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AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA DE LÍNGUA PORTUGUESA –

ALUNO: ______________________________________________________________
DATA: TURMA: 9º ANO
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D1 -  Localizar informações explícitas em um texto.

1) Leia o texto para responder a questão abaixo:


Nomear

Francisco. Escolha de minha avó. Meu pai nasceu Francisco, nome frequente na família. Tio-avô, tios,
primos, compadres e afilhados. Admiração da família por São Francisco de Assis. Nenhum dos Franciscos
da família nascidos em 4 de outubro. Nenhum. Nascessem qualquer data: Francisco. Também os que ainda
vão nascer: netos, bisnetos... Franciscos. Espera-se. Gregório é sobrenome familiar. Descendência
holandesa. Espalhados, a partir de Recife, pelas cidades do Nordeste, os holandeses chegaram ao Vale do
Açu, Rio Grande do Norte, e por lá constituíram família em parcerias com os “nativos” (caboclos, índios,
negros).
Francisco Gregório, meu pai. Minha avó, muito atenta e participativa, observou que em sua cidade
muitos dos principais cidadãos assinavam seus nomes em suas casas comerciais: Açougue Preço Bom de
Sebastião da Silva; Farmácia Saudade de Jacinto da Silva; Armazém tem tudo de Josué da Silva;
Consultório Médico do Dr. Manoel da Silva; Escritório do Advogado Tenório da Silva etc. Muitos eram os
compadres e comadres da Silva. Pois bem, decidido pela minha avó: Francisco Gregório da Silva,
inaugurando na família o sobrenome comunitário: Silva.
Francisco Gregório Filho. Lembranças amorosas. SP: GLOBAL Editora 2000.

Ao batizar Francisco Gregório da Silva, a avó


(A) resgatou a origem holandesa da família.
(B) homenageou São Francisco, santo de sua devoção.
(C) constituiu família junto aos nativos caboclos.
(D) lançou na família o sobrenome Silva.
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D3 -  Inferir o sentido de uma palavra ou expressão.

2) Leia o texto abaixo.


“Amizade dada é amor”
– “Riobaldo, pois tem um particular que eu careço de contar a você, e que esconder mais não
posso... Escuta: eu não me chamo Reinaldo de verdade. Este é nome apelativo, inventado por
necessidade minha, carece de você não me perguntar por quê. Tenho meus fados. A vida da gente faz
sete voltas – se diz. A vida nem é da gente...”
Ele falava aquilo sem rompante e sem entonos, mas antes com pressa, quem sabe se com tico de
pesar e vergonhosa suspensão.
– “Você era menino, eu era menino... Atravessamos o rio na canoa... nos topamos naquele porto.
Desde aquele dia é que somos amigos.”
Que era, eu confirmei. E ouvi:
– “Pois então: o meu nome, verdadeiro, é Diadorim... Guarda este meu segredo.
Sempre, quando sozinhos a gente estiver, é de Diadorim que você deve me chamar, digo e peço,
Riobaldo...”
Assim eu ouvi, era tão singular. Muito fiquei repetindo em minha mente as palavras, modo de me
acostumar com aquilo. E ele me deu a mão. Daquela mão, eu recebia certezas. Dos olhos. Os olhos que
ele punha em mim, tão externos, quase tristes de grandeza. Deu alma em cara. Adivinhei o que nós dois
queríamos – logo eu disse:
– “Diadorim... Diadorim!” – com uma força de afeição. Ele sério sorriu.

ROSA, Guimarães. Grande Sertão Veredas. Apud Estudos de Língua e Literatura,. São Paulo: Moderna, 5 ed. 1998, p. 201.

No trecho “‘A vida da gente faz sete voltas’” ( . 4), o emprego da expressão destacada revela a intenção
do autor em ressaltar que Diadorim entende que a vida é
A) amarga. B) incerta. C) ingrata. D) madrasta.

3) Leia o texto para responder a questão a seguir:

Para causar o humor no texto, seu produtor se utiliza de um jogo de sentidos no uso da expressão
“PETRÓLEO REFINADO”. Um dos sentidos possíveis para a palavra destacada é petróleo

(A) estruturado. (B) mal humorado. (C) diversificado. (D) bem educado.

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D4 – Inferir uma informação implícita em um texto.

4) Leia o texto abaixo.


O IMPÉRIO DA VAIDADE

Você sabe por que a televisão, a publicidade, o cinema e os jornais defendem os músculos torneados,
as vitaminas milagrosas, as modelos longilíneas e as academias de ginástica? Porque tudo isso dá dinheiro.
Sabe por que ninguém fala do afeto e do respeito entre duas pessoas comuns, mesmo meio gordas, um pouco
feias, que fazem piquenique na praia?
Porque isso não dá dinheiro para os negociantes, mas dá prazer para os participantes. O prazer é físico,
independentemente do físico que se tenha: namorar, tomar milk-shake, sentir o sol na pele, carregar o filho
no colo, andar descalço, ficar em casa sem fazer nada. Os melhores prazeres são de graça - a conversa com o
amigo, o cheiro do jasmim, a rua vazia de madrugada -, e a humanidade sempre gostou de conviver com
eles. Comer uma feijoada com os amigos, tomar uma caipirinha no sábado também é uma grande pedida.
Ter um momento de prazer é compensar muitos momentos de desprazer. Relaxar, descansar, despreocupar-
se, desligar-se da competição, da áspera luta pela vida - isso é prazer.
Mas vivemos num mundo onde relaxar e desligar-se se tornou um problema. O prazer gratuito,
espontâneo, está cada vez mais difícil. O que importa, o que vale, é o prazer que se compra e se exibe, o que
não deixa de ser um aspecto da competição. Estamos submetidos a uma cultura atroz, que quer fazer-nos
infelizes, ansiosos, neuróticos. As filhas precisam ser Xuxas, as namoradas precisam ser modelos que
desfilam em Paris, os homens não podem assumir sua idade.
Não vivemos a ditadura do corpo, mas seu contrário: um massacre da indústria e do comércio. Querem
que sintamos culpa quando nossa silhueta fica um pouco mais gorda, não porque querem que sejamos mais
saudáveis - mas porque, se não ficarmos angustiados, não faremos mais regimes, não compraremos mais
produtos dietéticos, nem produtos de beleza, nem roupas e mais roupas. Precisam da nossa impotência, da
nossa insegurança, da nossa angústia.
O único valor coerente que essa cultura apresenta é o narcisismo.
LEITE, Paulo Moreira. O império da vaidade. Veja, 23 ago. 1995. p. 79.

O autor pretende influenciar os leitores para que eles:

(A) sejam mais críticos em relação ao incentivo do consumo pela mídia.


(B) excluam de sua vida todas as atividade incentivadas pela mídia.
(C) fiquem mais em casa e voltem a fazer os programas de antigamente.
(D) evitem todos os prazeres cuja obtenção depende de dinheiro.

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D6 - Identificar o tema de um texto.

5) Leia o texto para responder a questão abaixo:

ASA BRANCA

Quando olhei a terra ardendo


Qual fogueira de São João
Eu perguntei a Deus do céu
Por que tamanha judiação.

Que brasileiro, que fornalha


Nem um pé de plantação
Por falta d’água, perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão.

Inté mesmo a asa branca


Bateu asas do sertão
Entonce eu disse: adeus, Rosinha
Guarda contigo meu coração.

Hoje longe, muitas léguas


Numa triste solidão
Espero a chuva cair de novo
Pra mim voltar, ah! Pro meu sertão.

Quando o verde dos teus olhos


Se espalhar na plantação
Eu te asseguro, não chove não, viu
Que eu voltarei, viu, meu coração.

Luis Gonzaga e Humberto Teixeira. Luiz Gonzaga.


Vinil/CD, BMG. Brasil, 2001
Qual é o tema do texto?

(A) A solidão dos sertanejos


(B) a fauna sertaneja
(C) A seca do sertão.
(D) A vegetação do sertão.

D14 -  Distinguir um fato da opinião relativa a esse fato.


6) Leia o texto abaixo:
As enchentes de minha infância

Sim, nossa casa era muito bonita, verde, com uma tamareira junto à varanda, mas eu invejava os que
moravam do outro lado da rua, onde as casas dão fundos para o rio. Como a casa dos Martins, como a casa
dos Leão, que depois foi dos Medeiros, depois de nossa tia, casa com varanda fresquinha dando para o rio.
Quando começavam as chuvas a gente ia toda manhã lá no quintal deles ver até onde chegara a
enchente. As águas barrentas subiam primeiro até a altura da cerca dos fundos, depois às bananeiras, vinham
subindo o quintal, entravam pelo porão. Mais de uma vez, no meio da noite, o volume do rio cresceu tanto
que a família defronte teve medo.
Então vinham todos dormir em nossa casa. Isso para nós era uma festa, aquela faina de arrumar camas
nas salas, aquela intimidade improvisada e alegre. Parecia que as pessoas ficavam todas contentes, riam
muito; como se fazia café e se tomava café tarde da noite! E às vezes o rio atravessava a rua, entrava pelo
nosso porão, e me lembro que nós, os meninos, torcíamos para ele subir mais e mais. Sim, éramos a favor da
enchente, ficávamos tristes de manhãzinha quando, mal saltando da cama, íamos correndo para ver que o rio
baixara um palmo – aquilo era uma traição, uma fraqueza do Itapemirim. Às vezes chegava alguém a cavalo,
dizia que lá, para cima do Castelo, tinha caído chuva muita, anunciava águas nas cabeceiras, então
dormíamos sonhando que a enchente ia outra vez crescer, queríamos sempre que aquela fosse a maior de
todas as enchentes.
BRAGA, Rubem. Ai de ti, Copacabana. 3. ed.Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1962. p. 157.

A expressão que revela uma opinião sobre o fato “... vinham todos dormir em nossa casa”, é
(A) “Às vezes chegava alguém a cavalo...”
(B) “E às vezes o rio atravessava a rua...”
(C) “e se tomava café tarde da noite!”
(D) “Isso para nós era uma festa...”

7) Leia o texto abaixo.


Goiabada
(Carlos Heitor Cony)

Goiabada tinha cara de goiabada mesmo. Fica difícil explicar o que seja uma cara de goiabada, mas
qualquer pessoa que se defrontava com ele, mesmo que nada dissesse, constataria em foro íntimo que
Goiabada tinha cara de goiabada.
Eu o conheci há tempos, quando jogava pelada nas ruas da Ilha do Governador. Ele se oferecia para a
escalação, mas quase sempre era rejeitado. Ruim de bola, era bom de gênio.
[...]
Perdi-o de vista, o que foi recíproco. Outro dia, parei num posto para abastecer o carro e um senhor
idoso me ofereceu umas flanelas, dessas de limpar para-brisa. Ia recusar, mas alguma coisa me chamou a
atenção: dando o desconto do tempo, o cara tinha cara de goiabada. Fiquei indeciso. Não podia perguntar se
ele era o Goiabada, podia se ofender, não havia motivo para tanta e tamanha intimidade.
[...]
O tanque do carro já estava cheio, e o novo Goiabada, desanimado de me vender uma flanela, ia se
retirando em busca de freguês mais necessitado. Perguntei quantas flanelas ele tinha. Não sabia, devia ter
umas 40, não vendera nenhuma naquele dia. Comprei-lhe todas, ele fez um abatimento razoável. E ficou de
mãos vazias, olhando o estranho que sumia com suas 40 flanelas e nem fizera questão do troco.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1111200803.htm
O fato que gerou a história narrada foi
(A) o encontro entre o narrador e o homem que ele achou ter “cara de goiabada”.
(B) o jogo de futebol que os meninos jogavam nas ruas da Ilha do Governador.
(C) o narrador ter comprado todas as flanelas do idoso e não querer o troco.
(D) a separação dos dois meninos que jogavam futebol.