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Universidade do Sul de Santa Catarina

Fundamentos Econômicos
Disciplina na modalidade a distância

8ª edição revista

Palhoça
UnisulVirtual
2008

fundamentos_economicos.indb 1 20/2/2008 14:47:12


Créditos
Unisul - Universidade do Sul de Santa Catarina
UnisulVirtual - Educação Superior a Distância

Campus UnisulVirtual Coordenação dos Cursos Design Visual Monitoria e Suporte


Avenida dos Lagos, 41 Adriano Sérgio da Cunha Cristiano Neri Gonçalves Ribeiro Rafael da Cunha Lara (Coordenador)
Cidade Universitária Pedra Branca Aloísio José Rodrigues (Coordenador) Adriana Silveira
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Design Instrucional Viviane Schalata Martins
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Tecnologia
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Acessibilidade Logística de Materiais


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(Coordenador)
Avaliação da Aprendizagem José Carlos Teixeira
Márcia Loch (Coordenadora)
Karina da Silva Pedro
Sidneya Magaly Gaya

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Apresentação

Este livro didático corresponde à disciplina Fundamentos


Econômicos.

O material foi elaborado, visando a uma aprendizagem


autônoma. Aborda conteúdos especialmente selecionados e adota
linguagem que facilite seu estudo a distância.

Por falar em distância, isso não significa que você estará


sozinho(a). Não se esqueça de que sua caminhada nesta disciplina
também será acompanhada constantemente pelo Sistema
Tutorial da UnisulVirtual. Entre em contato, sempre que sentir
necessidade, seja por correio postal, fax, telefone, e-mail ou
Espaço UnisulVirtual de Aprendizagem. Nossa equipe terá o
maior prazer em atendê-lo(a), pois sua aprendizagem é nosso
principal objetivo.

Bom estudo e sucesso!

Equipe UnisulVirtual.

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André Luis da Silva Leite

Fundamentos Econômicos
Livro didático

Design instrucional
Dênia Falcão de Bittencourt

8ª edição revista

Palhoça
UnisulVirtual
2008

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Copyright © UnisulVirtual 2008
Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer meio sem a prévia autorização desta instituição.

Edição – Livro Didático


Professor Conteudista
André Luis da Silva Leite

Design Instrucional
Dênia Falcão

ISBN 978-85-7817-049-3

Projeto Gráfico e Capa


Equipe UnisulVirtual

Diagramação
Rafael Pessi
Edison Valim (8ª edição)

Revisão Ortográfica
B2B

330
L55 Leite, André Luis da Silva
Fundamentos econômicos : livro didático / André Luiz da Silva Leite;
design instrucional Denia Falcão de Bittencourt. – 8. ed. rev. e atual. –
Palhoça : UnisulVirtual, 2008.
170 p. : il. ; 28 cm.

Inclui bibliografia.
ISBN 978-85-7817-049-3

1.Economia. I. Bittencourt, Dênia Falcão de. II. Título.

Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Universitária da Unisul

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Sumário

Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 03
Palavras do professor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 09
Plano de estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11

UNIDADE 1 – Introdução à Economia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17


UNIDADE 2 – O sistema econômico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
UNIDADE 3 – Lei da demanda e lei da oferta . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
UNIDADE 4 – Equilíbrio de mercado: a lei da oferta e da demanda . . . . 55
UNIDADE 5 – A teoria da empresa: produção e custos . . . . . . . . . . . . . . . 63
UNIDADE 6 – A contabilidade nacional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 73
UNIDADE 7 – Consumo e poupança . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 89
UNIDADE 8 – O papel do governo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 99
UNIDADE 9 – A moeda e a inflação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 111
UNIDADE 10 – O sistema financeiro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 129
UNIDADE 11 – Comércio internacional e globalização . . . . . . . . . . . . . . 145

Para concluir o estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 159


Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 161
Sobre o professor conteudista . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 163
Respostas e comentários das atividades de auto-avaliação . . . . . . . . . . . . 165

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Palavras do professor

Bem vindo à disciplina de Fundamentos Econômicos.

O objetivo é que você assimile com sucesso os conceitos


introdutórios de Economia. Estes conceitos são muito
importantes para um futuro administrador, pois são, muitas
vezes, empregados nas decisões empresariais. São ferramentas
importantes para o administrador de empresas, uma vez que
diversos fenômenos relevantes nas áreas de marketing, finanças
e administração geral, entre outras, têm sua fundamentação na
teoria econômica.

Este livro didático foi preparado com o intuito de tornar o seu


primeiro contato com a ciência econômica simples e agradável.

Boa sorte!

Professor André Leite

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Plano de estudo

O plano de estudos visa orientá-lo/la no desenvolvimento da


Disciplina. Nele, você encontrará elementos que esclarecerão
o contexto da Disciplina e sugerirão formas de organizar o seu
tempo de estudos.

O processo de ensino e aprendizagem na UnisulVirtual leva


em conta instrumentos que se articulam e se complementam.
Assim, a construção de competências se dá sobre a articulação
de metodologias e por meio das diversas formas de ação/
mediação.

São elementos desse processo:

„ o livro didático;

„ o Espaço UnisulVirtual de Aprendizagem - EVA;

„ as atividades de avaliação (complementares, a distância


e presenciais).

Ementa
Conceitos básicos. Sistema econômico: estrutura e
funcionamento. Oferta e demanda: formação de preços
de mercado. Estruturas de mercado. Introdução a
macroeconomia: metas, instrumentos e contabilidade nacional.
Elementos de economia internacional.

Carga Horária
60 horas – 4 créditos

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Universidade do Sul de Santa Catarina

Objetivos
Desenvolver os conceitos introdutórios dos temas macro e
microeconômicos, dando ao estudante uma visão geral do sistema
econômico e seu funcionamento.

Conteúdo programático/objetivos
Os objetivos de cada unidade definem o conjunto de
conhecimentos que você deverá deter para o desenvolvimento de
habilidades e competências necessárias à sua formação. Neste
sentido, veja a seguir as unidades que compõem o Livro Didático
desta Disciplina, bem como os seus respectivos objetivos.

Unidades de estudo: 11

Unidade 1 – Introdução à Economia

„ Entender a razão do estudo da Economia;


„ Começar a conhecer o mundo das idéias econômicas.

Unidade 2 – O sistema econômico

„ Entender quem são os agentes econômicos;


„ Conhecer o modo simples de funcionamento da
Economia ou do sistema econômico.

Unidade 3 – Lei da demanda e lei da oferta

„ Compreender o conceito de demanda e examinar suas


implicações para uma empresa;
„ Entender o conceito de oferta, isto é, o mercado visto sob
o ponto de vista das empresas.

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Fundamentos Econômicos

Unidade 4 – Equilíbrio de mercado: a lei da oferta e da demanda

„ Entender a relação entre demanda e oferta;


„ Compreender o funcionamento do sistema de preços em
uma Economia de mercado.

Unidade 5 – A teoria da empresa: produção e custos

„ Compreender a teoria elementar da produção;


„ Entender a importância da análise de custos para tomada
de decisão.

Unidade 6 – A contabilidade nacional

„ Compreender como são formados: renda e produto de


uma nação;
„ Entender o significado dos conceitos: Renda Nacional e PIB.

Unidade 7 – Consumo e poupança

„ Entender a relação, no processo de formação da renda,


entre consumo e poupança.

Unidade 8 – O papel do governo

„ Entender o papel do governo ou do Estado em uma


Economia de mercado;
„ Conhecer os principais instrumentos que o governo
utiliza para intervir na Economia.

Unidade 9 – A moeda e a inflação

„ Entender a importância da moeda para o sistema


econômico como um todo;
„ Compreender o conceito de inflação;
„ Conhecer as principais causas de inflação.

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Universidade do Sul de Santa Catarina

Unidade 10 – O sistema financeiro

„ Conhecer o papel do Banco Central;


„ Compreender como são determinadas as taxas de juros,
ou seja, o valor do dinheiro;
„ Entender como funciona o Sistema Financeiro Nacional.

Unidade 11 – Comércio internacional e globalização

„ Entender porque os países promovem comércio entre si;


„ Identificar quais as principais barreiras ao livre comércio;
„ Compreender o papel que a taxa de câmbio desempenha
no comércio internacional;
„ Conhecer o que é globalização.

Agenda de atividades/ Cronograma


„ Verifique com atenção o EVA, organize-se para acessar
periodicamente o espaço da Disciplina. O sucesso nos
seus estudos depende da priorização do tempo para a
leitura; da realização de análises e sínteses do conteúdo; e
da interação com os seus colegas e tutor.

„ Não perca os prazos das atividades. Registre no espaço


a seguir as datas, com base no cronograma da disciplina
disponibilizado no EVA.

„ Use o quadro para agendar e programar as atividades


relativas ao desenvolvimento da Disciplina.

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Fundamentos Econômicos

Atividades
Avaliação a Distância

Avaliação Presencial

Avaliação Final

Demais atividades (registro pessoal)

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UNIDADE 1

Introdução à Economia

Objetivos de aprendizagem
„ Entender a razão do estudo da economia.

„ Começar a conhecer o mundo das idéias econômicas.

Seções de estudo
Seção 1 Por que estudar Fundamentos Econômicos?

Seção 2 Como a Economia pode ser definida?

Seção 3 O Estado Moderno e a sua supremacia.

Seção 4 O estudo da Economia é dividido em partes?

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Universidade do Sul de Santa Catarina

Para início de estudo


Para iniciar sugere-se que durante as unidades você:

„ leia com atenção e reflexão os textos que seguem;


„ anote as dúvidas e os questionamentos; e
„ crie o hábito de assinalar os pontos-chave do conteúdo.

Seção 1 – Por que estudar Fundamentos Econômicos?


— Esta é uma pergunta que você deve
estar se fazendo agora, não é mesmo?
Por que estudar Economia?
A sua resposta pode ser dada com uma
nova pergunta bem simples:

Você já notou que há muitas


influências do ambiente econômico,
nacional e internacional, nas suas
finanças pessoais?

Pense bem...

Na compra de um carro, de acordo com seu


orçamento, você pesquisa o preço de diferentes
carros, a taxa de juros dos financiamentos, as
vantagens oferecidas pelas concessionárias, etc.
Sendo assim, é verdade eu dizer que a sua decisão
sobre a compra do carro depende de diversos fatores
econômicos, certo?

Agora observe:

A Economia pode ser definida como uma ciência que


trata das relações do ser humano com um mundo
dotado de recursos escassos.

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Fundamentos Econômicos

Todos nós participamos do sistema econômico do país,


consumindo hoje bens e serviços ou poupando parte de nossa
renda para consumirmos no futuro.

Então, se você é influenciado pelo sistema econômico, imagine


as empresas (organizações). E é por isso que o entendimento
da economia caracteriza-se numa ferramenta importante para o
administrador de empresas. Diversos fenômenos relevantes nas
áreas de marketing, finanças e administração geral, entre outras,
têm sua fundamentação na teoria econômica.

Seção 2 – Como a Economia é definida?

O paradoxo da ciência econômica é...


Recursos limitados e necessidades ilimitadas.

A natureza dos problemas econômicos reside na constatação de


que os recursos que a coletividade dispõe para a satisfação das
necessidades das pessoas são limitados. Em compensação, as
necessidades do ser humano não têm limite.

Em outras palavras, as pessoas precisam de certos bens (roupas,


alimentos, casa para morar, automóvel) e serviços (educação,
lazer, saúde) que são escassos, isto é, existem em quantidades
limitadas.

Já as aspirações humanas são, no entanto, relativamente


ilimitadas, superando o volume de bens e serviços disponíveis
para a satisfação desses desejos.

— Não é verdade que queremos cada vez mais e mais?

Unidade 1 19

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Universidade do Sul de Santa Catarina

Seção 3 – Qual é o problema fundamental da


Ciência Econômica?
Conforme você acabou de acompanhar, o problema fundamental
da Economia é a escassez.

Como os recursos ou fatores de produção – capital, terra,


trabalho, capacidade empresarial e tecnologia – são escassos, não
podemos ter tudo que desejamos ao mesmo tempo – por isso é
preciso escolher entre os bens e serviços que serão produzidos e
oferecidos à coletividade.

Assim como nos ensinam os professores Troster e Mochón (1999, p.5):

A Economia estuda a maneira como se administram


os recursos escassos, com o objetivo de produzir bens
e serviços e distribuí-los para seu consumo entre os
membros da sociedade.

Seção 4 – O estudo da Economia é dividido em partes?


O estudo da Economia é divido em duas grandes partes: a
microeconomia e a macroeconomia. Elas podem ser definidas
como:

„ microeconomia: é a área que se ocupa com a análise do


comportamento individual dos agentes econômicos, ou
seja, das empresas e dos consumidores.

Quando você assiste na tevê uma


reportagem sobre o aumento da gasolina ou
sobre a reação de consumidores em relação
a este aumento, eis um exemplo de evento
microeconômico.

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Fundamentos Econômicos

„ macroeconomia: é área da economia que se ocupa


com o funcionamento da economia como um todo. Seu
objetivo principal é entender como se administra o nível
de atividade econômica de um determinado país. Assim,
variáveis como inflação, PIB, taxa de juros são típicas
variáveis macroeconômicas.

Qual é a questão central da Economia?

Este dilema pode ser traduzido pelo confronto entre:

fatores de produção escassos X necessidades ilimitadas

E este dilema implica na existência de quatro questões


fundamentais:

„ o que produzir?
„ quanto produzir?
„ como produzir?
„ para quem produzir?

Como responder estas questões?

A resposta para estas questões fundamentais da Economia, como


você irá estudar com mais detalhes na próxima unidade, depende
do sistema econômico, ou seja, se você está numa economia
capitalista ou de mercado, ou se está numa economia socialista ou
planificada.

Unidade 1 21

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Universidade do Sul de Santa Catarina

Você sabia?
A melhor maneira para se aprender Economia é
através dos telejornais e também da leitura de jornais.
Ali estão todos os conceitos que você necessita
para compreender a natureza da economia e a sua
influência nas organizações. Talvez neste começo da
disciplina, você tenha dificuldades em compreender
as notícias e os comentários dos jornalistas, mas com
o avanço das atividades, você será capaz de fazer as
ligações entre o que está nos jornais e o livro-texto.

Síntese

Nesta unidade você deve ter entendido que o estudo da


Economia é importante, principalmente porque diz respeito
à administração dos recursos escassos e das necessidades
ilimitadas do ser humano.

Na unidade seguinte, você vai aprender mais sobre o


funcionamento do sistema econômico.

Atividades de auto-avaliação

1. Com suas próprias palavras defina o que é Economia.

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Fundamentos Econômicos

2. Selecione, no seu dia-a-dia, alguns fenômenos da Economia


que interferem, positiva ou negativamente, nas suas finanças pessoais.

3. Refletindo sobre o que você aprendeu, explique a seguir por


que é importante entender a questão da escassez.

Unidade 1 23

fundamentos_economicos.indb 23 20/2/2008 14:47:21


Universidade do Sul de Santa Catarina

Saiba mais

Para aprofundar as questões abordadas nesta unidade realize


pesquisa nos seguintes livros:

„ MANKIW, N.G. Introdução à Economia. Rio de


Janeiro: Campus, 1999.

„ SILVA, C. R. L.; LUIZ, S. Economia e mercados:


introdução à economia. São Paulo: Saraiva, 1996.

„ TROSTER, R.; MOCHON, F. Introdução à


Economia. São Paulo: Makron Books, 1999.

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UNIDADE 2

O sistema Econômico

Objetivos de aprendizagem
„ Entender quem são os agentes econômicos.

„ Conhecer o modo simples de funcionamento da


Economia ou do sistema econômico.

Seções de estudo
Seção 1 Os setores econômicos.

Seção 2 Os fatores de produção.

Seção 3 As empresas.

Seção 4 As famílias ou indivíduos.

Seção 5 O setor público.

Seção 6 O sistema econômico.

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Universidade do Sul de Santa Catarina

Para início de estudo


Nesta unidade você será introduzido no mundo da Economia,
será levado a conhecer de forma ampla como se dá o seu
funcionamento. Para organizar o estudo sugere-se que você
durante a unidade:

„ leia com atenção e reflexão os textos apresentados;


„ anote as dúvidas e os questionamentos; e
„ tenha por hábito assinalar os pontos-chave do conteúdo.

Seção 1 – Os setores econômicos


Os agentes econômicos (famílias ou pessoas, empresas e governo)
podem ser agrupados em três grandes setores.

„ Setor primário: refere-se às atividade próximas dos


recursos naturais, como por exemplo, a atividade agrícola
ou agroindustrial, a atividade pesqueira, pecuária, etc.

„ Setor secundário: refere-se à atividade industrial. É na


indústria que as matérias-primas são transformadas em
bens.

„ Setor terciário: refere-se aos serviços, ou seja, à satisfação


das necessidades de serviços, que não se transformam
em algo material. Serviços de saúde, de transporte,
de educação, turismo, entre outros. Hoje em dia, em
diversos países, incluindo o Brasil, é o setor que mais
cresce e que mais emprega.

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fundamentos_economicos.indb 26 20/2/2008 14:47:22


Fundamentos Econômicos

Fatores de produção
Seção 2 – Os fatores de produção são os elementos que as
empresas utilizam para
A atividade econômica, através da produção de bens e serviços, produzir um determinado
visa satisfazer as necessidades humanas. E a produção destes bens bem ou serviço.
e serviços, numa economia de mercado, realiza-se nas diversas As definições encontram-
empresas. E cada uma destas emprega fatores de produção. se em SILVA, C.; LUIZ, S.
Economia e mercados:
Assim, para ofertar bens ou serviços as empresas precisam de introdução à Economia.
fatores de produção. 15 ed. São Paulo: Saraiva,
1996.
Estes fatores são divididos em três grandes grupos:

„ recursos naturais: formado pelo espaço físico,


pela água e pelas matérias-primas em geral. Por
exemplo, uma fazenda utiliza bastante espaço
físico para sua produção;

„ capital: são as máquinas, equipamentos e


instalações empregados na produção. Muitas
empresas trabalham com um número grande de
máquinas nas linhas de produção;

„ trabalho: refere-se aos serviços das pessoas


empregadas na produção, como o operário, o
gerente, etc. São os trabalhadores que operarão
as máquinas e transformarão a matéria-prima.

A remuneração dos fatores de produção


Você já deve ter ouvido falar num famoso ditado popular que
diz que “nem relógio trabalha de graça”. Assim, cada um dos
fatores de produção, ou melhor, seus proprietários, mencionados
anteriormente, devem receber uma renda pela sua utilização.

Assim, a renda:

„ da terra é o aluguel;

„ do capital é o lucro (quando o capitalista constitui uma


empresa) ou o juro (quando ele empresa dinheiro);

„ do trabalho é o salário.

Unidade 2 27

fundamentos_economicos.indb 27 20/2/2008 14:47:22


Universidade do Sul de Santa Catarina

Seção 3 – As empresas
Segundo MOCHON, F.; TROSTER, R. L.
Introdução à Economia. São Paulo: Nas sociedades modernas, as empresas produzem e oferecem
Makron, 1994. praticamente a totalidade dos bens e serviços, como o pão, os
automóveis, os sapatos, os serviços de turismo e assim por diante.

Como os economistas definem o que é uma empresa?

A empresa é a unidade de produção


básica. Ela contrata trabalho e compra
fatores com o fim de fazer e vender bens
e serviços e, ao final do processo, auferir
lucro.

Nas sociedades primitivas, a produção era


individual e artesanal. Hoje, as empresas são
as maiores responsáveis pela produção, já que só elas são
capazes de obter as vantagens da produção em massa.

Somente as empresas podem reunir grandes quantidades de


recursos financeiros e físicos necessários para construir as
instalações e os equipamentos que a atualidade exige.

Além disso, somente as empresas têm capacidade de organizar


os complexos processos de produção e distribuição exigidos pela
sociedade moderna.

O financiamento das empresas pode ser obtido através de


autofinanciamento ou financiamento externo. Ou seja,
elas podem se financiar com seu próprio capital ou tomar
empréstimos juntos aos bancos.

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Fundamentos Econômicos

Seção 4 – As famílias ou indivíduos


As famílias ou as pessoas têm basicamente duas funções no
sistema econômico:

„ oferecer seus fatores de produção, isto é, trabalho e


capital às empresas;

„ consumir os bens e serviços postos à sua disposição. No


entanto, o consumo é restrito pelo orçamento de que
dispõem.

Seção 5 – O setor público


O governo é um importante agente da Economia. Afinal, ele é
o maior responsável pelos rumos econômicos de uma nação. Há
pelo menos três níveis de governo, a destacar:

„ a administração local, ou seja, as prefeituras;

„ as administrações estaduais;

„ a administração central, ou seja, o Governo Federal e


seus ministérios.

O setor público é responsável pelo fornecimento dos chamados


bens públicos.

Bens públicos são bens proporcionados a todas


as pessoas a um custo igual ao necessário para o
fornecimento a uma só pessoa.

Unidade 2 29

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Universidade do Sul de Santa Catarina

Que tal um exemplo?

A defesa nacional é um bem público. Caso uma nação


declare guerra ao Brasil, todos os cidadãos brasileiros
terão direito à defesa nacional. Por esta característica,
os bens públicos só podem ser providos pelo Estado.

Há ainda uma outra atribuição importante do governo no que diz


respeito ao sistema econômico:

O setor público é responsável por estabelecer um


marco jurídico-institucional no qual se desenvolve a
atividade econômica, sendo, também, responsável
pelo estabelecimento da política econômica.

Seção 6 – O sistema econômico


Agora que você já entendeu quem são os agentes econômicos,
observe como pode ser definido o sistema econômico.

Sistema econômico é o conjunto de relações


técnicas, básicas e institucionais que caracterizam a
organização econômica de uma sociedade.

Conforme foi apresentado na Unidade 1, o sistema econômico


deve responder às quatro questões básicas.

„ O que produzir? – Devemos produzir mais estradas ou


mais hospitais?

„ Quanto produzir? – Dos bens que vamos produzir,


quanto devemos produzir de cada um?

30

fundamentos_economicos.indb 30 20/2/2008 14:47:23


Fundamentos Econômicos

„ Como produzir? – Quais técnicas e ferramentas serão


utilizadas na produção?

„ Para quem produzir? – Como a produção vai ser


distribuída entre os diferentes agentes da Economia?

Quem, afinal, responde a estas perguntas?

Para você encontrar a resposta a esta pergunta, precisa primeiro


se voltar um pouco para a história da organização econômica.
Deste modo, basicamente, pode-se dizer que há dois tipos de
organização da Economia de um país ou nação.

„ Capitalismo ou Economia de mercado.


„ Socialismo ou Economia planificada.

Capitalismo ou Economia de mercado


No capitalismo, a Economia funciona de forma livre, ou seja, cada
um é livre para escolher o que produzir e que quantidade, assumindo
os riscos. Por isso, diz-se que este sistema é caracterizado pela livre
iniciativa. Na Unidade 4, você irá aprender como funciona um
mercado.

Veja como funciona tal sistema com base no quadro 2.1.

Quadro 2.1 – A Economia de mercado

Aspectos essenciais Vantagens

As pessoas podem escolher o que consumir


Os produtores oferecem bens e serviços pelos
e produzir de acordo com suas vontades e
quais há demanda.
disponibilidades.

Este sistema faz com que o preço de mercado


O sistema de economia de mercado reduz a
reduza a formação de estoque ou a falta de
necessidade de intervenção do governo.
produtos.

As pessoas têm incentivos financeiros para


Pessoas podem vender ou comprar fatores de
produzir, podendo obter elevados lucros, em
produção, convertendo-se em produtores.
alguns casos.

Unidade 2 31

fundamentos_economicos.indb 31 20/2/2008 14:47:23


Universidade do Sul de Santa Catarina

Socialismo ou Economia planificada


No socialismo, quem responde às questões essenciais da
Economia é o Estado. Por isso, se diz que uma Economia
socialista é uma Economia planificada, pois necessita do
Planejamento Estatal.

Este sistema é justamente o contrário da Economia de mercado,


já que as decisões são tomadas de forma centralizada na agência
de planejamento do governo. Neste caso, as famílias não detêm
os fatores de produção. Estes pertencem à coletividade, ou seja,
ao governo.

O sistema econômico e as trocas


Agora você irá estudar uma atividade de suma importância para os
sistemas econômicos modernos: as trocas.

Para entender melhor como elas acontecem, imagine uma pessoa


que mora sozinha numa ilha. Essa pessoa deve, sozinha, ser
capaz de produzir tudo aquilo de que necessita. E, obviamente,
seu consumo está restrito aos recursos que a ilha lhe dá e à sua
capacidade de transformação destes recursos, ou seja, o seu
conhecimento.

Agora, numa sociedade moderna, como a nossa, isso é


impossível, você já deve ter percebido. E, justamente, pode-se
dizer que nossa sociedade é moderna devido a um conceito criado
pelo primeiro economista da história moderna, o escocês Adam
Smith, em 1776.

Em seu livro, A riqueza das nações, Smith nos conta uma fábula,
conhecida como a fábula dos alfinetes.

32

fundamentos_economicos.indb 32 20/2/2008 14:47:23


Fundamentos Econômicos

A fábula dos alfinetes


Smith imagina que a produção de alfinetes pode se
dar de duas formas: de forma artesanal e de forma
industrial.
Na forma artesanal, um único trabalhador, de forma
artesanal, produzia ao final de um dia no máximo 20
alfinetes.
Já na produção industrial, Adam Smith argumenta que,
como a fabricação de alfinetes é dividida em diferentes
operações, então, dez operários conseguiam fabricar,
na Inglaterra de dois séculos atrás, mais de 48.000
alfinetes em um único dia de trabalho.

Você sabe por que o número de trabalhadores


aumentou dez vezes e a produção aumentou 2.400
vezes?

A resposta é um fenômeno chamado de especialização. Com


dez operários especialistas, cada um pode se especializar numa
determinada operação específica do processo produtivo, e,
consequentemente, aumentar a produtividade diária.

A especialização permite também que cada pessoa procure um


trabalho ou uma ocupação na qual seja mais produtiva.

Mas você deve notar que o nosso amigo que morava sozinho na
ilha não pode ser especialista, afinal, ele vivia sozinho e todos
os bens e serviços que consumia eram originados do seu próprio
trabalho.

Já nas economias modernas, a especialização nos permite


concentrar nossos esforços em um determinado ramo de atividade.

Mas, se ao mesmo tempo temos que ser especialistas, então, só


produziremos uma parte dos bens e serviços que necessitamos.

Unidade 2 33

fundamentos_economicos.indb 33 20/2/2008 14:47:23


Universidade do Sul de Santa Catarina

Daí a importância das trocas no sistema econômico.

Imagine duas pessoas. Um alfaiate e um agricultor.


O alfaiate se especializou na produção de peças
de roupa, enquanto o agricultor se especializou na
produção de verduras. Desta forma, cada um é mais
produtivo naquilo que faz. Mas, como o alfaiate
precisa se alimentar e o agricultor precisa se vestir,
eles podem então promover uma troca de produtos.

Síntese

Nesta unidade você aprendeu quem são os principais agentes


econômicos e o seu papel no sistema. Você aprendeu também a
maneira como funciona o sistema econômico em que vivemos.
E leu a famosa fábula dos alfinetes, que mostra a importância da
especialização para a Economia moderna e sofisticada.

Na próxima unidade, você começará a entender como funcionam


os mercados.

34

fundamentos_economicos.indb 34 20/2/2008 14:47:23


Fundamentos Econômicos

Atividades de auto-avaliação

1. Quem são os agentes econômicos, qual é importância de cada


um para sistema econômico e como são agrupados?

2. Quais são as perguntas a que todo sistema econômico deve responder?

Unidade 2 35

fundamentos_economicos.indb 35 20/2/2008 14:47:23


Universidade do Sul de Santa Catarina

3. Qual a remuneração de cada um dos fatores de produção?

4. Descreva com suas palavras a importância da especialização


e da divisão de trabalho para a Economia moderna.

Saiba mais

Para aprofundar as questões abordadas nesta unidade realize


pesquisa nos seguintes livros:

MANKIW, N.G. Introdução à Economia. Rio de Janeiro.


Campus, 1999.

SILVA, C. R. L.; LUIZ, S. Economia e mercados: introdução


à Economia. São Paulo: Saraiva. 1996.

TROSTER, R.; MOCHON, F. Introdução à Economia. São


Paulo: Makron Books, 1999.

36

fundamentos_economicos.indb 36 20/2/2008 14:47:23


3
UNIDADE 3

A lei da demanda e lei da oferta

Objetivos de aprendizagem
„ Compreender o conceito de demanda e examinar
suas implicações para uma empresa.

„ Entender o conceito de oferta, isto é, o mercado visto


sob o ponto de vista das empresas.

Seções de estudo
Seção 1 O que é a lei da demanda?

Seção 2 O que é a lei da oferta?

fundamentos_economicos.indb 37 20/2/2008 14:47:23


Universidade do Sul de Santa Catarina

Para início de estudo


As duas primeiras unidades desta disciplina tiveram o objetivo de
introduzí-lo ao pensamento econômico. Agora, nesta unidade e
na próxima, a sua missão será estudar o mercado e a forma como
ele opera.

Para começar, que tal estudar a teoria da demanda, ou seja, o


mercado sob o ponto de vista dos consumidores?

Seção 1 – O que é a lei da demanda?


A lei da demanda visa identificar os vários fatores que afetam a
decisão de compra do consumidor.

Identificar estes vários fatores é fundamental para a empresa, pois


todo o empresário espera obter o maior lucro possível. Mas para a
empresa gerar o maior lucro possível vai depender tanto da receita
obtida (isto é, dinheiro obtido com a venda) dos produtos quanto
dos custos (isto é, insumos e recursos gastos) ocorridos durante a
sua produção. Portanto pode-se dizer que:

Lucro = Receita - Custos

QUANTIDADE

DEMANDA

PREÇO

38

fundamentos_economicos.indb 38 20/2/2008 14:47:23


Fundamentos Econômicos

Como obter o valor da receita?


Para calcular a receita você deverá levar em conta a quantidade de
produtos que a empresa conseguiu vender e por qual preço.

Receita = Preço X Quantidade

E finalmente, acompanhe na figura 3.1, que a relação entre preço


e quantidade vendida no mercado depende, fundamentalmente,
da decisão de compra do consumidor, ou seja, depende da
demanda.

Figura 3.1 – Relação preço e quantidade vendida

O aspecto central da teoria da demanda é estabelecer a chamada


lei da demanda, que propõe uma relação inversa entre preço e
quantidade. Ou seja, se os preços de um determinado produto
subirem no mercado, a quantidade demandada deste mesmo
produto cairá. E se os preços caírem, a quantidade demandada
aumentará. Afinal de contas, é assim que nos comportamos

Unidade 3 39

fundamentos_economicos.indb 39 20/2/2008 14:47:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

de modo geral. A sociedade tem a tendência de comprar mais


quando o preço cai.

A seguir analise um exemplo, como nos mostra o quadro 3.1. Para


ilustrar, suponha o mercado de milho. E dentro deste mercado,
imagine alguns preços e quantidades. Você pode notar que à
medida que o preço diminui de $12 para $1 a quantidade
demandada aumenta. Isto porque a sociedade comprará mais
milhos quanto o preço estiver menor.

Quadro 3.1 – Mercado de milho

Preço ($) Quantidade Demandada (sacas de milho)

12,00 20

10,00 50

7,00 80

5,00 120

4,00 130

2,00 150

1,00 180

A esta altura, você já deve ter imaginado que não é só


o preço que influencia na demanda de um produto.
Afinal, muitas compras que fazemos estão ligadas a
marcas, propagandas, etc.

A demanda de um produto depende de muitos fatores, tais como:

„ as preferências e o gosto dos consumidores;


„ o preço do produto em questão;
„ o preço de produtos relacionados;
„ a renda do consumidor;
„ a distribuição de renda;

40

fundamentos_economicos.indb 40 20/2/2008 14:47:24


Fundamentos Econômicos

„ a disponibilidade de crédito;
„ as políticas governamentais direcionadas para
o consumo, como impostos e subsídios.

No entanto, a teoria da demanda concentra-se, normalmente, em


quatro desses determinantes, que são:

„ o preço da mercadoria;
„ o preço de outras mercadorias;
„ a renda dos consumidores; e
„ as suas preferências.

Graficamente, a demanda dos consumidores pode ser


representada por curvas negativamente inclinadas em relação ao
preço do produto, como as apresentadas na figura 3.2.

Preço
($)

Quantidade do produto
Figura 3.2 – A Curva de demanda

Você pode perceber na figura 3.2, que essa relação negativa


simplesmente ilustra o fato de que quanto maior o preço, menor
será a quantidade que os consumidores comprariam do bem em
questão. Assim, a quantidade demandada depende do preço do
próprio bem em questão (deslocamento ao longo da curva de
demanda).

Unidade 3 41

fundamentos_economicos.indb 41 20/2/2008 14:47:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

Além disso, se a renda do consumidor aumentar, haverá um


deslocamento da curva de demanda para a direita, o que significa
que ele estará disposto a consumir mais, ao mesmo preço.

De certa forma, todos nós nos comportamos assim. Por isso,


pense em alguns produtos que você compraria em maior
quantidade, caso o seu chefe hoje lhe oferecesse um belo aumento
de salário. Se os preços dos demais bens da Economia (ou de
alguns deles) se reduzirem, isso terá um efeito semelhante a uma
variação da renda.
Mudanças nas preferências dos consumidores também deslocam
a curva de demanda.

„ Uma campanha do governo contra o fumo


deslocará a curva de demanda de cigarros para
baixo (demanda menor); e

„ Um dia bem quente deslocará a curva de demanda


de sorvetes para a direita (demanda maior).

O que são bens substitutos ou complementares?


Um outro conceito importante é o de bens substitutos e o de bens
complementares.

Bens substitutos Bens complementares:


dois bens são considerados substitutos quando dois bens são considerados complementares
o consumo de um substitui o do outro. Em outras quando o consumo de um complementar o do
palavras, quando o aumento no preço de um deles outro. Ou seja, quando o aumento no preço de um
aumenta a demanda pelo outro (por exemplo: carne deles reduz a demanda pelo outro (por exemplo:
de frango e de boi, ou viajar de avião e de ônibus). gasolina e automóveis de passeio).

42

fundamentos_economicos.indb 42 20/2/2008 14:47:24


Fundamentos Econômicos

Elasticidade da demanda
Um dos mais importantes conceitos em Economia é o conceito
de elasticidade. Este tem um papel importante na análise da
demanda do consumidor e das decisões empresariais.

Refere-se à sensibilidade da quantidade demandada de um


produto em relação a uma variação em alguns dos fatores que
determinam sua demanda. Mais especificamente, a elasticidade
da demanda é a razão entre a variação da quantidade demandada
de um produto e a variação percentual em alguma das variáveis
que influenciam a demanda.

(variação % da quantidade demandada)


Elasticidade de demanda =
(variação % de algum dos determinantes da demanda pelo bem)

A elasticidade é sempre uma razão entre percentuais de variação.


Uma variação de 5% tem sempre o mesmo significado (vide
figura 3.3), independente de o produto ser medido em toneladas,
dúzias, caixas, garrafas, dólares ou ienes.

Figura 3.3 – Cinco por cento

Elasticidade-preço da demanda
A elasticidade-preço da demanda é definida como razão entre
a variação percentual na quantidade demandada e a variação
percentual no preço:

Unidade 3 43

fundamentos_economicos.indb 43 20/2/2008 14:47:24


Universidade do Sul de Santa Catarina

Ep=(∆q/q) / (∆p/p)

Ou seja, não adianta ao empresário saber que, se ele reduzir o


preço, irá vender mais. O que o empresário deseja saber é quanto
ele vai vender a mais de uma dada mercadoria. A elasticidade da
demanda dá esta resposta ao empresário.

Esta elasticidade é de grande interesse para as empresas, pois


serve de base para:

„ política de preços;
„ estratégia de vendas e atendimento dos objetivos de lucro; e
„ participação no mercado.

Ou seja, com base nesta informação, a empresa pode fazer


previsões de venda.

Um empresário, produtor de mesas para escritório,


sabe que a elasticidade-preço da demanda dos
produtos que vende é igual a 1,5. Assim, caso ele
aumente os preços de seus produtos em 10%,
utilizando a fórmula, você poderá notar que a demanda
cairá aproximadamente 15%.
Acompanhe a seguir, passo a passo, o raciocínio:

Ep = 1,5 1,5 = ∆q/q/10


∆p/p = 10% 1,5 X 10 = ∆q/q
∆q/q = ? ∆q/q = 15%

O coeficiente da elasticidade-preço da demanda é negativo (quase


sempre negativo, pois há raras exceções), uma vez que preço e
quantidade demandada são inversamente relacionados: quando
o preço se reduz, a quantidade demandada aumenta, e quando o
preço aumenta, a quantidade demandada cai.

44

fundamentos_economicos.indb 44 20/2/2008 14:47:24


Fundamentos Econômicos

Como o sinal do coeficiente da elasticidade-preço é quase sempre


negativo, o tamanho do coeficiente é a informação relevante. Por
isso, a elasticidade-preço da demanda é expressa, em geral, em
valor absoluto.

Quais são os tipos de elasticidade-preço da demanda?


Conforme as variações: positivas, neutras ou negativas, a
demanda assume uma denominação.

„ A demanda é elástica – quando a elasticidade-preço da


demanda é maior do que 1 (em valor absoluto).

Ep > 1

Nesse caso, um aumento de preços (de 10%, por exemplo)


provocaria uma queda na quantidade demandada num percentual
maior (15%, por exemplo), o que reduziria a receita da empresa
(receita= preço x quantidade). Trata-se de um produto cujo
consumo cai substancialmente no caso de elevação de preços,
sendo normalmente substituído por um similar.

„ A demanda é inelástica – quando a elasticidade-preço


da demanda é menor do que 1.

Ep < 1

Caso o preço seja aumentado (em 10%, por exemplo), a redução


percentual na quantidade é menor (5%, por exemplo), o que
provocaria um aumento na receita da empresa. Trata-se de um
produto do qual o consumidor não abre mão, mesmo diante de
um aumento de preços – de fato, reduz um pouco o consumo,
mas menos do que no caso de uma demanda elástica.

Gasolina e um medicamento sem substituto no


mercado são produtos com demandas inelásticas em
relação a variações nos preços.

Unidade 3 45

fundamentos_economicos.indb 45 20/2/2008 14:47:25


Universidade do Sul de Santa Catarina

Certamente, esta é a posição mais confortável para uma empresa


no mercado: defrontar-se com uma elasticidade-preço da demanda
reduzida.

„ A demanda tem elasticidade unitária – se um


aumento percentual de preços provoca a mesma redução
percentual da quantidade demandada.

Ep = 1

Sendo assim, a receita da empresa permaneceria constante no


caso de um aumento de preços.

Algumas características do mercado tornam a demanda mais


inelástica. Isso ocorre quando o produto não conta com
substituto próximos no mercado; quando o consumidor se
importa com o desempenho do produto; quando deseja um
produto diferenciado ou feito sob medida; quando é fiel à marca;
ou, ainda, quando o custo do item é pequeno em relação ao
orçamento do comprador.

O sal de cozinha é um bom exemplo de produto com


demanda inelástica em relação à variação no preço.

Elasticidade-renda da demanda
A elasticidade-renda da demanda é utilizada para descrever
como a quantidade demandada reage às variações na renda do
consumidor. Nesse caso, a fórmula se escreve desta maneira:

E,= (∆q/q)/(∆r/r)

Assim, o empresário pode estimar qual será a variação na


quantidade demandada de seu produto diante de variações na
renda do consumidor. A estimativa da elasticidade-renda da
demanda ajuda no planejamento estratégico da empresa.

46

fundamentos_economicos.indb 46 20/2/2008 14:47:25


Fundamentos Econômicos

Um bem é chamado normal para um certo grupo de consumidores


quando, diante de aumento na renda do grupo, a demanda pelo bem
aumenta.

Um bem é chamado inferior para um certo grupo de consumidores


quando, diante de um aumento na renda do grupo, a demanda pelo
bem diminui.

Diante de uma elevação na


renda de um grupo de pessoas,
pode ser que elas reduzam suas
viagens de ônibus (bem inferior)
e aumentem suas viagens de táxi
(bem normal).

Seção 2 – O que é a lei da oferta?


Na seção anterior você aprendeu o que é demanda, ou seja, o mercado
sob o ponto de vista do demandante, ou seja, de quem compra. Já nesta
seção você irá analisar o comportamento da oferta, isto é, do ponto de
vista de quem vende.

Para análise da oferta, você deverá ter por cenário, isto é, supor, a
existência de um mercado com muitas empresas, todas de pequeno
porte. E que este mercado é chamado de competitivo, no qual as
empresas não têm capacidade para fi xar os preços de seus produtos. Neste
caso, o preço é fixado pelo mercado e as empresas são tomadoras de
preço, isto é, praticam o preço determinado pelo mercado.

Por que uma empresa decide ofertar um determinado produto?


O que leva uma empresa a decidir vender ou ofertar um determinado
produto é o lucro. Assim, pode-se definir lucro como sendo a
remuneração de uma empresa.

Unidade 3 47

fundamentos_economicos.indb 47 20/2/2008 14:47:25


Universidade do Sul de Santa Catarina

Antes que uma nova empresa apareça no mercado, o empresário


fez um estudo detalhado sobre as possibilidades de lucratividade
deste novo negócio.

Como é a taxa de lucro que induz os empresários a fazerem novos


investimentos, então você pode deduzir que quanto mais alto for
o ganho (lucro) da empresa com um determinado produto, maior
será a quantidade ofertada. Ou seja, mais empresas vão querer
ofertar ou vender aquele produto.

Então, qual informação nos dá a curva de oferta?

A curva de oferta informa que quantidades os vendedores estarão


dispostos a ofertar para cada preço fi xado pelo mercado. Essa
curva é um somatório das curvas de ofertas das várias empresas
que atuam no mercado e estabelece a quantidade total que esses
produtores estariam dispostos a ofertar para cada nível de preço.

Observando a quadro 3.2, que reproduz aquele mesmo mercado


de milho, antes já citado, você pode perceber que à medida em
que o preço do milho diminui, também diminui o incentivo dos
empresários para produzir. Logo, a oferta diminui na medida em
que o preço diminui. E vice-versa.

Quadro 3.2 – Mercado de milho

Preço ($) Quantidade Ofertada (sacas de milho)

12,00 150

10,00 120

7,00 80

5,00 50

4,00 30

2,00 20

1,00 10

48

fundamentos_economicos.indb 48 20/2/2008 14:47:25


Fundamentos Econômicos

Só o preço é que influencia a tomada de decisão dos empresários?


Você já deve ter percebido que a resposta para a pergunta anterior
é não. Vários fatores influenciam a oferta, como por exemplo:

„ a tecnologia de produção da empresa;


„ os preços dos insumos;
„ o número de concorrentes no mercado;
„ as expectativas futuras.

A curva de oferta é uma função direta do nível de preço do produto?


Sim, ela é. Se o preço sobe, aumenta a quantidade ofertada pelas
empresas no mercado. Essa proposição é conhecida como a lei da
oferta (figura 3.4).

Preço O
($)

Quantidade do produto

Figura 3.4 – A curva de oferta

O que a figura 3.4 apresenta é que, à medida que o preço de


mercado aumenta, aumenta também o incentivo psicológico
do empresário a produzir mais. E, vice-versa, à medida que o
preço diminui, também o empresário tem menos incentivo para
produzir mais.

Unidade 3 49

fundamentos_economicos.indb 49 20/2/2008 14:47:25


Universidade do Sul de Santa Catarina

Elasticidade-preço da oferta
A elasticidade-preço da oferta é a razão entre a variação percentual
na quantidade ofertada de um bem e a variação percentual no seu
preço:

Epo = (∆q/q) / (∆p/p)

Um certo empresário produz 2.000 pares de sapatos


por mês, ao preço de R$ 50,00 cada.
Se o preço dos sapatos diminuir para R$ 40, 00, o
empresário diminuirá sua produção para 1.800 pares
por mês.
Para você calcular a elasticidade-preço da oferta,
deverá calcular a variação percentual na quantidade
oferta que é igual a 10% e a variação percentual no
preço que é 20%.
Dividindo a primeira pela segunda terá que a
elasticidade-preço da oferta é igual a 0,5, ou seja, os
sapatos têm oferta inelástica.

Tal como a elasticidade da demanda, trata-se de uma medida


de sensibilidade que compara variações percentuais. Você
pode perceber que, nesse caso, a elasticidade-preço da oferta é
normalmente positiva, uma vez que o empresário está disposto a
ofertar mais diante de um aumento de preços.

A elasticidade-preço da oferta de um produto é diferente no curto


e no longo prazo. Para a maior parte dos produtos a oferta é mais
elástica no longo prazo do que no curto prazo. Isso significa que
a oferta não aumentará no curto prazo.

Diante de elevações nos preços, as empresas, de modo


geral, conseguem aumentar sua produção utilizando
mais um turno de trabalho ou pagando horas extras.
Em alguns setores, entretanto, a oferta no curto
prazo pode ser muito inelástica, como no mercado
imobiliário, no qual uma elevação nos preços, mesmo
que provoque aumento no ritmo das construções, só
implicará aumento de oferta no longo prazo.

50

fundamentos_economicos.indb 50 20/2/2008 14:47:25


Fundamentos Econômicos

Síntese

Esta unidade mostrou conceitos muito importantes sobre


Economia. Nela você aprendeu o que é demanda e o que é oferta.
Estes conceitos valem para a grande maioria dos produtos/
serviços que encontramos à nossa disposição no mercado.

Com a leitura da Unidade 4, você aprenderá como funciona


a lei da demanda e da oferta, que é a lei que rege o mercado numa
Economia capitalista.

Atividades de auto-avaliação

1. Quais os elementos fundamentais na determinação da demanda de um


produto ou serviço?

Unidade 3 51

fundamentos_economicos.indb 51 20/2/2008 14:47:26


Universidade do Sul de Santa Catarina

2. Pense e escreva um determinado produto que, para você, se comporta


como diz a lei da demanda.

3. Para você, há algum produto que não se encaixa na teoria da demanda?


Dê um exemplo.

52

fundamentos_economicos.indb 52 20/2/2008 14:47:26


Fundamentos Econômicos

4. Complete as frases abaixo com as opções adequadas.

a) A elasticidade-preço da oferta mede a reação dos


(empresários/consumidores),
em termos de (preços/
quantidade) (produzida/
consumida) às variações (no
preço/na quantidade) de um produto ou serviço.

b) Quando a elasticidade-preço da oferta de um bem é maior do que


um, dizemos que sua oferta é
(elástica/inelástica), o que significa que o aumento percentual na
quantidade ofertada foi (maior/
menor) que o aumento percentual verificado nos preços.

Saiba mais

Para aprofundar as questões abordadas nesta unidade realize


pesquisa nos seguintes livros:

MANKIW, N.G. Introdução à Economia. Rio de Janeiro.


Campus, 1999.

SILVA, C. R. L.; LUIZ, S. Economia e mercados: introdução


à Economia. São Paulo: Saraiva. 1996.

TROSTER, R.; MOCHON, F. Introdução à Economia.


São Paulo: Makron Books, 1999.

Unidade 3 53

fundamentos_economicos.indb 53 20/2/2008 14:47:26


fundamentos_economicos.indb 54 20/2/2008 14:47:26
4
UNIDADE 4

Equilíbrio de mercado:
a lei da oferta e da demanda

Objetivos de aprendizagem
„ Entender a relação entre demanda e oferta.

„ Compreender o funcionamento do sistema de preços


em uma Economia de mercado.

Seções de estudo
Seção 1 O que é mercado?

Seção 2 A lei da oferta e da demanda.

Seção 3 O ponto de equilíbrio na prática.

fundamentos_economicos.indb 55 20/2/2008 14:47:26


Universidade do Sul de Santa Catarina

Para início de estudo


Nesta unidade você vai conhecer como funciona um mercado.
Mas, antes de seguir com a sua leitura, é importante que você
compreenda o que é mercado.

Seção 1 – O que é mercado?


De modo bem simples, mercado é formado pelas
pessoas que desejam vender um determinado
produto (vendedores) e pelas pessoas que
desejam comprar este produto (consumidores).

Obviamente, você pode notar que não nos


referimos somente à questão física do mercado,
mas sim nos referimos à interação entre
compradores (demanda) e vendedores (oferta).
Esta interação pode se dar, por exemplo, via internet ou telefone.

Você já observou que há um dilema no mercado?


Enquanto os compradores querem pagar o menor preço possível
por um determinado produto, os vendedores querem vendê-lo ao
maior preço possível.

Ou seja, o mercado implica a negociação entre o comprador e o


vendedor. O maior exemplo disto são os mercados árabes, nos
quais, os compradores pechincham o preço de um determinado
produto e os vendedores, já sabendo disso, colocam o preço acima
daquele preço que desejam receber.

56

fundamentos_economicos.indb 56 20/2/2008 14:47:26


Fundamentos Econômicos

Seção 2 – A lei da oferta e da demanda


Da interação entre as curvas de demanda e de oferta surge o
preço de mercado, bem como a quantidade transacionada.

Os preços tendem a um valor que iguala as quantidades ofertadas


e demandadas. Esta é a lei da oferta e da demanda.

O
Preço
($)

p*

q*
Quantidade do produto

Figura 4.1 – O equilíbrio de mercado

A figura 4.1 mostra, de forma simples, como funciona um


mercado. Você pode observar que a interação entre a demanda e
a oferta gera um preço (p*) e uma quantidade que é produzida e
vendida (q*). Chamamos este preço (p*) de preço de equilíbrio e
esta quantidade (q*) de quantidade de equilíbrio.

Você sabia?
O ponto de equilíbrio da Torre de Pisa
Você sabia que a Itália gastou US$ 27 milhões para
diminuir a inclinação da Torre de Pisa, o famoso
edifício circular de mármore. A olho nu, a correção é
imperceptível. O desvio, que alcançou quatro metros
em 1990, ficou apenas 14 centímetros menor, o
suficiente para resgatar o ponto de equilíbrio e salvar
o monumento da destruição.

Unidade 4 57

fundamentos_economicos.indb 57 20/2/2008 14:47:27


Universidade do Sul de Santa Catarina

Seção 3 – O ponto de equilíbrio na prática


Para você entender melhor a noção de equilíbrio, acompanhe a
seguir um exemplo de como funcionam os mercados. Veja um
exemplo fictício do mercado de milhos.

O quadro 4.1 mostra alguns preços e as quantidades de demanda


e oferta do milho. Você pode perceber que:

„ o preço de equilíbrio (p*) é igual a $ 7,00;

„ a quantidade de equilíbrio (q*) é igual a 80 sacas de


milho;

„ o preço de equilíbrio é $ 7,00, por que a quantidade


demandada é igual a quantidade ofertada. O que
significa dizer que não falta nem sobra produto no
mercado.

Assim, pode-se dizer que todo e qualquer


mercado sempre tende ao equilíbrio. Ou seja, de
um modo ou de outro o mercado chega no preço
e na quantidade de equilíbrio.

Para perceber isso, suponha que o mercado de milho, por


exemplo, passe a operar a um preço muito baixo, pense no
valor de $ 2,00. Este preço é muito baixo, tão baixo que a este
preço a quantidade demandada é de 150 sacas de milho. Só que
este preço de $ 2,00 não motiva os empresários, então eles só
produzem 20 sacas de milhos. Moral da história, claramente
o mercado não está em equilíbrio, pois está faltando milho no
mercado. Neste caso, a tendência é de aumento de preço do
produto.

58

fundamentos_economicos.indb 58 20/2/2008 14:47:27


Fundamentos Econômicos

O que dá valor a um bem é a sua escassez ou o


excesso de produtos à disposição das pessoas.

Quando o preço é muito baixo, ele tende a aumentar, pois há mais


pessoas querendo demandar do que pessoas desejando ofertá-lo.

Quadro 4.1 – Mercado de milho

Qte demandada Qte ofertada


Preço ($)
(sacas de milho) (sacas de milho)
12,00 20 150

10,00 50 120

7,00 80 80

5,00 120 50

4,00 130 30

2,00 150 20

1,00 180 10

Agora, suponha o exemplo contrário. Imagine que o mercado,


por um erro qualquer, passe a vender o milho a $12,00. A este
preço a quantidade demandada diminui para 20 sacas de milho.
Em contrapartida, aumenta o incentivo aos empresários para
que produzam mais, então a produção passa a ser de 150 sacas
de milho. Moral da história, ao preço de $ 12,00 sobra produto
no mercado. Ou seja, sobram 130 sacas de milho. No jargão
empresarial, o dito é que se formou estoque. E, quando há
estoque, os empresários tendem a reduzir o preço.

De modo que você pode concluir que os preços, de


uma forma ou de outra, sempre tendem ao equilíbrio.
Quando o referido é o preço de equilíbrio, tem-se que
levar em conta a natureza de cada produto.

Unidade 4 59

fundamentos_economicos.indb 59 20/2/2008 14:47:27


Universidade do Sul de Santa Catarina

Que tal mais um exemplo?

Quando você lê no jornal a cotação diária do dólar


e ao se acompanhar esta cotação por vários dias
seguidos, pode-se notar que a cada dia o dólar tem
um equilíbrio diferente. Isto acontece porque é um
produto muito transacionado, e que sua demanda e
sua oferta dependem de uma série de fatores.
Já a gasolina tem um preço de equilíbrio mais difícil
de mudar. Um mesmo preço para a gasolina pode
permanecer por meses.

E quando existem muitos consumidores e produtores?


Neste caso, para o comportamento do ponto de equilíbrio,
ocorrerá provavelmente que nenhum agente econômico seja capaz
de manipular o mercado, fi xando o preço unilateralmente.

Uma vez que o preço de equilíbrio será p*, e q* unidades


transacionadas. Para qualquer nível de preço mais alto, como, por
exemplo, p1, haverá um excesso de oferta de bens, o que estimulará
uma queda nos preços praticados nos mercado. Da mesma forma,
para qualquer nível de preços abaixo do de equilíbrio, p2, por
exemplo, existirão indivíduos dispostos a consumir quantidades
superiores àquelas existentes no mercado, de forma que esse
excesso de demanda levará a uma alta dos preços.

No mercado competitivo como se forma o preço?


Uma resposta muito comum tem como base uma lista de
elementos de custos, despesas e impostos.

De um modo geral, porém, embora as empresas objetivem vender


acima de seus custos totais, os preços são formados pela interação
das duas forças: oferta (na qual se encontram os custos) e demanda.
Eventualmente, esses preços podem se situar abaixo do nível de
custos da empresa, que pode operar com prejuízo no curto prazo.

60

fundamentos_economicos.indb 60 20/2/2008 14:47:27


Fundamentos Econômicos

Síntese

Com o estudo desta unidade você deve ter entendido o modo


básico de funcionamento dos mercados de bens e serviços.
Você aprendeu que o preço dos produtos é determinado pela
interação entre a demanda (consumidores) e a oferta (produtores/
vendedores).

Você estudou também que os preços sempre tendem ao


equilíbrio. Quando há mais demanda que oferta, os preços
tendem a aumentar, pois há mais consumidores dispostos a
comprar do que produtos para serem vendidos. Por outro lado,
quando há mais oferta que demanda, os preços tendem a cair,
pois se formou estoque, tal como nas liquidações de fim de ano.

Na próxima unidade, você estudará algumas questões


importantes sobre a empresa, como a teoria da produção e a
teoria dos custos.

Atividades de auto-avaliação
1. Explique como é determinado o preço de equilíbrio de um bem.

Unidade 4 61

fundamentos_economicos.indb 61 20/2/2008 14:47:28


Universidade do Sul de Santa Catarina

2. Provavelmente você sabe, de cabeça, o preço de três produtos


diferentes. Esse era o preço de equilíbrio de mercado destes produtos
quando você os comprou pela última vez? Liste três produtos e seus
respectivos preços de mercado.

Saiba mais

Para aprofundar as questões abordadas nesta unidade realize


pesquisa nos seguintes livros:

SILVA, C. R. L.; LUIZ, S. Economia e mercados: introdução


à Economia. São Paulo: Saraiva. 1996.

TROSTER, R.; MOCHON, F. Introdução à Economia.


São Paulo: Makron Books, 1999.

WANNACOTT, P; WANNACOTT, R. Economia. 2. ed.


São Paulo: Makron Books, 1994.

62

fundamentos_economicos.indb 62 20/2/2008 14:47:28


5
UNIDADE 5

A teoria da empresa:
produção e custos

Objetivos de aprendizagem
„ Compreender a teoria elementar da produção.

„ Entender a importância da análise de custos para


tomada de decisão.

Seções de estudo
Seção 1 O que é a teoria da produção?

Seção 2 O que mostra a função de produção?

Seção 3 O que diz a teoria dos custos?

fundamentos_economicos.indb 63 20/2/2008 14:47:28


Universidade do Sul de Santa Catarina

Para início de estudo


Dando continuidade as unidades 3 e 4, esta unidade lhe apresenta
como objeto de estudo, a teoria da empresa. Esta teoria investiga
as variáveis determinantes da oferta, principalmente aquelas
relacionadas aos custos e à concorrência nos mercados.

Nesse sentido, levando em consideração a hipótese básica que


norteia todo o estudo da microeconomia: a de que as empresas
buscam maximizar seus lucros. Pode-se supor que essa hipótese
É importante você ter em mente implica em considerarmos também que a empresa procura elevar
que maximizar lucros não é o único receitas e reduzir custos nas suas operações.
objetivo de uma empresa. Você
aprenderá, em outras disciplinas, Lembre-se:
que muitas vezes as empresas
têm como objetivo o crescimento.
Mas, por enquanto, partiremos do A busca da maximização do lucro orienta a disposição
pressuposto que interessa à empresa da empresa em ofertar produtos, mas esta decisão
apenas maximizar seus lucros. será afetada pelas variações nos preços de mercado.

Seção 1 – O que é a teoria da produção?


A teoria da produção está preocupada com os produtores que vão
ofertar seus bens e serviços no mercado.

Como você já estudou, a oferta no mercado depende do nível


de preço do produto. Entretanto, a curva de oferta de cada
empresa depende significativamente
de seus custos de produção, que,
por sua vez, são limitados pelas
tecnologias disponíveis.

Evidentemente, a escolha da
tecnologia que uma empresa
utilizará depende dos preços
dos insumos.

64

fundamentos_economicos.indb 64 20/2/2008 14:47:28


Fundamentos Econômicos

Nos países em que há abundância de trabalho barato,


como é o caso do Brasil, as tecnologias usadas tendem
a ser mais intensivas em mão-de-obra, como você
estudará na Unidade 11.

De fato, quando uma empresa decide sobre a quantidade que deveria


produzir e o preço que deveria fixar para maximizar seu lucro, ela sofre
restrições de toda ordem, impostas pelos vendedores dos insumos
necessários para a produção, pelos compradores de seu produto
(curva de demanda), pelos concorrentes no mercado e pela tecnologia
disponível.

Esta última restrição pode ser resolvida dentro da empresa, que decide
sobre sua oferta considerando o fato de que existem apenas algumas
formas viáveis de se produzir a partir dos insumos disponíveis, ou seja,
existem algumas escolhas tecnológicas possíveis.

A função de produção da empresa é uma representação


matemática de como os insumos são combinados e
transformados em produtos a serem ofertados no mercado.

A empresa, então, vai decidir como produzir determinada


quantidade de bens e quanto utilizar de cada insumo, tendo
em vista a tecnologia disponível, de forma a ter o menor custo possível
para um dado nível de produção.

A função de produção relaciona a quantidade


máxima de produção obtida a partir da utilização de
determinadas quantidades de insumos.

Para facilitar o seu entendimento, acompanhe o raciocínio:

Suponha uma determinada empresa, que utiliza


apenas três insumos, terra, capital e trabalho, além
da matéria-prima.

O quadro 5.1 mostra a função de produção, que relaciona as


quantidades de insumos com as quantidades de produção final.

Unidade 5 65

fundamentos_economicos.indb 65 20/2/2008 14:47:28


Universidade do Sul de Santa Catarina

Quadro 5.1 – Relação entre insumos e produção final

Terra Capital Trabalho Produção (unidades)


50 25 3 50

50 25 4 90

50 25 5 150

O quadro 5.1 mostra que, enquanto o fator de produção trabalho


aumenta de 3 para 5 unidades, fazendo o produto também
aumentar, os demais fatores permanecem fi xos. Ou seja, suponha
que esta empresa mantenha terra e capital como fatores fi xos e
aumente o número de trabalhadores, neste caso a produção tende
a aumentar como você pode ver na tabela.

A presença de um fator de produção fixo impõe um


limite ao crescimento da produção. Quando isso
ocorre, estamos diante de uma situação de curto prazo.

Qual é a diferença entre o curto e o longo prazo?

„ Curto prazo é o período em que pelo menos um fator de


produção é fixo.
„ Longo prazo é o período no qual todos os fatores de
produção podem variar.

O conceito de curto e longo prazo, do ponto de vista


microeconômico, depende do tipo de negócio.
Por exemplo: o longo prazo para uma padaria pode ser de
poucas semanas, período suficiente para iniciar ou expandir
a operação (todos os fatores de produção estão variando). Já
para a indústria aeronáutica, o longo prazo pode ser de alguns
anos, diante da necessidade de tempo para criar ou aumentar a
capacidade de produção.

66

fundamentos_economicos.indb 66 20/2/2008 14:47:28


Fundamentos Econômicos

Seção 2 – O que mostra a função de produção?


A função de produção descreve uma relação entre quantidades
de insumo e de produto. À medida que maiores quantidades
de insumo variável (trabalho, por exemplo) são utilizadas, a
produção cresce.

> INSUMO = OPRODUÇÃO

Mas, em geral, os acréscimos do insumo variável conduzem a


aumentos cada vez menores na produção total. Isto porque há
um limite até o qual a empresa pode se expandir. Afinal, todas
as empresas têm recursos limitados para investimentos. Isso sem
contar que se a demanda não aumenta, nem sempre é vantajoso
para a empresa se expandir.

Seção 3 – O que diz a teoria dos custos?


Atualmente, a correta análise dos custos de produção é de
fundamental importância para as empresas, principalmente
devido à globalização da economia e ao controle da inflação. No
terceiro módulo do curso, você estudará a disciplina “Custos
empresariais” e verá a grande importância que os custos têm para
as organizações modernas.

E, dado que as empresas devem utilizar insumos na produção,


elas têm que comprá-los. Logo, para que haja produção, o
empresário precisa adquirir os fatores de produção. Calculando-
se o gasto do empresário com estes fatores de produção, temos o
custo de produção.

Soma dos gastos com insumos ou fatores de produção = custo de produção

Unidade 5 67

fundamentos_economicos.indb 67 20/2/2008 14:47:28


Universidade do Sul de Santa Catarina

O que são custos de produção?


São os gastos financeiros que as empresas têm para adquirir os
fatores de produção necessários ao processo produtivo.

Para realizar esta análise faz-se necessário dividir os custos


empresariais em fi xos e variáveis. Lembre-se de que há fatores de
produção fi xos e fatores de produção variáveis.

„ Custos fixos são aqueles que não variam com a produção.

Por exemplo: aluguel, financiamentos pagos a bancos


credores, seguros, dentre outros.

„ Custos variáveis são aqueles que se modificam quando a


quantidade produzida aumenta ou diminui.

Por exemplo: despesas com matéria-prima, mão-de-obra.

Custos e restrição tecnológica


A contabilidade de custos difere da visão econômica em dois
aspectos principais.

Em primeiro lugar, a contabilidade divide os custos totais em


custos diretos e indiretos. Considera-se:

„ custo direto todo gasto em fatores de produção


empregados diretamente na linha de produção;

Por exemplo: o trabalhador que opera o alto-forno;

68

fundamentos_economicos.indb 68 20/2/2008 14:47:29


Fundamentos Econômicos

„ custo indireto, por sua vez, são os fatores de produção


utilizados fora da linha de produção.

Por exemplo: pessoal administrativo.

Em segundo lugar, a análise econômica divide os custos totais


em fi xos e variáveis. Nesse caso, são considerados:

„ custos fixos – os que independem do nível de produção.


Seja a produção 100 mil toneladas, seja 5 mil toneladas
ou zero, os custos fi xos em que a empresa incorre não se
modificam. Um típico custo fi xo é o gasto com alvará
de funcionamento da empresa. É comum chamar de
custos quase fi xos aqueles que também independem do
nível de produção, mas que só ocorrem quando a empresa
apresenta algum nível de produção (que não zero);

„ custos variáveis – por sua vez, dependem da produção.


Maiores níveis de produção implicam maiores custos
variáveis. Em geral, a matéria-prima utilizada na
produção é um típico custo variável.

O conceito de custo de oportunidade

Ao tomar uma decisão, a empresa deixa de realizar


outra, sendo este o seu custo de oportunidade.

Além do que você já acompanhou, a análise econômica dos


custos difere da visão contábil pela introdução do conceito de
custo de oportunidade, que simboliza bem o modo de pensar do
economista. Nessa visão, os agentes deparam-se a todo momento
com escolhas, comparando todas as alternativas possíveis do
ponto de vista dos respectivos custos e benefícios.

Unidade 5 69

fundamentos_economicos.indb 69 20/2/2008 14:47:29


Universidade do Sul de Santa Catarina

Ao iniciar suas atividades, uma empresa pode escolher


entre adquirir um prédio que será sua sede ou alugar
um prédio semelhante.
Há casos nos quais é mais vantajoso alugar um edifício
do que comprá-lo. Isto porque a empresa terá menos
dispêndios financeiros.
Assim, se o empresário deixou de alugar para
adquirir uma propriedade, e caso o aluguel fosse
financeiramente mais vantajoso, então o valor deste
foi o custo de oportunidade do empresário. De modo
geral, o custo de oportunidade não é contabilizado
nos livros da empresa.

Sendo assim, para termos da Economia, os custos empresariais


podem ser divididos da seguinte maneira:

„ custos implícitos (custo de oportunidade), definidos


como o valor das alternativas dos recursos;

„ custos explícitos (custo de produção), registrados


contabilmente.

Síntese

Nesta unidade, você pôde compreender algumas das decisões que


as empresas têm que tomar, como por exemplo, que tecnologia de
produção utilizar e as decisões sobre seus custos.

O estudo desta unidade foi uma breve introdução para disciplinas


que você estudará em outros módulos do seu curso como “Custos
empresariais” e “Gestão de operações e logística”.

70

fundamentos_economicos.indb 70 20/2/2008 14:47:29


Fundamentos Econômicos

Atividades de auto-avaliação

1. Qual a diferença entre curto e longo prazo?

2. O que são custos fixos? E o que são custos variáveis?

3. Qual a diferença entre os custos implícitos e os custos


explícitos? Por que é importante entender os custos implícitos
em uma empresa?

Unidade 5 71

fundamentos_economicos.indb 71 20/2/2008 14:47:29


Universidade do Sul de Santa Catarina

Saiba mais

Para aprofundar as questões abordadas nesta unidade realize


pesquisa nos seguintes livros:

SILVA, C. R. L.; LUIZ, S. Economia e mercados: introdução


à Economia. São Paulo: Saraiva. 1996.

TROSTER, R.; MOCHON, F. Introdução à Economia.


São Paulo: Makron Books, 1999.

WANNACOTT, P; WANNACOTT, R. Economia. 2. ed.


São Paulo: Makron Books, 1994.

WESSELS, W. J. Economia. São Paulo: Saraiva, 1998.

72

fundamentos_economicos.indb 72 20/2/2008 14:47:30


6
UNIDADE 6

A Contabilidade Nacional

Objetivos de aprendizagem
„ Compreender como são formados: renda e produto de
uma nação.

„ Entender o significado dos conceitos: Renda Nacional e PIB.

Seções de estudo
Seção 1 A análise macroeconômica.

Seção 2 Como medir a produção realizada pelo


sistema econômico?

Seção 3 Dois pontos de vista para examinar e medir


a atividade econômica.

Seção 4 Os agregados macroeconômicos.

fundamentos_economicos.indb 73 20/2/2008 14:47:30


Universidade do Sul de Santa Catarina

Para início de estudo


Nesta unidade você vai tomar conhecimento de como é
constituída a contabilidade nacional, estes conhecimentos lhe
serão úteis para integrar seus conhecimentos de Fundamentos
Econômicos.

Seção 1 – A análise macroeconômica


A macroeconomia é a parte da economia que estuda o conjunto
das decisões dos agentes econômicos. Ou seja, as decisões
conjuntas dos consumidores, das empresas e do governo.

O objetivo fundamental da macroeconomia é


determinar os fatores que influenciam o nível total da
renda e do produto do sistema econômico.

— Por que os economistas se preocupam em medir a produção


realizada por um determinado país?

Esta resposta pode ser dividida em duas partes:

„ a primeira, é que você deve lembrar que o problema


fundamental da Economia é a escassez de recursos.
Por essa razão, eles devem ser empregados de forma
adequada, para que se consiga a maior quantidade
possível de bens e serviços. Isto lhe remete à questão
da eficiência do sistema produtivo. Essa eficiência,
que consiste na maior produção possível a partir de uma
certa quantidade de fatores da produção, precisa ser
constantemente avaliada. Daí a necessidade de se ter
registros da atividade econômica, considerada em seu
conjunto, que permitam esse tipo de análise;

„ a segunda parte lhe remete a um fato histórico.


Quase todas as pessoas já ouviram falar da grande
crise econômica de 1929, que consistiu na redução

74

fundamentos_economicos.indb 74 20/2/2008 14:47:30


Fundamentos Econômicos

das atividades econômicas, ocasionando, entre outros


problemas, o desemprego. Tivemos, também, as duas
grandes guerras mundiais, que envolveram diversos
países e tiveram grande repercussão na economia. A
partir dessa época e com a presença mais acentuada
do Estado como regulador (gerente) das atividades
Econômicas, os economistas passaram a sentir a
necessidade de criar meios que lhes permitissem medir
e avaliar as atividades econômicas desenvolvidas pela
sociedade. E assim, foi que surgiu a contabilidade social
ou nacional. (Mais sobre a crise de 1929 e a intervenção
do Estado na economia você aprenderá na Unidade 8).

A contabilidade nacional se insere na moderna


macroeconomia, que nos fornece os meios para a
análise do conjunto da economia de uma sociedade. Ela
nos mostra o desempenho global de uma Economia.

Seção 2 – Como medir a produção realizada pelo


sistema econômico?
Note que a produção é contínua no tempo e os bens e serviços
são produzidos e consumidos, sendo necessário produzi-los
novamente, pois grande parte das necessidades humanas exige
um consumo contínuo, como é o caso da alimentação, que precisa
ser satisfeita diariamente.

Em primeiro lugar, foi preciso estabelecer


um período de tempo para que se medisse
o total de bens e de serviços produzidos.
Atualmente, esse período é de um ano e
corresponde, no Brasil, ao ano civil, que
vai de janeiro a dezembro.

Unidade 6 75

fundamentos_economicos.indb 75 20/2/2008 14:47:30


Universidade do Sul de Santa Catarina

Em seguida, foi preciso estabelecer uma unidade de medida


comum, pois os bens e serviços têm unidades de medida
diferentes: o petróleo é medido em barris; o leite, em litros; a
energia elétrica, em quilowats e assim por diante. A maneira
encontrada para que se pudesse somar, ou agregar, a totalidade de
bens e de serviços produzidos foi medi-los em termos monetários,
ou seja, pelo seu preço.

Isto porque todos os bens e serviços podem ser expressos em


dinheiro, que é o preço que alcançam no mercado multiplicado
pela quantidade produzida.

Uma vez estabelecido o período que servirá de base para medir a


produção, bem como a unidade de medida em que será expressa essa
grandeza, resta o último problema, referente à ótica segundo a qual
será medida a produção econômica.

Seção 3 – Dois pontos de vista para examinar e medir a


atividade econômica
1. A ótica do produto – mas para entendê-la é
necessário conhecer, antes, o conceito de produto.

O produto de uma Economia é a soma dos


valores monetários dos bens e dos serviços
voltados para o consumo final e produzidos
em um determinado período de tempo.

Assim, ao se medir a atividade econômica a partir da ótica do


produto, considera-se o preço e a quantidade produzida dos bens e
dos serviços, mas apenas daqueles voltados para o consumo final.

Em um automóvel são empregados inúmeros


bens e serviços, como chapas de aço, pneus,
serviços de pintura, etc. Entretanto, eles
não são computados no cálculo do produto
da Economia, pois são bens e serviços
intermediários.

76

fundamentos_economicos.indb 76 20/2/2008 14:47:30


Fundamentos Econômicos

Apenas o número de automóveis produzidos


multiplicado pelo seu preço é que vai entrar
nesse cálculo, para evitar o problema da dupla
contagem, pois os preços dos bens e serviços
intermediários já estão incluídos no preço
final do automóvel.

2. A ótica da Renda – a segunda ótica então, sob a


qual se pode medir a atividade econômica, é a da
renda. A renda dos agentes econômicos é a soma
da remuneração paga aos fatores da produção
durante o processo produtivo.

Renda é a remuneração de cada um dos


fatores de produção, logo, a renda de uma
Economia é a soma da renda de cada fator de
produção.

Renda da Economia = Σ Renda dos fatores de produção

Assim para se obter a renda de um país, em um determinado


período, são somados os salários, os aluguéis, os juros e os lucros, que
são os pagamentos feitos aos fatores produtivos, ao longo do ano.

Como você aprendeu anteriormente, o produto de uma Economia


é expresso em termos monetários, multiplicando-se a quantidade
de bens e de serviços pelos respectivos preços.

Produto da economia $ = quantidade de produção X preço

A partir daí, você poderia considerar o produto como sendo o


total das vendas num determinado período de tempo mais os
estoques avaliados a preço de mercado.

Unidade 6 77

fundamentos_economicos.indb 77 20/2/2008 14:47:30


Universidade do Sul de Santa Catarina

Produto = $ total das vendas/período de tempo + $ estoques

Isto porque, as vendas correspondem à receita dos empresários.

Com a receita obtida através da venda de seus produtos, os


empresários remuneram os fatores da produção empregados:
salários para os trabalhadores, juros para o capital, aluguéis para os
proprietários e lucros para eles próprios, pois o lucro é a remuneração
do empresário.

Seguindo este entendimento, pode-se dizer que as receitas, ou o


produto da Economia, foram direcionados para a remuneração
dos fatores de produção. Chamando o total de pagamentos feitos
aos fatores de produção de renda, chega-se a uma identidade
fundamental na teoria macroeconômica: a renda é igual ao
produto.

A identidade fundamental na teoria macroeconômica é:

Renda = produto

Até aqui você está estudando um sistema econômico


bastante simples, constituído apenas de empresas e
consumidores. Não existe, nele, o setor público, ou
seja, o governo, que recolhe os impostos e as taxas,
nem o resto do mundo, de onde importamos e para
onde exportamos bens e serviços.

Assim, a identidade renda igual a produto só é válida para


um sistema econômico simples, que é constituído de empresas
e consumidores. Além disso, há a condição de que as pessoas
gastem toda sua renda na aquisição de bens e de serviços, ou seja,
não façam poupança.

78

fundamentos_economicos.indb 78 20/2/2008 14:47:30


Fundamentos Econômicos

Considere outro sistema econômico simples, que


é formado por empresas e famílias. Suponha que a
quantidade de bens e de serviços produzidos pelas
empresas, multiplicada pelos seus respectivos preços,
seja igual a 1 milhão de reais. Esse valor é o produto
desse sistema econômico. Entretanto, para obter
esse produto, os empresários gastaram 500 mil reais
em salários e ordenados pagos aos trabalhadores
(fator trabalho). Os empresários gastaram ainda 200
mil reais em aluguel (fator terra), 100 mil reais em
juros aos bancos (fator capital) que emprestaram
recursos financeiros aos empresários. E, finalmente,
200 mil reais de lucro, que é a remuneração dos
empresários, ou seja, o pagamento pelo seu trabalho.

Seção 4 – Os agregados macroeconômicos


A contabilidade nacional mede a atividade econômica a partir
de sua expressão mais genérica (o produto da economia), para,
em seguida, e a partir dele, introduzir novos conceitos e assim se
observar a atividade econômica.

Os agregados
Esses conceitos são chamados de agregados e recebem essa
denominação pelo fato de não serem simplesmente uma soma de
parcelas que se expressam da mesma forma e na mesma unidade
de medida, mas sim uma soma de coisas diferentes (bens e
serviços) cujo volume físico, conforme você aprendeu, é expresso
nas mais diferentes unidades de medida.

No entanto, esses bens e serviços podem ser adicionados


quando são traduzidos numa unidade comum de medida, ou
seja, a moeda.

Unidade 6 79

fundamentos_economicos.indb 79 20/2/2008 14:47:30


Universidade do Sul de Santa Catarina

O sistema econômico real


O sistema econômico que você irá acompanhar mantém relações
com outros sistemas, isto é, com o resto do mundo, através da
exportação e da importação de bens e de serviços. Além disso,
nesse sistema, a presença do setor público, ou seja, do governo, é
bastante importante.

Com relação às empresas, não é mais necessário que elas gastem


todo sua renda em bens e serviços de consumo (essa parte
da renda que não é consumida recebe o nome de poupança).
Consequentemente, se toda a renda não é consumida, uma parte
da produção das empresas não será vendida, o que possibilitará a
formação de estoques nessa Economia.

Assim, a partir de agora, você vai aprender o que significa cada


um dos chamados agregados macroeconômicos.

Produto interno bruto (PIB)


O primeiro agregado é o Produto Interno Bruto (PIB), que
corresponde ao conceito de produto da economia, ou seja, à soma
dos valores monetários dos bens e dos serviços finais, produzidos
a partir dos fatores de produção que estão dentro das fronteiras
geográficas do país.

Considerando a presença do Estado nas atividades econômicas,


há duas maneiras de se medir o Produto Interno Bruto (PIB) de
uma economia:

„ PIB a preços de mercado: é a soma dos valores


monetários dos bens e serviços produzidos, computando-
se os impostos indiretos e subtraindo-se os subsídios;

„ PIB a custo de fatores: é a soma dos valores monetários


dos bens e serviços produzidos, subtraindo-se os
impostos indiretos e somando-se os subsídios.

Como você aprendeu, a presença do governo num sistema


econômico tem a possibilidade de modificá-lo, através do seu
efeito sobre o preço dos bens e dos serviços e sobre a remuneração
dos fatores de produção.

80

fundamentos_economicos.indb 80 20/2/2008 14:47:31


Fundamentos Econômicos

Componentes do Pib
Podemos mostrar o PIB através da equação abaixo:

PIB = C + I + G+ X – M

Onde
C = Consumo das famílias
I = Investimento das empresas
G = Gastos do Governo
X = Exportações
M = Importações

Consumo das Famílias


Quando mencionamos a variável consumo, nos referimos aos
gastos que as pessoas fazem com bens de consumo, tais como,
alimentos, roupas, remédios, supérfluos, etc.

Investimento
Já a variável investimento refere-se aos investimentos feitos pelas
empresas, com o objetivo de aumentar a produção. Por exemplo,
quando uma empresa compra uma nova máquina, consideramos
que houve um investimento.

Gastos do Governo
Já os gastos do governo referem-se às diversas despesas deste. Por
exemplo, o pagamento de funcionários públicos, construção de
novas escolas e hospitais.

Unidade 6 81

fundamentos_economicos.indb 81 20/2/2008 14:47:31


Universidade do Sul de Santa Catarina

Exportações e Importações
Por fim, ao nos referirmos às exportações e importações
queremos enfatizar que o comércio exterior também interfere na
formação do PIB de um país. Note que a variável importações
(M) é a única da equação assinalada com o sinal negativo,
significando que quando estas aumentam, há uma redução no
PIB (caso não haja variação em nenhuma outra variável).

Veja no quadro a seguir como estas variáveis contribuíram para a


formação do PIB brasileiro nos anos de 2002 e 2003.

PIB (Em %)

2002 2003
Consumo 58,0 56,9

Investimentos 19,8 20,1

Governo 20,1 19,3

Exportações 15,5 16,9

Importações 13,4 13,1

Fonte:IBGE

Agora veja como cada um dos setores (primário, secundário e


terciário) contribuíram para o PIB brasileiro nos mesmos anos.

PIB (Em %)

2002 2003
Agroindústria 8,7 10,2

Indústria 38,3 38,7

Serviços 59,2 56,7

Fonte:IBGE

82

fundamentos_economicos.indb 82 20/2/2008 14:47:31


Fundamentos Econômicos

Renda Pessoal (RP)


Considere, mais uma vez, a intervenção do Estado na Economia. Se
você subtrair da Renda Nacional os lucros retidos pelas empresas,
os impostos diretos das empresas (Imposto de Renda) e as
contribuições feitas à Previdência Social e somar as transferências
do governo, ou seja, as despesas do governo com inativos,
pensionistas, salário-família e outros benefícios pagos pela
previdência social mais os juros pagos, terá a Renda Pessoal (RP).

A Renda Pessoal é o agregado macroeconômico


destinado aos consumidores residentes no país.

Que tal um exemplo?

Considere, mais uma vez, o país do exemplo anterior,


supondo que o governo arrecade 70 bilhões com o
Imposto de Renda das empresas e contribuições
feitas à Previdência Social e transfere, para as pessoas,
50 bilhões como benefícios pagos pela Previdência
Social e 5 bilhões de juros. O resultado então será uma
Renda Pessoal de 170 bilhões.

Acompanhe passo a passo o raciocínio:

Consumo 185 bilhões (Produto Nacional Líquido a custo de fatores)

- 70 bilhões (Imposto de Renda das empresas e contribuições à Previdência Social)

+ 50 bilhões (benefícios pagos pela Previdência Social)

+ 5 bilhões (juros pagos pelo governo)

= 170 bilhões (Renda Pessoal)

Unidade 6 83

fundamentos_economicos.indb 83 20/2/2008 14:47:31


Universidade do Sul de Santa Catarina

Renda Pessoal Disponível (RPD)


Se você subtrair da renda pessoal os impostos diretos pagos pelas
pessoas, ou seja, imposto de renda, chegará ao conceito de Renda
Pessoal Disponível (RPD), que é a quantia que permanece em
poder das pessoas para ser consumida ou poupada.

Imagine que as pessoas tenham pagado o equivalente


a 30 bilhões de Imposto de Renda. Então, nesse país,
terá uma Renda Pessoal Disponível de 140 bilhões,
obtida da seguinte maneira:

170 bilhões (Renda Pessoal)

- 30 bilhões (Imposto de Renda pago pelas pessoas)

= 140 bilhões (Renda Pessoal Disponível)

Você viu que a produção realizada por um sistema econômico é


destinada à satisfação das necessidades das pessoas. Esse sistema
econômico não permanece estável no decorrer do tempo. Ele se
modifica, cresce e atravessa crises, tudo isso com conseqüências
sobre as pessoas que o integram.

Um dos campos de interesse dos economistas, e também do


governo, é o nível de bem-estar dos habitantes de um país. Esse
nível de bem-estar, apesar de ser um conceito subjetivo, pode
ser aproximado através da quantidade de bens e de serviços
disponíveis, por período de tempo, para as pessoas.

Se a quantidade de bens e serviços disponíveis aumentou, de


um ano para outro, mais do que o aumento da população pode-
se dizer que aumentou o bem-estar das pessoas desse país. Isso
aconteceria se o aumento do produto (lembre-se que produto é
renda) tivesse sido distribuído igualmente entre as pessoas.

84

fundamentos_economicos.indb 84 20/2/2008 14:47:31


Fundamentos Econômicos

As observações acima permitem que você conclua que há


virtudes e limitações dos agregados macroeconômicos:

„ os agregados servem para o estudo e o acompanhamento


da evolução do sistema econômico no decorrer do tempo;

„ através dos seus vários conceitos, é possível avaliar o


papel do governo, do setor externo e das empresas na
Economia.

Você deve notar ainda que há uma limitação da contabilidade


nacional como instrumento de análise.

Ela não nos diz de que forma o produto é distribuído entre os


habitantes do país. Assim, uma Economia pode apresentar taxas
de crescimento elevadas de seu produto, o que não quer dizer que
o crescimento seja igualmente distribuído entre as pessoas.

Nesse caso, fica difícil dizer alguma coisa a respeito do nível de


bem-estar, pois o bem-estar de algumas pessoas aumentou, mas o
de outras não. O que é exatamente o caso do Brasil.

De qualquer forma, a contabilidade nacional tem se mostrado útil


para analisar o funcionamento do sistema econômico como um
todo, pois fornece ao governo elementos que permitem dirigir as
medidas de política econômica para os objetivos estabelecidos.

Síntese

Nesta unidade, você começou a aprender os principais conceitos


macroeconômicos. Dentre estes, destaca-se o PIB, que é de suma
importância, pois reflete a renda de uma população. E, como PIB
é a renda, mede a capacidade de consumo de uma região.

Na próxima unidade, você aprenderá mais sobre macroeconomia,


especificamente, sobre a importância do consumo e da poupança
para uma Economia.

Unidade 6 85

fundamentos_economicos.indb 85 20/2/2008 14:47:31


Universidade do Sul de Santa Catarina

Atividades de auto-avaliação

1. Por que é importante estudar a contabilidade nacional?

2. O que é PIB? Por que você acha que é importante para um empresário
conhecer o PIB da região onde pretende montar uma nova empresa?

3. Por que dizemos que a renda é igual ao produto?

86

fundamentos_economicos.indb 86 20/2/2008 14:47:31


Fundamentos Econômicos

Saiba mais

Para aprofundar as questões abordadas nesta unidade você pode:

„ visitar o site do Instituto Brasileiro de Geografia e


Estatística (IBGE) <http://www.ibge.gov.br>;

„ ou pesquisar os seguintes livros:

SILVA, C. R. L.; LUIZ, S. Economia e mercados:


introdução à Economia. São Paulo: Saraiva. 1996.

TROSTER, R.; MOCHON, F. Introdução à


Economia. São Paulo: Makron Books, 1999.

MEURER, R.; SAMOHYL, R. Conjuntura


econômica: entendendo a Economia no dia-a-dia.
Campo Grande: Oeste, 2001, 124 p. (disponível
gratuitamente em www.qualimetria.ufsc.br).

WESSELS, W. J. Economia. São Paulo: Saraiva, 1998.

Unidade 6 87

fundamentos_economicos.indb 87 20/2/2008 14:47:32


fundamentos_economicos.indb 88 20/2/2008 14:47:32
7
UNIDADE 7

Consumo e poupança

Objetivo de aprendizagem
„ Entender a relação, no processo de formação da renda,
entre consumo e poupança.

Seções de estudo
Seção 1 O consumo.
Seção 2 Poupança e investimento.

Seção 3 O que é investimento?

fundamentos_economicos.indb 89 20/2/2008 14:47:32


Universidade do Sul de Santa Catarina

Para início de estudo


Como você estudou na unidade anterior (6), o último agregado
macroeconômico é a Renda Pessoal Disponível, ou seja, aquele
montante que as pessoas têm a seu dispor para consumir ou
poupar.

Seção 1 – O consumo
Pense no caso de uma pessoa que recebe seu salário, que é a
remuneração do seu trabalho, no final do mês. Com esse salário,
que é sua Renda Pessoal Disponível, ela realizará uma série de
gastos necessários para sua sobrevivência e satisfação de suas
necessidades.

Renda Disponível = Renda Bruta - descontos

Renda Disponível é a Renda Bruta menos os descontos


como gastos com impostos e contribuições sociais.

Esses gastos podem ser divididos em três componentes,


dependendo da natureza do bem ou do serviço que for adquirido,
acompanhe a seguir.

„ Bens de consumo não duráveis. São bens cuja vida


útil é relativamente curta, como alimentos, roupas e
combustível.

„ Serviços de consumo. O que distingue os bens não


duráveis dos serviços de consumo é o fato de que, no
segundo caso, a pessoa não está comprando um objeto
com existência física própria, mas um serviço prestado

90

fundamentos_economicos.indb 90 20/2/2008 14:47:32


Fundamentos Econômicos

por outra pessoa ou por um equipamento. Compreendem


as despesas feitas com aluguel, médicos, barbeiro,
cinemas, transporte, etc.

„ Bens de consumo duráveis. Estes bens têm vida útil


maior do que os bens não duráveis de consumo como
eletrodomésticos em geral, automóveis, móveis, etc.

Seção 2 – Poupança e investimento


Conforme você aprendeu, as pessoas podem com a
sua renda consumir bens não duráveis, serviços e bens
duráveis. Mas também, as pessoas podem consumir
todos os produtos que acham necessário durante o mês,
e, ainda pode restar uma parte da renda.

Essa parte da renda que não é consumida chama-se poupança.

Sendo

renda = consumo + poupança

então

poupança = renda - consumo.

Unidade 7 91

fundamentos_economicos.indb 91 20/2/2008 14:47:32


Universidade do Sul de Santa Catarina

Ou, esta identidade pode ser expressa da seguinte forma:

S=Y-C

Onde:
S = poupança (em inglês, saving)
Y = renda (em inglês, yield)
C = consumo (em inglês, consumption).

Desta forma, você pode concluir que há apenas duas coisas que
pode fazer com sua renda: consumir e poupar. Em outras
palavras, significa dizer que a renda é composta pelo consumo e
pela poupança.

A importância de saber poupar


Poupar é uma arte. E, já está provado, traz significativos resultados para os
poupadores em longo prazo. E é justamente quando falamos de tempo
que está o problema da poupança. Nos manuais de Economia, poupança
é definida como sendo o consumo futuro. Ou seja, uma compra que
adiamos hoje com o intuito de comprar algo no futuro. Como comprar
ou consumir dá prazer a muitas pessoas, é difícil adiar o prazer de hoje
pensando num prazer futuro. É preciso deixar claro que quando falo em
poupança não me refiro especificamente às cadernetas de poupança,
mas a toda e qualquer forma de economizar dinheiro, seja aplicando em
ações, títulos do governo, fundos de renda fixa, dentre outros. Mas, se não
fosse a arte de poupar e a mágica dos juros compostos jamais poderíamos
comprar produtos que à vista não temos condições. Uma pequena
parcela poupada a cada mês, pode ao final de um grande período render
bons frutos para quem for disciplinado. E não é simples pensarmos
em um período longo de tempo porque sempre há aquela pessoa que
diz: “Aproveite a vida, por que fazer amanhã o que pode fazer hoje?”.
E é realmente uma arte resistir às tentações consumistas do mundo
moderno. Os americanos são conhecidos como grandes gastadores, e
nós brasileiros não ficamos atrás. No entanto, é preciso lembrar que lá
a taxa de juros bem reduzida é um convite ao consumo, enquanto aqui
juros elevados clamam pelo aumento das taxas de poupança. Portanto,
poupar exige disciplina e um objetivo futuro. Sem um objetivo, seja ele
um carro, uma viagem, um apartamento, dificilmente poupamos. Mas,
vale a pena.

FONTE: André Luís da Silva Leite (http:www.florianopolisonline.com.br, mar 2002).

92

fundamentos_economicos.indb 92 20/2/2008 14:47:32


Fundamentos Econômicos

Assim, pergunta-se:
Conforme nos ensinam
Silva e Luiz (1996).
O que as pessoas fazem com a sua poupança, ou seja,
com a parcela de sua renda que não é consumida?

Para você poder responder a essa pergunta adequadamente, é


necessário antes acompanhar algumas considerações sobre o lado
real do sistema econômico.

Até agora, foi apresentado o fluxo monetário do sistema


econômico, o lado da renda. Lembre-se, ainda, que o fluxo real,
ou lado real da Economia, corresponde aos bens e serviços,
produzidos por período de tempo.

Você já tomou conhecimento também que o lado real é igual


ao lado monetário, ou seja, a renda é igual ao produto. Essa
igualdade indica que o total dos bens e serviços produzidos por
período de tempo era vendido, para que a receita das vendas
remunerasse os fatores de produção.

E nesta unidade, você já pode concluir que a renda disponível é o


principal determinante do consumo.

O que acontece se as pessoas poupam uma parte


de sua renda e não a gastam integralmente em
consumo?

Uma parte do produto, isto é, dos bens e serviços produzidos, não


será vendida, havendo uma variação, num determinado período
de tempo, nos estoques do sistema econômico.

Como o estoque de uma Economia é formado pelos bens que não


foram vendidos, no período de tempo em que foram produzidos,
mais o estoque no início do período, você pode considerar que a
variação de estoques por período de tempo é igual à poupança no
mesmo período.

Do ponto de vista do lado real do sistema econômico, a formação


de estoque significa investimento.

Unidade 7 93

fundamentos_economicos.indb 93 20/2/2008 14:47:32


Universidade do Sul de Santa Catarina

Seção 3 – O que é investimento?


Quando o referido é investimento, está se falando da aplicação de
recursos em empresas (novas empresas ou ampliação das empresas
já existentes).

Tais investimentos devem, ao final de um período,


gerar lucro para o empresário. E, de acordo com o
Dicionário de Economia, investimento é a aplicação
de capital em meios que levam ao aumento da
capacidade produtiva, ou do produto.

O estudo dos investimentos é crucial para a atividade econômica,


pois são as empresas que, ao investir, geram empregos e renda
para a população.

E as empresas, para investir, precisam de capital. E este capital está


disponível para elas nos bancos. Mas, o capital ou dinheiro que
está nos bancos pertence às pessoas e famílias que guardam seu
dinheiro. E é justamente esse dinheiro que os bancos emprestam
às empresas.

Portanto, pode-se dizer que a poupança é igual ao investimento,


no mesmo período. Isso nos leva à igualdade fundamental da
macroeconomia, dada por:

S=I

Onde:
S = poupança
I = investimento

Em resumo, o investimento se manifesta de três maneiras:

„ construção de novas fábricas e máquinas para as


empresas;
„ construção de novas casas residenciais;
„ variação dos estoques.

94

fundamentos_economicos.indb 94 20/2/2008 14:47:33


Fundamentos Econômicos

Quais os principais determinantes do investimento?


Os principais determinantes do investimento são:

„ as expectativas dos empresários: os empresários têm


certas expectativas sobre o rumo da atividade econômica.
Estas expectativas direcionam suas decisões sobre
investimentos;

„ a taxa de juros: a taxa de juros é o preço do dinheiro


emprestado. Ou seja, ao pedir um empréstimo, você
paga juros sobre o total emprestado. Desta forma, o
empresário tende a investir mais quando a taxa de juros
é menor, pois ele terá menos custos com empréstimos e
financiamentos;

„ a capacidade instalada: a capacidade de uma empresa


refere-se às instalações produtivas que ela tem. Quando
a empresa produz menos do que sua capacidade permite,
ela conta com excesso de capacidade e não terá motivos
para fazer novos investimentos.

Relacionando os conceitos estudados até agora com


o sistema econômico como um todo, você pode
concluir que:
„ o consumo do sistema econômico é a soma das
despesas de consumo realizadas por todas as
pessoas, por período de tempo;
„ a soma das poupanças das pessoas é igual à
poupança do sistema econômico;
„ a poupança da Economia é igual ao investimento,
que é formado pela variação nos estoques e pelos
gastos dos empresários para aumentar a capacidade
produtiva da Economia.

Convém lembrar que os empresários são pessoas e que os gastos


em investimentos são feitos, em parte, com suas poupanças,
sendo o restante do investimento feito com a poupança do
sistema econômico. Mais tarde, quando você estudar o Mercado
de Capitais, entenderá como a poupança das pessoas é transferida
para os investimentos.

Unidade 7 95

fundamentos_economicos.indb 95 20/2/2008 14:47:33


Universidade do Sul de Santa Catarina

Síntese

Nesta unidade você aprendeu a importância de algumas variáveis


como o consumo (que é a parcela da renda utilizada na compra
de bens e serviços) e poupança (que é parcela da renda que é
guardada para ser consumida no futuro, por exemplo, para se
comprar um carro ou viajar).

Você também aprendeu que a poupança que as pessoas fazem é


canalizada para os investimentos empresariais, pois é no banco
que os empresários tomarão empréstimos para abrir novas
empresas ou expandir as empresas já existentes.

Na próxima unidade você aprenderá sobre a intervenção do


governo na Economia, que é de suma importância, pois o
governo é o principal agente em um sistema econômico.

Atividades de auto-avaliação

1. O que são bens de capital, bens de consumo duráveis e bens


não-duráveis?

96

fundamentos_economicos.indb 96 20/2/2008 14:47:33


Fundamentos Econômicos

2. O que determina o consumo das pessoas?

3. Por que poupança é igual a investimento?

4. Explique os principais determinantes do investimento.

Unidade 7 97

fundamentos_economicos.indb 97 20/2/2008 14:47:33


Universidade do Sul de Santa Catarina

Saiba mais

Para aprofundar as questões abordadas nesta unidade realize


pesquisa nos seguintes livros:

TROSTER, R.; MOCHON, F. Introdução


à Economia. São Paulo: Makron Books, 1999.

WESSELS, W. J. Economia. São Paulo: Saraiva, 1998.

MEURER, R.; SAMOHYL, R. Conjuntura econômica:


entendendo a Economia no dia-a-dia. Campo Grande:
Oeste, 2001, 124 p. (disponível gratuitamente em www.
qualimetria.ufsc.br).

98

fundamentos_economicos.indb 98 20/2/2008 14:47:33


8
UNIDADE 8

O papel do governo

Objetivos de aprendizagem
„ Entender o papel do governo ou do Estado em uma
Economia de mercado.

„ Conhecer os principais instrumentos que o governo


utiliza para intervir na Economia.

Seções de estudo
Seção 1 Um pouco de história.

Seção 2 Quais as principais funções do setor público?

Seção 3 A participação do Estado na Economia.

Seção 4 Os instrumentos do governo.

Seção 5 O orçamento do governo.

Seção 6 Como é que funciona a política fiscal?

Seção 7 O déficit e seu financiamento.

fundamentos_economicos.indb 99 20/2/2008 14:47:33


Universidade do Sul de Santa Catarina

Para início de estudo


Ao longo da história, o nível de intervenção do Estado tem
variado bastante. Há épocas em que quase não se nota a presença
do Estado. Mas, há épocas em que o Estado intervem com
freqüência no dinamismo da Economia.

Seção 1 – Um pouco de história


Até 1929, quase não se percebia, nos países desenvolvidos, a
intervenção do governo na Economia. Tal situação chamava-se
liberalismo. Neste ano, houve uma forte crise econômica que
abalou todos os mercados do mundo, iniciada na quebra da bolsa
de Nova Iorque. Isto deu início à Grande Depressão e, na maioria
dos países ocidentais, houve uma grande recessão.
Recessão é um fenômeno
caracterizado por queda da
produção, aumento do desemprego,
diminuição dos lucros e aumento do Objetivos da intervenção do Estado
número de falências e concordatas.
No entanto, nessa época havia na Inglaterra um economista
chamado John Maynard Keynes, que escreveu uma obra muito
importante: Teoria Geral do Emprego, dos Juros e do Dinheiro.
Keynes, que era banqueiro e professor de Economia em
Cambridge, propôs uma atitude ativa por parte dos governos
diante de crises econômicas que terminassem em recessão. Em
outras palavras, ele defendeu que o governo aumentasse seus
gastos, como mecanismo de combate à depressão econômica.

100

fundamentos_economicos.indb 100 20/2/2008 14:47:33


Fundamentos Econômicos

Para entender o que Keynes quis dizer:


Imagine um país bem pequeno, onde o único produto que os habitantes fazem é
maçã. Imagine também que este país está em recessão. Ou seja, os produtores não
estão conseguindo vender a maior parte das maçãs que produzem. Agora, pense
se o governo deste país resolver, utilizando o dinheiro que arrecada com impostos
e taxas, comprar as maçãs que os produtores não conseguem vender no mercado.
Então, isso iria aumentar o faturamento e o lucro dos produtores, que, por sua vez,
iriam empregar mais gente. Com mais emprego, mais renda teriam as pessoas
para poder comprar maior parte da produção. Ou seja, criou-se um ciclo virtuoso
que gerou mais renda para as pessoas e os produtores de maçã.

Seção 2 – Quais as principais funções do setor público?


As principais funções do governo são as seguintes:

As funções do governo

fiscalizadora

O governo estabelece e arrecada impostos e taxas.

reguladora

Regula a atividade econômica através de leis e disposições administrativas.


Por exemplo, o governo pode controlar preços (gasolina, por exemplo) e impedir a formação
de cartéis.

provedora de bens e serviços

Através das empresas estatais, pode prover os bens públicos (defesa, saúde, educação) e
bens econômicos (água, energia, telefonia)

redistributiva
O governo pode distribuir melhor a renda entre as pessoas, regiões ou estados,
procurando torná-la mais igualitária (por exemplo, o salário mínimo);

estabilizadora

controle dos agregados econômicos, para evitar as recessões.

Unidade 8 101

fundamentos_economicos.indb 101 20/2/2008 14:47:34


Universidade do Sul de Santa Catarina

Objetivos do setor público


Diante do que você aprendeu anteriormente, o governo, então,
tem três grandes objetivos:

„ maior nível de emprego possível;


„ estabilidade dos preços, ou seja, controle da inflação; e
„ crescimento da economia.

Seção 3 – A participação do Estado na Economia


O Estado participa de um sistema econômico através dos
governos federal, estadual e municipal, desempenhando o papel
de dois agentes econômicos: o de consumidor e o de produtor.

Estado

Consumidor

Como consumidor de bens e serviços, o Estado adquire tudo aquilo que é


necessário ao funcionamento do poder público, como veículos, armas para o
exército, computadores para as repartições públicas.

O Estado também pode contratar serviços de transporte para seus funcionários ou


contratar empresas para construções de estradas, etc.

Produtor

Como produtor, ele fornece à população os chamados bens públicos, como


assistência médica através da Previdência Social, educação, serviço de polícia, etc.

Para desempenhar o paper de produtor, o Estado necessita de dinheiro, que


é conseguido mediante os tributos, ou seja, os impostos, que incidem sobre
determinadas atividades econômicas.

102

fundamentos_economicos.indb 102 20/2/2008 14:47:34


Fundamentos Econômicos

Seção 4 – Os instrumentos do governo


Para alcançar seus objetivos e garantir uma melhor qualidade de
vida para a população, o governo utiliza a política econômica.
Esta é feita, normalmente, através de instrumentos de política
fiscal e política monetária.

„ Política fiscal: refere-se às decisões do governo sobre


seus gastos e os impostos que arrecada.

„ Política monetária: refere-se ao controle da quantidade


de dinheiro que existe em uma Economia.

Para efeitos de sistematizar os seus estudos, esta unidade vai


se concentrar somente na política fiscal, que, como você já
acompanhou, lida com os gastos e os impostos arrecadados pelo
governo.

Os impostos são as receitas públicas criadas por


lei e de cumprimento obrigatório para as pessoas
(contribuintes) contempladas por ela.

Da mesma maneira que no exemplo da maçã, o governo pode


aumentar a velocidade da Economia através dos impostos. Por
exemplo: reduzindo os impostos sobre a venda da maçã, o que
reduziria o seu preço e aumentaria as vendas.

Qual a diferença entre imposto direto e subsídios?

Alguns impostos, apesar de incidirem sobre a produção, são


pagos pelos consumidores, pois são adicionados ao preço final do
produto pelos fabricantes. Esse tipo de imposto, que é transferido
do produtor para o consumidor, chamamos de imposto direto.

Unidade 8 103

fundamentos_economicos.indb 103 20/2/2008 14:47:34


Universidade do Sul de Santa Catarina

Por outro lado, o setor público muitas vezes tem interesse em


que determinados produtos tenham um preço mais baixo para
o consumidor final e concede às empresas que os produzem os
chamados subsídios, que são estímulos que visam diminuir o
custo de produção de um bem ou de um serviço.

Seção 5 – O orçamento do governo


O orçamento do governo é uma descrição do plano de gastos e
como ele financiará esses gastos.

Orçamento do governo = Receitas públicas – Gastos públicos

„ Se as RECEITAS do governo forem maiores que seus


GASTOS, haverá um SUPERÁVIT orçamentário.

„ Por outro lado, se os GASTOS do governo for maior do


que a ARRECADAÇÃO (situação comum nos diversos níveis
de governo no Brasil) haverá um DÉFICIT orçamentário.

„ E o orçamento estará em EQUILÍBRIO quando a RECEITA


pública for igual aos GASTOS públicos.

Assim, as medidas expansionistas (aumento dos gastos do


governo ou redução dos impostos) tenderão a criar déficit
no orçamento, enquanto as medidas restritivas terão o efeito
contrário.

104

fundamentos_economicos.indb 104 20/2/2008 14:47:34


Fundamentos Econômicos

Seção 6 – Como é que funciona a política fiscal?

1. Política fiscal expansionista

Aumento dos gastos públicos => Aumento da demanda agregada

Ou

Redução dos impostos => Aumento do consumo privado

Com isso, a produção e o emprego aumentam ( ↑ ).

2. Política fiscal recessiva

Redução dos gastos públicos => Redução da demanda agregada

Ou

Aumento dos impostos => Redução do consumo privado

Com isso, a produção e o emprego diminuem ( ↓ ).

Seção 7 – O déficit e seu financiamento


Desde a crise de 1929, em muitos países, o governo vem
aumentando sua participação na atividade econômica. É importante
você atentar para o dado de que o crescimento econômico do
Brasil se deu fortemente amparado no Estado. Ou seja, o Brasil
se desenvolveu graças à presença forte do governo. Exemplos são
as empresas estatais, como as distribuidoras de energia ou as
companhias de água e esgoto.

Unidade 8 105

fundamentos_economicos.indb 105 20/2/2008 14:47:34


Universidade do Sul de Santa Catarina

Essa forte presença do Estado aumentou a necessidade de


financiamentos. Para atender a essas necessidades, o governo tem
três alternativas:

„ impostos;
„ criação de dinheiro; e
„ emissão de dívida pública.

Os impostos são a alternativa natural para se financiar o déficit


público. Porém, quando existe déficit, significa que os impostos
são insuficientes para fazer frente aos gastos.

Outra alternativa possível é a criação de dinheiro. O Banco


Central, que é a instituição do governo responsável pela emissão
de dinheiro, poderia recorrer a este procedimento e atender o
governo. Mas, isso não é tão simples, pois, como você verá na
unidade sobre inflação, isto tende a aumentar a inflação.

Uma terceira possibilidade é emitir dívida pública. Neste caso, o


Estado emite, ou seja, vende títulos de renda fi xa, por exemplo.
No entanto, tal fato tem o perverso efeito de deslocar a poupança
das pessoas para o setor público. Lembre-se que na Unidade 7
você aprendeu que poupança deve gerar novos investimentos,
ou seja, o governo, neste caso, desvia os recursos do setor
empresarial para o setor público.

O equilíbrio orçamentário
Assim, para não ter que aumentar impostos (o que seria uma
medida extremamente impopular), não emitir dinheiro (que, como
você verá na próxima unidade, causa inflação) e não aumentar a
dívida (o que implica a necessidade de aumento da taxa de juros),
o governo deve equilibrar o seu orçamento. Ou seja, o governo,
assim como qualquer outro agente da Economia, não pode gastar
mais do que arrecada.

Em resumo, o equilíbrio orçamentário pressupõe que:

RECEITAS DO GOVERNO = GASTOS DO GOVERNO

106

fundamentos_economicos.indb 106 20/2/2008 14:47:34


Fundamentos Econômicos

Isto vem ocorrendo no Brasil desde o ano de 2000, com a entrada


em vigor da Lei de Responsabilidade Fiscal. Esta lei, como nos
mostra o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão
(www.planejamento.gov.br) é “um código de conduta para os
administradores públicos que passarão a obedecer as normas
e limites para administrar as finanças, prestando contas sobre
quanto e como gastam os recursos da sociedade. Representa um
importante instrumento de cidadania para o povo brasileiro,
pois todos os cidadãos terão acesso às contas públicas, podendo
manifestar abertamente sua opinião, com o objetivo de ajudar a
garantir sua boa gestão”.
Fonte: site do Ministério
Ou seja, a Lei de Responsabilidade Fiscal tem como objetivo do Planejamento,
garantir que os governantes não gastarão mais do que arrecadam, Orçamento e Gestão.
tornando a gestão dos recursos públicos mais disciplinada.

Síntese

Nesta unidade, você estudou que o governo (Estado) tem funções


de suma importância no sistema econômico, afinal, o Estado é
o maior agente econômico. Desta forma, o governo tem funções
importantes a desempenhar para garantir o bom funcionamento
da Economia, e, conseqüentemente, do país.

Você estudou também que o governo tem uma importante


ferramenta, chamada política fiscal, que se refere às suas receitas
e despesas, para dinamizar a Economia.

Na unidade seguinte você aprenderá a importância da moeda


(que pertence ao Estado) e da inflação. E na unidade posterior
você aprenderá que o Estado também pode intervir na Economia
através do gerenciamento da quantidade de moeda disponível na
economia, ou seja, da política monetária.

Unidade 8 107

fundamentos_economicos.indb 107 20/2/2008 14:47:34


Universidade do Sul de Santa Catarina

Atividades de auto-avaliação
1. Quais são as funções fundamentais do setor público?

2. Como o governo pode promover uma política fiscal


expansionista ou expansiva?

108

fundamentos_economicos.indb 108 20/2/2008 14:47:35


Fundamentos Econômicos

3. Quando o governo incorre em déficit público?

4. Dê um exemplo de empresa pública brasileira. Para você, a existência


de uma empresa pública pode ser explicada pelo que
você leu nesta unidade?

Unidade 8 109

fundamentos_economicos.indb 109 20/2/2008 14:47:35


Universidade do Sul de Santa Catarina

Saiba mais

Para aprofundar as questões abordadas nesta unidade realize


pesquisa nos seguintes:

„ LIVROS :

SILVA, F. G.; JORGE, F. T. Economia aplicada à


administração. 2 ed. São Paulo: Futura, 1999.

MANKIW, N. G. Introdução à Economia. Rio de


Janeiro: Campus, 1999.

MEURER, R.; SAMOHYL, R. Conjuntura


econômica: entendendo a Economia no dia-a-dia.
Campo Grande: Oeste, 2001, 124 p. (disponível
gratuitamente em www.qualimetria.ufsc.br).

SILVA, C. R. L.; LUIZ, S. Economia e mercados:


introdução à Economia. São Paulo: Saraiva. 1996.

„ SITES :

<http://www.fazenda.gov.br>
(site do Ministério da Fazenda)

<http://www.ipea.gov.br>
(sobre o papel do Governo na economia é interessante
visitar o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

110

fundamentos_economicos.indb 110 20/2/2008 14:47:35


9
UNIDADE 9

A moeda e a inflação

Objetivos de aprendizagem
„ Entender a importância da moeda para o sistema
econômico como um todo.

„ Compreender o conceito de inflação.

„ Conhecer as principais causas de inflação.

Seções de estudo
Seção 1 A moeda.
Seção 2 A inflação.

fundamentos_economicos.indb 111 20/2/2008 14:47:35


Universidade do Sul de Santa Catarina

Para início de estudo


Na primeira seção desta unidade, você irá aprender o conceito de
moeda. Ou seja, o assunto em questão será o dinheiro, entender
a sua importância é fundamental para o entendimento do sistema
financeiro e das complexas transações econômicas atuais. Veja
também como surgiu a moeda e quais suas funções no mundo atual.

Na segunda seção desta unidade, você irá refletir e discutir um


conceito muito falado e comentado no Brasil: o conceito de
inflação. Você irá estudar quais são os efeitos da inflação para as
empresas, para as pessoas e para o governo.

Seção 1 – A moeda
Você pode iniciar este estudo se perguntando:

Para que serve a moeda?


É só você voltar a dar uma olhada na Unidade 2, onde você
aprendeu sobre as trocas no sistema econômico, para obter parte
desta resposta. Naquela unidade você pôde perceber que as trocas
são facilitadas com a utilização de dinheiro ou moeda.

Em outras palavras, para atender um dado volume de negócios,


necessita-se de determinada quantidade de moeda.

Nas economias mais


rudimentares não havia moeda
ou dinheiro. As trocas eram
diretas. As trocas diretas
recebem o nome de escambo.
No escambo, as trocas são
realizadas sem dinheiro.

112

fundamentos_economicos.indb 112 20/2/2008 14:47:35


Fundamentos Econômicos

Você sabia?
O escambo foi a primeira relação econômica entre
portugueses e nativos no Brasil?

Para exemplificar, volte ao exemplo do alfaiate e do agricultor da


Unidade 2:

Caso o alfaiate desejasse se alimentar, ele teria que dar


roupas para o agricultor. Mas, e se o agricultor não
necessitasse de roupas?

A troca realizada através do escambo tem sérios inconvenientes.


Primeiro, exige que cada pessoas encontre alguém disposto a
adquirir precisamente o que essa pessoa tem para trocar.

Em outras palavras, o escambo exige uma coincidência de desejos.

O segundo inconveniente refere-se à dificuldade em determinar


um valor para alguns bens.

Ainda no exemplo do alfaiate e do agricultor:


quantas peças de roupa poderiam ser trocadas por
um quilo de alimento?

Esses dois inconvenientes fazem com que o escambo seja inviável


e permitem a introdução da moeda no sistema de trocas.

Então, a moeda é na verdade um bem como outro qualquer, mas


como uma característica especial: TODOS ACEITAM MOEDA EM
TROCA DE UMA MERCADORIA.

Unidade 9 113

fundamentos_economicos.indb 113 20/2/2008 14:47:35


Universidade do Sul de Santa Catarina

Assim, você pode notar que a moeda tem basicamente três funções:

1. meio de troca => utilizada para comprar bens e


serviços;

2. padrão comum de valores => serve para cotar os preços;

3. reserva de valor => armazena a riqueza. Podemos


guardar dinheiro para gastá-lo em um futuro próximo.
Ou seja, fazer poupança.

Você conhece a história da moeda?


Em princípio, qualquer mercadoria poderia ser utilizada como
moeda. Historicamente as primeiras formas de moeda foram: sal,
trigo e gado. Como eram ineficientes, surgiu a moeda metálica
(durabilidade). Com o objetivo de evitar falsificações surgiu a
moeda metálica cunhada.

Os últimos séculos assistiram a duas importantes inovações:


Labirinto de Cnossos, estáter papel-moeda e a moeda escritural.
grego de prata – c. 450 aC.
Imagem da moeda extraída do O papel moeda surgiu aos poucos como simples certificado
site: http://marina.ribeiro.sites. de depósito nos bancos comerciais; seguindo como certificado
uol.com.br/moeda/moeda1.htm. transferível de depósito (moeda-papel) e finalmente como
certificado inconversível (papel-moeda). A moeda vale, portanto,
pela sua capacidade de adquirir outras mercadorias (não tem valor
pelo seu uso direto).

A moeda escritural surgiu com o desenvolvimento dos bancos


comerciais. É representada pelos depósitos bancários à vista, os
quais possuem liquidez equivalente à moeda legal.

Conheça os O·s · M·I·S·T·É·R·I·O·S · D·A · M·O·E·D·A


visitando o site: http://marina.ribeiro.sites.uol.com.
br/moeda/moeda.htm#ref

114

fundamentos_economicos.indb 114 20/2/2008 14:47:35


Fundamentos Econômicos

Quais são os meios de pagamento na economia


moderna?
Os meios de pagamento em uma economia moderna são:

„ o papel moeda em poder do público (saldo do papel


moeda emitido menos os encaixes em moeda corrente
dos bancos);

„ os depósitos à vista do público na rede bancária.

Portanto, qualquer papel moeda emitido que não se encontra de


posse do setor bancário da Economia (Banco Central e bancos
comerciais) é o que está em poder do público (Governo Federal,
população em geral e instituições financeiras não bancárias).

As classificações da moeda

A moeda pode ser classificada nas seguintes especificações:

M1 = É A SOMA DO PAPEL MOEDA EM PODER DO PÚBLICO + DEPÓSITOS À VISTA.

M1 é o denominado como sendo moeda.

Entretanto, existem outras aplicações financeiras com menor


liquidez, e em ordem de liquidez é possível estabelecer uma outra
classificação:

M2 = M1 + TÍTULOS FEDERAIS, ESTADUAIS E MUNICIPAIS EM PODER DO PÚBLICO.

Estão fora do sistema bancário (são compostos pelos saldos dos


fundos de curto prazo);

Unidade 9 115

fundamentos_economicos.indb 115 20/2/2008 14:47:36


Universidade do Sul de Santa Catarina

M3 = M2 + DEPÓSITOS DE POUPANÇA.

Mantidos pelo público na Caixa Econômica Federal e Estadual,


sociedades de crédito imobiliário e associações de poupança e
empréstimo;

M4 = M3 + SALDO DOS TÍTULOS PRIVADOS.

Depósitos a prazo – CDB/RDB, letras de câmbio e letras


hipotecárias.

O Banco Central (BC) através do controle do M4, que envolve


os ativos monetários e não-monetários, procura controlar a oferta
global de moeda na Economia, já que a oferta de dinheiro está
vinculada aos preços e, desta forma, impedir a violação do princípio
de que a limitação do volume de dinheiro em circulação no país é
uma condição necessária para que ele mantenha o seu valor.

Qual o conceito de liquidez?


Um dos conceitos mais importantes ao se tratar de mercado
financeiro é o conceito de liquidez, que se refere à capacidade de
um ativo ser convertido em moeda.

Liquidez = capacidade de um ativo ser convertido em moeda

Há as aplicações financeiras que não podem ser prontamente


sacadas – não se pode fazer dinheiro de imediato – e por isso se
diz que a sua liquidez é baixa.

116

fundamentos_economicos.indb 116 20/2/2008 14:47:36


Fundamentos Econômicos

„ Um apartamento: ativo (bem próprio/direito) de


baixa liquidez, o proprietário demora para vendê-lo,
para fazer dinheiro dele.

„ A poupança: tem menor liquidez que um depósito à


vista, mas tem maior liquidez que um apartamento
(investimento imobiliário).

„ No caso dos depósitos bancários a prazo (aplicações


financeiras que se tem um prazo para sacar : 30
dias/60 dias, etc): em princípio, não são de liquidez
imediata, demora-se um prazo para se fazer
dinheiro deles (não se pode pedir o vencimento
antecipado).

O escambo ainda existe?


Apesar de hoje possuirmos um sistema monetário altamente
especializado e sofisticado, saiba que na nossa sociedade algumas
trocas ainda ocorrem via escambo.

É comum quando você está lendo o jornal, ver


anúncios do tipo:

Troco máquina de estampar Troca-se terreno na


camisetas e bonés marca R. em praia por automóvel.
prefeito estado com nota fiscal F. 2222222
por MOTO HONDA BIZ. Contato:
JCM. Fone: XX 222.22222

A grande diferença do escambo atual é o fato de que a moeda


funciona como padrão comum de valores ou de referências.

Ou seja, através do uso de moedas, podemos trocar quaisquer


produtos, pois ficou mais fácil, já que temos um mecanismo de
comparação dos valores.

Unidade 9 117

fundamentos_economicos.indb 117 20/2/2008 14:47:36


Universidade do Sul de Santa Catarina

Seção 2 – A inflação
Comparada popularmente com o poder
do dragão (o dragão da inflação). Todos já
vivenciamos os efeitos da inflação, sabemos
que ela reflete nas empresas, nas pessoas e no
governo.

E é por isso que é entendida como sendo um


fenômeno macroeconômico, dinâmico e de
natureza monetária, caracterizada por uma
elevação apreciável e persistente do nível geral
de preços.

Teorias da inflação
Há duas teorias principais que explicam a inflação.

A) A inflação de demanda

Você lembra da Unidade 3? Lembra da relação inversa entre


preço e quantidade?

QUANTIDADE

DEMANDA

PREÇO

B) A inflação de custos

Estas teorias constituem os tipos conhecidos como tipos puros


de inflação. Entretanto, podem ocorrer tipos mistos, nos quais a
inflação é originária tanto de excesso de demanda quanto de um
aumento de custos.

118

fundamentos_economicos.indb 118 20/2/2008 14:47:36


Fundamentos Econômicos

Há outras teorias que buscam explicar a inflação:

„ as teorias estruturalistas – pressões inflacionárias


têm origem em causas estruturais, relacionadas com o
subdesenvolvimento econômico; e

„ a teoria inercialista – que explica a inflação a partir de


forças de realimentação, como a indexação da Economia.

Uma das principais explicações teóricas da inflação


sustenta que as altas generalizadas de preços resultam
basicamente de um excesso de demanda agregada
em relação à capacidade de oferta agregada da
Economia.

Como é impulsionada a inflação de demanda?


A inflação de demanda é impulsionada pela elevação das
quantidades de bens e serviços que os consumidores estão
dispostos e aptos a adquirir aos níveis de preços existentes.
Lembre-se da Unidade 4, que mostra que quando aumenta a
demanda de um bem, o preço deste bem tende a aumentar. Se
elevarmos este raciocínio para toda a Economia, então, quando
aumenta a demanda agregada também aumenta o nível de preços.

Se essa elevação não corresponder a uma expansão da oferta


global, os preços tendem a ser pressionados para cima, a taxas
consideradas como inflacionárias. Em suma, existe um excesso de
moeda em relação aos bens e serviços disponíveis.

Quando existem elevadas taxas de desemprego (condição de


baixa demanda agregada), um aumento da demanda agregada
provocará um aumento da produção, mas com baixo desemprego,
qualquer variação na quantidade de demanda agregada resultará
em variação de preços.

Unidade 9 119

fundamentos_economicos.indb 119 20/2/2008 14:47:37


Universidade do Sul de Santa Catarina

A inflação também é impulsionada, quando a produção real


cresce, por três fatores:

„ as empresas são forçadas a contratar trabalhadores


menos produtivos e há necessidade de preços maiores
para que se possa ser coberto o custo da perda da
produtividade da mão-de-obra;

„ os índices salariais tendem a aumentar a medida que


as firmas percebem que, para evitar o custo mais elevado
dos trabalhadores não qualificados, precisam manter
os trabalhadores qualificados, estes últimos devem
ser trazidos de outras empresas sob a atração de índices
salariais mais altos;

„ algumas empresas possuem força de mercado, isto é,


uma falta de concorrentes mais eficazes, e podem elevar
a margem de lucro quando a procura por seus produtos
for elevada.

Quais as causas que conduzem a uma expansão da


demanda agregada?

São causas que podem conduzir a expansão continuada da


demanda agregada:

„ mudanças em impostos;
„ subsídios ou gastos do governo em custeio e investimento;
e
„ mudanças na quantidade ou velocidade de circulação da
moeda.

120

fundamentos_economicos.indb 120 20/2/2008 14:47:37


Fundamentos Econômicos

Acompanhe a seguir as causas e os exemplos:

„ uma redução de impostos, por exemplo, gera um


aumento da renda disponível e, por conseqüência,
aumenta a demanda agregada, principalmente se a
população tem uma alta propensão marginal a consumir;

„ um aumento dos gastos públicos, através da utilização


de fundos não utilizados anteriormente, aumentará a
DA, e este aumento tenderá a ser persistente, sobretudo
se, a partir de certo ponto, os gastos do governo passarem
a ser financiados por expansão da oferta monetária. Caso
o governo, para financiar seu déficit orçamentário recorra
a emissões, as pressões inflacionárias serão estimuladas
por novos componentes localizados no setor monetário
da Economia (o mesmo pode ocorrer devido a entrada de
capitais – divisas externas conversíveis). Aumentando a
oferta monetária e baixando a taxa de juros, haverá uma
expansão da renda, havendo uma pressão inflacionária;

„ aumento do gasto da poupança da população, havendo


uma preferência por ativos mais líquidos;

„ expansão da oferta monetária nominal, ainda que


temporária, converte-se em aumento da demanda
nominal (as pessoas pagarão mais pela mesma
quantidade de produtos existente na Economia),
provocando pressões inflacionárias, na hipótese de haver
uma curva de oferta inelástica.

Frente a estes fatores, perceba que alguns se


referem ao setor real da Economia, outros a fatores
monetários. A inflação pode ter origem em ambos.
A magnitude dependerá de quanto foi a pressão
sobre a demanda agregada e das medidas que
foram utilizadas para controlá-la.

Unidade 9 121

fundamentos_economicos.indb 121 20/2/2008 14:47:37


Universidade do Sul de Santa Catarina

Inflação de custos
O tratamento teórico da inflação de custos – embora se reconheça que
a persistência e a propagação de qualquer inflação dependam, em
última instância, da expansão do suprimento monetário – admite que as
causas iniciais do processo se encontram no âmbito da oferta agregada,
cujos deslocamentos resultam de mudanças nos salários, nos custos de
matérias-primas ou da tentativa de aumentar os lucros.
A inflação de custos originados de aumentos reais das taxas salariais
pressupõe que estas, em virtude de pressões sindicais (social ou
politicamente amparadas), incorporem reajustes superiores à eventual
expansão dos índices do custo de vida, adicionados de aumentos reais
superiores à estimativa dos acréscimos de produtividade da mão-de-
obra. Na base deste argumento, se encontra a suposição de que as
elevações generalizadas de custos de produção se incorporem, como
regra geral, aos preços de mercado da oferta global.
A magnitude da inflação de custos e a dinâmica de propagação
dependem da estrutura de mercado da indústria. Se as indústrias
responsáveis por maior volume de emprego estiverem em situação
monopolista ou oligopolista, o efeito inflacionário dos acréscimos
salariais que excedam os ganhos de produtividade será mais rápido,
comparativamente com situações em que as indústrias que absorvem
a maior parcela da força ativa de trabalho estiverem inseridas em
mercados mais competitivos.
Além de ser explicada pela variação de taxas salariais, a inflação de
custos pode ainda resultar de acréscimos nos preços de matérias-primas
de alta participação na estrutura de custos das principais indústrias da
Economia.

A inflação no Brasil
Muitas vezes, quando vamos ao supermercado ou ao shopping, nos
assustamos ao notar que certos produtos tiveram um expressivo aumento
de preço. A mesma coisa acontece quando chegam as contas dos serviços
públicos, como água, luz e telefone.

Mesmo assim, a situação atual é bem mais confortável que a de alguns


anos atrás. Através da Tabela 6 você poderá verificar a evolução da inflação
no Brasil, medida pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna
IGP-DI da fundação Getúlio Vargas, de 1977 até 1999.

122

fundamentos_economicos.indb 122 20/2/2008 14:47:37


Fundamentos Econômicos

Quadro 9.6 – A inflação no Brasil (Em %)

Ano IGP-DI (%)


1980 110,24

1981 95,20

1982 99,72

1983 210,99

1984 223,81

1985 235,11

1986 65,03

1987 415,83

1988 1.037,56

1989 1.782,89

1990 1.476,56

1991 480.18

1992 1.157,95

1993 2.708,55

1994 1.093,84

1995 14.78

1996 9,34

1997 7.48

1998 1,70

1999 19,98

2000 9,81

2001 11,87

2002 23,83
FONTE: FGV

Unidade 9 123

fundamentos_economicos.indb 123 20/2/2008 14:47:37


Universidade do Sul de Santa Catarina

Síntese

Nesta unidade, você pôde compreender conceito de moeda e


perceber como ela é importante para o bom funcionamento
do sistema econômico. Além do mais, você aprendeu o que é
inflação e a repercussão deste fenômeno no sistema de preços.

Na próxima unidade, você poderá compreender que o controle


da quantidade de moeda na Economia é uma ferramenta
importantíssima de política econômica. Esta ferramenta se chama
política monetária.

Atividades de auto-avaliação

1. Qual o principal problema da Economia de escambo?

2. Por que a moeda é importante na Economia moderna?

124

fundamentos_economicos.indb 124 20/2/2008 14:47:37


Fundamentos Econômicos

3. Quais as funções da moeda?

4. O que é o conceito de liquidez?

5. Defina com suas palavras o que é inflação?

Unidade 9 125

fundamentos_economicos.indb 125 20/2/2008 14:47:37


Universidade do Sul de Santa Catarina

6. Por que ocorre inflação de demanda?

7. Procure nos jornais ou na internet uma relação entre a alta taxa de


juros que vigora hoje no Brasil e o conceito de inflação, especialmente
inflação de demanda.

8.Complete a frase a seguir:

A inflação de custos refere-se ao aumento de preços causado pelo


aumento (dos custos de
produção/da demanda), que muitas vezes são originados quando há
um aumento do preço da
(matéria-prima/produção).

126

fundamentos_economicos.indb 126 20/2/2008 14:47:37


Fundamentos Econômicos

Saiba mais

Para aprofundar as questões abordadas nesta unidade realize


pesquisa nos seguintes livros:

MANKIW, N.G. Introdução à Economia. Rio de Janeiro.


Campus, 1999.

MEURER, R.; SAMOHYL, R. Conjuntura econômica:


entendendo a economia no dia-a-dia. Campo Grande: Editora
Oeste, 2001, 124 p. (disponível gratuitamente em www.
qualimetria.ufsc.br).

TROSTER, R.; MOCHON, F. Introdução à Economia.


São Paulo: Makron Books, 1999.

WESSELS, W. J. Economia. São Paulo: Saraiva, 1998.

E no site:

<http://www.bcb.gov.br> (site do Banco Central do Brasil)

Unidade 9 127

fundamentos_economicos.indb 127 20/2/2008 14:47:38


fundamentos_economicos.indb 128 20/2/2008 14:47:38
10
UNIDADE 10

O sistema Financeiro

Objetivos de aprendizagem
„ Conhecer o papel do Banco Central.

„ Compreender como são determinadas as taxas de juros,


ou seja, o valor do dinheiro.

„ Entender como funciona o Sistema Financeiro Nacional.

Seções de estudo
Seção 1 Como é determinada a taxa de juros de equilíbrio?

Seção 2 Qual é o papel do mercado monetário?

Seção 3 Como se dá a política monetária na prática?

Seção 4 Qual é o papel dos bancos comerciais?

Seção 5 O sistema financeiro e de crédito.

fundamentos_economicos.indb 129 20/2/2008 14:47:38


Universidade do Sul de Santa Catarina

Para início de estudo


Uma das variáveis macroeconômicas mais importantes, e você
já deve ter ouvido falar dela várias vezes, é a taxa de juros. Esta
taxa é simplesmente o preço do dinheiro, ou melhor dizendo, a
remuneração que o tomador de um empréstimo deve pagar ao
SANDRONI, P. Dicionário de dono do capital. Em suma, é o valor do dinheiro ao longo do tempo.
Economia. 6 ed. São Paulo: Best
Seller, 1989.

Seção 1 – Como é determinada a taxa de juros


de equilíbrio?
A taxa de juros de equilíbrio é
determinada no mercado monetário,
onde se encontram: a oferta e a
demanda de moeda. O processo é
idêntico ao que determina o preço de
uma mercadoria no mercado de bens e serviços, pois, como já foi
apresentado na Unidade 4, a taxa de juros é o preço da moeda,
isto é, do dinheiro.

Portanto, a taxa de juros de equilíbrio é determinada no mercado


pela oferta e pela demanda de moeda. Com base nessa taxa é que
são realizadas as transações financeiras na Economia.

Como é estabelecida a taxa de juros?


A oferta de moeda é determinada pelo governo, e é com
a quantidade por ele emitida que o sistema econômico vai
trabalhar. Assim, se houver uma procura muito grande de moeda,
como resultado do crescimento das atividades econômicas, por
exemplo, ela se tornará escassa e as pessoas estarão dispostas a
pagar um preço maior para poder adquiri-la.

Esse é o princípio que explica o aumento da taxa de juros. Por


outro lado, se a procura da moeda diminuir, por qualquer razão,
ela se tornará abundante, fazendo com que seu preço, a taxa de
juros, como visto, diminua.
130

fundamentos_economicos.indb 130 20/2/2008 14:47:38


Fundamentos Econômicos

E a taxa de juros de equilíbrio?


É claro que, da mesma forma que o preço das mercadorias, a
taxa de juros sofre variações no decorrer do tempo, causadas
por modificações na oferta ou na demanda de moeda. Por isso,
fica clara a importância do governo no mercado monetário.
Se as autoridades monetárias resolverem expandir os meios de
pagamento, ou seja, a oferta de moeda, haverá uma queda na taxa
de juros, pelo fato de haver mais dinheiro no mercado.

O comportamento inverso do governo determinaria um aumento


na taxa de juros, uma vez que a moeda se tornaria relativamente
escassa.

Seção 2 – Qual é o papel do mercado monetário?


O mercado monetário desempenha papel fundamental no
desenvolvimento do sistema econômico. É no mercado
monetário que se defrontam a oferta e a procura de moeda e que
se determina a taxa de juros, ou o preço da moeda, elemento
fundamental no sistema financeiro, que você irá estudar ainda
nesta unidade.

Mas, para que você entenda melhor como se forma a taxa de juros,
deve compreender o que é política monetária e a função do Banco
Central.

Qual é a função do Banco Central?


O Banco Central (BACEN) é o principal banco de um país. Ele Você pode saber mais
sobre o Banco Central
é responsável pela administração de todo o sistema financeiro. visitando a página http://
Ele não pode trabalhar com pessoas ou empresas. Você já leu www.bcb.gov.br.
também que o BACEN é o responsável pela política monetária
do governo.

Unidade 10 131

fundamentos_economicos.indb 131 20/2/2008 14:47:38


Universidade do Sul de Santa Catarina

As principais funções do BACEN são:

„ emissor de papel-moeda;
„ banqueiro do Tesouro Nacional;
„ banqueiro dos bancos comerciais;
„ depositário das reservas internacionais.

Além de tudo isso, o BACEN é o executor da política monetária,


que é a política econômica responsável pela determinação da taxa
de juros.

Como se dá a política monetária?


O governo intervém na Economia através da política fiscal,
conforme você já acompanhou na Unidade 9. Porém, ele também
tem outra ferramenta, que é a política monetária.

Assim, política monetária é a política do governo que controla


a oferta de moeda e, consequentemente, as taxas de juros, para
garantir a liquidez ideal de cada momento econômico. A política
monetária também determina as condições de crédito.

A taxa de juros determinada pelo


Banco Central é a taxa SELIC
(Sistema Especial de Liquidação e
Custódia). É o sistema em que são
registradas as operações com os títulos
públicos. Mas, na verdade, as taxas de
juros cobradas pelos bancos são ainda
maiores que a taxa SELIC básica. Isto
ocorre porque a taxa SELIC é apenas
a taxa pela qual o Banco Central está disposto a pagar para as
pessoas que compram títulos públicos.

Os instrumentos clássicos de política monetária são:

„ depósito compulsório;
„ redesconto ou empréstimo de liquidez; e
„ mercado aberto (open market).

132

fundamentos_economicos.indb 132 20/2/2008 14:47:38


Fundamentos Econômicos

Acompanhe cada instrumento separadamente.

A) Depósito compulsório – exigidos por regulamentação do


BC. Constituem proporção dos depósitos à vista e a prazo. Tem
a capacidade de regular o multiplicador bancário, imobilizando,
de acordo com a taxa de recolhimento de reserva obrigatória, um
percentual maior ou menor dos depósitos bancários e os recursos
de terceiros que neles circulem (títulos de cobrança, tributos
recolhidos, garantias de operações de crédito), restringindo ou
alimentando o processo de expansão dos meios de pagamento.

Os cheques sacados contra um banco pelos seus depositantes são


canalizados para a câmara de compensação do BB de cada cidade,
acarretando um débito na conta de reservas do BC (respectivo
ao banco sacado). À medida que estas retiradas deixem de ser
contrabalançadas por depósitos, o banco perde reservas.

O banco também perde reservas quando faz empréstimos ou


compra títulos e ganha reservas através da venda de títulos de sua
emissão, da cobrança de títulos ou do recolhimento de tributos.

Para compensar eventuais perdas de reservas, recorrem ao


mercado interbancário ou, em último caso, ao redesconto do
BC, mediante títulos de sua emissão com garantia colateral de
títulos do governo ou ativos representados por seus créditos em
empréstimos concedidos.

B) Redescontos

„ Redescontos de liquidez: instrumento de política


monetária que consiste na concessão de assistência
financeira de liquidez aos bancos comerciais. O BC
como banco dos bancos, desconta títulos dos bancos
comerciais a uma taxa prefi xada, com a finalidade de
atender às suas necessidades momentâneas de caixa. Uma
elevação da taxa de redesconto faz com que os bancos
tenham que aumentar suas reservas voluntárias no BC,
aumentando as reservas dos bancos, reduzindo os meios
de pagamento.

„ Redescontos especiais: refinanciamentos que o BC faz


aos bancos comerciais para financiamentos a produtos
agrícolas, exportação, PME, etc.

Unidade 10 133

fundamentos_economicos.indb 133 20/2/2008 14:47:39


Universidade do Sul de Santa Catarina

„ Aplicações em títulos: BC permite que parte do


depósito compulsório seja mantido em títulos da dívida
pública, o que os bancos preferem por renderem juros
e correção monetária. Títulos do BC (BBC) + NTN
(Notas do Tesouro Nacional ) são títulos usados nas
operações de open market e utilizados como depósitos
voluntários pelos bancos comerciais. Funcionam como
um quase caixa, pois possuem alta liquidez e vencem em
curtíssimo prazo, além de render juros.

C) Open Market (mercado aberto) – mais ágil instrumento


da política monetária de que dispõe o BC, pois através dela
são permanentemente regulados a oferta monetária e o custo
primário do dinheiro na Economia, referenciado na troca de
reservas bancárias por um dia, através das operações de overnight.

Estas operações permitem:

a) o controle permanente do volume de moeda ofertada no


mercado;

b) manipulação das taxas de juros de curto prazo;

c) que as instituições financeiras bancárias realizem


aplicações a curto e curtíssimo prazos de suas
disponibilidades monetárias ociosas;

d) garantia de liquidez para os títulos públicos.

Os dois primeiros objetivos são alcançados no mercado


primário, no qual o BC negocia diretamente com as instituições
financeiras, alterando a posição de reservas dos bancos
comerciais, bem como o volume e o preço do crédito.

134

fundamentos_economicos.indb 134 20/2/2008 14:47:39


Fundamentos Econômicos

Seção 3 – Como se dá a política monetária na prática?


Além do Banco Central, há outra
entidade chamada Comitê de Política
Monetária (COPOM), que de fato é
o responsável por determinar a taxa
de juros. As reuniões do COPOM são
atentamente acompanhadas, já que
indicam a tendência da taxa de juros
naquele período e nos períodos futuros.

As atas destas reuniões são divulgadas após sua realização e são


importante fontes de consulta sobre a opinião das autoridades
monetárias sobre o rumo da Economia brasileira. Você pode
acompanhar também através da imprensa ou no site www.bcb.gov.br.

Acompanhe a seguir um pequeno esquema sobre a política


monetária.

COPOM

Banco Central

Sistema bancário

Oferta de moeda

Taxa de juros e condições


de crédito

Demanda
Consumo
Investimento

FONTE: Troster e Mochon (1999, p. 259)

Unidade 10 135

fundamentos_economicos.indb 135 20/2/2008 14:47:39


Universidade do Sul de Santa Catarina

Quais são os tipos de política monetária?

A política monetária pode ser dois tipos:

„ Estritiva: refere-se à redução da oferta de moeda, e, por


conseqüência, aumenta a taxa de juros, o que encarece o
crédito;

„ Expansiva: política que aumenta a quantidade de moeda


à disposição e reduz as taxas de juros, tornando o crédito
mais barato.

Seção 4 – Qual é o papel dos bancos comerciais?


Bancos comerciais são as instituições financeiras
responsáveis por receber o depósito de seus clientes
e conceder empréstimos às famílias, às empresas e
ao governo.

Os bancos comerciais surgiram justamente devido


à necessidade de as pessoas protegerem seu
dinheiro. Afinal, à medida em que as pessoas vão
acumulando dinheiro, através de sua poupança,
aumenta a necessidade de guardar esse dinheiro
em algum lugar seguro, sendo esse um dos
objetivos da atividade bancária.

Quais os tipos de depósitos que aceitam os bancos


comerciais?

„ Depósitos à vista: são os depósitos que estão sempre


disponíveis para o titular da conta.

136

fundamentos_economicos.indb 136 20/2/2008 14:47:39


Fundamentos Econômicos

„ Depósitos de poupança: dispõem de quase todas as


operações dos depósitos à vista, mas não dispõem de
cheques e tem rendimentos a cada mês 0,5% mais a
correção da inflação do mês.

„ Depósitos a prazo: são os fundos tomados por um prazo


fi xo e que não podem ser retirados sem algum tipo de
penalidade.

A criação de dinheiro pelos bancos comerciais


Até aqui você sabe que o responsável pela emissão de moeda é o
Banco Central. Mas, é possível também que os bancos comerciais
criem moeda. Acompanhe a seguir como isto é feito.

O fenômeno mais importante associado ao desenvolvimento da


moeda, e que também tem implicações na taxa de juros, consiste
na multiplicação dos meios de pagamento através dos bancos
comerciais.

No momento em que os bancos observaram que, por uma


questão de cálculo de probabilidade, era possível emprestar parte
dos depósitos à vista recebidos, pois era altamente improvável que
todos os depositantes sacassem seus fundos ao mesmo tempo,
começou a surgir esse fenômeno da multiplicação. Os bancos
passaram a manter encaixes bem inferiores aos seus depósitos
e, com isso, os meios de pagamento tornaram-se várias vezes
superiores ao saldo de papel moeda emitido.

Quando os bancos comerciais recebem depósitos à vista, eles


devem garantir aos seus clientes que, em qualquer momento, a
quantia depositada estará à disposição dos mesmos.

Mas, com o passar do tempo, os bancos descobriram que não


precisavam manter todo o dinheiro depositado pelos clientes em
seu caixa.

A prática bancária mostra que o uso de cheques e cartões significa


que a cada dia somente uma pequena parte dos depósitos à vista
é retirada dos caixas dos bancos. Isso sem contar na quantia de
dinheiro que será novamente depositada nos bancos.

Unidade 10 137

fundamentos_economicos.indb 137 20/2/2008 14:47:39


Universidade do Sul de Santa Catarina

Desta forma, os bancos primeiramente constituem as chamadas


reservas.

As reservas são legalmente requeridas, e todos os


bancos devem manter por exigência do Banco Central.

Você pode perceber que, se em um dado momento, todos os


clientes de banco quiserem retirar seus depósitos, o banco não
poderia atender à demanda, por maior e melhor administrado
que fosse. Isso ocorre porque os bancos comerciais mantêm
líquido (ou seja, dinheiro vivo) apenas uma pequena parte dos
seus depósitos.

Os bancos criam dinheiro?

Acompanhe esta resposta através do exemplo a seguir:

Suponha que os bancos comerciais, através de sua


experiência, descobrem que as retiradas das contas
correntes são, em média, de 10%. Conseqüentemente,
os bancos podem manter 10% dos depósitos em caixa e
emprestar os 90% restantes.
Assim, suponha também que após a leitura desta
unidade, você ganhe 100.000 reais na loteria. É
claro que você não sairá à rua com tal quantia, você,
provavelmente, depositará esta quantia de dinheiro em
um banco.
Porém o banco não manterá esses 100.000 extras em
dinheiro em seu caixa forte. O banco empregará seu
dinheiro na concessão de empréstimos e créditos a
seus clientes, o que gerará mais depósitos bancários.
Se, como mencionado, os bancos necessitam manter
apenas 10% em reservas, podem emprestar os 90.000
restantes.
Aí começa um ciclo virtuoso. Os bancos emprestam os
90.000 restantes, que serão novamente depositados
nos bancos, pois os tomadores de empréstimos não
ficarão com esse dinheiro em mãos.

138

fundamentos_economicos.indb 138 20/2/2008 14:47:39


Fundamentos Econômicos

Ou seja, o dinheiro é redepositado. Agora, os bancos


dispõem de mais 90.000 em caixa. Como devem reter
10%, os bancos têm 81.000 extras para emprestar e
9.000 deve ser guardado em caixa.

Analise agora, através do quadro 10.1, como isso ocorre na prática:

Quadro 10.1 – Fases de criação do dinheiro pelos bancos comerciais

Posição do banco Novos depósitos Novos empréstimos Novas reservas


Banco (fase 1) 100.000 90.000 10.000
Banco (fase 2) 90.000 81.000 9.000
Banco (fase 3) 81.000 72.900 8.100
Banco (fase 4) 72.900 65.610 7.290
Banco (fase 5) 65.610 59.050 6.560
Soma das cinco fases 409.510 368.560 40.950

De acordo com a tabela, você pode perceber que no exemplo o


sistema bancário foi capaz de expandir seus depósitos em 409.510
reais mediante a concessão de novos créditos e empréstimos,
sustentados pelos 100.000 iniciais que você depositou.

Assim, você pode notar que o sistema bancário também é responsável


por aumentar (ou diminuir) a quantidade de moeda em uma Economia
concedendo mais (ou menos) crédito às empresas e às pessoas.

Seção 5 – O sistema financeiro e de crédito


Esta seção trata do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Ele é
importante, pois é através do sistema financeiro que as empresas
captam recursos para fazer face às suas necessidades e obrigações.

Ou seja, para realizar seus planos de investimentos as empresas


necessitam de recursos financeiros.

Unidade 10 139

fundamentos_economicos.indb 139 20/2/2008 14:47:39


Universidade do Sul de Santa Catarina

Operações de crédito
São basicamente três as operações de créditos oferecidas pelo
sistema financeiro às pessoas e às empresas:

1. empréstimos: são operações realizadas sem necessidade


de comprovação da aplicação dos recursos. Por exemplo:
empréstimos para capital de giro, empréstimo pessoal;

2. financiamentos: são operações realizadas com


necessidade de comprovação da aplicação do recurso. Por
exemplo: Financiamentos de máquinas e equipamentos,
financiamento da casa própria, financiamento para
compra de um automóvel;

3. títulos descontados: são operações nas quais se


descontam, ou seja, se pagam títulos.

Spread bancário
É importante que você entenda também como os bancos ganham
dinheiro. Neste caso, o ganho tem um nome específico chamado
Spread bancário.

Spread bancário é a diferença entre as taxas de juros de


empréstimos e de captação das instituições financeiras. Os bancos
captam recursos dos clientes e fazem empréstimos. Por causa da
probabilidade de inadimplência, os bancos quando emprestam
cobram um acréscimo por conta do risco de crédito. Por isso, a
taxa de juros que encontramos à nossa disposição nos bancos é
significativamente maior que a taxa SELIC.

Veja no quadro 10.2 como os bancos têm lucro fenomenal. O


exemplo abaixo refere-se ao cheque especial. Taxa de aplicação é
a taxa que os bancos cobram de quem pede empréstimos. Taxa de
captação é o que o banco paga quando aplicamos nosso dinheiro
(CDB, neste caso). O spread é a diferença entre os dois.

140

fundamentos_economicos.indb 140 20/2/2008 14:47:40


Fundamentos Econômicos

Quadro 10.2 – Spread bancário (Em %)

Dez 00 Jan 01 Fev 01 Mar 01 Abr 01 Mai 01 Jun 01 Jul 01

Taxa de aplicação 152,7 152,6 150,6 148,8 145,1 145,7 147,1 150,0
Taxa de captação 15,8 15,0 14,8 15,2 16,4 16,4 17,2 18,9
Spread 136,9 137,6 135,6 133,6 128,7 129,3 129,9 131,1
FONTE: topecon.hog.ig.com.br

O que é bolsa de valores?


Lembre-se que neste
Além de captar empréstimos nos bancos, as empresas têm a Curso, mais adiante,
opção de se financiarem através da bolsa de valores. Bolsa de você fará a disciplina de
valores é um mercado onde são transacionados títulos e ações Mercado de Capitais e
Bolsa de Valores, por isso,
de empresas (valores). Numa Economia de mercado, elas têm
aqui apresenta-se apenas
fundamental importância, pois permitem a canalização rápida e os conceitos introdutórios.
veloz das poupanças para os investimentos.

A bolsa, então, é uma instituição onde as empresas,


para captarem recursos financeiros, vendem parte do
seu patrimônio líquido (ações). Por isso, quem tem
ações é conhecido como acionista, pois é também
sócio da empresa. Na medida em que a empresa tem
lucros, o patrimônio líquido se valoriza e as ações
aumentam de valor.

Por isso, é uma forma de captação de capital barata,


pois as empresas captam recursos dos poupadores e o preço desta
captação é o rendimento (ou seja, a valorização da empresa, ou do
seu patrimônio líquido).

No Brasil, a principal bolsa é Bolsa de Valores de São Paulo


(Bovespa), que é pequena em relação a outras bolsas do mundo
como Londres e Nova Iorque.

Unidade 10 141

fundamentos_economicos.indb 141 20/2/2008 14:47:40


Universidade do Sul de Santa Catarina

Síntese

Nesta unidade você estudou o que é o sistema financeiro


nacional. No começo acompanhou que a determinação da taxa de
juros é uma das principais variáveis do sistema econômico (você já
sabe que ela é um determinante dos investimentos empresariais e
do consumo das famílias).

Também estudou que, através da política monetária, o Banco


Central pode controlar a taxa de juros.

Outra questão importante diz respeito à multiplicação da


quantidade de moeda feita pelos bancos comerciais. No final
da unidade, você estudou, brevemente, o que é bolsa de valores,
lembrando que no 4º período, você fará a disciplina específica
sobre Mercado de Capitais e Bolsa de Valores.

Na próxima unidade, então, você irá aprender o que é comércio


internacional e um dos seus principais determinantes, a taxa de
câmbio.

Atividades de auto-avaliação

1. Como se determina a taxa de juros de equilíbrio?

142

fundamentos_economicos.indb 142 20/2/2008 14:47:40


Fundamentos Econômicos

2. Qual é o principal objetivo da política monetária?

3. Caso o Banco Central reduza a quantidade de empréstimos que


concede, o que acontecerá com as taxas de juros? Que conseqüências
isto trará para os investimentos das empresas?

4. Caso as autoridades monetárias desejem incentivar a atividade


empresarial, que medidas devem tomar em relação à taxa de juros?

Unidade 10 143

fundamentos_economicos.indb 143 20/2/2008 14:47:40


Universidade do Sul de Santa Catarina

5. Por que os bancos têm spread tão elevado em relação à taxa


básica SELIC?

Saiba mais

Para aprofundar as questões abordadas nesta unidade realize


pesquisa nos seguintes livros:

MEURER, R.; SAMOHYL, R. Conjuntura econômica:


entendendo a economia no dia-a-dia. Campo Grande: Oeste,
2001, 124 p.

SILVA, C. R. L.; LUIZ, S. Economia e mercados: introdução à


economia. São Paulo: Saraiva. 1996.

TROSTER, R.; MOCHON, F. Introdução à Economia.


São Paulo: Makron Books, 1999.

E nos sites:

http://www.bcb.gov.br (site do Banco Central do Brasil).


Para saber mais sobre bolsa de valores, visite o site da bovespa.
http://www.bovespa.com.br.

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fundamentos_economicos.indb 144 20/2/2008 14:47:40


UNIDADE 11

Comércio Internacional
e Globalização

Objetivos de aprendizagem
„ Entender porque os países promovem comércio entre si.

„ Identificar quais as principais barreiras ao livre comércio.

„ Compreender o papel que a taxa de câmbio


desempenha no comércio internacional.

„ Conhecer o que é globalização.

Seções de estudo
Seção 1 Comércio internacional.

Seção 2 As taxas de câmbio.

Seção 3 Globalização.

fundamentos_economicos.indb 145 20/2/2008 14:47:40


Universidade do Sul de Santa Catarina

Para início de estudo


Nos dias de hoje entender a importância e como funciona o
comércio internacional é um fator relevante para quem deseja
atuar em Gestão Estratégica das Organizações.

Seção 1 – Comércio internacional

Comércio internacional é a troca de bens, serviços e


capitais entre os diferentes países.

Há muitos e muitos anos, os países têm mantido relações


comerciais por um motivo simples:

Nenhum país pode produzir todos os bens de que


necessita.

Em outras palavras, existe comércio internacional porque


nenhum país é capaz de produzir todos os bens de que precisa.

„ Alguns países têm pouca matéria-prima, como é o


caso do Japão. Então, como o Japão não tem reservas
de bauxita, a única maneira de ele produzir alumínio é
importando esta matéria-prima.

„ Já em alguns países, devido ao clima e à qualidade da


terra, somente alguns tipos de produtos podem ser
cultiváveis. Por exemplo, a Suíça não é capaz de produzir
bananas, logo, se os suíços quiserem este produto, terão
que importá-lo.

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fundamentos_economicos.indb 146 20/2/2008 14:47:40


Fundamentos Econômicos

O comércio internacional hoje em dia


Hoje em dia, praticamente todos os países do mundo têm algum
tipo de relacionamento comercial ou econômico. Isto porque cada
país tem fatores de produção e capacidades tecnológicas diferentes.
Essas diferenças podem ser resumidas nos seguintes itens:

1. condições climáticas: os países têm clima muito


diferente e produzem bens e serviços compatíveis com
esse clima.

— Por exemplo, a Argentina é grande produtora de maçãs e


trigo devido ao seu clima;

2. riqueza mineral: os países também dispõem de


diferentes minerais no subsolo.

— Por exemplo, o Brasil tem que importar parte do petróleo


que consome por não ser auto-suficiente na produção deste
mineral;

3. disponibilidade de mão-de-obra: há países que dispõem


de grande quantidade deste fator de produção, logo,
podem se dedicar à produção de bens que utilizem
grande quantidade deste fator.

— Por exemplo, na agricultura ou na produção de bens


industriais que requeiram grande número de trabalhadores;

4. disponibilidade de capital: países com abundância deste


fator podem investir na produção de bens que exijam
mais tecnologia e/ou fábricas computadorizadas;

5. disponibilidade de terra cultivável: países com grande


extensão de terra cultivável, como o Brasil, são grandes
exportadores de produtos agrícolas. Já o Japão, que
dispõem de pouco espaço cultivável, tem que importar
muitos produtos.

Unidade 11 147

fundamentos_economicos.indb 147 20/2/2008 14:47:40


Universidade do Sul de Santa Catarina

Devido aos fatores mencionados anteriormente, você pode,


então, entender que devido às diferentes dotações de fatores de
produção, cada país tende a se especializar na produção de bens
que consiga produzir ao menor custo possível.

Em outras palavras, o comércio internacional facilita a


especialização, pois permite que cada país produza os bens em
que tem maior facilidade e, conseqüentemente, menor custo,
devido àqueles fatores mencionados anteriormente.

Vantagens comparativas
Assim, a teoria clássica que justifica o comércio internacional
é a das vantagens comparativas. Um país tem vantagens
comparativas na produção de um determinado bem quando ele
produz tal bem a um custo menor do que o custo de produção
deste bem em outros países.

Por exemplo, devido à grande extensão territorial,


o Brasil é um dos maiores produtores de carne de
gado do mundo. Logo, é também um dos maiores
exportadores de carne do mundo. Ou seja, a grande
extensão territorial permite que o Brasil produza carne
a um custo relativamente menor do que o custo de se
produzir o mesmo bem em outros países.
Por outro lado, devido à capacitação tecnológica
e à perícia da mão-de-obra, a Suíça tem vantagem
comparativa na produção de relógios. Apesar deles
serem caros, a Suíça produz os melhores relógios do
mundo, pois tem vantagem comparativa na produção
deste bem.

Obstáculos ao comércio
No entanto, apesar de todos concordarem que o comércio
internacional trás resultados positivos para um país, ainda há
muitos obstáculos à liberdade de comércio.

148

fundamentos_economicos.indb 148 20/2/2008 14:47:41


Fundamentos Econômicos

A esses obstáculos ao livre comércio dá-se o nome de medidas


protecionistas. Há muitas justificativas para o emprego destas
medidas protecionistas, dentre elas podem-se destacar:

„ incentivar a criação de empregos, mediante o processo


de substituição de importações, no qual produtos
que anteriormente eram importados, passariam a ser
fabricados internamente;

„ proteção a uma indústria estratégica, por exemplo, a


indústria de armamentos;

„ possibilitar o surgimento de novas empresas e


indústrias. Ao decidir não importar um determinado
bem, um país estará estimulando a produção doméstica
(interna) deste mesmo bem. Foi o que aconteceu com o
Brasil na década de 1950, quando, ao parar de importar
automóveis, estimulou o surgimento aqui de montadoras
de carros, que trouxeram mais emprego e criaram renda.

Seção 2 – As taxas de câmbio


Agora que você já começou a entender o comércio internacional
é importante voltar sua atenção para um dos principais
determinantes do comércio entre países, que é a taxa de câmbio.

A principal diferença entre o comércio doméstico e o comércio


internacional é o fato de que domesticamente (nacionalmente) o
comércio é feito com a mesma moeda e internacionalmente cada
país tem sua própria moeda.

Uma empresa brasileira que exporta sapatos para os


Estados Unidos deseja receber seu pagamento em
reais. Enquanto isso, o importador americano deseja
pagar em dólar. Conseqüentemente, o importador
americano deverá buscar em um mercado a moeda
corrente do país de onde ele está importando, ou
seja, reais do Brasil. Assim, pode-se dizer que ele deve
comprar moedas no mercado de divisas.

Unidade 11 149

fundamentos_economicos.indb 149 20/2/2008 14:47:41


Universidade do Sul de Santa Catarina

Você sabe o que é o mercado de divisas?

Mercado de divisas é o mercado no qual se compram


e vendem as moedas dos diferentes países.

É neste mercado que se faz a troca da moeda nacional pela moeda


dos países com quem mantemos relações comerciais para atender a
pagamentos no exterior. É no mercado de divisas que os brasileiros
adquirem moedas estrangeiras para, por exemplo, passar férias no
exterior.

Bom, um mercado de divisas opera como qualquer outro mercado


(lembre-se da Unidade 4). Há demanda (pessoas que querem
comprar moedas estrangeiras) e oferta (pessoas que desejam
vender moedas estrangeiras). Portanto, você pode notar que se
há demanda e oferta há também um preço. A esse preço dá-se o
nome de taxa de câmbio.

A taxa de câmbio é o preço de uma moeda expressa


em outra. A taxa de câmbio mostra quantas unidades
de moeda nacional temos que gastar para comprar
uma unidade de moeda estrangeira.

Por exemplo, no dia 30/05/2003, a taxa de câmbio entre o real e


o dólar americano mostrava a seguinte relação:

US$ 1 = R$ 2,964

Ou seja, para comprar um dólar naquela data era preciso R$


2,964. Neste ponto, é importante você entender o conceito de
depreciação e valorização cambial.

150

fundamentos_economicos.indb 150 20/2/2008 14:47:41


Fundamentos Econômicos

Depreciação e valorização cambial


Devido às mudanças nos cenários econômicos, podem ocorrer
mudanças nos preços das moedas estrangeiras. Quando tais
mudanças ocorrem, é dito que houve uma flutuação cambial.
Esta flutuação pode aumentar ou diminuir o valor da moeda
estrangeira.

Analise acompanhando os exemplos a seguir.

Suponha que o preço do dólar aumente de R$ 2,964


para R$3,00. Quando isto ocorre, note que você
precisará mais reais para comprar a mesma unidade
de dólar. Então, neste caso, se diz que o real se
desvalorizou.
Já se o dólar passasse de R$ 2,964 para R$ 2,70, você
notará que ficou mais barato comprar uma unidade
de dólar. Então, neste caso, o real se valorizou.

Não apenas se deve estar atentos às modificações na taxa de


câmbio, mas também na repercussão destas variações nas
organizações.

1. Quando há uma desvalorização do real perante


o dólar, por exemplo, isso significa que nossos
produtos se tornam mais baratos no exterior. Em
contrapartida, os produtos estrangeiros ficam mais
caros internamente.

„ Portanto, isso leva a um aumento das nossas


exportações (estimulando as empresas que
dispõem de produtos para exportações) e leva a
uma redução nas importações (o que é bom para
empresas nacionais que podem passar a produzir
aqui produtos que antes eram importados).

2. Já quando há uma valorização da moeda nacional,


quando o dólar se torna mais barato para nós, ocorre o
efeito inverso, ou seja, nossos produtos se tornam mais
caros no exterior e os produtos importados ficam mais
acessíveis para nós.

Unidade 11 151

fundamentos_economicos.indb 151 20/2/2008 14:47:41


Universidade do Sul de Santa Catarina

„ Isto faz com que as nossas empresas exportadoras


sejam prejudicadas, já que irão vender menos.
Por outro lado, as empresas importadoras terão
condições de aumentar a oferta de seus produtos
a preços mais acessíveis.

O sistema de taxas de câmbio flutuantes


O sistema de determinação do câmbio utilizado atualmente na
maioria dos países capitalistas, entre eles o Brasil, é o sistema de
câmbio flutuante. Ou seja, a taxa de câmbio será determinada
pelas forças de oferta e demanda. Também se chama esta
situação de câmbio flexível.

Ou seja, a oferta e a demanda por moedas estrangeiras é que vão


determinar o preço desta moeda.

A volatilidade do dólar e os preços internos


Nos últimos meses, o dólar tem mostrado uma volatilidade fora do comum. Só
para termos de comparação, em junho a moeda americana estava cotada a R$
2,60, aproximadamente. Agora, em janeiro de 2003, ela está cotada em torno de
R$ 3.30, já tendo passado, no período anterior à eleição, pelo patamar de R$ 4,00.
Toda essa volatilidade, certamente, respinga aqui dentro, pois temos receitas e
custos em dólares. Nosso principal custo em dólar refere-se às importações de
petróleo. E, à medida que o dólar varia de preço, certamente, devemos esperar
que os produtos e matérias-primas importadas também devam variar. No entanto,
o que se vê é que quando há uma alta expressiva da moeda americana, notamos
também altas nos preços internos. Muitos empresários justificam tal alta afirmando
que têm muita matéria-prima em dólar, o que é verdade. Mas, há outro motivo
também para a recente alta nos preços. Durante boa parte da década de 1990, os
empresários não tinham possibilidade de aumentar os preços, pois com o dólar
em torno de R$1,00, os produtos importados eram fortes concorrentes. Mas, agora,
houve a possibilidade de promover um ajuste de preços que possibilite cobrir os
custos. Mas, nesta equação lógica da teoria econômica, há um pequeno problema.
Agora, que o dólar voltou a patamares mais civilizados, será que os preços de
alguns produtos, cujo aumento foi justificado pela alta da moeda americana, vão
voltar também a patamares mais adequados à realidade brasileira? A resposta só
saberemos em breve.

FONTE: André Luís da Silva Leite (http:www.florianopolisonline.com.br, 15/01/2003).

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fundamentos_economicos.indb 152 20/2/2008 14:47:41


Fundamentos Econômicos

Seção 3 – Globalização
É impossível falar em comércio internacional e taxas de câmbio
sem falar em globalização.

Mas, afinal, qual é o conceito de globalização?

Na verdade, há muitos conceitos sobre globalização, mas muitos


autores concordam com o seguinte:

Globalização diz respeito ao aumento da


interdependência entre pessoas, empresas e países.

A idéia de interdependência refere-se ao fato de que, cada vez


mais, os eventos de toda a natureza se multiplicam entre os
países. Ou seja, quando há uma guerra entre dois países, as suas
conseqüências são espalhadas para diversos outros países. Ou,
quando há um evento como os atentados de 11 de Setembro de
2001, toda uma indústria, a do turismo, sofre as conseqüências
(neste caso, conseqüências negativas).

Em outras palavras, globalização refere-se ao aumento das


relações econômicas, comerciais, políticas, institucionais,
produtivas, tecnológicas e ambientais entre as nações.

Mas, globalização é um fenômeno novo? Veja no quadro a seguir


que não.

401 anos de globalização


Não se sabe ao certo quando começou o fenômeno da globalização.
Para a maioria, a globalização é recente, e é certo que o ser humano
sempre demonstrou tendência à união e integração entre os povos,
bem como às invasões e guerras. Na época das grandes descobertas,
formou-se um grande mercado mundial, entre a Europa, a Ásia, e a então
recém descoberta América. Mas, mesmo este fenômeno é diferente da
globalização tal qual a conhecemos.

Unidade 11 153

fundamentos_economicos.indb 153 20/2/2008 14:47:41


Universidade do Sul de Santa Catarina

Para alguns historiadores, o fenômeno de globalização das grandes empresas


das bolsas de valores começou em 20 de março de 1602, ou seja, há exatos 400
anos, com a fundação da Companhia Unida das Índias Orientais, na Holanda.
A Holanda havia recém declarado independência da Espanha e a fundação
da companhia trouxe riqueza e crescimento econômico aos holandeses. A
companhia era administrada com técnicas que seriam consideradas modernas
mesmo nos dias atuais. As ações eram pulverizadas, muito embora o controle do
capital fosse relativamente concentrado. A prosperidade trazida pelo comércio de
especiarias e porcelanas orientais criou a primeira bolha especulativa da história. A
segunda também aconteceu nesta época, com a febre pelas tulipas importadas da
Turquia. Hoje estas flores são um dos produtos principais na pauta de exportação
da Holanda. Foi um tempo de grande prosperidade da Holanda e os comerciantes
holandeses, então, compraram a ilha de Manhattan dos índios por apenas 60
florins. Na verdade, a liberdade que se respirava na Holanda daquela época acolheu
muitos estrangeiros, inclusive ingleses calvinistas que queriam fugir da Igreja
Anglicana, e que foram os colonizadores da Nova Inglaterra e que depois tomaram
Nova Amsterdam e a batizaram de Nova Iorque. Vê-se que a globalização não é
tão recente quanto se imagina. Na verdade, o avanço tecnológico, principalmente
nas áreas de comunicação e transporte, propiciou o aumento da interdependência
entre as nações, com o aumento do volume de comércio mundial, bem como com
o aumento da riqueza de alguns e da pobreza de tantos outros.

FONTE: André Leite (http:www. florianopolisonline.com.br/, 20/03/2002).

Mas, por que então se fala tanto hoje em globalização?


Na verdade, o que mudou de 1602 até hoje foi a inovação
tecnológica. Ou seja, o surgimento de novas tecnologias que
permitem que a informação seja transacionada de forma mais
rápida e também a tecnologia de transportes aumentaram a
interdependência.

Em 1929, a informação sobre a crise da Bolsa de Nova Iorque


demorou quase três dias para chegar ao Brasil. A diferença é que
hoje dispomos de qualquer informação em tempo real.

Isso sem mencionar que, enquanto Pedro Álvares Cabral


demorou mais de um mês para chegar ao Brasil, atualmente,
nove horas de vôo separam o Brasil de Portugal.

154

fundamentos_economicos.indb 154 20/2/2008 14:47:41


Fundamentos Econômicos

Em suma, a globalização aumenta a velocidade da informação


e, conseqüentemente, torna o comércio mais dinâmico. Assim,
as empresas, cada vez mais, devem estar preparadas para o
surgimento de novos competidores e clientes em todas as partes
do globo.

Síntese

Nesta unidade, você estudou que há comércio internacional pelo


simples fato de os países serem diferentes nas suas dotações de
fatores de produção. Isto faz com que os países, para competir,
tenham que se especializar na produção de bens nos quais têm
vantagem competitiva, ou seja, produzem com custos menores do
que outros países.

Você estudou também que a taxa de câmbio é uma variável muito


importante, pois ela determina o preço das nossas exportações e
das nossas importações.

E, por fim, você viu a definição de globalização, que não é, na


verdade, um fenômeno novo. É um fenômeno que aumentou a
interdependência entre as nações, derivado, inclusive, do aumento
do comércio entre os países.

Unidade 11 155

fundamentos_economicos.indb 155 20/2/2008 14:47:41


Universidade do Sul de Santa Catarina

Atividades de auto-avaliação

1. Que razões levam ao surgimento do comércio internacional?

2. Quais argumentos podem ser utilizados para justificar o


estabelecimento de medidas protecionistas?

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fundamentos_economicos.indb 156 20/2/2008 14:47:41


Fundamentos Econômicos

3. Como uma depreciação do real frente ao dólar influencia o


desempenho de empresas exportadoras?

4. Como uma valorização do real frente ao dólar influencia o desempenho


de empresas exportadoras? E das importadoras?

Unidade 11 157

fundamentos_economicos.indb 157 20/2/2008 14:47:42


Universidade do Sul de Santa Catarina

5. Para você, o que é globalização?

6. Procure, em algum jornal ou revista, um artigo que comente a questão


da globalização e compare com a definição encontrada nesta unidade.
Há divergência ou é possível adequar a definição vista aqui com aquela
que você encontrou?

158

fundamentos_economicos.indb 158 20/2/2008 14:47:42


Para concluir o estudo

Ao longo desta disciplina, você teve contato com


conceitos introdutórios de Economia. Tais conceitos são,
muitas vezes, empregados nas decisões empresariais.
São ferramentas importantes para o administrador de
empresas, uma vez que diversos fenômenos relevantes nas
áreas de marketing, finanças e administração geral, entre
outras, têm sua fundamentação na teoria econômica.

As empresas estão, constantemente, sofrendo influências


de forças externas a elas, mas devem se adaptar a estas
forças. Por exemplo, quando há elevação na taxa de juros,
conforme você aprendeu na Unidade 10, o crédito fica
mais caro, e as empresas vendem menos e tomam menos
recursos emprestados. Logo, uma variável que não está
sob o controle da organização tem implicação direta no
desempenho desta.

Este é o objetivo do estudo da Economia. Possibilitar às


empresas, às pessoas e aos órgãos do governo o correto
entendimento das variáveis externas a elas, mas que
afetam suas vidas, seus negócios, suas transações.

Por isso, sem querer esgotar o assunto, afinal a Economia


é uma ciência ampla e complexa, desejo a você sucesso na
sua carreira acadêmica que agora se inicia e espero que ao
longo do curso, os conceitos de Economia fiquem ainda
mais claros na sua mente.

Boa sorte!

Prof. André Leite

fundamentos_economicos.indb 159 20/2/2008 14:47:42


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Referências

LEITE, A. L. S. Fundamentos Econômicos.

SILVA, C. R. L.; LUIZ, S. Economia e mercados:


introdução à economia. São Paulo: Saraiva. 1996.

TROSTER, R.; MOCHON, F. Introdução à


Economia. São Paulo: Makron Books, 1999.

WANNACOTT, P; WANNACOTT, R. Economia. 2.


ed. São Paulo: Makron Books, 1994.

WESSELS, W. J. Economia. São Paulo: Saraiva, 1998.

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Sobre o professor conteudista

ANDRÉ LUÍS DA SILVA LEITE é Doutor e Mestre


em Engenharia de Produção, é graduado em Economia
pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
É professor da Universidade do Sul de Santa Catarina
(Unisul) desde 1997, onde leciona as disciplinas de
Fundamentos Econômicos, Economia e Mercado
e Economia Internacional. Também é professor do
mestrado em Relações Internacionais para o Mercosul,
na mesma universidade.

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Respostas e comentários das
atividades de auto-avaliação

A seguir acompanhe as respostas e comentários sobre as atividades de auto-


avaliação apresentadas durante as unidades da disciplina de Fundamentos
Econômicos.

Para melhor aproveitamento do seu estudo, realize a conferência de suas


respostas somente depois de realizar as atividades propostas.

Unidade 1
1. Nesta questão, espera-se que você consiga, utilizando suas próprias
palavras, conceituar Economia. Ou seja, lembrar que a Economia é ciência
que estuda as relações entre os fatores de produção escassos e os desejos
ilimitados do homem.

2. Nesta questão, você deve relatar como uma variável econômica pode
interferir no seu dia-a-dia. Por exemplo, quando você vai comprar um
automóvel financiado, a taxa de juros é uma variável econômica que interfere
diretamente na sua decisão de compra.

3. É importante, pois reflete o fato de que todos os fatores de produção são


limitados, de modo, que há escolhas a serem feitas. Por exemplo, sabendo
que um dia as reservas de petróleo podem acabar, desde já, o homem está
desenvolvendo combustíveis alternativos.

Unidade 2
1. Os agentes econômicos são: as famílias (pessoas), as empresas e o governo.
Cada um tem uma importante tarefa no sistema econômico. As famílias
oferecem seus fatores de produção. As empresas são responsáveis pela
produção de bens/serviços. E o governo é o responsável pelo gerenciamento
da Economia como um todo, através das leis e da política econômica.

2. As perguntas são:

• o que produzir?
• quanto produzir?
• como produzir?
• para quem produzir?

fundamentos_economicos.indb 165 20/2/2008 14:47:42


Universidade do Sul de Santa Catarina

3. A remuneração de cada fator de produção é:

Terra: aluguel
Capital: juros (para quem empresta) e lucro (para quem investe em uma empresa)
Trabalho: salário

4. A especialização é de fundamental importância para uma economia moderna,


pois ela permite que as pessoas sejam mais produtivas. E sendo mais produtivas,
como você viu na fábula dos alfinetes, as empresas podem produzir com custos
relativamente menores.

Unidade 3
1. Vários são os determinantes da demanda de um bem ou serviço, mas os mais
importantes são:

O preço do bem/serviço, o preço dos bens relacionados; a renda do consumidor,


a sazonalidade, a moda.

2. A maioria dos produtos disponível nos mercados se comporta de acordo com a


lei da demanda. Por exemplo, a carne de primeira.

3. Há, no entanto, alguns produtos que têm um comportamento diferente do que


diz a lei da demanda. Por exemplo, produtos como o sal. Uma redução no preço
do sal não provoca um aumento na sua quantidade demandada.

4. As palavras que completam são:

a. (empresários); (quantidade); (produzida); (preço).


b. (elástica); (maior).

Unidade 4
Através destas atividades, você deve certificar-se que aprendeu o conteúdo e é
capaz de discutir questões referentes ao processo de formação de preços em uma
Economia de mercado.

1. O preço de equilíbrio de um bem é dado pelo encontro entre demanda e


oferta. Nesta situação, não há nem sobra nem falta de produtos no mercado.

2. Neste exercício, você deve listar o preço de três produtos que são usuais nas
suas compras. O preço que você listou certamente é o preço de equilíbrio do
produto no momento em que você os comprou.

Unidade 5
1.No curto prazo, existem, devido ao limite orçamentário da empresa, alguns
fatores de produção fixos. No longo prazo, todos os fatores de produção são
variáveis.

2. Custos fixos são aqueles que não variam à medida que a produção varia.
Por exemplo, o aluguel é um custo fixo, pois independentemente de quanto

166

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Fundamentos Econômicos

a empresa produzir, o aluguel será o mesmo. Já custos variáveis são aqueles


que variam diretamente com a produção, como, por exemplo, a matéria-prima.
Quanto mais a empresa produzir, mais matéria-prima ela deve adquirir.

3. Custos explícitos são os custos contábeis, ou seja, o custo de compra de


matéria-prima, do aluguel, do pagamento de funcionários. Já os custos implícitos
ou custos de oportunidades dizem respeito ao estudo das várias possibilidades
de utilização do capital. Por exemplo, uma empresa deve decidir entre alugar o
prédio onde atuará ou comprá-lo. Ela deve escolher aquela alternativa que tenha
o menor custo de oportunidade.

Unidade 6
1. A contabilidade nacional é de extrema importância, pois permite avaliar o grau
de riqueza e renda de uma determinada sociedade, estado ou nação.

2. PIB é o produto interno bruto e é a principal medida de renda de um país. Para


os empresários é muito importante conhecer o PIB da região onde vai se instalar,
pois, já que produto é igual a renda, então o PIB mostra o poder de compra da
sociedade.

3. A renda é igual ao produto, pois toda a renda (lembre-se da Unidade 2) é


derivada da produção. Por exemplo, o empresário aufere lucros após produzir e o
trabalhador recebe seu salário após a produção.

Unidade 7
1.Bens de capital: são bens que servem para a produção de outros bens. São
máquinas, equipamentos, instalações industriais, entre outros. Já os bens de
consumo duráveis são bens que podem ser consumidos mais de uma vez e têm
um tempo de vida útil relativamente longo, como os automóveis, televisores,
máquinas de lavar. Por fim, bens de consumo não-duráveis são os bens que
podem ser consumidos uma única vez, como os alimentos.

2. O consumo das pessoas é determinado principalmente pela renda das pessoas.


Também a taxa de juros é um importante determinante.

3. A poupança (isto é, a parcela da renda que não é gasta em consumo) que as


pessoas guardam nos bancos é canalizada para o investimento, pois é nos bancos
que os empresários tomarão empréstimos para investir em novas empresas ou na
expansão das empresas já existentes.

4. O desejo dos empresários em investir depende de uma série de fatores:


a. das suas expectativas em relação aos eventos futuros; se os empresários
tiverem expectativas positivas sobre o futuro da economia irão investir
mais;
b. das taxas de juros; quanto menores as taxas de juros, mais barato ficar
tomar empréstimos e mais os empresários investirão;
c. e da sua capacidade instalada. Se os empresários estão produzindo
próximo à sua capacidade instalada, então, há a tendência de haver mais
investimentos no futuro.

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Universidade do Sul de Santa Catarina

Unidade 8
1. As funções do setor público são:

Fiscalizadora, reguladora, provedora de bens e serviços, redistributiva e


estabilizadora.

2. Uma política fiscal expansionista é uma política econômica que aumenta o


dinamismo da Economia, ou seja, aumenta a renda da nação. O governo pode
promovê-la aumentando seus gastos (compra de alimentos, por exemplo) ou
reduzindo os impostos.

3. O governo incorre em déficit público quando gasta mais do que arrecada.


Nesta situação, tem que fazer empréstimos. Por isso, que os jornais sempre
trazem notícias sobre a dívida dos estados e da União (Governo Federal).

4. O Banco do Brasil é uma empresa cujo Governo Federal é o principal acionista.


Certamente, a existência do Banco do Brasil está relacionada a teoria desta
unidade, pois faz parte de uma das funções do governo: provedor de bens e
serviços.

Unidade 9
1. O principal problema da economia de escambo é o duplo desejo. Ou seja,
dificilmente são encontradas duas pessoas que queiram fazer uma troca direta de
bens.

2. A moeda é importante pois dinamiza as trocas em uma economia, permitindo a


especialização das pessoas e empresas.

3. A moeda tem 3 funções:

Meio de troca;

reserva de valor;

Unidade de Conta

4. Liquidez é a capacidade de um ativo ser facilmente convertido em moeda.


Logo, a moeda é líquida por excelência. Quanto mais difícil for converter um ativo,
por exemplo um terreno, em moeda, menos líquido é este ativo.

5. Inflação é o aumento geral e contínuo do nível de preços, ou seja, de todos os


preços de uma Economia. Conseqüentemente, podemos também definir inflação
como sendo a queda no valor da moeda ou do dinheiro.

6. Inflação de demanda ocorre quando as pessoas aumentam seus desejos de


compra de um determinado bem e isto leva a um aumento de preços (lembra-se da
Unidade 4).

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Fundamentos Econômicos

7. É muito comum os jornais de hoje trazerem notícias dessa natureza. Já que


a inflação é a depreciação do valor da moeda, então, uma das maneiras mais
comuns de combate à inflação é aumentar a taxa de juros (que mede o valor do
dinheiro em um determinado momento). Além disso, como você viu na questão
nº 2 desta unidade, se o aumento da demanda pode levar ao aumento da
inflação, então, aumentando as taxas de juros, diminui-se o consumo (lembre-se
da Unidade 7).

8. ( dos custos de produção); (matéria-prima).

Unidade 10
1.A taxa de juros é determinada pela demanda e oferta de moeda. Mas, só quem
oferta moeda é o próprio governo, através do Banco Central.

2.O principal objetivo da política monetária é controlar a quantidade de moeda


em circulação na Economia.

3.Se o Banco Central reduzir a quantidade de empréstimos que concede, isto


aumentará as taxas de juros. Conseqüentemente, as empresas investirão menos,
pois o crédito ficará mais caro.

4.Simplesmente, as autoridades monetárias devem reduzir as taxas de juros.

5.Porque os bancos temendo o risco da inadimplência, aumentam


significativamente as taxas que cobram para emprestar dinheiro.

Unidade 11
1. Há comércio internacional, simplesmente, pelo fato de os países serem
diferentes e se especializarem na produção de produtos diferentes.

2. Incentivar a criação de empregos, proteção à uma indústria estratégica e


possibilitar o surgimento de novas empresas e indústrias.

3. Uma depreciação do real frente ao dólar significa que a taxa de câmbio


aumentou (mais reais são necessários para se comprar um dólar), então, isso
estimula as exportações. Tendo, portanto, um efeito positivo sobre as empresas
exportadoras.

4. Já uma valorização do real frente ao dólar implica o efeito oposto da questão


anterior. Assim, diminuirão as exportações e aumentarão as importações.

5. Globalização, na sua forma mais simples, pode ser definida como o aumento da
interdependência entre nações, trabalhadores e empresas.

6. Há muitas notícias nos jornais sobre globalização. Algumas a favor do processo,


outras contras. Mas, todas levam em consideração a questão do aumento da
interdependência.

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