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A RESTAURAÇÃO DE UM ADULTÉRIO ESPIRITUAL

Tg 4:4-10

Introdução

Dois objetivos: [1] Conforto – Escrita em torno de 50-60 dC para cristãos judeus [Tg
2:2 - sinagoga] que estavam sendo perseguidos por judeus [Tg 1:2,12] os primeiros
cristãos seguiam a liturgia da sinagoga [2] Exortação - Por em prática os ensinamentos
do cristianismo. [Tg 2] fé morta, preconceito, língua e aqui ele vai lidar com o
mundanismo. Um inimigo e um problema na vida da igreja. Existe momentos em que a
igreja é diferente, mas existe momentos que não há diferença. A igreja só pode dizer
algo se for diferente! [Mt 5]. O mundanismo não é um problema contemporâneo. O
mundanismo não é o uso de costumes mais uma atitude.

O contexto

Tiago nos apresenta a raiz dos conflitos humanos: nossos desejos pecaminosos. Quando
você e eu estamos irritados, quando estamos com raiva, quando estamos impacientes,
quando estamos enfrentando conflito com alguém, automaticamente olhamos para o
outro para explicar ou justificar o conflito. Tiago aponta para outra direção. Há uma
guerra dentro de nós. Seja com quem for e onde estivermos temos potencial de guerra.
Por que há conflitos pessoais, conjugais, na igreja, no trabalho, entre nações? Porque o
indivíduo está em guerra com seu coração diante dos seus desejos. O mundanismo é a
busca do prazer a todo o custo, sem levar Deus em consideração.

Guerreamos porque queremos o controle, há uma guerra no seu coração que continuará
até a glorificação. Nosso coração sempre deseja algo. Quando nossos desejos nos
controlam [sejam bons ou não] e assim isso nos destrói no desumaniza ou nos
animaliza. Cobiçamos e matamos! Sentimos inveja. Nossas orações são reflexo desses
conflitos, de nossos desejos desordenados. Nosso relacionamento com Deus é afetado.
Deus, todavia, não endossa orações ímpias de corações com desejos desordenados.
Então vem a acusação...

A NATUREZA DO ADULTÉRIO ESPIRITUAL [4-6]

Infiéis

Eu não conheço pessoalmente o que é um adultério. Sou casado há 28 anos com minha
esposa e sei que ela nunca me traiu e nem a trai fisicamente. Mas eu conheço o poder do
adultério como pastor e conselheiro. Aconselhei muitos corações traídos e corações que
caíram no adultério e posso lhe dizer é algo amargo demais. Não é algo simples de lidar,
antes é pavoroso. O que foi traído tem que lutar com o perdão, a insegurança, as
memórias e as lembranças que o consome. O adúltero também trava uma batalha de
culpa e vergonha, ele experimentou o fracasso. Como conselheiro pré-nupcial eu
procuro trabalhar e prevenir esse mal no casamento, apresento a anatomia de um
adultério. Como conselheiro conjugal eu procuro tratar do processo de cura, que não é
fácil. Todavia há um outro adultério certamente mais terrível do que adultério conjugal.
Trata-se do adultério espiritual, que é quando nós, povo de Deus, nos envolvemos com
o mundo e o mundo se torna um amante. É o que Tiago vai tratar. Primeiramente ele
lida com a natureza desse adultério e depois com os passos para sua restauração.

Aqui temos a acusação de Deus! Seus adúlteros! [v.4]. Dormir com o inimigo do
marido. O pecaminoso e conflituoso coração humano está enraizado no adultério
espiritual. Nosso problema um com o outro não é, em primeiro lugar, que não nos
amamos o suficiente. Nosso problema é, primeiro, que não amamos a Deus o suficiente.

O conceito de adultério espiritual vem do VT onde Israel, esposa do Senhor, comete


infidelidade adorando ídolos. O livro de Oseias retrata esse drama [Os 1:2]
O que é adultério? É quando eu dou a um o amor que prometi a outro. Nós fomos
trazidos a um relacionamento com Cristo. A Bíblia o descreve como sendo conjugal.
Deus possui nosso amor. Ele possui o amor mais profundo e pleno de nossos corações, e
nós lutamos um com o outro porque existem outros amantes que reivindicam nosso
afeto. No caso, o mundo! Quando um homem está num relacionamento com uma
mulher que não seja sua esposa, ele é, naquele momento, um inimigo de seu casamento
e do bem-estar de sua esposa.

Deus com ciúmes ou eu com Desejos? [v.5]

Aqui temos duas possíveis interpretações.

a. O espirito do homem com a tendência a ciúmes e invejas. Diz a escritura não há


um texto diretamente falando disso. Sendo que pneuma [tanto do homem como
de Deus] é sujeito [Gn 2:7]. Desejo sendo um verbo que se atribui a homem não
a Deus, tendo um sentido negativo, sendo ciúme pecaminoso. A desejos
pecaminosos no coração do homem, daí Deus oferece graça [v.5] para lutarmos
contra isso.
b. Deus com ciúme [zelo]. Não é impossível atribuir a Deus ciúme, sendo Deus
como sujeito. O contexto favorece essa ideia. Deus, então oferece graça para que
preenche os requisitos impostos por seu ciúme. Ela é abundante e capaz de
suprir o que ele mesmo requer. “Deus dá aquilo que ele exige” [Agostinho]. Há
um ensino geral sobre o ciúme de Deus [Ex 20:5,34,14, Zc 8:2]

Deus nos reclama por sua obra em nós. Quando alguém e traído fica cheio raiva,
vingança, explode vários sentimentos. Como Deus reage? Tiago afirma que Deus fica
com ciúmes [zelo] revelando seu belo, santo e glorioso amor por nós. Deus nos ama,
com amor puro e fiel e por isso ele não tolera infidelidade.

O Senhor nos concede graça para lidarmos com tentações e com as quedas e traições.
Sua graça no oferece perdão e reconciliação. Permite confissão de que muitas vezes
pecamos, somos egoístas e infiéis, impacientes!

Essa graça é oferecida apenas por aqueles que estão dispostos a admitir suas
necessidades e aceitar suas dádivas, os humildes!

A RESTAURAÇÃO DO ADULTÉRIO ESPIRITUAL [7-10]

Nessa semana eu perdi um amigo, não foi no sentido que ele morreu, mas que a nossa
amizade se desfez. A causa foi uma decisão que tive que tomar, decisão difícil que
ocasionou a ruptura da amizade. Como toda relação há condições para ela se manter.
Deus é quem estabelece os critérios para se relacionar com ele, não nós, isso não vem de
um mero capricho seu, mas por causa de sua própria natureza ou caráter. Para ser amigo
de Deus, para se relacionar com ele não é do nosso jeito, mas do jeito dele. Há 10
imperativos divinos.

1. Sujeição - Submeta-se a Deus (v. 7) [I Pe 5:5-9]

Uma vez que Deus dá graça, nos cabe sujeição. Primeiro, submeta-se a Deus. Esse é o
primeiro dos imperativos e o que fundamenta os demais. [Pv 3:34]. Submissão não é um
termo popular. Visto que a raiz do pecado foi a rebeldia humana. Mas a Bíblia ensina
muito sobre isto: esposas ao marido, filhos aos pais, empregados aos patrões, anjos a
Deus, ovelha aos pastores, submissão mútua. A raiz de tudo isto é a submissão a Deus.
Jesus sujeitou-se em tudo ao Pai. Quando nos submetemos a Deus estamos certos que
viveremos melhor.

2. Resista ao diabo (vs. 7) Ef 6:13

Precisamos estar vigilantes. Há um inimigo que teria diante de nós os prazeres


temporários e sedutores do seu reino. E precisamos estar cada vez mais cientes de seus
truques. Precisamos ser vigilantes.

Uma das coisas que nós aprendemos sobre anjos é que eles têm grande poder, mais do
que os humanos. Satanás era o mais poderoso dos anjos. Se anjos têm tanto poder mais
do que eu qual é a minha chance de enfrentar o diabo?

Resposta: v. 6 Deus concede graça aos humildes. [I Pe 5:8]. Não resisto pela minha
própria força, mas na força que Deus supre. Quando em comunhão com Ele tenho este
poder. Quando sou humilde consigo vencer o diabo [Pedro caiu por isso]. Pelo o uso da
Palavra [Mt 4]. Não preciso gritar, não preciso temer, não preciso orar para Satanás,
preciso resistir.

3. Chegai-vos a Deus (vs. 8) (Hebreus 4:16)

Não se refere a conversão, mas ao arrependimento, os que estão em adultério ou


mundanismo – homens de animo dobre, ou de dupla alma, de duplicidade, de amigos do
mundo]. Devem se arrepender de sua lealdade dividia e voltar ao Senhor. Como me
achego a Deus?

A história é contada pelo um rabino famoso que estava caminhando com alguns dos de
seus discípulos quando um deles perguntou, o "Rabino, quando um homem deveria se
arrepender? " O rabino calmamente respondeu, "Você deveria arrepender no último dia
de sua vida?” " "Mas", protestado os discípulos responderam, "nós não podemos estar
seguros qual será o último dia de nossa vida." O rabino sorriu e disse, "A resposta para
este problema é muito simples. Se arrependa agora."

4. Limpe suas mãos e coração (vs. 8) Salmo 24: 3-4

De coisas sujas de comportamentos exteriores [mãos] e de atitude interna [coração].


Pureza é uma linguagem do VT cerimonial que capacitava o sacerdote para ministrar.
5. Chore (vs. 9) Lucas 6:25 Amós 8:10 Joel 2:12 II Co 7:10

Há um chamado para o choro e para o luto. Choramos pouco! Rimos demais! Choramos
pouco porque não vemos nossa deslealdade como grave. [Mt 5 – Bem-aventurados são
os que choram]. Perdemos o senso da feira dos nossos pecados, não nos coramos mais
diante de nossos erros. Qual foi a última vez que você chorou por seu pecado?

Está errado rir? Quando rimos pecamos? Tiago fala de pessoas que estão dando
gargalhada quando estão andando em desobediência. Estão rindo, quando devia chorar!
Rir é resultado de comunhão, não de desobediência. [Lc 6:25]. Esse riso é enganador e
só distrai, levando-nos distante do verdadeiro arrependimento. Há tempo para ri, e há
tempo para chorar. O riso vem depois do choro! [Sl 126:6, ver Jesus Mt 24:37, Joel
2:12-13,17].

6. Humilhai-vos [I Pe 5:9]

Precisamos de quebrantamento! De uma completa humildade e confissão, e entrega.


Diante de Deus rasgando o coração, pedido forças, jejuando e chorando. Derramando
sua alma! Nada mais revigora e fortalece o homem quando ele se encontra contrito e
quebrantado diante de Deus!

Conclusão:

Eu quero os encorajar a termos um tempo de oração e humilhação diante do Senhor, em


um momento de silêncio suplicando que o Senhor nos perdoe, nos purifique, nos
restaure diante dele.

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