Você está na página 1de 116

APOSTILA 

Direito Tributário | 4ª ed.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
1
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

1. BREVE HISTÓRICO SOBRE SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL E CÓDIGO


TRIBUTÁRIO NACIONAL 6

2. COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA 6

a) Características 7
b) Classificação 8

3. A CAPACIDADE TRIBUTÁRIA ATIVA 9

4. CONCEITO LEGAL DE TRIBUTO 11

5. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL 13

a) Legislação Tributária 13
● Aplicação da Legislação Tributária 16
● Interpretação da Legislação Tributária no C​TN 17

b)​ ​Lacunas no Direito Tributário 18

6. RECEITAS TRIBUTÁRIAS 19

7. ESPÉCIES TRIBUTÁRIAS 19

a) Impostos 22
b) Taxas 24
● Taxa X Tarifa ou Preço Público 27
c)​ ​Contribuições de Melhoria 28
● Limites para Cobrança da Contribuição de Melhoria 29
d)​ ​Empréstimos Compulsórios 31
e)​ ​Contribuições Especiais 33
● Espécies de Contribuições 34
8. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS 40

a) Princípio Legalidade Estrita 41


● Exceções ao Princípio da Legalidade Estrita 43
b) Princípio da Isonomia 46
c) Princípio da Anterioridade 48
d) Princípio da Irretroatividade da Lei Tributária 53
e) Princípio da Tipologia Tributária 53

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
2
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

f) Princípio do Não-confisco 53
g) Princípio da Seletividade 54
h) Princípio da Vinculabilidade da Tributação 55
i) Princípio da Uniformidade Geográfica 55
j) Princípio da não Discriminação Tributária em Razão da Procedência ou Destino
dos Bens 55
k) Princípio da Territorialidade da Tributação 56
l) Princípio da Transparência dos Impostos 56
m) Princípio da Não Cumulatividade 56

9. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA 56

a) Obrigação Principal e Obrigação Acessória 57


b) Sujeito Ativo 58
c) Sujeito Passivo 58
d) Domicílio Tributário 60

10. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA 61

a) Responsabilidade por Transferência 62


● Responsabilidade Solidária 62
● Responsabilidade dos Sucessores 63
● Sucessão Causa Mortis 63
● Sucessão Inter Vivos 64
● Responsabilidade de Terceiros 66

b)​ ​Responsabilidade por Substituição 67

● Substituição Tributária para Trás 68


● Substituição Tributária para Frente 68
● Responsabilidade por Infrações 69

c)​ ​Denúncia Espontânea 69

11. CRÉDITO TRIBUTÁRIO 70

12. LANÇAMENTO 71

a) Modalidades de Lançamento 71

13. REPARTIÇÃO DAS RECEITAS TRIBUTÁRIAS 72

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
3
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

14. LINHA DO TEMPO 77

15. SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. 79

16. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 81

a) Pagamento 82
b) Compensação 84
c) Transação 85
d) Remissão 85
e) Decadência e Prescrição 86
● Decadência 86
● Prescrição 87
● Prescrição Intercorrente 89
f) Conversão de Depósito em Renda 89
g) Pagamento Antecipado e Homologação do Lançamento 90
h) Consignação em Pagamento 90
i) Decisão Definitiva nas Esferas Administrativa ou Judicial 91
j) Dação em Pagamento 91

17. EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 91

a) Isenção 92
b) Anistia 93

18. PREFERÊNCIAS DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 94

19. IMUNIDADES TRIBUTÁRIAS 95

a) Imunidade Religiosa 99
b) Partido Político, Sindicato de Trabalhador, Instituição de Educação e Entidades De
Assistência Social 100
c) Imunidade Cultural 102
d) Imunidade em Favor da Produção Musical Brasileira 104

20. EXECUÇÃO FISCAL 106

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
4
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

1. BREVE HISTÓRICO SOBRE SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL E


CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.
No Brasil, os arts. 145 a 162 da Constituição Federal de 1988 apresentam o Sistema Tributário
Nacional. Tais dispositivos representam um conjunto harmônico de regras e princípios que dão
embasamento para toda legislação infraconstitucional relativa à matéria tributária no Brasil.

No que lhe concerne, o Código Tributário Nacional (CTN), instituído pela Lei n.º 5.172/66, cuida
das regras gerais relativas ao direito tributário, densificando o art. 24, I da Constituição Federal.
Interessante notar que o CTN foi aprovado ainda na vigência da Constituição de 1946 como Lei
Ordinária da União e, posteriormente, ante as Constituições de 1967 e 1988, foi recepcionada
com força de Lei Complementar, conforme exigência do art. 146, III da CF. Desse modo, o
referido diploma continua vigente.

Ao dispor sobre as regras gerais de direito tributário, o CTN apenas explicita as regras de
tributação constitucionalmente estipuladas. Ou seja, o CTN detalha as linhas gerais traçadas pela
Constituição Federal no que toca, entre outros temas, à obrigação tributária, legislação tributária,
base de cálculo de diversos impostos, bem como o fato gerador e contribuintes.

Vale ressaltar, por fim, que o Código Tributário Nacional só pode ser alterado por lei
complementar, sob pena de inconstitucionalidade formal por invasão de competência normativa.

2. COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA
A competência tributária nada mais é do que a competência para instituir tributos, que deverá
ocorrer por intermédio de lei em sentido formal, sendo em alguns casos, exigida a Lei
Complementar (a exemplo do que ocorre com o Imposto sobre Grandes Fortunas, os
Empréstimos Compulsórios, os Impostos e Contribuições Sociais residuais). Frise-se que, sendo
o tributo instituído por Lei Ordinária, nada impede a sua criação por medida provisória, a ser
convertida em lei. Essa mesma solução não é possível em relação aos tributos cuja instituição
está sujeita à Lei Complementar.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
5
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

A competência tributária pressupõe a competência legislativa para instituir determinado tributo.


Sendo assim, apenas os entes políticos (Estados, União, Municípios e Distrito Federal) possuem
autonomia para criação, extinção, majoração e/ou redução de tributos.

IMPORTANTE:

● A CF/88 não cria tributos, ela apenas determina quais tributos poderão ser instituídos por
cada ente.

● Não confunda competência tributária com competência para legislar acerca do Direito
Tributário, vejamos:

CARACTERÍSTICAS

a) Indelegável: Não pode determinado ente delegar a outro a instituição de determinado


tributo. Entretanto, são delegáveis as funções administrativas decorrentes do exercício da
competência tributário, como a sua fiscalização e arrecadação. Exemplo disso ocorre no
caso do ITR, cuja competência é da União, mas pode ter sua arrecadação delegada aos
Municípios que assim optarem.

ATENÇÃO: O exercício de tais funções administrativas é chamado de capacidade


tributária ativa, que resumidamente é a capacidade de exigir o tributo .

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
6
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

b) Imprescritível: o não exercício da competência tributária não faz com o que esse direito
deixe de existir.

c) Inalterável:​ apenas eventual reforma a CF/88 poderia alterar a competência tributária.

d) Irrenunciável e Facultativa: o ente político não pode dela renunciar, mas pode optar por
não criar determinado tributo.

ATENÇÃO: ​Instituído o tributo, torna-se vinculada e obrigatória sua cobrança.

ATENÇÃO: Embora não seja obrigado a instituir o tributo, o ente que não instituir
todos os tributos da sua competência é considerado não cumpridos da sua
responsabilidade na gestão fiscal, conforme art.11, caput, da Lei de Responsabilidade
Fiscal (LRF). Além disso, se o tributo não instituído for especificamente um IMPOSTO, o art.11,
parágrafo único da LRF impede que o ente receba transferências voluntárias (ex: o Município que
não institui o IPTU fica proibido de receber repasses voluntários do Governo Federal ou
Estadual). Essa medida visa evitar deficit de arrecadação, especialmente nos Municípios, que,
não fosse a instituição plena de tributos da sua alçada, continuariam mais dependentes das
verbas federais transferidas.

CLASSIFICAÇÃO

Com objetivo de facilitar a memorização acerca das classificações, segue tabela:

CLASSIFICAÇÃO DA
TRIBUTOS ENTES FEDERADOS
COMPETÊNCIA
Impostos, empréstimos União (E.C. e, em regra,
Privativa compulsórios e contrib. contrib. Especiais),
especiais (com exceções) Estados, DF e Municípios
Taxas e contribuições de União, Estados, DF e
Comum
melhoria Municípios
Tributos (embora o art. 147
Cumulativa Apenas União e DF
mencione impostos)

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
7
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

Novos impostos e novas


Residual contribuições para Seguridade Apenas União
Social

Extraordinária IEG União

3. A CAPACIDADE TRIBUTÁRIA ATIVA

Como já se observou anteriormente, enquanto a competência atribui ao ente político a


possibilidade para instituir um determinado tributo de forma indelegável, intransferível, privativa,
não caducável, inalterável, facultativa e irrenunciável, a capacidade tributária ativa atua no sentido
de determinar quem será o sujeito ativo da relação. Explica-se: a capacidade tributária ativa
define quem poderá arrecadar, fiscalizar e exercer as demais funções relacionadas à
administração tributária.

A capacidade tributária ativa só pode ser exercida após o exercício da competência tributária
(instituição do tributo), momento a partir do qual será viabilizada a delegação dessa função para
outra pessoa jurídica de direito público.

Mais especificamente, a capacidade tributária ativa é visível no momento do exercício de


competência legislativa pelo ente político. Será mediante este exercício que haverá a definição de
quem poderá figurar como sujeito ativo da relação tributária, atribuindo poderes de arrecadação e
fiscalização.

Exemplificando:

O ITR é um imposto de competência tributária da União. Logo, só pode ser instituído por esse
ente federativo de forma indelegável. Todavia, o ITR pode ser fiscalizado e cobrado pelos
municípios que assim optarem, na forma da lei (delegabilidade da capacidade tributária ativa),
conforme prevê o art. 153, §4º, III,da CF/88. Interessante notar que ao fazer essa opção, em
contrapartida, ao exercício da arrecadação e fiscalização, o Município terá direito de incorporar ao
seu patrimônio todo o montante proveniente do ITR, conforme art.158, II da CF, e não apenas
50%, percentual que se aplica nos casos em que não houver tal opção.

Vejamos o que dispõe o art. 7º do CTN:

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
8
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

Art. 7º ​A competência tributária é indelegável​, ​salvo atribuição das


funções de arrecadar ou fiscalizar tributos, ou de executar leis,
serviços, atos ou decisões administrativas em matéria tributária​,
conferida por uma pessoa jurídica de direito público a outra, nos termos do §
3º do artigo 18 da Constituição.

§ 1º ​A atribuição compreende as garantias e os privilégios processuais


que competem à pessoa jurídica de direito público que a conferir.​

§ 2º A atribuição pode ser revogada, a qualquer tempo, por ato unilateral da


pessoa jurídica de direito público que a tenha conferido.

§ 3º Não constitui delegação de competência o cometimento, as pessoas de


direito privado, do encargo ou da função de arrecadar tributos.

Em seu parágrafo único, o referido artigo dá ênfase que ​as garantias e os privilégios
processuais também seriam repassados àquele que receba a capacidade de exigir/cobrar o
tributo​. Ou seja, o poder de cobrança do tributo pelo sujeito que receberá a capacidade tributária
ativa vai além da cobrança administrativa do crédito, estendendo também à via judicial.

No que pertine ao §3º, ele permite que a cobrança seja feita através de boletos gerados pelo
Banco, sem que isso configure delegação da capacidade tributária ativa, dado que o banco
funcionará como mero intermediador do pagamento.

BITRIBUTAÇÃO x BIS IN IDEM

Ambas decorrem de 02 incidências de tributação sobre o mesmo fato gerador.

Quando as 02 incidências ocorrerem sobre o mesmo fato gerador de tributos que são de
competência de um mesmo ente federado ocorrerá bis in idem.

Ex. Sobre a apuração do lucro de determinada empresa incide o IRPJ (de competência da União)
e o CSLL (também de competência da União).

Já a bitributação ocorre quando mais de um ente federado tributa o mesmo fato gerador.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
9
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

Ex. (fictício) O Estado X institui uma alíquota adicional, a ser cobrada sobre a propriedade urbana
(que já é tributada pelos municípios), veja que o mesmo fato gerador, qual seja, a propriedade de
um bem urbano seria tributado pelo Estado X e pelos municípios.

4. CONCEITO LEGAL DE TRIBUTO


O artigo 3º do CTN dispõe que:

Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo


valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito,
instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente
vinculada.

Vamos à análise da inteligência do mencionado artigo:

Prestação Pecuniária ou cujo valor nela se possa exprimir

É uma obrigação voltada ao custeio do fomento da atividade estatal, e por isso deve ser paga em
dinheiro, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir. Percebe-se assim, que o tributo não
pode ser pago ​in natura ​ou ​in labore.

Valendo lembrar a possibilidade de dação em pagamento de Bens Imóveis (que possa ser
expresso em moeda), prevista no Art. 156, XI do CTN e regulada no âmbito da União pelo art. 4º,
da Lei nº 13.259/16.

IMPORTANTE: Não confunda bens móveis com bem imóveis! O STF já decidiu, em
medida cautelar na ADI 1.917, que tributos não podem ser pagos com bens móveis,
tendo sido utilizado como argumento ofensa ao princípio da licitação.

Compulsória: (“Prestação não contratual”)

● Compulsória, pois se trata de prestação não contratual.


● Requisito de existência;

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
10
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

● Os tributos são pagos em face de uma determinação legal;


● Na prestação tributária, a obrigatoriedade tem origem na lei, ou seja, não se interpõe
qualquer ato de vontade daquele que assume a obrigação.
● Requisito de existência.

Instituída em Lei (“Obrigação Ex Lege”)

● Requisito de validade;
● Princípio da legalidade estrita;
● Lei em sentido formal e material;
● Instituída em lei significa dizer que todas as suas características serão encontradas no
ordenamento jurídico.
● Requisito de validade

Conforme já decidido pelo STF, um tributo pode ser instituído por medidas provisórias, desde que
a CF/88 não exija lei complementar para sua instituição.

Que não constitua sanção de ato ilícito

Um tributo é cobrado em decorrência de um fato gerador, tendo por objetivo arrecadar e não
punir, o que o distingue do conceito de multa, em que pese tenham semelhança em sua natureza
compulsória e caráter patrimonial, além de corresponderem a obrigações de dar e também serem
classificados como receitas derivadas.

Uma coisa é sancionar uma ação antijurídica, ilícita (penalidade); e outra o dever social do
cidadão de contribuir para o Estado com as receitas necessárias à satisfação das necessidades
públicas (tributo).

No entanto, o fato gerador pode ocorrer em circunstâncias lícitas (regra) ou ilícitas que, esta
última incidência ocorrerá em observância ao Princípio do Pecunia Non Olet: Dinheiro não tem
cheiro (Art. 118, I do CTN). Tal princípio visa garantir que pessoas que ganhem a vida ilicitamente
não sejam premiadas por isso, ao não serem tributadas.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
11
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

Ex. João é médico e tem sua renda tributada, já Francisco é dono de uma banca do jogo do bicho
e,com base no princípio da Pecunia non Olet, também terá sua renda, ainda que ilícita, também
tributada.

Cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada.

A atividade administrativa pode ser classificada em Discricionária (oportunidade e conveniência


para definição do mérito) e Vinculada, e a cobrança de tributos é atividade plenamente vinculada.

Atividade vinculada: Retira qualquer possibilidade de margem de interpretação à apreciação da


autoridade, que fica completamente vinculada à previsão legal.

Desta forma, é correto afirmar que, ocorrendo o fato gerador da obrigação tributária, a autoridade
competente tem o dever de constituir o crédito tributário, que se dá através do lançamento e de
exigir o cumprimento da obrigação.

Todavia, vale destacar que o lançamento não é auto-executório, isto é, não pode ser executado
de automaticamente, havendo a oportunidade para que o contribuinte possa desconstituí-lo na
esfera administrativa ou judicial.

5. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL

LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA

Nada mais são que as fontes formais do Direito Tributário, estando dispostas no art. 96 do CTN:

Art. 96. A expressão “legislação tributária” compreende as leis, os tratados e as


convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que
versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes.
(grifou-se)

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
12
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

As normas complementares estão contidas no ​art. 100 do CTN​, sendo ess​as os atos normativos,
decisões de órgãos do fisco, práticas reiteradas (costume) e os convênios. Os ​atos normativos
entram em vigor na data de sua publicação (​art. 103, I, do CTN​). As ​decisões do órgão do fisco
entram em vigor em 30 dias após a data de sua publicação (​art. 103, II, do CTN​). Já o​s ​convênios
entram em vigor na data nele prevista (​art. 103, III, do CTN​).

Com objetivo de facilitar a memorização, segue esquema:

ATENÇÃO: A doutrina e a jurisprudência não são consideradas fontes formais do direito


tributário.

Algumas dessas fontes merecem maior atenção, são elas:


1. Leis complementares

Quanto à instituição de tributos, estão submetidos a leis complementares:


● Empréstimos Compulsórios;
● Impostos Sobre Grandes Fortunas (IGF);
● Impostos Residuais;
● Contribuições Sociais Residuais;

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
13
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

A CF/88 conferiu, em matéria tributária, as seguintes funções a lei complementar1:


● Dispor sobre conflito de competência em matéria tributária;
● Estabelecer normas gerais acerca de responsabilidade tributária;
● Regular as limitações constitucionais ao poder de tributar.2

Tanto medidas provisórias, quando leis delegadas não podem tratar de matéria
reservadas à lei complementar pela CF/88.

2. Resoluções

No que pertine às Resoluções, merecem especial atenção as Resoluções do Senado Federal.


Com objetivo de facilitar a visualização da atuação dessa Casa na regulamentação do direito
tributário, segue tabela:

RESOLUÇÕES DO SENADO FEDERAL


TRIBUTO ALÍQUOTA FACUL/OBRIG INICIATIVA APROVAÇÃO
ITCMD Alíquota Máx. Obrigatório - -
IPVA Alíquota Mín. Obrigatório - -
Alíquota Máx. Maioria
ICMS Facultativo 2/3 Senado
Oper. Internas Absoluta
Alíquota Mín. Oper. Maioria
ICMS Facultativo 1/3 Senado
Internas Absoluta
Alíquota Interest. Pres. Rep. ou Maioria
ICMS Obrigatório
ou exportação 1/3 Senado Absoluta

3. Convenções e Tratados Internacionais.

1
É recorrente que a FGV cobre questões perguntando quando deve ser usada lei complementar em matéria
tributária, atenção redobrada aqui!

2
Cuidado com o verbo, leis complementar vão apenas regular​! Apenas a CF/88 pode ​criar limitações constitucionais
ao poder de tributar.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
14
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

O art. 98 do CTN assim dispõe:

Art. 98. Os tratados e as convenções internacionais revogam3 ou modificam a legislação tributária


interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha.

O STF já se posicionou no sentido da paridade normativa entre os tratados internacionais e as


leis ordinárias. (STF, ADI 1.480-MC/DF, Plenário, Rel. Min. Celso de Mello, Julgamento em
04/09/1997 )

Atente-se que os tratados internacionais possuem status de lei ordinária, não podendo, portanto,
tratar de matéria reservada à lei complementar, como também já decidiu o STF. (ADI
1.480-MC/DF)

APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA

o CTN assim dispôs:

Art. 105. A legislação tributária aplica-se imediatamente aos fatos geradores futuros e
aos pendentes4, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início, mas não
esteja completa nos termos do artigo 116 .

A regra geral é a irretroatividade da legislação tributária, só podendo essa retroagir para


interpretar ou beneficiar o infrator em caso de penalidades, desde que não esteja definitivamente
julgado.

Segue tabela para facilitar a assimilação do conteúdo:

3
A doutrina majoritária entende que na verdade não há revogação, mas sim suspensão da eficácia. Todavia, se o
item transcrever a literalidade do artigo, deve ser considerado correto.

4
Fatos geradores pendentes são fatos que têm início na vigência de uma lei e, quando se completam, outra lei está
vigente.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
15
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA NO CTN

O CTN traz algumas regras específicas quanto a interpretação de suas normas.

● Interpretação literal

Conforme dispõe o art. 111, do CTN, devem ser interpretados literalmente: a suspensão ou
exclusão do crédito tributário, a outorga de isenção e a dispensa do cumprimento de obrigações
tributárias acessórias.5

● Interpretação mais benéfica em caso de infrações

O art. 112 do CTN prevê que se dá à legislação tributária a interpretação mais favorável ao
acusado, em caso de dúvida quanto: à capitulação legal do fato, à natureza ou às circunstâncias

5
As obrigações acessórias não têm caráter pecuniário, são exemplos desse tipo de obrigação: emitir notas fiscais,
escriturar livros fiscais, entregar declarações etc.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
16
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

materiais do fato, ou à natureza, ou extensão dos seus efeitos, à autoria, imputabilidade, ou


punibilidade e à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.

ATENÇÃO: ​Incidência de juros não é penalidade, não se aplicando, portanto, a


legislação mais benéfica ao contribuinte. (STJ REsp. 294.740/SC

LACUNAS NO DIREITO TRIBUTÁRIO

ATENÇÃO: ​No direito tributário as lacunas, que são ausência de norma sobre
determinado assunto, serão supridas através de integração, todavia, há regra
específica disposta no art. 108 do CTN para sua aplicação na legislação tributária.

Deve ser observada a ordem e as ressalvas dispostas no artigo 108 do CTN, devendo a
autoridade usar (nesta ordem): a) analogia (recorrer à lei de um caso similar); b) princípios gerais
do direito tributário; c) princípios gerais do direito público; e, d) equidade.

Com objetivo de facilitar a memorização, segue tabela ilustrativa:

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
17
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

6. RECEITAS TRIBUTÁRIAS
Antes de adentrarmos na exposição acerca das espécies tributárias, é importante que o candidato
saiba que tributos são receitas públicas derivadas, com as multas e as reparações de guerra.

Com objetivo de otimizar o conhecimento, segue tabela ilustrando as principais características


das receitas derivadas, bem como das receitas públicas originárias:

RECEITAS PÚBLICAS ORIGINÁRIAS RECEITAS PÚBLICAS DERIVADAS


Oriunda do patrimônio do particular
Exploração do patrimônio do Estado
(coação)
Sujeitas predominantemente ao reg. de
Sujeitas ao reg. de direito público
direito privado

Não há poder de império Há o poder de império

Sua fonte é o contrato Sua fonte é a lei

7. ESPÉCIES TRIBUTÁRIAS
A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 145, estabelece a competência para a instituição
das espécies tributárias cuja competência é comum a todos os entes políticos, quais sejam
impostos, taxas e contribuições de melhorias. Já nos arts. 148 e 149 aludem a duas outras
modalidades tributárias, cuja competência em regra será da União: as contribuições sociais e os
empréstimos compulsórios.

IMPORTANTE: Ressalvada a contribuição previdenciária, que cada ente federado


pode cobrar de seus servidores (Regime Próprio de Previdência) – §1º do Art.
149/CF-88, e a COSIP – art. 149-A/CF-88), as demais contribuições previstas nos
arts. 148 e 149 da CF/88 são de competência exclusiva da União.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
18
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

Sendo assim, pode-se afirmar que, atualmente, o Brasil adota a Teoria Pentapartida quanto às
espécies tributárias.

Segue tabela ilustrativa:

Destaca-se que, em que pese as espécies tributárias sejam submetidas à regras gerais comuns,
cada uma delas possui especificidades, conforme será demonstrado a seguir.

Atenção! O candidato deve se atentar que Como os empréstimos compulsórios e as contribuições


especiais que são de competência exclusiva da União, são tributos finalísticos, ou seja, a
destinação do produto de sua arrecadação é um critério relevante para diferenciá-los dos demais
tributos.

Espécie de tributos na Constituição Federal:

a) ​Impostos

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
19
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

● Ordinários (art. 145, I, 153, 155 e 156)


● Residuais (art. 154, I)
● Extraordinários de guerra (art. 154, II)

b) ​Taxas

● Pelo exercício do poder de polícia (art. 145, II, primeira parte)


● Pela prestação de serviços públicos específicos e divisíveis (art. 145, II, segunda
parte)

c) ​Contribuições de Melhoria (art. 145, III)

d) ​Empréstimos Compulsórios

● Para despesas extraordinárias, decorrentes de calamidade pública, de guerra


externa ou sua iminência.
● Para investimento público

e) ​Contribuições Especiais

● Sociais
● Para fins gerais (art. 149, primeira parte e §§2º, 3º e 4º).
● Para a seguridade social:
i. Ordinárias (art. 149, primeira parte e §§2º a 4º, c/c art. 195, I a IV).
ii. Residuais (art. 149, primeira parte c/c art. 195, §4º)
iii. Provisória (arts. 74 a 90 do ADCT – acerca da CPMF, a qual vigorou pela última vez
até dezembro de 2007)
iv. Para o Regime Próprio de Previdência dos Estados, DF, e Municípios (art. 149, §1º)
● Para intervenção no domínio econômico (art. 149, segunda parte e §§2º a 4º, e a
chamada CIDE-combustíveis, no art. 177, §4º).
● Para interesse de categorias profissionais ou econômicas (art. 149, terceira parte)
● Para custeio da iluminação pública municipal e distrital (art. 149-A)

Como se pode verificar, as espécies são taxativas e a lista exaustiva, sendo vedada
instituição de outros tributos que não se enquadrem nessas categorias.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
20
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

IMPOSTOS

O artigo 16 do CTN define imposto como: “o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma
situação independente de qualquer atividade estatal específica, relativa ao contribuinte”. É
importante que se diga que a receita obtida com a arrecadação de impostos é destinada ao
financiamento das atividades gerais do Estado.

Lembre-se que os impostos são tributos não contraprestacionais, ou seja, possuem como fato
gerador a manifestação de riqueza do contribuinte e não uma contraprestação do Estado.
Ademais, buscam realizar a solidariedade social, na medida em que remunera os serviços gerais,
também chamados de uti universi.

Os impostos, em regra, serão instituídos através de Lei, cabendo à lei complementar o


regramento sobre os fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes (art. 146, III, a, da CF).

IMPORTANTE: Cuidado para não cair na pegadinha, a CF/88 não menciona a necessidade de lei
complementar para instituição das alíquotas!

Outro detalhe a ser ressaltado, é que a União pode criar outros impostos e outras contribuições
para a seguridade social não previstos na CF/88. É a chamada competência residual, desde que
respeitados os requisitos constitucionais

Destaca-se que a CF/88 definiu em seu texto quais impostos podem ser criados por cada ente
federado. No entanto, é possível a instituição de imposto extraordinário de guerra - IEG (art. 154,
II, da CF) em caso de iminência ou no caso de guerra externa pela União.

A competência tributária é dividida da seguinte forma entre os entes políticos:

● União (art. 153 e 154 da CF): II, IE, IR, IPI, IOF, ITR, IGF, Impostos residuais Impostos
extraordinários;
● Estados (art. 155 da CF): ITCMD, ICMS, IPVA;
● Municípios (art. 156 da CF): IPTU, ITBI, ISS;
● DF (art. 147 e 155 da CF): ITCMD, ICMS, IPVA, IPTU, ITBI, ISS.

Com objetivo de sistematizar, segue mapa mental:

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
21
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

Nos termos do §1º do art. 145 da CF/88, sempre que possível, os impostos devem ser graduados
com base na capacidade contributiva do contribuinte.

IMPORTANTE: Embora a CF/88 mencione expressamente apenas os impostos, o STF já decidiu


que nada impede que o princípio da capacidade contributiva seja aplicado também na criação de
taxas.

Os impostos também estão, via de regra, sujeito ao princípio da não afetação ou vinculação, que
nada mais é que a vedação de que sua receita seja vinculada a órgão, fundo ou despesa.
Todavia, neste mesmo artigo constam algumas exceções que serão apresentadas pelo mapa
mental a seguir6:

6
O 1º quadrinho já caiu no Exame da Ordem.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
22
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

TAXAS

De acordo com os arts. 145, II, da CF/88 e 77 do CTN, pode-se dizer que taxa é um tributo de
competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dentro de suas
atribuições, possuindo como fato gerador o exercício regular do poder de polícia ou a utilização,
efetiva ou potencial, de serviço público específico e divisível, prestado ao contribuinte ou posto à
sua disposição.

Sendo assim, é possível concluir que a situação que faz surgir a obrigação do pagamento de uma
taxa é um ​Fato de Estado,​ o que faz dela um tributo ​contraprestacional ou retributivo.

As taxas se subdividem em :

I) Taxas de serviço

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
23
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

Criadas para custear serviços públicos uti singulis que são prestados pelo poder público à
população em geral.

Fundamental é a leitura do art. 79 do CTN, acerca dos serviços públicos:

Art. 79. Os serviços públicos a que se refere o artigo 77 consideram-se:

a) utilizados pelo contribuinte:


● efetivamente, quando por ele usufruídos a qualquer título;
● potencialmente, quando, sendo de utilização compulsória, sejam postos à sua disposição
mediante atividade administrativa em efetivo funcionamento;

b) ​específicos, quando possam ser destacados em unidades autônomas de intervenção, de


utilidade, ou de necessidades públicas;

c) divisíveis, quando suscetíveis de utilização, separadamente, por parte de cada um dos seus
usuários.

Preste atenção que é a disponibilização do serviço que deve ser efetiva, o que poderá ser
potencial ou efetivo é o uso por parte do contribuinte.

O exemplo clássico é a coleta domiciliar de lixo, no qual o caminhão deve ir regularmente a casa
de Mariana recolher o lixo (disponibilização efetiva), devendo Mariana pagar a taxa de coleta de
lixo se o produzir todos os dias ou ainda que faça um intercâmbio por 06 meses e não produza
lixo algum durante esse período (uso efetivo ou potencial).

Outra característica é que os serviços públicos devem ser divisíveis e específicos, conforme
dispõe os incisos II e III do art. 79 do CTN.

Exemplificando: Custas judiciais e os emolumentos concernentes aos serviços notariais e


registrais são considerados taxas de serviço, de acordo com o entendimento do STF, uma vez
que tais serviços são específicos e divisíveis .

IMPORTANTE: Serviços ​uti universi são custeados por impostos. Já os serviços uti
singulis são custeados por taxas.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
24
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

#SÚMULA: A súmula Vinculante 41 veda que o serviço de iluminação pública seja remunerado
mediante taxa.

Por isso, após toda a polêmica, fora criado o art. 149-A da CF/88, que autoriza aos municípios e
ao DF que instituam ​contribuição, na forma das respectivas leis, para o custeio do serviço de
iluminação pública- COSIP.

IMPORTANTE: ¹O STF também já decidiu, na ​ADI 1.942-MC, que o serviço de


segurança pública não poderia ser custeado mediante taxa (apenas mediante
impostos), como também já declarou inconstitucional lei municipal que instituiu taxa
pela utilização efetiva ou potencial dos serviços municipais de assistência, combate e
extinção de incêndios.

² O STF e o STJ também já se manifestaram no sentido de que o serviço de limpeza pública


também não pode ser remunerado por taxa .

ATENÇÃO: ​Não confunda serviço de limpeza pública com coleta domiciliar de lixo, já
tendo o STF sumulado tal entendimento:

Súmula Vinculante 19: A taxa cobrada exclusivamente em razão dos


serviços públicos de coleta, remoção e tratamento ou destinação de lixo ou
resíduos provenientes de imóveis, não viola o artigo 145, II, da Constituição
Federal.

II) Taxas de polícia

A definição do Poder de Polícia, apto a ensejar a cobrança de taxas de polícia consta no art. 78
do CTN:

Art. 78. Considera-se poder de polícia ​atividade da administração pública


que, limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a
prática de ato ou abstenção de fato, em razão de interesse público
concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da
produção e do mercado, ao exercício de atividades econômicas
dependentes de concessão ou autorização do Poder Público, à tranqüilidade
pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
25
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

O candidato deve se atentar que que:

● Para que a taxa de polícia seja cobrada deve existir órgão administrativo apto a realizar a
fiscalização, todavia, não há necessidade de efetiva visita da fiscalização ao
estabelecimento do contribuinte para que seja cobrada a taxa de polícia.
● Deve haver correspondência entre o valor cobrado a título de taxa e o custo da atividade
prestada ao contribuinte.7

#SÚMULAS:

→ A súmula 665 do STF prevê que é constitucional a taxa de fiscalização dos mercados de títulos
e valores mobiliários instituída pela Lei 7.940/1989.8

→ Já a súmula nº 595 do STF prevê que é inconstitucional taxa municipal de conservação de


estradas de rodagem cuja base de cálculo seja idêntica à do ITR.

→ Já a súmula 667 do STF esclarece que viola a garantia constitucional de acesso à jurisdição a
taxa judiciária calculada sem limite sobre o valor da causa.

Atenção! A súmula vinculante 29 afirma ser constitucional a adoção, no cálculo do valor de taxa,
de um ou mais elementos da base de cálculo própria de determinado imposto, desde que não
haja integral identidade entre uma base e outra, ou seja, o que não pode é a base de cálculo ser
idêntica.

TAXA X TARIFA OU PREÇO PÚBLICO

Taxas: Enquadram-se no regime jurídico de direito público, é espécie de tributo, é compulsória,


devendo observar os princípios tributários.

Ex.: Taxa de coleta de lixo

7
STF, Plenário, ADI 2.551, Rel. Min. Celso de Mello.

8
Caso essa súmula será cobrada, basta que o candidato saiba a sua literalidade.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
26
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

Tarifas ou Preços Públicos: Enquadram-se no regime jurídico de direito privado, não é tributo, seu
pagamento é facultativo, não se submetendo aos princípios tributários

Ex.: Tarifa de telefonia.

Com objetivo de sistematizar as diferenças, segue tabela:

TAXA PREÇO PÚBLICO (TARIFA)


Possui natureza tributária Não possui natureza tributária
Decorre de lei Decorre de contrato administrativo

Não há manifestação de vontade Há manifestação de vontade

Caráter compulsório Caráter facultativo

Regime jurídico de direito público Regime jurídico de direito privado

Cobrada por pessoa jurídica de direito Cobrada por pessoa jurídica de direito
público público e privado

Receita derivada Receita originária

DICA:​ O valor pago a título dos serviços de energia, água e esgoto são considerados tarifas.9

CONTRIBUIÇÕES DE MELHORIA

A contribuição de melhoria é um tributo de competência comum da União, dos Estados, do


Distrito Federal e dos Municípios, no âmbito de suas respectivas atribuições, que possui como
fato gerador a valorização imobiliária decorrente de obra pública (art. 81 do CTN), ou seja, tal
tributo só será cobrado se a obra realizada pelo Estado deverá implicar na valorização do imóvel
do sujeito passivo.

9
STJ, REsp 30.847/SP, Rel. Min. Helio Mosimann e STF, AI 753.964-AgR/RJ, Rel. Min. Marco Aurélio.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
27
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

#SELIGA: O fato gerador é a valorização imobiliária do imóvel, as pegadinhas vão girar em torno
disso, sendo um tributo vinculado.

A contribuição de melhoria somente poderá ser cobrada depois de ocorrida a valorização


imobiliária, todavia, nada impede a instituição do tributo após o término de parte da obra, se já
houver resultado em valorização imobiliária para o contribuinte.

Tal tributo também é regulamentado pelo DL 195/67.

LIMITES PARA COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO DE MELHORIA

ATENÇÃO: A CF/88 é omissa quanto aos limites individuais e totais da contribuição


de melhoria, eles estão previstos no art. 81 do CTN.

Limite total:​ O valor total gasto com a obra.

Limite individual: ​O valor que corresponde à valorização que a obra pública gerou para cada
particular.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
28
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

O art. 2º do Decreto-lei 195/67 dispõe as obras que poderão ensejar a cobrança de contribuições
de melhoria. Atente-se que o STF10 já decidiu de que o mero recapeamento de via pública já

10
RE 116.148/SP, Rel. Min. Octavio Gallotti.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
29
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

asfaltada não justifica a cobrança do tributo, todavia, caso essa seja asfaltada poderá ocorrer a
cobrança do tributo ora em análise.

Sendo um tributo, sua prestação deve estar disposta em lei. Importante saber que o art. 82, do
CTN, previu os seguintes requisitos mínimos a serem observados:

● Publicação prévia dos seguintes elementos:


a) memorial descritivo do projeto;
b) orçamento do custo da obra;
c) determinação da parcela do custo da obra a ser financiada pela contribuição;
d) delimitação da zona beneficiada;
e) determinação do fator de absorção do benefício da valorização para toda a zona ou para
cada uma das áreas diferenciadas, nela contidas;
● Fixação de prazo não inferior a 30 dias, para impugnação pelos interessados, de qualquer
dos elementos referidos no inciso anterior;
● Regulamentação do processo administrativo de instrução e julgamento da impugnação a
que se refere o inciso anterior, sem prejuízo da sua apreciação judicial.

Ademais, o § 1º do art. 82 do CTN, estabelece, ainda, que a contribuição de cada imóvel deve ser
determinada pelo rateio da parcela do custo da obra pública realizada pelos imóveis situados na
zona beneficiada em função dos respectivos fatores individuais de valorização.

EMPRÉSTIMOS COMPULSÓRIOS

Tributo de competência exclusiva da União, caracterizado pela sua obrigatoriedade de restituição,


os empréstimos compulsórios somente podem ser instituídos ​mediante lei complementar ​nas
hipóteses enumeradas nos incisos I e II do art. 148 da CF.

Tal tributo será instituído para atender a despesas extraordinárias em casos de guerra externa ou
sua iminência, ou ainda em casos de calamidade pública, é exceção à anterioridade anual e à
anterioridade nonagesimal (art. 150, § 1º, da CF), podendo ser exigido de imediato.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
30
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

Por sua vez, os empréstimos compulsórios, destinados ao investimento público de caráter


urgente e de relevante interesse nacional, devem observar a anterioridade anual (art. 150, III, b,
da CF).

É de suma importância ressaltar que os empréstimos compulsórios somente podem ser


instituídos nas hipóteses previstas na Constituição Federal, e que esta não prevê a sua instituição
para a absorção temporária de poder aquisitivo11. Dessa forma o inciso III do art. 15 do CTN, ao
trazer essa possibilidade, não foi recepcionado pela Constituição atual.

A exigência de lei complementar para a instituição dos empréstimos compulsórios, prevista na


própria Constituição Federal (art. 148, caput), veda, mesmo em caso de relevância e urgência, a
utilização de medidas provisórias para essa finalidade (art. 62, § 1º, III, da CF).

Os empréstimos compulsórios são tributos de arrecadação vinculada, visto que o parágrafo único
do art. 148 da CF determina que os recursos provenientes da sua arrecadação sejam vinculados
às despesas que fundamentaram sua instituição. Porém, dependendo do fato gerador escolhido
pelo legislador, o tributo poderá ter características similares a impostos ou taxas.

O prazo do empréstimo e as condições de seu resgate devem ser fixados pela lei que instituir o
empréstimo compulsório (art. 15, parágrafo único, do CTN).

Por fim, o STF possui entendimento no sentido de que a restituição deve ser efetuada na mesma
espécie do que foi recolhido, ou seja, em moeda.12

IMPORTANTE: Empréstimos compulsórios não podem ser instituídos por lei ordinária
ou medida provisória! Não existe exceção!

11
Pegadinha constante em provas.

12
RE 175.385/CE

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
31
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

CONTRIBUIÇÕES ESPECIAIS

São tributos, em regra, de competência exclusiva da União que possuem como principal
característica a finalidade para a qual são criadas, ou seja, trata-se de um tributo vinculado.

Todavia, há uma exceção disposta no §1º, do art. 149 da CF/88, qual seja, a contribuição
instituída para financiamento do regime próprio de previdência dos servidores públicos dos
demais entes federados.

IMPORTANTE: As alíquotas da contribuição instituída pelos Estados, DF e Municípios


não podem ser inferior à da União, mas podem ser igual ou superior!13

Com objetivo de sistematizar as espécies de contribuições e o Ente responsável por sua


instituição, segue tabela:

ESPÉCIES DE CONTRIBUIÇÃO COMPETÊNCIA PARA INSTITUIR

Contribuição Social União (​Exceção: todos os demais


entes podem instituir contribuição
previdenciária a ser cobrada de
seus servidores)

Contribuição de Intervenção no Domínio Somente a União


Econômico - CIDE

Contribuição de Interesse das Categorias Somente a União


Profissionais.

Contribuição para Custeio do Serviço de Somente Distrito Federal e Municípios.


Iluminação Pública.14

13
§1º do art. 169, da CF/88.

14
Despenca em prova da OAB!

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
32
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

Outro ponto que merece atenção é que o seu § 2º, do art. 149, da CF/88 afirma que tanto as
contribuições sociais como as CIDE’s deverão ter as seguintes características:

● Não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação;


● Incidirão também sobre a importação de produtos estrangeiros ou serviços;
● Poderão ter alíquotas ​ad valorem​ ou específica15

Ademais, no caso da incidência das referidas contribuições sobre as operações de importação, o


§3º, do art. 149 da CF/88 permitiu equiparar a pessoa natural destinatária a pessoa jurídica, na
forma da lei.

Por fim, o §4º, do art. 149, da CF/88 permite a possibilidade de incidência monofásica de tais
contribuições.

ESPÉCIES DE CONTRIBUIÇÕES

1. Contribuições Sociais

Se subdivide em contribuições de seguridade social, outras contribuições sociais e contribuições

sociais gerais.

● Contribuições da seguridade social

Têm por objetivo carrear recursos para a seguridade social, obviamente. A seguridade social
compreende a saúde, a assistência social e a previdência social.

Tais contribuições poderão incidir sobre várias bases econômicas, segue tabela com as
principais:

15
Saber os tipos de alíquotas é suficiente para OAB, todavia, a título de curiosidade segue esclarecimentos: As
alíquotas ad valorem são aquelas em que se aplica um percentual sobre o valor a ser tributado (por exemplo, 05%
sobre R$ 100,00). Já as alíquotas específicas são diferentes e menos usuais. Elas tomam por base a unidade de
medida adotada. Por exemplo, R$ 18,00 de tributo a cada caixa de sapato .

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
33
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

BASE ECONÔMICA CONTRIBUIÇÃO INSTITUÍDA

Receita ou Faturamento COFINS (LC 70/91)

Lucro CSLL (Lei 7.689/88)

Importação de bens ou serviços do exterior PIS/PASEP-Importação e COFINS-Importação


(Lei 10.865/2004)
De acordo com o STF, o PIS/PASEP trata-se, na verdade, de um bis in idem permitido pela
CF/88.

● Outras contribuições sociais

Trata-se de um hipótese de competência residual da União uma vez que essa poderá criar uma
nova contribuição social desde que respeite as seguintes regras previstas no inciso I, do art. 154,
da CF/88:

● Devem ser instituídas por lei complementar;

● Devem ser não cumulativas;

● Não podem ter base de cálculo ou fato gerador próprios de outras contribuições já
existentes.

A doutrina intitula “nominadas” as contribuições já previstas na CF e “inominadas” aquelas que


chamamos de residuais. Da mesma forma, os impostos residuais também são conhecidos por
impostos inominados.

ATENÇÃO: O entendimento do STF é de que os Impostos Residuais devem ter fato


gerador e base de cálculo diferentes dos outros impostos previstos na lei, e não das
contribuições sociais. O mesmo se aplica às contribuições sociais residuais, ou seja,
elas podem ter fato gerador e base de cálculo próprios de outro imposto, mas não
idênticos às contribuições já existentes na CF/88 .

● Contribuições sociais gerais

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
34
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

São aquelas destinadas a custear atividades do poder público na área social, mas que não
estejam destinadas à seguridade social.

O exemplo mais conhecido são as contribuições ao Sistema “S”, previstas no art. 240 da CF/88,
que destinam-se ao custeio dos Serviços Sociais Autônomos (SESC, SENAI etc.). Estas
entidades são pessoas jurídicas de direito privado, não pertencendo à administração pública
direta ou indireta, mas realizam atividades de interesse público, e por isso podem receber
recursos públicos.

São tributos parafiscais, na medida em que os recursos são destinados a outras entidades, que

não o Estado.

2. Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE

De de competência apenas da União a CIDE é um tributo extrafiscal, na medida em que sua


principal finalidade é atuar como meio para intervenção do Estado no funcionamento da economia
e do mercado.

Ademais, as CIDE’s são tributos de arrecadação vinculada, e é o próprio destino da arrecadação


que faz com que ela intervenha na economia, ao direcionar recursos para setores específicos.

#LEMBRE: as CIDE’s não incidem sobre exportações, mas incidem sobre as importações de
produtos ou serviços estrangeiros.

A principal é a CIDE-combustíveis, que é a única CIDE cujo fato gerador e o destino da


arrecadação foram expressamente previstos no corpo da própria CF/88.

3. Contribuição para o Custeio do serviço de Iluminação Pública

É a contribuição queridinha da OAB!

O STF, através da Súmula Vinculante 41, decidiu que o serviço de iluminação pública não
poderia ser custeado por taxas, por não atender aos requisitos de especificidade e divisibilidade
exigidos tanto pela CF/88 (art. 145, II) quanto pelo CTN (art. 77).

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
35
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

Diante disso, o legislador constituinte derivado, por meio da Emenda Constitucional 39/02,
acrescentou o art. 149-A ao texto constitucional, instituindo a COSIP. Três16 são as informações
que podem ser cobradas em prova:

● A competência é restrita aos Municípios e ao DF;

● A arrecadação do tributo é vinculada ao custeio do serviço de iluminação pública;

● É facultado que a cobrança desse tributo seja feita na fatura de consumo de energia

elétrica.

A classificação da COSIP como contribuição especial não quer dizer que ela se assemelhe às
outras previstas no caput do art. 149 da CF/88.

No RE 573.675-SC, com relatoria do Min. Ricardo Lewandowski, restou consignado o seguinte


acerca dessa contribuição:

● Lei que restringe os contribuintes da COSIP aos consumidores de energia elétrica do


município não ofende o princípio da isonomia, ante a impossibilidade de se identificar e
tributar todos os beneficiários do serviço de iluminação pública.

● A progressividade da alíquota, que resulta do rateio do custo da iluminação pública entre


os consumidores de energia elétrica, não afronta o princípio da capacidade contributiva.

● Esse tributo é de caráter sui generis.17

4. Contribuições corporativas

São tributos de competência da União, classificados como parafiscais.

16
Todas as três já foram cobradas na OAB.

17
Não se confunde com um imposto, porque sua receita se destina a finalidade específica, nem com uma taxa, por
não exigir a contraprestação individualizada de um serviço ao contribuinte.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
36
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

● Contribuições para o custeio dos conselhos de fiscalização e regulamentação de


categorias profissionais .

Os Conselhos profissionais são aquelas famosas autarquias que regulamentam determinadas


categorias profissionais, como o CREA, o CRO e o CRM, por exemplo .

ATENÇÃO: ​OAB não se enquadra nesse rol de entidades que cobram tributos e que
são autarquia18. Além disso, o STF também já definiu que a OAB não pode ser tida
como congênere dos demais órgãos de fiscalização profissional, por não estar voltada
exclusivamente a finalidades corporativas.

ATENÇÃO: As contribuições cobradas pela OAB não são consideradas tributos. No entanto, as
anuidades cobradas pelos demais conselhos de fiscalização profissional são consideradas
tributos.

Sendo tributos, em caso de inadimplemento das contribuições cobradas pelos Conselhos


Profissionais, tal débito deve ser inscrito em dívida ativa e depois deve ser promovida a
competente ação de execução fiscal, regida pela Lei nº 6.830/80, para cobrança.19

IMPORTANTE:

● A Teoria Pentapartite considera que são tributos os impostos, as taxas, as contribuições


de melhoria, os empréstimos compulsórios e as contribuições. Essa é a Teoria adotada
pela CF/88.20

● Já a Teoria Tripartite ou Teoria Trinária considera tributos apenas os impostos, taxas e


empréstimos compulsórios. Essa é a Teoria adotada pelo CTN e pela Lei de Execução
Fiscal (Lei 6.830/80).

18
De acordo com o STJ (REsp 1066288/PR).

19
Esse conhecimento foi cobrado no XXVIII Exame da Ordem.

20
A FGV no XXVIII Exame da Ordem adotou essa corrente e afirmou que as contribuições para os conselhos de
classe serial consideradas dívida ativa tributária.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
37
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

● O STF decidiu no RE 539.224/CE que os Conselhos Profissionais possuem natureza


jurídica de autarquias federais.

● A Súmula nº 66 do STJ prevê que compete a Justiça Federal processar e julgar execução
fiscal promovida por Conselho de fiscalização profissional.

● O STF decidiu na ADIN - Ação Direta de Inconstitucionalidade - nº 3.026/DF​, que a OAB é


uma exceção, configurando como entidade "ímpar", "sui generis", sendo um serviço público
independente, sem enquadramento nas categorias existentes em nosso ordenamento,
muito menos integrante da Administração Indireta ou Descentralizada.

● O STF decidiu no RE 938837/SP (com repercussão geral) que o regime dos precatórios
para pagamentos de dívidas decorrentes de decisão judicial não se aplica aos conselhos
de fiscalização profissional.

● O art. 8º da Lei nº 12.514/11 estatui que os Conselhos Profissionais só podem executar


judicialmente dívidas referentes a anuidades iguais ou superiores a 4 (quatro) vezes o
valor cobrado anualmente da pessoa física ou jurídica inadimplente, tendo o STJ decidido
no REsp 1524930/RS​, que o prazo prescricional para cobrança só se inicia quando se
atinge esse quantitativo de atrasos (quatro).

5. Contribuição sindical* (não é considerada tributo após a Refodcrma Trabalhista)

Existem dois tipos de contribuição sindical:

a) Contribuição confederativa:

Cobrada apenas daqueles que se filiaram a essas entidades representativas. Por essa razão, não
há que se falar em compulsoriedade e, consequentemente, em natureza tributária.

O STF possui a seguinte súmula acerca do tema:

Súmula Vinculante 40 - A contribuição confederativa de que trata o art. 8º, IV, da Constituição
Federal, só é exigível dos filiados ao sindicato respectivo.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
38
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

b) Contribuição sindical:

Era considerada tributo até a Reforma Trabalhista, Lei nº 13.467/2017, que pôs fim à
compulsoriedade da referida contribuição, alterando a redação dos arts. 578 e 579, da CLT

Em junho de 2018, o STF, por 6 votos a 3, julgou que o fim da obrigatoriedade da contribuição
sindical é constitucional. De acordo com o STF, não se pode admitir que a contribuição sindical
seja imposta a trabalhadores e empregadores quando a Constituição determina que ninguém é
obrigado a se filiar ou a se manter filiado a uma entidade sindical.

Conclusão: não há que se falar em contribuição sindical como tendo natureza tributária a partir da
Lei 13.467/2017, pois a compulsoriedade não está mais presente nesta prestação pecuniária, não
mais se adequando à definição de tributo.

8. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS


O poder de tributar do Estado surge da soberania do governo. Todavia, tal poder não é ilimitado,
na medida em que a CF/88 entre seus arts. 152 a 154 impõe limitações ao poder de tributar, por
meio de princípios e de imunidades tributárias que disciplinam o exercício da competência para
instituir e modificar tributos.

O candidato deve se atentar que cabe à lei complementar regular as limitações constitucionais ao
poder de tributar, conforme prevê o art. 146, II, CF/88.

Ademais, importante relembrar que o legislador constituinte determinou no art. 60, § 4°, IV, da
CF/88 que os direitos e garantias individuais não podem ser abolidos por emendas
constitucionais .

Acerca dessa garantia, o Supremo Tribunal Federal já manifestou considerar como cláusulas
pétreas:

● Princípio da anterioridade (previsto no art. 150, III, b, da CF/88);


● Princípio da imunidade tributária recíproca (previsto no art. 150, VI, a, da CF/88);
● Princípio da anterioridade nonagesimal (previsto no art. 195, § 6°, da CF/88)
● Imunidade dos templos de qualquer culto (prevista no art, 150, VI, b, da CF/88);

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
39
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

● Imunidade do patrimônio, renda e serviços dos partidos políticos, entidades sindicais e


instituições de educação e assistência social sem fins lucrativos (prevista no art, 150, VI, c,
da CF/88);
● Imunidade dos livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão (prevista no
art. 150, VI, d, da CF/88)

Feita essa breve introdução, passa-se a análise dos princípios constitucionais.

PRINCÍPIO LEGALIDADE ESTRITA

Este princípio pode ser encontrado no art. 5º, inciso II, da Constituição. Todavia, no âmbito do
Direito Tributário ele é reforçado pela inteligência do artigo 150, inciso I, da CF/88.

Como o tributo é uma prestação pecuniária compulsória (é uma obrigação, portanto), deve ser
instituído em lei, como decorre do seu próprio conceito, estampado no art. 3° do CTN.

Da mesma forma, a multa tributária, apesar de distanciar-se do conceito de tributo, devem ser
instituídas em lei, pois elas são prestações obrigatórias, assim como aqueles.

Alguns doutrinadores o denominam como princípio da reserva legal.

O desdobramento do princípio da legalidade tributária, portanto, é a reserva absoluta da previsão


legal para sua existência.

O art. 97 do CTN ressalta que a instituição/extinção e a majoração/redução de tributos também


será realizada somente por lei.

Do mesmo modo, embora haja algumas exceções (exceções ao princípio da legalidade), somente
as leis podem majorar ou reduzir os tributos.

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é


vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

I - exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
40
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

Aliás, a leitura do artigo 150 é altamente recomendada, uma vez que traz o regramento sobre os
limites do poder de tributar.

No que se refere à definição do fato gerador, a fixação da alíquota e a base de cálculo dos
tributos, o CTN também determinou a necessidade de estarem previstos em lei. Trata-se de
elementos que são previstos na própria lei instituidora do tributo, ou em alguma lei que venha
alterá-lo.

IMPORTANTE: o Chefe do Executivo (o Presidente da República) pode criar leis


delegadas, inclusive sobre matéria tributária, pois tal assunto não foi proibido no § 1°
do art. 68 da CF/88, o qual elenca as restrições de tais normas. 21

Importante também que o candidato saiba que o STF22 já decidiu que a Medida Provisória é
instrumento idôneo para instituir e modificar tributos e contribuições sociais. Lembre ainda que é
vedado que medidas provisórias tratem de matérias que devem ser tratadas por meio de lei
complementar23.

Lei Complementar ou Lei Ordinária?

Em regra os tributos são instituídos, majorados, reduzidos, extintos através de lei ordinária do
ente respectivo. Ou seja, a lei ordinária é o instrumento próprio por excelência para estas
finalidades.

No entanto, alguns tributos somente podem ser instituídos através de Lei Complementar, que
possui um processo diferente de aprovação (maioria absoluta dos membros do Congresso
Nacional) e outras características próprias. Neste sentido, também é possível afirmar que se o

21
Geralmente isso não ocorre de forma prática na medida em que é muito mais corriqueiro que o Chefe do Executivo
edite medida provisória, prevista no art. 62 da CF/88.

22
STF, AI 236.976/MG-AgR, Segunda Turma, Rel. Min. Néri da Silva .

23
art. 62, 1°, inciso III , da CF/88.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
41
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

Constituição Federal estabelece que a matéria é reservada à Lei Complementar,


consequentemente não poderá ser tratada por medida provisória (art. 62, §1º da CF). Valendo
este mesmo raciocínio às Leis Delegadas (art. 68 da CF).

Matéria reservada à Lei Complementar:

A matéria reservada à Lei Ordinária poderá ser tratada por Lei Complementar, mas o inverso não
é verdadeiro.

EXCEÇÕES AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE ESTRITA

Alteração de Alíquotas

O Art. 150, I da CF/88 estabelece a edição de lei para criação e majoração de tributos. Todavia,
dependendo dos critérios econômicos para a manutenção da estabilidade econômica do mercado
e a urgência da medida a ser tomada, permite-se a alteração das alíquotas do imposto.

No texto constitucional inicial, foram previstas quatro exceções ao princípio da legalidade, no que
se refere à alteração unicamente de alíquotas dentro dos limites legais, quais sejam:

• Imposto de Importação (II);

• Imposto de Exportação (IE);

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
42
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

• Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI);

• Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

ATENÇÃO: Atente-se que a CF/88 fala apenas em alíquotas, ou seja, em caso de


alteração de base de cálculo deve ser observada a reserva legal.

Observe que as exceções ocorrem nos impostos extrafiscais, ou seja, cuja finalidade principal
não é arrecadar, mas, sim, regular a economia.

Além dessas exceções ao princípio da legalidade, duas outras surgiram com a Emenda
Constitucional 33/2001, tratando sobre a tributação de combustíveis:

1. CIDE-Combustíveis, podendo sua a alíquota ser reduzida e restabelecida por ato do Poder
Executivo, conforme prevê o art. 177, § 4°, I, b, da CF/88

2. ICMS-Combustíveis, as alíquotas serão fixadas mediante deliberação dos Estados e do


DF, por meio de convênios interestaduais, conforme dispõe o art. 155, § 4°, IV, da CF/88.24

IMPORTANTE: ​Não caia em “pegadinhas”, afirmando que as alíquotas do ICMS


podem ser fixadas por decreto estadual. Não existe essa possibilidade!

Por fim, o examinando deve saber que a atualização do valor monetário da base de
cálculo do tributo e a fixação ou alteração do prazo25 para da exação tributária não obedecem ao
princípio da legalidade.

CUIDADO: Não poderá ser utilizada a taxa Selic para essa atualização, uma vez
nesse índice não há só a correção monetária, mas também os juros moratórios.

24
Atualmente tal fixação é​ realizada no âmbito do Conselho de Política Fazendária (CONFAZ).
25
STF, Primeira Turma, RE 195.218/MG, Rel. Min. Ilmar Galvão.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
43
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

Sobre o tema a Súmula nº 160 do STJ dispõe: É defeso, ao Município, atualizar o IPTU, mediante
decreto, em percentual superior ao índice oficial de correção monetária.

Já quanto às taxas, o STF possui entendimento de que Administração, por esta exercer
diretamente a atividade ensejadora da taxa, tem maiores condições de estipular o custo dessa
atividade e, por conseguinte, definir o valor da taxa a ser cobrada em cada caso . Todavia, deve
existir uma lei fixando o limite máximo que poderá ser cobrado.

Medidas Provisórias

Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas
provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso
Nacional.

Limitação materiais​: O rol de matérias que não estão sujeitas a medida provisória pode ser
encontrado no artigo 62. §1º da CF. Dentre elas, as matérias reservadas à lei complementar.

Reedição de Medidas Provisórias​: Uma única reedição com prazo de 60 dias.

Votação nas 02 (duas) Casas Legislativas (Câmara e Senado)​: Com 45 dias, a Medida Provisória
tranca a pauta da casa em que estiver tramitando, forçando, assim, a casa legislativa a apreciá-la
(art. 62, §4º da CF).

Princípio da Anterioridade (Art. 62, § 2º da CF)​: Medida provisória que implique instituição ou
majoração de impostos, exceto os previstos nos arts. 153, I, II, IV, V, e 154, II, só produzirá
efeitos no exercício financeiro seguinte se houver sido convertida em lei até o último dia daquele
em que foi editada.

As exceções também são estendidas as seguintes hipóteses:

I) Imposto Residual da União instituído por força de guerra externa ou de sua iminência
(Imposto Extraordinário de Guerra - IEG), explicitado no art. 154, II, CF/88;
II) Empréstimos Compulsórios decorrentes de guerra externa, de sua impedância ou
calamidade pública (art. 148, I), repisando, entretanto, que tal ressalva não se estende
ao caso da citada exação para fins de investimento público de caráter urgente e de
relevante interesse nacional (art. 148, II), sendo imperioso, nesta segunda situação, a
observância do Princípio da Anterioridade, sob pena de inconstitucionalidade; e

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
44
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

III) Por força da edição da EC 33/2001, que veio acrescentar o § 4º ao art. 155 da CF, as
alíquotas de ICMS de tributação monofásica sobre combustíveis e lubrificantes, prevista
em lei complementar, serão objeto de definição por deliberação dos Estados e do DF,
podendo ser diminuídas ou mesmo restabelecidas sem a observância do Princípio da
Anterioridade (tese acolhida pelo STF). A mesma regra se estende ao caso disposto no
art. 177, § 4º, também da Constituição vigente, vez que a alíquota da CIDE na
importação ou comercialização do petróleo e de seus derivados, gás natural e seus
derivados e álcool combustível pode também ser reduzida ou restabelecida por simples
ato do Poder Executivo, sem o requisito elencado no art. 150, III, “b”.
(Eduardo Sabbag)

Em caso de rejeição de uma medida provisória, ​ocorrerá o efeito repristinatório, ou seja, voltará a
alíquota anteriormente prevista. Há exceção nos casos de Isenção ou Redução de Alíquota,
quando não haverá a incidência do princípio da anterioridade, valendo seus efeitos desde a
edição da Medida Provisória.

PRINCÍPIO DA ISONOMIA.

Tal princípio é destinado tanto ao legislador quanto aos executores da lei (Executivo e Judiciário).

2.1 Princípio da Capacidade contributiva.

Previsto no foi previsto na CF/88 no art. 145 § 1°:

145, § 1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão


graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à
administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses
objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o
patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte.

Esse princípio tem por objetivo garantir a equidade na tributação, que se subdivide em:

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
45
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

● Equidade Vertical: contribuintes que possuem capacidade contributiva diferente, devem


contribuir de forma desigual.

● Equidade Horizontal: contribuintes que possuem igual capacidade contributiva, devem ser
tributados de maneira igual.

Isso garante, por exemplo, que se A e B possuem a mesma renda e um deles possui mais
dependentes que o outro, seja tratado de forma diferente. Valendo, neste caso, a aplicação do
conceito de igualdade material. Ou seja, o legislador levará em conta as condições pessoais do
contribuinte individualmente.

E o legislador também teve o cuidado de especificar os impostos, pois neles não há fato gerador
vinculado (hipótese em que há contraprestação direta do Estado) a atividade estatal.

O que não significa dizer, todavia, que esta variabilidade não se aplique a outros tributos, como,
por exemplo, as taxas judiciais que podem ser isentas para pessoas de baixa renda. Ou seja, a
utilização negativa deste princípio é também possível para tributos vinculados, concedendo,
portanto, isenções para as Taxas e Contribuições de Melhoria para quem não pode arcar com
estes custos.

IMPORTANTE: Quanto ao sigilo bancário, o STF entende que as autoridades fiscais


podem requisitar aos bancos as informações financeiras dos contribuintes, sem prévia
autorização judicial, uma vez que se trataria de mera transferência de sigilo.

Principais julgados.

● Fere o princípio da isonomia a discriminação com base na função ou ocupação exercida


(STF, AI 157.871-AgR) .

● É inconstitucional lei complementar estadual que isenta os membros do Ministério Público


do pagamento de custas judiciais, notariais, cartorárias e quaisquer taxas ou emolumentos
(ADI 3.260).

● Não fere o princípio da isonomia o tratamento desigual a microempresas (ME) e empresas


de pequeno porte (EPP) cujos sócios têm condição de disputar o mercado de trabalho sem

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
46
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

assistência do Estado (ADI 1.643, Rel. Min. Maurício Corrêa, julgamento em 5- 12-2002,
Plenário, DJ de 14-3-2003.).26

● Não fere o princípio da isonomia a sobrecarga imposta aos bancos comerciais e às


entidades financeiras, no que se refere à contribuição previdenciária sobre a folha de
salários. (AC 1.109-MC, Rel. p/ o ac. Min. Ayres Britto, julgamento em 31-5-2007, Plenário,
DJ de 9-10-2007.)

● Não fere o princípio da isonomia quando a lei estimula a contratação de empregados com
determinadas características (por exemplo, pessoa com deficiência), por meio de
incentivos fiscais (ADI 1.276, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 28-8-2002.).

● Não afronta o princípio da isonomia norma que proíbe a adoção do regime de admissão
temporária para as operações de importação amparadas por arrendamento mercantil. (RE
429.306/PR, Rel. Min. Joaquim Barbosa, Segunda Turma, DJe 16/3/11).

● Não afronta o princípio da isonomia a vedação de importação de automóveis usados, sob a


alegação de a União estar atuando contra as pessoas de menor capacidade econômica
(STF, RE 312.511, rel. min. Moreira Alves, Primeira Turma, DJ de 28.06.2002).

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE

É também conhecido como princípio da não surpresa.

O objetivo desse princípio é proteger o contribuinte contra alterações repentinas que possam
trazer prejuízos inesperados ao seu patrimônio, é um dos expoentes da segurança jurídica.

26
Com base na norma constitucional, a Lei Complementar 123/2006 instituiu o Sistema Integrado de Pagamento de
Impostos e Contribuições das microempresas e empresas de pequeno porte (SIMPLES), conferindo tratamento
diferenciado, simplificado e favorecido às ME e EPP. Atualmente, os profissionais liberais também podem optar pelo
SIMPLES nacional.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
47
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

Princípio da Anterioridade é subdivido em:

● - Anual – Art. 150, III, “b” da CF/88

● - Nonagesimal – Art. 195, § 6º da CF/88

1. Anterioridade anual

Pode ser chamado também de: anterioridade anual, de exercício, geral ou, ainda, anterioridade
comum.

O referido princípio está contido na norma constitucional do art. 150, inciso III, letra b, da
Constituição, que veda a qualquer dos entes federativos (União, Estados, DF e Municípios) cobrar
tributos “no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou
aumentou”. Desta forma, preserva-se a segurança jurídica do contribuinte sobre eventuais
alterações tributárias, proporcionando um período para que ele se prepare para o que está por vir.

O ‘Ano fiscal’ coincide com o ‘Ano civil’, sendo, portanto, a cobrança de tributos apenas no outro
ano que se deu a instituição daquele.

Exemplo:

Imagine que uma lei majoradora de determinado tributo seja publicada em 20/02/X1. Esta lei
somente produzirá efeitos no primeiro dia do ano seguinte àquele em que foi publicada:

A alteração da data de cobrança não se sujeita ao princípio da anterioridade,é o que dispõe a SV


nº 50: Norma legal que altera o prazo de recolhimento de obrigação tributária não se sujeita ao
princípio da anterioridade. O mesmo vale para atualização monetária27.

27
RE-AgR 200.844/PR.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
48
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

Atualmente, o STF entende que a redução de benefício fiscal caracteriza aumento indireto de
tributo, atraindo a aplicação do princípio da anterioridade anual e nonagesimal, sendo que esta
será estudada adiante. Ademais, entende a Corte que o prévio conhecimento da carga tributária
tem como base a segurança jurídica e, como conteúdo, a garantia da certeza do direito.

● Exceções ao princípio da anterioridade anual:

2. Anterioridade nonagesimal

Também é conhecido como: anterioridade nonagesimal, privilegiada, qualificada ou até mesmo


mitigada.

De acordo com esse princípio, deve ser observado o prazo de 90 dias para o início da aplicação
do tributo28.

De início era previsto apenas para às contribuições sociais previstas no art. 195, §6º da CF/88.

28
Não caia em pegadinhas afirmando que deve ser observado o período de 03 meses, são 90 dias!

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
49
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

Todavia, com a Emenda Constitucional 42/2003, ampliou-se o rol de tributos que estariam
sujeitos ao princípio da noventena.

Portanto, agora a regra é a aplicação desse princípio, ficando excetuadas apenas as hipóteses
previstas no art. 150, § 1°, da CF/88.

Via de regra, o princípio da anterioridade nonagesimal deve ser aplicado juntamente com o
princípio da anterioridade anual. A partir da publicação da lei, devem ser observados esses dois
princípios, prevalecendo aquele que tiver o prazo mais longo.

Segue exemplo: imagine aquela lei, do nosso exemplo anterior, majorando o tributo e sendo
publicada em 20/02/X1. Esta lei somente produzirá efeitos no primeiro dia do ano seguinte àquele
em que foi publicada, do mesmo modo, visto que o prazo de 90 dias a ser contado a partir da
data da publicação da lei certamente faria com que a norma produzisse efeitos ainda no ano X1.
Porém, em observância ao princípio da anterioridade anual, a produção de efeitos deve ser
postergada para, no mínimo, até 01/01/X2.

IMPORTANTE: o STF29 entende que a simples prorrogação de alíquota já aplicada anteriormente


não está sujeita ao prazo nonagesimal, tendo em vista que não há nenhuma surpresa para o
contribuinte.

● Exceções ao princípio da anterioridade nonagesimal:

29
​(RE 584.100)

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
50
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

Com objetivo de facilitar a assimilação das exceções a esses dois princípios segue imagem
esclarecedora:

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
51
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA

O referido princípio encontra suporte no art. 150, inciso III, letra “a”, da CF/88.

O princípio da irretroatividade tributária, também conhecido apenas como irretroatividade, é o


princípio de Direito Tributário que estabelece que não haverá cobrança de tributo sobre fatos que
aconteceram antes da entrada em vigor da lei que o instituiu

Não há exceções ao princípio da irretroatividade na CF/88. Contudo, o CTN previu situações em


que a norma pode retroagir, desde que seja expressamente interpretativa ou, tratando de
infração, que venha a beneficiar os infratores30.

PRINCÍPIO DA TIPOLOGIA TRIBUTÁRIA

Este princípio determina que o legislador deve, ao formular a lei, definir, de modo taxativo e
completo, elencar as situações (tipo) tributáveis, bem como os critérios de quantificação (medida)
do tributo.

Quanto ao aplicador da lei veda-se a interpretação extensiva e a analogia, incompatíveis com a


taxatividade e determinação dos tipos tributários.

PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO

A previsão deste princípio está no art. 150, IV da CF.

De acordo com ele, os tributos não podem ser tão elevados a ponto de inviabilizar o direito de
propriedade. Em que pese não haja um conceito objetivo para determinar se um tributo tem ou
não este caráter confiscatório, o STF entende que para a caracterização do efeito confiscatório
deve ser obtida analisando a totalidade de tributos a que um contribuinte está submetido, dentro
de determinado período, em relação à mesma pessoa política, ou seja, se o objetivo é descobrir

30
Esse tema já fora tratado no tópico legislação tributária.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
52
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

se determinado imposto estadual está sendo utilizado com efeito de confisco, há que se verificar
todo o ônus tributário com que certo contribuinte arca em relação ao Estado.

RESUMINDO:

Princípio do não confisco: Totalidade da carga tributária + Mesma pessoa política (a União, por
exemplo) .

Já quanto às taxas, para o STF31, a análise a ser feita é entre a relação do custo do serviço
prestado ao contribuinte e o que foi efetivamente cobrado dele.

#SELIGA:

● As multas tributárias também estão sujeitas ao princípio do não confisco (tanto moratórias
como punitivas) .32

● A aplicação do princípio do não confisco deve ser atenuada, quando se trata de tributos
extrafiscais. Tais tributos são utilizados como forma de controle e, por isso mesmo, a
doutrina e a jurisprudência aceitam que se estipulem alíquotas elevadas nesses tributos.

Exemplo: as alíquotas do IPI em relação aos cigarros, por exemplo, chegam a 300%, com
objetivo de evitar que pessoas consumam esse produto.

Tal princípio atua em conjunto com o princípio da capacidade contributiva, que também visa a
preservação da capacidade econômica do indivíduo.

PRINCÍPIO DA SELETIVIDADE

A expressão “Sempre que possível” trazida pelo artigo 145, §1º da CF, desonera o legislador de
usar esta diferenciação entre os contribuintes em todas as hipóteses de tributo, uma vez que isso
nem sempre é possível. Por exemplo, impostos embutidos no preço dos produtos.

31
ADI-MC-QO 2.551/MG.

32
Esse é o entendimento adotado pelo STF (ADI 551/RJ)

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
53
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

Para resolver esta questão, a tributação dos produtos (ICMS e IPI) leva em conta a
essencialidade da coisa, dando origem ao Princípio da Seletividade. Quanto mais supérfluo for o
bem, maior será a sua tributação.

PRINCÍPIO DA VINCULABILIDADE DA TRIBUTAÇÃO

Este princípio determina que o fisco não pode decidir pela tributação sem suporte legal, mesmo
que seja para beneficiar algum tipo de contribuinte.

PRINCÍPIO DA UNIFORMIDADE GEOGRÁFICA

Este princípio encontra base legal no art. 151, inciso I da CF/88.

Este princípio proíbe que a União institua tributo de forma não uniforme em todo o país, ou dê
preferência a Estado, Município ou ao Distrito Federal em detrimento de outro ente federativo.

Contudo, é permitida a concessão de incentivos fiscais para promover o desenvolvimento


socioeconômico de determinadas regiões do país. Tal permissão Visa promover o equilíbrio
socioeconômico entre as regiões brasileiras. Exemplo tradicionalmente citado é a Zona Franca de
Manaus.

PRINCÍPIO DA NÃO DISCRIMINAÇÃO TRIBUTÁRIA EM RAZÃO DA PROCEDÊNCIA OU


DESTINO DOS BENS

As pessoas tributantes estão impedidas de graduar seus tributos, levando em conta a região de
origem dos bens ou o local para onde se destinam.

#SELIGA: Aplica-se tanto aos produtos vindos do exterior, quanto aos que circulam entre
diferentes estados e municípios.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
54
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

PRINCÍPIO DA TERRITORIALIDADE DA TRIBUTAÇÃO

Este princípio determina que o poder vinculante de uma lei provocará efeitos jurídicos até os
limites geográficos do ente político que lhe deu origem.

PRINCÍPIO DA TRANSPARÊNCIA DOS IMPOSTOS

Este princípio encontra suporte no artigo 150, §5º da CF.

Através deste princípio há obrigação de esclarecimento dos impostos que incidam sobre as
utilidades. Ele está relacionado com o princípio básico das relações de consumo que é o princípio
da informação e/ou transparência.

PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE

A não cumulatividade é aplicada ao:

● IPI (art. 153, § 3º, II, da CF);


● ICMS (art. 155, § 2º, I, da CF);
● Impostos residuais da União (art. 154, I, da CF);
● Contribuições residuais destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade
social (art. 195, § 4º, da CF).

Os tributos incidem muitas vezes em mais de uma fase da cadeia produtiva, por essa razão são
cumulativos quando o valor já pago não for descontado na fase atual; ou não cumulativos,
quando existir a compensação dos valores.

9. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA
Derivado do conceito de obrigação estudado em direito civil, a obrigação tributária consiste em
um plexo de direitos e deveres que interligam o contribuinte ao ente tributante.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
55
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

Trata-se de uma obrigação que decorre de lei, e não de contrato, na medida em que o seu
surgimento se dá com o evento denominado fato gerador, descrito na lei referente de cada tributo.

A obrigação tributária pode ser classificada em principal e acessória.

IMPORTANTE: Diferentemente dos conceitos oriundos do direito civil, em direito


tributário tem-se por principal a obrigação de conteúdo pecuniário (pagamento do
tributo ou da penalidade, conforme art.113, I do CTN), que, segundo a doutrina, é
uma obrigação de DAR! A outro giro, a obrigação acessória consiste em uma
obrigação de fazer ou de não fazer, caracterizada pelo cumprimento de deveres burocráticos pelo
contribuinte, no interesse da arrecadação ou da fiscalização (art.113, II do CTN).

OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA

O fato gerador da obrigação principal pode ser uma situação jurídica ou uma situação de fato.
Sua descrição deve constar na lei de forma abstrata. Frise-se que em se tratando de IMPOSTOS,
exige-se Lei Complementar para definir o fato gerador.

Para alguns doutrinadores, é irrelevante a distinção entre fato gerador e hipótese de incidência.
Contudo, doutrina mais tradicional orienta que a hipótese de incidência é a descrição abstrata do
fato tributável, enquanto o fato gerador é a ocorrência da situação descrita no mundo fenomênico,
concretamente.

Quanto à obrigação acessória, uma vez ocorrido o fato gerador, neste caso descrito em lei ou
outros atos normativos subalternos (conjunto normativo a que o CTN denomina legislação
tributária), impõe-se ao contribuinte um dever de prática de atos (deveres instrumentais) ou de
abstenção. É o que ocorre, por exemplo, com o dever de confeccionar e enviar a declaração de
imposto de renda anualmente.

Frise-se que apesar do termo “acessória”, essa obrigação independe da principal, conforme
art.194, parágrafo único do CTN. Há casos em que não se vislumbra a obrigação principal, mas
presente se faz a obrigação acessória

EXEMPLO: nos casos de isenção de IPVA, o contribuinte é dispensado de pagar o tributo –


obrigação principal - pela lei isencional, mas deve anualmente proceder ao requerimento e
comprovar o preenchimento dos requisitos para gozar de tal benefício – obrigação acessória.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
56
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

Dentro desse complexo, vislumbram–se outros elementos componentes da estrutura da


obrigação tributária, destacando-se o sujeito ativo (ente tributante) e o passivo (contribuinte).

SUJEITO ATIVO

É considerado sujeito ativo aquele que possui o direito subjetivo de exigir a prestação pecuniária
advinda da instituição de tributo. Conforme anteriormente mencionado, é permitido ao ente
federativo com competência tributária a transferência administrativa da capacidade ativa
(caracterizada pelas funções de fiscalizar e arrecadar) a outro ente ou a entidade de direito
público. Desta forma, aquele que pode exigir a prestação (capacidade tributária ativa), será o
sujeito ativo.

IMPORTANTE: ​Destaca-se que prevalece a impossibilidade de delegação a entidades de direito


privado.

O Sujeito ativo pode ser:

Sujeito ativo direto: ​Pessoa política titular da competência tributária;

Sujeito ativo indireto:​ São aqueles que detêm apenas a capacidade tributária ativa.

SUJEITO PASSIVO

Por sua vez, o sujeito passivo é considerado a pessoa, física ou jurídica, privada ou pública, que
deve efetuar o pagamento do tributo por ocasião da ocorrência do fato gerador. Figurando, por
conseguinte, no polo passivo, razão pela qual é correto afirmar que possui capacidade tributária
passiva. Vale ressaltar que o incapaz, a sociedade de fato ou pessoas que tenham limitação no
exercício das atividades civis, comerciais, não possuem impedimento para figurar como sujeitos
passivos da obrigação, ex vi do art. 126 do CTN.

IMPORTANTE: Ainda que as partes convencionem através de contrato uma obrigação com
relação aos tributos devidos, para o fisco não há efeito.

Exemplo: se um locador e locatário convencionam em contrato que o inquilino ficará responsável


pelo pagamento do IPTU, esse acordo não tem valor perante o fisco, que continuará podendo

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
57
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

demandar o proprietário do imóvel/locador. Nesse caso, o inquilino não é sujeito passivo da


obrigação. Isso, porém, não impede que após o pagamento pelo locador haja discussões entre
ele o locatário na seara cível envolvendo pedidos de ressarcimento do montante pago.

Nesse contexto, importante atentar-se ao fato de que os entes políticos da administração direta
(União, Estados, Distrito Federal e Municípios), muitas vezes são imunes a tributação, como, por
exemplo, a hipóteses do art. 150, VI, “a” da CF/88, mas podem ter de arcar com taxas e
contribuições de melhoria.

As autarquias também são imunes aos impostos (art. 150, § 2º, da CF/88), mas também devem
ser alvo de cobrança de taxas e contribuições; as empresas públicas e sociedades de economia
mista possuem capacidade tributária passiva plena (impostos, taxas e contribuições – art. 173 da
CF/88), pois não são contempladas pela Constituição como imunes.

Quanto ao sujeito passivo, também é relevante destacar a possibilidade de solidariedade entre


diferentes sujeitos no polo passivo, como se vislumbra no art. 30, VII, da Lei nº 8.112/90
(solidariedade entre o incorporador imobiliário, proprietário, construtor pelo pagamento das
contribuições previdenciárias). A outro giro, não há falar em solidariedade ativa, na medida em
que isso violaria a vedação à bitributação, explicada anteriormente (caso em que dois entres
tributam o mesmo fato).

Nesse contexto, poderá ser sujeito passivo o contribuinte (aquele que tem relação pessoal e
direta com o fato gerador), ou o responsável (que tem a obrigação veiculada por lei, apesar de
não ter relação pessoal e direta com o fato gerador).

Segue esquema para facilitar a assimilação:

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
58
e-mail: ​atendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO

Acerca desse tema é suficiente que o candidato assimile o esquema a seguir:

O STJ tem entendido que caracteriza cerceamento de defesa do sujeito passivo notificação fiscal
enviada para endereço diferente do domicílio tributário, quando este é do conhecimento do fisco.
33

33
STJ, 33.837/MG, Segunda Turma, Rel. Min. Antônio de Pádua Ribeiro.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
59
e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

10. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA

A responsabilidade tributária é uma condição imposta por lei que gera a denominada sujeição
passiva indireta. Nesse ponto, é relevante diferenciar:

O sujeito passivo direto: ​aquele que tem relação pessoal e direta com o fato gerador, também
denominado contribuinte,

O sujeito passivo indireto: o responsável eleito por lei para figurar no polo passivo da relação
jurídica em certas situações.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
60
e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

Em outros termos, há casos descritos no CTN em que o sujeito passivo não será aquela pessoa
que tem relação direta com o fato gerador (contribuinte), mas outro (responsável) que a que a lei
atribui esse papel por medida de praticabilidade tributária (visa a eficiência na arrecadação).

A responsabilidade tributária pode aparecer sob duas formas, quais sejam: por transferência ou
por substituição.

Na primeira, há previsão legal sobre a ocorrência de um fato posterior ao surgimento da


obrigação tributária que faz com que a responsabilidade se desloque do contribuinte para um
terceiro, podendo este assumir integralmente a responsabilidade ou apenas em caráter supletivo.
Na segunda hipótese, a lei determina que o responsável ocupe o lugar do contribuinte desde a
ocorrência do fato gerador, podendo a arrecadação ser deslocada para frente (momento anterior
da cadeia) ou para trás (momento posterior da cadeia produtiva) como medida de praticabilidade
tributária.

RESPONSABILIDADE POR TRANSFERÊNCIA


RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA

Nessa condição, o crédito tributário poderá ser exigido de qualquer dos devedores ou de todos
conjuntamente. O art. 124 do CTN estabelece que não há falar em possibilidade de arguir
benefício de ordem quando se a responsabilidade é solidária, podendo o Fisco exigir de qualquer
um deles a integralidade do crédito.

Imperioso que se mencione, também, o artigo 125 do CTN, que estabelece que o pagamento de
um dos coobrigados aproveita aos demais; a isenção e a remissão, se não concedidas
pessoalmente, estendem seus efeitos aos demais e, no caso de terem sido outorgadas
pessoalmente, os demais ficam obrigados solidariamente pelo saldo; e, por fim, a interrupção da
prescrição estende-se aos demais coobrigados para favorecer, ou prejudicar.

Segue esquema:

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
61
e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES

Quando se trata de sucessão é possível visualizar a hipótese ocorrida por força de atos
praticados em vida ou em decorrência da morte do sujeito passivo direto.

SUCESSÃO CAUSA MORTIS

Aberta a sucessão é necessário que os créditos tributários sejam satisfeitos, ainda que não mais
pelo sujeito passivo direto (falecido). Segundo a inteligência do artigo 131, III, do CTN, o espólio
será pessoalmente responsável pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da
sucessão. Após a realização da partilha, os herdeiros ficam responsáveis pelos tributos devidos
pelo de cujus e pelo espólio até a data da partilha limitada. Evidentemente, nesse caso o valor
devido encontra limite no montante do quinhão, legado ou meação recebido.

Segue tabela sintetizando:

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
62
e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

SUCESSÃO INTER VIVOS

A transferência da responsabilidade de sujeito passivo é prevista no ordenamento tributário e


também poderá ocorrer por atos praticados em vida.

1ª Hipótese – aquisição de bens imóveis (art. 130 do CTN) Quando há aquisição de um bem
imóvel, a regra que prevalece é a de que os créditos tributários se sub-rogam na pessoa do
adquirente do bem imóvel. Isso quer dizer que o adquirente será responsável pelo pagamento
dos tributos relativos ao imóvel adquirido, a exemplo do IPTU. Há, porém, duas exceções:

● responderá o adquirente pelos débitos pertinentes ao imóvel, a menos que no título de


transferência haja certidão de quitação dos tributos (Certidão Negativa de Débito); ou,
● caso o bem imóvel tenha sido adquirido em hasta pública (leilão).

2ª Hipótese – aquisição de bens móveis (art. 131, I, do CTN) Com relação à aquisição de bens
móveis, a regra que prevalece é a prevista pelo art. 131, I, do CTN, que estabelece que o
adquirente ou remitente ficam responsáveis pelos débitos anteriores à aquisição do bem.

3ª Hipótese –​ aquisição de estabelecimento comercial ou fundo de comércio (art. 133 do CTN).

Esse caso é um pouco mais complexo. Desta forma, se a pessoa que adquirir de outra, por
qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional e
continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
63
e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

individual, responderá pelos tributos. Contudo, a depender da postura adotada pelo alienante, a
responsabilidade do adquirente poderá ser integral ou subsidiária, senão vejamos:

● Situação 1 (Art.133, I do CTN): se alienante cessa a exploração do comércio, indústria ou


atividade, a responsabilidade do adquirente será integral.
● Situação 2 (Art. 133, II do CTN): se o alienante prosseguir na exploração daquela ou, se
dentro de 6 (seis) meses iniciar nova atividade, seja no mesmo ramo ou em outro, de
comércio, indústria ou profissão, a responsabilidade do alienante será subsidiária.
● Situação 3 (§2º do art.133, do CTN): ​se o aquisição do fundo de comércio ocorreu em
processo de falência, ou se foi adquirida unidade produtiva isolada em processo de
recuperação judicial, não haverá responsabilidade do adquirente.

Na situação 3, há casos em que, mesmo tendo a aquisição ocorrido em processo de falência ou


recuperação judicial, haverá responsabilidade do adquirente nos moldes do §1º do art.133. Isso
acontece quando o adquirente for:

a. Sócio da falida, da recuperanda ou de empresa por essas controlada.


b. Parente em linha reta ou colateral até o 4º grau (ATENÇÃO!!! 4º GRAU), consanguíneo ou
afim, do devedor falido ou em recuperação, ou de qualquer dos seus sócios,
c. Identificado como agente do falido ou do devedor em recuperação judicial com o objetivo
de fraudar a sucessão tributária.

Adquirente de Fundo de Comércio ou Estabelecimento

Se continuar a exploração

Torna-se Responsável

Subsidiariamente Integralmente

Se o alienante continuar atividade comercial; Se o alienante cessar exploração comercial


ou iniciar nova atividade dentro dos próximos
6 meses

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
64
e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

4ª Hipótese - ​Prevê o art. 132 do CTN que a pessoa jurídica de direito privado que resultar de
fusão, transformação, incorporação é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas
fusionadas, incorporadas, transformadas.

Conceituando:

Fusão: ​operação em que duas empresas se unem para formar uma só. As empresas fusionadas
deixam de existir, surgindo uma nova, que será a sucessora.

Incorporação: ​operação em que uma (ou mais do que uma) sociedade é absorvida por outra. A
empresa incorporada deixa de existir.

Transformação: ​operação em que a sociedade muda de forma (de Ltda. para S.A., por exemplo).

Cisão: a cisão pode ser total ou parcial. Na cisão total, uma empresa transfere todo o seu
patrimônio para outra, deixando de existir. Na cisão parcial, a empresa transfere parcela do seu
patrimônio para uma (ou mais de uma) empresa, continuando a existir.

RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS

O art.134 e 135 do CTN apresentam situações em que terceiros, por força de lei, serão
responsáveis pelos débitos dos contribuintes.

No primeiro dispositivo (art.134 do CTN), tem-se a chamada “responsabilidade de terceiros por


atuação regular”. Trata-se de hipótese na qual não ficou caracterizado excesso de poder,
tampouco infração à lei ou contrato social, mas mera inadimplência do contribuinte associada à
impossibilidade de cumprimento da obrigação principal ou simples omissão desse dever. Nesse
caso, embora o “caput” do dispositivo informe ser a responsabilidade do terceiro solidária, a um
só tempo prevê o benefício de ordem (pois somente atribui essa responsabilidade quando
impossível o cumprimento pelo contribuinte). Com isso, doutrina e jurisprudência entendem que
ao se ler “solidariamente”, deve-se interpretar “subsidiariamente”.

ATENÇÃO: ​Se a questão mencionar a responsabilidade do terceiro no caso art.134


do CTN, segundo a literalidade da lei, deve-se responder que é solidária. Mas se a

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
65
e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

pergunta tiver como fundamento a doutrina ou a jurisprudência, deve-se afirmar que é subsidiária.

O art.134 do CTN apresenta ainda um rol de terceiros que podem ser responsáveis se
preenchidos os requisitos nele previstos. São eles: os sócios, pais, tutores, curadores,
administradores, inventariante, síndico e tabelião.

De outra banda, no art. 135 do CTN, evidencia-se a possibilidade de responsabilização pessoal


dos terceiros nos casos em que houver excesso de poderes, infração à lei, contrato social ou
estatuto. Essa é a principal distinção em relação ao art.134 do CTN, motivo pelo qual a doutrina
denomina de “responsabilidade de terceiros por atuação irregular”.

Nesses casos, excluir-se-á o contribuinte do polo passivo, respondendo pelo crédito tributário
apenas o responsável (trata-se de responsabilidade, não solidária, nem integral, mas pessoal do
responsável que agiu com excesso de poder ou violação à lei, contrato social ou estatuto). Nesse
caso, além daqueles sujeitos indicados como responsáveis no art. 134 do CTN, também poderão
responder: os mandatários, prepostos e empregados; diretores, gerentes ou representantes de
pessoas jurídicas de direito privado.

RESPONSABILIDADE POR SUBSTITUIÇÃO

O vocábulo substituição já nos dá a ideia de que algo foi retirado de seu lugar próprio, onde nova
figura foi colocada. Nessa modalidade de responsabilidade verificamos a substituição do
contribuinte, sujeito passivo direto, por outra pessoa eleita pela lei, independentemente de
qualquer acontecimento posterior ao fato gerador. Assim, como primeira causa de diferenciação,
não se vislumbra nessa modalidade de responsabilidade um evento, posterior ao fato gerador,
que venha a provocar o deslocamento da responsabilidade tributária de um para outro sujeito. A
escolha do responsável e sua colocação como responsável pelo cumprimento da obrigação é
trazida por lei e ocorre contemporaneamente à ocorrência do fato gerador. A substituição,
portanto, depende de lei (ex.: dever imputado ao empregador de reter o valor relativo ao imposto
devido pelo empregado e repassar o montante ao Fisco no lugar daquele) e consiste em uma
medida de praticabilidade tributária, que visa tornar mais eficiente a fiscalização e a arrecadação,
poupando esforços do fisco no cumprimento do seu papel institucional.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
66
e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA PARA TRÁS

Nesse caso, o fato gerador ocorre mas o pagamento é efetuado posteriormente por um substituto
eleito pela lei, que se encontra no meio ou no fim da cadeia produtiva.

EXEMPLO: na produção e comercialização de produtos agrícolas, a exemplo do leite, é comum


que empresas ou cooperativas centralizadas adquiram dos diversos produtores da região os
frutos de sua produção. Em tese, o fato gerador ocorre com a aquisição desses bens pela
empresa. Entretanto, como seria muito trabalhoso para o autoridade tributária fiscalizar cada uma
das diversas unidades produtivas, a lei permite que essa tarefa seja centralizada na dita empresa,
facilitando desse modo a tarefa da administração tributária. Perceba que nessa situação a
fiscalização e arrecadação é deslocada para o final da cadeia produtiva, momento posterior ao
fato gerador (venda da mercadoria para a empresa). Por isso a denominação de substituição
tributária “pra trás”.

SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA PARA FRENTE

Nesta hipótese,, a arrecadação e fiscalização é feita em momento anterior ao efetivo fato gerador.

EXEMPLO: na produção e comercialização de automóveis, normalmente todas as unidades de


um mesmo modelo são feitas em uma única fábrica e distribuídas pelas diversas concessionárias
espalhadas pelo país. O fato gerador do ICMS, nessas situações, ocorre com a venda na
concessionária. Contudo, para facilitar a tarefa do fisco, a fiscalização e arrecadação ocorre antes
mesmo que isso aconteça, ou seja, ainda na fábrica. Embora tenha tido a sua constitucionalidade
questionada, o Supremo Tribunal Federal julgou adequada essa medida por se tratar de um mero
recolhimento cautelar do crédito com vistas à praticabilidade tributária, assegurado o
ressarcimento ao contribuinte de direito caso haja o perecimento do produto ou venda a preço
menor, conforme jurisprudência já admitiu.

JURISPRUDÊNCIA DO STF: É devida a restituição da diferença do Imposto sobre Circulação de


Mercadorias e Serviços (ICMS) pago a mais, no regime de substituição tributária para a frente, se
a base de cálculo efetiva da operação for inferior à presumida. STF. Plenário. ADI 2675/PE, Rel.
Min. Ricardo Lewandowski e ADI 2777/SP, red. p/ o ac. Min. Ricardo Lewandowski, julgados em
19/10/2016 (Info 844). STF. Plenário. RE 593849/MG, Rel. Min. Edson Fachin, julgados em
19/10/2016 (repercussão geral) (Info 844).

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
67
e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

JURISPRUDÊNCIA DO STJ: Em adequação ao entendimento do Supremo Tribunal Federal, é


devida a restituição da diferença do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços - ICMS
pago a mais no regime de substituição tributária para frente se a base de cálculo efetiva da
operação for inferior à presumida. STJ. 1ª Turma. REsp 687113-RS, Rel. Min. Napoleão Nunes
Maia Filho, por unanimidade, julgado em 05/04/2018 (Info 623).

RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES

A responsabilidade por infrações decorre do descumprimento de uma obrigação principal ou de


uma obrigação acessória, e independe da intenção do agente ou do responsável.

A responsabilização pessoal do agente está prevista no art. 137 e incisos do CTN, ou seja,
quando a infração for capitulada como crime ou contravenção, salvo se praticada no exercício
regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem
expressa emitida por quem de direito; quanto às infrações em cuja definição o dolo específico do
agente seja elementar.

Com relação às infrações que decorram direta e exclusivamente de dolo específico:

a) das pessoas referidas no art. 134, contra aquelas por quem respondem;
b) dos mandatários, prepostos ou empregados, contra seus mandantes, proponentes
ou empregadores;
c) dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado,
contra estas.

DENÚNCIA ESPONTÂNEA

A denúncia espontânea éé instituto relacionado à responsabilidade por infrações previsto no


artigo art. 138 do CTN, pelo qual é possível excluir a responsabilidade por infrações (leia-se: a
multa tributária) se feito o pagamento integral do tributo devido e juros antes de qualquer
providência do fisco.

confissão do que com uma denúncia propriamente dita, já que o contribuinte ou responsável
reconhece e paga, extinguindo seu próprio crédito tributário. O afastamento da penalidade,

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
68
e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

portanto, visa estimular essa conduta por parte do contribuinte inadimplente, poupando esforços
da tão sobrecarregada administração fiscal.

No entanto, é importante destacar que a exclusão de penalidade exige a observância de uma


série de requisitos:

a) Pagamento integral: desse modo, não é possível o benefício decorrente da


denúncia espontânea se o contribuinte optar por aderir a programa de parcelamento
do débito.
b) Antes de qualquer providência do fisco: entende-se, nesse caso, que o pagamento
deve ocorrer antes de qualquer providência ​formal por parte da administração
tributária. Desse modo, uma simples notícia no jornal informando que o fisco fará
um “pente fino” para fiscalizar de modo mais profundo a arrecadação de certo
tributo, por si só, não impede a denúncia espontânea.
c) Não se aplica a denúncia espontânea no caso de tributo sujeito a lançamento por
homologação declarado, mas não pago. Nesse caso, ocorre o denominado
autolançamento, dispensada qualquer providência do fisco para tal. Com isso, não
se pode falar em benefício da denúncia espontânea.
d) Não se aplica a denúncia espontânea no caso de descumprimento de obrigações
acessórias.

JURISPRUDÊNCIA: embora o fisco defenda que a denúncia espontânea apenas extingue as


multas moratórias, para o STJ o instituto extingue tanto as multas punitivas quanto as moratórias.

11. CRÉDITO TRIBUTÁRIO


O Crédito Tributário é a própria obrigação tributária já lançada. Ocorrendo o fato gerador, surge a
obrigação tributária principal, que terá como objeto o pagamento do tributo ou de penalidade, da
qual decorrerá o Crédito Tributário.

A ordem para constituição do Crédito Tributário pode ser representada da seguinte forma:

Fato Gerador (Artigo 114 do CTN) > Obrigação Tributária (Artigo 113 do CTN) >>> Lançamento
(Artigo 142 do CTN) = Crédito Tributário (Artigo 139 do CTN).

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
69
e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

12. LANÇAMENTO
O artigo 142 do CTN define o lançamento como sendo o procedimento administrativo tendente a:

a. verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente;


b. determinar a matéria tributável;
c. calcular o montante do tributo devido, ou seja, o débito a pagar; identificar o sujeito
passivo; e
d. propor a aplicação da penalidade cabível, quando for o caso..

A autoridade administrativa, de acordo com a lei, é quem possui competência privativa para
constituir o crédito tributário através do lançamento. Interessante notar que nem mesmo a
autoridade judiciária pode substituir a autoridade fiscal nessa tarefa. Como já visto anteriormente,
lançamento é atividade vinculada e obrigatória, tendo a autoridade o dever de realizá-lo sob pena
de responsabilidade funcional (art. 142, parágrafo único).

A legislação que regula o lançamento a ser aplicada é aquela vigente à época da ocorrência do
fato gerador, mesmo que posteriormente ela seja alterada.

No entanto, é importante ressaltar que as alterações de leis posteriores à ocorrência do fato


gerador que instituem novas regras de apuração, fiscalização ou ampliativas dos poderes de
apuração serão aplicáveis, bem como as que outorgam ao crédito maiores garantias ou
privilégios (conforme determina o art. 144, caput e §1º da CF), salvo se a garantia consistir na
atribuição de responsabilidade tributária a terceiros.

Após a conclusão do lançamento não poderá ser alterado o sujeito passivo, excetuando-se as
hipóteses previstas pelo artigo 145 do CTN, que prevê tal possibilidade em casos de impugnação
pelo sujeito passivo, recurso de ofício e iniciativa de ofício da autoridade administrativa.

MODALIDADES DE LANÇAMENTO

Lançamento por declaração (art. 147 do CTN): A autoridade administrativa efetua o lançamento
com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro sobre a matéria de fato. Ex.: ITCMD.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
70
e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

Lançamento de ofício (art. 149 do CTN): ​A autoridade administrativa efetua todo o procedimento
de lançamento com base nos dados de que dispõe, sem que haja colaboração do sujeito passivo.
Ex.: IPTU, IPVA.

Lançamento por Homologação (art. 150 do CTN): ​Ocorre quando o sujeito passivo, de acordo
com a lei, antecipa o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa para
posterior homologação do pagamento por parte desta. Ex.: IR.

13. REPARTIÇÃO DAS RECEITAS TRIBUTÁRIAS


A repartição das receitas tributárias objetiva equilibrar a distribuição dos valores arrecadados
entre os entes políticos. Ou seja, cabe à União o repasse aos Estados e ao Distrito Federal, e aos
Estados, o repasse aos Municípios. Não terão o produto da arrecadação repartido: IPTU, ISS,
ITBI; os impostos estaduais se arrecadados pelo Distrito Federal, ITCMD, II, IE, IGF, IEG.

Repartição direta da receita da União

Repartição do IOF – art. 153, § 5º, da CF

É garantida a transferência do montante da arrecadação nos seguintes termos: 30% para o


Estado, o Distrito Federal ou o Território, conforme a origem; 70% para o Município de origem.

Vale destacar que o ouro, quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial,
sujeita-se exclusivamente à incidência do IOF.

Demais casos – art. 157 da CF

Aos Estados-membros e ao Distrito Federal pertencem 20% do produto da arrecadação do


imposto que a União instituir no exercício da competência residual prevista no art. 154, I, da CF.
Bem como, pertencem aos Estados e ao Distrito Federal 100% do produto da arrecadação do
IRRF, sobre rendimentos pagos, a qualquer título, por eles, suas autarquias e pelas fundações
que instituírem e mantiverem.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
71
e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

Repartição com os Municípios – art. 158 da CF

Pertencem aos Municípios 100% do produto da arrecadação do IRRF sobre rendimentos pagos, a
qualquer título, por eles, suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem,
conforme previsto no art. 158, I, da CF. Caberão aos Municípios e ao Distrito Federal 50% do
produto da arrecadação do ITR, relativamente aos imóveis neles situados – art. 158, II, da CF;
porém, caso optem, conforme previsão da Lei n. 11.250/2005, por fiscalizar e cobrar o ITR,
caber-lhes-ão 100% da arrecadação.

Casos de repartição direta da receita dos Estados com o Município – art. 158, III, da CF

Os Estados devem entregar a cada Município 50% do produto da arrecadação do IPVA


licenciados em seus respectivos territórios. Cabendo, ainda, aos Municípios 25% do produto da
arrecadação do ICMS, conforme estabelece o inciso IV do art. 158 da CF.

Casos de repartição indireta da receita da União – art. 159, I, da CF

Art. 159. A União entregará:

I - do produto da arrecadação dos impostos sobre renda e proventos de qualquer natureza e


sobre produtos industrializados, 49% (quarenta e nove por cento), na seguinte forma:

a) vinte e um inteiros e cinco décimos por cento ao Fundo de Participação dos Estados e do
Distrito Federal;
b) vinte e dois inteiros e cinco décimos por cento ao Fundo de Participação dos Municípios;
c) três por cento, para aplicação em programas de financiamento ao setor produtivo das
Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, através de suas instituições financeiras de
caráter regional, de acordo com os planos regionais de desenvolvimento, ficando
assegurada ao semiárido do Nordeste a metade dos recursos destinados à Região, na
forma que a lei estabelecer;
d) um por cento ao Fundo de Participação dos Municípios, que será entregue no primeiro
decêndio do mês de dezembro de cada ano; e) 1% (um por cento) ao Fundo de

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
72
e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

Participação dos Municípios, que será entregue no primeiro decêndio do mês de julho de
cada ano;

II - do produto da arrecadação do imposto sobre produtos industrializados, dez por cento aos
Estados e ao Distrito Federal, proporcionalmente ao valor das respectivas exportações de
produtos industrializados.

III - do produto da arrecadação da contribuição de intervenção no domínio econômico prevista no


art. 177, § 4º, 29% (vinte e nove por cento) para os Estados e o Distrito Federal, distribuídos na
forma da lei, observada a destinação a que se refere o inciso II, c, do referido parágrafo.

Com objetivo de sistematizar, segue tabela:

UNIÃO ESTADOS / DF MUNICÍPIOS

IR retido na fonte 100% 100%

IOF Ouro 30% (Estados) 70%

100% (DF)

Impostos Residuais 20% -

Cide-combustíveis 29% 25% do que for


repassado para os
Estados.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
73
e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

ITR - 50% se a fiscalização e


cobrança for feita pela
União.

100% se fiscalização e
cobrança pelo próprio
município, na forma do
art.153, §4º, III da CF.

IPI 10% 25%

IPVA 50%

ICMS 25%, sendo ¾ na


proporção do valor
adicionado nas
operações ocorridas no
território do município e
¼ conforme dispuser a
lei estadual ou, no caso
de territórios, a lei
federal.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
74
e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

IR (Transferências para 21,5% para o Fundo de 22,5% para o FPM


Fundos) Participação dos Estados

+1% ao Fundo de
3% para o Fundo setorial Participação dos
de desenvolvimento do Municípios, que será
Norte, Nordeste e entregue no primeiro
Centro-Oeste. decêndio do mês de
dezembro de cada ano;

+1% (um por cento) ao


Fundo de Participação
dos Municípios, que
será entregue no
primeiro decêndio do
mês de julho de cada
ano;

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
75
e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

IPI (transferências para 21,5% para o Fundo de 22,5% para o FPM


Fundos) Participação dos Estados

+1% ao Fundo de
10% para o Fundo de 3% para o Fundo setorial Participação dos
Desoneração das de desenvolvimento do Municípios, que será
Exportações. Norte, Nordeste e entregue no primeiro
Centro-Oeste. decêndio do mês de
dezembro de cada ano;

+1% (um por cento) ao


Fundo de Participação
dos Municípios, que
será entregue no
primeiro decêndio do
mês de julho de cada
ano;

14. LINHA DO TEMPO

A linha do tempo é o estudo do devido processo legal para a cobrança de tributos. A hipótese de
incidência é o que descreve uma conduta em abstrato. O fato gerador é a ocorrência a prática da
conduta prevista na hipótese de incidência. Quando ocorre o fato gerador, nasce a obrigação
tributária. Através do lançamento, alhures explicado, é dimensionado o do valor da obrigação

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
76
e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

tributária, além de identificados o contribuinte ou responsável, fato gerador e alíquotas aplicáveis.


Com o lançamento, o fisco, além de declarar a existência da obrigação, constitui o crédito
tributário (direito de cobrar). Se o sujeito passivo não pagar, o fisco deve inscrever o crédito em
dívida ativa, a partir do que será possível a emissão da Certidão de Dívida Ativa, título
extrajudicial que servirá de base à ação de execução fiscal.

HI – FG – OT- L- CT-DA – CDA – EF

OBSERVAÇÃO: embora a execução fiscal seja o meio, por excelência, utilizado para
a execução do crédito tributário, outros mecanismos podem ser manejados pelo fisco
nesse mister. Sendo assim, nada impede que haja o protesto da CDA, como bem
reconheceu o Superior Tribunal de Justiça em recente julgado. Por outro lado, são
vedadas as sanções políticas como meios para compelir o contribuinte ao pagamento do crédito
tributário. Por sanções políticas compreende-se aqueles atos que impliquem, por exemplo,
apreensão de mercadorias e fechamento de estabelecimentos comerciais de forma
autoexecutório pela administração tributária. Tais medidas, se tomadas sem observância da
reserva de jurisdição e do princípio da legalidade, não se coadunam ao ordenamento jurídico
pátrio.

Hipótese de Incidência

Produz o dever de pagar tributo. Hipótese de incidência é diferente de fato gerador. A hipótese de
incidência ocorre no plano abstrato (ex: auferir renda, verba indenizatória não é fato gerador),
enquanto que o fato gerador ocorre no plano concreto (ex: João aufere renda).
Para facilitar o estudo do tema, a doutrina dividiu a hipótese de incidência em cinco partes,
chamadas de aspectos. Todos os aspectos da hipótese de incidência devem ser definidos por lei.

Esses aspectos são:

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
77
e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

IMPORTANTE: o aspecto quantitativo determina o valor devido, sendo composto por


dois elementos: a) base de cálculo (é a grandeza econômica sobre a qual o tributo
incide, ex: a base de calculo do IPTU é o valor venal do imóvel); b) alíquota (é o
percentual da base de cálculo que o contribuinte deve, ex: em SP a alíquota do IPVA
é de 4%).

15. SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.


A maioria das questões cobradas pela FGV se limita a exigir que o candidato saiba quais são as
hipóteses que configuram a suspensão do crédito tributário.

Tais hipóteses estão previstas no art. 151 do CTN:

Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário - Art. 151, CTN


Moratória
Depósito do seu montante integral
Reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário
administrativo

Concessão de medida liminar em mandado de segurança

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
78
e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

Concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial

Parcelamento

#DICA: Utilize o mnemônico MorDeR e LimPar.

#SELIGA: O parágrafo único, do art. 151, do CTN é claro ao dispor que a suspensão da
exigibilidade do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias
dependentes da principal.

Quanto ao momento em que ocorre a suspensão, o candidato deve observar:

Suspensão antes do lançamento​: É possível constituir o lançamento, mas não pode ser feita a
exigibilidade.

Suspensão depois do lançamento​: A exigibilidade se suspende.

JURISPRUDÊNCIA SOBRE O TEMA:

● Súmula Vinculante 21 - É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios


de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo.

● Súmula Vinculante 28 - É inconstitucional a exigência de depósito prévio como requisito de


admissibilidade de ação judicial na qual se pretenda discutir a exigibilidade de crédito
tributário.

● Súmula STJ 112 - O depósito somente suspende a exigibilidade do crédito tributário se for
integral e em dinheiro.

Objetivos do depósito do montante integral:

Via Judicial:​ suspender exigibilidade do crédito tributário.

Via Administrativa:​ evitar fluência dos juros de mora.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
79
e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

16. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO

As hipóteses de extinção do crédito tributário estão previstas no art. 156 do CTN.

Extinção do Crédito Tributário - Art. 156, CTN


Pagamento

Compensação

Transação

Remissão

Prescrição e Decadência

Conversão do depósito em renda

Pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150


e seus §§ 1º e 4º

Consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164

Decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que


não mais possa ser objeto de ação anulatória

Decisão judicial passada em julgado

Dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
80
e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

PAGAMENTO
O pagamento é a hipótese mais corriqueira de extinção do crédito tributário, e que, conforme
previsão do art. 162 do CTN, pode ser efetuado em moeda corrente, cheque, vale postal e, nos
casos previstos em lei.

IMPORTANTE: O pagamento parcial de um crédito não importa em presunção de


pagamento das demais prestações, bem como o pagamento total não presume o
pagamento de outros créditos relativos ao mesmo ou a outros tributos (art. 158 do
CTN).

A obrigação de pagar tributo é portável, ou seja, o devedor deve procurar o credor paga efetuar o
pagamento.

JURISPRUDÊNCIA SOBRE O TEMA:

● Súmula STF 70 - É inadmissível a interdição de estabelecimento como meio coercitivo


para cobrança de tributo.

● Súmula STF 323 - É inadmissível a apreensão de mercadorias como meio coercitivo para
pagamento de tributos.

● A definição do prazo para recolhimento do tributo não se sujeita ao princípio da legalidade


e da anterioridade.34

ATENÇÃO: Em caso de atraso no pagamento, o efeito da mora é ex re (CTN, art.


161). Todavia, conforme dispõe a §2º, do art. 161, do CTN, se o contribuinte formula
consulta tributária, dentro do prazo legal para pagamento do tributo, não há fluência
de juros de mora nem mesmo aplicação de multa moratória.

Imputação ao pagamento:

34
STF, RE 195.218/MG.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
81
e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

Critério Prioridade + > -


Pessoal Contribuinte/Responsável

Vinculação de Fato Gerador Contribuição de Melhoria/Taxas/Impostos

Prescrição Prazo mais curto/mais longo

Valor do Crédito Valor maior/Valor menor

Pagamento Indevido e Restituição:

Independente de quem tenha errado, o fisco ou o contribuinte, em caso de pagamento indevido


deve haver restituição, conforme prevê o art. 165, do CTN. O mesmo vale para multas e juros.

O prazo para pleitear a restituição será sempre de 5 anos, variando o termo inicial de contagem.

#SELIGA: Já o prazo para a ação anulatória da decisão administrativa que denegar a restituição é
de 02 anos, conforme prevê o art. 169, do CTN.

ATENÇÃO: Nos casos dos tributos indiretos, a restituição só será feita se o


contribuinte de direito comprovar ter assumido o encargo do tributo ou se o
contribuinte de fato autorizar expressamente o contribuinte de direito a receber a
restituição.

Resumindo:

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
82
e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

COMPENSAÇÃO
A compensação é possível quando o contribuinte for ao mesmo tempo devedor e credor do Fisco.

Todavia, há que se observar que a existência de crédito recíproco não autoriza automaticamente
a compensação, devendo haver previsão legal específica que lhe autorize (Art. 170 e 170-A do
CTN)

ATENÇÃO: Os créditos tributários devem estar vencidos, já os créditos do sujeito


passivo podem estar vencidos ou vincendos. Mas, ambos os créditos devem ser
líquidos e certos.

JURISPRUDÊNCIA SOBRE O TEMA:

● Súmula STJ 212 - A compensação de créditos tributários não pode ser deferida em ação

cautelar ou por medida liminar cautelar ou antecipatória.

● Súmula STJ 213 - O mandado de segurança constitui ação adequada para a declaração

do direito à compensação tributária.

ATENÇÃO: O MS poderá declarar que existe o direito de compensação mas não


poderá determinar que a compensação ocorra.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
83
e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

● Súmula STJ 460 - É incabível o mandado de segurança para convalidar a compensação


tributária realizada pelo contribuinte.

TRANSAÇÃO

A lei pode facultar, nas condições que estabeleça, aos sujeitos ativo e passivo da obrigação
tributária celebrar transação que, mediante concessões mútuas, importe no fim do litígio e
consequente extinção de crédito tributário

O parágrafo único do art. 171, do CTN esclarece que a lei indicará a autoridade competente para
autorizar a transação em cada caso.

REMISSÃO
A remissão do crédito tributário implica seu perdão pela autoridade administrativa devidamente
autorizada por lei específica.

A remissão do crédito tributário poderá ser total ou parcial. Ademais, o art. 172 do CTN possibilita
a sua concessão pela autoridade administrativa através de despacho fundamentado.

A sua concessão não gera direito adquirido e deve atender:


● à situação econômica do sujeito passivo;
● ao erro ou ignorância escusáveis do sujeito passivo, quanto a matéria de fato;
● à diminuta importância do crédito tributário;
● a considerações de equidade, em relação com as características pessoais ou materiais do
caso;
● a condições peculiares a determinada região do território da entidade tributante”.

A remissão pode se referir ao perdão tanto de tributo como de multas, desde que já tenha sido
constituído o crédito tributário.

● Se o crédito tributário está constituído → Remissão (tributo ou multa)


● Se o crédito tributário não está constituído → Isenção (tributo) ou Anistia (multa)

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
84
e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

DECADÊNCIA E PRESCRIÇÃO

Tanto a decadência quanto a prescrição são matérias que, de acordo com o art. 146, III, b, da
CF/88, devem ser tratadas por lei complementar. Nesse caso, o CTN (arts. 150, § 4º, 173 e 174)
dispôs a respeito.

Observa-se que ambas procuram preservar a segurança jurídica com o transcorrer do tempo, e
são hipóteses de extinção do crédito tributário que, devido à importância de cada instituto, devem
ser estudadas com especial atenção.
Atente-se ainda que ambos os prazos são de 05 anos, sendo o lançamento o marco que divide o
prazo decadencial do prazo prescricional.

DECADÊNCIA
De acordo com o art. 173 do CTN, “o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário
extingue-se após 5 (cinco) anos”. Ou seja, a decadência é a perda do direito da Fazenda Pública
de realizar o lançamento do crédito tributário.
Contagem do prazo:

Regra Geral: ​O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário (decadência)


extingue-se em 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o
lançamento poderia ter sido efetuado.

Hipóteses do artigo 173, I, do CTN (Por ofício ou por Declaração): ​O início da contagem se dá a
partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado.

Hipóteses do artigo 173, II do CTN (Anulação por vício formal): ​O início da contagem se dá a
partir da data em que se tornar definitiva a decisão que anular o lançamento anteriormente
efetuado.

ATENÇÃO: ​A regra só se aplica em caso de vícios formais e chamada de


interrupção de prazo decadencial​, na medida em que os 05 anos são “devolvidos” à
Fazenda Pública para que essa realize um novo lançamento.

Hipóteses do artigo 150, §4º do CTN (Lançados por Homologação): ​Possui regras específicas,
que serão resumidas no esquema a seguir:

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
85
e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

Hipótese do artigo 168, I e II do CTN (Restituição de tributo pago indevidamente): O início da


contagem se dá a partir da data da extinção do crédito tributário ou da data da decisão definitiva
que tiver reformado, anulado, revogado ou rescindido decisão condenatória anterior.

PRESCRIÇÃO
De acordo com previsão do artigo 174 do CTN, a “ação para a cobrança do crédito tributário
prescreve em 5 (cinco) anos, contados da data da sua constituição definitiva”.

Ou seja, a prescrição retira da Fazenda Pública o direito de iniciar o processo de execução fiscal
se decorrido o período de 5 anos contados a partir da constituição do crédito tributário.
Devendo-se observar, no entanto, as hipóteses de suspensão e interrupção previstas nos artigos
151 e 174 do CTN respectivamente.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
86
e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

Atente-se que no caso dos tributos lançados por homologação, o termo inicial da prescrição será
data do vencimento ou a data da entrega da declaração, se esta for posterior.

JURISPRUDÊNCIA SOBRE O TEMA:


● Súmula STJ 622 - A notificação do auto de infração faz cessar a contagem da decadência
para a constituição do crédito tributário; exaurida a instância administrativa com o decurso
do prazo para a impugnação ou com a notificação de seu julgamento definitivo e esgotado
o prazo concedido pela Administração para o pagamento voluntário, inicia-se o prazo
prescricional para a cobrança judicial.

Interrupção do prazo prescricional

Estão previstas no parágrafo único, do art. 174, do CTN:

I – pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal;

ATENÇÃO: O interrompe é o mero despacho, não sendo necessária a citação pessoal do


devedor.

II - pelo protesto judicial;

III - por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor;

IV - por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do
débito pelo devedor.35

O STJ já decidiu que a consulta administrativa não é hipótese de interrupção de prescrição.36

Suspensão do prazo prescricional

35
Esse inciso traza única hipótese em que ocorre interrupção da prescrição por iniciativa do devedor. Trata-se da
confissão de dívida que pode ocorrer no âmbito judicial ou administrativo.

36
STJ, EDcl no REsp 87.840/BA.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
87
e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

Distintamente do que ocorre com a interrupção da prescrição, na suspensão, o prazo deixa de ser
contado, até que se encerre a situação o que suspendeu. Após esse evento, continua-se o curso
do prazo prescricional do ponto onde havia parado.

São hipóteses de suspensão do prazo prescricional:

● Enquanto o crédito tiver sua exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 (moratória,
depósito do montante integral, reclamações e recursos administrativos, liminares ou tutelas
antecipadas e parcelamento).

● Quando a moratória for concedida individualmente, em decorrência de artifício doloso, até


que ocorra a revogação do benefício. Tal regra também se aplica aos seguintes benefícios
fiscais: anistia, remissão, isenção e parcelamento.

● Suspende-se por até um ano o prazo prescricional, quando não for localizado o devedor ou
encontrados bens penhoráveis, no curso do processo de execução fiscal.

PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE
Esta hipótese de prescrição é possível em fase de execução fiscal.
Conforme dispõe o §2º, do art. 40 da LEF, no caso da suspensão por 1 ano devido ao não
encontro do devedor ou de bens que garantam a execução (penhora), os autos serão arquivados.

Se permanecerem arquivados por 5 anos, a prescrição intercorrente poderá ser decretada de


ofício após ser ouvida a Fazenda Pública.

CONVERSÃO DE DEPÓSITO EM RENDA


Esta hipótese de extinção opera quando o contribuinte, a fim de discutir o crédito exigido, realizar
depósito judicial, suspendendo a sua exigibilidade e, ao final, tem decretada a improcedência da
sua defesa.
Dessa forma, ocorrerá a conversão do depósito em renda extinguindo o crédito tributário,
conforme prevê o art. 156, VI do CTN.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
88
e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

PAGAMENTO ANTECIPADO E HOMOLOGAÇÃO DO LANÇAMENTO


Recorde-se que no lançamento por homologação o contribuinte paga o tributo sem prévia análise
da autoridade administrativa.

Sendo assim, pode-se dizer que a extinção definitiva do crédito tributário, no que se refere aos
tributos lançados por homologação, apenas ocorre com a homologação do lançamento, ato que,
como regra, pode levar até 5 anos, contados do fato gerador.

Note bem que, embora a extinção do crédito só se dê com a homologação do lançamento, para
fins de definição do prazo inicial para pleitear a restituição, a LC 118/05 estabeleceu que é
considerado extinto na data do pagamento.37

CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO

O artigo 164 do CTN prevê a possibilidade de consignação do pagamento em juízo nos seguintes
casos:

● Recusa de recebimento, ou subordinação deste ao pagamento de outro tributo ou de


penalidade, ou ao cumprimento de obrigação acessória.
● Subordinação do recebimento ao cumprimento de exigências administrativas sem
fundamento legal.
● Exigência, por mais de uma pessoa jurídica de direito público, de tributo idêntico sobre um
mesmo fato gerador.

A extinção do crédito tributário não ocorre com a ação de consignação em pagamento, mas, sim,
quando esta for julgada procedente.

Na consignação​, o sujeito passivo quer pagar o tributo. Já no depósito​, o sujeito passivo quer
discutir ou evitar o débito tributário.

37
O crédito lançado por homologação não é extinto na data do pagamento! Considera-se extinto apenas para fins de
contagem de prazo para restituição.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
89
e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

DECISÃO DEFINITIVA NAS ESFERAS ADMINISTRATIVA OU JUDICIAL


Constitui hipótese de extinção do crédito tributário a decisão definitiva, favorável ao sujeito
passivo da obrigação tributária, em processo administrativo ou judicial.

DAÇÃO EM PAGAMENTO
O ocorre quando o sujeito ativo aceita receber, a título de pagamento, coisa diversa da qual lhe é
devida, extinguindo o crédito tributário.38

No Direito Tributário, a dação em pagamento somente passou a ser prevista como modalidade de
extinção do crédito tributário com advento da LC 104/2001.

ATENÇÃO: A dação em pagamento somente poderá ocorrer com ​bens imóveis,


conforme dispõe o inciso XI, do art. 156, do CTN.

17. EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO

A exclusão do Crédito Tributário tem o objetivo de impedir a sua constituição, ou seja, o crédito
tributário nem chega a ser constituído.
Observe a linha do tempo a seguir:

38
Tal modalidade de extinção do crédito tributário depende de lei autorizativa, editada por cada esfera do Estado.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
90
e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

Exclusão do Crédito Tributário – Art. 175, CTN

Isenção → TRIBUTOS

Anistia → MULTA

No parágrafo único do art. 175 do CTN, há previsão que, apesar de impedir o lançamento, a
exclusão do crédito tributário não retira as obrigações acessórias, ou seja, essas devem ser
cumpridas.

ISENÇÃO
A isenção opera em casos previstos em lei que autorizam a dispensa do pagamento de
determinado tributo, a ser concedida apenas pelo ente político que detêm a competência para sua
instituição. É um típico benefício ou incentivo fiscal.

A isenção será SEMPRE decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos
para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração.

A isenção pode ser concedida em caráter individual ou geral:

Em caráter individual: ​ocorre quando o benefício é restrito a determinadas pessoas, que


preencham os requisitos estabelecidos pela lei. Ficará, então, a isenção efetivada pelo despacho
da autoridade (CTN, art. 179, caput).

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
91
e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

Exemplo: Isenção de IPI concedida aos deficientes físicos. Deve comprovar que é deficiente.

Em caráter geral: ocorre quando a lei generaliza os sujeitos passivos que serão beneficiados. Não
há, portanto, necessidade de comprovação, nem despacho individual por parte da autoridade
administrativa.
Exemplo: Isenção de IPTU a todos os moradores do Município de Aracaju. Alcançará todos os
proprietários de imóveis urbanos, independentemente de qualquer comprovação.

Revogação da Isenção - Art. 178 do CTN​.

A imunidade está na constituição e é na lei que mora a isenção. A isenção é um benefício


concedido por lei, sendo que a isenção são benefícios revogáveis, ou seja, via de regra serão
precárias.

No entanto, as denominadas isenções onerosas não podem ser livremente suprimidas. As


isenções onerosas são aquelas concedidas com prazo certo e em função de determinadas
condições. Nesse sentido, quem cumpre com as determinações da lei para gozar da isenção,
possui direito adquirido ao benefício durante o prazo estipulado, ainda que a lei concessória
venha a ser revogada.

É o que dispõe a Súmula 544 do STF: Isenções tributárias concedidas, sob condição onerosa,
não podem ser livremente suprimidas.

ANISTIA

A anistia é o perdão das penalidades pecuniárias resultantes de infrações cometidas antes da lei
de anistia, conforme artigo 180 do CTN.

Deve-se observar, ainda, o que prevê o artigo 181 do CTN, que estabelece que a anistia poderá
ser concedida:
I- em caráter geral;
II- limitadamente:
a) às infrações relativas a determinado tributo;
b) às infrações punidas com multa até determinado montante, conjugadas ou não com
penalidades de outra natureza;

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
92
e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

c) a determinada região, em função de condições a ela peculiares;


d) sob condição do pagamento de tributo no prazo fixado em lei.

A anistia não se aplica (incisos I e II, do art. 180, do CTN):

● Aos atos qualificados em lei como crimes ou contravenções e aos que, mesmo sem essa
qualificação, sejam praticados com dolo, fraude ou simulação pelo sujeito passivo ou por
terceiro em benefício daquele.

● Salvo disposição em contrário, às infrações resultantes de conluio39 entre duas ou mais


pessoas naturais ou jurídicas.

DICA: A maioria das questões da FGV se limita a exigir que o candidato saiba quais são as
hipóteses que podem gerar suspensão , extinção e exclusão do crédito, se o candidato
memorizar as de suspensão (com o Mnemônico MorDeR LimPar) e às 02 de exclusão (anistia e
isenção) , as demais serão de extinção.

18. PREFERÊNCIAS DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO


O crédito tributário prefere a qualquer outro, excetuando-se os relativos a créditos trabalhistas ou
dos relativos a acidente de trabalho, conforme prevê o art. 186 do CTN. Dessa forma, não está
sujeito ao concurso de credores ou habilitação em falência, recuperação judicial, concordata,
inventário ou arrolamento.

No entanto, o concurso entre credores que forem pessoas jurídicas de direito Público, obedecem
a seguinte ordem de preferência: União, Estados, Distrito Federal e Territórios, conjuntamente e
pro rata,​ Municípios, conjuntamente e pro rata.

Já em caso de falência existe a seguinte ordem de pagamento dos créditos

39
Conluio é o ajuste entre duas ou mais pessoas que praticam atos com o intuito de enganar a Fazenda Pública.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
93
e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

ORDEM CRÉDITOS OBSERVAÇÕES


Importâncias Passíveis de
1º Adiant. de contrato de câmbio
Restituição
2º Créditos Extraconcursais Podem ser tributários ou não

Créditos derivados da
legislação do trabalho e Limite p/ créd. Leg. Trab.: 150

decorrentes de acidente de salários mínimos
trabalho

4º Créditos com garantia real Até o limite do bem gravado

1ª Obs.: Não são


Créditos tributários, seja qual extraconcursais
5º for sua natureza ou tempo de 2ª Obs.: As multas não se
constituição incluem nessa classe

Créditos com privilégio


6º -
especial

7º Créditos com privilégio geral -

8º Créditos quirografários -

Multas contratuais, penas


pecuniárias por infração penal
9º -
ou administrativa, inclusive as
multas tributárias

10º Créditos subordinados -

19. IMUNIDADES TRIBUTÁRIAS


As imunidades tributárias são normas previstas na CF. Não se pode confundir imunidade e
isenção, uma vez que, a imunidade é prevista no art. 150 da CF/88 e a isenção40 (causa de

40
Trata-se de um benefício fiscal concedido pelo ente político, por intermédio de lei, sendo uma decisão política.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
94
e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

exclusão do crédito tributário) é prevista na lei. Tanto a imunidade quanto à isenção afastam
somente a obrigação principal do tributo, sendo que as obrigações acessórias41 deverão ser
cumpridas.

#SELIGA: A imunidade pode ser considerada uma incompetência tributária.

#APROFUNDANDO: A imunidade também não se confunde com os caso de ​alíquota zero:


nesse caso ​ocorre o fato gerador, contudo, o valor do tributo é nulo, já que a alíquota é zero. Isso
ocorreria, por exemplo, se o Governo Federal decidisse reduzir a alíquota do IPI a zero sobre os
carros, com objetivo de fomentar a economia no setor automobilístico.

Imunidade Recíproca

Também denominada de imunidade intergovernamental, existe para proteger a autonomia


financeira dos entes federados e, consequentemente, o pacto federativo. É considerada uma
cláusula pétrea, no entendimento da Suprema Corte (ADI 939).

União, Estados, Distrito Federal e Municípios não podem cobrar ​impostos42 uns dos outros. Essa
imunidade foi estendida para as autarquias e fundações públicas. Essa imunidade ocorre, pois
existe um pacto federativo (​art. 150, §2° da CF​).

ATENÇÃO: ​Cuidado com os impostos indiretos. O STF já decidiu no que pertine a


contas de energia elétrica que “A imunidade do art. 150, VI, a, da Constituição
somente se aplica ao imposto incidente sobre serviço, patrimônio ou renda do próprio
ente beneficiado, na qualidade de contribuinte de direito. II - Como o Município não é
contribuinte de direito do ICMS relativo a serviços de energia elétrica, não tem o
benefício da imunidade em questão, uma vez que esta não alcança o contribuinte de fato.” 43

Importante que o candidato saiba que esta limitação constitucional ao poder de tributar é
extensiva a outras pessoas jurídicas, de acordo com o art. 150, § 2°, da CF/88, desde que o

41
Obrigações acessórias são condutas impostas ao contribuinte, que não possuem caráter pecuniário, criando
obrigações de “fazer” ou “deixar de fazer” algo no interesse da arrecadação e fiscalização.

42
Atente-se que a imunidade é restrita a impostos.

43
STF, ARE 663.552-AgR/MG, Segunda Turma, Rel. Min. Ricardo Lewandowski.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
95
e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

patrimônio, a renda e os serviços das referidas entidades estejam vinculados às finalidades


essenciais ou às delas decorrentes.
.

JULGADOS SOBRE O TEMA:


● A referida imunidade pode se aplicar em operações de importação de bens, quando o ente
federado for o importador. Neste caso, perceba que há a identidade do contribuinte de fato
e do contribuinte de direito, não havendo transferência do ônus tributário.44
● É ilegítima a incidência de IOF sobre aplicações financeiras dos entes federados, bem
como a tributação da renda resultante de tais aplicações pelo Imposto de Renda.45
● A imunidade recíproca não pode ser invocada para as contribuições previdenciárias e para
as taxas. 46
● Segundo o STJ, o ônus de provar que o patrimônio da autarquia está desvinculado dos
seus objetivos institucionais é do ente tributante.
● A benesse da imunidade recíproca é extensível também às empresas públicas (EP) e às
sociedades de economia mista (SEM) prestadoras de serviço público de prestação
obrigatória e exclusiva do Estado.47

44
​STF, AI 518.405-AgR

45
AI AgR/RS 174.808 e RE 196.415/PR.

46
ADI 2.024 e RE 364.202/RS, respectivamente.

47
RE 407.099/RS e AC 1.550-2.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
96
e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

● A OAB48, entidade não integrante da administração pública indireta, também foi alcançada
pela imunidade recíproca, inclusive sua caixa de assistência dos advogados49 no
entendimento do STF.

RESUMINDO:

48
​RE 259.976-AgR
49
RE 405267 AgR-segundo-ED /MG.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
97
e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

IMUNIDADE RELIGIOSA
O art. 150, VI, “b”, da CF/88, veda que todos os entes federativos cobrem impostos sobre os
templos de qualquer culto50. Vale ressaltar que essa imunidade será estendida51 às áreas
contínuas ao templo, desde que seja provada que a renda obtida com as áreas contínuas sejam
integralmente convertida para o propósito religioso (ex: estacionamento).

IMPORTANTE: Sendo o Brasil um país laico, a imunidade religiosa se aplica a todas as religiões,
ou seja, ela é incondicionada.

JULGADOS SOBRE O TEMA:


● Os cemitérios que são extensões destas entidades também são alcançados pela vedação
constitucional em tela. 52
● A maçonaria não é alcançada pela imunidade religiosa, já que nas lojas maçônicas não se
professa qualquer religião.53

RESUMINDO:

50
Atente-se que essa imunidade será restrita aos impostos.

51
STF, RE 325.822.

52
STF, RE 578.562.

53
STF, RE 562.351.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
98
e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

PARTIDO POLÍTICO, SINDICATO DE TRABALHADOR, INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E


ENTIDADES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL:

De acordo com o art. 150, VI, c, da CF/88, é vedado a todos os entes políticos cobrar impostos
sobre o patrimônio, a renda e os serviços dos partidos políticos e suas fundações, dos sindicatos
de trabalhadores e das instituições de educação e assistência social, sem fins lucrativos,
atendidos os requisitos da lei.

São requisitos para concessão dessa imunidade(art. 14 do CTN):

I- Se tiver lucro não poderá ser apropriado pelos mantenedores;

II- Proíbe-se a remessa do lucro para o exterior;

III- Escrituração contábil em dia;

JULGADOS IMPORTANTES:

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002
99
e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br 
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

● Súmula Vinculante 52 - Ainda quando alugado a terceiros, permanece imune ao IPTU o


imóvel pertencente a qualquer das entidades referidas pelo art. 150, VI, “c”, da
Constituição Federal, desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades para as
quais tais entidades foram constituídas.

● Serão imunes os serviços não relacionados às finalidades essenciais das entidades, desde
que a receita deles destine-se ao financiamento de tais finalidades.54
● Para o STF, as escolas de ensino profissionalizante estão enquadradas no rol de
entidades do art. 150, VI, c. Cite-se, como exemplo, o SENAC e o SENAI.
● O fato de os imóveis estarem sendo utilizados como escritório e residência de membros da
entidade não afasta a imunidade prevista no art. 150, VI, alínea c, § 4º, da CF;55
● A constatação de que um imóvel está vago ou sem edificação não é suficiente, por si só,
para destituir a garantia constitucional da imunidade. A sua não utilização temporária
deflagra uma neutralidade que não atenta contra os requisitos que autorizam o gozo e a
fruição da imunidade.56
● A imunidade das entidades de assistência social abrange o ICMS incidente sobre a
comercialização de bens por elas produzidos.57
● O desempenho de atividade franqueada da ECT por entidade de assistência social sem
fins lucrativos não a isenta do ICMS incidente sobre as operações.58
● A imunidade tributária prevista no art. 150, VI, c, da Constituição, compreende as
aquisições de produtos no mercado interno, desde que os bens adquiridos integrem o
patrimônio dessas entidades beneficentes.59

54
STF, RE 144.900.

55
STF, RE 221.395, Segunda Turma, Rel. Min. Marco Aurélio.

56
STF, Primeira Turma, RE 385.091/DF, Min. Rel. Dias Toffoli.

57
STF, RE 186.175 ED-EDv/SP, Pleno, Rel. Min. Ellen Gracie.

58
STJ, RMS 46.170-MS.

59
STF, AI 535.922-AgR/RS, Segunda Turma, Rel. Min. Ellen Gracie.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002 10

e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br  0
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

● Tal imunidade estende-se ao Imposto sobre operações financeiras (IOF)60


● O ensino de línguas estrangeiras também caracteriza-se como atividade educacional para
aplicação da imunidade tributária.61
● Súmula STF 730 - A imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem
fins lucrativos pelo art. 150, VI, c, da Constituição, somente alcança as entidades fechadas
de previdência social privada se não houver contribuição dos beneficiários.

IMPORTANTE:
¹A cobrança de mensalidades pelas entidades educacionais não descaracteriza a
imunidade, se não houver distribuição de rendas, lucro ou participação nos seus
resultados.
² Se houver apenas menção de que a entidade está na posição do contribuinte de fato, não
haverá imunidade na cobrança pelo serviço de energia elétrica, por exemplo. 62

IMUNIDADE CULTURAL

Também conhecida como imunidade de imprensa. O art. 150, VI, d, da CF/88, estabelece que é
vedado a todos os entes federados instituírem impostos sobre os livros, jornais, periódicos e o
papel destinado à sua impressão.
Tal imunidade é objetiva, na medida em que incide sobre coisas. Consequentemente, não
alcança o Imposto de Renda63, por exemplo, incidente sobre os lucros auferidos pelas editoras,
nem sobre as operações financeiras (IOF)64 realizadas pelas empresas que industrializam tais
produtos.

JULGADOS IMPORTANTES:

60
STF, RE 192.899-AgR .

61
STF, RMS 24.283.

62
STF, AI 731.786-AgR/SC

63
STF, RE 206.774, Rel. Min. Ilmar Galvão.

64
STF, RE 504.615-AgR.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002 10

e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br  1
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

● Apenas estão imunes livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão, bem
como outros insumos, desde que assimiláveis ao papel, ou seja, não abarca o maquinário
utilizado no processo de produção de livros, jornais e periódicos.65
● Os serviços de distribuição de periódicos, revistas, publicações, jornais e livros não estão
abrangidos pela imunidade cultural, ou seja, nesse caso, incide o ISS normalmente.66
● A concessão da imunidade sobre livros, jornais e periódicos independe da prova do valor
cultural ou pedagógico da publicação incidindo, inclusive, sobre álbuns de figurinhas e
apostilas.67
● Livros eletrônicos (e-books e e-readers) e os suportes próprios para sua leitura são
alcançados pela imunidade.68
● A inserção de anúncios e publicidade em listas telefônicas, com o objetivo de permitir a
divulgação das informações a custo zero para os assinantes, não descaracteriza a
imunidade em tela.69

RESUMINDO:

65
STF, ARE 1100204 AgR/SP.

66
STF, RE 630.462-AgR.

67
STF,RE 183.403/SP.

68
Recurso Extraordinário 330.817/RJ

69
STF, RE 199.183 .

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002 10

e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br  2
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

IMUNIDADE EM FAVOR DA PRODUÇÃO MUSICAL BRASILEIRA

Incluída pela EC 75/2013, cujo projeto foi denominado PEC da Música:

“Art. 1º O inciso VI do art. 150 da Constituição Federal passa a vigorar acrescido da seguinte
alínea e:

VI . instituir impostos sobre:

e) fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras musicais ou


literomusicais de autores brasileiros e/ou obras em geral interpretadas por artistas brasileiros bem
como os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham, salvo na etapa de replicação
industrial de mídias ópticas de leitura a laser.”

Da leitura atenta do supracitado dispositivo conclui-se que está vedado a todos os entes
federativos instituir impostos70 sobre:

● Fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras musicais


ou
● Literomusicais de autores brasileiros e/ou
● Obras em geral interpretadas por artistas brasileiros,bem como os suportes materiais ou
arquivos digitais que os contenham.

Atente-se que a etapa de replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser foi
excepcionada, não estando imune aos impostos.71

70
E não tributos, como a FGV adora cobrar para confundir os candidatos.

71
Com objetivo que a Zona Franca de Manaus continuasse a ser vantajosa, garantindo, assim, o desenvolvimento
dessa região.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002 10

e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br  3
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

Demais imunidades mencionadas no corpo do texto constitucional.

● São a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas:


a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou
abuso de poder;
b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e
esclarecimento de situações de interesse pessoal (art. 5°, XXXIV);

● Ação popular, salvo comprovada má-fé, é isento (imune) de custas judiciais, as quais são
consideradas taxas pelo STF (art. 5°, LXXIII);
● São gratuitos para os reconhecidamente pobres, na forma da lei, o registro civil de
nascimento e a certidão de óbito (art.5°, LXXVI);
● São gratuitas as ações de “habeas-corpus” e “habeas-data”, e, na forma da lei, os atos
necessários ao exercício da cidadania (art. 5°, LXXVII);
● As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico não incidirão sobre as
receitas decorrentes de exportação (art. 149, §2°, I);
● O IPI não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior (art. 153, §3°, III);
● O ITR não incidirá sobre pequenas glebas rurais, definidas em lei, quando as explore o
proprietário que não possua outro imóvel (art. 153, §3°, II);
● O ouro, quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial, sujeita-se
exclusivamente à incidência do IOF, sendo imune de qualquer outro tributo (art. 153, §5°);
● O ICMS não incidirá (art. 155, §2°, X):
a) sobre operações que destinem mercadorias para o exterior, nem sobre serviços
prestados a destinatários no exterior;
b) sobre operações que destinem a outros Estados petróleo, inclusive lubrificantes,
combustíveis líquidos e gasosos dele derivados, e energia elétrica;
c) nas prestações de serviço de comunicação nas modalidades de radiodifusão sonora e
de sons e imagens de recepção livre e gratuita;
● À exceção do II, IE e ICMS nenhum outro imposto poderá incidir sobre operações relativas
a energia elétrica, serviços de telecomunicações, derivados de petróleo, combustíveis e
minerais do País (art. 155, §3°).
● O ITBI não incidirá sobre a transmissão de bens ou direitos incorporados ao patrimônio de
pessoa jurídica em realização de capital, nem sobre a transmissão de bens ou direitos
decorrente de fusão, incorporação, cisão ou extinção de pessoa jurídica, salvo se, nesses

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002 10

e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br  4
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

casos, a atividade preponderante do adquirente for a compra e venda desses bens ou


direitos, locação de bens imóveis ou arrendamento mercantil (art. 156, §2°,I);
● São isentas (imunes) de impostos federais, estaduais e municipais as operações de
transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária (art. 184, §5°);
● A contribuição previdenciária não incide sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo
regime geral de previdência social (art. 195, II);
● São isentas (imunes) de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes
de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei (art. 195, §7°);
● A celebração do casamento é gratuita, portanto, imune a taxas (art. 226, § 1º) .

20. EXECUÇÃO FISCAL


Introdução

A execução fiscal é um procedimento especial regido pela Lei nº 6.830 que tem por escopo a
cobrança judicial dos créditos inscritos na Dívida Ativa. De acordo com a Lei nº 4.320, os créditos
do ente público podem ser de natureza tributária (aqueles oriundos dos tributos pagos pelos
contribuintes) e de natureza não tributária (a exemplo dos valores que um Município recebe a
título de aluguel de um imóvel seu). Tanto em um caso, quanto no outro, esses créditos são
inscritos na Dívida Ativa e cobrados via Ação de Execução Fiscal.

A constituição dos créditos tributários foi estudada no capítulo próprio referente à obrigação
tributária. Neste momento, portanto, estudaremos a evolução da cobrança de créditos
constituídos, a começar pela definição do que é a dívida ativa, sua razão de ser e os efeitos que
decorrem da inscrição do crédito. Em seguida, analisaremos o procedimento judicial da execução
fiscal, que, de antemão, pressupõe a inscrição do crédito na dívida ativa.

A dívida ativa

A Dívida Ativa tributária, regulada no art.201 do Código Tributário Nacional (CTN), é o conjunto de
todos os créditos provenientes da incidência de tributo sobre fatos geradores lançados,

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002 10

e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br  5
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

constituídos definitivamente (com o exaurimento do prazo para pagar deflagrado com a


notificação do contribuinte) e não pagos. Quando o crédito preenche essas características, ele
deverá ser inscrito pelo Procurador da Fazenda Nacional (se da União), pelo Procurador do
Estado ou do Município na Dívida Ativa Tributária.

Caso o crédito seja de natureza não tributária, deverá ser igualmente inscrito, porém na Dívida
Ativa Não Tributária.

Nesse material, por questões de didática, explicaremos a Execução Fiscal Tributária, por ser mais
frequente em provas, fazendo breve inserções caso necessária alguma observação relativa à
execução fiscal não tributária.

O ato de inscrição em Dívida Ativa, portanto, serve para:

● Gerar a presunção RELATIVA de certeza e a liquidez do crédito não pago;

● Controle administrativo de legalidade do crédito constituído;

● Produzir o Título Executivo Judicial que lastreia a Execução Fiscal (a Certidão de Dívida
Ativa – CDA);

● Presunção ABSOLUTA de fraude à execução caso sejam alienados bens posteriormente à


inscrição sem que se deixe reserva patrimonial capaz de saldar a dívida.

IMPORTANTE: O ato de inscrição na dívida ativa tem o condão de interromper o


prazo prescricional, segundo o art.2º §3º da Lei nº 6.830. Segundo a jurisprudência e
doutrina unânime, porém, esse dispositivo SÓ SE APLICA À EXECUÇÃO FISCAL
NÃO TRIBUTÁRIA. Explica-se: como o art. 146, III, a da Constituição Federal exige
Lei Complementar para cuidar de prescrição do crédito tributário, não poderia a referida lei, que é
ordinária, dispor sobre a interrupção do prazo prescricional na hipótese. Isso posto, conclui-se
que a inscrição do crédito tributário na Dívida Ativa não interrompe o prazo prescricional, mas tão
somente a inscrição do crédito NÃO tributário.

A certidão de dívida ativa

A Certidão de Dívida Ativa (CDA) é um título executivo extrajudicial previsto no Art. 784, IX do
Código de Processo Civil. Nela consta o crédito a ser executado, o devedor e eventual

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002 10

e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br  6
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

responsável tributário. É com base nela que o órgão de representação judicial do ente
(Procuradoria) vai mover a Execução Fiscal.

Importante ressaltar que, segundo a Súmula 392 do STJ, a CDA poderá ser substituída ou
emendada diante da constatação de erro material ou formal até a decisão de primeira instância
(leia-se: decisão que resolve os Embargos à Execução Fiscal), desde que não altere o executado.
Nesse caso não há incidência de honorários sucumbenciais em favor do executado porque houve
uma mera substituição do título.

Caso constatado algum excesso no valor contido na CDA, essa poderá ser igualmente substituída
sem que isso implique sucumbência em desfavor da Fazenda.

De outra banda, se a CDA for por, algum motivo, cancelada após a apresentação de Embargos à
Execução, incidirão honorários advocatícios sucumbenciais.

Legitimidade ativa na ação de execução fiscal

A legitimidade ativa para se mover Ação de Execução Fiscal é daquelas entidades que compõem
o conceito de Fazenda Pública.

Exemplos: União, Estados, Municípios, Autarquias, Fundações Públicas, Conselhos de


Fiscalização Profissional.

Via de regra, as Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista não têm legitimidade para
mover execução fiscal. Contudo, admite-se que a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos
(Correios) mova execuções fiscais. Embora seja uma pessoa jurídica de direito privado, a
jurisprudência entende que a fisionomia dessa instituição muito se assemelha a das pessoas
jurídicas de direito público, notadamente ao considerar os seus fins institucionais (prestação de
serviços públicos) e não o desenvolvimento de atividade econômica. Com isso, uma série de
prerrogativas próprias da Fazenda Pública são estendidas à EBCT, a exemplo da legitimidade
para Execução Fiscal.

Embora entre os fins institucionais da OAB esteja a fiscalização profissional dos advogados, essa
entidade tem fisionomia institucional própria, não se equiparando aos Conselhos de Fiscalização

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002 10

e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br  7
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

Profissional em geral. Com isso, não se reconhece à OAB a legitimidade para promover
execuções fiscais.

Embora pessoas jurídicas de direito privado não sejam legitimadas por excelência à propositura
de execuções fiscais, é possível que com elas o ente público celebre convênio autorizando-a a
mover tal ação. É o que ocorre quando a União delega à Caixa Econômica Federal a atribuição
de promover a execução fiscal dos créditos devidos ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço
(FGTS).

Legitimados Passivos

Podem ser legitimados passivos da Execução Fiscal:

● O próprio devedor constante na CDA;


● Os sucessores;
● Os garantes;
● O fiador;
● O espólio;
● A massa falida;
● Os responsáveis legais;

O devedor poder ser outro ente público, a exemplo do que ocorre quando o INSS deve pagar
determinada taxa (ex: taxa de coleta de lixo) ao Município. Lembre-se que nem todo tributo está
sujeito à imunidade recíproca, mas apenas os impostos. Nesse caso, porém, o procedimento a
ser adotado não é o da Lei nº 6.830, mas o do art. 534 do CPC.

Se o nome do responsável tributário constar na CDA, por gozar esse título de presunção de
certeza e liquidez, teria o responsável um esforço maior para provar alguma causa que o
eximisse desse dever. Diante da necessidade de dilação probatória, conclui-se que não caberia,
nesse caso, mover Exceção de Pré-executividade (mecanismo pelo qual se argui matérias de
ordem pública que não demandem dilação probatória, ainda que fora do prazo para embargar),
mas apenas os Embargos à Execução. De outro lado, se o nome do responsável não consta na
CDA, ele estaria apto a mover a Exceção de Pré-executividade normalmente.

Segundo a jurisprudência e a leitura do art. 135 do CTN, o mero inadimplemento não é suficiente
para justificar o redirecionamento da execução fiscal para o sócio-gerente da pessoa jurídica

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002 10

e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br  8
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

contribuinte. Entretanto, conforme Súmula 460 do STJ, se constatada que a empresa não
funciona mais no local indicado em seu registro, presume-se a fraude apta a viabilizar o
redirecionamento contra o sócio-gerente, que arcará com ônus de provar que esta não ocorreu.

No ano de 2019 o STJ proferiu uma relevantíssima decisão no sentido de que não cabe a
aplicação do Incidente de Desconsideração da Personalidade Jurídica (IDPJ) na execução fiscal,
seja ela tributária ou não tributária, independente de o nome do sócio constar ou não na CDA.
Diante da necessidade de se atingir outra pessoa, que não o contribuinte, basta aplicar o mero
redirecionamento, que se defenderá via Embargos a Execução ou Exceção de Pré-executividade,
a depender do caso, e ainda poderá mover Agravo de Instrumento, dispensada a abertura do
incidente processual. Justifica-se tal conclusão pelo fato de que a responsabilidade do sócio que
é atingido pelo redirecionamento decorre de ato próprio por ele praticado previsto em lei, e não
necessariamente de abuso da personalidade jurídica.

Competência

A execução fiscal, via de regra, é processada na primeira instância da justiça comum, federal ou
estadual, a depender do ente exequente. É comum em comarcas maiores a criação de varas
especializadas que cuidam somente de processar execuções fiscais, devido ao grande volume de
ações dessa natureza em tramitação. Há situações particulares, porém, em que a competência é
de outros ramos da justiça e até mesmo originária do STF. Vejamos:

● Competência originária do STF: execução fiscal da União contra estado estrangeiro ou


organização internacional.

● Justiça Eleitoral: execução fiscal de multa eleitoral

● Justiça do Trabalho: execução fiscal da multa aplicada pelo órgão fiscalizador do Ministério
do Trabalho

No que tange à competência territorial, prevalece o domicílio do devedor. Se há mais de um


processo contra o mesmo devedor, é facultada a reunião dos feitos perante o mesmo juízo
(Súmula 515 do STJ).

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002 10

e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br  9
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

Em caso de falência superveniente não cabe o deslocamento para o juízo universal. A execução
fiscal permanece no juízo de origem, com a ressalva de que eventuais valores provenientes de
penhora ou alienação judicial de bens serão remetidos para o juízo universal, a fim de que nele
seja organizado o concurso de credores.

A superveniência de recuperação judicial, em regra, não suspende a execução fiscal, salvo se


concedido parcelamento. A jurisprudência, porém, diverge quanto à possibilidade de suspensão
da execução nesses casos frente ao princípio da preservação da empresa. Enquanto parte da
jurisprudência admite, outra parte é contrária, apegando-se à interpretação literal.

Procedimento

A execução fiscal é deflagrada por uma petição inicial simplificada, devendo a CDA constar em
anexo ou apresentada no próprio corpo da petição. Segundo a jurisprudência sumulada do STJ, é
desnecessária a apresentação de memória de cálculo (Súmula 559 do STJ) e a falta de indicação
no RG, CPF ou CNPJ do demandado não implica extinção do processo sem mérito (Súmula 558
do STJ).

Com a distribuição, é possível a averbação em cartório para fazer constar a pendência da


execução fiscal. Considerando, porém, que a inscrição em dívida ativa já é capaz de fazer
presumir a fraude em caso de alienação de bens sem reserva de patrimônio, mostra-se
desnecessária a averbação.

O despacho que ordena a citação na execução fiscal interrompe a prescrição, cujos efeitos
retroagem à data da propositura da ação. O ato citatório, em regra, é feito pela via postal,
exigindo-se o aviso de recebimento (AR). Caso o AR não retorne, ou se houver requerimento, a
citação pode ser feita por oficial de justiça. É cabível também a citação por edital se, de acordo
com a Súmula nº 414 do STJ, forem esgotados os possíveis meios de localização. Uma vez
nomeado curador especial, é possível que ele mova Embargos à Execução.

Citado, abre-se o prazo de 5 (cinco) dias para pagar ou oferecer garantia (depósito em dinheiro,
fiança, indicação de bens próprios ou de terceiros, desde que, no caso, desses, haja anuência da
Fazenda Pública).

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002 11

e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br  0
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

Da penhora em Execução Fiscal

A penhora em execução fiscal é ordenada na própria citação. Consiste em ato de apreensão e


depósito de bens para que sejam empregados direta ou indiretamente na satisfação do crédito
executado. A penhora pressupõe o não pagamento ou apresentação de garantia nos 5 dias
seguintes à citação. Preferencialmente, a penhora deve ser online e em dinheiro.

O bloqueio de ativos ordenado pelo juiz pode ser impugnada em 5 (cinco) dias, oportunidade em
que se pode alegar o excesso ou a impenhorabilidade dos bens. Sendo acolhida, o banco tem 24
(vinte e quatro) horas para cumprir. Se não acolhidas, converte-se o bloqueio em penhora.

IMPORTANTE: O bem penhorado pode ser substituído por fiança bancária ou seguro
garantia, tal como previsto no CPC. Entretanto, na lei de execução fiscal NÃO SE
EXIGE O ACRÉSCIMO DE 30% NESSE CASO. Segundo a doutrina, essa
possibilidade consiste em direito subjetivo do reu, não podendo a Fazenda Pública a
ela se opor, na medida em que a fiança e o seguro garantia são equiparados a dinheiro.

Entretanto, a substituição de bens penhorados por precatórios pode ser rejeitada pelo exequente
(Súmula 406 do STJ), na medida em que precatórios, ao contrário da fiança e do seguro-garantia,
não são equiparados a dinheiro.

Ademais, admite-se, tal como no CPC, a penhora de imóveis, de faturamento da empresa, entre
outras modalidades.

Importante ressaltar, porém, que diante do concurso de penhoras terão preferência na seguinte
ordem:

● 1º Créditos da União, inclusive de autarquias federais (ex: INSS);

● 2º Créditos dos Estados;

● 3º Créditos dos Municípios.

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002 11

e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br  1
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

Frise-se que essa concorrência só se aplica entre os créditos tributários. Portanto, caso um
crédito não tributário da união dispute com um crédito tributário de Município, este terá a
preferência.

É possível o pedido de parcelamento, consistente numa entrada de 30%, seguida de 6 (seis)


parcelas e incidência de juros. Com isso, renuncia-se a oposição de Embargos à Execução por
preclusão lógica.

Suspensão da Execução e da Prescrição Intercorrente

Se durante o processo de execução fiscal não forem encontrados o devedor ou seus bens,
opera-se a suspensão do procedimento. Essa suspensão decorre de lei (ex lege), na medida em
que prevista no art. 40 da Lei nº 6.830, e é automática, devendo o juiz apenas declarar e intimar a
Fazenda Pública para que esta fique ciente, sob pena de nulidade absoluta.

Decorrido o prazo de 1 (um) ano desde a intimação da Fazenda Pública, se forem encontrados o
devedor ou bens penhoráveis, a execução retoma o seu curso normal. Do contrário, o juiz deverá
determinar o arquivamento do processo, porém sem baixa na distribuição, já que pode ser
ressuscitado se encontrados bens. Ademais, no dia em que se completar 1 (um) ano desde a
suspensão, o prazo de prescrição intercorrente será automaticamente deflagrado.

Frise-se que em se tratando de crédito tributário, o prazo da prescrição intercorrente é de 5


(cinco) anos. No caso dos créditos não tributários, a lei específica determinará qual é esse prazo.
Ao longo desse lapso, é possível que ocorram causas de interrupção, a exemplo da efetiva
constrição de bens. Nesses casos, cabe à Fazenda Pública arguir a interrupção e o juiz,
reconhecendo-a, determina o desarquivamento do feito.

Esgotado o prazo de 5 (cinco) anos, o juiz pode conhecer de ofício a prescrição (Súmula 409 do
STJ), mas deverá intimar a Fazenda Pública para se manifestar a respeito antes de pronunciá-la.
Nessa oportunidade, o exequente pode suscitar a ocorrência de alguma daquelas causa
interruptiva durante o referido lapso temporal. Entretanto, se o juiz declarar prescrita a execução
sem prévia oitiva da Fazenda Pública, segundo o STJ opera-se uma nulidade meramente relativa,
cujo reconhecimento depende da prova de algum prejuízo (ex: deve a Fazenda provar que tinha
alguma causa interruptiva capaz de interromper o fluxo do prazo prescricional).

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002 11

e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br  2
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

Dos Embargos à Execução Fiscal

O meio de defesa do devedor fiscal por excelência são os Embargos à Execução Fiscal, cujo
prazo de interposição é de 30 (trinta) dias a contar, segundo o STJ, da intimação do depósito, da
juntada aos autos da prova de prestação de fiança ou da juntada de intimação de penhora.
Frise-se que na Execução Fiscal, ao contrário do que ocorre com o CPC, a legislação exige-se
garantia do juízo para que se possa mover Embargos à Execução. O STJ, a propósito, reconhece
que tal exigência é devida, fundamentando sua decisão no princípio da especialidade (lei
especial, a exemplo da Lei nº 6.380, prevalece sobre a lei geral, a exemplo do CPC). Em alguns
casos particulares, porém, essa exigência já foi afastada pela jurisprudência a fim de viabilizar o
acesso à justiça por pessoas economicamente hipossuficientes.

Outra informação relevante é saber que os Embargos à Execução fiscal não têm efeito
suspensivo automático. Nada impede, porém, a concessão mediante requerimento em que se
prova a urgência ou a evidência do direito pleiteado, garantindo-se o juízo mediante penhora,
depósito ou caução.

Nos Embargos podem ser arguidas todas as matérias de defesa. Entretanto é, por lógica, vedada
a reconvenção.

Uma vez interpostos os Embargos à Execução, caberá a improcedência liminar se a tese


suscitada estiver em desconformidade com súmulas, tese firmada em recursos repetitivos ou
incidentes de assunção de competência. Será indeferida liminarmente se for a petição inepta,
intempestiva ou manifestamente protelatória. Não incorrendo, porém, em nenhuma dessas
hipóteses, os Embargos à Execução serão recebidos e processados.

Nesse sentido, a Fazenda Pública exequente será intimado para apresentar resposta em 30
(trinta) dias, prazo este que é específico, não se devendo aplicar a contagem em dobro prevista
do art.183 do CPC. Havendo a necessidade de produção de provas, será designada audiência de
instrução.

Na sequência, o juiz proferirá decisão, contra a qual poderão ser interpostos os recursos.

ATENÇÃO: Já caiu em prova! Se o devedor reside em outra comarca e esse fator


inspirou a necessidade de expedição de carta precatória, é possível o oferecimento

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002 11

e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br  3
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

dos Embargos à Execução no juízo deprecado, que remeterá para que o deprecante julgue, salvo
se o vício residir em ato praticado pelo próprio juízo deprecado.

ATENÇÃO: Se a matéria a ser alegada for de ordem pública e não demandar a necessidade de
instrução probatória, é cabível também a Exceção de Pré-executividade, instrumento que, embora
não previsto em lei, é amplamente admitido nesses casos. Por essa via, dispensa-se a garantia
de juízo e a observância do prazo exigido para Embargos à Execução, podendo ser ajuizada
mesmo após expirados os 30 (trinta) dias.

Sentença

Uma vez efetuado o pagamento ou levantado o valor necessário após a devida alienação dos
bens, extinto é o crédito tributário. A sentença na execução cuida apenas de declarar a extinção
do referido crédito, sendo, portanto, preponderantemente declaratória. A extinção do crédito,
portanto, é o mérito da sentença, que é amparada pela coisa julgada material. Nesse sentido, não
há dúvidas de para a desconstituição da sentença transitada em julgado é cabível a Ação
Rescisória.

Dos recursos cabíveis

Quanto aos recursos cabíveis, admitem-se todos os previstos no CPC. Entretanto, é válido
apontar duas relevantes particularidades, já cobradas em edições passadas do Exame da Ordem:

a) ​Sentenças proferidas em execução de valores inferiores a “50 OTN” (apenas gravem esse
termo pois é como está disposto na lei, não devendo o aluno se preocupar em saber o valor
correspondente atualmente), cabem Embargos Infringentes dirigidos ao próprio juiz que
proferiu a decisão, bem como Embargos Declaratórios e Recurso Extraordinário. Trata-se da
chamada “Causa de Alçada”, caso em que não é cabível a apelação.

IMPORTANTE: Esses Embargos Infringentes nas causas de alçada nada têm a ver
com os extintos Embargos Infringentes que existiam no CPC de 2015. Apesar do
nome comum, são recursos com objetos e finalidades diversas. Enquanto esse visava
o reexame de decisão não unânime proferida por órgão colegiado, aquele objetiva a

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002 11

e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br  4
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

revisão do julgamento pelo próprio juiz que o proferiu e é específico da Execução Fiscal.

Importa saber que os Embargos Infringentes na execução fiscal são dirigidos ao próprio juiz que
proferiu a decisão, representando, pois, exceção ao duplo grau de jurisdição.

b) Da sentença que rejeita os Embargos à Execução Fiscal cabe Apelação sem efeito
suspensivo. Frise-se que de acordo com a Súmula 317 do STJ, por ser carente de efeito
suspensivo, a pendência da apelação contra decisão que rejeita embargos não impede o
curso regular do execução fiscal, que conserva o caráter de execução definitiva. Nada
impede, porém, a concessão de efeito suspensivo se requerido for.

Meios de Expropriação

No que toca aos meios diretos de execução, por serem muitas as semelhanças com os
mecanismos previstos no CPC, remete-se o aluno ao estudo do material referente ao processo
civil. Vale ressaltar, porém, uma relevante particularidade da execução fiscal: não se admire aqui,
ao contrário do CPC, a alienação de bens penhorados por iniciativa particular. Na execução fiscal,
a alienação de bens necessariamente ocorrerá via hasta pública (leilão). Frise-se, porém, que
todos os demais meios, como a adjudicação e a penhora de frutos e rendimentos são cabíveis.

Artigos mais relevantes da Lei 6.830

Sugerimos a leitura dos seguintes artigos da Lei nº 6.830: 2º; 3º; 5º; 8º, caput e §2º; 11,§1º; 16 ;
17 ; 20 ; 28 ; 29 ; 30 ; 38; 40.

Súmulas importantes:

● Súmula 189 do STJ


● Súmula 314 do STJ
● Súmula 406 do STJ
● Súmula 409 do STJ

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002 11

e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br  5
APOSTILA 
 

Direito Tributário | 4ª ed.

● Súmula 452 do STJ


● Súmula 558 do STJ
● Súmula 559 do STJ

Rua Lauro Linhares, 2055, sala 707, Bloco Flora, Trindade, Fpolis/SC, CEP 88036-002 11

e-mail: a​ tendimento@provadaordem.com.br  6

Você também pode gostar