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O Código de Conduta e Ética Profissional da Aliança do Yoga

Comentários de Flávia e Roberto: as sugestões foram marcadas em cinza e as palavras ou trechos a serem
substituídos foram riscados. Há comentários marcados em cor rosa.

É uma declaração de compromisso em se manter um comportamento ético e profissional na condução dos


ensinamentos e atividades relacionadas ao Yoga, com o qual todos os instrutores credenciados pela Aliança do Yoga
devem concordar inscritos concordam. Não se destina a substituir a ética de qualquer escola ou tradição, mas
destina-se a ser uma normal geral, com base em preceitos comuns a todas as vertentes.

Como Professor Instrutor de Yoga Registrado ou representante de uma Escola de Yoga Registrada, eu concordo em
manter os seguintes princípios éticos:

1. Conduzir-me, sempre, de maneira profissional e conscienciosa. Isso inclui, mas não se limita, a garantir que
eu cumpra meus compromissos com meus alunos ou com o público mas, também, estimule estimular a
consciência de ser cauteloso para que minhas exposições públicas sejam moderadas e busquem estar de
acordo com as características esperadas de um praticante de Yoga que adere a certos preceitos.

2. Reconhecer as limitações de minhas habilidades e, quando apropriado, sugerir aos alunos com necessidades
específicas, tratamento ou orientação alternativa. Buscar ajuda em casos desafiadores, evitar reagir de
forma irrefletida.

3. Criar e manter um ambiente seguro, limpo e confortável para a prática de yoga.

4. Abraçar a diversidade de maneira absolutamente natural, como deve ser, respeitando todos os alunos,
independentemente da idade, limitações físicas, raça, ideologia política, gênero, etnia, religião ou orientação
sexual.

5. Respeitar os direitos, a dignidade e a privacidade de todos os alunos.

6. Jamais proferir palavras ou realizar ações que possam ser interpretadas como constituam assédio moral ou
sexual, ter extrema cautela em casos onde seja inevitável reprimir o comportamento de algum aluno e
sempre optar por fazê-lo de maneira privada e compassiva, acima de tudo.

7. Buscar ajuda de outros instrutores e demais profissionais em casos desafiadores, evitar reagir de forma
irrefletida.

8. Aderir aos princípios tradicionais do da Yoga, conforme descrito nos yamas e niyamas, e sempre buscar
associá-los às situações vividas: ahimsa, satya, asteya, brahmacarya, aparigraha, shaucha, santosha, tapas,
svadhyaya, ishvara pranidhana. [ver comentário na próxima página]

9. Seguir todas as leis nacionais, estaduais e locais que digam respeito ao meu ensino e negócios relacionados
ao Yoga.

10. Entender que posso ter o meu credenciamento e o direito de usar Marcas de Registro da Aliança do Yoga
revogados por justa causa, caso incorra no descumprimento dos Padrões estabelecidos no neste Código de
Ética do Profissional, no Regimento ou no Estatuto Social. Nesta hipótese, a Aliança do Yoga me enviará uma
notificação sobre os fatos que embasem a possível revogação e uma oportunidade para que eu responda por
escrito. Após a análise do que for apresentado, o Conselho da Aliança do Yoga emitirá uma decisão sobre a
revogação de meu registro, com base no julgamento razoável das provas apresentadas. Eu concordo em
manter isentar a Aliança do Yoga isenta por quaisquer perdas ou danos em que eu possa incorrer como
consequência da revogação de minhas credenciais.

Lembramos também os princípios do Yoga a serem observados:

[Comentário / Roberto: A interpretação dos yamas e niyamas varia de autor para autor – e a própria tradução dos
seus títulos também varia; penso que não cabe à Aliança do Yoga, como associação, propor uma interpretação dos
yamas e niyamas; por esse motivo, penso que deve ser excluída a explicação a seguir; sugiro que apenas sejam
mencionados os nomes dos yamas e niyamas no item 8, sem detalhamento. Observem também que no documento
faltaram o quarto e o quinto yamas (a lista pulou de III para VI).]

I. AHIMSÁ
A primeira norma ética milenar do Yoga é o ahimsá, a não-agressão. O ser humano não deve agredir
gratuitamente outro ser humano, nem os animais, nem a natureza em geral.
– Não deve agredir fisicamente, nem por palavras, atitudes ou pensamentos.

II. SATYA
A segunda norma ética do Yoga é satya, a verdade.
– O Profissional de Yoga não deve fazer uso da inverdade, seja ela na forma de mentira, seja na forma de
equívoco ou distorção na interpretação de um fato, seja na de omissão perante uma dessas duas
circunstâncias.
– Consequentemente, ouvir boatos e deixar que sejam divulgados é tão grave quanto passá-los adiante.

III. ASTEYA
A terceira norma ética do Yoga é asteya, não roubar.
– O Profissional de Yoga não deve se apropriar de objetos, ideias, créditos ou méritos que sejam devidos
a outrem.

VI. SHAUCHAN
A sexta norma ética do Yoga é shauchan, a limpeza.
– O Profissional de Yoga deve ser purificado tanto externa quanto internamente.
– O banho diário, a higiene da boca e dos dentes, e outras formas comuns de limpeza não são suficientes.
Corporalmente, é necessário proceder à purificação dos órgãos internos e das mucosas, mediante as
técnicas do Yoga.
– De pouca valia é lavar o corpo por fora e por dentro se a pessoa ingere alimentos com elevadas taxas
de toxinas
VII. SANTOSHA
A sétima norma ética do Yoga é santosha, o contentamento.
– O Profissional de Yoga deve cultivar a arte de extrair contentamento de todas as situações.
– O contentamento e sua antítese, o descontentamento, são independentes das circunstâncias geradoras.
Surgem, crescem e cingem o indivíduo apenas devido à existência do gérmen desses sentimentos no
âmago da personalidade.

VIII. TAPAS
A oitava norma ética do Yoga é tapas, auto-superação.
– O Profissional de Yoga deve observar constante esforço sobre si mesmo em todos os momentos.
– Esse esforço de auto-superação consiste numa atenção constante no sentido de fazer-se melhor a cada
dia e aplica-se a todas as circunstâncias.
– O cultivo da humildade e o da polidez constituem demonstração de tapas.
– Manter a disciplina da prática diária de Yoga é uma manifestação desta norma.. Conter o impulso de
expressar comentários maldosos sobre terceiros também é compreendido como correta interpretação
desta observância.
– Tapas é, ainda, a disciplina que respalda o cumprimento das demais normas éticas. 
Preceito moderador:
A observância de tapas não deve induzir ao fanatismo nem à repressão e, muito menos, a qualquer tipo de
mortificação
IX. SVÁDHYÁYA
– O convívio com o Mestre é o maior estímulo ao svádhyáya, o estudo do yoga .
X. ÍSHVARA PRANIDHÁNA
A décima norma ética do Yoga é íshvara pranidhána, a auto-entrega.
– O Profissional de Yoga deve estar sempre interiormente seguro e confiante em que a vida segue o seu
curso, obedecendo a leis naturais e que todo esforço para a auto-superação deve ser conquistado sem
ansiedade.

CONCLUSÃO
– O amor e a tolerância são pérolas que enriquecem os mandamentos da nossa ética.
Um importante autor, Georg Feuerstein (1947-2012), apresentou uma interessante série de normas que a Aliança do Yoga
recomenda aos instrutores professores de yoga.

[Observação: para manter uniformidade da nomenclatura, é conveniente mudar no texto de Feurstein toda ocorrência de
“professor” por “Instrutor”, conforme indicado a seguir.]

Georg Feuerstein
Copyright © 2003, 2006, 2011 by Georg Feuerstein. All rights reserved.

http://www.traditionalyogastudies.com/

Sendo um modo de vida integrado, o Yoga inclui padrões morais (tradicionalmente chamados
“virtudes”) que qualquer ser humano razoável consideraria aceitáveis, em princípio. Alguns desses padrões,
conhecidos em sânscrito como yamas ou “disciplinas”, estão codificados no primeiro membro do caminho
óctuplo de Patañjali. De acordo com o Yoga-Sūtra de Patañjali, este tipo de prática é composto pelas cinco
virtudes seguintes: não violência (ahiṃsā), veracidade (satya), não roubar (asteya), castidade (brahmacarya)
e desapego (aparigraha). 
Em diversas importantes escrituras do Yoga,  outros princípios morais são mencionados, como gentileza,
compaixão, generosidade, paciência, prestar ajuda, perdoar, pureza e assim por diante. Todas essas são
virtudes que associamos com um “bom caráter” e que se manifestaram no mais alto grau nas vidas dos
grandes mestres do Yoga. 
 Assim, parece apropriado que os professores instrutores contemporâneos de Yoga tentem conduzir suas
vidas de acordo com os princípios morais do Yoga, principalmente porque os professores instrutores
possuem uma grande responsabilidade para com os seus alunos, esperando-se que espelhem os altos padrões
morais assumidos pelo Yoga. Ao mesmo tempo, devemos reconhecer a complexidade da nossa sociedade
contemporânea, o que torna necessário adaptar adequadamente os padrões morais que foram planejados
originalmente para as condições da Índia pré-moderna. Também precisamos levar em conta a crise
ambiental que se aproxima, adotando um estilo de vida sustentável. 
As diretrizes a seguir são apresentadas como uma adaptação razoável para nossa situação moderna,
levando também em conta a sabedoria contida na herança do Yoga. 
1. Professores Instrutores de Yoga entendem e valorizam o fato que ensinar Yoga é um esforço nobre e
dignificante que os liga a uma longa linhagem de professores instrutores honrados. 
2. Professores Instrutores de Yoga se comprometem a praticar Yoga como um estilo de vida, que inclui
adotar os princípios morais fundamentais do Yoga e tornar seus estilos de vida ambientalmente sustentáveis
(“Yoga Verde”). 
3. Professores Instrutores de Yoga se comprometem a manter padrões impecáveis de competência e
integridade profissional. 
4. Professores Instrutores de Yoga se dedicam ao estudo e prática do Yoga de forma completa e
contínua, em particular dos aspectos  teóricos e práticos do ramo de Yoga que ensinam. 
5. Professores Instrutores de Yoga se comprometem a evitar o vício de drogas e se, por  alguma razão,
sucumbirem à dependência química, concordam em parar de ensinar até se libertarem novamente do vício
das drogas e/ou álcool. Depois, farão tudo o que podem para permanecerem livres [desses vícios], incluindo
ficarem totalmente comprometidos com um grupo de apoio.
6. Professores Instrutores de Yoga adotam especialmente o ideal de veracidade quando tratam com
estudantes e outros, o que inclui apresentar de forma correta seu treino e experiência relevante para seu
ensino de Yoga. 
7. Professores Instrutores de Yoga se comprometem a promover o bem estar físico, emocional, mental e
espiritual de seus estudantes. 
8. Professores Instrutores de Yoga, especialmente os que ensinam Haṭha-Yoga, se absterão de dar
conselhos médicos ou conselhos que possam ser interpretados desse modo, a menos que possuam as
qualificações médicas necessárias. 
9. Professores Instrutores de Yoga estão abertos a instruir qualquer estudante, independentemente de
raça, nacionalidade, gênero, orientação sexual e situação social ou financeira. 
10. Professores Instrutores de Yoga estão abertos a aceitar estudantes com deficiências físicas, desde que
possuam a habilidade para ensinar adequadamente esses estudantes.
11. Professores Instrutores de Yoga concordam em tratar seus estudantes com respeito. 
12. Professores Instrutores de Yoga nunca forçarão seus estudantes a aceitar suas próprias opiniões, mas
em vez disso valorizarão o fato de que cada indivíduo tem direito à sua visão de mundo, ideias e crenças. Ao
mesmo tempo, professores instrutores de Yoga devem comunicar aos seus estudantes que o Yoga procura
atingir uma transformação profunda da personalidade humana, incluindo atitudes e ideias. Se um estudante
não está aberto a mudanças, ou se as opiniões do estudante impedem o processo de comunicação dos
ensinamentos do Yoga a ele, então o professor de Yoga tem a liberdade de desistir de trabalhar com aquele
indivíduo e deve, se possível, encontrar um caminho amigável para desfazer a relação de ensino. 
13. Professores Instrutores de Yoga concordam em evitar qualquer forma de assédio sexual dos alunos. 
14. Professores Instrutores de Yoga que queiram iniciar um relacionamento sexual consensual com
um(a) aluno(a) atual ou ex-aluno, devem antes de mais nada procurar o conselho imediato de seus colegas.
Isso deve ser feito para assegurar que o professor instrutor em questão tem clareza suficiente a respeito de
suas intenções. 
15. Professores Instrutores de Yoga farão todo o possível para não se aproveitar da confiança dos
estudantes e da sua possível dependência, encorajando em vez disso os estudantes a encontrarem maior
liberdade interna.
16. Professores Instrutores de Yoga reconhecem a importância do contexto adequado para ensinar e
concordam em evitar ensinar de uma maneira displicente, o que inclui manter o decoro apropriado dentro e
fora da sala de aula. 
17. Professores Instrutores de Yoga se esforçam para praticar a tolerância em relação a outros
professores, escolas e tradições do Yoga. Quando é preciso apresentar críticas, isso deve ser feito com
correção e focalizando os fatos.
Essas orientações éticas não são exaustivas e o fato de que uma determinada conduta não está coberta
especificamente não permite concluir qualquer coisa sobre a natureza ética ou não-ética dessa conduta.
Professores Instrutores de Yoga sempre procuram respeitar e aderir, tanto quando lhes permitem suas
habilidades, ao código tradicional de conduta do Yoga, assim como às leis vigentes em seu país ou Estado.

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