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DIREITO DA

INFORMÁTICA
AULA 1
SUMÁRIO:
Conceitos Introdutórios e
Síntese Evolutiva

Regente: dr. Sérgio Mavie


Maputo, 2018
O Direito como factor Humano
e Social
a) É humano porque implica necessariamente
o factor espiritual (sujeitável a regras de
conduta), e;

b) É social porque não se dirige ao homem


isolado: há uma ligação necessária e
constante entre Direito e sociedade, isto é,
ubi ius ibi societas (Ascenção, 2011);

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Ordem social e ordem da
natureza
À toda sociedade importa necessariamente a
ordem para a conjugação de vários
elementos, a demarcação das posições
relativas destes, para a obtenção de um fim
ou função comum – a ordem social (idem);
EXEMPLOS?

A ordem é uma realidade: não material, mas


nem por isso é menos um dado objectivo, é
resultado da observação sociológica.
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Ordem social e ordem da
natureza
Por outro lado, reconhece-se a ordem que
explica os fenómenos da natureza, através
de leis inalteráveis – como as da química, da
astronomia, da genética, da matemática,
entre outras – que não é da opção dos
membros do grupo animal. É a ordem da
natureza. EXEMPLOS?
A ordem da natureza caracteriza-se pela sua
inviolabilidade, e a social pela necessidade.
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Grupo e sociedade
Grupo: é um conjunto de pessoas que busca
uma finalidade/objectivo em comum através
da colaboração dos seus membros
integrando os respectivos contributos
individuais;
Sociedade: é um grupo estável e formal que
adopta um estatuto , um “regimento”, que
representa o suporte jurídico da sua
actuação.
É da sociedade que o Direito se ocupa. 5
Pergunta de reflexão
A turma do 5º ano de Engenharia Informática
em regime pós-laboral é grupo, sociedade ou
nenhum deles. Porquê?

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Natureza e Evolução do Direito
O Direito é um fenómeno Histórico;
No pré-capitalismo, o Direito tinha uma
ligação muito clara somente com questões
morais e questões religiosas, ou seja,
questões éticas;
Não havia separação entre normas morais
(ex. os 10 mandamentos) e normas jurídicas
(ex. Constituição da República)

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Natureza e Evolução do Direito
(Pré-capitalismo)
As relações são de vinculação directa de
senhores com seus explorados e dominados
com uso da força, guerra, instrumentos como
armas, portanto, com recurso a Actos de
força (e não acto jurídico) – Esclavagismo;
O Direito é incidental – questões jurídicas
não têm grande relevo/impacto e traduzem-
se em questões morais que muitas das
vezes legitimam o Senhorio, a Divindade.
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Natureza e Evolução do Direito
(Pré-capitalismo)
A vinculação é por vassalagem – as pessoas
sem meios de produção vinculam-se sem
vontade aos que detém os meios de
produção – Feudalismo.
O Senhor podia a um determinado momento
optar por não cumprir com o que tinha sido
combinado e nada lhe podia acontecer

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Natureza e Evolução do Direito
(Capitalismo)
O Direito surge especificamente na idade
contemporânea quando as sociedades se
estruturam no modo de produção capitalista
e se vinculam através de uma manifestação
jurídica – o contrato (declaração, obrigação,
autonomia de vontade, sujeito de direito,
propriedade, etc.) sujeito ao
reconhecimento do Estado

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Natureza e Evolução do Direito
(Pré-capitalismo)
Para além disso, o capitalismo faz com que
tudo seja mercadoria, incluindo a força de
trabalho, e qualquer vinculação é de ponta a
ponta jurídica;
Portanto, o instrumento fundamental do
Direito é a subjectividade jurídica.
A subjectividade (relação entre pessoas –
sujeitos de direito) do Direito é o elemento
qualitativo do Direito.
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Ordem jurídica vs regra
jurídica
Ordem jurídica:
Visa a justiça e segurança da sociedade;
Pauta os aspectos mais importantes da
convivência social e exprime-se através de
regras jurídicas.
Tal como as ordens religiosa e moral (TPC),
é caracterizada pela imperatividade.
As suas regras exprimem um dever ser que
nada tem de condicional.
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Ordem jurídica e regra jurídica
Regra jurídica:
Distingue-se sempre por dois elementos:
Previsão (ou antecedente, ou factispécie); e
Estatuição (ou consequente);
Em toda a regra jurídica prevê-se um
acontecimento ou estado de coisas e se
estatuem consequência jurídicas para o caso
de a previsão se verificar no futuro.
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Ordem jurídica e regra jurídica
Regra jurídica:
A estatuição é o efeito jurídico (por exemplo,
a obrigação de indemnizar) que a norma
associa à verificação da factispécie (por
exemplo, a danificação de coisa alheia).

Mais exemplos de regras jurídicas?

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Direito e ordem jurídica
Direito e Ordem jurídica se confundem na
prática, ambos representam mais que
simples agregados de regras, mas sim um
complexo destas, uma unidade global.

Atenção: Segundo Ascensão (2011:48),“não


é por o Direito se traduzir por regras que
podemos permitir que uma visão dispersa
faça perder o sentido do conjunto”.
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Direito e ordem jurídica
Elementos que compõem o tecido que é a
ordem jurídica global de uma sociedade:

As instituições

Ordem jurídica
Os órgãos

[Direito]
As fontes do Direito
A vida jurídica ou actividade jurídica
As situações jurídicas
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Fonte: Elaboração própria adaptado de Ascensão (2011:49).
Direito e ordem jurídica
De acordo com Ascensão(2011:49), Direito
pode se referir:

A própria ordem jurídica; pois, o Direito é


necessariamente sistema ou ordem; ou

A expressão, justamente através das regras,


da ordem jurídica; ou seja, o complexo
normativo que exprime a ordem jurídica total.

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Direito
Direito é:
um sistema de disciplina social fundado na
natureza humana que, estabelecendo as relações
entre os homens uma proporção de reciprocidade
nos poderes e deveres que lhes atribui, regula as
relações existenciais dos indivíduos e dos grupos
sociais e, em consequência, da sociedade,
mediante normas coercivamente impostas pelo
poder público (Rao, 1991, como citado em Filho,
2005).
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Direito
Direito é (Prof. Paulo citado por Anderson
Pinho):
“Um conjunto de normas de conduta
social coercivamente impostas pelo
Estado para realização da segurança (paz
social) segundo critérios de justiça”.

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Direito objectivo e direito
subjectivo
Direito Objectivo:

conjunto de imposições bilaterais,


genéricos, imperativos e coercíveis
que regulam, em determinado
momento e determinado lugar, as
relações da vida social carecidas de
tutela” (Telles, 2001:129).
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Direito objectivo e direito
subjectivo
Segundo Ascensão (2011), o direito
subjectivo:
refere-se necessariamente a um sujeito dado
para significar que ele goza de uma certa
posição favorável, enquanto Direito
objectivo refere-se a uma realidade
objectiva, dando a ideia de uma ordenação
social.

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Direito objectivo e direito
subjectivo
Por exemplo:
Pode dizer-se que toda a criança tem o
direito (subjectivo) de crescer sob os
cuidados dos seus pais porque assim
determina o Direito (objectivo) da Família, e
não se pode dizer que toda criança tem
Direito da Família, pois, não é algo que
dependa do indivíduo (isto é, não é
subjectivo).
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Direito (da) Informático(a)
Definição 1:
Segundo Oliveira (2003), Direito Informático
é um ramo autónomo do Direito cujo objecto
é o estudo dos efeitos que a utilização da
tecnologia e internet opera nas relações
sociais, comerciais e nos demais ramos do
Direito.

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Direito (da) Informático(a)
Definição 2:
Direito da Informática é a disciplina que
estuda as implicações e problemas jurídicos
surgidos com a utilização das modernas
tecnologias (Droit de L’Informatique, Derecho
de Informatica, Diritto dell’Informatica,
Computer Law, Ciber Law) (Castro, como
citado em Filho, 2005).

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Direito (da) Informático(a)
Definição 3 (Direito Electrónico):
Direito Electrónico é definido como sendo “o
conjunto de normas e conceitos doutrinários
destinados ao estudo e normalização de toda
e qualquer relação em que a informática seja
o factor primário, gerando direitos e deveres
secundários” (Filho, 2005).

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Direito (da) Informático(a)
Definição 4 (Direito Electrónico):
É um ramo de Direito de carácter
multidisciplinar (envolve várias áreas da
ciência jurídica e ciências auxiliares) que se
ocupa das transformações estruturais e
funcionais nas relações jurídicas
ocasionadas pelo uso das Tecnologias de
Informação e Comunicação.

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Direito (da) Informático(a)
Observações:
Almeida e Melo (2008) explicam que a
Informática, como técnica e como aparato,
transcende os aspectos meramente
privatistas inerentes a uma “indústria” ou
“mercado” em particular e abrange também
os aspectos de interesse público;
De outra parte, tal expressão evita a
designação de um “atributo” qualificador
estranho ao Direito. 27
Direito (da) Informático(a)
Observações:
Assim, apesar de haver quem defenda o
contrário, não parece tecnicamente mais
apropriado se referir a Direito Electrónico,
Direito Digital, e a outras denominações que,
em tese, se adequariam bem mais à
Informática Jurídica, eis que o Direito “da”
Informática não há de ser confundido com
Direito “Informático”.
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Evolução do Direito da
Informática
Em 1979:
A Convenção de Berna estabeleceu que os
programas de computadores são
equiparados a obras literárias e, por
conseguinte, recebem a tutela do Direito
Autoral.

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Evolução do Direito da
Informática
Em 1980:
A identidade do Direito da Informática foi
oficialmente reconhecida pela Comunidade
Europeia; e
Em 1983:
surge nos Estados Unidos um novo ramo do
direito o COMPUTER AND THE LAW como
pertencente ao desenvolvimento do Direito
Privado (o que pertence à utilidade das
pessoas). 30
Evolução do Direito da
Informática
Em 1992:
Houve recomendação expressa da
Comunidade Europeia para que fosse
ensinado como disciplina autónoma nas
Faculdades de Direito;
Em 1993:
a protecção do software pelo direito autoral
foi harmonizado pelos membros do Conselho
da Europa.
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Evolução do Direito da
Informática
A versão actual das directivas entre os estados
membros são as seguintes:
Classificação do software como trabalho
literário;
Definição de originalidade;
Estabelecimento de princípios iguais de
protecção de acordo com a convenção de
Berna; e
Permissão de confidencialidade em
determinadas circunstancias.
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Referências Bibliográficas
1. Ascensão, J. O. (2011). O Direito: Introdução e Teoria
Geral (13ª ed.). Coimbra: Edições Almeida, Sa.
2. Telles, I. G. (2001). Introdução ao Estudo do Direito
(10ª ed.). Coimbra: Coimbra Editora.
3. Filho, J. C. A. A. (2005). Direito Electrônico ou Direito
da Informática?.
4. Almeida, G. M. & Melo, L. C. (2008). Identidade e
Aplicação do Direito da Informática.
5. Oliveira, J. R. F.(2003). O Direito na Informática e sua
consolidação como um ramo autônomo do Direito.

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Muito obrigado!

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