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DELEGAÇÃO REGIONAL DO NORTE


Centro de Emprego e Formação Profissional de Bragança
Serviço de Formação Profissional de Bragança

Curso: Téc. Mecatrónica Automóvel – 2º PERÍODO Módulo: 6655 (A literatura do nosso


Prof. formadora: Paula Calçada tempo)
Nome_____________________________________________________________. Data __________________________

FICHA DE INFORMATIVA Nº2

1.Conceito de literatura

A palavra literatura deriva do termo latim litterae, que


faz referência ao conjunto de conhecimentos e competências
para escrever e ler bem. O conceito está relacionado com a
arte da gramática, da retórica e da poética.
De acordo com o Dicionário da Língua Portuguesa da
Porto Editora, a literatura é a arte de compor obras em que a
linguagem é usada esteticamente e em que é usada uma língua
como meio de expressão.
Também é usado este termo para definir o conjunto das produções literárias de um país,
de uma época ou de um género/setor de conhecimento (como a literatura persa, por exemplo) e
o conjunto de obras que tratam sobre uma arte ou uma ciência (literatura desportiva, literatura
jurídica, etc.).
A literatura traduz, assim, um conjunto de textos escritos (muitas vezes também fixados
na tradição oral), esteticamente elaborados a partir da linguagem comum, que dão conta da
especificidade cultural de uma comunidade.
A definição de obra literária poderá variar, mas uma análise histórica salienta os
denominados clássicos da literatura, obras que, pela sua importância social e cultural,
marcaram determinadas épocas. A obra literária a reconstituição de um acontecimento através
da comunicação escrita, sendo que fundamentalmente atendendo a função semiótica, representa
a execução do ato primário, comunicar.
Importa valorizar uma visão linguística, cultural e artística da literatura e,
particularmente, do ensino da literatura, no sentido de poder garantir conhecimentos,
experiências e hábitos fundamentais, necessários aos adolescentes que hoje frequentam a
escola, para que possam ser membros de direito de um património comum.
Anualmente, os grandes feitos da literatura veem-se recompensados com a atribuição do
Prémio Nobel, em que os felizes laureados recebem os respetivos prémios pelas mãos da
Academia Sueca.

2.Conceito de texto literário

Conceito

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A literatura pode ser entendida como uma imitação pela palavra assente na
ficcionalidade, que apresenta dois valores nucleares: o valor de significado (semântico) e o
valor formal (de expressão linguística). Há manifestamente uma intenção estética, artística,
altamente polissémica.
Aquilo que define o texto literário é, “mais do que a vontade de comunicação, a sua
capacidade de significar”. Este texto vive “do que a mensagem contém e não do que ela
simplesmente diz”. O texto literário emprega as palavras da língua com liberdade, recorrendo
ao seu sentido conotativo ou metafórico.
O texto literário é o instrumento essencial no ensino/aprendizagem da língua
portuguesa, inserido num programa educativo que valorize a interpretação, a capacidade
imaginativa e o poder de análise.
Certamente, o texto literário projeta ao máximo a multifuncionalidade da língua,
conciliando o prazer da leitura ao desenvolvimento da compreensão/expressão escrita. Essa
leitura deverá ser atenta, reflexiva, capaz de esmiuçar sentidos, de ensinar a descobrir as
potencialidades do português.
Um texto transporta sempre informação nova, novos questionamentos, novos estímulos
à reflexão. Essa novidade interage com os conhecimentos, conceitos, ideias pré-existentes e,
dessa interação, resulta uma representação única, individual, composta pelos saberes
particulares do sujeito, originando a interpretação.
Esta interpretação é subjetiva e motiva uma discussão produtiva e uma troca de ideias
que partem de uma base comum, o texto, mas cuja significação difere de indivíduo para
indivíduo já que, cada um, de acordo com os seus esquemas conceptuais, constrói as suas
próprias representações.
Ao ler um texto, o leitor apropria-se da sua informação básica e elabora, sobre este, uma
representação individual que se distinguirá de qualquer outra porque é moldada pelo seu
conhecimento do mundo. Ao elaborar a sua própria representação individual do texto, o leitor
está a construir um modelo interpretativo, ou seja, um modelo situacional.
A interpretação de um texto exige a sua compreensão prévia, isto é, o sujeito tem de
estar habilitado a compreender a língua escrita, possuindo conhecimentos específicos acerca do
domínio cognitivo no qual se insere a temática do texto, uma vez que o conhecimento do
mundo que a leitura proporciona, aumenta a sua competência para a compreensão de novos
textos. Assim, espera-se de quem ensina que seja capaz de conduzir os alunos nesse processo
de descoberta, que vai da palavra à frase e da frase ao texto, abrindo trajetos, navegando pelas
linhas que desenham o texto escrito. E, da parte de quem quer aprender a gostar de ler, que se
interesse, que se deixe surpreender pelas escolhas efetuadas.
Saber ler é, hoje e sempre, mais do que uma condição de sucesso pessoal, escolar,
profissional e social. É o fator de sucesso coletivo de uma nação. Por isso, o direito à leitura
tornou-se uma questão de justiça social, o que implica que uma das grandes prioridades de
qualquer sistema educativo seja o desenvolvimento da competência de leitura para todos os
alunos.
Saber ler e gostar de ler são os passos para o desenvolvimento. E quanto mais se gostar
de ler, mais se lê e se sabe fazê-lo. Porém, só quem sabe ler, gosta de ler. Para isso a literatura é
a mais do que a melhor opção. A literatura é a solução.

Géneros literários
Texto narrativo (Romance)

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No romance há uma regra uma ação central relativamente extensa, eventualmente
complicada por ações secundárias dela derivadas. As personagens, normalmente em quantidade
e complexidade mais elevadas do que nos restantes géneros narrativos, são atravessadas por
conflitos íntimos, traumas e obsessões.

Género por natureza propenso à representação do real, o romance tem no espaço uma
categoria com funções particularmente relevantes: o espaço do romance, pela sua amplidão e
pormenor de caracterização, revela potencialidades consideráveis de representação económico-
social, em conexão estreita com as personagens que o povoam e com o tempo histórico em que
vivem.

A este tempo histórico não é estranho, naturalmente, o tempo como fundamental


categoria narrativa, com incidências na história e no discurso narrativo do romance (o tempo da
história pode ser objetivamente calculado, mas é reelaborado pelo modo como é representado
na narrativa), e com aspetos muito diversificados: enquadramento histórico propriamente dito,
implicações psicológicas (tempo filtrado por vivências das personagens), alusões sociais.

Texto Dramático (Teatro)

Entender-se-á por drama toda a representação direta de uma ação consumada num
tempo relativamente concentrado.
O facto de essa representação ser direta implica não só a sua concretização perante um
público, mas também a ausência de narrador; por outro lado, o facto de o drama ser sobretudo
ação faz com que os acontecimentos sejam apresentados quase sempre de forma muito viva,
processando-se os avanços bruscos no tempo com o auxílio de artifícios específicos (por
exemplo a mudança de ato ou cenário).
Isto significa que a representação dramática afirma-se como resultado da interação de recursos
de três naturezas: literários, humanos e técnicos.
Assim, os recursos literários são constituídos, como se disse, pelo discurso das
personagens e, de um modo geral, pela articulação da ação e das figuras que lhe dão vida
enquanto componentes de um universo de ficção particular.
Por sua vez, os recursos humanos serão sobretudo os autores que dão vida e
interpretação à fala das personagens, sem os quais o texto dramático não pode ser ativado.
Finalmente, aos recursos técnicos correspondem todos os instrumentos que participam
direta ou indiretamente na constituição da ilusão dramática: iluminação, guarda-roupa, efeitos
sonoros, cenários, etc.

Texto Lírico (poesia)

A poesia lírica não se enraíza no anseio ou na necessidade de descrever a realidade


empírica, física e social, nem no desejo de representar sujeitos independentes do Eu, ou de
contar uma ação. A poesia lírica enraíza-se sim, na revelação e no aprofundamento do Eu lírico,
tendendo sempre esta manifestação a interrogar e a revelar a identidade do homem e do ser.
O mundo exterior, as coisas, os seres, a sociedade e os eventos históricos não
constituem um domínio alheio ao poeta lírico. No entanto, o acontecimento exterior, quando
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está presente num texto lírico, tem sempre como função predominante evocar ou contextualizar
uma atitude e um estado íntimo, suscitados por tal episódio ou tal circunstância na
subjetividade do poeta.
O texto lírico não comporta descrições semelhantes às de um texto narrativo; através
dos elementos descritivos projetam-se simbolicamente as emoções, os estados íntimos do Eu.
Assim, no texto lírico, quer os elementos narrativos, quer os elementos descritivos, revelam a
interioridade do Eu.
O texto lírico é alheio ao fluir do tempo - Nos textos líricos, a temporalidade, quando é
representada, é como um elemento do mundo interior do Eu, concorrendo para a representação
do que é central no universo lírico: uma ideia, uma emoção, uma sensação, etc.
O texto lírico é marcado pela concentração emotiva e expressiva - A grande maioria dos
textos líricos tem uma extensão relativamente reduzida.
O texto lírico realiza, de modo singular, a simbiose da língua falada e da língua escrita -
Se as características do texto lírico referidas pressupõem a performance oral do poema - mesmo
que processada apenas interiormente através de uma leitura silenciosa - os aspetos relativos à
forma impressa do texto pressupõem a compreensão e a fruição do poema como texto escrito,
como objeto espacial de natureza visual.

Pá gina 4

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