5. E
e) o jogo Pokémon Go oferece muitos desafios que desenvol-
4. D
vem a reflexão e o senso crítico dos jogadores.
3. C
2. D
1. E

Gabarito:

34 HELP VESTIBULARES
TIPOS DE QUESTÕES
I. Tipos de questões. tudo, nas últimas duas décadas, em plena democracia, não é
comprometida com a abolição. No máximo incentiva a assis-
Em questões de compreensão e interpretação de tex- tência. Assistimos meninos de rua, mas não nos propomos a
tos, são comuns alguns tipos de enunciados. É importante abolir a infância abandonada; assistimos prostitutas infantis,
que você reconheça cada um deles e possa, em menos tempo, mas nem ao menos acreditamos ser possível abolir a prosti-
encontrar a resposta correta. Em provas de múltipla escolha, tuição de crianças; anunciamos com orgulho que diminuí-
os enunciados mais comuns são: mos o número de meninos trabalhando, mas não fazemos o
esforço necessário para abolir o trabalho infantil; dizemos ter
a) Compreensão: consiste em analisar o que realmente está 95% das crianças matriculadas, esquecendo-se de pedir des-
escrito, ou seja, coletar dados do próprio texto. culpas às 5% abandonadas, tanto quanto se dizia, em 1870,
que apenas 70% dos negros eram escravos.
b) Interpretação: consiste em saber o que se infere (se con- [...] Na época da escravidão, muitos eram a favor da
clui) do que está escrito. abolição, mas diziam que não havia recursos para atender
o direito adquirido do dono, comprando os escravos antes
c) Gramática contextualizada: as questões de teor gramati- de liberá-los. Outros diziam que a abolição desorganizaria o
cal aparecem contextualizadas no próprio texto. processo produtivo. Hoje dizemos o mesmo em relação aos
gastos com educação, saúde, alimentação do nosso povo. Os
d) Referência: É a questão preferida pelos vestibulares. É o compromissos do setor público com direitos adquiridos não
tipo de questão que leva você a um ponto específico do texto. permitem atender às necessidades de recursos para educação
Por exemplo: os enunciados, que informam a localização pre- e saúde nos orçamentos do setor público.
cisa da resposta como: “no 1º parágrafo”, “na 2ª linha”, “na 3ª Uma economia da abolição tem a obrigação de zelar
estrofe”, “no título”, etc. Por outro lado, quando o enunciado pela estabilidade monetária, porque a inflação pesa, sobre-
menciona uma palavra ou expressão do texto, é possível que tudo, nos porões do barco Brasil; não é possível tampouco
a resposta correta esteja nas imediações dessa mesma palavra aumentar a enorme carga fiscal que já pesa sobre todo o país;
ou expressão. nem podemos ignorar a força dos credores. Mas uma nação
com a nossa renda nacional, com o poder de arrecadação do
Nesta aula, veremos as chamadas questões de referên- nosso setor público, tem os recursos necessários para imple-
cia. A estratégia de leitura para esse tipo de questão consiste mentar uma economia da abolição, a serviço do povo, garan-
em localizar e isolar a palavra ou expressão mencionada no tindo educação, saúde, alimentação para todos. [...]
enunciado. Assim, você deverá proceder às técnicas de leitura BUARQUE, Cristovam. O Globo. 03 abr. 03.
normalmente. Ao ler a indicação no enunciado, busque-a no
texto. Na maioria das vezes, a resposta está nas imediações da 1. A ideia central do artigo baseia-se na visão de que é preciso
palavra ou expressão indicada no enunciado. estabelecer uma “economia da abolição”, dando acesso a to-
dos, evitando, assim, uma política assistencialista e excluden-
te. Qual dos trechos do artigo transcritos a seguir NÃO apre-
senta o argumento de consistência compatível com essa tese?
Texto 1 a) “Porque nossa economia tem sido baseada na exclusão so-
cial e no curto prazo.”
Titanic Negreiro b) “A economia brasileira, [...], sobretudo, nas últimas duas
décadas, em plena democracia, não é comprometida com a
O Brasil é um navio negreiro em direção ao futuro. abolição.”
Um negreiro, com milhões de pobres excluídos nos porões c) “...muitos eram a favor da abolição, mas diziam que não
– sem comida, educação, saúde – e uma elite no convés, havia recursos para atender o direito adquirido do dono,
usufruindo de elevado padrão de consumo em direção a um comprando os escravos antes de liberá-los.”
futuro desastroso. O Brasil é um Titanic negreiro: insensível d) “Os compromissos do setor público [...] não permitem
aos porões e aos icebergs. Porque nossa economia tem sido atender às necessidades de recursos para educação e saúde nos
baseada na exclusão social e no curto prazo. orçamentos do setor público.”
[...] e) “...uma nação com a nossa renda nacional, [...] tem os re-
Durante toda nossa história, o convés jogou restos cursos necessários para implementar uma economia da abo-
para os porões, na tentativa de manter uma mão de obra viva lição”.
e evitar a violência. Fizemos uma economia para poucos e
uma assistência para enganar os outros. [...]
O sistema escravocrata acabou, mas continuamos nos
tempos da assistência, no lugar da abolição. A economia
brasileira, ao longo de nossa história, desde 1888 e, sobre-

HELP VESTIBULARES 35
TIPOS DE QUESTÕES
2. O articulista parte de uma associação que é explicitada ria das pessoas, quando perguntadas sobre o que fariam com
pelo título do texto. Tal associação, envolvendo o Titanic e a bolada, responde: pagar dívidas, comprar um apartamento,
o período histórico brasileiro escravocrata, revela uma estra- um carro, uma casa na serra, outra na praia, garantir a segu-
tégia discursiva que visa a provocar no leitor uma reação de: rança dos filhos e guardar o resto para a velhice.
a) revolta. Normal. São desejos universais. Mas fica aqui um con-
b) descaso. vite para sonhar com mais criatividade. Arranje uma dessas
c) conscientização. listas de cem coisas pra fazer e procure divertir-se com as op-
d) complacência. ções [...]. Não pense tanto em comprar mas em viver.
e) acomodação. Eu, que não apostei na Mega-Sena, por enquanto
sigo com a minha lista de cem coisas a evitar antes de morrer.
3. “O Brasil é um Titanic negreiro: insensível aos porões e É divertido também, e bem mais fácil de realizar, nem precisa
aos icebergs”. Nesse trecho, a relação de sentido que os dois de dinheiro.
pontos estabelecem, ligando as duas partes, visa a introduzir MEDEIROS, Martha. Doidas e santas. Porto Alegre: L&PM,
uma: 2008, p. 122-123. Adaptado
a) ideia de alternância entre as duas partes da frase.
b) ideia que se opõe àquela dada anteriormente. 5. A afirmativa “É febre”, com que é iniciado o texto, indica
c) adição ao que foi sugerido na primeira parte da frase. que há, no momento, na sociedade um (a):
d) conclusão acerca do que foi mencionado antes. a) comportamento que afeta todas as pessoas.
e) explicação para a visão assumida na primeira parte da frase. b) doença para a qual não existe remédio.
c) desejo que se espalha entre pessoas.
4. “A economia brasileira [...], em plena democracia, não é d) infecção que se dissemina.
comprometida com a abolição.” Nos dicionários, a palavra e) praga a ser evitada.
“abolição” assume o sentido de extinção, de supressão. No
texto, essa palavra alarga seu sentido e ganha o valor de: 6. A expressão “a gente precisa porque precisa fazer” quer di-
a) exclusão. zer que é preciso fazer algo, pois:
b) legitimação. a) temos a obrigação, mas podemos não a aceitar.
c) regulamentação. b) temos de realizar algo a qualquer preço.
d) inclusão. c) devemos fazer mas podemos optar por não fazer.
e) abonação. d) podemos não querer cumprir a ordem.
e) queremos realizar a tarefa, pois a desejamos.
Texto 2
Texto para a(s) questão(ões) a seguir.
Doidas e Santas
Uma obra de arte é um desafio; não a explicamos,
É febre. Livros listando as cem coisas que você deve ajustamo-nos a ela. Ao interpretá-la, fazemos uso dos nossos
fazer antes de morrer, os cem lugares que você deve conhecer próprios objetivos e esforços, dotamo-la de um significado
antes de morrer, os cem pratos que você deve provar antes de que tem sua origem nos nossos próprios modos de viver e de
morrer. Primeiramente, me espanta o fato de todos terem a pensar. 1Numa palavra, qualquer gênero de arte que, de fato,
certeza absoluta de que você vai morrer. Eu prefiro encarar a nos afete, torna-se, deste modo, arte moderna.
morte como uma hipótese. Mas, no caso, de acontecer, serei As obras de arte, porém, são como altitudes inacessí-
obrigada mesmo a cumprir todas essas metas antes? Não dá veis. Não nos dirigimos a elas diretamente, mas contornamo-
pra fechar por cinquenta em vez de cem? -las. Cada geração as vê sob um ângulo diferente e sob uma
Outro dia estava assistindo a um DVD promocional nova visão; nem se deve supor que um ponto de vista mais
que também mostra, como imaginei, as cem coisas que a gen- recente é mais eficiente do que um anterior. Cada aspecto
te precisa porque precisa fazer antes de morrer. Me deu uma surge na sua altura própria, que não pode ser antecipada nem
angústia, pois, das cem, eu fiz onze até agora. Falta muito prolongada; e, todavia, o seu significado não está perdido
ainda. Falta dirigir uma Ferrari, fazer um safári, frequentar porque o significado que uma obra assume para uma geração
uma praia de nudismo, comer algo exótico (um baiacu ve- posterior é o resultado de uma série completa de interpreta-
nenoso, por exemplo), visitar um vulcão ativo, correr uma ções anteriores.
maratona [...]. Arnold Hauser, Teorias da arte. Adaptado.
Se dependesse apenas da minha vontade, eu teria um
plano de ação esquematizado, mas quem fica com as crian-
ças? Conseguirei cinco férias por ano? E quem patrocina essa
brincadeira?
Hoje é dia de mais um sorteio da Mega-Sena. O prê-
mio está acumulado em cinquenta milhões de reais. A maio-

36 HELP VESTIBULARES
TIPOS DE QUESTÕES
7. (Fuvest 2018) De acordo com o texto, a compreensão do 10. (Fuvest 2018) Nos dois textos, obtém-se ênfase por meio
significado de uma obra de arte pressupõe: do emprego de um mesmo recurso expressivo, como se pode
a) o reconhecimento de seu significado intrínseco. verificar nos seguintes trechos:
b) a exclusividade do ponto de vista mais recente. a) “Este último capítulo é todo de negativas” / “Eu não penso
c) a consideração de seu caráter imutável. assim”.
d) o acúmulo de interpretações anteriores. b) “Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui ministro,
e) a explicação definitiva de seu sentido. não fui califa, não conheci o casamento” / “Não sei por que
até hoje todo o mundo diz que tinha pena dos escravos”.
8. (Fuvest 2018) No trecho “Numa palavra, qualquer gênero c) “Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boa for-
de arte que, de fato, nos afete, torna-se, deste modo, arte mo- tuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto” / “Ser
derna” (ref. 1), as expressões sublinhadas podem ser substituí- obrigada a ficar à toa é que seria castigo para mim”.
das, sem prejuízo do sentido do texto, respectivamente, por: d) “qualquer pessoa imaginará que não houve míngua nem
a) realmente; portanto. sobra” / “Mamãe às vezes diz que ela até deseja que eu fique
b) invariavelmente; ainda. preguiçosa”.
c) com efeito; todavia. e) “Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o lega-
d) com segurança; também. do da nossa miséria” / “Acho que se fosse obrigada a trabalhar
e) possivelmente; até. o dia inteiro não seria infeliz”.

Textos para a(s) questão(ões) a seguir. Texto para a(s) questão(ões) a seguir.

Este último capítulo é todo de negativas. Não alcancei Voltada para o encanto da vida livre do pequeno nú-
a celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui califa, cleo aberto para o campo, a jovem Helena, familiar a todas as
não conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas fal- classes sociais daquele âmbito, estava colocada num invejável
tas, coube-me a boa fortuna de não comprar o pão com o ponto de observação. (...)
suor do meu rosto. Mais; não padeci a morte de dona Pláci- Sem querer forçar um conflito que, 1a bem dizer, ape-
da, nem a semidemência do Quincas Borba. Somadas umas nas se esboça, podemos atribuir parte desta grande versatili-
coisas e outras, qualquer pessoa imaginará que não houve dade psicológica da protagonista aos 2ecos de uma formação
míngua nem sobra, e, conseguintemente, que saí quite com britânica, protestante, liberal, ressoando 3num ambiente de
a vida. E imaginará mal; porque ao chegar a este outro lado corte ibérico e católico, mal saído do regime de trabalho es-
do mistério, achei-me com um pequeno saldo, que é a derra- cravo. Colorindo a apaixonada esfera de independência da
deira negativa deste capítulo de negativas: – Não tive filhos, juventude, reveste-se de acentuado sabor sociológico este
não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria. caso da menina ruiva que, embora inteiramente identificada
Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas. com o meio de gente morena que é o seu, o único que co-
nhece e ama, não vacila em o criticar com 4precisão e finura
Não sei por que até hoje todo o mundo diz que tinha notáveis, se essa lucidez não traduzisse a coexistência íntima
pena dos escravos. Eu não penso assim. Acho que se fosse de dois mundos culturais divergentes, que se contemplam
obrigada a trabalhar o dia inteiro não seria infeliz. Ser obri- e se julgam no interior de um eu tornado harmonioso pelo
gada a ficar à toa é que seria castigo para mim. Mamãe às 5
equilíbrio mesmo de suas contradições.
vezes diz que ela até deseja que eu fique preguiçosa; a minha Alexandre Eulálio, “Livro que nasceu clássico”. In: Helena
esperteza é que a amofina. Eu então respondo: “Se eu fosse Morley, Minha vida de menina.
preguiçosa não sei o que seria da senhora, meu pai e meus
irmãos, sem uma empregada em casa”.
Helena Morley, Minha vida de menina. 11. (Fuvest 2018) O trecho do romance Minha vida de me-
nina que ilustra de modo mais preciso o que, para o crítico
9. (Fuvest 2018) São características dos narradores Brás Alexandre Eulálio, representa “a coexistência íntima de dois
Cubas e Helena, respectivamente: mundos culturais divergentes” é:
a) malícia e ingenuidade. a) “Se há uma coisa que me faz muita tristeza é gostar muito
b) solidariedade e egoísmo. de uma pessoa, pensando que ela é boa e depois ver que é
c) apatia e determinação. ruim”.
d) rebeldia e conformismo. b) “Eu tinha muita inveja de ver meus irmãos montarem no
e) otimismo e pessimismo. cavalo em pelo, mas agora estou curada e não montarei nun-
ca mais na minha vida”.
c) “Já refleti muito desde ontem e vi que o único meio de ter
vestido é vendendo o broche. Vou dormir ainda esta noite
com isto na cabeça e vou conversar com Nossa Senhora tudo
direitinho”.
HELP VESTIBULARES 37
TIPOS DE QUESTÕES

d) “Se eu não ouvir missa no domingo, como quando estou cravo de contrabando, apenas comprado no Valongo, deitava
na Boa Vista onde não há igreja e não posso ouvir no Bom a correr, sem conhecer as ruas da cidade. Dos que seguiam
Sucesso, fico o dia todo com um prego na consciência me para casa, não raro, apenas ladinos, pediam ao senhor que
aferroando”. lhes marcasse aluguel, e iam ganhá-lo fora, quitandando.
e) “Este ano saiu à rua a procissão de Cinzas que há muitos Quem perdia um escravo por fuga dava algum dinhei-
anos não havia. Dizem que não saía há muito tempo por falta ro a quem lho levasse. Punha anúncios nas folhas públicas,
de santos, porque muitos já estavam quebrados”. com os sinais do fugido, o nome, a roupa, o defeito físico, se
o tinha, o bairro por onde andava e a quantia de gratificação.
12. (Fuvest 2018) De acordo com Alexandre Eulálio, a pro- Quando não vinha a quantia, vinha promessa: “gratificar-se-á
tagonista do romance Minha vida de menina generosamente” – ou “receberá uma boa gratificação”. Muita
a) vivencia um conflito – uma ideia fortalecida por “a bem vez o anúncio trazia em cima ou ao lado uma vinheta, figura
dizer” (ref. 1). de preto, descalço, correndo, vara ao ombro, e na ponta uma
b) apresenta certo vínculo com o protestantismo – uma ideia trouxa. Protestava-se com todo o rigor da lei contra quem o
sintetizada por “ecos de uma formação britânica” (ref. 2). acoitasse.
c) formou-se num meio alheio ao trabalho escravo – um fato Ora, pegar escravos fugidios era um ofício do tempo.
referido por “num ambiente de corte ibérico e católico” (ref. Não seria nobre, mas por ser instrumento da força com que
3). se mantêm a lei e a propriedade, trazia esta outra nobreza
d) rejeita as influências do meio em que vive – uma caracte- implícita das ações reivindicadoras. Ninguém se metia em
rística revelada por “precisão e finura notáveis” (ref. 4). tal ofício por desfastio ou estudo; a pobreza, a necessidade
e) tem a sua lucidez psicológica abalada pelas ambivalências de uma achega, a inaptidão para outros trabalhos, o acaso,
de sua educação – um traço reiterado por “equilíbrio mesmo e alguma vez o gosto de servir também, ainda que por outra
de suas contradições” (ref. 5). via, davam o impulso ao homem que se sentia bastante rijo
para pôr ordem à desordem.
Leia o trecho do conto “Pai contra mãe”, de Machado de Contos: uma antologia, 1998.
Assis (1839-1908), para responder à(s) questão(ões).
13. (Unesp 2018) A perspectiva do narrador diante das si-
A escravidão levou consigo ofícios e aparelhos, como tuações e dos fatos relacionados à escravidão é marcada, so-
terá sucedido a outras instituições sociais. Não cito alguns bretudo:
aparelhos senão por se ligarem a certo ofício. Um deles era o a) pelo saudosismo.
ferro ao pescoço, outro o ferro ao pé; havia também a más- b) pela indiferença.
cara de folha de flandres. A máscara fazia perder o vício da c) pela indignação.
embriaguez aos escravos, por lhes tapar a boca. Tinha só três d) pelo entusiasmo.
buracos, dois para ver, um para respirar, e era fechada atrás e) pela ironia.
da cabeça por um cadeado. Com o vício de beber, perdiam
a tentação de furtar, porque geralmente era dos vinténs do 14. (Unesp 2018) Em “o sentimento da propriedade mode-
senhor que eles tiravam com que matar a sede, e aí ficavam rava a ação, porque dinheiro também dói.” (3º parágrafo), a
dois pecados extintos, e a sobriedade e a honestidade certas. “ação” a que se refere o narrador diz respeito:
Era grotesca tal máscara, mas a ordem social e humana nem a) à fuga dos escravos.
sempre se alcança sem o grotesco, e alguma vez o cruel. Os b) ao contrabando de escravos.
funileiros as tinham penduradas, à venda, na porta das lojas. c) aos castigos físicos aplicados aos escravos.
Mas não cuidemos de máscaras. d) às repreensões verbais feitas aos escravos.
O ferro ao pescoço era aplicado aos escravos fujões. e) à emancipação dos escravos.
Imaginai uma coleira grossa, com a haste grossa também, à
direita ou à esquerda, até ao alto da cabeça e fechada atrás 15. (Unesp 2018) No último parágrafo, “pôr ordem à desor-
com chave. Pesava, naturalmente, mas era menos castigo que dem” significa:
sinal. Escravo que fugia assim, onde quer que andasse, mos- a) estimular os proprietários a tratarem seus escravos com
trava um reincidente, e com pouco era pegado. menos rigor.
Há meio século, os escravos fugiam com frequência. b) conceder a liberdade aos escravos fugidos.
Eram muitos, e nem todos gostavam da escravidão. Sucedia c) conceder aos proprietários de escravos fugidos alguma
ocasionalmente apanharem pancada, e nem todos gostavam compensação.
de apanhar pancada. Grande parte era apenas repreendida; d) abolir a tortura imposta aos escravos fugidos.
havia alguém de casa que servia de padrinho, e o mesmo e) restituir os escravos fugidos a seus proprietários.
dono não era mau; além disso, o sentimento da propriedade
moderava a ação, porque dinheiro também dói. A fuga repe-
tia-se, entretanto. Casos houve, ainda que raros, em que o es-

38 HELP VESTIBULARES
TIPOS DE QUESTÕES

16. (Unesp 2018) O leitor é figura recorrente e fundamental


na prosa machadiana. Verifica-se a inclusão do leitor na nar-
rativa no seguinte trecho:
a) “A fuga repetia-se, entretanto. Casos houve, ainda que ra-
ros, em que o escravo de contrabando, apenas comprado no
Valongo, deitava a correr, sem conhecer as ruas da cidade.”
(3º parágrafo)
b) “Quando não vinha a quantia, vinha promessa: ‘gratifi-
car-se-á generosamente’ – ou ‘receberá uma boa gratificação’.
Muita vez o anúncio trazia em cima ou ao lado uma vinheta,
figura de preto, descalço, correndo, vara ao ombro, e na pon-
ta uma trouxa.” (4º parágrafo)
c) “Não cito alguns aparelhos senão por se ligarem a certo
ofício. Um deles era o ferro ao pescoço, outro o ferro ao pé;
havia também a máscara de folha de flandres.” (1º parágrafo)
d) “O ferro ao pescoço era aplicado aos escravos fujões. Ima-
ginai uma coleira grossa, com a haste grossa também, à di-
reita ou à esquerda, até ao alto da cabeça e fechada atrás com
chave.” (2º parágrafo)
e) “Era grotesca tal máscara, mas a ordem social e humana
nem sempre se alcança sem o grotesco, e alguma vez o cruel.
Os funileiros as tinham penduradas, à venda, na porta das
lojas.” (1º parágrafo)

17. (Unesp - 2018) Embora não participe da ação, o narra-


dor intromete-se de forma explícita na narrativa em:
a) “Há meio século, os escravos fugiam com frequência.” (3º
parágrafo)
b) “O ferro ao pescoço era aplicado aos escravos fujões.” (2º
parágrafo)
c) “A máscara fazia perder o vício da embriaguez aos escravos,
por lhes tapar a boca.” (1º parágrafo)
d) “Mas não cuidemos de máscaras.” (1º parágrafo)
e) “Eram muitos, e nem todos gostavam da escravidão.” (3º
parágrafo)

18. (Unesp 2018) Em “Protestava-se com todo o rigor da lei 18. A


contra quem o acoitasse.” (4º parágrafo), o termo destacado 17. D
pode ser substituído, sem prejuízo de sentido para o texto, 16. D
por: 15. E
a) escondesse. 14. C
b) denunciasse. 13. E
c) agredisse. 12. B
d) incentivasse. 11. C
e) ignorasse. 10. C
9. C
8. A
7. D
6. B
5. C
4. D
3. E (É explicação por causa do uso dos dois pontos).
2. C
1. C

Gabarito:

HELP VESTIBULARES 39
LITERATURA
O que é Literatura?

Gêneros Literários

Elementos da Obra de Ficção 1

Elementos da Obra de Ficção 2

Espécies do Gênero Narrativo


O QUE É LITERATURA?
I. O que é Literatura? Para que possamos estabelecer o conceito de literatura
é preciso, antes, questionar e refletir sobre o que vem a ser
Quando se fala em literatura, a primeira coisa que nos uma obra literária. Muito se discute a respeito do assunto,
vem à mente é o objeto da literatura, ou seja, o livro. Outros, mas não há um consenso em torno de uma definição única
porém, poderiam relacionar a palavra literatura com o ato da sobre o que seja literatura. Se tomarmos uma obra literária
leitura em si ou, até mesmo, com o conjunto de escritos sobre como sendo aquela cujo conteúdo é fruto exclusivo da ima-
determinada ciência encontrada em expressões como “litera- ginação de seu autor, como poderíamos proceder com textos
tura jurídica”, “literatura médica”, etc. Etimologicamente, o religiosos, a Bíblia por exemplo, quando lidos por pessoas
termo literatura vem do latim littera - “letra” -, remetendo, de outras religiões? Por outro lado, se tomássemos a escrita
portanto à palavra escrita ou impressa. Visto dessa manei- dita literária como sendo aquela de linguagem superior, bela
ra, o vocábulo literatura poderia ser utilizado na análise de e erudita, o que dizer das manifestações mais recentes da li-
todo e qualquer texto constituído por letras o que por si só se teratura contemporânea que baseiam seu tônus poético nas
constituiria num problema metodológico. Afinal de contas, abordagens mais coloquiais e cotidianas da vida?
há muitos textos e a maioria deles está impresso em letras. Nos estudos especializados em teoria da literatura,
Assim, para facilitar, convencionou-se a classificação dos tex- encontramos inúmeros conceitos sobre a arte literária. Essa
tos em literários e não literários. Para tanto, estabeleceram-se diversidade de definições e visões sobre o objeto estético-li-
alguns critérios que possibilitaram ao público identificar a terário demonstra que o homem pensa e interpreta a litera-
natureza de um determinado texto. Esse conjunto de crité- tura de modos diferentes, dependendo da corrente filosófica
rios recebe o nome de literariedade e identifica as qualidades (Marxismo, Estruturalismo, Formalismo, Psicologismo, etc.)
necessárias para um texto ser considerado literário: entre elas, a que esteja ligado, bem como do contexto sócio histórico em
o cuidado e o apuro com a linguagem, a forma de expressão, que esteja inserido (Renascimento, Romantismo, Contem-
a subjetividade da mensagem, a intenção do autor e, por úl- poraneidade, etc.). A seguir, propomos algumas colocações
timo, a utilidade do próprio texto que, em sendo literário, sobre o fazer literário a partir da opinião de alguns teóricos
certamente teria como função divertir e entreter. De outro e escritores.
lado, os textos de caráter mais objetivo, geralmente escritos
em sentido denotativo e referencial são considerados como 1. Definições:
textos não literários porque não se vinculam à esfera da cria-
tividade e da ficção e têm a função pragmática de informar, “Um homem tem o ímpeto de se tornar artista porque ele
por exemplo. É o caso das notícias de jornal, das receitas de necessita encontrar a si mesmo. Todo escritor tenta encon-
bolo e de todos os demais textos cuja intenção e utilidade não trar a si mesmo através de suas personagens em todos os
ultrapassam a esfera da realidade, do mundo objetivo. seus escritos. Sei que existem homens que possuem mais ou
menos os mesmos problemas que eu, com maior ou menor
intensidade, e que ficarão felizes em ler o livro e encontrar a
Texto Literário Texto Não Literário
resposta se é que ela pode ser encontrada.”
A linguagem empregada é de (George Simenom, escritor francês).
conteúdo pessoal, cheia de Uso da linguagem im-
emoções e valores do emissor pessoal, objetiva em li- “Um escritor precisa de três coisas: experiência, observação
e há o emprego da subjetivi- nha reta e imaginação. Comigo uma história, geralmente começa
dade com uma ideia ou memória ou imagem mental. Escrever
uma história é apenas uma questão de ir construindo esse
Emprego da linguagem mul- momento, de explicar o que aconteceu ou o que provocou
tidisciplinar e cheia de cono- Linguagem denotativa a seguir. Um escritor está sempre tentando criar pessoas ve-
tações rossímeis em situações comoventes e críveis da maneira mais
comovente possível.”
Linguagem poética, lírica, (William Faulkner, escritor norte-americano).
expressa com objetivos es-
téticos na recriação da reali- Representação da reali- “Literatura e sociedade não podem se ignorar, já que a pró-
dade ou criação de uma rea- dade tangível pria literatura é um fenômeno social. Em primeiro lugar,
lidade intangível, somente porque o artista - por mais originária que seja sua experiência
literária vital - é um ser social; em segundo, porque sua obra - por
mais profunda que seja a marca nela deixada pela experiên-
Atenção, prioridade à
Primor da expressão cia originária de seu criador, por singular e irrepetível que
informação
seja sua plasmação, sua objetivação nela - é sempre um traço

HELP VESTIBULARES 43
O QUE É LITERATURA?
de união, uma ponte entre o criador e outros membros da porque a obra literária reflete sobre a existência ao converter
sociedade; terceiro, dado que a obra afeta aos demais, contri- em matéria ficcional fatos e atitudes do homem no mundo
bui para elevar ou desvalorizar neles certas finalidades, ideias objetivo. Didaticamente, poderíamos caracterizar a literatura
ou valores, ou seja, é uma força social que, com sua carga como sendo o produto sócio estético, de base criativa, cujo
emocional ou ideológica, sacode ou comove aos demais. Nin- valor literário é dado pelo homem a partir da importância
guém continua a ser exatamente como era, depois de ter sido angariada pelo texto, seja no nível da linguagem, seja no pla-
abalado por uma verdadeira obra literária.” no da argumentação. Por isso, muito textos escritos com a
(Adolfo Sanchez Vásques, teórico espanhol). intenção histórica de documentar fatos podem ser caracte-
rizados posteriormente como literatura; é o caso da famosa
“A literatura é um fenômeno estético. É uma arte da palavra. carta de achamento do Brasil, escrita por Pero Vaz de Cami-
Não visa a informar, ensinar, doutrinar, pregar, documentar. nha em 1500 que se tornou literária por ter sido a primeira
Acidentalmente, secundariamente, ela pode fazer isso, pode manifestação impressa em letras em território nacional. Mais
conter história, filosofia, ciência, religião. O literário e o esté- difícil seria pensar o contrário, de que a literatura pudesse
tico inclui precisamente o social, o histórico, o religioso, “produzir” a realidade; ainda que tenhamos demonstrações
etc., porém transformando esse material em estético”. literárias de aguda percepção dos fatos, nenhum escritor con-
(Afrânio Coutinho, crítico literário brasileiro). seguiu inverter completamente essa ordem dos acontecimen-
tos. Em contrapartida, autor, obra e público se fundem numa
2. Literatura versus Realidade: dinâmica especial capaz de interferir na realidade, rivalizar
com ela, a partir do grau de consciência que a representação
Embora divergentes, podemos perceber que as opi- literária atinge. Essa consciência se traduz na capacidade de
niões acima, acerca do que viria a ser literatura, possuem pensar e questionar a própria realidade mesmo que a partir de
pontos em comum. Há uma profunda ligação entre o mate- uma matéria inventada, fruto da criatividade humana. Muito
rial literário e o homem, talvez porque o homem, na figura além de apenas interagir com leitor, de forma a diverti-lo, a
do escritor e do leitor, é quem produz e quem consome o literatura pode ativar determinadas mudanças no comporta-
objeto literário. E o homem está inserido em uma realidade mento e nas práticas sociais.
espaço temporal da qual não se desloca nunca: o escritor não
se desvincula de seu tempo e representa-o por meio das pa- 3. Funções da Linguagem:
lavras. Daí a natureza mimética da literatura: a escrita como
imitação da realidade. O princípio da mimese é o de que Todo ato comunicativo possui elementos essenciais
toda poética, toda arte, deve ser encarada como uma imitação para que a comunicação aconteça. A partir da relação entre
da vida real, ou seja: deveria ser o reflexo da realidade. Vale emissor e destinatário como sendo aqueles que respectiva-
lembrar ainda que mesmo escritores que se mostram a frente mente transmitem e recebem a mensagem, delineiam-se outras
de seu tempo ou aqueles que constroem universos paralelos, relações que ampliam os significados e tornam efetivo o ato
com enredos futurísticos, todos se valem sempre das repre- de se comunicar: entre eles, destacam-se o código (a língua),
sentações disponíveis em seus próprios contextos para projetar o canal (instrumento pelo qual se passa a mensagem) e o fee-
suas criações. dback (a resposta). Todos esses elementos se coadunam num
Em tese, o escritor seleciona elementos da realidade contexto de escrita, muito particular, já mencionado acima,
(ações, ambientes, acontecimentos) e, em seguida, transfor- e que leva em conta sobretudo as condições em que texto
ma-os em matéria literária. À essa transfiguração da realidade, foi escrito. Neste sentido, a ênfase dada pelo emissor pode
por vezes realista e por vezes deformada, acrescente-se os ele- recair nele próprio, no destinatário, no código, no canal, etc.,
mentos puramente ficcionais (situações, personagens, diálo- traduzindo o que viriam a ser as chamadas funções da lingua-
gos), plasmados em determinada forma literária (romance, gem. Elas se caracterizam por chamar a atenção especifica-
conto, novela, poema, drama, tragédia, comédia). O que mente para um dos elementos da comunicação, ou seja, uma
acontece, portanto, é a ficcionalização da realidade, já que o mensagem que está concentrada no destinatário, assume a
real invade o domínio das palavras, da literatura. Essa trans- função apelativa pela maneira com a qual a mesma envolve o
figuração da realidade para a ficção ocorre de acordo com o interlocutor. Por outro lado, caso o texto enfatize o elemento
ponto de vista do escritor cujo arbítrio opera em diferentes concreto da mensagem, a função da linguagem é a de refe-
ânimos de existência e que pode se efetivar como um texto renciá-lo a partir do texto, daí ser essa a função referencial.
trágico, cômico, cético, otimista, místico, realista, romântico, A seguir, apresentamos as principais funções da linguagem:
entre outras possibilidades.
A literatura, encarada como um domínio do conhe-
cimento, contribui para a identidade, ou no mínimo a iden-
tificação, de um grupo no plano social. Isso só é possível

44 HELP VESTIBULARES
O QUE É LITERATURA?
a) Função Referencial é aquela em que prevalece o referen- f ) E a Função Poética é aquela em que o emissor se utiliza
cial, ou seja, o sentido verdadeiro e vocabular (o mundo e dos aspectos sonoros, visuais e formais das palavras para
seus momentos). O emissor do texto enfoca de modo mais maximizar a comunicação. Essa função predomina nos tex-
objetivo aspectos do mundo real. tos literários em que os aspectos estruturais da linguagem são
muito relevantes.
“Eis São Paulo às sete da noite. O trânsito caminha lento e ner-
voso. Nas ruas, pedestres apressados se atropelam.” “Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
b) A Função Apelativa ocorre quando o falante, o emissor, Tinhas a alma de sonhos povoada,
centra o texto no receptor da mensagem. E a alma de sonhos povoada eu tinha.”
(Olavo Bilac)
“Chora de manso e no íntimo... Procura
Curtir sem queixa o mal que te crucia: Obviamente, num ato comunicativo podem estar pre-
O mundo é sem piedade e até riria sentes simultaneamente todas as funções, mas, geralmente,
Da tua inconsolável amargura.” dependendo das intenções do emissor, há o predomínio de
(Manuel Bandeira) apenas uma delas.

c) A Função Expressiva demonstra as impressões bastante


subjetivas do emissor.

“É noite. Sinto que é noite


não porque a sombra descesse
(bem me importa a face negra)
mas porque dentro de mim,
no fundo de mim, o grito
se calou, fez-se desânimo”
(Carlos Drummond de Andrade)

d) Ocorre a Função Metalinguística quando o emissor fala


sobre a própria linguagem.

“Eu faço versos como quem chora


De desalento... de desencanto...
Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente
Cai, gota a gota, do coração.”
(Manuel Bandeira)

e) A Função Fática visa a testar se a comunicação entre emis-


sor e receptor está se efetuando. Foca no canal de comuni-
cação.

“O senhor não acha? Me declare franco, peço.


Ah, lhe agradeço. Se vê que o Senhor sabe muito, em
ideia firme, além de ter carta de doutor.”
(Guimarães Rosa)

HELP VESTIBULARES 45
GÊNEROS LITERÁRIOS
I. Gêneros Literários composta de versos hexâmetros dactílicos (verso composto de
seis sílabas poéticas, com sílabas variadas em uma sílaba longa
São as diversas modalidades de expressão literária, e duas breves), formato tradicional do período épico grego.
agrupadas em função das diferentes maneiras de o escritor ver Este poema influenciou a era clássica na Grécia e também
e sentir o mundo. A escolha de dado gênero literário permite no Império Romano e permanece como uma das obras mais
ao escritor passar uma certa visão de mundo (trágica, cômica, importantes de toda literatura mundial até os dias de hoje.
exaltativa, sentimental, satírica) a partir de uma forma espe- Já a segunda obra trata do retorno dos gregos, os quais
cífica (tragédia, comédia, epopeia, poema, paródia, etc.). Há estavam em Troia, de volta à Grécia, e é focada na história de
escritores que somente se comunicam pela forma do conto, Ulisses, personagem principal deste poema. Durante a via-
outros pela tragédia e ainda outros pelo poema, visto que os gem, Ulisses passa por diversas aventuras e enfrenta persona-
gêneros literários se constituem, essencialmente, em formas gens mitológicos, como o Ciclope.
fundamentais de o escritor se colocar diante da vida. Dalton
Trevisan se expressa através do conto; Nelson Rodrigues pre- 2. Gênero Narrativo:
fere o drama; João Cabral de Melo Neto, o poema e Guima-
rães Rosa, a narrativa longa. Além da preferência pessoal dos O gênero narrativo é visto como uma variante do gê-
escritores, não podemos esquecer que cada época histórica, nero épico, enquadrando, neste caso, as narrativas em prosa.
de acordo com uma dada infraestrutura mental predominan- Dependendo da estrutura, da forma e da extensão, as prin-
te (religiosa, científica, imperialista, pacífica, etc.), representa cipais manifestações narrativas são o romance, a novela e o
e interpreta o mundo de modo diferente. Assim sendo, para conto.
cada época há um modo de representação artística específica, Em qualquer das três modalidades acima, temos re-
ocorrendo, às vezes, a hegemonia de certo gênero literário. presentações da vida comum, de um mundo mais individua-
Observamos, então, que há uma explicação histórico-social lizado e particularizado, ao contrário da universalidade das
para o surgimento, predomínio e ausência de certas formas grandiosas narrativas épicas, marcadas pela representação de
artísticas no universo cultural. um mundo maravilhoso, povoado de heróis e deuses.
As narrativas em prosa, que conheceram um notável
II. Descrição dos Gêneros desenvolvimento desde o final do século XVIII, são também
comumente chamadas de narrativas de ficção.
1. Gênero Épico:
a) Romance: narração de um fato imaginário, mas verossímil,
A palavra “épos” vem do grego e significa “versos” e, que representa quaisquer aspectos da vida familiar e social
portanto, o gênero épico é a narrativa em versos que apresen- do homem. Comparado à novela, o romance apresenta um
ta um episódio heroico da história de um povo. Na estrutura corte mais amplo da vida, com personagens e situações mais
épica temos: o narrador, o qual conta a história praticada por densas e complexas, com passagem mais lenta do tempo.
outros no passado; a história, a sucessão de acontecimentos; Dependendo da importância dada ao personagem ou à ação
as personagens, em torno das quais giram os fatos; o tempo, ou, ainda, ao espaço, podemos ter romance de costumes,
o qual geralmente se apresenta no passado e o espaço, local romance psicológico, romance policial, romance regionalista,
onde se dá a ação das personagens. romance de cavalaria, romance histórico, etc.
Neste gênero, geralmente, há presença de figuras fan- · 
tasiosas que ajudam ou atrapalham no curso dos aconteci- b) Novela: na literatura em língua portuguesa, a principal
mentos. Quando as ações são narradas por versos, temos o distinção entre novela e romance é quantitativa: vale a
poema épico ou epopeia. Dentre as principais epopeias, te- extensão ou o número de páginas. Entretanto, podemos
mos: Ilíada e Odisseia. perceber características qualitativas: na novela, temos a
As obras Ilíada e Odisseia são obras atribuídas ao poe- valorização de um evento, um corte mais limitado da vida, a
ta greco-romano Homero, o qual teria vivido por volta do passagem do tempo é mais rápida, e o que é mais importante,
século VIII a. C. na novela o narrador assume uma maior importância como
A primeira trata da história do último ano da Guerra contador de um fato passado.
de Troia entre gregos e troianos. Quando os troianos seques-
tram a princesa Helena, os gregos articulam um plano de c) Conto: é a mais breve e simples narrativa centrada em um
resgatá-la por intermédio de um grande cavalo de madeira, episódio da vida. O crítico Alfredo Bosi, em seu livro O con-
chamado de Troia, o qual é levado à cidade de mesmo nome to brasileiro contemporâneo, afirma que o caráter múltiplo do
como presente. Durante a madrugada, os soldados gregos conto “já desnorteou mais de um teórico da literatura ansioso
que estavam dentro da barriga daquele animal madeirado por encaixar a forma conto no interior de um quadro fixo de
atacam a cidade. Esta obra está dividida em 24 cantos e é gêneros. Na verdade, se comparada à novela e ao romance, a

46 HELP VESTIBULARES
GÊNEROS LITERÁRIOS
narrativa curta condensa e potência no seu espaço todas as a) Tragédia: é a representação de um fato trágico, suscetível
possibilidades da ficção”. de provocar compaixão e terror. Aristóteles afirmava que a
tragédia era «uma representação duma ação grave, de alguma
d) Fábula: narrativa inverossímil, com fundo didático, que extensão e completa, em linguagem figurada, com atores
tem como objetivo transmitir uma lição moral. Normalmen- agindo, não narrando, inspirando dó e terror».
te a fábula trabalha com animais como personagens. Quando b) Comédia: é a representação de um fato inspirado na vida
os personagens são seres inanimados, objetos, a fábula recebe e no sentimento comum, de riso fácil, em geral criticando os
a denominação de apólogo. A fábula é das mais antigas nar- costumes. Sua origem grega está ligada às festas populares,
rativas, coincidindo seu aparecimento, segundo alguns estu- celebrando a fecundidade da natureza.
diosos, com o da própria linguagem. No mundo ocidental, o c) Tragicomédia: modalidade em que se misturam elementos
primeiro grande nome da fábula foi Esopo, um escravo grego trágicos e cômicos. Originalmente, significava a mistura do
que teria vivido no século VI a.C. Modernamente, muitas real com o imaginário.
das fábulas de Esopo foram retomadas por La Fontaine, poe- d) Farsa: pequena peça teatral, de caráter ridículo e
ta francês que viveu de 1621 a 1695. O grande mérito de La caricatural, que crítica a sociedade e seus costumes; baseia-se
Fontaine reside no apurado trabalho realizado com a lingua- no lema latino Ridendo castigat mores (Rindo, castigam-se os
gem, ao recriar os temas tradicionais da fábula. No Brasil, costumes).
Monteiro Lobato realizou tarefa semelhante, acrescentando, e) Auto: Peça teatral que trata de assuntos religiosos ou pro-
às fábulas tradicionais, curiosos e certeiros comentários dos fanos, tem como finalidade criticar ou ironizar os membros
personagens que viviam no Sítio do Picapau Amarelo. da igreja (e não a instituição).

3. Gênero Lírico:

Seu nome vem de lira, instrumento musical que acom-


panhava os cantos dos gregos. Por muito tempo, até o final da
Idade Média, as poesias eram cantadas; separando-se o texto
do acompanhamento musical, a poesia passou a apresentar
uma estrutura mais rica. A partir daí a métrica (a medida de
um verso, definida pelo número de sílabas poéticas), o ritmo
das palavras, a divisão em estrofes, a rima, a combinação das
palavras foram elementos cultivados com mais intensidade
pelos poetas.
Mas, cuidado! O que foi dito acima não significa que
poesia, para ser poesia, precise, necessariamente, apresentar
rima, métrica, estrofe. A poesia do Modernismo, por exem-
plo, desprezou esses conceitos; é uma poesia que se carac-
teriza pelo verso livre (abandono da métrica), por estrofes
irregulares e pelo verso branco, ou seja, o verso sem rima. O
que, também, não impede que “subitamente na esquina do
poema, duas rimas se encontrem, como duas irmãs desco-
nhecidas...”.

4. Gênero Dramático:

Drama, em grego, significa “ação”. Ao gênero dramá-


tico pertencem os textos, em poesia ou prosa, feitos para se-
rem representados. Isso significa que além de autor e público,
desempenha papel fundamental o elenco (incluindo diretor,
cenógrafo e atores) que representará o texto.
O gênero dramático compreende as seguintes moda-
lidades:

HELP VESTIBULARES 47
ELEMENTOS DA OBRA DE FICÇÃO 1
I. Elementos da Obra de Ficção 1 dessas personagens, porém, não as transformam em casos de
absoluta atipicidade. O leitor, através das paixões vivenciadas
1. A personagem de Ficção: por elas e de suas qualidades e defeitos, percebe-as enquanto
seres humanos possíveis de se encontrar na realidade social.
A personagem é um ser fictício, criada pelo autor para Geralmente, as personagens centrais de uma narrativa são re-
povoar a sua história, veicular determinadas ideias e vivenciar dondas.
certas situações. Este ser fictício é fruto da imaginação e da Na Literatura Brasileira, podemos citar inúmeras
observação da realidade, realizando-se ora como ser inven- personagens que geram surpresa, espanto, comoção porque
tado, construído de palavras, ora enquanto cópia dos seres complexas, misteriosas e, principalmente, “humanas”. Por
humanos à proporção que passam por conflitos e enfrentam exemplo, Capitu do romance D. Casmurro, de Machado de
situações-limite em que se revelam aspectos essenciais da vida Assis e Paulo Honório, do romance São Bernardo, de Graci-
humana: aspectos trágicos, sublimes, demoníacos, grotescos liano Ramos.
ou luminosos. Através do contato entre personagens e leitor,
este pode viver e contemplar outras vivências, passando a ter c) Personagem tipo:
um entendimento e uma visão mais profunda de si mesmo e
de seus semelhantes. A diversidade das personagens que habi- A personagem tipo é, geralmente, a representante de
tam as narrativas ficcionais levou alguns teóricos da literatura um grupo nacional, regional, social, ideológico, etc. O tipo
a estabelecer certa tipologia que intenta classificá-Ias. Dentro não se transforma, não evolui, desconhecendo as mudanças
de certa linha classificatória, teremos personagens ditas pla- íntimas (afetivas, psicológicas, ideológicas) que fariam dele
nas, redondas ou esféricas, tipos e caricaturas, que leva em uma personagem redonda e individualizada. Como exemplo,
consideração a postura e o comportamento de tais persona- temos Rodrigo Cambará, em Um Certo Capitão Rodrigo, de
gens. Quanto à posição ocupada por elas na narrativa, podem Érico Veríssimo, porque essa personagem se caracteriza pe-
ser definidas como protagonistas, antagonistas, principais e las vestes, gestos, fala e atos como um típico gaúcho. Nos
secundárias. romances de Jorge Amado, os coronéis, as prostitutas e as
beatas são tipos, uma vez que encarnam comportamentos pa-
a) Personagens planas: dronizados e estandardizados socialmente.

Em geral, a personagem plana não altera o seu com- d) Personagem caricatura:


portamento no decurso da narrativa e, por isso, nenhum ato
ou nenhuma reação de sua parte podem surpreender o lei- A personagem considerada caricatura é aquela cujas
tor. É, portanto, desprovida de profundidade psicológica e qualificações ou traços são apresentados de modo exagera-
dramática, exibindo um comportamento convencionalizado do. Exemplo: Odorico Paraguassu, da novela O Bem Amado
e estereotipado. Identifica-se pela recorrência do mesmo ele- de Dias Gomes e o personagem Pedro, de A Polaquinha, de
mento e não através da acumulação de elementos diversifica- Dalton Trevisan. Este personagem (Pedro) é um motorista de
dos. Por exemplo: uma personagem que usa sempre o mesmo ônibus cujas taras sexuais, grosseria e ignorância são exagera-
tipo de roupa, anda invariavelmente nos mesmos lugares e damente ampliadas.
com as mesmas companhias, procurando os mesmos diverti- Além da classificação vista, há outra, que decorre da
mentos, e cuja vida interior não é preocupação da narrativa importância que a personagem desfruta dentro da história,
é, sem dúvida, uma personagem plana. qual seja: protagonista ou principal para as mais importan-
Carolina, personagem principal do romance A More- tes, visto que a narrativa se desenvolve sobre e a partir de-
ninha, de Joaquim Manuel de Macedo; Leonardo Pataca, em las mais concretamente; e as secundárias, menos relevantes,
Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antonio de às vezes episódicas e acessórias. Há, também, a antagonista,
Almeida, e Sinhá Vitória, em Vidas Secas, de Graciliano Ra- que se contrapõe à personagem principal. De modo geral, a
mos, são alguns exemplos de personagens planas. personagem central é uma pessoa de quem o ficcionista nar-
ra as aventuras e desventuras. Porém, há romances em que
b) Personagens redondas ou esféricas: animais, cidades, cortiços, guetos, famílias, grupos sociais
funcionam como personagens. Por exemplo, em Vidas Secas,
As personagens redondas ou esféricas, ao contrário, de Graciliano Ramos, a cachorra Baleia é humanizada, ascen-
oferecem uma complexidade muito acentuada, apresentando dendo a “status” de personagem; em O Cortiço, de Aluísio
multiplicidade de características, pois são densas, enigmáti- Azevedo, o próprio cortiço miserável, promíscuo e turbulen-
cas, contraditórias e, por vezes, rebeldes. São personalidades to se transforma em personagem; em Germinal, de Zola, as
complexas cujo procedimento é uma interrogação; ninguém minas de carvão funcionam como personagem; em As vinhas
sabe ao certo como pensam e agem. A densidade e a riqueza da Ira, de John Steinbeck, a personagem fundamental é a le-

48 HELP VESTIBULARES
ELEMENTOS DA OBRA DE FICÇÃO 1
gião de homens das regiões secas e pobres do sul dos Estados imiscuir-se na intimidade destes. Apenas observa de modo
Unidos que emigram em busca de terra fértil e, em Capitães não parcial.
da Areia, de Jorge Amado, o grupo de menores marginais se O narrador em primeira pessoa pode ser o narrador
configura como personagens do romance. protagonista, ou seja, faz parte da história como elemento
fulcral. Esta personagem também não possui onisciência so-
2. Ponto de Vista ou Foco Narrativo: bre os demais.
Exemplo: “Muita religião, seu moço! Eu cá não perco
Histórias são contadas desde sempre e, quem as conta, ocasião de religião. Aproveito de todas. Uma só, para mim, é
narra não apenas o que viu, o que viveu, o que testemunhou pouca, talvez não me chegue! Rezo cristão, católico, embrenho a
mas também o que imaginou, o que sonhou e o que desejou. certo”. (Grande Sertão: Veredas, Guimarães Rosa)
Entre as histórias e o público, sempre se interpõe a figura do A narração em primeira pessoa cria um efeito de sub-
narrador. Este é uma das criações do ficcionista, ou seja, uma jetividade visto que o narrador como protagonista ou teste-
personagem. O narrador não representa o verdadeiro autor munha participa dos fatos e, por isso, possui uma visão mais
porque este é uma pessoa de carne e osso e aquele, um ser fic- relativa e parcial da história. Já o modo de narrar em tercei-
tício, construído de palavras. Autor e narrador, embora seres ra pessoa produz um efeito de objetividade à medida que o
distintos, podem comungar de determinadas ideias. narrador, não se achando envolvido com os fatos ocorridos
e vendo-os à distância, pode analisá-los e apresentá-Ios de
a) Narração em Terceira Pessoa: maneira mais imparcial e neutra.

Há o narrador que conhece tudo sobre as demais per-


sonagens (sentimentos, pensamentos e segredos) e os fatos.
Comenta, analisa e se introduz em tudo. Configura-se como
um “deus” que possui plena consciência sobre o que se passa
no universo ficcional. É chamado de narrador onisciente.
Exemplo: “A meia rua, acudiu à memória de Rubião a
farmácia: voltou para trás, subindo contra o vento, que lhe dava
de cara, mas ao fim de vinte passos, varreu-lhe a ideia da cabeça,
adeus farmácia adeus, pouso!” (Quincas Borba, Machado de
Assis)
O narrador que, embora domine todos os fatos, não
invade o interior das personagens, cria um efeito de objeti-
vidade maior porque prefere se manter do lado de fora de-
las, comentando-Ihes as ações e comportamentos visíveis em
vez de entrar-Ihes na mente. Evitando comentar sobre o que
pensam as personagens, estas tornam-se mais enigmáticas
para o leitor. É chamado de narrador observador.
Exemplo: “O rosto de Spade estava calmo. Quando seu
olhar encontrou o dela, seus olhos, amarelopardos, brilharam
por um instante com malícia, e depois tornaram-se novamente
inexpressivos. Ela saiu e quando voltou, olhou de novo para Spa-
de que não respondeu aos apelos dos olhos da moça. Encostado
no batente, olhava a rua com ar desprendido.” (Falcão Maltês,
Dashiel Hammet).

b) Narração em Primeira Pessoa:

O narrador pode ser uma personagem secundária que


participa da história, vivenciando os fatos juntamente com os
outros personagens, mas não possui onisciência, ou seja, não
pode penetrar no pensamento do outro. Pode ser chamado
de narrador testemunha. O narrador de Memorial de Aires,
de Machado de Assis, por exemplo, participa da narrativa,
envolvendo-se com os fatos e personagens, sem, contudo,

HELP VESTIBULARES 49
ELEMENTOS DA OBRA DE FICÇÃO 2
I. Elementos da Obra de Ficção 2 gem tais como: interjeições, exclamações, interrogações, etc.
Exemplo: “Baixou as mãos até o regaço. Ali estavam os
Dando sequência ao estudo dos elementos da obra de objetos de toalete: a escova, o pente, o pote de creme de barbear,
ficção, iniciado na aula anterior: o talco, a loção - tudo limpo e meticulosamente arrumado. Nem
naquela manhã ele deixara de ir ao treino diário... Seria mesmo
1. Linguagem: uma pena envolvê-lo. Mas por que envolvê-lo? Os outros então
não sabiam perfeitamente que ele não podia ser o motivo? Mas
Pensando-se em literatura, temos necessariamente que ele próprio talvez se sentisse responsável e era uma verdadeira
falar sobre a linguagem porque é somente por seu intermédio pena toldar com algum remorso aquela transparência”. (Ciran-
que o escritor pode realizar a sua obra. O mundo ficcional da de Pedra, Lygia F. Telles)
é apresentado ao leitor através de determinados recursos de
linguagem dos quais estudaremos alguns: d) Monólogo interior e fluxo de consciência:

a) Discurso direto: O monólogo interior como forma de apresentação


dos pensamentos íntimos da personagem é um recurso lin-
Nesse discurso, o narrador deixa as personagens fala- guístico bastante antigo, remontando às epopeias greco-lati-
rem diretamente, introduzindo-Ihes a fala por verbos deno- nas. Já o fluxo de consciência é uma variante moderna do
minados “verbo de dizer” (dizer, responder, retrucar, afirmar, monólogo interior. Naquele, a pontuação e a sequência lógi-
falar, etc.). Tudo se passa como se o leitor estivesse ouvindo ca das ideias são preservadas e neste, ocorre uma linguagem
literalmente a fala das personagens. Este recurso diferencia, desarticulada, presentificando o desenrolar caótico e ininter-
com bastante nitidez, a fala do narrador da fala das persona- rupto do pensamento.
gens. Nessas duas modalidades de citação do discurso da
Exemplo: “Eugênio escutava a conversa dos pais que era personagem, o leitor tem acesso direto ao interior, à psique
entrecortada de silêncios longos, de suspiros e gemidos abafados. da personagem que, por intermédio da linguagem, opera
Houve um momento em que o pai disse: - Queira Deus que essa uma autoanálise, visando ao autoconhecimento ou esclareci-
guerra não venha até cá. - Deus sabe o que faz - retrucou a mu- mento dos fatos. Portanto, com relação ao aspecto gramati-
lher.” (Olhai os Lírios do Campo, Érico Veríssimo) cal, ambos se formalizam como discurso direto.

b) Discurso indireto: Exemplos:

Nesse discurso, o narrador introduz a fala das per- • Monólogo Interior: “Se algum desses papéis tivesse caído na
sonagens por meio dos “verbos de dizer” e geralmente pela estrada? Perdido, trinta anos de cadeia, a imundície, o trabalho
conjunção “que”. O leitor tem acesso à fala das personagens dos encarcerados: fabricação de pentes, esteiras, objetos miúdos de
por via indireta, visto que o narrador enquadra o discurso tartaruga. Faria um livro na prisão. Amarelo, papudo faria um
do outro dentro do seu discurso narrativo. Há um discurso livro, que seria traduzido e circularia em muitos países. Escre-
citante (o do narrador) e um discurso citado (o da persona- vê-lo-ia a lápis, em papel de embrulho, nas margens de jornais
gem). A fala da personagem perde autonomia e subjetividade velhos. O carcereiro me pediria umas explicações. Eu responde-
à medida em que é transmitida pelo contexto do narrador. ria: - Isto é assim e assado. Teria consideração, deixar-me-iam
Exemplo: “O homem chega bêbado em casa e, tirando a escrever o livro. Dormiria na rede e viveria afastado dos outros
camisa azul, manda que a dona lave para o dia seguinte - sem presos. A garganta doía-me, os beiços colavam-me”. (Angústia,
ela perde o lugar de vigia”. (Pão e Sangue, Dalton Trevisan) Graciliano Ramos).

c) Discurso indireto livre: • Fluxo de Consciência: “Eu estava ali deitado olhando atra-
vés da vidraça as roseiras no jardim fustigadas pelo vento que
Nesse discurso caem os “verbos de dizer” e a conjunção zunia lá fora e nas venezianas do meu quarto e de repente reco-
“que”. As falas do narrador e da personagem se intercalam, meçava e as roseiras frágeis e assustadas irrompiam a vidraça e
formando um híbrido em que a diferenciação se torna difícil. eu estava ali o tempo todo olhando estava em minha cama com
Do ponto de vista gramatical, o enunciado é do narrador minha blusa de lã as mãos enfiadas nos bolsos os braços colados
(continua em terceira pessoa) e do ponto de vista do signifi- no corpo as pernas juntas estava de sapato mamãe não gostava
cado, é da personagem. Ocorre objetividade visto que há o que eu deitasse de sapatos deixe de preguiça menino!”
discurso mais analítico do narrador que transmite a fala da
personagem e há subjetividade à medida que afloram os esta-
dos íntimos da personagem através de mecanismos de lingua-

50 HELP VESTIBULARES
ELEMENTOS DA OBRA DE FICÇÃO 2
2. O Tempo na Ficção. principal do espaço é situar as ações dos personagens e esta-
belecer com eles uma interação, influenciando suas atitudes,
a) Tempo Cronológico: pensamentos ou emoções ou se modificando, segundo deter-
minam os personagens.
“Amanhã faz um mês que a senhora está longe de casa.
Primeiros dias, para dizer a verdade, não senti falta, bom che-
gar tarde, esquecido na conversa da esquina”. (Apelo, Dalton
Trevisan).

b) Tempo Psicológico:

“Silêncio. Por que será que esta gente não fala e o re-
lógio se aquietou? Uma ideia acabrunha-me. Se o relógio pa-
rou, com certeza o homem dos esparadrapos morreu. Isto
é insuportável. Por que fui abrir os olhos diante da amaldi-
çoada porta? (...) Dois passos aquém, dois passos além - e
eu estaria livre da obsessão. O relógio bate de novo. Tento
contar as horas, mas isto é impossível. Parece que ele tenciona
encher a noite com sua gemedeira irritante. Procuro dormir,
esquecer tudo, mas o relógio continua a martelar-me a cabeça
dolorida. Espero em vão o fonfonar de um automóvel, a can-
tiga de um bêbado, as vozes de comando, o rumor dos ferros
no autoclave. Tenho a impressão de que o pêndulo caduco
oscila dentro de mim, ronceiro e desaprumado”. (Angústia,
Graciliano Ramos).

3. Ação ou Enredo:

A sequência de atos praticados pelos personagens da


narrativa constitui a ação; é a soma de gestos e atos que com-
põem o enredo. De acordo com o assunto básico (o núcleo
temático, em torno do qual se movem as personagens em
diferentes situações), pode-se dizer que o enredo de qualquer
narrativa ficcional se constitui a partir de variados temas: o
amor, viagens, aventuras, ficção científica, angústias existen-
ciais, entre outros. Nas narrativas tradicionais, o conflito de-
termina as partes do enredo:
a) exposição ou apresentação: parte inicial que situa o leitor
diante da história que irá ler;
b) complicação: é a parte em que se desenvolve o conflito
(ou conflitos);
c) clímax: o momento culminante, de maior tensão; é o pon-
to de referência para as outras partes do enredo que existem
em função dele;
d) desfecho ou desenlace: é a solução dos conflitos

4. Espaço:

Espaço é o lugar onde se passa a ação numa narrativa.


Se a ação for concentrada, isto é, se houver poucos fatos ou
se o enredo for psicológico, o espaço terá menos variedade
do que em narrativas cheias de aventuras e acontecimentos,
em que se verificará maior afluência de espaços. A função

HELP VESTIBULARES 51
ESPÉCIES DO GÊNERO NARRATIVO
I. Espécies do Gênero Narrativo ticamente se constitui numa narrativa autônoma em relação
aos que lhe seguem. É o caso, por exemplo, de O Grande
Em literatura, ficção é um tipo de Gênero Narrativo e Mentecapto, de Fernando Sabino, em que cada uma das aven-
é um termo empregado para designar o romance, a novela, turas de Geraldo Viramundo é um episódio que poderia ser
o conto, embora outras formas possuam qualidades de fic- destacado do livro, sem prejuízo para o entendimento da nar-
ção: fábula, lenda e até mesmo o drama. Porém, inicialmente rativa.
cabe retomar as origens do gênero, isto é, o épico, fazendo-se
referência à epopeia ou poema épico. 4. Conto:

1. Epopeia ou poema épico: Na verdade, é muito difícil definir, caracterizar o con-


to. Segundo Júlio Casares, a partir do estudo desenvolvido
A epopeia é uma longa narrativa de caráter heroico, por Cortázar das obras de Edgar Allan Poe, há três acepções
grandioso e de interesse nacional e social. Ela apresenta uma para a palavra conto:
atmosfera maravilhosa que, em torno de acontecimentos his-
tóricos passados, reúne mitos, heróis e deuses. É escrita em a) relato de um acontecimento;
versos. A estrutura clássica da epopeia é a seguinte: b) narração oral ou escrita de um acontecimento falso;
a) proposição; c) fábula que se conta às crianças para diverti-Ias.
b) invocação;
c) dedicatória; Segundo esse estudo, há uma característica comum
d) narração; em todas elas: são modos de se contar alguma coisa a alguém
e) epílogo. e isso nos remete a uma narrativa e ela apresenta uma suces-
são de acontecimentos, por que:
As epopeias mais conhecidas são: llíada e Odisseia, - Há sempre algo a narrar;
ambas de autoria do grego Homero e Eneida, do romano - Esse algo desperta, revela, identifica o interesse humano;
Virgílio. Em língua portuguesa, há Os Lusíadas, de Camões. - Em relação a isso, surge um projeto em que os aconteci-
Na Literatura Brasileira, não existe uma epopeia nos moldes mentos tomam significação e se organizam em uma série
rigorosamente clássicos, uma vez que após o Renascimento, temporal estruturada;
as epopeias caíram em desuso. - Porém tudo acontece observando a unidade de ação.
A voz do contador, seja oral ou escrita, sempre pode
2. Poema Narrativo: interferir no discurso. Há todo um repertório no modo de
contar e nos detalhes do modo como se conta - entonação
Caso complexo é o do poema narrativo. Embora tenha de voz, gestos ou mesmo algumas palavras ou sugestões - que
traços semelhantes à epopeia, dela distancia-se em função da podem ser criados pelo contador, porque o intuito de con-
maior liberdade de forma e/ou do tema. Diante disso, apro- quistar e manter o interesse do ouvinte é de fundamental
xima-se do gênero lírico, tornando difícil sua classificação e importância.
conceituação. Alguns exemplos de poema narrativo, dados Assim é que todo contador de histórias é um contista e
pelos teóricos, são: O Uraguai, de Basílio da Gama; Cara- o verdadeiro contista é aquele que se confunde com a voz do
muru, de Santa Rita Durão; I Juca Pirama, de Gonçalves narrador (narrador é a criação de uma pessoa).
Dias; O Caçador de Esmeraldas, de Olavo Bilac; O Ro- O conto tradicional é uma narrativa que gravita em
manceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles; Juca Mu- torno de um só conflito, um só drama, uma só ação. Tome-
lato, de Menotti del Picchia. mos como exemplo “Missa do Galo”, de Machado de Assis,
conto formado por um único episódio: o diálogo cheio de
3. Novela: implicações sensuais entre o narrador (um jovem de dezessete
anos) e a sua hospedeira, D. Conceição, casada e com trinta
Das espécies mais usuais do gênero narrativo - roman- anos. O drama apresenta começo, meio e fim, pois apresen-
ce, conto e novela -, esta última é a que menos tem represen- ta o fim em si próprio. No conto, o tempo existencial que
tatividade no contexto da Literatura Brasileira. Estabelecen- precede o momento do conflito funciona como germe ou
do uma tradição de conto e romance, tanto a crítica como o preparativo do instante decisivo e o tempo que se seguirá ao
escritor deixaram a novela de lado. É importante esclarecer, conflito adquire coloração equivalente, pois o futuro se torna
desde logo, que a novela de que estamos tratando não é a previsível ou conhecido.
telenovela. O histórico do conto inclui as narrativas orais (“contar
Embora haja controvérsias quanto à conceituação, a um conto”) e o início do registro escrito dessas narrativas,
teoria literária caracteriza a novela como uma narrativa em traçando uma evolução que culminou na forma literária (es-
que há sucessividade de conflitos, isto é, cada episódio pra- tética) que nos interessa estudar. Os primeiros registros de
52 HELP VESTIBULARES
ESPÉCIES DO GÊNERO NARRATIVO
contos em língua escrita mantinham estrutura semelhante te, só viria a surgir em meados do século XVIII.
às dos contos orais, identificando-se, no texto, um ou mais Para diversos estudiosos da literatura, o romance seria
contadores e um ou mais ouvintes (para quem se estaria nar- resultado da evolução da epopeia, que desapareceu com o ad-
rando). vento da era industrial. O principal ponto em comum entre
Exemplificando: Todos os contos reunidos sob o título epopeia e romance é a visão globalizante, capaz de abranger
As Mil e Uma Noites (Pérsia e Arábia, séc. X) teriam sido con- largas faixas da realidade. Diferencia-os, além de tantas ca-
tados por Scheherazade (narradora) para distrair o rei (ouvin- racterísticas formais, o fato de que, ao contrário das epopeias
te) que ameaçava matá-la. (voltadas para o destino de uma coletividade), o romance vol-
Outro resquício da tradição oral nos contos é a pre- ta-se para o homem como indivíduo.
sença de intenção moralizante, cada vez menos presente na A burguesia, classe social mais beneficiada pela Revo-
atual forma. lução Industrial, tornou-se o público destinatário, por ex-
Afastando-se pouco a pouco da tradição oral, o conto celência, dos primeiros romances. Tendo sido a Inglaterra o
foi obtendo autonomia em relação a outras formas literárias, primeiro país em que a Revolução Industrial ocorreu e gerou
inclusive à novela e, principalmente, o romance que, tendo seus efeitos, ali escreveram os primeiros romancistas, impul-
surgido depois, assumira enorme importância no século XIX. sionados pelo notável alargamento do público leitor e pela
Nesse século, o conto adquiriu a estrutura que hoje o caracte- consequente popularização da indústria gráfica e da impren-
riza: a de uma narrativa curta que condensa e potência todas sa. Sobretudo no século XIX, o jornal serviu de veículo para
as possibilidades da ficção. uma forma de romance que é hoje considerada a origem da
É possível definir o conto como a narrativa que ob- “literatura de massas”: o romance-folhetim, produto próprio
jetiva a solução de um conflito tomado perto de seu desfe- do jogo de mercado, que se volta principalmente para o en-
cho. Em geral, as personagens são apresentadas brevemente, tretenimento.
vivendo situações decisivas. Segundo Edgar Allan Poe, have- Na verdade, boa parte da produção de romances da
ria uma relação direta entre a extensão do conto (breve) e o época romântica (e não apenas o romance-folhetim) carac-
efeito que ele causa no leitor. Em virtude da economia dos teriza-se pelo anseio de deleitar o público, ávido por ver suas
meios narrativos, o contista obtém, com o mínimo de recur- ambições e desejos transformados em literatura. São auto-
sos, o máximo de efeitos: “Se sua primeira frase não tende à res do período: Samuel Richardson, Henry Fielding, Victor
concretização deste efeito, então ele falhou em seu primeiro Hugo, José de Alencar.
passo. Em toda a composição não deve haver nenhuma pa- Ainda no século XIX, o romance torna-se mais com-
lavra escrita cuja tendência, direta ou indireta, não esteja a plexo, a partir das obras de autores que, embora influencia-
serviço deste desígnio preestabelecido”. dos em algum grau pela estética romântica, encaminharam
seus romances para um intuito que sempre fora caracterís-
São características do conto: tico do romance: recriar o mundo de modo crítico criando
personagens próximas o mais possível das pessoas. A estética
• Unidade de ação: uma só situação importante centraliza a realista, o aprofundamento psicológico e o domínio de ela-
narrativa e envolve as personagens; boradas técnicas narrativas (sobretudo no tocante ao tempo)
• Unidade de tempo: a história se passa em curto período colaboraram para tornar o romance a mais complexa forma
de tempo; narrativa, que tende a absorver quase todos os outros gêneros
• Unidade de espaço: o lugar por onde circulam as persona- e formas literárias. São autores do período: Balzac, Stendhal,
gens é de âmbito restrito; Flaubert, Zola, Charles Dickens, Dostoievski, Machado de
• Presença de poucas personagens; Assis. Os autores no início do século XX, tais como Proust,
• Quanto à linguagem, há o predomínio da narração. O Kafka e James Joyce intensificaram o experimentalismo no
discurso das personagens (discurso direto, indireto e indireto manejo das técnicas narrativas, confirmando a prevalência do
livre) muitas vezes assume relevância. A descrição e a disser- romance sobre as demais formas literárias.
tação tendem a anular-se. Romance é a narrativa que pretende dar uma visão
de mundo mediante o conflito de personagens. O confli-
5. Romance: to, comumente, é tomado no ponto mais distante (diferen-
temente do conto). O romance exige um enredo complexo,
São espécies antecessoras do romance as novelas de um tratamento cuidadoso do tempo e uma elaborada cons-
cavalaria, da Idade Média, o romance histórico e o romance trução das personagens.
picaresco, ambos do Renascimento. D. Quixote (início do
século XVII), de Cervantes, por seus recursos formais e pela
visão de mundo apresentada, ultrapassa os limites da novela
de cavalaria, que tomou como molde e inaugura a narrativa
moderna. Porém, o romance, como o entendemos atualmen-
HELP VESTIBULARES 53
ESPÉCIES DO GÊNERO NARRATIVO
São características do romance: determinado país. Trata-se do romance de aventuras, que
narra fatos extraordinários, peripécias e façanhas num cená-
• pluralidade de núcleos de ação: várias situações importan- rio fabuloso (Ex.: os chamados “romances de capa e espa-
tes se desenrolam, estando elas unidas por algum núcleo de da”, dos quais se destaca Os Três Mosqueteiros, de Alexandre
ação central, que envolve os protagonistas; Dumas), e do romance policial, cujo enredo apresenta um
• pluralidade de tempo: a história se passa em um largo pe- crime ou um caso intricado e sua respectiva elucidação (Ex.:
ríodo temporal; os romances de Agatha Christie).
• pluralidade de espaço: não há limites para a movimenta-
ção das personagens. Cada núcleo de ação pode se desenvol- 6. Crônica:
ver em diferentes lugares;
• presença de algumas personagens, sendo algumas delas As características peculiares da crônica derivam do fato
caracterizadas detalhadamente; de que é escrita para ser publicada em jornais e revistas. Nes-
• quanto à linguagem, há o predomínio da narração, mas se contexto, diz Jorge de Sá, a crônica também assume essa
todas as formas de discurso podem ocorrer. transitoriedade, dirigindo-se inicialmente a leitores apressa-
dos. Sua colaboração também se prende a essa urgência, pois
A descrição tem muita importância. A dissertação é o cronista também dispõe de pouco tempo para escrever o
utilizada com o intuito de defender ideias e expressar (demo- seu texto.
radamente) determinada visão de mundo. Consequentemente, do ponto de vista formal, a sin-
Os teóricos atribuíram nomes a determinadas espécies taxe da crônica é mais solta, havendo, inclusive, certa mo-
de romances. Alguns desses nomes devem ser conhecidos. ralidade, sem, contudo, perder a elaboração necessária a um
No início da produção de romances, o escritor estava texto literário. Em outras palavras, a linguagem da crônica é
voltado a retratar particularmente a burguesia urbana e seus dinâmica, em tom de reportagem.
costumes, dando origem ao chamado romance urbano ou Ainda quanto à forma, as características da crônica são
romance de costumes. Ex.: em A Moreninha, de Joaquim semelhantes às do conto, com a diferença de que o contis-
Manuel de Macedo, são mostrados os hábitos e comporta- ta desenvolve a construção da personagem, do tempo e do
mentos da burguesia fluminense do século XIX. Os escritores espaço com maior preocupação formal. Outra distinção im-
românticos buscavam em épocas passadas fontes de inspira- portante entre a crônica e o conto diz respeito ao narrador.
ção para seus enredos. Isso originou o romance histórico. O narrador-repórter se identifica mais com o próprio autor
Ex.: Walter Scott, em Ivanhoé, retrata a época medieval. A que, via de regra, emite comentários pessoais sobre o assunto
preocupação cientificista do Realismo deu ensejo ao surgi- tratado. Portanto, há, na crônica, a presença da dissertação.
mento do romance de tese, utilizado pelo escritor para de- Quanto ao conteúdo, a crônica se distingue do con-
fender um ponto de vista sobre determinado assunto. Ex.: to porque, em geral, o cronista extrai do cotidiano a maté-
Eça de Queiroz tem a opinião de que, reunidas certas condi- ria para seus textos, em função do caráter circunstancial da
ções, a prática do adultério feminino é inevitável. No roman- crônica. Entretanto, o cronista transforma o pequeno acon-
ce O Primo Basílio, por meio do enredo, ele demonstra esse tecimento do dia a dia em motivo de reflexão.
ponto de vista. A partir do século XIX, os escritores passaram Tais elementos dão alto poder de comunicação à
a se debruçar mais intensamente na caracterização do interior crônica, dotando-lhe de grande capacidade de adaptação ao
das personagens, expondo densas reflexões, visando a uma ritmo da vida contemporânea.
análise dos aspectos psicológicos do ser humano. Surgiu, en- Alguns cronistas brasileiros: Rubem Braga, Carlos
tão, o romance psicológico. Ex.: Memórias Póstumas de Brás Drummond de Andrade, Paulo Mendes Campos e Fernando
Cubas, de Machado de Assis, e A Aprendizagem ou O Livro Sabino.
dos Prazeres, de Clarice Lispector.
Mais especificamente no Brasil, desde o Romantismo,
existe um tipo de romance bastante sintonizado com uma ca-
racterística peculiar do nosso país: a diversidade regional. Ao
romance que retrata as paisagens e costumes de alguma das
regiões brasileiras, deu-se o nome de romance regionalista.
Ex.: José Lins do Rego, em quase todos os romances (Menino
de Engenho, por exemplo), trata da região Nordeste; Jorge
Amado se fixa particularmente no retrato da Bahia (Ex.: Ga-
briela, Cravo e Canela).
Há tipos de romances cuja origem não está propria-
mente ligada a um estilo de época ou a uma peculiaridade de

54 HELP VESTIBULARES
INGLÊS
Inglês instrumental.

Text and Comprehension 1

Skimming and Scanning

Text and Comprehension 2

Text and Comprehension 3


INGLÊS INSTRUMENTAL
I. Inglês instrumental. quem ele se dirige (facilmente identificável na origem do
texto). Lembre-se que nem sempre todos esses segmentos
1. O Uso de textos em inglês nos vestibulares: aparecerão no texto. Há muitos textos sem títulos. Outros
que não acompanham imagens. E ainda há aqueles que
As provas de língua inglesa dos exames vestibulares têm não mencionam a origem. Caso isso ocorra, tente extrair o
exigido do aluno cada vez mais o domínio da leitura. Os textos máximo de informações dos outros segmentos e passe para a
apresentados são dos mais variados gêneros e temas, sendo análise dos enunciados.
que alguns deles contam com um vocabulário complexo.
É importante lembrar que a abordagem do vestibular é 3. Enunciado da questão:
diferente em comparação com a dos cursos de línguas. Nesta
apostila, você vai trabalhar com língua instrumental, ou seja, Os enunciados podem vir em inglês ou português.
com interpretação de textos. As questões de gramática, que Leia os enunciados e as alternativas da questão antes de ler o
aparecem muitas vezes contextualizadas no próprio texto, texto. Com isso, você poderá selecionar palavras e expressões
serão estudadas oportunamente. que podem guiar você durante a leitura. Volte sempre ao
enunciado se houver dúvida. É ali que você encontra o que
2. Leitura de Textos em Inglês: deve fazer. Lembre-se que compreender e interpretar um
texto não são a mesma coisa.
Para que você consiga localizar e isolar a partes de um
texto com mais segurança, leve em consideração os seguintes
passos:
Text 1
a) Título e subtítulo: a maioria dos textos em inglês possui
título. O título, assim como o subtítulo, é uma espécie de Leia o texto a seguir e responda às questões de 1 a 4.
guia do texto. Geralmente, o título e o subtítulo resumem o
texto e podem indicar seu assunto. É importante que você Why do you need a strategy?
tente decifrar alguma palavra do título e do subtítulo. Com
isso, você terá uma ideia geral do que o texto pode vir a tratar. First of all - why bother? Is it not easier to just make it up as
you go along?
b) Imagem: muitos textos vêm acompanhados de imagens.
Elas são de natureza diversa tais como: mapas, charges,
tirinhas, tabelas ou meras imagens ilustrativas. Associando o
título com a imagem, você poderá descobrir o tema do texto,
que é um dos enunciados mais exigidos nas questões.

c) Origem do texto: onde o texto foi publicado. Em geral,


localiza-se no final do texto deslocado para a direita. A
origem do texto informa onde o mesmo foi publicado e pode
facilmente indicar o público alvo caso você conheça a revista, Well. . . I’d suggest that running a company (even a
o livro ou o site em que ele foi publicado. small one) is an incredibly complex thing to do. Without the
development of some kind of strategy (or even just a view
d) Estrutura do texto: cada tipo de texto tem uma estrutura on the firm’s direction) then the decisions that you’ll have to
diferenciada. Cartas tem cabeçalho. Poemas são feitos de verso. make about the direction of the business will be done on the
Uma narrativa geralmente vem acompanhada por diálogos. fly and without much thought. If you make these decisions
Você pode identificar um tipo de texto apenas atentando para up as you go along invariably it will lead to an increase in
sua estrutura. A UNICAMP tem como característica a mescla your stress levels (not good). And (more importantly) it
dos mais variados tipos de texto, unindo gráficos e leituras makes it very difficult for you to convince your team that
de imagens por exemplo. Já a FUVEST pede interpretação you know what you’re doing and makes it hard for them to
de pequenos poemas, como fez no vestibular de 2017. O follow you if you don’t know where you’re going. So. . . to
ENEM traz sempre questões com letras músicas. reduce stress levels and motivate your team a strategy is a
good starting point.
Feito isso, você provavelmente conseguiu distinguir Disponível em: blog-ukinternational.com . Acesso em: 12 set.
sobre o que texto está falando (título, subtítulo e imagem), 2010.
qual a finalidade do texto (observando sua estrutura) e para

HELP VESTIBULARES 57
INGLÊS INSTRUMENTAL
1. (UEL 2011) É correto afirmar que o autor do texto: Text 2
I. aborda as dificuldades de se implantarem práticas esportivas
estratégicas em empresas. Leia o texto a seguir e responda às questões de 5 a 7.
II. estabelece relação entre o estresse e a falta de definição de
estratégias. Whale saves drowning diver
III. informa sobre as melhores estratégias a serem usadas nas
entrevistas de emprego.
IV. procura justificar a necessidade de se elaborar uma
estratégia no ambiente empresarial.

Assinale a alternativa correta.


a) Somente as afirmativas I e II são corretas.
b) Somente as afirmativas II e IV são corretas.
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
e) Somente as afirmativas I, III e IV são corretas.

2. (UEL 2011) Na tira, a fala “we need to find a way to close


the gap between our strategy and our capabilities” sugere:
A beluga whale saved a drowning diver by hoisting
a) a importância de tomar decisões respeitando-se as
her to the surface, carrying her leg in its mouth. Terrified
capacidades da equipe.
Yang Yun thought she was going to die when her legs were
b) a necessidade de convencer todos os funcionários sobre o
paralysed by crippling cramps in arctic temperatures. She
estresse laboral.
had been taking part in a free diving contest without any
c) a preocupação excessiva com o mau desempenho exibido
breathing equipment. Competitors had to sink to the bottom
por alguns funcionários.
of an aquarium’s 20ft arctic pool and stay there for as long
d) o desenvolvimento de uma estratégia específica para
as possible amid the beluga whales at Polar Land in Harbin,
pequenas empresas.
north east China. But when Yun, 26, tried to head to the
e) o desinteresse da personagem por decisões relativas ao
surface she struggled to move her legs.
desenvolvimento da empresa.
Lucky Yun said: “I began to choke and sank even
lower and I thought that was it for me - I was dead. Until I
3. (UEL 2011) Com relação aos vocábulos utilizados pelo
felt this incredible force under me driving me to the surface.”
autor, a alternativa que contém três palavras sinônimas é:
Beluga whale Mila had spotted her difficulties and using her
a) complex, increase, direction
sensitive dolphin-like nose guided Yun safely to the surface.
b) firm, company, business
An organiser said: “Mila noticed the problem before
c) incredibly, importantly, invariably
we did. We suddenly saw the girl being pushed to the top of
d) running, go along, jump
the pool with her leg in Mila’s mouth. She’s a sensitive animal
e) then, well, so
who works closely with humans and I think this girl owes
her, her life.”
4. (UEL 2011) Na tira, a expressão “didn´t mean to jump
Disponível em: thesun.uk.com Acesso em: 15 set. 2010
ahead” indica que o falante:
5. (UEL 2011) É correto afirmar que o título “Whale saves
I. gosta de praticar esportes.
drowning diver” e o texto sugerem que o principal objetivo
II. é empregado exemplar.
da notícia é:
III. ironiza o objetivo da reunião.
a) alertar mulheres sobre o uso adequado de equipamentos
IV. usa linguagem informal.
de mergulho.
b) divulgar atividades esportivas desenvolvidas com baleias e
Assinale a alternativa correta.
golfinhos.
a) Somente as afirmativas I e II são corretas.
c) noticiar competição de mergulho realizada em um aquário
b) Somente as afirmativas II e IV são corretas.
na China.
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
d) popularizar uma espécie de baleia dentre leitores do jornal
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
“The Sun”.
e) Somente as afirmativas I, III e IV são corretas.
e) descrever uma operação de salvamento envolvendo a baleia
Milla.

58 HELP VESTIBULARES
INGLÊS INSTRUMENTAL
6. (UEL 2011) Na frase “She’s a sensitive animal who works 8. (UEL 2011) De acordo com o texto, é correto afirmar:
closely with humans and I think this girl owes her, her life”, o a) Os linguistas divergem sobre a autoria da recente descoberta
pronome her é usado duas vezes. Seus respectivos referentes, da língua Koro.
de acordo com a ordem em que são mencionados, são: b) Os vilarejos em regiões remotas da Índia têm entre 800 e
a) a mergulhadora - a baleia 1.200 habitantes.
b) a organizadora - a baleia c) As línguas Koro e Aka foram identificadas e descritas por
c) a baleia - a mergulhadora linguistas em 2008.
d) a organizadora - a mergulhadora d) Os falantes atuais da língua Aka poderão deixar de usá-la
e) a baleia - a organizadora na forma escrita.
e) Os dialetos e línguas falados em Arunachal Pradesh se
7. (UEL 2011) De acordo com o texto, é correto afirmar que tornaram extintos.
Yang Yun:
a) foi ferida na perna pela baleia Milla. 9. (UEL 2011) Na expressão “race is on to preserve it”, it se
b) perdeu seu equipamento de mergulho. refere a:
c) contou com a ajuda de um golfinho. a) expedition
d) duvidou que conseguiria sobreviver. b) India
e) morava em Harbin, nordeste da China. c) race
d) language
Text 3 e) region

Leia o texto a seguir e responda às questões de 8 a 10. 10. (UEL 2011) Tabu Ram Taid é apresentado no texto
como:
New Language Discovered in India, Race is On to a) falante de um dialeto.
Preserve It b) jornalista indiano.
c) originário de Assam.
A group of American linguists just announced the d) tradutor da língua Aka.
discovery of a new language in a remote region of India. e) estudioso de línguas.
The language, called Koro, was discovered during a 2008
expedition to Arunachal Pradesh, according to a local
newspaper.
The interesting thing about the discovery of Koro is
that it was “hiding in plain sight.” Koro speakers are part
of the Aka culture, and live in villages where most of their
neighbors speak Aka. While the two languages are in fact
very different, Koro and Aka speakers consider themselves
one people, and treat Koro as if it were a dialect of Aka,
instead of a “distant sister,” as the linguists described it. It
should be noted that there is some controversy over whether
or not Koro is in fact a new discovery. According to the
newspaper Telegraph, linguists from the Assam chapter of
Indian National Trust for Art and Cultural Heritage are
claiming that Koro was known to Indian linguists before the 10. E
American linguists documented it. 9. D
Whether it’s really a “new” language or not, Koro only 8. A
has between 800 and 1,200 speakers, so now the race is on 7. D
to try and preserve it, if possible. A language dies out about 6. C
every two weeks, and language preservation expert Tabu Ram 5. E
Taid told our newspaper that: “Koro might have met the 4. C
same fate. But the point is now to preserve Koro. Apart from 3. B
speaking, one must develop writing the language to prevent 2. A
it from vanishing.” 1. B
Adaptado de: blog-uk-international.com Acesso em: 12 out.
2010. Gabarito:

HELP VESTIBULARES 59
TEXT AND COMPREHENSION 1

I. Text and Comprehension 1 and perpetuate the ideology that creates the apparent need
for the products it markets
Text 1 For our purposes here, none of this matters. Our task
is to analyze advertisements, and to see if we can understand
(ENEM) how they do what they do. We will leave the task of how we
interpret our findings in the larger social, moral and cultural
contexts for another occasion.
It is often said that advertising is irrational, and,
again, that may well be true. But this is where the crossover
between information and persuasion becomes important; an
advertisement does not have to be factually informative (but
it cannot be factually misleading).
In a discussion of what kind of benefit an advertisement
might offer to a consumer, Jim Aitchison (1999) provides
the following quote from Gary Goldsmith of Lowe &
Partners, New York. It sums up perfectly what it is that one
should look for in an advertisement. The question posed is
“Is advertising more powerful if it offers a rational benefit?”
Here is Goldsmith’s answer: “I don’t think you need to offer
a rational benefit. I think you need to offer a benefit that a
rational person can understand.”
www.standford.edu. Adaptado

1. Aproveitando-se de seu status social e da possível influência 2. (UNESP 2013) A expressão none of this matters, no
sobre seus fãs, o famoso músico Jimi Hendrix associa, em seu segundo parágrafo refere-se:
texto, os termos love, power e peace para justificar sua opinião a) às características de anúncios mencionadas no primeiro
de que: parágrafo.
a) a paz tem o poder de aumentar o amor entre os homens. b) à falta de coerência e de sentido que certos anúncios
b) o amor pelo poder deve ser menor do que o poder do podem conter.
amor. c) às características positivas de anúncios mencionadas no
c) o poder deve ser compartilhado entre aqueles que se amam. texto.
d) o amor pelo poder é capaz de desunir cada vez mais as d) à interpretação de anúncios de acordo com uma ideologia
pessoas. de consumo.
e) a paz será alcançada quando a busca pelo poder deixar de e) aos valores culturais, morais e sociais que caracterizam um
existir. anúncio.

Text 2 3. (UNESP 2013) O pronome it, utilizado na última linha


do primeiro parágrafo, na frase “for the products it markets”,
Leia o texto a seguir e responda às questões de 2 a 5. refere-se:
a) à necessidade da propaganda.
Analyze an advertisement b) à área de publicidade.
c) à ideologia da propaganda.
Not all advertisements make perfect sense. Not all d) aos mercados consumidores.
of them promote or imply acceptance of social values that e) à cultura do consumismo.
everyone would agree are what we should hope for, in an
enlightened and civilized society. Some advertisements 4. (UNESP 2013) A resposta à questão apresentada no
appear to degrade our images of ourselves, our language, and último parágrafo do texto foi:
appear to move the emphasis of interaction in our society a) benefícios racionais atenderão melhor às necessidades dos
to (even more) consumerism. There may even be a dark, consumidores do produto anunciado.
seamy, or seedy side to advertising. This is hardly surprising, b) não se deve pensar nos benefícios de um produto anunciado
as our society is indeed a consumer society, and it is highly de maneira capitalista e racional.
capitalistic in the simplest sense. There is no doubt that c) anúncios precisam apresentar benefícios racionais, para
advertising promotes a consumer culture, and helps create que os consumidores possam entendê-los.

60 HELP VESTIBULARES
TEXT AND COMPREHENSION 1

d) benefícios do produto anunciado devem ser compreendidos 6. (FUVEST 2008) De acordo com o texto, pesquisadores
por pessoas que desconhecem o produto. japoneses desenvolveram um robô que:
e) anúncios devem salientar qualidades de um produto que a) responde a perguntas e dá conselhos às pessoas, em poucos
sejam entendidas de modo racional pelos consumidores. segundos.
b) recebe treinamento para produzir fala inteligível.
5. (UNESP 2013) De acordo com o texto: c) consegue adivinhar os desejos das pessoas.
a) alguns anúncios contêm elementos que supervalorizem o d) tem capacidade de interagir com interlocutores diferentes
papel social da língua. ao mesmo tempo.
b) alguns anúncios contêm elementos que podem denegrir a e) interage prontamente com qualquer pessoa, em várias
imagem do capitalismo. línguas.
c) alguns anúncios possuem até mesmo um aspecto obscuro,
um tanto sórdido. 7. (FUVEST 2008) Segundo o texto, num cenário de
d) anúncios devem conter um apelo irracional aos benefícios restaurante, o robô:
do produto anunciado. a) serve a mesa e escolhe os pratos para os clientes.
e) anúncios não devem destacar benefícios ou valores sociais b) anota pedidos e prepara a comida.
dos produtos anunciados. c) organiza o funcionamento do restaurante.
d) lê o cardápio em voz alta e dá sugestão de pratos.
Text 3. e) repete os pedidos feitos e informa o valor da refeição.

Leia o texto a seguir e responda às questões de 6 a 8. 8. (FUVEST 2008) O texto refere-se a “the cocktail party
effect”, que é metáfora para descrever a dificuldade de:
a) selecionar sons relevantes, a que prestar atenção, em locais
com muita gente.
b) escolher pessoas importantes com quem conversar em
festas.
c) circular e se aproximar de pessoas em coquetéis.
d) beber só um pouco para conseguir interagir com outros
convidados.
e) conversar casualmente sobre diversos temas.

“Japanese researchers have spent five years developing


a humanoid robot system that can understand and respond
to simultaneous speakers. They posit a restaurant scenario
in which the robot is a waiter. When three people stand
before the robot and simultaneously order pork cutlet
meals or French dinners, the robot understands at about 70
percent comprehension, responding by repeating each order
and giving the total price. This process takes less than two
seconds and, crucially, requires no prior voice training. Such
auditory powers mark a fundamental challenge in artificial 8. A
intelligence - how to teach machines to pick out significant 7. E
sounds amid the hubbub. This is known as the cocktail party 6. D
effect, and most machines do not do any better than humans 5. C
who have had a few too many martinis.” 4. E
Scientific American, August 2007. 3. B
2. A
1. B

Gabarito:

HELP VESTIBULARES 61
SKIMMING AND SCANNING
I. Skimming and Scanning • negrito dá destaque a algum termo ou palavra;
• itálico também destaca um termo, menos importante que
As técnicas de leitura, como o próprio nome diz, vão o negrito;
ajudar você a ler um texto em inglês. Como muitas pessoas • ‘’ ‘’ (aspas): salientam a importância de alguma palavra ou
não dominam o idioma, as técnicas de leitura de textos podem indicar diálogos e citações;
em inglês são eficazes para que você não perca tempo e, de • ( ) (parênteses): introduzem uma ideia complementar ao
quebra, aumente suas possibilidades de acerto. São elas o texto.
scanning e o skimming.
Após “escanear” seu texto, você deve usar a técnica de
1. Técnica de leitura – Scanning (habilidade de leitura em skimming.
alta velocidade).
2. Técnica de leitura – Skimming.
É uma habilidade que ajuda o leitor a obter informação
de um texto sem ler cada palavra. É uma rápida visualização O processo de skimming permite ao leitor identificar
do texto como um scanner faz quando, rapidamente, lê a rapidamente a ideia principal ou o sentido geral do texto. O
informação contida naquele espaço. O Scanning envolve uso do skimming é frequente quando a pessoa tem muito
mover os olhos de cima para baixo na página, procurando material para ler em pouco tempo. Geralmente a leitura no
palavras chaves, frases específicas ou ideias. Ao realizar o skimming é realizada com a velocidade de três a quatro vezes
scanning, procure verificar se o autor fez uso de organizadores maior que a leitura normal. Diferentemente do scanning,
no texto, como: números, letras, passos ou as palavras skimming é mais abrangente; exige conhecimento de
“primeiro”, “segundo”, “próximas”. Procure por palavras em organização de texto, a percepção de dicas de vocabulário,
negrito, itálico, tamanhos de fontes ou cores diferentes. O habilidade para inferir ideias e outras habilidades de leitura
processo de scanning é muito útil para encontrar informações mais avançadas.
específicas de, por exemplo, um número de telefone numa Existem muitas estratégias que podem ser usadas
lista, uma palavra num dicionário, uma data de nascimento, ao realizar o skimming. Algumas pessoas leem o primeiro
ou de falecimento numa biografia, um endereço ou a fonte e o último parágrafo usando títulos, sumários e outros
para a resposta de uma determinada pergunta sua. Atente organizadores na medida em que leem a página ou a tela
para as dicas abaixo na hora de “escanear” seu texto em inglês. do monitor. Você pode ler o titulo, subtítulo, cabeçalhos, e
ilustrações. Considere ler somente a primeira sentença de cada
a) Cognatos: Os cognatos são palavras muito parecidas parágrafo. Esta técnica é útil quando você está procurando
com as palavras do Português. São as chamadas palavras uma informação específica em vez de ler para compreender.
transparentes. Como cognatos podemos citar: school (escola), Skimming funciona bem para achar datas, nomes, lugares e
telephone (telefone), car (carro), question (questão, pergunta), para revisar figuras e tabelas.
activity (atividade), training (treinamento). Existem também
os falsos cognatos, que são palavras que achamos que é tal II. Tipos de questões.
coisa, mas não é; os falsos cognatos são em menor número e
serão estudados mais adiante. Em questões de interpretação de textos em inglês, são
comuns alguns tipos de enunciados. É importante que você
b) Palavras repetidas: As palavras repetidas em um texto reconheça cada um deles e possa, em menos tempo, encontrar
possuem um valor muito importante. Um autor não repete a resposta correta. Em vestibulares de múltipla escolha, os
as palavras em vão. Se elas são repetidas, é porque são enunciados mais comuns são:
importantes dentro de texto em questão. Grife as palavras
repetidas ou aquelas que você consegue identificar como a) Compreensão: consiste em analisar o que realmente está
sinônimo de uma palavra já mencionada anteriormente. escrito, ou seja, coletar dados do próprio texto.

c) Pistas tipográficas: As pistas tipográficas são elementos b) Interpretação: consiste em saber o que se infere (se
visuais que nos auxiliam na compreensão do texto. Atenção conclui) do que está escrito.
com datas, números, tabelas, gráficas, figuras. São informações
também contidas no texto. Os recursos de escrita também c) Gramática contextualizada: via de regra, as questões de
são pistas tipográficas. Por exemplo: teor gramatical aparecem contextualizadas no próprio texto.

• ... (três pontos): indicam a continuação de uma ideia que d) Referência: É a questão preferida pelos vestibulares. É o
não está ali exposta; tipo de questão que leva você a um ponto específico do texto.

62 HELP VESTIBULARES
SKIMMING AND SCANNING
Por exemplo: os enunciados que informam a localização If we sell you our land, love it as we have loved it. Care
precisa da resposta como: “no 1º parágrafo”, “na 2ª linha”, for it as we have cared for it. Hold in your memory the way
“na 3ª estrofe”, “no título”, etc. Por outro lado, quando o the land is as you take it. And with all your strength, with
enunciado menciona uma palavra ou expressão, é possível all your might, and with all your heart, preserve it for your
que a resposta correta esteja nas imediações dessa mesma children, and love it as God loves us all. One thing we know
palavra ou expressão. – our God is the same. This earth is precious to him. Even
the white man cannot escape the common destiny. All things
Nesta aula, veremos as chamadas questões de referência. are connected. Whatever befalls the earth befalls the sons of
A estratégia de leitura para esse tipo de questão consiste the earth.”
em localizar e isolar a palavra ou expressão mencionada no
enunciado. Assim, você deverá proceder às técnicas de leitura (Resumo da carta enviada pelo Chefe Seattle, da Tribo
normalmente. Ao ler a indicação no enunciado, busque-a no Dwamish de Washington, ao Presidente Pierce em 1855.)
texto. Na maioria das vezes, a resposta está nas imediações da
palavra ou expressão indicada no enunciado. Adaptado de: Rediscovering The North American Vision
(IC#3) Copyright (c) 1983, 1996 by Context Institute

1. (UEPG 2015) Assinale o que for correto. No primeiro


Text 1 parágrafo, o chefe Seattle afirma que suas palavras:
01) são como o sol que renasce a cada dia.
Leia o texto a seguir e responda às questões de 1 a 7. 02) são confiáveis como as estações do ano, que sempre
retornam.
CHIEF SEATTLE’S LETTER 04) são seguras como um rio que corre para o mar.
08) são como as estrelas que nunca se põem.
“The Great Chief in Washington sends word that he
wishes to buy our land. The Great Chief also sends us words
of friendship and good will. This is kind of him, since we
know he has little need of our friendship in return. But we 2. (UEPG 2015) Assinale o que for correto. A carta do chefe
will consider your offer, for we know if we do not so the Seattle pode ser descrita como:
white man may come with guns and take our land. What 01) um belo tratado ecológico.
Chief Seattle says you can count on as truly as our white 02) uma prova de profundo amor à terra.
brothers can count on the return of the seasons. My words 04) uma velada lição de moral para o homem branco.
are like the stars – they do not set. How can you buy or sell 08) uma ameaça dirigida ao homem branco.
the sky, the warmth of the land? The idea is strange to us. Yet
we do not own the freshness of the air or the sparkle of the
water.
How can you buy them from us? We will decide in our
3. (UEPG 2015) No que se refere aos conselhos que o Chefe
time. Every part of this earth is sacred to my people. Every
Seattle dá aos seus “irmãos brancos” no quinto parágrafo,
shining pine needle, every sandy shore, every mist in the dark
assinale o que for correto.
woods, every clearing, and every humming insect is holy in
01) Eles devem se lembrar de como a terra era quando a
the memory and experience of my people.
receberam.
We know that the white man does not understand our
02) Eles devem preservar a terra para seus filhos.
ways. One portion of land is the same to him as the next, for
04) Eles devem amar a terra como Deus nos ama a todos.
he is a stranger who comes in the night and takes from the
08) Eles devem amar a terra tanto quanto os índios sempre
land whatever he needs. There is no quiet place in the white
a amaram.
man’s cities. No place to listen to the leaves of spring or the
rustle of insect wings.
If we agree, it will be to secure the reservation you have
promised. There perhaps we may live out our brief days as
we wish. When the last redman has vanished from the earth,
and the memory is only the shadow of a cloud passing over
the prairie, these shores and forests will still hold the spirits
of my people, for they love this earth as the newborn loves
his mother’s heartbeat.

HELP VESTIBULARES 63
SKIMMING AND SCANNING
4. (UEPG 2015) Assinale o que for correto. A sentença Text 2
“Whatever befalls the earth befalls the sons of the earth”, que
encerra o texto, poderia:
01) ser substituída por: Everything that happens to our world
also happens to us.
02) ser substituída por: Nothing that happens to the earth
affects human beings.
04) ser traduzida por: Tudo que acontece à terra acontece aos
filhos da terra.
08) ser traduzida por: Tudo que acontece aos filhos da terra
também acontece à terra.
8. (ENEM 2013) A partir da leitura dessa tirinha, infere-
se que o discurso de Calvin teve um efeito diferente do
pretendido, uma vez que ele:
a) decide tirar a neve do quintal para convencer seu pai
5. (UEPG 2015) Assinale o que for correto. A pergunta sobre seu discurso.
“How can you buy or sell the sky, the warmth of the land”?, b) culpa o pai por exercer influência negativa na formação
poderia: de sua personalidade.
01) ser traduzida por: Como se pode comprar ou vender o c) comenta que suas discussões com o pai não
céu, o calor da terra? correspondem às suas expectativas.
02) ser substituída por: Why would anyone wish to buy or d) conclui que os acontecimentos ruins não fazem falta para
sell the sky or the warmth of the earth?. a sociedade.
04) ser traduzida por: Quem haveria de querer comprar o e) reclama que é vítima de valores que o levam a atitudes
céu ou a terra? inadequadas.
08) ser substituída por: It is impossible to negotiate the sky
or the warmth of the earth. Text 3

Do one thing for diversity and inclusion

6. (UEPG 2015) Assinale o que for correto sobre os The United Nations Alliance of Civilizations
segmentos verbais presentes na última sentença do quarto (UNAOC) is launching a campaign aimed at engaging
parágrafo: has vanished, will...hold, love e loves. people around the world to Do One Thing to support
01) Referem-se ao passado, futuro, passado e presente, Cultural Diversity and Inclusion. Every one of us can do
respectivamente. ONE thing for diversity and inclusion; even one very little
02) Poderiam ser traduzidos por tiver desaparecido, conterão, thing can become a global action if we all take part in it.
amam e ama, respectivamente. Simple things YOU can do to celebrate the World
04) Referem-se ao futuro, futuro, presente e presente, Day for Cultural Diversity for Dialogue an Development on
respectivamente. May 21.
08) Estão no present perfect, will future, simple presente e
simple present, respectivamente. 1. Visit an art exhibit or a museum dedicated to other
cultures.
2. Read about the great thinkers of other cultures.
3. Visit a place of worship different than yours and participate
in the celebration.
7. (UEPG 2015) Assinale o que for correto. A afirmação de 4. Spread your own culture around the world and learn about
Seattle: …”our God is the same” poderia, sem prejuízo de other cultures.
sentido, ser substituída por: 5. Explore music of a different culture.
01) we believe in the same God. There are thousands of things that you can do, are you taking
02) you and us share the same God. part in it?
04) some of our Gods are the same. UNITED NATIONS ALLIANCE OF CIVILIZATIONS.
08) your God is the same one as ours.

64 HELP VESTIBULARES
SKIMMING AND SCANNING
9. (ENEM 2013) Internautas costumam manifestar suas 10. (ENEM 2013) Os noticiários destacam acontecimentos
opiniões sobre artigos on-line por meio da postagem de diários, que são veiculados em jornal impresso, rádio, televisão
comentários. O comentário que exemplifica o engajamento e internet. Nesse texto, o acontecimento reportado é a:
proposto na quarta dica da campanha apresentada no texto é: a) ocorrência de um incêndio em um presídio superlotado
a) “Lá na minha escola, aprendi a jogar capoeira para uma em Honduras.
apresentação no Dia da Consciência Negra.” b) questão da superlotação nos presídios em Honduras e na
b) “Outro dia assisti na TV uma reportagem sobre respeito América Latina.
à diversidade. Gente de todos os tipos, várias tribos. Curti c) investigação da morte de um oficial das Nações Unidas em
bastante.” visita a um presídio.
c) “Eu me inscrevi no Programa Jovens Embaixadores para d) conclusão do relatório sobre a morte de mais de trezentos
mostrar o que tem de bom em meu país e conhecer outras detentos em Honduras.
formas de ser.” e) causa da morte de doze detentos em um presídio
d) “Curto muito bater papo na internet. Meus amigos superlotado ao norte de Honduras.
estrangeiros me ajudam a aperfeiçoar minha proficiência em
língua estrangeira.”
e) “Pesquisei em sites de culinária e preparei uma festa árabe
para uns amigos da escola. Eles adoraram, principalmente,
os doces!”

Text 4

After prison blaze kills hundreds in Honduras, UN


warns on overcrowding

15 February 2012

A United Nations human rights official today called


on Latin American countries to tackle the problem of prison
overcrowding in the wake of an overnight fire at a jail in
Honduras that killed hundreds of inmates. More than 300
prisoners are reported to have died in the blaze at the prison,
located north of the capital, Tegucigalpa, with dozens of
others still missing and presumed dead. Antonio Maldonado,
human rights adviser for the UN system in Honduras, told
UN Radio today that overcrowding may have contributed
to the death toll. “But we have to wait until a thorough
investigation is conducted so we can reach a precise cause,”
he said. “But of course there is a problem of overcrowding in
the prison system, not only in this country, but also in many
other prisons in Latin America.”
Disponível em: www.un.org. Acesso em: 22 fev. 2012
(adaptado). 10. A
9. C
8. C
7. 11 (1, 2, 11)
6. 14 (2, 4, 8)
5. 9 (1,8)
4. 5 (1, 4)
3. 15 (1, 2, 4 8)
2. 7 (1, 2, 4)
1. 10 (2,8)

Gabarito:

HELP VESTIBULARES 65
TEXT AND COMPREHENSION 2
I. Text and Comprehension 2 2. (ENEM 2013) Informações sobre pessoas famosas são
recorrentes na mídia, divulgadas de forma impressa ou
Text 1 virtualmente. Em relação a Steve Jobs, esse texto propõe:
National Geographic News a) expor as maiores conquistas da sua empresa.
Christine Dell’Amore b) descrever suas criações na área da tecnologia.
Published April 26, 2010 c) enaltecer sua contribuição para o mundo digital.
d) lamentar sua ausência na criação de novas tecnologias.
Our bodies produce a small steady amount of natural e) discutir o impacto de seu trabalho para a geração digital.
morphine, a new study suggests. Traces of the chemical are
often found in mouse and human urine, leading scientists to Text 3
wonder whether the drug is being made naturally or being
delivered by something the subjects consumed. The new Leia atentamente o texto para responder às questões 3 a 6.
research shows that mice produce the “incredible painkiller” Britain worst in Europe for electrical recycling
— and that humans and other mammals possess the same
chemical road map for making it, said study co-author Britain has picked up the wooden spoon in a
Meinhart Zenk, who studies plant-based pharmaceuticals recent survey looking into the electrical recycling habits of
at the Donald Danforth Plant Science Center in St. Louis, Europeans. According to the results of the new research, we
Missouri. are apparently the worst in Europe when it comes to recycling
Disponível em: www.nationalgeographic.com. Acesso em: 27 WEEE (Waste Electrical and Electronic Equipment).
jul. 2010. WEEE comprises such devices as mobile phones, PCs,
laptops and games consoles, and the research carried out by
1. (ENEM 2013) Ao ler a matéria publicada na National Dell suggests that we are falling way behind the rest of the
Geographic, para a realização de um trabalho escolar, um continent when it comes to recycling these 6 products.
estudante descobriu que: The survey questioned 5,000 people across Europe
a) os compostos químicos da morfina, produzidos por regarding their recycling habits when it comes to old
humanos, são manipulados no Missouri. electronic products, and found that in Britain only half of
b) os ratos e os humanos possuem a mesma via metabólica consumers take appropriate recycling steps, compared to an
para produção de morfina. impressive 80% of Germans.
c) a produção de morfina em grande quantidade minimiza a Indeed, Germany, Spain, France and Italy all out-
dor em ratos e humanos. perform us when it comes to having a greater awareness of
d) os seres humanos têm uma predisposição genética para recycling initiatives, which is the root of the problem. Greater
inibir a dor. awareness leads to a greater level of recycling, so we still have
e) a produção de morfina é um traço incomum entre os a long way to go.
animais. Within the UK, it was the Welsh who performed the
worst, with 19% of people admitting that they had never
Text 2 recycled any of their technology products. This was followed
closely by people living in the north of England.
Steve Jobs: A Life Remembered 1955-2011 There was also confusion between standard recycling
Readersdigest.ca takes a look back at Steve Jobs, and his and the recycling of electronic products. In the northeast of
contribution to our digital world. England, almost three quarters of people claim to do what
they can to recycle, but less than 1% recycle their electronic
CEO. Tech-Guru. Artist. There are few corporate products. There is also little knowledge across the country of
figures as famous and well-regarded as former-Apple CEO exactly what the WEEE initiative is, which all paints a rather
Steve Jobs. His list of achievements is staggering, and his depressing picture of recycling in the UK.
contribution to modern technology, digital media, and Disponível em: Acesso em: 18 nov. 2009
indeed the world as a whole, cannot be downplayed. With
his passing on October 5, 2011, readersdigest.ca looks back 3. (UEL 2010) É correto afirmar que o autor do texto se
at some of his greatest achievements, and pays our respects to considera:
a digital pioneer who helped pave the way for a generation of a) alemão.
technology, and possibilities, few could have imagined. b) britânico.
Disponível em: www.readersdigest.ca. Acesso em: 25 fev. 2012. c) espanhol.
d) francês.
e) italiano.

66 HELP VESTIBULARES
TEXT AND COMPREHENSION 2
4. (UEL 2010) Com base no texto, é correto afirmar que 7. (UEL 2010) É correto afirmar que a charge satiriza:
fatores associados à pouca reciclagem estão ligados: a) as condições precárias das escolas ao final do ano letivo.
I. Ao pouco discernimento sobre as diferentes formas de b) o estado de espírito dos alunos ao final do ano letivo.
reciclagem. c) o estado de espírito de professores ao final do ano letivo.
II. Ao conhecimento limitado sobre reciclagem de produtos d) o zelo da personagem com as dependências do prédio
eletroeletrônicos. escolar.
III. À falta de consciência sobre procedimentos de reciclagem. e) o descaso dos alunos com as dependências do prédio
IV. Ao pouco espaço para armazenar produtos para reciclagem. escolar.
Assinale a alternativa correta.
a) Somente as afirmativas I e IV são corretas. 8. (UEL 2010) Pode-se inferir, na fala da personagem, a
b) Somente as afirmativas II e III são corretas. tentativa de evitar:
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas. a) comportamento inadequado.
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas. b) danos materiais no prédio escolar.
e) Somente as afirmativas I, II e IV são corretas. c) pânico incontrolável entre os estudantes.
d) sentimentalismo exacerbado.
5. (UEL 2010) Com base no texto, é correto afirmar que os e) uso de linguagem de baixo-calão.
resultados da pesquisa realizada indicam que:
a) a Alemanha recicla 80% dos produtos eletroeletrônicos.
b) a Espanha recicla menos que a Inglaterra.
c) a Europa tem aproximadamente 5.000 recicladores.
d) o País de Gales é o que menos recicla no Reino Unido.
e) o Reino Unido deixa de reciclar 19% do que consome.

6. (UEL 2010) A sigla WEEE (linha 3) refere-se a:


a) Lixo eletroeletrônico.
b) Órgão da Comunidade Europeia.
c) Instituição de pesquisa de mercado.
d) Setor de Energia Elétrica do Reino Unido.
e) Divisão de pesquisa da DELL.

Text 4
Leia o texto abaixo para responder às próximas duas
questões:

8. A
7. C
6. A
5. D
4. D
3. B
2. C
1. B

Gabarito:

HELP VESTIBULARES 67
TEXT AND COMPREHENSION 3
I. Text Comprehension 3 2. (UEL 2010) No texto, a expressão “blood, sweat and tears”
(grifada no texto) é usada para referir-se:
Text 1 a) ao erro dos economistas tradicionais.
Leia o texto abaixo para responder às questões de 1 a 4. b) ao custo social do desenvolvimento.
c) à visão mais humanizada da economia.
The Atlantic Online d) à conjuntura favorável à mudança.
Humane Development e) à nova postura teórica sobre economia

An interview with Amartya Sen, the Nobel Prize-winning 3. (UEL 2010) De acordo com Amartya Sen, a economia de
economist and author of Development as Freedom mercado prospera porque:
Eyebrows were raised when Amartya Sen won the Nobel Prize a) as pessoas estão dispostas a fazer sacrifícios.
in Economics in 1998. Sen had frequently been mentioned b) os críticos estão enganados e não são ouvidos.
as a candidate, but it had been predicted that in an era c) os economistas usam slogans inadequados.
when laissez-faire market economics were all the rage Sen’s d) os interesses de algumas pessoas são contrariados.
insistence on looking beyond GNP figures – his penchant e) as pessoas têm vantagens individuais nessa economia.
for emphasizing the social in the social science of economics
– meant that he would never win the prize. 4. (UEL 2010) No texto, a expressão “You have to break some
eggs to make an omelet” (grifada no texto) é citada para:
Do you think development has in fact changed? Is it more a) criticar o modelo de Amartya Sen.
sensitive, softer, than it used to be? b) revelar o pensamento do entrevistador.
I don’t think development is softer – that implies it’s not c) exemplificar um slogan.
sufficiently exacting – but certainly there was a sense for a d) ilustrar uma receita do entrevistado.
while that development was a very hard process, and that e) definir a natureza humana.
people had to sacrifice. There was a lot of blood, sweat, and
tears involved. Text 2
[...]
Leia atentamente o texto abaixo para responder às
Why did that change come about? questões de 5 a 7.
Well, I think maybe because the previous view was mostly
mistaken. There was a tension in it. The market economy Texto VIII
succeeds not because some people’s interests are suppressed
and other people are kept out of the market, but because Magazines and their Companion Websites:
people gain individual advantage from it. So, I don’t really see Competing Outlet Channels?
that the proponents of the harsh model got the general idea Ulrich Kaiser
at all right. They had some dreadful slogans like, “You have to
break some eggs to make an omelet.” It’s a totally misleading It is widely believed among industry participants that
analogy – a pretty costly one aesthetically, and also it’s quite the internet is cannibalistic to print media. Despite that fear,
mistaken in terms of understanding the nature of man. So, I many magazines have recently started to launch companion
think the change came about because it was overdue. websites that make some, but not all, of the print version
Disponível em: www.theatlantic.com content available online. That led an analyst at J.P. Morgan,
cited in “The New York Times”, to claim that “Newspapers
1. (UEL 2010) De acordo com o texto, Amartya Sem: are cannibalizing themselves.” In April 2005, “Der Spiegel”,
a) reconhece que desenvolvimento requer muitos sacrifícios. Germany’s leading news magazine, published a very sceptical
b) não imaginava que poderia concorrer ao Prêmio Nobel. article about the future of print media – ironically on its
c) acredita que o modelo de desenvolvimento ficou mais companion website – with the suggestive title “Too much to
suave. die, too little to survive”. Pessimistic views on the relationship
d) acha que os defensores da economia de mercado estão between magazines and the internet are quite time invariant.
certos. Already in 1997, Hickey cites the Vice President of the
e) ganhou o Prêmio Nobel apesar de expectativas em media consultancy Jupiter Media Metrix who is reported to
contrário. have said: “Seize the day! Either you are going to cannibalize
yourself or somebody else is going to cannibalize you.”

Disponivel em: www.bepressjournal.com. Acesso em:12 set. 2008.

68 HELP VESTIBULARES
TEXT AND COMPREHENSION 3
5. (UEL 2009) Com base no texto, é correto afirmar: rights foundation – said: “I know dogs well and I can assure
a) Participantes da indústria da informação temem que a you that no pitbull, no dog, nor any other animal is as
mídia impressa seja substituída pela internet. dangerous as you are.”
b) Muitas revistas impressas estão fazendo de tudo para evitar “I hope you lose these elections because that would be
ter seu conteúdo disponível na internet. a victory for the world,” she went on.
c) Os líderes mundiais da indústria da informação pretendem “By denying the responsibility of man in global
propor a regulação da atividade na internet. warming, by advocating gun rights and making statements
d) A revista Der Spiegel recusou-se a publicar textos na that are disconcertingly stupid, you are a disgrace to women
internet. and you alone represent a terrible threat, a true environmental
e) Apenas revistas novas terão chances de sobreviver na era catastrophe,” wrote the one-time screen legend.
da internet. She lashed out at her for supporting Arctic oil
exploration that could threaten ecosystems and for dismissing
6. (UEL 2009) De acordo com o texto, visões pessimistas measures to protect polar bears.
sobre a relação entre internet e revistas: “This shows your total lack of responsibility, your
a) estão diminuindo com o tempo. inability to protect or simply respect animal life,” she wrote.
b) tendem a desaparecer. The 74-year-old former film star is notorious in France
c) começaram a despontar no ano de 2005. for her outspoken views on immigration, the environment
d) vêm se mantendo inalteradas ao longo do tempo. and animal rights. She has been convicted and fined four
e) têm-se agravado desde 1997. times in Paris for anti-gay and racist remarks.
Earlier this year, a French court fined Mrs Bardot
7. (UEL 2009) Com base no texto, é correto afirmar que o £15,000 for inciting racial hatred by writing that she had
uso da palavra “canibal” em suas derivações, refere-se à: “had enough‘” of Muslims destroying France.
I. Competição entre funcionários de revistas e jornais Disponivel em: www.telegrapf.uk
eletrônicos.
II. Competição entre empresas americanas e alemãs. 8. (UEL 2009) Com base no texto, assinale a alternativa que
III. Relação entre empresas concorrentes. expressa corretamente a visão de Brigitte Bardot sobre Sarah
IV. Relação entre mídias diferentes de uma mesma empresa. Palin:
a) Mais perigosa que qualquer animal, racista, vergonha para
Assinale a alternativa correta. as mulheres, símbolo sexual.
a) Somente as afirmativas I e II são corretas. b) Racista, vergonha para as mulheres, defensora dos animais,
b) Somente as afirmativas I e III são corretas. exploradora de minorias.
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas. c) Irresponsável, militante anti gays, racista.
d) Somente as afirmativas I, II e IV são corretas. d) Símbolo sexual, pitbull de batom, defensora dos direitos
e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas. dos animais.
e) Catástrofe ambiental, vergonha para as mulheres,
Text 3 irresponsável e incapaz de proteger a vida animal.

Observe o texto para responder às próximas 4 questões 9. (UEL 2009) Assinale a alternativa que indica o modo
como Brigitte Bardot está sendo apresentada no texto.
Brigitte Bardot calls Sarah Palin a ‘disgrace to women’ a) Defensora dos imigrantes, dos homossexuais e dos animais.
French actress Brigitte Bardot has slammed Sarah Palin as a b) Símbolo sexual, defensora dos direitos dos animais, racista.
“disgrace to women” in a fiery attack on the American vice- c) Símbolo sexual, pitbull de batom, defensora dos direitos
presidential candidate. dos animais.
d) Estúpida, perigosa, irresponsável e republicana.
By Henry Samuel in Paris e) Racista, homossexual e ambientalista.
Last Updated: 3:18PM BST 08 Oct 2008
10. (UEL 2009) É correto afirmar que o conteúdo do texto
The sixties sex symbol said that Republican John veicula:
McCain’s running mate was “disconcertingly stupid” and a) Uma opinião de oposição à candidata republicana à vice-
that she hoped she would lose the November 4 presidential presidência dos Estados Unidos.
elections. b) Uma análise dos prós e contras da escolha de Sarah Palin
Referring to Mrs Palin’s now famous self-portrait as como companheira de chapa de John McCain.
a “pitbull with lipstick”, Mrs Bardot – who runs an animal

HELP VESTIBULARES 69
TEXT AND COMPREHENSION 3
c) Trechos conflituosos do debate entre Brigitte Bardot e a
candidata à vice-presidência dos EUA, Sarah Palin.
d) Insinuações sobre um caso amoroso entre Sarah Palin e seu
companheiro de chapa, John McCain.
e) Propostas de governo elaboradas por Sarah Palin para
fortalecer os movimentos ambientalistas.

11. (UEL 2009) Existem diferentes estratégias empregadas


na produção de textos para privilegiar determinados pontos
de vista. Que características desse texto refletem essas
estratégias?
I. Repetição do resultado que Brigitte Bardot espera das
eleições.
II. Reprodução de erros de uso da linguagem de Sarah Palin.
III. Uso de expressões com conotação negativa para se referir
a Sarah Palin.
IV. Omissão da perspectiva de Sarah Palin sobre o que diz
Brigitte Bardot.

Assinale a alternativa correta.


a) Somente as afirmativas I e II são corretas.
b) Somente as afirmativas II e IV são corretas.
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
e) Somente as afirmativas I, III e IV são corretas.

11. E
10. A
9. B
8. E
7. C
6. D
5. A
4. C
3. E
2. B
1. E

Gabarito:

70 HELP VESTIBULARES
HISTÓRIA GERAL
Introdução ao estudo da História
Conceitos de História e periodização
Mesopotâmia 1
Mesopotâmia 2
Egito 1
Egito 2
Hebreus
Fenícios
Persas
Grécia 1
Grécia 2
Grécia 3
Grécia 4
Roma 1
Roma 2
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA HISTÓRIA
I. Introdução ao Estudo de História Por volta de 40.000 a. C., os homens começaram a se-
pultar os mortos nas cavernas ou em suas proximidades. Ali-
1. Surgimento: Com o surgimento da escrita, começaram a mentos e armas eram enterrados com os corpos, denotando
ser registrados fatos, acontecimentos, costumes, que envol- algum tipo de crença ligada ao sobrenatural. Foi o período da
viam a humanidade, o homem em si e sua relação com outros última glaciação e surgiu o homem de Cro-Magnon (subes-
homens e com a natureza. pécie do Homo sapiens) dividiu-se em várias culturas locais,
distribuídas pela Espanha, sul da França e Europa Centro-
2. Definição: A História é uma Ciência Social que estuda, a -Oriental. Devido à glaciação era mais difícil a obtenção de
partir desses registros, as mudanças e as transformações ocor- pedras, assim, os instrumentos passaram por transformações
ridas ao longo do tempo. e passaram a ser confeccionados com ossos e marfim; o arco e
a flecha surgiram nesse período, bem como arpões e agulhas.
3. Importância: O estudo sistemático da História possibilita Houve o início da produção artística, com a pintura
uma análise profunda das estruturas econômicas, sociais, po- de animais e cenas de caça nas paredes das grutas. Essa arte
líticas, religiosas, ideológicas e jurídicas de determinada so- rupestre (isto é, pintada ou gravada na rocha), além de sua
ciedade em dada época. Com o acúmulo de conhecimento, concepção realista, possuía uma função mágica porque, ao
o homem pôde compreender melhor o processo de transfor- executá-la, o homem acreditava estar garantindo caça abun-
mação da natureza bem como perceber as mudanças substan- dante para seu grupo. Começaram a ser esculpidas estatuetas
ciais no modo de vida da humanidade. O contato com civi- femininas em marfim, com alguns centímetros de altura, que
lizações e grupos sociais, que viveram em espaços e tempos os especialistas hoje chamam de Vênus e que certamente se
diferentes do nosso, nos auxilia no sentido de apreendermos vinculava à ideia de fertilidade.
que as formas de produzir a sobrevivência variam na História.
2. Neolítico: ou Idade da Pedra Polida (10.000 a 5000 a. C.):
II. Pré-História

A chamada Pré-história se inicia com o surgimento do


Homem na Terra e dura até cerca de 4.000 a.C., quando é
inventada a escrita no Crescente Fértil, mais precisamente na
Suméria, Mesopotâmia. Divide-se, pois, nos seguintes Perío-
dos: Paleolítico, Neolítico e a Idade dos Metais

1. Paleolítico: ou Idade da Pedra Lascada (até 10.000 a. C.):

Nessa época, ocorreu um crescimento populacional, o


que tornou muito difícil a sobrevivência apenas com a caça e
coleta. Esse fato levou os homens a iniciar sua sedentarização,
por meio do plantio de trigo, cevada e aveia. Ao mesmo tem-
po, alguns animais foram domesticados e o homem tornou-
-se criador de bois e ovelhas. Esse processo, que se inicioub na
Mesopotâmia, é conhecido como Revolução Agrícola, visto
que a importância da agricultura sobrepujava largamente ao
pastoreio.
A passagem da economia de coleta para a produção
Caracteriza-se pelo nomadismo, e pelas atividades de de alimentos liberou parte da comunidade para outras ativi-
caça, pesca e de coleta. Aqui surge a linguagem e a descoberta dades não ligadas diretamente à subsistência. Assim, foram
do manuseio do fogo. Os primeiros utensílios de pedra eram criados os primeiros aglomerados urbanos, protegidos por
muito simples (daí o nome da Idade da Pedra Lascada). Com fossos e paliçadas contra ataques de outros grupos. O homem
o decorrer do tempo, esse instrumental tornou-se mais ela- deu início à cerâmica para armazenar os cereais e começou a
borado, inclusive com a adição de componentes de madeira. tecer o linho e a lã para substituir as peles de animais como
As armas evoluíram, surgindo as lanças, facas e machadinhas. vestuário.
E, como a expansão dos grupos humanos começou a gerar
conflitos, os artefatos de caça foram adaptados para a guerra.

HELP VESTIBULARES 73
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA HISTÓRIA
Em alguns pontos da Europa, o início do Neolítico
foi marcado pela construção de monumentos megalíticos, isto
é, formados por enormes blocos de pedra. Sua função tinha
uma conotação mística, combinada talvez com um caráter
funerário, pois a arte e a magia continuavam interligadas.

3. Idade dos Metais ou Metalurgia:

Entre 5.000 e 4.000 a. C., o homem descobriu como


fundir os metais; com isso, os instrumentos de pedra foram
gradualmente postos de lado. O primeiro metal a ser fundi-
do para uso prático foi o cobre, graças a seu ponto de fusão
relativamente baixo. Depois surgiu a técnica da fundição do
estanho, cuja liga com o cobre permitiu a obtenção do bronze.
A metalurgia do ferro só teve início por volta de 1.500 a. C.,
na Ásia Menor (atual Turquia), com os hititas. Sua difusão,
porém, foi mais lenta que a do bronze devido às dificuldades
para a extração e sua fusão (exige uma temperatura muito
elevada), entretanto, a maior resistência do ferro contribuiu
para a supremacia militar dos povos que souberam utilizá-lo.
O crescimento das comunidades clânicas produziu
a Revolução Urbana, com o surgimento, enfim, de verda-
deiras cidades. As técnicas agrícolas foram aprimoradas que
permitiram a produção de excedentes. Ao mesmo tempo,
desenvolveram-se o artesanato e o comércio, impulsionados
pela invenção da roda. Começaram a utilizar a tração animal
e a força dos ventos (para a navegação). A nova economia
exigia padrões de medida, processo de contagem e normas de
administração, o que levou ao aparecimento da escrita.
Alguns membros, valendo-se de sua maior importân-
cia dentro do clã (parentes mais próximos ao líder), passaram
a apropriar-se dos excedentes agrícolas e, depois, das terras
produtivas (antes coletivas), gerando diferenciações econô-
micas e sociais.
Para manter sua posição de domínio e o controle sobre
a propriedade, o grupo preponderante procurou organizar o
poder político em seu próprio benefício, processo que culmi-
naria com a formação do Estado.

74 HELP VESTIBULARES
CONCEITOS DE HISTÓRIA E PERIODIZAÇÃO
I. Conceitos de História e Periodização b) Grécia Antiga, das origens ao período arcaico;
c) Roma Antiga e o Império Romano, até a sua queda, em
1. Períodos da História: 476.

Periodização da História (isto é, a divisão da história 3. Idade Média:


da humanidade em fases), é objeto de controvérsia. Conside-
rando que pode haver tantas divisões possíveis quanto hou- A Idade Média é o período da história que tem início
ver pontos-de-vista culturais, etnográficos e ideológicos, não em 476 e vai até a tomada de Constantinopla, pelos turcos
há como definir um único padrão de períodos. No entanto, otomanos, em 1453. Nesse período da história se destacam:
algumas mudanças fundamentais na política, na tecnologia,
nas ciências, nas artes e na filosofia são geralmente usadas a) Alta Idade Média;
como consenso para definir diferentes estágios históricos. b) Feudalismo;
Uma periodização comumente usada pela historio- c) Baixa Idade Média;
grafia ocidental, baseada em grandes marcos de mudança de d) Cultura Medieval;
poder na geopolítica europeia, é a seguinte: e) Formação das Monarquias Nacionais.

→ Pré-história: até 4000 a.C. (advento da escrita) 4. Idade Moderna:


→ Antiguidade: de 4000 a.C. até 476 d.C. (queda do Impé-
rio Romano do Ocidente) A  Idade Moderna é o período da história que tem
→ Idade Média: de 476 d.C. até 1453 (conquista de Cons- início em 1453 e vai até o ano de 1789, data da Revolução
tantinopla pelos turcos) Francesa. Dentro desse período da história se destacam:
→ Idade Moderna: de 1453 até 1789 (eclosão da Revolução
Francesa) a) Expansão Marítima Europeia;
→ Idade Contemporânea: de 1789 até os dias atuais b) Revolução Comercial e o Mercantilismo;
c) Colonialismo Europeu na América;
d) Renascimento Cultural;
e) Reforma Protestante e Contrarreforma;
f ) Absolutismo;
g) Iluminismo.

5. Idade Contemporânea:

A Idade Contemporânea é estudada de 1789, época


da Revolução Francesa, até os dias atuais. Dentro desse pe-
Da vida do homem em terra, 98% compõem o que ríodo, vários acontecimentos políticos, econômicos e sociais,
se convencionou chamar Pré-História. Os 2% restantes são receberam influência da Revolução Francesa, como a Inde-
a história propriamente dita. Esta divisão é convencional pendência do Brasil e a Revolução Industrial, por exemplo.
e tem caráter didático, pois as mudanças ocorridas de um
período para outro se estenderam por um largo período de
tempo, e de forma gradual, onde não existe rompimento
abrupto, como visto nos livros didáticos, onde numa página
se lê “fim da Idade Média” e na página seguinte “início da
Idade Moderna”.

2. Idade Antiga:

Idade Antiga, ou Antiguidade, é o período da história


que é contado a partir do desenvolvimento da escrita, pelos
sumérios, mais ou menos 4000 anos a.C., até a queda do
Império Romano do Ocidente, em 476 da era cristã. Dentre
os fatos históricos desse período da história se destacam:

a) Antiguidade Oriental, que compreende a civilização egíp-


cia, a civilização mesopotâmica, as civilizações hebraica, fe-
nícia e persa;

HELP VESTIBULARES 75
MESOPOTÂMIA 1
I. Mesopotâmia 1 Foi no Oriente Médio que tiveram início as civiliza-
ções. Tempos depois foram se desenvolvendo no Oriente ou-
Idade Antiga - período que se estendeu desde a in- tras civilizações que, sem contar com o poder fertilizante dos
venção da escrita (4000 a.C. a 3500 a.C.) até à queda do grandes rios, ganharam características diversas. As pastoris,
Império Romano do Ocidente (476 d.C.) e início da Idade como a dos hebreus, ou as mercantis, como a dos fenícios.
Média (séc. V). Cada um desses povos teve, além de uma rica história inter-
Civilizações Antigas, que conheciam a escrita, coe- na, longas e muitas vezes conflituosas relações com os demais.
xistiam com outras civilizações, escrevendo sobre elas (Pro-
to-História). Estavam estreitamente ligadas ao Oriente, onde 1. Mesopotâmia: o berço da civilização
floresceram as primeiras civilizações, sobretudo na chamada
“Zona do Crescente Fértil”, que atraiu, pelas possibilidades
agrícolas, os primeiros habitantes do Egito, Palestina, Meso- - Localização: entre os rios Tigre e Eufrates. Suméria ao
potâmia, Pérsia (Irã) e Fenícia (atual Líbano). sul, Babilônia ao centro e Assíria ao norte.
- Política: Teocracia. Fases – Cidades-Estados (Ur, Uruk,
Lagash, Nínive)
- Impérios:
Sumério-Acadiano
1º Babilônico
Assírio
2º Babilônico
- Sociedade: Estamental – posição determinada pelo
nascimento, com raríssima mobilidade social.
- Economia: Agropastoril; destaque para a produção de
cerâmica
- Religião: Politeísta; Animista; Antropomórfica. Não
acreditavam na vida após a morte.
- Cultura: Arquitetura e engenharia desenvolvidas,
como, por exemplo, na construção de Zigurates (pirâ-
mides em degraus) e os Jardins Suspensos da Babilônia.
Escrita cuneiforme (em forma de cunha). Código de
Hamurábi: primeiro conjunto de leis escritas que ti-
As grandes civilizações que surgiram no período co- nham por base os princípios de justiça e equidade, resu-
nhecido como Antiguidade foram as grandes precursoras de mida na lei de Talião (olho por olho, dente por dente).
culturas e patrimônio que hoje conhecemos. Estas grandes Os assírios eram conhecidos por sua belicosidade (pri-
civilizações surgiram, de um modo geral, por causa das tri- meiro exército profissional)
bos nômades que se estabeleceram em um determinado local
onde teriam condições de desenvolver a agricultura. Assim,
surgiram as primeiras aldeias organizadas e as primeiras cida- A estreita faixa de terra localiza-se entre os rios Tigre
des, dando início às grandes civilizações. e Eufrates, no Oriente Médio, onde atualmente é o Iraque,
Estas grandes civilizações surgiram por volta do quarto foi chamada na Antiguidade, de Mesopotâmia, que significa
milênio a.C. com a característica principal de terem se desen- “entre rios” (do grego, meso = no meio; potamos = rio). Essa
volvido às margens de rios importantes, como o rio Tigre, o região foi ocupada, entre 4.000 a.C. e 539 a.C, por uma série
Eufrates, o Nilo, o Indo e do Huang He ou rio Amarelo. de povos, que se encontraram e se misturaram, empreende-
A Mesopotâmia é considerada o berço da civilização. ram guerras e dominaram uns aos outros, formando o que
Esta região foi habitada por povos como os Acádios, Babi- denominamos povos mesopotâmicos. Sumérios, babilônios, hi-
lônios, Assírios e Caldeus. Entre as grandes civilizações da titas, assírios e caldeus são alguns desses povos. Esta civilização
Antiguidade, podemos citar ainda os fenícios, sumérios, os é considerada uma das mais antigas da história.
chineses, os gregos, os romanos, os egípcios, entre outros.  
As primeiras civilizações se formaram a partir de quan-
do o homem descobriu a agricultura e passou a ter uma vida
mais sedentária, por volta de 4.000 a.C. Essas primeiras ci-
vilizações se formaram em torno ou em função de grandes
rios: A Mesopotâmia estava ligada aos Rios Tigre e Eufrates,
o Egito ao Nilo, a Índia ao Indo, a China ao Amarelo.

76 HELP VESTIBULARES
MESOPOTÂMIA 1

Os Sumérios eram politeístas e faziam do culto aos


deuses uma das principais atividades a desempenhar na vida.
Quando interrompiam as orações deixavam estatuetas de pe-
dra diante dos altares para rezarem em seu nome.
a) Os sumérios (4000 a.C. – 1900 a.C.): Dentro dos templos havia oficinas para artesãos, cujos
produtos contribuíram para a prosperidade da Suméria.
Foi nos pântanos da antiga Suméria que surgiram as Os sumérios merecem destaque também por terem
primeiras cidades conhecidas na região da Mesopotâmia, sido os primeiros a construir veículos com rodas. As cida-
como Ur, Uruk e Nipur. des sumérias eram autônomas, ou seja, cada qual possuía um
Os povos da Suméria enfrentaram muitos obstáculos governo independente. Apenas por volta de 2330 a.C., essas
naturais. Um deles eram as violentas e irregulares cheias dos cidades foram unificadas.
rios Tigre e Eufrates. Para conter a força das águas e aprovei- O processo de unificação ocorreu sob comando do rei
ta-las, construíram diques, barragens, reservatórios e também Sargão I, da cidade de Acad. Surgia assim o primeiro impé-
canais de irrigação, que conduziam as águas para as regiões rio da região. O império construído pelos acádios não durou
secas. muito tempo. Pouco mais de cem anos depois, foi destruído
Atribui-se aos Sumérios o desenvolvimento de um por povos inimigos.
tipo de escrita, chamada cuneiforme, que inicialmente, foi
criada para registrar transações comerciais. b) Os babilônios (1900 a. C – 1600 a.C.):
A escrita cuneiforme – usada também pelos sírios, he-
breus e persas – era uma escrita ideográfica, na qual o objeto Os babilônios estabeleceram-se ao norte da região
representado expressava uma ideia, dificultando a representa- ocupada pelos sumérios e, aos poucos, foram conquistando
ção de sentimento, ações ou ideias abstratas, com o tempo, diversas cidades da região mesopotâmica. Nesse processo,
os sinais pictóricos converteram-se em um sistema de sílabas. destacou-se o rei Hamurabi, que, por volta de 1750 a.C., ha-
Os registros eram feitos em uma placa de argila mole. Utili- via conquistado toda a Mesopotâmia, formando um império
zava-se para isso um estilete, que tinha uma das pontas em com capital na cidade de Babilônia.
forma de cunha, daí o nome de escrita cuneiforme. Hamurabi impôs a todos os povos dominados uma
Na sociedade suméria havia escravidão, porém o nú- mesma administração. Ficou famosa a sua legislação, basea-
mero de escravos era pequeno. Grupos de nômades, vindos da no princípio de talião (olho por olho, dente por dente,
do deserto da Síria, conhecidos como Acadianos, dominaram braço por braço, etc.) O Código de Hamurabi, como ficou
as cidades-estados da Suméria por volta de 2300 a.C. conhecido, é um dos mais antigos conjuntos de leis escritas
Os povos da Suméria destacaram-se também nos tra- da história. Hamurabi desenvolveu esse conjunto de leis para
balhos em metal, na lapidação de pedras preciosas e na es- poder organizar e controlar a sociedade. De acordo com o
cultura. A construção característica desse povo é a zigurate, Código, todo criminoso deveria ser punido de uma forma
depois copiada pelos povos que se sucederam na região. Era proporcional ao delito cometido.
uma torre em forma de pirâmide, composta de sucessivos ter- Os babilônios também desenvolveram um rico e preci-
raços e encimada por um pequeno templo. so calendário, cujo objetivo principal era conhecer mais sobre
as cheias do rio Eufrates e também obter melhores condições
para o desenvolvimento da agricultura. Excelentes observa-
dores dos astros e com grande conhecimento de astronomia,
desenvolveram um preciso relógio de sol.
Além de Hamurabi, um outro imperador que se tor-
nou conhecido por sua administração foi Nabucodonosor,
responsável pela construção dos Jardins suspensos da Babilô-
nia, que fez para satisfazer sua esposa, e a Torre de Babel. Sob
seu comando, os babilônios chegaram a conquistar o povo

HELP VESTIBULARES 77
MESOPOTÂMIA 1
hebreu e a cidade de Jerusalém. nio. Seu mais importante soberano foi Nabucodonosor.
Após a morte de Hamurabi, o império Babilônico foi Em 587 a.C., Nabucodonosor conquistou Jerusalém.
invadido e ocupado por povos vindos do Norte e do Leste. Além de estender seus domínios, foram feitos muitos escra-
vos entre os habitantes de Jerusalém. Seguiu-se então um pe-
c) Os assírios (1200 a. C – 612 a.C.): ríodo de prosperidade material, quando foram construídos
grandes edifícios com tijolos coloridos.
Os assírios habitavam a região ao norte da babilônia  Em 539 a.C., Ciro, rei dos persas, apoderou-se de
e por volta de 729 a.C. já haviam conquistado toda a Me- Babilônia e transformou-a em mais uma província de seu gi-
sopotâmia. Sua capital, nos anos mais prósperos, foi Nínive, gantesco império.
numa região que hoje pertence ao Iraque.
Este povo destacou-se pela organização e desenvol-
vimento de uma cultura militar. Encaravam a guerra como
uma das principais formas de conquistar poder e desenvolver
a sociedade. Eram extremamente cruéis com os povos inimi-
gos que conquistavam, impunham aos vencidos, castigos e
crueldades como uma forma de manter respeito e espalhar
o medo entre os outros povos. Com estas atitudes, tiveram
que enfrentar uma série de revoltas populares nas regiões que
conquistavam.
Empreenderam a conquista da Babilônia, e a partir daí
começaram a alargar as fronteiras do seu Império até atingi-
rem o Egito, no norte da África. O Império Assírio conheceu
seu período de maior glória e prosperidade durante o reinado
de Assurbanipal.
Assurbanipal foi o último grande rei dos assírios. Du-
rante o seu reinado (668 - 627 a.C.), a Assíria se tornou a
primeira potência mundial. Seu império incluía a Babilônia,
a Pérsia, a Síria e o Egito.
Ainda no reinado de Assurbanipal, os babilônios se li-
bertaram (em 626 a.C.) e capturaram Nínive. Com a morte
de Assurbanipal, a decadência do Império Assírio se acen-
tuou, e o poderio da Assíria desmoronou. Uma década mais
tarde o império caía em mãos de babilônios e persas.
O estranho paradoxo da cultura assíria foi o cresci-
mento da ciência e da matemática. Este fato pode em parte
explicado pela obsessão assíria com a guerra e invasões. Entre
as grandes invenções matemáticas dos assírios está a divisão
do círculo em 360 graus, tendo sido eles dentre os primei-
ros a inventar latitude e longitude para navegação geográfica.
Eles também desenvolveram uma sofisticada ciência médica,
que muito influenciou outras regiões, tão distantes como a
Grécia.     

d) Os caldeus (612 a. C – 539 a.C.):

A Caldéia era uma região no sul da Mesopotâmia,


principalmente na margem oriental do rio Eufrates, mas
muitas vezes o termo é usado para se referir a toda a planície
mesopotâmica. A região da Caldéia é uma vasta planície for-
mada por depósitos do Eufrates e do Tigre, estendendo-se a
cerca de 250 quilômetros ao longo do curso de ambos os rios,
e cerca de 60 quilômetros em largura.
Os Caldeus foram uma tribo (acredita-se que tenham
emigrado da Arábia) que viveu no litoral do Golfo Pérsico e
se tornou parte do Império da Babilônia. Esse império ficou
conhecido como Neobabilônico  ou  Segundo Império Babilô-

78 HELP VESTIBULARES
MESOPOTÂMIA 2
I. Mesopotâmia 2

1. A organização social dos mesopotâmicos:

Sumérios, babilônios, hititas, assírios, caldeus. Entre


os inúmeros povos que habitaram a Mesopotâmia existiam
diferenças profundas. Os assírios, por exemplo, eram guer-
reiros. Os sumérios dedicavam-se mais à agricultura. Apesar
dessas diferenças, é possível estabelecer pontos comuns entre
eles. No que se refere à organização social, à religião e à eco-
nomia. Vamos agora conhecê-las:

2. A sociedade mesopotâmica:

A sociedade na antiga Mesopotâmia estava dividida


em classes: nobres, sacerdotes versados em ciências e respeita-
dos, comerciantes, pequenos proprietários e escravos. A orga-
nização social variou muito pelos séculos, mas de modo geral
podemos falar:

- Dominantes: governantes, sacerdotes, militares e comer-


ciantes.
- Dominados: camponeses, pequenos artesãos e escravos
(normalmente presos de guerra).

Os dominantes detinham o poder de quatro formas


básicas de manifestação desse poder: riqueza, política, militar
e saber. Posição mais elevada era do rei que detinha poderes
políticos, religiosos e militares. Ele não era considerado um
deus, mas sim representante dos deuses.
Os dominados consumiam diretamente o que produ-
ziam e eram obrigados a entregar excedentes para os domi-
nantes.

3. A religião na Mesopotâmia:

Os povos mesopotâmicos eram politeístas, isto é, ado-


ravam diversas divindades, e acreditavam que elas eram ca-
pazes de fazer tanto o bem quanto o mal; não acreditavam
em recompensas após a morte, acreditavam em crença em
gênios, demônios, heróis, adivinhações e magia. Seus deuses
eram numerosos com qualidades e defeitos, sentimentos e
paixões, imortais, despóticos e sanguinários.
Cada divindade era uma força da natureza como o
vento, a água, a terra, o sol, etc., e do dono da sua cidade.
Marduk, deus de Babilônia, o cabeça de todos, tornou-se
deus do Império, durante o reinado de Hamurabi. Foi subs-
tituído por Assur, durante o domínio dos assírios. Voltou ao
posto com Nabucodonosor.
Acreditavam também em gênios bons que ajudavam
os deuses a defender-se contra os demônios, contra as divin-
dades perversas, contra as enfermidades, contra a morte. Os
homens procuravam conhecer a vontade dos deuses manifes-
tada em sonhos, eclipses, movimento dos astros. Essas obser-
vações feitas pelos sacerdotes deram origem à astrologia.

HELP VESTIBULARES 79
EGITO 1
I. Egito 1

- Localização: Margens do rio Nilo


- Política: Teocracia. Fases – Divisão em Nomos, Impé-
rios (Antigo, Médio e Novo)
- Sociedade: Estamental – posição determinada pelo
nascimento, com raríssima mobilidade social.
- Economia: Agropastoril
- Religião: Livro dos Mortos é o livro sagrado que ex-
pressa a crença na reencarnação e no julgamento divino
pós-morte. Politeísta Antopozoomórfica – deuses metade
humana, metade animal – exemplo: Hórus (cabeça de
falcão e corpo de homem). Animista – divinizavam os
elementos da natureza.
- Exceção: Reforma monoteísta de Amenófis IV (Ake-
naton)
- Cultura: Arquitetura e engenharia desenvolvidas, como
por exemplo, na construção de pirâmides, diques e canais
de irrigação.
- Escrita em forma de hieróglifos (figuras ou símbolos); O solo fértil deve-se graças ao regime de enchentes
hierática e demótica. anuais no Rio Nilo que, durante os meses de junho a setem-
- Mumificação: preservação do corpo para a reencarnação. bro, o rio transbordava, inundando suas margens; quando
voltava a seu leito normal, deixava o vale fertilizado pelo hú-
mus (fertilizante orgânico) e pronto para o plantio.
Os registros iniciais da civilização que se formou às
margens do Rio Nilo datam de aproximadamente 6 mil anos. II. Períodos da história egípcia
O que conhecemos sobre aquela civilização nos indica que
atingiu um padrão complexo na arte, na ciência, no comércio A história do Egito divide-se em três fases: o Antigo
e na religião. Essa cultura elaborada acentuava a diferença Império; Médio Império e o Novo Império. Ao longo desses
entre os que tinham e os que não tinham posses. três períodos, o Egito atingiu o apogeu. Porém, a partir do
O Egito está localizado em região desértica, às mar- século VII a.C. o Egito foi invadido por vários povos e per-
gens do Rio Nilo, na porção nordeste do continente africano, deu o seu antigo esplendor. A seguir, uma rápida explanação
é banhado tanto pelo Mar Mediterrâneo quanto pelo Mar sobre cada período.
Vermelho e limita-se com o Sudão e com o Deserto da Líbia.
Apesar de situado numa região desértica, com poucas chuvas, 1. Antigo Império (3200 a.C. – 2100 a. C.):
ele é cortado por um vale muito fértil percorrido pelo Rio
Nilo, rio que teve um papel decisivo na vida e, principalmen- Durante o Antigo Império foram construídas obras de
te na economia do Antigo Egito. drenagem e irrigação, que permitiram a expansão da agricul-
tura; são desse período ainda as grandes pirâmides dos faraós
Quéops, Quéfren e Miquerinos, construídas nas proximida-
des de Mênfis, a capital do Egito na época.
As pirâmides eram túmulos dos faraós. Para o seu inte-
rior era levada grande quantidade de objetos que pertenciam
ao soberano, como móveis, joias e outros objetos preciosos.
Durante o Antigo Império, o faraó conquistou am-
plos poderes. Isso acabou gerando alguns conflitos: os gran-
des proprietários de terra e os chefes dos diversos nomos não
aceitaram a situação e procuraram diminuir o poder do faraó.
Essas disputas acabaram por enfraquecer o poder político do
Estado.

80 HELP VESTIBULARES
EGITO 1
2. Médio Império (2100 a.C. – 1580 a.C.): Como podemos perceber, a sociedade egípcia era or-
ganizada em torno do faraó, senhor de todas as terras e de to-
Durante o Médio Império, os faraós reconquistaram o das as pessoas. Ele era responsável pela justiça, pelas funções
poder político no Egito. A capital passou a ser Tebas. Nesse religiosas, pela fiscalização das obras públicas e pelo comando
período, conquistas territoriais trouxeram prosperidade eco- do exército. O faraó era considerado um deus vivo, filho de
nômica. Mas algumas agitações internas voltariam a enfra- deuses e intermediário entre eles e a população. Em sua hon-
quecer o império, o que possibilitou, por volta de 1750 a.C., ra, realizavam-se inúmeros cultos.
a invasão dos hicsos, povo nômade de origem asiática. Os Abaixo do faraó, e em ordem de importância, estavam
hicsos permaneceram no Egito cerca de 170 anos. o Vizir do Alto Egito, o do Baixo Egito e o Sumo-Sacerdote
de Amon-Rá, um dos principais deuses do Egito Antigo. Os
3. Novo Império (1580 a.C. – 715 a.C.): vizires contavam com a ajuda dos supervisores e dos nomar-
cas, isto é, os governadores dos nomos, os distritos do Egito.
O período iniciou-se com a expulsão dos hicsos e foi Os nomarcas por sua vez, eram auxiliados pelos funcionários
marcado por numerosas conquistas territoriais. Em seu final do governo, os escribas, que sabiam ler e escrever.
ocorreram agitações internas e outra onda de invasões. De- A centralização política do Egito não foi de fato uma
vido ao enfraquecimento do Estado, o Egito foi conquistado constante em sua história. Vários episódios de dissolução do
sucessivamente pelos assírios (670 a.C.), persas (525 a.C.), Estado podem ser observados durante sua trajetória. Por volta
gregos (332 a.C.) e romanos (30 a.C.) de 2.300 a.C., uma série de contendas internas e invasões de-
ram fim à supremacia do faraó. Nos três séculos subsequentes
4. Política e sociedade do Egito antigo: os nomos voltaram a ser a principal unidade de organização
sócio-política. Esse primeiro período que vai da unificação ao
Inicialmente, os egípcios se organizaram por meio de restabelecimento dos nomos corresponde ao Antigo Império.
um conjunto de comunidades patriarcais chamadas de no- Ao fim do século XXI a.C., o Estado centralizado foi
mos. Os nomos eram controlados por um chefe chamado no- restabelecido graças aos esforços do faraó Mentuhotep II. A
marca. Os nomos se agrupavam em duas regiões distintas, servidão coletiva foi mais uma vez adotada, permitindo a
que formavam dois reinos rivais: o reino do Alto Egito e o construção de vários canais de irrigação e a transferência da
reino do Baixo Egito. capital para a cidade de Tebas. Mesmo sendo um período de
Por volta de 3.200 a.C. o reino do Norte dominou o diversas conquistas e desenvolvimento da cultura egípcia, o
reino do Sul, unificando assim, o Egito. O responsável por Médio Império chegou ao seu fim em 1580, com a domina-
essa união foi Menés, que passou, então, a ser chamado de ção exercida pelos hicsos.
faraó, cujo significado é “casa grande”, “rei das duas terras”. A presença estrangeira serviu para que os egípcios se
O poder dos reis passava de pai para filho, isto é, era hereditá- unissem contra a presença dos hicsos. Com a expulsão defini-
rio. Como os egípcios acreditavam que os faraós eram deuses tiva dos invasores, temos o início do Novo Império.
ou, pelo menos, representantes diretos dos deuses na Terra, a Nessa época, presenciamos a dominação egípcia sob
forma de governo que se instalou foi chamada de monarquia outros povos. Entre as civilizações dominadas pelos egípcios,
teocrática. A ilustração abaixo representa como era dividida a destacamos os hebreus, fenícios e assírios. Tal expansão das
sociedade no Antigo Egito: fronteiras possibilitou a ampliação das atividades comercias
durante o Novo Império.
O Novo Império, considerado o mais estável período
da civilização egípcia, teve seu fim com a deflagração de uma
série de invasões. Os assírios, persas, macedônios e romanos
invadiram e controlaram o Egito ao longo da Antiguidade.
Ao longo de mais de 2500 anos, os egípcios ainda foram alvo
do controle árabe, turco e britânico.

HELP VESTIBULARES 81
EGITO 2
I. Egito 2

1. Economia:

A agricultura era a atividade econômica principal dos


egípcios. Inicialmente, para melhor aproveitar as águas do rio
Nilo, os camponeses uniam-se, empenhando-se na constru-
ção de diques e no armazenamento de cereais para a época de
escassez. Com o tempo, a produção agrícola tornou-se varia-
da, sendo cultivados algodão, linho (utilizados na fabricação
de roupas), trigo, cevada, gergelim, legumes, frutas e, princi-
palmente, oliveiras.
Às margens do rio os camponeses faziam pomares e
hortas, produzindo favas, lentilhas, grão–de–bico e pepinos.
Cultivavam ainda uva, utilizada na fabricação do vinho. Per- Deus Anúbis realizando uma mumificação
to de suas casas, eles criavam porcos e carneiros. O trabalho
no campo era realizado com o auxílio de um arado de madei- Após a morte, o corpo era esvaziado e desidratado com
ra puxado por bois. Os camponeses que moravam nos pân- a ajuda de um sal especial. Em seguida, embalsamado e en-
tanos e nos lagos costeiros, organizados em equipes, criavam volvido com faixas de tecido de linho. As vísceras do morto
em tanques numerosas variedades de peixes. O peixe, seco e eram colocadas separadamente em quatro recipientes. So-
conservado, era consumido muitas vezes com pão e cerveja, mente o coração era substituído por algum objeto. Por ser
e constituía parte importante da alimentação dos egípcios. impossível conservá-lo, uma peça em forma de escaravelho
Contando com um intenso artesanato, o comércio também (inseto de quatro asas, também chamado de bicho-bolo) era
foi outra importante atividade econômica no Egito Antigo. colocada em seu lugar. Em geral, um texto sagrado envolvia
o novo “coração”. Assim, o anterior era substituído simbo-
2. Religião: licamente. Enquanto os embalsamadores se ocupavam da
proteção do corpo, uma sepultura era preparada e decorada.
A religião desempenhava papel importante na socie- Nem todos os egípcios eram enterrados em pirâmides, como
dade egípcia: todos os aspectos da vida de um egípcio eram acontecia com os faraós. O sepultamento variava conforme a
regulados por normas religiosas. posição social do indivíduo e sua riqueza. Havia outros tipos
Havia cerimônias religiosas para os acontecimentos de túmulos: os hipogeus e as mastabas.
individuais: nascimento, casamento, morte, etc., e também Os hipogeus eram túmulos subterrâneos cavados nas
para os acontecimentos que envolviam toda a sociedade, rochas, principalmente nos barrancos de rios ou nas encos-
como as festas na época da colheita. tas de montanhas. Podiam possuir vários compartimentos e
As crenças egípcias giravam em torno da adoração de ser ricamente decorados. As mastabas eram tumbas, de base
vários deuses, o politeísmo, e a crença em deuses com forma retangular, que tinham no interior uma sala para oferendas,
humana e animal, o antropozoomorfismo. Muitos deles eram uma capela e uma câmara mortuária subterrânea, onde fica-
associados a determinadas forças da natureza. O politeísmo vam os mortos. As pessoas mais humildes eram enterradas
egípcio era acompanhado pela forte crença em uma vida após em covas simples no meio do deserto.
a morte. É a partir desse princípio religioso que podemos Para o interior do túmulo, os egípcios levavam objetos
compreender a complexidade dos rituais funerários e a pre- de uso diário e as riquezas que possuíam e pintavam cenas
paração dos cadáveres através do processo de mumificação. cotidianas. Acreditavam que, agindo assim, garantiriam o
Os antigos egípcios acreditavam numa vida após a conforto na vida após a morte. Um ponto curioso nos rituais
morte e no retorno do espírito ao corpo. Muito do que co- do Egito era a zoolatria, ou seja, a adoração de animais. Os
nhecemos hoje sobre os costumes e o modo de vida do Egito animais tidos como sagrados eram também cuidadosamente
Antigo está associado a essa crença. A maior parte do nosso mumificados, após a morte, e depositados em cemitérios es-
conhecimento vem da análise das pinturas e dos objetos dei- peciais.
xados pelos egípcios nos túmulos.
4. A escrita egípcia:
3. Rituais de vida e morte:
A escrita egípcia era feita com sinais ou caracteres pic-
Os egípcios acreditavam na vida após a morte, mas tóricos que representavam imagens de pássaros, insetos, ob-
se quisessem gozar o outro mundo, seus corpos teriam de jetos, etc., conhecidos como hieróglifos. Segundo a maioria
sobreviver. Por essa razão, mumificavam seus mortos. A téc- dos historiadores, os egípcios começaram a utilizar os hieró-
nica de preservar corpos é chamada de embalsamamento e os glifos por volta de 3200 a.C. Essa, com certeza é uma das es-
egípcios foram verdadeiros mestres nessa atividade. critas mais antigas do mundo. Nessa escrita, cada sinal repre-
82 HELP VESTIBULARES
EGITO 2
sentava um objeto: havia partes do corpo humano, plantas, Além da escrita, os escribas tinham que conhecer as
animais, edifícios, barcos, utensílios de trabalho, profissões, leis, saber calcular impostos e ter noções de aritmética. Os
armas. Com o tempo, esses desenhos foram substituídos por escribas possuíam um pictograma próprio, representado pela
figuras mais simplificadas ou por símbolos gráficos. paleta. Lê-se sech (escrever), e faz parte das palavras relacio-
Para representar sentimentos, como ódio ou amor, ou nadas com arquivos, impostos e tributos.
ações como amar e sofrer, os egípcios desenhavam objetos
cujas palavras que os designavam tinham sons semelhantes 5. A vida cotidiana dos egípcios:
aos das palavras que os hieróglifos se referiam a algo concreto,
havia um sinal vertical ao lado de cada figura. Se fossem refe- A maior parte da população egípcia morava em peque-
rentes a algo abstrato, havia o desenho de um rolo de papiro. nas cabanas feitas de junco, madeira e barro. As casas eram
Se correspondesse à determinada pessoa, os hieróglifos tra- construídas nos locais mais elevados, para não serem atingi-
ziam sempre a imagem de uma figura feminina ou masculina, das pelas inundações. Essas casas, além de fornecer abrigo nas
mostravam um pequeno sol. Para completar, os hieróglifos noites frias, protegiam das tempestades de areia. Nas épocas
podiam ser escritos da direita para a esquerda ou vice-versa a de muito calor, as famílias procuravam locais mais elevados
ordem certa, em cada caso, dependia da direção dos olhos das para tomar ar fresco e fugir do mormaço do interior das casas.
figuras humanas ou dos pássaros representados. A casa dos camponeses era simples, geralmente com
uma única divisão e quase sem móveis. Os camponeses pos-
suíam apenas algumas esteiras, alguns utensílios de cozinha
e alguns vasos. Como não havia talheres, as pessoas comiam
com as mãos.
As casas dos egípcios mais ricos eram confortáveis. Fei-
tas com tijolos de barro secos ao sol, elas eram bem decoradas
e mobiliadas. Possuíam camas, mesas, cadeiras, e os bancos
tinham assentos de couro ou de palha. Mesmo as casas de
alguns artesãos, que não eram ricos, eram bem melhores que
            A partir dos hieróglifos, os egípcios desenvolveram as casas dos camponeses.
outros sistemas. Veremos agora, em síntese, como eram em- A alimentação dos egípcios consistia de pão, cebola,
pregados esses sistemas: alho, favas, lentilhas, rabanetes, pepinos e, às vezes, peixe.
Essa alimentação era regada por cerveja não fermentada. Os
- Hieroglífico: considerado sagrado, era utilizado pelos sa- pobres só comiam carne e frutas nos dias de festas. O vinho
cerdotes; só aparecia na mesa dos ricos, que, além dos alimentos cita-
- Hierático: era mais simples, utilizado pelos escribas nos pa- dos, consumiam frutas, queijos e carnes de animais domésti-
piros; cos e selvagens.
- Demótico: o mais simplificado era de uso popular. Em suas atividades de caça e pesca no Nilo, os egípcios
navegavam em pequenas e frágeis embarcações feitas de feixes
Para escrever era utilizado o papiro, espécie de papel de papiro atados. Os pescadores trabalhavam em grupos e
fabricado com o talo de uma planta de mesmo nome, acom- utilizavam enormes redes. Os nobres, porém, pescavam só
panhado de pincéis, paletas, tinteiros e um pilão. Quando por diversão, com auxílio de lanças.
eles iam escrever esmagavam os pigmentos no pilão e depois Os camponeses e artesãos vestiam-se apenas com um
transferiam a tinta para o tinteiro, que tinha duas cavidades: pedaço de tecido, colocado em forma de tanga em volta da
uma para tinta vermelha e outra para a tinta preta. Os pincéis cintura. As mulheres usavam uma longa túnica e os meni-
eram umedecidos com água que ficava numa bolsa de couro. nos geralmente andavam nus. Os ricos usavam trajes mais
Algumas paletas tinham caráter espiritual para os escribas, requintados. Os nobres, por exemplo, usavam um saiote pre-
sendo guardadas em seus túmulos. gueado e suas mulheres, vestidos bordados com contas.
A escrita hieroglífica foi decifrada pelo francês Jean- Nas cerimônias, tanto os homens como as mulheres
-François Champollion, que, após anos de estudo, concluiu usavam pesadas perucas. Além disso, independentemente de
seu trabalho em 1822, decifrando a Pedra de Roseta, um idade ou sexo, os egípcios gostavam de usar imensas joias –
pedaço de basalto negro onde estava gravado um texto em tiaras, brincos, colares, anéis, braceletes e pulseiras. Essas joias
grego, hieróglifos e demótico. podiam ser de ouro, prata, pedras semipreciosas, contas de
Quem realizava este trabalho de registro eram os es- vidro, conchas ou pequenas pedras polidas de cores bonitas.
cribas. Os escribas eram altos funcionários a serviço do fa- Os egípcios tinham ainda seus jogos e divertimentos.
raó. Tinham como dever anotar o que acontecia nos campos, Os jovens nobres, por exemplo, costumavam sair em carros
contar os grãos, registrar as cheias do Nilo, calcular os impos- puxados por cavalos para ir ao rio pescar, apanhar aves ou
tos que os camponeses deveriam pagar, escrever contratos, caçar hipopótamos e crocodilos. A luta e a natação eram os
atas judiciais, cartas, além de registrar os outros produtos que esportes mais populares. Os barqueiros costumavam formar
entravam no armazém. equipes e fazer competições no rio. Nessas ocasiões iam arma-
HELP VESTIBULARES 83
EGITO 2
dos com paus a fim de derrubar seus adversários na água. Os
egípcios apreciavam muito os jogos de tabuleiro. Esses jogos
assemelhavam-se aos jogos de xadrez e de damas que conhe-
cemos hoje. As crianças egípcias também tinham seus jogos
e brinquedos. Gostavam muito de dançar, disputar jogos de
equipe, e brincar com bonecas e bolas. 

84 HELP VESTIBULARES
HEBREUS
I. Hebreus Praticam a agricultura, o pastoreio, o artesanato e o
comércio. Têm por base social o trabalho de escravos e ser-
vos. As tribos são dirigidas de forma absoluta pelos chefes de
- Localização – Margens do rio Jordão família (patriarcas), que acumulam as funções de sacerdote,
- Política – Evolução - Patriarcas juiz e chefe militar. Com a unificação destas, a partir de 1010
- Êxodo – saída do Egito para a Terra Prometida a.C., elegem juízes para vigiar o cumprimento do culto e da
- Juízes – Monarquia Una (Saul, Davi e Salomão) lei. Depois se unem em torno do rei. Produzem uma litera-
- Cisma – Divisão em dois reinos: tura dispersa, mas importante, contida em parte na Bíblia e
*Israel ao norte – 10 tribos com capital em Samária no Talmude.
*Judá ao sul – 2 tribos com capital em Jerusalém
- Cativeiros – Israel na Assíria ; Judá no 2º Império 1. Localização:
Babilônica
- Restauração A Palestina localizava-se em uma estreita faixa a su-
- Diáspora – dispersão dos hebreus pelo mundo a partir doeste do atual Líbano. O rio Jordão divide a região em duas
de 73 d. C. partes: a leste a Transjordânia; e a oeste, a Cisjordânia. Essa
- Sociedade – Patriarcal; Poligâmica. região é atualmente ocupada pelo estado de Israel.
- Economia – Agropastoril Até hoje a região é bastaste árida. O principal rio é o
- Religião – Monoteísta Jordão, e assim mesmo não era suficiente para grandes obras
- Festas – Páscoa, Tabernáculos, Pentecoste de irrigação. Um solo pouco fértil e um clima bastante seco
- Livro Sagrado – Antigo Testamento (Pentateuco, His- impediam que a região fosse rica. No entanto, tinha bastante
tóricos, Poéticos e Proféticos). importância, pois era passagem e ligação entre a Mesopotâ-
- Cultura – O Antigo Testamento é a fonte de informa- mia e a Ásia Menor. E foi nessa região que assentou o povo
ção da história dos hebreus. hebreu, um entre os muitos que vagaram e se estabeleceram
na Palestina.

Os hebreus são conhecidos como israelitas ou judeus. 2. Organização social e política:


Antepassados do povo judeu, os hebreus têm uma história mar-
cada por migrações e pelo monoteísmo. Após a morte de Moisés, os hebreus chegaram à pa-
Muitas informações sobre a história dos hebreus ba- lestina e, sob a liderança de Josué, que cruza o rio Jordão,
seiam-se na interpretação de textos do Antigo Testamento, a combate com os cananeus que então habitavam a terra pro-
primeira parte da Bíblia. O Antigo testamento foi escrito com metida. Vencidos os cananeus, os israelitas se estabelecem na
base na tradição oral dos hebreus. Consta dele, por exemplo, Palestina. Nessa época, o povo hebreu estava dividido em 12
a interpretação feita por esse povo da origem do mundo e de tribos (“os doze filhos de Israel”), que viviam em clãs com-
muitas das normas éticas e morais de sua sociedade. Convém postos pelos patriarcas, seus filhos, mulheres e trabalhadores
ressaltar, entretanto, que esses textos são repletos de símbolos e
não livres.
sua interpretação é bastante difícil.
O poder e prestígio desses clãs eram personificados
Vestígios da sociedade hebraica continuam sendo encon-
trados. Eles contribuem para lançar novas luzes sobre a história pelo patriarca, e os laços entre esses clãs eram muito frágeis.
dos hebreus. Segundo a tradição, Abraão, o patriarca fundador Porém, devido às lutas pelas conquistas de Canaã ou Terra
da nação hebraica, recebeu de Deus a missão de migrar para Prometida, surgiu necessidade do poder e do comando estar
Canaã, terra dos cananeus, depois chamada de palestina, onde nas mãos de chefes militares. Estes chefes passaram a ser co-
se localiza hoje a Estado de Israel. nhecidos como Juízes.
Após passarem um período na terra dos cananeus, os he- Com a concentração do poder em suas mãos, os juízes
breus, foram para o Egito, onde viveram em 300 e 400 anos, procuraram à união das doze tribos, pois ela possibilitaria a
e acabaram transformados em escravos. Sua história começa a realização do objeto comum: O domínio da Palestina.  As
ganhar destaque a partir do momento em que resolvem sair do principais lideranças deste período foram os juízes: Sansão,
Egito e, sob a liderança de Moisés, voltar a Canaã. Na histó- Otoniel, Gideão e Samuel, todos eram considerados enviados
ria judaica, esse retorno é chamado de êxodo e aconteceu entre de Jeová, para comandar os Hebreus.
1300 e 1250 a.C. A união das doze tribos era difícil de ser conseguida e
Em 70 d.C., a Palestina era uma província do Império mantida, pois os juízes tinham um poder temporário e mes-
Romano; as muitas rebeliões ocorridas na região levaram o go- mo com a unidade cultural, (língua, costumes, e, principal-
verno imperial a expulsar os hebreus da Palestina. Esse aconteci- mente religião), havia muita divisão política entre as tribos.
mento é denominado de diáspora. Até 1948, quando foi funda- Assim foi preciso estabelecer uma unidade política. Isto foi
do o estado de Israel, os judeus viveram sem pátria, atualmente conseguido através da centralização do poder nas mãos de
são os palestinos que não tem pátria, pois suas terras foram to- um monarca, Rei, o qual teria sido escolhido por Jeová para
madas pelos israelenses. governar.

HELP VESTIBULARES 85
HEBREUS
3. Os reis hebreus: 6. A religião:

O primeiro rei hebreu foi Saul (1010 a.C.) que liderou Os hebreus foram um dos primeiros povos a cultuar
guerras contra os filisteus, porém morreu sem conseguir ven- um único deus, isto é, eram monoteístas. No judaísmo, reli-
cê-los. Foi sucedido por Davi (1006 a 966 a.C.), que conse- gião professada pelos hebreus, o único deus é Javé, cuja ima-
guiu derrotar os filisteus e estabeleceu domínio sobre a Pales- gem não pode ser representada em pinturas ou estátuas.
tina, fundando o Estado Hebreu, cuja a capital passou a ser O judaísmo é baseado nos Dez Mandamen-
Jerusalém. E iniciou uma fase marcada pelo expansionismo tos supostamente revelados a Moisés no monte Sinai.
militar e pela prosperidade. Os dois traços característicos da religião dos hebreus são o
Em seguida, Salomão (966 a 926 a.C.); sábio e pacífi- monoteísmo e o salvacionismo isto é a crença na vinda de um
co famoso pelo poder e riqueza. Filho de Davi desenvolveu o Messias ou Salvador para libertar o povo hebreu. O Judaísmo
comércio, aumentando a influência do reinado sem recorrer constitui uma das bases do cristianismo, com o qual o Isla-
a guerra. No entanto a fartura e a riqueza que marcaram o mismo formou tríade das religiões universais.
seu reinado exigiam o constante aumento de impostos, que
empobreciam mais e mais o trabalhador, criando um clima 7. Aspectos Culturais:
de insatisfação no povo hebreu.
Da cultura criada pelos hebreus, a religião, é sem dú-
4. O cisma político e religioso: os reinos de Israel e Judá: vida o legado mais importante. A escrita e literatura, entre os
hebreus, povo de língua semita, surgiu muito cedo através de
Após a morte de Salomão, houve a divisão política e re- uma escrita própria. A arqueologia revelou a existência da es-
ligiosa das tribos e o fim da monarquia unificada. Os hebreus crita a partir de meados do segundo milênios a. C., (época do
dividiram-se em Dez tribos do Norte e formaram o Reino de Êxodo). Aos poucos, porém eles foram substituindo, em sua
Israel, liderados por Jerobaão. Após disputas internas, chega- escrita a sua língua original pelo aramaico, que era a língua
ram a um acordo em 878 a.C., com a escolha de Omri para comercial e diplomática do Oriente, próximo na antiguida-
rei. Apesar de a veneração a Iavé persistir, foi introduzido o de. O alfabeto hebraico atual é uma variedade do aramaico,
culto a vários deuses. Duas tribos do Sul formaram o Reino que juntamente com a língua aramaica tornou-se muito di-
Judá, liderados por Reoboão, filho de Salomão (924 a.C.). fundido, suplantando os outros alfabetos e línguas semitas.
Nas artes o monoteísmo hebraico influenciou todas
5. A dominação estrangeira: as realizações culturais dos hebreus. Deve-se destacar a arqui-
tetura, especialmente a construção de Templos, muralhas e
O Reino de Israel, desde o início viveu na idolatria; fortificações. A maior realização arquitetônica foi o Templo
isto fez com que a ira de Deus se manifestasse sobre ele per- de Jerusalém.
mitindo que no ano 722 a.C., fosse conquistado por Sargão
II, da Assíria, e seu povo fosse levado para o cativeiro, sendo
seu território habitado por outros povos, ali colocados por
ordem do rei da Assíria. O castigo de Deus veio sobre ela
através do rei Nabucodonosor, da Babilônia, no ano 586 a.C.
A cidade santa, Jerusalém, foi destruída e o Templo queima-
do e os nobres eram amarrados e levados para o cativeiro.
O cativeiro durou até os dias de Ciro, rei da Pérsia
que permitiu que o povo que estava escravizado na Caldéia,
regressar a Palestina e reerguer o Templo de Jerusalém (536
a.C.). A seguir a Palestina foi invadida por Alexandre da Ma-
cedônia (322 a.C.). Depois passou a seu protetorado egípcio
(301 a.C.), Colônia Síria (198 a.C.), e província romana (63
a.C.). Templo de Jerusalém
No ano 70 da era cristã, após uma fracassada revolta
contra a dominação romana, Jerusalém foi conquistada por Nas ciências, não apresentaram progresso notável. A
Tito e seus exércitos, ocorrendo uma segunda destruição do importância cultural da sociedade hebraica residiu principal-
Templo. Atualmente do templo de Jerusalém resta apenas mente na esfera religiosa e moral (na lei Mosaica), sua área
um muro, conhecido como o Muro das Lamentações. de influência atingiu o Ocidente e grande parte do Oriente.

86 HELP VESTIBULARES
FENÍCIOS
I. Fenícios direção ao Mediterrâneo;
- Era rica em cedros, que forneciam a valiosa madeira para a
construção de navios;
- Localização – Faixa litorânea entre o Mediterrâneo e - Possuía bons portos naturais em suas principais cidades
as montanhas do Líbano. (Ugarit, Biblos, Sidon e Tiro);
- Política – Teocracia; Cidades-Estados (Tiro, Sídon e - Tinha praias repletas de um molusco (múrice), do qual se
Biblos) extraía a púrpura, corante de cor vermelha utilizado para o
- Sociedade – Classista. tingimento de tecidos, muito procurados entre as elites de
- Economia – Mercantil (comércio marítimo). diversas regiões da Antiguidade.
- Produtos – púrpura, joias e escravos.
- Religião – Politeísta, Animista, sacrifícios humanos. 2. As cidades:
- Cultura – Dominavam a arte da navegação. Criaram
o alfabeto fonético para facilitar o comércio com outros A Fenícia era, na verdade, um conjunto de Cidades -
povos. Estado, independentes entre si. Algumas adotavam a Monar-
quia Hereditária; outras eram governadas por um Conselho
de Anciãos. As cidades fenícias disputavam entre si e com
A civilização fenícia desenvolveu-se na Fenícia, terri- outros povos, o controle das principais rotas do comércio
tório do atual Líbano. Os fenícios eram povos de origem se- marítimo.
mita. Por volta de 3000 a.C., estabeleceram-se numa estreita
faixa de terra com cerca de 35 km de largura, situada entre as 3. Economia:
montanhas do Líbano e o mar Mediterrâneo. Com 200 km
de extensão, corresponde a maior parte do litoral do atual A principal atividade econômica dos fenícios era o
Líbano e uma pequena parte da Síria. comércio. Em razão dos negócios comerciais, os fenícios de-
Por habitarem uma região montanhosa e com poucas senvolveram técnicas de navegação marítima, tornando-se os
terras férteis, os fenícios dedicaram-se à pesca e ao comércio maiores navegadores de Antiguidade. Desse modo, comer-
marítimo. ciavam com grande número de povos e em vários lugares do
As cidades fenícias que mais de desenvolveram na an- Mediterrâneo, guardando em segredo as rotas marítimas que
tiguidade foram Biblos, Tiro e Sidon. descobriam. Considerável parte dos produtos comercializa-
dos pelos fenícios provinha de suas oficinas artesanais, que
dedicavam à metalurgia (armas de bronze e de ferro, joias de
ouro e de prata, estátuas religiosas), à fabricação de vidros
coloridos e à produção de tintura de tecidos (merecem desta-
que os tecidos de púrpura). Por sua vez, importavam de várias
regiões produtos como metais, essências aromáticas, pedras
preciosas, cavalos e cereais. Tiro era a principal cidade que
se dedicava ao comércio de escravos, adquirindo prisioneiros
de guerra e vendendo-os aos soberanos do Oriente próximo.
Expandindo suas atividades comerciais, os fenícios fundaram
diversas colônias que, a princípio, serviam de bases mercan-
tis. Encontramos colônias fenícias em lugares como Chipre,
Sicília, Sardenha e sul da Espanha. No norte da África, os
1. Características: fenícios fundaram a importante colônia de Cartago.
A Fenícia, terra de marinheiros e comerciantes, ocu- 4. O alfabeto:
pava uma estreita área, com aproximadamente 40 km de lar-
gura, entre o mar Mediterrâneo e as montanhas do Líbano. O que levou os fenícios a criarem o alfabeto foi jus-
Atualmente essa região corresponde ao Líbano e a parte da tamente a necessidade de controlar e facilitar o comércio. O
Síria. O solo montanhoso da Fenícia não era favorável ao alfabeto fenício possuía 22 letras, apenas consoantes, e era,
desenvolvimento agrícola e pastoril. Vivendo como que es- portanto, muito mais simples do que a escrita cuneiforme e a
premido em seu território. O povo fenício percebeu a ne- hieroglífica. O alfabeto fenício serviu de base para o alfabeto
cessidade de se lançar ao mar e desenvolver o comércio pelas grego. Este deu origem ao alfabeto latino, que, por sua vez,
cidades do Mediterrâneo. Entre os fatores que favoreceram o gerou o alfabeto atualmente utilizado no Brasil.
sucesso comercial e marítimo da Fenícia, podemos destacar
que a região:
- Era muito encruzilhada de rotas comerciais, o escoadouro
natural das caravanas de comércio que vinham da Ásia em

HELP VESTIBULARES 87
FENÍCIOS
5. Religião:

A religião dos fenícios era politeísta e antropomórfica.


Os fenícios conservaram os antigos deuses tradicionais dos
povos semitas: as divindades terrestres e celestes, comuns a
todos os povos da Ásia antiga. Assinale-se, como fato estra-
nho, que não deram maior importância às divindades do mar.
Cada cidade tinha seu deus, Baal (senhor), associado
muitas vezes a uma entidade feminina - Baalit. O Baal de
Sidon era Eshmun (deus da saúde). Biblos adorava Adônis
(deus da vegetação), cujo culto se associava ao de Ashtart (a
caldeia Ihstar; a grega Astarteia), deusa dos bens terrestres, do
amor e da primavera, da fecundidade e da alegria. Em Tiro
rendia-se culto a Melcart e Tanit.
Para aplacar a ira dos deuses sacrificavam-se animais.
E, às vezes, realizavam-se terríveis sacrifícios humanos. Quei-
mavam-se, inclusive, os próprios filhos. Em algumas ocasiões,
200 recém-nascidos foram lançados, ao mesmo tempo, ao
fogo - enquanto as mães assistiam, impassíveis, ao sacrifício.

88 HELP VESTIBULARES
PERSAS
I. Persas Dario e depois seu sucessor, Xerxes, tentaram conquis-
tar ainda a região da atual Grécia, mas fracassaram. Em 330
a.C., o Império Persa foi conquistado por Alexandre Magno,
- Localização – Planalto Iraniano, às margens do rio da Macedônia.
Indo; Média ao Norte e Pérsia ao sul.
- Política – Teocracia 1. A formação do Império Persa:
Ciro – unificou as tribos
Cambises – início da expansão Ciro inaugurou o chamado império persa. Com o au-
Dario - apogeu e divisão em satrápias mento da população, houve a necessidade da expansão geo-
Xerxes – início da decadência gráfica.
- Sociedade – Estamental Ciro, o Grande (560-530 a.C.), tornou-se rei dos me-
- Economia – Agropastoril; destaque para o comércio. dos e persas, após haver conquistado Ecbátana e destronado
- Religião – Dualista – crença em duas forças (Bem=Or- Astíages (555 a.C.). Conquistou também a Babilônia (539
muz e o Mal=Arimã) a.C.). O império ia desde o Helesponto até as fronteiras da
Profeta: Zoroastro ou Zaratustra Índia. Ciro não proibia as crenças nativas dos povos conquis-
- Cultura – Moeda: dárico; Estradas: para facili- tados. Concedia alguma autonomia para as classes altas, que
tar o comércio, o correio e a repressão às províncias) governavam as regiões dominadas pelos persas, mas exigia,
em troca, homens para seu exército, alimentos e metais pre-
ciosos. Ciro morreu em 529 a.C.
A civilização persa foi uma das mais expressivas civili- Cambises, filho e sucessor de Ciro, iniciou uma difícil
zações da Antiguidade. A Pérsia situava-se a leste da Mesopo- campanha militar contra o Egito, em 525 a.C., finalmente
tâmia, num extenso planalto onde hoje corresponde ao Irã, vencida pelos persas na batalha de Pelusa. Nessa época o im-
localizado entre o golfo Pérsico e o mar Cáspio.  Ao contrário pério persa abrangia o mar Cáspio, o mar Negro, o Cáucaso,
das regiões vizinhas, possuía poucas áreas férteis. Esta civiliza- grande parte do Mediterrâneo oriental, os desertos da África
ção estabeleceu-se no território por volta de 550 a.C. Através e da Arábia, o golfo Pérsico e a Índia. Cambise pretendia
de Ciro, que era um príncipe persa, realizou a dominação estender seus domínios até Cartago, mas não conseguiu levar
do Reino da Média e, assim, deu início à formação de um esse plano adiante por causa de violenta luta interna pelo po-
bem-sucedido reinado que durou cerca de vinte e cinco anos. der. A luta pelo poder prosseguiu após a morte de Cambises.
Nesse período, este talentoso imperador também conquistou Dario, parente distante de Cambises, aliou-se a fortes setores
o reino da Lídia, a Fenícia, a Síria, a Palestina, as regiões gre- da nobreza, tomou o trono e iniciou uma nova era na história
gas da Ásia Menor e a Babilônia. O processo de expansão ini- da Pérsia.
ciado por Ciro foi continuado pela ação do imperador Dario,
que dominou as planícies do rio Indo e a Trácia. Nesse mo-
mento, dada as grandes proporções assumidas pelo território
persa, Dario viabilizou a ordenação de uma geniosa reforma
administrativa. Pelas mãos de Dario, os domínios persas fo-
ram divididos em satrápias, subdivisões do território a serem
administrados por um sátrapa.
O planalto do Irã, região montanhosa e desértica, si-
tuada a leste do Crescente Fértil, entre a Mesopotâmia e a
Índia, foi povoado pelos medos e pelos persas. A princípio,
Ciro, o grande (imperador persa)
os persas eram dominados pelos medos. Essa situação se in-
verteria por volta de 550 a.C. Nessa época, sob o comando de
2. A organização do Império:
Ciro, os persas dominaram os medos e passaram a controlar
a região.
Os povos dominados pelos persas podiam conservar
Os persas conquistaram ainda outros povos que vi-
seus costumes, suas leis, sua religião e sua língua. Eram obri-
viam nas proximidades do planalto do Irã, impondo a todos a
gados, porém, a pagar tributos e a servir o exército persa.
mesma administração. Eles acabaram por construir um vasto
Dario procurou organizar o império dividindo-o em
império. Seu território compreendia a Ásia Menor, a Meso-
províncias e nomeando pessoas de sua confiança para gover-
potâmia e uma parte da Ásia Central.
ná-las. Para facilitar a comunicação entre as províncias, foram
Esses domínios seriam ainda ampliados nos governos
construídas diversas estradas, entre elas a Estrada Real. Com
posteriores a Ciro: Cambises conquistou o Egito em 525
mais de 2 mil quilômetros de extensão, essa estrada ligava as
a.C.; Dario I dominou a Ásia até o vale do rio Indo e também
cidades de Susa e Sardes. Por ela passavam os correios reais, o
uma pequena parte da Europa, onde se localizavam algumas
exército e as caravanas de mercados.
colônias gregas.

HELP VESTIBULARES 89
PERSAS
A riqueza para sustentar esse enorme império era for-
necida por camponeses livres, que viviam em comunidades e
pagavam impostos ao imperador. Havia também o trabalho
escravo, mas a maioria dos trabalhadores não pertencia a essa
categoria.

3. Cultura e religião:

Na arte, os persas receberam grande influência dos


egípcios e dos mesopotâmicos. Fizeram construções em pla-
taformas e terraços, nas quais utilizaram tijolos esmaltados
em cores vivas.
No plano religioso, distinguiram-se por uma religião
que ainda hoje é praticada em algumas partes do mundo: o
zoroastrismo. Seu fundador, Zoroastro (daí o nome da reli-
gião), viveu entre 628 e 551 a.C.
De acordo com os princípios básicos do zoroastrismo,
existem duas forças em constante luta: o bem e o mal. O deus
do bem é Ormuz, que não é representado por imagens e tem
como símbolo o fogo; o deus do mal é Arimã, representado
por uma serpente.
Segundo o zoroastrismo, o dever das pessoas é praticar
o bem e a justiça, para que, no dia do Juízo Final, Ormuz seja
vitorioso e, assim o bem prevaleça sobre o mal. Além disso,
aos bons estava reservada a vida eterna no paraíso.
Muitos dos valores do zoroastrismo acabaram sendo
adotados por outras religiões. No cristianismo, por exemplo,
encontram-se presentes as ideias de Juízo Final e paraíso e a
dicotomia entre bem e mal.
Essa religião baseava-se na sinceridade entre as pessoas
e foi transcrita no livro sagrado Avesta. O imperador era qua-
se um deus, pois, segundo a crença, governava por ordem de
deus.

4. A decadência do Império:

A tomada do estreito de Bósforo e Dardanelos no mar


Negro pelas forças persas prejudicou o intenso comércio gre-
go na região. O clima de tensão entre várias cidades gregas
e o império persa transformou-se em longa guerra. Em 490
a.C., Dario tentou invadir a Grécia, mas foi derrotado pelos
gregos na batalha de Maratona. Dario morreu e o poder pas-
sou as mãos de seu filho Xerxes, que continuou a luta contra
a Grécia, sendo derrotado em 480 e 479 a.C. nas batalhas de
Salamina e Plateia.
Após sucessivas derrotas, os persas foram obrigados
a se retirar e reconhecer a hegemonia grega no mar Egeu e
na Ásia Menor (Lídia). Com o enfraquecimento do império,
várias satrápias se revoltaram contra o domínio persa. Inter-
namente a luta pelo poder tornou-se mais e mais violenta.
Entretanto, durante a Guerra do Peloponeso (entre Atenas e
Esparta) os persas tomaram novamente a Ásia Menor.
Com o assassinato de Dario III, um dos últimos suces-
sores do império, Alexandre Magno dominou toda a Pérsia
e suas satrápias e anexou-as ao império greco-macedônico.

90 HELP VESTIBULARES
GRÉCIA 1
I. Grécia 1 Ásia Menor e ilhas do mar Egeu. As ações bélicas deste povo
significaram também a crise da civilização creto-micênica.
Não existe uma data fixa ou sequer acordo quanto ao
período em que se iniciou e terminou a Grécia Antiga. His- 2. Homérico (1100-700 a. C.):
toriadores costumam situar a Grécia Antiga como anterior ao
império romano. Tradicionalmente, a Grécia Antiga abrange O período mais antigo da História grega recebe esse
desde os primeiros Jogos Olímpicos em 776 a.C. até à morte nome porque os poucos conhecimentos que temos sobre ele
de Alexandre em 323 a.C. A Grécia Antiga nunca foi um foram transmitidos por dois poemas, a Ilíada e a Odisseia,
estado unificado com governo único. Era um conjunto de atribuídos ao poeta grego Homero.
cidades-estados independentes entre si, com características A Ilíada narra a guerra realizada pelos gregos contra
próprias embora a maioria das cidades-estados tivessem seus Tróia (Ílion), na Ásia Menor, e a Odisseia descreve as aventu-
sistemas econômicos parecidos, excluindo-se Esparta. ras de Ulisses (Odysseus) ao tentar regressar, depois da Guer-
É importante lembrar que em 336 a.C., Alexandre, o ra de Tróia, à sua ilha natal de Ítaca, para se reunir à mulher
Grande, filho de Filipe II tornou-se rei da Macedônia e dois e ao filho.
anos depois senhor de toda a Grécia. Durante o seu curto A sociedade nos tempos homéricos estava organizada
reinado de treze anos (entre 336 e 323 a.C.), Alexandre rea- em genos. Os genos eram comunidades formadas por uma
lizou a conquista de territórios mais rápida e espetacular da numerosa família cujos membros eram descendentes de um
Antiguidade. mesmo ancestral. Todos os indivíduos da família gentílica vi-
Os antigos gregos autodenominavam-se helenos, e a viam no mesmo lar, cultuavam o mesmo antepassado e eram
seu país chamavam Hélade. Nunca chamaram a si mesmos liderados por um patriarca (pater família), que exercia o po-
de gregos nem à sua civilização de Grécia, pois ambas pa- der religioso, a chefia militar em época de guerra e era o res-
lavras são latinas, tendo-lhes sido atribuídas pelos romanos. ponsável pela organização das atividades econômicas.
A economia baseava-se na propriedade comunitária
II. Períodos da história grega da terra. Os gregos cultivavam cereais, uvas e oliveiras. Além
disso, criavam cabras, ovelhas, cavalos e vacas. Produziam
1. Pré-Homérico (+/-1900-1100 a. C): também excelente cerâmica, tecidos rústicos, armas e embar-
cações. O comércio limitava-se à simples troca de mercado-
a) Início do povoamento da Grécia: rias.
No final do Período Homérico, o crescimento de-
O povoamento da Grécia teve início por volta de mográfico e a falta de terras férteis provocavam uma cri-
2.000 a.C. Os pelágios/pelasgos foram os primeiros povos se cuja consequência foi a desagregação das comunida-
que colonizaram o território grego. A região litorânea e algu- des baseadas no parentesco. As terras coletivas foram
mas planícies continentais foram as primeiras regiões ocupa- desigualmente divididas, dando origem à propriedade pri-
das por este povo.  vada e a uma maior diferenciação entre as classes sociais.
  A sociedade passou a ser constituída por uma poderosa
b) A chegada dos indo-europeus: aristocracia rural, por um contingente de pequenos agri-
cultores e por uma maioria de pessoas que nada possuíam.
Entre os anos 2.000 a.C. e 1.200 a.C. vários povos A desagregação do sistema gentílico restabeleceu a escravi-
indo-europeus chegaram à Península Balcânica. Estes povos dão deu origem às Cidades-Estados gregas, como Corinto,
vinham das planícies indo-europeias e, aos poucos, foram do- Tebas, Mileto e, às principais, Atenas e Esparta. Portanto, as
minando os pelágios/pelasgos.  mais importantes consequências da desintegração do sistema
 Os aqueus foram os primeiros povos indo-europeus gentílico foram:
a entrarem na Grécia. A estabelecimento deste povo ocorreu
entre 2.000 a.C. e 1.700 a.C. Os aqueus se estabeleceram, • a origem da propriedade privada da terra;
principalmente, na ilha de Creta. • a origem de uma sociedade dividida em classes sociais,
 Entre 1.700 a.C. e 1.400 a.C. foi a vez dos eólios caracterizada por profundas diferenças entre a aristocracia,
ocuparem a região da Tessália (nordeste da Península dona das melhores terras, os pequenos proprietários e os sem-
Balcânica). Neste período os jônios também se fixaram no -terra, causando a segunda diáspora grega dirigida para o
território grego, ocupando a região da Ática. sul da Península Itálica (Magna Grécia);
• o restabelecimento da escravidão;
 c) Os dórios e a primeira diáspora grega: • a origem das Cidades-Estados gregas;

Os dórios, povo mais guerreiro entre todos indo-euro-


peus, invadiram a Grécia por volta de 1.200 a.C. Foram eles
os responsáveis pela primeira diáspora grega. Os povos que
já estavam estabelecidos tiveram que migrar para a costa da
HELP VESTIBULARES 91
GRÉCIA 1
3. Arcaico (700-500 a.C.) - Origem das cidades-estados:

Os gregos não se consideravam parte integrante de


uma nação, mas membros de uma cidade-estado. Essas ci-
dades nasceram do desejo de proteção dos camponeses. Eles,
para se protegerem dos ataques dos inimigos, passaram a
construir uma fortaleza numa colina central do vale. Quando
o inimigo atacava, buscavam refúgio com os animais dentro
das muralhas de madeira da fortaleza. Com o tempo as po-
pulações foram abandonando as aldeias e instalando-se perto
das muralhas. Por volta de 600 a.C., quase toda a popula-
ção da região morava em cidades construídas em volta dessas
fortalezas, onde passaram a erguer uma segunda muralha.
Surgiu assim a polis, a cidade-estado grega. Cada uma tinha
suas leis, seu governo, sua própria moeda. Às vezes, numa
pequena superfície, havia muitas cidades-estados: três numa
minúscula ilha ou cinco numa estreita planície. Sabe-se da
existência de aproximadamente 1500 cidades.
Nas cidades - Estado, o cidadão grego foi conquistan-
do direitos e contribuindo, individualmente, para a vida so-
cial. Livre para pensar e agir, sentia-se como membro da polis
e não como um objeto que pudesse ser manobrado pelos go-
vernantes. A palavra “político”, de origem grega, designava o
cidadão que participava dos destinos da polis.
Formação da polis; (o modelo das antigas cidades
gregas, possuía uma configuração espacial própria: circunda-
va a acrópole (a parte alta da cidade, destinada aos templos);
possuía um espaço central público, a ágora, onde também
se localizava o mercado; além de um gymnasion.); a coloni-
zação grega; aparecimento do alfabeto fonético, da arte e da
literatura além de progresso econômico com a expansão do
comércio, da indústria e processo de urbanização.

4. Clássico (500-338 a.C.):

O período de esplendor da civilização grega. As duas


cidades consideradas mais importantes desse período foram
Esparta e Atenas.

5. Helenístico (338-146 a.C.):

Crise da polis grega, invasão macedônica, expansão


militar e cultural helenística (fusão da cultura grega com a
oriental), a civilização grega se espalha pelo Mediterrâneo e
se funde a outras culturas.

92 HELP VESTIBULARES
GRÉCIA 2
I. Grécia 2 do Direito, por ser o primeiro código de leis escrito.

1. Atenas: b) Sólon: foi um poeta e legislador ateniense que em 594


a.C. iniciou uma reforma onde as estruturas social, política e
Atenas é uma das mais antigas cidades da Europa, econômica da polis ateniense foram alteradas. Aristocrata por
fundada no século VIII a. C, pelos Jônios e sua história é nascimento e trabalhador no comércio, fez reformas abran-
bastante ligada à história da Grécia, sendo de fundamental gentes e criou a Eclésia (assembleia popular).
importância desde os tempos da Grécia Antiga.
→ Tirania: do grego tyrannia (senhoria absoluta), foi uma
forma de governo usada em situações excepcionais na Gré-
- Localização: Península Ática cia em alternativa à democracia. Nela o chefe governava com
- Economia: evoluiu da agricultura para o comér- poder ilimitado, embora sem perder de vista que devia repre-
cio, devido a sua posição geográfica privilegiada, vol- sentar a vontade do povo.
tada para o mar, ocorreu sua expansão marítima e
fundação de colônias. Adquiriu poder comercial e → Psístrato: assumiu o poder pela força e governou entre
os comerciantes (metecos) se viram fortes para en- 546 e 527 a.C. Tomou uma série de medidas na agricultu-
frentar os eupátridas, os poderosos senhores de terra. ra, comércio e indústria que em muito contribuíram para a
- Sociedade: não militarista, em oposição a Esparta e se desta- prosperidade de Atenas, até então uma cidade de pouca im-
cava das outras cidades gregas por ter adotado a democracia. portância quando comparada com Mileto e Éfeso. Psístrato
governou Atenas até sua morte e foi sucedido pelos filhos,
Hípias e Hiparco que não governaram como o pai.
A sociedade ateniense era dividida no período de seu
apogeu em: → Iságoras: foi o último tirano e provocou uma guerra entre
• Eupátridas (alta aristocracia, com direito à cidadania, que Atenas e Esparta.
foi progressivamente abrangendo os menos ricos);
• Metecos (pequenos comerciantes, sem direitos de cidadão); 2. Democracia ateniense: Clístenes e Péricles
• Escravos. (cultivavam as terras dos eupátridas – muitas ve-
zes escravos por dívidas); a) Clístenes: Nobre ateniense que reformou a constituição
• Thetas: sem terras que deixavam o campo e migravam para da antiga Atenas em 508 a.C. A democracia implantada por
outras regiões; Clístenes ampliou a participação política que ficou restrita
• Demiurgos – artesãos – trabalhadores livres. aos cidadãos com participação direta. Instituiu o Ostracismo
– suspensão dos direitos políticos do cidadão considerado no-
→ Política: a disputa entre nobres (partido aristocrático) e civo ao Estado que seria exilado por 10 anos. Clístenes abriu
comerciantes (partido popular). Fases: monarquia, aristocra- caminho para a adoção da postura democrática de Péricles.
cia, tirania e democracia.
→ Monarquia: Rei – Basileus e um conselho chamado de b) Péricles: Estratego e político grego. Foi um dos principais
Aerópago que era formado pelos eupátridas (proprietários de líderes democráticos de Atenas e a maior personalidade polí-
terras). tica do século V a. C. Viveu durante a Era de Ouro de Atenas
→ Aristocracia: Disputa política entre nobres e comercian- e sua presença foi tão marcante que o período compreendido
tes e começa por outro lado uma luta contra a escravidão entre o final das Guerras Médicas (448 a.C.) e sua morte
por dívida. Atenas mergulhou numa crise político-social, ha- (429 a.C.) é chamado o Século de Péricles. Eleito e reeleito
via muitos escravos por dívidas por causa da concorrência várias vezes como estratego-chefe, acumulou a chefia civil e
de produtos importados, muitas hipotecas sobre as terras e a liderança militar da cidade, fazendo com que Atenas alcan-
desemprego. Como consequência dessa crise, houve necessi- çasse a maior projeção política, econômica e cultural em toda
dade de fazer uma mudança na legislação e em substituição à a sua história.
legislação oral, surge a legislação escrita.
→ Educação: Em Atenas, apesar de as mulheres também
→ Legisladores: Drácon e Sólon serem educadas para as tarefas de mãe e esposa, a educação
era tratada de outra forma, pois até mesmo nas classes mais
a) Drácon: Foi um legislador ateniense -século VII a.C. Ar- pobres da sociedade ateniense encontravam-se homens al-
conte de origem aristocrática, Drácon recebeu poderes ex- fabetizados. Eles eram instruídos para cuidarem não só da
traordinários para pôr fim a um conflito social, redigiu um mente como também do corpo, o que lhes dava vantagem na
rígido código de leis baseado nas normas tradicionais arbitra- hora da guerra, pois eram tão bons guerreiros quanto eram
das pelos juízes. As leis draconianas foram o primeiro código estrategistas.
ateniense a ser escrito e têm um importante papel na história

HELP VESTIBULARES 93
GRÉCIA 3
I. Grécia 3 3. O regime de educação espartana:

1. Esparta:

Esparta foi fundada pelos dórios.


- Localização: Península do Peloponeso/Planície da
Messênia
- Economia: agrícola com o cultivo da vinha e da olivei-
ra. Terras centrais pertencentes ao Estado (terras cívicas).
Mão de obra escrava (cedidos pelo Estado)
- Educação: militarista. Xenofóbica e lacônica (evitar o
espírito crítico)
- Estrutura política:
- Diarquia – dois reis (um militar e um religioso)
- Éforos – magistrados A educação espartana apresentava as particularida-
- Gerúsia - composto por 28 anciãos des de estar concentrada nas mãos do Estado e de ser uma
- Ápela – assembleia deliberativa, formada por cidadãos responsabilidade obrigatória do governo. Estava orientada
espartanos maiores de 30 anos. para a intervenção na guerra e a manutenção da segurança
da cidade, sendo particularmente valorizada a preparação fí-
sica que visava fazer dos jovens bons soldados e incutir um
sentimento patriótico. Nesse treinamento educacional eram
2. A sociedade espartana: muito importantes os treinamentos físicos, como salto, corri-
da, natação, lançamento de disco e dardo.
A organização social de Esparta era estamental, forte- Os homens espartanos (esparciatas) eram mandados
mente estratificada, sem qualquer possibilidade de mobilida- ao exército aos 7 anos de idade, onde recebiam educação e
de entre os três grupos existentes: aprendiam as artes da guerra e desporto. Aos doze anos, eram
abandonados em penhascos sozinhos (só contavam uns com
a) Esparciatas: Pertenciam a este grupo todos os que fossem os outros), nus (para criarem resistência ao frio) e sem comi-
filhos de pai e mãe espartanos, sendo os únicos que possuíam da (para caçarem e pescarem). Aos 18 anos, voltavam a Es-
direitos políticos (governo da cidade), constituindo o corpo parta, e até os 30 anos de idade eram considerados cidadãos
dos cidadãos. Deviam dedicar sua vida ao estado espartano, de segunda classe, sem direito a voto.
permanecendo à disposição do exército ou dos negócios pú- As mulheres recebiam educação quase igual à dos ho-
blicos. mens, participando dos torneios e atividades desportivas. O
objetivo era dotá-las de um corpo forte e saudável para gerar
b) Periecos: Eram os habitantes das cidades da periferia (que filhos sadios e vigorosos. Consistia na prática do exercício
descendiam dos povos conquistados pelos esparciatas) que es- físico ao ar livre, com a música e a dança relegadas para um
tavam integrados no Estado espartano e ao qual pagavam im- segundo plano (ao contrário do que tinha sucedido na Época
postos. Apesar de serem livres, não tinham direitos políticos Arcaica). Assim como os homens, também iam aos quartéis
e dependiam dos Espartanos em matéria de política externa. quando completavam 7 anos de idade para serem educadas
Estavam obrigados à participação na guerra. Ao contrário dos e treinadas para a guerra, mas dormiam em casa, onde rece-
Espartanos, os periecos podiam dedicar-se ao comércio e à biam da mãe aulas de educação sexual, assim que atingiam
indústria artesanal. a chamada menarca (primeira menstruação), começavam a
receber aulas práticas de sexo, para gerarem bons cidadãos
c) Hilotas: Eram os escravos, que pertencendo ao Estado es- para o estado.
partano, trabalhavam nos kleros (lotes de terra), entregando
metade das colheitas ao Espartano e eram duramente explo-
rados. Cultivavam a terra a vida inteira e não poderiam ser
expulsos de seu lugar. Levavam uma vida muito dura, sujeita
a humilhações constantes. Foram protagonistas de várias re-
voltas contra o Estado espartano.

Uma característica que deve ser aventada é o fato de


que os espartanos eram xenofóbicos, ou seja, mantinham for-
te aversão a estrangeiros.

94 HELP VESTIBULARES
GRÉCIA 4
I. Grécia 4 Consequências: Esparta derrotou Atenas e passou
virtualmente a governar toda a Grécia, mas em 371 a.C. os
1. Período Clássico: outros estados revoltaram-se e Esparta foi derrubada, apesar
de manter-se poderosa ainda durante mais duzentos anos.
O Período Clássico se inicia com a disputa territorial, Enquanto Atenas era a capital política, Esparta era a capital
nas chamadas Guerras Médicas, entre gregos e persas. As militar.
Guerras Médicas ocorreram entre os povos gregos (aqueus,
jônios, dórios e eólios) e os medo-persas, pela disputa sobre 3. Cultura:
a Jônia na Ásia Menor, quando as colônias gregas da região,
principalmente Mileto, tentaram livrar-se do domínio persa. Os gregos tinham conflitos e diferenças entre si, mas
As colônias lideradas por Mileto e contando com a ajuda de muitos elementos culturais em comum. Falavam a mesma
Atenas, tentaram sem sucesso libertar-se do domínio persa, língua (apesar dos diferentes dialetos e sotaques) e tinham
promovendo uma revolta. Estas revoltas provocaram Dario, religião comum, que se manifestava na crença nos mesmos
rei da Pérsia, a lançar seu poderoso exército sobre a Grécia deuses. Em função disso, reconheciam-se como helenos (gre-
Continental, dando início às Guerras Médicas. O que estava gos) e chamavam de bárbaros os estrangeiros que não falavam
em jogo era o controle marítimo-comercial no Mundo An- sua língua e não tinham seus costumes, ou seja, os povos que
tigo. não pertenciam ao mundo grego (Hélade).
Para se defenderem dos persas, algumas cidades-esta- Um exemplo de atividade cultural comum entre os
dos gregas organizaram a Liga de Delos (uma liga marítima gregos foram os Jogos Olímpicos. A partir de 776 a.C., de
organizada por Atenas durante as Guerras Médicas). Esparta quatro em quatro anos, os gregos das mais diversas cidades
e suas aliadas do Peloponeso não entraram na liga. A Liga de reuniam-se em Olímpia para a realização de um festival de
Delos tinha como principal objetivo a defesa das cidades gre- competições. Esse festival ficou conhecido como Jogos Olím-
gas de um ataque persa. Cada cidade contribuía com homens picos. Os jogos olímpicos eram realizados em honra a Zeus
e, principalmente, com dinheiro. (o mais importante deus grego).
Péricles de Atenas usou o dinheiro da liga para em-
belezar a sua cidade (o Partenon foi construído nessa época) 4. Legado da Grécia Antiga:
e transformá-la num grande império marítimo e comercial.
Atenas não deixou que as cidades-estados saíssem da liga, e A cultura da Grécia Antiga é considerada a base da
transformou a contribuição de dinheiro em impostos, pas- cultura da civilização ocidental. A cultura grega exerceu po-
sando a usá-lo em benefício próprio. Com isso, impulsionou derosa influência sobre os romanos, que se encarregaram de
sua indústria, seu comércio e modernizou-se, ingressando repassá-la a diversas partes da Europa. A civilização grega
numa era de grande prosperidade, e impondo sua hegemonia antiga teve influência na linguagem, na política, no sistema
ao mundo grego. educacional, na filosofia, na ciência, na tecnologia, na arte e
Os persas, entretanto, não desistiram. Dez anos depois na arquitetura moderna, particularmente durante a renascen-
voltaram a atacar as cidades gregas (2ª guerra médica). Essas, ça da Europa ocidental (foi um movimento cultural e simul-
por sua vez, esqueceram as disputas internas que existiam en- taneamente um período da história europeia, considerado
tre elas e uniram-se, vencendo os persas na Batalha de Sala- como marcando o final da Idade Média e o início da Idade
mina (480 a.C.) e na de Plateias (479 a.C.) Moderna).
A arte grega, seja arquitetura, pintura, escultura, não
2. Guerra do Peloponeso: acabou em virtude da conquista romana e mesmo com a
transição do período antigo para o medieval, ela se desen-
As relações entre Atenas e Esparta eram tensas, ain- volveu como arte helenística e, depois, como arte bizantina,
da que formalmente amigáveis durante as Guerras Médicas, constituindo a base da arte na Europa ocidental. Sua influên-
agudizando-se gradualmente a partir de 450 a.C., com lu- cia duradoura se deve à racionalidade e ao equilíbrio, à sua
tas frequentes. Atenas, dominando politicamente a Liga de tendência em privilegiar a estética do humano e da beleza.
Delos, controlava o comércio marítimo com a sua poderosa Conceitos como cidadania e democracia são gregos,
frota, desfrutando igualmente de uma boa situação financei- ou pelo menos de pleno desenvolvimento na mão dos gregos.
ra. Esparta, por seu lado, assentava a sua estratégia política Os historiadores e escritores políticos cujos trabalhos sobre-
num exército imbatível e bem treinado, respondendo à Liga viveram ao tempo eram, em sua maioria, atenienses ou pró-
de Delos com uma confederação de cidades, a Liga do Pe- -atenienses.
loponeso, que reunia, além da importante cidade marítima
de Corinto, as cidades do Peloponeso (península no sul da
Grécia) e da Grécia central. O crescente poderio e a riqueza
de Atenas preocupavam Esparta. A guerra era inevitável. Pé-
ricles, acumulou uma notável reserva financeira para suportar
um conflito em larga escala.
HELP VESTIBULARES 95
ROMA 1
I. Roma 1 Com os reis etruscos (os três últimos do quadro), a
lenda parece dar progressivamente lugar à história.
1. Civilização Romana:
- Economia: Agropastoril
A história de Roma Antiga é fascinante em função da
cultura desenvolvida e dos avanços conseguidos por esta civi- - Sociedade: Divisão baseada na posse das terras
lização. De uma pequena cidade, tornou-se um dos maiores
impérios da antiguidade. Dos romanos, herdamos uma série a) Patrícios: grandes proprietários de terra,
de características culturais. O direito romano, até os dias de b) Clientes: homens livres e pobres, viviam sob a proteção
hoje está presente na cultura ocidental, assim como o latim, dos patrícios,
que deu origem a língua portuguesa, francesa, italiana e es- c) Plebeus: estrangeiros, pequenos proprietários, artesãos,
panhola. comerciantes.

2. Origem de Roma: - Religião: Os romanos eram politeístas, ou seja, acredita-


vam em vários deuses. Grande parte dos deuses romanos foi
a) explicação mitológica - Os romanos explicavam a origem retirada do panteão grego, porém os nomes originais foram
de sua cidade através do mito de Rômulo e Remo. Segundo a mudados. Muitos deuses de regiões conquistadas também
mitologia romana, os gêmeos foram jogados no rio Tibre, na foram incorporados aos cultos romanos. Os deuses eram an-
Itália. Resgatados por uma loba, que os amamentou, foram tropomórficos, ou seja, possuíam características (qualidades e
criados posteriormente por um casal de pastores. Adultos, defeitos) de seres humanos, além de serem representados em
retornaram à cidade natal de Alba Longa e ganharam terras forma humana. Além dos deuses principais, os romanos cul-
para fundar uma nova cidade que seria Roma. tuavam também os deuses lares e penates. Estes deuses eram
cultuados dentro das casas e protegiam a família.
b) explicação histórica - De acordo com os historiadores, Principais deuses romanos: Júpiter, Juno, Apolo, Marte, Dia-
a fundação de Roma resulta da mistura de três povos que na, Vênus, Ceres e Baco.
foram habitar a região da península itálica: gregos, etruscos
e italiotas e que desenvolveram na região uma economia ba- - Política: Rei governava juntamente com o Senado.
seada na agricultura e nas atividades pastoris. A sociedade,
nesta época, era formada por patrícios (nobres proprietários a) Senado – formado por patrícios
de terras) e plebeus (comerciantes, artesãos e pequenos pro- b) Conselhos dos Anciãos – órgão formado por patrícios
prietários). com mais de 60 anos
c) Assembleia Curiata – votava as leis, aprovava as guerras,
O sistema político era a monarquia. reunia todos os cidadãos aristocratas.

3. Monarquia (753 a 509 a. C.): O último rei do período da Monarquia foi Tarquínio,
o Soberbo, rei de origem etrusca, que foi deposto pelos pa-
Situada entre sete colinas, Roma teria tido também trícios, por ter se aproximado da plebe, com a intenção de
sete reis que reinaram 245 anos, isto é, sete vezes sete lus- diminuir a força do Senado. Após sua deposição os patrícios
tros (um lustro é um período de cinco anos). Na realidade, impuseram em Roma a República, essencialmente aristocrá-
esse número é muito provavelmente uma ficção mitológica tica.
e, se alguns desses reis de fato existiram, as vidas que lhes são
atribuídas pelos historiadores antigos têm caráter inequivoca-
mente fantástico. De qualquer modo, a tradição apresenta a
seguinte sequência cronológica:

Fundação de Roma 753 a.C.


Rômulo - primeiro rei 753-715 a.C
Numa Pompílio 715-673 a.C
Tulo Hostílio 673-642 a.C.
Anco Márcio 642-617 a.C.
Tarquinio Prisco, ou o Antigo 616-579 a.C.
Sérvio Túlio 578-535 a.C.
Tarquínio, o Soberto 534-510 a.C.

96 HELP VESTIBULARES
ROMA 2
I. Roma 2 3. Assembleia Centuriata:

1. República (509 a 27 a.C.): a) Poder legislativo: exercido pelas assembleias populares,


agrupamento militar de patrícios e plebeus – reuniam-se em
Durante o período republicano, o senado Romano centúrias – grupos de 100 homens para votar algo. Votavam
ganhou grande poder político. Os senadores, de origem pa- e decidiam por maioria a eleição dos magistrados, aprova-
trícia, cuidavam das finanças públicas, da administração e da vam as leis, declaravam a guerra, aceitavam a paz. Apesar da
política externa. As atividades executivas eram exercidas pelos participação dos plebeus, as decisões eram controladas pelos
cônsules e pelos tribunos da plebe. patrícios.
A criação dos tribunos da plebe está ligada às lutas dos
plebeus por uma maior participação política e melhores con- b) Revoltas da plebe (luta entre patrícios e plebeus): proble-
dições de vida. mas sociais entre patrícios e plebeus levaram a reivindicações
dos plebeus que levaram os patrícios a ter que fazer algumas
2. Organização das instituições republicanas: concessões:

a) Senado: principal órgão – patrícios mais ilustres – cargos → Tribunos da plebe – 494 a. C.
vitalícios - conduziam a política externa, administravam as → Leis das 12 tábuas - 450 a. C. - Primeiras Leis escritas.
províncias, cuidavam das práticas religiosas e supervisiona- → Lei Canuleia – 445 a. C. – Casamento entre classes di-
vam o Tesouro público (Aerarium). ferentes.
→ Lei Licínia - Em 367 a.C, foi aprovada a Lei Licínia, que
b) Magistratura: Os magistrados exerciam o poder executi- garantia a participação dos plebeus no Consulado. Esta lei
vo, eram eleitos pela Assembleia centuriata e os cargos eram também acabou com a escravidão por dívidas (válida só para
monopolizados pelos patrícios. Mandato de 1 ano (exceto o cidadãos romanos).
censor – 5 anos) – existiam no mínimo 2 para cada função. → Lei Hortênsia – 287 a. C. – Criação do Comitium Plebis
(“Comício da Plebe”), assembleia de plebeus com o poder de
→ Cônsules: Detinham o maior poder, equivalente ao dos ratificar ou rejeitar decisões do Senado que afetassem a plebe.
antigos reis. Eram dois, eleitos para um período de um ano.
Tinham como atribuições comandar o exército, convocar o 4. Expansão interna e externa: aumento territorial
Senado e presidir os cultos. Nos períodos de crise, indicavam
um ditador, que exercia o poder de forma absoluta durante o As conquistas aos outros povos e regiões trouxeram o
período máximo de seis meses. crescimento das atividades comerciais e das negociações em
→ Pretor: Ministravam a justiça, existindo dois: um para as moeda. A riqueza se concentrou ainda mais nas mãos dos pa-
cidades, chamado de urbano, e outro para o campo e para trícios, que se apropriavam das novas terras. Isso tudo dividiu
estrangeiros, chamado de peregrino. profundamente a sociedade romana entre ricos (aristocratas)
→ Censor: Sua função era fazer o recenseamento dos cida- e pobres (plebeus), além da grande massa de escravos que ia
dãos. Calculavam o nível de riqueza de cada um e vigiavam a se formando. Também os membros do exército, enriqueci-
conduta moral do povo. dos pelas conquistas e saques, tornaram-se uma importante
→ Questor: Encarregados de administrar as finanças públi- camada social.
cas. A expansão romana iniciou-se na República (509 a
→ Edil: responsável pela administração da cidade – super- 27 a.C.), por meio das lutas contra os povos vizinhos para
visionava mercados, abastecimento gêneros alimentícios e obtenção de escravos (séculos. 5 a 3 a.C.). Depois disso, ex-
policiamento. pandiu-se para a Grécia (séc. 3 a.C.), Cartago (cidade africa-
→ Tribunos da plebe: Surgiram em decorrência das lutas na que controlava o comércio marítimo no Mediterrâneo) e
da plebe por seus direitos. Os tribunos podiam vetar todas Macedônia (com a conquista da Grécia, havia formado um
as leis contrárias aos interesses da plebe, menos em épocas de grande império), sendo estas duas cidades conquistadas no
guerras, ou de graves perturbações sociais, quando todas as séc. 2 a.C. Na sequência, o Egito, a Britânia (que correspon-
leis ficavam sob o controle exclusivo do ditador. Os tribunos de aproximadamente à atual Grã-Bretanha) e algumas regiões
da plebe eram considerados invioláveis e quem os agredisse da Europa e da Ásia foram conquistados no séc. 1 d.C.
era condenado à morte. Durante o período republicano, Roma transformou-se
de simples cidade-Estado em um grande império, voltando-
-se inicialmente para a conquista da Itália e mais tarde para
todo o mundo da orla do Mar Mediterrâneo.
Como a expansão romana provocou profundas trans-
formações na vida econômica, social e política de Roma,
dividiremos esse período em duas fases: a primeira, que se
estende até o século III a. C., identificada com a conquista da
HELP VESTIBULARES 97
ROMA 2
Itália; e a segunda, que corresponde à formação do poderoso
império mediterrâneo.

5. Guerras Púnicas (264-146 a. C.):

A expansão fora do território da Península Itálica,


após sua total unificação, teve início com as Guerras Púnicas
contra Cartago, cidade-estado fenícia localizada no Norte da
África, que por volta do século III a. C. dominava o comércio
do Mediterrâneo.
As Guerras Púnicas consistiram numa série de três
guerras que opuseram a República Romana. O adjetivo
“púnico” deriva do nome dado aos cartagineses pelos roma-
nos (Punici, de Poenici, ou seja, de ascendência fenícia).

Causa inicial: disputa pela Sicília.

Consequências: domínio romano sobre o Mediterrâneo


(Mare Nostrum); transformação da economia romana de
agropastoril em mercantil; consolidação do modo de produ-
ção escravista, exigindo novas guerras de conquista; desem-
prego e marginalização da plebe, manipulada por meio da
política do pão e circo; expansão dos latifúndios controlados
pelos patrícios; ruína dos lavradores da Itália e êxodo rural;
surgimentos dos equestres ou homens novos (plebeus enri-
quecidos com o comércio); enfraquecimento do Senado;
instabilidade política e guerras civis; surgimento do exército
como força política; influência grega sobre a civilização ro-
mana e crise da República, criando condições para o advento
do Império.

6. Crise da República:

- Tentativas de reforma agrária dos irmãos Graco (132 e 122


a. C.).
- Guerras civis entre os partidos popular e aristocrático, ma-
nipulados por políticos e militares ambiciosos.
- Primeiro Triunvirato – Júlio César, Pompeu e Crasso.
- Ditadura Perpétua de Júlio César (assassinado em 44 a. C.).
- Segundo Triunvirato – Caio Otávio, Marco Antonio e Lé-
pido. Afastamento de Lépido, derrota e morte de Marco An-
tonio e conquista do Egito por Otávio.

98 HELP VESTIBULARES
GEOGRAFIA
Categorias de análise da Geografia 1
Categorias de análise da Geografia 2
Movimentos da terra e Introdução à cartografia
Escala cartográfica e fuso horário
Eras Geológicas e ciclo das rochas
Deriva continental e tectônica das placas
Agentes internos de formação de relevo
Agentes externos de modelagem do relevo
Estruturas de relevo
Classificações do relevo brasileiro
CATEGORIAS DE ANÁLISE DA GEOGRAFIA 1
I. Categorias de Análise da Geografia 1 sempre essas fronteiras são visíveis ou muito bem definidas,
pois a conformação de um território obedece a uma relação
1. Paisagem, território, região e lugar: de poder, podendo ocorrer tanto em elevada abrangência (o
território de um país, por exemplo) quanto em espaços me-
A Geografia, assim como várias outras ciências, uti- nores (o território dos traficantes em uma favela, por exem-
liza-se de categorias para basear os seus estudos. Trata-se da plo).
elaboração e utilização de conceitos básicos que orientem o
recorte e a análise de um determinado fenômeno a ser estuda-
do. Por exemplo, um estudo geográfico sobre determinadas
disputas geopolíticas pode ser realizado tendo como base o
conceito de território, que seria uma categoria a ser utilizada
como uma forma de se enxergar o estudo.
Atualmente, além do espaço geográfico, principal ob-
jeto de análise da Geografia, e definido como todo espaço
modificado pelo trabalho ou intervenções humanas e pal-
co das relações sociais, existem quatro principais conceitos
que se consolidaram como categorias geográficas: território,
região, paisagem e lugar. A seguir, uma breve conceituação de
cada uma delas:
Na imagem, de Oeste para Leste: Rocinha, Vidigal, Le-
a) Paisagem: refere-se às configurações externas do espaço. blon, Ipanema e Copacabana.
Por muitas vezes, ela foi definida como “aquilo que a visão al-
cança”. Porém, essa definição desconsidera as chamadas “pai- c) Região: é uma área, ou espaço, que foi dividida obedecen-
sagens ocultas”, ou seja, aqueles processos e dinâmicas que do a um critério específico. Trata-se de uma elaboração ra-
são visíveis, mas que de alguma forma foram ocultados pela cional humana para melhor compreender uma determinada
sociedade. Além disso, tal definição também peca por apenas área ou um aspecto dela. Assim, as regiões podem ser criadas
considerar o sentido da visão como preceptora do espaço, para realizar estudos sobre as características gerais de um ter-
cabendo a importância dos demais sentidos, com destaque ritório (as regiões brasileiras, por exemplo) ou para entender
para a audição e o olfato. Dessa forma, podemos afirmar, de determinados aspectos do espaço (as regiões geoeconômicas
maneira simples e direta, que o conceito de paisagem se re- do Brasil para entender a economia brasileira). Regiões po-
fere às manifestações e aos fenômenos espaciais que podem dem ser criadas para a divisão de uma área a partir de suas
ser apreendidos pelo ser humano através de seus sentidos. O práticas culturais ou por suas diferentes paisagens naturais,
geógrafo Azis Ab’Saber compreendeu a paisagem como sen- entre outros critérios.
do uma herança, resultado de uma relação entre os processos
passados e os atuais. Assim, os processos passados foram os d) Lugar: é uma categoria muito utilizada por aqueles pensa-
responsáveis pela compartimentação regional da superfície, dores que preferem construir uma concepção compreensiva
enquanto que os processos atuais respondem pela dinâmica da Geografia. Grosso modo, o lugar pode ser definido como
atual das paisagens. o espaço percebido, ou seja, uma determinada área ou ponto
do espaço da forma como são entendidos pela razão humana.
Seu conceito também se liga ao espaço afetivo, aquele local
em que uma determinada pessoa possui certa familiaridade
ou intimidade, como uma rua, uma praça ou a própria casa.

b) Território: é classicamente definido como sendo um es-


paço delimitado. Tal delimitação se dá através de fronteiras,
sejam elas definidas pelo homem ou pela natureza. Mas nem

HELP VESTIBULARES 101


CATEGORIAS DE ANÁLISE DA GEOGRAFIA 2
I. Categorias de Análise da Geografia 2 que, para as ações humanas, diversas possibilidades eram
possíveis, uma vez que essas não obedeceriam a uma relação
1. Rede, escala, natureza, sociedade, Determinismo e Pos- entre causa e efeito.
sibilismo:
Ambos coexistem simultaneamente. O que difere a
a) Rede: de acordo com Milton Santos, redes geográficas são intensidade de cada um em uma determinada sociedade é o
formadas por um conjunto de pontos fixos interligados por nível tecnológico disponível a ela.
meio dos fluxos. Nesse ínterim, formam-se diversos tipos e
subtipos, como as redes de transportes, as digitais, as urba-
nas, entre outros exemplos. Podemos entender as redes geo-
gráficas como um conjunto de locais da superfície terrestre
conectados ou interligados entre si. Essas conexões podem
ser materiais, digitais e culturais, além de envolver o fluxo de
informações, mercadorias, conhecimentos, valores culturais e
morais, entre outros.

b) Escala: o conceito de escala geográfica refere-se à amplitu-


de do fenômeno estudado, ou seja, o tamanho da área afetada
por determinado fenômeno. Assim, a escala geográfica pode
variar, de modo crescente, do local ao global, passando pelos
níveis regionais e continentais.

c) Natureza: conjunto de elementos, dinâmicas e processos


que se desenvolvem no tempo geológico e, por isso, possui
dinâmica própria que independe da ação humana.

d) Sociedade: é um conjunto de seres que convivem de for-


ma organizada. A palavra vem do Latim societas, que significa
“associação amistosa com outros”. Pressupõe uma convivên-
cia e atividade conjunta do homem, ordenada ou organizada
conscientemente. O conceito de sociedade se contrapõe ao
de comunidade ao considerar as relações sociais como víncu-
los de interesses conscientes e estabelecidos, enquanto as re-
lações comunitárias se consideram como articulações orgâni-
cas de formação natural. É preciso lembrar, no entanto, que
essas categorias e conceitos não são exclusivos da Geografia,
podendo ter outros significados quando utilizados em outras
ciências ou pelo senso comum.

d) Determinismo geográfico (Friedrich Ratzel) - o homem


seria produto do meio, ou seja, as condições naturais é que
determinam a vida em sociedade. O homem seria escravo do
seu próprio espaço e obrigado a adaptar-se a ele.

e) Possibilismo Geográfico (Vidal de LaBlache) – o ho-


mem invariavelmente transforma o meio onde vive, de forma

102 HELP VESTIBULARES


MOVIMENTOS DA TERRA E INTRODUÇÃO À CARTOGRAFIA
I. Movimentos da terra e Introdução à Cartografia

1. Rotação:

É o movimento que a Terra executa em torno de si


mesma ou do seu eixo imaginário. O movimento acontece
no sentido oeste-leste, a uma velocidade média de 463m/s ou
aproximadamente 1.666 km/k, na altura da Linha do Equa-
dor. Aonde tal velocidade vai diminuindo quando se desloca
para os polos. A Terra leva 23 horas, 56 minutos e 4 segun-
dos para completar uma volta em torno si mesma, ou seja,
aproximadamente 24 horas podendo afirmar que se concluiu
1 dia.
A maior consequência deste movimento é a sucessão
dos dias e das noites. Porém, o Sol não consegue iluminar 3. Características:
toda a Terra uniformemente. Logo, pontos da Terra que nes-
te exato momento estão iluminados, estão se contrapondo a - Uma volta completa dura 365 dias e 6 horas;
outros que estão na penumbra (sombra), ou seja, na noite. - A distância percorrida pela Terra, com uma volta completa,
Por causa dessa desigualdade surge a necessidade da é de 930 milhões de quilômetros;
criação de um mecanismo para a padronização do tempo, - Velocidade média da Terra nesse percurso é de 29,9 km/s;
denominada de Fuso-Horário.
4. Consequências:
- Ocorrência das estações do ano.
- Variação do fotoperíodo

II. As Estações do Ano

Elas acontecem devido ao movimento de translação


em conjunto com existência da inclinação de 23°27’ do eixo
terrestre em relação ao plano da elíptica. Logo temos,

1. Equinócios: dias e noites iguais; ocorre aproximadamente


em 21 de março (início do outono, para o hemisfério sul, ou
da primavera, para o hemisfério norte) e em 23 de setembro
(início da primavera para o hemisfério sul, ou do outono,
2. Translação: para o hemisfério norte). Neste momento o Sol encontra-se
perpendicular (90°), ao meio dia, na Linha do Equador e am-
É o deslocamento da Terra ao redor do Sol (órbita). bos os hemisférios recebem a mesma quantidade de radiação,
A execução do movimento é caracterizada por uma elipse apresentando em todas as suas regiões um fotoperíodo de 12
(forma ligeiramente oval). Por isso, que a distância entre a horas, sem variação.
Terra e o Sol varia de acordo com a época do ano sendo
147,1 milhões de km no periélio (ponto da Terra mais pró- 2. Solstícios:
ximo do Sol), enquanto que no afélio (ponto da Terra mais
afastado do Sol) a distância é de 152,1. Verão (21/12 para o sul e 21/06 para o norte): dias mais lon-
gos que as noites

Inverno (21/06 para o sul e 21/12 para o norte): noites mais


longas que os dias

HELP VESTIBULARES 103


MOVIMENTOS DA TERRA E INTRODUÇÃO À CARTOGRAFIA
III. Orientação e Localização

1. Orientação:

A necessidade de localizar-se e orientar-se no espaço


geográfico é de grande relevância para o homem e suas ativi-
dades em diferentes períodos da humanidade. Todos os meios
de orientação, desde a utilização de astros e estrelas, passando
pela bússola até o GPS (Sistema de Posicionamento Global),
contribuíram com as navegações em busca de novas terras,
com as rotas comerciais, guerras e muitas outras aplicações.
Existem diversas formas de orientação, uma delas é a
dos pontos cardeais. Pontos cardeais correspondem aos pon-
tos básicos para determinar as direções e são concebidos a
partir da posição na qual o Sol se encontra durante o dia.
Os quatro pontos são:

Norte (sigla N), denominado também de setentrional ou bo- 2. Localização: as Coordenadas Geográficas:
real;
Sul (S), chamado igualmente de meridional ou austral; Os paralelos são circunferências completas que
Oeste (O ou W), conhecido também como ocidente; representam as latitudes que variam em graus, a partir do
e Leste (E), intitulado de oriente. Equador, de 0° (o próprio Equador) a 90° para norte e para
sul (polos). A distância em graus a partir do Equador é a lati-
Para estabelecer uma direção mais precisa são usados tude. A linha do Equador divide a Terra em dois hemisférios,
os pontos que se encontram no meio dos pontos cardeais. hemisfério Norte e hemisfério Sul.
Esses pontos intermediários são denominados de pontos co-
laterais:

Sudeste (entre sul e leste e sigla - SE);


Nordeste (entre norte e leste - NE);
Noroeste (entre norte e oeste - NO);
Sudoeste (entre sul e oeste - SO).

Existem ainda maneiras mais precisas de orientação,


oriundas dos pontos cardeais e colaterais. Nesse caso, refere-
-se aos pontos subcolaterais que se encontram no intervalo
de um ponto cardeal e um colateral e que totalizam oito pon-
tos. São eles:

Norte-nordeste (sigla NNE);


Norte-noroeste (NNO);
Este-nordeste (ENE);
Este-sudeste (ESE); Meridianos são semicircunferências traçadas de forma
Sul-sudeste (SSE); a ligar os dois polos da Terra. Todos têm o mesmo tamanho e
Sul-sudoeste (SSO); qualquer um pode ser utilizado para se dividir o planeta em
Oeste-sudoeste (OSO); duas porções iguais: hemisfério ocidental (a Oeste) e he-
Oeste-noroeste (ONO). misfério oriental (a Leste). Como meridiano de referência
(0°), convencionou-se adotar o que passa pelo Observatório
Astronômico de Greenwich, em Londres (Inglaterra) e a par-
tir dele se divide a Terra em dois hemisférios: Ocidental (a
oeste) e oriental (a leste).
Os demais meridianos são identificados por sua
distância, medida em graus, em relação ao meridiano de
Greenwich. Essa distância é o que chamamos de longitude e
varia de 0° a 180°, tanto para Leste quanto para Oeste.

104 HELP VESTIBULARES


MOVIMENTOS DA TERRA E INTRODUÇÃO À CARTOGRAFIA
Assim, é necessário priorizar o que se pretende repre-
sentar para que as falhas sejam diminuídas.
Quanto às características preservadas, as projeções po-
dem ser:

- Equidistantes: preservam as distâncias entre os pontos em


detrimento dos contornos e das proporções de área.

Coordenadas geográficas são a intersecção de linhas


imaginárias (paralelos e meridianos) traçadas por todo o
planeta com o objetivo de localizar qualquer ponto do globo
terrestre (através da latitude (N/S + -) e longitude (E/W
+-).

- Equivalentes: preservam a proporção entre as áreas em de-


trimento dos contornos e das distâncias.

IV. Projeções Cartográficas.

Os mapas são representações do espaço real, construí-


dos a partir de normas e técnicas impostas pela cartografia, Projeção de Peeters
tida como a ciência e a arte de representar a superfície ter-
restre. - Conformes: preservam os contornos e as formas em detri-
Para representar o espaço é necessário utilizar uma mento das distâncias e das proporções de área.
projeção cartográfica, que consiste em um tipo de traçado
sistemático de linhas numa superfície plana, destinado à re-
presentação de paralelos de latitude e meridianos de longitu-
de da Terra ou de parte dela, sendo a base para a construção
dos mapas.
A representação de um objeto tridimensional, como
a Terra, exige técnicas complexas de engenharia cartográfica
e impõe, obrigatoriamente, erro, falhas e deformações que
podem estar relacionadas a áreas, contornos ou distâncias.
Desta forma, não existe técnica capaz de criar uma re-
presentação perfeita do espaço e, portanto, não existe mapa
perfeito. Todos apresentam erros.

Planisfério de Mercator

HELP VESTIBULARES 105


MOVIMENTOS DA TERRA E INTRODUÇÃO À CARTOGRAFIA
Quanto à técnica utilizada, as projeções podem ser: ção, são os de população, PIB, exportação de produtos ma-
nufaturados, mortalidade, etc.
- Projeção Cilíndrica: O plano da projeção é um cilindro A cartografia por anamorfose é um instrumento inte-
envolvendo a esfera terrestre. Após realizada a projeção dos ressante para as análises comparativas e é também “um docu-
paralelos e meridianos do globo para o cilindro, este é aberto mento de comunicação e não uma representação do mundo
ao longo de um meridiano, tornando-se um plano sobre o real” (Langlois Denain, 1996).
qual será desenhado o mapa.

- Projeção Cônica: O plano da projeção é um cone envol-


vendo a esfera terrestre. Os paralelos são círculos concêntri-
cos e os meridianos retos convergem para o polo.

Área dos países (acima) comparada ao PIB (abaixo)

- Projeção Plana ou Azimutal: O plano da projeção é um


plano tangente à esfera terrestre. Os paralelos são círculos
concêntricos e os meridianos retos irradiam-se do polo.

V. Um caso especial: Anamorfoses


Estados Brasileiro: % em ralação ao PIB
São mapas esquemáticos, sem escala cartográfica, re-
presentações em que as áreas sofrem deformações matemati- VI. Curvas de Nível
camente calculadas, tornando-se diretamente proporcionais a
um determinado critério que se está considerando. Curva de nível é o nome usado para designar uma li-
Em Geografia usamos essa técnica para representar nha imaginária que agrupa um conjunto de pontos que pos-
cartograficamente temas e visualizá-los de forma diferente da suem a mesma altitude. Por meio dela são confeccionados
habitual. A superfície de cada espaço cartografado vai mudar os mapas topográficos, pois a partir da observação o técnico
proporcionalmente segundo uma determinada variável. Os pode interpretar suas informações através de uma visão tridi-
dados estatísticos, normalmente aplicados nessa transforma- mensional do relevo.

106 HELP VESTIBULARES


MOVIMENTOS DA TERRA E INTRODUÇÃO À CARTOGRAFIA
Uma curva de nível refere-se a curvas altimétricas ou
linhas isoípsas (ligam pontos de mesma altitude), essa é a
mais eficiente maneira de representar as irregularidades da
superfície terrestre (relevo).
Quanto mais próximas estiverem as curvas de nível,
mais inclinado é o terreno representado.
No mesmo mapa, a distância entre as curvas é sempre
a mesma. Nos exemplos abaixo temos o primeiro esquema
com razão de 20m de altitude e o segundo esquema com
razão de 50m de altitude.

HELP VESTIBULARES 107


ESCALA CARTOGRÁFICA E FUSO HORÁRIO
I. Escala Cartográfica e Fuso Horário Quanto ao Quanto a repre- Escala Aplicações
tamanho sentação
1. Escala cartográfica: Escala grande Escala de de- até 1 : 25.000 Plantas cadas-
talhe trais
Escala cartográfica é a relação matemática que indica Escala média Escala de semi- de 1 : 25.000 Cartas cartográ-
quantas vezes o objeto real foi diminuído para que pudesse -detalhe até ficas
ser feita sua representação (mapa).
1 : 250.000
As escalas podem ser:
Escala peque- Escala de reco- de 1 : 250.000 Cartas carto-
na nhecimento e menores gráficas
- Numérica: expressa em forma de frações ordinárias (1/500
000) ou proporção (1: 500 000). No caso deste exemplo, 1 ou de síntese e cartas gerais
representa o tamanho original do objeto e 500 000 represen-
ta quantas vezes o objeto foi reduzido. Na escala numérica a
relação entre numerador e denominador é sempre de centí-
metro para centímetro. Se a escala for 1: 30 000, quer dizer
que 1cm do mapa representa 30 000cm reais.

- Gráfica: apresenta valores diretos representados em uma


barra graduada (como uma espécie de régua).

Neste exemplo, cada segmento da escala gráfica representa


3Km do terreno real.

- Escala Grande e Escala Pequena

Classificam-se escalas como grandes ou pequenas ana-


lisando seu denominador de fração; quanto maior o denomi-
nador, menor a escala; quanto menor o denominador, maior
a escala. Escalas grandes são adequadas para representar pe- Piraju – Escala Grande
quenas áreas, como um bairro. Escalas pequenas são adequa-
das para representar grandes áreas, como países, continentes
e o mundo.
Assim, entre 1: 100 e 1:100 000, a maior escala é a
primeira, já que o objeto real foi reduzido apenas 100 vezes.
No segundo exemplo, o objeto foi reduzido 100 mil vezes e,
portanto, a escala é menor (mil vezes).
Outra característica ligada ao tamanho das escalas é a
riqueza de detalhes. Então, quanto maior for a escala (menos
redução do objeto real), mais riqueza de detalhes.
A tabela a seguir aponta a relação de tamanho das es-
calas e sua utilização.

Piraju – Escala Pequena

108 HELP VESTIBULARES


ESCALA CARTOGRÁFICA E FUSO HORÁRIO
- Calculando escalas

Todos os cálculos em escala se resolvem através de re-


gra de três simples. É necessário conhecer as conversões mé-
tricas.

Para resolver as questões de cálculo envolvendo escala, bas- - Os fusos horários brasileiros:
ta substituir o dado corretamente na regra de três montada
abaixo:

1 ------ E
d ------ D

onde:

1 é o numerador da escala e nunca será trocado;


d é a distância cartográfica (no mapa) - LID – LINHA INTERNACIONAL DA DATA
D é a distância real (no terreno)
E é o valor da escala com as devidas conversões métricas. O meridiano escolhido para iniciar o novo dia foi o
de 180°, o antimeridiano internacional, que é considerado a
2. Fusos Horários: linha internacional da data, pois nele se processa a mudança
de um dia para o outro. Cruzando esta linha no sentido oes-
Os fusos são o resultado da divisão da circunferência te-leste acrescenta-se um dia (24h) à data atual e, se inverter
terrestre (360°) pelas 24 horas do dia. Isto é: o sentido (leste-oeste), deve-se subtrair um dia.

Fuso Horário = (360°)/24h

– Logo, temos que: 1 Fuso Horário = 15°, que por sua vez é
= 1h.

1F = 1h = 15°

A partir do meridiano de Greenwich, são estabelecidos 24


fusos horários, com 15° cada um;
São 12 fusos para leste e 12 para oeste;
Dentro de um fuso, todos os lugares possuem a mesma hora;
Para leste as horas aumentam; para oeste as horas diminuem.

HELP VESTIBULARES 109


ERAS GEOLÓGICAS E CICLO DAS ROCHAS
I. Eras Geológicas e Ciclo das Rochas No período Carbonífero inicia-se o processo de for-
mação das jazidas de petróleo e carvão de todo o planeta e,
1. Eras Geológicas: no Brasil, o processo de sedimentação da Bacia do Paraná.
No final do Período Permeano inicia-se a Deriva Con-
Através de estudos litoestratigráficos, estima-se que a tinental, processo que, através da Tectônica de placas, se-
Terra tenha cerca de 4,6 bilhões de anos. parou o antigo supercontinente chamado Pangeia e criou a
Todo este tempo foi dividido em Eons, Eras, Períodos, atual configuração das terras do planeta.
Épocas e Idades.
A alternância das eras geológicas foi definida através de - Mesozoica:
alterações significativas na crosta terrestre, sendo classificadas
em cinco eras geológicas distintas: Arqueozoica, Proterozoi- Iniciou-se a cerca de 250 milhões de anos e subdivide-
ca, Paleozoica, Mesozoica e Cenozoica. -se nos períodos Triássico, Jurássico e Cretáceo. Caracterizada
Para entender a sequência temporal, parte-se da era por intenso vulcanismo com derrame de lavas em várias par-
mais antiga para a mais recente, ou seja, da Arqueozoica para tes do globo, criando rochas como o basalto. O maior destes
a Cenozoica. derrames de lava é chamado Derrame de Trapp e deu origem
à cobertura de basalto encontrada em grande parte da Bacia
- Arqueozoica: Sedimentar do Paraná.

Caracterizada pela formação da crosta terrestre, e dos


escudos cristalinos compostos por rochas magmáticas, onde
encontramos as mais antigas formações de relevo. No Brasil,
marca o início da formação das Serras do Mar e da Man-
tiqueira e parte dos planaltos Residuais Norte-Amazônicos.
Esta era teve início a aproximadamente 4 bilhões de anos
atrás.

- Proterozoica:

Iniciou-se a cerca de 2,5 bilhões de anos e encerrou-


-se há 550 milhões de anos. Neste período ocorreu intensa
atividade vulcânica, promovendo o deslocamento do magma
do interior da Terra para a superfície, originando os grandes Área do Derrame de Trapp no Brasil
depósitos de minerais metálicos, como, por exemplo, ferro,
manganês, ouro, etc. No Brasil, marca a formação das Serras Apresenta processo de sedimentação dos fundos mari-
do Espinhaço, de Carajás, do Navio e do Maciço do Urucum. nhos, que originou grande parte das jazidas petrolíferas hoje
Na era geológica do Proterozoico ocorreu grande acú- conhecidas.
mulo de oxigênio na atmosfera. Também ficou caracterizada Na era Mesozoica dá-se a conclusão da divisão do su-
pelo surgimento das primeiras formas de vida unicelulares percontinente Pangeia.
avançadas. Apresenta, também, o surgimento de grandes répteis,
surgimento de animais mamíferos, desenvolvimento de flores
- Paleozoica: nas plantas.
Ocorreu entre 550 a 250 milhões de anos atrás. Nesta - Cenozoica:
era, a superfície terrestre passou por grandes transformações.
É a era onde se inicia o processo de erosão e sedimentação Essa era geológica está dividida em dois períodos: Ter-
que dá origem a rochas sedimentares. Apresenta formação de ciário (aproximadamente 60 milhões de anos atrás) e Quater-
grandes florestas, glaciações, surgimento dos primeiros inse- nário (1 milhão de anos atrás).
tos e répteis.
Subdivide-se em dois períodos: - Terciário: Caracterizado pelo intenso movimento da crosta
terrestre, fato que originou os dobramentos modernos, com
- Paleozoico Inferior (mais antigo) subdividido nos períodos as mais altas cadeias montanhosas da Terra, como os Andes
Cambriano, Ordoviciano e Siluriano; (América do Sul), os Alpes (Europa) e o Himalaia (Ásia).
- Paleozoico Superior (mais recente) subdividido nos perío- Nessa era geológica surgiram aves, várias espécies de mamífe-
dos Devoniano, Carbonífero e Permeano. ros, além de primatas.

110 HELP VESTIBULARES


ERAS GEOLÓGICAS E CICLO DAS ROCHAS
- Quaternário: Era geológica que teve início há cerca de 1
milhão de anos e perdura até os dias atuais. As principais
ocorrências nesse período foram: grandes glaciações; atual
formação dos continentes e oceanos; surgimento do homem.

II. Estrutura Interna das Rochas

A divisão mais comum da estrutura interna da Terra é


a proposta por John Gribbih, que segue:

3. Núcleo:

Também chamado de Nife (níquel + ferro) ou Barisfe-


ra. Detém 32,7% da massa da Terra e subdivide-se em núcleo
interno (sólido) e núcleo externo (líquido).

III. Tipos de Rochas.


1. Crosta ou Litosfera:
De acordo com sua origem, as rochas podem ser classifi-
É a parte externa sólida da estrutura terrestre formada cadas como: magmáticas, sedimentares e metamórficas.
por rochas menos densas que o manto logo abaixo. Representa
0,7% da massa da Terra. 1. Magmáticas: Surgem do resfriamento direto do Magma.
A crosta subdivide-se em: Subdividem-se em magmáticas intrusivas e magmáticas ex-
trusivas.
- Sima – parte inferior composta por silício e magnésio com
até 100 Km de espessura. - Rochas Magmáticas Intrusivas (plutônicas ou abissais):
- Sial – parte superior composta por silício e alumínio com Seu processo de resfriamento é lento e dá-se abaixo da su-
até 25 Km de espessura. O Sial subdivide-se em solo e sub- perfície da crosta, originando rochas de extrema dureza e que
solo. apresentam cristais de minerais visíveis a olho nu. O granito
é um exemplo de rocha magmática intrusiva.

A crosta continental é mais antiga, com aproximada-


mente 3,5 bilhões de anos. Já a crosta oceânica tem cerca de
200 milhões de anos.
- Rochas Magmáticas Extrusivas (vulcânicas ou efusivas):
2. Manto:
Seu processo de resfriamento é rápido e dá-se acima da su-
perfície da crosta, em contato direto com a atmosfera. Não
Camada intermediária entre o núcleo e a crosta, com-
é possível identificar e diferenciar os cristais de minerais em
posta por material pastoso chamado magma. Subdivide-se
sua estrutura a olho nu. O Basalto é um exemplo e rocha
em manto inferior, zona de transição, manto superior e aste-
magmática extrusiva.
nosfera. Representa 68,3% da massa da Terra.
HELP VESTIBULARES 111
ERAS GEOLÓGICAS E CICLO DAS ROCHAS

Mina de Calcário
2. Rochas Sedimentares: Surgem do processo de litificação
de sedimentos acumulados em áreas deprimidas do relevo. - Rochas Sedimentares Químicas: São concreções de mine-
Subdividem-se em clásticas, orgânicas e químicas. rais ocorridas nos continentes, como o sal-gema. O processo
ocorre na medida em que a água evapora e deixa acumulados
- Rochas Sedimentares Clásticas (detríticas): São compos- os sais que carregava consigo. As estalactites e estalagmites
tas apenas por sedimentos vindos de outras rochas pré-exis- encontradas em cavernas também são exemplos de rochas se-
tentes, ou seja, de origem estritamente mineral. Exemplos: dimentares químicas.
arenito, tilito, siltito e argilito.

Arenito Sal-gema

A principal característica visual de uma rocha sedi-


mentar é sua estruturação em camadas paralelas sobrepostas,
dando a aparência de uma bolacha wafer.

- Rochas Sedimentares Orgânicas: São compostas por uma


mistura de sedimentos de origem mineral e de origem orgâ-
nica (restos mortais de seres vivos) compactados e litificados.
Exemplo: carvão mineral, calcário e petróleo.

Estalactites (no alto) e estalagmites (em baixo)

3. Rochas Metamórficas: São rochas pré-existentes (protoli-


tos) que sofreram profundas alterações em sua estrutura física
devido ao aumento significativo de pressão e temperatura.
Sua estrutura aquece-se excessivamente fazendo com que seus
minerais se rearranjem no sentido contrário ao da pressão
formando listras.
Carvão Mineral

112 HELP VESTIBULARES


ERAS GEOLÓGICAS E CICLO DAS ROCHAS

O ganisse e o mármore são exemplos de rochas me-


tamórficas.

Ganisse

IV. Ciclo das Rochas

HELP VESTIBULARES 113


DERIVA CONTINENTAL E TECTÔNICA DAS PLACAS
I. Deriva Continental e Tectônica de Placas Segundo tal teoria, o magma da astenosfera seria o res-
ponsável pela movimentação das placas através de sua con-
No século XVII, Francis Bacon notou a semelhança de vecção, empurrando as placas tectônicas em várias direções.
contornos entre a América do Sul e a África, sem, no entanto, O esquema abaixo representa o movimento de con-
conseguir comprovar suas hipóteses. vecção do magma na astenosfera
Em 1912, Alfred Wegener demonstrou através de es-
tudos litoestratigráficos (estudo de registros nas camadas de
rochas) que o litoral sul americano e o litoral africano tinham
rochas que apresentavam as mesmas características de forma-
ção, composição química, fósseis e idades e que, com o passar
do tempo geológico, foram se afastando lentamente até for-
mar os continentes que hoje conhecemos. Estava comprova-
da a teoria da Deriva Continental.
Segundo Wegener, os continentes como conhecemos
hoje formavam um antigo supercontinente chamado Pangeia Convecção do magma na astenosfera.
envolto por um único megaoceano chamado Pantalassa. No
final do período Jurássico, a Pangeia dividiu-se em duas par- As placas tectônicas movimentam-se em várias dire-
tes: ções, afastando-se em algumas áreas, encontrando-se em ou-
tras ou movendo-se paralelamente em sentidos opostos como
- Laurásia (ao norte): composta pelas atuais América do Nor- mostra o esquema abaixo:
te, Ásia e Europa;
- Gondwana (ao sul): composta pelas atuais áreas da América
do Sul, Austrália, África, Antártica e Índia;

A sequência destas movimentações, ao longo das eras


geológicas, produziu a configuração dos continentes atuais.

Estas movimentações produzem áreas de contato entre


as placas que podem ser:

1. Limites Convergentes:

Quando as placas se movimentam no sentido de cho-


carem-se uma contra a outra.

Movimentação proposta pela Deriva Continental

O que Wegener não conseguiu explicar foi como as


placas tectônicas se moviam.
Esta dúvida só foi solucionada após a II Guerra Mun-
dial, quando estudos realizados por pesquisadores norte-a-
mericanos, instigados por registros de temperaturas muito Limite convergente entre placas continentais
acima do normal no leito do Oceano Atlântico, propuseram
uma teoria que explicaria a mecânica dos movimentos das
placas tectônicas.

114 HELP VESTIBULARES


DERIVA CONTINENTAL E TECTÔNICA DAS PLACAS

Limite convergente entre placas oceânica e continental

Nestas áreas de limites convergentes ocorre um fenô-


meno chamado orogênese, responsável pelo surgimento de
cadeias montanhosas e pela ocorrência de vulcanismo. Terre-
motos são muito frequentes em áreas orogenéticas. A Falha de San Andreas é resultado de um limite con-
servativo.
2. Limites Divergentes:

Placas tectônicas movem-se no sentido de afastarem-se


uma da outra.
Nestas áreas ocorre o extravasamento do magma e a
formação de novas estruturas rochosas que podem dar origem
a cadeias de montanhas submarinas como a Dorsal Atlântica
ou falhas tectônicas como o Rift Valley africano.

Limites Conservativos (ou transformantes)

As placas se movem paralelamente e em sentido con-


trário, sem afastarem-se ou chocarem-se. Nestas áreas é fre-
quente a ocorrência de terremotos e o metamorfismo de ro-
chas.

HELP VESTIBULARES 115


AGENTES INTERNOS DE FORMAÇÃO DE RELEVO
I. Agentes Internos de Formação de relevo O vulcanismo é o principal responsável pela formação
de novas rochas magmáticas.
1. A dinâmica da formação do relevo:
3. Tectonismo:
A superfície terrestre não é estável, apesar de aparentar
estabilidade. São movimentos internos da crosta que resultam em
O relevo que percebemos na paisagem é resultado das novas estruturas de relevo. Estes movimentos são classificados
ações contínuas, simultâneas e inter-relacionadas entre agen- em:
tes internos (endógenos) e externos (exógenos) de formação
de relevo. Os agentes internos são vulcanismo, tectonismo e - Orogenéticos: rápidos e restritos às áreas de encontro con-
terremotos. vergente de placas tectônicas. A pressão resultante do cho-
São responsáveis pela FORMAÇÃO de novas rochas que entre as placas provoca dobramentos na crosta gerando
e novas estruturas. soerguimento de estruturas que dão origem aos dobramentos
modernos.
2. Vulcanismo:

Considera-se vulcanismo todo processo capaz de tra-


zer à superfície material do interior do planeta, esteja ele em
estado sólido, líquido ou gasoso.
O vulcanismo pode ocorrer através de fissuras na cros-
ta ou de crateras.

- Epirogenéticos: são lentos e abrangem áreas continentais.


Funcionam pelo princípio da isostasia, onde um corpo sólido
que flutua em ambiente fluido busca equilíbrio. Mudanças
de peso na estrutura podem causar desequilíbrio momentâ-
neo que será equalizado tal qual um efeito “gangorra”. A epi-
rogênese pode causar elevações ou rebaixamento de grandes
áreas de terreno ou avanços e recuos do nível dos mares além
de alterar o curso ou a direção de rios.

Vulcanismo fissural

No esquema anterior, temos o exemplo de soergui-


Vulcanismo de cratera mento da crosta conforme a geleira derrete. Com o desa-
parecimento da geleira, o peso sobre a estrutura da crosta
diminui, fazendo com que a estrutura se eleve em busca do
equilíbrio.

116 HELP VESTIBULARES


AGENTES INTERNOS DE FORMAÇÃO DE RELEVO
4. Terremotos ou abalos sísmicos:

Vibrações na superfície da Terra causadas por dissipa-


ção de energia proveniente de fraturas de estruturas rochosas
ou acomodações de massa.
Ondas sísmicas são ondas mecânicas e precisam de
meio físico para se propagarem. Quanto mais denso o meio
físico, maior a distância percorrida pela onda e menor o dano
causado na superfície.
Terremotos são medidos, geralmente, através de duas
escalas:

- Richter: mede através de aparelhos a força gerada pelo tre-


mor a partir do epicentro. Vai de 1 a 9. Cada nível é dez vezes
maior que o anterior, ou seja, 2 é 10x maior que 1; 3 é 10x
maior que 2 e assim sucessivamente.

- Mercalli: mede visualmente a destruição na superfície cau-


sada por um terremoto. Vai de 1 a 12.

HELP VESTIBULARES 117


AGENTES EXTERNOS DE MODELAGEM DO RELEVO
I. Agentes Externos de Modelagem do Relevo

Os agentes externos atuam na modelagem do relevo,


ou seja, no desgaste das estruturas criadas pelos agentes for-
madores. São eles: águas correntes (rios, enxurradas e torren-
tes), oceanos, geleiras, ventos e os seres vivos.

1. Intemperismo:

É um conjunto de ações de agentes mecânicos, químicos


e biológicos sobre as rochas e os minerais desagregando-os
(quebrando-os) e decompondo-os. O intemperismo pode ser
físico, químico e biológico.

- Intemperismo Físico:

Resultado da ação mecânica dos agentes externos


- Intemperismo Biológico:
atuando no sentido de desagregar as rochas, ou seja, quebrá-
-las em pedaços cada vez menores.
Conjunto de fatores e processos de origem biológica
No intemperismo físico, as rochas sofrem alterações de
que atuam de forma coadjuvante aos processos de intempe-
tamanho e forma, sem alterações em sua estrutura química.
rismo químico e físico.
A ação da água corrente cria efeito abrasivo nas rochas,
como se as lixasse.
2. Processos Erosivos:
As geleiras também causam abrasão além de fraturas
nas rochas, alterando sua forma e tamanho.
Os principais agentes erosivos são, em ordem decres-
Ventos atuam abrasivamente, atirando partículas me-
cente de intensidade, o gelo, a água e o vento.
nores contra as rochas.
As variações de temperatura causam sucessivas contra-
- Erosão Glaciária:
ções e expansões nos minerais da rocha, criando micro fratu-
ras que as levam à desagregação.
Causada pelo avanço e retrocesso das geleiras que esca-
O intemperismo físico predomina em ambientes de
vam o relevo por onde passam.
baixa umidade e grande variação térmica, além de áreas com
predomínio de águas correntes.

- Intemperismo Químico:

Conjunto de fenômenos que levam à degradação dos


minerais e rochas através da ação da água e da temperatura.
Sem água, não há intemperismo químico. No pro-
cesso de decomposição dos minerais, a água, misturada aos
minerais dissolvidos, cria ácido carbônico que acelera ainda
mais o processo. Temperaturas elevadas favorecem o intem-
perismo químico.
No intemperismo químico ocorre a alteração das ca- - Erosão Hídrica:
racterísticas físico-químicas dos minerais e rochas.
É predominante em ambientes úmidos e quentes. Pode ser causada pela ação dos movimentos de rios,
O processo de formação dos solos (pedogênese) está enxurradas, torrentes e oceanos.
diretamente relacionado ao intemperismo químico. Quanto maior a velocidade do movimento da água,
O diagrama abaixo correlaciona temperatura e umida- maior será sua capacidade de desgastar a superfície. A erosão
de com a intensidade dos intemperismos físicos e químicos. hídrica pode ser marinha, pluvial (chuvas) ou fluvial (rios).

- Erosão Pluvial:

Com relação à erosão pluvial, a que atinge maiores


áreas, temos 4 estágios de evolução:

118 HELP VESTIBULARES


AGENTES EXTERNOS DE MODELAGEM DO RELEVO
a) erosão laminar: ocorre muito superficialmente e é quase - Erosão Fluvial
imperceptível, como se removêssemos lentamente folhas de
um caderno. Os rios erodem tanto seu leito quanto suas margens.
b) sulcos: o movimento das enxurradas abre pequenos sulcos Quanto maior o volume de água e a inclinação do leito maior
que concentram o escoamento das águas em cada episódio será a erosão causada. Rios que correm em planaltos tem mais
de chuva. capacidade erosiva que rios de planície.
Durante o processo de erosão, os rios realizam desgas-
te, transporte e acumulação. O desgaste se dá pelo atrito da
água com as rochas e o solo e é proporcional à velocidade do
fluxo, sendo mais intenso nos trechos de maior inclinação do
terreno e de maior velocidade.
O transporte consiste em carrear os sedimentos retira-
dos no desgaste até um ponto rio abaixo. Em geral, a capa-
cidade de transporte é proporcional ao volume de águas de
um rio. Quanto mais volume, mais capacidade de transporte.
A acumulação acontece quando os rios perdem sua
velocidade de escoamento e começam a abandonar os sedi-
mentos que vêm carreando desde a nascente. Em geral, a acu-
mulação é maior próximo à foz.
Erosão em sulcos

c) ravinas: estágios avançados de erosão que, normalmente,


iniciam-se como pequenos sulcos. A constante passagem das
águas pelos sulcos aumenta seu tamanho até que se tornem
ravinas que podem alcançar dezenas de metros de compri-
mento e profundidade.

Erosão fluvial

- Erosão marinha

Causada pelo movimento repetitivo de impacto da


água do mar junto à costa.
Ravinas

d) voçorocas: estágio mais agudo da erosão pluvial. Quando


uma ravina se aprofunda a ponto de expor o lençol freático
temos uma voçoroca. Em geral, controlar o avanço de uma
voçoroca é tarefa praticamente impossível.

Erosão marinha

- Erosão Eólica

Causada pela ação dos ventos. Quanto maior a velo-


cidade do vento, maior será a capacidade de transporte de
partículas. Estas partículas são atiradas contra as rochas cau-
Voçoroca sando seu desgaste.

HELP VESTIBULARES 119


AGENTES EXTERNOS DE MODELAGEM DO RELEVO
A erosão eólica executa as ações de:

a) deflação: consiste no trabalho de varrer a superfície, trans-


portando detritos de um ponto a outro.
b) corrasão: consiste na ação de atirar partículas contra a
superfície causando desgaste progressivo.

Corrasão

- Acumulação: quando os ventos perdem velocidade, aban-


donam o que estavam carregando, criando áreas de acúmulo
de partículas. As dunas são exemplo do trabalho de acumula-
ção feitos pelos ventos.

120 HELP VESTIBULARES


ESTRUTURAS DE RELEVO
I. Estruturas de Relevo

Estruturas de relevo são a base sobre a qual as formas


de relevo encontradas na paisagem se apoiam. Escudos Cris-
talinos, Bacias Sedimentares e Dobramentos Modernos são
as estruturas básicas de relevo.

1. Escudos Cristalinos (ou Crátons):

São estruturas muito antigas (período arqueano) cons-


tituídas de rochas cristalinas extremamente resistentes aos
processos erosivos. São estáveis e associadas à ocorrência de
minerais metálicos como ferro, ouro, prata e alumínio entre
outros. Formam a base de sustentação do relevo.
No Brasil, a Serra do Mar, Serra da Mantiqueira, Serra
dos Órgãos, Maciço do Urucum e Serra do Espinhaço são
exemplos de escudos cristalinos que ocupam 36% da super-
fície do país.


3. Dobramentos modernos:

São gerados pelo processo de orogênese que ocorre


Serra da Mantiqueira
nas bordas de placas tectônicas com limites convergentes. A
pressão gerada no limite convergente cria o soerguimento da
2. Bacias Sedimentares:
crosta causado pelo dobramento das rochas. São característi-
cos do período terciário da era Cenozoica. Não existem do-
São depressões preenchidas com rochas sedimentares
bramentos modernos em território brasileiro.
formadas no paleozoico, mesozoico e cenozoico. Estão asso-
ciadas à ocorrência de combustíveis fósseis como petróleo,
carvão e xisto pirobetuminoso. No Brasil, 64% da superfície
estão cobertos por bacias sedimentares como a Bacia Sedi-
mentar do Paraná.

HELP VESTIBULARES 121


ESTRUTURAS DE RELEVO

Chapada Diamantina

2. Depressões:
Cordilheira dos Andes
São áreas rebaixadas em relação a seu entorno, com
O mapa abaixo representa a distribuição superficial
predomínio de erosão. O conceito de depressão foi introduzi-
das estruturas de relevo no Brasil.
do por Jurandyr Ross, na década de 1990. Depressões podem
ser:

- Absolutas: quando estão abaixo do nível do mar. Exemplo:


Mar Morto.
- Relativas: situadas em nível abaixo do relevo vizinho.
Exemplo: Depressão do Rio São Francisco.
- Periféricas: quando ocorrem na área de encontro entre dois
planaltos de origem geológica diferente. Exemplo: Depressão
Periférica Paulista.

II. Formas de relevo

1. Planaltos:

São áreas elevadas em relação a seu entorno, onde


ocorre predomínio da erosão em relação ao acúmulo de ma-
téria. Em geral, estão acima dos 400m de altitude. Podem
ser de origem cristalina, como a Serra da Mantiqueira, ou de
origem sedimentar, como as chapadas do Centro-oeste. 3. Planície:

Áreas relativamente planas com predomínio dos


processos de acumulação em relação aos processos erosivos.
Em geral, ficam até 200m de altitude. No Brasil, as planícies
verdadeiras são raras e entre elas estão a planície Litorânea, a
planície do Rio Amazonas e a Planície do Pantanal.

4. Montanhas:

São a forma de relevo resultante dos dobramentos mo-


dernos. São áreas onde os processos de soerguimento predo-
minam em relação aos processos erosivos. Não há montanhas
Serra da Mantiqueira no Brasil.

122 HELP VESTIBULARES


CLASSIFICAÇÕES DO RELEVO BRASILEIRO
I. Classificações do relevo brasileiro

A primeira classificação do relevo brasileiro ocorreu na


década de 1940, realizada pelo Departamento de Geografia
da Universidade de São Paulo (USP), liderada pelo professor
e pesquisador Aroldo de Azevedo.
Nesta classificação, o Brasil ficou dividido em 59%
de planaltos, conceituados como terrenos acidentados com
mais de 200 metros, e 41% de planícies, consideradas como
áreas planas com altitudes inferiores. As áreas mais altas, aci-
ma de 1200 metros, perfizeram um valor muito pequeno,
de aproximadamente 0,58%. Assim, o Brasil foi dividido em
oito unidades de relevo: o planalto das Guianas, a planície
Amazônia, o planalto Central, a planície do Pantanal, o pla-
nalto Atlântico, a planície costeira, o planalto Meridional e a
planície de Pampa.

Em 1989, Jurandyr Ross utilizou como ponto de par-


tida a própria classificação de Aziz Ab’Saber e com base nos
conhecimentos previamente estabelecidos e nas imagens ob-
tidas pelo projeto Radam Brasil, entre 1970 e 1985, realizou
um minucioso mapeamento que resultou em uma classifica-
ção mais completa e complexa.
A novidade na classificação do relevo brasileiro de Ju-
randyr Ross foi a introdução de mais um tipo de forma de
relevo: as depressões.
A classificação de Ross foi tão mais detalhada, por
conta dos resultados do projeto Radam Brasil, que nela o
território brasileiro ficou dividido em 28 unidades de relevo,
sendo 11 planaltos, 11 depressões e 6 áreas de planícies. Con-
forme podemos verificar no mapa abaixo, o espaço geomor-
fológico brasileiro ficou marcado pela presença de grandes
depressões, como a da Amazônia Oriental, e alguns grandes
Em 1958, uma nova classificação do relevo brasilei- planaltos, como as Chapadas da Bacia do Parnaíba e da Bacia
ro foi realizada sob a liderança de Aziz Ab’Saber que adotou do Paraná. Dentre as planícies, o destaque vai para a do Rio
outras conceituações e passou a considerar como planalto Amazonas e os tabuleiros litorâneos.
toda e qualquer área em que o processo de erosão (perda de
sedimentos) é superior ao de sedimentação (acúmulo de sedi-
mentos). Nas planícies, de maneira inversa, é a sedimentação
quem supera a erosão. Portanto, o critério da altitude não
estava mais inserido na classificação do relevo brasileiro, mas
sim os tipos de processos geomorfológicos predominantes.
Por conta dessa mudança nos conceitos de planície e
planalto, a classificação do relevo brasileiro foi modificada.
Os planaltos, então, passaram a compor cerca de 75% do
território brasileiro enquanto que as planícies ficaram com
25%, perfazendo um total de dez unidades de relevo: o pla-
nalto das Guianas, a Planície e Terras Baixas Amazônicas, o
planalto Central, o planalto do Maranhão-Piauí, o planalto
Nordestino, a planície do Pantanal, as serras e planaltos do
Leste e Sudeste, as planícies de terras baixas costeiras, o pla-
nalto Meridional e o planalto Uruguaio Sul-Rio-Grandense.

HELP VESTIBULARES 123


CLASSIFICAÇÕES DO RELEVO BRASILEIRO

124 HELP VESTIBULARES


FILOSOFIA
Introdução à filosofia
Surgimento da filosofia
A passagem do Mito para o Logos
Pré-Socráticos
Sócrates e os Sofistas
INTRODUÇÃO À FILOSOFIA
I. Introdução à Filosofia A palavra filosofia é grega. É composta por duas ou-
tras: philo e sophia. Philo deriva-se de philia, que significa
Quando alguém pergunta para que serve a filosofia, a amizade, amor fraterno, respeito entre os iguais. Sophia quer
resposta deve ser agressiva, visto que a pergunta se pretende dizer sabedoria e dela vem a palavra sophos, sábio. Filosofia
irônica e mordaz. A filosofia não serve nem ao Estado, nem significa, portanto, amizade pela sabedoria, amor e respeito
à Igreja, que têm outras preocupações. Não serve a nenhum pelo saber.
poder estabelecido. A filosofia serve para entristecer. Uma Filósofo: o que ama a sabedoria, tem amizade pelo sa-
filosofia que não entristece a ninguém e não contraria nin- ber, deseja saber.
guém, não é uma filosofia. Assim, filosofia indica um estado de espírito, o da pes-
soa que ama, isto é, deseja o conhecimento, a estima, o pro-
 Deleuze, Nietzsche e a filosofia, 1987, p. 87 cura e o respeita.
“Meneceu, Atribui-se ao filósofo grego Pitágoras de Samos (que
viveu no século V antes de Cristo) a invenção da palavra filo-
Que ninguém hesite em se dedicar à filosofia enquan- sofia. Pitágoras teria afirmado que a sabedoria plena e com-
to jovem, nem se canse de fazê-lo depois de velho, porque pleta pertence aos deuses, mas que os homens podem desejá-
ninguém jamais é demasiado jovem ou demasiado velho para -la ou amá-la, tornando-se filósofos.
alcançar a saúde do espírito. Quem afirma que a hora de de- Dizia Pitágoras que três tipos de pessoas compareciam
dicar-se à filosofia ainda não chegou, ou que ela já passou, é aos jogos olímpicos (a festa mais importante da Grécia): as
como se dissesse que ainda não chegou, ou que já passou a que iam para comerciar durante os jogos, ali estando apenas
hora de ser feliz. Desse modo, a filosofia é útil tanto ao jo- para servir aos seus próprios interesses e sem preocupação
vem quanto ao velho: para quem está envelhecendo sentir-se com as disputas e os torneios; as que iam para competir, isto
rejuvenescer através da grata recordação das coisas que já se é, os atletas e artistas (pois, durante os jogos também havia
foram, e para o jovem poder envelhecer sem sentir medo das competições artísticas: dança, poesia, música, teatro); e as
coisas que estão por vir; é necessário, portanto, cuidar das que iam para contemplar os jogos e torneios, para avaliar o
coisas que trazem a felicidade, já que, estando esta presente, desempenho e julgar o valor dos que ali se apresentavam. Esse
tudo temos, e, sem ela, tudo fazemos para alcançá-la. Pratica terceiro tipo de pessoa, dizia Pitágoras, é como o filósofo.
e cultiva então aqueles ensinamentos que sempre te transmi- Com isso, Pitágoras queria dizer que o filósofo não é
ti, na certeza de que eles constituem os elementos fundamen- movido por interesses comerciais - não coloca o saber como
tais para uma vida feliz. propriedade sua, como uma coisa para ser comprada e vendi-
[...] Consideramos ainda a autos suficiência um gran- da no mercado; também não é movido pelo desejo de com-
de bem; não que devamos nos satisfazer com pouco, mas petir - não faz das ideias e dos conhecimentos uma habilida-
para nos contentarmos com esse pouco caso não tenhamos o de para vencer competidores ou “atletas intelectuais”; mas é
muito, honestamente convencidos de que desfrutam melhor movido pelo desejo de observar, contemplar, julgar e avaliar
a abundância os que menos dependem dela; tudo o que é as coisas, as ações, a vida: em resumo, pelo desejo de saber. A
natural é fácil de conseguir; difícil é tudo o que é inútil. Os verdade não pertence a ninguém, ela é o que buscamos e que
alimentos mais simples proporcionam o mesmo prazer que as está diante de nós para ser contemplada e vista, se tivermos
iguarias mais requintadas, desde que se remova a dor provo- olhos (do espírito) para vê-la.
cada pela falta: pão e água produzem o prazer mais profundo
quando ingeridos por quem deles necessita. Habituar-se às 1. História da Filosofia:
coisas simples, a um modo de vida não luxuoso, portanto,
não só é conveniente para a saúde, como ainda proporciona
ao homem os meios para enfrentar corajosamente as adversi-
dades da vida: nos períodos em que conseguimos levar uma
existência rica, predispõe o nosso ânimo para melhor apro-
veitá-la, e nos prepara para enfrentar sem temor as vicissitu-
des da sorte.
[...] Medita, pois, todas essas coisas e muitas outras a
elas congêneres, dia e noite, consigo mesmo e com teus seme-
lhantes, e nunca mais te sentirás perturbado, quer acordado,
quer dormindo, mas viverás como um deus entre os homens.
Porque não se assemelha absolutamente a um mortal o ho-
mem que vive entre bens imortais.”

Epicuro. Carta a Meneceu – Sobre a Felicidade

HELP VESTIBULARES 127


INTRODUÇÃO À FILOSOFIA
Se fico grudado na televisão assistindo a todas as transmissões
de esporte, tenho que aceitar que outras pessoas achem o es-
porte uma chatice.
Mas será que existe alguma coisa que interessa a to-
dos? Será que existe alguma coisa que concerne a todos, não
importando quem são ou onde se encontram? Sim, queri-
da Sofia, existem questões que deveriam interessar a todas as
pessoas. E é sobre tais questões que trata este curso.
Qual é a coisa mais importante da vida? Se fazemos
esta pergunta a uma pessoa de um país assolado pela fome,
2. Diferentes áreas da Filosofia: a resposta será: a comida. Se fazemos a mesma pergunta a
quem está morrendo de frio, então a resposta será: o calor. E
- História da Filosofia: Aborda a origem da Filosofia, tra- quando perguntamos a alguém que se sente sozinho e isola-
balhando temas sobre a reflexão filosófica de cada período, do, então certamente a resposta será: a companhia de outras
as mudanças pelas quais passaram determinados conceitos pessoas.
filosóficos e o próprio conceito de Filosofia além das diferen- Mas, uma vez satisfeitas todas essas necessidades, será
tes teorias produzidas pelos filósofos e de sua relação com o que ainda resta alguma coisa de que todo mundo precise? Os
contexto histórico em que surgiram. filósofos acham que sim. Eles acham que o ser humano não
vive apenas de pão. É claro que todo mundo precisa comer.
- Metafísica: Discute problemas relacionados ao ser e à es- E precisa também de amor e de cuidado. Mas ainda há uma
sência de cada coisa. coisa de que todos nós precisamos. Nós temos a necessidade
de descobrir quem somos e por que vivemos.
- Teoria do Conhecimento: Reflexões sobre os tipos de co- Portanto, interessar-se em saber por que vivemos não
nhecimento e origem do próprio ato de conhecer. é um interesse “casual” como colecionar selos, por exemplo.
Quem se interessa por tais questões toca um problema que
- Filosofia da Ciência: Reflete sobre a natureza e legitimida- vem sendo discutido pelo homem praticamente desde quan-
de dos métodos científicos e as relações das ciências entre si do passamos a habitar este planeta. A questão de saber como
e com a Filosofia. surgiu o universo, a Terra e a vida por aqui é uma questão
maior e mais importante do que saber quem ganhou mais
- Estética: Trabalha questões sobre o Belo e a Arte e suas medalhas de ouro nos últimos Jogos Olímpicos.
relações com a natureza, sociedade e cultura. O melhor meio de se aproximar da filosofia é fazer
perguntas filosóficas:
- Ética e Filosofia Moral: Relacionado às virtudes, normas Como o mundo foi criado? Será que existe uma von-
e valores morais. Conceitos sobre o dever e a finalidade da tade ou um sentido por detrás do que ocorre? Há vida depois
ação humana. da morte? Como podemos responder a estas perguntas? E,
principalmente: como devemos viver?
- Filosofia Política – Conceitos sobre poder, autoridade, di- Essas perguntas têm sido feitas pelas pessoas de to-
reito, lei, justiça, formas de participação política etc. das as épocas. Não conhecemos nenhuma cultura que não
se tenha perguntado quem é o ser humano e de onde veio o
3. Texto de apoio: mundo.
Basicamente, não há muitas perguntas filosóficas para
O que é Filosofia? se fazer. Já fizemos algumas das mais importantes. Mas a his-
Querida Sofia, tória nos mostra diferentes respostas para cada uma dessas
perguntas que estamos fazendo.
Muitas pessoas têm hobbies diferentes. Algumas co- É mais fácil, portanto, fazer perguntas filosóficas do
lecionam moedas e selos antigos, outras gostam de trabalhos que respondê-las.
manuais, outras ainda dedicam quase todo o seu tempo livre Da mesma forma, hoje em dia cada um de nós deve
a uma determinada modalidade de esporte. encontrar a sua resposta para estas perguntas. Não dá para
Também há os que gostam de ler. Mas os tipos de procurar numa enciclopédia se existe um Deus, ou se há vida
leitura também são muito diferentes. Alguns leem apenas após a morte. A enciclopédia também não nos diz como de-
jornais ou gibis, outros gostam de romances, outros ainda vemos viver. Mas a leitura do que outras pessoas pensaram
preferem livros sobre temas diversos como astronomia, a vida pode nos ser útil quando precisamos construir nossa própria
dos animais ou as novas descobertas da tecnologia. imagem do mundo e da vida.
Se me interesso por cavalos ou pedras preciosas, não [...] Um dos antigos filósofos gregos, que viveu há mais
posso querer que todos os outros tenham o mesmo interesse. de dois mil anos, acreditava que a filosofia era fruto da capa-

128 HELP VESTIBULARES


INTRODUÇÃO À FILOSOFIA
cidade do homem de se admirar com as coisas. Ele achava pelo do coelho, fazem um ninho bem confortável e ficam lá
que para o homem a vida é algo tão singular que as pergun- embaixo pelo resto de suas vidas.)
tas filosóficas surgem como que espontaneamente. É como Para as crianças, o mundo - e tudo o que há nele - é
o que ocorre quando assistimos a um truque de mágica: não uma coisa nova; algo que desperta a admiração. Nem todos
conseguimos entender como é possível acontecer aquilo que os adultos veem a coisa dessa forma. A maioria deles vivência
estamos vendo diante de nossos olhos. E então, depois de o mundo como uma coisa absolutamente normal.
assistirmos à apresentação, nos perguntamos: como é que o E precisamente neste ponto é que os filósofos consti-
mágico conseguiu transformar dois lenços de seda brancos tuem uma louvável exceção. Um filósofo nunca é capaz de se
num coelhinho vivo? habituar completamente com este mundo. Para ele ou para
Para muitas pessoas, o mundo é tão incompreensível ela o mundo continua a ter algo de incompreensível, algo
quanto o coelhinho que um mágico tira de uma cartola que, até de enigmático, de secreto. Os filósofos e as crianças têm,
há poucos instantes, estava vazia. No caso do coelhinho, sa- portanto, urna importante característica comum. Podemos
bemos perfeitamente que o mágico nos iludiu. Quando fala- dizer que um filósofo permanece a sua vida toda tão receptivo
mos sobre o mundo, as coisas são um pouco diferentes. Sa- e sensível às coisas quanto um bebê.
bemos que o mundo não é mentira ou ilusão, pois estamos E agora você precisa se decidir, querida Sofia: você é
vivendo nele, somos parte dele. No fundo, somos o coelhi- uma criança que ainda não se “acostumou” com o mundo?
nho branco que é tirado da cartola. A única diferença entre Ou você é uma filósofa capaz de jurar que isto nunca vai
nós e o coelhinho branco é que o coelhinho não sabe que está lhe acontecer? Se você simplesmente balança a cabeça e não
participando de um truque de mágica. Conosco é diferente. se sente nem como criança, nem como filósofa, a explicação
Sabemos que estamos fazendo parte de algo misterioso e gos- para isto é que você já se acostumou tanto com o mundo que
taríamos de poder explicar como tudo funciona. não consegue mais se surpreender com ele. Neste caso, você
PS. Quanto ao coelhinho branco, talvez seja melhor corre perigo. E justamente por medida de segurança, para
compará-lo com todo o universo. Nós, que vivemos aqui, evitar que isto aconteça, é que você está recebendo este curso
somos os bichinhos microscópicos que vivem na base do pelo de filosofia. Eu não quero que justamente você passe a per-
do coelho. Mas os filósofos tentam subir da base para a ponta tencer ao clube dos apáticos e indiferentes. Quero que você
dos finos pelos, a fim de poder olhar bem dentro dos olhos viva uma vida instigante.
do grande mágico. [...] Vamos resumir: um coelho branco é tirado de
[...] Na certa você já entendeu que este breve curso dentro de uma cartola. E porque se trata de um coelho mui-
de filosofia virá em pequenas doses. Aqui vão mais algumas to grande, este truque leva bilhões de anos para acontecer.
considerações introdutórias. Todas as crianças nascem bem na ponta dos finos pelos do
Eu já disse que a capacidade de nos admirarmos com coelho. Por isso elas conseguem se encantar com a impossibi-
as coisas é a única coisa de que precisamos para nos tornar- lidade do número de mágica a que assistem. Mas conforme
mos bons filósofos? Se não, então digo agora: A ÚNICA vão envelhecendo, elas vão se arrastando cada vez mais para
COISA DE QUE PRECISAMOS PARA NOS TORNAR- o interior da pelagem do coelho. E ficam por lá. Lá embaixo
MOS BONS FILÓSOFOS É A CAPACIDADE DE NOS é tão confortável que elas não ousam mais subir até a ponta
ADMIRARMOS COM AS COISAS. dos finos pelos, lá em cima. Só os filósofos têm ousadia para
Todo mundo sabe que os bebês possuem essa capa- se lançar nesta jornada rumo aos limites da linguagem e da
cidade. Depois de alguns meses na barriga da mãe, eles são existência. Alguns deles não chegam a concluí-la, mas outros
empurrados para uma realidade completamente diferente. se agarram com força aos pelos do coelho e berram para as
Mas depois, quando crescem, parece que esta capacidade vai pessoas que estão lá embaixo, no conforto da pelagem, en-
desaparecendo. chendo a barriga de comida e bebida:
[...] O triste de tudo isto é que, à medida que cresce- – Senhoras e senhores - gritam eles -, estamos flutuan-
mos, nos acostumamos não apenas com a lei da gravidade. do no espaço!
Acostumamo-nos, ao mesmo tempo, com o mundo em si. Mas nenhuma das pessoas lá de baixo se interessa pela
Ao que tudo indica, ao longo da nossa infância nós perdemos gritaria dos filósofos.
a capacidade de nos admirarmos com as coisas do mundo. – Deus do céu! Que caras mais barulhentos! - elas di-
Mas com isto perdemos uma coisa essencial - algo de que os zem. E continuam a conversar: será que você poderia me pas-
filósofos querem nos lembrar. Pois em algum lugar dentro de sar a manteiga? Qual a cotação das ações hoje? Qual o preço
nós, alguma coisa nos diz que a vida é um grande enigma. do tomate? Você ouviu dizer que a Lady Di está grávida de
E já experimentamos muito antes de aprendermos a pensar. novo?
Para ser mais preciso: embora as questões filosóficas
digam respeito a todas as pessoas, nem todas se tornam fi- Gaarder, Jostein. O mundo de Sofia: romance da história da
lósofos. Por diferentes motivos, a maioria delas é tão absor- filosofia. Trad. João Azenha Jr. São Paulo: Companhia das
vida pelo cotidiano que a admiração pela vida acaba sendo Letras, 1995, p. 24 – 31
completamente reprimida. (Elas se alojam bem no fundo do

HELP VESTIBULARES 129


INTRODUÇÃO À FILOSOFIA

130 HELP VESTIBULARES


SURGIMENTO DA FILOSOFIA
I. Surgimento da filosofia d) os deuses da cultura grega, diferente das outras civiliza-
ções, não eram muito confiáveis, visto que tinham muitos
1. Linha do tempo da História da Filosofia Antiga: defeitos e eram quase “humanos”.

Os períodos da Filosofia não correspondem exatamen- 3. Principais características da Filosofia nascente:


te aos períodos da história da Grécia, visto que ela não existe
na Grécia homérica e só aparece em meados da Grécia ar- O pensamento filosófico em seu nascimento tinha
caica. Entretanto, o apogeu da Filosofia acontece durante o como traços principais:
apogeu da cultura e da sociedade gregas; portanto, durante a
Grécia clássica. Os quatro grandes períodos da Filosofia an- 1. Tendência à racionalidade, isto é, a razão e somente a ra-
tiga grega são: zão, com seus princípios e regras, é o critério da explicação
de alguma coisa;
a) Período pré-socrático ou cosmológico, do final do sécu- 2. Tendência a oferecer respostas conclusivas para os proble-
lo VII ao final do século V a.C., quando a Filosofia se ocupa mas, isto é, colocado um problema, sua solução é submetida
fundamentalmente com a origem do mundo e as causas das à análise, à crítica, à discussão e à demonstração, nunca sendo
transformações na Natureza. aceita como uma verdade, se não for provado racionalmente
que é verdadeira;
b) Período socrático ou antropológico, do final do século 3. Recusa de explicações preestabelecidas e, portanto, exigên-
V e todo o século IV.C., quando a Filosofia investiga as ques- cia de que, para cada problema, seja investigada e encontrada
tões humanas, isto é, a ética, a política e as técnicas (em gre- a solução própria exigida por ele.
go, ântropos quer dizer homem; por isso o período recebeu o
nome de antropológico).

c) Período sistemático, do final do século IV ao final do


século III a.C., quando a Filosofia busca reunir e sistematizar
tudo quanto foi pensado sobre a cosmologia e a antropo-
logia, interessando-se sobretudo em mostrar que tudo pode
ser objeto do conhecimento filosófico, desde que as leis do
pensamento e de suas demonstrações estejam firmemente es-
tabelecidas para oferecer os critérios da verdade e da ciência.

d) Período helenístico ou greco-romano, do final do sé-


culo III a.C. até o século VI depois de Cristo. Nesse longo
período, que já alcança Roma e o pensamento dos primeiros
Padres da Igreja, a Filosofia se ocupa sobretudo com as ques-
tões da ética, do conhecimento humano e das relações entre
o homem e a Natureza e de ambos com Deus.

2. A Grécia como “berço” da Filosofia:

A Grécia ficou conhecida como berço da Filosofia por


alguns motivos:

a) o avanço das viagens marítimas permitiu aos gregos des-


cobrir que os locais que os mitos diziam habitados por deus
eram na verdade habitados por seres humanos, da mesma for-
ma as regiões habitadas por monstros;

b) a invenção do calendário originou também o cálculo das


estações do ano, bem como as horas do dia, que fora uma for-
ma de observar que certos fatos se repetem como algo natural
e não divinamente;
c) o surgimento da vida urbana, juntamente com a expansão
comercial e o diálogo/discurso na Polis.

HELP VESTIBULARES 131


A PASSAGEM DO MITO PARA O LOGOS
I. A passagem do Mito para o Logos 2. Tipos de mitos:

1. A Filosofia e o Mito: Os mitos podem se diferenciar confirme sua intencio-


nalidade, podem ser divididos em alguns tipos:
A filosofia teve seu surgimento na Grécia Antiga atra-
vés da insatisfação dos primeiros pensadores em relação ás a) Mitos cosmogônicos – (do grego khosmos, universo, con-
explicações de mundo advindas da mitologia. Sendo assim, junto de tudo o que existe, e goné: geração, nascimento): tra-
buscavam respostas embasadas em justificativas racionais. tam das origens daquilo que existe.
Um mito é uma narrativa sobre a origem de alguma b) Mitos teogônicos – (do grego theos, deus, e goné, nasci-
coisa (origem dos astros, da Terra, dos homens, das plantas, mento): narram a origem dos deuses.
dos animais, do fogo, da água, dos ventos, do bem e do mal, c) Mitos escatológicos – explicam o que acontece após a
da saúde e da doença, da morte, dos instrumentos de traba- morte física na Terra ou versam sobre a finalidade e o destino
lho, das raças, das guerras, do poder, etc.). Para os gregos, da vida humana.
mito é um discurso pronunciado ou proferido para ouvintes d) Mitos épicos – narrativas que descrevem grandes proezas
que recebem como verdadeira a narrativa, porque confiam realizadas por heróis e guerreiros que venceram algum obstá-
naquele que narra; é uma narrativa feita em público, baseada, culo com inteligência, força e nobreza.
portanto, na autoridade e confiabilidade da pessoa do narra-
dor. 3. Exemplos da mitologia grega:
O mito narra a origem das coisas por meio de lutas,
alianças e relações sexuais entre forças sobrenaturais que go- a) Hesíodo:
vernam o mundo e o destino dos homens. Como os mitos
sobre a origem do mundo são genealogias, diz-se que são O primeiro a sistematizar os mitos gregos e a organi-
cosmogonias e teogonias. A cosmogonia é a narrativa sobre zá-los em uma sequência lógica, que permitiu vislumbrá-los
o nascimento e a organização do mundo, a partir de forças em sua genealogia, foi Hesíodo. Na obra Teogonia, ele narra
geradoras (pai e mãe) divinas. Já a teogonia é uma palavra poeticamente o princípio de tudo e apresenta as divindades
composta de gonia e theós, que, em grego, significa: as coisas primordiais: Caos, Terra, Tártaro, Eros e Céu, que deram
divinas, os seres divinos, os deuses. A teogonia é, portanto, a origem a outras divindades. Conta ainda que a origem do
narrativa da origem dos deuses, a partir de seus pais e ante- mundo e de seus elementos aconteceu pela união do Céu
passados. (Urano) com a Terra (Gaia, a grande mãe), o que sugere que
A Filosofia, percebendo as contradições e limitações a criação se deu a partir do choque entre elementos contra-
dos mitos, foi reformulando e racionalizando as narrativas postos e complementares
míticas, transformando-as numa outra coisa, numa explica-
ção inteiramente nova e diferente. Teogonia
Deuses Primordiais: 116-153
Mito Filosofia Sim bem primeiro nasceu Cáos
depois também Terra de amplo seio,
Preocupação em explicar
de todos sede irresvalável sempre,
Independe de um passado como e o porquê das coisas,
dos imortais que têm a cabeça do Olimpo nevado,
concreto. seja no passado, no presente
e Tártaro mevoento
ou no futuro.
no fundo do chão de amplas vias,
Narrativa de histórias e Eros: o mais belo entre deuses imortais, solta-membros,
divinas e sobrenaturais. Explicação natural das coi- dos deuses todos e dos homens todos
sas por elementos empíricos. ele doma no peito o espírito e a prudente vontade.
Do Cáos
Sem contradições, seus con- Érebo e Noite negra nasceram.
Contradições entre fábu-
ceitos eram embasados na Da Noite
las e histórias.
atividade racional. aliás Éter e Dia nasceram, gerou-os fecundada unida a Érebo
em amor.
Terra primeiro pariu igual a si mesma
Céu constelado, para cercá-la toda ao redor
e ser aos deuses venturosos sede irresvalável sempre.
Pariu altas Montanhas,
belos abrigos das deusas ninfas
que moram nas montanhas frondosas.
E pariu a infecunda planície impetuosa de ondas o Mar,

132 HELP VESTIBULARES


A PASSAGEM DO MITO PARA O LOGOS
sem o desejoso amor. Segundo a Mitologia grega, Pandora, cujo nome sig-
Depois pariu do coito com Céu: nifica “muitos dons”, foi criada por Zeus para castigar os ho-
Oceano de fundos remoinhos mens a quem Prometeu entregara o fogo divino. Dotada de
e Coios e Crios e Hipérion e Jápeto e Téia e Réia e Têmis e inúmeras qualidades, ela foi enviada como presente a Epi-
Memória meteu, irmão de Prometeu. Apesar dos avisos do irmão para
e Febe de áurea coroa e Tétis amorosa. agir com cautela em relação aos presentes de Zeus, Epimeteu
E após com ótimas armas Cronos de curvo pensar, casou-se logo com a linda moça que trazia consigo uma caixa
filho o mais terrível: detestou o florescente pai. misteriosa e a orientação de que ela não deveria ser aberta
Pariu ainda os Ciclopes de soberbo coração: Trovão, jamais. A orientação não foi respeitada e, uma vez aberta a
Relâmpago e Arges de violento ânimo caixa, todos os males espalharam-se pelo mundo. Quando foi
que a Zeus deram o trovão e forjaram o raio. novamente fechada, apenas a esperança permanecia dentro
Eles no mais eram comparáveis aos deuses, dela. Algumas versões do mito atribuem a abertura da caixa
único olho bem no meio repousava na fronte. à curiosidade da própria Pandora, e outras, à de Epimeteu.
Ciclopes denominava-os o nome,
porque neles circular olho sozinho repousava na fronte.
Vigor, violência e engenho possuíam na ação.
Outros ainda da Terra e do Céu nasceram,
três filhos enormes, violentos, não nomeáveis.
Cotos, Briareu e Giges,
assombrosos filhos.
Deles, eram cem braços que s altavam dos ombros, impro-
ximáveis
cabeças de cada um cinquenta brotavam dos ombros, sobre
os grossos membros.
Vigor sem limite, poderoso na enorme forma.
4. Texto de apoio:
b) Homero:
O que perguntavam os primeiros filósofos
O poeta Homero, na Ilíada, que narra a guerra de
Tróia, explica por que, em certas batalhas, os troianos eram Por que os seres nascem e morrem? Por que os seme-
vitoriosos e, em outras, a vitória cabia aos gregos. Os deuses lhantes dão origem aos semelhantes, de uma árvore nasce
estavam divididos, alguns a favor de um lado e outros a favor outra árvore, de um cão nasce outro cão, de uma mulher
do outro. A cada vez, o rei dos deuses, Zeus, ficava com um nasce uma criança? Por que os diferentes também parecem
dos partidos, se aliava com um grupo e fazia um dos lados fazer surgir os diferentes: o dia parece fazer nascer a noite,
- ou os troianos ou os gregos - vencer uma batalha. A causa o inverno parece fazer surgir a primavera, um objeto escuro
da guerra, aliás, foi uma rivalidade entre as deusas. Elas apa- clareia com o passar do tempo, um objeto claro escurece com
receram em sonho para o príncipe troiano Paris, oferecendo o passar do tempo? Por que tudo muda? A criança se torna
a ele seus dons e ele escolheu a deusa do amor, Afrodite. As adulta, amadurece, envelhece e desaparece. A paisagem, cheia
outras deusas, enciumadas, o fizeram raptar a grega Helena, de flores na primavera, vai perdendo o verde e as cores no ou-
mulher do general grego Menelau, e isso deu início à guerra tono, até ressecar-se e retorcer-se no inverno. Por que um dia
entre os humanos. luminoso e ensolarado, de céu azul e brisa suave, repentina-
Assim, o mito narra a origem das coisas por meio de mente, se torna sombrio, coberto de nuvens, varrido por ven-
lutas, alianças e relações sexuais entre forças sobrenaturais tos furiosos, tomado pela tempestade, pelos raios e trovões?
que governam o mundo e o destino dos homens. Por que a doença invade os corpos, rouba-lhes a cor, a força?
Por que o alimento que antes me agradava, agora, que estou
A caixa de Pandora doente, me causa repugnância? Por que o som da música que
antes me embalava, agora, que estou doente, parece um ruído
insuportável? Por que o que parecia uno se multiplica em
tantos outros? De uma só árvore, quantas flores e quantos
frutos nascem! De uma só gata, quantos gatinhos nascem!
[...] Ninguém nasce adulto ou velho, mas sempre criança,
que se torna adulto e velho.
Foram perguntas como essas que os primeiros filósofos
fizeram e para elas buscaram respostas. Sem dúvida, a reli-
gião, as tradições e os mitos explicavam todas essas coisas,

HELP VESTIBULARES 133


A PASSAGEM DO MITO PARA O LOGOS
mas suas explicações já não satisfaziam aos que interrogavam
sobre as causas da mudança, da permanência, da repetição,
da desaparição e do ressurgimento de todos os seres. Haviam
perdido força explicativa, não convenciam nem satisfaziam a
quem desejava conhecer a verdade sobre o mundo.
Marilena Chauí. Convite a filosofia

#ExemploComentado

(UEL) “De onde vem o mundo? De onde vem o universo?


Tudo o que existe tem que ter um começo. Portanto, em
algum momento, o universo também tinha de ter surgido
a partir de uma outra coisa. Mas, se o universo de repente
tivesse surgido de alguma outra coisa, então essa outra coisa
também devia ter surgido de alguma outra coisa algum dia.
Sofia entendeu que só tinha transferido o problema de lugar.
Afinal de contas, algum dia, alguma coisa tinha de ter surgido
do nada. Existe uma substância básica a partir da qual tudo
é feito? A grande questão para os primeiros filósofos não era
saber como tudo surgiu do nada. O que os instigava era saber
como a água podia se transformar em peixes vivos, ou como
a terra sem vida podia se transformar em árvores frondosas
ou flores multicoloridas.”
Adaptado de: GAARDER, J. O Mundo de Sofia. Trad. de João
Azenha Jr. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. p.43-44

Com base no texto e nos conhecimentos sobre o surgimento


da filosofia, assinale a alternativa correta.
a) Os pensadores pré-socráticos explicavam os fenômenos
e as transformações da natureza e porque a vida é como é,
tendo como limitador e princípio de verdade irrefutável as
histórias contadas acerca do mundo dos deuses.
b) Os primeiros filósofos da natureza tinham a convicção de
que havia alguma substância básica, uma causa oculta, que
estava por trás de todas as transformações na natureza e, a
partir da observação, buscavam descobrir leis naturais que
fossem eternas.
c) Os teóricos da natureza que desenvolveram seus sistemas
de pensamento por volta do século VI a.C. partiram da ideia
unânime de que a água era o princípio original do mundo
por sua enorme capacidade de transformação.
d) A filosofia da natureza nascente adotou a imagem homéri-
ca do mundo e reforçou o antropomorfismo do mundo dos
deuses em detrimento de uma explicação natural e regular
acerca dos primeiros princípios que originam todas as coisas.
e) Para os pensadores jônicos da natureza, Tales, Anaxímenes
e Heráclito, há um princípio originário único denominado
o ilimitado, que é a reprodução da aparência sensível que os
olhos humanos podem observar no nascimento e na degene-
ração das coisas.

Resposta: B

Gabarito:

134 HELP VESTIBULARES


PRÉ-SOCRÁTICOS
I. Pré-Socráticos no sobrenatural. Buscam-se as explicações e as causas dos fe-
nômenos naturais na própria realidade natural e não mais no
Qual é a causa última, o princípio supremo de todas as coisas? horizonte mítico. Para os pensadores pré-socráticos, ao bus-
Tales, citado por Aristóteles car a inteligibilidade de um fenômeno, explicar a origem de
uma realidade é encontrar o nexo causal natural, é relacionar
1. As origens da filosofia ocidental: as origens da filosofia um efeito a uma causa natural que o antecede e o determina.
remontam ao Período Pré-Socrático ou Cosmológico.
2. Os filósofos pré-socráticos:
As raízes da filosofia ocidental estão no trabalho dos
filósofos gregos durante os séculos V e VI. Esses filósofos, a) Tales de Mileto (624 – 546 a.C):
chamados de pré-socráticos, começaram a questionar o mun-
do em torno deles. Em vez de atribuir o que os cercava aos Diziam que suas preocupações eram muito distantes
deuses gregos, eles buscaram explicações mais racionais que da realidade. Tales se preocupava com o céu e com a previsão
pudessem explicar o mundo, o universo e a existência. de fenômenos naturais, exemplo disso é o famoso episódio
Era a filosofia da natureza. Os filósofos pré-socráticos das azeitonas, que, através de cálculos e observações empíri-
– também conhecidos como filósofos naturalistas – ques- cas, Tales propôs prever a produção de azeitonas em uma de-
tionavam de onde veio tudo, a partir de que tudo foi cria- terminada colheita (e acertou!). Tales também ficou famoso
do, como a natureza podia ser descrita matematicamente e ao elaborar o cálculo das pirâmides através de suas sombras.
como alguém poderia explicar a pluralidade da natureza. Eles Para ele, a vida vem da água.
buscavam encontrar um princípio fundamental, conhecido
como arqué, que seria o material básico do universo. Como b) Anaximandro de Mileto (610 – 546 a.C):
tudo no universo muda ou não permanece no mesmo exato
estado, os filósofos pré-socráticos determinaram que deviam Desenvolvedor de um dos “mapas mundi” de sua épo-
existir princípios de mudança contidos na arqué. ca e aperfeiçoador de um modelo de relógio de sol, Anaxi-
Assim, os historiadores da Filosofia dizem que ela pos- mandro, assim como Tales de Mileto, se indagava sobre a
sui data e local de nascimento, nas colônias gregas da Ásia origem do mundo através da natureza. Para ele, a água não
Menor (particularmente as que formavam uma região deno- poderia surgir do “nada”, ela já é uma substância existente
minada Jônia), na cidade de Mileto. E o primeiro filósofo e derivada de algum princípio. Assim, para ele, o princípio
foi Tales de Mileto. Além de possuir data e local de nasci- seria o infinito, ou seja, apeirón.
mento e de possuir seu primeiro autor, a Filosofia também
possui um conteúdo preciso ao nascer: é uma cosmologia. c) Anaxímenes de Mileto (588 – 524 a.C):
A palavra cosmologia é composta de duas outras: cosmos, que
significa mundo ordenado e organizado, e logia, que vem da Se inspirando nas teorias de Anaximandro, Anaxíme-
palavra logos, que significa pensamento racional, discurso ra- nes defendeu a ideia de que, o princípio formador de tudo
cional, conhecimento. deveria ser sim infinito, porém, o ar infinito. Para ele, por
exemplo, a Terra seria plana e estaria flutuando no ar. Já a
FILÓSOFO Arché lua, para ele, refletia a luz do sol e os eclipses representavam
uma obstrução planetária por outro corpo celeste. Para ele o
Tales de Mileto Água
princípio era o ar.
Anaximandro Apeíron (ilimitado)
Anaxímenes Ar d) Pitágoras (570 – 495 a.C):
Pitágoras Números
Segundo Pitágoras, o princípio da realidade é, não um
Heráclito Devir - Fogo elemento físico, mas o número, ou seja, a harmonia numérica
Empédocles Água, terra, fogo e ar (exata e equilibrada). Para ele, todas as variações da natureza
Anaxágoras Soma das substâncias básicas envolvem leis matemáticas, por exemplo: o tempo, desenvol-
vimento biológico, notas musicais, etc. Nesse sentido, para
Demócrito Átomos
ele o princípio é o número.
Esses primeiros filósofos foram denominados por Aris-
tóteles de ‘physiólogos’, o que vem a significar estudiosos da
natureza; dessa forma, o mundo natural (physis) passou a ser
o objeto de estudo desses primeiros filósofos, que inauguram
entre a busca por investigações racionais e científicas.

A mudança de olhar passou a focar no natural e não

HELP VESTIBULARES 135


PRÉ-SOCRÁTICOS
e) Heráclito de Éfeso (535 – 475 a.C) e Parmênides (530 mentos primordiais – terra, água, ar e fogo –, tese retomada
– 460 a.C): por Platão, no Timeu, e bastante difundida em toda a Anti-
guidade, chegando mesmo ao período moderno, presente nas
Em Parmênides e Heráclito, as preocupações, além especulações da alquimia no Renascimento até o surgimento
de possuírem caráter cosmológicos, passam a ser de origem da moderna química. Pode-se considerar inclusive que, de
ontológica, ou seja, da ontologia (reflexões sobre o ser/reali- certa forma, a química ainda hoje supõe que certos elemen-
dade). Para Parmênides a realidade é una e sem mudanças, tos básicos, como o hidrogênio, estejam presentes em todo o
enquanto para Heráclito a realidade é devir, ou seja, movi- universo.
mento. A importância da noção de arqué está exatamente na
tentativa por parte desses filósofos de apresentar uma expli-
cação da realidade em um sentido mais profundo, estabele-
cendo um princípio básico que permeie toda a realidade, que
de certa forma a unifique, e que ao mesmo tempo seja um
elemento natural. Tal princípio daria precisamente o caráter
geral a esse tipo de explicação, permitindo considerá-la como
inaugurando a ciência.
Iniciação à História da Filosofia, Danilo Marcondes

#ExemploComentado

(ENEM) A representação de Demócrito é semelhante à de


3. Texto de apoio: Anaxágoras, na medida em que um infinitamente múltiplo é
a origem; mas nele a determinação dos princípios fundamen-
A arqué (elemento primordial) tais aparece de maneira tal que contém aquilo que para o que
foi formado não é, absolutamente, o aspecto simples para si.
A fim de evitar a regressão ao infinito da explicação Por exemplo, partículas de carne e de ouro seriam princípios
causal, o que a tornaria insatisfatória, esses filósofos vão pos- que, através de sua concentração, formam aquilo que aparece
tular a existência de um elemento primordial que serviria de como figura.
ponto de partida para todo o processo. O primeiro a formu- HEGEL. G. W. F. Crítica moderna. In: SOUZA, J. C. (Org.).
lar essa noção é exatamente Tales de Mileto, que afirma ser Os pré-socrática: vida e obra. São Paulo: Nova Cultural. 2000
a água (hydor) o elemento primordial. Não sabemos por que (adaptado).
Tales teria escolhido a água: talvez por ser o único elemento O texto faz uma apresentação crítica acerca do pensamento
que se encontra na natureza nos três estados, sólido, líquido de Demócrito, segundo o qual o “princípio constitutivo das
e gasoso; talvez influenciado por antigos mitos do Egito e da coisas” estava representado pelo (a):
Mesopotâmia, civilizações de regiões áridas e que se desenvol- a) número, que fundamenta a criação dos deuses.
veram em deltas de rios e onde por isso mesmo a água aparece b) devir, que simboliza o constante movimento dos objetos.
como fonte da vida. Porém, o importante na contribuição de c) água, que expressa a causa material da origem do universo.
Tales não é tanto a escolha da água, mas a própria ideia de d) imobilidade, que sustenta a existência do ser atemporal.
elemento primordial, que dá unidade à natureza. e) átomo, que explica o surgimento dos entes.
É claro que a água tomada como primeiro princípio
é muito diferente da água de nossa experiência comum, que
bebemos ou que encontramos em rios, mares e lagos. Trata-se
realmente de um princípio, tomado aqui como simbolizando
o elemento líquido ou fluido no real como o mais básico,
mais primordial; ou ainda a água como o elemento presente
em todas as coisas em maior ou menor grau. Diferentes
pensadores buscaram eventualmente diferentes princípios
explicativos; assim, por exemplo, os sucessores de Tales na
Escola de Mileto, Anaxímenes e Anaximandro, adotaram
respectivamente o ar e o apeiron (um princípio abstrato sig-
nificando algo de ilimitado, indefinido, subjacente à própria
natureza); Heráclito dizia ser o fogo o princípio explicativo,
Demócrito o átomo e assim sucessivamente. Empédocles, Resposta: E
com sua doutrina dos quatro elementos, como que sintetiza
as diferentes posições, afirmando a existência de quatro ele- Gabarito:

136 HELP VESTIBULARES


SÓCRATES E OS SOFISTAS
I. Sócrates e os Sofistas 3. Sócrates (469 – 399 a.C.):

1. Período Socrático: “Conhece-te a ti mesmo”

Com o desenvolvimento das cidades, do comércio, do Nascido em Atenas em 469 a.C., era filho de um pe-
artesanato e das artes militares, Atenas tornou-se o centro da dreiro e de uma parteira; foi uma figura conhecida em Ate-
vida social, política e cultural da Grécia, vivendo seu perío- nas, envolvendo-se em inúmeras discussões filosóficas na
do de esplendor, conhecido como o Século de Péricles. É a Ágora – não deixou escritos, preferia dialogar com seus dis-
época de maior florescimento da democracia. A democra- cípulos – e ao contrário dos filósofos sofistas, acreditava que
cia grega possuía, entre outras, duas características de grande haveria uma única verdade, que poderia ser obtida através da
importância para o futuro da Filosofia. razão. O conhecimento verdadeiro conduziria ao comporta-
Em primeiro lugar, a democracia afirmava a igualdade mento adequado; o comportamento ruim deriva-se da falta
de todos os homens adultos perante as leis e o direito de to- de conhecimento.
dos de participar diretamente do governo da cidade, da polis. Seu método de filosofia ficou conhecido como “mé-
Em segundo lugar, e como consequência, a democra- todo socrático/dialético”. Propunha uma conversa com seu
cia, sendo direta e não por eleição de representantes, garantia interlocutor afim de que este chegasse à uma conclusão por
a todos a participação no governo, e os que dele participavam meio de seus questionamentos. Esse diálogo dividia-se em
tinham o direito de exprimir, discutir e defender em público dois momentos: a ironia e a maiêutica. Por ser um incomo-
suas opiniões sobre as decisões que a cidade deveria tomar. dador, foi acusado de corromper a juventude ateniense com
Surgia, assim, a figura política do cidadão. sua filosofia, sendo condenado a beber cicuta por subverter os
jovens e introduzir “novos deuses”.

2. Os “filósofos” Sofistas: “Mas tudo o que lhes peço é o seguinte: Quando os


meus filhinhos ficarem adultos, puni-os, é cidadãos, ator-
No período socrático, os pensadores, embora ainda mentai-os do mesmo modo que eu os vos atormentei, quan-
discutissem questões cosmológicas, ampliaram seus questio- do vos parecer que eles cuidam mais das riquezas ou de outras
namentos para a virtude, a moral e a política. Destacaram-se coisas do que da virtude. E, se acreditarem ser qualquer coisa
também neste período os chamados filósofos sofistas – re- não sendo nada, reprovai-os, como eu a vós: não vos preo-
lativistas, subjetivistas e retóricos. O pensador que mais se cupeis com aquilo que não lhes é devido. E, se fizerdes isso,
destacou neste período foi Protágoras (490 – 420 a.C.) – “O terei de vós o que é justo, eu e os meus filhos. Mas, já é hora
homem é a medida de todas as coisas”. de irmos: eu para a morte, e vós para viverdes. Mas, quem vai
para melhor sorte, isso é segredo, exceto para deus”.
“Que diziam e faziam os sofistas? Diziam que os en-
sinamentos dos filósofos cosmologistas estavam repletos de Platão, Apologia de Sócrates
erros e contradições e que não tinham utilidade para a vida
da polis. Apresentavam-se como mestres de oratória ou de 3. A morte de Sócrates:
retórica, afirmando ser possível ensinar aos jovens tal arte
para que fossem bons cidadãos. Que arte era esta? A arte da
persuasão. Os sofistas ensinavam técnicas de persuasão para
os jovens, que aprendiam a defender a posição ou opinião A,
depois a posição ou opinião contrária, não-A, de modo que,
numa assembleia, soubessem ter fortes argumentos a favor ou
contra uma opinião e ganhassem a discussão. O filósofo Só-
crates, considerado o patrono da Filosofia, rebelou-se contra
os sofistas, dizendo que não eram filósofos, pois não tinham
amor pela sabedoria nem respeito pela verdade, defendendo
qualquer ideia, se isso fosse vantajoso. Corrompiam o espí-
rito dos jovens, pois faziam o erro e a mentira valer tanto
quanto a verdade”.

Marilena Chaui – Convite a Filosofia


HELP VESTIBULARES 137


SÓCRATES E OS SOFISTAS
4. Texto de apoio: de oito pés, ou não acha que supõe?
MÊNON: Acho que sim.
[…] SÓCRATES: Disse há pouco, Mênon, que você é um SÓCRATES: Mas ele sabe?
brincalhão. E aí está você me perguntando se posso instruí- MÊNON: Claro que não.
-lo, quando digo que não há aprendizado mas apenas lem-
brança. Quer me pegar em contradição.
MÊNON: Garanto, Sócrates, que não foi essa minha inten- #ExemploComentado
ção, só falei por hábito. Contudo, se puder me provar de
alguma forma que é como diz, por favor faça-o. (UNICAMP) A sabedoria de Sócrates, filósofo ateniense que
SÓCRATES: Não é fácil, mas ainda pretendo fazer o máxi- viveu no século V a.C., encontra o seu ponto de partida na
mo por você. Apenas chame um dos seus serviçais, o que você afirmação “sei que nada sei”, registrada na obra Apologia de
quiser, para ajudar na minha demonstração. Sócrates. A frase foi uma resposta aos que afirmavam que ele
MÊNON: Certamente. Você aí, venha cá. era o mais sábio dos homens. Após interrogar artesãos, polí-
SÓCRATES: Ele é grego, suponho, e fala grego? ticos e poetas, Sócrates chegou à conclusão de que ele se dife-
MÊNON: Oh, sim, com certeza; nasceu na casa. renciava dos demais por reconhecer a sua própria ignorância.
SÓCRATES: Agora observe atentamente se ele parece lem- O “sei que nada sei” é um ponto de partida para a Filosofia,
brar ou se aprende comigo. pois:
MÊNON: Certo. a) aquele que se reconhece como ignorante torna-se mais sá-
SÓCRATES: Diga-me, rapaz, sabe que esta figura é um qua- bio por querer adquirir conhecimentos.
drado? b) é um exercício de humildade diante da cultura dos sábios
RAPAZ: Sei. do passado, uma vez que a função da Filosofia era reproduzir
SÓCRATES: Quer dizer que um quadrado tem quatro la- os ensinamentos dos filósofos gregos.
dos, todos iguais? c) a dúvida é uma condição para o aprendizado e a Filosofia
RAPAZ: Claro. é o saber que estabelece verdades dogmáticas a partir de mé-
SÓCRATES: E estas linhas traçadas no meio são também todos rigorosos.
iguais, não? d) é uma forma de declarar ignorância e permanecer distante
RAPAZ: Sim. dos problemas concretos, preocupando-se apenas com causas
SÓCRATES: E uma figura desse tipo pode ser maior ou me- abstratas.
nor, certo?
RAPAZ: Certo.
SÓCRATES: Agora, se este lado tivesse dois pés e aquele
também, quantos pés teria o quadrado? Coloquemos de ou-
tra forma: se um lado tivesse dois pés e o outro apenas um,
claro que a área seria de duas vezes um pé, não é?
RAPAZ: Sim.
SÓCRATES: Mas como o outro lado tem também dois pés,
a área então não é de duas vezes dois pés?
RAPAZ: É.
SÓCRATES: Então a área é de duas vezes dois pés?
RAPAZ: Sim.
SÓCRATES: Bem, e quanto são duas vezes dois? Conte e
me diga.
RAPAZ: Quatro, Sócrates.
SÓCRATES: E pode haver outra figura duas vezes maior que
esta mas do mesmo tipo, também com todos os lados iguais?
RAPAZ: Pode.
SÓCRATES: Então quantos pés terá?
RAPAZ: Oito.
SÓCRATES: Agora tente me dizer quanto medirá cada lado
dessa figura. Este aqui tem dois pés; quanto terá o lado do
outro quadrado que tem o dobro do tamanho?
RAPAZ: Sem dúvida o dobro, Sócrates.
SÓCRATES: Está observando, Mênon, que não ensino coisa Resposta: A
alguma ao rapaz, mas apenas lhe faço perguntas? E agora ele
supõe que sabe o tamanho da linha para traçar um quadrado Gabarito:

138 HELP VESTIBULARES


SOCIOLOGIA
Introdução ao estudo da Sociologia
Principais Influências
Auguste Comte e o Positivismo
Apresentação da teoria dos Clássicos da Sociologia
Émile Durkheim
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA SOCIOLOGIA
I. Introdução ao estudo da Sociologia 2. O conteúdo e as abordagens da Sociologia:

1. Origem da palavra: A Sociologia privilegia o estudo das relações sociais e


da forma de associação entre os indivíduos de uma comuni-
dade. Trata-se de uma disciplina que considera as interações
que ocorrem na vida em sociedade: engloba o estudo dos gru-
pos e dos fatos sociais, das divisões em classes e camadas, da
mobilidade social e da interação entre as pessoas e grupos que
a constituem. Em síntese, a Sociologia é uma ciência que es-
tuda a sociedade por meio da observação do comportamento
humano.
Neste sentido, a Sociologia é uma Ciência Social. Vale
ressaltar que a metodologia, utilizada nas Ciências Sociais, é
diferente dos métodos utilizados pelas Ciências Naturais. En-
quanto estas empregam vários métodos precisos – cálculos,
previsibilidade, demonstrações - as Ciências Sociais empre-
gam processos quantitativos e de observação.
A meta primordial das Ciências Sociais é ampliar o
Em 1839, durante seu Curso de Filosofia Positiva, conhecimento sobre o ser humano em sua dinâmica social.
Auguste Comte teria empregado pela primeira vez a palavra Pode-se dizer que a Sociologia revela a sociedade como ela
“Sociologia”. Etimologicamente, a palavra “sociologia” é hí- é de fato, não como ela deveria ser. Logo, o propósito da
brida, resultado da fusão de dois outros vocábulos: societas, Sociologia é o de contribuir para uma melhor compreensão
termo em latim que significa sociedade, e logos, do grego, acerca da sociedade, o que permite que certas medidas sejam
que significa estudo. Assim, a palavra Sociologia significa, em tomadas para melhorar a vida daqueles que dela fazem parte.
termos gerais, o estudo científico da sociedade, a análise das
formas de convivência humana. 3. A Sociologia e as demais ciências sociais:
Com o passar do tempo, a palavra Sociologia foi ga-
nhando uma infinidade de conceitos que servem para iden- Com o aperfeiçoamento do mundo social e o avanço
tifica-la e explica-la, distinguindo-a de outras ciências ou ou- do conhecimento, tornou-se necessária a divisão das ciências
tras formas de saber. Para Emile Durkheim, por exemplo, “a sociais em diversas outras disciplinas, com o intuito de pro-
sociologia é a ciência das instituições”. Já para os sociólogos duzir um conhecimento mais rigoroso e criterioso, facilitan-
Lester Ward e W. G. Summer ela designaria uma “ciência do o estudo sistemático e das pesquisas. Assim pode-se desta-
da sociedade”. F. H. Gilddings proclamou que a sociologia car algumas ciências sociais que contribuíram, e continuam
seria “a ciência dos fenômenos sociais”. Ela também já foi contribuindo, para os estudos sociológicos e para compreen-
definida por Robert Park como “ciência do comportamento são e interpretação do mundo social:
coletivo”, por Small de “ciência das relações humanas”. Max
Weber rebate que a “sociologia é a ciência que procura uma - Economia – analisa as atividades ligadas à produção, distri-
compreensão interpretativa da ação social para a partir daí buição, circulação de bens e serviços;
chegar à explicação causal do seu sentido e dos seus efeitos”. - Ciência política – estuda a distribuição de poder nas socie-
Tais conceitos foram enriquecidos pela colaboração dades, bem como a formação e o desenvolvimento das diver-
de alguns sociólogos brasileiros; é o caso de Carlos Benedito sas formas de governos;
Martins, para quem, a “sociologia é o resultado de uma tenta- - Antropologia – pesquisa as relações, semelhanças e diferen-
tiva de compreensão de situações sociais radicalmente novas, ças culturais entre os vários grupos humanos, assim como a
criada pela então sociedade capitalista”; Costa Pinto afirma origem e a evolução das culturas.
que a “sociologia é o estudo científico da formação, organiza-
ção e transformação da sociedade humana”. 4. A Sociologia e o cotidiano.
De qualquer forma, o significado da palavra “socio-
logia” remete sempre aos princípios e instituições próprias A sociologia interfere constantemente em nosso dia-a-
à vida social, seja a partir das relações entre as pessoas, que -dia. Em sociedade, estamos sempre interagindo com outras
vivem em uma comunidade, seja através da interação entre pessoas através dos grupos sociais. Quando não estamos em
diversos grupos sociais. casa, com o nosso grupo familiar, geralmente estamos na rua
com o grupo de amigos ou na escola nos relacionando com os
colegas e professores; enfim estamos sempre nos relacionando
socialmente.

HELP VESTIBULARES 141


INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA SOCIOLOGIA
Fazemos parte de um sistema estrutural e conjuntu-
ral no qual precisamos compreender e descobrir que muitos
fatos (“problemas”) que ocorrem em nossa vida diária estão
ligados às condições sociais. É neste conjunto de relações so-
ciais que a sociologia busca compreender e explicar a socieda-
de, nossa complexidade, antagonismo, harmonia, crises, etc.
Falamos, portanto, em seres biológicos e seres socioló-
gicos. Os primeiros alinham-se ao viés orgânico da vida: tra-
ta dos movimentos ditos naturais do indivíduo quais sejam
acordar, dormir, respirar. Mas as pessoas também cooperam
umas com as outras no trabalho, recebem salários, descontam
cheques, entram em greve, estudam, namoram, casam e etc.
– isso é sociológico (superorgânico). São essas atividades que
fazem do homem um ser sociológico e, que merecem toda
a atenção da sociologia enquanto ciência que busca a com-
preensão e explicação dos diversos tipos de relações sociais.
O ensino de Sociologia foi instituído pelo MEC atra-
vés de lei nº 11684/2008 onde se prevê o ensino de filosofia
e sociologia nas três séries do Ensino Médio.

142 HELP VESTIBULARES


PRINCIPAIS INFLUÊNCIAS
I. Principais Influências do Sol, em oposição à visão cristã de que a Terra está no cen-
tro do universo.
1. Surgimento da Sociologia:
→ Francis Bacon: Apenas afirmações baseadas em informa-
A sociologia estuda tanto a sociedade como um todo ções empíricas, através da experiência, poderiam ser aceitas
quanto os fenômenos sociais de forma específica. Desse como verdadeiras. EX: As afirmações deveriam ser postas a
modo, é possível fazer um estudo sociológico do surgimento prova por meio de experimentos empíricos.
da própria Sociologia. Ainda que desde a Antiga Grécia ti-
vessem discussões acerca da sociedade, passando pela idade → Galileu Galilei: “A linguagem da natureza é a linguagem
Média e pelos pensadores políticos dos séculos XVII e XVIII, da matemática. Obteve inúmeras descobertas científicas atra-
a sociologia como ciência foi introduzida por Auguste Comte vés de experimentos empíricos.
em 1836.
Três grandes mudanças sociais ocorridas a partir do → René Descartes: “Penso, logo existo. Método cartesiano
século XVII influenciaram diretamente o surgimento da SO- – primeiro o mais simples depois o mais complexo para resol-
CIOLOGIA: Revolução Científica, Revolução Industrial e a ver um problema. Ele dividia seu problema para chegar em
Revolução Francesa. uma conclusão. A fundamentação de regras para um Método
para conduzir o caminho para a verdade.
- REVOLUÇÃO CIENTÍFICA – Investigação racional da
realidade – Matematização da natureza. - REVOLUÇÃO INDUSTRIAL: Cada trabalhador passa a
realizar uma única tarefa em uma cadeia produtiva em cada
Os grandes pensadores deste tempo estavam cansados fábrica, ao invés de ocupar todas as fases de uma produção. A
de algumas explicações vindas das tradições filosóficas e reli- revolução industrial reforçou a tendência de urbanização: o
giosas, sendo assim, assumiram a postura de pesquisa racio- campesinato virou operariado e passou a viver nas redondezas
nal e empírica, ou seja, optaram por estudar os fenômenos das fábricas, abandonando antigos hábitos.
naturais através da razão e da experiência.
- REVOLUÇÃO FRANCESA: Luta pelo fim de uma ordem
Coisa curiosa: dois mil anos antes, Pitágoras havia pro- social e início de outra.
clamado que o número é a própria essência das coisas: e a Bíblia Principais causas: filósofos iluministas, privilégios da
havia ensinado que Deus fundara o mundo sobre “o número, nobreza, sociedade dividida em bases, poder absoluto do Rei.
o peso, a medida”. Todos repetiram – mas ninguém acreditou. O proletariado era miserável e estava insatisfeito com
Pelo menos, até Galileu, ninguém levou a sério. Nunca ninguém suas condições, após o fim da Revolução Francesa, teve a as-
tentou determinar esses números, esses pesos e essas medidas. Nin- censão de Napoleão Bonaparte.
guém se atreveu a contar, pesar e medir. Ou mais exatamente,
ninguém procurou ultrapassar o uso prático do número, do peso, As mudanças sociais ocorridas na França e em toda
da medida na imprecisão da vida cotidiana – contar os meses Europa levaram pensadores e políticos europeus a refletirem
e os animais, medir as distâncias e os campos, pesas o outro e o sobre a realidade social – essa reflexão originou a SOCIO-
trigo – para fazer deles um elemento preciso. (Alexandre Koyré. LOGIA.
Do mundo fechado ao universo da precisão)
2. Transformações ocorridas com a modernidade:

Sociedade Rural Sociedade Moderna (Urbana)


Tradição (Relações fami- Moderno (relações impessoais)
liares)
Teocentrismo Antropocentrismo
Feudalismo Capitalismo
Servidão Trabalho assalariado
Aristocracia Burguesia

→ Copérnico: O sistema geocêntrico ptolomaico era o mais


aceito pela tradição da Igreja, pois correspondia ao que a Bí-
blia determinava: um universo que girava em torno da Terra.
Porém, Nicolau Copérnico propõe que a Terra gira em torno

HELP VESTIBULARES 143


PRINCIPAIS INFLUÊNCIAS
04) No futuro, a sociologia, como disciplina de caráter for-
temente artesanal, será substituída por abordagens mais tec-
nicistas, tais como a engenharia social, a econometria e a so-
ciobiologia.
08) Estrutura, função, valores e classes sociais são categorias
utilizadas pela sociologia para elaborar suas análises.
16) Valores religiosos, afetivos, estéticos e morais dizem res-
peito a escolhas individuais e, portanto, não são analisados
pela sociologia.

A busca de compreensão e explicação da sociedade já


existia desde a Antiguidade, passando pelo Período Medie-
val e Idade Moderna, mas este pensamento não tinha uma
base sociológica, pois os filósofos dessa época acreditavam
que Deus e a natureza controlavam a sociedade, teorizavam
modelos de sociedades ideais requisitando às pessoas que se-
guissem esses modelos, por isso, durante todos esses períodos
o pensamento sobre o social estava influenciado por um ca-
ráter normativo (estabelecer regras para vida social) e finalista
(objetivo de uma organização social ideal), impedindo um
entendimento científico da realidade social. Outro fator que
contribuiu para a inexistência da sociologia foi o fato de que
as sociedades pré-capitalistas eram relativamente estáveis, o
ritmo e o nível das mudanças eram razoavelmente lentos, não
se percebendo a sociedade enquanto um “problema” merece-
dor de análises e investigação minuciosa (científica).
No século XIX, a Sociologia começou a ser observada
como uma disciplina científica, sendo uma resposta acadêmi-
ca para os novos desafios da era moderna. Neste período, o
mundo se tornava cada vez menos e mais integrado o que co-
meçava a gerar uma consciência nas pessoas sobre o mundo,
e de que o mesmo estava se espalhando e alargando.

#ExemploComentado

(Uem) A sociologia surge, como disciplina, no período com-


preendido entre o final do século XIX e o início do século
XX. Esse processo está relacionado a revoluções sociais, polí-
ticas, culturais e econômicas que afetaram profundamente as
sociedades influenciadas pelas ideias ocidentais, mas também
está fortemente associado a transformações ocorridas na pro-
dução de conhecimento sobre o humano. Nesse sentido, é
correto afirmar que:
01) A compreensão dos fenômenos sociais levou ao entendi-
mento de que a sociologia é capaz de explicar qualquer fenô-
meno relacionado aos seres humanos a partir de causas que
emanam do mundo social e do mundo natural nos aspectos
em que tal fenômeno é afetado pela ação humana.
02) Crença religiosa, pobreza, justificativa para existência de
elites e privilegiados, submissão dócil de alguns grupos so- Resposta: 11 (01,02,08)
ciais a outros, machismo, preconceito e xenofobia são temas
da sociologia. Gabarito:

144 HELP VESTIBULARES


AUGUSTE COMTE E O POSITIVISMO
I. Auguste Comte e o Positivismo de formas práticas que venham evitar ou suavizar as crises na
sociedade – “Conhecer para prever, prever para prover” – O
conhecimento deveria existir para fazer previsões e também
para dar soluções dos possíveis problemas.
A ciência não só como conhecimento mas também
como método reúne elementos essências – racional e empíri-
co – para a análise da sociedade.

1. Três etapas do pensamento comtiano:

O objetivo da combinação das leis dos três estados


com a classificação das ciências é provar que a maneira de
pensar que triunfou na matemática, na física, na astronomia,
na química e na biologia, deve se impor também na política,
Isidore Aguste Marie Françoi Xavier Comte é conside- levando a constituição de uma ciência positiva da sociedade
rado o pai da Sociologia, seu pensamento em relação à socie- – A SOCIOLOGIA.
dade é teleológico, ou seja, tem uma finalidade, está seria o
PROGRESSO. Sua principal colaboração para o pensamen-
to social diz respeito à cienticidade da sociedade.
A sociologia é estabelecida, como as demais ciências,
como uma ciência de observação, e recebe a denominação
de física social. Todavia, Comte mudará este nome para SO-
CIOLOGIA, a fim de evitar a ideia de que a ciência que
fundava fosse confundida com a mera análise estatística de
questões sociais. Essa mudança de nome deixa claro que a O estado teológico é concebido por Comte como
sociologia tem seu próprio objeto e seus próprios métodos; sendo provisório e preparatório, e é caracterizado por uma
ela não é a aplicação das teorias da Matemática, da Física ou forma de pensar ainda mitológica, em que o espírito humano
da Biologia à sociedade. busca explicações para os fenômenos em entidades sobrena-
A sociologia foi criada por Comte para estudar cientifi- turais – O mundo através da religião.
camente os problemas da sociedade e resolvê-los. É necessário As pessoas atribuíam a entidades e forças sobrenatu-
conhecer cientificamente a realidade, o que se dá por meio rais as responsabilidades pelos acontecimentos. Essas entida-
da descoberta das leis naturais que regulam o funcionamento des podiam ser os espíritos existentes nos objetos, animais e
da sociedade. A partir daí, é possível agir sobre tal realidade, plantas (fetichismo), vários deuses (politeísmo) ou um deus
sendo assim, Comte rejeita a Teologia e recusa a metafísica único e onipotente (monoteísmo).
para compreender certa realidade. No estudo da sociedade no O estado metafísico era entendido por Comte como
ponto de vista comtiano, há três elementos específicos: explicações advindas de abstrações puras e conceitos abstra-
tos. Surgiu quando as entidades sobrenaturais foram substi-
→ RELATIVISMO: O conhecimento se altera conforme o tuídas por ideias e causas abstratas e, portanto, racionais. Os
ambiente social e o tempo histórico; pensamentos abstratos e filosóficos guiariam o mundo.
→ HOLISMO: Estudar a sociedade como um todo; O estado positivo, tido por Comte como estado de
→ HISTORICIDADE: Estudar a sociedade em sua totali- virilidade da inteligência, representa uma ruptura radical
dade histórica. Não é possível compreender um fenômeno com a postura metafísica. As questões filosóficas tradicionais
social particular se este não estiver inserido no todo social e que nortearam séculos de discussão, como a origem e destino
no devenir histórico. das coisas, bem como a sua essência, etc., são substituídas
por questões que remontam diretamente ao observável. Com
O papel da sociologia, ou física social, é buscar na his- efeito, o importante nesse estado não é conhecer as causas
tória (enquanto reunião de fatos), através do estudo aprofun- dos fenômenos, mas pesquisar, através da observação, as leis
dado do passado, uma explicação verdadeira do presente e que explicam as relações existentes entre eles. O estado po-
uma demonstração geral do futuro. Ou seja, cabe à sociologia sitivo, portanto, é o estado científico. Seria o momento do
estabelecer as relações mútuas dos fatos sociais e compreen- pensamento em que o conhecimento científico teria alcança-
der suas influências no conjunto do desenvolvimento huma- do sua mais alta perfeição, a ponto de servir de modelo para
no, permitindo, assim, uma evidenciação, por meio de leis a reorganização da sociedade como um todo. Corresponde
naturais, das diversas tendências próprias de cada época. Os à era da ciência e da industrialização, na qual se invocam
resultados dessas investigações devem poder orientar o ho- leis com base na observação empírica, na comparação e na
mem político, no que diz respeito à descoberta e instituição experiência.

HELP VESTIBULARES 145


AUGUSTE COMTE E O POSITIVISMO
De acordo com Comte, nenhuma das duas primeiras mento da nova sociedade industrial – Modelo Positivo para
fases eram boas, apenas quando a sociedade chegasse no últi- Comte: Europa Industrial.
mo estágio de sua evolução, ou seja, no estado POSITIVO, é Auguste Comte objetivou aplicar à análise da so-
que o mundo seria ideal, este seria explicado única e exclusi- ciedade os mesmos pressupostos metodológicos das ciências
vamente pela ciência – A ERA POSITIVA. naturais e exatas, concebendo a sociedade como um todo or-
O Positivismo é uma corrente sociológica cujo pre- gânico constituído de partes que se relacionam trabalhando
cursor foi o francês Auguste Comte. Surgiu com o desen- com os princípios da estática que estuda as condições cons-
volvimento sociológico do Iluminismo e das crises social e tantes da sociedade e da dinâmica social, que investiga as leis
moral do fim da Idade Média e do nascimento da sociedade de seu progressivo desenvolvimento.
industrial. A ideia fundamental da estática é a ordem e da dinâ-
O positivismo derivou do “cientificismo”, isto é, da mica o progresso. ORDEM E PROGRESSO constituem o
crença no poder exclusivo e absoluto da razão humana em eixo central do positivismo de Comte.
conhecer a realidade e traduzi-la sob a forma de leis naturais.
Seu conhecimento pretendia substituir as explicações #ExemploComentado
teológicas, filosóficas e de senso comum por meio das quais
até então o homem explicava a sociedade. Assim, para Com- (Unimontes) As preocupações intelectuais de Auguste Com-
te, a Sociologia deveria ter o estatuto de ciência, deveria seguir te (1798-1857) decorrem, principalmente, da herança do
os métodos e critérios das ciências naturais, isto é, comprovar Iluminismo e da Revolução Francesa. Inspirado no método
através de métodos objetivos suas análises e buscar a criação de investigação das ciências da natureza, procurava identifi-
de leis sociais invariáveis e independentes da ação humana car os princípios da vida social assim como outros cientistas
objetivando constatar a ordem que reina no mundo social, explicavam a vida natural. Além de cunhar o nome da nova
de modo a agir sobre ela. Assim, o espírito positivo, segundo ciência de Sociologia, foi dele a primeira tentativa de definir-
Comte, tem a Ciência como investigação do real. -lhe o objeto, seus métodos e problemas fundamentais, bem
como a primeira tentativa de determinar-lhe a posição no
2. Estática e Dinâmica: conjunto das ciências. Considerando as reflexões e definições
de Auguste Comte sobre a natureza da Sociologia, analise as
Segundo Comte, os fenômenos sociais devem ser es- afirmativas a seguir:
tudados a partir de dois pontos de vista, a saber: do estático I. Definiu a lei dos três estados, na qual o conhecimento está
e do dinâmico. O estático está relacionado com a questão da sujeito, em sua evolução, a passar por três estados diferentes:
ordem, e o dinâmico com o progresso. o teológico, o metafísico e o positivo.
Do ponto de vista estático são estudadas as condi- II. Propôs classificação das ciências, que tratam do pensa-
ções constantes da sociedade, isto é, as condições que se mos- mento sobre cada domínio do universo e da sociedade, pela
traram comuns a todas as sociedades em todos os tempos, ordem, matemática/astronomia, física, química, biologia e
buscando explicar as ligações entre a organização política e sociologia.
a civilização – Elementos da Estática: Religião, Linguagem, III. Defendeu que a observação cuidadosa dos fatos empíricos
Família, Propriedade, Governo. e o teste sistemático de teorias sociológicas tornam-se modos
Já do ponto de vista dinâmico são estudadas as leis dominantes para se acumular conhecimento metafísico.
progressivas do desenvolvimento social; sendo o progresso IV. Preocupou-se em definir a Sociologia como ciência da
compreendido não como um aumento de coisas, como con- humanidade, capaz de desvendar as leis da organização hu-
forto, felicidade e justiça, mas como uma melhoria da ação mana, cujo conhecimento deveria ter utilidade prática a fim
humana sobre a natureza; e no caso da sociologia, mais pro- de melhorar a vida das pessoas.
priamente, como um aperfeiçoamento da organização social. Estão CORRETAS as afirmativas:
A dinâmica social analisa o modo como as sociedades cami- a) I, II e III, apenas.
nham através das suas etapas de desenvolvimento. b) I, III e IV, apenas.
Toda mudança, isto é, o progresso, deveria estar con- c) I, II e IV, apenas.
dicionada pela manutenção da ordem social. d) II, III e IV, apenas.
A obra de Auguste Comte está permeada pelos acon-
tecimentos que marcaram a França pós-revolucionária. Ele
defendeu em parte o espírito de 1789 e criticou a restaura-
ção da monarquia, preocupando-se fundamentalmente em
como organizar a nova sociedade, que, no seu entender, es-
tava em ebulição e em total caos. Para Comte, a desordem e
a anarquia imperavam por causa da confusão de princípios Resposta: C
(teológicos e metafísicos) que não podiam mais se adequar à
sociedade industrial em expansão. Era, portanto, necessário Gabarito:
superar esse estado de coisas, usando a razão como funda-

146 HELP VESTIBULARES


APRESENTAÇÃO DA TEORIA DOS CLÁSSICOS DA SOCIOLOGIA
I. Apresentação da teoria dos Clássicos da Sociologia ser harmoniosa como pensam Comte e Durkheim, mas tam-
bém não propõe uma revolução como faz Marx, mas afirma
O termo Sociologia foi criado por Augusto Comte que o papel da Sociologia é observar e analisar os fenômenos
(1798-1857), sendo considerado o pai da Sociologia – pro- que ocorrem na sociedade, buscando extrair desses fenôme-
vavelmente o primeiro pensador moderno. Comte defendia nos os ensinamentos e sistematizá-los para uma melhor com-
a ideia de que para uma sociedade funcionar corretamente, preensão, é por isso que sua Sociologia recebe o nome de
precisa estar organizada e só assim alcançará o progresso. Seu compreensiva.
esquema sociológico era tipicamente positivista, corrente Weber valorizava as particularidades, ou seja, a for-
com grande expressão no século XIX. Os principais pensa- mação específica da sociedade; entende a sociedade sob uma
dores clássicos da Sociologias são: Marx, Durkheim e Weber. perspectiva histórica, diferente dos positivistas.
Um dos conceitos chaves da obra e da teoria socioló-
1. Karl Marx (1818-1883): gica de Weber é a ação social. A ação é um comportamen-
to humano no qual os indivíduos se relacionam de maneira
Foi um intelectual e revolucionário alemão, fundador subjetiva, cujo sentido é determinado pelo comportamento
da doutrina comunista moderna, atuou como economista, alheio. Esse comportamento só é ação social quando o ator
filósofo, historiador, teórico político e jornalista e foi o mais atribui à sua conduta um significado ou sentido próprio, e
revolucionário pensador sociológico. esse sentido se relaciona com o comportamento de outras
Marx concebe a sociedade dividida em duas classes: a pessoas.
dos capitalistas que detêm a posse dos meios de produção e o
proletariado (ou operariado), cuja única posse é sua força de
trabalho a qual vendem ao capital. Tal divisão, segundo ele,
gera a desigualdades, dando origem à luta de classes.
Marx foi um defensor do comunismo, pois essa seria
a fase final da sociedade humana, alcançada somente a partir
de uma revolução proletária, acreditando assim na ideia utó-
pica de uma sociedade igualitária ou socialista.

2. Émile Durkheim (1858-1917):

Foi o fundador da escola francesa de Sociologia, ao


combinar a pesquisa empírica com a teoria sociológica. Ain-
da sob influência positivista, lutou para fazer das Ciências
Sociais uma disciplina rigorosamente científica. Durkheim
entendia que a sociedade era um organismo que funcionava
como um corpo, onde cada órgão tem uma função e depende
dos outros para sobreviver. Ao seu olhar, o que importa é o
indivíduo se sentir parte do todo, pois caso contrário ocorre-
rá anomalias sociais, deteriorando o tecido social.
Para Durkheim, a Sociologia deve estudar os fatos so-
ciais, os quais possuem três características:
a) coerção social
b) exterioridade
c) poder de generalização

Pela sua perspectiva, o cientista social deve estudar a


sociedade a partir de um distanciamento dela, sendo neutro,
não se deixando influenciar por seus próprios preconceitos,
valores, sentimentos etc.

3. Max Weber (1864-1920):

Foi um intelectual alemão, jurista, economista e consi-


derado um dos fundadores da Sociologia e é o pensador mais
recente dentre os três, conhecedor tanto do pensamento de
Comte e Durkheim quanto de Marx. Assim, ele entende que
a sociedade não funciona de forma tão simples e nem pode
HELP VESTIBULARES 147
ÉMILE DURKHEIM
I. Émile Durkheim fatos sociais, que correspondem a maneiras de agir, sentir e
pensar de um grupo social.
Há em toda sociedade um grupo determinado de fenômenos
que se distinguem por caracteres definidos daqueles que as ou- Os fatos sociais possuem três características impor-
tras ciências da natureza estudam. Quando desempenho minha tantes: são gerais, exteriores e coercitivos a todos os indi-
tarefa de irmão, de marido ou de cidadão, quando executo os víduos.
compromissos que assumi, eu cumpro deveres que estão definidos,
fora de mim e de meus atos, no direito e nos costumes. Ainda 1. Características do Fato Social:
que eles estejam de acordo com meus sentimentos próprios e que
eu sinta interiormente a realidade deles, esta não deixa de ser Característica relacionada com a
objetiva; pois não fui eu que os fiz, mas os recebi pela educação. força dos padrões culturais do gru-
GERAIS po que os indivíduos integram. Es-
[...] se em lugar de vermos no suicídio apenas eventos particula- tes padrões culturais são fortes de tal
res, isolados uns dos outros e que exijam, cada um deles, exame maneira que obrigam os indivíduos
em separado, considerarmos o conjunto dos suicídios cometidos a cumpri-los.
em dada sociedade durante um dado espaço de tempo, iremos
Esta característica transmite o fato
verificar que o total assim obtido não é a simples soma de uni-
desses padrões de cultura serem “ex-
dades independentes, um todo de coleção, mas que constitui por EXTERIORES teriores aos indivíduos”, ou seja, ao
si mesmo um fato que é novo e sui generis, com unidade e indi-
fato de virem do exterior e de serem
vidualidade, e pois com sua natureza própria, e que, além disso,
independentes das suas consciên-
essa natureza é eminentemente social.
cias.
Os fatos sociais são impostos pela
sociedade ao indivíduo. Pode-se
aceitar até de boa vontade seguir os
comportamentos sociais como uma
COERCITIVOS escolha individual, mas, quando as
normas e regras sociais não são se-
guidas, a sociedade pressiona para
que sejam reproduzidas.

Sintetizando, uma sociedade é feita de indivíduos que


conseguem conviver porque têm em comum valores e regras.
Continuando o trabalho iniciado por Comte, o de Compreender um fato social consiste, deste modo, em iden-
fazer da Sociologia uma ciência, numa visão positiva, surge tificar suas causas e os fins para que serve, procurando esta-
nessa história o sociólogo francês Émile Durkheim (1858- belecer se há correspondência entre o fato considerado e as
1917). Dar à Sociologia uma reputação científica foi o seu necessidades gerais do organismo social em que consiste essa
principal trabalho. É a partir desse pensador que a Sociologia relação.
ganha um formato mais “técnico”, sabendo o que e como ela Sendo assim, segundo Durkheim, A sociedade preva-
iria buscar na sociedade. Com métodos próprios, a Sociologia lece sobre o indivíduo – o homem defronta-se com regras de
deixou de ser apenas uma ideia e ganhou “status” de ciência. conduta que não foram criadas por ele.
Assim, na sociologia, a importância do autor advém
do pioneirismo em definir os métodos de trabalho dos soció- FATO SOCIAL: regras gerais.
logos e estabelecer os primeiros conceitos disciplina, dando a
ela uma reputação científica.
O modelo de Durkheim estabelece, logo de início,
a especificidade dos fenômenos sociais, não redutíveis, em
particular, a fatos de caráter psicológico. Mesmo que o soció-
logo necessite fazer referência à psicologia, a regra é explicar
o social pelo social. Assim, estabelece uma analogia de uma
sociedade como um organismo vivo constituído de órgãos
(estrutura) que preenchem funções sociais.
A sociologia de Durkheim possui dois conceitos im-
portantes, os fatos sociais e a solidariedade, sendo que ambos
devem ser entendidos em conjunto e de forma interdepen-
dentes. Segundo o autor, a Sociologia consiste no estudo dos

148 HELP VESTIBULARES


ÉMILE DURKHEIM
2. A divisão do trabalho social: mundo social mas também encontrar soluções para a vida
social, de modo que a sociedade busque continuamente uma
via saudável de produção e reprodução

3. O suicídio: Estudo sociológico

Os problemas de integração do indivíduo na socieda-


de moderna são retomados por Durkheim em um uma de
suas obras mais clássicas: O suicídio. Neste texto, o pensa-
dor francês tenta mostrar que o comportamento de se suici-
dar também possuí causas sociais. O suicídio, definido por
Durkheim como “todo caso de morte provocado direta ou
indiretamente por um ato positivo ou negativo realizado pela
própria vítima e que ela sabia que devia provocar esse resul-
Na primeira de suas grandes obras, Durkheim busca tado” (Durkheim), não se deve apenas a causas psicológicas,
analisar qual é a função que a divisão do trabalho cumpre psicopatológicas ou mesmo a processos de imitação. Uma das
nas sociedades modernas. Nesta obra, o autor adota a tese forças que também determina o suicídio é o social.
de que o mundo moderno é resultado de um processo de Para entender este fenômeno Durkheim estuda, atra-
diferenciação social. Em seu esquema, o ponto de partida do vés de recursos estatísticos, as “taxas de suicídios”, julgando
processo de evolução social seriam as sociedades regidas pela ser este o indicador fundamental que exprime a tendência
solidariedade mecânica e seu ponto de chegada as socieda- ao suicídio pela qual uma determinada sociedade pode ser
des caracterizadas pela solidariedade orgânica. afligida. Com base neste recurso, Durkheim distingue quatro
A teoria da modernidade de Durkheim é construída tipos de suicídio:
na interpretação polar destes dois tipos de sociedade que ele
procura explicar a partir dos seguintes elementos: - Suicídio egoísta – Resultado da não integração dos
indivíduos às instituições, grupos ou redes sociais que per-
Solidariedade Mecânica Solidariedade Orgânica meia a vida social. Neste caso, “o ego individual se afirma
demasiadamente face ao ego social e à custa deste último”
Sociedade Simples Sociedade Urbana e In-
(Durkheim).
dustrial
Esta forma de suicídio tem como causa fundamental
Família e Tradição Divisão racional traba- o excesso de individualismo e também se verifica em mo-
lhos e funções mentos de desagregação social, refletindo-se em sentimentos
Coerção de forma ime- Coerção formalizada como a depressão e a melancolia.
diata, violenta e punitiva (leis) e mediada
Pré-capitalista Capitalista - Suicídio altruísta – Praticado quando o indivíduo se
identifica tanto com a coletividade, que é capaz de tirar sua
Perspectiva Horizontal Perspectiva Vertical
vida por ela (mártires, kamikazes, honra, etc.).
Neste caso, “o ego não se pertence, se confunde com
outra coisa que ele próprio, em que o polo de sua conduta
O que distingue cada um destes momentos da evolu-
se situa fora de si mesmo, ou seja, num dos grupos a que e
ção da sociedade são os mecanismos que geram a solidarieda-
ele pertence” (Durkheim). Ele é o mais comum entre as so-
de social: a consciência coletiva e a divisão do trabalho social.
ciedades pré-modernas e tradicionais, mas também pode ser
A solidariedade mecânica e a solidariedade orgânica são di-
encontrado nas civilizações modernas.
ferentes estratégias dos indivíduos nos grupos ou nas insti-
tuições sociais. Na primeira, a regulação moral das condutas
- Suicídio anômico – É aquele que se deve a um esta-
sociais decorre das normas contidas na consciência coletiva.
do de desregramento social, no qual as normas estão ausentes
Na segunda, a moralidade social emana da própria divisão do
ou perderam o sentido. Esta forma de suicídio seria típica na
trabalho, na medida em que ela valoriza a contribuição de
sociedade moderna, seja nos momentos de crise econômica
cada indivíduo no processo de cooperação social.
ou mesmo de abundância material.
Émile Durkheim buscou compreender a solidariedade
social como fator fundamental na explicação da constituição
- Suicídio fatalista – Trata-se de um tipo de suicídio
das organizações sociais, considerando para tanto o papel
residual, que aparece de forma bastante marginal em sua obra.
de uma consciência coletiva, a dinâmica dos fatos sociais e
Ele seria resultado do excesso de regulamentação moral sobre
a divisão do trabalho social. Considerava assim, a sociedade
o indivíduo, de tal maneira que suas aspirações e desejos fi-
como um organismo em constante adaptação. A sociologia
cam anulados por uma disciplina excessivamente opressiva.
neste sentido, tinha por finalidade não apenas explicar o

HELP VESTIBULARES 149


ÉMILE DURKHEIM
Em cada um destes tipos de suicídio, Durkheim te-
matiza os problemas da realidade entre o indivíduo e a socie-
dade. No caso do primeiro par (egoísmo x altruísmo), o que
temos são problemas na ordem de integração social, causa-
dos ou pela falta de absorção do indivíduo nos organismos
sociais, derivados do enfraquecimento dos grupos religiosos,
familiares e políticos (suicídios egoístas); ou, ao contrário,
pela anulação da individualidade e do senso de autonomia
diante do peso excessivo destes mesmos grupos (suicídio al-
truísta). A segunda polaridade (anomia x fatalismo) diz res-
peito à dimensão da regulação social e envolve a capacidade
da sociedade em controlar, mediante as normas morais, os
desejos e aspirações sempre infinitos dos indivíduos. Quando
as normas morais dos diferentes grupos sociais não conse-
guem regulamentar o comportamento humano verifica-se o
suicídio anômico. E, quando a força destas normas oprime o
indivíduo, ocorre o suicídio fatalista. Em todos estes casos, o
suicídio pode ser causado pelo excesso de peso da sociedade
sobre o indivíduo, ou pelo afrouxamento dos laços entre o in-
divíduo e a coletividade. Em qualquer dos casos, suas causas
serão predominantemente sociais.
Para Durkheim: “O suicídio é vulgarmente e antes de
mais nada o ato de desespero de um indivíduo a quem a vida já
não interessa.”.

#ExemploComentado

(Enem) A sociologia ainda não ultrapassou a era das cons-


truções e das sínteses filosóficas. Em vez de assumir a tarefa
de lançar luz sobre uma parcela restrita do campo social, ela
prefere buscar as brilhantes generalidades em que todas as
questões são levantadas sem que nenhuma seja expressamen-
te tratada. Não é com exames sumários e por meio de intui-
ções rápidas que se pode chegar a descobrir as leis de uma
realidade tão complexa. Sobretudo, generalizações às vezes
tão amplas e tão apressadas não são suscetíveis de nenhum
tipo de prova.

DURKHEIM, E. O suicídio: estudo de sociologia. São Paulo:


Martins Fontes, 2000.

O texto expressa o esforço de Émile Durkheim em construir


uma sociologia com base na:
a) vinculação com a filosofia como saber unificado.
b) reunião de percepções intuitivas para demonstração.
c) formulação de hipóteses subjetivas sobre a vida social.
d) adesão aos padrões de investigação típicos das ciências na-
turais.
e) incorporação de um conhecimento alimentado pelo enga-
jamento político.

Resposta: D

150 HELP VESTIBULARES


MATEMÁTICA
Operações com números racionais
Bateria de questões
Operações com fração
Bateria de questões
Potenciação e radiciação
Bateria de questões
Unidades de medidas
Bateria de questões
Equações do 1º grau
Bateria de questões
Sistemas de equações
Equações do 2º grau
Razões trigonométricas
Conceitos de geometria
Produtos notáveis
OPERAÇÕES COM NÚMEROS RACIONAIS
I. Operações com números racionais

1. Adição:

Considere a seguinte adição:

1,28 + 2,6 + 0,038

Método prático:

1º Igualamos os números de casas decimais, com o acréscimo de zeros;


2º Colocamos vírgula debaixo de vírgula;
3º Efetuamos a adição, colocando a vírgula na soma alinhada com as demais.

Exemplos:

1,28 + 2,6 + 0,038 35,4 + 0,75 + 47 6,14 + 1,8 + 0,007

2. Subtração:

Considere a seguinte subtração:

3,97 - 2,013

Método prático:

1º Igualamos os números de casas decimais, com o acréscimo de zeros;


2º Colocamos vírgula debaixo de vírgula;
3º Efetuamos a subtração, colocando a vírgula na diferença, alinhada com as demais.

Exemplos:

3,97 - 2,013 17,2 - 5,146 9 - 0,987

3. Multiplicação:

Considere a seguinte multiplicação:

3,49 · 2,5.

Método prático:

Multiplicamos os dois números decimais como se fossem naturais. Colocamos a vírgula no resultado de modo que o
número de casas decimais do produto seja igual à soma dos números de casas decimais dos fatores.

HELP VESTIBULARES 153


OPERAÇÕES COM NÚMEROS RACIONAIS
Exemplos:

3,49 · 2,5

 
1,842 · 0,013

Observação:

a) Na multiplicação de um número natural por um número decimal, utilizamos o método prático da multiplicação. Nesse
caso, o número de casas decimais do produto é igual ao número de casas decimais do fator decimal.
Exemplo:

5 · 0,423 = 2,115

b) Para se multiplicar um número decimal por 10, 100, 1.000, ..., basta deslocar a vírgula para a direita uma, duas, três, ...,
casas decimais. Exemplos:

154 HELP VESTIBULARES


OPERAÇÕES COM NÚMEROS RACIONAIS
c) Os números decimais podem ser transformados em porcentagens.
Exemplos:

0,05 =   = 5%

1,17 =   = 117%

5,8 = 5,80 =   = 580%

4. Divisão de números racionais decimais:

a) Divisão exata:

Considere a seguinte divisão: 

1,4 : 0,05.

Transformando em frações decimais, temos: 

Método prático:

1º Igualamos os números de casas decimais, com o acréscimo de zeros;


2º Suprimimos as vírgulas;
3º Efetuamos a divisão.

Exemplos:

1,4 : 0,05

Igualamos as casas decimais: 1,40 : 0,05


Suprimindo as vírgulas: 140 : 5

Efetuando a divisão:

Logo, o quociente de 1,4 por 0,05 é 28.

6 : 0,015

Igualamos as casas decimais: 6,000 : 0,015


Suprimindo as vírgulas: 6.000 : 15

HELP VESTIBULARES 155


OPERAÇÕES COM NÚMEROS RACIONAIS
Efetuando a divisão:

Logo, o quociente de 6 por 0,015 é 400.

4,096 : 1,6

Igualamos as casas decimais: 4,096 : 1,600


Suprimindo as vírgulas: 4.096 : 1.600

Efetuando a divisão:

Observe que na divisão acima o quociente inteiro é 2 e o resto corresponde a 896 unidades. Podemos prosseguir a
divisão determinando a parte decimal do quociente. Para a determinação dos décimos, colocamos uma vírgula no quociente
e acrescentamos um zero no resto, uma vez que 896 unidades correspondem a 8.960 décimos.

Continuamos a divisão para determinar os centésimos, acrescentando outro zero ao novo resto, uma vez que 960 dé-
cimos correspondem a 9600 centésimos.

O quociente 2,56 é exato, pois o resto é nulo.


Logo, o quociente de 4,096 por 1,6 é 2,56.

156 HELP VESTIBULARES


OPERAÇÕES COM NÚMEROS RACIONAIS
Outros exemplos:

0,73 : 5

Igualamos as casas decimais: 0,73 : 5,00


Suprimindo as vírgulas: 73 : 500

Efetuando a divisão:

Podemos prosseguir a divisão, colocando uma vírgula no quociente e acrescentamos um zero à direita do três. Assim:

Continuando a divisão, obtemos:

Logo, o quociente de 0,73 por 5 é 0,146.

Em algumas divisões, o acréscimo de um zero ao resto ainda não torna possível a divisão. Nesse caso, devemos colocar
um zero no quociente e acrescentar mais um zero ao resto. Exemplos:

2,346 : 2,3

Verifique que 460 (décimos) é inferior ao divisor (2.300). Colocamos, então, um zero no quociente e acrescentamos mais
um zero ao resto.

Logo, o quociente de 2,346 por 2,3 é 1,02.

HELP VESTIBULARES 157


OPERAÇÕES COM NÚMEROS RACIONAIS
Observação:

Para se dividir um número decimal por 10, 100, 1.000, ..., basta deslocar a vírgula para a esquerda uma, duas, três, ...,
casas decimais. Exemplos:

b) Divisão não exata de números racionais decimais:

No caso de uma divisão não exata, determinamos o quociente aproximado por falta ou por excesso. Veja, por exemplo,
a divisão de 66 por 21:

Tomando o quociente 3 (por falta), ou 4 (por excesso), estamos cometendo um erro de menos de uma unidade, pois
o quociente real encontra-se entre 3 e 4.

Logo:

Assim, na divisão de 66 por 21, podemos afirmar que:

3 é o quociente aproximado por falta, a menos de uma unidade.


4 é o quociente aproximado por excesso, a menos de uma unidade.

158 HELP VESTIBULARES


OPERAÇÕES COM NÚMEROS RACIONAIS
Prosseguindo a divisão, temos:

Podemos afirmar que:

3,1 é o quociente aproximado por falta, a menos de um décimo.


3,2 é o quociente aproximado por excesso, a menos de um décimo.

Dando mais um passo, nessa mesma divisão, podemos afirmar que:

3,14 é o quociente aproximado por falta, a menos de um centésimo.


3,15 é o quociente aproximado por excesso, a menos de um centésimo.

Observação:

* As expressões têm o mesmo significado:


- Aproximação por falta com erro menor que 0,1 ou aproximação de décimos.
- Aproximação por falta com erro menor que 0,01 ou aproximação de centésimos e, assim, sucessivamente.

*Determinar um quociente com aproximação de décimos, centésimos ou milésimos significa interromper a divisão ao atingir
a primeira, segunda ou terceira casa decimal do quociente, respectivamente.

Exemplos:

13 : 7 = 1,8     (aproximação de décimos)


13 : 7 = 1,85   (aproximação de centésimos)
13 : 7 = 1,857 (aproximação de milésimo)

Atenção!

No caso de ser pedido um quociente com aproximação de uma divisão exata, devemos completar com zero(s), se preciso, a(s) casa(s)
do quociente necessária(s) para atingir tal aproximação. Por exemplo, o quociente com aproximação de milésimos de 8 e 3,2 é:

Representação decimal de uma fração ordinária: podemos transformar qualquer fração ordinária (ou seja, uma fração
que não é decimal) em número decimal, devendo para isso dividir o numerador pelo denominador da mesma.

HELP VESTIBULARES 159


OPERAÇÕES COM NÚMEROS RACIONAIS
Exemplos:

Converta    em número decimal.

Logo,   é igual a 0,75 que é um decimal exato.

Converta   em número decimal.

Logo,   é igual a 0,333... que é uma dízima periódica simples.

Converta   em número decimal.

Logo,   é igual a 0,8333... que é uma dízima periódica composta.

5. Potenciação e raiz quadrada de números decimais:

a) Potenciação:

As potências nas quais a base é um número decimal e o expoente um número natural seguem as mesmas regras destas
operações, já definidas. Assim:

(3,5)2 = 3,5 · 3,5 = 12,25


(0,64)1 = 0,64
(0,4)3 = 0,4 · 0,4 · 0,4 = 0,064
(0,18)0 = 1

b) Raiz quadrada:

A raiz quadrada de um número decimal pode ser determinada com facilidade, transformando o mesmo numa fração
decimal. Assim:

160 HELP VESTIBULARES


OPERAÇÕES COM NÚMEROS RACIONAIS

c) Expressões numéricas:

No cálculo de expressões numéricas envolvendo números decimais, seguimos as mesmas regras aplicadas às expressões
com números fracionários.
Em expressões contendo frações e números decimais, devemos trabalhar transformando todos os termos em um só
tipo de número racional.

Exemplo:

= 0,05 + 0,2 · 0,16 : 0,4 + 0,25


= 0,05 + 0,032 : 0,4 + 0,25
= 0,05 + 0,08 + 0,25 = 0,38

Em expressões contendo dízimas, devemos determinar imediatamente suas geratrizes.

Exemplos:

HELP VESTIBULARES 161


BATERIA DE QUESTÕES
I. Bateria de questões

1. Calcule o valor das expressões:

a) 19,6 + 3,04 + 0,076 =

b) 17 + 4,32 + 0,006 =

c) 4,85 - 2,3 =

d) 9,9 - 8,76 =

e) (0,378 - 0,06) - 0,245 =

f ) 2,4 * 3,5 =

g) 4 * 1,2 * 0,75 =

h) (0,35 - 0,18 * 2) - 0,03 =

i) 17 / 6 =

j) 137 / 36 =

162 HELP VESTIBULARES


OPERAÇÕES COM FRAÇÃO
I. Operações com fração

1. O que é uma fração?


O símbolo   significa a:b, sendo a e b números naturais e b diferente de zero.

Chamamos:
→   de fração;

→ a de numerador;
→ b de denominador.
Se a é múltiplo de b, então   é um número natural.

Veja um exemplo:

A fração   é igual a 8:2. Neste caso, 8 é o numerador e 2 é o denominador. Efetuando a divisão de 8 por 2, obtemos
o quociente 4. Assim,   é um número natural e 8 é múltiplo de 2.

Durante muito tempo, os números naturais foram os únicos conhecidos e usados pelos homens. Depois começaram
a surgir questões que não poderiam ser resolvidas com números naturais. Então surgiu o conceito de número fracionário.

2. O significado de uma fração:

Algumas vezes,   é um número natural. Outras vezes, isso não acontece. Neste caso, qual é o significado de  ?

Uma fração envolve a seguinte ideia: dividir algo em partes iguais. Dentre essas partes, consideramos uma ou algumas,
conforme nosso interesse.

Exemplo:
Roberval comeu  de um chocolate. Isso significa que, se dividíssemos o chocolate em 4 partes iguais, Roberval teria comido
3 partes:

Na figura acima, as partes pintadas seriam as partes comidas por Roberval, e a parte branca é a parte que sobrou do chocolate.

3. Como se lê uma fração:

As frações recebem nomes especiais quando os denominadores são 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e também quando os denomi-
nadores são 10, 100, 1000, ...

HELP VESTIBULARES 163


OPERAÇÕES COM FRAÇÃO

um meio dois quintos

um terço quatro sétimos

um quarto sete oitavos

um quinto quinze nonos

um sexto um décimo

um sétimo um centésimo

um oitavo um milésimo

um nono oito milésimos

4. Classificação das frações:

a) Fração própria: o numerador é menor que o denominador: 

b) Fração imprópria: o numerador é maior ou igual ao denominador. 

c) Fração aparente: o numerador é múltiplo do denominador. 

d) Frações equivalentes: frações equivalentes são frações que representam a mesma parte do todo.

  são equivalentes.

Para encontrar frações equivalentes, devemos multiplicar o numerador e o denominador por um mesmo número na-
tural, diferente de zero.

Exemplo: obter frações equivalentes à fração  .

164 HELP VESTIBULARES


OPERAÇÕES COM FRAÇÃO

Portanto as frações   são algumas das frações equivalentes a  .

5. Simplificação de frações:

Uma fração equivalente a  , com termos menores, é  . A fração   foi obtida dividindo-se ambos os termos da

fração   pelo fator comum 3. Dizemos que a fração   é uma fração simplificada de  .

A fração   não pode ser simplificada, por isso é chamada de fração irredutível. A fração   não pode ser simplificada
porque 3 e 4 não possuem nenhum fator comum.

6. Adição e subtração de números fracionários:

Temos que analisar dois casos:

1º denominadores iguais: para somar frações com denominadores iguais, basta somar os numeradores e conservar o deno-
minador.

- Para subtrair frações com denominadores iguais, basta subtrair os numeradores e conservar o denominador.

Observe os exemplos:

2º denominadores diferentes: para somar frações com denominadores diferentes, uma solução é obter frações equivalentes,
de denominadores iguais ao mmc dos denominadores das frações.

Exemplo: somar as frações  .

Obtendo o mmc dos denominadores temos mmc(5,2) = 10.

(10:5).4 = 8

(10:2).5 = 25

Resumindo: utilizamos o mmc para obter as frações equivalentes e depois somamos normalmente as frações, que já terão o
mesmo denominador, ou seja, utilizamos o caso 1.

HELP VESTIBULARES 165


OPERAÇÕES COM FRAÇÃO
7. Multiplicação e divisão de números fracionários:

Na multiplicação de números fracionários, devemos multiplicar numerador por numerador, e denominador por deno-
minador, assim como é mostrado nos exemplos abaixo:

Na divisão de números fracionários, devemos multiplicar a primeira fração pelo inverso da segunda, como é mostrado
no exemplo abaixo:

8. Potenciação e radiciação de números fracionários:

Na potenciação, quando elevamos um número fracionário a um determinado expoente, estamos elevando o numera-
dor e o denominador a esse expoente, conforme os exemplos abaixo:

Na radiciação, quando aplicamos a raiz quadrada a um número fracionário, estamos aplicando essa raiz ao numerador
e ao denominador, conforme o exemplo abaixo:

166 HELP VESTIBULARES


BATERIA DE QUESTÕES
I. Bateria de questões

1. Observe que, na figura abaixo, o círculo representa a unidade:

a) Qual é a fração que a parte colorida da figura representa?

b) Qual é o numerador da fração?

c) Qual é o denominador da fração?

d) Compare o numerador da fração com o denominador. Qual é o menor?

2. Classifique as seguintes frações como próprias, impróprias ou aparentes:

3. Construa uma tabela, separando as frações abaixo em próprias, impróprias ou aparentes.

4. Passe para a forma mista as seguintes frações impróprias:

a)

125
b) 8

c)

d)

HELP VESTIBULARES 167


BATERIA DE QUESTÕES

e)

f)

5. Transforme as frações mistas em frações impróprias.

1
2
a) 3

2
1
b) 7

2
4
c) 7

1
1
d) 3

3
2
e) 5

5
3
f) 1

6) Simplifique pelo método do mdc:

168 HELP VESTIBULARES


BATERIA DE QUESTÕES
7. Coloque um dos sinais <, > ou = entre as frações.

8.Usando a equivalência de frações, descubra o número que deve ser colocado no lugar da letra x para que se tenha:

HELP VESTIBULARES 169


BATERIA DE QUESTÕES

9. Reduza as frações ao mesmo denominador comum:

1 1 1
, ,
a) 2 4 8

1 1 1
, ,
b) 6 3 9

5 3 9
, ,
c) 4 2 5

d)

10. Calcule as operações com frações:

170 HELP VESTIBULARES


POTENCIAÇÃO E RADICIAÇÃO
I. Potenciação e radiciação

1. Propriedades da Potenciação:

a) Todo número natural elevado ao expoente 1 é igual a ele mesmo.

Exemplos:

b) Todo número natural não-nulo elevado ao expoente zero é igual a 1.

Exemplos:

c) Toda potência da base 1 é igual a 1.

Exemplos:

d) Toda potência de 10 é igual ao numeral formado pelo algarismo 1 seguido de tantos zeros quantas forem as unidades do
expoente.

Exemplos:

e) O expoente negativo significa que ocorre a troca de lugar entre o numerador o denominador.

Exemplos:

f ) Se tivermos uma potência negativa no denominador, este se transforma em numerador ao trocar o sinal da potência.

HELP VESTIBULARES 171


POTENCIAÇÃO E RADICIAÇÃO
Exemplos:

2. Produto de potências de mesma base:

Considere o produto  . Observe que:

Assim:

Tomando por base o exemplo acima, podemos concluir que:

Para multiplicar potências de mesma base, devemos conservar a base e somar os expoentes.

Genericamente:

3. Divisão de potências de mesma base:

Considere o quociente  .  Observe que:

Assim:

Tomando por base o exemplo acima, podemos concluir que:

Para dividir potências de mesma base, não-nula, devemos conservar a base e subtrair os expoentes.
Genericamente:

4. Potência da potência:

Considere a potência  . Observe que:

172 HELP VESTIBULARES


POTENCIAÇÃO E RADICIAÇÃO
Assim:

Tomando por base o exemplo acima, podemos concluir que:

Para elevar uma potência a um novo expoente, devemos conservar a base e multiplicar os expoentes.

Genericamente:

5. Distributiva da potenciação:

a) Na multiplicação:
Considere a expressão  .  Observe que:

Tomando por base o exemplo acima, podemos concluir que:

Para elevar um produto a um expoente, devemos elevar cada fator a esse expoente.

Genericamente:

b) Na divisão:

Considere a expressão   .  Observe que:

Tomando por base o exemplo acima, podemos concluir que:

Para elevar um quociente a um expoente, devemos elevar o numerador e o denominador a esse expoente.

Genericamente:

HELP VESTIBULARES 173


POTENCIAÇÃO E RADICIAÇÃO
c) Potência com expoente fracionário:

Se a é um número real positivo, m é um número inteiro e n é um número natural não-nulo, temos que:

Exemplos:

6. Propriedades de radiciação:

a) Notação:

Leitura:

 (lê-se “raiz quadrada de 81”)


 (lê-se “raiz cúbica de 64”)
 (lê-se “raiz quarta de 16”)

Observação:
Na indicação de raiz quadrada, podemos omitir o índice 2. Por exemplo,  .
Raízes de índice par
Quando elevamos um número positivo ou um número negativo a um expoente par, o resultado sempre é um número posi-
tivo.

Exemplo:

(-4)² = (-4)(-4) = 16
e
(+4)² = (+4)(+4) = 16

Porém, como em matemática o resultado de uma operação deve ser único, fica definido que:

Genericamente:

Qualquer raiz de índice par de um número positivo é o número positivo que elevado ao expoente correspondente a esse índice
equivale ao número dado.

174 HELP VESTIBULARES


POTENCIAÇÃO E RADICIAÇÃO
Observação: Não existe raiz real de um número negativo se o índice for par.

Exemplo:

 não existe, pois não há nenhum número real que elevado ao quadrado dê - 4.

Raízes de índice ímpar


Quando o índice de uma raiz é ímpar e o radicando é positivo, a raiz é positiva.
Quando o índice de uma raiz é ímpar e o radicando é negativo, a raiz é negativa.

Exemplos:
 

7. Propriedades dos radicais:

Justificativa: 

Exemplo: 

Justificativa: 

Exemplo: 

Justificativa: Escrevendo em forma de potência com expoente fracionário:

Exemplo: 

8. Propriedades operatórias dos radicais:

- Radical de um produto:

Justificativa:

HELP VESTIBULARES 175


POTENCIAÇÃO E RADICIAÇÃO

Exemplo: 

- Radical de um quociente:

Justificativa: 

Exemplo: 

- Mudança de índice:

Justificativa: 

Exemplo: 

176 HELP VESTIBULARES


BATERIA DE QUESTÕES
I. Bateria de questões

1. Faça uso das propriedades de potenciação e simplifique cada expressão para uma única potência:

a) 85.89 =

b)

c)

d) 4 7 .5 7 =

x
e) =
x6
f ) (x −5 ) 3 =

g)

2. Transforme cada número abaixo para notação científica:


a) 587 000 =
b) 10020000 =
c) 0,0000000008 =
d) 0,000000806 =

3. Explique as características de uma expressão para que seja chamada de “notação científica”.

4. Determine o valor final da seguinte expressão: 8.[ ( 7,3² - 5,3³)0 + (-1)977 ] + 2².4 −1

5. Determine o valor de cada potência:

a) 3 −3 = e) (3 −2 ) −1 =

b) (−2) −5 = f ) 3 −5 =

c) 6 −2 = g) 2 −4 =

d) 0,3 −1 = h) (−2) −9 =

HELP VESTIBULARES 177


BATERIA DE QUESTÕES

6. Determine o valor de cada potência com base fracionária e expoente inteiro:

−1 −1
1  6
a)   = e)  −  =
2  5

−1 −2
3  4
b)   = f) −  =
4  9

−5 −3
2  3
c)   = g)  −  =
5  7

−3 0
1  9
d)   = h)  −  =
8  1 

7. Complete adequadamente:

Exemplo: 10 mil = 10 000 =104

a) 100 mil = ________________ = 10

b) 1 milhão =________________ = 10

c) ________________ = 1 000 000 000 = 10

d) 10 trilhões = ______________ = 10

8. Complete adequadamente:
Exemplo: 1 milésimo = 0,001 = 10-3

a) 1 centésimo = _________________ = 10
b) 1 milionésimo = ________________ = 10
c) _______________= 0,000 000 000 1 = 10
d) 1 centésimo de milésimo = _____________ = 10

9. Transforme cada expressão para notação científica:

a) 457 x 10-23

b) 0,0025 x 10-18

c) 45,23 x 10-18

d) 0,0102 x 10-45

10. Quando calculamos a terça parte de 35, encontramos como resultado qual potência de base 3?

178 HELP VESTIBULARES


UNIDADES DE MEDIDAS
I. Unidades de Medidas

1. Medidas de Comprimento: Sistema Métrico Decimal:

Desde a antiguidade, os povos foram criando suas unidades de medida. Cada um deles possuía suas próprias unidades-
-padrão. Com o desenvolvimento do comércio, ficavam cada vez mais difíceis a troca de informações e as negociações com
tantas medidas diferentes.
Era necessário que se adotasse um padrão de medida único para cada grandeza. Foi assim que, em 1791, época da revo-
lução francesa, um grupo de representantes de vários países reuniu-se para discutir a adoção de um sistema único de medidas.
Surgia o sistema métrico decimal.

a) Metro:

A palavra metro vem do grego métron e significa “o que mede”. Foi estabelecido inicialmente que a medida do metro
seria a décima milionésima parte da distância do Polo Norte ao Equador, no meridiano que passa por Paris. No Brasil, o
metro foi adotado oficialmente em 1928.

- Múltiplos e submúltiplos do metro:

Além da unidade fundamental de comprimento, o metro, existem ainda os seus múltiplos e submúltiplos, cujos nomes
são formados com o uso dos prefixos: quilo, hecto, deca, deci, centi e mili. Observe o quadro:

Unidade
Múltiplos Submúltiplos
Fundamental
quilômetro hectômetro decâmetro metro decímetro centímetro milímetro
km hm dam m dm cm mm
1.000m 100m 10m 1m 0,1m 0,01m 0,001m

Os múltiplos do metro são utilizados para medir grandes distâncias, enquanto os submúltiplos, para pequenas distân-
cias. Para medidas milimétricas, em que se exige precisão, utilizamos:

mícron (µ) = 10-6 m


angströn (Å) = 10-10 m

Para distâncias astronômicas utilizamos o Ano-luz (distância percorrida pela luz em um ano):

Ano-luz = 9,5 · 1012 km

O pé, a polegada, a milha e a jarda são unidades não pertencentes ao sistema métrico decimal, sendo utilizadas em
países de língua inglesa. Observe as igualdades abaixo:

Pé =  30,48 cm
Polegada =  2,54 cm
Jarda =  91,44 cm
Milha terrestre =  1.609 m
Milha marítima =  1.852 m

Observe que:
1 pé = 12 polegadas
1 jarda = 3 pés

HELP VESTIBULARES 179


UNIDADES DE MEDIDAS
- Leitura das medidas de comprimento:

A leitura das medidas de comprimentos pode ser efetuada com o auxílio do quadro de unidades.

Exemplos:
Leia a seguinte medida: 15,048 m.

Sequência prática:

1º Escrever o quadro de unidades:

km hm dam m dm cm mm
                           

2º Colocar o número no quadro de unidades, localizando o último algarismo da parte inteira sob a sua respectiva.

km hm dam m dm cm mm
1 5, 0 4 8

3º Ler a parte inteira acompanhada da unidade de medida do seu último algarismo e a parte decimal acompanhada da uni-
dade de medida do último algarismo da mesma.
15 metros e 48 milímetros

Outros exemplos:

6,07 km (lê-se “seis quilômetros e sete decâmetros”)


82,107 dam (lê-se “oitenta e dois decâmetros e cento e sete centímetros”)
0,003 m (lê-se “três milímetros”)

- Transformação de Unidades:

Cada unidade de comprimento é 10 vezes maior que a unidade imediatamente inferior.

Observe as seguintes transformações:

Transforme 16,584hm em m.

Para transformar hm em m (duas posições à direita) devemos multiplicar por 100 (10 x 10).
16,584 x 100 = 1.658,4

180 HELP VESTIBULARES


UNIDADES DE MEDIDAS
Ou seja:
16,584hm = 1.658,4m

Transforme 1,463 dam em cm.

Para transformar dam em cm (três posições à direita) devemos multiplicar por 1.000 (10 x 10 x 10).
1,463 x 1.000 = 1,463
Ou seja:
1,463dam = 1.463cm.

Transforme 176,9m em dam.

Para transformar m em dam (uma posição à esquerda) devemos dividir por 10.
176,9 : 10 = 17,69
ou seja:
176,9m = 17,69dam

Transforme 978m em km.

Para transformar m em km (três posições à esquerda) devemos dividir por 1.000.


978 : 1.000 = 0,978
Ou seja:
978m = 0,978km.

Observação: para resolver uma expressão formada por termos com diferentes unidades, devemos inicialmente transformar
todos eles numa mesma unidade, para a seguir efetuar as operações.

2. Medidas de superfície:

As medidas de superfície fazem parte de nosso dia a dia e respondem a nossas perguntas mais corriqueiras do cotidiano:

• Qual a área desta sala?


• Qual a área desse apartamento?
• Quantos metros quadrados de azulejos são necessários para revestir esta piscina?
• Qual a área dessa quadra de futebol de salão?
• Qual a área pintada dessa parede?
• Superfície e área

a) Superfície é uma grandeza com duas dimensões, enquanto área é a medida dessa grandeza, portanto, um número.

HELP VESTIBULARES 181


UNIDADES DE MEDIDAS
- Metro quadrado:

A unidade fundamental de superfície chama-se metro quadrado. O metro quadrado (m2) é a medida correspondente
à superfície de um quadrado com 1 metro de lado.  

Múltiplos Unidade Fundamental Submúltiplos


quilômetro hectômetro decâmetro decímetro centímetro milímetro
metro quadrado
quadrado quadrado quadrado quadrado quadrado quadrado
km2 hm2 dam2 m2 dm2 cm2 mm2
1.000.000m2 10.000m2 100m2 1m2 0,01m2 0,0001m2 0,000001m2

O dam2, o hm2 e km2 são utilizados para medir grandes superfícies, enquanto o dm2, o cm2 e o mm2 são utilizados
para pequenas superfícies.

Exemplos:

- Leia a seguinte medida: 12,56m2:

Lê-se “12 metros quadrados e 56 decímetros quadrados”. Cada coluna dessa tabela corresponde a uma unidade de área.

- Leia a seguinte medida: 178,3 m2: 

Lê-se “178 metros quadrados e 30 decímetros quadrados”.

- Leia a seguinte medida: 0,917 dam2

Lê-se 9.170 decímetros quadrados.

3. Medidas agrárias:

As medidas agrárias são utilizadas para medir superfícies de campo, plantações, pastos, fazendas, etc. A principal uni-
dade destas medidas é o are (a). Possui um múltiplo, o hectare (ha), e um submúltiplo, o centiare (ca).

182 HELP VESTIBULARES


UNIDADES DE MEDIDAS
Lembre-se:

1 ha = 1hm2
1a = 1 dam2
1ca = 1m2

- Transformação de unidades:

No sistema métrico decimal, devemos lembrar que, na transformação de unidades de superfície, cada unidade de
superfície é 100 vezes maior que a unidade imediatamente inferior:

Observe as seguintes transformações:

• transformar 2,36 m2 em mm2.

Para transformar m2 em mm2 (três posições à direita) devemos multiplicar por 1.000.000 (100x100x100).
2,36 x 1.000.000  =  2.360.000 mm2

• transformar 580,2 dam2 em km2.

Para transformar dam2 em km2 (duas posições à esquerda) devemos dividir por 10.000 (100x100).
580,2 : 10.000  =  0,05802 km2

4. Medidas de volume:

Frequentemente nos deparamos com problemas que envolvem o uso de três dimensões: comprimento, largura e altura.
De posse de tais medidas tridimensionais, poderemos calcular medidas de metros cúbicos e volume.

a) Metro cúbico:

A unidade fundamental de volume chama-se metro cúbico. O metro cúbico (m3) é medida correspondente ao espaço
ocupado por um cubo com 1 m de aresta.

HELP VESTIBULARES 183


UNIDADES DE MEDIDAS
- Múltiplos e submúltiplos do metro cúbico:

Múltiplos Unidade Fundamental Submúltiplos


quilômetro cú- hectômetro decâmetro decímetro centímetro milímetro
metro cúbico
bico cúbico cúbico cúbico cúbico cúbico
km3 hm3 dam3 m3 dm3 cm3 mm3
0,000000001
1.000.000.000m3 1.000.000 m3 1.000m3 1m3 0,001m3 0,000001m3
m3

- Leitura das medidas de volume:

A leitura das medidas de volume segue o mesmo procedimento aplicado às medidas lineares. Devemos utilizar, porém,
três algarismos em cada unidade no quadro. No caso de alguma casa ficar incompleta, completa-se com zero(s).

Exemplos:

• Leia a seguinte medida: 75,84m3

Lê-se “75 metros cúbicos e 840 decímetros cúbicos”.

• Leia a medida: 0,0064dm3

Lê-se “6400 centímetros cúbicos”.

- Transformação de unidades:

Na transformação de unidades de volume, no sistema métrico decimal, devemos lembrar que cada unidade de volu-
me é 1.000 vezes maior que a unidade imediatamente inferior.

Observe a seguinte transformação:

• Transformar 2,45 m3 para dm3.

184 HELP VESTIBULARES


UNIDADES DE MEDIDAS
Para transformar m3 em dm3 (uma posição à direita) devemos multiplicar por 1.000.
2,45 x 1.000  =  2.450 dm3

5. Medidas de capacidade:

A quantidade de líquido é igual ao volume interno de um recipiente. Afinal, quando enchemos este recipiente, o líqui-
do assume a forma do mesmo. Capacidade é o volume interno de um recipiente.
A unidade fundamental de capacidade chama-se litro. Litro é a capacidade de um cubo que tem 1dm de aresta.

1l = 1dm3

- Múltiplos e submúltiplos do litro:

Múltiplos Unidade Fundamental Submúltiplos


quilolitro hectolitro decalitro litro decilitro centilitro mililitro
kl hl dal l dl cl ml
1000l 100l 10l 1l 0,1l 0,01l 0,001l

Cada unidade é 10 vezes maior que a unidade imediatamente inferior.

Relações:
1l = 1dm3
1ml = 1cm3
1kl = 1m3

- Leitura das medidas de capacidade:

Exemplo: leia a seguinte medida: 2,478 dal

Lê-se “2 decalitros e 478 centilitros”.

- Transformação de unidades:

Na transformação de unidades de capacidade, no sistema métrico decimal, devemos lembrar que cada unidade de
capacidade é 10 vezes maior que a unidade imediatamente inferior.

Observe a seguinte transformação:

• transformar 3,19 l para ml.

Para transformar l para ml (três posições à direita) devemos multiplicar por 1.000 (10x10x10).
3,19 x 1.000  =  3.190 ml

HELP VESTIBULARES 185


UNIDADES DE MEDIDAS
6. Medidas de tempo:

É comum em nosso dia a dia ouvirmos perguntas do tipo:


• Qual a duração dessa partida de futebol?
• Qual o tempo dessa viagem?
• Qual a duração desse curso?
• Qual o melhor tempo obtido por esse corredor?

Todas essas perguntas serão respondidas tomando por base uma unidade padrão de medida de tempo. A unidade de
tempo escolhida como padrão no Sistema Internacional (SI) é o segundo.

-Segundo:

O Sol foi o primeiro relógio do homem: o intervalo de tempo natural decorrido entre as sucessivas passagens do Sol
sobre um dado meridiano dá origem ao dia solar.

O segundo (s) é o tempo equivalente a  do dia solar médio.

As medidas de tempo não pertencem ao Sistema Métrico Decimal.

- Múltiplos e submúltiplos do segundo:

- Quadro de unidades:

Múltiplos
minutos hora dia
min h d
60 s 60 min = 3.600 s 24 h = 1.440 min = 86.400s

São submúltiplos do segundo:

• décimo de segundo
• centésimo de segundo
• milésimo de segundo

Atenção:  nunca escreva 2,40h como forma de representar 2h40min, pois o sistema de medidas de tempo não é decimal.
Observe:

186 HELP VESTIBULARES


UNIDADES DE MEDIDAS
- Outras importantes unidades de medida:

• mês (comercial) = 30 dias


• ano (comercial) = 360 dias
• semana = 7 dias
• quinzena = 15 dias
• bimestre = 2 meses
• trimestre = 3 meses
• semestre = 6 meses
• biênio = 2 anos
• década = 10 anos
• século = 100 anos

HELP VESTIBULARES 187


BATERIA DE QUESTÕES
I. Bateria de questões

1. Uma cozinheira comprou 2,5 kg de arroz, 1,8 kg de batata, 250 g de mussarela, 780 g de presunto e 3 kg de farinha. Qual
o total de massa comprado?

2. Em cada operação matemática, preencha a tabela com os algarismos e dê o resultado de acordo com a ordem indicada.
a) 2,3 m + 0,45 km + 23 cm = ___________ m
b) 6 m - 0,003 km = ___________ cm
c) 5,7 kg + 0,800 g + 237 g = ___________ kg
d) 5,7 L – 97 mL = ___________ mL

3. Complete as lacunas.
a) 3 metros = ___________________ centímetros.
b) 23 centímetros = ______________metros.
c) 7 quilômetros = _______________centímetros.
d) 4 milímetros = ________________ centímetros.
e) 14,5 metros = _________________ quilômetros.
f ) 123 metros = _________________ milímetros.
g) 3 kg = _______________________gramas.

4. Responda.

a) Quantos metros há em 1 km? ___________

b) Quantos mililitros há em 1 litro? _________

c) Quantos gramas há em 1 kg? ____________

d) Quantos miligramas há em 1 grama? _________

5. Resolva os problemas abaixo:

a) Paula comprou 1,5 kg de açúcar. Se o quilo do açúcar custa R$0,58, quanto Paula pagou? ______________________________

b) José pesou 250 g de queijo mussarela para fazer uma pizza. O quilo da mussarela custa R$8,64.

Qual o preço do queijo comprado por José?_________________

c) Numa festa de caridade Márcia trouxe 1,8 kg de arroz, 500 g de presunto, 2 kg de feijão, 720 g de mortadela e 3,5 kg de
farinha.

- Quantos quilos de mantimentos Márcia trouxe no total?____________

- Quantos gramas esta medida vale?______________

d) Para fazer um vestido, Carolina comprará 2 metros de tecido. O preço do tecido é R$12,30 o metro. Ela leva na bolsa
R$50,00. Qual será seu troco após a compra?______________

188 HELP VESTIBULARES


BATERIA DE QUESTÕES
6. Uma competição de corrida de rua teve início às 8h 04min. O primeiro atleta cruzou a linha de chegada às 12h 02min
05s. Ele perdeu 35s para ajustar seu tênis durante o percurso. Se esse atleta não tivesse tido problema com o tênis, perdendo
assim alguns segundos, ele teria cruzado a linha de chegada com o tempo de:
a) 3h 58min 05s
b) 3h 57min 30s
c) 3h 58min 30s
d) 3h 58min 35s
e) 3h 57min 50s

7. Se uma indústria farmacêutica produziu um volume de 2 800 litros de certo medicamento, que devem ser acondicionados
em ampolas de 40 cm3 cada uma, então será produzido um número de ampolas desse medicamento na ordem de:
a) 70
b) 700
c) 7 000
d) 70 000
e) 700 000

8. Um motorista, partindo de uma cidade A deverá efetuar a entrega de mercadorias nas cidades B, C e D. Para calcular a
distância que deverá percorrer consultou um mapa indicado na figura, cuja escala é 1:3000000, isto é, cada centímetro do
desenho corresponde a 30 quilômetros no real. Então, para ir de A até D ele irá percorrer um total de:
a) 180 km
b) 360 km
c) 400 km
d) 520 km
e) 600 km

8. B
7. D
6. B
Gabarito dos Testes:

HELP VESTIBULARES 189


EQUAÇÕES DO 1º GRAU
I. Equações do 1º grau

Equação é toda sentença matemática aberta que exprime uma relação de igualdade. A palavra equação tem o prefi-
xo equa, que em latim quer dizer “igual”. Exemplos:

2x + 8 = 0
5x - 4 = 6x + 8
3a - b - c = 0

Não são equações:

4 + 8 = 7 + 5   (Não é uma sentença aberta)


x - 5 < 3   (Não é igualdade)
  (não é sentença aberta, nem igualdade)

A equação geral do primeiro grau:

ax+b = 0
onde a e b são números conhecidos e a diferente de 0, se resolve de maneira simples: subtraindo b dos dois lados, obtemos:
ax = -b
dividindo agora por a (dos dois lados), temos:

Por exemplo, considere a equação 2x - 8 = 3x -10.


A letra é a incógnita da equação. A palavra incógnita significa «desconhecida». Na equação acima, a incógnita é x; tudo que
antecede o sinal da igualdade denomina-se 1º membro, e o que sucede, 2º membro.

Qualquer parcela, do 1º ou do 2º membro, é um termo da equação.

Equação do 1º grau na incógnita x é toda equação que pode ser escrita na forma ax=b, sendo a e b números racionais,
com a diferente de zero.

- Conjunto universo e conjunto verdade de uma equação:

Considere o conjunto A = {0, 1, 2, 3, 4, 5} e a equação x+2=5.


Observe que o número 3 do conjunto A é denominado conjunto universo da equação e o conjunto {3} é o conjunto
verdade dessa mesma equação.

190 HELP VESTIBULARES


EQUAÇÕES DO 1º GRAU
Observe este outro exemplo:
• Determine os números inteiros que satisfazem a equação x² = 25.

O conjunto dos números inteiros é o conjunto universo da equação. Os números -5 e 5, que satisfazem a equação, formam
o conjunto verdade, podendo ser indicado por:
 V = {-5, 5}.

Daí, concluímos que:


Conjunto universo é o conjunto de todos os valores que a variável pode assumir. Indica-se por U.
Conjunto verdade é o conjunto dos valores de U que tornam verdadeira a equação. Indica-se por V.

Observações:

• O conjunto verdade é subconjunto do conjunto universo.

• Não sendo citado o conjunto universo, devemos considerar como conjunto universo o conjunto dos números racio-
nais.

• O conjunto verdade é também conhecido por conjunto solução e pode ser indicado por S.

1. Raízes de uma equação:

Os elementos do conjunto verdade de uma equação são chamados raízes da equação. Para verificar se um número é
raiz de uma equação, devemos obedecer à seguinte sequência:

• Substituir a incógnita por esse número.


• Determinar o valor de cada membro da equação.
• Verificar a igualdade. Sendo uma sentença verdadeira, o número considerado é raiz da equação.

- Resolução de uma equação:

Resolver uma equação consiste em realizar uma série de operações que nos conduzem a equações equivalentes cada
vez mais simples, que nos permitem determinar os elementos do conjunto verdade ou as raízes da equação. Resumindo:
resolver uma equação significa determinar o seu conjunto verdade, dentro do conjunto universo considerado.
Na resolução de uma equação do 1º grau com uma incógnita, devemos aplicar os princípios de equivalência das igual-
dades (aditivo e multiplicativo). Exemplos:

• Sendo    , resolva a equação     .

MMC (4, 6) = 12

-9x = 10  =>   Multiplicador por (-1)


9x = -10

HELP VESTIBULARES 191


EQUAÇÕES DO 1º GRAU

Como   , então  .

• Sendo  , resolva a equação 2.(x - 2) - 3.(1 - x) = 2.(x - 4).

Iniciamos aplicando a propriedade distributiva da multiplicação:

2x - 4 - 3 + 3x = 2x - 8 


2x + 3x -2x = - 8 + 4 + 3
3x = -1

Como   , então 

- Equações impossíveis e identidades:

• Sendo   , considere a seguinte equação: 2.(6x - 4) = 3.(4x - 1).

Observe agora a sua resolução:

2 . 6x - 2 . 4 = 3 . 4x - 3 . 1
12x - 8 = 12x - 3 
12x - 12x = - 3 + 8
0 . x = 5

Como nenhum número multiplicado por zero é igual a 5, dizemos que a equação é impossível e, portanto, não tem solução.
Logo, V=  Ø.

Assim, uma equação do tipo ax + b = 0 é impossível quando   e 

•  Sendo   , considere a seguinte equação: 10 - 3x - 8 = 2 - 3x.

Observe a sua resolução:

-3x + 3x = 2 - 10 + 8
0 . x = 0 
Como todo número multiplicado por zero é igual a zero, dizemos que a equação possui infinitas soluções. Equações
desse tipo, em que qualquer valor atribuído à variável torna a equação verdadeira, são denominadas identidades.

192 HELP VESTIBULARES


EQUAÇÕES DO 1º GRAU
- O que é uma equação do 1º grau com duas variáveis?

Considere a equação: 2x - 6 = 5 - 3y.


Trata-se de uma equação com duas variáveis, x e y, que pode ser transformada numa equação equivalente mais simples. Ob-
serve:
2x + 3y = 5 + 6
2x + 3y = 11   ==> Equação do 1º grau na forma ax + by = c.

Denominamos equação do 1º grau com duas variáveis, x e y, toda equação que pode ser reproduzida na forma ax + by = c,
sendo a e b números diferentes de zero, simultaneamente.

Na equação ax + by = c, denominamos:

HELP VESTIBULARES 193


BATERIA DE QUESTÕES
I. Bateria de questões

1. Resolva as equações:

2. Resolva as equações:

3. Resolva as seguintes equações:

194 HELP VESTIBULARES


BATERIA DE QUESTÕES

HELP VESTIBULARES 195


SISTEMAS DE EQUAÇÕES
I. Sistemas de equações

Alguns problemas de matemática são resolvidos a partir de soluções comuns a duas equações do 1º a duas variáveis.
Nesse caso, diz-se que as equações formam um sistema de equações do 1º grau a duas variáveis, que indicamos escrevendo
as equações abrigadas por uma chave. Veja os exemplos:

x + y = 5 3 x − y =10
a)  b) 
2 x − y =9 x + y = 18

O par ordenado que verifica ao mesmo tempo as duas equações é chamado solução do sistema. Indicamos pela letra
S, de solução.

x + y =10
Por exemplo, o par (7,3) é solução do sistema 
x − 3y =−2

7 + 3 = 10
Pois verifica as duas equações. Ou melhor: 
7 − 3.(3) =−2

1. Resolução de sistemas de equações do 1° grau (2 x 2):

Os processos ou métodos mais comuns são: o método da substituição, método da adição, método da comparação,
além do método gráfico.

a) Método da substituição:

Para aprender a trabalhar com esse método, você deve acompanhar os passos indicados nos exemplos a seguir:

x + y =7
1º exemplo: Resolver o sistema 
1
x − y =
1º passo: Isola-se uma das variáveis em uma das equações. Vamos isolar x na 1ª equação:

x + y =7 ⇒ x =7 − y

2º passo: Substitui-se a expressão encontrada no passo 1 na outra equação. Obtemos então uma equação do 1º com apenas
uma incógnita:

x− y = 1
(7 − y ) − y = 1
7− y− y = 1
7 − 2y =
1

196 HELP VESTIBULARES


SISTEMAS DE EQUAÇÕES
3º passo: Resolvemos a equação obtida no 2º passo:

7 − 2y =
1
−2 y =−
1 7
−2 y =
−6
−6
y=
−2
y=3

obtendo, assim, o valor de y.

4º passo: (Para encontrarmos o valor de x) Substitui-se o valor encontrado no 3º passo em qualquer uma das equações ini-
ciais.

x+ y = 7
x + (3) = 7
x= 7 − 3
x=4

5º passo: Por último, escrevemos a solução do sistema: S = {(4,3)}.

x = 2 y
2º exemplo: Resolva o sistema 
2 x − 5 y =
3

Passo 1: x = 2 y
Passo 2 :
2 x − 5 y =3 ⇒ 2(2 y ) − 5 y =3 ⇒ 4 y − 5 y =3 ⇒ −1 y =3
Passo 3 : − y =3⇒ y =−3
Passo 4 : x = 2 y
x 2.(−3)
=
x = −6

A solução do sistema é: S = {(−6, −3)}

Aplicando o método da substituição, resolva os seguintes sistemas 2x2:

= x − y 5 3=
x − 2y 6 = x + y 4
a)  b)  c) 
= x + 3y 9 = x − 3y 2 =2 x + y 7

HELP VESTIBULARES 197


SISTEMAS DE EQUAÇÕES

b) Método da comparação:

Este método consiste, basicamente, em isolar a mesma variável nas duas equações.

x − y =1
1º exemplo: Resolver o sistema a ) 
x − 3y = −3
1° passo: Isolando x na 1ª equação:

2º passo: Isolando x na 2ª equação:

x=x
1 + y =−3 + 3 y
y − 3 y =−3 − 1
−2 y = −4
−4
y=
−2
y=2

4º passo: Como x = 1+y, temos:

x = 1+(2)
x=3

Conjunto-Solução: S = {(3,4)}

x = 5y
2º exemplo: Resolver o sistema 
x + 3y =
16

1º passo:

2º passo: Isola-se x na 2ª equação

x + 3y =
16
x 16 − 3 y 2
=

198 HELP VESTIBULARES


SISTEMAS DE EQUAÇÕES

5y = 16 – 3y
5y + 3y =16
8y = 16
y=2

4º passo: Como x = 5y, temos:

x = 5.(2)
x = 10

A solução é S = {(10,2)}

1. Aplicando o método da comparação, resolva os seguintes sistemas:

x − y = 1 x = 3y 2 x + y =−3
a)  b)  c) 
− x + 2 y =3  x − 2 y =3  x + y =−1

2. Aplicando o método mais conveniente para o caso, resolva os seguintes sistemas:

=x − y 3 = x 3y = x + y 10 = x 2 y
a)  b)  c)  d)
 2=
x+ y 9 + 2 y 10
 x= 2=x− y 8 3 x=
+ 5 y 55

4=x+ y 7 =x+ y 8 − 3y 9
 x= 2 x=+ 3y 0
e)  f ) g)  h) 
2 x =
− 5y 9 4 x =
− 6 y 12 2 x =
+ 3y 6 3 x =
+ 5y 2

5 x =
+ 4y 1 =x− y 1
i)  j) 
2 x − 3 y =
5 x − 3y =−3

c) Método da Adição:

Adicionando ou subtraindo membro a membro duas igualdades, obtemos uma nova igualdade. O método consiste
em somar as duas equações, mas isso deve ser feito sempre de modo a eliminar uma das variáveis na nova equação obtida. Ou
seja, é preciso chegar a uma só equação, com uma só incógnita. Para que isso ocorra, é necessário existam termos opostos nas
duas equações (em relação a uma mesma letra...).

5 x − 3 y =
15
Exemplo 1: Considere o sistema 
2 x + 3 y =
6

Observe que a equação tem o termo -3y, e a equação tem o termo +3y

Esse fato nos permite obter uma só equação sem a incógnita y, somando as duas equações membro a membro.

HELP VESTIBULARES 199


SISTEMAS DE EQUAÇÕES

5 x − 3 y 15 = Como − 3 y + 3 y 0, o y desaparece.
 ⊕ →
2 x + 3 y =
6 Aí , fica tudo mais fácil !
7x + 0 = 21
7 x = 21
x=3

Agora, é só substituir o valor de x em uma das equações do sistema:

5x − 3 y =
15
5.(3) − 3 y =15
15 − 3 y = 15
−3 y = 15 − 15
−3 y =
0
y=0

A única solução do sistema é o par (3,0)

2 x + 5 y =
16
Exemplo 2: Vamos resolver o sistema 
3 x + 2 y =
2
Aqui, seria inútil somar imediatamente as equações. Como não observamos termos opostos (que somados resulta 0), nenhu-
ma letra desaparece. Mas, podemos obter termos opostos.

Veja que o MMC entre 5 e 2 (coeficientes de x nas duas equações) é 10. Daí, multiplicamos a 1ª equação por 2 e a 2ª equação
por -5:

2 x + 5 y = 16 ⋅ (2)  4 x + 10 y =32
 ⇒
3 x + 2 =
y 2 ⋅ (−5) −15 x − 10 y =
−10
Com isso, conseguimos termos opostos neste último sistema.

E como +10y –10y = 0, vem:

 4 x + 10 y =32
 ⊕
−15 x − 10 y =
−10
− 11x + 0 = 22
− 11x = 22
22
x=
−11
x = −2

200 HELP VESTIBULARES


SISTEMAS DE EQUAÇÕES
Agora, levamos x = -2 na 2ª equação para encontrar o valor de y:

3x + 2 y = 2
3(−2) + 2 y =2
−6 + 2 y =2
2 y= 2 + 6
2y = 8
y=4

A solução é o par (-2,4).

3 x + y = 3
Exemplo 3: Resolva pelo método da adição o sistema 
3 x + 4 y = 30

Vamos tornar opostos (ou simétricos) os coeficientes em x. Para isso, basta multiplicar a primeira equação por -1 (não mexer
na 2ª):

3 x + y =3 .(−1) −3 x − y =−3


 ⇒ ⊕
3 x + 4 y 30 .(1) =
= 3 x + 4 y 30
3 y = 27

De 3y = 27, tiramos y = 9

Calculando x:

Substituímos y = 9 na 1ª equação:

3x + y = 3
3 x + (9) = 3
3 x= 3 − 9
3 x = −6
−6
x=
3
x = −2

Nota importante: Podemos aplicar o método da adição de outra forma, neste caso procurando zerar a incógnita y. Veja:

Multiplicamos a 1ª equação por 4 e a 2ª por 1... e então:

18
De −9 x = 18 , encontramos x = = −2 (Viu?!! Dá o mesmo resultado!). Portanto, pode-se usar o processo da adição duas
vezes seguidas −9

HELP VESTIBULARES 201


SISTEMAS DE EQUAÇÕES

 6a − 5b = 15
Exemplo 4: Resolver o sistema pelo processo da adição 
−7 a + 16b =13

Temos que o MMC(6,7) = 42. Então, multiplicamos a 1ª equação por 7 e a 2ª por 6, temos:

 6a − 5b 15 .(7) =
=  42a − 35b 105
 ⇒
−7 a + 16b 13 .(6)
= −42
= a + 96b 78

 42a − 35b =
105
 ⊕
−42a + 96b =
78
61b = 183
183
= b = 3
61
Substituindo b = 3 na 2ª equação, vem:

−7 a + 16b = 13
−7 a + 16.(3) =13
−7 a + 48 = 13
−7 a = 13 − 48
−7 a = −35
−35
a=
−7
a=5

Resolver os seguintes problemas de sistemas de equações e de equações lineares de primeiro grau.

1. Num estacionamento existem automóveis e bicicletas, num total de 132 veículos e 88 pneus. Determine o número de
veículos de cada espécie.

2. A soma de dois números é 60 e a diferença é 12. Determine a soma de dois números é 200. O quociente de maior número
pelo menor é 12 e o resto 5. Determine-os.

6 4
3. Uma fração é equivalente . Subtraindo 10 unidades de cada termo da fração, obteremos uma fração equivalente a
determine-os. 7 5

202 HELP VESTIBULARES


EQUAÇÕES DO 2º GRAU
I. Equações do 2º grau

Denomina-se equação do 2º grau na incógnita x, toda equação da forma:


ax2 + bx + c = 0; a, b, c    IR e 
Exemplos:

• x2 - 5x + 6 = 0 é um equação do 2º grau com a = 1,  b = -5  e  c = 6.


• 6x2 - x - 1 = 0 é um equação do 2º grau com a = 6,  b = -1  e  c = -1.
• 7x2 - x = 0 é um equação do 2º grau com a = 7,  b = -1  e  c = 0.
• x2 - 36 = 0 é um equação do 2º grau com a = 1,  b = 0 e c = -36.

Nas equações escritas na forma ax² + bx + c = 0 (forma normal ou forma reduzida de uma equação do 2º grau na in-
cógnita x) chamamos a, b e c de coeficientes.

a  é sempre o coeficiente de  x²;


b  é sempre o coeficiente de x,
c  é o coeficiente ou termo independente.

1. Equações completas e incompletas:

Uma equação do 2º grau é completa quando b e c são diferentes de zero.

Exemplos:
x² - 9x + 20 = 0   e -x² + 10x - 16 = 0 são equações completas.
 
Uma equação do 2º grau é incompleta quando b ou c é igual a zero, ou ainda quando ambos são iguais a zero.

Exemplos:

Resolução de equações incompletas:

Resolver uma equação significa determinar o seu conjunto verdade. Na resolução de uma equação incompleta, utili-
zamos as técnicas da fatoração e duas importantes propriedades dos números reais:

1ª Propriedade:  
2ª Propriedade:  

1º Caso: equação do tipo   .

Exemplo:
- Determine as raízes da equação  , sendo  .

Solução:

Inicialmente, colocamos x em evidência:

Para o produto ser igual a zero, basta que um dos fatores também o seja. Assim:

HELP VESTIBULARES 203


EQUAÇÕES DO 2º GRAU
Obtemos dessa maneira duas raízes que formam o conjunto verdade:

De modo geral, a equação do tipo   tem para soluções   e   .

2º Caso: equação do tipo 

Exemplos:
- Determine as raízes da equação  , sendo U = IR.

Solução:

De modo geral, a equação do tipo   possui duas raízes reais se   for um número positivo, não tendo raiz real

caso   seja um número negativo.

Resolução de equações completas:

Para solucionar equações completas do 2º grau utilizaremos a fórmula de Bhaskara. A partir da equação 
, em que a,b, c     IR e  , desenvolveremos passo a passo a dedução da fórmula de Bhaskara (ou
fórmula resolutiva).
Denominamos discriminante o radical b2-4ac que é representado pela letra grega  (delta).

Podemos agora escrever deste modo a fórmula de Bhaskara:

De acordo com o discriminante, temos três casos a considerar:

1º caso: o discriminante é positivo  .

O valor de  é real e a equação tem duas raízes reais diferentes, assim representadas:

204 HELP VESTIBULARES


EQUAÇÕES DO 2º GRAU
Exemplo:

- Para quais valores de k a equação x² - 2x + k- 2 = 0 admite raízes reais e desiguais?

Solução:

Para que a equação admita raízes reais e desiguais, devemos ter 

 
Logo, os valores de k devem ser menores que 3.

2º caso: o discriminante é nulo  

O valor de  é nulo e a equação tem duas raízes reais e iguais, assim representadas:

Exemplo:

- Determine o valor de p, para que a equação x² - (p - 1) x + p-2 = 0 possua raízes iguais. 

Solução: 

Para que a equação admita raízes iguais, é necessário que  .

Logo, o valor de p é 3.

3º caso: o discriminante é negativo  .

O valor de  não existe em IR, não existindo, portanto, raízes reais. As raízes da equação são número complexos.
       

HELP VESTIBULARES 205


EQUAÇÕES DO 2º GRAU
Exemplo:

- Para quais valores de m a equação 3x² + 6x +m = 0 não admite nenhuma raiz real?

Solução:

Para que a equação não tenha raiz real, devemos ter 

Logo, os valores de m devem ser maiores que 3.

Resumindo:

Dada a equação ax² + bx + c = 0, temos:

Para , a equação tem duas raízes reais diferentes.


Para , a equação tem duas raízes reais iguais.
Para , a equação não tem raízes reais.

2. Relações entre os coeficientes e as raízes:

Considere a equação ax2 + bx + c = 0, com a  0 e sejam x’e x’’ as raízes reais dessa equação.

Logo:   

Observe as seguintes relações:

- Soma das raízes (S):

- Produto das raízes (P):

                    

206 HELP VESTIBULARES


EQUAÇÕES DO 2º GRAU

Como  ,temos:

Denominamos essas relações de relações de Girard. Verifique alguns exemplos de aplicação dessas relações.

- Determine a soma e o produto das raízes da equação 10x2  + x - 2 = 0.


 
Solução:

Nesta equação, temos: a=10, b=1 e c=-2.

A soma das raízes é igual a  .     O produto das raízes é igual a  .

Assim:                                     Assim: 

Determine o valor de k na equação x2 + ( 2k - 3)x + 2 = 0, de modo que a soma de suas raízes seja igual a 7.

Solução:

Nesta equação, temos: a=1, b=2k e c=2.

S= x1 + x2 = 7

Logo, o valor de k é -2.

Composição de uma equação do 2º grau, conhecidas as raízes.

Considere a equação do 2º grau ax2 + bx + c = 0. Dividindo todos os termos por a  , obtemos:

Como  , podemos escrever a equação desta maneira.


x2 - Sx + P = 0
Exemplos:

- Componha a equação do 2º grau cujas raízes são -2 e 7.

HELP VESTIBULARES 207


EQUAÇÕES DO 2º GRAU
Solução:

A soma das raízes corresponde a:

S= x1 + x2 = -2 + 7 = 5

O produto das raízes corresponde a:

P= x1 . x2 = ( -2) . 7 = -14

A equação do 2º grau é dada por x2 - Sx + P = 0, onde S=5 e P= -14.

Logo, x2 - 5x - 14 = 0 é a equação procurada.

- Formar a equação do 2º grau, de coeficientes racionais, sabendo-se que uma das raízes é   .

Solução:
Se uma equação do 2º grau, de coeficientes racionais, tem uma raiz   , a outra raiz será   .

Assim:

Logo, x2 - 2x - 2 = 0 é a equação procurada.

3. Equações biquadradas:

Observe as equações:

x4 - 13x2 + 36 = 0
9x4 - 13x2 + 4 = 0
x4 - 5x2 + 6 = 0

Note que os primeiros membros são polinômios do 4º grau na variável x, possuindo um termo em x4, um termo em x2e um
termo constante. Os segundos membros são nulos.
Denominamos essas equações de equações biquadradas.
Ou seja, equação biquadrada com uma variável x é toda equação da forma:

Exemplos:
x4 - 5x2 + 4 = 0
x4 - 8x2 = 0
3x4 - 27 = 0
 

208 HELP VESTIBULARES


EQUAÇÕES DO 2º GRAU
Cuidado!
As equações abaixo não são biquadradas, pois em uma equação biquadrada a variável x só possui expoentes pares.
x4 - 2x3 + x2 + 1 = 0
6x4 + 2x3 - 2x = 0
x4 - 3x = 0

- Resolução de uma equação biquadrada:

Na resolução de uma equação biquadrada em IR, devemos substituir sua variável, transformando-a numa equação do
2º grau. Observe agora o procedimento que deve ser utilizado.

Sequência prática:

• Substitua x4 por y2 (ou qualquer outra incógnita elevada ao quadrado) e x2 por y.


• Resolva a equação ay2 + by + c = 0.

• Determine a raiz quadrada de cada uma das raízes (y’e y’’) da equação ay2 + by + c = 0.

Essas duas relações indicam-nos que cada raiz positiva da equação ay2 + by + c = 0 dá origem a duas raízes simétricas
para a biquadrada: a raiz negativa não dá origem a nenhuma raiz real para a mesma.

Exemplos:

- Determine as raízes da equação biquadrada x4 - 13 x2 + 36 = 0.

Solução:

Substituindo x4 por y2 e x2 por y, temos:


y2 - 13y + 36 = 0

Resolvendo essa equação, obtemos:


y’=4     e      y’’=9

Como x2= y, temos:

Logo, temos para conjunto verdade: V={ -3, -2, 2, 3}.

- Determine as raízes da equação biquadrada x4 + 4x2 - 60 = 0.

Solução:

Substituindo x4 por y2 e x2 por y, temos:


y2 + 4y - 60 = 0

Resolvendo essa equação, obtemos:


y’=6   e  y’’= -10

Como x2= y, temos:

HELP VESTIBULARES 209


EQUAÇÕES DO 2º GRAU

Logo, temos para o conjunto verdade: .

- Determine a soma das raízes da equação  .

Solução:

Utilizamos o seguinte artifício:

Assim:
y2 - 3y = -2

y2 - 3y + 2 = 0

y’=1  e  y’’=2

Substituindo y, determinamos:

Logo, a soma das raízes é dada por:

- Resolução de equações da forma: ax2n  +  bxn  + c = 0

Esse tipo de equação pode ser resolvido da mesma forma que a biquadrada. Para isso, substituirmos xn por y, obtendo:

ay2 + by + c = 0, que é uma equação do 2º grau.

210 HELP VESTIBULARES


EQUAÇÕES DO 2º GRAU
Exemplo:

- Resolva a equação x6 + 117x3 - 1.000 = 0.

Solução: 

Fazendo x3=y, temos:


y2 + 117y - 1.000 = 0
Resolvendo a equação, obtemos:
y’= 8  e  y’’= - 125

Então:

Logo, V= {-5, 2 }.

4. Equações irracionais:

Considere as seguintes equações:

Observe que todas elas apresentam variável ou incógnita no radicando. Essas equações são irracionais. Ou seja: equação
irracional é toda equação que tem variável no radicando.

- Resolução de uma equação irracional:

A resolução de uma equação irracional deve ser efetuada procurando transformá-la inicialmente numa equação racio-
nal, obtida ao elevarmos ambos os membros da equação a uma potência conveniente.
Em seguida, resolvemos a equação racional encontrada e, finalmente, verificamos se as raízes da equação racional ob-
tidas podem ou não ser aceitas como raízes da equação irracional dada (verificar a igualdade).
É necessária essa verificação, pois, ao elevarmos os dois membros de uma equação a uma potência, podem aparecer na
equação obtida raízes estranhas à equação dada. Observe alguns exemplos de resolução de equações irracionais no conjunto
dos reais.

Solução:

Logo, V= {58}.

HELP VESTIBULARES 211


EQUAÇÕES DO 2º GRAU
Solução:

Logo, V= { -3}; note que 2 é uma raiz estranha a essa equação irracional.

Solução:

Logo, V= { 7 }; note que 2 é uma raiz estranha a essa equação irracional.

212 HELP VESTIBULARES


EQUAÇÕES DO 2º GRAU
Solução:

Logo, V={9}; note que   é uma raiz estranha a essa equação irracional.

1. Escreva a equação , para:

2. Escreva as equações do 2° grau na forma reduzida.

3. Verifique se 1 é raiz das equações abaixo.

HELP VESTIBULARES 213


EQUAÇÕES DO 2º GRAU

4. Classifique cada equação do 2° grau em completa ou incompleta.

5. Sabendo que 2 é raiz da equação qual é o valor de p?

6. O valor de m, de modo que a equação tenha uma das raízes igual a 3.

7. Identifique os coeficientes e calcule o discriminante para cada equação.

8. Considere a equação abaixo e, faça o que se pede:

a) Identifique os coeficientes a, b e c.
b) Calcule o discriminante
c) Determine o valor de

9. Classifique as afirmações em V (verdadeira) ou F (falsa)


I. Se o discriminante da equação é igual a zero, ela tem duas raízes reais e iguais. ( )
II. Se o discriminante da equação é menor que zero, ela tem duas raízes reais diferentes. ( )
III. Se o discriminante da equação é maior que zero, ela tem duas raízes reais e diferentes. ( )
IV. Se o discriminante da equação é igual a zero, ela não tem raízes reais. ( )

10. Determine as raízes reais das equações incompletas:

214 HELP VESTIBULARES


RAZÕES TRIGONOMÉTRICAS
I. Razões trigonométricas

1. Catetos e hipotenusa:

Em um triângulo, chamamos o lado oposto ao ângulo reto de hipotenusa e os lados adjacentes de catetos. Observe
a figura:

Veremos a seguir as razões trigonométricas existentes em um triângulo desse tipo.

2. Seno e cosseno:

Considere um triângulo retângulo BAC:

Hipotenusa:     , m( ) = a.
Catetos:          , m( ) = b.
                        , m( ) = c.
Ângulos:          ,    e   .

Tomando por base os elementos desse triângulo, podemos definir as seguintes razões trigonométricas:

• Seno de um ângulo agudo é a razão entre a medida do cateto oposto a esse ângulo e a medida da hipotenusa.

   
Assim:

HELP VESTIBULARES 215


RAZÕES TRIGONOMÉTRICAS

• Cosseno de um ângulo agudo é a razão entre a medida do cateto adjacente a esse ângulo e a medida da hipotenusa.

  
Assim:

216 HELP VESTIBULARES


RAZÕES TRIGONOMÉTRICAS

• Tangente de um ângulo agudo é a razão entre a medida do cateto oposto e a medida do cateto adjacente a esse ângulo.

 
Assim:

HELP VESTIBULARES 217


RAZÕES TRIGONOMÉTRICAS
    Exemplo:

Observações:

a) A tangente de um ângulo agudo pode ser definida como a razão entre o seno deste ângulo e o seu cosseno.
Assim:

b) A tangente de um ângulo agudo é um número real positivo.

c) O seno e o cosseno de um ângulo agudo são sempre números reais positivos menores    que 1, pois qualquer cateto é sempre
menor que a hipotenusa.

- As razões trigonométricas de 30º, 45º e 60º

218 HELP VESTIBULARES


RAZÕES TRIGONOMÉTRICAS
Considere as figuras:

Quadrado de lado l e diagonal 

Triângulo equilátero de lado I e altura 

- Seno, cosseno e tangente de 30º

Aplicando as definições de seno, cosseno e tangente para os ângulos de 30º, temos:

HELP VESTIBULARES 219


RAZÕES TRIGONOMÉTRICAS

- Seno, cosseno e tangente de 45º

Aplicando as definições de seno, cosseno e tangente para um ângulo de 45º, temos:

- Seno, cosseno e tangente de 60º

Aplicando as definições de seno, cosseno e tangente para um ângulo de 60º, temos:

220 HELP VESTIBULARES


RAZÕES TRIGONOMÉTRICAS

Resumindo:

1. Determine o seno, cosseno e a tangente dos ângulos agudos α e β na figura.


(Use duas casas decimais).

2. Observando o triângulo retângulo mostrado na figura, calcule:

a) O seno, cosseno e tangente do ângulo agudo indicado.


b) O valor da altura relativa à hipotenusa.
c) A área do triângulo.

HELP VESTIBULARES 221


RAZÕES TRIGONOMÉTRICAS
3. Num triângulo retângulo um cateto mede 15cm e a hipotenusa 17cm. Calcule o seno, o cosseno e a tangente do maior
ângulo agudo desse triângulo.

4. Observe a tabela com os valores aproximados (duas casas decimais) do seno, cosseno e tangente de alguns ângulos.

Utilizando propriedades dos ângulos complementares, calcule os valores das expressões.

a)

b)

5. Um avião levanta voo em B e sobe fazendo um ângulo constante de 15º com a horizontal. A que altura está e qual distância
percorrida, quando alcançar a vertical que passa por um prédio A situado a 2 km do ponto de partida?
(Dados: sen 15º = 0,26, cos 15º = 0,97 e tg 15º = 0,27).

6. Qual a área do triangulo ABC indicado na figura?

3
7. Calcule o perímetro do triângulo retângulo ABC da figura, sabendo que cos α = e o segmento BC é igual a 10 m.
5

8. Calcule x indicado na figura.

222 HELP VESTIBULARES


CONCEITOS DE GEOMETRIA
I. Conceitos de Geometria

Alguns conceitos são de suma importância para o entendimento da geometria plana, a saber:

1. Ponto:

Conceito adimensional, uma vez que não possui dimensão. Os pontos determinam uma localização e são indicados
com letras maiúsculas.

2. Reta:

A reta, representada por letra minúscula, é uma linha ilimitada unidimensional (possui o comprimento como dimen-
são) e pode se apresentar em três posições:

• horizontal
• vertical
• inclinada

Dependendo da posição das retas, quando elas se cruzam, ou seja, possuem um ponto em comum, são chamadas de
retas concorrentes.
Por outro lado, as que não possuem ponto em comum, são classificadas como retas paralelas.

3. Segmento de Reta:

Diferente da reta, o segmento de reta é limitado pois corresponde a parte entre dois pontos distintos.
A semirreta é limitada somente num sentido, visto que possui início e não possui fim.

4. Plano:

Corresponde a uma superfície plana bidimensional, ou seja, possui duas dimensões: comprimento e largura. Nessa
superfície que se formam as figuras geométricas.

5. Ângulos:

Os ângulos são formados pela união de dois segmentos de reta, a partir de um ponto comum, chamado de vértice do
ângulo. São classificados em:

• ângulo reto (Â = 90º)


• ângulo agudo (entre 0º e 90º)
• ângulo obtuso (maior que 90º)

6. Área:

A área de uma figura geométrica expressa o tamanho de uma superfície. Assim, quanto maior a superfície da figura,
maior será sua área.

7. Perímetro:

O perímetro corresponde a soma de todos os lados de uma figura geométrica.

8. Área ou superfície de uma figura plana tem a ver com o conceito (primitivo) de sua extensão (bidimensional).
Usamos a área do quadrado de lado unitário como referência de unidade de área, chamando de metro quadrado (m²) sua
unidade de medida principal.
 

HELP VESTIBULARES 223


CONCEITOS DE GEOMETRIA
- Área do Quadrado:

 
- Área do Retângulo:

 
- Área do Paralelogramo:

 
- Área do Losango:

 
- Área do Trapézio:

224 HELP VESTIBULARES


CONCEITOS DE GEOMETRIA
- Triângulos Quaisquer:

- Triângulo Retângulo:

 
- Triângulo Equilátero:

 
- Fórmula de Heron:

 
 

HELP VESTIBULARES 225


CONCEITOS DE GEOMETRIA
- Área do Círculo:

 
- Área da Coroa Circular:

- Área Setor Circular:

- Área Segmento Circular:

226 HELP VESTIBULARES


CONCEITOS DE GEOMETRIA
1. Calcule a área do triângulo abaixo:

2. Determine a área de um triângulo isósceles de perímetro igual a 32cm, sabendo que sua base excede em 2cm cada um dos
lados congruentes.

3. A altura de um trapézio isósceles mede 3 3 m, a base maior, 14m, e o perímetro, 34m. Determine a área desse trapézio.

4. Mariana construiu um salão de festas cujo piso tem a forma de um trapézio (veja figura abaixo). Para cobrir o piso, Mariana
escolheu uma lajota quadrada cujo lado mede 30cm. Quantas lajotas serão necessárias para cobrir completamente o salão,
considerando que devem ser comprados 5% a mais para repor eventuais lajotas quebradas?

5. A base e a altura de um triângulo formam par ordenado (b,a) que soluciona o sistema de equações:

Determine a área desse triângulo.

HELP VESTIBULARES 227


PRODUTOS NOTÁVEIS
I. Produtos notáveis

Antes de entendermos o que são produtos notáveis, devemos saber o que são expressões algébricas, isto é, equações que
possuem letras e números. Veja alguns exemplos:

2x + 3 = 4
-y + 2x + 1 = 0
z2 + ax + 2y = 3

Os produtos notáveis possuem fórmulas gerais, que, por sua vez, são a simplificação de produtos algébricos. Veja:

(x + 2) . (x + 2)
(y – 3) . (y – 3) =
(z + 4 ). ( z – 4) =

1. Cinco casos de Produtos Notáveis:

Há cinco casos distintos de produtos notáveis, a saber:

a) Primeiro Caso: Quadrado da soma de dois termos.

quadrado = expoente 2;
Soma de dois termos = a + b;
Logo, o quadrado da soma de dois termos é: (a + b)2

Efetuando o produto do quadrado da soma, obtemos:


(a + b)2 = (a + b) . (a + b) =
= a2 + a . b + a . b + b2 =
= a2 + 2 . a . b + b2

Toda essa expressão, ao ser reduzida, forma o produto notável, que é dado por:
(a + b)2 = a2 + 2 . a . b + b2

Sendo assim, o quadrado da soma de dois termos é igual ao quadrado do primeiro termo, mais duas vezes o primeiro termo
pelo segundo, mais o quadrado do segundo termo.

Exemplos:

(2 + a)2 =
= 22 + 2 . 2 . a + a2 =
= 4 + 4 . a + a2
(3x + y)2 =
= (3 x)2 + 2 . 3x . y + y2 =
= 9x2 +6 . x . y + y2

b) Segundo Caso: Quadrado da diferença de dois termos.

Quadrado = expoente 2;
Diferença de dois termos = a – b;
Logo, o quadrado da diferença de dois termos é: (a - b)2.

Vamos efetuar os produtos por meio da propriedade distributiva:


(a - b)2 = (a – b) . (a – b)
= a2 – a . b – a . b + b2 =
= a2 – 2 .a . b + b2

228 HELP VESTIBULARES


PRODUTOS NOTÁVEIS
Reduzindo essa expressão, obtemos o produto notável:
(a - b)2 = a2 – 2 .a . b + b2

Temos, então, que o quadrado da diferença de dois termos é igual ao quadrado do primeiro termo, menos duas vezes o pri-
meiro termo pelo segundo, mais o quadrado do segundo termo.

Exemplos:

(a – 5c)2 =
= a2 – 2 . a . 5c + (5c)2 =
= a2 – 10 . a . c + 25c2
(p – 2s) =
= p2 – 2 . p . 2s + (2s)2 =
= p2 – 4 . p . s + 4s2

c) Terceiro Caso: Produto da soma pela diferença de dois termos.

Produto = operação de multiplicação;


Soma de dois termos = a + b;
Diferença de dois termos = a – b;
O produto da soma pela diferença de dois termos é: (a + b) . (a – b)
Resolvendo o produto de (a + b) . (a – b), obtemos:
(a + b) . (a – b) =
= a2 - ab + ab - b2 =
= a2 + 0 + b2 = a2 - b2

Reduzindo a expressão, obtemos o produto notável:


(a + b) . (a – b) = a2 - b2

Podemos concluir, portanto, que o produto da soma pela diferença de dois termos é igual ao quadrado do primeiro termo
menos o quadrado do segundo termo.

Exemplos:

(2 – c) . (2 + c) =
= 22 – c2 =
= 4 – c2
(3x2 – 1) . (3x2 + 1) =
= (3x2)2 – 12 =
= 9x4 – 1

d) Quarto caso: Cubo da soma de dois termos

Cubo = expoente 3;
Soma de dois termos = a + b;
Logo, o cubo da soma de dois termos é: (a + b)3

Efetuando o produto por meio da propriedade distributiva, obtemos:


(a + b)3 = (a + b) . (a + b) . (a + b) =
= (a2 + a . b + a . b + b2) . (a + b) =
= ( a2 + 2 . a . b + b2 ) . ( a + b ) =
= a3 +2. a2 . b + a . b2 + a2 . b + 2 . a . b2 + b3 =
= a3 +3 . a2 . b + 3. a . b2 + b3

HELP VESTIBULARES 229


PRODUTOS NOTÁVEIS
Reduzindo a expressão, obtemos o produto notável:
(a + b)3 = a3 + 3 . a2 . b + 3 . a . b2 + b3

O cubo da soma de dois termos é dado pelo cubo do primeiro, mais três vezes o primeiro termo ao quadrado pelo segundo
termo, mais três vezes o primeiro termo pelo segundo ao quadrado, mais o cubo do segundo termo.

Exemplo:
(3c + 2a)3 =
= (3c)3 + 3 . (3c)2 .2a + 3 . 3c . (2a)2 + (2a)3 =
= 27c3 + 54 . c2 . a + 36 . c . a2 + 8a3

e) Quinto caso: Cubo da diferença de dois termos:


Cubo = expoente 3;
Diferença de dois termos = a – b;
Logo, o cubo da diferença de dois termos é: ( a - b )3.

Efetuando os produtos, obtemos:


(a - b)3 = (a - b) . (a - b) . (a - b) =
= (a2 - a . b - a . b + b2) . (a - b) =
= (a2 - 2 . a . b + b2) . (a - b) =
= a3 - 2. a2 . b + a . b2 - a2 . b + 2 . a . b2 - b3 =
a3 - 3 . a2 . b + 3. a . b2 - b3

Reduzindo a expressão, obtemos o produto notável:


(a - b)3 = a3 - 3 . a2 . b + 3 . a . b2 - b3

O cubo da diferença de dois termos é dado pelo cubo do primeiro, menos três vezes o primeiro termo ao quadrado pelo se-
gundo termo, mais três vezes o primeiro termo pelo segundo ao quadrado, menos o cubo do segundo termo.

Exemplo:
(x - 2y)3 =
= x3 - 3 . x2 . 2y + 3 . x . (2y)2 – (2y)3 =
x3 - 6 . x2 . y + 12 . x . y2 – 8y3

1. Calcule:

a) (3 + x)² = 

b) (x + 5)² = 

c) ( x + y)² = 

d) (x + 2)² = 

e) ( 3x + 2)² = 

f ) (2x + 1)² = 

g) ( 5+ 3x)² = 

h) (2x + y)² = 

i) (r + 4s)² = 

j) ( 10x + y)² = 
230 HELP VESTIBULARES
PRODUTOS NOTÁVEIS
l) (3y + 3x)² = 

m) (-5 + n)² = 

n) (-3x + 5)² = 

o) (a + ab)² = 

p) (2x + xy)² = 

2. Calcule:

a) ( 5 – x)² = 

b) (y – 3)² = 

c) (x – y)² = 

d) ( x – 7)² = 

e) (2x – 5) ² = 

f ) (6y – 4)² = 

g) (3x – 2y)² = 

h) (2x – b)² = 

i) (5x² - 1)² = 

j) (x² - 1)² =  

l) (9x² - 1)² = 

m) (x³ - 2)² = 

n)  (x – 5y³)² = 

o) (1 - mx)² = 

p) (3x + 5)² = 

3. Calcule o produto da soma pela diferença de dois termos:

a) (x + y) . ( x - y) = 

b) (y – 7 ) . (y + 7) = 

c) (x + 3) . (x – 3) = 

d) (2x + 5 ) . (2x – 5) = 

e) (3x – 2 ) . ( 3x + 2) = 

f ) (5x + 4 ) . (5x – 4) = 

HELP VESTIBULARES 231


PRODUTOS NOTÁVEIS
g) (3x + y ) (3x – y) = 

h) ( 1 – 5x) . (1 + 5x) = 

i) (2x + 3y) . (2x – 3y) = 

j) (7 – 6x) . ( 7 + 6x) = 

l) (1 + 7x²) . ( 1 – 7x²) = 

m) (3x² - 4 ) ( 3x² + 4) = 

n) (3x² - y²) . ( 3x² + y²) = 

o) (x + 1/2 ) . ( x – 1/2 ) = 

p) (x – 2/3) . ( x + 2/3) = 

4. Desenvolva os seguintes produtos notáveis abaixo:

a) (2a+3)² = 

b) (2 + 9x)² = 

c) (6x - y)² = 

d) (a - 2b)² = 

e) (7a +1) (7a - 1) = 

f ) (10a - bc) (10a + bc) = 

g) (x² + 2a)² = 

h) (x - 5) (x + 5) = 

i) (9y + 4 ) (9y - 4) = 

j) (m - n)² = 

5. Sabendo que x² + y² = 153 e que xy = 36, calcule o valor de (x+y)².

6. Qual o valor numérico da expressão (a - 2b)², sabendo-se que a² + 4b² = 30 e ab = 5. 

7. Se  x - y = 7 e xy = 60, então o valor da expressão x² + y² é:


a) 53
b) 109
c) 169
d) 420

8. A expressão (x - y)² - (x + y)² é equivalente a:


a) 0
b) 2y²
c) -2y³
d) -4xy

232 HELP VESTIBULARES


FÍSICA
Introdução à cinemática
Movimento retilíneo uniforme
Movimento uniformemente variado
Equação de Torricelli
Movimento vertical
Vetores
Movimento oblíquo
Bateria de questões
Movimento circular
Movimento circular uniforme (MCU)
Força centrípeta
Introdução à dinâmica
Força peso e força de atrito
Bateria de questões
Força elástica
INTRODUÇÃO À CINEMÁTICA
I. Introdução à Cinemática.

1. Deslocamento:

Para a Física, o deslocamento de um corpo é uma grandeza vetorial (possui módulo, direção e sentido) definida como
a variação de posição de um corpo em um dado intervalo de tempo. Dessa forma, o vetor deslocamento pode ser obtido pela
diferença entre as posições final e inicial.
Tem se que tomar muito cuidado com a distância percorrida (ou espaço percorrido) é a medida sobre a trajetória
descrita no movimento; o seu valor depende da trajetória. O deslocamento é a medida da linha reta que une a posição inicial
e a posição final; o seu valor só depende destas posições, não depende da trajetória.

2. Tempo:

Do latim tempus, a palavra tempo é a grandeza física que permite medir a duração ou a separação das coisas mutáveis/
sujeitas a alterações (ou seja, o período decorrido entre o estado do sistema quando este apresentava um determinado estado
e o momento em que esse dito estado regista uma variação perceptível para o observador).
Esta grandeza, cuja unidade básica é o segundo, permite ordenar os sucessos em sequências, estabelecendo assim um
passado, um presente e um futuro. O tempo dá lugar ao princípio de causalidade, que é um dos axiomas do método científico.
A cronologia permite datar os momentos em que ocorrem determinados acontecimentos. Trata-se de uma linha de
tempo onde se pode representar graficamente os momentos históricos em pontos e os processos em segmentos. Isso e muito
importante para nós na Física, pois muitos dos gráficos criados serão em função do tempo.

3. Velocidade:

A velocidade de um corpo é dada pela relação entre o deslocamento de um corpo em determinado tempo. Pode ser
considerada a grandeza que mede o quão rápido um corpo se desloca.
A análise da velocidade se divide em dois principais tópicos: Velocidade Média e Velocidade Instantânea. É considerada
uma grandeza vetorial, ou seja, tem um módulo (valor numérico), uma direção (Ex.: vertical, horizontal...) e um sentido (Ex.:
para frente, para cima, ...). Porém, para problemas elementares, onde há deslocamento apenas em uma direção, o chamado
movimento unidimensional, convém tratá-la como uma grandeza escalar (com apenar valor numérico). As unidades de ve-
locidade comumente adotadas são:

  m/s (metro por segundo);


  km/h (quilômetro por hora);

No Sistema Internacional (S.I.), a unidade padrão de velocidade é o m/s. Por isso, é importante saber efetuar a conver-
são entre o km/h e o m/s, que é dada pela seguinte relação:

A partir daí, é possível extrair o seguinte fator de conversão:

4. Velocidade Média:
 
Indica o quão rápido um objeto se desloca em um intervalo de tempo médio e é dada pela seguinte razão:

HELP VESTIBULARES 235


INTRODUÇÃO À CINEMÁTICA
Onde:

   = Velocidade Média
  = Intervalo do deslocamento [posição final – posição inicial ( )]
   = Intervalo de tempo [tempo final – tempo inicial ( )]

1. (FGV-SP) Uma equipe de reportagem parte em um carro em direção a Santos, para cobrir o evento “Música Boa Só na
Praia”.
Partindo da cidade de São Paulo, o veículo deslocou-se com uma velocidade constante de 54 km/h, durante 1 hora. Parou em
um mirante, por 30 minutos, para gravar imagens da serra e do movimento de automóveis. A seguir, continuaram a viagem
para o local do evento, com o veículo deslocando-se a uma velocidade constante de 36 km/h durante mais 30 minutos. A
velocidade escalar média durante todo o percurso foi, em m/s, de
a) 10 m/s.
b) 12 m/s.
c) 25 m/s.
d) 36 m/s.
e) 42 m/s.

2. (CTPS) Após uma chuva torrencial as águas da chuva desceram o rio A até o rio B, percorrendo cerca de 1.000 km. Sendo
de 4 km/h a velocidade média das águas, o percurso mencionado será cumprido pelas águas da chuva em aproximadamente:
a) 20 dias.
b) 10 dias.
c) 28 dias.
d) 12 dias.
e) 4 dias.

3. (CEFET) Num Shopping há uma escada rolante de 6 m de altura e 8 m de base que transporta uma pessoa entre dois
andares consecutivos num intervalo de tempo de 20 s. A velocidade média desta pessoa, em m/s, é:
a) 0,2
b) 0,5
c) 0,9
d) 0,8
e) 1,5

3. B
2. B
1. A
Gabarito:

236 HELP VESTIBULARES


MOVIMENTO RETILÍNEO UNIFORME
I. Movimento Retilíneo Uniforme

O Movimento Uniforme é qualquer movimento realizado por um corpo que percorre distâncias iguais em tempos
iguais. No MU, o corpo não necessita estar se movimentando em linha reta, em círculos ou em qualquer outra forma, basta
que a sua velocidade escalar se mantenha a mesma por todo o tempo. Então, a velocidade escalar média é igual à velocidade
escalar, pois o corpo mantém a mesma velocidade em todo o trajeto.

V = Vinstante = Vmédia = ∆s/∆t

O Movimento Retilíneo Uniforme é a mesma coisa que o MU, exceto pelo fato de que, obrigatoriamente, o trajeto
percorrido pelo corpo deve ser uma linha reta. A equação horária do espaço pode ser demonstrada a partir da fórmula de
velocidade média.

s = s0 + v . t
(recebe o apelido de sorvete)

Por convenção, definimos que, quando um corpo se desloca em um sentido que coincide com a orientação da tra-
jetória, ou seja, para frente, então ele terá uma v>0 e um  >0 e este movimento será chamado movimento progressivo.
Analogamente, quando o sentido do movimento for contrário ao sentido de orientação da trajetória, ou seja, para trás, então
ele terá uma v<0 e um  <0, e ao movimento será dado o nome de movimento retrógrado.

1. Diagrama s x t:

Existem diversas maneiras de se representar o deslocamento em função do tempo. Uma delas é por meio de gráficos,
chamados diagramas deslocamento versus tempo (s x t). No exemplo a seguir, temos um diagrama que mostra um movimento
retrógrado:

HELP VESTIBULARES 237


MOVIMENTO RETILÍNEO UNIFORME

1. Um tiro é disparado contra um alvo preso a uma grande parede capaz de refletir o som. O eco do disparo é ouvido 2,5
segundos depois do momento do golpe. Considerando a velocidade do som 340m/s, qual deve ser a distância entre o atirador
e a parede?

2. (PUC-MG) Um homem, caminhando na praia, deseja calcular sua velocidade. Para isso, ele conta o número de passadas
que dá em um minuto, contando uma unidade a cada vez que o pé direito toca o solo, e conclui que são 50passadas por
minuto. A seguir, ele mede a distância entre duas posições sucessivas do seu pé direito e encontra o equivalente a seis pés.
Sabendo que três pés correspondem a um metro, sua velocidade, suposta constante, é:
a) 3 km/h
b) 4,5 km/h
c) 6 km/h
d) 9 km/h
e) 10 km/h

3. (FUND. CARLOS CHAGAS) Um trem de 200m de comprimento, com velocidade escalar constante de 60 km/h, gasta
36s para atravessar completamente uma ponte. A extensão da ponte, em metros, é de:
a) 200
b) 400
c) 500
d) 600
e) 800

4. Considere dois trens T1 e T2 caminhando em linhas férreas retilíneas e paralelas com velocidades de intensidade V1 = 36
km/h e V2 = 72 km/h, em sentidos opostos. Um observador O1está no trem T1 e nota que a passagem de T2, diante de sua
janela, durou um intervalo de tempo de 10s. O tempo gasto por T2, para passar por um túnel de comprimento 200m, é de:
a) 25s
b) 20s
c) 30s
d) 50s
e) 60s

4. A
3. B
2. C
1. 425m
Gabarito:

238 HELP VESTIBULARES


MOVIMENTO UNIFORMEMENTE VARIADO
I. Movimento Uniformemente Variado

Também conhecido como movimento acelerado, consiste em um movimento onde há variação de velocidade, ou seja,
o móvel sofre aceleração à medida que o tempo passa.
Mas se essa variação de velocidade for sempre igual em intervalos de tempo iguais, então dizemos que este é um Mo-
vimento Uniformemente Variado (também chamado de Movimento Uniformemente Acelerado), ou seja, que tem aceleração
constante e diferente de zero.
O conceito físico de aceleração, difere um pouco do conceito que se tem no cotidiano. Na física, acelerar significa
basicamente mudar de velocidade, tanto tornando-a maior, como também menor. Já no cotidiano, quando pensamos em
acelerar algo, estamos nos referindo a um aumento na velocidade.
O conceito formal de aceleração é: a taxa de variação de velocidade numa unidade de tempo, então como unidade
teremos:

1. Aceleração:

Assim como para a velocidade, podemos definir uma aceleração média se considerarmos a variação de velocidade 
em um intervalo de tempo  , e esta média será dada pela razão:

2. Velocidade em função do tempo:

No entanto, quando este intervalo de tempo for infinitamente pequeno, ou seja,  , tem-se aceleração instan-
tânea do móvel.

Isolando-se o  :

Mas sabemos que:

Então:

Entretanto, se considerarmos  , teremos a função horária da velocidade do Movimento Uniformemente


Variado, que descreve a velocidade em função do tempo.

HELP VESTIBULARES 239


MOVIMENTO UNIFORMEMENTE VARIADO
3. Posição em função do tempo:

A melhor forma de demonstrar esta função é através do diagrama velocidade versus tempo (v x t) no movimento uni-
formemente variado.

O deslocamento será dado pela área sob a reta da velocidade, ou seja, a área do trapézio.

Onde sabemos que:

logo:

ou

Interpretando esta função, podemos dizer que seu gráfico será uma parábola, pois é resultado de uma função do segun-
do grau, para isso, vamos fazer a análise gráfica do Movimento Retilíneo Uniformemente Variado (MRUV)
Diferentemente do Movimento Uniforme, o MRUV possui velocidade escalar média variável, e aceleração constante
(a = cte) e diferente de zero (a ≠ 0). Função horária dos espaços s = f(t).

240 HELP VESTIBULARES


MOVIMENTO UNIFORMEMENTE VARIADO
A função horária dos espaços no MUV é uma função do 2º grau dada por:

 
Onde:
S = espaço final (dado em metros “m”)
S0 = espaço inicial (dado em metros “m”)
V0 = velocidade inicial (dada em m/s)
t = tempo (dado em segundos “s”)
a = aceleração (dado em m/s2)
Por ser do 2º grau, a representação gráfica da função é uma parábola.

Gráfico da função s = f(t)

a) Para a > 0

Esse gráfico é uma parábola com a concavidade voltada para cima, pois a aceleração é maior do que zero (a > 0). Assim,
se a velocidade for menor do que zero (v < 0), o movimento é retardado. Se a velocidade for maior do que zero (v > 0), o
movimento é acelerado.

b) Para a < 0

4. Classificação do movimento:

Nesse caso a parábola tem concavidade voltada para baixo, pois a aceleração é menor do que zero (a < 0). Se a velo-
cidade for menor do que zero (v < 0), o movimento é acelerado. Se a velocidade for maior do zero (v > 0), o movimento é
retardado.
No movimento retardado, o módulo da velocidade diminui com o passar do tempo. Já no movimento acelerado, o
módulo da velocidade aumenta com o passar do tempo.

HELP VESTIBULARES 241


MOVIMENTO UNIFORMEMENTE VARIADO
Note que quando a velocidade e a aceleração têm o mesmo sinal (v > 0 e a > 0 ou v <0 e a < 0) o movimento é Uni-
formemente Variado e Acelerado. Quando a velocidade e a aceleração têm sinais contrários (v > 0 e a < 0 ou v < 0 e a > 0) o
movimento é Uniformemente Variado e Retardado.

Função horária da velocidade v = f(t).

A função horária da velocidade é uma função do 1º grau, representada por:

v = v0 + a.t

Por ser uma função de primeiro grau, a representação gráfica dessa função é uma reta.

a) Gráficos da velocidade v = f(t):

a) Para a > 0

Nesse caso a > 0, o gráfico da função é uma reta crescente. A velocidade aumenta com o passar do tempo.

b) Para v < 0.

Aqui a < 0, assim, o gráfico é uma reta decrescente. A velocidade diminui com o passar do tempo.

b) Gráficos da Aceleração:

No Movimento Uniformemente Variado, a aceleração é constante e diferente de zero, logo, a função da velocidade é
uma função constate, e o gráfico que representa essa função é uma reta paralela ao eixo dos tempos.

242 HELP VESTIBULARES


MOVIMENTO UNIFORMEMENTE VARIADO

1. (FUVEST) Um veículo parte do repouso em movimento retilíneo e acelera com aceleração escalar constante e igual a 2,0
m/s2. Pode-se dizer que sua velocidade escalar e a distância percorrida após 3,0 segundos, valem, respectivamente:
a) 6,0 m/s e 9,0m;
b) 6,0m/s e 18m;
c) 3,0 m/s e 12m;
d) 12 m/s e 35m;
e) 2,0 m/s e 12 m

2. Dois móveis A e B movimentam-se ao longo do eixo x, obedecendo às equações móvel A: xA = 100 + 5,0t e móvel B: xB =
5,0t2, onde xA e xB são medidos em m e t em s. Pode-se afirmar que:
a) A e B possuem a mesma velocidade;
b) A e B possuem a mesma aceleração;
c) o movimento de B é uniforme e o de A é acelerado;
d) entre t = 0 e t = 2,0s ambos percorrem a mesma distância;
e) a aceleração de A é nula e a de B tem intensidade igual a 10 m/s2.

3. Um móvel parte do repouso com aceleração constante de intensidade igual a 2,0 m/s2 em uma trajetória retilínea. Após 20s,
começa a frear uniformemente até parar a 500m do ponto de partida. Em valor absoluto, a aceleração de freada foi:
a) 8,0 m/s2
b) 6,0 m/s2
c) 4,0 m/s2
d) 2,0 m/s2
e) 1,6 m/s2

4. Uma motocicleta pode manter uma aceleração constante de intensidade 10 m/s2. A velocidade inicial de um motociclista,
com esta motocicleta, que deseja percorrer uma distância de 500m, em linha reta, chegando ao final desta com uma veloci-
dade de intensidade 100 m/s é:
a) zero
b) 5,0 m/s
c) 10 m/s
d) 15 m/s
e) 20 m/s

5. Um ponto material parte do repouso em movimento uniformemente variado e, após percorrer 12 m, está animado de uma
velocidade escalar de 6,0 m/s. A aceleração escalar do ponto material, em m/s2 vale:
a) 1,5
b) 1,0
c) 2,5
d) 2,0
e) n.d.a.


5. A
4. A
3. A
2. E
1.A
Gabarito:

HELP VESTIBULARES 243


EQUAÇÃO DE TORRICELLI
I. Equação de Torricelli

Até agora, conhecemos duas equações do movimento uniformemente variado, que nos permitem associar velocidade
ou deslocamento com o tempo gasto. Torna-se prático encontrar uma função na qual seja possível conhecer a velocidade de
um móvel sem que o tempo seja conhecido. Para isso, usaremos as duas funções horárias que já conhecemos:

  (1) 

  (2) 

Isolando-se t em (1):

Substituindo t em (2) teremos:

Reduzindo-se a um denominador comum:

 
 
 

1. Uma bala que se move a uma velocidade escalar de 200m/s, ao penetrar em um bloco de madeira fixo sobre um muro, é
desacelerada até parar. Qual o tempo que a bala levou em movimento dentro do bloco, se a distância total percorrida em seu
interior foi igual a 10cm?

2. Uma partícula, inicialmente a 2 m/s, é acelerada uniformemente e, após percorrer 8 m, alcança a velocidade de 6 m/s.
Nessas condições, sua aceleração, em metros por segundo ao quadrado, é:
a) 1
b) 2
c) 3
d) 4
e) 5

244 HELP VESTIBULARES


EQUAÇÃO DE TORRICELLI
3. Um corpo é abandonado de uma altura de 20 m num local onde a aceleração da gravidade da Terra é dada por g = 10 m/
s2. Desprezando o atrito, o corpo toca o solo com velocidade:
a) igual a 20 m/s
b) nula
c) igual a 10 m/s
d) igual a 20 km/h
e) igual a 15 m/s

4. Um automóvel inicia uma trajetória com uma velocidade de 5 m/s e realiza um movimento uniformemente variado com
aceleração igual a 2 m/s2. Calcule o espaço percorrido pelo automóvel, sabendo que no fim da trajetória sua velocidade era
de 25 m/s.

5. Um objeto é lançado de uma altura de 30 m e inicia o movimento uniformemente variado com velocidade de 5 m/s. Cal-
cule a velocidade do objeto ao atingir o solo, sabendo que sua aceleração era de 10 m/s2.

6. Uma motocicleta tem velocidade inicial de 20 m/s e adquire uma aceleração constante e igual a 2m/s². Calcule sua veloci-
dade em km/h ao percorrer 100 m.

7. Um carro com velocidade de 72 Km/h é freado com uma aceleração constante, contrária ao movimento, de 10m/s² até
parar. A distância em metros percorrida pelo carro desde o instante da aplicação dos freios até parar vale:
a) 1
b) 10
c) 20
d) 30
e) 40 

7. C
6. V = 101,8 km/h
5. V = 25 m/s
4. ∆5 = 150m
3. A
2. B
1. 1m/s
Gabarito:

HELP VESTIBULARES 245


MOVIMENTO VERTICAL
I. Movimento Vertical

Se largarmos uma pena e uma pedra de uma mesma altura, observamos que a pedra chegará antes ao chão. Por isso,
pensamos que quanto mais pesado for o corpo, mais rápido ele cairá. Porém, se colocarmos a pedra e a pena em um tubo sem
ar (vácuo), observaremos que ambos os objetos levam o mesmo tempo para cair.
Assim, concluímos que, se desprezarmos a resistência do ar, todos os corpos, independente de massa ou formato, cairão
com uma aceleração constante: a aceleração da Gravidade. Quando um corpo é lançado nas proximidades da Terra, fica então,
sujeito à gravidade, que é orientada sempre na vertical, em direção ao centro do planeta. O valor da gravidade (g) varia de
acordo com a latitude e a altitude do local, mas durante fenômenos de curta duração, é tomado como constante e seu valor
médio no nível do mar é:

g=9,80665m/s²

No entanto, como um bom arredondamento, podemos usar sem muita perda nos valores:

g=10m/s²
 
1. Lançamento Vertical:

Um arremesso de um corpo, com velocidade inicial na direção vertical, recebe o nome de Lançamento Vertical. Sua
trajetória é retilínea e vertical, e, devido à gravidade, o movimento classifica-se com Uniformemente Variado. As funções
que regem o lançamento vertical, portanto, são as mesmas do movimento uniformemente variado, revistas com o referencial
vertical (h), onde antes era horizontal (S) e com aceleração da gravidade (g).

Sendo que g é positivo ou negativo, dependendo da direção do movimento:


 
2. Lançamento Vertical para Cima:

g é negativo

Como a gravidade aponta sempre para baixo, quando jogamos algo para cima, o movimento será acelerado negativa-
mente, até parar em um ponto, o qual chamamos Altura Máxima.

246 HELP VESTIBULARES


MOVIMENTO VERTICAL
3. Lançamento Vertical para Baixo:

g é positivo

No lançamento vertical para baixo, tanto a gravidade como o deslocamento apontam para baixo. Logo, o movimento
é acelerado positivamente. Recebe também o nome de queda livre.

1. Uma bola de futebol é chutada para cima com velocidade igual a 20m/s.
 
a) Calcule quanto tempo a bola vai demorar para retornar ao solo. 

b) Qual a altura máxima atingida pela bola? Dado g=10m/s².

2. Um corpo é abandonado a 80m do solo. Sendo g = 10m/s² e o corpo estando livre de forças dissipativas, determine o ins-
tante e a velocidade que o móvel possui ao atingir o solo.

3. (UFMG) Um gato consegue sair ileso de muitas quedas. Suponha que a maior velocidade com a qual ele possa atingir o
solo sem se machucar seja de 8 m/s. Então, desprezando a resistência do ar, a altura máxima de queda, para que o gato nada
sofra, deve ser:

4. Um móvel é atirado verticalmente para cima a partir do solo, com velocidade de 72 km/h. Determine:
a) as funções horárias do movimento;
b) o tempo de subida;
c) a altura máxima atingida;
d) em t = 3 s, a altura e o sentido do movimento;
e) o instante e a velocidade quando o móvel atinge o solo.

Obs.: Adote g = 10m/s²

5. Um ponto material, lançado verticalmente para cima, atinge a altura de 20 m. Qual a velocidade de lançamento? Adote g
= 10m/s²

HELP VESTIBULARES 247


MOVIMENTO VERTICAL
6. (Mackenzie-SP) Um projétil de brinquedo é arremessado verticalmente para cima, da beira da sacada de um prédio, com
uma velocidade inicial de 10m/s. O projétil sobe livremente e, ao cair, atinge a calçada do prédio com velocidade igual a
30m/s. Determine quanto tempo, em segundos, o projétil permaneceu no ar. Adote g = 10m/s² e despreze as forças dissipa-
tivas.
a) 1
b) 2
c) 3
d) 4
e) 5

7. Uma pulga pode dar saltos verticais de até 130 vezes sua própria altura. Para isto, ela imprime a seu corpo um impulso que
resulta numa aceleração ascendente. Qual é a velocidade inicial necessária para a pulga alcançar uma altura de 0,2 m? adote
g = 10m/s².
a) 2 m/s
b) 5 m/s
c) 7 m/s
d) 8 m/s
e) 9 m/s

7. 2m/s
5. 4s
5. 20m/s
d) S = 15m
c) S = 20m
b) t = 2s
a) V = 20 - 10.t
4.
3. 3,2m
2. t = 4s e V=40m/s
b) h = 20m
a) t = 4s
1.
Gabarito:

248 HELP VESTIBULARES


VETORES
I. Vetores

Determinado por um segmento orientado AB, é o conjunto de todos os segmentos orientados equipolentes a AB.

Se indicarmos  com este conjunto, simbolicamente poderemos escrever:

onde XY é um segmento qualquer do conjunto.

O vetor determinado por AB é indicado por   ou B - A ou  .

Um mesmo vetor   é determinado por uma infinidade de segmentos orientados, chamados representantes desse
vetor, os quais são todos equipolentes entre si. Assim, um segmento determina um conjunto que é o vetor, e qualquer um
destes representantes determina o mesmo vetor. Usando um pouco mais nossa capacidade de abstração, se considerarmos
todos os infinitos segmentos orientados de origem comum, estaremos caracterizando, através de representantes, a totalidade
dos vetores do espaço. Ora, cada um destes segmentos é um representante de um só vetor. Consequentemente, todos os
vetores se acham representados naquele conjunto que imaginamos.
As características de um vetor   são as mesmas de qualquer um de seus representantes, isto é: o módulo, a direção e o
sentido do vetor são o módulo, a direção e o sentido de qualquer um de seus representantes.
O módulo de   se indica por | | .
 
1. Soma de vetores:

Se v=(a,b) e w=(c,d), definimos a soma de v e w, por:

v + w = (a+c,b+d)

HELP VESTIBULARES 249


VETORES
2. Propriedades da Soma de vetores:

a) Comutativa: para todos os vetores u e v de R2

v + w =w + v

b) Associativa: para todos os vetores u, v e w de R2

u + (v + w) = (u + v) + w

c) Elemento Neutro: existe um vetor O = (0,0) em R2 tal que para todo vetor u de R2, se tem:

O + u = u

d) Elemento oposto: para cada vetor v de R2, existe um vetor -v em R2 tal que:

v + (-v) = O

3. Diferença de vetores:

Se v=(a,b) e w=(c,d), definimos a diferença entre v e w, por:

v - w = (a-c,b-d)
 
4. Produto de um número escalar por um vetor:

Se v=(a,b) é um vetor e c é um número real, definimos a multiplicação de c por v como:

c.v = (ca,cb)
 
5. Propriedades do produto de escalar por vetor:

Quaisquer que sejam k e c escalares, v e w vetores: 

→1v=v
→ (k c) v = k (c v) = c (k v)
→ k v = c v implica k = c, se v for não nulo
→ k (v + w) = k v + k w
→ (k + c)v = k v + c v

6. Módulo de um vetor:

O módulo ou comprimento do vetor v=(a,b) é um número real não negativo, definido por:

250 HELP VESTIBULARES


VETORES
7. Vetor unitário:

Vetor unitário é o que tem o módulo igual a 1.


Existem dois vetores unitários que formam a base canônica para o espaço R², que são dados por:

i = (1,0) j = (0,1)

Para construir um vetor unitário u que tenha a mesma direção e sentido que um outro vetor v, basta dividir o vetor v
pelo seu módulo, isto é:

Observação: 

Para construir um vetor u paralelo a um vetor v, basta tomar u=cv, onde c é um escalar não nulo. Nesse caso, u e v serão
paralelos:

Se c = 0, então u será o vetor nulo.


Se 0 < c < 1, então u terá comprimento menor do que v.
Se c > 1, então u terá comprimento maior do que v.
Se c < 0, então u terá sentido oposto ao de v.
 
8. Decomposição de vetores em Vetores Unitários:

Para fazer cálculos de vetores em apenas um dos planos em que ele se apresenta, pode-se decompor este vetor em veto-
res unitários em cada um dos planos apresentados.
Sendo simbolizados, por convenção, î como vetor unitário do plano x e  como vetor unitário do plano y. Caso o
problema a ser resolvido seja dado em três dimensões, o vetor utilizado para o plano z é o vetor unitário  .

Então, a projeção do vetor  no eixo x do plano cartesiano será dado por  , e sua projeção no eixo y do plano será: 

. Este vetor pode ser escrito como:

=( , ), respeitando que sempre o primeiro componente entre parênteses é a projeção em x e o segundo é a

HELP VESTIBULARES 251


VETORES
projeção no eixo y. Caso apareça um terceiro componente, será o componente do eixo z.
No caso onde o vetor não se encontra na origem, é possível redesenhá-lo, para que esteja na origem, ou então descontar
a parte do plano onde o vetor não é projetado.

1. Dois corpos A e B se deslocam segundo trajetória perpendiculares, com velocidades constantes, conforme está ilustrado
na figura adiante.

As velocidades dos corpos medidas por um observador fixo têm intensidades iguais a: VA = 5,0 (m/s) e VB = 12 (m/s). Quanto
mede a velocidade do corpo A em relação ao corpo B?

2. (UnB) São grandezas escalares todas as quantidades físicas a seguir, EXCETO:


a) massa do átomo de hidrogênio;
b) intervalo de tempo entre dois eclipses solares;
c) peso de um corpo;
d) densidade de uma liga de ferro;
e) n.d.a.

252 HELP VESTIBULARES


VETORES
3. (UEPG – PR) Quando dizemos que a velocidade de uma bola é de 20 m/s, horizontal e para a direita, estamos definindo
a velocidade como uma grandeza:
a) escalar
b) algébrica
c) linear
d) vetorial
e) n.d.a.

4. (UFAL) Considere as grandezas físicas:


I. Velocidade
II. Temperatura
III. Quantidade de movimento
IV. Deslocamento
V. Força

Destas, a grandeza escalar é:


a) I
b) II
c) III
d) IV
e) V

5. Das grandezas citadas nas opções a seguir assinale aquela que é de natureza vetorial:
a) pressão
b) campo elétrico
c) força eletromotriz
d) trabalho
e) corrente elétrica

5. B
4. B
3. D
2. C
1. 13m/s
Gabarito:

HELP VESTIBULARES 253


MOVIMENTO OBLÍQUO
I. Movimento Oblíquo

Um movimento oblíquo é um movimento parte vertical e parte horizontal. Por exemplo, o movimento de uma pedra
sendo arremessada em um certo ângulo com a horizontal, ou uma bola sendo chutada formando um ângulo com a horizontal.
Com os fundamentos do movimento vertical, sabe-se que, quando a resistência do ar é desprezada, o corpo sofre ape-
nas a aceleração da gravidade. 

1. Lançamento Oblíquo ou de Projétil:

O móvel se deslocará para a frente em uma trajetória que vai até uma altura máxima e depois volta a descer, formando
uma trajetória parabólica.

Para estudar este movimento, deve-se considerar o movimento oblíquo como sendo o resultante entre o movimento
vertical (y) e o movimento horizontal (x).
Na direção vertical o corpo realiza um Movimento Uniformemente Variado, com velocidade inicial igual a  e
aceleração da gravidade (g)
Na direção horizontal o corpo realiza um movimento uniforme com velocidade igual a  .
Observações:
• Durante a subida a velocidade vertical diminui, chega a um ponto (altura máxima) onde  , e desce aumentando a
velocidade.
• O alcance máximo é a distância entre o ponto do lançamento e o ponto da queda do corpo, ou seja, onde y=0.

• A velocidade instantânea é dada pela soma vetorial das velocidades horizontal e vertical, ou seja,  .

O vetor velocidade é tangente à trajetória em cada momento.

Para calcular o lançamento oblíquo no sentido vertical, utiliza-se a fórmula da Equação de Torricelli:

v2 = v02 + 2 . a . Δs

Onde,
v: velocidade final
v0: velocidade inicial
a: aceleração
ΔS: variação de deslocamento do corpo

254 HELP VESTIBULARES


MOVIMENTO OBLÍQUO
Ela é utilizada para calcular a altura máxima atingida pelo objeto. Assim, a partir da equação de Torricelli podemos
calcular a altura decorrente do ângulo formado:

H = v02 . sen2θ / (2 . g)

Onde:
H: altura máxima
v0: velocidade inicial
sen θ: ângulo realizado pelo objeto
g: aceleração da gravidade

Além disso, podemos calcular o lançamento oblíquo do movimento realizado na horizontal.


Importante notar que, nesse caso o corpo não sofre aceleração da gravidade. Assim, temos a equação horária do MRU:

S = S0 + V . t

Onde,
S: posição
S0: posição inicial
V: velocidade
t: tempo

A partir dela, podemos calcular o alcance horizontal do objeto:

A = v . cosθ . t

Onde,
A: alcance do objeto na horizontal
v: velocidade do objeto
cos θ: ângulo realizado pelo objeto
t: tempo

Posto que o objeto lançado retorna ao solo, o valor a ser considerado é o dobro do tempo de subida.
Assim, a fórmula que determina o alcance máximo do corpo é definida da seguinte maneira:

A = v2. sen(2θ) / g

2. Lançamento Horizontal:

Trata-se de uma particularidade do movimento oblíquo onde o ângulo de lançamento é zero, ou seja, é lançado ho-
rizontalmente. Por exemplo, quando uma criança chuta uma bola que cai em um penhasco, ou quando um jardineiro está
regando um jardim com uma mangueira orientada horizontalmente.

HELP VESTIBULARES 255


MOVIMENTO OBLÍQUO

1. (Cefet-MG) Uma bola de pingue-pongue rola sobre uma mesa com velocidade constante de 0,2m/s. Após sair da mesa,
cai, atingindo o chão a uma distância de 0,2m dos pés da mesa. Considerando g=10m/s² e a resistência do ar desprezível,
determine:
(a) a altura da mesa;

(b) o tempo gasto pela bola para atingir o solo.

2. (UECE) Num lugar em que g = 10 m/s2, lançamos um projétil com a velocidade de 100 m/s e formando com a horizontal
um ângulo de elevação de 30°. A altura máxima será atingida após:
a) 3s
b) 4s
c) 5s
d) 10s
e) 15s

3. (FEI) Um projétil é lançado a partir do solo, com velocidade de intensidade v0 = 100 m/s. Quando retorna ao solo, sua
distância ao ponto de lançamento (alcance) é de 1000 m. A menor velocidade do projétil durante seu movimento é aproxi-
madamente:
a) zero;
b) 100 m/s
c) 87 m/s
d) 70 m/s
e) 50 m/s

4. Ganhou destaque no voleibol brasileiro a jogada denominada “jornada nas estrelas”, na qual a bola arremessada de um
lado da quadra sobe cerca de 20 m de altura antes de chegar ao adversário do outro lado. Quanto tempo, em segundos, a bola
permanece no ar? Adote g = 10 m/s2e não considere o efeito do ar.
a) 20,0
b) 10,0
c) 5,0
d) 4,0
e) 2,0

4. D
3. D
2. C
b) t=1s
a) 5m
1.
Gabarito:

256 HELP VESTIBULARES


BATERIA DE QUESTÕES
I. Bateria de questões

1. A escada rolante de uma galeria comercial liga os pontos A e B em pavimentos consecutivos a uma velocidade ascendente
constante de 0,5 m/s, conforme mostrado na figura. Se uma pessoa consegue descer contra o sentido de movimento da escada
e leva 10 segundos para ir de B até A, pode-se afirmar que sua velocidade, em relação à escada, foi em m/s igual a:

a) 0,0
b) 0,5
c) 1,0
d) 1,5
e) 2,0

2. Um automóvel percorre um certo trecho com velocidade escalar média de 40km/h e depois volta pelo mesmo trecho com
velocidade escalar média de 60 km/h. Sua velocidade escalar média no trajeto de ida e volta foi, em km/h, igual a:
a) 48
b) zero
c) 40
d) 50
e) 60

3. Um automóvel parte de Curitiba com destino a Cascavel com velocidade de 60km/h. 20 minutos depois parte outro au-
tomóvel de Curitiba com o mesmo destino à velocidade 80 km/h.
Depois de quanto tempo o segundo automóvel alcançará o primeiro?
a) 60 min
b) 70 min
c) 80 min
d) 90 min
e) 56 min

4. Um atleta caminha com uma velocidade de 150 passos por minuto. Se ele percorrer 7,20 km em uma hora, com passos de
mesmo tamanho, qual o comprimento de cada passo?
Aceleração da gravidade: 10 m/s^2
Densidade da água: 1,0 x 10^3 kg/m^3
Constante universal dos gases: R = 8,31 J/mol.K
Pressão atmosférica: 1,0 x 10^5 Pa
a) 40,0 cm
b) 60,0 cm
c) 80,0 cm
d) 100 cm
e) 120 cm

HELP VESTIBULARES 257


BATERIA DE QUESTÕES
5. Dois veículos, A e B, se movem ao longo de uma estrada horizontal e reta e suas posições variam com o tempo conforme
o gráfico mostrado abaixo.

Sobre o movimento de A e B podemos afirmar:


a) no instante de tempo t = t_o as velocidades dos dois veículos são iguais;
b) A e B percorrem uma mesma distância entre os instantes t = 0 e t =t_o ;
c) no instante de tempo t = t_o A e B encontram-se igualmente afastados da posição x = 0;
d) no instante de tempo t = t_o a aceleração de A é maior do que a aceleração de B;
e) em qualquer instante de tempo a velocidade de B é maior do que a velocidade de A.

6. Um ponto material parte do repouso em movimento uniformemente variado e, após percorrer 12 m, está animado de uma
velocidade escalar de 6,0 m/s. A aceleração escalar do ponto material, em m/s, vale:
a) 1,5
b) 1,0
c) 2,5
d) 2,0
e) n.d.a.

7. Uma pedra é lançada do décimo andar de um prédio com velocidade inicial de 5m/s. Sendo a altura nesse ponto igual a
30 m e a aceleração da gravidade igual a 10 m/s2, a velocidade da pedra ao atingir o chão é:
a) 5 m/s
b) 25 m/s
c) 50 m/s
d) 30 m/s
e) 10 m/s

7. B
6. A
5. C
4. C
3. C
2. A
1. D
Gabarito:

258 HELP VESTIBULARES


MOVIMENTO CIRCULAR
I. Movimento Circular

1. Grandezas Angulares:

As grandezas até agora utilizadas de deslocamento/espaço (s, h, x, y), de velocidade (v) e de aceleração (a), eram úteis
quando o objetivo era descrever movimentos lineares, mas na análise de movimentos circulares, devemos introduzir novas
grandezas, que são chamadas grandezas angulares, medidas sempre em radianos. São elas:

• deslocamento/espaço angular: φ (phi)


• velocidade angular: ω (ômega)
• aceleração angular: α (alpha)

2. Espaço Angular (φ):

Chama-se espaço angular o espaço do arco formado, quando um móvel se encontra a uma abertura de ângulo φ qual-
quer em relação ao ponto denominado origem.

E é calculado por: 
 
3. Deslocamento angular (Δφ):

Assim como para o deslocamento linear, temos um deslocamento angular se calcularmos a diferença entre a posição
angular final e a posição angular inicial:

Sendo:

Por convenção:

No sentido anti-horário o deslocamento angular é positivo.


No sentido horário o deslocamento angular é negativo.
 
4. Velocidade Angular (ω):

Análogo à velocidade linear, podemos definir a velocidade angular média, como a razão entre o deslocamento angular
pelo intervalo de tempo do movimento:

HELP VESTIBULARES 259


MOVIMENTO CIRCULAR

Sua unidade no Sistema Internacional é: rad/s


Sendo também encontradas: rpm, rev/min, rev/s.

5. Período e Frequência:
 
Período (T) é o intervalo de tempo mínimo para que um fenômeno cíclico se repita. Sua unidade é a unidade de tempo
(segundo, minuto, hora...)
Frequência (f) é o número de vezes que um fenômeno ocorre em certa unidade de tempo. Sua unidade mais comum é
Hertz (1Hz=1/s) sendo também encontradas kHz, MHz e rpm. No movimento circular a frequência equivale ao número de
rotações por segundo sendo equivalente a velocidade angular.
Para converter rotações por segundo para rad/s:

Sabendo que 1rotação = 2πrad,

1. (PUC-RS) A frequência e o período dos minutos de um relógio são, respectivamente:


a) (1/3.600) Hz e 3.600 s
b) (1/60) Hz e 3.600 s
c) (1/60) Hz e 60 min
d) 60 Hz e 60 s
e) 60 Hz e (1/60) min

2. (PUCCamp-SP) Um disco gira com frequência de 30 rpm. Isso quer dizer que o período do movimento circular desen-
volvido é de:
a) 0,033 s
b) 0,5 s
c) 2 s
d) 2 min
e) 30 min

3. (UFU-MG) Relativamente aos ponteiros das horas e dos minutos de um relógio comum, é correto afirmar que:
a) possuem a mesma velocidade angular.
b) a aceleração angular do segundo ponteiro é maior.
c) possuem a mesma frequência.
d) o período do primeiro é maior.
e) a velocidade angular do primeiro é maior. 

3. D
2. C
1. A
Gabarito:

260 HELP VESTIBULARES


MOVIMENTO CIRCULAR UNIFORME (MCU)
I. Movimento Circular Uniforme (MCU)
 
Um corpo está em Movimento Curvilíneo Uniforme, se sua trajetória for descrita por um círculo com um “eixo de
rotação” a uma distância R, e sua velocidade for constante, ou seja, a mesma em todos os pontos do percurso.
No cotidiano, observamos muitos exemplos de MCU, como uma roda gigante, um carrossel ou as pás de um ventila-
dor girando.
Embora a velocidade linear seja constante, ela sofre mudança de direção e sentido, logo existe uma aceleração, mas
como esta aceleração não influencia no módulo da velocidade, chamamos de Aceleração Centrípeta.
Esta aceleração é relacionada com a velocidade angular da seguinte forma:

Sabendo que  e que  , pode-se converter a função horária do espaço linear para o espaço angular:

então:

1. (UnB) O tempo de revolução do elétron mais interno em torno do núcleo mais pesado é 10-20s.
a) Em um dia, o elétron dá 86 . 1024 voltas.
b) Em duas horas, o elétron dá 72 . 1023 voltas.
c) Em uma hora, o elétron dá 36 . 1022 voltas.
d) Em um mês, o elétron dá 25 . 1025 voltas.
e) Em um ano, o elétron dá 255 . 1025 voltas.

2. Um relógio funciona durante um mês (30 dias). Neste período o ponteiro dos minutos terá dado um número de voltas
igual a:
a) 3,6 . 102
b) 7,2 . 102
c) 7,2 . 103
d) 3,6 . 105
e) 7,2 . 105

3.  A ordem de grandeza da velocidade angular de rotação da Terra, em rad/s, é:


Ordem de grandeza é o seguinte, se a mantissa for maior que √10, soma-se 1 ao expoente. 
a) 10-4
b) 10-3
c) 10-1
d) 101
e) nda

HELP VESTIBULARES 261


MOVIMENTO CIRCULAR UNIFORME (MCU)
4. Considere que o raio da Terra no plano do equador é igual a 6,0 .103km. O módulo da velocidade escalar de um ponto do
equador, em relação a um referencial com a origem no centro da Terra é, em m/s, igual a:
a) 1,1 . 102
b) 2,1 . 102
c) 3,2 . 102
d) 4,3 . 102
e) 5,4 . 102

5. Uma partícula executa um movimento uniforme sobre uma circunferência de raio 20 cm. Ela percorre metade da circun-
ferência em 2,0 s. A frequência, em hertz, e o período do movimento, em segundos, valem, respectivamente:
a) 4,0 e 0,25
b) 2,0 e 0,50
c) 1,0 e 1,0
d) 0,50 e 2,0
e) 0,25 e 4,0

6. Uma roda gira em torno de seu eixo, de modo que um ponto de sua periferia executa um movimento circular uniforme.
Excetuando o centro da roda, é correto afirmar que:
a) todos os pontos da roda têm a mesma velocidade escalar;
b) todos os pontos da roda têm aceleração centrípeta de mesmo módulo;
c) o período do movimento é proporcional à frequência;
d) todos os pontos da roda têm a mesma velocidade angular;
e) o módulo da aceleração angular é proporcional à distância do ponto ao centro da roda.

6. D
5. A
4. D
3. A
2. B
1. ACD
Gabarito:

262 HELP VESTIBULARES


FORÇA CENTRÍPETA
I. Força centrípeta

Quando um corpo efetua um Movimento Circular, este sofre uma aceleração que é responsável pela mudança da dire-
ção do movimento, a qual chamamos aceleração centrípeta, assim como visto no MCU. Sabendo que existe uma aceleração
e sendo dada a massa do corpo, podemos, pela 2ª Lei de Newton, calcular uma força que assim como a aceleração centrípeta,
aponta para o centro da trajetória circular.
A esta força damos o nome: Força Centrípeta. Sem ela, um corpo não poderia executar um movimento circular. Como
visto anteriormente, quando o movimento for circular uniforme, a aceleração centrípeta é constante, logo, a força centrípeta
também é constante. Sabendo que:

Ou

Então:

A força centrípeta é a resultante das forças que agem sobre o corpo, com direção perpendicular à trajetória.

Mostrar:
1. Velocidade mínima de looping. (Fcp = Peso)

2. Velocidade máxima de curva com atrito. (Fcp = Fat)

3. Velocidade máxima de curva com ângulo. (igualar as componentes horizontais de Peso e Fcp)
 

1. Um carro percorre uma curva de raio 100m, com velocidade 20m/s. Sendo a massa do carro 800kg, qual é a intensidade
da força centrípeta?

HELP VESTIBULARES 263


FORÇA CENTRÍPETA
2. Um carro de fórmula 1 com massa de 800kg entra numa curva de raio 50m, com velocidade constante de 144 km/h. Su-
pondo não haver escorregamento lateral do carro, calcule a força centrípeta.
a) Faltam dados.
b)25.600 N
c)40.000 N
d)331776 N
e)4.000 N

3. Determine a força centrípeta descrita por uma montanha russa com massa de 1000 kg e aceleração centrípeta de 20m/s2.

4. Na estrada, um caminhão descreve uma trajetória circular com aceleração centrípeta de 2 m/s2. Sendo o raio da pista de
1800 m, calcule a velocidade do veículo.

5. Um motociclista descreve uma circunferência vertical num “globo da morte” de raio R = 4m, numa região onde g = 10m/
s². A massa total da moto e motociclista é 150 kg. Qual a força exercida sobre o globo no ponto mais alto da trajetória, se a
velocidade ali é 12 m/s?
a) 1500 N      
b) 2400 N        
c) 3900 N        
d) 5400 N          
e) 6900 N

5. C
4. 60 m/s
3. 200.000 N
2. B
1. 3200N
Gabarito:

264 HELP VESTIBULARES


INTRODUÇÃO À DINÂMICA
I. Introdução à Dinâmica

Na cinemática, estuda-se o movimento sem compreender sua causa. Na dinâmica, estudamos a relação entre a força e
movimento. 
Força: É uma interação entre dois corpos. 
O conceito de força é algo intuitivo, mas para compreendê-lo, pode-se basear em efeitos causados por ela, como:
Aceleração: faz com que o corpo altere a sua velocidade, quando uma força é aplicada.
Deformação: faz com que o corpo mude seu formato, quando sofre a ação de uma força. 
Força Resultante: É a força que produz o mesmo efeito que todas as outras aplicadas a um corpo.
 
Dadas várias forças aplicadas a um corpo qualquer:

A força resultante será igual à soma vetorial de todas as forças aplicadas:

1. Leis de Newton:

As leis de Newton constituem os três pilares fundamentais do que chamamos Mecânica Clássica, que justamente por
isso também é conhecida por Mecânica Newtoniana.
 
→ 1ª Lei de Newton - Princípio da Inércia:

• Quando estamos dentro de um carro, e este contorna uma curva, nosso corpo tende a permanecer com a mesma
velocidade vetorial a que estava submetido antes da curva, isto dá a impressão que se está sendo “jogado” para o lado contrário
à curva. Isso porque a velocidade vetorial é tangente a trajetória.

• Quando estamos em um carro em movimento e este freia repentinamente, nos sentimos como se fôssemos atirados
para frente, pois nosso corpo tende a continuar em movimento.

Esses e vários outros efeitos semelhantes são explicados pelo princípio da inércia, cujo enunciado é:
“Um corpo em repouso tende a permanecer em repouso, e um corpo em movimento tende a permanecer em movimento.”

Então, conclui-se que um corpo só altera seu estado de inércia, se alguém, ou alguma coisa aplicar nele uma força
resultante diferente se zero.
 
→ 2ª Lei de Newton - Princípio Fundamental da Dinâmica:

Quando aplicamos uma mesma força em dois corpos de massas diferentes observamos que elas não produzem acele-
ração igual.

HELP VESTIBULARES 265


INTRODUÇÃO À DINÂMICA
A 2ª lei de Newton diz que a Força é sempre diretamente proporcional ao produto da aceleração de um corpo pela sua
massa, ou seja:

ou em módulo: F=ma 

Onde:

F é a resultante de todas as forças que agem sobre o corpo (em N);


m é a massa do corpo a qual as forças atuam (em kg);
a é a aceleração adquirida (em m/s²). 
A unidade de força, no sistema internacional, é o N (Newton), que equivale a kg m/s² (quilograma metro por segundo ao
quadrado).

Exemplo:

Quando uma força de 12N é aplicada em um corpo de 2kg, qual é a aceleração adquirida por ele?
F=ma
12=2a
a=6m/s²

2. Força de Tração:

Dado um sistema onde um corpo é puxado por um fio ideal, ou seja, que seja inextensível, flexível e tem massa des-
prezível.

Podemos considerar que a força é aplicada no fio, que por sua vez, aplica uma força no corpo, a qual chamamos Força
de Tração  .

 
3ª Lei de Newton - Princípio da Ação e Reação:

Quando uma pessoa empurra um caixa com uma força F, podemos dizer que esta é uma força de ação. mas conforme a
3ª lei de Newton, sempre que isso ocorre, há uma outra força com módulo e direção iguais, e sentido oposto a força de ação,
esta é chamada força de reação.
Esta é o princípio da ação e reação, cujo enunciado é:
“As forças atuam sempre em pares, para toda força de ação, existe uma força de reação.”

1. A respeito do conceito da inércia, assinale a frase correta:


a) Um ponto material tende a manter sua aceleração por inércia.
b) Uma partícula pode ter movimento circular e uniforme, por inércia.
c) O único estado cinemático que pode ser mantido por inércia é o repouso.
d) Não pode existir movimento perpétuo, sem a presença de uma força.
e) A velocidade vetorial de uma partícula tende a se manter por inércia; a força é usada para alterar a velocidade e não para
mantê-la.

266 HELP VESTIBULARES


INTRODUÇÃO À DINÂMICA
2. (OSEC) O Princípio da Inércia afirma:
a) Todo ponto material isolado ou está em repouso ou em movimento retilíneo em relação a qualquer referencial.
b) Todo ponto material isolado ou está em repouso ou em movimento retilíneo e uniforme em relação a qualquer referencial.
c) Existem referenciais privilegiados em relação aos quais todo ponto material isolado tem velocidade vetorial nula.
d) Existem referenciais privilegiados em relação aos quais todo ponto material isolado tem velocidade vetorial constante.
e) Existem referenciais privilegiados em relação aos quais todo ponto material isolado tem velocidade escalar nula.

3. Um homem, no interior de um elevador, está jogando dardos em um alvo fixado na parede interna do elevador. Inicialmen-
te, o elevador está em repouso, em relação à Terra, suposta um Sistema Inercial e o homem acerta os dardos bem no centro
do alvo. Em seguida, o elevador está em movimento retilíneo e uniforme em relação à Terra. Se o homem quiser continuar
acertando o centro do alvo, como deverá fazer a mira, em relação ao seu procedimento com o elevador parado?
a) mais alto;
b) mais baixo;
c) mais alto se o elevador está subindo, mais baixo se descendo;
d) mais baixo se o elevador estiver descendo e mais alto se descendo;
e) exatamente do mesmo modo.

4. (UNESP) As estatísticas indicam que o uso do cinto de segurança deve ser obrigatório para prevenir lesões mais graves em
motoristas e passageiros no caso de acidentes. Fisicamente, a função do cinto está relacionada com a:
a) Primeira Lei de Newton;
b) Lei de Snell;
c) Lei de Ampère;
d) Lei de Ohm;
e) Primeira Lei de Kepler.

5. (ITA) As leis da Mecânica Newtoniana são formuladas em relação a um princípio fundamental, denominado:
a) Princípio da Inércia;
b) Princípio da Conservação da Energia Mecânica;
c) Princípio da Conservação da Quantidade de Movimento;
d) Princípio da Conservação do Momento Angular;
e) Princípio da Relatividade: “Todos os referenciais inerciais são equivalentes, para a formulação da Mecânica Newtoniana”.

5. E
4. A
3. E
2. D
1. E
Gabarito:

HELP VESTIBULARES 267


FORÇA PESO E FORÇA DE ATRITO
I. Força Peso e Força de Atrito

1. Força Peso:

Quando falamos em movimento vertical, introduzimos um conceito de aceleração da gravidade, que sempre atua no
sentido a aproximar os corpos em relação à superfície.
Relacionando com a 2ª Lei de Newton, se um corpo de massa m, sofre a aceleração da gravidade, quando aplicada a
ele o princípio fundamental da dinâmica poderemos dizer que:

A esta força, chamamos Força Peso, e podemos expressá-la como:

ou em módulo: 

O Peso de um corpo é a força com que a Terra o atrai, podendo ser variável, quando a gravidade variar, ou seja, quando
não estamos nas proximidades da Terra.
A massa de um corpo, por sua vez, é constante, ou seja, não varia.
Existe uma unidade muito utilizada pela indústria, principalmente quando tratamos de força peso, que é o kilograma-
-força, que por definição é:
1kgf é o peso de um corpo de massa 1kg submetido a aceleração da gravidade de 9,8m/s².
A sua relação com o newton é:

Quando falamos no peso de algum corpo, normalmente, lembramos do “peso” medido na balança. Mas este é
um termo fisicamente errado, pois o que estamos medindo na realidade, é a nossa massa.
Além da Força Peso, existe outra que normalmente atua na direção vertical, chamada Força Normal.
Esta é exercida pela superfície sobre o corpo, podendo ser interpretada como a sua resistência em sofrer deformação
devido ao peso do corpo. Esta força sempre atua no sentido perpendicular à superfície, diferentemente da Força Peso que atua
sempre no sentido vertical.
Analisando um corpo que se encontra sob uma superfície plana verificamos a atuação das duas forças.

Para que este corpo esteja em equilíbrio na direção vertical, ou seja, não se movimente ou não altere sua velocidade, é
necessário que os módulos das forças Normal e Peso sejam iguais, assim, atuando em sentidos opostos elas se anularão.
Por exemplo:

Qual o peso de um corpo de massa igual a 10kg:


(a) Na superfície da Terra (g=9,8m/s²);
(b) Na superfície de Marte (g=3,724m/s²). 

268 HELP VESTIBULARES


FORÇA PESO E FORÇA DE ATRITO

(a) 

 
(b) 

2. Força de Atrito:

Até agora, para calcularmos a força, ou aceleração de um corpo, consideramos que as superfícies por onde este se
deslocava, não exercia nenhuma força contra o movimento, ou seja, quando aplicada uma força, este se deslocaria sem parar.
Mas sabemos que este é um caso idealizado. Por mais lisa que uma superfície seja, ela nunca será totalmente livre
de atrito.
Sempre que aplicarmos uma força a um corpo, sobre uma superfície, este acabará parando.
É isto que caracteriza a força de atrito:

• Se opõe ao movimento;
• Depende da natureza e da rugosidade da superfície (coeficiente de atrito);
• É proporcional à força normal de cada corpo;
• Transforma a energia cinética do corpo em outro tipo de energia que é liberada ao meio.

A força de atrito é calculada pela seguinte relação:

Onde:
μ: coeficiente de atrito (adimensional)
N: Força normal (N)
 
a) Atrito Estático e Dinâmico:

Quando empurramos um carro, é fácil observar que até o carro entrar em movimento é necessário que se aplique uma
força maior do que a força necessária quando o carro já está se movimentando.
Isto acontece pois existem dois tipos de atrito: o estático e o dinâmico.

b) Atrito Estático:

É aquele que atua quando não há deslizamento dos corpos.


A força de atrito estático máxima é igual a força mínima necessária para iniciar o movimento de um corpo.
Quando um corpo não está em movimento a força do atrito deve ser maior que a força aplicada, neste caso, é usado
no cálculo um coeficiente de atrito estático:  .
Então:

 
c) Atrito Dinâmico:

É aquele que atua quando há deslizamento dos corpos.


Quando a força de atrito estático for ultrapassada pela força aplicada ao corpo, este entrará em movimento, e passare-
mos a considerar sua força de atrito dinâmico.

HELP VESTIBULARES 269


FORÇA PESO E FORÇA DE ATRITO
A força de atrito dinâmico é sempre menor que a força aplicada, no seu cálculo é utilizado o coeficiente de atrito
cinético:
Então:

1. (FUVEST-SP) Um corpo de massa igual a 20kg, partindo do repouso, cai em queda livre de uma altura igual a 2 m em
relação ao solo (g=10m/s2). Qual é o módulo, em newtons, da força de atração que a Terra exerce sobre o corpo?

2. (FEI-SP) Um quilograma padrão pesa cerca de 10N na Terra. Em um planeta X, o mesmo quilograma padrão pesa 35N.
Qual é a aceleração da gravidade no planeta X? (1kgf=10N)

3. (PUC-RIO 2008)
Um balão de ar quente, de massa desprezível, é capaz de levantar uma carga de 100 kg mantendo durante a subida uma ve-
locidade constante de 5,0 m/s. Considerando a aceleração da gravidade igual a 10 m/s², a força que a gravidade exerce (peso)
no sistema (balão + carga), em Newtons, é:

3. 1000
2. 35 m/s2
1. 200N
Gabarito:

270 HELP VESTIBULARES


BATERIA DE QUESTÕES
I. Bateria de questões

1. (UFV) Uma corda de massa desprezível pode suportar uma força tensora máxima de 200N sem se romper. Um garoto
puxa, por meio desta corda esticada horizontalmente, uma caixa de 500N de peso ao longo de piso horizontal. Sabendo que
o coeficiente de atrito cinético entre a caixa e o piso é 0,20 e, além disso, considerando a aceleração da gravidade igual a 10
m/s2, determine:
a) a massa da caixa;
b) a intensidade da força de atrito cinético entre a caixa e o piso;
c) a máxima aceleração que se pode imprimir à caixa.

2. (UNICAMP) Um caminhão transporta um bloco de ferro de 3,0t, trafegando horizontalmente e em linha reta, com velo-
cidade constante. O motorista vê o sinal (semáforo) ficar vermelho e aciona os freios, aplicando uma desaceleração constante
de valor 3,0 m/s2. O bloco não escorrega. O coeficiente de atrito estático entre o bloco e a carroceria é 0,40. Adote g = 10 m/
s2.
a) Qual a intensidade da força de atrito que a carroceria aplica sobre o bloco, durante a desaceleração?
b) Qual é a máxima desaceleração que o caminhão pode ter para o bloco não escorregar?

3. (FUND. CARLOS CHAGAS) Um bloco de madeira pesa 2,0 . 103N. Para deslocá-lo sobre uma mesa horizontal, com      
velocidade constante, é necessário aplicar uma força horizontal de intensidade 1,0 . 102N. O coeficiente de atrito dinâmico
entre o bloco e a mesa vale:
a) 5,0 . 10-2
b) 1,0 . 10-1
c) 2,0 . 10-3
d) 2,5 . 10-1
e) 5,0 . 10-1

4.  Um bloco de massa 60 kg é puxado horizontalmente por um barbante. O coeficiente de atrito entre o bloco e o plano
horizontal de apoio é 0,2. Adota-se g = 10 m/s2. Sabendo que o bloco tem aceleração de módulo igual a 4,0 m/s2, concluímos
que a força de tração no barbante tem intensidade igual a:
a) 140N
b) 250N
c) 360N
d) 470N
e) 990N

5. No asfalto seco de nossas estradas o coeficiente de atrito estático entre o chão e os pneus novos de um carro vale 0,80. Con-
sidere um carro com tração apenas nas rodas dianteiras. Para este carro em movimento, em uma estrada plana e horizontal,
60% do peso total (carro + passageiros) está distribuído nas rodas dianteiras. Sendo g = 10m/s2 e não considerando o efeito
do ar, a máxima aceleração que a força de atrito pode proporcionar ao carro é de:
a) 10 m/s2
b) 8,0 m/s2
c) 6,0 m/s2
d) 4,8 m/s2
e) 0,48 m/s2

HELP VESTIBULARES 271


BATERIA DE QUESTÕES
6. (UESPI) O coeficiente de atrito estático entre o bloco e a parede vertical, mostrados na figura abaixo, é 0,25. O bloco pesa
100N. O menor valor da força F para que o bloco permaneça em repouso é:

a) 200N
b) 300N
c) 350N
d) 400N
e) 550N

6. D
5. D
4. C
3. A
b) 4m/s2
a) 1,2.104N
2.
c) 2m/s2
b) 100N ou 1.102N
a) 50kg
1.
Gabarito:

272 HELP VESTIBULARES


FORÇA ELÁSTICA
I. Força Elástica

Imagine uma mola presa em uma das extremidades a um suporte, e em estado de repouso (sem ação de nenhuma
força).
Quando aplicamos uma força F na outra extremidade, a mola tende a deformar (esticar ou comprimir, dependendo
do sentido da força aplicada).
Ao estudar as deformações de molas e as forças aplicadas, Robert Hooke (1635-1703), verificou que a deformação da
mola aumenta proporcionalmente à força. Daí estabeleceu-se a seguinte lei, chamada Lei de Hooke:

F=K.x

Onde:
F: intensidade da força aplicada (N);
k: constante elástica da mola (N/m);
x: deformação da mola (m).
 
A constante elástica da mola depende principalmente da natureza do material de fabricação da mola e de suas dimen-
sões. Sua unidade mais usual é o N/m (newton por metro) mas também encontramos N/cm; kgf/m, etc.
 
Exemplo:
Um corpo de 10kg, em equilíbrio, está preso à extremidade de uma mola, cuja constante elástica é 150N/m. Considerando
g=10m/s², qual será a deformação da mola?
Se o corpo está em equilíbrio, a soma das forças aplicadas a ela será nula, ou seja:

, pois as forças têm sentidos opostos.

II. Força Centrípeta (revisão)

Quando um corpo efetua um Movimento Circular, este sofre uma aceleração que é responsável pela mudança da dire-
ção do movimento, a qual chamamos aceleração centrípeta, assim como visto no MCU.
Sabendo que existe uma aceleração e sendo dada a massa do corpo, podemos, pela 2ª Lei de Newton, calcular uma
força que assim como a aceleração centrípeta, aponta para o centro da trajetória circular.
A esta força damos o nome: Força Centrípeta. Sem ela, um corpo não poderia executar um movimento circular.
Como visto anteriormente, quando o movimento for circular uniforme, a aceleração centrípeta é constante, logo, a
força centrípeta também é constante.
Sabendo que:

ou

Então:

HELP VESTIBULARES 273


FORÇA ELÁSTICA
A força centrípeta é a resultante das forças que agem sobre o corpo, com direção perpendicular à trajetória.
 
Exemplo:
Um carro percorre uma curva de raio 100m, com velocidade 72Km/h. Sendo a massa do carro 800kg, qual é a intensidade
da força centrípeta?

1. (MACKENZIE-SP) A mola da figura varia seu comprimento de 10cm para 22cm quando penduramos em sua extremi-
dade um corpo de 4N.

Determine o comprimento total dessa mola quando penduramos nela um corpo de 6N.

2.(UFB) A mola da figura está:

- em (1) no seu tamanho natural


- em (2) tracionada por uma força de 10N
- em (3) tracionada por uma força de 25N
Verifique, justificando, se ela obedece à lei de Hooke

274 HELP VESTIBULARES


FORÇA ELÁSTICA
3. (UFSM) Durante os exercícios de força realizados por um corredor, é usada uma tira de borracha presa ao seu abdome. Nos
arranques, o atleta obtém os seguintes resultados:

O máximo de força atingido pelo atleta, sabendo-se que a constante elástica da tira é de 300 N/m e que obedece à lei de
Hooke, é, em N,

4. (UNICAMP-SP) Sensores de dimensões muito pequenas têm sido acoplados a circuitos microeletrônicos. Um exemplo é
um medidor de aceleração que consiste de uma massa m presa a uma micromola de constante elástica k. Quando o conjunto
é submetido a uma aceleração a, a micromola se deforma, aplicando uma força F na massa (ver diagrama a seguir). O gráfico
a seguir do diagrama mostra o módulo da força aplicada versus a deformação de uma micromola utilizada num medidor de
aceleração.

a) Qual é a constante elástica k da micromola?

b) O medidor de aceleração foi dimensionado de forma que essa micromola sofra uma deformação de 0,50 mm quando a
massa tem uma aceleração de módulo igual a 25 vezes o da aceleração da gravidade.
Qual é o valor da massa m ligada à micromola?

b) m = 9,0.10-9 kg
a) K = 1,0 N/m
4. C
3. 84
2. Sim. Obedece, pois K é constante
1. 28 cm
Gabarito:

HELP VESTIBULARES 275


BIOLOGIA 1
A origem e evolução dos seres vivos
Origem química da Vida
Os primeiros seres vivos
As teorias da evolução
As evidências da evolução
A ORIGEM E EVOLUÇÃO DOS SERES VIVOS
I. A origem e evolução dos seres vivos RNA como uma molécula mais estável para a estocagem de
uma quantidade crescente de informações genéticas necessá-
1. A teoria do Big Bang: rias às células.
A Vida na Terra terá surgido há cerca de 3.400 mi-
Formulada em 1947, por G. E. Lemaitre e G. Gamon, lhões de anos. Inicialmente considerava-se que toda a Vida
dita que o universo teria surgido há 20 bilhões de anos, a par- era obra de uma entidade toda poderosa, teoria conhecida
tir de uma grande explosão. Inicialmente, toda a matéria do como Criacionismo.  De modo a contornar a necessidade
universo estava compactada em um único ponto, extrema- de intervenção divina na criação das espécies, surgem teorias
mente densa em temperaturas enormes; foi então que acon- alternativas, baseadas na observação de fenômenos naturais,
teceu o que chamam de “a grande explosão” ou, em inglês, tanto quanto os conhecimentos da época os permitiam.
o big-bang. Uma enorme nuvem de poeira e gases teria sido
originada. 3. Teoria da Abiogênese ou Geração Espontânea:
No centro de uma nuvem de gás e poeira, teria surgido
uma estrela, com um disco de matéria em constante frag- Seres vivos apareciam de objetos inanimados do am-
mentação ao redor, a atração gravitacional e as colisões entre biente. A vida surgia de um fenômeno natural, a geração es-
as partículas deste disco levaram a formação do Sol e outros pontânea.
corpos celestes.

4. Francisco Redi:

O primeiro passo na refutação científica da abiogênese


foi dado pelo italiano Francesco Redi, que em 1668, provou
2. A origem da Vida: que larvas não nasciam em carnes que ficassem inacessíveis
às moscas, protegidas por telas. Redi defendeu que todos os
As primeiras células vivas provavelmente surgiram na organismos vivos surgiam a partir de inseminação por ovos e
terra por volta de 3,5 bilhões de anos por reações espontâneas nunca por geração espontânea.
entre moléculas que estavam longe do equilíbrio químico.
Do nosso conhecimento acerca dos organismos existentes
nos dias atuais, e das moléculas neles contidas, parece plau-
sível que o desenvolvimento de mecanismos auto catalíticos
fundamentais para os sistemas vivos tenha começado com
a evolução de uma família de moléculas de RNA, que po-
deriam catalisar sua própria replicação. Com o tempo, uma
das famílias do RNA catalisador desenvolveu a habilidade
de dirigir a síntese de polipeptídeos. Finalmente, o acúmu-
lo adicional de proteínas catalisadoras permitiu que células
mais complexas evoluíssem, o DNA dupla hélice substituiu o

HELP VESTIBULARES 279


A ORIGEM E EVOLUÇÃO DOS SERES VIVOS
6. Spallanzani:

Ele criticou duramente a teoria e os experimentos de


Needham, através de experimentos similares, mas tendo fer-
vido os frascos fechados com sucos nutritivos durante uma
hora, que posteriormente foram colocados de lado durante
alguns dias.
Examinando os frascos, não se encontrava qualquer
sinal de vida. Ficou dessa forma demonstrado que Needham
falhou em não aquecer suficientemente a ponto de matar os
seres pré-existentes na mistura.
Isso, no entanto, não foi suficiente para descartar por
completo a hipótese da abiogênese. Needham replicou, suge-
rindo que ao aquecer os líquidos a temperaturas muito altas,
pudesse estar se destruindo ou enfraquecendo o “princípio
ativo”. A hipótese da abiogênese continuava sendo aceita pela
opinião pública, mas o trabalho de Spallanzani pavimentou o
caminho para Louis Pasteur.

5. Needham:
7. Louis Pasteur:
Realizou novos experimentos que vieram a reforçar a
hipótese de a vida poder originar-se por abiogênese. Consis- Foi principalmente devido ao grande biólogo francês
tiam em aquecer em tubos de ensaio líquidos nutritivos, com Louis Pasteur, em 1862, que a ocorrência da abiogênese no
partículas de alimento. Fechava-os, impedindo a entrada de mundo microscópico foi refutada tanto quanto a ocorrência
ar, e os aquecia novamente. no mundo macroscópico. Contra o argumento de Needham
Após vários dias, nesses tubos proliferavam enormes sobre a destruição do princípio ativo durante a fervura, ele
quantidades de pequenos organismos. Esses experimentos formulou experimentos com frascos com “pescoço de cisne”
foram vistos como grande reforço a hipótese da abiogênese. que permitiam a entrada de ar, ao mesmo tempo em que mi-
nimizavam consideravelmente a entrada de outros micróbios
por via aérea.
Dessa forma, demonstrava que a fervura em si, não
tirava a capacidade dos líquidos de manterem a vida, bastaria
que organismos fossem neles introduzidos. O impedimento
da origem da vida por falta do princípio ativo, também pode
ser descartado, já que o ar podia entrar e sair livremente da
mistura. O recipiente com “pescoço de cisne” permaneceu
nessas condições, livre de micróbios durante cerca de um ano
e meio.

HELP VESTIBULARES
A ORIGEM E EVOLUÇÃO DOS SERES VIVOS

8. A geração espontânea é descartada:

Mais tarde, descobriu-se que esporos de bactérias es-


tão tão envolvidos em membranas resistentes ao calor, que
apenas prolongada exposição ao calor seco, tostador, pode ser
reconhecida como processo eficiente de esterilização. Além
disso, a presença de bactérias, ou seus esporos, é tão universal
que apenas precauções extremas podem evitar a reinfecção
de material esterilizado. Foi dessa forma concluído definiti-
vamente que todos os organismos conhecidos surgem apenas
de organismos vivos pré-existentes, o que recebe o nome de
biogênese.

HELP VESTIBULARES 281


ORIGEM QUÍMICA DA VIDA
I. Origem química da Vida 2. O Experimento de Urey- Miller (1953):

1. Oparin- Haldane (hipótese heterotrófica): Reproduziram as características da Terra primitiva, e


ao fim de certo tempo, Miller comprovou o aparecimento de
A atmosfera primitiva era composta de metano, amô- moléculas de aminoácido no interior do balão.
nia, hidrogênio e vapor de água. Sob altas temperaturas, em
presença de descargas elétricas e raios ultravioletas. Combi-
nações de gases teriam, originado aminoácidos, que ficavam
flutuando na atmosfera.  Com a saturação de umidade da
atmosfera, começaram a ocorrer as chuvas, os aminoácidos
eram arrastados para o solo, submetidos a aquecimento pro-
longado, combinando-se uns com os outros, formando pro-
teínas.
As chuvas lavavam as rochas e conduziam as proteínas
para os mares. Surgia uma “sopa de proteínas”, as proteínas
dissolvidas em água originavam os coacervados.
Os coacervados não eram ainda organismos vivos, mas
ao se formarem em enormes quantidades, e se chocarem no
meio aquoso durante um tempo muito longo, eventualmente
atingiriam um nível de organização que desse a propriedade
de replicação. Surgiria ali uma forma de vida extremamente
primitiva. Coacervado é um aglomerado de moléculas pro- 3. Sidney Fox:
teicas envolvidas por moléculas de água, em sua forma mais
complexa. Essas moléculas formadas por proteínas foram en- Posteriormente, Sidney Fox levou o experimento um
volvidas pela água devido ao potencial e ionização presente passo adiante fazendo que esses tijolos básicos da vida se
em alguma de suas partes. Acredita-se, portanto, que a ori- unissem em proteinoides, moléculas polipeptídicas similares
gem dos coacervados tenha se dado no mar. a proteínas, por simples aquecimento. No trabalho seguinte,
com esses aminoácidos e pequenos peptídeos, foi descoberto
que eles podiam formar membranas esféricas fechadas, cha-
madas de microesferas. Fox as descreveu como formações de
protocélulas, acreditando que fossem um passo intermediário
importante na origem da vida. As microesferas tinham dentro
de seu envoltório um meio aquoso, que mostrava movimento
similar a ciclose. Eram capazes de absorver outras moléculas
presentes no seu ambiente; podiam formar estruturas maio-
res fundindo-se umas com as outras, e em certas situações,
destacavam-se protuberâncias minúsculas de sua superfície,
que podiam se separar e crescer individualmente.

Haldane supunha que os oceanos primordiais funcio-


nassem como um imenso laboratório químico, alimentado
por energia solar. Na atmosfera, os gases e a radiação UV ori-
ginariam compostos orgânicos, e no mar formaria-se, então,
uma sopa quente de enormes quantidades de monômeros e
polímeros. Grupos desses monômeros e polímeros adquiri-
riam membranas lipídicas, e desenvolvimentos posteriores
eventualmente levariam às primeiras células vivas.

282 HELP VESTIBULARES


OS PRIMEIROS SERES VIVOS
I. Os primeiros seres vivos 4. Hipótese Heterotrófica:

1. Obtenção de Energia: Todo organismo precisa de compostos orgânicos para


gerar energia, aqueles que produzem seus próprios compostos
orgânicos são os heterótrofos. Os primeiros organismos eram
heterótrofos, pois se alimentavam das moléculas que estavam
no meio onde viviam. A teoria é defendida com o argumento
de que os heterótrofos possuem uma maquinaria mais sim-
ples, sem a capacidade de produzir seu próprio alimento. A
energia era retirada dos alimentos que eles consumiam atra-
vés de um processo simples, semelhante à fermentação.
Como a produção de energia por fermentação libera
gás carbono (CO2) aos poucos a quantidade desse gás na at-
mosfera foi aumentando. Na fermentação, a energia é produ-
zida através da quebra de moléculas orgânicas do alimento,
gerando compostos mais simples. Ainda segundo essa teoria,
com o passar dos anos o alimento disponível ficou escasso
e algumas linhagens de seres vivos evoluíram, adquirindo a
capacidade de fabricar seu próprio alimento, constituindo
assim, a primeira linhagem de seres autotróficos, que pro-
2. Teoria da Invaginação: vavelmente utilizavam a luz como fonte de energia para a
produção de seu alimento.

5. Hipótese Autotrófica:

A hipótese autotrófica e a hipótese de que os primeiros


seres vivos eram autotróficos, ou seja, eram capazes de fabri-
car seu próprio alimento. A principal evidencia a favor dessa
hipótese foi a descoberta de bactérias em ambientes inóspitos,
tais como fontes de água quente e vulcões submarinos, essas
bactérias produzem seu próprio alimento a partir de substan-
cias simples e de energia obtida em reações químicas inorgâ-
nicas. Os cientistas defendem essa teoria com o argumento
que na Terra primitiva não havia alimento para todos os seres
habitantes e que sustentasse o aumento da população até o
aparecimento da fotossíntese. A energia utilizada no processo
3. Teoria da Simbiose
era proveniente das reações químicas que acontecem entre
as moléculas inorgânicas da costa terrestre. Os reagentes que
eram utilizados eram formados provavelmente por ferro e en-
xofre, que eram muito abundantes na terra primitiva.

HELP VESTIBULARES 283


AS TEORIAS DA EVOLUÇÃO
I. As teorias da evolução do indivíduo. Além disso, para certas características, o efeito
do ambiente tem pouca ou nenhuma influência.
1. Criacionismo: O mais importante, porém, é que essas características
não são transmitidas aos descendentes. As variações, entre in-
Até o século XVIII predominava a ideia de que cada divíduos, dependem da informação genética e somente essas
espécie teria surgido por um ato de criação divina, de ma- informações, e as mutações dos genes podem ser transmitidas
neira independente, permanecendo sempre com as mesmas a uma geração seguinte.
características. Essa teoria filosófica ficou conhecida como O biólogo alemão Weissman (1868 a 1876) conseguiu
criacionismo ou fixismo. No início do século XIX, várias evi- refutar as Leis de Lamarck, ele cortou a cauda de ratos duran-
dências fizeram com que a ideia de transformação das espé- te várias gerações, e os seus filhotes continuavam a nascer com
cies, isto é, evolução, fosse considerada por alguns cientistas, cauda. Por esse experimento, Weissman provou que essa ca-
que passaram a contestar a teoria vigente até então. racterística adquirida pelos ratos não foi transmitida às outras
gerações. Outro argumento contra a teoria de Lamarck é que
2. Lamarkismo: muitas características adquiridas são prejudiciais. É o caso de
doenças adquiridas ao longo da vida e das degenerações que
acompanham o processo do envelhecimento. O maior méri-
to de Lamarck foi seu pioneirismo. Sua tese provocou muitas
discussões e permitiu que o conhecimento desses fenômenos
biológico se generalizasse.

3. Darwinismo:

O primeiro a tentar explicar o processo da evolução foi


Jean-Baptiste Lamarck (1744-1829). Segundo Lamarck, as
transformações das espécies dependeriam de dois fatores fun-
damentais, enunciados como leis do mecanismo da evolução.
A primeira é a lei do uso e desuso; a segunda, a lei da herança
dos caracteres adquiridos.
Para Lamarck, no processo de adaptação ao meio, o Charles Darwin (1809-1882), naturalista inglês, ex-
uso de determinadas partes do corpo do organismo faz com pôs em seu livro “A origem das espécies” suas ideias a respeito
que elas se desenvolvam, e o desuso faz com que se atrofiem. da evolução e do mecanismo de transformações das espécies.
Lamarck utilizou exemplos, como o das aves que vi- Aos 22 anos, embarcou a bordo do barco inglês Beagle, e du-
vem em regiões alagadas e possuem as pernas altas, de tan- rante cinco anos viajou ao redor do mundo, América do Sul
to esforço que faziam para não molhar as penas quando se (inclusive o Brasil), as ilhas Galápagos, depois a Nova Zelân-
locomoviam. Os tamanduás apresentam a língua comprida dia e a Austrália. Nas terras visitadas, coletou dados e inú-
de tanto esticá-la na captura de formigas. Segundo essa lei, meros exemplares de organismos que levou para a Inglaterra.
alterações no corpo do organismo (caráter adquirido), provo- Quando iniciou os estudos e a organização do material
cadas pelo uso ou desuso de determinada parte do corpo, são coletado como resultado de suas observações, Darwin admi-
transmitidas aos descendentes. tiu que as transformações que ocorriam com as espécies eram
A primeira lei de Lamarck apresenta uma verdade ape- alterações das espécies já existentes. Mas Darwin desconhecia
nas parcial porque, o ambiente só pode alterar as caracterís- as causas que levariam as espécies a se modificar.
ticas do organismo dentro de certos limites predeterminados Darwin elaborou dessa forma, a Teoria de Seleção Na-
pelo gene. Assim, embora a altura de um indivíduo possa tural, na qual concluiu que todos os organismos que nascem
variar, dependendo das condições em que ocorra o seu cresci- nem sempre apresentam condições de sobrevivência. Ape-
mento, valores máximos e mínimos são previstos pelos genes nas sobrevivem os seres vivos que têm maiores possibilida-

284 HELP VESTIBULARES


AS TEORIAS DA EVOLUÇÃO
des frente às condições ambientais, chamados por Darwin
de mais aptos e que se reproduzem deixando descendentes
férteis.
1. (Unesp 2015) Estudo confirma que meteorito causou ex-
O principal problema da teoria darwiniana foi a falta
tinção dos dinossauros
de uma teoria que explicasse a origem e a transmissão das
características favoráveis que permitiam ao organismo sobre-
Um estudo publicado na revista Science de 08.02.13 pretende
viver e gerar descendentes.
pôr um ponto final na discussão sobre qual foi o evento que
Darwin não sabia explicar, por exemplo, como novos
levou à extinção dos dinossauros. Os novos dados obtidos
indivíduos poderiam surgir, visto que os genes, a mutação e a
pelos pesquisadores são os mais precisos até agora e mostram
recombinação genética, resultante da meiose e da fecundação
que o meteorito atingiu a Terra há 66.038.000 anos, pouco
no processo de reprodução sexuada, não eram conhecidos na
antes da extinção.
época.
http://veja.abril.com.br. Adaptado.
4. Conclusão:
Um fato ainda pouco divulgado pela mídia é que, nesse mes-
Para Lamarck, o ambiente induz os seres a modifica- 2
rem-se para se adaptarem a ele. Para Darwin, o meio age se- mo período, cerca de das espécies que viviam na Terra
lecionando as mudanças já existentes. também foram extintas,3configurando um grande evento de
extinção em massa.
5. Neodarwinismo ou Teoria Sintética da Evolução:
Dentre os fatores decisivos para essa extinção em massa, é
Darwin não sabia explicar como as variações podiam correto inferir que:
ser transmitidas aos descendentes nem como elas apareciam. a) os dinossauros ocupavam o topo da cadeia alimentar e com
Esclarecidas essas dúvidas, surgiu o Neodarwinismo, que a sua extinção houve um aumento descontrolado das popu-
consiste na teoria da seleção natural já elaborada por Darwin, lações das espécies que lhes serviam de presa, causando um
acrescida do conjunto das descobertas que explicam a varia- colapso nas relações tróficas.
bilidade entre os organismos. b) o sucesso adaptativo dos dinossauros no papel de predado-
A variabilidade genética entre os indivíduos de uma res levou ao declínio das populações de espécies que lhes ser-
população depende basicamente das mutações e da reprodu- viam de presa, resultando na redução das fontes de alimento.
ção sexuada, em que o corre a permutação, ou crossing-over, e c) o impacto do meteorito causou a extinção de muitas es-
a segregação independente dos cromossomos. pécies de produtores, o que contribuiu para o declínio das
As mutações são responsáveis pela variabilidade ge- populações de consumidores primários, secundários e, assim,
nética, quando novos genes são produzidos, novas caracte- sucessivamente, ao longo da cadeia alimentar.
rísticas genotípicas aparecem, podendo ser úteis, ou não, à d) o impacto do meteorito causou a morte abrupta dos di-
espécie. nossauros, o que disponibilizou imensas quantidades de ma-
O crossing-over, troca de pedaços de cromáticas que téria orgânica para decomposição, alterando a composição da
ocorrem na prófase I da meiose, permite novos arranjos de atmosfera e levando as demais espécies à extinção.
genes, os quais chegarão aos gametas. Após a fecundação e a e) a extinção das várias espécies de dinossauros resultou no
formação do zigoto, novas características poderão surgir. Um aumento das populações de outros predadores, o que alterou
número maior de permuta proporcionará uma maior variabi- as relações tróficas, causando um desequilíbrio no ecossiste-
lidade dos gametas e, em consequência, maior será o número ma e o consequente colapso das comunidades.
de genótipos formados.

HELP VESTIBULARES 285


AS TEORIAS DA EVOLUÇÃO
2. (Unesp 2017) Na natureza, a grande maioria dos gafanho- Antes do século XVIII, as especulações sobre a origem
tos é verde. No entanto, uma mutação genética incomum e das espécies baseavam-se em mitologia e superstições e não
pouco conhecida, chamada eritrismo, provoca alteração na em algo semelhante a uma teoria científica testável. Os mitos
produção de pigmentos, o que resulta em gafanhotos cor-de- de criação postulavam que o mundo permanecera constante
-rosa. Descobertos em 1887, esses gafanhotos raramente são após sua criação. No entanto, algumas pessoas propuseram a
encontrados. ideia de que a natureza tinha uma longa história de mudan-
ças constantes e irreversíveis.
Adaptado de: HICKMAN, C. P.; ROBERTS, L.; LARSON,
A. Princípios Integrados de Zoologia. Rio de Janeiro: Guanaba-
ra Koogan, 2001. p.99.

De acordo com a ilustração, o texto e os conhecimentos sobre


as teorias de fatores evolutivos, assinale a alternativa correta.
http://voices.nationalgeographic.com. Adaptado. a) A variabilidade genética que surge em cada geração sofre a
seleção natural, conferindo maior adaptação à espécie.
Os gafanhotos cor-de-rosa são raros porque: b) A variabilidade genética é decorrente das mutações cro-
a) a mutação reduz a variabilidade genética na população de mossômicas e independe das recombinações cromossômicas.
gafanhotos, prejudicando a seleção natural de indivíduos cor- c) A adaptação altera a frequência alélica da mutação, resul-
-de-rosa. tando na seleção natural em uma população.
b) concorrem por alimento com os gafanhotos verdes, que d) A adaptação é decorrente de um processo de flutuação na
são mais eficientes por terem a mesma coloração das folha- frequência alélica ao acaso de uma geração para as seguintes.
gens. e) A adaptação é o resultado da capacidade de os indivíduos
c) destacam-se visualmente e são facilmente encontrados e de uma mesma população possuírem as mesmas característi-
predados, enquanto os gafanhotos verdes se camuflam na na- cas para deixar descendentes.
tureza.
d) os gafanhotos verdes são mais numerosos na natureza e,
portanto, se reproduzem e deixam muito mais descendentes.
e) são muito menos evoluídos que os gafanhotos verdes e por
isso sobrevivem por pouco tempo na natureza.

3. (Uel 2015) Leia a tirinha e o texto a seguir.

3. A
2. D
1. C
Gabarito:

286 HELP VESTIBULARES


AS EVIDÊNCIAS DA EVOLUÇÃO
I. As evidências da evolução

O esclarecimento do mecanismo de atuação da evolu-


ção biológica somente foi concretamente conseguido a par-
tir dos trabalhos de dois cientistas, o francês Jean Baptiste
Lamarck (1744-1829), e o inglês Charles Darwin (1809-
1882). A discussão evolucionista, no entanto, levanta
grande polêmica. Por esse motivo é preciso descrever,
inicialmente, as principais evidências da evolução, utilizadas
pelos evolucionistas em defesa de sua tese. Dentre as mais
utilizadas destacam-se:

• os fósseis,
• a semelhança embriológica e anatômica existente entre os
componentes de alguns grupos animais,
• a existência de estruturas vestigiais e as evidências bioquí- 2. Processo de fossilização:
micas relacionadas a determinadas moléculas comuns a mui-
tos seres vivos. Um fóssil se forma quando os restos mortais de um or-
  ganismo ficam a salvo tanto da ação dos agentes decomposi-
1. O que são fósseis? tores, como das intempéries naturais (vento, sol direto, chu-
vas, etc.). As condições mais favoráveis à fossilização ocorrem
Um fóssil é qualquer vestígio de um ser vivo que ha- quando o corpo de um animal ou uma planta é sepultado no
bitou o nosso planeta em tempos remotos, como uma parte fundo de um lago e rapidamente coberto por sedimentos.
do corpo, uma pegada ou uma impressão corporal. O estudo
dos fósseis permite deduzir o tamanho e a forma dos organis-
mos que os deixaram, possibilitando a reconstrução de uma
imagem, possivelmente parecida, dos animais quando eram
vivos.

   

Dependendo da acidez e dos minerais presentes no se-


dimento, podem ocorrer diferentes processos de fossilização.
A permineralização, por exemplo, é o preenchimento dos
Fóssil de um dinossauro e de uma planta. poros microscópicos do corpo de um ser por minerais. Já a

HELP VESTIBULARES 287


AS EVIDÊNCIAS DA EVOLUÇÃO
substituição consiste na lenta troca das substâncias orgânicas 4. Anatomia comparada:
do cadáver por minerais, transformando-o em pedra.
A asa de uma ave, a nadadeira anterior de um golfi-
nho e o braço de um homem, ainda que muito diferentes,
possuem estrutura óssea e muscular bastante parecidas. A
semelhança pode ser explicada admitindo-se que esses seres
tiveram ancestrais em comum, dos quais herdaram um plano
básico de estrutura corporal.
 

Gastrópode conservado por permineralização

3. Datação radioativa dos fósseis:

A idade de um fóssil pode ser estimada através da me-


dição de determinados elementos radioativos presentes nele,  O parentesco evolutivo entre as aves e os mamíferos,
ou na rocha, onde ele se encontra. por exemplo, também permite explicar as semelhanças entre
Se um fóssil ainda apresenta substâncias orgânicas em os órgãos internos desses animais. O coração, os sistemas
sua constituição, sua idade pode ser calculada com razoável circulatórios e nervosos, entre outros, são constituídos pelas
precisão pelo método do carbono-14. O carbono-14 (14C) é mesmas partes básicas.
um isótopo radioativo do carbono (12C).
Os cientistas determinaram que a meia vida do car- 5. Semelhanças embrionárias:
bono-14 é de 5.740 anos. Isso significa dizer que, nesse pe-
ríodo, metade do carbono-14 de uma amostra se desintegra. As semelhanças entre os embriões de determinados
Na hora da morte, um organismo que se fossiliza contém de- grupos de animais são ainda maiores do que as semelhanças
terminada quantidade de 14C, que os cientistas estimam ser, encontradas nas formas adultas. por exemplo, é difícil distin-
a mesma que a encontrada nos seres de hoje. Passados 5.740 guir embriões jovens de peixes, sapos, tartarugas, pássaros e
anos, restará no fóssil apenas metade da quantidade de 14C seres humanos, todos pertencentes ao grupo dos vertebrados.
presente na hora da morte. Ao fim de mais 5.740 anos, terá Essa semelhança pode ser explicada se levarmos em conta que
se desintegrado a metade do que restou, e assim por diante, durante o processo embrionário é esboçado o plano estrutu-
até que não haja praticamente mais esse isótopo radioativo na ral básico do corpo, que todos eles herdaram de um ancestral
matéria orgânica remanescente. comum.
Assim, através de medidas da quantidade residual de  
carbono-14 em um fóssil, é possível calcular quanto tempo se
passou desde a morte do ser vivo que o originou. Por exem-
plo, se um fóssil apresentar 1/8 do carbono radioativo esti-
mado para um organismo vivo, isso significa que sua morte
deve ter ocorrido entre aproximadamente 22 e 23 mil anos.
Como a meia vida do carbono-14 é relativamente cur-
ta, a datação por esse isótopo só serve para fósseis com menos
de 50 mil anos. Para datar fósseis mais antigos, os “paleo-
biólogos” utilizam isótopos com meia-vida mais longa, que
podem ser encontrados nas rochas fossilíferas. Por exemplo,
rochas que se formaram há alguns milhões de anos podem ser
datadas por meio do isótopo urânio-235 (235U), cuja meia-
-vida é de 700 milhões de anos. Para rochas ainda mais anti-
gas, com centenas de milhões de anos de idade, pode-se usar
o potássio-40, que tem meia vida de 1,3 bilhões de anos.

288 HELP VESTIBULARES


AS EVIDÊNCIAS DA EVOLUÇÃO

8. Órgãos vestigiais:

Órgãos vestigiais são estruturas atrofiadas, sem função


evidente no organismo. O apêndice cecal do intestino
humano, por exemplo, é um órgão vestigial. Esse órgão é
uma pequena projeção do ceco, região do intestino grosso, e
não desempenha nenhuma função importante no homem e
nos animais carnívoros. Já nos herbívoros, o apêndice é mui-
 
to desenvolvido e tem importante papel na digestão da ce-
6. Órgãos ou estruturas homólogas:
lulose, nele vivem micro-organismos que atuam na digestão
dessa substância.
Certos órgãos ou estruturas se desenvolvem de modo
muito semelhante nos embriões de todos os vertebrados. São
os órgãos homólogos. Apesar de terem a mesma origem em-
brionária, os órgãos homólogos podem ter funções diferen-
tes, como é o caso do braço humano e da asa de uma ave, por
exemplo.

7. Órgãos ou estruturas análogas:

Se dois órgãos ou estruturas desempenham a mesma


função, mas têm origem embrionária diferente, são chama-
dos análogos. As asas de aves e de insetos, por exemplo, são Tudo indica que os mamíferos atuais, carnívoros e
estruturas análogas: ambas servem para voar, porém suas ori- herbívoros, tiveram ancestrais comuns, cuja dieta devia ser
gens embrionárias são totalmente distintas. baseada em alimentos vegetais, ricos em celulose. Entretanto,
no decorrer da evolução, cecos e apêndices deixaram de ser
vantajosos para alguns grupos de organismos, nos quais se
encontram reduzidos, como vestígios de sua origem.

HELP VESTIBULARES 289


AS EVIDÊNCIAS DA EVOLUÇÃO

São exemplos também de estruturas vestigiais, a vérte-


bra coccígea, a membrana nictitante e os músculos das ore-
lhas.

290 HELP VESTIBULARES


BIOLOGIA 2
Características dos Seres Vivos
Membrana Celular
Transporte pela Membrana
Organelas Celulares 1
Organelas Celulares 2
Núcleo Celular
Ácidos Nucleicos
Replicação Semiconcervativa do DNA
Síntese Proteica
Respiração Celular (Aeróbica e Anaeróbica)
CARACTERÍSTICAS DOS SERES VIVOS
I. Características dos Seres Vivos 2. Características comuns a todos os seres vivos:

A palavra Biologia, significa estudo da vida, portanto, a) Metabolismo:


biologia é a ciência que estuda a vida e os seres vivos, bem
como as relações entre si, e o ambiente físico e químico onde É o conjunto de todas as transformações químicas de
vivem. A existência da vida depende de um conjunto carac- um organismo. As substâncias que formam o corpo dos seres
terísticas comuns, encontradas em todos de os seres presentes vivos estão em contínua modificação, reagem umas com as
na Terra. Para possibilitar a própria existência, os seres devem: outras e se modificam. Dessa forma, o metabolismo ocorre
- Obter energia e matéria; quando, por exemplo, uma molécula de açúcar libera energia
- Responder aos estímulos do meio; para o ser vivo, as enzimas digerem o alimento no intestino
- Reproduzir-se. ou quando moléculas de aminoácidos se unem para formar as
Isso é feito por meio de movimentos, de crescimento proteínas necessárias para o organismo. O metabolismo pode
ou de modificações nos ritmos das reações biológicas. São ser dividido em:
respostas que visam a uma adaptação às contínuas alterações
das condições ambientais. - Catabolismo: reações que provocam a quebra de substân-
A energia e a matéria são indispensáveis à construção cias. Exemplos: respiração aeróbica, fermentação, digestão,
dos indivíduos e à manutenção dos processos biológicos, de- etc.
vendo ser obtidas do ambiente, obrigando os seres vivos a - Anabolismo: reações que provocam a síntese de substân-
manter relações com o meio. Pela reprodução, os seres vivos cias. Exemplos: fotossíntese, quimiossíntese, etc.
podem formar novos indivíduos, determinando a manuten- - Homeostase: conjunto de fenômenos que garantem o equi-
ção da vida. Simultaneamente, alterações casuais transmiti- líbrio do organismo. Exemplo: o suor controlando a tempe-
das pela reprodução e selecionadas pelo ambiente permitem ratura.
as modificações evolutivas, possibilitando a introdução de
novos tipos de seres vivos.
Há de se observar que nenhum ser vivo pode viver
isoladamente. Ele depende de outros para obter energia e
matéria e reproduzir-se. Além disso, muitos dos estímulos
aos quais ele responde são produzidos por outros seres vivos.
Desse modo, a vida na Terra é uma complexa e dinâmica rede
de associações.

1. Os Níveis de Organização da Vida:


b) Reprodução:

É a capacidade que os seres vivos têm de dar origem a


novos indivíduos da mesma espécie. A reprodução é funda-
mental para a perpetuação da vida; assim, é uma característica
vital para a espécie, para manter essa espécie ao decorrer do
tempo.
A reprodução pode ser:

- Reprodução assexuada: ocorre em um único organismo.

HELP VESTIBULARES 293


CARACTERÍSTICAS DOS SERES VIVOS
- Reprodução sexuada: ocorre pela união de dois gametas, 3. O que é vida?
que originam indivíduos diferentes, dessa forma, há necessi-
dade de dois sexos para haver reprodução entre os indivíduos. Muitos biólogos e pesquisadores têm se empenhado
no desafio de definir “vida”, entretanto, nenhuma das defini-
ções formuladas até hoje é amplamente satisfatória.
A dificuldade de se definir “vida” de maneira sintética
deve-se a própria complexidade do fenômeno vida, que se
manifesta de muitas formas, na enorme diversidade de espé-
cies biológicas da natureza. Como a vida não tem um traço
distintivo único, e sim vários, em diferentes níveis, isso acaba
criando definições longas e complexas, que tentam abranger
todas, ou a maioria, das características fundamentais da vida.
Entre os atributos mais típicos dos seres vivos, desta-
cam-se: composição química, organização celular, metabolis-
mo, reação e movimento, crescimento e reprodução, heredi-
c) Evolução: tariedade, variabilidade genética e seleção natural.

É o processo através do qual ocorrem mudanças ou 4. Composição química dos seres vivos:
transformações nos seres vivos ao longo do tempo, dando
origem a espécies novas. Essa evolução acontece devido A matéria, componente dos seres vivos, é constituída
a ação de agentes como, a mutação, processo aleatório de de átomos. Milhões de átomos de elementos químicos como,
surgimento de novas características dentro de uma espécie, carbono (C), hidrogênio (H), oxigênio (O), nitrogênio (N),
e a seleção natural, onde o próprio ambiente seleciona essas fósforo (P) e enxofre (S), unidos por meio de ligações quími-
características como vantajosas ou não, para sobreviver em cas, formam as moléculas constituintes dos seres vivos, gene-
determinado meio. ricamente chamadas de moléculas orgânicas.
Essas moléculas são geralmente constituídas por lon-
gas sequências de átomos de carbono interligados, aos quais
estão unidos átomos de outros elementos componentes da
molécula. Os principais tipos de moléculas orgânicas são as
proteínas, os glicídios, os lipídeos e os ácidos nucleicos.

5. A célula:

Os elementos químicos que compõe os seres vivos,


estão organizados em milhares de substâncias orgânicas dife-
rentes. Essas substâncias, distribuídas e combinadas de forma
também altamente organizada, constituem a célula, conside-
→ Principais áreas de estudo da biologia: rada a unidade fundamental da vida.
Há dois tipos básicos de células: procariótica e euca-
Anatomia                   Genética rióticas. A célula procariótica é relativamente mais simples e
Botânica                    Histologia em seu interior não há compartimentos membranosos, ou
Bioética                     Imunologia seja, não possuem um núcleo individualizado e separado,
Biotecnologia           Microbiologia o material genético fica solto no citoplasma, que também é
Bioquímica                Micologia composto por organelas responsáveis pela produção de pro-
Citologia                    Parasitologia teínas, os ribossomos. Os organismos procariontes são unice-
Ecologia                    Protistologia lulares (apresentam apenas uma célula), representados pelas
Evolução                   Paleontologia bactérias e cianobactérias.
Embriologia              Taxonomia
Fisiologia                   Zoologia

294 HELP VESTIBULARES


CARACTERÍSTICAS DOS SERES VIVOS

Célula procariótica- Bactéria.


Célula eucariótica vegetal.
A célula eucariótica apresenta inúmeros compartimen-
tos e estruturas membranosas internas, que desempenham Os organismos vivos podem ser classificados ainda,
funções específicas como digestão, produção, transporte e segundo sua capacidade de produzir ou não seu próprio ali-
armazenamento de substâncias. Além disso, a célula eucarió- mento, e segundo sua necessidade de oxigênio para o proces-
tica tem um compartimento individualizado, o núcleo, que so de produção de energia. Dessa forma,
abriga o material genético. Os organismos eucariontes são os
protozoários, algas, fungos, plantas e animais. - Autótrofos: são organismos que possuem a capacidade de
produzir seu próprio alimento;
- Heterótrofos: são organismos que não possuem a capacida-
de de produzir seu próprio alimento, sendo assim, necessitam
se alimentar de outros seres vivos;
- Aeróbios: organismos que necessitam de oxigênio para a
respiração celular (processo de produção de energia);
- Aeróbios facultativos: organismos que produzem energia
na presença ou ausência do oxigênio;
- Anaeróbios: Organismos que não utilizam oxigênio para o
processo de produção de energia, chamado de fermentação.

Célula eucariótica animal.

HELP VESTIBULARES 295


MEMBRANA CELULAR
I. Membrana Celular

A Membrana Celular separa o citoplasma da célula, do


meio extracelular. A membrana é formada basicamente por
lipídios, sendo o mais comum os fosfolipídios, depostos em
uma dupla camada, onde a região externa é polar e as cama-
das internas que se voltam uma a outra são apolares.

As principais estruturas que compõe a membrana ce-


lular, são:

1. Fosfolipídios,
2. Proteínas integrais,
3. Proteínas periféricas,
4. Glicídios,
5. Glicoproteínas,
6. Glicolipídios,
7. Colesterol.

Com isso, a membrana fica parecendo um mosaico de


proteínas em um fluido, os lipídeos. Vindo daí o nome Mo-
saico Fluido, proposto por Singer e Nicholson.

296 HELP VESTIBULARES


TRANSPORTE PELA MEMBRANA
I. Transporte pela membrana - Difusão facilitada: A passagem de substâncias através da
membrana é feita com a ajuda de proteínas da própria mem-
Há constante troca de substâncias entre a célula e o brana, denominadas genericamente de permeases. Algumas
meio externo, mas apenas substâncias necessárias devem en- permeases formam canais proteicos que comunicam o meio
trar ou permanecer na célula, enquanto as indesejáveis de- intracelular com o meio extracelular, enquanto outras se li-
vem sair ou ficar fora dela. A membrana plasmática faz esse gam às moléculas do soluto, carreando-as rapidamente para
controle, assim, a membrana possui permeabilidade seletiva, o meio intra ou extracelular.
colaborando para a manutenção da composição química ce-
lular.
De modo geral, podemos dizer que as substâncias atra-
vessam a membrana de duas maneiras: por transporte pas-
sivo ou transporte ativo. No transporte passivo, uma subs-
tância move-se de uma região mais concentrada, para uma
menos concentrada, sem gasto de energia. No transporte ati-
vo, ocorre o inverso, a substância move-se contra o gradiente
de concentração, havendo consumo de energia pela célula.

1. Transporte Passivo:

A passagem de substâncias através da membrana se faz


sem consumo ou gasto de energia (ATP) por parte da célula. - Osmose: é a passagem de solvente da solução hipotônica
Nesse caso, as pequenas moléculas e íons passam livremente (menos concentrada ou mais diluída) para a solução hiper-
por meio da matriz fosfolipídica ou dos poros e canais exis- tônica (mais concentrada ou menos diluída), até que as duas
tentes na membrana, obedecendo às leis naturais da difusão. soluções atinjam uma situação de equilíbrio, isto é, uma si-
A difusão é o fluxo de partículas (moléculas, íons) de tuação isotônica (igualdade de concentração).
uma região em que estejam em maior concentração para ou-
tra região em que a quantidade dessas partículas seja menor.
Esse fluxo ou passagem de partículas é feito até que se esta-
beleça uma situação de equilíbrio entre as duas regiões, isto
é, até que haja uma mesma concentração nas duas regiões.
Água, O2, CO2, monossacarídeos, aminoácidos e substân-
cias lipossolúveis são exemplos de substâncias que entram ou
saem da célula por difusão.

- Difusão simples: Nesse caso, as partículas atravessam a


membrana sem a ajuda de proteínas “carregadoras” ou “trans-
portadoras”, denominadas permeases, existentes na própria
membrana. É o que acontece, por exemplo, com o O2 en-
trando na célula e com CO2 saindo da célula.

2. Transporte Ativo:

O movimento de substâncias através da membrana em


sentido contrário a difusão, e com gasto de energia (ATP),
é denominado transporte ativo. Ele depende de proteínas
transportadoras (carreadoras), que com consumo de energia,
combinam-se com a substância de um lado da membrana e
soltam do outro lado. A proteína muda de forma, abrindo-se
e deixando a substância entrar. Em seguida, ela se abre na face
oposta e solta a substância do outro lado da membrana.

HELP VESTIBULARES 297


TRANSPORTE PELA MEMBRANA
- Bomba de sódio (Na) e potássio (K):

Os íons Na+ e K+ são capazes de atravessar normal-


mente a membrana plasmática por difusão. Assim, se não
houvesse um processo ativo capaz de contrariar a difusão des-
ses íons, o Na+ e o K+ tenderiam a igualar suas concentrações
dentro e fora da célula.
Através do mecanismo da bomba de sódio e potás-
sio, a célula consegue manter concentrações diferentes de
sódio e potássio entre os meios intra e extracelular: o Na+ é
mantido em maior concentração no meio extracelular do que
no intracelular, ocorrendo o contrário com o K+. Esse meca-
nismo envolve a participação de proteínas “transportadoras”
específicas e estabelece ligações com esses íons, conduzindo-
-os para dentro ou para fora da célula. Para que esse processo - Pinocitose: Englobamento de substâncias líquidas através
aconteça, é necessária energia fornecida pelo ATP. de invaginações da membrana plasmática.

3. Transporte de Grandes Moléculas e Partículas: b) Exocitose: É um processo inverso ao da endocitose e tem


por objetivo a eliminação de substâncias da célula. Forma-se
a) Endocitose: Na endocitose, há englobamento de partícu- no meio intracelular uma vesícula ou vacúolo, contendo o
las ou macromoléculas presentes no meio extracelular e que material a ser eliminado. Essa vesícula funde-se à membrana
não conseguem entrar na célula por transporte passivo nem plasmática num determinado ponto, eliminando o seu
por transporte ativo. A Endocitose compreende duas modali- conteúdo no meio extracelular.
dades: fagocitose e pinocitose.

- Fagocitose: Consiste no englobamento de partículas só-


lidas, através da formação de projeções da membrana plas-
mática que envolvem o material no meio extracelular. Essas
projeções são denominadas pseudópodes (pseudópodos). Ao
final do processo, a partícula sólida estará no meio intrace-
lular, contida numa pequena bolsa ou vacúolo chamado fa-
gossomo. Esse fagossomo, posteriormente, será digerido no
interior da célula por meio da ação de enzimas digestivas pre-
sentes numa organela citoplasmática, denominada lisossomo.

298 HELP VESTIBULARES


TRANSPORTE PELA MEMBRANA
II. Especializações da Membrana:

1. O Glicocálice:

É formado pelo conjunto de glicoproteínas e


glicolipídios da face externa da membrana cujas funções são:

• Reconhecimento e adesão celular


• Especificidade celular
• Ligação com toxinas, vírus e bactérias
• Proteção química e mecânica da superfície celular

III. Adesão e Comunicação entre as Células:

1. Plasmodesmos: Pontes de contato entre células vegetais 4. Zônula de Oclusão:


vizinhas, permitindo a comunicação entre os citoplasmas
Mantém células vizinhas tão encostadas que impede
2. Lamela Média: Camada de pectina e substancias adesivas a passagem de moléculas entre elas. Assim, substâncias pre-
que mantém as células adesivas. sentes em uma cavidade revestida por tecido epitelial não po-
dem penetrar no corpo, a não ser atravessando diretamente
as células.

5. Zônula de Adesão:

Forma um cinturão contínuo ao redor das células,


causando aderência sem que haja contato entre as membra-
nas plasmáticas.

3. Desmossomos:

Ajudam na sustentação das células e na adesão entre


elas. É formado por duas placas circulares de proteína, situa-
das bem junto à membrana, uma em cada célula, das placas
partem substâncias colantes, que atravessam as membranas e
grudam as células na região de contato.

HELP VESTIBULARES 299


TRANSPORTE PELA MEMBRANA

6. Junções Comunicantes do tipo Gap:

São partículas cilíndricas que fazem com que as células


entrem em contato umas com as outras, para que funcionem
1. (Fuvest 2015) Nas figuras abaixo, estão esquematizadas
de modo coordenado e harmônico, permitindo o movimen-
células animais imersas em soluções salinas de concentrações
to de moléculas e íons, diretamente do citoplasma de uma
diferentes. O sentido das setas indica o movimento de água
célula para outra.
para dentro ou para fora das células, e a espessura das setas
indica o volume relativo de água que atravessa a membrana
celular.

A ordem correta das figuras, de acordo com a concentração


crescente das soluções em que as células estão imersas, é:
a) I, II e III.
b) II, III e I.
c) III, I e II.
d) II, I e III.
e) III, II e I.

2. (Unesp 2015) Leia o trecho da sentença condenatória de


Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.
Portanto condenam ao Réu Joaquim José da Silva Xavier por
alcunha o Tiradentes Alferes que foi da tropa paga da Capita-
nia de Minas a que com baraço e pregão seja conduzido pelas
ruas públicas ao lugar da forca e nela morra morte natural
para sempre, […] e a casa em que vivia em Vila Rica será
arrasada e salgada, para que nunca mais no chão se edifique
[…].
http://bd.tjmg.jus.br

Como se verifica, além da condenação à morte, a sentença


determinava ainda que a casa em que o inconfidente vivia
fosse demolida e a terra salgada, tornando-a assim improdu-
tiva.

Referindo-se aos processos de transporte de substâncias atra-


vés da membrana, os quais permitem às células dos pelos ab-
sorventes das raízes obterem água e minerais do solo, expli-
que por que salgar a terra torna o solo improdutivo.

3. (Unesp 2018) A resposta das células a pulsos elétricos


sugere que a membrana plasmática se assemelha a um cir-
cuito elétrico composto por uma associação paralela entre
um resistor (R) e um capacitor (C) conectados a uma fonte
eletromotriz (E). A composição por fosfolipídios e proteínas

300 HELP VESTIBULARES


TRANSPORTE PELA MEMBRANA

é que confere resistência elétrica à membrana, enquanto a


propriedade de manter uma diferença de potencial elétrico,
ou potencial de membrana, é comparável a um capacitor.
Eduardo A. C. Garcia. Biofísica, 2002. Adaptado.

A figura mostra a analogia entre um circuito elétrico e a


membrana plasmática.

A diferença de potencial elétrico na membrana plasmática é


mantida:
a) pelo bombeamento ativo de íons promovido por proteínas
de membrana específicas.
b) pela difusão facilitada de íons através de proteínas canais
que transpassam a membrana.
c) pela constante difusão simples de íons por entre as molé-
culas de fosfolipídios.
d) pela transferência de íons entre os meios extra e intracelu-
lar por processos de endocitose e exocitose.
e) pelo fluxo de água do meio mais concentrado em íons para
o meio menos concentrado.

4. (Uepg 2017) Analisando-se as características e peculiarida-


des dos procariontes e eucariontes, assinale o que for correto.
01) Os procariontes, principalmente as bactérias, são sempre
nocivas aos demais seres, ora causando doenças, ora vivendo
em mutualismo com os outros organismos.
02) Acredita-se que a célula eucariota tenha surgido da pro-
cariota. Por exemplo, as mitocôndrias e os cloroplastos surgi-
ram de bactérias que invadiram as células primitivas e passa-
ram a viver em seu interior.
04) A célula eucariota é menor que a procariota, apresentan-
do em seu citoplasma o material genético livre de envoltório
e organelas responsáveis pela síntese proteica.
08) A célula procariota apresenta DNA organizado em pe-
quenos cromossomos protegidos por uma fina membrana.
No citoplasma são encontrados ribossomos, responsáveis
pela geração de energia na célula.
16) Os procariontes são fundamentais para a manutenção 4. 18 (02,16)
da vida, pois algumas espécies atuam como decompositoras, 3. A
outras são fotossintetizantes, quimiossintetizantes, além de água para o solo, impedindo o crescimento dos vegetais.
poderem também participar de processos de fermentação. sequência, a tendência das células pelos absorventes é perder
2. O salgamento do solo torna hipertônico o meio. Em con-
1. C
Gabarito:

HELP VESTIBULARES 301


ORGANELAS CELULARES 1
I. Organelas Celulares 1 3. Ribossomos: Formados por RNA e proteínas. Organi-
zado em duas subunidades de tamanhos diferentes. É nos
1. Citoesqueleto: Conjunto de fibras e proteínas que dão ribossomos que ocorre a síntese de proteínas por meio da
suporte e mantém a forma da célula, colaborando nos movi- união de aminoácidos.
mentos e transporte de substâncias. É dividido em:

- Microfilamentos: Dão sustentação a microvilosidades, par-


ticipam de movimentos celulares, na contração de vacúolos,
na emissão de pseudópodes, etc.
- Filamentos intermediários: sustentação do núcleo e orga-
nelas, e resistência a tensões.
- Microtúbulos: atuam no transporte de organelas, movi-
mento dos cromossomos na divisão celular e formação dos
centríolos.
4. Retículo Endoplasmático Granuloso (rugoso): Contém
ribossomos na membrana, o que oferece um aspecto rugoso.
As proteínas produzidas são lançadas na cavidade do retículo
e envolvidas por pedaços de membrana, formando pequenas
vesículas que são enviadas para o complexo golgiense.

2. Centríolos: Formam cílios e flagelos, atuam na formação


das fibras do fuso, responsável pelos movimentos dos cro-
mossomos durante a divisão celular.

5. Retículo endoplasmático Liso: Formado por bolsas e tu-


bos, não contém ribossomos na membrana, porém possuem
enzimas que sintetizam lipídios.

302 HELP VESTIBULARES


ORGANELAS CELULARES 1
6. Complexo Golgiense: Formado por sacos achatados e
vesículas esféricas. Tem função de empacotar e secretar subs-
tâncias. Recebe proteínas e lipídios do R.E., os organiza em
pequenas vesículas, e as conduz para locais específicos.

HELP VESTIBULARES 303


ORGANELAS CELULARES 2
I. Organelas Celulares 2

1. Lisossomo: organelas envolvidas por membrana, que con-


tém em seu interior enzimas digestivas. Sua função é digerir
moléculas orgânicas como lipídios, carboidratos, proteínas,
ácidos nucleicos e moléculas englobadas por exocitose.

4. Vacúolos: Vacúolos contráteis são responsáveis pelo equi-


líbrio osmótico de organismos como protozoários. Vacúolos
vegetais armazenam substâncias como água, pigmentos e
substâncias tóxicas.

2. Peroxissomo: Pequenas vesículas espalhadas no citoplas-


ma, com enzimas em seu interior que promovem a oxidação
(reação do oxigênio) de moléculas orgânicas.

5. Cloroplasto: Local onde ocorre a fotossíntese. Possuem


membrana dupla, DNA próprio e capacidade de se autodu-
3. Mitocôndria: Organela composta por membrana dupla, plicar. Armazenam o pigmento verde as plantas, a clorofila.
a externa e interna, que forma uma série de dobras, as cristas
mitocondriais, entre essas cristas há uma solução gelatinosa,
chamada matriz mitocondrial. As mitocôndrias possuem a
capacidade de se reproduzir, já que possuem DNA próprio.
Sua função é realizar a respiração celular, processo responsá-
vel pela produção de energia (ATP) do organismo.

304 HELP VESTIBULARES


ORGANELAS CELULARES 2

mitocôndrias ribossomos e
c) mitocrôndias
e plastos mitocôndrias
mitocôndrias mitocôndrias
d) mitocrôndias
e plastos e plastos
mitocôndrias
e) mitocrôndias mitocrôndias
e plastos

1. (Fuvest 2017) O DNA extranuclear (ou seja, de organelas


citoplasmáticas) foi obtido de células somáticas de três orga-
nismos: uma planta, um fungo e um animal. Na tabela, qual
das alternativas cita corretamente a procedência do DNA ex-
tranuclear obtido desses organismos?
Planta Fungo Animal
ribossomos e
a) plastos ribossomos
mitocôndrias
plastos e plastos e
b) ribossomos
ribossomos ribossomos 1. E
Gabarito:

HELP VESTIBULARES 305


NÚCLEO CELULAR
I. Núcleo Celular

O núcleo é um compartimento essencial da célula


eucarionte, pois é onde se localiza o material genético, res-
ponsável pelas características que o organismo possui. Ele é
composto por: membrana nuclear, nucleoplasma, nucléolo e
cromatina.
A membrana nuclear ou envelope nuclear, delimita a
extensão do núcleo. Essa estrutura apresenta poros que atuam
como válvulas, abrindo-se para dar passagem a determinados
materiais, e fechando-se em seguida. No interior do núcleo
há geralmente uma ou mais estruturas denominadas nucléo-
los, um corpúsculo esponjoso e esférico compostos de cro-
matina, grande quantidade de RNA e proteínas, sua função O Cromossomo é formado por cromátides ligadas
está relacionada a formação dos ribossomos. É desprovido de pelo centrômero. Quando a célula está prestes a se dividir,
membranas, e encontra em contato direto com nucleoplas- o DNA se duplica formando cromátides irmãs, ligadas por
ma, uma massa incolor constituída principalmente de água um centrômero, até que ocorra a divisão final. Quando a di-
e proteínas. visão acaba, o cromossomo volta a possuir apenas um fio de
A maioria das células de nosso corpo possui um úni- cromatina.
co núcleo. Contudo, há células que não possuem nenhum,
como os glóbulos vermelhos maduros e outras que possuem
vários, como, por exemplo, às células musculares esqueléticas.

Os cromossomos podem ser classificados, segundo a


posição do centrômero:

- Metacêntrico: quando o centrômero está no meio;


- Submetacêntrico: Quando o centrômero está um pouco
distante do meio;
1. Cromatina e Cromossomo: - Acrocêntrico: Quando ele se encontra perto de um dos
polos; 
Representa o material genético, com proteínas básicas - Telocêntrico: O centrômero está em cima de um dos polos.
(histonas) e moléculas de DNA. Apresentam regiões conden-
sadas chamadas de heterocromatinas, e regiões distendidas
chamadas eucromatinas. Durante a divisão celular, as croma-
tinas se espiralizam, tornando-se mais curtas e mais grossas e
passam a ser chamadas de cromossomos.

306 HELP VESTIBULARES


NÚCLEO CELULAR
2. Cariótipo:

É o conjunto de todos os cromossomos presentes no


núcleo da célula de um organismo. O estudo do cariótipo
(forma, tamanho e número de cromossomos de uma pessoa)
pode ajudar no diagnóstico pré-natal ou pós-natal de
aberrações genéticas.
Todas as células somáticas do nosso corpo são diploi-
des, ou seja, possuem dois cromossomos de cada tipo (no
caso, 23 pares de cromossomos homólogos). Quando uma
célula possui apenas um cromossomo de cada tipo (no caso
os gametas, com 23 cromossomos), dizemos que ela é ha-
ploide.

HELP VESTIBULARES 307


ÁCIDOS NUCLEICOS
I. Ácidos Nucleicos O RNA, como não possui Timina, Adenina se liga a
Uracila.
Os ácidos nucleicos são substâncias formadas por ma-
cromoléculas resultantes da união de vários nucleotídeos. A-U C-G
Existem dois tipos de Ácidos Nucléicos:

- DNA: Ácido Desoxirribonucleico.


- RNA: Ácido Ribonucleico.

Os nucleotídeos são formados por: Fosfato, Pentose e


Base Nitrogenada.

Existem 5 tipos de bases nitrogenadas. São bases do


DNA: Adenina (A), Timina (T), Guanina (G) e Cito-
sina (C). São bases do RNA: Adenina (A), Uracila (U),
Guanina (G) e Citosina (C). Verificamos que Timina
(T) está presente somente no DNA e Uracila somente
no RNA.

As Bases Nitrogenadas podem ser classificadas quanto


ao número de anéis.
- Bases Pirimídicas: contém apenas 1 anel (T, U e C) na
estrutura molecular.
- Bases Púricas: contém 2 anéis (A e G) na estrutura mole-
cular. Como os nucleotídeos estão ligados?

O Pareamento das Bases Nitrogenadas se dá por meio A interação ocorre por ligações fosfodiéster, formando
de Ligações de Hidrogênio. No DNA Adenina sempre se liga pontes de fosfato entre os nucleotídeos. O carbono-3 da pen-
a Timina, enquanto Guanina sempre se liga a Citosina. tose do primeiro nucleotídeo se une ao grupo fosfato ligado
ao carbono-5 da pentose do segundo nucleotídeo através da
A-T C–G ligação fosfodiéster. Desta forma, os nucleotídeos se unem,
constituindo uma fita de ácido desoxirribonucleico.

308 HELP VESTIBULARES


ÁCIDOS NUCLEICOS
Quando observamos o DNA, percebemos que suas 2. (Uem 2017) Sobre os genes e os cromossomos, assinale o
duas fitas não seguem a mesma orientação, é a chamada dis- que for correto.
posição antiparalela. Em uma extremidade da fita do DNA 01) Gene é uma sequência de nucleotídeos do DNA (ácido
está livre a hidroxila do carbono-5 da primeira pentose e na desoxirribonucleico), que pode ser transcrita em uma versão
outra está livre a hidroxila do carbono-3 da última pentose. de RNA (ácido ribonucleico).
Na fita complementar este sentido é invertido. 02) O código genético corresponde às informações presentes
no DNA para a síntese dos genes e dos cromossomos.
04) Cromatina é um conjunto de filamentos formados por
moléculas de DNA associadas a proteínas presentes no nú-
cleo das células eucarióticas.
08) Durante a divisão celular, as moléculas de DNA se se-
param da cromatina, formando os cromossomos duplicados.
16) As mutações gênicas determinam aberrações cromossô-
micas devido à mudança no número de cromossomos, mu-
dança decorrente de alterações na frequência das bases nitro-
genadas do DNA.

1. (Uem 2017) Sobre os cromossomos humanos e assuntos


correlatos, assinale o que for correto.
01) Os cromossomos sexuais são aqueles que possuem os ge-
nes que determinam exclusivamente o sexo.
02) As fêmeas são heterogaméticas e os machos homogamé-
ticos.
04) Indivíduos contendo 22 pares de autossomos e um úni-
co cromossomo X serão portadores da síndrome de Turner.
08) Genes holândricos são aqueles presentes nos cromosso-
mos X e que não possuem correspondentes no cromossomo
Y.
16) As fêmeas são diploides com 2 cromossomos sexuais; e
os machos, haploides com somente 1 cromossomo sexual.

2. 05 (01,04)
1. 04
Gabarito:

HELP VESTIBULARES 309


REPLICAÇÃO SEMICONCERVATIVA DO DNA
I. Replicação Semiconcervativa do DNA

É o processo de produção de réplicas ou cópias da


molécula de DNA, onde, uma molécula pode se replicar para
formar 2 moléculas-filhas idênticas. O processo de replicação
ocorre como um processo de introdução à divisão celular,
cada um dos dois filamentos da molécula, atua como um
molde para formar novamente a dupla hélice idêntica à
original.

Antes da duplicação, a enzima helicase desenrola as


duas hélices e quebra as ligações de hidrogênio, em segui-
da, proteínas específicas chamadas topoisomerase mantém
as duas fitas afastadas. Em cada fita, novos nucleotídeos co-
meçam a se encaixar pela ação da enzima Primaze, sempre
obedecendo ao emparelhamento A-T e C-G, a união dos
nucleotídeos é feita com a ajuda da enzima DNA Polimerase.
Dessa forma, a nova fita fica igual a antiga que ocu-
pava aquela posição, pois, cada molécula é formada por uma
fita antiga, que veio do DNA original, caracterizando assim,
a DUPLICAÇÃO SEMICONSERVATIVA.

310 HELP VESTIBULARES


SÍNTESE PROTEICA
I. Síntese Proteica RNA transportador correspondente. Como a sequência
do RNAm é determinada pelo gene (sequência de bases
A síntese de proteínas depende do DNA em interação nitrogenadas do DNA), então a síntese de proteína representa
com o RNA, enzimas, ribossomos e outras estruturas da cé- a tradução da informação genética, por isso é chamada de
lula. Existem 3 tipos de RNA: tradução gênica.

- RNA mensageiro: leva o código genético do DNA para o


citoplasma.
- RNA transportador: transporta aminoácidos até o local da
síntese de proteínas.
- RNA ribossômico: participa da estrutura dos ribossomos,
onde ocorre síntese de proteínas.

O processo de síntese de proteínas é dividido em duas


etapas:

Transcrição: ocorre a síntese de RNAm pelo DNA, onde


há passagem (transcrição) do código genético do DNA para
o RNA. Em uma célula eucariótica, o RNAm produzido
destaca-se de seu molde e, após passar por um processo
chamado splicing, onde as sequencias não codificantes
transcritas (íntrons) são eliminadas e as codificantes (éxons)
reagrupadas, atravessa a membrana nuclear e se dirige para
o citoplasma, onde se dará a síntese proteica. Com o fim
da transcrição, as duas fitas de DNA se unem novamente,
refazendo-se a dupla hélice.

Tradução: O processo de tradução gênica consiste em unir


aminoácidos de acordo com a sequência de códons do RNA
mensageiro. Códon é uma trinca de bases nitrogenadas do
RNAm, que tem sua trinca complementar (anticódon) no

HELP VESTIBULARES 311


SÍNTESE PROTEICA

1. (Uem 2016) Sobre o material genético, assinale o que for


correto.
01) A duplicação do material genético de eucariotos ocorre
durante a anáfase da mitose.
02) Entende-se por gene o segmento de DNA capaz de co-
dificar um RNA.
04) Em um gene ativo, a RNA polimerase está complemen-
tando os desoxinucleotídeos da região codificante com ribo-
nucleotídeos complementares e realizando ligações fosfo-di-
-ester entre eles.
08) Toda mutação em genes que codificam proteínas em eu-
cariotos altera a sequência de aminoácidos na proteína codi-
ficada neste gene.
16) Eucariotos se distinguem de procariotos, neste quesito,
por possuírem histonas associadas ao DNA, formando cro-
matina.

1. 22 (02,04,16)
Gabarito:

312 HELP VESTIBULARES


RESPIRAÇÃO CELULAR (AERÓBICA E ANAERÓBICA)
I. Respiração Celular (aeróbica e anaeróbica)

Para realizar suas atividades, as células utilizam a


energia contida nas ligações químicas dos nutrientes que, é
transferida para adenosina-trifosfato (ATP), o principal com-
bustível celular; a enzima ATPase rompe a molécula de ATP
liberando energia e originando adenosina difosfato (ADP) e
fosfato inorgânico (Pi).
A transferência de energia dos nutrientes para ATP
também pode ser feita no citossol sem e participação das mi-
tocôndrias, pela fermentação (respiração anaeróbia), mas esse • Ciclo de Krebs:
processo retira apenas pequena parte da energia dos nutrien-
tes. As mitocôndrias possuem a maquinaria para a fosforila- Piruvatos, derivados da glicólise, atravessam as mem-
ção oxidativa (respiração aeróbia), muito eficiente na transfe- branas mitocondriais e, na matriz da organela geram acetato,
rência de energia dos nutrientes para ATP. que se liga a coenzima A, e forma a Acetilcoenzima-A.
O ciclo de Krebs ou Ciclo do Ácido Cítrico, é uma
sequência de reações enzimáticas, que geram elétrons e pró-
tons, captados por moléculas transportadoras de elétrons, o
FAD (Flavina Adenina Dinucleotídeo) e o NAD (Nicotina-
mida-Adenina-Dinucleotídeo) e citocromos.

Dessa forma, dois tipos de respiração celular:

• Respiração aeróbia: utiliza o oxigênio e produz 38 molé-


culas de ATP.
• Respiração Anaeróbica: não utiliza o oxigênio e produz
apenas 2 ATP de energia. A principal forma de obtenção de
energia por esse tipo de respiração, é a fermentação.

1. Respiração celular aeróbica:

A respiração celular AERÓBIA, com utilização de oxi-


gênio, ocorre em três fases:

• Glicólise:

A glicólise é o processo pelo qual uma sequência de enzi-


mas promove transformações graduais em uma molécula de
glicose, sem consumo de oxigênio, produzindo duas molécu-
las de piruvato e liberando energia que é armazenada em duas
moléculas de ATP.

HELP VESTIBULARES 313


RESPIRAÇÃO CELULAR (AERÓBICA E ANAERÓBICA)
• Cadeia Respiratória: • Fermentação Alcoólica:

É uma cadeia formada por transportadores de elétrons


de alta energia, como os citocromos, que vão gradualmente
cedendo essa energia a lugares específicos da cadeia, levando
a síntese de ATP. Ao final deste processo, para cada molécula
de glicose, 36 moléculas de ATP são produzidas.

2. Respiração Celular Anaeróbica:


• Fermentação acética:
a) Fermentação:

O processo de produção de ATP sem utilização de


oxigênio (anaeróbia), é denominado Fermentação, termo ge-
ral que denota a degradação anaeróbica da glicose. A fermen-
tação ocorre quando, após a glicólise, não é realizado o ciclo
de Krebs, porque o organismo em questão não possui oxigê-
nio. Esse processo é realizado por algumas bactérias e fungos.
O processo de fermentação é fundamental para as
atividades humanas. Por meio dele é possível conseguir pro-
duzir uma série de alimentos, os quais necessitam de fermen-
tação. Como exemplo, temos os pães, cervejas, vinhos, quei-
jos, vinagre, entre outros produtos oriundos da fermentação.
Há três principais tipos de fermentação:
#ExemploComentado
• Fermentação Lática:
1. (Uem 2018) Sobre o metabolismo energético, assinale a(s)
alternativa(s) correta(s).
01) Quando a respiração é aeróbia, o oxigênio atua como o
aceptor final de hidrogênios.
02) Na glicólise, para cada molécula de glicose resultam duas
moléculas de ATP e duas de NADH2.
04) O ciclo de Krebs ocorre na matriz mitocondrial, e a ca-
deia respiratória, nas cristas mitocondriais.
08) Durante a fermentação láctica, há produção de duas mo-
léculas de CO2.
16) A participação de enzimas no conjunto das reações me-
tabólicas diminui a energia de ativação dos compostos rea-
gentes.

1. 23 (01, 02, 04, 16)


Gabarito:

314 HELP VESTIBULARES


QUÍMICA
Introdução ao estudo da química
Substância Pura e Mistura
Balanceamento de equações
Separação de misturas homogêneas
Bateria de questões
Separação de misturas heterogêneas
Bateria de questões
Modelos atômicos
Bateria de questões
Estrutura atômica da matéria
Bateria de questões
Tabela Periódica
Propriedades periódicas
Bateria de questões
Ligações químicas
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA QUÍMICA
I. Introdução ao Estudo da Química

A Química estuda as transformações que envolvem matéria e energia.


É uma ciência que surgiu da curiosidade humana em torno da composição de todas as coisas e do funcionamento do
mundo que nos cerca. Atualmente, a Química é definida basicamente como a ciência que estuda a matéria, suas transformações
e as energias envolvidas nesses processos.
Matéria: tudo aquilo que ocupa lugar no espaço e que, portanto, tem volume e massa. Assim sendo, a Química estuda
substâncias naturais e artificiais, visíveis e invisíveis, minerais, vegetais e animais. Exemplos: água, madeira, ferro, petróleo,
ar, etc.
Existem também outros conceitos fundamentais que devem ser entendidos para a progressão no estudo dessa ciência.
Veja alguns:
Corpo: amostra ou porção limitada da matéria. Por exemplo, a árvore é matéria. Então, se cortarmos o caule da árvore,
uma tora de madeira obtida será um corpo. Uma barra de ouro, um pedaço de madeira, etc.
Objeto: corpo que sofreu alterações e foi produzido para a utilização do ser humano. Por exemplo, uma tora de
madeira é transformada em uma cadeira (objeto);
Sistema: corpo submetido a uma observação. Por exemplo, considere que um químico está realizando um experimento
em uma placa de Petri (vidraria usada em laboratório). Tudo que está dentro da placa de Petri é o nosso sistema, o que estiver
de fora é a vizinhança;
Transformação da matéria: qualquer processo (ou conjunto de processos) pelo qual se modificam as propriedades
de determinado material. As transformações da matéria são também denominadas fenômenos, que podem ser físicos (não
alteram a estrutura ou a constituição da matéria) ou químicos (alteram a estrutura ou a constituição da matéria). Quando
amassamos um papel, por exemplo, temos uma transformação ou fenômeno físico; por outro lado, se queimamos um papel,
temos um fenômeno químico;
Energia: é a propriedade de um sistema que lhe permite realizar trabalho. Por exemplo, a energia química dentro dos
alimentos é transformada no nosso organismo em energia que gera o trabalho que nosso corpo realiza nas atividades diárias e
também o calor que aquece o nosso corpo.
Ao aprofundar seus estudos em Química, você verá que, de acordo com os objetos de estudo, essa ciência pode dividir-
se nos seguintes três ramos principais:

1) Química Orgânica: estuda os compostos do carbono.


2) Química Inorgânica: estuda todos os demais elementos químicos e seus compostos.
3) Físico Química: estuda os princípios da Química, abordando os fenômenos que são observados nas reações químicas entre
quantidades macroscópicas das substâncias.

A Química pode estudar a matéria e suas transformações a partir de três níveis:

Nível macroscópico: estuda as propriedades dos objetos grandes e visíveis;


Nível microscópico: estuda o mundo invisível aos nossos olhos que explica o que é observado macroscopicamente, ou seja,
interpreta os fenômenos que podem ser vistos em termos do reordenamento dos átomos.
Nível simbólico: é a representação dos fenômenos químicos através de símbolos, fórmulas e equações matemáticas.

Sendo assim, pode parecer que a Química limita-se à teoria e às pesquisas de laboratório ou à produção industrial. Mas
ela é uma das ciências que estão mais presentes em nosso cotidiano e dentro de nós mesmos.
Só para citar alguns exemplos, a Química contribui para o desenvolvimento e produção de medicamentos que salvam
vidas, de produtos de higiene e limpeza, de combustíveis que levam ao desenvolvimento de nossa sociedade e de meios de
produção mais eficazes. Além disso, ela está presente na composição dos alimentos que consumimos (sejam naturais ou
artificiais) e nas reações do nosso organismo, como a digestão.

Transformação Física
Altera a forma da matéria sem alterar sua identidade.

Estados Físicos
Sólido (s), líquido (l) e gasoso (g).

HELP VESTIBULARES 317


INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA QUÍMICA

1. Mudança de Estado Físico:

O que caracteriza e define um estado físico da matéria são as forças atuantes em seu interior; coesão, a qual tende a
aproximar as partículas, e repulsão, a qual tende a afastá-las. Quando a força de coesão supera a de repulsão, a substância
se apresentará na fase de agregação chamada de sólido, quando as forças apresentarem a mesma intensidade, teremos um
líquido, quando a de repulsão superar a de coesão, teremos então um gás. Cada um desses estados físicos distingue-se dos
outros, entre outros fatores, por sua forma e volume. O estado sólido apresenta forma e volume constante, o líquido forma
variável e volume constante, e o gasoso, forma e volume variáveis.
Na fase de agregação sólida, as partículas não apresentam liberdade de movimento, cabendo-lhes apenas movimentos
de ordem vibracional, e a matéria terá maior densidade molecular. No estado líquido, as partículas podem literalmente “rolar”
umas sobre as outras. Já na fase gasosa, as partículas terão ampla liberdade de movimento, e a matéria estará em sua fase de
menor densidade molecular possível.

Sólido: Nesse estado físico da matéria, as moléculas se encontram muito próximas, sendo assim possuem forma fixa, volume
fixo e não sofrem compressão. As forças de atração (coesão) predominam neste caso. Um exemplo é um cubo de gelo, as
moléculas estão muito próximas e não se deslocam, ao menos que passe por um aquecimento.

Líquido: Aqui as moléculas estão mais afastadas do que no estado sólido e as forças de repulsão são um pouco maiores. Os
elementos que se encontram nesse estado, possuem forma variada, mas volume constante. Além destas características, possui
facilidade de escoamento e adquirem a forma do recipiente que os contém. 

Gasoso: O movimento das moléculas nesse estado é bem maior que no estado líquido ou sólido. As forças de repulsão
predominam fazendo com que as substâncias não tomem forma e nem volume constante. Se variarmos a pressão exercida
sobre um gás, podemos aumentar ou diminuir o volume dele, sendo assim, pode-se dizer que sofre compressão e expansão
facilmente. Os elementos gasosos tomam a forma do recipiente que os contém.

A matéria pode apresentar-se em qualquer estado físico, dependendo dos fatores pressão e temperatura. Assim, de
modo geral, o aumento de temperatura e a redução de pressão favorecem o estado gasoso, e pode-se dizer que o inverso
favorece ao estado sólido. As transformações de estado físico da matéria apresentam denominações características, como se
pode ver abaixo:

a) Fusão: representa a passagem do estado sólido para o estado líquido. A temperatura na qual ocorre recebe o nome de Ponto
de Fusão. Por exemplo, o derretimento de um cubo de gelo.

318 HELP VESTIBULARES


INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA QUÍMICA
b) Vaporização: representa a passagem do estado líquido para o estado gasoso. A temperatura na qual ocorre recebe o nome
de Ponto de Ebulição. Uma vaporização pode ocorrer de três modos distintos:
- Calefação: passagem do estado líquido para o gasoso de modo muito rápido, quase instantâneo. Por exemplo, gotas de água
sendo derramadas em uma chapa metálica aquecida.
- Ebulição: passagem do estado líquido para o estado gasoso por meio de aquecimento direto, envolvendo todo o líquido.
Por exemplo, o aquecimento da água em uma panela ao fogão.
- Evaporação: passagem do estado líquido para o estado gasoso que envolve apenas a superfície do líquido. Por exemplo, a
secagem de roupas em um varal.

c)  Liquefação ou condensação: representa a passagem do estado gasoso para o estado líquido. Por exemplo, a umidade
externa de um frasco metálico ao ser exposto a uma temperatura relativamente elevada.

d) Solidificação: representa a passagem do estado líquido para o estado sólido. Por exemplo, o congelamento da água em uma
forma de gelo levada ao refrigerador.

e) Sublimação: representa a passagem do estado sólido para o estado gasoso ou o processo inverso, sem passagem pelo estado
líquido. Por exemplo, a sublimação do gás carbônico sólido, conhecido por gelo seco, em exposição à temperatura ambiente.

Ponto de Fusão: temperatura constante na qual um sólido se transforma em líquido.


Ponto de Ebulição: temperatura constante na qual um líquido se transforma em vapor.
Densidade: é a relação entre a massa e o volume ocupado por uma amostra de matéria.

Elemento químico é o material formado por átomos de um mesmo tipo ou mais precisamente um conjunto de
átomos de mesmo número atômico. O número atômico é a quantidade de prótons que um átomo possui em seu núcleo.
Desse modo, a menor parte ou partícula que conserva as propriedades de um elemento químico é um átomo só com aquele
determinado número atômico.

Os elementos químicos são divididos em:

Elementos naturais: são os elementos químicos encontrados na natureza, são átomos estáveis;

Elementos sintéticos: são os elementos químicos produzidos artificialmente (síntese em laboratório). Podem se classificar em
duas categorias, os cisurânicos e transurânicos. Os Cisurânicos possuem número atômico inferior a 92. Já os Transurânicos
(ou superpesados) possuem número atômico superior a 92, são radioativos e instáveis.
Hoje, são conhecidos 118 elementos químicos, 92 são encontrados na natureza, e os outros são produzidos artificialmente.

2. Representação convencional:

Representação dentro da tabela periódica:

Os elementos químicos são representados por meio de uma sigla, na qual a letra inicial é maiúscula e que pode vir
acompanhada de uma ou duas letras minúsculas. 
A sigla do nome do elemento pode fazer referência a diversos aspectos, como o nome do elemento em latim, o nome do
elemento em outra língua, o nome do descobridor, homenagem a um cientista, local da descoberta etc. Veja alguns exemplos:

HELP VESTIBULARES 319


INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA QUÍMICA
Berílio - Sigla Be, que vem do grego Beryllos;
Boro - Sigla B, que vem do seu nome em árabe (buraq) e em persa (burah);
Cobalto - Sigla Co, que vem do alemão kobalt ou kobold (espírito maligno ou demônio das minas). Recebeu esse nome por
causa da sua toxidade;
Sódio - Sigla Na, que vem do latim Natrium;
Estrôncio - Sigla Sr, em homenagem a uma vila escocesa denominada de Strotian;
Lítio - Sigla Li, que vem do grego Lithos (pedra);
Magnésio - Sigla Mg, chamado em grego de Magnésia em referência à região de Tessália;
Roentgênio - Sigla Rg, uma homenagem ao cientista Wilhelm Conrad Roentgen, que descobriu o raio X;
Califórnio - Sigla Cf, nome em homenagem à Universidade da Califórnia, onde ele foi sintetizado.

#ExemploComentado

1. (UEL) Diariamente, milhões de toneladas de lixo são lançados no ambiente. Aos poucos, após a década de 1950, o lixo
passou a ser sinônimo de energia, matéria-prima e solução. Processos alternativos, como a reciclagem, por exemplo, reduzem
o lixo e atuam nos processos produtivos, economizam energia, água e matéria-prima. A coleta seletiva é a maior aliada no
reaproveitamento dos resíduos.
Com base nos conhecimentos sobre reciclagem, atribua V (verdadeiro) ou F (falso) às afirmativas a seguir.
( ) O alumínio e o vidro mantêm suas características praticamente inalteradas ao serem reciclados.
( ) O vidro é o único material que permite uma junção de cores recicláveis, tendo uma reciclagem finita ao longo do tempo.
( ) A reciclagem busca a redução dos custos de fabricação de alguns produtos, sobretudo em função do menor desperdício
de energia.
( ) O volume de matéria-prima recuperado atualmente pela reciclagem encontra-se acima da necessidade da indústria.
( ) A reciclagem é uma forma de reintroduzir o lixo no processo industrial, retirando os resíduos do fluxo terminal.
Assinale a alternativa que contém, de cima para baixo, a sequência correta.
a) V, V, F, V, F.
b) V, F, V, F, V.
c) V, F, F, F, V.
d) F, V, F, V, F.
e) F, F, V, V, V.

2. (UEPG 2015) Com base na tabela abaixo, que apresenta a temperatura de fusão e ebulição de algumas substâncias a 1 atm,
analise as informações apresentadas e assinale o que for correto.

Substância Temperatura de fusão (0ºC) Temperatura de ebulição (0ºC)


água 0 100
cloro - 101 - 35
oxigênio - 218 - 183
ácido sulfúrico 10 338
01) À temperatura ambiente, todas as substâncias são líquidas.
02) Na temperatura de 150ºC apenas o ácido sulfúrico é líquido.
04) Numa mesma temperatura em que se pode encontrar a água e o ácido sulfúrico no estado sólido já se pode encontrar o
cloro e o oxigênio no estado gasoso.
08) A temperatura de ebulição dos gases cloro e oxigênio tende a aumentar em altitudes elevadas.

3. (UNICAMP 2018) Icebergs flutuam na água do mar, assim como o gelo em um copo com água potável. Imagine a
situação inicial de um copo com água e gelo, em equilíbrio térmico à temperatura de 0ºC. Com o passar do tempo o gelo vai
derretendo. Enquanto houver gelo, a temperatura do sistema:
a) permanece constante, mas o volume do sistema aumenta.
b) permanece constante, mas o volume do sistema diminui.
c) diminui e o volume do sistema aumenta.
d) diminui, assim como o volume do sistema.

320 HELP VESTIBULARES


INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA QUÍMICA
4. (UNICAMP 2018) Com a crise hídrica de 2015 no Brasil, foi necessário ligar as usinas termoelétricas para a geração de
eletricidade, medida que fez elevar o custo da energia para os brasileiros. O governo passou então a adotar bandeiras de cores
diferentes na conta de luz para alertar a população. A bandeira vermelha indicaria que a energia estaria mais cara. O esquema
a seguir representa um determinado tipo de usina termoelétrica.

Conforme o esquema apresentado, no funcionamento da usina há:


a) duas transformações químicas, uma transformação física e não mais que três tipos de energia.
b) uma transformação química, uma transformação física e não mais que dois tipos de energia.
c) duas transformações químicas, duas transformações físicas e pelo menos dois tipos de energia.
d) uma transformação química, duas transformações físicas e pelo menos três tipos de energia.

4. D
3. B
2. 06 (02,04)
1. B
Gabarito:

HELP VESTIBULARES 321


SUBSTÂNCIA PURA E MISTURA
I. Substância Pura e Misturas

Substâncias: possui todas as propriedades definidas, determinadas e praticamente invariáveis nas mesmas condições de
temperatura e pressão. Ou seja, é determinada por um conjunto de propriedades próprias. Exemplo: água destilada (elevado
teor de pureza), oxigênio, gás carbônico, cloreto de sódio, mercúrio, ferro, etc.
Substâncias puras simples: que são formadas pela combinação de átomos de um único elemento químico, como por
exemplo o gás hidrogênio formado por dois átomos de hidrogênio ligados entre si; o ozônio formado por três átomos de
oxigênio.

 
Substâncias puras compostas: que são formadas pela combinação de átomos de dois ou mais elementos químicos
diferentes, como por exemplo a água formada por dois átomos de hidrogênio e um átomo de oxigênio; ácido clorídrico (nome
comercial ácido de muriático) formado por um átomo de hidrogênio e um átomo de cloro.

Mistura: quando o material não possui todas as propriedades definidas e bem determinadas, ou quando as propriedades de
um material variam mesmo com as condições de temperatura e pressão mantidas constantes. Exemplos: aço (liga formada de
carbono e ferro), petróleo, madeira, granito (quartzo, mica e feldspato), ar (78% N2; 21% O2; 1% outros gases).
Mistura Eutética: Temperatura de fusão é constante e temperatura de ebulição varia.
Mistura Azeotrópica: Temperatura de fusão varia e temperatura de ebulição é constante.

1. Análise gráfica:

Substância pura (ponto de fusão e ponto de ebulição constantes).

Mistura é uma espécie de matéria que apresenta variação na temperatura durante a fusão ou ebulição.

Alotropia: é a propriedade que alguns elementos químicos têm de formar uma ou mais substâncias simples diferentes.
Pertencem ao mesmo elemento químico.

322 HELP VESTIBULARES


SUBSTÂNCIA PURA E MISTURA
São alótropos: carbono, oxigênio, fósforo e enxofre.

O carbono possui dois alótropos: o diamante e o grafite. A principal diferença está no arranjo cristalino dos átomos
de carbono.
O oxigênio tem dois alótropos, formando duas substâncias simples: o gás oxigênio (O2) e o gás ozônio (O3). 
O fósforo tem duas formas alotrópicas principais: o fósforo branco e o fósforo vermelho.
O enxofre possui dois alótropos principais: o enxofre ortorrômbico ou rômbico e o enxofre monocíclico.

Fase:  aparência, aspecto visual.


Mistura homogênea: mistura de substâncias que apresenta somente uma fase. Não se consegue diferencias a substância.
Exemplos: água + sal, água + álcool, água + açúcar, água + sais minerais.
Mistura heterogênea: mistura de substâncias que apresenta duas ou mais fases. As substâncias podem ser diferenciadas
a olho nu ou pelo microscópio. Exemplos: água + óleo, granito, água + areia + óleo.

1. (FUVEST 2018) Considere as figuras pelas quais são representados diferentes sistemas contendo determinadas substâncias
químicas. Nas figuras, cada círculo representa um átomo, e círculos de tamanhos diferentes representam elementos químicos
diferentes.

A respeito dessas representações, é correto afirmar que os sistemas:


a) 3, 4 e 5 representam misturas.
b) 1, 2 e 5 representam substâncias puras.
c) 2 e 5 representam, respectivamente, uma substância molecular e uma mistura de gases nobres.
d) 6 e 4 representam, respectivamente, uma substância molecular gasosa e uma substância simples.
e) 1 e 5 representam substâncias simples puras.

2. (UEL) Das alternativas abaixo, a que constitui exemplo de substâncias simples é:


a) H2O, O2, H2
b) N2, O3, O2
c) CH4, H2O, H2
d) H2O2, CH4, N2
e) P4, S8, H2S

HELP VESTIBULARES 323


SUBSTÂNCIA PURA E MISTURA
3. (UNESP 2018) A alpaca é uma liga metálica constituída por cobre (61%), zinco (20%) e níquel (19%). Essa liga é
conhecida como “metal branco” ou “liga branca”, razão pela qual muitas pessoas a confundem com a prata. A tabela fornece
as densidades dos metais citados.

Metal Densidade (g/cm3)


Ag 10,5
Cu 8,9
Ni 8,9
Zn 7,1

a) A alpaca é uma mistura homogênea ou heterogênea? Que característica da estrutura metálica explica o fato de essa liga ser
condutora de corrente elétrica?

b) A determinação da densidade pode ser utilizada para se saber se um anel é de prata ou de alpaca? Justifique sua resposta
apenas por meio da comparação de valores, sem recorrer a cálculos.

4. (UEM) Os gráficos I e II representam a variação de temperatura de dois sistemas distintos em função do tempo de


aquecimento, mostrando as temperaturas em que ocorrem as transições de fases.

Pela análise desses gráficos, é correto afirmar que:


01) Para temperaturas inferiores a T1, podem coexistir duas fases em ambos os sistemas;
02) No sistema II existe uma fase sólida, no ponto A, à temperatura T1, enquanto no ponto B existe uma fase líquida à
mesma temperatura;
04) No sistema II só ocorrem duas fases às temperaturas T1 e T2;
16) No ponto B, no ponto C e entre ambos, no sistema II, existe uma única fase líquida;
32) Acima do ponto D há uma única fase vapor em aquecimento me ambos os sistemas.

4. 54 (02,04,16,32)
que a determinação da densidade pode ser utilizada para se saber se um anel é de prata ou de alpaca.
menor do que a densidade da prata (10,5 g/cm3) e os outros metais não apresentam densidade superior a 8,9 g/cm3, conclui-se
b) Sim. Justificativa: o cobre é o metal em maior porcentagem presente na alpaca 61% como sua densidade (8,9 g/cm3) é
ligação metálica.
o fato de essa liga ser condutora de corrente elétrica é a existências de elétrons livres dentro da rede cristalina, ou seja, ocorre
a) A alpaca é uma mistura homogênea, pois pode formar uma liga eutética. A característica da estrutura metálica que explica
2. B
1. C
Gabarito:

324 HELP VESTIBULARES


BALANCEAMENTO DE EQUAÇÕES
I. Balanceamento de Equações

Segundo o cientista francês, Antoine Laurent Lavoisier, em uma reação química: “A soma das massas das substâncias
reagentes é igual à soma das massas dos produtos da reação.” Esse enunciado é conhecido como Lei de Lavoisier ou Lei da
Conservação das Massas. Para que uma reação química esteja de acordo com a Lei de Lavoisier, os números de átomos dos
elementos devem ser iguais nos dois membros da equação, ou seja, a equação deve estar corretamente balanceada.
Exemplo de um balanceamento - Equação da Fotossíntese:

A fotossíntese é o processo através do qual as plantas, e alguns outros organismos transformam energia luminosa em
energia química processando o dióxido de carbono (CO2), água (H2O) e minerais em compostos orgânicos e produzindo
oxigênio gasoso (O2). A equação geral do processo:

12 H20 + 6 CO2 → C6H12O6 + 6 H20 + 6 O2

Quando um vegetal clorofilado realiza fotossíntese, para cada 6 moléculas de gás carbônico que reagem, são necessárias
6 moléculas de água para produzirem 1 molécula de glicose e 6 de oxigênio. Se um dos coeficientes da equação for multiplicado
por um número, todos os coeficientes dessa equação deverão ser multiplicados pelo mesmo número. Verifique o número de
átomos, de cada elemento no 1º e 2º membros da equação acima:

C: 6 átomos no 1º membro e 6 átomos no 2º membro.


O: 24 átomos no 1º membro e 24 átomos no 2º membro.
H: 24 átomos no 1º membro e 24 átomos no 2º membro.

Isto significa que a equação acima está corretamente balanceada, ou seja, os seus coeficientes estão ajustados. Para
contar o número de átomos de cada elemento, deve-se multiplicar o coeficiente pelo correspondente índice (número que fica
abaixo e à direita do símbolo). Se o elemento aparece em mais de uma substância do mesmo membro, seus átomos devem
ser somados.

O recurso que utilizamos para realizar o balanceamento de uma equação química é a utilização de números


inteiros, denominados de coeficientes, posicionados sempre à esquerda da fórmula da substância, seja ela do produto, seja do
reagente. Convencionalmente, sempre utilizamos os menores números inteiros possíveis. Veja a representação a seguir:

aA + bB → cC

As letras a, b e c representam os números (coeficientes) que tornam a equação balanceada.

Exemplo de equação balanceada:  C + O2 → CO2


Exemplo de equação química não balanceada:  H2 + O2 → H2O
.

HELP VESTIBULARES 325


BALANCEAMENTO DE EQUAÇÕES

Observe que na 1ª equação há um carbono e no reagente e um carbono no produto. Também há dois oxigênios no
reagente e dois no produto. A equação está corretamente balanceada.
Na 2ª equação, há dois hidrogênios no reagente e dois hidrogênios no produto, porém há dois oxigênios no reagente
e apenas um no produto. Então, deve-se balancear esta equação.
Quando o coeficiente for 1, ele não precisa ser escrito. 

- Método das Tentativas / Acerto de Coeficientes

O método das tentativas baseia-se em três princípios e o primeiro deles é a atribuição de um coeficiente inicial ao
elemento que aparece apenas uma vez ou ao radical.
O segundo princípio é dar preferência ao elemento com maior número de átomos, caso apareça mais de um elemento
ao mesmo tempo. O terceiro princípio é prosseguir com os radicais ou com os elementos, fazendo a transposição dos índices
entre os membros, fazendo uso deles como coeficientes até o final do processo de balanceamento.
A equação H2 + O2 → H2O balanceada ficaria: 2 H2 + O2 → 2 H2O, bastando-se colocar o 2 à frente do H2, além de
outro 2 à frente do H2O. Dessa forma, o reagente fica com 4 hidrogênios e 2 oxigênios, sendo que o produto também fica
com a mesma quantidade. O 2 acrescentado no balanceamento é o coeficiente.

Para facilitar, podemos começar acertando os metais. Em seguida os não-metais, depois oxigênio e por último o
hidrogênio. É importante fazer a conferência e descobrir se o balanceamento foi feito de modo correto, observando se o
número de elementos nos membros está igual.

Nesta ordem:
1º) Metais
2º) Não-Metais
3º) Oxigênio
4º) Hidrogênio

Exemplos de balanceamento:

a) Na2CO3 + HCl → NaCl + H2O + CO2


A maior fórmula é o Na2CO3 por ter seis átomos. Por isso, ela recebe o coeficiente 1.
1 Na2CO3 + HCl → NaCl + H2O + CO2
Analisando a equação, percebemos que ela apresenta dois átomos de sódio (multiplicamos a quantidade 2 da fórmula pelo
coeficiente). Assim, vamos até a fórmula em que o sódio aparece no produto (NaCl) e colocamos o coeficiente 2, haja vista
que 2 vezes o número de átomos na fórmula igualará a quantidade de átomos de sódio no reagente e no produto.
1 Na2CO3 + HCl → 2 NaCl + H2O + CO2
Ainda analisando a primeira fórmula, vemos que ela tem um átomo de carbono, que é exatamente a quantidade de carbono
na fórmula do produto. Assim, a fórmula do produto recebe o coeficiente 1.
1 Na2CO3 + HCl → 2 NaCl + H2O + 1 CO2
Nessa reação, temos oxigênio no reagente apenas na fórmula em que foi iniciado o balanceamento. Nessa fórmula, há
3 oxigênios (vezes 1 do coeficiente). Por isso, nesse exemplo, podemos trabalhar com o oxigênio antes de terminar o
balanceamento. Como no produto temos 2 oxigênios no CO2 e 1 no H2O, o H2O deverá receber obrigatoriamente o

326 HELP VESTIBULARES


BALANCEAMENTO DE EQUAÇÕES
coeficiente 1.
1 Na2CO3 + HCl → 2 NaCl + 1 H2O + 1 CO2
Para finalizar, vamos colocar o coeficiente 2 na frente do HCl para igualar as quantidades nos produtos e reagentes.
1 Na2CO3 + 2 HCl → 2 NaCl + 1 H2O + 1 CO2

b) Fe2(CO3)3 + H2SO4 → Fe2(SO4)3 + H2O + CO2


A maior fórmula é o Fe2(CO3)3 por ter 14 átomos. Por isso, ela recebe o coeficiente 1.
1 Fe2(CO3)3 + H2SO4 → Fe2(SO4)3 + H2O + CO2
Como há dois átomos de ferro (2.1), na fórmula em que há o ferro no produto, colocamos o coeficiente 1, pois nela já existem
dois átomos desse elemento.
1 Fe2(CO3)3 + H2SO4 → 1 Fe2(SO4)3 + H2O + CO2
Retornando à fórmula inicial, vemos que ela possui três átomos de carbono (3.1.1, respectivamente 3 dos parênteses, 1 da
fórmula e 1 do coeficiente). Assim, na fórmula em que há o carbono no produto, colocamos o coeficiente 3, pois nela há
apenas 1 átomo de carbono.
1 Fe2(CO3)3 + H2SO4 → 1 Fe2(SO4)3 + H2O + 3 CO2
O próximo a ser observado é o enxofre (S), pois o oxigênio aparece em várias fórmulas, e a fórmula em que o enxofre está no
produto já recebeu o coeficiente 1. Nessa fórmula, observamos que existem três átomos de enxofre (3.1.1, respectivamente
3 dos parênteses, 1 da fórmula e 1 do coeficiente), assim, na fórmula em que esse elemento está no reagente, colocamos o
coeficiente 3.
1 Fe2(CO3)3 + 3 H2SO4 → 1 Fe2(SO4)3 + H2O + 3 CO2
Para finalizar, basta colocar o coeficiente 3 no H2O para que a quantidade de hidrogênio se iguale com a do reagente (seis
átomos - 3.2).
1 Fe2(CO3)3 + 3 H2SO4 → 1 Fe2(SO4)3 + 3 H2O + 3 CO2
Observação: Se o coeficiente 1 não for o ideal para iniciar o balanceamento, poderá ser utilizado qualquer outro número. Vale
ressaltar que números fracionários também podem ser utilizados como coeficientes caso haja necessidade.

1. (FEI) Uma característica essencial dos fertilizantes é a sua solubilidade em água. Por isso, a indústria de fertilizantes
transforma o fosfato de cálcio, cuja solubilidade em água é muito reduzida, num composto muito mais solúvel, que é o
superfosfato de cálcio. Representa-se esse processo pela equação:
Cax(PO4)2 + y H2SO4 → Ca(H2PO4)z + 2 CaSO4 onde os valores de x, y e z são, respectivamente:
a) 4, 2 e 2
b) 3, 6 e 3
c) 2, 2 e 2
d) 5, 2 e 3
e) 3, 2 e 2

2. (MACK)

Supondo que os círculos vazio e cheio, respectivamente, signifiquem átomos diferentes, então o esquema anterior representará
uma reação química balanceada se substituirmos as letras X, Y e W, respectivamente, pelos valores:
a) 1, 2 e 3.
b) 1, 2 e 2.
c) 2, 1 e 3.
d) 3, 1 e 2.
e) 3, 2 e 2.

HELP VESTIBULARES 327


BALANCEAMENTO DE EQUAÇÕES
3. (UEL) Na equação química que representa a transformação de oxigênio diatômico em ozônio, quando o coeficiente
estequiométrico do oxigênio diatômico é 1, o do ozônio é:
a) 1/2
b) 2/3
c) 1
d) 3/2
e) 2

4. (FUVEST) Na equação x Fe2O3 + 3 CO → y CO2 + 2 Fe, a soma dos coeficientes x e y que tornam a equação corretamente
balanceada é:
a) 5
b) 3
c) 7
d) 2
e) 4

5. (UEL) Considere a reação de combustão completa do hidrogênio gasoso, balanceada em menores números inteiros.
Comparando-se os reagentes com o produto da reação, pode-se dizer que eles apresentam igual:
I) número total de moléculas;
II) número total de átomos;
III) massa.

Dessas afirmações,
a) apenas I e correta.
b) apenas II e correta.
c) apenas I e II são corretas.
d) apenas I e III são corretas.
e) apenas II e III são corretas.

5. E
4. E
3. B
2. D
1. E
Gabarito:

328 HELP VESTIBULARES


SEPARAÇÃO DE MISTURAS HOMOGÊNEAS
I. Separação de Misturas Homogêneas

Um dos interesses dos químicos é estudar as propriedades das substâncias puras e como na maioria das vezes essas
substâncias se apresentam misturadas é essencial conhecer os principais métodos de separação. Para escolher o método de
separação de misturas adequado é importante você conhecer um pouco da sua mistura, como por exemplo, se ela é heterogênea
(mistura com duas ou mais fases) ou homogênea (mistura com apenas uma fase). Nessa primeira parte abordaremos as
principais técnicas de separação de misturas homogêneas.

1. Destilação:

Provavelmente a técnica mais utilizada em laboratórios para separar misturas. Baseia-se na diferença de pontos de
ebulição dos componentes. A destilação pode ser simples ou fracionada.

2. Destilação Simples (sólido mais líquido):

Separa uma mistura homogênea de sólido com líquido, ou seja, quando o sólido encontra-se dissolvido na fase líquida.
A amostra é aquecida em um balão de destilação onde começa a entrar em ebulição formando vapor (Figura 1). A substância
com menor ponto de ebulição da mistura irá vaporizar primeiro. Conectado ao balão está o condensador, por onde o vapor
passará e voltará ao estado líquido. Aqui ocorre um abaixamento de temperatura promovido pela passagem contínua de água
nas laterais do condensador. Após a passagem pelo condensador, o líquido é recolhido em um recipiente apropriado e passará
a se chamar destilado. Ao término da destilação, a parte sólida restará no balão de destilação.

Figura 1 – Destilação simples

3. Destilação Fracionada (líquido mais líquido) – exceto para mistura azeotrópica:

Na destilação fracionada o balão de destilação está conectado a uma coluna de fracionamento e esta, por sua vez, está
conectada ao condensador (Figura 2). No condensador o vapor se liquefaz e escoará para o recipiente onde será recolhido.
A coluna de fracionamento possui dentro dela inúmeras barreiras físicas, “dificultando” a passagem do vapor, que vai sendo
purificado à medida que passa pela coluna. Quanto maior a coluna, maior a possibilidade de separação dos componentes da
mistura. Por esse processo podemos separar dois ou mais líquidos.
O uso mais emblemático desse processo é a separação dos derivados de petróleo (gasolina, querosene, óleo diesel, etc.).

HELP VESTIBULARES 329


SEPARAÇÃO DE MISTURAS HOMOGÊNEAS

Figura 2 – Destilação fracionada

4. Fusão Fracionada (sólido mais sólido) – exceto mistura eutética:

Evaporação:

Caracterizado como um processo lento, onde se separa uma fase sólida que está dissolvida na fase líquida. Processo
clássico de obtenção do sal de cozinha proveniente da água do mar. A água do mar é represada nas salinas, onde é evaporada
naturalmente pela ação dos ventos e aquecimento solar.
Acabamos de ver os métodos mais comuns para separação de misturas, mas é importante lembrar que, em alguns casos,
é necessário utilizar mais de um método de separação para se obter uma substância.
Além disso, para certas misturas, podemos usar diferentes técnicas e chegar a um mesmo resultado. Por exemplo, para
a separação de sal de cozinha (cloreto de sódio) dissolvido em água, podemos usar a evaporação ou a destilação.
Para a escolha adequada é necessário avaliar o tempo disponível, o custo envolvido e a disponibilidade de aparelhagem
e reagentes.

As principais frações do Petróleo:


O petróleo, após ser extraído da natureza, é transportado para as refinarias e começa a ser fracionado através de
aquecimento em tanques apropriados dando origem a vários subprodutos, esse processo é denominado de destilação
fracionada.
Os derivados do petróleo são hidrocarbonetos (compostos por átomos de carbono e hidrogênio), sendo os mais leves
formados por pequenas moléculas, como, por exemplo, o etano (C2H6), e os mais pesados contendo até 70 átomos de
carbono. A destilação acontece justamente por essa diferença de tamanho das moléculas, quanto menor a molécula de
hidrocarboneto, menor é a sua densidade e temperatura de evaporação.
Através do quadro abaixo é possível ter uma ideia do que é o destilamento do petróleo, e como os diferentes subprodutos
vão sendo obtidos a partir do aumento de temperatura.
A primeira fração do petróleo também chamada de fração gasosa do petróleo temos:

- Metano (CH4) também chamado de gás natural e Etano (C2H6) os dois são componentes do G.N.V (Gás Natural Veicular)
- Propano (C3H8) e Butano (C4H10) são componentes do G.L.P. (Gás Liquefeito de Petróleo) - dá origem ao gás de cozinha.

A segunda fração do petróleo teremos os seguintes compostos:


- Éter de petróleo que são os pentanos (C5H12) e hexanos (C6H14)
- Gasolina que é uma mistura de alcanos de C6 a C10 - usada como combustível de motores automotivos.
- Querosene C8 a C14 - combustível próprio para aviões.
- Óleo Diesel C10 a C25 - combustível de ônibus, caminhões, tratores.
- Óleo Lubrificante C15 a C40 - aplicado em máquinas e peças para aumentar a vida útil desses equipamentos.

330 HELP VESTIBULARES


SEPARAÇÃO DE MISTURAS HOMOGÊNEAS
A última fração também chamada de fração sólida e mais pesada do petróleo:
• Piche
• Parafina
• Asfalto - apresenta aspecto denso, é usado na pavimentação de ruas e estradas.

Craqueamento do Petróleo (consiste em dividir, também chamado de fracionar) uma molécula de petróleo em
moléculas menores).
O primeiro passo para o refino do petróleo é realizar a dessalinização, que visa tratar o composto bruto com o objetivo
de remover sais corrosivos, metais e partículas sólidas em suspensão. Em seguida, o petróleo passa pelo processo de destilação
atmosférica, que separa as frações mais leves das frações pesadas através da diferença de pontos de ebulição, este processo
ocorre em torres de destilação e os produtos obtidos nessa etapa são: Butano e inferiores, Gasolina, Naftas, Querosene,
Gasóleo Leve e Pesado e resíduo asfáltico. Em seguida o resíduo passa pela destilação a vácuo em baixas pressões, separando
as frações de diesel e gasóleo. O resíduo deste processo é composto pela fração pesada, basicamente hidrocarbonetos de alta
massa molecular e impurezas, e esse resíduo será enviado para produção de óleo combustível pesado e asfalto.

HELP VESTIBULARES 331


BATERIA DE QUESTÕES
I. Bateria de questões

1. (Fuvest 2018) Uma determinada quantidade de metano (CH4 ) é colocada para reagir com cloro (C 2 ) em excesso,
a 400 °C, gerando HC (g) e os compostos organoclorados H3CC, H2CC 2 , HCC 3 , CC 4 , cujas propriedades são
mostradas na tabela. A mistura obtida ao final das reações químicas é então resfriada a 25 °C, e o líquido, formado por uma
única fase e sem HC, é coletado.

Ponto de ebulição Solubilidade em água Densidade do líquido


Composto Ponto de fusão (°C) (°C) a 25 °C (g L) a 25 °C (g mL)
H3 CC −97,4 −23,8 5,3 -
H2CC 2 −96,7 39,6 17,5 1,327
HCC 3 −63,5 61,2 8,1 1,489
CC 4 −22,9 76,7 0,8 1,587

A melhor técnica de separação dos organoclorados presentes na fase líquida e o primeiro composto a ser separado por essa
técnica são:
a) decantação; H3CC.
b) destilação fracionada; CC 4 .
c) cristalização; HCC 3 .
d) destilação fracionada; H2CC 2 .
e) decantação; CC 4 .

2. (UEL) A destilação fracionada, como a usada na separação de frações do petróleo, é um método utilizado para separar
misturas .......... de líquidos com diferentes pontos de .........., NÃO sendo indicado para separar misturas .......... .
Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas.
a) heterogêneas - fusão - eutéticas
b) homogenêas - fusão - azeotrópicas
c) heterogêneas - ebulição - eutéticas
d) heterogêneas - fusão - azeotrópicas
e) homogêneas - ebulição - azeotrópicas

3. (PUC) A aguardente é uma bebida alcoólica obtida da cana-de-açúcar. A charge abaixo poderia transmitir a ideia de que
se trata de uma substância pura.

332 HELP VESTIBULARES


BATERIA DE QUESTÕES
Na realidade, ela não é uma substância pura, mas sim uma mistura homogênea.
Isso pode ser comprovado pelo seguinte processo físico de separação:
a) filtração
b) destilação
c) decantação
d) centrifugação

4. (UEL) Em uma destilação simples, para resfriar os vapores formados por um líquido em ebulição, utiliza-se:
a) proveta.
b) balão volumétrico.
c) cilindro graduado.
d) frasco kitassato.
e) condensador de vidro.

5. (FEI) Associar os métodos (indicados na coluna A) que devem ser utilizados para separar as misturas (indicadas na coluna
B):

a) 1 - IV; 2 - III; 3 - V; 4 - II; 5 - I


b) 1 - III; 2 - IV; 3 - V; 4 - I; 5 - II
c) 1 - I; 2 - V; 3 - III; 4 - II; 5 - IV
d) 1 - II; 2 - IV; 3 - III; 4 - V; 5 - I
e) 1 - III; 2 - IV; 3 - V; 4 - II; 5 - I

6. (UEL) Para separar uma mistura de dois líquidos completamente miscíveis, qual dos processos a seguir, você escolheria?
a) filtração
b) levigação
c) centrifugação
d) catação
e) destilação

7. (ENEM 2018) O petróleo é urna fonte de energia de baixo custo e de larga utilização como matéria-prima para uma grande
variedade de produtos. É um óleo formado de várias substâncias de origem orgânica, em sua maioria hidrocarbonetos de
diferentes massas molares. São utilizadas técnicas de separação para obtenção dos componentes comercializáveis do petróleo.
Além disso, para aumentar a quantidade de frações comercializáveis, otimizando o produto de origem fóssil, utiliza-se o
processo de craqueamento. O que ocorre nesse processo?
a) Transformação das frações de petróleo em outras moléculas menores.
b) Reações de óxido-redução com transferência de elétrons entre as moléculas.
c) Solubilidade das frações de petróleo com a utilização de diferentes solventes.
d) Decantação das moléculas com diferentes massas molares pelo uso de centrífugas.
e) Separação dos diferentes componentes do petróleo em função de suas temperaturas de ebulição.
 

HELP VESTIBULARES 333


BATERIA DE QUESTÕES

7. A
6. E
5. B
4. E
3. B
2. E
1. D

Gabarito:

334 HELP VESTIBULARES


SEPARAÇÃO DE MISTURAS HETEROGÊNEAS
I. Separação de Misturas Heterogêneas

1. Filtração:

Usada para separar misturas sólido-líquido ou sólido-gás. No caso mais simples utilizamos um papel como filtro
onde as partículas sólidas ficam retidas e o líquido escoa. Para o tratamento da água canalizada que recebemos em casa, por
exemplo, essa água passa por filtro de areia, onde este retém partículas sólidas presentes na água.

2. Filtração à vácuo (sucção):

Em casos onde a filtração é muito lenta, ou seja, a parte líquida leva muito tempo para escoar, podemos acoplar uma
bomba de vácuo ao equipamento para acelerar o processo.

3. Decantação (sedimentação):

Pode ser usada para separar sólidos de líquidos ou líquidos imiscíveis entre si, como por exemplo, água e óleo. Para
a separação de um sólido e um líquido deixamos a mistura em repouso e por ação da gravidade o sólido irá se depositar
no fundo. Para retirar a parte líquida, podemos verter cuidadosamente o recipiente, para retirar a parte líquida, ou ainda,
podemos utilizar um sifão, no processo conhecido como sifonação.

4. Centrifugação:

Caso a decantação seja muito lenta, é possível acelerar o processo através do uso de uma centrífuga. Nesse processo,
as misturas são colocadas em tubos de ensaio que são encaixados na centrífuga. Esta gira rapidamente forçando a parte mais
densa da amostra a se depositar no fundo de recipiente. Através desse processo é possível separar uma amostra de sangue em
três fases: plasma; glóbulos brancos e plaquetas; glóbulos vermelhos.

HELP VESTIBULARES 335


SEPARAÇÃO DE MISTURAS HETEROGÊNEAS
5. Funil de separação:

Para separação de misturas entre dois líquidos imiscíveis, utilizamos uma vidraria chamada funil de separação ou funil
de decantação. O líquido mais denso ficará no fundo e para retirar o componente mais denso basta abrir a torneira do funil.

6. Dissolução fracionada:

Essa técnica separa uma mistura formada por dois sólidos, onde apenas um deles é solúvel em determinado solvente.
Por exemplo, se quisermos separar uma mistura de areia e sal de cozinha (cloreto de sódio), adicionamos água à mistura, onde
sabemos que o sal irá se dissolver e a areia não. Po