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Superior Tribunal de Justiça

AgInt no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 1.536.238 - RJ (2019/0194471-0)

RELATOR : MINISTRO RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA


AGRAVANTE : LEILA MARIA DE SEQUEIRA BATISTA LEVENHAGEN
AGRAVANTE : VITOR DE SEQUEIRA BATISTA LEVENHAGEN
AGRAVANTE : LUCAS DE SEQUEIRA BATISTA LEVENHAGEN
ADVOGADOS : PEDRO DE ALENCAR MACHADO - RJ124042
PEDRO IVO JOURDAN GOMES BOBSIN - RJ147491
MIGUEL WEHRS FLEICHMAN - RJ171469
AGRAVADO : CLINICA LUIZ FELIPPE MATTOSO LTDA
ADVOGADOS : PAULO LEFÈVRE DE ALCANTARA GUIMARÃES - RJ010588
DAVID ANDRE BENECHIS - RJ076266

RELATÓRIO

O EXMO. SR. MINISTRO RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA (Relator):


Trata-se de agravo interno interposto por LEILA MARIA DE SEQUEIRA BATISTA
LEVENHAGEN, VITOR SEQUEIRA BATISTA LEVENHAGEN e LUCAS SEQUEIRA
BATISTA LEVENHAGEN contra a decisão que conheceu do agravo para não conhecer do
recurso especial em virtude da inviabilidade de reexame da matéria objeto do recurso
especial devido ao óbice da Súmula nº 7/STJ.

Nas presentes razões (e-STJ fls. 990-1.003), os agravantes alegam que a


análise das violações suscitadas não pressupõem a análise do conjunto
fático-probatório.

Sustentam que

"(...) não pode haver, portanto, diferenciação entre a


responsabilização pelos danos materiais e pelos danos morais. Se há nexo de
causalidade para responsabilizar a clínica pelo pagamento de indenização
por dano moral - considerando, à luz da teoria da perda de uma chance, a
parcela de culpabilidade do ofensor -, haverá, necessariamente, nexo para
responsabilidade pelos eventuais danos materiais experimentados pela
vítima".

É o relatório.

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AREsp 1536238 Petição : 686978/2019 C542506515803821584416@ C58409850<548032164821@
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AgInt no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 1.536.238 - RJ (2019/0194471-0)

EMENTA

AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CIVIL.


REPARAÇÃO CIVIL. AVC HEMORRÁGICO. FALHA NA PRESTAÇÃO DO
SERVIÇO. DANOS MATERIAIS. LUCROS CESSANTES. NÃO CABIMENTO.
NEXO DE CAUSALIDADE ENTRE A CONDUTA E O ÓBITO.
INEXISTÊNCIA. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA Nº 7/STJ.
1. Recurso especial interposto contra acórdão publicado na vigência do
Código de Processo Civil de 2015 (Enunciados Administrativos nºs 2 e
3/STJ).
2. Na hipótese, rever a conclusão do aresto impugnado que concluiu pelo
não cabimento da indenização por danos materiais e lucros cessantes,
encontra o óbice da Súmula nº 7/STJ.
3. Agravo interno não provido.

VOTO

O EXMO. SR. MINISTRO RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA (Relator): O


acórdão impugnado pelo recurso especial foi publicado na vigência do Código de
Processo Civil de 2015 (Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ).

A insurgência não merece prosperar.

Os agravantes pretendem que seja reconhecida a responsabilidade pelos


eventuais danos materiais decorrentes do óbito da vítima - marido da primeira agravante
e pai dos demais -, em virtude de erro de procedimento praticado por médica funcionária
da clínica ré, ora agravada.

Entretanto, as conclusões do tribunal de origem acerca do tema


decorreram da análise do conjunto fático-probatório carreado aos autos, merecendo
destaque o seguinte trecho:

"(...)
Quanto ao pedido de reparação por danos materiais emergentes
à primeira autora, consistentes em despesas médicas, não podem ser
imputados à ré, uma vez que decorrem da doença apresentada pelo falecido,
e não propriamente da omissão da ré.
Já as despesas com luto e com funeral, e o pedido de
indenização material, a título de lucros cessantes, na forma de pensão
alimentar em favor da primeira e do terceiro autores, tem como fundamento a
morte prematura do marido e pai dos autores.
Todavia, no caso em tela a causa mortis, a princípio, é a doença
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que acometia a vítima, não sendo possível estabelecer nexo causal direto
entre o óbito e a omissão da ré, cuja responsabilidade indenizatória, vale
reiterar, encontra fundamento na perda de uma chance de recuperação, que
sua conduta omissa impôs ao paciente.
Logo, ausente o nexo causal direto entre a conduta e o óbito, não
há como condenar a ré ao pagamento de verbas indenizatórias decorrentes do
falecimento do parente dos autores, merecendo parcial acolhimento o recurso
da parte ré neste ponto.
Quanto mais não fosse, o terceiro autor já havia alcançado a
maioridade no momento do óbito, não havendo provas nos autos da
continuidade de sua dependência econômica, ou mesmo da dependência da
primeira autora, que pudesse justificar o pensionamento pleiteado" (e-STJ fls.
679-680).

Nesse contexto, o acolhimento da pretensão recursal demandaria o


revolvimento do acervo fático-probatório dos autos, procedimento inviável ante a
natureza excepcional da via eleita, a teor do disposto na Súmula nº 7/STJ, incidente por
ambas as alíneas do permissivo constitucional.

Assim, não prosperam as alegações postas no presente recurso, incapazes


de alterar os fundamentos da decisão impugnada.

Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno.

É o voto.

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