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O uso da cartografia no Sistema de Planeamento Fisico do Territorio

Cartografia é a “ciência que trata da criação e manipulação de representações do espaço

geográfico, visuais ou virtuais, para permitir a exploração, análise, compreensão e

comunicação de informação acerca desse espaço”. Carta e mapa podem ser considerados

sinónimos e referem‐se globalmente à “representação simbólica da realidade geográfica,

mostrando aspectos e características seleccionados, concebida para ser utilizada sempre que

as relações espaciais sejam de primordial importância”.13 No entanto, Gaspar (2008: 57) notou

que, na terminologia portuguesa, a distinção entre estes dois termos não está ainda

consolidada: enquanto mapa é um termo “aplicável à generalidade das representações

cartográficas”, carta tem uma conotação de orientação ou navegação, já que este termo é

“especialmente usado no âmbito da cartografia topográfica e naútica”.

A produção de mapas ou cartas, enquanto representações da superfície terrestre, implica a

transformação geométrica dessa superfície (projecção cartográfica), a sua redução (escala),

selecção e simplificação (generalização) e o recurso à simbolização dos objectos ou fenómenos

da realidade a representar (Dias 2007: 28).

O caso particular da representação de distribuições populacionais

Mapas coropletos, de símbolos proporcionais ou de pontos têm sido usados para representar

distribuições populacionais. Os mapas de símbolos proporcionais e de pontos são

vocacionados para representar valores absolutos, enquanto os coropletos são vocacionados

para representar densidades populacionais. Uma questão preliminar: É discutível que os

mapas de densidade populacional possam ser considerados verdadeiros mapas de distribuição

populacional. Já Dias (1991: 32) o constatava quando afirmou:

Representar as densidades não constitui uma alternativa equivalente [aos mapas de pontos],
visto

que os mapas assentam numa certa base espacial [administrativa] e as manchas gráficas

correspondentes, no geral de dimensão muito desigual, mascaram forçosamente a verdadeira


distribuição espacial dos habitantes.

Exprimindo um valor médio por unidade de superfície19, e na maior parte dos casos diluídos
num

certo intervalo de variação (ou classe), os mapas da densidade não se podem considerar

verdadeiros mapas de distribuição da população, mesmo com recurso a uma base espacial de

malha suficientemente fina que permita mostrar as cambiantes dessa distribuição.

Não se referindo a ele directamente, M. H. Dias acabava de exemplificar uma das vertentes do

MAUP, de que se falará mais à frente, e tomava inequivocamente partido pela opção técnica

de cartografar a distribuição da população através de pontos (de valor uniforme) e de círculos

proporcionais.