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Era uma vez, um jovem leigo de quatorze anos chamado Misaki.

Ele tinha o sonho de se tornar um grande mestre, pois estes, aos seus olhos, eram pessoas
sábias, de grande importância e conhecimento, conheciam de tudo um pouco; medicina,
matemática, filosofia…, porém em seu vilarejo não havia um mestre se quer.
Sua mãe era doce e compreensiva, porém doente, sempre apoiava e incentivava o jovem
mancebo a partir a procura de alguém que o auxiliasse em sua busca pelo conhecimento.
Certo dia, próximo ao seu aniversário de quinze anos, sua mãe faleceu, o que deixou-lhe muito
triste e desolado, mas lhe deu forças para partir em busca de seus sonhos.
Então, deixando sua infância para trás, rumou para leste em busca de alguém, a quem
pudesse ajudá-lo. Iria oferecer seus serviços e se tornar um aprendiz, daquele que o ensinaria
a se transformar em um grande mestre.
Viajou por mais de setenta dias passando por vilas, cidades, florestas e fazendas, até que
encontrou, em um vilarejo, um famoso mestre, que o aceitou como aprendiz.
Em sua primeira lição, cheio da ansiedade normal da inexperiência contida na adolescência,
perguntou:
- Mestre, quanto tempo terei de estudar até me tornar tão sábio quanto tu?
O mestre percebeu na pergunta a oportunidade de um grande ensinamento e então respondeu,
já imaginando onde sua resposta o levaria.
- 50 anos.
- Isso é muito tempo! - replicou Mizaki, ávido pelo seu objetivo de grandeza do conhecimento.
Triste, mas ainda firme em seu propósito continuou:
- Certamente que, se eu fizer dobro do esforço...
- ...nesse caso serão 60 anos! - interrompeu o grande mestre em tom sereno e seguro.
- Isso é uma vida toda! - afirmou o audaz aprendiz, demonstrando incompreensão pela lógica
demonstrada pelo seu mentor.
O mestre não reagiu e permaneceu na sua serenidade inabalável. O rapaz acalmou-se,
reconhecendo a sua ousadia, e com toda a calma que conseguiu reunir, insistiu:
- E se eu estudar todo o dia, noite a dentro, descansando o mínimo possível?
- 70 anos! - respondeu o mestre, cheio de mansidão, que começava a irritar o leigo aprendiz.
Mizaki contorceu-se de raiva e incompreensão pela aparente ilógica do sábio, mas rapidamente
reconsiderou. Se este era um grande mestre, certamente haveria uma razão para esta
aparente irracionalidade. Resolveu contestar novamente:
- Não entendo, mestre. Sempre que assumo o compromisso de me empenhar mais, dedicar
mais energia, mais determinação, mais foco no meu objetivo, o senhor diz-me que fico mais
longe de o concretizar. Por favor, “ilumine a minha ignorância." - questionou o jovem
inexperiente em tom de suplício.
O grande mestre virou-se para Mizaki com candura, olhando-o nos olhos com ternura, e
respondeu.
Sua primeira tarefa será apreciar o céu durante a noite e me relatar a quantidade de estrelas e
planetas logo pela manhã.
O jovem achou a tarefa simples, e assim que anoiteceu seguiu em direção a um monte onde
iniciou sua empreitada.
Na manhã seguinte, cheio de cansaço e totalmente desanimado, contou ao mestre que havia
falhado em sua missão. Este por sua vez, cheio de esperança em seu aprendiz, pediu que
então o jovem fosse até a praia e contasse os grãos de areia.
O jovem, a chegar na praia e ver a imensidão de que rodeava o mar, até começou sua tarefa,
mas depois de duas horas, desistiu, um pouco pela fadiga, por ter passado a noite em claro
tentando em vão contar as estrelas, e porque havia percebido a impossibilidade da tarefa.
Voltando para o mestre, explicou que seria impossível contar todos os grãos de areia, e
questionou o motivo de ter recebido uma tarefa impossível de se cumprir.
O mestre fitou-o em seus olhos e disse:
- O conhecimento é como o universo, onde não se pode contar a imensidão de estrelas e como
a praia, repleta de minúsculos grãos de areia, onde é impossível chegar a uma conclusão
final… Quanto mais você aprende, mais coisas precisa aprender. Eu mesmo apesar de minha
avançada idade, ainda não alcancei a totalidade do conhecimento.
Depois de refletir sobre a resposta, questionou: - Então jamais serei um mestre?
O mestre ainda olhando-o nos olhos,respondeu: - Você será um bom mestre em um
determinado assunto em algum tempo, mas isso só lhe trará mais necessidade de
conhecimento, e assim será continuamente.
Mizaki pareceu entender a explicação e apesar da exaustão, sentiu a sua mente borbulhando
de novas dúvidas, e soube naquele exato momento que sempre haveria novas coisas para
aprender e sua busca nunca teria fim.

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