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Normas para a construção civil e suas carências

Rafaela Marques Mannarelli1

Resumo
Este artigo foi escrito com o objetivo de apresentar as normas brasileiras mais
utilizadas no setor da construção civil, assim como mostrar que no Brasil atualmente há
uma carência de novas normas técnicas e revisão de antigas normas para que se
ocorra uma atualização geral de acordo com o avanço das tecnologias no ramo da
construção civil. Com o rápido avanço da tecnologia nos dias de hoje, existem várias
novas técnicas para se executar métodos tradicionais construtivos, assim como
métodos totalmente novos que já são utilizados há tempos no exterior e no Brasil ainda
não tanto, pois não existem normas que regulamentam o uso dessas técnicas. Existe
uma grande dificuldade de para criar e revisar normas técnicas no país, levando ao
menos quatro anos para que sejam atualizadas ou criadas, assim, sendo muito difícil
para o Brasil acompanhar os avanços tecnológicos criados em outros países.

Palavras-chave: Normas Técnicas; Carência de normas; Engenharia Civil; Construção


Civil.

Abstract
This article was written with the aim of showing the most used Brazilian norms in
civil construction, as well as showing how in Brazil there is currently a lack of new
technical standards and revision of old standards so that there is a general update
according to the advancement of technologies in the field of civil construction. With the
rapid advancement of technology today, there are several new techniques for executing
traditional construction methods, as well as totally new methods that have been used for
a long time abroad and in Brazil not as much yet, since there are no rules that regulate
the use of these techniques. There is a great difficulty in creating and revising technical
standards in the country, taking at least four years for them to be updated or created,
thus, it is very difficult for Brazil to keep up with the technological advances created in
other countries.

Keywords: Technical Standards; Lack of standards; Civil Engineering; Civil


Construction.

1
Graduando de Engenharia Civil da PUCPR. E-mail: rafaelammannarelli@gmail.com
1. Introdução

A normatização é um fator essencial em qualquer tipo de setor de trabalho pois


ela proporciona disciplina na produção e utilização de bens e serviços, gerando
uniformidade nos parâmetros.
O setor da construção civil segue vários tipos de normas que podem ser citados,
por exemplo, existem as normas regulamentadoras (NRs) que tem a função de
estabelecer requisitos de qualidade, desempenho e segurança para empresas e
trabalhadores de todas as áreas. Também tem as normas ABNT que exercem a função
de estabelecer procedimentos, definem a maneira de medir alguns objetos e ainda
determinam certas características e métodos de realização de ensaios. Ainda existem as
normas ISO 9001, que são normas com a função de estabelecer um maior padrão de
qualidade em produtos e serviços, gerando com o uso delas redução de custos,
padronização de serviços e melhora contínua.
O uso de normas no setor da construção civil é essencial e fez com que a
qualidade e padronização dos serviços melhorassem muito, porém, no Brasil, ainda se
observa uma grande carência de normas para novos métodos construtivos e para a
atualização de métodos já existentes.
O Brasil tem uma grande dificuldade de atualizar as normas presentes devido à
grande burocracia necessária, fazendo com que quando finalmente ocorra a atualização
ou adição de uma norma, as novas tecnologias já se desenvolveram muito mais ou
surgem até mesmo novas tecnologias e métodos construtivos, assim gerando uma
desatualização nas normas já existentes e até mesmo nas recém criadas.

2. Objetivos

O artigo tem como objetivo apresentar as principais normas utilizadas no setor da


construção civil e a importância delas para que haja um bom funcionamento geral do
serviço e dos produtos gerados.
O documento também tem como objetivo apresentar as falhas nos setores das
criações de normas para a área da engenharia civil e como a demora no processo de
criação de normas gera um atraso tecnológico ao país já que muitos métodos e técnicas
já utilizados a anos em países no exterior ainda não são muito usados no Brasil pela
falta de normas que estabeleçam parâmetros e regras para realização de tais métodos.
Ainda será apresentado um estudo de caso da carência de normas para o método
construtivo Wood Framing, uma técnica construtiva já usada há anos em vários países
como Estados Unidos, países nórdicos europeus, Canada, etc, mas que ainda não é
vastamente utilizado no Brasil por certos motivos, sendo um dos principais a falta de
regulamentação para a execução desse método.

3. Metodologia

As informações utilizadas como base para o desenvolvimento deste artigo foram


coletadas de plataformas online, livros, códigos e artigos científicos, sendo todos este
provenientes de fontes confiáveis e conhecidas.

4. Resultados

Como em qualquer setor de trabalho e industrial, o setor da construção civil também


possui normas de extrema importância. É de grande importância que todos que
trabalham com a Engenharia Civil se mantenham atualizados as normas da construção
civil.
O ramo da construção é muito importante para a sociedade e está em constante
crescimento, contudo existem muitos riscos e riqueza de detalhes envolvendo a profissão
aos quais, quem trabalha na aérea, deve estar sempre atento. Por essa razão, não só
no Brasil como em todos os outros países, foi necessária a criação de normas e leis que
regulamentassem vários métodos, tipos de materiais a serem utilizados e padronizações
de serviços e produtos para que se atinja maior qualidade no setor e nos produtos
gerados por ele.
4.1. Normas Regulamentadoras (NR)

As normas regulamentadoras, também conhecidas como NR, são disposições


complementares ao Capítulo V (Da Segurança e da Medicina do Trabalho) do Título II
da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), com redação dada pela Lei nº 6.514, de
22 de dezembro de 1977. Elas nada mais são do que obrigações, direitos e deveres a
serem cumpridos por empregadores e empregados a fim de garantir maior segurança no
trabalho, proporcionando menor ocorrência de doenças e acidentes de trabalho.
As normas regulamentadoras que se aplicam ao setor da Engenharia Civil nos
dias de hoje são as seguintes: NR-4, NR-6, NR-7, NR-8, NR-12, NR-18 e NR-35.
A NR 4 se trata sobre Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e
Medicina do Trabalho e tem como objetivo promover a saúde e a integridade dos
funcionários no local onde executam suas atividades.
Quanto a NR-6, ela busca tratar sobre uso dos Equipamentos de Proteção
Individual, ou também conhecidos como EPIs, no local de trabalho, com o objetivo de
estabelecer regras para que as empresas evitem acidentes com a proteção da saúde do
trabalhador e a prevenção das chamadas doenças ocupacionais.
Já a NR-7 obriga as empresas a elaborem e implementem o Programa de Controle
Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), com o objetivo de promover a preservação da
saúde dos funcionários da construção civil com a detecção antecipada de doenças
relacionadas ao trabalho para que se haja tempo de tomar atitudes, assim evitando-as.
A NR-8, chamada Edificações, exige padrões em obras e edificações,
estabelecendo requisitos técnicos mínimos para esses lugares com o objetivo de garantir
a segurança e o conforto de todos os envolvidos na construção civil. Essa norma é
considerada especial visando que se trata de uma norma direcionada a um setor
econômico específico.
A Norma Regulamentadora nº 8 (NR-8), conforme classificação estabelecida
na Portaria SIT n° 787, de 29 de novembro de 2018, é norma especial, posto que
regulamenta a execução do trabalho considerando as atividades, instalações ou
equipamentos empregados, sem estarem condicionadas a setores ou atividades
econômicos específicos. (MINISTÉRIO DA ECÔNOMIA, 2011).

Já a NR-12 se trata de segurança no trabalho em máquinas e equipamentos. Ela


requer que o empregador aplique medidas de proteção para os funcionários que tenham
contato com máquinas e outros equipamentos que oferecem riscos com a finalidade de
garantindo a saúde e integridade física de todos os trabalhadores.
A NR-18 é também utilizada na Engenharia Civil. Essa tem a função de
estabelecer condições e um meio ambiente de trabalho na indústria da construção civil
com o objetivo de implementar sistemas de controle e prevenção de acidentes nos
processos, condições e no meio ambiente de trabalho da construção civil.
Por fim, a NR-35 regulamenta os trabalhos realizados em altura, determinando
requisitos mínimos de proteção para esse tipo de trabalho, envolvendo como se deve ser
planejado, organizado e executado.
Todas as normas em conjunto proporcionam ao setor da construção civil uma
maior segurança e qualidade na execução dos serviços, protegendo a todos os
trabalhadores e empregadores envolvidos na etapa de construção de qualquer tipo de
obra.

4.2. Normas ABNT

Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é o Foro Nacional de


Normalização, entidade privada e sem fins lucrativos, reconhecida pela sociedade
brasileira e confirmado pelo governo federal por meio de diversos instrumentos legais.
Ela é responsável pela elaboração das Normas Brasileiras (ABNT NBR) que são
elaboradas por seus Comitês Brasileiros (ABNT/CB), Organismos de Normalização
Setorial (ABNT/ONS) e Comissões de Estudo Especiais (ABNT/CEE).
A ABNT, em sintonia com os governos e a sociedade, trabalha em função de
implementar políticas públicas, promover o desenvolvimento de mercados, defender os
consumidores e assegurar todos os cidadãos.
Algumas das principais normas da ABNT que influenciam a Engenharia Civil que
poderiam ser citadas seriam as seguintes: NBR 6136; NBR 7199; NBR 8949; NBR
12118; NBR 13.531; NBR 15.575.
A NBR 6136 se trata de blocos vazados de concreto simples para alvenaria
estrutural, estabelecendo requisitos para a produção e aceitação destes blocos utilizados
na execução de alvenaria estrutural ou de vedação. Essa norma também determina os
tipos de blocos ideais para cada utilização, como por exemplo:
4.1.1. Quanto ao uso
a) Classe AE - para uso geral, como paredes externas acima ou abaixo do nível
do solo, que podem estar expostas à umidade ou intempéries, e que não
recebem revestimento de argamassa de cimento;
b) Classe BE – limitada ao uso acima do nível do solo, em paredes externas com
revestimento de argamassa de cimento, para proteção contra intempéries e em
paredes não expostas às intempéries. (NBR 6136/1994).

Quanto a NBR 7199, essa aborda sobre projetos, execuções e aplicações de


vidros na construção civil. Ela busca explicar sobre os tipos de vidros mais indicados
para cada tipo de aplicação e a aplicação correta de cada tipo de vidro. Ela foi escrita
em 1994 e atualizada em 2016 de acordo com as normas internacionais, estando agora
atualizada no quesito de utilização de vidros temperados, laminados e aramados,
também chamados de vidros de segurança.
Já a NBR 8949 leva o título de: Paredes de alvenaria estrutural – Ensaio a
compressão simples. Essa norma tem a função de estabelecer um método de preparo e
ensaio de paredes estruturais que são submetidas à compressão axial, podendo ser
essas feitas de blocos de concreto, blocos cerâmicos ou tijolos. Ainda ela prevê o preparo
e ensaio dos componentes deste método construtivo:
[...] Conjuntamente com as paredes serão preparados e ensaiados os blocos, os
prismas, a argamassa de assentamento e o graute. (NBR 8949/1985).

A NBR 12118, criada em 2007 e tendo sua última revisão em 2013, se trata sobre
blocos vazados de concreto para alvenaria. Essa norma especifica métodos de ensaio
para análise dimensional e determinação da absorção de água, da área líquida, da
resistência à compressão e da retração por secagem, em blocos vazados de concreto
simples para alvenaria.
A NBR 13.531, com o título “Elaboração de projetos de edificações – Atividades
técnicas”, tem como finalidade fixar as atividades técnicas de projeto de arquitetura e de
engenharia exigíveis para a construção de edificações. Essa norma busca estabelecer
certas definições, condições gerais e específicas, e aceitações e rejeições sobre o tema
em questão. Ela pode ser completada com a NBR 13.532 que se trata sobre a elaboração
de projetos de edificações para a arquitetura.
Por fim, a NBR 15.575 que aborda sobre o desempenho de edificações
habitacionais e tem o propósito de demonstrar como os produtos usados em uma
construção se relacionam com a qualidade de uso do imóvel depois. Ela é uma
indicadora de desempenho de uma edificação, podendo certificar a sua excelência.

4.3. Carência nas normas brasileiras para a Construção Civil

O processo burocrático para a atualização das normas brasileiras é complicado e


demorado, o que acarreta a constante desatualização das normas em relação às
tecnologias lançadas no mercado. Com o grande crescimento tecnológico do século XXI,
muitos métodos construtivos foram criados e melhorados e atualmente, no Brasil,
observa-se que muitos destes novos métodos que já são utilizados em muitos países a
fora, não estão sendo ainda implementados com tanta intensidade no país ou estão
sendo tardiamente apresentados ao Brasil.
No congresso Brasileiro da Construção em 2017 (ConstruBR2017), Paulo Rewald,
diretor de normalização do Secovi-SP e conselheiro da Abrasip (Associação Brasileira
de Engenharia de Sistemas Prediais, e Salvador Benevides, superintendente do
ABNT/CB-002 – Comitê Brasileiro da Construção Civil, relataram sobre a grade
dificuldade que se existe para criar normas técnicas e revisar as já existentes no âmbito
da construção civil, sendo que esses processos não podem ser feitos em menos de
quatro anos.
Assim, o país não acompanha o ritmo e nem faz a equalização com relação aos
avanços tecnológicos alcançados lá fora (REWALD, 2017).

Rewald ainda complementa alegando que o descompasso na atualização de


normas tem trazido problemas jurídicos aos construtores.
A Norma de Desempenho descreve uma relação de normas que devem ser
seguidas. Isso gerou um problema, pois quase todas estão desatualizadas e com
defasagens em seus textos. Então, é importante ter cuidado com isso, pois
sabemos que hoje somos muito mais advogados que engenheiros, por causa de
peritagens e fiscalizações, que levam em conta a Norma de Desempenho, mas
não consideram as normas desatualizadas. Para se ter ideia, só na área de
sistemas prediais existem cerca de três mil normas a serem seguidas, e a maioria
está sem revisão há muito tempo. (REWALD, 2017).
Paulo Sanchez, o vice-presidente de tecnologia e qualidade do SindusCon-SP,
ainda complementa que grande parcela da culpa de tal desatualização é de todos os
envolvidos no setor da construção civil pela desatenção às solicitações para que as
normas técnicas sejam revisadas.
Não é admissível que um setor veja que normas estão desatualizadas e não faça
solicitações ao superintendente do CB-002, por via de cada uma de suas
entidades, a fim de que possam entrar em processo de revisão. Quando se fala
que as normas estão muito defasadas, o problema é nosso. (SANCHEZ, 2017).

Benevides comenta que um grande problema do Brasil é que o país está


acostumado a criar normas em função de acontecimentos e acidentes já ocorridos ao
invés de fazer normas para que se previnam tais atrocidades.
Se uma criança morre em uma piscina, por causa de falha no projeto do ralo, daí
se reage para atualizar ou criar uma norma técnica. Se um prédio cai por causa
de uma reforma mal feita, como aconteceu no Rio de Janeiro, se vai lá e é feita
uma norma de reforma. Se acontece uma tragédia como a que ocorreu na boate
Kiss, lá em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, se cria uma norma para saída
de emergência. Só para reforçar o que digo, vale lembrar que nos últimos três
anos apenas sete normas foram publicadas. (BENEVIDES, 2017).

5. Estudo de caso

Para exemplificar a carência de normas brasileiras para o setor da construção


civil, será estudado um método construtivo já existente há anos e extremamente utilizado
em muitos países, como, por exemplo, Estados Unidos, Canadá, Austrália, entre outros,
e que no Brasil é escassamente utilizado pela falta de normas que regulamentam tal
método chamado Wood Framing.

5.1. Wood Framing

Wood Framing foi criado no século XIX na América do Norte, mais


especificamente nos Estados Unidos e faz parte do sistema CES (Construção Energética
Sustentável). É um método construtivo que se baseia em montantes e travessas de
madeira revestidos por chapas também feitas de madeira. A parte estrutural de obras de
Wood Framing é feita de madeira maciça (montantes e travessas), já a chapas de
revestimento são geralmente feitas em OSB (Oriented Strand Board), que nada mais é
que um material composto por lascas de madeira reflorestada coladas em diferentes
direções. O tipo mais comum de madeira utilizada é o Pinus, mas o eucalipto pode ser
utilizado neste método construtivo.
Este método pode ser utilizado em casas e edificações de até cinco pavimentos.
Ainda, o Wood Framing, por fazer uso de perfis leves e extremamente flexíveis, permite
qualquer tipo de acabamento no interior e exterior.
A primeira etapa de uma construção em Wood Framing é a instalação da estrutura
de madeira, que será responsável por toda a sustentação da obra. Em seguida é feito o
preenchimento das paredes com um material isolante térmico (mantas de lã de rocha ou
de vidro) e a colocação das placas de OSB em conjunto com uma placa cimentícia e
gesso acartonado. Finaliza-se com a cobertura e vedação.
As vantagens da utilização do método Wood Framing são muitas. Pode-se
primeiramente citar o quesito sustentabilidade; este método, por fazer uso de madeira,
faz com que haja menos resíduos gerados para o meio ambiente, além de ser um
material renovável, ao contrário do método tradicional utilizado no Brasil, a alvenaria, que
produz grande quantidade de resíduos sólidos para o meio ambiente, gera muita poluição
e a grande maioria dos materiais utilizados não são renováveis.
Outras grandes vantagens desse método são: a entrega rápida da obra, já que
toda a construção é feita a seco; o conforto térmico e acústico, visto que a madeira pode
absorver cerca de 40 vezes mais o calor em comparação com a alvenaria; podem-se ser
feitos vários tipos de revestimento, levando em consideração que para áreas molhada,
recomenda-se o uso de drywall sob o revestimento.

5.2. Desenvolvimento de normas brasileiras para o método Wood Framing

Foi instalada em 2015 uma Comissão de Estudos pela Associação Brasileira de


Normas Técnicas (ABNT) para o desenvolvimento de normas técnicas dedicadas ao
método Wood Framing. A equipe vem trabalhando na elaboração de um texto que
disponibilize parâmetros de qualidade deste método. Esta comissão é formada pela
Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci) e
profissionais qualificados que trabalham na indústria madeireira e de construção civil.
O desenvolvimento da norma funciona primeiramente com a instalação da
Comissão de Estudos. Em seguida são criados subgrupos para sistematizar as tarefas.
Os coordenadores de cada tema presente na norma orientam a estruturação de cada
área relacionada à norma. Cada um deles recebe as contribuições dos membros que
integram o subgrupo. Posteriormente, o que foi desenvolvido por cada subgrupo é revisto
e discutido antes de serem consolidados em um texto. Por fim, o documento final passa
por uma avaliação de todos os integrantes em conjunto.
Em 2017 o coordenador da Comissão de Estudos e vice-presidente do Sindicato
da Indústria da Construção Civil do Paraná (Sinduscon-PR), Euclesio Finatti, deu um
parecer sobre o desenvolvimento da norma:
Temos hoje um texto já consistente envolvendo duas partes importantes do
sistema construtivo Wood Frame, que são a preocupação de como serão
considerados os projetos e como será a execução das futuras obras neste
sistema construtivo. (FINATTI, 2017).

Finatti também declarou que se a comissão continuasse trabalhando no mesmo


ritmo para o desenvolvimento da norma, até o primeiro semestre de 2017 eles poderiam
submeter à Comissão de Estudos a primeira sugestão de texto para a norma (FINATTI,
2017).
O superintendente da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada
Mecanicamente (Abimci), Paulo Pupo, comentou sobre a questão de como as empresas
do setor madeireiro deveriam se preparar e estar bem qualificadas para a introdução
deste novo método e as oportunidades que ele traz.
Precisamos entender e capitalizar o momento, para consolidar esse método
construtivo eficiente e inovador. Mas, para isso, será necessário que os
fabricantes de madeira se preparem para atender as exigências técnicas do
mercado. Há uma chance real de aumentarmos o consumo per capita de
madeira no mercado interno. (PUPO, 2017).

Pupo também ressalta sobre a importância da perda do preconceito de que


estruturas de madeira são de baixa qualidade.
Esse talvez seja o maior desafio que teremos ao longo de nossa jornada para a
consolidação desse sistema no Brasil. Os exemplos aplicados em alguns dos
principais países do mundo com construções em madeira, em larga escala e de
diferentes conceitos, nos provam exatamente o contrário, pois esse é um sistema
que traz soluções inovadoras e sustentáveis, economicamente viáveis, e com as
garantias necessárias exigidas pelo mercado. (PUPO, 2017).
Mesmo a criação da norma para Wood Framing estar tendo constantes avanços,
nota-se que já faz cerca de cinco anos que ela vem sendo desenvolvida e ainda não foi
oficializada e divulgada para uso.

6. Conclusão

Analisando todas as informações expostas previamente neste artigo científico,


pode-se destacar que as normas tanto no ramo da construção civil, como em qualquer
outro setor, têm uma importância imprescindível. Normas como as NR e as NBR fazem
com que se haja maior qualidade, melhor direcionamento e maior segurança para todos
os envolvidos no desenvolvimento e na compra dos produtos gerados.
Contudo pode-se concluir que ainda existe muitas falhas na burocracia do
desenvolvimento e atualização de normas, visto que nota-se uma grande carência de
novas normas para métodos construtivos novos já lançados nos mercados de outros
países há anos, assim como uma desatualização de normas já existentes que não se
adequaram as novas tecnologias usadas nos dias de hoje. Com isso em mente, o Brasil
poderia reformular a forma como as normas são desenvolvidas para que elas possam
acompanham a velocidade com que as tecnologias do século XXI se desenvolvem.
Por fim, assim como o método Wood Framing, como vários outros métodos
construtivos, como por exemplo o de painéis cerâmicos pré-fabricados, merecem maior
destaque de estudos para que se possam desenvolver mais velozmente normas que
possam ser utilizadas no Brasil para o país possa ter mais variedade de métodos que
contribuam para a economia e sustentabilidade do país.
Referências

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