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Muniro Mussa

Os Universais da Cultura, O Dinamismo e Mudança Cultural.


(Curso de Licenciatura e Ensino de Educação Visual – 2ºAno/IIº Semestre)

Universidade Rovuma
Nampula
2021
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Muniro Mussa

Os Universais da Cultura, O Dinamismo e Mudança Cultural.


(Curso de Licenciatura e Ensino de Educação Visual – 2ºAno/IIº Semestre)

O presente trabalho é de caracter avaliativo a


ser entregue na cadeira de Antropologia
Cultural, lecionada pela docente.

MA. Élia Margarida Cumbana

Universidade Rovuma
Nampula
2021
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Índice

1. Introdução............................................................................................................................ 4

2. Os universais da cultura ...................................................................................................... 5

2.1. Crítica ao relativismo cultural...................................................................................... 5

2.2. Os tipos de universais .................................................................................................. 6

3. Dinamismo e mudança cultural ........................................................................................... 7

3.1. Dinamismo cultural...................................................................................................... 7

3.2. Processos do Dinamismo cultural ................................................................................ 8

3.2.1. Processo de Enculturação ..................................................................................... 8

3.2.2. Processo de Aculturação ....................................................................................... 8

3.2.3. Processo de Desculturação ................................................................................... 9

3.2.4. Processo de Inculturação ...................................................................................... 9

4. Conclusão .......................................................................................................................... 11

5. Bibliografia........................................................................................................................ 12
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1. Introdução

No presente trabalho é abordado sobre os universais da cultura, o dinamismo e mudança


cultural. Tando como os processos do dinamismo cultural tais como: enculturação conhecida
como endoculturação, aculturação ou transculturação, desculturação e inculturaçao.
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2. Os universais da cultura

Os universais culturais são os elementos da cultura, sociedade, linguagem,


comportamento e mente que, de acordo com estudos antropológicos realizados até agora,
compartilhamos praticamente todas as sociedades humanas.

O antropólogo americano Donald E. Brown é talvez o autor mais reconhecido no


desenvolvimento da teoria dos universais culturais. Sua proposta surge como uma crítica
importante à maneira pela qual a antropologia entendeu a cultura e a natureza humanas e
desenvolve um modelo explicativo que recuperará a continuidade entre os dois.

Abaixo, explicamos como a teoria dos universais culturais emerge e quais são os tipos
propostos por Brown.

2.1.Crítica ao relativismo cultural

Brown propôs o conceito de universais culturais com a intenção de analisar as relações entre
a natureza humana e a cultura humana e como elas foram abordadas na antropologia
tradicional.

Entre outras coisas, ele permaneceu cético sobre a tendência de dividir o mundo entre uma
dimensão chamada “cultura” e outra oposta a outra que chamamos de “natureza”. Nessa
oposição, a antropologia tendia a colocar sua análise do lado da cultura, fortemente
associado à variabilidade, indeterminação, arbitrariedade (que são os elementos contrários aos
da natureza) e que são os que nos determinam como seres humanos.

Brown está mais posicionado para entender a cultura como um continuum com a natureza e
procura reconciliar a ideia da variabilidade de culturas e comportamentos, com as constantes
da natureza biológica que também nos constituem como seres humanos. Para Brown,
sociedades e culturas é o produto de interações entre indivíduos e indivíduos e seu ambiente.
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2.2.Os tipos de universais

Em sua teoria, Brown desenvolve diferentes propostas teóricas e metodológicas para integrar
os universais como modelos teóricos explicativos sobre os seres humanos. Esses modelos
permitem estabelecer conexões entre biologia, natureza humana e cultura.

Entre outras coisas, ele propõe da existência de tais tipos de universais:

1. Universais absolutos

Esses universais são o que a antropologia encontrou em todas as pessoas, independentemente


de sua cultura específica. Para Brown, muitos universais não existem separadamente dos
outros universais, mas são expressões de diferentes áreas ao mesmo tempo, por exemplo, o
conceito de “propriedade” que expressa ao mesmo tempo uma forma de organização social e
cultural, e também um comportamento.

2. Universais aparentes

Esses universais são aqueles para os quais existem apenas algumas exceções. Por exemplo, a
prática de fazer fogo é um universal parcial, porque existem evidências diferentes de que
poucas pessoas o usaram, no entanto, não sabiam como fazê-lo. Outro exemplo é a
proibição do incesto, regra presente em diferentes culturas, com algumas exceções.

3. Universais condicionais

O universal condicional também é chamado universal implicacional e refere-se a uma relação


de causa-efeito entre o elemento cultural e sua universalidade. Em outras palavras, é
necessário que uma condição específica seja atendida para que o elemento seja considerado
universal.

O que está em segundo plano nos universais condicionais é um mecanismo causal que se
torna uma norma. Um exemplo cultural pode ser a preferência pelo uso de uma das duas
mãos (à direita, no oeste).
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4. Universais estatísticos

Universais estatísticos são aqueles que ocorrem constantemente em sociedades aparentemente


não relacionadas, mas não são universais absolutos porque parecem ocorrer de maneira
aleatória. Por exemplo, os diferentes nomes com os quais o “aluno” é chamado em diferentes
culturas, uma vez que todos se referem a uma pessoa pequena.

5. Grupos universais

Universais de grupo são aqueles elementos ou situações em que um conjunto limitado de


opções explica as possibilidades de variação entre culturas. Por exemplo, o alfabeto fonético
internacional, que representa uma possibilidade finita de comunicação através de sinais e sons
comuns, e é encontrado de maneiras diferentes em todas as culturas.

Nesse caso, existem duas categorias amplas para analisar os universais: êmico e ético
(derivado dos termos em inglês “fonêmico” e “fonético”) que servem para distinguir os
elementos expressamente representados nas concepções culturais das pessoas, e elementos
presentes, mas não explicitamente.

Por exemplo, todas as pessoas falam com base nas regras gramaticais que adquirimos.
No entanto, nem todas as pessoas têm uma representação clara ou explícita do que são as
“regras gramaticais”.

3. Dinamismo e mudança cultural


3.1.Dinamismo cultural

A cultura pode ser dinâmica ou estável.

Ela é estável (identidade, tradição) enquanto se sublinha a tradição e a institucionalização de


padrões de comportamento. Tradição não significa repetição (BOKA DI MPASI, 1986).

De acordo com MARTINEZ (2003: P. 42), a cultura é dinâmica, pois esta em constante
transformação, obedecendo aos seguintes aspectos:

 Lei de vida: a cultura muda como um ser vive (exemplo do corpo…); as mudanças
podem ser pequenas ou grandes, despercebidas ou violentas;
 Mudanças despercebidas: a própria natureza da aprendizagem lhe determina uma
transformação lenta;
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 Mudança consciente: a cultura também experimenta a mudança desejada e


consciente;
 Mudanças violentas: encontros culturais: a mudança ocorre em razão de novas
necessidades provocadas pelas novas situações.
3.2.Processos do Dinamismo cultural

O dinamismo cultural reside na ausência de estacidade, oque pressupõe que a cultura está em
constante mudança, daí que se conclui, com MARTINEZ (2007:59) que a cultura “não é algo
acabado ou definitivomas sim algo em continuo aperfeiçoamento”.

3.2.1. Processo de Enculturação

A enculturação que também é conhecida como endoculturação – de acordo com


MARTINEZ (2003:51), citando BERNARDI, é um processo educativo pelo qual os membros
de uma cultura se tornam conscientes e comparticipantes da própria cultura. HERSKOVITS,
citado por MARTINEZ (2003: 51), diz que enculturação são os aspectos da experiência de
aprendizagem que distinguem o homem das outras criaturas e por meio dos quais,
inicialmente, e mais tarde na vida consegue ser competente em sua cultura.

É através deste processo que um neonato aprende os caminhos culturais que a sua espera que
ele seja, ou seja, a partir deste processo que se consegue a adaptação à vida social, que o
indivíduo se habitua aos modos de vida do seu grupo aprendendo as suas formas de
comportamento.

3.2.2. Processo de Aculturação

A aculturação também conhecida como transculturação é mais um processo do dinamismo


cultural. MARTINEZ (2007: 79), afirma que em Psicologia o termo aculturação é usado no
sentido que na Antropologia se dá ao processo de enculturação. Em Sociologia é usado no
sentido de socialização e na Pedagogia no sentido de educação ou condicionamento.

A aculturação teve várias designações provenientes de autores diversos, podendo-se destscar


as seguintes: empréstimo de culturas, disseminação culturaal, transmissão cultural em
marcha e processo de mistura de culturas.

Para Ítalo Slignorelli, a aculturação é um processo que conduz um indivíduo a assumir, em


tudo ou em parte, modos de cultura de um outro grupo. Desta definição deve se pressupor o
contacto entre duas culturas, resultando influências e transformações mútuas. Este processo
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constitui um dos factores da dinâmica cultural, pois do contacto entre duas culturas, haverão
elementos duma cultura que se irão integrar na outra através de processo de mistura e fusão,
surgindo como resultado uma nova síntese cultural e um novo padrão cultutral do
comportamento.

3.2.3. Processo de Desculturação

O termo desculturação deriva de “descultura”, o que por outras palavras significa “falta de
cultura”, porém, não se subentenda que existam indivíduos sem cultura. Trata-se aqui de um
nível sintáctico. Com o termo desculturação, referimo-nos aos aspectos negativos da dinâmica
cultural, isto é, a subtracção e/ou destruição em diverso grau do património cultural. A
desculturação pode ser originada por causas internas ou externas.

No que concerne às causas internas, podemos dizer que a desculturação é provocada pela
perda da energia de uma determinada cultura, que se caracteriza pela redução das forças dos
indivíduos e da comunidade, que, consequentemente, vai eliminando a vitalidade dos traços
culturais e, a caída em descuso dos mesmos.

No que diz respeito às causas externas podemos notar que a desculturação é provocada pelas
crises originadas por contactos culturais, pois, cada novidade que surge em qualquer sector da
vida: económico, político, religioso, técnico, tgraz consigo inevitavelmente uma queda de
identidade cultural original.

Este fenómeno acontece de maneira imperceptível e lenta, afectando separadamente os traços


culturais e assim, vai mudando o estilo de vida de uma comunidade.

3.2.4. Processo de Inculturação

É uma palavra composta por: in-cultura-ção; in – significa, dentro de, entrar dentro de alguma
coisa, introduzir, interior; mas também pode significar ausência de alguma coisa, negação,
incultura.

O termo inculturação teve a sua origem no mundo religioso quando os padres da África e da
Ásia mostraram que a mensagem evangélica não antigia a essência dos povos. Nestes termos,
verficou-se a necessidades de se buscar um conceito que exprimisse um processo que criasse
uma ligação entre a mensagem cristã e a cultura, tendo surgido primeiramente o termo
encarnação, o qual podia ser usado, por exemplo, nos seguintes termos: “Evangelho precisa
de ser encarnado nasculturas” Simbine Jr (2009: 13).
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Apenas entre 1974 e 1975 é que o vocábulo inculturação passou a fazer parte do mundo
religioso, sendo considerado como a “ encarnação da vida e da mensagem cristã em uma
área cultural concreta”, não num sentido de mera adaptação de aspectos religiosos na cultura
mas sim que essa mensagem cristã seja um elemento activo e dinâmico, proporcionando a
transformação e recriação da cultura.

Pode-se entender a inculturação como um processo recíproco no qual há introdução de


elementos exteriores na cultura e vice-versa como se pode notar na concepção de João Paulo
II, segundo a qual a inculturação é o processo pelo qual ocorre a “encarnaçao do evangelho
nas culturas e simultaneamente a introdução dos povos com as suas culturas na comunidade
eclesial, transmitindo-lhes os seus próprios valores, assumindo o que há de bom nas culturas
e renovando-as a partir de dentro”.
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4. Conclusão

Concluindo o presente trabalho, é necessário salientar que os processos do dinamismo cultural


apresentados podem ser estudados em todas e qualquer sociedade viva. Isto é, são processos
que ocorrem em todas as sociedades e garantem, sem dúvida alguma, a sua continuidade. Em
suma, pode se dizer que o homem pertencente a uma cultura tem de interiorizá-la para
conseguir se identificar nela.

A enculturação refere-se ao processo educativo pelo meio do qual os membros de uma cultura
se tornam conscientes e comparticipantes da própria cultura. Aculturação é outro processodo
dinamismo cultural. Este processo constitui um dos factores da dinâmica cultural, pois do
contacto entre duas culturas, haverão elementos duma cultura que irão integrar na outra
através de processo de mistura e fusão, surgindo como resultado duma nova síntese cultural e
um novo padrão cultural do comportamentoo. Quando falamos da desculturação, referimo-nos
a um aspecto negativo da dinâmica cultural, isto é, a substracção em diverso grau do
património cultural. Pode ser originada por causas internas ou externas. Por fim, a
inculturação pode ser entendida como um processo recíproco no qual há introdução de
elementos exteriores na cultura e vice-versa. O termo surgiu na esfera religiosa para referir
todo o esforço de fazer ingrenar o evangelho numa determinada cultura de modo que possa
ser expresso tendo em contas as formas culturais desse povo.
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5. Bibliografia

MARTINEZ, Francisco Lerma. Antropologia Cultural: guia para estudo.Paulinas Editorial,


5ª edição, Maputo, 2007.

Becerra, K. Binder, T e Bidegain, I. (1991). Revisão de Brown, D. (1991). Universais


Humanos McGraw Hill Recuperado em 12 de junho de 2018. Disponível em
http://www.teodorowigodski.cl/wp-content/uploads/2012/10/Human-Universals.pdf.

BOKA DI MPASI, Londi. Religione e Cultura in Africa. Corso nella Facoltà Di Missiologia.
Pontifícia Università Gregoriana. Roma. 1986.

Brown, D. (2004). Universais humanos, natureza humana e cultura humana. Dédalo, 133 (4):
47-54.

CARVALHO, Adalberto Dias de. A Educação Como Projecto Antropológico. 2ª Edição.


Edições Afrontamento. Porto. 1998.

CASAL, Adolfo Yanez. Antropologia e Desenvolvimento – As Aldeias Comunais de


Moçambique. Edição Ministêrio da Ciência e Tecnologia, Instituto de Investigação Cientifica
Tropical. Lisboa. 1996.

DI NAPOLI, George. Antropologia Sócio-religiosa. Corso dela Facoltà de Missiologia.


Pontifícia Università Gregoriana. Roma. 1985/86.

MARTINEZ, Francisco Lema. Antropologia Cultural – Guia Para o Estudo. Edição Paulinas.
Maputo. 2003.

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