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UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Faculdade de Engenharia
Departamento de Engenharia Cartográfica

TOPOGRAFIA
APLICADA A LEVANTAMENTOS TERRESTRES

AUTORES
Laís Ribeiro Baroni
Sérgio Orlando Antoun Netto

2019
APRESENTAÇÃO

Esta apostila é o resultado da compilação de anotações de aula das disciplinas


Topografia Básica, Levantamentos Topográficos e Topografia Aplicada à
Engenharia I e II dos cursos de Engenharia Cartográfica e Civil da Universidade
do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). A origem deste trabalho se deu pela
iniciativa do Professor Sérgio Antoun, como uma das atividades de monitoria de
suas disciplinas na UERJ. A apostila foi iniciada pelos alunos de Engenharia Civil
Ana Waldila de Queiroz Ramiro Reis e Wallace da Silva em 2015 e retomada e
finalizada pela aluna da Engenharia Cartográfica, Laís Ribeiro Baroni.

Por fim, esperamos que esta apostila possa contribuir para o estudo dos futuros
estudantes de Engenharia da instituição. Obviamente, tudo o que precisamos
aprender não se apresenta apenas nesta apostila, mas a vida de um Engenheiro
se dá pelo estudo diário, mesmo depois da colação de grau e por seu
aprendizado.

O que está aqui presente é apenas um conhecimento básico do que é necessário


para lidarmos não somente com os problemas práticos cobrados em aula e na
prova, mas também de futuros problemas que serão encarados na vida
profissional. Assim sendo, esperamos que este material tenha um ótimo proveito
para os alunos de Topografia.
1. OBJETO DA TOPOGRAFIA .............................................................................................................. 4

1.1. HISTÓRICO ............................................................................................................................... 4


1.1.1. Origem ............................................................................................................................... 4
1.1.2. Definição e Aplicações ....................................................................................................... 4
1.1.3. Divisões da Topografia ...................................................................................................... 5
1.1.4. Finalidade da Topografia .................................................................................................. 6
1.2. PRECISÃO CARTOGRÁFICA ............................................................................................................ 7
1.2.1. Erro Gráfico ....................................................................................................................... 7
1.2.2. Padrão de Exatidão Cartográfica ..................................................................................... 7
1.3. IMPORTÂNCIA DA TOPOGRAFIA ................................................................................................... 11
1.4. DIFERENÇA ENTRE GEODÉSIA E TOPOGRAFIA .................................................................................. 11
1.5. PLANO TOPOGRÁFICO ............................................................................................................... 12

2. REPRESENTAÇÃO PLANIALTIMÉTRICA ......................................................................................... 14

2.1. ESCALAS DE REPRESENTAÇÃO ..................................................................................................... 14


2.2. ACURÁCIA POSICIONAL ............................................................................................................. 16
2.3. FORMA DA TERRA .................................................................................................................... 17
2.3.1. Modelo Real (Ou Superfície Topográfica) ...................................................................... 17
2.3.2. Modelo Geoidal ................................................................................................................ 18
........................................................................................................................................................... 18
2.3.3. Modelo Elipsoidal ............................................................................................................ 18
2.3.4. Ondulação Geoidal .......................................................................................................... 19
2.4. ORIENTAÇÃO TERRESTRE (AZIMUTES E RUMOS) ............................................................................. 22
2.4.1. Azimute de Quadrícula .................................................................................................... 22
2.4.1.1. Determinação do Azimute de Quadrícula (AzQ) ..................................................................... 23
2.4.2. Azimute Verdadeiro ou Geográfico ................................................................................. 24
2.4.2.1. Convergência Meridiana e Determinação do Azimute Verdadeiro (Az V) ............................. 25
2.4.3. Azimute Magnético .......................................................................................................... 26
2.4.3.1. Declinação Magnética e Determinação do Azimute Magnético (AzM) ................................... 27
2.4.4. Rumos .............................................................................................................................. 28
2.4.4.1. Relações entre Azimutes e Rumos ........................................................................................... 29

3. INSTRUMENTOS E EQUIPAMENTOS TOPOGRÁFICOS ................................................................... 30

3.1 DISTANCIÔMETRO .................................................................................................................... 30


3.2 NÍVEL ................................................................................................................................... 30
3.3 TEODOLITO .......................................................................................................................... 31
3.4 ESTAÇÃO TOTAL ................................................................................................................... 32
3.5 ACESSÓRIOS .......................................................................................................................... 33
3.6 APARELHOS PARA OBTENÇÃO DE COORDENADAS ..................................................................... 36

4. MEDIÇÕES DE ÂNGULOS E DISTÂNCIAS ....................................................................................... 37

4.1 MEDIÇÃO ANGULAR ................................................................................................................. 37


4.1.1 Ângulos Verticais ................................................................................................................. 37
4.1.2 Ângulos Horizontais............................................................................................................. 39
4.2 MEDIÇÃO DE DISTÂNCIAS .......................................................................................................... 41
4.2.1 Medidas Indiretas ................................................................................................................ 41
4.2.1.1 Taqueometria (ou Estadimetria) .................................................................................... 41
4.2.1.2 Medição Eletrônica de Distâncias ................................................................................... 42
4.2.2 Medidas Diretas ................................................................................................................... 43
4.2.2.1 Medição com Diastímetro ............................................................................................... 43

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4.2.2.2 Erros na Medida Direta de Distâncias ............................................................................ 44
4.2.2.2.1 Calibração da Trena ................................................................................................... 44
4.2.2.2.2 Correção de Temperatura .......................................................................................... 45
4.2.2.2.3 Correção de Inclinação ............................................................................................... 45
4.2.2.2.4 Catenária ..................................................................................................................... 46

5. ERROS EM TOPOGRAFIA .............................................................................................................. 47

5.1 FONTES DE ERROS .................................................................................................................... 47


5.1.1 Fatores Humanos ................................................................................................................. 47
5.1.2 Fatores Instrumentais ......................................................................................................... 47
5.1.3 Condições Ambientais .......................................................................................................... 47
5.2 TIPOS DE ERROS ...................................................................................................................... 47
5.2.1 Erros Grosseiros ................................................................................................................... 47
5.2.2 Erros Sistemáticos ............................................................................................................... 48
5.2.3 Erros Acidentais ou Aleatórios ............................................................................................ 48

6. INTRODUÇÃO AOS SISTEMAS GEODÉSICOS ................................................................................. 50

7. NOÇÕES SOBRE PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS ............................................................................. 54

7.1 CLASSIFICAÇÃO DAS PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS ............................................................................ 54


7.1.1 QUANTO À SUPERFÍCIE DE PROJEÇÃO ........................................................................................... 54
7.1.2 QUANTO AO TIPO DE CONTATO ENTRE AS SUPERFÍCIES DE PROJEÇÃO E REFERÊNCIA................................ 55
7.1.3 QUANTO ÀS PROPRIEDADES ....................................................................................................... 56

8. LEVANTAMENTOS PLANIMÉTRICOS ............................................................................................. 66

8.1 POLIGONAÇÃO ........................................................................................................................ 66


8.1.1 MÉTODOS DE COMPENSAÇÃO DE ERROS ....................................................................................... 68
8.1.2 CORREÇÃO DA POLIGONAL ......................................................................................................... 69
8.2 IRRADIAMENTO/IRRADIAÇÃO ................................................................................................. 74
8.3 TRIANGULAÇÃO E TRILATERAÇÃO ........................................................................................... 75
8.4 NBR 13133 - EXECUÇÃO DE LEVANTAMENTOS TOPOGRÁFICOS (PLANIMETRIA) ........................ 76
8.5 CÁLCULO DE ÁREA ................................................................................................................. 76
8.5.1 Método dos triângulos ......................................................................................................... 77
8.5.2 Método das Coordenadas Alternadas (Fórmula de Gauss) ................................................ 77

9. LEVANTAMENTOS GNSS .............................................................................................................. 79

9.1 SISTEMAS DE NAVEGAÇÃO GLOBAL POR SATÉLITES .......................................................................... 79


9.1.1 GLONASS .............................................................................................................................. 79
9.1.2 BEIDOU................................................................................................................................. 80
9.1.3 GALILEO ............................................................................................................................... 80
9.1.4 GPS........................................................................................................................................ 80
9.2 MÉTODOS DE POSICIONAMENTO ............................................................................................. 81
9.2.1 Posicionamento por Ponto Preciso (PPP) ..................................................................... 82
9.3 PROCEDIMENTO DE CAMPO .................................................................................................... 82
9.4 FATORES QUE AFETAM A PRECISÃO DO GNSS .......................................................................... 83
9.5 LIMITAÇÕES E VANTAGENS DA AQUISIÇÃO GNSS ...................................................................... 83

10. LEVANTAMENTOS ALTIMÉTRICOS ........................................................................................... 85

10.1 NIVELAMENTO TRIGONOMÉTRICO ........................................................................................... 85


10.1.1 COM TEODOLITO ..................................................................................................................... 85
10.1.2 COM ESTAÇÃO TOTAL ............................................................................................................... 86

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10.2 NIVELAMENTO GEOMÉTRICO .................................................................................................. 87
10.3 NIVELAMENTO TAQUEOMÉTRICO ............................................................................................ 88
10.4 NBR 13133/94 EXECUÇÃO DE LEVANTAMENTOS TOPOGRÁFICOS (ALTIMETRIA) ..................... 89
10.5 CÁLCULO DE VOLUME ............................................................................................................ 90
10.5.1 USANDO CURVAS DE NÍVEL ......................................................................................................... 91
10.5.2 ÁREA MÉDIA .......................................................................................................................... 92
10.5.3 VOLUME PRISMOIDAL ............................................................................................................... 92
10.6 MOVIMENTOS DE TERRA ........................................................................................................ 93

11. NOÇÕES BÁSICAS DE TOPOLOGIA............................................................................................ 95

11.1 Cores Hipsométricas ............................................................................................................ 95


11.2 Perfis Topográficos .............................................................................................................. 95
11.3 Relevos Sombreados ............................................................................................................ 96
11.4 Curvas de Nível..................................................................................................................... 97

12. VISÃO GERAL DAS TÉCNICAS DE AUTOMAÇÃO TOPOGRÁFICA ................................................ 99

12.1 ESTAÇÃO TOTAL ROBÓTICA ........................................................................................................ 99


12.2 GNSS RTK........................................................................................................................... 99
12.3 SCANNER TERRESTRE .......................................................................................................... 100
12.4 VEÍCULO AÉREO NÃO TRIPULADO (VANT) ........................................................................... 100
12.5 NÍVEL DIGITAL ELETRÔNICO ................................................................................................ 101

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................................................... 103

APÊNDICES - TRABALHOS PRÁTICOS ................................................................................................. 107

A. VERIFICAÇÃO DOS VÉRTICES DA POLIGONAL UERJ ............................................................. 107


B. MEDIÇÃO DE DISTÂNCIAS COM TRENA, POR TAQUEOMETRIA E ESTAÇÃO TOTAL .................................. 111
C. VETORIZAÇÃO DE PLANTAS TOPOGRÁFICAS .............................................................. 112
D. TRANSFORMAÇÃO DE COORDENADAS (PROGRID) / GOOGLE EARTH PRO/AUTOCAD/QGIS
113
E. GNSS PPP .......................................................................................................................... 114
F. POLIGONAÇÃO E IRRADIAMENTO ..................................................................................... 115
G. NIVELAMENTOS TRIGONOMÉTRICO, TAQUEOMÉTRICO E GEOMÉTRICO ........................... 116

ANEXOS ............................................................................................................................................. 117

A. PROGRAMA PROGRID (TRANSFORMAÇÃO DE COORDENADAS)....................................................... 117


B. SIRGAS 2000 (REFERENCIAL GEODÉSICO OFICIAL DO BRASIL) ........................................................ 117
C. GEORREFERENCIAMENTO DE UMA CARTA TOPOGRÁFICA USANDO DADOS VETORIAIS NO QGIS – PROFA.
ALERTE MENEGUETTE (UNESP – CAMPUS PRESIDENTE PRUDENTE) .............................................................. 117

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UNIDADE I

1. OBJETO DA TOPOGRAFIA
1.1. Histórico

1.1.1. Origem

A palavra TOPOGRAFIA tem sua origem na escrita grega,


onde TOPOS significa lugar e GRAPHEN significa descrição. Então, pode-se
dizer que a topografia é a ciência que trata do estudo da representação
detalhada de uma superfície terrestre. (DE TOPOGRAFIA PROF, 2014)

Desde os primórdios da civilização, ainda em seu estágio primitivo, o homem


tratou de demarcar sua posição e seu domínio. Sem saber, ele já aplicava a
Topografia, um exemplo disso são relatos do Egito antigo, onde as famosas
enchentes do rio Nilo que fertilizavam as suas margens também desmarcavam
as linhas divisórias das propriedades, havendo assim a necessidade de nova
demarcação quando as águas voltavam ao seu nível normal. Outro fato marcante
na história é o fato dos três reis magos acharem a localização do nascimento de
Jesus através de técnicas de astronomia, procedimento antigo utilizado para
localização e posicionamento de um levantamento topográfico. (DE
TOPOGRAFIA PROF, 2014)

Os babilônicos, os egípcios, os gregos, os chineses, os árabes e os romanos


foram os povos que nos legaram instrumentos e processos que, embora
rudimentares, serviram para descrever, delimitar e avaliar propriedades, tanto
urbanas como rurais, com finalidades cadastrais. A partir destes métodos
topográficos rudimentares foram obtidos dados que possibilitaram a elaboração
de cartas e plantas, tanto militares como geográficas, que foram de grande valia
para a época e mesmo como documento histórico para nossos dias.(DE
TOPOGRAFIA PROF, 2014)

Atualmente, graças ao avanço tecnológico, os aparelhos modernos e altamente


sofisticados permitem obter uma descrição do modelado terrestre com a precisão
exigida para projetos de grande complexidade bem como para a locação final
desses projetos no terreno. (DE TOPOGRAFIA PROF, 2014)

1.1.2. Definição e Aplicações

De acordo com a NBR 13133 (TÉCNICAS, p.3), Norma Brasileira para Execução
de Levantamento Topográfico o levantamento topográfico é definido
por: “Conjunto de métodos e processos que, através de medições de ângulos
horizontais e verticais, de distâncias horizontais, verticais e inclinadas, com
instrumental adequado à exatidão pretendida, primordialmente, implanta e

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materializa pontos de apoio no terreno, determinando suas coordenadas
topográficas. A estes pontos se relacionam os pontos de detalhe visando à sua
exata representação planimétrica numa escala pré-determinada e à sua
representação altimétrica por intermédio de curvas de nível, com equidistância
também pré-determinada e/ou pontos cotados. ”

Outra definição é dada por KAHMEN & FAIG (1988): “Na Topografia trabalha-se
com medidas (lineares e angulares) realizadas sobre a superfície da Terra e a
partir destas medidas calculam-se coordenadas, áreas, volumes, etc. Além disto,
estas grandezas poderão ser representadas de forma gráfica através de mapas
ou plantas. Para tanto é necessário um sólido conhecimento sobre
instrumentação, técnicas de medição, métodos de cálculo e estimativa de
precisão”.

A topografia tem ampla aplicação em diversos projetos de várias áreas, como


engenharia, arquitetura, urbanismo, regularização fundiária, planejamento e
gestão urbana, entre outros. Algumas aplicações diretas da topografia são
listadas:

• Levantamento Topográfico Altimétrico;


• Levantamento Topográfico Planimétrico;
• Levantamento Cadastral;
• Nivelamento;
• Terraplanagem;
• Locação de Obras;
• Acompanhamento de Obras;
• Loteamento;
• Traçado Geométrico de Vias;
• Cálculo de Volume.

1.1.3. Divisões da Topografia

De acordo com ESPARTEL (1987), pode-se subdividir a topografia em quatro


partes principais: a topometria, abrangendo a planimetria e a altimetria, a
topologia, a taqueometria e a fotogrametria.

Topometria

Topometria tem por objetivo estudar os processos clássicos de medida de


distância, ângulos e diferença de nível baseado na geometria aplicada.
Encarrega-se, portanto, da medida das grandezas lineares e angulares, obtidas
por instrumentos topográficos, quer seja no plano horizontal ou no plano vertical,
objetivando definir o posicionamento relativo dos pontos topográficos.
(PASTANA, 2010)

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A topometria divide-se em planimetria e altimetria. Na planimetria as medidas,
tanto lineares como angulares, são efetuadas em planos horizontais, obtendo-
se ângulos azimutais e distâncias horizontais; na altimetria as medidas são
efetuadas na vertical ou num plano vertical, obtendo-se as distâncias verticais
ou diferenças de nível e ângulos zenitais. (ESPARTEL, 1987)

Topologia

A topologia, complemento indispensável à topometria, tem por objetivo o estudo


das formas exteriores do terreno (relevo) e as leis que regem a sua formação e
suas modificações através dos tempos. A principal aplicação da topologia dá-se
na representação cartográfica do terreno pelas curvas de nível, que são as
interseções obtidas por planos horizontais equidistantes entre si com o terreno a
representar. (PASTANA, 2010)

Taqueometria

A Taqueometria tem por finalidade o levantamento de pontos do terreno pela


resolução de triângulos retângulos, dando origem às plantas cotadas ou com
curvas de nível. A sua principal aplicação é em terrenos altamente acidentados,
por exemplo: morros, montanhas, vales, etc., sobre o qual oferece reais
vantagens em relação aos métodos topométricos, já que os levantamentos são
realizados com maior rapidez e economia. De outra forma, é a parte da
topografia que trata das medidas indiretas das distâncias horizontais e verticais.
(PASTANA, 2010)

Fotogrametria

Segundo THOMPSON (1966), a fotogrametria (derivada do grego: luz, descrição


e medidas) é definida como “Ciência, tecnologia e arte de obter informações
seguras acerca de objetos físicos e do meio, através de processos de registro,
medições e interpretações de imagens fotográficas e padrões registrados de
energia eletromagnética”. A fotogrametria terrestre, aérea ou orbital se diferencia
pela forma de aquisição da imagem a ser trabalhada.

Nessa apostila não será abordado o conteúdo sobre fotogrametria uma vez que
existem disciplinas voltadas especificamente para essa ciência.

1.1.4. Finalidade da Topografia

“A Topografia tem por finalidade determinar o contorno, dimensão e posição


relativa de uma porção limitada da superfície terrestre, sem levar em conta a
curvatura resultante da esfericidade terrestre” ESPARTEL (1987).

O diagrama da Figura 1.1 apresenta a finalidade da topografia. O motivo das


determinações em uma porção limitada da Terra é a limitação do plano

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topográfico de modo a ser possível desconsiderar os efeitos da curvatura da
Terra, como será melhor explicado no item 1.5 desta apostila.

Figura 1.1 - Finalidade da Topografia,

1.2. Precisão Cartográfica

As medidas planimétricas extraídas de uma carta impressa em papel estão


sujeitas a uma composição de incertezas com pelo menos dois tipos de
imprecisões, quais sejam: o Erro Gráfico e o Padrão de Exatidão Cartográfica
(PEC).

1.2.1. Erro Gráfico

Também conhecido como erro de graficismo, corresponde a uma função de


apreciação visual, habilidade manual e qualidade de equipamento utilizado para
fazer o desenho. Em outras palavras, nenhuma leitura ou realização de medida
é 100% precisa, sempre haverá algum erro ou incerteza.

De acordo com a ABNT/ NBR 13133 (1994), o erro de graficismo é o “erro


máximo na elaboração de desenho topográfico para lançamento de pontos e
traçados de linhas, com o valor de 0,2 mm, que equivale a duas vezes a acuidade
visual. ”

Por conta disso, pode-se definir o valor de precisão da escala como sendo:

𝐷
𝑝𝑒 = 0,2 ( ) 𝑚𝑚
𝑑
Sendo:
𝑝𝑒 = Precisão de escala;
𝐷 = Distância horizontal no terreno;
𝑑 = Distância reta na carta topográfica.

1.2.2. Padrão de Exatidão Cartográfica

O Decreto nº 89.817, de 20 de Junho de 1984, estabeleceu critérios para


classificação de cartas quanto à sua exatidão e à distribuição de erros ao longo
das mesmas, utilizando o “Padrão de Exatidão Cartográfica (PEC)”. Padrão de

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 7


Exatidão Cartográfico é um indicador estatístico de dispersão, relativo a 90% de
probabilidade, que define a exatidão de trabalhos cartográficos. A probabilidade
de 90%corresponde a 1,6449 vezes o Erro Padrão - PEC. O Erro-Padrão isolado
num trabalho cartográfico, não ultrapassará 60,8% do Padrão de Exatidão
Cartográfico. Na época, o principal objetivo foi assegurar a exatidão cartográfica
do produto analógico, observando as peculiaridades de cada escala de
representação. (DE SERVIÇO GEOGRÁFICO, 2011).

Essa classificação seria como um selo de qualidade da exatidão posicional, onde


classe A é a melhor, conforme discriminado na Tabela 1.1.

Tabela 1.1 - PEC planimétrico e PEC altimétrico (BRASIL, 1984)

Sendo a equidistância das curvas de nível em função da escala do mapa


conforme indicado na Erro! Fonte de referência não encontrada..

Tabela 1.2 - Valores padrão de equidistância das curvas de nível pela escala
(BRASIL, 1984)

É obrigatória a indicação da Classe no rodapé da folha, ficando o produtor


responsável pela fidelidade da classificação. Os documentos cartográficos, não
enquadrados nas classes especificadas no artigo anterior, devem conter no
rodapé da folha a indicação obrigatória do Erro-Padrão verificado no processo
de elaboração. (BRASIL, 1984)

A aplicação do decreto 89.817 para as cartas digitais na avaliação de sua


qualidade tornou-se questionável, pois necessitaria convertê-las do formato
digital para o formato analógico, na escala apropriada, para então aplicar o PEC.
Uma alternativa seria extrair as medições da própria carta digital e definir uma
escala de referência para analisar a carta, somente após se chegaria aos
resultados das discrepâncias. Entende-se que ambas as maneiras representam
um contrassenso, pois o PEC foi concebido para cartas analógicas e o processo

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 8


digital impõe outras análises, que transcendem a questão da qualidade
posicional. (ROCHA, 2002)

Recentemente o Exército Brasileiro definiu o PEC para Produtos Cartográficos


Digitais (PEC-PCD) dentro da Especificação Técnica dos Produtos de Conjuntos
de Dados Geoespaciais (ET-PCDG), especificação esta adotada também hoje
na Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais (Inde). (SAPIENZA, 2014).

Os valores referentes ao Padrão de Exatidão Cartográfica dos Produtos


Cartográficos Digitais (PEC-PCD), extraídos da Especificação Técnica dos
Produtos de Conjuntos de Dados Geoespaciais (ET-PCDG), são propostos para
os produtos digitais produzidos após a publicação da ET-PCDG e
complementam os estabelecidos, para produtos impressos, no Decreto nº
89.817, de 20 de junho de 1984. (DE SERVIÇO GEOGRÁFICO, 2011)

As Tabelas 1.3, 1.4 e 1.5 apresentam esses padrões.

Tabela 1.3 - Padrão de Exatidão Cartográfica da Planimetria dos Produtos


Cartográficos Digitais (DE SERVIÇO GEOGRÁFICO, 2011).

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Tabela 1.4 - Padrão de Exatidão Cartográfica Altimétrica dos Pontos Cotados e
do MDT, MDE e MDS (DE SERVIÇO GEOGRÁFICO, 2011).

Tabela 1.5 - Padrão de Exatidão Cartográfica da Altimetria (curvas de nível)


dos Produtos Cartográficos Digitais (DE SERVIÇO GEOGRÁFICO, 2011).

Observações:
(1) Valores determinados, ou adaptados, com base nos valores do PEC Planimétrico
previstos no Decreto 89.817, de 20 de junho de 1984.
(2) Produtos Cartográficos Digitais, baseado nos valores utilizados pelo “Ordinance
Survey” e “National Joint Utilities Group” do Reino Unido, extraídos de ARIZA (2002,
Pág. 87, no qual Exatidão Cartográfica = 0,28 mm na escala do produto cartográfico e
EP = 0,17 mm na escala do produto cartográfico).
(3) Valor calculado levando-se em consideração os erros existentes nos processos de
medição de pontos apoio e de fototriangulação.
(4) Valores do PEC-PCD iguais a 1 equidistância e EP de 3/5 da equidistância do
produto cartográfico.
(5) Para o caso de produtos convertidos do meio analógico para o digital, é desejável
que esse processo mantenha o padrão original do PEC. Como isso nem sempre é

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 10


possível, a classificação do produto cartográfico digital poderá possuir a seguinte
classificação:
Se PEC = A, então PEC-PCD = Até “C”;
Se PEC = B, então PEC-PCD = Até “D”; e
Se PEC = Não disponível, então PEC-PCD = Não disponível.

1.3. Importância da Topografia

“Antes de desenvolver qualquer projeto de construção civil, faz-se necessário


realizar um levantamento topográfico, que mede perímetros e a área total do
terreno disponibilizado para a execução da obra. ”

“Através do estudo da topografia do terreno, o engenheiro responsável pela obra


consegue visualizar melhor as imperfeições e declives, identificando a
necessidade de aterros e se o projeto é viável para a empresa, evitando
desperdício de dinheiro. O responsável pela construção também pode adequar
seu projeto através dos resultados do estudo topográfico, visando à redução do
custo da obra e eliminação de retrabalhos, que levam ao atraso do prazo de
entrega e gastos excessivos. ”

“Mas, não é um profissional de qualquer área que está habilitado a realizar um


levantamento topográfico. Somente um topógrafo tem conhecimento adequado
para desenvolver o trabalho de forma qualitativa, manuseando todos os
equipamentos de forma correta para entregar um levantamento assertivo. ”

“Profissionais formados em Engenharia de Agrimensura, Geodésia e


Cartografia, Técnicos em Agrimensura, Topografia e Hidrografia são os mais
capacitados para atuar como topógrafo, cargo que possui mercado de trabalho
bastante amplo. Além de atuar junto a empresas prestadoras de serviços de
topografia, o profissional da área também atua junto a órgãos públicos, como
prefeituras e governos, empresas de engenharia civil, construção, saneamento
e telecomunicações. ”

Vale ressaltar que o conteúdo deste tópico foi uma adaptação do texto retirado
do site: http://www.festcinegoiania.com.br/2014/02/qual-importancia-da-
topografia-na-hora.html

1.4. Diferença entre Geodésia e Topografia

As representações em mapas são baseadas em modelos matemáticos da Terra.


Em Geodésia um elipsóide de revolução é utilizado para aproximar a figura da
Terra. Projeções de mapas fornecem a base matemática para a transformação
de posições tridimensionais para uma superfície plana. A realização prática do

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 11


sistema de referência espacial é realizada através da criação e manutenção de
uma rede de pontos de controle onde a posição horizontal e a altitude são
conhecidas com um elevado grau de precisão. A posição das feições na
superfície é determinada por métodos geodésicos (incluindo posicionamento por
satélites), topográficos ou fotogramétricos (incluindo os que usam fotografias
aéreas e imagens de satélite).

Geodésia: fundamentos matemáticos apoiados na trigonometria esférica


X
Topografia: fundamentos matemáticos apoiados na trigonometria plana

1.5. Plano Topográfico

Plano topográfico é a “superfície definida pelas tangentes, no ponto origem do


Sistema Topográfico, ao meridiano deste ponto e à geodésica normal a este
meridiano” (ABNT, 1998). Em outras palavras, é um plano horizontal, finito,
tangente à superfície do elipsóide terrestre e de dimensões limitadas ao campo
topográfico.

Figura 1.2- Plano Topográfico (Fonte:


http://leg.ufpr.br/lib/exe/fetch.php/disciplinas:verao2007:pdf:ptr2202-conceitos-
2004.pdf)

A hipótese do plano topográfico exige certa restrição no que se refere à extensão


da área a ser levantada, uma vez que todas as medidas são realizadas partindo
do princípio da Terra ser plana, ou seja, não considerando a sua curvatura. Deste
modo, a adoção da hipótese do plano topográfico implica na substituição do arco
pela tangente, cometendo assim um erro, denominado de erro de esfericidade.

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 12


Segundo o item 3.40 da NBR 13133 “O plano de projeção tem a sua dimensão
máxima limitada a 80 km, a partir da origem, de maneira que o erro relativo,
decorrente da desconsideração da curvatura terrestre, não ultrapasse 1/35000
nesta dimensão e 1/15000 nas imediações da extremidade desta dimensão”

A Norma NBR 13.133/94 – Execução de Levantamento Topográfico, da ABNT,


considera um plano de projeção limitado a 80 Km.

“O plano topográfico deve ser elevado ao nível médio do terreno da área, objeto
de levantamento topográfico, para a caracterização do plano topográfico local
pela imposição de um fator de elevação aplicado às coordenadas plano-
retangulares de todos os pontos levantados geodésica e topograficamente nele
representados. ” (NBR14166)

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 13


UNIDADE II
2. REPRESENTAÇÃO PLANIALTIMÉTRICA
2.1. Escalas de Representação

Todas as vezes que observamos uma carta topográfica, seja no computador,


seja em papel, deparamo-nos com um item importantíssimo que é um dos
indispensáveis em toda e qualquer tipo de planta: a escala.

Escala é a relação entre a medida de um objeto ou lugar representado no papel


e sua medida real. É a escala que indica o quanto um determinado espaço
geográfico foi reduzido para “caber” no local em que ele foi confeccionado em
forma de material gráfico.

Por exemplo: se uma escala de um determinado mapa é 1:25000, significa que


cada centímetro do mapa representa 25000 centímetros (ou 250 metros) do
espaço real. Consequentemente, essa proporção é de 1 por 25000.

𝑑𝑖𝑠𝑡â𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑛𝑜 𝑚𝑎𝑝𝑎
Sendo assim: 𝐸𝑠𝑐𝑎𝑙𝑎 =
𝑑𝑖𝑠𝑡â𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑟𝑒𝑎𝑙

Vale ressaltar que a escala é adimensional, ou seja, não há dimensão. A leitura


que fazemos que irá determinar as unidades correspondentes

Imagine que todo mapa é uma visão aérea sobre o determinado espaço. Dessa
forma, para saber se uma escala é grande ou pequena, ou se ela é maior do que
outra, basta entender que a escala nada mais é do que o nível de aproximação
da visão aérea do mapa. Outra forma é observar a escala numérica, lembrando
que ela se trata de uma divisão. Assim, quanto menor for esse denominador,
maior será a escala.

Escala Exemplo
Grande 1:2000
Média 1:50.000
Pequena 1:100.000 até 1:1.000.000
Tabela 2.1 - Exemplos de escalas.

E escolha da escala é fator importantíssimo na elaboração de produtos


cartográficos. O item 5.2daABNT/ NBR 8196/1999 afirma que: “A escala para
ser escolhida de um desenho depende da complexidade do objeto ou elemento
a ser representado e da finalidade da representação. Em todos os casos, a
escala deve ser suficiente para permitir uma interpretação fácil e clara da
informação representada. A escala ou tamanho do objeto ou elemento em
questão são parâmetros para a escolha do formato da folha de desenho.”

A Tabela 2.2 apresenta diversas escalas com os seus respectivos empregos,


conforme PASTANA (2010)

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 14


Tabela 2.1- Empregos de diferentes escalas (PASTANA, 2010)
Assim, é possível perceber que, quanto maior for a escala, menor será a área
representada no mapa e vice-versa, pois, quanto maior a escala, maior é a
aproximação da visão aérea do local representado. Isso nos permite, por sua
vez, um maior nível de detalhamento das informações, pois quanto mais
próximos estamos de um local, mais detalhes conseguimos visualizar.

Quanto maior a escala, menor a área representada e maior é o nível de


detalhamento.

As escalas podem ser representadas de duas principais maneiras:


numericamente ou graficamente.

Escala numérica

Corresponde à forma fracionária, onde possui o numerador unitário e o


denominador a distância com relação à unidade. Algumas representações estão
a seguir:
1
 (Está em desuso)
50.000
 1⁄50.000 (Pouco uso)
 1: 50.000 (Mais usada)

Obviamente, é interessante ser usada sempre a representação mais usada, que


corresponde à terceira.

Escala gráfica

Apresenta as dimensões reais do mapa através de um gráfico. Normalmente sua


função básica é facilitar a leitura de um mapa, de modo que possibilita o
profissional ter uma maior exatidão na leitura dos comprimentos dos objetos.

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 15


Costuma-se ser representada por um retângulo com os comprimentos já em
escala e com cores intercaladas, para se evitar maiores erros.

Figura 2.1 - Representações gráficas de uma escala Fonte: PASTANA (2010)

Existe também o denominado “talão”, que consiste em representar intervalos


menores da escala.

Figura 2.2 -Escala com talão. Fonte: VEIGA et al, 2007


Ainda existem o três tipos de escala: a natural, a reduzida e a ampliada. Na
cartografia trabalha-se, essencialmente, com a escala reduzida.

Escala natural: Temos uma escala natural quando o tamanho físico do objeto
representado no plano coincide com a realidade. Própria para representações
onde se faz necessário uma alta fidelidade de representação da região a ser
reproduzida. A escala natural é representada numericamente E1:1.

Escala reduzida: A escala reduzida representa uma área que é maior na


realidade do que na própria representação. Tal escala é geralmente utilizada em
plantas de habitações e mapas físicos de territórios de tamanho extenso onde
faz-se necessário a redução por motivos práticos, que chegam a E1:50000 ou
E1:100000. Para se conhecer o valor real e uma dimensão é necessário
multiplicar a medida do plano pelo valor do denominador.

Escala ampliada: A escala ampliada, por sua vez, é utilizada quando é


necessária a representação de detalhes mínimos de uma determinada área, ou
então a representação de territórios de tamanho muito reduzido. Em tal caso o
valor do numerador é mais alto que o valor do denominador, sendo que, deverá
dividir-se pelo numerador para conhecer o valor real da peça. Exemplos de
escalas ampliadas são E2:1 ou E10:1.

2.2. Acurácia Posicional

A acurácia está relacionada ao grau de precisão das observações realizadas


quando comparadas ao seu valor verdadeiro, vinculadas a efeitos aleatórios e
sistemáticos.

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 16


A seguir, um exemplo que possa melhorar a compreensão da diferença entre a
precisão e a acurácia: Um jogador de futebol está treinando cobranças de
pênalti. Ele chuta a bola 10 vezes e nas 10 vezes ele acerta a trave do lado
direito do goleiro. Este jogador foi extremamente preciso, pois seus resultados
não apresentaram nenhuma variação em torno do valor que se repetiu 10 vezes,
entretanto, em nenhuma vez fez um gol. Em outras palavras, a precisão
corresponde a exatidão da determinação das leituras em torno de um valor, já a
acurácia corresponde a essa exatidão somada ainda a leitura em torno do valor
desejado.

Figura 2.3- Exemplos de acuraria e precisão (VEIGA et al, 2007)


Observando a figura anterior, verificamos que (a) corresponde a leitura precisa,
porém, não acurado (que é o exemplo do jogador dado anteriormente), (b) é
preciso e acurado e por fim (c) não é preciso nem acurado.

2.3. Forma da Terra

O planeta Terra, como sabemos, possui superfícies irregulares. Desta forma, são
utilizados modelos matemáticos, particularmente figuras geométricas que
possam melhor representar e forma mais real possível. Entretanto, quanto mais
próximo do real tal representação for, mais complexos serão os cálculos para
averiguar a topografia. (VEIGA et al, 2007)

No estudo da forma e dimensão da Terra, podemos considerar quatro tipos


de superfície ou modelo para a sua representação. São eles:

2.3.1. Modelo Real (Ou Superfície Topográfica)

É a superfície real da terra e do mar em um dado momento. Seu conhecimento


é especialmente importante porque é nela que se desenvolve a maior parte das
atividades humanas.

No entanto, devido à irregularidade da superfície terrestre, o modelo real não


dispõe, até o momento, de definições matemáticas adequadas à sua
representação. Em função disso, outros modelos menos complexos foram
desenvolvidos.

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 17


2.3.2. Modelo Geoidal

O modelo geoidal é o que mais se aproxima da superfície terrestre. Este se


caracteriza por ser o nível médio dos mares quando em repouso, de forma que
prolongue até os continentes. Por ser uma superfície irregular, esta não é tratada
para cálculos matemáticas, por serem bastante complexos e variarem com o
tempo.

O modelo geoidal é determinado, matematicamente, através de medidas


gravimétricas (força da gravidade) realizadas sobre a superfície terrestre. Os
levantamentos gravimétricos, por sua vez, são específicos da Geodésia e,
portanto, não serão abordados por esta disciplina.

Figura 2.4 - Superfície geoidal (Barbiero, 2015)

2.3.3. Modelo Elipsoidal

Como visto acima, a figura resultante do formato mais próximo do real da Terra
é um Geóide. No entanto, as equações matemáticas para descrever tal formato
seriam muito complexas para uma figura assim. Por isso, utilizamos o elipsoide
que funciona como uma simplificação do formato geoidal inerente à Terra.
(Barbiero, 2015)

Este sólido geométrico é gerado pela rotação de uma elipse em 180° (ou uma
semi elipse em 360°).

Um elipsóide de revolução fica perfeitamente definido por meio de dois


parâmetros: os seus semieixos a e b. Em Geodésia, entretanto, é tradicional
considerar como parâmetros os semieixos maior e menor e o achatamento f.
Sendo o achatamento calculado pela seguinte equação:

𝑎−𝑏
𝑓=
𝑎

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 18


Figura 2.5 – Modelo elipsoidal (Fonte: VEIGA et al, 2007)

A variação destes parâmetros constitui diferentes elipsóides de revolução.


Existem numerosos modelos de elipsóide e isso deve ser atentado quando se
trabalha em topografia. Mundialmente, o WGS84 é o Sistema de Referência mais
utilizado e seu elipsóide de referência é o GRS80, o mesmo do SIRGAS2000
utilizado no Brasil.

2.3.4. Ondulação Geoidal

Os equipamentos coletores de dados geodésicos (GNSS) utilizam o elipsóide


para determinar nossa posição na Terra, isto porque é basicamente impossível
materializar a superfície do geóide através de fórmulas matemáticas.

A altitude fornecida pelo GPS é chamada de Altitude Geométrica, que possui


como referencial o elipsóide

. Em cartas topográficas, RNs, etc., utilizamos a chamada Altitude Ortométrica,


que possui o nível do mar (geoide) como referencial. Assim, temos um problema
de incompatibilidade neste ponto.

Para converter a altitude elipsoidal (h), obtida através de receptores GNSS, em


altitude ortométrica (H), é necessário utilizar o valor da altura geoidal (N)
fornecida por um modelo de ondulação geoidal, utilizando a seguinte expressão:

𝐻 =ℎ−𝑁

Figura 2.6- Calculo da ondulação geoidal (Fonte: site do IBGE)

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 19


A ondulação geoidal pode ser obtida a partir do software MAPGEO (última
atualização em 2015). Este corresponde à um modelo geodésico desenvolvido
pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) juntamente com a
Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo) onde tal modelo possui
uma resolução de 5’ de arco. Através deste sistema, os usuários podem obter a
ondulação geoidal em um ponto ou conjunto de pontos, cujas coordenadas
refiram-se ao SIRGAS2000 e compreendidas entre as latitudes de 6°N e 35°S e
entre as longitudes de 75°W e 30°W, dentro do território brasileiro.

Figura 2.7 - Layout do programa MAPGEO2015


O MAPGEO2015 pode ser baixado livremente a partir do site do IBGE. Existem
duas maneiras de se obter a ondulação geoidal a partir do programa: pela
entrada via teclado onde deve-se colocar cada ponto de uma vez e a entrada via
arquivo onde se define o formato do arquivo e as ondulações são apresentadas.
A segunda é mais eficiente quando se deseja calcular a ondulação de muitos
pontos.

Existe uma superfície de referência para orientação do MAPGEO, que no caso


é o elipsóide. De acordo com este software, os resultados podem ser positivos
(a linha do geóide acima do elipsoide), negativos (a linha do geóide abaixo do
elipsoide) ou nulos (as linhas se cruzam em um determinado ponto).

N>0; o geóide está acima do elipsóide


𝐻 =ℎ−𝑁 N<0; o geóide está abaixo do elipsóide
N=0; intersecção do geóide e elipsóide

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 20


Figura 2.8 - Ondulação geoidal negativa, positiva e nula

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 21


2.4. Orientação Terrestre (Azimutes e Rumos)

A palavra “orientação” vem de “Oriente”, que significa a direção do Sol nascente,


a parte do céu onde nasce o Sol. As direções hoje chamadas, em português, de
Leste e Oeste estão relacionadas com as direções do nascer e do pôr-do-sol,
com o Oriente e Ocidente, respectivamente. Na Cartografia, orientação é a
determinação de uma localização (ponto A: onde estou) e uma direção (ponto B:
mira) em relação aos pontos cardeais (sistema referencial).

Sendo assim, existem três parâmetros essenciais para que a orientação se torne
possível:

 Localização de um ponto: uma origem (duas coordenadas)


 Direção: um ângulo (azimute) de uma direção
 Escala: distância (comprimento)

O azimute é o ângulo formado entre a direção Norte-Sul e uma direção terrestre.


O azimute é sempre contado a partir do Norte, no sentido horário e varia de 0º
até 360º. Porém, existe mais de um Norte, na verdade temos três tipos de Norte
em cartografia, são eles: Norte Geográfico ou Verdadeiro, aquele indicado por
qualquer meridiano geográfico, ou seja, na direção da rotação da Terra; o Norte
Magnético, que é a direção do polo magnético, indicado pela agulha imantada
de uma bússola; e o Norte da Quadrícula, aquele representado nas cartas
topográficas, no sentido Norte-Sul.

Dessa forma, existem três tipos de azimute: o Azimute Geográfico ou


Verdadeiro, o Azimute Magnético e o Azimute de Quadrícula.

2.4.1. Azimute de Quadrícula

O Norte de Quadrícula é definido pelo norte da carta, ou seja, pela direção norte
do quadriculado de coordenadas planas do mapa. O azimute de quadrícula (AzQ)
está diretamente relacionado com o Norte de Quadrícula (NQ).

Figura 2.9 - Azimute de Quadrícula (AzQ)

Contra-azimute é o azimute na direção oposta. Para calculá-lo basta somar ou


subtrair 180º ao azimute em questão, consoante este é, respectivamente, menor
ou maior do que 180º.

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 22


2.4.1.1. Determinação do Azimute de Quadrícula (AzQ)

Sabendo-se as coordenadas planas do ponto de origem (A) e do ponto de


destino (B), é possível encontrar o azimute de quadrícula a partir da
determinação do ângulo θ.
|∆𝐸| |∆𝐸|
tan 𝜃 = ∴ 𝜃 = 𝑎𝑟𝑐𝑡𝑎𝑛 ( )
|∆𝑁| |∆𝑁|

Sendo (Ea,Na) as coordenadas do ponto de origem e (Eb,Nb) as coordenadas do


ponto de destino: ∆E = Eb - Ea e ∆N = Nb - Na.

O azimute de quadrícula, no entanto, vai variar de acordo com o quadrante que


ele se encontra constituindo quatro diferentes casos:

1º caso – Primeiro Quadrante

∆E >0
∆N >0
0º<AzQ<90º.

AzQ = θ

Figura 2.10 - Azimute no primeiro quadrante

2º caso – Segundo Quadrante

∆E >0
∆N <0
90º<AzQ<180º.

AzQ = 180º-θ

Figura 2.11 - Azimute no segundo


quadrante

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 23


3º caso – Terceiro Quadrante

∆E <0
∆N <0
180º<AzQ<270º.

AzQ = 180º+θ

Figura 2.12 - Azimute no terceiro quadrante

4º caso – Quarto Quadrante

∆E <0
∆N >0
270º<AzQ<360º.

AzQ = 360º-θ

Figura 2.13 - Azimute no quarto quadrante

Resumindo:

Figura 2.14 - Azimute para cada quadrante.

2.4.2. Azimute Verdadeiro ou Geográfico

O azimute verdadeiro está relacionado com o Norte Verdadeiro (NV), cujo qual
é o Norte real do planeta Terra, ou Norte Geográfico (NG). Vetorialmente
corresponde ao vetor tangente aos meridianos terrestres.

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 24


O Norte Verdadeiro e o Norte de Quadrícula possuem direções diferentes, isso
porque para se transportar a representação do planeta Terra (que é uma esfera,
basicamente) ao plano, ocorrem distorções, o que gera um ângulo entre o NQ e
o NV. Este ângulo é a convergência meridiana e é representado pela letra c ou
ɣ.

Figura 2.15 - Relação do Norte Verdadeiro (NG) com o Norte de Quadrícula


nos quatro quadrantes.

2.4.2.1. Convergência Meridiana e Determinação do Azimute


Verdadeiro (AzV)

A partir do azimute de quadrícula e a convergência meridiana é possível calcular


o azimute verdadeiro. A convergência meridiana plana (ɣ)e pode ser
determinado para fins topográficos, de forma aproximada, pela seguinte equação
(CHAGAS,1965):

𝛾𝐴 ≈ (𝜆𝐴 − 𝜆𝑀𝐶 ) × sin 𝜑𝐴

Onde: ɣA é a convergência meridiana no ponto A;


λA é a longitude no ponto A, negativa a oeste de Greenwich;
λMC é a longitude do Meridiano Central, negativa a oeste de Greenwich;
ΦA é a latitude do ponto A, negativa ao Sul do Equador.

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 25


Figura 2.16– Azimutes de quadrícula e verdadeiro e convergência meridiana.
O azimute verdadeiro é calculado, então, somando-se o valor da convergência
meridiana ao valor do azimute de quadrícula. Porém a convergência pode ser
negativa ou positiva de acordo com a convenção do IBGE:

Se o norte de quadrícula (NQ) estiver a oeste do norte geográfico (NG) a


convergência meridiana plana é negativa e, se a leste, positiva.

𝐴𝑧𝑣 = 𝐴𝑧𝑄 − 𝛾𝐴𝑧𝑣 = 𝐴𝑧𝑄 + 𝛾

Figura 2.17 - Convergência negativa (à esquerda) e Convergência positiva (à


direita)

2.4.3. Azimute Magnético

Definido como o ângulo horizontal horário que o lado norte do meridiano


magnético faz com um alinhamento.

A Terra tem um campo magnético próprio - um grande imã, cujas extremidades,


também conhecidas como polos magnéticos, não coincidem com os polos
geográficos. Esta falta de coincidência faz com que o campo magnético terrestre
não esteja alinhado com a direção Norte-Sul e, consequentemente, a agulha da
bússola não aponta para o Norte Geográfico.

Dessa forma, existe a declinação magnética definida como o ângulo formado


entre o Norte Geográfico e o Norte Magnético, sempre expresso em graus.

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 26


2.4.3.1. Declinação Magnética e Determinação do Azimute
Magnético (AzM)

Para a determinação do azimute magnético é necessário saber o valor de


Declinação Magnética (D) - ângulo formado entre as direções Norte Magnético
e Norte Verdadeiro em um ponto específico da superfície da Terra.

A declinação magnética não é igual em todo o planeta. Ela varia de região para
região e ao longo do tempo. Se o norte magnético estiver a oeste de Greenwich
a declinação é negativa e se estiver a leste a declinação é positiva.

Figura 2.18 - Declinação magnética (D). Adaptado de http://www.magnetic-


declination.com/
Normalmente a declinação magnética está indicada nas cartas topográficas e
mapas de cada região, mas também pode ser calculada a partir da seguinte
equação:

𝐷 = 𝐶𝐼𝐺 + [(𝐴 + 𝐹𝐴 ) × 𝐶𝐼𝑃]

Onde: D= declinação magnética


CIG= curvas isogônicas (valor interpolado)
A=ano da observação – ano do mapa
FA= fração de ano
CIP= curvas isopóricas (valor interpolado)

Esse cálculo só é possível com a utilização de mapas magnéticos.

O cálculo de “A” é feito subtraindo o ano de observação (a data na qual se deseja


saber a declinação magnética) do ano do mapa de declinação magnética de
referência. “FA” é a fração do ano indicada na legenda do mapa magnético de
acordo com o dia e o mês da observação.

As curvas CIG e CIP são encontradas nos mapas magnéticos, normalmente nas
cores vermelha e azul, respectivamente. Para determinar o valor em certo ponto
do mapa, basta observar os valores das duas curvas mais próximas ao ponto e

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 27


fazer uma regra de três usando as distâncias entre as curvas e seus valores
como referência. O mesmo processo de interpolação é feito para os CIG e CIP,
sendo importante atentar que os valores de CIG são dados em graus
enquanto o CIP em minutos.

Para um melhor entendimento, assista os vídeos nos seguintes endereços:


https://www.youtube.com/watch?v=ELBLgSqlbXce
https://www.youtube.com/watch?v=4SM2_fi4ntY

Uma predição da declinação magnética para uma posição geográfica em


determinada data pode ser calculada de acordo com um modelo empírico de
abrangência mundial desenvolvido pelo National Geophysical Data Center
(NGDC/NOAA), nos Estados Unidos. Este centro disponibiliza na Internet uma
página intitulada “Magnetic Field Calculators” que permite calcular a declinação
magnética de qualquer local em uma data escolhida. O site do Observatório
Nacional<www.on.br>também dá o valor da declinação magnética diariamente.

Sabendo-se a declinação magnética, temos que:

𝐴𝑧𝑉 = 𝐴𝑧𝑀 + 𝐷 ∴ 𝐴𝑧𝑀 = 𝐴𝑧𝑉 − 𝐷


Conhecendo o AzV basta subtrair ou somar (caso a declinação seja negativa) a
declinação magnética para encontrar o AzM. No Brasil a declinação magnética é
negativa, o azimute verdadeiro é igual ao azimute magnético menos a declinação
magnética.

Observação importante:

Pelo link <http://daed.on.br/astro/magnetismo-terrestre> temos acesso aos mapas


de magnetismo terrestre que mostram linhas de isovalores dos elementos do
campo geomagnético selecionado (Declinação, Inclinação ou Intensidade).

2.4.4. Rumos

É o menor ângulo que uma direção terrestre faz com a linha Norte Sul. O rumo
pode ser contado do Norte ou do Sul (o que estiver mais próximo). Por isso nunca
passa de 90º, vindo obrigatoriamente acompanhado da identificação do
quadrante (NE, SE, SO, NO). (TIMBÓ, 2001)

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 28


Figura 2.19 - Rumos, onde RAB é o rumo da direção AB (primeiro quadrante),
RAC é o rumo da direção AC (segundo quadrante) e assim por diante.
(RODRIGUES, 2008)
Como os azimutes, os rumos, dependendo do norte ao qual são referenciados
podem ser: Rumo verdadeiro, da quadrícula ou magnético.

2.4.4.1. Relações entre Azimutes e Rumos

Quando conhecemos os azimutes dos alinhamentos, podemos facilmente, a


partir deles, determinar os rumos correspondentes, através de simples relações
geométricas, bastando para isso observar que: a partir do Norte, os rumos
crescem no sentido horário para E (L), e no anti-horário para W (O) e a partir do
Sul crescem no sentido anti-horário para E (L), e horário para W (O).
(CARVALHO, 2008)

A fórmula da conversão de azimute para rumo, então, vai mudar com o


quadrante de acordo com a Figura 2.20.

Figura 2.20 - Relação entre Rumos e Azimutes. (RODRIGUES, 2008)

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 29


UNIDADE III
3. INSTRUMENTOS E EQUIPAMENTOS TOPOGRÁFICOS

Neste capítulo pretende-se apresentar os principais equipamentos e acessórios


utilizados durante os levantamentos topográficos. Desta forma, o aluno ficará
familiarizado com as ferramentas que serão utilizadas nos trabalhos de campo.
Não é objetivo desta unidade descrever os procedimentos de campo, já que os
referidos procedimentos serão descritos nas unidades VIII, IX e X, bem como
das atividades de campo.

A seguir serão apresentados os seguintes equipamentos: os distanciômetros, os


níveis, os teodolitos, e as estações totais. Vários acessórios são importantes
para a utilização destes equipamentos, alguns indispensáveis e outros
dispensáveis, mas que, se usados, aumentam a precisão e qualidade do
levantamento. Outros instrumentos utilizados em Topografia são aqueles para
obtenção de coordenadas, os aparelhos GNSS.

3.1 Distanciômetro

Como o próprio nome sugere, distanciômetro é um instrumento de medição


indireta de distâncias. A medição é feita através de raios infravermelhos com o
auxílio de prismas refletores.

Os aparelhos empregam um sinal infravermelho pulsante que é transmitido por


um diodo laser. Para obter-se uma medida é necessário apenas o tempo de
emissão e recepção do sinal. Quando não são utilizados refletores (prismas)
estes instrumentos podem ser utilizados para distâncias de até 150 ou 300 m,
dependendo das condições de luz. Utilizando-se prismas o alcance desses
equipamentos pode ser estendido a quilômetros (MCCORMAC, 2011).

3.2 Nível

De maneira geral os níveis são equipamentos destinados à determinação de


desníveis entre dois ou mais pontos. Estes equipamentos consistem de uma
luneta associada a um nível tubular de precisão (Níveis Ópticos Mecânicos) ou
uma luneta associada a um nível esférico, de baixa precisão, e um sistema de
pêndulo que tem a função do nível de precisão nos Níveis Ópticos Automáticos.
(FAGGION, 2011)

Figura 3.1 - Exemplo de nível óptico (FAGGION, 2011)

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 30


3.3 Teodolito

Os teodolitos são equipamentos destinados à medição de ângulos, horizontais


ou verticais, objetivando a determinação dos ângulos internos ou externos de
uma poligonal, bem como a posição de determinados detalhes necessários ao
levantamento. (VEIGA, 2007)

Atualmente existem diversas marcas e modelos de teodolitos, os quais podem


ser classificados:

 Pela finalidade: topográficos, geodésicos e astronômicos;


 Quanto à forma: ópticos-mecânicos ou eletrônicos;
 Quanto à precisão: A NBR 13133 (ABNT, 1991, p.6) classifica os teodolitos
segundo o desvio padrão de uma direção observada em duas posições da
luneta, conforme Tabela 3.1.

Tabela 3.1 - Classificação dos teodolitos. (ABNT, 1991, p.6)


A precisão do equipamento pode ser obtida no manual do mesmo. De acordo
com VEIGA, 2007, como elementos principais que constituem os teodolitos,
mecânicos ou automáticos, ópticos ou digitais, podemos citar: sistema de eixos,
círculos graduados ou limbos, luneta de visada e níveis (Figura 3.2).

 Sistema de eixos: eixos VV, ZZ e KK onde são, respectivamente: eixo


vertical, principal ou de rotação do teodolito; eixo de colimação ou linha de
visada; eixo secundário ou de rotação da luneta.
 Círculos Graduados (limbo): disco de metal ou vidro, onde está gravada a
escala da graduação angular horizontal e vertical.
 Luneta de visada: tubo cilíndrico, enegrecido internamente, constituído por
um sistema de lentes composto de ocular, objetiva e um diafragma. Em
Topografia normalmente utilizam-se lunetas com poder de ampliação de 30
vezes.
 Níveis: Os níveis de bolha podem ser esféricos (com menor precisão),
tubulares, ou digitais, nos equipamentos mais recentes

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 31


Figura 3.2- Exemplo de teodolito e seus principais elementos. (VEIGA, 2007;
FAGGION, 2011)

O teodolito é posicionado em um ponto de forma que esteja nivelado com o eixo


de gravidade do local, mira-se com a luneta para outro ponto e, então, toma-se
sua medida angular. Precisamos no mínimo das medidas de três pontos
diferentes.

Para o cálculo de tais medidas, aplicam-se sistemas de triangulação (método de


levantamento baseado na trigonometria). Através desses dados, podem ser
confeccionadas cartas ou plantas topográficas e mapas.

3.4 Estação Total

De acordo com VEIGA (2007), uma estação total nada mais é do que um
teodolito eletrônico (medida angular), um distanciômetro eletrônico (medida
linear) e um processador matemático, associados em um só conjunto. A partir
de informações medidas em campo, como ângulos e distâncias, uma estação
total permite obter outras informações como:

- Distância reduzida ao horizonte (distância horizontal);


- Desnível entre os pontos (ponto “a” equipamento, ponto “b” refletor);
- Coordenadas dos pontos ocupados pelo refletor, a partir de uma orientação
prévia.

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 32


Figura 3.3 - Exemplo de estação total (VEIGA, 2007)

Além destas facilidades estes equipamentos permitem realizar correções no


momento da obtenção das medições ou até realizar uma programação prévia
para aplicação automática de determinados parâmetros tais como:

-Condições ambientais (temperatura e pressão atmosférica);


-Constante do prisma.

Além disto, é possível configurar o instrumento em função das necessidades do


levantamento, alterando valores como:

-Altura do instrumento;
-Altura do refletor;
-Unidade de medida angular;
-Unidade de medida de distância (metros, pés);
-Origem da medida do ângulo vertical (zenital, horizontal, nadiral, etc).

3.5 Acessórios

Trenas: É um tipo de diastímetro utilizado em medidas diretas, são constituídas


de diversos tipos de materiais. As mais utilizadas são aquelas constituídas de
aço ou fibra de vidro. Os levantamentos realizados com este tipo de material
fornecem maior precisão, por isso são mais confiáveis. Estes equipamentos
podem ser encontrados com ou sem invólucro, os quais podem ter o formato de
uma cruzeta, ou forma circular e sempre apresentam distensores (manoplas) nas
suas extremidades. Seu comprimento varia de 20 a 50m (com invólucro) e de 20
a 100m (sem invólucro). É recomendado utilizar as trenas que são revestidas de
fibra de vidro, nylon, ou epóxi, pois resistem à umidade, produtos químicos e
temperaturas extremas. (Temóteo, 2013)

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 33


Piquetes ou estacas: tem como finalidade principal de materializar o ponto da
poligonal do levantamento topográfico. São de madeira (2,5 x 2,5 cm), com
aproximadamente 25 cm e apontados de um dos lados.

Balizas: São utilizadas para materializar a vertical nos pontos topográficos


(piquetes), mantendo o alinhamento na medição entre os pontos, quando é
necessário executar vários lances. Este acessório é constituído de hastes
metálicas ou de madeira, com 2 m de comprimento, pintadas de branco e
vermelho ou branco e preto alternadamente em faixas de 50 cm permitindo sua
visualização à distância e, terminadas em pontas de ferro. Devem ser mantidas
na posição vertical, sobre o ponto marcado no piquete, com auxílio de um nível
de cantoneira (Veiga et al., 2007)

Níveis de bolha e digitais: são utilizados para a definição da verticalidade do


eixo principal. Podem ser esféricos (com menor precisão), tubulares ou digitais,
nos equipamentos mais recentes. Os níveis de bolha esféricos ou tubulares são
constituídos de um tubo de vidro fechado, dobrado segundo um certo raio, onde
é feito um vácuo e parcialmente preenchidos com um líquido, bastante fluído em
geral álcool etílico, ficando uma pequena parte preenchida com o vapor do
próprio fluído (FAGGION, 2011). Há ainda o Nível de cantoneira que é um
equipamento em forma de cantoneira e dotado de bolha circular que permite ao
auxiliar segurar a baliza na posição vertical sobre o piquete ou sobre o
alinhamento a medir (VEIGA et al., 2007).

Miras: Instrumentos para medir distância vertical de um ponto até o plano


horizontal do nível. Para os níveis digitais, a mira deve ser com código de barras.

Durante a leitura em uma mira convencional devem ser lidos quatro algarismos,
que corresponderão aos valores do metro, decímetro, centímetro e milímetro,
sendo que este último é obtido por uma estimativa e os demais por leitura direta
dos valores indicados na mira. (VEIGA et al., 2012)

A leitura do valor do metro é obtida através dos algarismos em romano (I, II, III)
e/ou da observação do símbolo acima dos números que indicam o decímetro. A
convenção utilizada para estes símbolos, no caso da mira em exemplo, é
apresentada na Erro! Fonte de referência não encontrada.. (VEIGA et al., 2012)

Figura 3.4 - Convenção para a indicação do metro para a mira (VEIGA et al.,
2012)

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 34


A leitura do decímetro é realizada através dos algarismos arábicos (1, 2, 3, etc.).
A leitura do centímetro é obtida através da graduação existente na mira. Traços
escuros correspondem a centímetros ímpares e claros a valores pares.
Finalmente a leitura do milímetro é estimada visualmente. Na Figura 3.5 são
apresentados diversos exemplos de leitura na mira. (VEIGA et al., 2012)

Figura 3.5 - Miras e leituras (VEIGA et al., 2012)


Tripé: Suporte portátil que possui três pernas corrediças e uma base, sobre a
qual se acoplam os instrumentos como o teodolito, nível, etc.

Fio de prumo: Instrumento para detectar a vertical do lugar e elevar o ponto.


Pode ser adaptado num prisma ortogonal ou num tripé.

Bússola: Instrumento que tem a finalidade de determinar ângulos Azimutais ou


rumais. Temos a bússola que possui limbo e outra (Declinatória) que utiliza o
limbo do instrumento ao qual ela está acoplada.

Figura 3.6 - Exemplos dos acessórios utilizados em topografia sendo: a)trena;


b)piquete (em cima) e estacas (embaixo); c) balizas; d) nível de bolha e nível
de cantoneira (embaixo); e)tripé; f)fio de prumo e g)bússola

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 35


3.6 Aparelhos para Obtenção de Coordenadas

O GNSS (Global Navigation Satellite System) é um sistema de posicionamento


global capaz de localizar pontos de forma rápida e exatamente sobre a Terra
pela medição de distâncias para satélites artificiais com exatidão igual, ou
melhor, do que as técnicas convencionais diretas sobre a superfície da terra
(MCCORMAC, 2011).

O Sistema GNSS é composto por três segmentos: Espacial, de Controle e de


Usuários. O segmento de usuários é constituído por receptores. Todos os tipos
de receptores (ou rastreadores) têm um dispositivo de radiofrequência que
identifica o sinal emitido pelo satélite e gera o mesmo sinal ao mesmo tempo no
receptor. Os receptores podem ser classificados de acordo com algumas
características como: tipo de sinal recebido (código e/ou fase da onda portadora,
portadora L1 ou portadoras L1 e L2), quantidade e tipo de canais de recepção
(um canal para todos os satélites, mais canais para todos os satélites ou um
canal para cada satélite). (GOMES, 2001)

Vale salientar que a utilização de receptores GNSS RTK possibilita a obtenção


de dados com a acurácia exigida pela legislação para os principais trabalhos
topográficos. Tais como georreferenciamento de imóveis rurais.

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 36


UNIDADE IV
4. MEDIÇÕES DE ÂNGULOS E DISTÂNCIAS

4.1 Medição Angular

Os ângulos em topografia podem ser classificados em: Ângulos Verticais,


Ângulos Horizontais e Ângulos de Orientação.

Na Figura 4.1é apresentado um esquema para os ângulos em topografia. Como


pode ser observado, os ângulos de orientação são compostos pelos azimutes e
rumos, já apresentados e explorados na Unidade II.

Figura 4.1 - Esquema para ângulos em topografia.

4.1.1 Ângulos Verticais

Os ângulos verticais são muito importantes no trabalho de nivelamento


(levantamento altimétrico). A maior parte dos aparelhos em topografia faz uso
desse ângulo para determinar diferença de níveis entre pontos do terreno.

Esse ângulo vai sempre pertencer ao plano vertical e é subclassificado como


Vertical ou Zenital dependendo do seu ponto de partida de referência.

4.1.1.1 Ângulo Vertical ou Inclinação

Comumente representado pela letra “V”, é o ângulo formado entre a linha do


horizonte (plano horizontal) e alinha de visada. Varia de 0º a+90º em direção
ascendente (acima do horizonte) e 0º a -90º em direção descendente (abaixo do
horizonte).

O ângulo vertical é mais conhecido como inclinação que é representado com a


letra “i”.

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 37


Figura 4.2 - Ângulo Vertical (V). (VEIGA et.al., 2007)

4.1.1.2 Ângulo Zenital

O ângulo zenital é formado entre a vertical do lugar (zênite) e a linha de visada.


Varia de 0º a 180º, sendo a origem da contagem o zênite. Esse ângulo é
representado pela letra “Z”, usualmente.

Também existe o Ângulo Nadiral, que é semelhante ao zenital sendo que sua
origem é no nadir, não no zênite.

Figura 4.3 - Ângulo Zenital (Z). (VEIGA et.al., 2007)


A relação entre os ângulos vertical (inclinação “i”) e zenital está representada
na Figura 4.4para os quatro quadrantes.

Figura 4.4 - Relações entre as tangentes de ângulos zenitais e de inclinação.


(RODRIGUES, 2008)

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 38


4.1.2 Ângulos Horizontais

Ângulos horizontais são ângulos formados por dois planos verticais que contém
as direções formadas pelo ponto ocupado e os pontos visados. É medido sempre
na horizontal, razão pela qual o instrumento de medição deve estar devidamente
nivelado.

Figura 4.5 - Ângulo horizontal (VEIGA, 2007)


A poligonação é um dos métodos mais empregados para a determinação de
coordenadas de pontos em Topografia, principalmente para a definição de
pontos de apoio planimétricos. Uma poligonal consiste em uma série de linhas
consecutivas onde são conhecidos os comprimentos e direções, obtidos através
de medições em campo. (VEIGA, 2007)

As direções, neste caso, são os ângulos verticais que podem ser medidos dentro
da poligonal (ângulos internos), fora da poligonal (ângulos externos) ou a partir
do prolongamento das direções (ângulo de deflexão).

4.1.2.1 Ângulo Interno

É o ângulo contado a partir do alinhamento anterior para o posterior,


internamente a poligonal. Ou seja, o ângulo medido entre dois alinhamentos
topográficos, do lado interno a uma poligonal fechada. É obrigatória a existência
de uma poligonal fechada. Variam de 0° a 360° e podem ser lidos tanto no
sentido horário como no anti-horário.

Figura 4.6 - Ângulos internos de uma poligonal fechada (VEIGA, 2007)

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 39


4.1.2.2 Ângulo Externo

O ângulo compreendido entre qualquer lado de um polígono e o lado adjacente


prolongado. É usado, igualmente, na denominação dos ângulos externos
formados por uma linha que intersecta duas paralelas. É empregado, também,
em topografia, na denominação do replemento de um ângulo, sendo raro este
emprego. (OLIVEIRA, 1987)

Figura 4.7 - Ângulos externos de uma poligonal fechada (VEIGA, 2007)

4.1.2.3 Ângulo de Deflexão

Ângulo horizontal medido do prolongamento da linha precedente até a linha


seguinte. Os ângulos de deflexão para a direita são positivos e para a esquerda
são negativos. (OLIVEIRA, 1987)

Figura 4.8 - Ângulos de deflexão de uma poligonal fechada (VEIGA, 2007)

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 40


4.2 Medição de Distâncias

A medição de distâncias e ângulos possibilita o posicionamento de um ponto em


um determinado sistema de referência.

As distâncias podem ser determinadas percorrendo o alinhamento do início ao


fim, medindo diretamente a grandeza procurada - processo direto - ou a partir de
observações que estejam implícitas ou explicitamente ligadas à distância
procurada - processo indireto. (RODRIGUES, 2008)

4.2.1 Medidas Indiretas

Para medidas indiretas, alguns instrumentos e métodos podem ser empregados,


como segue abaixo:
• Taqueômetro (ou simplesmente teodolito) + mira vertical = Taqueometria;
• Teodolito + mira horizontal;
• Distanciômetro (ou estação total) + refletor. Dependendo do tipo de estação
total e da distância a ser medida, o refletor pode ser dispensado;
• Satélite de navegação + receptor + antena: não há necessidade da
intervisibilidade entre as estações;

4.2.1.1 Taqueometria (ou Estadimetria)

O taqueômetro, ou simplesmente teodolito, além de medir ângulos horizontais e


verticais é dotado de fios estadimétricos que podem ser usados na medição de
distâncias.

A Figura 4.9ilustra e explica os fios estadimétricos em um teodolito.

Figura 4.9 - Fios do retículo, ou fios estadimétricos, de um teodolito


(RODRIGUES, 2008)

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 41


Figura 4.10 - medição de distância por taqueometria com luneta inclinada
(modificado de RODRIGUES, 2008)
Com auxílio da mira estadimétrica são efetuadas as leituras dos fios
estadimétricos superior e inferior do teodolito e, então, é usada a seguinte
equação para encontrar a distância horizontal entre os dois pontos:

DH = 𝑘 × I × 𝑠𝑒𝑛2 𝑧 ≈ DH = 𝑘 × I × 𝑐𝑜𝑠²𝛼

Sendo k a constante estadimétrica do aparelho, z o ângulo zenital, α o ângulo


vertical e I = FS-FI (leitura do fio superior subtraída da leitura do fio inferior, ou
seja intervalo de leituras na mira).

Uma consideração importante é que o fio médio tem que diferenciar de no


máximo 1mm da média entre as leituras dos fios inferior e superior:

𝐹𝐼 + 𝐹𝑆
𝐹𝑀 = ± 1𝑚𝑚
2
Caso esta igualdade não seja obedecida, as leituras devem ser repetidas.

Percebe-se que se que o aparelho estiver nivelado fazendo com que a luneta
ofereça uma leitura totalmente horizontal da mira (caso do nível digital), o ângulo
zenital será igual à 90º a equação se simplifica à:

𝐷𝐻 = 𝑘. I

4.2.1.2 Medição Eletrônica de Distâncias

Baseados no princípio de funcionamento do RADAR surgiram em 1948 os


Geodímetros e em 1957 os Telurômetros, os primeiros equipamentos que
permitiram a medida indireta das distâncias, utilizando o tempo e a velocidade
de propagação da onda eletromagnética. (VEIGA ET AL, 2007)

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 42


O distanciômetro eletrônico (DE) é o instrumento utilizado na medição eletrônica
de distâncias. O aparecimento dos DEs facilitou muito a medição de distâncias,
além de aumentar a qualidade das medidas. A precisão das medidas de
distâncias saltou da ordem do milímetro para décimos de milímetros. O princípio
de funcionamento de um distanciômetro eletrônico é baseado na medida da
diferença de fase, isto é, a medida de tempo que uma onda eletromagnética leva
para percorrer duas vezes a distância entre o aparelho receptor e um refletor
instalado em outro extremo. (PASTANA, 2010)

Atualmente, os medidores eletrônicos de distâncias empregam o laser visível


(RL) ou infravermelho próximo - laser invisível (IR) -, com comprimentos de onda
variando de 500 nm a 1100 nm, para medir distâncias de até 5 km, com precisão
de (10 mm + 5 ppm) a (1 mm + 1 ppm). Há as chamadas trenas eletrônicas que
medem distâncias de até 300 m e as Estações totais, instrumentos que além de
medir distâncias, medem ângulos horizontais e verticais eletronicamente.
(RODRIGUES, 2008)

4.2.2 Medidas Diretas


A medida de distâncias de forma direta ocorre quando a mesma é determinada
a partir da comparação com uma grandeza padrão, previamente estabelecida,
através de diastímetros. (VEIGA ET AL)
Os diastímetros mais conhecidos são:
• Cadeia de agrimensor
• Trenas de aço
• Trenas de fibra de vidro
• Trena de Lona
• Fio de invar
• Roda Contadora

Para efetuar uma medição, além do diastímetro, utilizam-se ainda acessórios


que têm como finalidade a materialização do ponto topográfico no terreno, são
eles:
• Balizas
• Fichas
• Piquetes ou estacas

4.2.2.1 Medição com Diastímetro


De acordo com Pastana (2010), a maneira que se deve proceder em campo com
o diastímetro é a seguinte:
Destacam-se dois auxiliares para segurar a trena sendo chamados de trena vante o
auxiliar que vai puxando a trena na frente e trena ré o auxiliar que segura a trena na
parte de trás da mesma, ou seja, aquele que segura o “zero” da trena.

Toda trenada deve ser feita com a trena esticada ao máximo próxima da horizontal. A
medida é feita da seguinte maneira, supondo tratar-se de uma trena de comprimento
igual a 30 metros:

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 43


1. No ponto de partida (zero metros) deve-se deixar uma estaca fincada ao lado do
marco zero;
2. Ao dar a trenada, o trena vante finca outra estaca na posição exata da medida
efetuada;
3. O trena ré sai então da posição inicial recolhendo a estaca que lá houvera sido fincada
e caminha até a posição que se encontra cravada a outra estaca. Portando, para cada
trenada efetuada, haverá uma estaca na mão do trena ré;
4. Depois de 10 trenadas, as estacas são devolvidas ao trena vante que anota a
passagem das mesmas e inicia novamente o processo a partir da 11º estaca que ainda
se encontra cravada no terreno. Até este ponto foram medidos 300 metros, ou seja:
- Estacas na mão do trena ré = 10 = número de trenadas;
- Comprimento da trena = 30 metros;
- Comprimento medido = 10 x 30 = 300 metros.
5. Portanto, quando se chegar ao final da linha, o comprimento medido será o número
de estacas anotado pelo trena vante, multiplicado pelo comprimento da trena mais
a fração inicial de trena lida na medida final.

4.2.2.2 Erros na Medida Direta de Distâncias

Medir distâncias horizontais pelo processo direto pode ser muito moroso, caro e
impreciso se a equipe de trabalho não estiver bem treinada e o relevo for muito
acidentado. Caso haja algum obstáculo no alinhamento deve-se empregar o
processo indireto. (RODRIGUES, 2008)

Para aumentar a certeza nas medidas, o essencial é que as medições sejam


feitas duplamente (ida e volta) para detectar enganos frequentemente
cometidos. É importante também que se façam as correções nas medidas lidas
na trena antes de determinar a distância total. Essas correções são:

4.2.2.2.1 Calibração da Trena


É feita a partir da comparação com um equipamento padrão. As trenas de INVAR
(geodésia) apresentam coeficiente de dilatação muito baixo
Para a verificação do equipamento devemos nos perguntar: o equipamento
sofreu queda ou danos? Passou por consertos? Mudanças de tempo afetaram o
equipamento?

Ex.: Uma distância é medida com uma trena de aço de 30m, sendo achado o
valor de 273,15m. Mais tarde, a trena é aferida e encontra-se o valor de 30,01m
para o comprimento real da trena. Qual a distância real da medida?

273,15 ______ 30m x= distância real

x ______ 30,01m x= 273,24105m

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 44


4.2.2.2.2 Correção de Temperatura

Depende do material de composição do instrumento, do comprimento da trena e


da diferença entre a temperatura ambiente e a de aferição. Se houve dilatação
o valor lido será menor que o valor procurado.

O comprimento padronizado (temperatura de aferição) de uma trena é


habitualmente determinado na temperatura de 20ºC.

Ct= 0,0000116 (T-TS) (L), sendo Ts= 20ºC e L o comprimento da trena.

A precisão é maior em dias nublados ou nas primeiras horas do dia e últimas da


tarde, quando a temperatura é mais amena.

De acordo com essa equação, uma variação de 5º de temperatura corresponde


à uma variação de 0,002m na medida de uma trena de 30m.

Ex.: Para 40ºC numa trena de 30m

Ct= 0,0000116 (40-20)(30)  CT=0,0096m

4.2.2.2.3 Correção de Inclinação

É um erro cometido quando o diastímetro não é colocado em nível; ocorre


principalmente, devido à inclinação do terreno.

s2=v²+h²  v²=(s²-h²)

v²= (s-h)(s+h)

𝑣2 −𝑣²
𝑐= 𝑐=
s+h 60

Para uma trena de 30m

Figura 4.11 - Ilustração para a correção de inclinação

Obs.: A correção de inclinação é sempre negativa.

Ex.: Uma distância foi medida sobre uma inclinação de 8% e se encontrou


798,67m. Qual é a distância horizontal medida?
𝑣 30
=  v=2,4  8% de 30m
8 100

(2,4)²
𝐶= − = −0,096 Para cada trenada
60

798,67
× 0,096 = −2,56𝑚𝐷𝐻 = 798,67 − 2,56 = 796,11𝑚
30

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 45


4.2.2.2.4 Catenária
Quando a trena é segura somente pelas extremidades, ela se curvará adquirindo
a forma conhecida como catenária. É função do seu peso, do seu comprimento
e da tensão aplicada, a Figura 4.12ilustra este erro. Devido à catenária o valor
lido é sempre maior que o procurado. (RODRIGUES, 2008)

Figura 4.12 - Catenária ao medir um comprimento l aplicando uma tensão T em


uma trena de peso p.
A correção determina a diferença entra a distância medida com a trena
diretamente apoiada no terreno e a distância quando a trena está segura
totalmente pelas extremidades. Essa correção é sempre negativa.

𝑤²𝐿³
𝐶𝑠 =
24𝑝1 ²

Onde, Cs= correção em metros, w= peso da trena em quilogramas por metro, L=


comprimento sem apoio da trena (em metros), p1= tensão total (em Kgf) aplicada
à trena.

Obs.: Na prática, esse erro é evitado fazendo a medição com a trena apoiada no
chão.

Correção de Variação de Tensão

Se a trena é tracionada muito fortemente quando está suspensa, haverá uma


redução de catenária e algum acréscimo no comprimento devido à tensão. São
insignificantes para todas as medidas com trenas exceto aquelas que exigem
maior exatidão.
Trena de aço (30m)  variação de 20kgf de tração (variações de tensão nesta
magnitude são improváveis)  0,01m de comprimento é insignificante para fins
topográficos.

Correções combinadas para as medições à trena: Distância real + σ 𝒄𝒐𝒓𝒓𝒆çõ𝒆𝒔


σ 𝑐𝑜𝑟𝑟𝑒çõ𝑒𝑠 = calibração + temperatura + inclinação +catenária + tensão (=0)

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 46


UNIDADE V
5. ERROS EM TOPOGRAFIA

Todas as medidas efetuadas em cartografia possuem erros agregados. Os erros


são inevitáveis, estando presentes independentemente da precisão em que foi
feita a medida. É impossível anular o erro, mas é importante que se conheça
suas origens e assim, procurar reduzi-los ao máximo, obtendo um melhor
resultado do levantamento. As fontes de erro são três: pessoas, equipamentos
e condições ambientais.

Essas fontes produzem erros que podem ainda ser classificados como
grosseiros, sistemáticos e aleatórios.

5.1 Fontes de Erros

5.1.1 Fatores Humanos

São causados por falhas humanas, como falta de atenção ao executar uma
medição, cansaço, etc. Estão relacionados com as limitações próprias dos
sentidos humanos, principalmente da visão e do tato.

O sentido da visão atua, principalmente, nas operações de pontaria sobre um


alvo. Cada operador possui uma acuidade própria para realizar a colimação
perfeita entre o alvo e o cruzamento dos fios do retículo. Outra situação em que
aparece o fator humano nas medições é a realização de leituras sobre uma mira
quando esta não está perfeitamente verticalizada no ponto.

5.1.2 Fatores Instrumentais

Causados por problemas como a imperfeição na construção de equipamento ou


ajuste do mesmo. A maior parte dos erros instrumentais pode ser reduzida
adotando técnicas de verificação/retificação, calibração e classificação, além de
técnicas particulares de observação. (VEIGA et al., 2010)

5.1.3 Condições Ambientais

São fatores provenientes das variações ambientais como velocidade do vento,


umidade, pressão atmosférica e refração atmosférica. As variações da gravidade
e da declinação magnética também podem interferir nos resultados.

Alguns equipamentos buscam captar as condições atmosféricas no momento da


medida para procurar reduzir o erro proveniente dessas fontes.

5.2 Tipos de Erros

5.2.1 Erros Grosseiros

Causados por engano na medição, leitura errada nos instrumentos, identificação


de alvo, etc., normalmente relacionados com a desatenção do observador ou

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 47


uma falha no equipamento. Cabe ao observador cercar-se de cuidados para
evitar a sua ocorrência ou detectar a sua presença. A repetição de leituras é uma
forma de evitar erros grosseiros. (VEIGA et al., 2010)

Alguns exemplos de erros grosseiros:

• Anotar 123 ao invés de 132;


• Engano na contagem de lances durante a medição de uma distância com trena.

5.2.1.1 Critério para se Considerar um Erro como grosseiro


 Construção de intervalo de confiança de 99,99% para média amostral;

IC = média amostral ± 3,0 × desvio padrão

 Eliminação das observações que estejam além dos limites do IC;


 Recálculo da média amostral e do intervalo de confiança.

Obs.: Repete-se isso até que não haja mais o que seja eliminado, então, não
haverá mais erro grosseiro.

5.2.2 Erros Sistemáticos

São aqueles erros cuja magnitude e o sinal algébrico podem ser determinados,
seguindo leis matemáticas ou físicas. Pelo fato de serem produzidos por causas
conhecidas podem ser evitados através de técnicas particulares de observação
ou mesmo eliminados mediante a aplicação de fórmulas específicas. São erros
que se acumulam ao longo do trabalho. (VEIGA et al., 2010)

Sempre que as condições ambientais permanecem inalteradas a magnitude dos


erros sistemáticos se mantém constante. As condições que ocasionam os erros
sistemáticos se devem às leis físicas que podem ser representadas
matematicamente (modeladas). Portanto, se conhecemos as condições e se
podemos medir a magnitude de certos parâmetros físicos é possível calcular
correções e aplicá-las às medidas.

Exemplo de erros sistemáticos que podem ser corrigidos através de fórmulas


específicas:

• Efeito da temperatura e pressão na medição de distâncias com medidor


eletrônico de distância;
• Correção do efeito de dilatação de uma trena em função da temperatura.

5.2.3 Erros Acidentais ou Aleatórios

São aqueles que permanecem após os erros anteriores terem sido eliminados.
São erros que não seguem nenhum tipo de lei e ora ocorrem num sentido ora
noutro, tendendo a se neutralizar quando o número de observações é grande.

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 48


De acordo com GEMAEL (1991, p.63), quando o tamanho de uma amostra é
elevado, os erros acidentais apresentam uma distribuição de frequência que
muito se aproxima da distribuição normal.

Peculiaridade dos Erros Acidentais:

•Erros pequenos ocorrem mais frequentemente do que os grandes, sendo mais


prováveis;
•Erros positivos e negativos do mesmo tamanho acontecem com igual
frequência, ou são igualmente prováveis;
•A média dos resíduos é aproximadamente nula;
•Aumentando o número de observações, aumenta a probabilidade de se chegar
próximo ao valor real.

Exemplo de erros acidentais:

• Inclinação da baliza na hora de realizar a medida;


• Erro de pontaria na leitura de direções horizontais.

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 49


UNIDADE VI
6. INTRODUÇÃO AOS SISTEMAS GEODÉSICOS

A seguir, serão apresentadas as perguntas mais frequentes e respostas


referentes a Sistemas Geodésicos que foram obtidas diretamente no seguinte
endereço eletrônico:
http://www.ibge.gov.br/home/geociencias/geodesia/pmrg/faq.shtm.

Entendemos que esta abordagem poderá fornecer ao leitor uma visão geral
sobre a mudança do referencial geodésico no Brasil, bem como de
Transformação de Coordenadas.

Nos Anexos A e B são apresentados material técnico elaborado pelo IBGE


referente ao Programa PROGRID (Transformação de Coordenadas) e do
SIRGAS 2000 (Referencial Geodésico oficial do Brasil)

1. O que é um sistema geodésico de referência? Para que serve na


prática?
Sistema de referência composto por uma figura geométrica representativa da
superfície terrestre, posicionada no espaço, permitindo a localização única
de cada ponto da superfície em função de suas coordenadas tridimensionais,
e materializado por uma rede de estações geodésicas. Coordenadas, como
latitude, longitude e altitude, necessitam de um sistema geodésico de
referência para sua determinação.

2. Qual o sistema geodésico de referência em uso hoje no Brasil?


Desde 25 de fevereiro de 2015, o SIRGAS2000 (Sistema de Referência
Geocêntrico para as Américas) é o único sistema geodésico de referência
oficialmente adotado no Brasil. Entre 25 de fevereiro de 2005 e 25 de
fevereiro de 2015, admitia-se o uso, além do SIRGAS2000, dos referenciais
SAD 69 (South American Datum 1969) e Córrego Alegre. O emprego de
outros sistemas que não possuam respaldo em lei pode provocar
inconsistências e imprecisões na combinação de diferentes bases de dados
georreferenciadas.

3. Quais as diferenças entre os referenciais Córrego Alegre (CA), SAD


69 e o SIRGAS2000?
São sistemas de concepção diferente. Enquanto a definição/orientação do
CA/SAD69 é topocêntrica, ou seja, o ponto de origem e orientação está na
superfície terrestre, a definição/orientação do SIRGAS2000 é geocêntrica.
Isto significa que esse sistema adota um referencial que tem a origem dos
seus três eixos cartesianos localizada no centro de massa da Terra. Além
disso, as redes de referência que materializam esses sistemas foram
determinadas com técnicas de posicionamento diferentes. Enquanto que no
caso do CA e SAD 69 foram utilizadas basicamente técnicas clássicas
(triangulação e poligonação), no SIRGAS2000 foram empregados os
sistemas globais de navegação (posicionamento) por satélites - GNSS.

4. Para quem a adoção do sistema único é obrigatória?


Para qualquer um que necessite receber ou fornecer informações espaciais
em escalas relevantes de e para o governo e de e para as instituições

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 50


produtoras de cartografia no Brasil. Resumindo, para todos os que fazem uso
ou produzem informações geográficas.
5. O que ocorre com quem continua trabalhando com os sistemas
geodésicos antigos?
Não poderá, por exemplo, requisitar uma revisão de limites numa
propriedade, fazer qualquer tipo de questionamento legal utilizando o sistema
antigo, nem fornecer/receber dados das concessionárias de serviços públicos
para recebimento ou prestação de serviços.

6. Por que deve ser realizada a migração para o SIRGAS2000 dos


produtos cartográficos e geodésicos referenciados aos sistemas
geodésicos antigos?
Para compatibilização das informações geográficas, facilitando, assim, o
intercâmbio dessas informações por todos, inclusive entre o Brasil e os
demais países que utilizam sistemas compatíveis com o SIRGAS2000.

7. Na prática, quais são as vantagens da adoção do SIRGAS2000 em


relação aos demais sistemas de referência utilizados anteriormente?
Adotando-se o referencial geocêntrico, é possível fazer uso direto da
tecnologia GNSS (Global Navigation Satellite Systems, ou Sistemas Globais
de Navegação por Satélites), importante ferramenta para a atualização de
mapas, nas obras e atividades de infraestrutura no país, controle de frota de
empresas transportadoras, navegação aérea, marítima e terrestre em tempo
real. O SIRGAS2000 permite o alcance de uma maior precisão no
mapeamento do território brasileiro e, consequentemente, no seu
ordenamento, bem como na demarcação de suas fronteiras. Além disso, a
adoção desse sistema na América Latina tem contribuído para o fim de uma
série de problemas de discrepância entre as coordenadas obtidas com o uso
dos sistemas GNSS (especialmente GPS e GLONASS nos dias de hoje) e
aquelas extraídas dos mapas utilizados anteriormente no continente.

8. Quando eu altero o sistema geodésico de referência o que acontece?


As coordenadas que representam a posição dos objetos sofrem alterações
correspondentes. Por exemplo, se os sistemas envolvidos forem o SAD 69 e
o SIRGAS2000, estas alterações são, em média, da ordem de 65 m.

9. Os mapas mudaram com a adoção do SIRGAS2000?


Alguns sim. A mudança não é perceptível em mapas de escala muito
pequena, como os murais, nos quais 1 cm equivale a 5 km no terreno. Mas
em mapas de escalas maiores, como folhas topográficas e mapeamento
cadastral, a diferença nas coordenadas é relevante, conforme exemplificado
na resposta à pergunta 8.

10. Quais ferramentas posso utilizar para realizar a conversão para o


SIRGAS2000? A que custo?
Estão disponíveis gratuitamente no sítio web do IBGE arquivos, programas e
serviços que auxiliam na conversão entre referenciais, tais como:
coordenadas SIRGAS2000 das estações da rede planimétrica do Sistema
Geodésico Brasileiro, programa de transformação de coordenadas ProGriD,
serviço de Posicionamento por Ponto Preciso (IBGE-PPP), etc.

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 51


11. Existem parâmetros de transformação entre WGS 84 e SIRGAS2000?
Atualmente não existem parâmetros de transformação entre SIRGAS2000 e
WGS 84 porque eles são praticamente iguais, ou seja, DX = 0, DY = 0 e DZ=
0.
Desde o estabelecimento do sistema GPS (Global Positioning System), o seu
Sistema Geodésico de Referência (WGS 84) já passou por quatro
refinamentos. Nestas quatro atualizações o objetivo sempre foi aproximá-lo
ao ITRF (International Terrestrial Reference Frame), materialização mais
precisa do ITRS (International Terrestrial Reference System), desenvolvida
pelo IERS (International Earth Rotation and Reference Systems Service). A
mais recente atualização recebeu a denominação de WGS 84 (G1674),
adotado no Sistema GPS a partir de 08 de fevereiro de 2012. Os parâmetros
de transformação WGS 84/SAD 69, divulgados através da Resolução do
Presidente do IBGE n° 23, de 21/02/89 (R.PR 23/89), permanecem válidos
para transformar coordenadas determinadas por posicionamentos GPS
realizados no período de 01/01/1987 a 01/01/1994 - quando a versão
correspondente do WGS 84 se denominava WGS 84 (Doppler).
Parâmetros WGS 84 (Doppler) para SAD69:
DX = +66,87 m
DY = -4,37 m
DZ = +38,52 m
Os parâmetros SAD 69/SIRGAS2000 utilizados no ProGriD (opção: SAD 69
Técnica Doppler ou GPS) e divulgados através da Resolução do Presidente
do IBGE n° 1, de 25/02/2005 (R.PR 01/05), são válidos para transformar
coordenadas entre SAD 69/WGS 84 e SAD 69/SIRGAS2000 determinadas
por posicionamentos GNSS realizados após 01/01/1994.
SAD 69 para SIRGAS2000 (≡ WGS 84 (G1150)):
DX = -67,35 m
DY = +3,88 m
DZ = -38,22 m
12. Os resultados do meu trabalho devem ser em WGS 84. Posso
continuar usando os parâmetros SAD 69/WGS 84 publicados na
Resolução da Presidência do IBGE n° 23, de 21/02/89 (R.PR 23/89)?
Antes de tudo, com o término do período de transição para SIRGAS2000 em
25 de fevereiro de 2015, os resultados de qualquer trabalho devem ser
referidos exclusivamente a este sistema. Por outro lado, tendo em vista o
exposto na resposta à pergunta 11, o WGS 84 atualmente pode ser
considerado, para fins práticos, coincidente com o SIRGAS2000. Portanto,
basta o usuário referir seus resultados ao SIRGAS2000 que,
automaticamente, estará gerando resultados em WGS 84 (e vice-versa).
Conforme a resposta à pergunta 11, os parâmetros SAD 69/WGS 84
publicados na R.PR 23/89 devem ser utilizados apenas no caso do trabalho
ter sido executado antes de 1º de janeiro de 1994).

13. Por que quando comparo as coordenadas de uma estação geodésica


obtidas no banco de dados do IBGE com as mesmas coordenadas
transformadas no programa ProGriD obtenho resultados diferentes?
As coordenadas disponibilizadas nos relatórios da estação geodésica não
foram obtidas através de parâmetros de transformação, e sim através de

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 52


ajustamentos de observações. As coordenadas em SIRGAS2000 vieram de
um ajustamento realizado em 2006. Ainda que, no desenvolvimento do
ProGriD, tenham sido empregadas técnicas avançadas de modelagem de
distorções em redes geodésicas, as transformações utilizando-se este
programa sempre apresentam pequenos resíduos em relação às
coordenadas ajustadas SIRGAS2000. Estes pequenos resíduos
correspondem exatamente às pequenas diferenças detectadas quando
comparamos as coordenadas transformadas pelo programa com aquelas
existentes no relatório da estação geodésica.

14. Por que as coordenadas precisam ser referenciadas a uma época?


Com a grande evolução das técnicas de posicionamento geodésico
observada nas últimas décadas, especialmente após o advento dos sistemas
GNSS, pode-se dizer que a precisão de determinação de coordenadas
melhorou em até três ordens de grandeza. Por exemplo, atualmente as
coordenadas das estações da Rede Brasileira de Monitoramento Contínuo
dos Sistemas GNSS (RBMC) são determinadas com precisão milimétrica.
Com este nível de precisão, diversos fenômenos associados a movimentos
da crosta terrestre, antes imperceptíveis, passam a ser claramente
detectáveis. No caso do Brasil, o fenômeno que mais contribui para a
alteração das coordenadas planimétricas (latitude e longitude) é o movimento
da placa tectônica da América do Sul, responsável por um deslocamento de
todo o território para noroeste em um pouco mais de 1 cm por ano. Esta
variação anual evidenciou a necessidade de se associar uma época de
referência às coordenadas de estações geodésicas determinadas com
precisão milimétrica (ou centimétrica). No caso do sistema geodésico oficial
do país, SIRGAS2000, escolheu-se 2000,4 para a época de referência, uma
vez corresponder ao período da campanha SIRGAS realizada em 2000 (i.e.,
em maio daquele ano), quando 184 estações GPS foram observadas em
todas as Américas e Caribe com o objetivo de materialização do novo
sistema.

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 53


UNIDADE VII
7. NOÇÕES SOBRE PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS

De acordo com o Dicionário Cartográfico Brasileiro (OLIVEIRA, 1987), projeção


cartográfica é definida como “Traçado sistemático de linhas numa superfície
plana, destinado à representação de paralelos de latitude e meridianos de
longitude da Terra ou de parte dela. Pode ser construído mediante cálculo
analítico, ou desenhada geometricamente. ”

As projeções cartográficas são uma necessidade imposta devido à


impossibilidade de transformar uma superfície esferoidal (como a da Terra) em
um plano (como o do mapa) sem provocar rupturas, estiramentos, dobras e
outras deformações imprevisíveis. Um sistema de projeção cartográfica é uma
transformação matemática executada sobre os pontos da superfície curva
terrestre, de forma a representá-los sobre uma superfície plana provocando um
mínimo de deformações. (TIMBÓ, 2016)

Não existe um sistema de projeção ideal. Qualquer que seja o sistema escolhido
constituirá apenas a melhor forma de representação da superfície terrestre para
um determinado objetivo. Entretanto é bom lembrar, que as deformações são
matemáticas e, portanto são previsíveis, controláveis, calculáveis e corrigíveis
em qualquer situação. (TIMBÓ, 2016)

7.1 Classificação das Projeções Cartográficas

As projeções cartográficas são classificadas de três principais maneiras: 1)


quanto à superfície de projeção; 2) quanto ao tipo de contato e 3) quanto às
propriedades.

7.1.1 Quanto à Superfície de Projeção

 Planas: a superfície terrestre é representada sobre um plano tangente à


esfera terrestre. Os paralelos são círculos concêntricos e os meridianos, retos
que se irradiam do polo. As deformações aumentam com o distanciamento do
ponto de tangência. É utilizada principalmente, para representar as regiões
polares e na localização de países na posição central. Este tipo de superfície
pode assumir três posições básicas em relação à superfície de referência:
polar, equatorial e oblíqua (ou horizontal). (Figura 7.1 a)

 Cônicas: a superfície terrestre é representada sobre um cone imaginário


envolvendo a esfera terrestre. Os paralelos formam círculos concêntricos e os
meridianos são linhas retas convergentes para os polos. Nessa projeção, as
distorções aumentam conforme se afasta do paralelo de contato com o cone.
A projeção cônica é muito utilizada para representar partes da superfície
terrestre. A sua posição em relação à superfície de referência pode ser:
normal, transversal e oblíqua (ou horizontal). (Figura 7.1 b)

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 54


 Cilíndricas: o plano da projeção é um cilindro envolvendo a esfera terrestre.
Depois de realizada a projeção dos paralelos e meridianos do globo para o
cilindro, este é aberto ao longo de um meridiano, tornando-se um plano sobre
o qual será desenhado o mapa. Suas possíveis posições em relação a
superfície de referência podem ser: equatorial, transversal e oblíqua (ou
horizontal). (Figura 7.1 c)

Figura 7.1 - Classificação de projeções cartográficas quanto à superfície de


projeção. (Fonte: www.lapig.iesa.ufg.br)

7.1.2 Quanto ao Tipo de Contato entre as Superfícies de Projeção e


Referência

 Tangentes: a superfície de projeção é tangente à de referência (plano- um


ponto; cone e cilindro- uma linha). (Figura 7.2)

Figura 7.2 - Classificação de projeções cartográficas quanto ao contato:


tangente para a) plano, b) cilindro e c) cone. (Fonte: Jones, 1997)

 Secantes: a superfície de projeção secciona a superfície de referência (plano-


uma linha; cone- duas linhas desiguais; cilindro- duas linhas iguais) (Figura
7.3).

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 55


Figura 7.3 - Classificação de projeções cartográficas quanto ao contato:
secante para a) plano, b) cilindro e c) cone. (Fonte: Jones, 1997)

7.1.3 Quanto às Propriedades

A diferença entre valores da superfície de referência e os correspondentes na


superfície de projeção é devida ao fato de a superfície de projeção ser uma
representação da superfície de referência, e não a própria superfície de
referência. Quando se realiza a comparação entre as superfícies de referência e
de projeção percebe-se que são diferentes e esta diferença recebe o nome de
distorção ou distorção de escala. De acordo com o comportamento da
distorção de escala pode-se classificar as projeções cartográficas em:

 Conformes: são aquelas projeções cartográficas em que a distorção atua de


modo igual para todas as direções em cada ponto na superfície de projeção.
Esta propriedade tem o significado geométrico de preservação da forma das
entidades/objetos/elementos representados. De forma mais rigorosa diz-se
que nas projeções cartográficas que têm a propriedade de conformidade os
ângulos são preservados. (Firkowski & Sluter, 2009)

 Equivalentes: são aquelas projeções cartográficas em que a distorção de


escala atua de forma inversa em duas direções perpendiculares em cada
ponto na superfície de projeção. Numa direção ocorre ampliação do elemento
geométrico e na outra ocorre uma redução do elemento geométrico, de modo
a garantir que o valor numérico da área da região representada seja
mantido. Desse modo o valor numérico obtido no mapa deve ser afetado
apenas da escala nominal de representação para se obter o valor numérico
da área na superfície de referência. (Firkowski & Sluter, 2009)

 Equidistantes: são aquelas projeções cartográficas em que uma família de


linhas não sofre distorção, ou seja, o comprimento de qualquer parte ou
qualquer destas linhas deve apenas ser afetado da escala nominal de
representação para se obter o comprimento correspondente na superfície de
referência. (Firkowski & Sluter, 2009)

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 56


 Afiláticas: são aquelas projeções cartográficas em que não ocorre nenhuma
das três propriedades anteriores. (Firkowski & Sluter, 2009)

A ocorrência de uma das propriedades implica necessariamente na ausência das


outras. Isso quer dizer que quando uma projeção cartográfica tem a propriedade
de conformidade não será possível identificar nela as propriedades de
equivalência ou equidistância. As propriedades das projeções cartográficas são
excludentes. (Firkowski & Sluter, 2009)

Resumindo: Conforme: preserva os ângulos.


Equivalente: preserva as áreas.
Equidistante: preserva as distâncias.
Afilática: não preserva nenhuma das propriedades anteriores.

7.2 Algumas Projeções Importantes

As propriedades de uma projeção fazem com que esta tenha aplicações


específicas. Existem muitas projeções aplicáveis, porém, algumas delas são
mais comuns no nosso dia-a-dia ou possuem características peculiares e
algumas delas serão brevemente exploradas nesse tópico.

7.2.1 Projeção de Mercator

A Projeção de Mercator é a mais utilizada para representar a superfície terrestre.


Essa projeção é conforme e cilíndrica onde todos os meridianos são linhas retas
perpendiculares ao Equador e às suas linhas de latitude. Entretanto, à medida
que se dirige aos polos, as distorções aumentam drasticamente. Essa geometria
faz com que a superfície da Terra se torne deformada na direção leste–oeste e
quanto maior ou menor for a latitude. É acompanhada por idêntica deformação
na direção norte-sul e tornando-se infinita nos polos, impedindo a sua
representação.

A conformidade e a representação das linhas de rumo por segmentos de reta


fazem com que esta projeção seja particularmente apropriada para apoiar a
navegação marítima: rumos e azimutes são medidos diretamente na carta.

Figura 7.4 - Projeção de Mercator.

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 57


7.2.2 Projeção de Peters

A projeção de Peters veio para contrapor a projeção de Mercator. Embora


também seja cilíndrica e tangente, ela é equivalente e, por isso, representa os
tamanhos dos continentes em proporção real, diferentemente de Mercator.

Na projeção de Peters os paralelos estão separados a intervalos crescentes


desde os polos até o Equador e, por isso, os continentes situados entre os
paralelos 60º norte e sul apresentam uma deformação (alongamento) no sentido
norte-sul, sendo que os continentes que se situam em uma latitude elevada
apresentam um achatamento no sentido norte-sul e um alongamento proposital
(para haver correspondência em tamanho) no sentido Leste-Oeste.

A projeção de Peters é tida como uma projeção ideologicamente “terceiro-


mundista”. Ela apresenta uma proporção real entre os continentes onde os
países de primeiro mundo não são maiores que os países do terceiro-mundo, no
sentido literal e metafórico.

Figura 7.5 - Projeção de Peters

7.2.3 Projeção Azimutal

Projeção azimutal é a projeção cartográfica que se obtém sobre um plano


tangente a um ponto qualquer da superfície terrestre o qual ocupa o centro da
projeção. Classifica-se como projeção azimutal polar, projeção azimutal
equatorial e projeção azimutal oblíqua, conforme o ponto central seja,
respectivamente, um polo, um ponto no equador ou um ponto intermediário entre
o equador e o polo.

A projeção azimutal é bastante utilizada pelos pilotos de aviões no cálculo de


distâncias aéreas, além de estudos sísmicos (relacionados ao comportamento
das placas tectônicas e previsão de terremotos) bem como para qualquer
trabalho relacionado a ondas de rádio. Sua utilização é ainda importante em

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 58


estudos geopolíticos, permitindo diferentes análises e estudos da importância
geopolítica de determinado país.

Figura 7.6 - Projeção Azimutal.

7.2.4 Projeção Policônica

Tem como superfície de representação diversos cones. Não é conforme nem


equivalente. O Meridiano Central e o Equador são as únicas retas da projeção.

O Meridiano Central é dividido em partes iguais pelos paralelos e não apresenta


deformações. Os paralelos são círculos não concêntricos (cada cone tem seu
próprio ápice) e não apresentam deformações. Os meridianos são curvas que
cortam os paralelos em partes iguais. As deformações são pequenas próximas
ao centro do sistema, mas aumenta rapidamente para a periferia.

Essa projeção é apropriada para uso em países ou regiões de extensão


predominantemente Norte-Sul e reduzida extensão Este - Oeste. É muito popular
devido à simplicidade de seu cálculo, pois existem tabelas completas para sua
construção.

Figura 7.7 - Projeção Policônica.

7.2.5 Projeção de Plate Carrée

A projeção mapeia os meridianos para linhas verticais de espaçamento


constante (para intervalos meridionais de espaçamento constante) e círculos de
latitude para linhas retas horizontais de espaçamento constante (para intervalos
constantes de paralelos). Essa transformação simples assume que a
coordenada plana x é equivalente a φ, e a coordenada plana y é equivalente a
λ. O resultado é conhecido como a projeção de Plate Carrée, que embora seja

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 59


simples, envolve distorção significativa nas posições e por isso apresenta áreas,
maioria das distâncias e ângulos distorcidos ou deformados.

Devido às distorções introduzidas por esta projeção, tem pouco uso na


navegação ou mapeamento cadastral e encontra seu principal uso no
mapeamento temático. A projeção Cilíndrica Equidistante de Plate Carrée, por
exemplo, é usada quando a medição precisa de distâncias é importante.

Figura 7.8 - Projeção de Plate Carrée.


Em particular, esta projeção tornou-se um padrão para conjuntos de dados raster
globais, usada inclusive pelo Google Earth, devido à relação particularmente
simples entre a posição de um pixel de imagem no mapa e sua correspondente
localização geográfica na Terra.

7.2.6 Projeção de Robinson

A Projeção Cartográfica de Robinson é uma projeção cilíndrica afilática. É


classificada como cilíndrica, pois a sua elaboração ocorre como se envolvesse
o globo terrestre em torno de um cilindro. Nela, os meridianos são representados
em linhas curvas ou elipse, enquanto os paralelos permanecem em linhas retas.

A grande vantagem da Projeção de Robinson é de ela se encontrar em um meio


termo entre as projeções conformes (Mercator) e equivalentes (Peters). Ela não
preserva nem a forma e nem a correta área dos continentes. No entanto, ela
consegue minimizar as distorções que ocorrem nesses dois aspectos.

Por esse motivo, ela é ideal para mapas que procuram representar a área da
Terra como um todo e, assim, é a projeção mais utilizada em mapas e atlas,
sendo muito conhecida também como o mapa-múndi da Terra.

Assim, o uso principal da Projeção de Robinson não é destinado a atuações e


representações técnicas, mas sim ao uso didático, tendo sido recomendada para
tal fim por diversas instituições educacionais de todo o mundo.

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 60


Figura 7.9 - Projeção de Robinson.

7.2.7 Projeção UTM

A projeção adotada no Mapeamento Sistemático Brasileiro é o Sistema Universal


Transverso de Mercator, que é também um dos mais utilizados no mundo inteiro
para cartografia sistemática recomendado pela União de Geodésia e Geofísica
Internacional (UGGI).

Segundo a apostila do IBGE “Noções Básicas sobre Cartografia” as


características básicas do sistema UTM são as que se seguem:

a) O mundo é dividido em 60 fusos, onde cada um se estende por 6º de


longitude. Os fusos são numerados de um a sessenta começando no fuso
180º a 174º W Gr. e continuando para este. Cada um destes fusos é
gerado a partir de uma rotação do cilindro de forma que cada fuso é
dividido em duas partes iguais de 3º de amplitude (Figura ).

Figura 7.10 - cilindros de projeção UTM (esquerda) e numeração de fusos


(direita)
b) O quadriculado UTM está associado ao sistema de coordenadas plano
retangulares, tal que um eixo coincide com a projeção do Meridiano
Central do fuso (eixo N apontando para Norte) e o outro eixo, com o do
Equador. Assim cada ponto do elipsóide de referência (descrito por
latitude, longitude) estará biunivocamente associado aos valores do
Meridiano Central, da coordenada E e da coordenada N.(Figura 4.10 e
Figura 7.)

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 61


Figura 7.11 - dimensões de um fuso UTM.

Figura 7.12 - Zonas UTM. (Fonte: Peter H. Dana, 97/92)

c) Avaliando-se a deformação de escala em um fuso UTM (tangente), pode-


se verificar que o fator de escala é igual a 1(um) no meridiano central e
aproximadamente igual a 1.0015 (1/666) nos extremos do fuso. Desta
forma, atribuindo-se a um fator de escala k = 0,9996 ao meridiano central
do sistema UTM (o que faz com que o cilindro tangente se torne secante),
torna-se possível assegurar um padrão mais favorável de deformação em
escala ao longo do fuso. O erro de escala fica limitado a 1/2.500 no
meridiano central, e a 1/1.030 nos extremos do fuso (Figura 7).

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 62


Figura 7.13 - coeficiente de distorção num fuso UTM (k). Nas linhas de
secância não há nenhuma deformação (k=1)
d) A cada fuso associamos um sistema cartesiano métrico de referência,
atribuindo à origem do sistema (interseção da linha do Equador com o
meridiano central) as coordenadas 500.000 m, para contagem de
coordenadas ao longo do Equador, e 10.000.000 m ou 0 (zero) m, para
contagem de coordenadas ao longo do meridiano central, para os
hemisférios sul e norte respectivamente. Isto elimina a possibilidade de
ocorrência de valores negativos de coordenadas. (Figura 7.)

Figura 7.14 - Contagem de coordenadas


num fuso UTM. A origem do sistema
cartesiano de coordenadas é formada
pelo meridiano central do fuso (eixo Y)
cujo valor é E=500.000 m, e pelo
Equador (eixo X) que tem valor N=0 m,
para coordenadas no HN e
N=10.000.000 m, para coordenadas no
HS. As coordenadas são designadas
pelas letras E e N, acrescidas do Fuso e
Hemisfério.

e) Cada fuso deve ser


prolongado até 30' sobre os fusos adjacentes criando-se assim uma área
de superposição de 1º de largura. Esta área de superposição serve para
facilitar o trabalho de campo em certas atividades.
f) O sistema UTM é usado entre as latitudes 84º N e 80º S. Além desses
paralelos a projeção adotada mundialmente é a Estereográfica Polar
Universal.

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 63


7.2.7.1 Cálculo do Meridiano Central do Fuso UTM

Cada fuso UTM, como dito anteriormente, tem 6 graus de longitude e os fusos
são numerados de 1 a 60 partindo-se do antimeridiano de Greenwich e em
sentido anti-horário.

Sendo assim, tendo-se uma longitude é possível determinar a que fuso ela
pertence e também, sabendo-se o fuso é possível determinar a longitude do
meridiano central.

O cálculo é feito da seguinte forma:

𝜆
𝑓 = 30 + 𝑀𝐶 = −183 + 6𝑓
6
Onde, f é o número do fuso, λ é a longitude (respeitando o sinal caso ela seja
negativa) e MC a longitude do meridiano central do fuso.
𝜆
Observação: na primeira equação, o valor 6 deve ser truncado, não arredondado,
para encontrar o fuso corretamente.

7.2.7.2 Determinação do Coeficiente de Deformação Linear (k)

A projeção UTM é conforme, as distâncias e as áreas possuem deformações. A


deformação da área é função da deformação linear, representada pela letra
grega kapa (κ) e a deformação linear é calculada em função da posição ocupada
dentro do fuso.

Entre as linhas de secância apresenta-se uma zona de redução, onde as


distâncias projetadas no plano são menores do que as distâncias reais do
elipsóide, tendo, portanto, um fator de escala menor que a unidade, ou seja, k<1.
Entre as linhas secância e as bordas do fuso, apresenta-se as zonas de
ampliações nas quais o fator de escala excede a unidade, ou seja, k>1.

Sabendo-se disso, para termos medidas precisas de distância entre dois pontos
no fuso UTM a partir de coordenadas, devemos corrigir essa distância segundo
o coeficiente linear nestes pontos. Então usamos a fórmula para encontrar k:

∆𝐸²
𝑘 = 𝑘0 [1 + ]
2𝑅𝑀 ²

Onde RM é o raio médio de curvatura da Terra (6378 km); K0=0,9996; ∆E=Ep-


500.000.

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 64


Observação: Vale lembrar que ∆E é dado em metros e RM e em quilômetros. A
conversão deve ser feita.

Depois de ter k determinado, achamos a medida real (no terreno) pela seguinte
igualdade:

𝑚𝑒𝑑𝑖𝑑𝑎 𝑛𝑎 𝑐𝑎𝑟𝑡𝑎
𝑘=
𝑚𝑒𝑑𝑖𝑑𝑎 𝑛𝑜 𝑡𝑒𝑟𝑟𝑒𝑛𝑜

7.2.7.3 A Projeção UTM no Brasil

Para mapear toda a área continental brasileira com a projeção UTM, faz-se
necessário considerar oito fusos, do 18 ao 25. Esses fusos cobrem as latitudes
de 30º a 78º E. (Figura 7.)

Figura 7.16 - Fusos UTM no Brasil.

7.2.8 Considerações Finais

Embora a projeção UTM seja uma das mais utilizadas, não existe uma projeção
cartográfica que serve para todas as aplicações. Para cada tipo de aplicação
existe uma projeção cartográfica mais adequada.

A grande maioria dos softwares de geoprocessamento possui ferramentas para


transformação de projeções cartográficas e trazem em média a possibilidade de
alterar 30 a 40 projeções.

Para se escolher a projeção mais adequada a uma determinada aplicação, o


usuário deve ler as características das projeções, as restrições de uso e as
aplicações mais indicadas. Geralmente os softwares trazem na Ajuda esses
detalhes sobre cada projeção.

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 65


UNIDADE VIII
8. LEVANTAMENTOS PLANIMÉTRICOS

Já vimos nessa apostila como usar teodolito ou estação total para medição de
ângulos e distâncias para determinação de coordenadas locais. Esse tipo de
levantamento é chamado levantamento planimétrico onde são medidos
ângulos e distâncias relativas aos pontos temáticos, próximos ao instrumento e,
a seguir, transformam-se as coordenadas polares em cartesianas relacionadas
ao sistema de coordenadas do ponto de apoio ou estação.

Os métodos topográficos explanados nesse capítulo tratam de levantamento


planimétrico de pontos de apoio que podem ser utilizados para determinar tais
coordenadas; no entanto, também nesses métodos, se partirá do pressuposto
de que alguns outros pontos de apoio, agora também chamados de pontos de
controle, são conhecidos.

Diferentes tipos de medição dão origem aos diferentes métodos para a


determinação dos pontos de apoio. Se forem observadas somente distâncias
tem-se a Trilateração, somente ângulos, Triangulação; ângulos e distâncias,
Poligonação. Estes são os métodos da Topografia clássica. Outro método,
bastante eficiente e hoje em dia muito utilizado é o posicionamento por satélites
(GNSS), que será abordado na próxima Unidade.

8.1 Poligonação

A poligonação é um dos métodos para determinar coordenadas de pontos em


topografia, principalmente para a definição de pontos de apoio planimétricos.
Uma poligonal consiste em uma série de linhas consecutivas onde são
conhecidos os comprimentos e direções, obtidos através de medições em
campo. O levantamento de uma poligonal é realizado através do método de
caminhamento, percorrendo-se o contorno de um itinerário definido por uma
série de pontos, medindo-se todos os ângulos, lados e uma orientação inicial.
Partindo de uma linha formada por dois pontos conhecidos até chegar a uma
linha de pontos conhecidos é possível calcular as coordenadas de todos os
pontos.

A NBR 13133 (ABNT, 1994) classifica as poligonais em principal, secundária e


auxiliar:

 Poligonal principal: poligonal que determina os pontos de apoio topográfico


de primeira ordem;
 Poligonal secundária: aquela que, apoiada nos vértice da poligonal principal
determina os pontos de apoio topográfico de segunda ordem;
 Poligonal auxiliar: poligonal que, baseada nos pontos de apoio topográfico
planimétrico, tem seus vértices distribuídos na área ou faixa a ser levantada,
de tal forma que seja possível coletar, direta ou indiretamente, por irradiação,

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 66


interseção ou ordenadas sobre uma linha de base, os pontos de detalhes
julgados importantes, que devem ser estabelecidos pela escala ou nível de
detalhamento do levantamento.

As poligonais levantadas em campo poderão ser fechadas, enquadradas ou


amarradas e abertas:

 Poligonal fechada: parte de um ponto com coordenadas conhecidas e


retorna ao mesmo ponto. Sua principal vantagem é permitir a verificação de
erro de fechamento angular e linear;
 Poligonal aberta: parte de um ponto com coordenadas conhecidas e acaba
em um ponto cujas coordenadas deseja-se determinar. Não é possível
determinar erros de fechamento, portanto devem-se tomar todos os
cuidados necessários durante o levantamento de campo para evitá-los;
 Poligonal enquadrada ou amarrada: parte de dois pontos com coordenadas
conhecidas e acaba em outros dois pontos com coordenadas conhecidas.
Permite a verificação do erro de fechamento angular e linear.

Figura 8.1 - poligonais a) fechada, b) aberta e c) enquadrada. OPP é a


nomenclatura empregada para o ponto de partida.
Como visto anteriormente, para o levantamento de uma poligonal é necessário
ter no mínimo um ponto com coordenadas conhecidas e uma orientação.
Segundo a NBR 13133 (ABNT, 1994 p.7), na hipótese do apoio topográfico
vincular-se à rede geodésica (Sistema Geodésico Brasileiro – SGB), a situação
ideal é que pelo menos dois pontos de coordenadas conhecidas sejam comuns.
Neste caso é possível, a partir dos dois pontos determinar o azimute de partida
para o levantamento da poligonal. (VEIGA, 2007)

Para a poligonal fechada, antes de calcular o azimute das direções, é necessário


fazer a verificação dos ângulos medidos. Uma vez que a poligonal forma um
polígono fechado é possível verificar se houve algum erro na medição dos
ângulos. Em um polígono qualquer, o somatório dos ângulos externos deverá
ser igual a:

Somatório dos ângulos medidos:

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 67


𝑠𝑜𝑚𝑎 𝑑𝑜𝑠 â𝑛𝑔𝑢𝑙𝑜𝑠 𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑛𝑜𝑠 = (𝑛 − 2) × 180°

Onde “n” é o número de lados do polígono.

Sendo assim, o erro angular (EA) cometido será dado por:

EA = 𝑠𝑜𝑚𝑎𝑑𝑜𝑠 â𝑛𝑔𝑢𝑙𝑜𝑠𝑚𝑒𝑑𝑖𝑑𝑜𝑠 − (𝑛 − 2) × 180°

EA não deve ultrapassar o erro máximo, que é dado pela fórmula:

𝐸𝑚𝑎𝑥 = 𝐺 × √𝑛

Onde “G” é a menor divisão da graduação do instrumento.

Caso EA > Emax o levantamento é inutilizado. Caso contrário, deve-se compensar


o erro. Para isso, simplesmente divide-se o erro cometido (EA) pelo número de
ângulos da poligonal. Depois se soma (caso o EA seja negativo) ou subtrai-se
(caso do EA seja positivo) o valor da divisão em todos os ângulos.

8.1.1 Métodos de Compensação de Erros

Existem alguns métodos que podem ser aplicados para a compensação de erros
x e y. Alguns deles terão suas premissas aqui apresentadas.

8.1.1.1 Método da Bússola ou de Bowditch

Este método é o mais frequentemente apresentado nos livros de topografia e


ensinado nas escolas. Sua principal característica é a distribuição uniforme do
erro de fechamento angular entre todos os ângulos da poligonal e distribuição
proporcional do erro de fechamento linear. Após esse procedimento, as
coordenadas e direções finais são calculadas.

Premissas:
I. Qualidade nas medições de ângulos e distâncias é praticamente a mesma;
II. Erros nos trabalhos são acidentais;
III. Erro total de um certo lado é diretamente proporcional ao seu comprimento;
IV. Método recomendado pela NBR 13133/94

8.1.1.2 Método do Trânsito

Premissas:
I. Erros nos trabalhos são acidentais;
II. Ângulos medidos são mais precisos que as medições de comprimento;
III. Correção somente nos comprimentos

8.1.1.3 Método de Crandall

Premissas:
I. Semelhante à regra de trânsito;
Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 68
II. Ajustamento pelos mínimos quadrados ponderados para os comprimentos;
III. Ângulos são corrigidos igualmente.

8.1.1.4 Método dos Mínimos Quadrados

Premissas:
I. Atualmente, é o melhor método disponível para ajustamento de dados;
II. É difícil de aplicar, a menos que um computador seja usado;
III. Desenvolvido à partir da teoria das probabilidades;
IV. Ângulos e as distâncias medidos e ajustados de forma que a soma dos
quadrados dos resíduos seja mínima possível.

8.1.2 Correção da Poligonal

A vantagem de utilizar uma poligonal fechada é a possibilidade verificar os erros


angular e linear cometidos no levantamento da mesma, o que não é possível na
poligonal aberta, uma vez que a poligonal não termina em direção e ponto
conhecidos.

A partir da tabela de campo com os rumos e comprimentos de todos os lados da


poligonal começamos os nossos cálculos para sua correção. Aqui será usada
uma tabela de uma poligonal com n=6 (Tabela 8.1) utilizando-se o método da
Bússola.

Rumo Comprimen
Lado
Graus Minutos Segundos Quadrante to (m)
AB 6 15 0 SO 57,76
BC 29 36 58 SE 53,39
CD 81 17 26 NO 60,28
DE 12 23 59 NO 43,39
EA 42 59 23 NE 71,49
Tabela 8.1 - Tabela com dados obtidos em campo.
Agora, usando os valores tabelados, calculamos y e x para cada lado da
poligonal da seguinte forma:

𝑦 = 𝐿. cos(𝑅𝑢𝑚𝑜)

𝑥 = 𝐿. sen(𝑅𝑢𝑚𝑜)

Devemos separar x e y em duas colunas (N e S em y e L e E em x), pois as


coordenadas Norte e Este são positivas enquanto as coordenadas Sul e Oeste
são negativas. Depois somamos tudo que está em cada coluna. Então a tabela
fica da seguinte forma:

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 69


Rumo Compriment y=L.cos(Rumo) x=L.sen(Rumo)
Lado
Graus Minutos Segundos Quadrante o (m) N (+) S (-) E (+) O (-)
AB 6 15 0 SO 57,76 57,41669 6,288151
BC 29 36 58 SE 53,39 46,41492 26,38461
CD 81 17 26 NO 60,28 9,127824 59,58491
DE 12 23 59 NO 43,39 42,37786 9,31716
EA 42 59 23 NE 71,49 52,29322 48,74668
Σ 286,31 103,7989 103,8316 75,13129 75,19022
Tabela 8.2 - Passo 1 para a correção da poligonal.
Agora, deve-se diminuir da soma de N a soma de S, em y. Em x, diminui-se a
soma de E pela soma de O. Esses valores serão, respectivamente, o erro em x
e o erro em y.

Então é possível calcular o erro de fechamento linear (E f). Esse erro leva a não
coincidência do ponto de chegada calculado (Ncalc) com o ponto de chegada
conhecido (Nconh) e pode ser encontrado a partir da decomposição em erro linear
em X, Ex, e erro linear em Y, Ey, a partir da equação:

𝐸𝑓 = √𝐸𝑥2 + 𝐸𝑦2

O erro de fechamento tem como premissa atender à precisão que é:

𝐸𝑓
𝑃𝑟𝑒𝑐𝑖𝑠ã𝑜 =
𝑝𝑒𝑟í𝑚𝑒𝑡𝑟𝑜

Assim temos:

𝐸𝑦 = 103,7989 − 103,8316 = −0,03271

𝐸𝑥 = 75,13129 − 75,19022 = −0,05893

𝐸𝑓 = √(−0,03271)2 + (−0,03271)2 = 0,0673969

0,0673969 1
𝑃𝑟𝑒𝑐𝑖𝑠ã𝑜 = = 0,000235 ou
286,31 4248,117

Se a precisão não for atendida os dados levantados são considerados


inadequados e o levantamento de campo deve ser refeito. Caso contrário,
continua-se o processo de correção.

A próxima etapa é encontrar os valores de correção. Usaremos o método da


Bússola, onde para cada ângulo será compensado em x e em y utilizando as
distâncias como parâmetro da seguinte forma:
𝑙𝑎𝑑𝑜 𝑙𝑎𝑑𝑜
𝑝𝑒𝑟í𝑚𝑒𝑡𝑟𝑜
𝑥 𝐸𝑥 𝑒 𝑝𝑒𝑟í𝑚𝑒𝑡𝑟𝑜
𝑥 𝐸𝑦

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 70


Os valores encontrados devem ser colocados em novas colunas, respeitando
ainda o lugar de N, S e E, O.
Rumo Compriment y=L.cos(Rumo) x=L.sen(Rumo) Correção em y Correção em x
Lado
Graus Minutos Segundos Quadrante o (m) N (+) S (-) E (+) O (-) N (+) S (-) E (+) O (-)
AB 6 15 0 SO 57,76 57,41669 6,288151 0,006599 0,011888
BC 29 36 58 SE 53,39 46,41492 26,38461 0,0061 0,010988
CD 81 17 26 NO 60,28 9,1278241 59,58491 0,006887 0,012407
DE 12 23 59 NO 43,39 42,377855 9,31716 0,004957 0,00893
EA 42 59 23 NE 71,49 52,293221 48,74668 0,008168 0,014714
Σ 286,31 103,7989 103,8316 75,13129 75,19022

Tabela 8.3 - Passo 2 para a correção da poligonal.


Por fim, os erros são compensados usando os valores das colunas de correção
atentando para as seguintes situações:

 Em y:
o Se o erro (Ey) é negativo, o ponto final está mais à Sul do ponto inicial
então somo a correção às coordenadas N e diminuo às coordenadas S.
o Se o erro (Ey) é positivo, o ponto final está mais à Norte do ponto inicial
então somo a correção às coordenadas S e diminuo às coordenadas N.
 Em x:
o Se o erro (Ex) é negativo, o ponto final está mais à Oeste do ponto inicial
então somo a correção às coordenadas E e diminuo às coordenadas O.
o Se o erro (Ex) é positivo, o ponto final está mais à Leste do ponto inicial
então somo a correção às coordenadas O e diminuo às coordenadas E.
y=L.cos(Rumo) x=L.sen(Rumo) Correção em y Correção em x Compensação em y Compensação em x
N (+) S (-) E (+) O (-) N (+) S (-) E (+) O (-) N (+) S (-) E (+) O (-)
57,41669 6,288151 0,006599 0,011888 57,4101 6,276263
46,41492 26,38461 0,0061 0,010988 46,40882 26,3956
9,1278241 59,58491 0,006887 0,012407 9,134711 59,5725
42,377855 9,31716 0,004957 0,00893 42,38281 9,30823
52,293221 48,74668 0,008168 0,014714 52,30139 48,7614
103,7989 103,8316 75,13129 75,19022 103,8189 103,8189 75,15699 75,15699

Tabela 8.4 - Tabela final para a correção da poligonal.


Agora é só conferir se as somas (em destaque amarelo na tabela anterior) são
exatamente iguais em N e S e em E e O. Caso não sejam, os cálculos devem
ser conferidos.

8.1.2.1 Determinação das Coordenadas Finais

Depois de corrigir a poligonal, devemos definir suas coordenadas usando um


sistema arbitrário. A origem do sistema de coordenadas planas topográficas será
coincidente com o ponto mais a oeste (para a coordenada X) e mais a sul (para
a coordenada Y)

A partir daí, e utilizando os dados corrigidos, é feito da seguinte forma:

 Determinação do ponto mais a ESTE e a OESTE da poligonal (x)

Começando do ponto A e observando apenas as coordenadas X, faço um


esboço da distância horizontal entre os pontos (de dois em dois) até o último
Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 71
ponto da poligonal. É importante considerar a escala, manter o mesmo ponto na
mesma linha, e observar se um ponto está mais à O ou à E do outro (mais à
oeste vou pra esquerda e mais à este vou pra direita)

Figura 8.2 - Determinação do ponto mais a oeste.


Logo, percebemos que o ponto mais à este é o ponto C e mais à oeste é o
ponto E. Então determino:
𝑥𝐸 = 0

 Determinação do ponto mais a NORTE e a SUL da poligonal (y)

Começando do ponto A e observando apenas as coordenadas Y, faço um


esboço da distância horizontal entre os pontos (de dois em dois) até o último
ponto da poligonal. É importante considerar a escala, manter o mesmo ponto na
mesma linha, e observar se um ponto está mais à N ou à S do outro (mais à sul
vou pra baixo e mais à norte vou pra cima)

Figura 8.3 - Determinação do ponto mais ao sul.

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 72


Logo, percebemos que o ponto mais à norte é o ponto A e mais à sul é o ponto
C. Então determino:
𝑦𝐶 = 0

Obs.: A determinação dos pontos mais a oeste e mais a sul e a atribuição do


valor zero às suas coordenadas garante que nenhuma coordenada de nenhum
ponto seja negativa.

 Determinação das coordenadas finais

Por fim, basta determinar as outras coordenadas separadamente em x e em y


partindo das coordenadas 0 e somando as distâncias corrigidas.

 Representação da poligonal

Ponto X Y
A 48,762 103,819
B 42,485 46,409
C 68,881 0
D 9,308 9,135
E 0 51,518

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 73


Figura 8.4 - Gráfico representando a poligonal.

8.2 Irradiamento/Irradiação

Consiste em, a partir de uma linha de referência conhecida, medir um ângulo e


uma distância. É semelhante a um sistema de coordenadas polares. A distância
pode ser obtida utilizando uma trena, distanciômetro eletrônico ou estação total
ou obtida por métodos taqueométricos. Este método é muito empregado no
levantamento de detalhes em campo. (VEIGA 2010)

O método de irradiação é empregado para levantar pequenas superfícies


relativamente planas. Na irradiação, as coordenadas dos pontos são
determinadas em função das distâncias horizontais e dos azimutes.

Emprega-se o posicionamento por irradiação quando são conhecidas as


coordenadas de duas estações ou, no mínimo, as coordenadas de uma estação
e um azimute de referência, e é possível medir distâncias e ângulos horizontais
da estação ao ponto desconhecido. (Rodrigues, 2008)

Figura 8.5 - Levantamento por Irradiação.


Neste método o equipamento fica estacionado sobre um ponto de coordenadas
conhecidas (ponto A) e faz-se a “varredura” do elemento de interesse (ponto P)
Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 74
próximo ao ponto ocupado (ponto A), medindo direção e distância para este
ponto.

Pode-se perceber, que para um ponto P em qualquer quadrante:

∆𝐸 = 𝑑𝐴𝑃 × 𝑠𝑒𝑛(𝛼)

∆𝑁 = 𝑑𝐴𝑃 × 𝑐𝑜𝑠(𝛼)

Posteriormente os valores são somados ou subtraídos nas coordenadasdo ponto


de apoio, dependendo se o ponto de incógnita (P) estará mais a Lesteou Sul
(eixo y) e mais a Leste ou Oeste (eixo x) do ponto de apoio (A) e, assim,são
determinados às coordenadas do ponto P.

Recomenda-se medir o azimute de uma direção devidamente materializada,


atribuir esse azimute à direção, medir os ângulos horizontais horários ou anti-
horários a partir dela e transformar os ângulos medidos em azimutes. Portanto,
conhecendo um azimute e medindo devidamente ângulos horizontais,
transformam-se os ângulos medidos em azimutes e só então, calculam-se as
coordenadas de interesse. (Rodrigues, 2008)

8.3 Triangulação e Trilateração

A triangulação é a obtenção de figuras geométricas à partir de triângulos


formados através da medição dos ângulos subtendidos por cada vértice. Os
pontos de triangulação são denominados vértices de triangulação (VVTT). É o
mais antigo e utilizado processo de levantamento planimétrico. (IBGE, 1988)

Figura 8.6 - Triangulação.


A Trilateração é um método semelhante à triangulação e também se baseia em
propriedades geométricas a partir de triângulos superpostos, sendo que o
levantamento será efetuado através da medição dos lados. (IBGE, 1988)

Figura 8.7 - Trilateração.

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 75


8.4 NBR 13133 - Execução de Levantamentos Topográficos
(Planimetria)

As normas asseguram as características desejáveis de produtos e serviços,


como qualidade, segurança, confiabilidade, eficiência, intercambialidade, bem
como respeito ambiental. As normas têm uma contribuição enorme e positiva
para a maioria dos aspectos de nossas vidas. Quando elas estão ausentes, logo
notamos. São inúmeros os benefícios trazidos pela normalização para a
sociedade, mesmo que ela não se dê conta disso.
No Brasil, o órgão credenciado para gerar normas é a Associação Brasileira de
Normas Técnicas (ABNT), que é uma empresa não governamental, sem fins
lucrativos, credenciado pelo Inmetro. As normas da ABNT têm caráter nacional.
Outros países têm seus próprios órgãos responsáveis pela normalização
O objetivo primeiro da Comissão de Normas para Serviços Topográficos da
ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) era a produção da Norma
para a Planta Topográfica Cadastral do Município. Entretanto, verificou-se que
seria difícil alcançar esse objetivo sem que houvesse normas para a rede de
apoio básico para serviços topográficos e aerofotogramétricos. Por outro lado, a
inexistência de normas para serviços topográficos iria dificultar a atualização e
manutenção daquela planta. Resolveu-se, então, iniciar por fazer estas duas
normatizações básicas, sendo que hoje ambas estão em vigência: NBR 13.133
– Execução de Levantamento Topográfico (maio de 94) NBR 14.166 – Rede de
Referência Cadastral Municipal – Procedimento (agosto de 98).

A NBR 13.133 fixa as condições exigíveis para a execução de levantamento


topográfico destinado a obter:

a) conhecimento geral do terreno: relevo, limites, confrontantes, área,


localização, amarração e posicionamento;
b) informações sobre o terreno destinadas a estudos preliminares de projetos;
c) informações sobre o terreno destinadas a anteprojetos ou projetos básicos;
d) informações sobre o terreno destinadas a projetos executivos.

As condições exigíveis para a execução de um levantamento topográfico devem


compatibilizar medidas angulares, medidas lineares, medidas de desníveis e as
respectivas tolerâncias em função dos erros, selecionando métodos, processos
e instrumentos para a obtenção de resultados compatíveis com a destinação do
levantamento, assegurando que a propagação de erros não exceda os limites de
segurança inerentes a esta destinação.

8.5 Cálculo de Área

A avaliação de áreas é uma atividade comum na Topografia. Por exemplo, na


compra e venda de imóveis rurais e urbanos esta informação se reveste de

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 76


grande importância. Dois processos básicos para cálculo analítico de áreas
irregulares são o método dos triângulos e o método das coordenadas alternadas.

8.5.1 Método dos triângulos

Neste processo a área a ser avaliada é dividida em triângulos e a área final é


determinada pela soma de todas as áreas das figuras geométricas. Os vértices
dos triângulos devem ser coincidentes com os pontos do polígono (de
coordenadas conhecidas) de modo seja possível usar esses pontos para o
cálculo das áreas.

8.5.2 Método das Coordenadas Alternadas (Fórmula de Gauss)

Esse método é o mais simples para cálculo analítico de área de polígonos.

Neste método a área é avaliada utilizando fórmulas matemáticas que permitem,


a partir das coordenadas dos pontos que definem a feição, realizar os cálculos
desejados. (VEIGA, 2012)

Como ilustrado na Figura 8.8, a área do polígono pode ser calculada partir do
cálculo da área de trapézios formados pelos vértices da poligonal (fórmula de
Gauss) e subtraindo-se a área 1 da área 2.

Figura 8.8 - Exemplificação do cálculo de área pela fórmula de Gauss. (VEIGA,


2012)
Existe um desenvolvimento matemático (para detalhes consulte VEIGA, 2010
pág. 178 a 182) que demonstra a seguinte fórmula:

2𝐴 = │ σ(𝑦𝑖 × 𝑥𝑖+1 ) − σ(𝑥𝑖 × 𝑦𝑖+1 )│

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 77


Onde A é a área do polígono e x e y as coordenadas pontos.

Essa fórmula pode ser traduzida de uma maneira de mais simples entendimento
da seguinte forma: monta-se uma tabela com as coordenadas dos pontos, com
o cuidado de repetir a coordenada do primeiro ponto no final da tabela, e
multiplicando-se de acordo com o ilustrado pela Figura 8.9 (exemplo para um
polígono de 4 (quatro) vértices).

Figura 8.9 - Forma de multiplicação dos valores. (VEIGA, 2012)

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 78


UNIDADE IX
9. LEVANTAMENTOS GNSS

Como continuação da unidade anterior (planimetria), nesta unidade serão


apresentados os conceitos básicos do método de GNSS para a obtenção de
coordenadas. No caso do GNSS, além das coordenadas planimétricas ainda é
possível a obtenção da coordenada altimétrica, embora sua precisão seja baixa
se comparada aos métodos topográficos de nivelamento.

Posicionar um objeto nada mais é do que determinar as suas coordenadas em


relação a um referencial específico. Essas coordenadas devem ser
determinadas utilizando algum tipo de informação e dessa ideia surgiram os
Satélites GNSS que, através de uma constelação de satélites artificiais, é
possível obter a localização de um receptor em qualquer lugar na Terra.

9.1 Sistemas de Navegação Global por Satélites

Um Navigation Satellite System / Sistema de Navegação por satélite – SAT-


NAV, também designado por Global Navigation Satellite System – GNSS, é
composto por um conjunto de satélites (designados por space vehicles - SV) que
orbitam a Terra de modo a permitir determinar da localização de um receptor
qualquer que seja o ponto do globo em que esteja. Esta determinação faz-se
através de triangulação de 3 ou mais satélites, calculando o tempo que os sinais
rádio emitidos pelo satélite demoram a chegar ao receptor, e consequentemente
a distância a que o receptor se encontra de cada um dos satélites, derivando-se
a partir daí a localização geográfica do receptor. (VEDRAS, 2012)

Até a presente data, apenas dois sistemas GNSS são considerados plenamente
operacionais e com alcance global: o sistema estadunidense NAVSTAR GPS e
o sistema russo GLONASS. Outros sistemas GNSS em desenvolvimento
incluem o sistema europeu GALILEO e o sistema chinês COMPASS.

9.1.1 GLONASS

GLONASS (acrônimo para o termo Sistema de Navegação Global por Satélites


em russo) designa o sistema de navegação criado na extinta União Soviética
(URSS - atual Rússia). Assim como seu congênere estadunidense, o sistema
GLONASS foi criado para fins militares de posicionamento e navegação. O
desenvolvimento do sistema foi iniciado em 1976, tendo se tornado
completamente operacional em dezembro de 2011, ao completar a constelação
com um número de satélites suficientes para obter cobertura global. (VAZ et. al.,
2013)

9.1.1.1 Segmentos

O sistema GLONASS é estruturado em três segmentos: espacial, usuário e


controle. (VAZ et. al., 2013)

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 79


a) Segmento espacial: composto por uma constelação de 24 satélites em Média
Órbita Terrestre, distribuídos em três planos orbitais distintos, situados
aproximadamente a 19.100 km de altitude, separados em 120 graus, com uma
inclinação de 64,8 graus em relação ao plano do Equador;

b) Segmento de controle: composto por cinco estações terrestres, distribuídas


em território pertencente à antiga União Soviética, localizadas em Moscou
(Estação Principal), St. Petersburg, Ternopol, Eniseisk e Komsomdsk-na-Amure;

c) Segmento de usuário: composto pelos receptores GLONASS que calculam


sua posição, tempo e velocidade na superfície terrestre através do rastreio de
satélites GLONASS.

9.1.2 BEIDOU

A China está implantando seu próprio sistema global de navegação por satélites,
similar ao GPS norte-americano e ao GLONASS russo; contará com 35 satélites:
cinco geoestacionários e trinta em órbita média.

O Sistema de Navegação e Posicionamento da China, batizado de BEIDOU –


Ursa Maior, em chinês – e de COMPASS, em inglês (bússola, em português),
entrou em operação no dia 27 de dezembro de 2011, com serviços públicos e
comerciais para a região Ásia-Pacífico, inclusive a Austrália. (FILHO, 2013)

Definido oficialmente como uma das “indústrias estratégicas emergentes” da


China, sua meta para 2020 é prestar serviços globais de posicionamento,
navegação e cronometragem, com 35 satélites. Quer dizer, disputar o mercado
global com os outros sistemas. (FILHO, 2013)

9.1.3 GALILEO

O GALILEO é um projeto financiado pela União Europeia com vista a dotar a


Europa de um sistema SAT-NAV. Deverá ter cobertura global em 2019 e terá
duas estações de controle – uma na Alemanha e outra em Itália. O acesso ao
sistema será gratuito e deverá oferecer precisões na ordem de 1m. O GALILEO
tem a particularidade de ser um projeto de motivações essencialmente civis.
(VEDRAS, 2012)

9.1.4 GPS

O Sistema GPS – Global Positioning System é de longe o sistema GNSS mais


utilizado em todo o mundo, consequentemente, existe toda uma indústria de
aplicações civis que se desenvolveu em torno do GPS. O nome completo e oficial
do sistema é “NAVSTAR-GPS-Navigation Satellite with Time and Ranging -
Global Positioning System”. (VEDRAS, 2012)

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 80


9.1.4.1 Segmentos

O sistema GPS é composto por três segmentos (VEDRAS, 2012):

a) Segmento espacial: composto por satélites que orbitam a 20200 km da Terra


de modo a que em qualquer ponto do planeta, a qualquer hora, sejam visíveis
pelo menos 6 (seis) satélites;

b) Segmento de controle: composto por estações espalhadas pelo globo que


monitoram e controlam o funcionamento e sinais dos satélites. As principais
estações encontram-se no Hawaii, Kwajalein, Ascension Island, Diego Garcia,
Colorado Springs e Cabo Canaveral;

c) Segmento de usuário: composto pelo receptor. É o receptor que permite ao


usuário saber a sua posição no planeta com base na triangulação dos sinais de
rádio emitidos pelos satélites GPS.

Todos os satélites GPS emitem sinais em 5 frequências diferentes: L1, L2, L3,
L4 e L5. Na aplicação civil, interessam essencialmente as bandas L1
(1575,42MHz) e L2(1227.60MHz), pois os outros tipos de sinais emitidos são de
acesso exclusivo aos militares.

9.2 Métodos de Posicionamento

O posicionamento por GNSS pode ser realizado por diferentes métodos e


procedimentos. De uma maneira geral, o posicionamento pode ser relativo ou
absoluto.

O método de posicionamento absoluto caracteriza-se pela adoção de apenas um


receptor GPS para a determinação das coordenadas de um ponto sobre a
superfície terrestre, utilizando efemérides transmitidas, referidas ao sistema de
referência vinculado ao sistema de posicionamento por satélites empregado, por
exemplo, para o GPS é o WGS-84 (G1150) (World Geodetic System, 1984 –
refinado para a semana 1150). Este método de posicionamento pode ser
realizado com as técnicas estática (antena GPS estática) ou cinemática (antena
GPS em movimento). (KRUEGER et. al., 2010)

No posicionamento relativo, as coordenadas do vértice de interesse são


determinadas a partir de um ou mais vértices de coordenadas conhecidas. Neste
caso é necessário que dois ou mais receptores GNSS coletem dados
simultaneamente, onde ao menos um dos receptores ocupe um vértice de
referência. Podem ser usadas as observáveis: fase da onda portadora,
pseudodistância ou as duas em conjunto. Sendo que a fase da onda portadora
proporciona melhor precisão. (INCRA, 2013)

O conceito de posicionamento pelo (Real Time Kinematic) e DGPS (Differential


GPS) baseia-se na transmissão instantânea de dados de correções dos sinais

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 81


de satélites, do (s) receptor (es) instalado (s) no(s) vértice(s) de referência
ao(s)receptor(es) que percorre(m) os vértices de interesse. Desta forma,
proporciona o conhecimento instantâneo (tempo real) de coordenadas precisas
dos vértices levantados. (INCRA, 2013)

9.2.1 Posicionamento por Ponto Preciso (PPP)

O IBGE-PPP (Posicionamento por Ponto Preciso ou Posicionamento Absoluto


Preciso) é um serviço online gratuito para o pós-processamento de dados GNSS
(Global Navigation Satellite System), que faz uso do programa CSRS-PPP (GPS
Precise Point Positioning) desenvolvido pelo NRCan (Geodetic Survey Division
of Natural Resources of Canada). Ele permite aos usuários com receptores GPS
e/ou GLONASS, obterem coordenadas referenciadas ao SIRGAS2000 (Sistema
de Referência Geocêntrico para as Américas) e ao ITRF (International Terrestrial
Reference Frame) através de um processamento preciso. (Página do IBGE)

É necessário apenas que o usuário informe o arquivo de observação no formato


RINEX ou HATANAKA, se o levantamento foi realizado no modo estático ou
cinemático, o modelo e a altura da antena utilizada, e um e-mail válido. Ao final
do processamento será disponibilizado um link para obtenção dos arquivos com
os resultados. (Página do IBGE)

Uma restrição é que a aquisição tenha data posterior a 25 de fevereiro de 2005,


pois só a partir dessa data o SIRGAS2000 foi adotado oficialmente no Brasil. O
manual completo de como proceder para utilizar o serviço PPP pode ser
encontrado no link que segue:

http://www.ibge.gov.br/home/geociencias/geodesia/ppp/manual_ppp.pdf

9.3 Procedimento de Campo

A primeira providência que se deve tomar ao fazer um levantamento GNSS


(modo estático) é o pré-planejamento. Nessa etapa se determina o melhor
horário para execução do levantamento e confere-se a viabilidade do mesmo,
verificando se não haverá obstrução do sinal, se o ponto de interesse vai ser
acessível, etc. Obstruções são causadas por objetos como construções, árvores,
placas, antenas e outros que possam impedir que o sinal do satélite chegue ao
receptor GPS ou ofereça alguma resistência a este sinal. (LEANDRO ET al.,
2010)

É importante também que os equipamentos sejam verificados e preparados e o


levantamento dos pontos (se for mais de um ponto absoluto) ou o percurso (se
o posicionamento for cinemático) seja planejado com antecedência.

Já em campo, ao escolher o ponto onde vai ser posicionado o receptor, deve ser
certificado que há um marco bem definido no local. É indicado que se façam

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 82


anotações sobre as características do ponto e seu entorno, assim como registrá-
lo por fotografias.

No posicionamento estático deve ser verificado o nivelamento e a centragem da


antena antes e depois de cada sessão de observação.

9.4 Fatores que Afetam a Precisão do GNSS

A primeira e maior fonte de erro é a Disponibilidade Seletiva (Selective


Availability - S.A.) que é a degradação intencional imposta pelo Departamento
de Defesa dos EUA. O erro máximo imposto é de 100 m, mas em geral introduz-
se um erro de 30 m. O Sistema foi originalmente projetado para uso militar, mas
em l980, por decisão do então presidente Ronald Reagan, liberou-se o Sistema
para o uso geral, reservando aos militares a melhor precisão.

Outro fator que afeta a precisão é a 'Geometria dos Satélites'- localização dos
satélites em relação uns aos outros sob a perspectiva do receptor GPS. Se um
receptor GPS estiver localizado sob 4 satélites e todos estiverem na mesma
região do céu, sua geometria é pobre. Com os mesmos 4 satélites, se
espalhados em todas as direções, a precisão melhora drasticamente.

Outra fonte de erro é a interferência resultante da reflexão do sinal em algum


objeto, a mesma que causa a imagem 'fantasma' na televisão. Como o sinal leva
mais tempo para alcançar o receptor, este 'entende' que o satélite está mais
longe que na realidade. O erro causado é de aproximadamente 2 m.

Outras fontes de erro que são compensadas pelo receptor são o atraso na
propagação dos sinais devido aos efeitos atmosféricos e as alterações do relógio
interno.

9.5 Limitações e Vantagens da Aquisição GNSS

As aquisições GNSS ainda não funcionam muito bem para fins de determinação
altimétrica. Os erros associados às essas medidas são de 15 a 100 metros e no
caso de necessidade de boa precisão altimétrica é necessário lançar mão de
outras técnicas, como nivelamento geométrico.

Uma limitação para a aplicação do GNSS é a necessidade de que haja uma


“clareira” para o rastreamento. Montanhas e prédios altos bloqueiam o sinal e
diminuem a precisão da aquisição. Os sinais dos satélites também não penetram
em vegetação densa, vales estreitos, cavernas ou na água.

Uma grande vantagem do GNSS em relação à topografia convencional é que


dispensa a necessidade de intervisibilidade entre as estações e assim permite
realizar determinações em longas distâncias com maior precisão e menor tempo.
Além disso, os trabalhos podem ser realizados a qualquer hora do dia e sob

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 83


qualquer condição climática possibilitando uma maior produção com equipe
menor.

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 84


UNIDADE X
10. LEVANTAMENTOS ALTIMÉTRICOS

De acordo com a ABNT (1994, pág. 3), o levantamento topográfico altimétrico ou


nivelamento é definido por:

“Levantamento que objetiva, exclusivamente, a determinação das alturas


relativas a uma superfície de referência dos pontos de apoio e/ou dos pontos de
detalhe, pressupondo-se o conhecimento de suas posições planimétricas,
visando a representação altimétrica da superfície levantada. ”

Existem vários métodos de nivelamento, dos quais se destacam: nivelamento


geométrico; nivelamento trigonométrico e nivelamento taqueométrico.

O nivelamento barométrico, baseado na determinação de diferenças de altitude


entre dois pontos a partir das diferenças de pressão atmosférica, caiu em desuso
devido à sua baixa precisão com relação aos outros métodos e não será
abordado nessa apostila.

10.1 Nivelamento Trigonométrico

A determinação das diferenças de altitude a partir de ângulos verticais


observados em combinação com extensões de linhas. (DE OLIVEIRA, 1987)
O método baseia-se na resolução de triângulo retângulo do qual se conhece um
dos catetos (distância horizontal) e se procura determinar o outro cateto
(diferença de nível) e para tal mede-se o ângulo entre ambos.
O nivelamento trigonométrico pode ser feito com estação total ou teodolito. A
diferença entre eles é que, ao utilizar o teodolito a distância medida é a horizontal
enquanto a estação total nos dá a distância inclinada. Os cálculos explicados
para calcular diferença de altura entre dois pontos são exibidos nos tópicos
seguintes.

10.1.1 Com Teodolito

Com o teodolito, distância horizontal (Dh) entre os dois pontos deverá ser medida
à trena e a altura vertical (Fm) será medida pela leitura da mira. É importante
medir a altura do teodolito (Ai) para cada vez que ele for estacionado nos pontos.
O instrumento deve estar sempre no primeiro ponto (A) e a mira no segundo
ponto (B), entre os quais se deseja saber o desnível.

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 85


Figura 10.1 - Nivelamento trigonométrico usando teodolito.

∆ℎ𝐴𝐵 = 𝐷ℎ × 𝑡𝑔𝛼 + 𝐴𝑖 − 𝐹𝑚
Ou
∆ℎ𝐴𝐵 = 𝐷ℎ × 𝑐𝑜𝑡𝑔𝑍 + 𝐴𝑖 − 𝐹𝑚
Onde:
DhAB = Desnível entre os pontos A e B;
Dh = Distância horizontal;
Ai = Altura do instrumento (teodolito);
Fm = Altura medida na mira;
α = Ângulo vertical;
Z = Ângulo zenital.

10.1.2 Com Estação Total

Ao usar a estação total e o prisma, a distância inclinada é determinada pelo


instrumento, tornando desnecessário o uso da trena pra medir distância
horizontal. Assim como no caso do teodolito, a altura da estação total (Ai) deve
ser medida em cada leitura além da altura do prisma (Ap) e o instrumento deve
estar no ponto A e o prisma no ponto B entre os quais se deseja saber o desnível.

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 86


Figura 10.2 - Nivelamento trigonométrico usando estação total.

∆ℎ𝐴𝐵 = 𝐷𝑖 × 𝑠𝑒𝑛𝛼 + 𝐴𝑖 − 𝐴𝑝
ou
∆ℎ𝐴𝐵 = 𝐷𝑖 × 𝑐𝑜𝑠𝑍 + 𝐴𝑖 − 𝐴𝑝
Onde:
DhAB = Desnível entre os pontos A e B;
Di = Distância inclinada;
Ai = Altura do instrumento (estação total);
Ap = Altura do prisma;
α = Ângulo vertical;
Z = Ângulo zenital.

10.2 Nivelamento Geométrico

A determinação de pontos de altitude, uns em relação aos outros, ou em relação


a um datum comum, por meio da utilização de uma mira (ou duas) de
nivelamento e um instrumento (normalmente o nível). (DE OLIVEIRA, 1987)

O nivelamento geométrico é mais o preciso de todos os nivelamentos, porém é


mais moroso e é limitado pela visada horizontal. Existem vários métodos de
nivelamento geométrico, como o de visadas iguais, visadas extremas, visadas
recíprocas e visadas equidistantes.

O método de visadas iguais é o mais preciso e de larga aplicação em engenharia.


Nele as duas miras são colocadas à mesma distância do nível, sobre os pontos
que se deseja determinar o desnível, sendo então efetuadas as leituras. É um
processo bastante simples, onde o desnível será determinado pela diferença
entre a leitura de ré e a de vante. (VEIGA, 2012)

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 87


Figura 10.3 - Nivelamento geométrico pelo método das visadas iguais.

∆ℎ𝐴𝐵 = 𝑙𝑒𝑖𝑡𝑢𝑟𝑎 𝑑𝑒 𝑟é − 𝑙𝑒𝑖𝑡𝑢𝑟𝑎 𝑑𝑒 𝑣𝑎𝑛𝑡𝑒


Uma consideração importante para a execução desse nivelamento é que as
distâncias entre A e o nível e entre B e o nível devem ser iguais ou muito
próximas além de idealmente ser de 60 metros e não devendo ultrapassar os 80
metros. A grande vantagem deste método é a minimização de erros causados
pela curvatura terrestre, refração atmosférica e colimação do nível.

O item 5.17 da NBR 13133/94 recomenda alguns cuidados que devem ser
tomados a fim de serem evitadas a ocorrência e a propagação de erros
sistemáticos que são muito comuns nas operações de nivelamento geométrico.

10.3 Nivelamento Taqueométrico

Técnica da extensão do controle vertical suplementar em área de relevo


moderado. As distâncias são medidas por meio de métodos taqueométricos, e
podem ser executados a prancheta, trânsito ou teodolito. Os resultados das
medições são calculados utilizando-se a trigonometria. (DE OLIVEIRA, 1987)

O cálculo de distância a partir da leitura dos fios estadimétricos já foi abordado


nesta apostila na Unidade IV, seção de medição de distâncias. A partir do
nivelamento taqueométrico, o cálculo de desnível é feito da seguinte forma:

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 88


Figura 10.4 - Nivelamento taqueométrico.

𝑘
∆ℎ𝐴𝐵 = × 𝐼 × 𝑠𝑒𝑛2𝑍 + 𝐴𝑖 − 𝐹𝑚
2
e
𝐷ℎ = 𝑘 × 𝐼 × 𝑠𝑒𝑛 𝑍ou 𝐷ℎ = 𝑘 × 𝐼 × 𝑐𝑜𝑠 2 𝛼
2

Onde:
DhAB = Desnível entre os pontos A e B;
Dh = Distância horizontal;
I = FS-FI (leitura do fio superior menos a leitura do fio inferior)
Ai = Altura do centro ótico de luneta ao ponto topográfico;
α = Ângulo vertical;
Z = Ângulo zenital.

10.4 NBR 13133/94 Execução de Levantamentos Topográficos


(Altimetria)

A NBR 13133 estabelece, em seu item 6.4, quatro classes de nivelamento de


linhas ou circuitos e de seções, abrangendo métodos de medida, aparelhagem,
procedimentos, desenvolvimentos e materialização (ABNT, 1994, p.15) (Tabela
10.1)

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 89


Tabela 10.1 - Nivelamento de linhas ou circuitos e seções. (Fonte: ABNT,
1994, p. 17)
Além da consulta a esta tabela para garantir a precisão do levantamento, outro
fator importante é a escolha dos pontos do levantamento. Em geral, quanto mais
complexo o terreno maior a quantidade de pontos necessários para que se faça
uma boa representação do terreno. Não existe norma para indicação de
quantidade ou de locação de pontos e essa tarefa fica a cargo do profissional
experiente.

10.5 Cálculo de Volume

O cálculo de volume a partir de documentos cartográficos é tarefa comum e


importante em diversas aplicações, como por exemplo, determinar volume de
corte/aterro de um terreno para alcançar uma altura determinada. Três maneiras
de cálculo de volume são: a partir de curvas de nível, pela área média e pela
prismoidal.

Os volumes estimados compõem o diagrama de massas que tem como objetivo


determinar se o corte e aterro se compensam. Para que isso aconteça, o volume

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 90


de corte deveria ser igual ao volume de aterro, mas existe um fator que deve ser
considerado. Quando o material escavado está sendo compactado em camadas
finas em um aterro a uma unidade ótima de modo que a maior compactação seja
obtida, o volume de aterro resultante será apreciavelmente menor que a
quantidade de corte.

Então, para a maioria dos aterros, se toma mais volume de corte que volume de
aterro requerido, num excesso de 5 a 20%. Esse fator é chamado de fator de
homogeneização ou contração (FC), onde:

𝑉𝑐𝑜𝑟𝑡𝑒
𝐹𝐶 = → 𝑛𝑜𝑟𝑚𝑎𝑙𝑚𝑒𝑛𝑡𝑒 1,2 (20%)
𝑉𝑎𝑡𝑒𝑟𝑟𝑜

10.5.1 Usando curvas de nível

Para determinar o volume a partir de curvas de nível, deve-se saber a área das
curvas de nível e equidistância entre elas. O volume será a soma dos volumes
de cada seção definida por duas curvas sucessivas. O volume de cada seção,
no entanto, é calculado pela multiplicação da altura (nesse caso a equidistância)
pela média da área da base com a área do topo.

Para exemplificar, a tabela abaixo apresenta as áreas para cada curva de nível
que possuem uma equidistância (Eq) de 5 metros.

10.5 - Área das curvas de nível.


Se desejo calcular o volume acima da cota de 510, devo usar a seguinte
equação:

𝐴525 + 𝐴520 𝐴520 + 𝐴215 𝐴215 + 𝐴210


𝑉 = 𝐸𝑞 × ( ) + 𝐸𝑞 × ( ) + 𝐸𝑞 × ( )
2 2 2
394 + 1176 1176 + 2861 2861 + 5073
𝑉 =5×( )+ 5×( )+5×( ) = 33852,5 𝑚³
2 2 2
Uma observação que deve ser feita é que nesse caso não é considerado o
volume que se encontra entre a cota mais alta e o pico do morro. Este valor é
considerado desprezível. Caso seja necessária uma estimativa mais precisa,
este volume pode ser calculado utilizando a fórmula do volume de um cone, onde
a altura vai ser a diferença entre a altura do pico e CN de maior cota.

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 91


10.5.2 Área Média

Nesse método o volume é calculado a partir da área de duas seções transversais


do terreno (A1 e A2) e a distância entre elas (L).

10.6 - Cálculo do Volume pela Área Média

𝐴1 + 𝐴2
𝑉=( )×𝐿
2
Observação: Nota-se que A1 ≠ A2

Quando menor L, mais precisão terá a estimativa de volume uma vez que o
terreno será mais bem modelado. Recomenda-se que valores menores de L
sejam utilizados quando o terreno for muito irregular.

Este não é um método teórico exato, a menos que as duas extremidades sejam
iguais (o volume seria modelado por uma forma geométrica de volume
conhecido). A fórmula oferece volume para mais, favorecendo o empreiteiro.

10.5.3 Volume Prismoidal

O cálculo do volume pela prismoidal usando a regra de Simpson é mais preciso


em relação ao método anterior pois utiliza mais uma seção para modelar o
terreno. A terceira seção considerada é a área centrada (AC), ou seja, seção
média entre A1 e A2, na posição L/2.

O cálculo do volume é dado pela seguinte fórmula:

𝐴1 + 4 × 𝐴𝐶 + 𝐴2
𝑉=( )×𝐿
6

10.7 - Cálculo do Volume pela Prismoidal


Embora este método ofereça melhor estimativa de volume, o método da área
média é o mais utilizado porque a diferença no resultado é muito pequena e não
justifica o trabalho.

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 92


10.6 Movimentos de Terra

Em muitos trabalhos de engenharia é necessário calcular volumes, como por


exemplo, em uma estrada, calcular os volumes de corte e aterro para a
construção da mesma. Normalmente estes volumes são determinados a partir
de dados de levantamentos topográficos, como as curvas de nível, seções
transversais ou malha de pontos com cotas conhecidas. (VEIGA, 2007)

A topografia determina a quantidade (volume) de terra a ser movimentado a partir


de locação de malhas de piquetes necessários para se executar o movimento de
terra requerido para levar o terreno para os greides e cotas desejados. Essa
determinação é de grande importância, uma vez que escavações (cortes) e
deposições (aterros) são uma porcentagem apreciável no custo total de um
projeto.

Figura 10.8 - Determinação da malha no terreno (Veiga, 2007).


Para se obter terra de empréstimo de áreas próximas, faz-se o uso de plantas
de empréstimo (corte em metro dos vértices). Nessas plantas temos a cota de
vértices de polígonos que envolvem o terreno (Figura 11.9). Normalmente usa-
se malha quadrada para facilitar os cálculos, mas em alguns casos é necessário
utilizar outras geometrias para representar o terreno mais fielmente.

Figura 10.9 - Planta de empréstimo.

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 93


A área de cada polígono deve ser então calculada. A altura é estimada fazendo
a média dos valores das cotas dos vértices desse polígono. A multiplicação da
área com a altura vai determinar o volume naquele pedaço do terreno. O volume
total será a soma de todos os volumes calculados. Exemplo de contas abaixo.

3,4 + 3,6 + 2,8 + 3,1


𝑉1 = (15 × 14) × ( )
4
3,6 + 4,2 + 3,1 + 3,4
𝑉2 = (15 × 15) × ( )
4


15 × (15 + 15) 2,6 + 2,6 + 2,4
𝑉8 + 𝑉12 = ( )×( )
2 3
Caso o desejo seja aplainar o terreno, basta dividir o volume total pela área total
e então determinar a altura que o terreno aplainado vai ficar (considerando que
não houve entrada ou saída de material do terreno em questão).

Caso o desejo seja levar o terreno à uma cota específica, basta comparar o
volume disponível com o volume que é necessário (valor da cota que se quer
multiplicado pela área total). Caso o volume disponível seja maior, será
necessária a retirada de terra e caso contrário será necessário o empréstimo de
outras áreas.

É importante observar se todas as cotas têm a mesma referência altimétrica. Se


as cotas foram obtidas de maneiras diferentes (ex. uma parte com GPS – altura
elipsoidal e outra parte com nivelamento – altura ortométrica) pode ser
necessário fazer a conversão antes de começar os cálculos.

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 94


UNIDADE XI
11. Noções Básicas de Topologia

A topologia é a parte da topografia que estuda as formas exteriores da superfície


terrestre e as leis que regem o seu modelado. Em Topografia, a aplicação da
topologia é dirigida para a representação do relevo em planta.

O relevo da superfície terrestre é uma feição contínua e tridimensional. Existem


diversas maneiras para representar o mesmo. (VEIGA, 2012)

Entre as formas de representar o relevo, temos as cores hipsométricas, os perfis


topográficos os relevos sombreados e o mais importante, as curvas de nível.

11.1 Cores Hipsométricas

Em mapas de pequena escala, para representar grandes áreas como, por


exemplo, as Cartas Internacionais ao Milionésimo, emprega-se a hipsometria.
No método hipsométrico, as altitudes de uma região são apresentadas por cores
graduadas (cores hipsométricas). As cores utilizadas possuem uma equivalência
com a cota do terreno e costumam se apresentar da seguinte forma: a cor verde
é utilizada para representar baixas altitudes e a cor castanha a branca para
representar maiores altitudes. (Figura 11.1)

Figura 11.1- Escala de cores Hipsométricas (esquerda) e mapa com esse tipo
de representação (direita).

11.2 Perfis Topográficos

Os perfis topográficos representam cortes verticais do terreno ao longo de uma


linha determinada. Essa representação complementa muito bem a planta de
curvas de nível e permite a visualização das linhas do terreno, perfis de projeto,
camadas de minério, representação da lâmina d'água, áreas em corte ou aterro,
e outras.
Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 95
Em geral a escala vertical é ampliada com relação à horizontal, de forma a
permitir melhor observação das diferenças do relevo, podendo a escala vertical
ser de duas a dez vezes maior que a escala horizontal.

O primeiro passo, para o desenho de um perfil é traçar uma linha de corte, na


direção onde se deseja representá-lo. Em seguida, marcam-se todas as
interseções das curvas de nível com a linha básica, as cotas de altitude, os
rios, picos e outros pontos definidos. (Figura 11.2) (IBGE, 1998)

Figura 11.2 - Perfil topográficos. (Fonte: IBGE, 1998))

11.3 Relevos Sombreados

O sombreado executado diretamente em função das curvas de nível é uma


modalidade de representação do relevo. É executada, geralmente, à pistola e
nanquim e é constituída de sombras contínuas sobre certas vertentes dando a
impressão de saliências iluminadas e reentrâncias não iluminadas.
Para executar-se o relevo sombreado, imagina-se uma fonte luminosa à
noroeste, fazendo um ângulo de 45º com o plano da carta, de forma que as
sombras sobre as vertentes fiquem voltadas para sudeste. (IBGE, 1998)

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 96


Figura 11.3 - Representação do Relevo Sombreado (IBGE,1998)

11.4 Curvas de Nível

São isolinhas de altitude, ou seja, linhas que representam todos os pontos do


terreno da mesma altitude. As curvas de nível constituem a forma mais utilizada
para representação do relevo nas cartas topográficas. As curvas mestras são
curvas de nível mais grossas e numeradas que ocorrem de 5 em 5 curvas. A
quinta curva é sempre uma curva mestra nas cartas topográficas. (TIMBÓ, 2001)

Figura 11.4 - Representação em curvas de nível. (IBGE, 1998)

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 97


São características básicas das curvas de nível: (TIMBÓ, 2001)

1) Quanto maior a inclinação do terreno mais próxima uma das outras


estarão as curvas e quanto menor a inclinação do terreno mais afastadas
ficam as curvas;
2) O espaçamento entre as curvas é constante nas encostas de inclinação
uniforme;
3) As curvas de nível são perpendiculares à linha de maior inclinação do
terreno;
4) As curvas de nível nunca se cruzam nem se juntam com as vizinhas,
exceto em superfícies verticais;
5) As curvas de nível sempre se fecham, dentro ou fora das bordas da carta;
6) As curvas de nível formam um bico descendo a encosta nas cristas e
cumeadas (divisores de águas) e formam um bico subindo a encosta nos
vales e ravinas (recolhedores de águas).

Figura 11.5 - Exemplos de curvas de nível destacando as curvas mestras (à


esquerda) e curvas de nível cruzando cursos d’água em forma de “v” com
vértice apontando para a nascente (à direita).
Existe um padrão para a equidistância das curvas de nível de acordo com a
escala do mapa. Em escalas mais detalhadas, as equidistâncias (altitude entre
curvas de nível) são menores e em escalas menores são maiores. Dessa forma,
evita-se que o mapa fique poluído com excesso de informação.

Escala Equidistância Curvas Mestras


1:25.000 10 50
1:50.000 20 100
1:100.000 50 250
1:250.000 100 500
1:1.000.000 100 500
Tabela 11.1 - Equidistâncias de curvas de nível para diferentes escalas.

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 98


UNIDADE XII
12. Visão Geral das Técnicas de Automação Topográfica

“Entende-se por automação qualquer sistema, apoiado em computadores que


substitua o trabalho humano e que vise soluções rápidas e econômicas para
atingir os complexos objetivos das indústrias e dos serviços” (MORAES et
CASTRUCCI, 2001, p. 15).

A evolução de dos métodos topográficos e dos instrumentos tem seguido em


passos rápidos rumo aos processos automatizados. Os técnicos hoje trabalham
no sentido de gerenciar dados para atender as necessidades de uma sociedade
determinada por informações georreferenciadas. Na topografia, diversas
técnicas têm sido substituídas ou aprimoradas com novas tecnologias que visam
facilitar o serviço do topógrafo e também melhorar a qualidade das aquisições.
Entre elas, nessa unidade serão descritas sobre as Estações Totais Robóticas,
o GNSS RTK, o Scanner Terrestre, aquisições VANT e Nível Digital Eletrônico.

12.1 Estação Total Robótica

As estações totais robóticas (ETR) possuem um conjunto de motores, fazendo a


rotação dos eixos verticais e horizontais. Com esses motores, é possível fazer a
pontaria nos alvos e então efetuar as leituras. O operador dará um comando de
busca, e a estação fará uso de seus motores para encontrar o prisma.

Além disso, estas estações podem ser operadas remotamente com uma
controladora. O topógrafo passa a operar a estação total no lugar do auxiliar, na
baliza vante, podendo medir pontos, implantar, orientar e etc. (BLOGMENSURA,
2016)

12.2 GNSS RTK

O GNSS Real Time Kinematic (RTK) já foi mencionado na unidade anterior desta
apostila, trata-se de um receptor que provê o posicionamento relativo cinemático
em tempo real. Embora pouco utilizada no Brasil, é uma técnica que vem
evoluindo rapidamente e que permite ao operador obter informações,
diretamente no campo, sem a necessidade de pós-processamento, e atingir uma
posição centimétrica.

A técnica de posicionamento RTK é baseada na solução da portadora dos sinais


transmitidos pelos sistemas globais de navegação por satélites GPS, GLONASS
e GALILEO. Esta técnica exige a disponibilidade de pelo menos uma estação de
referência, com as coordenadas conhecidas e dotada de um receptor GNSS e
um rádio modem transmissor. A estação gera e transmite as correções
diferenciais para as estações móveis, que usam os dados para determinar
precisamente suas posições. (OLIVEIRA, 2011)

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 99


Este posicionamento oferece ao profissional de topografia uma maior agilidade,
qualidade, rapidez, precisão e posicionamento em tempo real, ou seja, in loco. E
pode ser usado em diversas aplicações. (RODRIGUES, 2014)

As desvantagens são a necessidade de uma estação de referência, o que


demanda equipamento e equipe de campo e o fato de, no caso de uso de rádio
modem, a técnica RTK se restringir a linhas de base curtas (até 10 km).

12.3 Scanner Terrestre

O Laser Scanner 3D é uma das tecnologias mais eficientes, hoje, para a geração
de modelos digitais em três dimensões com alta produtividade e por isso, seu
uso vem se mostrando cada vez mais presente no atendimento a demandas de
medições que necessitem de rapidez na captação dos dados, de precisão e
detalhamento das feições medidas.

O laser scanner 3D utiliza o mesmo princípio da estação total, onde basicamente


é feita a medição de ângulos e distâncias para o posicionamento tridimensional.
A diferença está na coleta abundante de informações num curto período de
tempo versus a escolha meticulosa de pontos em campo com uma estação total
ou GNSS. (PRATES, 2014)

Existem vários tipos de scanners 3D, variando desde as características do


sistema de varredura, passando pelo princípio de medição da distância, até a
velocidade e intervalos de medida. (WUTKE, 2006)

As plataformas de laser scanner terrestre (estático ou móvel) possuem como


principais vantagens a velocidade de coleta de dados e o alto nível de
detalhamento dos objetos/feições, maior velocidade de aquisição e precisão
compatível com serviços de engenharia. As principais desvantagens apontadas
por profissionais e especialistas, além do alto custo ainda encontrado nos
equipamentos e softwares, são: necessidade de mão de obra mais qualificada;
quantidade muito grande de dados e volume de arquivos, exigindo equipamentos
sofisticados; e dependência de uma via para que o veículo possa trafegar, no
caso do escaneamento móvel. (PRATES, 2014)

12.4 Veículo Aéreo Não Tripulado (VANT)

Os termos VANT e DRONE são comumente confundidos, mas existe uma


diferença importante entre eles. Embora ambos terem hélices e sejam veículos
aéreos não tripulados, eles se diferenciam pelo seu propósito de uso. Enquanto
os Drones são classificados como aeromodelos e utilizados para uso recreativo,
lazer, para divertimento próprio, os VANTs são para o uso comercial e
profissional. (ALENCAR, 2015)

Além de terem objetivo comercial, os drones precisam de mais uma


característica para serem considerados VANTs. Ele precisa possuir uma carga

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 100


útil embarcada, que não seja necessária para o equipamento voar, como por
exemplo, uma câmera de filmagem. Ademais, os VANTs precisam de licença
para voar. (ALENCAR, 2015)

Veículos Aéreos Não Tripulados (VANTs) são uma opção com baixíssimo custo
(em relação à aerofotogrametria) para o setor de sensoriamento remoto. Podem
gerar produtos muito próximos dos obtidos através de métodos clássicos de
levantamentos. Com a tecnologia VANT tornou-se possível fazer mapeamentos
e imagens aéreas para descrição topográfica em lugares de difícil acesso.

O Controle de Tráfego Aéreo brasileiro ainda não está devidamente preparado


pra aplicações com VANTs e logo será preciso, além de uma legislação a
respeito, recursos computacionais e treinamentos adequados para os
controladores de tráfego aéreo e pilotos.

Espera-se, para os próximos anos, uma presença cada vez maior de VANTs nas
áreas de mapeamento, defesa, inteligência e segurança.

12.5 Nível Digital Eletrônico

O nível evoluiu com o tempo, indo de equipamentos óticos (equipamentos mais


rústicos) até equipamentos totalmente eletrônicos (aparelhos sofisticados que
obtém dados de forma mais independente da intervenção humana).

Os níveis digitais eletrônicos criam um novo padrão de nivelamento. Eles são


fáceis de usar, realizam medições na metade do tempo e minimizam erros
humanos. Além disso, os programas aplicativos internos melhoram ainda mais o
trabalho de nivelamento.

O nível digital eletrônico é composto pelo nível digital (instrumento) propriamente


dito, pelas miras com código de barras, pelo hardware que incluem motores de
passo, dispositivo de adaptação dos motores, driver de potência e placa micro
controladora e pelo software, programa para movimentação do nível digital.

Em termos de precisão do nivelamento, os níveis digitais podem alcançar valores


da ordem de 0,3 a 0,9mm para um nivelamento duplo de 1 km. O processo de
medição varia de acordo com o fabricante.

As grandes vantagens dos níveis digitais eletrônicos são supressão dos erros
grosseiros de leitura da mira e dos erros de anotação e o fato de fazer medição
automática da distância da visada, que pode auxiliar na compensação dos erros
de fechamento. Como desvantagem pode-se destacar a dependência de energia
para seu funcionamento e necessidade de luz infravermelha suficiente para que
o instrumento possa realizar a medição. Além disso, como utilizam miras de
código de barras há necessidade de visualizar uma porção grande da mira (pelo

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 101


menos 70 mm, pois o instrumento precisa observar pelo menos 2 códigos
completos) para a medição.

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 102


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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práticas. TechTudo. 25/05/2015. Disponível em http://www.techtudo.com.br/
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WUTKE, J. D. Métodos para Avaliação de um Sistema Laser Scanner Terrestre. Dissertação de


Ciências Geodésicas - Universidade Federal do Paraná. Curitiba, 2006.

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 106


APÊNDICES - TRABALHOS PRÁTICOS

A. VERIFICAÇÃO DOS VÉRTICES DA POLIGONAL UERJ

Elaborar um Relatório Técnico com o resultado da verificação dos


vértices da poligonal UERJ em anexo, contendo as seguintes
informações:

 Identificação do Ponto;
 Data da Visita;
 Nome do responsável pela verificação;
 Estado Físico da Estação (Não Encontrado, Bom ou
Destruído);
 Tipo (Marco, Chapa ou Pino);
 Descrição da Localização do Ponto; e
 Registro Fotográfico.

Elaborar, ainda, um croqui com a localização dos vértices da


Poligonal UERJ, usando o aplicativo Google Earth Pro.

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 107


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Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 109
Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 110
B. Medição de Distâncias com Trena, por Taqueometria e Estação Total

Elaborar um Relatório Técnico apresentando o resultado da medição


da distância entre os pontos T2 e T3, localizados no Campus
Maracanã da UERJ, conforme figura abaixo:

No procedimento de medição da distância entre os pontos T2eT3


utilizar os seguintes métodos: com Trena, por Taqueometria e com
Estação Total. Avalie os resultados obtidos.

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 111


C. VETORIZAÇÃO DE PLANTAS TOPOGRÁFICAS
Escolha e faça download de uma carta topográfica do Estado do
Rio de Janeiro (Escala 1:50000) no formato *.JPG diretamente do site
do IBGE (http://biblioteca.ibge.gov.br/index.htm), conforme abaixo
discriminado:

Providencie o georreferenciamento da referida carta


topográfica utilizando dados vetoriais no software livre QGIS.
Avalie a qualidade do resultado do georreferenciamento.
Elabore um Relatório Técnico apresentando e comentando os
resultados obtidos.
Identifique e assinale na carta topográfica georreferenciada
pelo menos 3 (três) formas de relevo simbolizadas, observando-se o
Manual Técnico de Geomorfologia do IBGE.

Observações importantes:
1) Utilize o tutorial elaborado pela Profa. Arlete Meneguette
(UNESP) a ser disponibilizado no Grupo Yahoo da turma;
2) Para obter os pontos de controle extraídos de dados vetoriais
georreferenciados, utilize o seguinte endereço:
http://downloads.ibge.gov.br/downloads_geociencias.htm
Pasta: cartas_e_mapas
Subpasta: folhas topográficas
Subpasta: vetoriais
Subpasta: escala_50mil
Subpasta: projeto_conv_digital
3) Para obter o Manual Técnico de Geomorfologia do IBGE, utilize
o seguinte endereço:
http://www.ibge.gov.br/home/geociencias/recursosnaturais/geom
orfologia/manual_geomorfologia.shtm

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 112


D. TRANSFORMAÇÃO DE COORDENADAS (PROGRID) / GOOGLE EARTH
PRO/AUTOCAD/QGIS
Insira no Google Earth os dados vetoriais referentes aos setores
censitários do Estado do Rio de Janeiro obtidos diretamente do site
do IBGE (http://downloads.ibge.gov.br) na opção geociências a
seguinte pasta:
organizacao_do_territorio
malhas_territoriais
malhas_de_setores_censitarios__divisoes_intramunicipais
censo_2010
setores_censitarios_kmz

Habilite somente o polígono associado ao geocódigo que contém


a quadra da sua residência. Determine usando as ferramentas do
Google Earth Pro:
1) O perímetro aproximado do setor censitário onde se encontra
a sua residência; e
2) O perímetro e a área aproximados da quadra onde se
encontra a sua residência.
Determine, ainda, as coordenadas planas UTM do centro da
quadra da sua residência nos data SIRGAS 2000, SAD-69 e
Córrego Alegre, utilizando-se o aplicativo PROGRID do IBGE.
Exporte para o software AUTOCAD, QGIS ou similar, os polígonos
referentes ao setor censitário e à quadra da sua residência.
Calcule a área e o perímetro dos polígonos supracitados.
Elabore um Relatório Técnico apresentando e comentando os
resultados obtidos.
Observação importante: Verifique se tem instalado a versão do .NET
Framework SDK 1.1 no seu computador. Para executar a transformação
utilizando os grids com o ProGriD em computadores novos (Windows 7, 8,
etc. - 32 ou 64 bits), o .NET nesta versão também deve estar instalado. Ele
está disponível na página do Windows na Internet para download. Sem ele
o ProGriD não reconhece as grids executando apenas a transformação de
SAD69 (Técnica DOPPLER ou GPS) para SIRGAS2000, pois neste caso
utiliza-se parâmetros de transformação.

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 113


E. GNSS PPP
Verificar, a partir do dia e o horário definidos para a realização do
levantamento, utilizando-se o aplicativo GNSS Planning Online, que
é uma ferramenta online gratuita oferecida pela Trimble para
planejamento GNSS, as seguintes informações: Configurações,
Biblioteca de Satélites, Elevação, Número de satélites, DOP,
Visibilidade, Gráfico do céu, Informações da ionosfera, entre outras.
Essa ferramenta online é acessível em:
<http://www.trimble.com/GNSSplanningOnline/>.
Realizar o processamento dos dados rastreados com as órbitas final,
rápida e ultrarrápida utilizando o aplicativo online IBGEPPP, a partir
de 2 (duas) sessões de observação GNSS (30 e 60 minutos) com o
equipamento ALTUS APS 3 no ponto UERJ VT2.

Utilize, também, o software RxTools para determinar as coordenadas


do ponto UERJ VT2.

Avalie a qualidade das coordenadas determinadas (IBGE PPP e


RxTools), comparando os resultados com a coordenada do ponto
UERJ VT2, determinada por métodos convencionais, já conhecida
(vide o item 4 do Manual do Usuário do PPP, que trata sobre a
Precisão Esperada e Validação dos Resultados).

Determine a ondulação geoidal no ponto UERJ VT2.

Determine, também, a referida ondulação utilizando-se o aplicativo


MAPGEO 2015 do IBGE.

Compare os resultados.

Elabore um Relatório Técnico apresentando e comentando os


resultados obtidos.

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 114


F. POLIGONAÇÃO E IRRADIAMENTO

Implantar uma poligonal de apoio fechada com 4(quatro)


pontos (A1, A2, A3 e A4), amarrada em pontos de coordenadas planas
UTM conhecidas, com o emprego de estação total, para a locação da
Capela Ecumênica da UERJ.

Calcule o erro de fechamento, a precisão e as coordenadas


corrigidas da referida poligonal pelo Método da Bússola, bem como
utilizando um software topográfico. Compare os resultados.

Determine o perímetro e a área aproximados da referida


Capela, a partir do Levantamento de Campo e usando as
ferramentas do Google Earth Pro.

Exporte para o software AUTOCAD, ou similar, o polígono


referente à Capela Ecumênica, obtido pelo Levantamento de Campo
e pelo Google Earth Pro. Avalie os resultados.
Elabore um Relatório Técnico apresentando e comentando os
resultados obtidos.

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 115


G. NIVELAMENTOS TRIGONOMÉTRICO, TAQUEOMÉTRICO E
GEOMÉTRICO

Determinar as altitudes ortométricas dos pontos da poligonal de


apoio fechada (A1, A2, A3 e A4) utilizada para a locação da Capela
Ecumênica da UERJ (Apêndice F), com o emprego de Nivelamentos
Geométrico, Trigonométrico e Taqueométrico. Compare os
resultados.

Desenhe um perfil topográfico contendo as altitudes


ortométricas nos referidos pontos determinadas pelos nivelamentos
supracitados. Avalie os resultados em conformidade com a NBR
13133/94.

Elabore um Relatório Técnico apresentando e comentando os


resultados obtidos.

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 116


ANEXOS

A. Programa PROGRID (Transformação de Coordenadas)

B. SIRGAS 2000 (Referencial Geodésico Oficial do Brasil)

C. Georreferenciamento de uma carta topográfica usando Dados vetoriais


no QGIS – Profa. Alerte Meneguette (UNESP – Campus Presidente
Prudente)

Topografia Aplicada a Levantamentos Terrestres Página 117


Georreferenciamento de uma carta topográfica usando dados vetoriais no QGIS

Profa. Adj. Arlete Meneguette


Unesp – Câmpus de Presidente Prudente
https://unesp.academia.edu/ArleteMeneguette/Papers

A carta topográfica que será georreferenciada neste tutorial é a SF-22-Y-B-III-1, que


corresponde à folha Presidente Prudente, originalmente na escala 1:50000, sistema de
projeção UTM, Fuso 22 Sul, datum horizontal Córrego Alegre.

Vamos fazer download do arquivo JPG que está disponível gratuitamente no site do IBGE em
http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/mapas/GEBIS%20-%20RJ/SF-22-Y-B-III-1.jpg.

Para tanto, precisamos criar uma pasta QGIS_Tutorial na raiz do computador (por exemplo: no
drive C). Vamos criar agora uma subpasta Dados na pasta QGIS_Tutorial e salvar nela tanto os
dados que serão utilizados quanto os dados que serão gerados neste tutorial de QGIS.

Vamos demonstrar como fazer o georreferenciamento da carta topográfica usando pontos de


controle extraídos de dados vetoriais georreferenciados, os quais podem ser obtidos em
ftp://geoftp.ibge.gov.br/mapeamento_sistematico/topograficos/escala_50mil/tif/presidente_prudente26991/vetor
Trata-se do arquivo 26991rd.ZIP (compactado), o qual deve ser descompactado e salvo na
mesma pasta onde o arquivo JPG foi armazenado em nosso computador. Após descompactar
o arquivo notaremos que se trata de um arquivo DGN, o qual representa o quadriculado de
coordenadas UTM e o reticulado de coordenadas geográficas da carta topográfica SF-22-Y-B-
III-1. Entretanto, os dados foram fornecidos pelo IBGE em quilômetros e precisamos desses
dados em metros. Isso significa que precisamos fazer a conversão das unidades e uma das
maneiras é abrindo o arquivo DGN em algum software gráfico, como por exemplo o AutoCAD,
que possibilita importar o arquivo DGN especificando metros como subunidades.

=>

Ainda no AutoCAD devemos salvar o arquivo como quadriculado_reticulado, escolhendo o tipo


DXF versão 2004, pois o QGIS não permite adicionar arquivos DWG. O arquivo DXF deve ser
salvo na subpasta Dados na pasta QGIS_Tutorial.

1
O QGIS é um SIG (Sistema de Informação Geográfica) livre, de código aberto, que pode ser
obtido em http://qgis.org/pt_PT/site/forusers/download.html. Podemos escolher a opção
adequada ao nosso sistema operacional (Windows, MacOS X, Linux e Android), seja para 32 ou
64 bits. Depois de instalar o QGIS, executamos o aplicativo e veremos a interface com o
usuário. Caso esteja em outra língua que não o Português (por exemplo, em Inglês) basta
clicarmos em Settings > Options e escolhermos Locale. Em seguida escolhemos pt_BR a partir
da lista suspensa. Clicamos em OK, fechamos o QGIS e executamos novamente para que a
alteração tenha efeito. Notamos que agora os comandos são mostrados em Português do
Brasil.

A partir da barra de comandos, devemos clicar em Projeto > Salvar como. Digitamos o Título
do Projeto: Presidente_Prudente_Corrego_Alegre, indicamos o caminho onde salvar nosso
projeto (por exemplo: na subpasta QGS dentro da pasta QGIS_Tutorial) e clicamos em Salvar.
Agora clicamos em Projeto > Propriedades do Projeto. Na aba Geral, na aba SRC habilitamos a
opção . Em Filtro digitamos 22522, que é o código EPSG
associado com o Sistema de Projeção UTM, Zona 22S, referenciado ao datum Córrego Alegre,
com a unidade especificada como sendo em metros.

A escolha se deve ao fato de serem estas as propriedades da carta topográfica que será
georreferenciada neste tutorial. Tendo digitado o código 22522 em Filtro notamos que a opção
se à exi idaà e à “iste aà deà efe ê iaà deà oo de adasà doà o ld , clicamos sobre ele para
confirmar nossa escolha do SRC e depois clicamos em OK.

Observamos que agora o código EPSG 22522 é exibido no canto inferior direito na barra de
status do QGIS, assim como o nome do Projeto é mostrado na barra de título.

Temos que clicar em para adicionar um arquivo vetorial ao QGIS. Na caixa de diálogo
escolhemos a opção Arquivo como Tipo de Fonte e escolhemos System como opção de
Codificação. Clicamos em Buscar para escolher o arquivo vetorial que será adicionado.

2
Indicamos onde salvamos o arquivo DXF e escolhemos quadriculado_reticulado, depois
clicamos em Abrir para selecionar o arquivo. Clicamos em Abrir na caixa de diálogo e
observamos que uma nova caixa será exibida solicitando que seja especificado o SRC da
camada. Em Filtro digitamos 22522 e selecionamos a opção correspondente em Sistema de
efe ê iaàdeà oo de adasàdoà o ld . Clicamos em OK.

Uma caixa é exibida a partir da qual é possível selecionar as camadas vetoriais para adicionar.
Notamos que há 124 pontos e 47 linhas no arquivo DGN selecionado. É possível selecionar
tudo ou selecionar cada uma das camadas e clicar em OK.

Vamos clicar em LineString e em OK. Especificamos o SRC como 22522, como foi feito
anteriormente e clicamos em OK. Observamos que os dados vetoriais representando o
quadriculado UTM e o reticulado de coordenadas geográficas são exibidos na tela do QGIS.
Notamos que as coordenadas UTM são mostradas interativamente na barra de status, em
metros, referenciadas ao datum Córrego Alegre.

Para realizarmos o georreferenciamento da carta topográfica usando os dados vetoriais como


pontos de controle temos que fazer uso do Georreferenciador GDAL, o qual pode ser obtido
como um complemento do QGIS. Para tanto, clicamos em Complementos e escolhemos a
opção Gerenciar e Instalar Complementos. Verificamos se o Plugin está instalado em nosso
computador e caso não esteja devemos instalar o complemento que permite georreferenciar
arquivos raster usando GDAL (Geospatial Data Abstraction Library).

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Uma vez instalado o complemento, o mesmo pode ser acessado a partir de
Raster>Georreferenciador>Georreferenciador.

Uma tela auxiliar será aberta e nela devemos clicar em para abrir um arquivo raster.
Indicamos o caminho onde salvamos o arquivo JPG adquirido no site do IBGE. Em seguida uma
nova caixa de diálogo será mostrada na qual é possível definir o Sistema de Coordenadas de
Referência da Camada. Notamos ueàh àu aà e sage àdeàale ta:à Estaà a adaà ão parece
ter alguma projeção especificada, esta camada terá sua projeção especificada como sendo
igualà àdoàP ojeto,à asà o êà podeà uda àissoàsele io a doàu aàp ojeçãoàdife e teà a aixo .à
No caso da carta topográfica que foi escolhida para este tutorial não há necessidade de fazer
alterações, portanto podemos clicar em OK. Imediatamente a carta topográfica é exibida na
tela auxiliar.

Como podemos ver na figura a seguir temos duas telas no QGIS, uma delas é a tela principal
onde estão exibidos os dados vetoriais georreferenciados, enquanto que a outra tela é a
auxiliar onde é exibida a imagem raster da carta topográfica que será georreferenciada.

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Para o georreferenciamento serão necessários pelo menos 5 Pontos de Controle (GCP), bem
localizados e bem distribuídos por toda a carta topográfica, por exemplo, pontos próximos aos
4 cantos e um ponto no centro. Aplicamos zoom nas proximidades do canto inferior esquerdo
da carta topográfica mostrada na tela auxiliar e em seguida clicamos em Editar > Adicionar
Ponto.

O primeiro ponto que será adotado para o georreferenciamento está na interseção das linhas
do quadriculado UTM, sendo que a coordenada X consta como 450 km E e a coordenada Y
consta como 7540 km N, ou seja, 450000 m e 7540000 m, respectivamente. Sendo assim,
movemos o cursor até o ponto desejado e clicamos com o botão esquerdo do mouse. Uma
caixa de diálogo é mostrada onde as coordenadas podem ser digitadas quando fazemos o
georreferenciamento via teclado, mas neste tutorial vamos demonstrar como fazer o
georreferenciamento via tela, portanto temos que clicar em .

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Aplicamos zoom nas proximidades do canto inferior esquerdo na tela principal e clicamos
sobre a interseção do quadriculado UTM correspondente ao ponto que havíamos selecionado
na tela auxiliar, tomando o cuidado de verificar as coordenadas UTM mostradas
interativamente na barra de status. Em seguida clicamos em OK e notamos que abaixo da
imagem da carta topográfica na tela auxiliar é mostrada uma tabela com a primeira linha
preenchida, na qual podemos verificar que são listados o número de identificação do ponto, as
coordenadas de tela, as coordenadas UTM, as discrepâncias e os resíduos. Os pontos
homólogos são exibidos como símbolos circulares vermelhos tanto na tela auxiliar como na
tela principal.

Devemos mover a imagem na tela até mostrar o canto inferior direito da carta topográfica,
depois temos que clicar em Adicionar > Ponto.

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Clicamos sobre o segundo ponto do procedimento, que corresponde àquele localizado na
interseção do quadriculado UTM no qual as coordenadas são 474 km E e 7540 km N, ou seja,
474000 m e 7540000m, respectivamente. Repetimos o procedimento anterior e clicamos em
OK. Observamos agora que a segunda linha da tabela está preenchida com os dados
associados ao segundo ponto.

Devemos repetir o procedimento para o terceiro ponto, localizado nas proximidades do canto
superior direito, cujas coordenadas são 474000 e 7566000, respectivamente.

Depois fazemos o mesmo para o quarto ponto, próximo ao canto superior esquerdo, cujas
coordenadas são 450000 e 7566000, respectivamente.

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O quinto ponto está localizado nas proximidades do centro da folha topográfica do IBGE, cujas
coordenadas são 460000 m e 7556000 m, respectivamente.

Tendo criado os 5 pontos de controle (GCP) clicamos em para iniciar o


georreferenciamento. Para tanto é necessário definirmos o tipo de transformação (temos que

clicar em OK no aviso):

Uma nova caixa de diálogo é exibida, na qual é possível escolhermos o Tipo de Transformação
(vamos manter Polinomial 1, que significa adotarmos como modelo matemático um polinômio
de primeiro grau, adequado ao número de pontos de controle escolhidos). É possível também
escolhermos o método de reamostragem (vamos manter a opção vizinho mais próximo), o
nível de Compresssão (vamos manter NONE).

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Em Raster de Saída clicamos no ícone para escolhermos o caminho onde salvar nosso arquivo e
o nome desejado para ele (por padrão o QGIS sugere manter o nome atual do arquivo e
acresce taà odifi ado à aà f e teà doà o e,à podemos aceitar a sugestão ou alterar para o
nome que preferirmos). Em SRC de destino devemos escolher EPSG 22522 (que está de acordo
com os dados originais da carta topográfica do IBGE que está em UTM Zona 22 Sul em Córrego
Alegre). Para termos acesso ao relatório em PDF temos que clicar no ícone e indicar o nome e
caminho onde salvar o arquivo, por exemplo, o nome pode ser relatorio_sf_22_y_b_III-1 a ser

salvo na pasta QGIS_Tutorial. Agora temos que habilitar as caixas


e clicar em OK.

Após a operação ser realizada é possível verificar a qualidade do georreferenciamento, pois na


tabela são exibidas as coordenadas no espaço imagem, as coordenadas no espaço objeto, as
discrepâncias em X e em Y, além dos resíduos e o erro médio, todos eles em pixels. É
importante ressaltar que não há resultados em metros na tabela, mas se você desejar
melhorar o resultado basta clicar em Editar > Mover ponto GCP, ou então Editar > Excluir

ponto e depois Editar > Adicionar ponto, como preferir: .

A carta topográfica georreferenciada é exibida no QGIS e ao mover o cursor na tela é possível


constatar que as coordenadas UTM são exibidas na barra de status. Notamos na figura a seguir
que são mostrados ainda os 5 pontos de controle utilizados no georreferenciamento, pois a
caixa de diálogo ainda está ativa, somente foi minimizada. Podemos maximizar a caixa do
Georreferenciador e escolher Arquivo > Salvar GCP como..., indicar o caminho onde salvar o
resultado da transformação polinomial (arquivo de extensão points). Esse procedimento é
recomendado, pois futuramente poderemos retomar a atividade e melhorar o resultado
através da adição de mais pontos de controle e até mesmo escolher um polinômio de maior
grau, se assim o desejarmos.

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Podemos fechar a caixa de diálogo do Georreferenciador e salvar nosso Projeto. Vamos agora
organizar melhor nossas camadas adicionadas no QGIS. Para tanto, temos que clicar com o
botão direito do mouse sobre o painel à esquerda onde estão listadas as camadas, em seguida
escolher a opção Adicionar novo grupo.

Em seguida podemos renomear o novo grupo, por exemplo: Dados_matriciais. Repetimos o


procedimento e criamos outro grupo denominado Dados_vetoriais. A próxima etapa envolve
movermos as camadas para os respectivos grupos, ou seja, a camada SF-22-Y-B-III-
1_modificado deve ser movida para o grupo Dados_matriciais e a camada entities LineString
para o grupo Dados_vetoriais.

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Para diferenciar cada uma das camadas vetoriais, vamos renomear a camada entities
LineString como Quadriculado_Reticulado. Para que os dados vetoriais sejam sobrepostos à
carta topográfica em formato matricial devemos alterar a ordem dos grupos no painel à
esquerda.

Podemos aplicar zoom+ para comparar as representações (matricial e vetorial) e avaliar


visualmente a qualidade do georreferenciamento. Se desejarmos alterar a aparência dos
dados vetoriais basta clicarmos com o botão direito do mouse sobre o nome da camada e
escolhermos a opção Propriedades. Em seguida, na aba Estilo podemos mudar a cor das linhas
que representam o quadriculado de coordenadas UTM e o reticulado de coordenadas
geográficas.

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Finalizamos clicando em OK em ambas as caixas de diálogo e notamos que agora os dados
vetoriais se destacam ainda mais quando sobrepostos à carta topográfica que foi
georreferenciada.

Os dados vetoriais podem ser salvos em diferentes formatos e para tanto, basta clicarmos com
o botão direito do mouse sobre o nome da camada e escolhermos a opção Salvar Como, dai
selecionamos qual o formato desejado (por exemplo, SHP da ESRI). Clicamos em Buscar para
indicar o caminho onde o arquivo será salvo (por exemplo, na subpasta Dados da pasta
QGIS_Tutorial) e o nome que terá (sugestão de nome: Quadriculado_Reticulado). Em
Codificação devemos escolher System. Em SRC podemos manter o da camada, que é o mesmo
do Projeto (ou seja, Corrego Alegre, UTM Zone 22S). Uma sugestão é habilitarmos a opção
.

Finalmente devemos clicar em OK. No painel à esquerda será mostrada a nova camada que se
encontra fora do grupo, enquanto que a camada que se encontra no grupo corresponde
àquele arquivo DXF que adicionamos anteriormente, mas que pode ser excluído. Para tanto,
basta clicarmos como botão direito do mouse sobre o nome da camada a ser excluída e
escolher a opção Remover.

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Temos que confirmar que desejamos remover o objeto, clicando em OK no aviso mostrado no

tela: . Agora, sim, podemos mover a nova camada para dentro do grupo
Dados_Vetoriais.

Cabe ressaltar que o QGIS não armazena os arquivos e sim o caminho onde os arquivos estão
salvos em nosso computador. Agora podemos salvar o projeto e sair do QGIS. O mesmo
procedimento pode ser adotado para outras cartas topográficas, desde que sejam observadas
as propriedades adequadas. Tendo dúvidas entre em contato: arletemeneguette@gmail.com

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