Você está na página 1de 12

t', - l'hc ('tnler ol tlte Cyclone: Án Autobiograghy ol ltrner Spa<:e.

l.tlly. J.
Ncw Yolk: llanLâm Books, 1973.
Mrtslow, ll, Ittlrodução à Psícologia do Ser. Rio de Janeiro: Eldorado,
- original, 1962).
s. rl.^,(l,ldiçiro
. .. T'he Farther Reaches of Human Nature. New York: The r/iking
- Caps. 21
f)rcss, 1971. e 22.
Millcr, M. Gestalt Therapy. Conferência, Oakland, Calif., agosto 1975.
Mulphy, C.- Personal.ity: A Biosocial Approach to Origitts ail(l Structure.
III
New York: - Harper and Brothers, 1.947. CiÍado em W. B. Frick (org.) Capítulo
Humanistic Pychology. Columbus, Ohio: Charles Merrill, 1971. -
Nichols, l. Men's Liberaíion A New Delínition of Masculinitr. New
-
York: Penguin Books, 1975. - Uma maneira negligenciada de ser:
Ornstein, R. E. (org.) The Nature of .Human Consciousness. San Flancisco:
W. H. Freeman and - Company, 1973. a maneira empática
Rogers, C. R. A theory of therapy, personâlity and interpersonal relationships
- in the client-centered framework. Em S. Koch (org.)
as developed
Psychology: A Study of a Science" New York: McGraw Hill, 1959, Vol. -3.
Toward a modern approach to values: the valuing prncess in Carl R. Rogers
- person. l. of Ábnormal and Social Psychology, 1964, 68, 4,
the mature
160-1967.
.. Grupos de Encontro. São Paulo: Martins Fontes, s. d. (Ediçáo
-
original, 1970).
.....'..- 1{p1,43 F'ormtts dc Ámor: t) (asilntcnÍo e suns altcrntLrira.r.
Rio Neste artigo, clefendo a tese cle que deveríamos reexaminar s
de Janeiro, José Olympio, 1975 (Edição original, 1972).
... e Wood, J. K. Client-centered theory: Carls R. Rogers. Em reavaliar uma maneira muito especial de ser cm relação ii outra
- (org.)
A. Burton -
Operational Theories ol Personality. New York: pessoa, e que tem sidc chamada de empática. Creio que geralnlente
-
Brunner,/Mazel, 1974. damos muito pouco valor a um elemento extremamente importante,
Scheefer, R. Teoria de Carl Rogers sobre a personalidade e o comportâ- tanto para a compreensão da dinâmica da personalidacle cotno para
- Bras. de Psicotécnica, 1960, 12, 3, 65-7 l.
mento. Arq.
Schutz, W. C. loy: Expandíng Human Awarener. Ney York: Grove Press;
1967. -
Sundberg, N. D. e Tyler, L. E. Clínical Psycltology. London, Methuen and
Co., 1963. - CSSA r
Szasz, T. The Myth of MenÍal ///ness. New York: Harper and Row, 1974.
Thomas, H.- F. Encounter: the game of no game. Em A. Burton (org.)
Encounter: -Tlte theory attd Practice -
of Encounter Groups. San F-rancisco: história, um tanto flutuante em relação a este assunto.
Jossey-Bass, I970.
Truax, C. B. e Carkhuff, R. R. Toward Effective Counseling and Psycho-
- Chicago: Aldine, 1967.
therapy: Training and Practice. Hesitações pessoais
Wallen, R. Gestalt terapia e psicologia da gestalt. E. J. Fagan e I. L. She-
-
pherd (orgs.) Gestalt Terapia. Rio de Janeiro: Zahar, 1973.
- Bem no início de minhas ativiclades col.lto terapeuta, descobri
que simplesmente ouvir atentamente rneu cliente erâ uma maneira
'importante de ajudar. Assim, quando tinha dúvidas quanto ao qlre
' fazer, na acepçâo ativa do termo, eu limitava-me a ouvir. Pareceu-ntÊi
surpreendente que esta forma passiva de interaÇão puclesse ser tãô
úrit.

Publicado originalmente sob o título: Empathic: ln unappreciated way of


being. Tltc ()ounseling Psychologist, 5, n.a 2, 1975, 1-l{). Tradução de Maria
Helena Souza Patto.

I r)i 69
Pouco clepois, umzi assistente social" de foi-n.raÇão rankilura" ffntártos a respe
lldades da consideração Posi-
ajudou-me a aprencler que a abordagem mais eficierite consiste ern
atentar para os sentimentos, para as emoçires, crlljos padrões podenr iiíã;-ãacoffiIuência do terapeuta. que seriam, por hipótese, ao Jado
ser percebidos através das palavras do cliente. Creio ter sido ela quem da empatia, promovedores do processo terapêutico. Estas também
sugeriu que a melhor resposta seria "refletir" cstes scntimentos para foram, muital veres, mal interpretadas, mas pelo menos não foram
o cliente e "refletir" tornou-se, com o tempo, uma paluvra ciuc caricaturadas.
-
rne fazia tremer de n-redo. Mas, naquela ópoca, ela melhorou a qua-
lidade de meu trabalho terapêr-rtico, e liquei agradecido.
Passei, entãcl, a ocupar um cargo enr temp() integral na univer-
A necessidade atual
sidade, onde, cclm a ajuda de meus alunos, senti*rne finalmcnte cap:iz
de pedinchar equipamento para gravar rlossirs entrevistas. E, impossr- Com o decorrer dos anos, entretanto,, gl-..{:t4-"r.d"*Pg:qq§.]*
vel exagerar a excitação com que aprendíamos, ii medida em qLle nos continuam a se aÇumular, Ievando-nos à conclusão de que um alto
apinhávamos em torno do aparelho, que nc)c possibilitava ouvir a nírs lu dc empatia talvcz sc
mesmos, repetindo inúmeras vezes algum ponto intrigante, no qual il atores mais im
entrevista fora claramente mal conduzida, ou as passitgens ent que o
cliente progredia significativamente. (Ainder consiclero que esta túc- momento de uecer as caricaturas e
nica é a melhor nraneirei de ncls aperfc:içoarmos conlo terapeutas). nrirar a enrpatta com novos
Entre as muitas lições que estas gravilções nos proptrrcionaranr, per- Parece-me oportuno fazê-lo por outra razão ainda. Durante a
cebemos que ficar atento para os sentimentos e "refleti-l()s" constituía
última ou as duirs últimas déczidas, nos Estados Unidos, várias abor-
um processo imensamente complexo. Descobrimos que era possível
clagens terapêuticas novas têm se destacado. A terapia gestáltica, o
cletectar a resposta do terapeuta, que fazia com que um fluxo frutí-
psicodrama, a terapia do grito primal, a bioenergética, a terapia emo-
Ícro de expressão significativa se transformasse em algo superf ícial
c inútil. I)o mcsmo moclo, podíamos nos deter na intervcnção dt'l tiva-racional e L a.nálise transacional são algumas das mais conhecidas,
teÍapcuta, qrrc lcvava A conversa tola e superficial clo paciente a entre outras. Parte da atração que exercem reside no fato de o tera-
transfornur-so nLrÍnu auto-cxploração. peuta ser, na maioria dos casos, um perito que manipula ativamente
a situação, frequentemcnte com recursos de impacto, para atingir o
Em tal contexto de aprendizagem, cra inteirametrte natural que cliente. Se não me engano, está em declínio o fascínio por este tipo
viéssemos a clar mais importância á re.sposta .1o terffiããGã* de habilidade na orientação de pessozls. Em relação à terapia com-
portamental, outra concepção terapêutica baseada na especialização,
àcredito que o interesse e o fascínio ainda estejam em ascensão' A
selheiro stas
sociedade tecnológic;r'ficou encantada por ter descoberto uma tecno-
logia através da qual o comportamento de um indivíduo pode ser
em cada entrevista. e muito ganhamos com esse estudo microscópico.. modelado, mesmo sem seu conhecimento ou aprovação segundo obje-
Porénr- cstr tendencilr u fticlrlizrtr lts r(j\nostits clo ter:tpctlllt t'ivc tivos escolhiclos pelo terapeuta ou pela sociedade. Porém, mesmo
çonseqüêlcias que me anavorar;rm. Eu ltavia entrentado reacire:- nesse caso, pessoas ponderadas têm levantado muitas questões, à me-
.[ostis, mas estas c'rrm piores. Em po*uços an§-rjã§q .âbgr-dt]ggll .!otj! . dida que as implicações filosóficas e políticas da "modificação do
l);t)isou a ser t.'onltccttltt
irassou r:onhecicla comtl
como uma
un)ll técnicl. '" lcrllplil nao-dirctiva",
tccnlc t. "1"erapia lIi.tt)-(llrÜtlvil
, comportamento" tornam-se mais evidentes. Assim, tenho observado
clizia*se, "é a tócnica de rcfletir os sentirnentos clo c:licntc". Ott, truma que existem muitas pessoíts dispostas a rever as maneiras de estat
tenl-sÇ Lrs ulttrnas com pessoas, que possibilitem mudanças au.to-dirigidas e que locali-
zenl o poder rta pessoa e não no especialista; este fato leva-nte, nrrtis
uma vez. a examinar cuidadosamente o significado que ertribuímos a
cmpatia e o que sabemos a respeito dela. Titlvez tenha chega«lo o
rT'lornento de reconhecer o seli villor.

'l(\ 'tl
A definição inicial o homem cstá verificando a exatidào clestc:,

; eu ntesnlo

corno parle cle uma


e da Goiffiue eu havia elaboradô. nsta_à_efiniçaà_1glg_ffiinr*,
'.í)est;rdtlr.lcctltpirlla()USef.n,l.,.iiüi;;i,ii']tl;""ffi
"í) a"t.,l,-,1,, ^.-.^-r:.- ---,..-. '1::'*"
ils, colÍ1(] Ç()sturnil acontecer.
crlttt prr:Cisitr rlo tlrr;ri.ltii, -
prr-'ci:lit r,i,,^,t,rij-,
tírnlente c.rri iií ôô;rÉiü;
Uma definição atual

I sulls Çil.r_rsits De posse desta retaguarda conceitual, te ntztrci caracleriz-ar a

c()tn() sc' r.stivóssclrriii ou alegres, e assim


um estado. T'alvez eu consi

A ntaneira de ser em relação ii outra pessoa denominada em-


À vivência como üm construclo útil píttica tem várias facetas. Significa penctrar no muncio perceptual do
oLttro c sentir-sc totalrtrentc :\ vr>ntade dentro dele. Requer sensibi-
A fint clc formular a lidacle constinntc l)ilnl conr ls nruclanças clue se verificanr nesta. pcsscla
em relaçiro aos signilicaclos cluc cla perceLre, ao medo, à raiva, i)
ternura. ii confusão ou ao que quer que elc/eia esteja vivenciando.
Significa viver tempclmriamente sua vida, mover-se delicadamente
isnr<l humano r.rrn fluxr.r cle
clentro deia sc:m julgar, perceber os signiÍicados que ele/ela cluasr',
vczlJs, LISrI
não percehe. tr-rdo isto sem tentar revelar sentimentos ckts quais a
crcnclll SLiA EXIS. pe-§soa ntro ter.n cclnsciôncia, pois isto poder:ia ser rnuito ameaçador.
l- Irlplica em transnritir a maneira c<tmo você sernts o nrun<J<l delelrlela
mo- à meclida qLre examina sem vlós e sem nredo os aspectos quc a
mel-l
r llessoa teme. Signil'ica freqüentemonte avaliar com elclela â precisão
e livre. clo que sentimos e nos guiarmos pelas respostas obtitlas. Passamos a
IQu!U._eg.i§-c_larr"l essr: c:onceito e sua scrr um companheiro confiante clessa pessou em seu mundo interior.
Mostranc'lo os possívc'is signilicaclos presentes no fluxo de suiis vi-
vênr:ias, ajuclamos â pcssoa a focalizar esta modaliclade ritil rie ponto
dlz: "Parece que você l:stá coú r=f de referência, a vivcnciar os significacitts de forma mais plenir e
rrclto que rrào." "9p.nr sehc cs'i?-n]sriir. ,n, 'i.'À.,,, ,i,,,. a progreclir nesta vivéncia.
talvez..." (dito scm muita conviiffiõff-fãl-vcz vocc
"1.,.i.1
cste.ia ,lecep_ -§star co-rn "C"**[gl3|gsk*mg nei r
ci.nado com ele." I**t!lIl"n!g o honrem rcsp.rn?e: .E]i1õitá nromentc. nosqr-s prrpl"itâ__psg(qr dg*y591.-ç* Y4!.9ies, piua Ênirar no
mundo gg
:**ggg do q9ltg:q9!q-_pl g
outro sem preconceitos. Num certo sentido, sisnifica pôr
sentido" significa Dôr
fêm
d_qlado*ngsso_plgrrio g-u, o_qge podgsei
queestej-g.lqÍ1"9§*!sglent*"psg*H*Ss**trtg@
'J.vt,,;t,Ly1,r"*)i.ttx*..JgJ!N qu§_j-iirjtol-. trsa pa.ri!rel'erir.-sr: tl:r cxperiôn- voltar
(r:r. (N.1.) 4, pr1)üe)5ü
í1() seu

t)
Talvgz esta caracteizaçã"o tenha deixado claro que a empatia é çóes do cliente, não estando presente qualquer qualidade empática
qma ma!=q[§ definível; portanto, é impossível definir qualquer nível de precisão.
suave. O terapeuta pode estar entediado, desinteressado ou aconselhando ati-
vamente, mas não comunica qualquer percepção dos sentimentos que
Detinições operacionais o cliente vivencia naquele momento" (Truax, 1967, pp. 556-7).
O Estágio 8 é definido da seguinte maneira:
A definição acima não é operacional, adequada à utilização em "O terapeuta interpreta com precisão todos os sentimentos que
pesquisas. Contudo, foram formuladas definições operacionais, am- o cliente admite naquele momento. Revela também as áreas de senti-
plamente usadas. Existe o lnventário de Relacionamento de Barrett- mentos mais ocultas do cliente, explicitando significados na vivência
Lennard, a ser preenchido pelos componentes da relação, no qual a do cliente dos quais ele tem pouquíssima consciência. . . Penetra nos
empatia é definida operacionalmente através dos itens utilizados. sentimentos e vivências apenas sugeridos pelo cliente e o faz com
Transcrevemos, a seguir, alguns dos itens deste instrumento que in- sensibilidade e precisão. . . O conteúdo que vem à tona pode ser
dicam a amplitude existente entre o empático e o não-empático. novo, mas não estranho. Embora o terapeuta que se encontra no
"Ele leva em conta o que minha experiência significa para mim. Estágio 8 cometa erros, estes não assumem uma forma dissonante,
Ele compreende o que digo, 'de um ponto de vista imparcial, mas decorrem da natureza tentativa da resposta. Além disso, o
objetivo. terapeuta é sensível aos erros que comete e rapidamente altera ou
Ele compreende o que digo, mas não o que sinto." modifica suas respostas, a qualquer momento, o que significar que
Barrett-Lennard também é autor de uma formulação conceitual ele compreendeu mais claramente o que está sendo dito e procuradtl
específica de empatia, na qual baseou os itens de seu inventário. nas explortrÇões do próprio cliente. O terapeuta mostra-se solidário
Embora tenha pontos em comum com a definição apresentada ante- com o cliente, compartilhanclo com ele uma busca baseada nr.l ensaio
riormente, é suficientemente diferente para justificar sua citação: e erro. Seu tom de voz reflete a seriedade e a profundidade de sua
"De um ponto de vista qualitativo, ela (a compreensão empáti- compreensão empática" (Truax, 1967, p. 566).
ca) é um processo ativo que consiste em querer conhecer a cons- Através destes exemplos, tentei mostrar que o processo empá-
ciência plena, atual e mutante de outra pessoa, em empenhar-se para tico pode ser definido em termos teóricos, conceituais, subjetivos e
receber o que ela comunica e seu significado e em traduzir suas operacionais. Mesmo assim, não atingimos os limites de sua essênciit.
palavras e sinais em significado vivenciado, que corresponda pelo
tnenos aos aspectos de suzr consciência que the são mais importantes
Uma definição para as pessoas atuais.
naquele momento. Trata-se de vivenciar a consciência que se en-
contra 'atrás' da comunicação explícita, sem jamais perder de vista E,ugene Cendlin e outros recentemente participaram de um ent-
que esta consciência tem origem e se processa no outro" (Barrett- preendimento comunitário de ajuda denominado "Mudanças", que
Lennard, 1962). oferece várias diretrizes úteis para o relacionamento com os membros
Existe também a Escala de Empatia Precisa (Accurate Empathy alienados e os participantes da contra-cultura que integram o caos que
Scale), criada por Truax e colaboradores, a ser preenchida por avalia- chamamos de vida urbana, O "Manual de Relacionamento", elabo-
dores (Truax, 1961). Até mesmo pequenas partes de entrevistas rado com o objetivo de ajudar a pessoa comum a aprender a "ajudar
gravadas podem ser avaliadas com precisão através desta escala. A o processo que se verifica em outra pessoa", é de particular interesse
natuÍeza da escala pode ser caracterizada pela definição do Estágio no contexto deste artigo.
l, que corresponde ao nível mais baixo de compreensão empática, Esse Manual tern início com um capítulo sobre "9-Qgyjl&-
e do Estágio 8, que corresponde a um grau bastante alto (embora
não o mais alto) de empatia. Apresentamos, a seguir, o Estágio I :
"O terapeuta desconhece totalmente até mesmo o sentimento
rnais conspícuo do cliente. Suas respostas não são adequadas à
tonalidade e ao conteúdo dos sentimentos do cliente. Suas respostas
naio são adequadas ao estado de ânimo e ao conteúdo das declara- coisa oue ele não tenha exoressado... Para demonstrar oue a com-

14 15
feende exatamente formule unra ou du na-se nitidamente Çom um altr: grau de auto-expklração por parte do
cliente ( Bergin e Strupp, l97Z; Kurtz e Grunrmott , l9l2; Tausch, Bas-
tine" -F-riese e Sander, 1970).
aos assuntos mals esenle tlo itrício du relaÇão perntite

O Manual prossegue neste mesillo tom, oferecendr.r muitas su- tir na re


gestões detirlhadas, entre elas idéias a respeito de "como saber se até-,I4e qg !q segq4da t!1l9y§!4.
voçê está se saindo bem".
Assim, fica patente que uma maneira empática de ser, embora nard, 1962; Tauscl't, 1913). Estes clatlos têm a seguinte in-rplicitçào:
muito sutil do ponto de vista conceitual, também pode ser caracter:i-
zada. em terrnos perfeitan're nte compreensíveis pela juventude atual
ou por cicladãos de zonas urhanas relativamente ilhadas. Trata-se de
uma concepção de grancle amplitude. de maior
CASOS os. OS CASOS

Dados gerais de pesquisa empática presente na

O que conseguimos saber a rgsperlg- 9r.".np*i**lgr*cj_qc._p"g:- objctivos, .ruMg,tr14 te o aumento


quisas realizadas . com os instrumentos acima mencionados é outro§ rner, r Veen, 19 i U).
instrumentos que têm sido construídos? ê resposta ó que aprende- e não extrairla
mos muito, e vou tentar apresentar algqryt15 .de;(AS -gp-f-ggdlZgsll§* qx:
pondo primeirarnente alguns dados gp-rê1,s"-_dg-"ig_t_e_f_ess_q, Reservarei
para mais tarde uma análise d«rs efeitos de unr clima empático sobre
a dinâmica e o comportamento do receptor. A seguir, portanto,
encontram-se algumas afirmações gerais que podem ser feitas com responsár,el pela exigência de compreensão imposta ao terapeuta.
seguranç4. Os dados não confirmam esta hipótese. Na verdade. o grau de em-
O íerapeuta ideal í acima de tudo empático. Quando psicotera- patia numa relação pode ser inferido corn bastante precisão sirn-
peutàs de orientaçôôS*ffiõr§a-s apresenf?iffi-sCu*conceito de tera- plesmente ouvintlo-se as respostas do terapeuta, sem qualquer co-
peuta ideal, do terapeuta que eles gostariam de vir a ser, estão ple- nhecimento das declarações do paciente (Quinn, 1953). Portanto,
naments de acordo em atribuir à empatia a classificação mais alta
entre doze variáveis. Esta afilmação fundamenta-se numa pesquisa
realizada por Raskin (1974'l , com oitenta e três terapeutas pertencen- nruior rt
tes a pelo menos oito aborciagens terapêuticas cliferentes. A definiq:ão erapeutas expeÍientes
de qualidade empática foi muito sernelhunte à que utilizamos nesle empatia a séú;ãientes do que os menos experientes, quer avaliemos
ctre

artigo. tssta pesquisa vem corroborar e reforçar uma pesquisa ante- esta qualidacle através da percepÇão do cliente, quer âtravés dr lrer-
rior" realizada. por Fiedler (1950 b). Assim sendo, podemos con- cepção de juízes qualificados (Barrett-l"ennard, 1962; Fiedler, 1949.
cluir que os terapeutas recnnhecem que o fator mais importante que
crrracteriza o terapeuta é "tentar tão sensível e exatamente quanto
possível compreende'r o cliente, do ponto de vista deste. ú.ltimo" (Ras- m cc\m mais sensibi
kin, 1974 ). e os lerI-
A entpaÍ.ia esÍa {oruelacionatl« com a au.lo-exploração e o nt<t-
t' i ttr r'trt t t riii prda""ç.ro Van f)er Veen, 1970).
t:irr.rctciizliTii-"-pF trm alto grau de empatia eslá associado a vários
rsl)('cr()s rkr piocesso c rJo frogresso teiapêLrtico. E,ste clinra relacio- o Eraw de erypatie _clue gle,_.dellglrglct. A presenÇa

l(t 1'Í
tera não tem re com selr desem
SUA CA int
<Je rçlacio lante n
Na
verdacle, a correlaÇão com a cornpetôncia diagnóstica pode ser ne-
e rofleti a respeito de minha própria experiência no treiuamentcl de gativa (Fiedler, 1953). Este dado é da maior importância. Se nem
tcrapeutns, cheguei it conclusão um tanto incômoda de que quantc o brilhantismo acaclêmico nem a capacidade diagn<istica são signi-
mais psicologicamente tnaduro e integraclo se1a () terapeuta como Íicativas, conclui-se que a urn nível cle discurso
pessoa, mais proveitosa a relação que ele proporciona. Este fato n t)

coloca uma grancle rcsponsabilidade sobrc a pessoa do terapeuta' que relutamos as conseq
7 eruneu!u.ç exoerientes ír«tü(nt(tncnte (slà(, tttuito distUntes du

,e,,,p"7ã-4pei,i clo guç diss g!§!§1-glg! t!lP:t.-


oferecem. f ir,as.
1'erãPeut.s, Pais
rientes, de gravirções de entrevistas realizadas por seis terapeutas e professores podem ser ajudados a se torn.rrem ernpárticcls. A proba-
também experientes, produziu cliferenças significativas, ao nível de bilidade de ocorrência desta aprendizagem âumenta nitidarnente se
0,00 l, entre doze variáveis avaliadas. A empatia contribuiu para seas professores e supervisores forem pessoas capazes de compreen-
a amplitude clas diferenças observaclits. A característica mais mar- são sensível (Aspy, 1972; Aspy e Roebuck, 1975; tsergin e Solo-
cante do terapeuta centrado no clientc foi a empatia. As outras cor- mon, 1970; Bkrcksnrlt, t95l; Guerney, Anclror"rico e Guerney, 1970).
rentes terapôuticas tiveram como característica fundamental suas pro- c cstâ característi
prie<iacles cognitivas, a diretividade exercida pelo terapeuta, e assim
por cliante. Portanto, elnbora os terapeutas considerem a ateltção tico e muito ra
"',rrpiitigt
çom<l o elem
giit'rrleruclrlqlr:r«r conscgue F.. nlL vertlade,. a
Irvlrlirrçilo dirs grirvaçtlcs clas entrcvistas feitats pclr esses seÍs especta- -çg"nc$engiÂ
listas, rcaliz:rtllr por oitcrrta c trôs outrt)s terapeutas, chegou a um \
rcsultado surprccnrlentc. E,nr upcnirs dois casos o trabalho desen-
volviclo 1.lclos cs1-rccialistas correlacionou-se positivamente com a des- As conseqüências do clima empático
criçiio cio tcrapeuta ideal. Em quatro oasos a correlação foi negativa,
a nrais extrema das qr"rais foi de Quanto i\ prática cla terapia,
Isto quanto aos conhecimentos que se tem obtido sobre a em-
este é o quadro! -0,66! patia. Mas que efeitos uma série de respostas profundamente empá-
Os c'lientes sào nrylhqry_tJJli_i.e.\ 4a grqu_4g e ticas tem sobre o receptor? Neste aspecto, as provas são esmaga-
lgrnp rapeutas mostrarem-sã-Tã0- dorur.
imprecisos na avaliação cÍe seu próprio grau de empatia numa relação De pacientes esquizofrênicos a estudantes em salas de aula comuns,
talvez não seja tão surpreendeute. A percepÇão que o cliente tem de clientes de um centro de aconselhamento a professores em trei-
clesta característica lrpresenta uma grar.rde correspondência com â namento, de neuróticos que vivem na Alemanha a neuróticos quc
percepção cle jLrízes neutr<ls qlre ouvcm.as gravações, mas a coltcor- vivem nos Esta«los Unidos, É-dg5§ são os mesmos e indicam quq
r.1ância entre clientes e terapcLltas ou juízes e terapeutas ó baixa @ouprofessorc@
(Rogers, Cendlin, Kieslcr c l'ruax, 1967, f'apitulos 5 e 8).-Bêfa nos tanto mais provável é a ocorréncia de aprendizagem e rryglel§.ry--
tr'rrnurm.rs lerapeutlrs tttais clicicrttes, !l,luez ,.levósrctn.ls pcJi|TTGG tlulivaslAspy, 1972, Capítulo 4; Aspy e Roebuck, 1975; Barrett-
clicntqs,rluc- nos lliganr se os est4inos qolnpreendeldo treml Lennard, 1962; Bergin e Jasper, 1969; Bergin e Strupp, L972; Hal'
Ilrilhanlismo e percepç'ão diagnóstic:u Jtão se relacion 'om a kides, 1958; Kurtz e Grummon, 1972;Mtullen e Abeles, 1971; Rogers
<r,rrãià. .É, jiiiiiií[ãile qu e outros, 1967, Capítulos 5 e 9; Tausch, Bastine, Bommert, Minsel e
',t*
/S i9
Nickel, 1972; Tausch e outros, 1970; Truax, 1966). Segundo Bergin "É urna sensaçáo tão horrível perceber que o médico não é capaz
e Strupp (1972), várias pesquisas "demonstraram a existência de de ver a gente como a gente é, que ele não consegue compreender
uma correlação positiva entre a empatia do terapeuta, a auto-explo- o que a gente sente e que ele vai em frente apenas com suas próprias
ração do paciente e critérios independentes de mudanças ocorridas idéias! Eu começava a sentir-me como se fosse invisível ou como se
no paciente" (pg. 25). talyez nã.o estivesse presente" (Laing, 1965, pg. 166).
Mesmo assim, acredito que ar atenção dirigida a estes dados tem Outro signi nsao em ter paril ()
sido insufiçiente. Esta interação empá mova Z&,
estamos discutind e a aceita. ue amos ASSU
passar a
Em primeiro lusar. ela termina com a alienacào. Naouele mo-
mento, pelo menos, o receptor se percebe como membro da raça rizemos estil
humana. Embora possa ocorrer de forma não tão claramente arti- mos a. m, a mcns?lgonl que c
culada, a experiência é vivida mais ou menos da seguinte forma: aerrm
"tenho falado de coisas ocultas, que em parte escondi até de mim
mesmo, sentimentos estranhos, talvez anormais, sentimentos que me interessar
jamais revelei nitidamente a outra pessoa e nem mesmo a mim. Um exemplo eloqüente deste ponto nos é por um jovem
Mesmo assim, ele compreendeu, compreendeu-os de maneira ainda que recebeu muita compreensão empática e que se encontra atual-
mais clara do que eu. Se ele sabe do que estou falando, entende o mente nos últimos estágios da terapia:
que quero dizer, então não sou tão estranho, diferente ou marginal. Cliente: "Eu poderia até mesmo pensar nisso como uma possi-
Eu faço sentido para outro ser humano. Portanto, estou em contato bilidade de cuidar de mim com mais carinho.
Çom os outros, e até mesmo em relaÇão com eles. Não sou mais um
Mesmo asSim, como eu poderia ser terno, preocupar-se comigo,
pâria;'
se somos ambos uma coisa só? Mas eu consigo sentir esta possibi-
Isto possivelmente explica um dos dados mais fundamentais da lidade claramente. . . Sabe, é como cuidar de uma criança. A gente
pesquisa que realizamos sobre psicoterapia de esquizofrênicos. Veri: quer fazer de um jeito e faz de outro... Eu consigo aceitar estes
ficamos que a redução mais acentuada da patologia esquizofrênica, objetivos em se tratando de outra pessoa . . . mas nunca os vejo
medicla pelo MMPI, ocorreu naqueles pacientes que receberam de para. . . mim, que eu poderia f.azê-lo por mim, sabe?
seus terapeutas um alto grau de empatia precisa, determinado por
juízes impar:ciais (Rogers e outros, 1967, pg. 85). Este dado vem Será possível que eu possa realmente querer cuidar de mim e
fazer disso um objetivo importante de minha vida? Isto significa
sugerir que a compreensão empática pelo outro pode ser o fator gue eu teria que considerar o mundo todo como se eu fosse possuidor
mais poderoso na retirada do esquizofrênico de sua alienação e em
do bem mais precioso e mais desejaclo, que este ea estaria entre
seu ingresso no mundo das relações humanas. Jung disse que o es-
este mim precioso que desejo cuidar e o mundo inteiro. . . É quase
quizofrênico deixa de ser esquizofrênico quando encontra alguém 54fos, é esquisito, mas ó verdade."
como se eu me amasse
por quem se sente compreendido. Nossa pesquisa veio provar empi- -
ricamente esta afirmação. Terapeuta: "Parece uma idéia tão estranha para você. Significa-
Outras pesquisas, realizadas tanto com esquizofrênicos como ria: 'eu enfrentaria o mundo como se uma parte de minha respon-
com clientes de serviços de aconselhamento, mostram que um baixo sabilidade fundamental fosse cuidar deste indivíduo precioso que
grau de empatia relaciona-se com uma leve piora no aiustgmeulo ou sou eu a quem amo."'
na patologia. Também neste caso os daclos tazem sentido" É como se Cliente: "De quem gosto de quem me sinto lão próximo.
g indivíduo concluísse: "se nineuém me entende. se ninguém pode Puxa! Aí está outra çoisa estrqnha."-
,captar o que siqnificam estas experiências. então realmente estou T erap euta: "Parece I antásÍico."
{nal maii doente do que pensava." Um dos pacientes de Laing Cliente: "É" De algum modo, tem muito a ver comigo. A idéia
- isto vividamente ao descrever seus contatos anteriores com
afirma de mim mesmo me amando e cuidando de mim..." (Seus olhos
psiquiatras: ficam marejados) "É uma idéia muito agradável muito agradável."
-
80 8l
Creio que foi a compreensão sensível do terapeuta presente
nesta passagem, bem como em outras anteriores que- permitiu a
-
este çliente vivenciar uma grande estima e até mesmo amor por si
mesmo.
vamos examinar um resultado mais específico de uma interaÇão
Outro impacto causado pela compreensão sensível decorre de na qual a pessoa se sente compreendida. Ela se percebe comunicando
sua característica não avaliativa. A expressão mais alta de empatia fatoi que Jamais comunicou, e neste processo descobre um aspecto
consiste em aceitar e não julgar. Isto é verdade porque é impossível até enião Cesconhecido de si mesma. Este aspecto pode ser "eu
perceber com precisão o mundo interior de outra pessoa quando nunca soube que tinha raiva de meu pai" ou "eu nunca percebi que
temos uma opinião avaliativa formada a seu respeito. Caso o leitor tenho medo do sucesso". Tais descobertas são inquietantes, mas eS-
duvide desta afirmação, escolha alguém que conheça e de quem timulantes. si mcsmo
discorde radicalmente e que, em sua opinião, esteja absolutamente tuntit ttt
errado ou enganado. Agora, tente formular os pontos de vista, crenças siva
e sentimentos dessa pessoa de uma maneira tão sensível e precisa autoconceito. Em
que ela própria concorde que se trata de uma descrição correta de
sua posição. Minha previsão é de que você falhará em nove entre
dez vezes, pois a maneira como você julga seus pontos de vista con-
tamina sua descrição deles.
contudo, se acreditarmos que a empatia é eficiente somente na
Conseqüentemente, a verdadeira empatia jamais abrange qual- relação entre duas pessoas que denominamos psicoterapia, estaremos
quer característica avaliativa ou diagnóstica. Este fato causa uma redondamente enganados. Até mesmo em sala de aula ela faz uma
certa surpresa no receptor. "Se não estou sendo julgado, talvez não diferença fundamental. Quando o(a) professor(a) demonstra que
seja tão mau ou anormal quanto pensei. Talvez eu não deva julgar- o significado, para o aluno, das experiências em sala
me com tanta severidade." Assim, a possibilidade de autoaceitação de àla, u up.eráirugem mêlhora. Em estudos realizados por Aspy
"oÀp."""a"
aumenta gradativamente. e colaboradoies, veriíicou-se que o desempenho de crianças em lei-
Lembro-me de um psicólogo cujo interesse pela psicoterapia teve tura melhorava significativamente quando as professoras demonstra-
início com uma pesquisa que realizou sobre percepção visual. Nesta vam um atto grau de compreensão, mais do que quando esta com-
pesquisa, numerosos estudantes foram entrevistados, sendo solicita- preensão não õstava presente. Este resultado Joi replicad^o_em lnuitas
dos a relatar sua história visual e perceptual, inclusive qualquer difi- ialas de aula (Aspy, 1972, Cap.4; Aspy e Roebuck, 1975)' Assim
culdade de visão, de audição, sua reação ao uso de óculos, etc. O como na psicoterãpia o cliente descobre que a empatia provê um
psicólogo limitou-se a ouvir com interesse, sem emitir julgamentos clima pará a aprendizagem a respeito de si mesmo, o estudante
a respeito do que ouvia, e terminou a coleta de dados. Para sua também percebe em sala de aula que se encontra num clima propício
surpresa, alguns destes estudantes voltaram espontaneamente para à aprend-izagem das matérias escolares quando diante de um pro-
agradecer por toda a ajuda que haviam recebido. Ele achava que fessor que o compreende.
não havia dado qualquer ajuda, mas este fato o obrigou a reconhecer
que ouvir de maneira interessada e não avaliativa constituía uma
força terapêutica poderosa, mesmo quando dirigida a um aspecto
restrito da vida e quando não há qualquer intenção de ajudar.

-.--Uma outra maneira de colocar uma parte do que estou tentando Quando uma pessoa é compreendida de nla+eila per.ceptlva, ela
{rz r L?lvez seia a seguinte: a compreensão baseada numa alta sinto- euUa-em-ço-ntato--nais próximq com u a
nia por parte de outra pessoa confere ao receptor sua qualidade de .ú
lessoa. sua identidade. Laing (1965) afirmou ques!!.Ulg_ recorrer pârâ compr
,identidade requer a existência de outra pessoa que nos conheca" o*raô; "*rrtU e "a
(pag. 139). Buber também, referiu-se à necessidade de termos nossa

82 ti3
. O,que significam estas afirmações? Creio que se tornarão mais
claras diante de um trecho da gravação de umá entrevista realizada não deve demonstrar; e, então, cobre o que sente com uma amargura
que Ihe desagrada, da qual você gostaria de se livrar. É quase como
com uma cliente nos últimos estágios da terapia. Trata-se de uma
passagem que já usei em outras oportunidadeJ, mas que se você sentisse que preferiria absorver a mágoa do que sentir Ír
particularmente adequada no presente contexto.
se mostra amargura." (Pausa.) "E o que você parece estar- dizendo com toda
força é: eu estou muito magoada, e tentei esconder isto."
- A Sra. Oak, uma mulher de meia idade, está explorando alguns
dos sentimentos complexos que a têm perturbado: Clieníe: "Eu não sabia."
Terapeuta: "Mm-hmmm. É uma nova descoberta, realmente."
Cliente: "Sinto que não é culpa..." (pausa. Chora). ,.É claro,
quero dizer, que não posso verbalizar ainda.,' (A seguii, com uma Cliente: (Falando ao mesmo tempo) "Eu realmente nunca sou-
torrente de emoção) : "É como estar imensamente mãgoada!,' be. Mas é. . . sabe, é quase uma coisa física. É. . . como se eu es-
tivesse olhando para dentro de mim mesma para toda espécie de
- Terapeula: "Mm-hmm. Não é culpa, exceto no sentido de você, terminações nervosas e de pedacinhos de coisas que foram meio tri--
de algum modo, estar muito magoada.,,- turadas." (Chora.)
Cliente: (Chorando) "É. Sabe, muitas vezes tenho me sentido Terapeuta: "Como se alguns dos aspectos mais delicados de
culpada disto, mas nos últimos anos, quando ouço os pais dizerem você, aspectos quase físicos, tivessem sido esmagados ou feridos."
aos filhos 'pare de chorar,, eu sinto uma mágoa".orrro^se... bem, Cliente: "Sim. E,'sabe, fico com a sensação de 'coitadinha de
por que eles dizem aos filhos para parar de úorar? Eles têm pena você' ".
de si mesmo^s,_mas quem.melhõr paia te. pena de si mesmo do que Nesta passagem, fica patente que as respostas empáticas do te-
uma criança? Bem, isso é mais ou menos o que quero dizer, como rapeuta encorajam-na a empreender uma exploração mais ampla da
e.u. penso-,.acho que deviam deixá-la çhorar, E... talvez
ter pena vivência visceral que est/r se processando em seu interior, bem como
dela também. De uma forma mais objetiva. Bem, é. . . é mais ou a, uma maior familiaridade em relação a ela. Ela está aprendendo a
menos este tipo de coisa que tenho vivido. euero dizer .. . agora, ouvir o que chamaríamos de suas "tripas", usando um termo pouco
cxatamente neste momento. E, em. . . em. . . ,' elegante. O conhecimento que esta cliente tem do fluxo de suas vi-
Terapeutai "Isto traduz um pouco mais do que você sente, é vências aumentou.
quasc como se estivesse realmente chorando por você mesma.,' Nesta passagem, percebemos também como este fluxo visceral
Cliente: "É. E outra vez, o senhor percebe, existe conflito. Nossa não verbalizado é usado como referencial. Como é que ela sabe que
cultura ó de tal natureza que...._ o que quero dízer é que não cos_ "culpa" não é o termo adequado para descrever seu sentimento? Vol-
tumamos nos entregar à autopiedade. Mas isto nãà é tando-se para dentro, examinando novamente esta realidade, este
ou melhor, processo palpável que está ocorrendo, esta vivência. E assim pode
eu S/NTO que não tem esta conotação. pode ter.,, - testar o termo "mágoa" em relação a este referencial, e considerá-lo
Terapeuta: "você acha que existe um obstácuro social à auto- mais próximo ao que sente. Somente a frase "coitadinha de você" é
piedade. E você acha que o que sente também não corresponde que realmente corresponde ao significado interno de auto-compaixão
totalmente ao que a sociedade desaprova.,' e auto-piedade que está vivenciando. Creio que ela não só usou este
clienÍe: "E então está claro,que eu cheguei a ver e sentir aquilo aspecto de sua vivência como referencial, como também aprendeu
em vez disso... olha, eu escondi isto.,, (Chora). ..Mas eu escondi algo sobre este processo, que consiste em conferir o que é dito com
com tanta amargura, que também tive que esconder isto.,, (Choran_ seu ser fisiológico total um aprendizado que poderá pôr em prá-
do) : disto que eu quero me livrari euase não me importa se tica em várias ocasiões.- E a empatia contribuiu para tornar isto
-^"É possível.
cloer-"
Terapeula: (Suavemente e com uma ternura empática em relação
Neste pedaço de terapia, também podemos analisar o que signi-
.
à fica deixar uma vivência seguir o seu curso. Evidentemente, não se
mágoa que ela está sentindo). "você sente que nà fundo de tudo
isto que você está vivenciando encontra-se um sentimento de ver- trata de um sentimento novo para a cliente. EIa o experimentou
muitas vezes anteriormente, embora jamais o tenha vivido totalmente.
dirdeiro pesar por você mesma. Mas que você não pode demonstrar,
De alguma forma, ele foi bloqueado. Não tenho dúvidas quanto à
r,t4
r{5
rcalrdade c a vivirlez do desbkrqueio que vcm a seguir.. pois muitas
uirnto i\ relevância uilo
vezes participei de sua ocorrência, embora não saiba qual seria a
ro como 0s eat
melhor maneira de descrevê-lo. o crescimento.
Nas interações cotidianas 4qi ôôorrem rla vida entre parceiros
-
conjugais e sexuais, entre professor e aluno, entre empregador e enr-
pregado ou entre colegas, é prov4vel que a seqglu(inc!e_!e.ie_! fator
mais importante. Ser genu
estamos" emocionalmente. Pode abranger o confronto e a expressão
que sente. e franca de sentimentos negativos e positivos. Portanto, a ,
,ressoal
çonsruênciE Í um asp
Conclusôes de autenticidade.
Mas em outras sit eciais. o interesse otr
Ciostari;r neste mome tornar-se c fator m
da em Podernos
fala, médico e paciente cm esiado grave. Sabe-se
sírrel e correta ela desenvolve romoto- r.faa.i" 0
rescl Llticas em rel "-"
"tl podem surgir idéias novas, sutis e êxploratórias
incêntivador no qúal
l) A nao ava

r si mesm
ilita-lhe ouvir a si mesma

uanto ao seu incerteza


suave e
unia
vtvenclas. torna- recimento e cui'a. Nestas si
a, Inals
o congruente em suas atit
clcmentos, porém, são exatamente aq que tanto a experiência
quanto a pesquisa apontam como as atitucles de um terapeuta efi-
ciente. Assim, talvez nào estejrrmos exegcrando o quacÍro gcral quan-
do dizemos que o fato de ser cmpaticamente compreencrido por outra ReIerências bibliográficas
pessoa capacita o indivícluo a se tornar um facilita<lor mais eficientc
de seu crescimento, um terapeuta mais eliciente cle r;i mesnlo. Aspy, D. T ott'urt{ o tet:ltn<tlogt, t'or ltutnuttilittg educuÍiott. Champaign, lllinojs:
.Conseqüentemente, quer estejamos atuanC( Research Press. 1972.
como facilitadores em grupos de encontro, como Aspy, .D. e Roebuck, F. Frorn humane ideas to humane technology and back
again, n'rany tintes. Education. 1975,95, n.o 3 (no prelo).
Barrett-l-ennard, C.1'. Dinrensions of therapist response as causal factors in
therapetrtic change. P.sv<:ltological NIorrograplt,s, 1962, 7ó, n.o 43 (.56?.).
Bergín. A. E. e Jasper, L" G. Correlates of en'rpathy in psychotherapy: A repli-
num Contexto mais ctúion. lournal oÍ Ahrt,'rmrrl Pr).(/t,)/()Sr,, 1969, 74, 477-481.
Bergin, A. E.., e Solomon, S. Person:rlity and perfornance correlates of ern-
ro como o úntco pathic understancling in psychotherapy. Em.l.'I'. Hart e T. M. Homlinson
(orgs.), Ntw dirct:tions ín clíott-cantcrctl tlrcntpt. Roston: Houghton
r esta imp Mifflirr. 1970. 233-236.

li (r
lr7
Bergin, A. -8. e Strupp, H. H. Chaneíng fronÍiers in tlte scicnce of psychotherapv. C. R., Gendlin, E.
-"-'-ià'pniti,
Rogers, T.. Kiesler, D. J', e'frlrax, C' B', (orgs'.} lle tJta'
Chicago: Aldine-Atherton, 1972. relatbnship and its impuct. À study of psychotlrcrapy v'ith sclti'
Blocksma, D. D. An experinrelt in côunselor learning. Tese de doutoramento ztsphrcnic's. Madison, Wisconsin Press, 1967'
não publicada, Universidade de Chicago, 1951. J'ausch, R. Comunicação Pessoal, I973.
Cartwright, R. D. e Lerner, B. Empathy, need to change and improvement
Tausch, R., Bastine, R., Bommer, H., Minsel, W-R', e Nickel, H' Weitere
in psychotherapy. Em G. E. Stolak, B. G. Guerney, Jr. e M, Rothberg untersuchung der Auswirkung unter Prozesse klíentenzentrierter Gesprach-
(orgs.), Psychotherapy res?arch: Selected readings. Chicago: Rand McNal-
psychotherapie. Zeitschrlilt fur Klinische P.s1'chologie, 1972, 1' i' 232-250'
Tausch, R., Bastine, R., Friese, H., e Sander, K', Variablen und Ergebnisse bei
Fi"dty;, ?:t; 'í:::parative investigation or earty therapeutic r"lationships
Psychotherapie mit alternierander Psychotherapeuten. l/erlog lur Pst'c'ltolo-
created by experts and non-exferts of the psychoanalytic, non-directive, 1970, XXlll, Gottengen.
and Adlerian schools. Tese de doutoramento náo publicada, Universidade sie,
.l-ruax, in An approach to
de Chicago, 1949. c. ll., Effective ingredients psychotherapy: unrave-

Fiedler, F. E. A comparison of therapeutic relationships in psychoanalytic, ling the patient-theràpist interaction. Em G. E" Stollak, B' G' Guerney, Jr''
non-directive and Adlerian therâpy. lountal of Consulting Ps-ychologv, 1950,
ú. Roihb"rg (ores.), psychotherapy rcsc«rclt: selected rcading_s. chicago:
"
Rirncl McNally, 1966, 586-594'
14, 436-455 (a\. 'liruax, C. Il. A scale for the rating of ;lccurate empâthy' Em C' R' Rogers'
Fiedler, F. E. The concept of the ideal therapeutic relationship. lournal ol
Consultíng Psychology, 1950, 14,239-245 (b).
E" I. Gendlín, D. J. Kiesler: e c. B. Truax (orgs.) Thc therapettti"c rela-
tionship «nd its ímpact. Á stucly ol psyclrctherapy tvith sch|zophrcnics.
Fiedler, F. E. Quantitative studies on the role of therapist's feelings toward Madisán, Wisconsin: University of Wisconsin Press, 1967, 555-568'
their patients. Em O. H. Mowrer (org.) Psychotherapy theory and re- Truax, C. li., e carkhuff, R. R. Toward elfectíve counseling and psychotherapy:
searcft. New York: Ronald Press, 1953, 296-315.
Traírrittg ond pructíce. Chicago: Aldine-Atherton' 1967'
Gendlin, E. T. Experiencing and Ílte creati<tn ol meaning. New York: The Free
Press of Glencoe, 1962.
Van Der Veen, F-. Client perception of therapist conditions as a. factor in
-1. M' 'lomlinson (orgs'), Nr:n'
psychotherapy. Cap. I I em J' T' Hart e
Gendlin, E. T., e Hendricks, M. Rapm anual. Changes. Chicago, Illinois, mimeo- 'diíection,ç therapy. Boston: Houghton Mifflin' 1970'
i'i clíeir-centeretl
grafado, sem data. 214-222.
Guerney, B. G., Jr., Andronico, M. R., e Guerney, I-ouise F. Filial Therapy.
Em J. T. Hart e T. M. Tomlinson (orgs.), New dírections in client-cen-
tered therapy. Boston: Houghton Mifflin, 1970, 372-386"
Halkides, C. An experimental study of four conditions necessary for therapeutic
change. Tese de doutorâmento não publicada, Universidade de Chicago,
r 958.
Kurtz, R. R., e Grummon, D. L. Different approaches to the measurement of
therapist empirthy and their relationship to therapy outcomes. lournal ol
Consultíng and Clinical Psycholoply, 1972, 39, 106-115.
Laing, R. D. The divided seff. Lsndon: Tavistock, 1960. Pelican edition, 1965.
Mullen, J., e Abeles, N. Relationship of liking, empathy and therapist's expe-
rience to outcome of therapy. Em Psychotlterapy, J.97 l, an Aldine atnual.
Chicago: Aldine-Atherton, 1972, 256-26A.
Quinn, R. D. Psychotherapist's expressions irs an inclex to the quality of early
therapeutic relationships established by representatives of the non-direcrive
. Adlerian and psychoanalytic schools. Em O. H. Mowrer (org.
) Psl,chorlic-
rapy theory and research. New York: Ronald Press, 1753, p. 301.
Raskin, N. Studies on psychotherapeutic orientation: ideology in practice, lll
Ps1:chotherapy Research Monographs, Orlando, Florida: Ârnericau .Acade-
my of Fsychotherapists, 1974, no prelo.
Rogers, C. R. The necessary and sufficient conditions of therapeutic personir-
lity change. lournal of Cortsulting Psychology, 195"1, 21,95-103.
Rogers, C. R.. A theory of therapy, personality and interpersonal relationships
as developed in the client-centered framework. Em S. Koch (org.), Ps.v-
chology: a slutly ol a science, vol. lII. Formulations of the person antl
thc s<.tcicl coiltext, New York: McGraw Hill, 1959, 184-256.

[J8 ll ()

I
CARL R. ROGERS RACHEL L. ROSÊNBERG
Center for Studies of the Person Instituto de Fsicologia
La Jolla, Califórnia da Universidade de São Paulo

FICHA CATALOGRÁFICÀ
lPreparada pelo Centro de Catalogação-na-Fonle
Câmara Brasileira do Livro SP)
A PffiS§ÜA
It63lp
Rogers Carl Ransom, 1902.
A pessoa como centro [por] Carl R, R.ogers
EOMO CHNTITO
lel Rachel L. Rosenberg. São Paulo, EPU, Ed.
da Universidade de São Paulo, 1977.

Bibliogral'ia.

l. Psicoterapía cerrtralizaclir nr,r cliente l. Ro-


senberg, Riichel [.ea" II.'Iítulo.
r7 . cDD-616.ll9 r

Iu.

ry
-6t6.u9l4
76-t319

Índice pirra catáltigo sistenrático:


Psicoterapia centralizadt no cliente 6l6.89l (t7.)
616. u9 t4 ( lfr . )

E.P.U. Editora Pedagógrca c Universithria Ltda.


-
EDUSP --* Editcirl da tiniversidacle rlc São Paulo
São Faulc