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A relação de equilíbrio entre receitas e despesas do Município de Juiz

de Fora – MG de 2011 a 2018

ARTIGO ORIGINAL

RAMOS, Fernanda Santana [1], JUNIOR, Adival José Reinert [2]

RAMOS, Fernanda Santana. JUNIOR, Adival José Reinert. A relação de equilíbrio entre receitas
e despesas do Município de Juiz de Fora – MG de 2011 a 2018. Revista Científica
Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 05, Ed. 02, Vol. 02, pp. 153-167. Fevereiro de
2020. ISSN: 2448-0959, Link de
acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/administracao/receitas-e-despesas

Contents

RESUMO
1. INTRODUÇÃO
2. REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 PLANEJAMENTO E ORÇAMENTO BRASILEIRO
2.2 PPA, LDO E LOA
2.3 RECEITAS E DESPESAS PÚBLICAS
2.4 RECEITAS VERSUS DESPESAS PÚBLICAS E A RELAÇÃO DE EQUILÍBRIO
3. METODOLOGIA
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
6. REFERÊNCIAS

RESUMO

O Orçamento Público corresponde ao instrumento de planejamento responsável por estimar


as receitas que o Governo espera arrecadar no exercício financeiro do ano subsequente,
autorizando um limite de despesas baseadas nestas estimativas. A fixação dos gastos
públicos a serem realizados pelo ente público ocorre como forma de controle dos gastos bem
como o equilíbrio orçamentário. Desta forma, foram analisadas as receitas e despesas do
município de Juiz de Fora – MG de 2011 a 2018, para verificar se o equilíbrio orçamentário
fora respeitado no período de tempo analisado. Observou-se que houve equilíbrio

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orçamentário entre as receitas e despesas do município mineiro, ocasionando em todos os


anos um orçamento superavitário, ou seja, com receitas arrecadas superiores a despesas
executadas. Entretanto, todos os valores estimados para receitas e despesas municipais
apresentaram discrepância considerada em relação aos valores reais, como demonstraram
os resultados obtidos através do cálculo dos quocientes orçamentários.

Palavras-Chave: Orçamento público, receitas, despesas, equilíbrio orçamentário.

1. INTRODUÇÃO

Planejamento é a função administrativa relacionada à tomada de decisões em organizações


públicas e privadas. Determinadas decisões são tomadas para solucionar problemas
imediatistas e cessam quando o problema é resolvido. Outras decisões vislumbram o alcance
de objetivos futuros, para tal são planejadas, estruturadas e formuladas no agora para
ocorrerem posteriormente (CHIAVENATO, 2014; MAXIMINIANO, 2017).

O Planejamento Público consiste na ferramenta de elaboração e controle dos programas e


ações de Governo vitais para o desenvolvimento da União, Estados, Distrito Federal e
Municípios. Tal planejamento quando criado e executado de maneira adequada resulta na
eficiente aplicação dos recursos públicos o que gera resultados satisfatórios para a população
(SCHNEIDER e MIGUEL, 2013).

Desta maneira, o planejamento, execução e monitoramento do orçamento público tornam-se


essenciais para uma gestão financeira adequada. (KANAANE et al, 2010; MENDES, 2011).
Uma vez que, as finanças públicas envolvem todas as ações do Estado para a satisfação das
necessidades coletivas e o estudo das oportunidades de adequabilidade das ações a serem
desenvolvidas para que sejam alcançadas tais necessidades como afirmam os autores.

As finanças públicas integram o Orçamento Público, que corresponde ao instrumento de


planejamento que estima as receitas (entradas) que o Governo espera arrecadar ao longo do
ano subsequente, e baseado nestas estimativas, autoriza um limite de gastos a ser realizado
com estes recursos (BRASIL, 1988).

A Lei nº 4.320/64 prevê em seu art. 2º que a “Lei do Orçamento conterá a discriminação da

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receita e despesa de forma a evidenciar a política econômica financeira e o programa de


trabalho do Governo”.

Ao englobar as receitas e despesas (saídas), o orçamento apresenta-se como peça


fundamental para o equilíbrio das contas públicas e indica para a sociedade as prioridades do
Governo naquele período (KANAANE et al, 2010).

O conhecimento e boas práticas concernentes ao planejamento público são essenciais para o


exercício eficiente da função pública, pois a má administração, fruto da inadequada aplicação
dos recursos financeiros geram consequências que podem levar ao desequilíbrio das contas
do Governo e atingir a sociedade como um todo (MATIAS-PEREIRA, 2010).

A fim de evitar tal desequilíbrio são realizados estudos que abarcam a relação existente
entre receitas e despesas para verificar se o princípio do equilíbrio é respeitado. Para
Albuquerque et al (2013), tal princípio consiste nas despesas não ultrapassarem as receitas
no exercício financeiro. Desta maneira, o seguinte questionamento emergiu: Há equilíbrio
entre as receitas e despesas do município de Juiz de Fora – MG?

Objetiva-se assim analisar as receitas e despesas de Juiz de Fora – MG no espaço temporal de


2011 a 2018 a fim de observar a relação entre as suas receitas e despesas buscando
averiguar se há ou não equilíbrio entre estas variáveis através da utilização de indicadores
chamados de quocientes orçamentários.

Foram utilizados os estudos de Lima e Castro (2000), Giacomoni (2002), Kohama (2003),
Kanaane et al (2010), Paludo (2013) e o aparato legal da Constituição Federal- CF de 1988,
Lei nº 4.320/64, Plano Plurianual – PPA, Lei de Diretrizes Orçamentárias – LDO, Lei
Orçamentária Anual – LOA e Lei de Responsabilidade Fiscal – LRF para embasar este estudo.

O estudo se justifica, pois é uma temática que engloba gestão financeira, aplicabilidade dos
recursos públicos e os consequentes impactos das decisões sobre o patrimônio público e o
bem-estar social apreciando se orçamento público municipal fora efetivo para gestão pública
através do alcance do equilíbrio orçamentário para o município mineiro de Juiz de Fora.

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2. REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 PLANEJAMENTO E ORÇAMENTO BRASILEIRO

O primeiro orçamento realizado no Brasil ocorrera em 1830, durante o Império Brasileiro, sob
o aparato da Constituição de 1824. Até as primeiras décadas do século XX o orçamento
público era apenas um registro de gastos públicos e não se revestia de nenhum tipo de
planejamento. Entretanto, influenciado pela evolução das técnicas de planejamento o
orçamento público modificou-se com a Lei nº 4320/64 (GIACOMONI, 2002; KANAANE ET AL,
2010; PALUDO, 2013).

Para os referidos autores, o orçamento público brasileiro, antes de 1964, era elaborado com
ênfase no passado e nos meios classificado como Orçamento Tradicional ou Clássico. Após
1964, o orçamento e planejamento passaram a ser integrados com ênfase nos fins e não
mais nos meios como outrora era realizado, o que constitui o chamado Orçamento Programa.

Após os anos 2000, o Orçamento Programa continuou a vigorar, mas com ênfase na
responsabilização, ação planejada e transparência na gestão fiscal por meio da LRF (Lei
Complementar nº 101/00) como afirma Matias-Pereira (2010).

O Decreto-Lei nº 200/67, em seu art.16 salienta que anualmente deve ocorrer a elaboração
de “um orçamento – programa que pormenorizara a etapa do programa plurianual ser
realizado no exercício seguinte e que servirá de roteiro de execução coordenada do
programa anual.”

É válido ressaltar, que o Orçamento Público é um processo dinâmico, contínuo e flexível que
traduz em termos financeiros, para o período de um ano, os planos e programas de trabalho
do Governo. Porém, alterações podem vir a ocorrer ao longo do exercício financeiro, oriundas
de gastos com despesas de urgências (GIACOMONI, 2002).

Para Matias-Pereira (2010), a atividade financeira do Estado consiste em obter, criar, gerir e
despender o dinheiro indispensável às necessidades da sociedade, cuja satisfação o Estado
assumiu ou cometeu a outras pessoas de direito público.

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2.2 PPA, LDO E LOA

O Estado utiliza o PPA, LDO e LOA como instrumentos de planejamento na elaboração do


orçamento e gestão das finanças públicas brasileiras. Segundo Giacomoni (2002) estes três
instrumentos em conjunto definem e materializam os planos e as ações governamentais para
os anos subsequentes de Governo.

Segundo o art. 165, § 1° da Constituição Cidadã (1988), o PPA é um instrumento de


planejamento de médio prazo, com duração de quatro anos que estabelece de forma
regionalizada as diretrizes, objetivos e metas da administração pública federal para as
despesas de capital e delas decorrentes bem como as relativas aos programas de duração
continuada.

Para Kohama (2003) o PPA é o plano de médio que prazo que ordena as ações
governamentais e permite o alcance dos objetivos e metas fixadas para as esferas públicas
no seu período de duração.

A vigência do PPA não coincide como o mandato do governante, pois o primeiro ano do PPA
sempre ocorrerá no segundo ano de mandato do gestor público, como forma de coibir a
descontinuidade de programas e ações governamentais na mudança de um governo ao
outro, como afirma o referido autor.

O chefe do Poder Executivo deve encaminhar ao Legislativo o projeto do PPA em até quatro
meses antes do encerramento do primeiro exercício financeiro de seu mandato (31 de
agosto). O Legislativo, por sua vez deve devolver o projeto ao Executivo para sanção ou veto,
até 15 de dezembro que corresponde ao encerramento da sessão legislativa. (Brasil, 1988).

Elaborada a partir do PPA, a LDO tem vigência de um exercício financeiro e compreende as


metas e prioridades da Administração Pública, sendo responsável por orientar a elaboração
da LOA, alterar a legislação tributária e estabelecer as políticas de aplicação das agências de
fomento (BRASIL, 1988).

A LRF ampliou os poderes e importância da LDO, determinando em seu art.4º, inciso I que a
mesma passa a ser responsável pelo:

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a) Equilíbrio entre as receitas e despesas;

b) Critérios e forma de limitação de empenho, a ser efetivada nas hipóteses


previstas na alínea b do inciso II deste artigo, no art. 9º e no inciso II do § 1º do
art. 31;

[…]

e) normas relativas ao controle de custos e à avaliação dos resultados dos


programas financiados com recursos dos orçamentos;

f) demais condições e exigências para transferências de recursos a entidades


públicas e privadas;

A LDO possui o Anexo de Riscos Fiscais contendo a avaliação dos passivos contingentes e
outros riscos capazes de afetar as contas públicas (GIACOMONI, 2002; KOHAMA, 2003), bem
como o Anexo de Metas Fiscais que apresenta as metas anuais em valores correntes e
constantes e o montante da dívida pública para o exercício vigente e dois posteriores
(BRASIL, 1988).

O projeto da LDO deve ser enviado ao Legislativo em até oito meses e meio antes do fim do
exercício financeiro (15 de abril) e ser devolvido para sanção até o encerramento da primeira
sessão legislativa (30 de junho) como afirmam Brasil (1988) e Giacomoni (2002).

Em consonância com a LDO, a LOA é elaborada seguindo as normas da LRF para viabilizar e
concretizar as ações do PPA. Desta forma, a LOA consiste em um planejamento de curto
prazo, com duração de um ano, em que constam as ações a serem executadas para alcançar
os objetivos previamente determinados (BRASIL, 1988).

A LOA compreende uma única peça orçamentária composta pelo orçamento fiscal, de
investimentos das empresas e o de seguridade social que segundo a CF/88 no art. 165, § 5°
consistem em:

I – o orçamento fiscal referente aos Poderes da União, seus fundos, órgãos e


entidades da administração direta e indireta, inclusive fundações instituídas e

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mantidas pelo Poder Público;

II – o orçamento de investimento das empresas em que a União, direta ou


indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto;

III – o orçamento da seguridade social, abrangendo todas as entidades e órgãos a


ela vinculados, da administração direta ou indireta, bem como os fundos e
fundações instituídos e mantidos pelo Poder Público.

A LOA deve conter ainda um demonstrativo de compatibilidade entre o que fora programado
nos orçamentos e os objetivos e metas que constam no Anexo de Metas Fiscais presente na
LDO, bem como um demonstrativo do efeito sobre as receitas e despesas e as medidas
compensatórias no que tange a renúncia de receita e aumento despesa de caráter
continuado (GIACOMONI, 2002; PALUDO, 2013)

O projeto da LOA possui os mesmos prazos que o PPA, sendo que o projeto deve ser
encaminhado até 31 de agosto e devolvido para sanção até 15 de dezembro como afirmam
os referidos autores.

2.3 RECEITAS E DESPESAS PÚBLICAS

Receita pública corresponde à entrada de recursos aos cofres públicos que culminará em
despesas para o pagamento de bens e serviços destinados a população. Receita prevista em
orçamento é classificada como orçamentária enquanto a extra-orçamentária, corresponde a
receitas não previstas que adentram aos cofres públicos, mas como não pertencem ao poder
público são repassadas a terceiros. (GIACOMONI, 2002; KOHAMA, 2003).

As receitas orçamentárias, segundo sua categoria econômica, são correntes e de capital,


segundo Brasil (1964). Receitas correntes são aquelas representam tributações,
contribuições, patrimônio, agropecuária, indústria, serviços e outras receitas.

As receitas de capital, por sua vez, destinam-se a cobrir as despesas de capital,


correspondendo às operações de crédito, alienação de bens, amortização de empréstimos,
transferências de capital e outras receitas de capital (BRASIL, 1964).

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Despesa pública representa todo esforço que a gestão pública depreende para garantir o
bom funcionamento do aparato administrativo. Para Giacomoni (2002) e Kohama (2003) a
despesa pública corresponde a todo gasto ou intenção de gasto do Governo, com a finalidade
de atender as demandas da sociedade.

Classificada em despesas orçamentárias quando houver previsão e crédito orçamentário


disponível para sua realização enquanto as despesas não previstas previamente no
orçamento serão chamadas de extra-orçamentárias (BRASIL, 1964).

As despesas são ainda classificadas como correntes quando estão vinculadas a natureza
operacional dos órgãos governamentais e de custeio quando se destinam ao pagamento de
pessoal, compra de materiais de consumo, serviços de terceiros e encargos variados
(BRASIL, 1964).

Para o referido autor, as obras públicas, equipamentos e instalações constituem os


investimentos enquanto despesas referentes à aquisição de títulos representativos de capital
e concessão de empréstimos são classificadas como inversões financeiras. As despesas
destinadas à amortização da dívida pública, auxílio e outras contribuições são chamadas de
transferências de capital. Esses três tipos de despesas equivalem às despesas de capital.

2.4 RECEITAS VERSUS DESPESAS PÚBLICAS E A RELAÇÃO DE EQUILÍBRIO

O orçamento público está ligado à necessidade de estimar a arrecadação das receitas


públicas bem como sua destinação, criando uma relação direta entre receitas e despesas
tornando necessária a busca do equilíbrio nesta relação (KANAANE et al, 2010).

Para Giacomoni (2002), a LRF surgiu justamente com esta intenção, fazer com que os entes
da União busquem tal equilíbrio, obrigando-os não gastarem mais do que arrecadam
buscando um orçamento neutro (arrecadação = gastos) ou de superávit (arrecadação maior
que gastos) evitando ao máximo o orçamento deficitário (gastos superiores à arrecadação).

A LRF afirma que uma gestão responsável dos gastos públicos permeia o equilíbrio
orçamentário conforme o art.1º, § 1°:

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“A responsabilidade na gestão fiscal pressupõe a ação planejada e transparente,


em que se previnem riscos e corrigem desvios capazes de afetar o equilíbrio das
contas públicas, mediante o cumprimento de metas de resultados entre receitas e
despesas e a obediência a limites e condições no que tange a renúncia de receita,
geração de despesas com pessoal, da seguridade social e outras, dívidas
consolidada e mobiliária, operações de crédito, inclusive por antecipação de
receita, concessão de garantia e inscrição em Restos a Pagar”.

O princípio do equilíbrio entre a receita prevista e a despesa fixada prioriza que o projeto
orçamentário encaminhado ao Legislativo deve buscar a igualdade entre previsão e fixação
(FORTES, 2005). Para Giacomoni (2002) e Kanaane et tal (2010) os orçamentos utilizam as
operações de crédito para alçarem o equilíbrio. As operações de crédito no art.29, inciso III
correspondem ao:

“compromisso financeiro assumido em razão de mútuo, abertura de crédito,


emissão e aceite de título, aquisição financiada de bens, recebimento antecipado
de valores provenientes da venda a termo de bens e serviços, arrendamento
mercantil e outras operações assemelhadas, inclusive com o uso de derivativos
financeiros”.

A principal finalidade da adoção do princípio do equilíbrio é eliminar os gastos públicos que


não possuem receitas previstas, coibindo a utilização do crédito público para despesas
operacionais, uma vez que, realizar operações de créditos que ultrapassam “o montante das
despesas de capital, ressalvadas as autorizadas mediante créditos suplementares ou
especiais com finalidade precisa, aprovados pelo Poder Legislativo por maioria absoluta”,
estão proibidas como consta no art.167, inciso III da CF/88.

Dessa maneira, o equilíbrio orçamentário visa que despesas não devem ultrapassar as
receitas previstas como forma de assegurar, no médio e longo prazo, que não ocorra
aumento desordenado dos gastos do Governo que culminam para o aditamento da dívida
pública (GIACOMONI, 2002; KOHAMA, 2003; KANAANE ET TAL, 2010).

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3. METODOLOGIA

A metodologia utilizada nesta pesquisa caracteriza-se como exploratória e descritiva (GIL,


2002). Exploratória, pois examina um problema ou situação para proporcionar conhecimento
e compreensão (MALHOTRA et al., 2005). E descritiva por buscar o registro e a análise dos
fenômenos, sem a interferência do pesquisador, limitando-se a descobrir a frequência com
que certo fenômeno acontece (JUNG, 2004).

Quanto aos meios de investigação considera-se a pesquisa como um estudo de caso, pois
conforme Gil (2002) consiste no estudo profundo e exaustivo de um ou poucos objetos, de
maneira que permita seu amplo e detalhado conhecimento, utilizando para tal uma
abordagem quantitativa, com a utilização de índices e recursos estatísticos para a coleta e o
tratamento dos dados (CRESWELL, 2010).

Foram coletados os dados referentes às receitas estimadas e arrecadas, bem como as


despesas fixadas e executadas de 2011 a 2018 do município de Juiz de Fora – MG no sitio
eletrônico da prefeitura do referido município.

Observou-se a evolução destas variáveis ao longo do período temporal analisado e a relação


de equilíbrio das mesmas no orçamento municipal através do cálculo dos quocientes
propostos por Lima e Castro (2000) e Kohama (2003):

Quadro 1 – Fórmulas dos Quocientes

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Fonte: Adaptado de Lima e Castro (2000) e Kohama (2003)

Os quocientes acima utilizam como parâmetro a unidade, podendo apresentar resultados


iguais, superiores ou inferiores a um. Desta maneira, quando o quociente for igual 1 significa
que as variáveis analisadas possuem mesmo valor.

QER>1 indica que ocorreu excesso de arrecadação, QER< 1 houve subestimação da receita.
QED>1 mostra que existe dotação sem autorização legal, ou seja, ocorrera ineficiência
durante o planejamento e execução, quando o QED< 1 ocorre economia de despesa
orçamentária.

O QRO>1 demonstra superávit do orçamento ocorrendo déficit orçamentário quando QRO <
1. O equilíbrio orçamentário ocorre quando o QEO=1 e deve ser buscado para que seja
respeitado o Princípio do Equilíbrio, caso contrário apresentará desequilíbrio para mais
(QEO>1) ou para menos (QEO< 1) entre receitas e despesas.

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4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

De posse das demonstrações orçamentárias de 2011 a 2018 do município de Juiz de Fora –


MG fora possível analisar as receitas e despesas através dos valores totais executados e
previstos para cada conta como mostram as tabelas 1 e 2.

Tabela 1 Receitas de Juiz de Fora-MG

RECEITAS DE JUIZ DE FORA-MG


Ano Receitas Previstas (Rp) Receitas Arrecadadas (Ra)
2011 R$ 1.146.957.976,63 R$ 932.429.569,55
2012 R$ 1.229.969.266,43 R$ 1.112.609.582,04
2013 R$ 1.376.811.361,21 R$ 1.076.775.697,17
2014 R$ 1.678.237.757,14 R$ 1.239.377.225,23
2015 R$ 1.714.413.882,63 R$ 1.341.798.817,17
2016 R$ 1.837.316.299,11 R$ 1.450.706.070,33
2017 R$ 1.916.469.579,27 R$ 1.507.452.804,49
2018 R$ 1.919.114.403,30 R$ 1.518.945.242,58
Fonte: Dados da Pesquisa

A Tabela acima demonstra que no período temporal analisado as receitas previstas foram
superiores a arrecadas suscitando as seguintes situações para tal ocorrência:

Erro de cálculo no ato da previsão;


Recursos não repassados ao município;
Inadimplência da população no pagamento de tributos.

A diferença encontrada é plausível de ocorrer, pois previsão é estimativa, um número


próximo a realidade e não exato. Entretanto, uma previsão que se aproxima do valor real
arrecado torna-se uma importante ferramenta de gestão no desenvolvimento das atividades
evitando que ocorram surpresas ao longo do exercício financeiro.

A previsão de receitas acertou no constante aumento das receitas ao longo dos anos
analisados o que fora comprovado com o também aumento dos valores arrecadados ainda

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que com valores inferiores aos previstos.

De 2011 a 2018 a previsão de receitas estimou um valor total de receitas de


R$12.819.290.525,72, o que não correra, pois se arrecadou R$10.180.095.008,56 em
receitas municipais, uma diferença de R$2.639.195.517,16 entre o esperado e o executado.

O mesmo correra com as despesas de Juiz de Fora, foram fixados R$12.819.290.525,72,


entretanto foram gastos R$9.419.090.666,53 uma diferença de R$3.400.199.859,19, o que
significa que o município gastou menos do esperava como mostra a tabela abaixo:

Tabela 2 Despesas de Juiz de Fora-MG

DESPESAS DE JUIZ DE FORA-MG


Ano Despesas Fixadas (Df) Despesas Executadas (De)
2011 R$ 1.146.957.976,63 R$ 868.665.958,56
2012 R$ 1.229.969.266,43 R$ 991.536.320,43
2013 R$ 1.376.811.361,21 R$ 994.231.870,49
2014 R$ 1.678.237.757,14 R$ 1.181.999.151,69
2015 R$ 1.714.413.882,63 R$ 1.253.511.788,79
2016 R$ 1.837.316.299,11 R$ 1.373.983.453,83
2017 R$ 1.916.469.579,27 R$ 1.380.446.692,06
2018 R$ 1.919.114.403,30 R$ 1.374.715.430,68
Fonte: Dados da Pesquisa

Ao longo do período analisado as despesas executadas apresentaram valores menores que


as despesas fixadas demonstrando que o município não apresentara gastos acima do
previsto evitando problemas financeiros.

Com o intuito de aprofundar o estudo das variáveis receitas e despesas com o equilíbrio
orçamentário, foram calculados os quocientes que apresentaram os seguintes resultados:

Tabela 3 Quocientes Orçamentários de Juiz de Fora – MG

QUOCIENTES DE JUIZ DE FORA -MG

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Ano QER QED QEO QRO


2011 0,81 0,76 1,00 1,07
2012 0,90 0,81 1,00 1,12
2013 0,78 0,72 1,00 1,08
2014 0,74 0,70 1,00 1,05
2015 0,78 0,73 1,00 1,07
2016 0,79 0,75 1,00 1,06
2017 0,79 0,72 1,00 1,09
2018 0,79 0,72 1,00 1,10
Fonte: Dados da Pesquisa

Os valores encontrados para o QER e QED foram menores que 1 no período de 2011 a 2018,
ratificando as análises acima de que as receitas arrecadas foram menores que as receitas
previstas, bem como as despesas executadas foram menores que as despesas fixadas
evidenciando economia orçamentária.

Tais quocientes ainda informam que o ano de 2014 (QER=0,74 e QED= 0,70) apresentara a
maior discrepância entre o valor previsto e o executado para receitas e despesas, sendo o
ano de 2012 (QER=0,90 e QED=0,81) a menor discrepância.

O QEO=1 para todos os anos analisados demonstra que o Princípio do Equilíbrio


Orçamentário fora obedecido e o equilíbrio orçamentário alcançado através de receitas
previstas e despesas fixadas apresentarem valores iguais.

O orçamento de Juiz de Fora – MG apresentou superávit orçamentário em todos os anos


analisados, pois o QRO>1 indica que as receitas arrecadadas foram maiores do que as
despesas executadas, não ocorrendo em nenhum ano orçamento deficitário para o município
mineiro.

É válido ressaltar que a obtenção de QRO>1 é um resultado favorável para o orçamento


municipal, mas que todo gestor público deva se importar primariamente em aplicar da forma
eficiente e eficaz seus recursos, buscando sempre o equilíbrio orçamentário, para que possa
entregar resultados positivos e que corroborem para a melhoria contínua dos bens e serviços
prestados a sociedade.

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5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O orçamento público é o instrumento de planejamento que estima as receitas que o Governo


espera arrecadar ao longo do ano e, baseado em tais receitas, estima um limite de gastos a
ser realizado. Ao englobar receitas e despesas o orçamento constitui-se como peça
fundamental para o equilíbrio das contas públicas e indica para a sociedade quais as
prioridades governamentais.

Consiste no plano de trabalho do governo que contém propostas para o período de duração
de um ano. Constitui-se de uma lei de iniciativa do Poder Executivo sendo aprovado pelo
Poder Legislativo, estimando sempre a receitas e fixando as despesas da administração
pública brasileira, logo, deve ser elaborada por todas as esferas administrativas.

O orçamento do governo pode apresentar três situações distintas: o superávit (arrecadação


maior que gastos), neutro (gastos exatamente iguais a arrecadação) e déficit (gastos
superiores a arrecadação).

Ao analisar o orçamento público municipal de Juiz de Fora – MG de, 2011 a 2018, fora
observado um superávit financeiro, com receitas superiores a despesas, ou seja, entradas
maiores que saídas.

O princípio do Equilíbrio fora observado em todos os anos analisados através do QEO=1,


demonstrando que o município alcançou o equilíbrio orçamentário ainda que tenha errado na
previsão dos valores das receitas e fixação das despesas.

Desta forma, o município mineiro necessita averiguar o que ocorre no ato de cálculo das
receitas e despesas que comporão a LOA do ano seguinte, pois os valores estimados foram
calculados acima da realidade.

O constante crescimento das receitas e despesas também deve ser analisado, para que estas
estejam de acordo com a real situação do país, que apresenta constantes cortes
orçamentários com o intuito de enxugar a máquina pública.

Conclui-se assim, que analisar a forma como as receitas e despesas públicas se relaciona

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A relação de equilíbrio entre receitas e despesas do Município de Juiz
de Fora – MG de 2011 a 2018

tornam-se essenciais para que ocorra um planejamento e execução orçamentária adequada,


permitindo que sejam entregues a sociedade bens e serviços com maior eficiência,
economicidade e eficácia por meio do alcance do equilíbrio orçamentário.

6. REFERÊNCIAS

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administração financeira e orçamentário. Brasília: Gestão Pública, 2013.

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Federativa do Brasil. Brasília: Senado, 1988.

_______. Lei nº 4320 de 17 de março de 1964. Normas ferais do direito financeiro para
elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do
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públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal e dá outras providências.
Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp101.htm>

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Janeiro: Elsevier, 2013.

SCHNEIDER, C.; MIGUEL, M.P. Manual da Contabilidade Pública. São Paulo: IOB Folhamatic,
2013.

[1]
Bacharel em Administração.

[2]
Especialização em Teoria Psicanalítica. Especialização em Orientação, Supervisão e Gestão
Escolar Democrática. Especialização em Docência do Ensino Fundamental, Médio e Superior.
Graduação em Matemática.

Enviado: Janeiro, 2020.

Aprovado: Fevereiro, 2020.

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