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Centro Universitário São Lucas de Ji-Paraná

CURSO DE DIREITO – DISCIPLINA: ESTÁGIO CIVIL II

PEÇA PROCESSUAL:
MARIA TEREZINHA, ao parar diante de faixa de pedestre,
na cidade de Uberlândia/MG, teve seu veículo abalroado pelo automóvel
conduzido por CARLOS FRANCO e, em razão do acidente, teve sua mão direita
amputada. Por esse motivo, propôs contra CARLOS FRANCO, ação de
conhecimento pelo procedimento comum, pleiteando indenização, no valor de R$
15.000,00, pelos danos materiais suportados, referentes a despesas hospitalares
e gastos com remédios, e indenização por danos morais, no valor de R$
60.000,00, pela amputação sofrida.
O processo foi distribuído para o juízo da 1ª Vara Cível de
Uberlandia/MG.
CARLOS FRANCO lhe informa que MARIA TEREZINHA
propusera, havia um ano, ação idêntica perante a 2ª Vara Cível de Uberlândia/
MG e que o referido processo aguardava apresentação de réplica da autora.
CARLOS FRANCO lhe informa que gostaria que MARIA TEREZINHA fosse
condenada a lhe pagar indenização pelos prejuízos que suportou, no valor de R$
10.000,00, sob a alegação de que ela teria parado o veículo, indevidamente,
diante da faixa de pedestre, visto que, segundo relatou, não havia qualquer
pessoa aguardando para atravessar a via, assim como tem duas testemunhas
que a tudo assistiram e se puseram à disposição para relatar em juízo o ocorrido.

Em face dessa situação hipotética, na qualidade de


advogado(a) contratado(a) por CARLOS FRANCO, redija a peça processual
cabível, abordando todas as questões processuais e de direito material
necessárias à defesa de seu cliente.

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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 1ª VARA CÍVEL DA
COMARCA DE UBERLÂNDIA/MG

Processo autuado sob o n. (número)

CARLOS FRANCO, brasileiro, casado, professor, inscrito no


CPF/MF sob o N.º 123.456.789-00, RG/CIC sob o Nº 123.456 SSP/MG,
endereço eletrônico: carlosfranco@gmail.com, residente e domiciliado
na Rua Belo Horizonte, Nº 23, Bairro Diamantina, CEP 789.990-123,
Uberlândia/MG, por sua advogada Patrícia Machado de Oliveira, OAB/RO
123456, com endereço eletrônico: adv.patriciamacholi@gmail.com,
escritório situado na Avenida Braz Cabral, Nº12, Bairro Santa Luz, CEP
123654-987, Uberlândia/MG, onde recebe suas intimações de estilo, vem
perante Vossa Excelência nos autos da AÇÃO PELO PROCEDIMENTO COMUM,
que lhe move MARIA TEREZINHA, oferecer
CONTESTAÇÃO, com fundamento no art. 335 do Código de Processo
Civil e propor RECONVENÇÃO, com fundamento no art. 342 do mesmo
Código, pelos motivos de fato e de Direito a seguir expostos.

1 – RESUMO DA INICIAL

A AUTORA, doravante denominada MARIA TEREZINHA, propôs contra o


AUTOR ação de conhecimento pelo procedimento comum, pleiteando
indenização por danos materiais e morais, conforme foi narrado pela
mesma ao parar diante de faixa de pedestre, na cidade de
Uberlândia/MG, teve seu veículo abalroado pelo automóvel conduzido
pelo RÉU, doravante denominado CARLOS FRANCO.
Tal processo foi distribuído para o juízo da 1ª Vara Cível de
Uberlândia/MG. Acontece que a AUTORA propusera, havia um ano, ação
idêntica perante a 2ª Vara Cível de Uberlândia/MG, onde o referido
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processo aguarda apresentação de réplica, o que fica caracterizado
como litispendência por se tratar de uma ação idêntica a outra quando
possui as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido,
conforme art. 337, §2º do CPC.
Vale ressaltar ainda que a AUTORA teria parado o veículo,
indevidamente, diante da faixa de pedestre, visto que, segundo relatou
o RÉU, não havia qualquer pessoa aguardando para atravessar a via,
assim como tem duas testemunhas que a tudo assistiram e se puseram à
disposição para relatar em juízo o ocorrido.

2 – PRELIMINARMENTE

2.1. LITISPENDÊNCIA ART. 337, VI, DO CPC.

Dispõe o art. 337, VI, da Lei Processual, que ocorre a


litispendência quando se repete a ação que está em curso.
A AUTORA propondo uma segunda ação perante o Juízo da 1ª
Vara da Comarca de Uberlândia/MG abre margem para o que denomina-se
Litispendência, ou seja, uma ação idêntica a outra quando possui as
mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido, conforme art.
337, §2º do CPC.
Assim sendo, não podendo prosseguir duas ações entre as
mesmas partes e sobre o mesmo objeto, deve ser extinto o processo cuja
ação distribuída posteriormente enseja litispendência.
Espera, assim, o RÉU, seja extinto o processo sem
resolução do mérito, conforme dispõe o art. 485, V, do CPC, com a
condenação da AUTORA nas custas do processo e nos honorários
advocatícios.

3. DO MÉRITO (É necessário ter subtópico)


3.1. DO NÃO DEVER DE INDENIZAR (EXEMPLOS: AUSÊNCIA DE CULPA , DANO
MATERIAL, DANO MORAL, NEXO DE CAUSALIDADE)
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Narra autora que teve seu veículo abalroado pelo automóvel
conduzido pelo RÉU e, em razão do acidente, teve sua mão direita
amputada. Por esse motivo, propôs ação pleiteando indenização, no
valor de R$ 15.000,00, pelos danos materiais suportados, referentes a
despesas hospitalares e gastos com remédios.
Todavia, o RÉU informa que a alegação da AUTORA não procede, sob
a alegação de que ela teria parado o veículo, indevidamente, diante da
faixa de pedestre, visto que, segundo relatou o RÉU, não havia
qualquer pessoa aguardando para atravessar a via, assim como tem duas
testemunhas que a tudo assistiram e se puseram à disposição para
relatar em juízo o ocorrido.
O art. 186 do CC/02 estabelece que “Aquele que, por ação ou
omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e
causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato
ilícito.”, pela inteligência do artigo em comento para se configurar o
ato ilícito tem-se que ter agido ao menos com culpa, o que não foi o
caso do RÉU, pois foi a AUTORA que provocou o acidente.
Dessa forma, conclui-se que o acidente ocorreu por culpa
exclusiva da AUTORA. Assim, não se configura o elemento culpa, muito
menos, o nexo de causalidade, que poderiam ensejar alguma indenização
prevista no art. 186 e 927, todos do Código Civil Brasileiro.
No entanto, apenas para argumentar, em atenção ao princípio da
eventualidade, caso não se admita a culpa exclusiva da AUTORA, no
mínimo, houve culpa concorrente no caso dos autos, pois, se houve
colisão na traseira do automóvel da AUTORA foi devido a imprudência da
condutora ao imobilizar seu veículo de forma inadequada sem acionar a
sinalização de emergência (pisca alerta), fazendo uma parada brusca e
desnecessária, haja visto, não haver no momento, como podem as
testemunhas alegar, nenhum pedestre na faixa para atravessar.
Considerando que não houve culpa por parte do RÉU na
eventualidade ocorrida, conclui-se pela improcedência dos pedidos
iniciais. Contudo, caso este r. Juízo entenda que o RÉU possui alguma
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responsabilidade no acidente, requer que seja considerada a culpa
concorrente, para mensuração do grau de participação do RÉU no evento,
com redução do valor a ser indenizado.

3.2. DO DANO MORAL

Narra a autora, que ao parar diante da faixa de pedestres, que


teve seu veículo abalroado pelo automóvel conduzido pelo RÉU e, em
razão do acidente, teve sua mão direita amputada. Por esse motivo,
propôs ação pleiteando indenização por danos morais, no valor de R$
60.000,00, pela amputação sofrida.
Entretanto, conforme apregoa o art. 43 do CTB, in verbis:  
Art. 43. Ao regular a velocidade, o condutor deverá observar
constantemente as condições físicas da via, do veículo e da carga, as
condições meteorológicas e a intensidade do trânsito, obedecendo aos
limites máximos de velocidade estabelecidos para a via, além de:
I - não obstruir a marcha normal dos demais veículos em circulação sem
causa justificada, transitando a uma velocidade anormalmente reduzida;
II - sempre que quiser diminuir a velocidade de seu veículo deverá
antes certificar-se de que pode fazê-lo sem risco nem inconvenientes
para os outros condutores, a não ser que haja perigo iminente;
III - indicar, de forma clara, com a antecedência necessária e a
sinalização devida, a manobra de redução de velocidade.
RÉU informa que a alegação da AUTORA não procede, pois a mesma teria
parado o veículo, indevidamente, diante da faixa de pedestre, visto
que, não havia qualquer pessoa aguardando para atravessar a via, assim
como tem duas testemunhas que a tudo assistiram e se puseram à
disposição para relatar em juízo o ocorrido.
Ainda, o art. 186 do CC/02 estabelece que “Aquele que, por ação
ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e
causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato
ilícito.”, pela inteligência do artigo em comento para se configurar o

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ato ilícito tem-se que ter agido ao menos com culpa, o que não foi o
caso do RÉU, pois foi a AUTORA quem provocou o acidente.
Dessa forma, conclui-se que o acidente ocorreu por culpa
exclusiva da AUTORA. Assim, não se configura o elemento culpa, muito
menos, o nexo de causalidade, que poderiam ensejar alguma indenização
prevista no art. 186 e 927, todos do Código Civil Brasileiro.
No entanto, apenas para argumentar, em atenção ao princípio da
eventualidade, caso não se admita a culpa exclusiva da AUTORA, no
mínimo, houve culpa concorrente no caso dos autos, pois, se houve
colisão na traseira do automóvel da AUTORA foi devido a imprudência da
condutora ao imobilizar seu veículo de forma inadequada sem acionar a
sinalização de emergência (pisca alerta), fazendo uma parada brusca e
desnecessária, haja visto, não haver no momento, como podem as
testemunhas alegar, nenhum pedestre na faixa para atravessar.
Considerando que não houve culpa por parte do RÉU na
eventualidade ocorrida, conclui-se pela improcedência dos pedidos
iniciais. Contudo, caso este r. Juízo entenda que o RÉU possui alguma
responsabilidade no acidente, requer que seja considerada a culpa
concorrente, para mensuração do grau de participação do RÉU no evento,
com redução do valor a ser indenizado.

3.3. DA RECONVENÇÃO

Baseado no Art. 343 do CPC, “na contestação, é lícito ao réu


propor reconvenção para manifestar pretensão própria, conexa com a
ação principal ou com o fundamento da defesa.”
Como foi demonstrado ao longo dessa contestação e será provado
durante a instrução do processo, que na verdade foi a RECONVINDA a
causadora do acidente, no momento em que freou seu automóvel no meio
da via sem nenhuma necessidade evidente, haja vista, não ter pedestres
para atravessarem a faixa naquele momento, o que levou o RECONVINTE a
não ter seus reflexos alertados, vindo a atingir o veículo desta
RECONVINDA.
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Nesse ínterim, a teor dos arts.186 3 927 do Código Civil de
2002, deve a RECONVINDA a indenizar o RECONVINTE no montante referente
ao conserto do veículo.
Cabe ressaltar que, conforme as fotos do acidente, anexas, bem
como os relatos no boletim de ocorrência, a parte dianteira do
automóvel sofreu avarias, e os faróis e as setas do lado esquerdo
quebrados com o acidente ocorrido, como demonstram os orçamentos
anexos. O orçamento de menor valor para conserto do carro do RÉU
alcança o montante de R$ 10.000,00 (dez mil reais).

4. DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

Inicialmente, o AUTOR requer o acolhimento da preliminar com


base no art. 337, VI, do CPC com a extinção do processo sem resolução
do mérito, nos termos do art. 485 incisos II e V do Código de Processo
Civil n ao sendo esse o entendimento
Requer que seja o réu condenando o autor ao pagamento de custas
e honorários advocatícios;
Requer, outrossim, sejam julgados improcedentes os pedidos
formulados pela AUTORA, e, procedente o pedido reconvencional que
consiste na indenização pelos prejuízos que suportou, no valor de R$
10.000,00, bem como de honorários advocatícios, nos termos do art. 85
do Código de Processo Civil.
Requer a intimação da RÉ, na pessoa de seu advogado, para
apresentar resposta à reconvenção no prazo de 15 (quinze) dias.
Requer, também, nos termos do parágrafo único do art. 286 do
Código de Processo Civil, a expedição de ofício ao distribuidor para a
anotação da propositura da reconvenção;
Requer, gratuidade conforme art. 98 do CPC, e prioridade na
tramitação de acordo com art. 1.048 do CPC.
Requer, por fim, a produção de todos os meios de prova em
direito admitidos, em especial, a ouvida do depoimento pessoal da RÉ,

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de testemunhas, juntada de documentos, e outros que se fizerem
necessários à demonstração da verdade dos fatos.

Dá-se à reconvenção o valor de R$10.000,00(Dez Mil Reais).

Termos em que,
Pede deferimento.

Uberlândia/ MG, 15 de Março de 2021.


Patrícia Machado de Oliveira
OAB/RO n. 123456
ENDEREÇO PROFISSIONAL situado na Avenida Braz Cabral, Nº12, Bairro
Santa Luz, CEP 123654-987, Uberlândia/MG(art. 77, V, do CPC).

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