Você está na página 1de 3

António Ramos Rosa Poetas contemporâneos

EDUCAÇÃOLITERÁRIA|GRAMÁTICA

1. Interpreta o sentido dos seguintes versos, de António Ramos Rosa:

A música começa / no deserto do não.

1.1. Com base na conceção de música apresentada, infere a forma como Ramos Rosa
concebe a origem da poesia.

2. Lê o poema.

Sílabas
Sílabas.
O álcool de dezembro é frio e rouco.
O cigarro amargo. É um cigarro clínico.
Sílabas.
5 Com sílabas se fazem versos.

O tampo da mesa é liso.


Uma colher é uma forma complexa
familiar e deliciosa.
Um copo é nítido
1 como um criado sem servilismo.
0
Uma mulher condensa-se
no olhar do poeta.
Um corpo. Duas sílabas.
O dinheiro à justa. A gola da gabardina
para tapar a nuca
1
5 e os ouvidos.
Sílabas.

ROSA, António Ramos, Op. cit., p. 32.

3. Indica se as afirmações são verdadeiras ou falsas, fundamentando as verdadeiras e corrigindo


as falsas.
a. De acordo com a primeira estrofe, a criação poética tem origem no pensamento.
b. O “álcool” (v. 2) e o “cigarro” (v. 3) adquirem um valor metafórico, remetendo para os vícios humanos
em geral.
c. Na segunda estrofe apresentam-se unidades que se vão juntando para criar um poema.
d. Por utilizar a linguagem denotativamente, o poema apresenta pouca eficácia sugestiva.
e. O poema apresenta uma estrutura circular.
f. Em termos formais, o poema caracteriza-se pelo versilibrismo.

ENC12DP © Porto Editora


António Ramos Rosa Poetas contemporâneos

LEITURA|GRAMÁTICA RETOMA

1. Lê o texto.

O poder da linguagem
Embora muitos animais possam articular sons, os seres humanos possuem
uma capacidade de vocalização única na natureza, faculdade que favoreceu o
desenvolvimento da nossa inteligência.
Há 160 mil anos, a seleção natural equipou-nos com um órgão fonético capaz
5
de produzir sons extremamente sofisticados. Embora muitas espécies comuniquem
entre si, a nossa foi provavelmente a única que o fez através de uma línguagem
que evolui em função das circunstâncias.
No início, os sons que formulávamos eram semelhantes aos emitidos por
gorilas e chimpanzés. Progressivamente, o nosso pescoço tornou-se mais
10 comprido e a laringe deslocou-se para baixo, o que trouxe um contratempo: já não
podíamos engolir os alimentos enquanto respirávamos, como fazem os bebés.
Contudo, passámos a conseguir controlar os músculos da laringe, a nossa caixa
de ressonância biológica, pelo que começámos a produzir sons articulados mais
complexos. Como indica Martin A. Nowak, professor de biologia e matemática
15 na Universidade de Harvard (Estados Unidos), no livro Supercolaboradores, “se
considerarmos as seis mil linguagens conhecidas, a nossa garganta consegue
emitir cerca de mil sons linguísticos”.

S.P. “O poder da linguagem” [Em linha]. Super Interessante, n.º 224, dezembro de 2016
[Consult. em 09-01-2017].

2. Classifica o texto quanto ao género textual, justificando a tua resposta.

3. Delimita e classifica as orações presentes nas seguintes frases:


a. “Embora muitas espécies comuniquem entre si, a nossa foi provavelmente a única que o fez através
de uma linguagem que evolui em função das circunstâncias.” (ll. 5-7);
b. “Progressivamente, o nosso pescoço tornou-se mais comprido e a laringe deslocou-se para baixo, o
que trouxe um contratempo” (ll. 9-10);
c. “se considerarmos as seis mil linguagens conhecidas, a nossa garganta consegue emitir cerca de
mil sons linguísticos” (ll. 15-17).

4. Identifica a função sintática desempenhada pelos seguintes constituintes:


a. “da linguagem” (título);
b. “que favoreceu o desenvolvimento da nossa inteligência” (ll. 2-3);
c. “de produzir sons extremamente sofisticados” (l. 5);
d. “extremamente sofisticados” (l. 5);
e. “aos emitidos por gorilas e chimpanzés” (ll. 8-9);
f. “os bebés” (ll. 11);
g. “da laringe” (l. 12);
h. “no livro Supercolaboradores” (l. 15).

ENC12DP © Porto Editora


António Ramos Rosa Poetas contemporâneos

SOLUÇÕES|SUGESTÕESMETODOLÓGICAS

“Sílabas” (p. 56)

Educação Literária
1. A música tem origem na inexistência/negatividade e no silêncio; o positivo (a música) emerge do espaço negativo
(ausência de som/silêncio).
1.1. Exemplo: A poesia tem origem na inexistência (ausência de palavras).

3. a. F – De acordo com a primeira estrofe, a criação poética tem origem nas sílabas/palavras. b. F – O “álcool” e o “cigarro”
adquirem um valor metafórico, sugerindo a boémia que pode ser associada ao processo de criação poética. c. V – Na
segunda estrofe apresentam-se e acumulam-se unidades que funcionam como matéria poética (“tampo da mesa”, “colher”,
“copo”, “mulher”, corpo”, “dinheiro à justa”, “gola da gabardina”). d. F – Por utilizar a linguagem conotativamente, com
sentido ambíguo, o poema apresenta elevada eficácia sugestiva. e. V – O poema apresenta uma estrutura circular, na
medida em que termina com a mesma palavra com que começa (“Sílabas”), sugerindo o terminar de um processo de
criação poética e indiciando o início de outro. f. V – O poema é composto por duas estrofes com diferentes números de
versos, por métrica irregular e pela ausência de um esquema rimático definido.

Leitura | Gramática

2. Artigo de divulgação científica: texto que apresenta um carácter expositivo, recorrendo a linguagem rigorosa e subjetiva e
explicitando as fontes (ll. 14-15).

3. a. “Embora muitas espécies comuniquem entre si” – oração subordinada adverbial concessiva; “a nossa foi
provavelmente a única” – oração subordinante; “que o fez através de uma linguagem” – oração subordinada adjetiva
relativa restritiva; “que evolui em função das circunstâncias” – oração subordinada adjetiva relativa restritiva. b.
“Progressivamente, o nosso pescoço tornou-se mais comprido” – oração coordenada; “e a laringe deslocou-se para baixo”
– oração coordenada copulativa; “o que trouxe um contratempo” – oração subordinada adjetiva relativa explicativa.
c. “se considerarmos as seis mil linguagens conhecidas” – oração subordinada adverbial condicional; “a nossa garganta
consegue” – oração subordinante; “emitir cerca de mil sons linguísticos” – oração subordinada substantiva completiva (não
finita infinitiva).

4. a. Complemento do nome. b. Modificador restritivo do nome. c. Complemento do adjetivo. d. Modificador restritivo do


nome. e. Complemento do adjetivo. f. Sujeito. g. Complemento do nome. h. Modificador (do grupo verbal).

ENC12DP © Porto Editora

Você também pode gostar