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REVISTA DO ADULTO CRISTÃO - ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL

Contexto bíblico
Origem
Doutrina e
eficácia na
vida cristã
5122

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i

Um dos marcos fu n d a m e n ta is da vida cristã cham a-se "oração" d o u trin a básica da

nossa fé. Neste período de estudos terem os a o p o rtu n id a d e de nos a p rofu nda r neste

te m a tão necessário hoje onde acom panham os as inovações, a correria e a agitação

que, de certa fo rm a , está desviando ou até m esm o im p e d in d o os cristãos de terem

seu m o m e n to de m editação e reflexão no seu "q u arto secreto".

Ronald R u ttere m seu livro "D ou trina bíblica da o ra ç ã o -O marco fu n d a m e n ta l da vida

cristã", corrobora o nosso pensam ento quando diz: "Há sem pre um a razão para não

orar. Agora não ten ho tem po [...]! Acordei tarde e já estou atrasado para o tra b a lh o !

Estou m u ito cansado [...] e para orar devo estar descansado! O utra hora eu oro [...]!

Depois [...], depois [...], depois [...]! E o Senhor"sobra"! Nem percebem os que ele não

ocupa o p rim e iro lug ar em nossa vida".

Mas podem os m u dar esse quadro e fazer com que a oração seja o marco fun d a m e n ta l

da nossa vida cristã. Ao longo dos estudos você terá o p o rtu n id a d e de m e d ita r no

v a lo r e sig n ifica d o da oração para sua vida. Experim entará ta m b é m a sua eficácia

na vida de hoje.

O su p le m e n to terá com o tem a "M eu espaço de oração". Esse espaço te m dois \


'
o b je tiv o s : o p rim e iro é para que você ore pelos pedidos sugeridos. 0 segundo é

que você a u m e n te a cada dia o seu te m p o de oração. 0 nosso desejo é que você

alcance esses o b je tiv o s que será bênção para a sua vid a e para a vida daqueles

que estão à sua vo lta .

COMPROMISSO 1

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■ • EBD1 - 0 que é oração............... ........ ...... ........................................................... 10
EBD 2 - Oração e a queda......... ................. ............ ........................;......................14
EBD 3 - A oração de Abraão - Oração de intercessão.................................................. 18
EBD 4 - A oração de Moisés - Orar é se comprometer................................................ 22
EBD 5 - Oração e restauração.................................................................................. 26
EBD 6 - Oração de Davi - Orar é se transformar......................................................... 30
EBD 7 - Pai Nosso - a oração que Jesus ensinou - 1_____ 34
EBD 8 - Pai Nosso - a oração que Jesus ensinou - II.............................. 38
EBD 9 - 0 lugar da oração____________ ________________________________ 42
EBD 10 - Paulo - Oração missionai........................................................................... 46
EBD 11 - Oração e generosidade.................... 50
EBD 12 - Oração e os nãos de Deus........................................................................... 54
EBD 13 - Oração e o caráter de Deus......................................................................... 58

Para você pensar: 0 pássaro e a oração.....................................................................................4


Hino da EBD: 378, HCC - Bendita a hora de oração...............................................................5
Ênfase do ano: Celebramos o reino quando vivemos os valores ensinados por Jesus------- 6
í v, Pra saber mais: Mães unidas em oração in te rn a c io n a l-B ra s il-U m ministério
segundo o coração de D eus................................................................................................... 62
Lazer......................................................................................................................................... 63
Atividades do suplemento....................................................................................................... 64

COMPROMISSO 3

------------------------------ ---------- I . ! B M »H — ■■■!■■ -------------------------------------------- -■ . - ■! .1 ---------------------------------------------------------------- -— ------------------------------------- ---- ^

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Você já percebeu que quando um pássaro dorm e num ga lho de árvore, não cai?
Como isso pode acontecer? E se nós tentássemos d o rm ir desse je ito ? Com certeza
acabaríamos no chão.

O segredo dos pássaros está nos tendões de suas pernas. Eles fu n cio n a m de form a
que, quando o pássaro está com o jo e lh o dobrado, seus pés tra va m , segurando
firm em ente qualquer coisa. Seus pés somente irão "destravar"quando ele desdobrar
o joe lho para voar. Um joelho dobrado dá à ave força para segurar-se.

É incrível o que DEUS fez para que o passarinho possa descansar e d o rm ir em segu­
rança. Conosco isso não é diferente. Quando não conseguim os nos firm a r em nosso
"galho", nossa vida fica d ifícil d ia nte das dificuld ade s, acham os que a q u a lq u e r
m om ento podem os cair, então devemos dobrar nossos joelhos, pois som ente assim
ganharem os forças para nos segurar firm es.

Dobre seus joelhos e quebrante-se diante do Senhor, pois Deus não resiste a um
coração quebrantado.

"Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e


co ntrito não desprezarás, ó Deus"(SI 51.17).

(Autor desconhecido)
Extraído: m arcioburgonovo.blogspot.com /2011/04/o-passaro-e-oracao.htm l

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TEXTO BÍBLICO
Mateus 6; Marcos 1;
Salmo 139

TEXTO ÁUREO
Marcos 1.35

"Quando anoiteceu, depois que o sol se pôs, trouxeram -lhe todos os


doentes e endemoninhados; e toda a cidade estava reunida à porta da
casa. Eele curou muitos doentes acometidos de diversas enfermidades e
•' ! í ; - y V T

expulsou muitos demônios; mas não perm itia que os demônios falassem,
porque eles sabiam quem ele era. De m adrugada, ainda bem escuro, Jesus
levantou-se, saiu e foi a um lugar deserto; e a li começou a orar. Então Simão
e seus companheiros saíram para procurá-lo e, quando o encontraram,
TERÇA
Mateus 6.7- disseram-lhe: Todos te procuram. Jesus lhes respondeu: Vamos a outros

QUARTA
lugares, aos povoados vizinhos, para que tam bém eu pregue ali, pois foi
Mateus 6.9-13 para isso que {"m
ivM c 1.32-38).

QUINTA
Mateus 6.33 0 QUE É ORAÇÃO?

Esta não é um a pergunta fácil de se responder. Os próprios discípulos


se ntira m a necessidade de pe d ir que Jesus lhes ensinasse a orar. Foi
aí que Jesus ofereceu com o m odelo a oração que veio a ser conhecida
com o "Pai Nosso"1.

As Escrituras Sagradas não de fin e m categoricam ente o que venha a ser


oração. Mas elas fazem m enção a m uitas pessoas que tive ra m a expe-

■ í.
1 Mateus 6.9-13.

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riência de orar. Ao ler a Bíblia você tom ará xado para trás as pessoas e suas necessidades
contato com grandes hom ens e m ulheres e ter-se isolado. 0 que parece é que ta n to
de oração como, por exemplo, Abraão, Sara, Pedro quanto os discípulos estavam tentando
Moisés, Ana, Davi, Daniel, Paulo, Pedro, mas dizer para Jesus que não era correto perder
ninguém teve uma vida de oração tão intensa tempo, ali sozinho, sem fazer nada, enquanto
e tão profunda quanto Jesus. havia tan to porfazer. Há pessoas que, ainda
hoje, pensam exatam ente como Pedro e os
Os Evangelhos apresentam o Senhor Jesus
discípulos. Acreditam que o tem po gasto com
orando em vários m om entos. No texto pro­
oração seria m elhor aproveitado trabalhando.
posto, Evangelho de Marcos, Jesus está no
Mas poucas têm a coragem de a d m itir que,
início do seu m inistério público, em um dia
bem lá no fundo, pensam que tem po gasto
m u ito a g ita d o , lid a n d o com tod o tip o de
com oração é tem po perdido. A m aioria das
pressão, escolhendo quem seriam os seus
pessoas se inquieta m u ito mais do que ora.
discípulos, expulsando demônios, ensinando
Porque, na verdade, elas acreditam que de­
na sinagoga, curando m uita gente.
veriam estar fazendo algum a coisa, em vez
No fin a l do d ia , e n q u a n to se preparava de orar. E por pensarem assim, te n ta m fazer
para descansar, um a m u ltid ã o se d irig iu do tem po, que deveria ser dedicado à oração,
em direção à casa de Pedro. Ali havia gente um te m p o m ais p ro d u tivo . É exatam ente
doente suplicando por cura; havia endem o­ aí que mora o perigo, quando procuram os
ninhados, necessitando de libertação, havia transform ar o tem po de oração em algo mais
gente desorientada precisando de direção. produtivo do que apenas estar na presença
Marcos relata que boa parte dos moradores de Deus.
da cidade de Cafarnaum se d irig iu para a
Antes, p o rta n to , de te n ta r en con trar um a
casa de Pedro, onde Jesus se encontrava. 0
resposta para a pergunta: o que é oração? Pre­
queJesusfez? Cuidou de todo m undo; curou
cisamos te r em m ente o que a oração não é.
os enferm os; lib e rto u os endem oninhados;
trouxe esperança para aquela gente. E era Orar não é um m eio para se fazer ne­
ta n ta g e n te que Jesus en trou pela n o ite gócios com Deus. Oração não é barganha.
adentro. Não é um negócio com Deus. Deus não é um
mercador de bênçãos.
Ainda de m adrugada, estava escuro, Jesus
se levantou e foi para um lugar deserto, e Oração não á uma relação utilitária com
ali orava. Pedro e os discípulos sentindo falta Deus. Há pessoas que só oram qu and o
do Senhor, foram atrás dele e, de uma certa precisam que Deus faça algum a coisa. Há
form a, recrim inaram o fato de Jesus te r dei­ pessoas que só oram quando precisam que

COMPROMISS011

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Deus resolva algum problema. Para muitas "[...] visando criar um espaço para
pessoas, Deus é uma espécie de equipamento, Deus". Este é o grande objetivo da oração,
que pode ser ligado e usado. E, quando não criar espaço para Deus em nossa vida.
se precisa mais dele, pode ser desligado e
Precisamos criar espaço para Deus em nossa
encostado em um canto. vida, porque tudo com o que nos relaciona­
Oração não é um ritual religioso. Onde mos ocupa espaço em nós. Tudo o que nos
praticamos um monólogo vazio, sem senti­ preocupa ocupa espaço em nós. Tudo com o
do, automático, de palavras repetidas. Jesus que nos empolgamos ocupa espaço. Tudo o
que chama a nossa atenção ocupa espaço.
mesmo nos advertiu quanto à inutilidade das
Tudo o que nos faz sofrer ocupa espaço em
vãs repetições2.
nossos corações. E quanto mais ocupados,
Então, afinal de contas, o que é oração? mais preocupados nos tornamos. Se vive­

Uma das respostas possíveis nos é dada por mos tão ocupados, tão preocupados e tão
sobrecarregados, como é que conseguiremos
Henri Nouwen:
dar espaço para aquele que diz:"
"Oração é o esforço intencional, concen­ primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas
trado e regular visando criar um espaço essas coisas vos serão acrescentadas "?4
para Deus"3.
A vida sem espaço para Deus pode facilmen­
0 que Henri Nouwen quer nos ensinar com te se tornar estreita para nós. Quando não
esta resposta? abrimos espaço para Deus em nossa vida
somos tomados pela inquietação e alienação.
"Oração é um esforço intencional
E quanto mais preocupados, mais somos leva­
A decisão de orar precisa ser nossa.
dos a imaginar que nós temos o controle da
"[...] concentrado Requer foco. So­ vida nas mãos, mais nutrimos a ilusão de que
licita que façamos calar as vozes que falam controlamos todas as nossas circunstâncias.
ao nosso redor. Requer silenciar a nossa voz Temos a ilusão de que controlamos as outras
interna que tenta nos distrair a todo instante. pessoas. E quanto mais imaginarmos ter o
controle da vida nas mãos, mais possessi­
"[...] reg u lar Requer consistência, vos, mais defensivos, mais exauridos nós nos
regularidade. Não dá para pensar em orar tornam os. Vamos nos tornando reféns da
hoje e só voltar a orar no mês que vem. agenda, da correria e das nossas ilusões a tal
'Mateus 6.7. ponto que, aos poucos, vamos nos alienando
3 Christensen, Michael J e Laird, Rebeca J. Formação da própria vida.
espiritual - seguindo os movimentos do Espirito.
Petrópolis: Vozes, 2012. 4 Mateus 6.33.

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A vida passa e nós não vemos. As o p o rtu ­ mão da nossa vontade para fazer a vontade
nidades surgem , mas nós não nos damos de Deus. Vamos aprender a nos relacionar
conta. Deus fala, mas nós não ouvim os. 0 com Deus como Pai.
que tem os de fazer para não sermos reféns
É convivendo com o Pai que aprendemos a
da nossa p ró pria alienação? A resposta é:
perceber as coisas boas que acontecem em
oração. Oração como um "esforço intencional,
nossa vida.
concentrado e regular, que tem como objetivo
criar um espaço para Deus na nossa vida". A prendem os a raciocinar com a lógica da
Palavra de Deus. A prendem os a nos com ­
A vida vai c o n tin u a r cobrando o seu preço.
prom eter com as mudanças que Deus já co­
Cobrando te m p o , esforço, ta le n to , e n fim ,
meçou a realizar em nós. Experim entam os
c o b ra n d o o nosso m e lh o r. Não há com o
a restauração do nosso caráter e valores.
ser d ife re n te . E, para que a nossa oração
Experim entam os a cura para as nossas m á­
te n h a co m o o b je tiv o c ria r espaço para
goas, ressentim entos, tem ores, vícios que
Deus em nós, vam os precisar aprender a
têm o potencial de arruinar nossa vida e até
passar te m p o com ele. Nesse tem po gasto
mesmo curas físicas.
com Deus, va m o s a p re n d e r a estar com
ele. Vam os a p re n d e r a exercitar a percep­ Era um dia cheio de dem andas, cheio de
ção da presença de Deus em nossa vida. expectativas, cheio de necessidades, mas
V am os a p re n d e r a nos d e sp ir de to d a a antes de tudo e de todos, Jesus estava sozi­
ilusão a nosso respeito. Vamos aprender a nho, abrindo mais espaço em sua vida para
dizer com o o salm ista: "Sonda-me, ó Deus, e a vontade de Deus. Nós precisamos aprender
conhece o meu coração; prova-m e e conhece a fazer o mesmo. Precisamos orar para abrir
os meus pensam entos; vê se há em m im a l­ espaço para Deus em nossa vida.

gum cam inho m au e guia-m e pelo caminho


eterno" (S11 3 9 .23 ,24 ). CONCLUSÃO

Depois de aprenderm os a abrir m ão do con­ 0 nosso Senhor Jesus nos ensina que Deus

tro le que im a g in a m o s te r sobre as nossas quer acrescentar recompensas em nossa vida.

circunstâncias e sobre as pessoas com quem Mas para isso precisamos orar, a b rir espaço

convivem os, vam os ap rend er a entreg ar a para Deus. Assim, Deus poderá acrescentar

nossa vida, os nossos dias, as nossas circuns­ em nós tudo o que precisamos. Jesus disse:

tâncias, aprender a entregar as pessoas com "Mas tu, quando orares, entra no teu quarto
quem nos relacionamos aos cuidados de Deus. e, fechando a porta, ora a teu Pai que está
Vamos aprender a valorizar tud o aquilo que em secreto; e teu Pai, que vê o que é secreto,
tem valor para Deus. Vamos aprender a abrir te recompensará" (M t 6.6).

CO M PRO M ISS013

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f TEXTO BÍBLICO
| Gênesis 1; 3; 4
I Jeremias 29

TEXTO ÁUREO

I Gênesis 3.8-10

"Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais do campo que o


SENHOR Deus havia feito. E ela disse à mulher: Foi assim que Deus disse:
Não comereis de nenhum a árvore do jardim ? Respondeu a m ulher à
serpente: Do fruto das árvores dojardim podemos comer, mas do fruto da
árvore que está no meio dojardim , disse Deus: Não comereis dele, nem nele
tocareis; se o fizerdes, morrereis. Disse a serpente à mulher: Com certeza,
i
não morrereis. Na verdade, Deus sabe que no dia em que comerdes desse
fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e
omal"[Gn 3.1-5). i

INTRODUÇÃO
; ’ • ■,* \ r i * e• , 1t • *. ' v . y-,

A oração é a experiência prim ordial dos seres humanos. Antes de falar


consigo mesmo, antes de se com unicar com o seu semelhante, os seres
hum anos já se com unicavam com Deus, no Jardim do Éden. A prim eira
voz que os prim eiros seres hum anos tiveram contato, depois de terem
sido criados, foi a voz de Deus.1

'Gênesis 1.27,28.

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i.
v
;{5
í

Já não é mais assim. Depois da nossa expulsão aqui?"Eles responderiam apontando para ár­
do Jardim do Éden2, falar com Deus passou vore do conhecimento do bem e do mal:"Está
a ser um a tarefa que exige o em penho de vendo aquela árvore lá? Não podemos comer
todos os nossos esforços. Tanto é assim que e nem mesmo tocar no fruto que ela produz."
o p ró prio Deus falando por in te rm é d io do E se nós ainda perguntássemos: "Por quê?"

I profeta Jeremias disse: "Então me invocareis Eles responderiam : "Porque Deus proibiu".
e vireis orar a mim, e eu vos ouvirei. I me
Isto significa dizer que o prim eiro casal tinha
buscareis e m e encontrareis, quando m e bus­
plena consciência do que era certo e errado.
cardes de todo o coração" (Jr 29.12,13). Isto
Entretanto, o eixo decisório de suas escolhas
é, depois da expulsão do paraíso, falar com
morais e éticas estava centrado em Deus. Era
Deus passou a requerer de nós um grande
Deus quem dizia o que era certo e errado. Não
em penho existencial.
comer o fruto não era uma decisão tomada no
A final de contas, o que foi que aconteceu? A isolam ento de suas consciências. Não comer
resposta está na experiência da queda (lap­ do fru to era um ato de obediência a Deus.
so). Queda é um term o teológico que se refere
Satanás, na tentação, ofereceu um a propos­
ao m ais trágico evento da história humana,
ta diferen te. Qual? Trocar o eixo decisório
um a vez que todas as nossas tragédias pos­
de Deus para eles m esmos. Satanás disse:
teriores são oriundas dela. A queda se refere
Com certeza, não morrereis. Na verdade, Deus
à ru p tu ra dos seres humanos com Deus, por
sabe que no dia em que comerdes desse fruto,
causa do pecado. A ruptura com Deus ocorreu
vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus,
p o r term os aceitado a proposta satânica de
conhecendo o berne o m a l" (Gn 3.5). Adão
tra n s fe rir o eixo decisório da nossa vida de
e Eva aceitaram os argum entos ardilosos da
Deus para nós próprios.
! i 9-í ♦ V: V*' i;.i serpente. A ideia da proclam ação da a u to ­
Quero te n ta r explicar isso m elhor. Im agine nom ia em relação a Deus pareceu ser m uito
se nós pudéssemos en trar em um a nave do sedutora e convincente. Afinal, eles mesmos
te m p o e retornássem os ao m arco zero da deveriam assum ir os seus próprios destinos
criação dos seres humanos, e nos encontrás­ nas mãos.
semos com Adão (averm elhado) e Eva (vida)
Desde então, os seres humanos passaram a
e perguntássemos:"o que nós podemos fazer
viver em busca de uma suposta autonom ia
aqui neste belo Jardim ?" Eles responderiam :
em relação a tud o e a todos, inclusive, em
"podem os fazer praticam ente tudo". E se per­
relação a Deus. Essa busca pela autonom ia
gu ntássem os: "E o que não se pode fazer
em relação a Deus e a sua vontade é o pano

^ Gênesis 3.3,24. de fundo em que se desenrolou a perdição

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dos seres humanos. E, ao nos perder de Deus, voz no jardim e tive medo, porque estava nu;
nos perdem os de nós mesmos e, tam bém , por isso m e escondi"(Gn 3.8-10).
uns dos outros.
Oração e medo não combinam. Ou nós oramos,
A queda afetou todas as dimensões da nossa ou nos escondemos. Não dá para fazer as duas
existência, sobretudo a nossa capacidade de coisas ao mesmo tem po. Agostinho, um dos
falar com Deus e ouvir a sua voz. Tanto é assim pais da igreja, tinha total consciência disso. Nas
que depois do impacto da queda e da expulsão suas Confissões, o bispo de Hipona expõe todos
do Jardim do Éden, se seguiram mais de 200 os seus pecados, todos os seus erros e toda a
anos sem que ninguém buscasse a Deus. Só sua ignorância diante de Deus. Nas Confissões,
depois do nascimento de Enos, filh o de Sete, é Agostinho apresenta um gênero autobiográfico
que o nom e de Deus passou a ser novamente que ele mesmo inventou. Antes dele, todas as
invocado3. Mesmo assim, desde o nascimento biografias tinham com ofinalidade representar
de Enos, "queos homens começaram a invocar
os biografados como heróis. Isto é, as biogra­
o nom e do SENHOR" até os nossos dias, a ex­ fias m uito mais escondiam do que revelavam.
periência da oração tem sido um trem endo Agostinho resolveu ser completamente sincero
desafio para todos nós. Por quê? diante de Deus. Para ele, ser bispo não era um
disfarce para ten tar se esconder das pessoas e
EM P R IM E IR O LUGAR, PORQUE de Deus. Agostinho não tentou se esconder. Foi
PASSAMOS A TENTAR NOS admitindo exatamente quem ele era, um peca­
ESCONDER DE DEUS dor que precisava de perdão, que ele encontrou
a sua verdadeira identidade diante de Deus. A
Depois da queda, os seres humanos in s tin ­
nossa verdadeira identidade é aquela com a
tiv a m e n te passaram a se esconder de Deus.
qual nós oramos, com toda a nossa sinceridade,
Deus passou a ser visto com o um ser que
diante de Deus. Se queremos falar com Deus,
inspira m edo. 0 livro do Gênesis narra como
vamos precisar parar de nos esconder e adm itir
isso aconteceu. Deus, como era de costume,
exatamente quem somos.
" andava pelo ja rd im no fin a i da tarde". No
m o m e n to em que os passos de Deus foram
EM SEGUNDO LUGAR, PORQUE
ouvidos, o prim eiro casal, agora na condição
PASSAMOS A TER DIFICULDADES
de pecador, se escondeu "dapresença do SE­
DE ACEITAR NOSSA PARCELA
NHOR Deus, entre as árvores dojardim . Mas o
DE RESPONSABILIDADE PELOS
SENHOR Deus chamou o homem, perguntando:
NOSSOS ERROS E PECADOS
Onde estás? O hom em respondeu: Ouvi a tua
C o nfron tad o p o r Deus, Adão a d m ite que
3 Gênesis 4.26. pecou, mas transfere a responsabilidades

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pelos seus atos para a m ulher. Ele disse: "A o m enor controle, a verdade é que, apesar
m ulher que me deste deu-me da árvore, e eu disto, ainda nos resta a capacidade de reagir
comi"(Gn 3.12). a todas elas.

Não é possível orar e fugir às nossas responsa­ Em um contexto cultural que todos aceita­
bilidades. Orar é tornar-se responsável diante vam a vida como um destino previam ente
de Deus. A oração verdadeira á aquela em que traçado, o Senhor Jesus inaugurou uma nova
nós oferecemos a nossa vida como garantia, form a de pensar. Jesus conclamou os seus
a fim de que Deus aja por nosso interm édio discípulos a fazerem escolhas d ia n te de
e n ã o em nosso lugar. Deus4. Jesus ensinou que é possível um ser
humano escolhera maneira como construirá
EM TERCEIRO LUGAR,
a sua vida5. Jesus ensinou que era possível
PORQUE PASSAMOS A NOS
am arem vez de odiar67.0 que o Senhor Jesus
VER COMO V ÍT IM A S DAS
estava fazendo? Estava nos ensinando que,
NOSSAS CIRCUNSTÂNCIAS
apesar de tudo, as escolhas ainda estão em
Confrontada por Deus, a m ulher respondeu: nossas mãos. A m a io r lição, a respeito da
“A serpente me enganou, e eu Gn 3.13). experiência de orar, que Jesus nos deixou
Como se não houvesse nenhuma alternativa foi quando, no Jardim do Getsêmani, aceitou
a n ã o se rce d e rà te n ta çã o .N o m o m e n to e m abrir mão da sua vontade para que a vontade
que passamos a aceitar que somos reféns de de Deus fosse feita.
situações que determ inam tudo o que nos
acontece, orar deixa de fazer sentido. Para CONCLUSÃO
que orar se o nosso destino já está traçado
Se no Jardim do Éden, com os nossos pais,
em to d o s os seus detalhes? É com um , no
nós trocam os a oração p o r um a aventura
O riente , as pessoas pensarem que a vida
não passa de um jo g o de cartas marcadas. trágica, em busca de autonom ia; no Jardim

M aktube é um a palavra árabe que s ig n ifi­ do Getsêmani, com Jesus, nós recuperamos

ca "está escrito", a m p la m e n te usada para a capacidade de orar, nos subm etendo à

a firm a r a vida com o destino previam ente vontade de Deus, dizendo: "não seja feita a

d e te rm in a d o . Em bora m u ita s coisas em m inha vontade, mas a tua'?

nossa vida nos sejam im postas como, por


exem plo, nossos pais e a m aneira como eles
‘ Mateus 6.24.
nos educaram , o país em que nascemos, a
5 Mateus 7.24-27.
nossa língua m aterna, guerras, acidentes 6 Lucas 10.25-37.
naturais, coisas sobre as quais não tem os 7 Lucas 22.42.

COMPROMISS017

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TEXTO BÍBLICO
A ORA
4*#
Gênesis 11; 12;
13; 15; 18; 19;
Lucas 13.3 I J l l M I i r l
«J»

TEXTO AUREO
Gênesis 18.32 DE INTERCESSÃO

A história da redenção teve início com um hom em cham ado Abraão, da


cidade de Ur dos Caldeus1. Com a m orte do seu irm ão Harã, a fam ília de
Abraão pa rtiu em direção a Canaã, fazendo escala na cidade de Harã,
y * assim denom inada em homenagem ao seu irm ão falecido. Nessa cidade,
Abraão teve um encontro com Deus2 que o cham ou para deixar o seu
clã e p a rtir em peregrinação. Deus ta m b é m lhe fez um a promessa, de
TERÇA fazer dele pai de m ultidões. Abraão, então, reuniu tu d o o que possuía
Gênesis 12.1-7 e com a sua esposa Sara e o sobrinho, Ló, p a rtiu em direção à terra que
QUARTA o Senhor haveria de lhe mostrar. Tudo estava indo relativam ente bem,
Gênesis 13.1-18 até que surgiu uma disputa entre os pastores dos rebanhos de Abraão
QUINTA e os de Ló3. Eles, então, tom aram a decisão de se separar. Abraão ficou
Gênesis 15.17-21
na terra de Canaã, enquanto Ló se m udou para a cidade de Sodom a4.
SEXTA
O problem a foi que a cidade que Ló escolheu para viver ofendeu a Deus
Gênesis 18.23-32
com o seu pecado. Qual foi o pecado de Sodoma e Gomorra? Costuma-se
SÁBADO
Lucas 13.3 dizer que o pecado dessas cidades foi o da perversão sexual. De fato,
este pecado fica evidente quando os anjos de Deus visitaram a cidade,
DOMINGO
Gênesis 19.29

'Gênesis 11.27,28.
2 Gênesis 12.
’ Gênesis 13.8.
4 Gênesis 13.12.

18 COMPROMISSO

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•( f, ~ .Uí -j.;? i : ;;:^/r

foram cobiçados sexualm ente5. Entretanto, lugarpor causa dos cinquentajustos que ali es­
as Escrituras Sagradas revelam que, além da tão? (Gn 18.24). Deus respondeu: "Se eu achar
luxúria, havia um espectro m uito m aior de em Sodoma cinquentajustos dentro da cidade,
pecados sendo cometidos. Além da luxúria e pouparei o lugar todo por causa deles" (Gn
de "práticasrepugnantes", havia arrogância, 18.26). Em seguida, Abraão se humilha diante
i
ganância e indiferença para com os pobres de Deus, e oferece uma segunda pergunta: ■

e necessitados6. "[...]e, se de cinquenta justos faltarem cinco, ;

Ao tom ar conhecimento das intenções divinas destruirás toda a cidade por causa dos cinco?"

de destruir as duas cidades, Abraão iniciou um (Gn 18.28). Ele respondeu: Não a destruirei, se

processo de negociação com Deus, que se tor­ eu achar ali quarenta e cinco"(Gn 18.28). Esse

nou um caso clássico de oração intercessória. diálogo continuou até que Abraão ofereceu a

Abraão aproxim ou-se de Deus e perguntou: sua últim a indagação: "Ese achares a li dez? O

"Chegando-se Abraão, disse: Destruirás ojusto SENHOR concordou: Não a destruireipor causa

com o ímpio? Se houver cinquenta justos na dos dez"(Gn 18.32).

cidade, destruirás e não pouparás o lugar por


Quero chamar a sua atenção para o fato de
causa dos cinquentajustos que (Gn
o quanto a oração de Abraão é corajosa e o
18.23,24). Em seguida, Abraão acrescenta:
quanto ela pode orientara nossa vida de ora­
"Longe de ti fazer ta l coisa A expressão
ção. 0 que podemos aprender com a oração
"longede ti"éa tradução da palavra hebraica
de Abraão?
hallalq ue significa um ato profano, uma de­
sonra, um ato desqualificado7. Seria como se
A PR IM EIR A COISA QUE
Abraão estivesse dizendo para Deus: matar os
APRENDEMOS É QUE ORAR
justos ju n to com os iníquos é uma coisa que
É TRAVAR UM A RELAÇÃO
não com bina com o Senhor. É algo que des-
DIALÓGICA COM DEUS
qualifica o Senhor como Deus. E conclui com
uma pergunta: "Não farájustiçaojuizdetoda Vimos, na prim eira lição, que um dos objeti­

aterra?"(G n 18.25). Abraão, então, ofereceu vos da oração é abrir espaço para Deus, mas

a prim eira pergunta: "Se houver cinquenta aqui o que estamos observando é justamente

justos na cidade, destruirás e não pouparás o o contrário. É Deus quem abre espaço para
Abraão. 0 que fica patente é que o Criador,
’ Gênesis 19.1-5.
6 Ezequiel 16.49,50. Todo-poderoso, perm ite que a sua criatura
I Harris, R. Laird; organizador. Dicionário Interna­ amada se apresente, se expresse e se compro­
cional de Teologia do Antigo Testamento. Trad.
meta. Deus não reclamou e não repreendeu
Márcio Loureiro Redondo, Luiz AlvertoT. Sayão, Carlos
Osvaldo C. Pinto. Sáo Paulo: Vida Nova, 1998, p. 472. Abraão. Deus abriu espaço para o diálogo.

COMPROMISS019

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Como é que Deus fala conosco nos dias de
hoje? Basicamente de três maneiras:

V, ^

a) Deus fala por interm édio das Escri­


turas Sagradas I
:JV
V - ■*'.

Na segunda carta de Paulo a Tim óteo, nós


lemos: "Toda. " a ■Escritura é divinamente inspira-
’o ' . > ’ . u ~

da e proveitosa para ensinar, para repreender,


para corrigir, para instruir em justiça; a fim
de que o homem de Deus tenha capacidade c) Deus fala por meio das circunstâncias
e pleno preparo para realizar toda boa obra" Especial m ente por m eio da dor. 0 rei Davi
(2Tm 3.16,17). As Escrituras Sagradas não reconhece a mão de Deus em meio às expe­
são apenas um a coleção de pensam entos riências dolorosas da vida. Ele disse: "Antes
<1 ' V •. * •

maravilhosos. A palavra "inspirada" (theop- de ser castigado, eu me desviava; mas agora


*>a j y\ k- 1 ‘, * . 1

neustos) significa que Deus soprou sobre as obedeço à tua "arvl(pS1119.67). C. S. Lewis
r V .

Escrituras. E por isso ela é“útir (ophelimos), pensador cristão, do século passado, disse
isto é, ela é proveitosa, traz benefícios tanto que:"Deus sussurra em nossos ouvidos por
paraensinarquanto para repreender, corrigir meio de nosso prazer, fala-nos mediante nos­

e in s tru ir em justiça. sa consciência, mas clama em alta voz por


intermédio de nossa dor; este é seu megafone
para despertar o hom em surdo"8.
b) Deus fa la por m eio de pessoas ca­
pacitadas
A SEGUNDA COISA QUE A ORAÇÃO
Quantas vezes Deus já usou pessoas que ele DE ABRAÃO NOS ENSINA É QUE
mesm o chamou e capacitou para falar aos NA EXPERIÊNCIA DE ORAÇÃO,
nossos corações? Centenas de vezes, não é PRECISAMOS RECONHECER QUE

m esmo? Paulo, escrevendo aos tessaloni- DEUS É, AO MESMO TEMPO,

censes, vai dizer: "Por isso, nós também não


JUSTO E MISERICORDIOSO

deixamos de agradecer a Deus, pois quando Abraão reconhece Deus como leg ítim o ju iz
ouvistes de nós a sua palavra, não a recebestes dos seres hum anos. Entretanto, ao mesmo
como palavra de homens, mas como a palavra tem po em que reconhece que Deus é justo
de Deus, como de fato é, a qual também atua
8 Lewis, C. S. O problema do sofrimento. Trad.
em vós, os que credes"{1Ts 2.13).AKplo de França Neto. São Paulo: Editora Vida, 2009.

20 COMPROMISSO

’• v ' v v ^ .

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ju iz , to m a a decisão de descer aos abism os A TERCEIRA COISA QUE
da m isericórdia divina, oferecendo, a cada PODEMOS APRENDER ÉQUE
vez, um nú m ero m e n o r pela salvação da NEM SEMPRE DEUS RESPONDE
cidade. A verdade é que orar contando ape­ ÂS NOSSAS ORAÇÕES COMO
nas com o ju ízo de Deus pode nos levar ao NÓS GOSTARÍAMOS, MAS DEUS
desespero. Como, ta m b é m , o ra r levando SEMPRE NOS SURPREENDE
em conta apenas a m ise ricó rd ia de Deus
Sodoma e Gomorra foram destruídas. Aparen­
pode nos fazer acolher o pecado como coisa
tem ente a intercessão de Abraão por Sodoma
n a tu ra l e aceitável d ia nte de Deus.
tenha sido em vão. A cidade estava fechada
Deus deseja poupar a cidade, mas quer, ao dentro de um m al to ta l, paralisante, sem
m esm o te m p o , en con trar pelo menos dez te r nenhuma chance de voltar atrás. Acabou
seres hum anos justos. Deus quer perdoar, encontrando o destino que semeou. É assim
mas é necessário que haja arrependim ento. também quando oramos por alguém na expec­
Jesus disse para os seus discípulos: vos tativa de que se arrependa e que abandone os
digo que não; antes, se não vos arrepen­ seus maus caminhos, mas nem sempre é como
derdes, todos vós tam bém perecereis" (Lc desejamos. Entretanto, quando oramos, Deus
1 3 .3 ). Talvez, a g ra n d e lição que Abraão sempre faz algum a coisa que nos surpreende.
tivesse que aprender com Deus, enquanto
No dia seguinte, Abraão olhou na direção de
negociava a salvação da cidade, era a de
Sodoma e viu uma densa camada de fum aça
que ser salvo não significa apenas escapar
que cobria a cidade9. Estava fe ito . 0 ju s to
do castigo, mas ser lib e rto do mal que nos
Juiz havia batido o seu m artelo. Mas o que
h a b ita . P orquê? Porque é ju sta m e n te essa
Abraão não sabia era que Deus não havia se
rejeição a Deus que nos leva à destruição.
esquecido da sua oração. Gênesis 19.29 diz:
As palavras do profeta Jeremias, dirigidas
"Aconteceu que, quando Deus acabou com as
à cidade de Jerusalém , falam exatam ente
cidades da planície, lembrou-se de Abraão e
disto: "O teu delito te castigará, e a tua re­
tirou Ló do meio da destruição
belião te repreenderá. Sabe e vê, que m á e
am arga coisa é teres abandonado o SENHOR,
CONCLUSÃO
teu Deus, e não teres tem or de m im , d iz o
A oração corajosa de Abraão pode não ter poupa­
Senhor, o SENHOR dos Exércitos" (Jr 2.19).
do a cidade, mas foi a razão pela qua I Deus livrou
É dessa tristeza e am argura que Deus qu er
Ló e suas filhas da destruição. Por isso, nunca
lib e rta r o ser hum ano, lib e rta n d o -n o s do
pare de orar; Deus sempre surpreende no final.
pecado. Mas para que isso ocorra é neces­
sário que haja arre pen dim e nto . ’ Gênesis 19.28.

COMPROMISSO 21

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ju iz , to m a a decisão de descer aos abism os A TERCEIRA COISA QUE
da m isericórdia d ivin a , oferecendo, a cada PODEMOS APRENDER ÉQUE
vez, um nú m e ro m e n o r pela salvação da NEM SEMPRE DEUS RESPONDE
cidade. A verdade é que orar contando ape­ ÀS NOSSAS ORAÇÕES COMO
nas com o juízo de Deus pode nos levar ao NÓS GOSTARÍAMOS, MAS DEUS
desespero. Como, ta m b é m , o ra r levando SEMPRE NOS SURPREENDE
em conta apenas a m ise ricó rd ia de Deus
Sodoma e Gomorra foram destruídas. Aparen­
pode nos fazer acoltier o pecado como coisa
tem ente a intercessão de Abraão por Sodoma
n a tura l e aceitável d ia nte de Deus.
tenha sido em vão. A cidade estava fechada
Deus deseja poupar a cidade, mas quer, ao de ntro de um m al to ta l, paralisante, sem
m esm o te m p o , en con trar pelo menos dez ter nenhum a chance de vo ltar atrás. Acabou
seres hum anos justos. Deus quer perdoar, encontrando o destino que semeou. É assim
mas é necessário que haja arrependim ento. também quando oramos por alguém na expec­
Jesus disse para os seus discípulos: vos tativa de que se arrependa e que abandone os
digo que não; antes, se não vos arrepen­ seus maus caminhos, mas nem sempre é como
derdes, todos vós tam bém perecereis" (Lc desejamos. Entretanto, quando oramos, Deus
1 3 .3 ). Talvez, a g ra nde lição que Abraão sempre faz algum a coisa que nos surpreende.
tivesse que aprender com Deus, enquanto
No dia seguinte, Abraão olhou na direção de
negociava a salvação da cidade, era a de
Sodoma e viu uma densa camada de fum aça
que ser salvo não significa apenas escapar
que cobria a cidade9. Estava fe ito . 0 ju s to
do castigo, mas ser lib e rto do m aí que nos
Juiz havia batido o seu m a rtelo . Mas o que
ha bita . Por quê? Porque é ju sta m e n te essa
Abraão não sabia era que Deus não havia se
rejeição a Deus que nos leva à destruição.
esquecido da sua oração. Gênesis 19.29 diz:
As palavras do profeta Jeremias, dirigidas
"Aconteceu que, quando Deus acabou com as
à cidade de Jerusalém , falam exatam ente
cidades da planície, lembrou-se de Abraão e
disto: "O teu delito te castigará, e a tua re­
tirou Ló do meio da destruição
belião te repreenderá. Sabe e vê, que m á e
am arga coisa é teres abandonado o SENHOR,
CONCLUSÃO
teu Deus, e não teres tem or de m im , diz o
A oração corajosa de Abraão pode não ter poupa­
Senhor, o SENHOR dos Exércitos" (Jr 2.19).
do a cidade, mas foi a razão pela qual Deus livrou
É dessa tristeza e am argura que Deus quer
Ló e suas filhas da destruição. Por isso, nunca
lib e rta r o ser hum ano, lib e rta n d o -n o s do
pare de orar; Deus sempre surpreende no final. 5
pecado. Mas para que isso ocorra é neces»
sário que haja arre pen dim e nto . 5 Gênesis 19.28.

COMPROMISSO 21

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TEXTO BÍBLICO
A 0RAÇA0 DE MOIS
Êxodo 24; 32; 33;
Salmo 106

TEXTO ÁUREO
Êxodo 33.11a
COMPRO

Moisés era um hom em de oração. É possível encontrar Moisés orando


em vários m om entos da sua vida. Por exem plo: Moisés orou pelo faraó
e pelo povo egípcio1. Moisés intercedeu por sua irm ã M iriã quando ela
contraiu lepra, como castigo por te r se rebelado contra Deus*2. Moisés
orou pelo povo, quando, depois dos relatos dos espias, este temeu ter que
enfrentar os gigantes3. Moisés orou pelo povo quando este foi atacado
por serpentes venenosas45.Moisés orava "e o SENHOR falava com Moisés
face a face, como quem fala com seu am igo" (Ex 33.11).

No te xto selecionado, vim os que Moisés subiu ao M onte Sinai para


receber a lei do próprio Deus. As Escrituras dizem que esse encontro
entre Deus e Moisés durou longos"40 dias e 40 noites"5. Enquanto isso,
o povo que havia permanecido no deserto não conseguia suportar a
ausência do seu líder por ta n to tem po. O povo então se voltou para
Arão e pediu: "Levanta-te! Faz para nós um deus que vá à nossa frente,
porque não sabemos o que aconteceu a esse Moisés, o homem que nos
tirou da terra do Egito" (Ex 32.1).

'Êxodo 8-10.
2 Números 12.
'Números 14.
4 Números 21.
5 Êxodo 24.18.

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Apesar de todos os m ilagres realizados até século 21, Karl B arth, o verdadeiro Deus é
aquele dia, parece que o povo ainda se sen­ "to ta lm e n te outro". Isto significa dizer que,
tia inseguro pelo fato de te r que andar com Deus é to ta lm e n te d ife re n te de nós seres
um Deus a quem eles não podiam ver, nem humanos, no que pensamos, sentimos, dese­
tocar e, m uito menos, manipular. Os israelitas jam os, compreendemos e realizamos. Desse
pediram para que Arão lhes fizesse um ídolo modo, Deus não é um SER a ser descoberto
acessível e adm inistrável. E Arão, então, lhes pelos seres humanos a fim de obter a outorga
deu um bezerro de ouro. Por que um bezerro de divindade. Nós só podemos saber quem

de ouro? Não há um a resposta de consenso Deus é porque ele tom ou a iniciativa de se


entre os estudiosos. Para alguns, Arão inventa revelar. Foi exatam ente isso o que aconteceu
um deus absurdo, uma im agem aleatória, a com o povo hebreu. Deus se revelou de um
fim de evidenciar a loucura do povo. Tanto modo como não havia se revelado a nenhum
que, quando questionado por Moisés, Arão outro povo. Esta é a razão, que torna chocante
respondeu: "Quando elo trouxeram
a idolatriaa mim,
de Israel.
coloquei o ouro no fogo, e saiu esse bezerro "
O que precisamos nos perguntar é: como o
(Ex 32.24). Ou, foi de fato o que aconteceu, ou
povo hebreu pôde trocar o EU SOU 0 QUE SOU
Arão estava m entindo. Para outros, o bezerro
por um ídolo? Esta mesma perplexidade fo i
de ouro representava um elem ento residual
demonstrada pelo rei Davi: "Assim trocaram
da religião egípcia, onde a im agem de um
sua glória pela imagem de um boi que come
touro representava o deus Ápis6. Sendo como
capim" (S1106.20). O que Davi está dizendo
for, a verdade é que o povo estava trocando
é que, ao trocar Deus por um ídolo, não foi
EU SOU 0 QUE SOU por um ídolo.
Deus quem saiu perdendo, mas, sim , o povo,
Esse ep isód io revela m u ito a respeito da que abriu mão da sua glória, isto é, da sua
natureza hum ana. Somos constantem ente posição privilegiada de te r conhecido o ver­
tentados a trocar o Deus verdadeiro e a sua dadeiro Deus. Ao trocar Deus por um ídolo,
vontade por ídolos mais identificados com o povo optou por uma condição existencial
os nossos planos e desejos. 0 Deus verda­ m u ito baixa, abrindo mão da sua verdadeira
deiro, criador dos céus e da terra, revelado vocação. Isto nos ensina m uito a respeito da
nas Escrituras Sagradas, jam ais será um a grande responsabilidade que tem os diante
extensão de nós mesmos, dos nossos sonhos da vida, pelo fato do evangelho de Jesus ter
e vontades. Para o grande teólogo suíço, do entrado em nossos corações.

6A Bíblia: Nomes (Êxodo) - tradução para o francês Conhecer o Filho de Deus como nosso Senhor
e comentários de André Chouraqul; tradução, Ivan Es­
e Salvador traz profundas implicações para a
perança Rocha e Paulo Neves. Rio de Janeiro: Imago
Editora, 1996, p. 360,361. maneira como nós vivemos. Deus espera que
i:
:

COMPROMISSO 23
:
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- ■■ *

o seu povo viva à altura da revelação que rece­ A P R IM E IR A LIÇÃO QUE


beu. Deus quer que o seu povo viva como uma APRENDEMOS É QUE NOSSAS
nação santa, um sacerdócio real, sua herança ORAÇÕES PRECISAM SER
preciosa, mas o povo decidiu se rebaixar. Deus A EXPRESSÃO DO NOSSO
odeia a idolatria não tanto porque ela é capaz COMPROMISSO COM DEUS
de rebaixá-lo, mas, sim, porque ela faz com
A oração de Moisés revela o quanto ele ama­
que o ser hum ano viva m uito abaixo da sua
dureceu, desde o dia em que Deus o havia
verdadeira vocação. O apóstolo Paulo escre­
cham ado até aquele m om ento. Moisés era
vendo aos rom anos vai dizer que a baixeza
um hom em que não se mostrava disposto
m oral da sociedade romana era, em grande
a assum ir responsabilidades. Ele tentou a
parte, decorrente do pecado da idolatria7.
todo custo convencer a Deus de que não era
A p a rtir desse episódio, Deus começa a pro­ a pessoa certa para a missão de libertação
vocar Moisés. A prim eira coisa que Deus faz é do povo10. Mas, agora, Moisés se mostrava
m edir o grau de comprometim ento de Moisés. completamente mudado. Ele está comprome­
Deus disse: "Vai, desce, porque o teu povo, que tid o com a missão que Deus havia colocado
tiraste da terra do Egito, se corrompeu" (Ex em suas mãos. A ponto de desafiar o pró­
32.7). Deus está chamando Moisés para dentro prio Deus, dizendo: "Mas, agora, perdoa-lhe
do problem a. Moisés ia precisar se compro­ o pecado; ou, caso contrário, risca-me do teu
meter. Deus, em sua onisciência, sabia o que livro que escreveste" (Ex 32.32). 0 que M oi­
se passava no coração de Moisés, entretanto, sés realm ente estava falando para Deus foi:
Deus quer que Moisés tam bém saiba. ou perdoa esse povo ou"apaga-me". Moisés
pede não apenas para ser excluído, mas es­
Em seguida, assim como foi com Abraão em
quecido. Deus não se in tim id o u diante da
relação a Sodoma e Gomorra, Deus tam bém
atitude de Moisés, e deixou claro: "Riscarei
tom ou a decisão de com partilhar com Moisés
do meu livro aquele que tiver pecado contra
a sua intenção de destruir aquele povo obsti­
mim"[Ex 32.33). Aqui, podemos ver a figura
nado8 (pescoço duro), com as chamas da sua
de Jesus que, na cruz, assumiu os nossos pe­
ira9. Há boas razões para acreditarmos que,
cados para garantir a nossa salvação. Jesus,
assim, Deus estava claram ente desafiando
na cruz, foi apagado por Deus. Isto é, contado
Moisés a orar. Efoi exatamente o que aconte­
entre pecadores. Isto nos ensina que oração
ceu, Moisés orou. Na sua oração aprendemos
e compromisso sempre andam juntos. Foi do
coisas imprescindíveis à vida cristã.
alto da cruz que Jesus orou: "Pai, perdoa-lhes,
7 Romanos 1.19-25. pois não sabem o que (fLc 23.34). Nós
* Êxodo 32.9.
’ Êxodo 32.10. w Êxodo 3; 4.

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24 COMPROMISSO

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na te n ta tiv a de ju s tific a r o povo dos seus


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• pecados. Moisés orou im plorando com base


' íiro
1»I í r«
naquilo que Deus já havia feito e prom eteu t
i-
fazer. A oração de Moisés aplacou a ira de
Deus. Orar é nos com prom eter com os pro­
pósitos redentivos de Deus.
■ ’ •'.v • \ S'Á: y V ';J!
Aqui tam bém podemos ver a figura de Jesus
como intercessor. 0 apóstolo Paulo escrevendo
aos romanos disse: "Quem
só oramos, de verdade, por aquilo com o qual
ção contra os escolhidos de Deus?ÉDeus quem os
nos com prom etem os.
justifica;quemoscondenará?CristoJesuséquem
morreu, ou, pelo contrário, quem ressuscitou
A SEGUNDA LIÇÃO QUE
dentre os mortos, o qual está à direita de Deus e
APRENDEM O S É QUE NOSSAS
também intercede por nós. Quem nos separará
ORAÇÕES PRECISAM ESPELHAR
do amor de Cristo?Será tribulação, ou angústia,
OS PROPÓSITOS DE DEUS
ou perseguição, ou fome, ou privação, ou peri­
Moisés intercede pelo povo, e inicia pela his­ go, ou espada? Pois tenho certeza de que nem
tó ria da salvação. Moisés, em sua oração, se morte, nem vida, nem anjos, nem autoridades
referiu à m aneira como Deus havia redim ido celestiais, nem coisas do presente nem do futuro,
o seu povo, lib e rta n d o -o da escravidão do nem poderes, nem altura, nem profundidade,
Egito e falou tam bém das promessas de Deus nemqualqueroutracriaturapoderánosseparar
feitas aos patriarcas. do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso
Senhor" [ M 8.33-35,38,39).
0 que Moisés estava querendo dizer é que
havia m u ita coisa em jo g o , e que sim ples­
CONCLUSÃO
m ente m a ta r o povo no deserto seria jo g a r
fora tu d o o que havia sido fe ito até aquele Há um a coisa que nós precisamos saber: se
dia11. Uma vez iniciada a obra de salvação ela nós pertencem os a Jesus, ele intercede por
precisava ser com pletada. Se Deus deixasse nós. Jesus nos convida a nos u n ir a ele no li
o seu povo perecer no deserto, isto poderia com prom isso com o povo de Deus.
ser in terpre tado com o um sinal de incapa­
Oraré nos comprometer. Oraréassum ir riscos.
cidade de Deus em concluir o seu projeto de
Gosto m u ito da definição de oração de Dal-
salvação. Por isso, Moisés baseou a sua oração
las W illard que diz: "Oração é um a conversa
in te ira m e n te nos propósitos de Deus e não *
com Deus a respeito das coisas que fazem os
"Êxodo 32.11-13. juntos".

COMPROMISSO 25

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| TEXTO BÍBLICO
| 2Crônicas 7;
| Mateus 12;
| Filipenses 4;João 16;
Efésios 6; Isaías 17;
Jeremias 29

(TEXTO ÁUREO
2Crônicas 7.14,15

0 texto de 2Crônicas 7.14,15 retrata uma das promessas mais im p orta n­


tes das Escrituras Sagradas. Ela foi proferida há aproxim adam ente três
m il anos, por ocasião da inauguração do tem plo, edificado por Salomão.
A festa durou 22 dias. Ao final, Salomão mandou o povo para as suas
casas. Eficou só no seu palácio, pensando como seria o seu reinado, tendo
a presença física do tem plo, casa de Deus, em Israel. Então, Deus dirigiu
ao rei Salomão estas palavras. Deus estava revelando um a coisa m u ito
im p o rta n te para o rei Salomão. Deus estava prom etendo curar a terra;
isto é, "restaurar a nação", como resultado da oração. Isto nos ensina
que, assim como uma pessoa ou uma fam ília pode adoecer, uma nação
tam bém pode ficar doente. Isto não tem nada a ver com a econom ia. É
possível a economia de um a nação ir m u ito bem, ao mesmo tem po em
que esta mesma nação afunda na violência, na corrupção, na m entira,
na injustiça. 0 critério para diagnosticar a saúde de uma nação não será
apenas econômico. É claro que a economia é um critério im portante para
a saúde de uma nação que se preze, mas nunca será apenas o único.

A questão é quando um a pessoa adoece é preciso procurar um médico,


to m a r rem édio, fazer cirurgia, fazer terapia, fazer o necessário para
recuperar a saúde. Mas, o que é que a gente precisa fazer, quando
um a nação inteira adoece? Que rem édios precisam ser tom ados? Que

76 COMPROMISSO

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medidas terapêuticas precisam ser adotadas? Mas, a p a rtir de Jesus, o conceito de povo de

Eainda mais, quem serão os agentes da cura? Deus passou a ser percebido de outra form a.
Jesus disse que povo de Deus é "todo aquele
Vamos ao texto. A prim eira coisa que quero
que faz a vontade do Pai".
chamar a sua atenção é para o fato de que
esta promessa se inicia com uma convocação De todos os apóstolos, aquele que m e lh o r
dirigida exclusivamente para o povo de Deus. compreendeu este novo conceito, introduzido
Deus diz: "Seo meu povo, que se chamapor
pelo
Jesus, fo i o apóstolo Paulo. Escrevendo
meu nome A pergunta é: quem é o povo aos Efésios, ele vai dizer que povo de Deus é
de Deus? Quem está incluído nesta convoca­ todo aquele que está em Cristo1.
'![ J ' } i J * >>
ção? Há m uitas tentativas de responder esta
0 apóstolo está nos ensinando é que o con­
pergunta: para alguns, povo de Deus é Israel;
ceito de povo de Deus fo i am pliado.
para outros são os católicos; outros ainda
responderão dizendo que são os evangélicos; Não é mais possível se d e fin ir povo de Deus
há ainda aqueles que dirão que são os pobres. por critérios étnicos, raciais, culturais, geo­

Esta mesma pergunta tam bém foi feita para gráficos. Acabou isso. Agora, só existe apenas

Jesus. Mateus diz que Jesus estava falando um critério universal, capaz de de te rm in a r

para uma grande multidão, quando sua mãe quem faz parte do povo de Deus. Que critério
e seus irmãos tentaram se aproxim ar dele. é esse? Esse critério é Cristo. Quem está em
Como não era m uito fácil te r acesso a Jesus, Cristo, faz parte do povo de Deus.
nem mesmo para a sua fam ília, alguém se
Quando uma nação adoece, todo aquele que
aproxim ou do Mestre e disse: "E alguém lhe
está em Cristo é chamado para:
disse: Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e
querem falar contigo. Ele, porém, respondeu 1. HUMILHAR-SE
ao que lhe falava: Quem ém inha mãe? E quem
"se om eu povo, que se chama pelo meu nome,
são meus irmãos? E, apontando com a mão
se hum ilhar [...]".
para os discípulos, disse: Aqui estão minha
mãe e meus irmãos. Pois quem fizera vontade H um ilhar-se é o p rim e iro passo que to d o
de meu Pai que está no céu, este ém eu irmão, aquele que está em Cristo, precisa d a r a
irm ã e m ãe" (M t 12.47-50). fim de que um a nação seja restaurada. Hu-
m ilh ar-se é a d m itir seus pecados e erros.
Antes de Jesus, as Escrituras Sagradas apre­
Hum ilhar-se é se despir de arrogância, é se
sentam como povo de Deus todos os descen­
despir do orgulho. Hum ilhar-se é saber que
dentes de Abraão. Sendo assim, o conceito
de povo de Deus tinha a ver com etnia, com a resposta que buscamos não virá por causa

descendência, com árvores genealógicas. ’ Efésios 2.11-22; 3.5-12.

COMPROMISSO 27

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das nossas virtudes, mas, sim , por causa da calvário. Nunca podemos nos esquecer disso.
bondade de Deus. Segunda, porque o nome de Jesus funciona
.'. " ; , ■ ;| . ■■. j ■'; i ; » não como um a senha para se o b te r tu d o o

2. DEPENDER DE DEUS que querem os, mas sim com o um filtr o para
obterm os tu d o o que precisamos, segundo
"e orar [...].
a sua vontade.
Além de hum ilhar-se, o povo de Deus precisa
orar. Orar é pedir ajuda. Porque só ora aquele c) Precisamos aprender a esperar por
que sabe que depende de Deus. Quem não uma resposta e perseverar
te m essa consciência, não ora.
Paulo, escrevendo aos efésios, ensinou:
Agora, com o devemos orar?
com toda oração e súplica, orando em todo
tempo no Espírito e, para isso mesmo, vigiando
a) Precisamos aprender a orar por todas
as coisas com toda perseverança e súplica por todos os
santos"(Ef 6.18). Precisamos estar atentos
0 apóstolo Paulo, escrevendo aos filipenses,
à maneira como Deus está respondendo às
vai dizer: "Não andeis ansiosos por coisa a l­
nossas orações.
gum a; pelo contrário, sejam os vossos pedidos
plenam ente conhecidos diante de Deus por
meio de 3. BUSCAR A PRESENÇA DE DEUS
oração e súplicacom ações de graças;
[..J "(F p 4.6). Isto significa dizer que, não há
"buscar a m inha presença
nenhum a área em nossas vidas, sobre a qual,
possamos proclam ar autonom ia em relação 0 foco da nossa oração é o Senhor Deus.
a Deus. Não existe nenhum a dim ensão da Não há nenhum problem a em querer um a
nossa existência que deva fica r de fora da resposta da parte de Deus. Mas certifique-se
nossa vida de oração. de que mais do que uma bênção do Senhor,
você quer o Senhor da bênção na sua vida.
b) Precisamos aprender a nos submeter
è m ediação de Jesus Por que a orientação de Deus é para buscar
a sua face, antes de qualquer coisa? Porque
Jesus disse: "Em verdade, em verdade vos digo
quando você busca Deus, recebe tu d o o que
que o Pai vos concederá tudo quanto lhe pedir­
des em meu nome" [lo 16.23). Por que orar em precisa. Ao passo que, se você quiser im p or

nome de Jesus? Basicamente por duas razões. a sua vo ntad e para Deus, corre o risco de

P rim e ira , porque nós só tem os acesso a perder a perspectiva da presença de Deus e
Deus, pelo que Jesus fez por nós na cruz do da sua vontade.

28 COMPROMISSO

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-
i
4 . LEMBRAR DE QUEM DEUS É, DE QUEM Há m u ita s coisas nas Escrituras Sagradas :
■J
NÓS SOMOS E DO QUE SÓ DEUS É CAPAZ onde Deus diz que há coisas das quais pre­
DE FAZER cisamos nos esquecer. Entretanto, há m uitas :

passagens em que Deus diz que há coisas


“ese afastar dos seus maus caminhosf...]".
das quais precisamos nos lem brar. Por quê?
Agora a promessa de Deus diz que precisamos
Porque quando o povo de Deus se esquece
nos "afastardos nossos maus caminhos". 0 que
dessas coisas, nos desviam os pelos "m aus
são "maus cam in h o s! Talvez, m u itos res­
caminhos". Precisamos nos lem brarde quem
pondam dizendo que são crimes, corrupção,
Deus é, de quem nós somos, e do que só Deus
injustiça. Mas nós precisamos te r em m ente
é capaz de fazer.
que estas palavras não foram dirigidas para
hom ens maus, criminosos, mas, sim, para o
povo de Deus. Estas palavras apelam para 5. TER CERTEZA DE QUE DEUS OUVE, PER­
a nossa capacidade de recordação, porque DOA E CURA
todas as vezes em que nos esquecemos de
"dos céus o ouvirei, perdoarei o seu pecado e
Deus, nós passamos a andar por "caminhos
curarei a sua terra".
maus". No livro de Isaías, nós lemos: "Haverá
. •; ti v J-v
grande destruição. Porque te esqueceste do Na promessa feita para o rei Salomão, Deus
Deus da tua salvação e não te lembraste da garante que as nossas orações pelo povo
rocha da tua fortaleza" (Is 17.9,10). 0 povo nunca fic a ria m sem resposta. Q uando o
se esqueceu de Deus, se esqueceu de quem
. povo de Deus se hu m ilha , e busca a face do
Deus é, se esqueceu do que Deus é capaz de
Senhor, e se arrepende, Deus ouve, perdoa
fazer. Então, como fruto do seu esquecimento,
e cura a terra.
eles colheram desolação.
Isto nos ensina que q u a n d o um a nação
Porque precisamos orar? Porque precisamos
adoece, o povo de Deus te m um pa pel
nos lem brar, todos os dias, de quem somos,
fu n d a m e n ta l no processo de restauração.
de quem Deus é, e do que só ele é capaz de
Mais do que contar com os homens públicos,
fazerem nossa vida, em nossas fam ílias, na
mais do que esperar das instituições, Deus
nossa nação. Precisamos nos lem brar de que
Deus é o nosso lugar de segurança. Tem m uita q u er usar o seu povo para tra n s fo rm a r o

gente colocando a sua confiança em coisas d e stin o da nossa nação. Nunca devem os

que não são capazes de garanti-las. Podem lim ita r quando, como e o quanto é capaz de

ser coisas ótim as, mas podem desabar de agir. Só Deus é a nossa Rocha e Fortaleza.
um a hora para o u tra . Só Deus pode ser a Precisamos continuar orando e intercedendo
nossa Rocha. pela nossa nação.

j
COMPROMISSO 29
1i
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[v Vylin &j S Sfla lí
b S f& ^ L i • ' ' ' . ’ .

, í . i ."
i-\.

TEXTO BÍBLICO
ORAÇÃO DE DAVI
;-: 2Samuel 22; r" ^ i b 553
| Lamentações 3; '* * * : • fB Ml HR f i &A A iyj f l In - % h
r» i j fc
; Lucas 17; Salmo 18 v.<;> d «& vi J H % 0 Su£S3

| TEXTO ÁUREO
í; 2Samuel 22.20 TRANSFORMAR

Irineu foi um dos pais da igreja. Ele foi pastor na França, na cidade de
Lyon, no século 2. É dele a seguinte frase: "A glória de Deus é um ser
humano completamente vivo1." D m se encaixa nesta descrição.

Davi ascendeu de obscuro pastor m irim ao m a ior rei da história de


Israel. Davi marcou a sua geração, como nos diz o livro de Atos dos
Apóstolos: "Porque Davi, depois de servir a sua própria geração pela
vontade de Deus, adormeceu [.]"(At 13.36). Davi foi o autor da m aioria
dos salmos cantados pela nação de Israel e que continuam inspirando
através dos séculos.

No final da vida, o rei Davi fez um balanço da sua existência. No segundo


livro de Samuel, capítulo 22, Davi narra a sua história em canção e poe­
sia. 0 mesmo texto se encontra no Salmo 18, com algumas pequenas
diferenças.
I

1 Singles, Donna. A glória de Deus é o homem vivo - a profissão de fé de santo


Irineu. São Paulo: Editora Paulus, 2010,208p.

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\
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ki■
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0 que Davi nos ensina a respeito da oração? não alim enta a nossa vida de oração, não se
■' - . ' transform a em atos de obediência, não se
PRECISAMOS APRENDER A ORAR transform a em adoração, em compromisso
COM DEUS E NÃO APENAS A DEUS2 com Deus nós entram os autom aticam ente
em aliança com o diabo. Por quê? Porque o
Nos prim eiros sete versículos Davi testem u­
diabo é o p ro tótip o daquele que sabe tud o
nha que a sua vida está mergulhada em Deus.
a respeito de Deus, mas não quer nada com
Fica m u ito claro que Deus é a razão da vida
Deus. Davi orava com Deus, nós precisamos
de Davi. Deus é rocha, fortaleza, libertador,
ta m b é m aprender a orar com Deus e não
escudo, torre alta. Davi dem onstra te r m uita
apenas a Deus.
consciência do que Deus significa para ele. . fc
. . V. . • , |,K
‘ ' <■ $
E tu d o o que Davi fo i capaz de perceber a
AO ORAR PRECISAMOS TER |
respeito de Deus, ele colocou em suas orações.
CONSCIÊNCIA DOS ATOS
À m edida que Deus ia sendo revelado ao seu
DE DEUS NA H ISTÓ R IA 3
coração, mais Davi ia incorporando Deus e a .C

sua vontade para a sua experiência concreta. A partir do versículo 8, Davi descreve a história
V

Davi não registrava nos salmos apenas con­ do povo de Deus de m odo poético. U tiliza
ceitos eruditos a respeito de Deus. Não era imagens fortes, vibrantes, para fa la r dos atos
o conceito de Deus que mais o interessava. de Deus na história. M enciona a libertação
Davi não ora apenas a Deus, mas Davi ora com do Egito. M enciona ta m b é m o livra m e n to
Deus. Isto é, não há nada que Davi soubesse através do M ar V erm elho. Faz referência à
a respeito de Deus que não fizesse parte da aliança do Sinai. No versículo 20, Davi declara:
sua vida de oração. Isto nos ensina m uito, "Trouxe-me para um lugar seguro; livrou-m e,
mas, tam bém , pode soar como uma adver­ porque se agradou de m im "(2Sm 22.20). Davi
tência de que qualquer coisa que sabemos tem consciência de que Deus não é um mero
a respeito de Deus, que não é incorporado à observador da história. Deus está agindo na
nossa vida de oração, se perde ou se torna história.
1 * 1'
• * • ' %
Deus* restá red
'
im ind o os hom ens e í

má. 0 nom e de Deus sem oração a Deus é m ulheres. Deus está contando com Davi e,
blasfêm ia. A verdade sobre Deus sem oração por isso, "deu-lhe am pla liberdade".
js
a Deus é soberba.
0 cham ado de Deus para nós consiste exa­
Uma luz vermelha se acende para nós, porque ta m e n te na p o ssib ilid a d e de c o n s tru ir o
se o que nós sabemos sobre Deus, sobre seu fu tu ro com ele. Preste atenção no que Deus
am or, sobre seu poder, sobre sua vontade, está fazendo na história. Diga para Deus em I

2 2Samuel 22.1-7. 3 2Samuel 22.8-22. j

I
II
Í
COMPROMISSO 31

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oração: Senhor, m ostra-m e o que o Senhor guerra. Como pode ser isso? Como alguém
está fazendo na história . E, por favor, me pode se considerar trabalhando para Deus
inclua em tud o quanto o Senhor estiver fa­ fazendo guerra? 0 que aprendemos com Davi
zendo. Eu quero ser contado entre aqueles é que a luta pelo reino de Deus não se dá à
que ajudaram a construir o fu tu ro de Deus. m argem das condições históricas, sociais,
Ore como o profeta Jeremias: "Lembra-te da culturais a que estamos subm etidos. Jesus
m inha aflição e amargura, do absinto e do fel. nasceu debaixo de três condições: o poder
Eu ainda tenho lembrança deles e fico abatido. romano, a cultura grega e o pecado humano.
Mas quero lem brar do que pode me dar espe­
Acredito que ninguém poderia considerara
rança. A bondade do SENHOR é a razão de não
Palestina do prim eiro século como exemplo
sermos consumidos, as suas misericórdias não
de uma era dourada. Isto nos ensina que o
têm fim ; renovam-se cada manhã. Grande é a
Espírito Santo está sempre trabalhando den­
tua fidelidade. Digo a mim mesmo: A minha
tro das nossas lim itações. 0 Espírito Santo
herança é o SENHOR, portanto esperarei nele.
não purifica as nossas condições, mas nos
Bom é o SENHOR para os que esperam nele,
capacita para tra b a lh a r dentro delas. Não
p ara quem o busca. Bom é ter esperança e
há condições que im peçam o tra b a lh o do
aguardar tranquilo a salvação do SENHOR"
Espírito Santo. Davi vive confinado na Idade
(Lm 3.19-26).
do Ferro. Ele não está isento da influência do
seu tem po. Sua tra jetória se dá em m eio à
PRECISAMOS ORAR PARA
cultura dos filisteus e à moral dos cananeus.
TER DISPOSIÇÃO DE LUTAR Também não consigo im a gina r um a época
PELA OBRA DE DEUS4 mais difícil do que a de Jesus, sob o poder de

Neste tre c h o da sua poesia, Davi fala de


com o Deus o preparou para a batalha. Davi
se apresenta como disposto a realizar a obra
de Deus. A vida do Espírito de Deus em Davi
to rn a possível a sua lu ta . Davi sabe que o
seu trabalho não está alienado de Deus. Davi
sabe que o seu trabalho é parte da solução
de Deus para este m undo. Mas, ao olharm os
para o tra balh o de Davi, ficam os espantados
porque consistia p rio ritariam en te em fazer

42Samuel 22.29-46.

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Pôndo Pilatos. Nós tam bém não podem os hom em rendido a Deus. Davi é um hom em
dizer que as nossas circunstâncias sejam tão que se entregou nas mãos de Deus. Davi se fez
favoráveis, pelo sim ples fa to de que nunca am igo de Deus. Davi é um homem segundo o
fo ra m favoráveis para n in g u é m . O nosso coração de Deus. 0 que isso nos ensina? Que
Senhor Jesus não ilu d iu os seus discípulos. orar é abrir mão da vida para depositá-la nas
Ele sabia que, assim como eles, nós tam bém mãos de Deus. Aí o que é que acontece? Acon­
enfrentaríam os m uitas aflições5. 0 m undo tece uma coisa extraordinária. Deus aceita a
em que vivem os, m u dou m u ito do ponto nossa vida e a devolve para nós. Foi isso o que

de vista tecnológico, entretanto, do ponto Jesus quis dizer quando disse: "Quemprocurar

de v is ta e x is te n c ia l, ain da co n tin u a m o s preservar a sua vida, irá perdê-la, e quem a

te n d o que lid a r com os mesmos problem as perder, este a preservará"(Lc 17.33). Quando

de sem pre. Deus nos convida a depositar a nossa vida


em suas mãos, ele não quer roubar a nossa
O m undo continua sendo um lugar violento,
vida. Ele quer nos devolver uma vida que nós
injusto, inim igo de Deus, caótico. São estas as
nem seríamos capazes de imaginar. Quando
mesmas circunstâncias enfrentadas pelos ser­
Deus nos convida a depositar nossa vida em
vos de Deus ao longo dos séculos. Ninguém,
suas mãos, ele não o faz apenas para atender
que tenha decidido viver uma vida santa e
nossas necessidades, mas, sobretudo, para
dedicada a Deus, encontrou circunstâncias
nos transformar. Davi era um m enino quando
favoráveis. Por isso, precisamos aprender a
Deus o chamou. Desse menino, Deus fez um
orar como Davi: "Com o teu auxílio enfrento
pastor de ovelhas. De um pastor de ovelhas,
um a tropa; com o meu Deus salto uma Deus fez um general. De um general, Deus
ralha" (S118.29). Isto é, Deus é aquele que fez um rei. De um rei, Deus fez um homem
nos fortalece a fim de nos ajudar a superar segundo o seu coração.
as dificuldades que, sem ele, não teríamos
0 cham ado de Deus à oração tem a ver com
a m enor chance.
algum a necessidade que precisa ser atendi­
da, algo para ser realizado, mas, sobretudo,
PRECISAMOS ORAR COM
tem a ver com um convite à mudança. Um
CORAGEM PARA M U D A R 6
coração tra nsfo rm ad o é a m aior prova de
No fin a l da sua oração, Davi adora a Deus. que tem os uma verdadeira vida de oração
Um coração que adora é tam bém um coração diante de Deus. Quem ora experim enta as
que teve a coragem de se render. Davi é um verdadeiras mudanças. Porque as verdadei­ c
ras mudanças, sempre acontecem de dentro i
5João 16.33.
62Samuel 22.47-50. para fora.

J
COMPROMISSO 33

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I
TEXTO BÍBLICO
Mateus 6; Lucas 11

TEXTO ÁUREO
Mateus 6.9-11

■ vV ' * ** *•" * * * .

1
No início da era cristã, a espiritualidade pessoal judaica era caracte­
rizada por três elementos principais: esmolas, oração e je ju m 1. Jesus
valorizou essas práticas, contanto que realizadas com um a a titu d e
interior correta, dando ênfase especial à oração. Ele estabeleceu alguns
princípios a serem observados quanto a oração: prioridade da oração
particular, discrição e hum ildade2 ("fechada a po rta "), ob jetividade3
(sem "vãs repetições") e confiança no cuidado paternal de Deus. Essas
orientações fornecidas por Jesus tin h a m mais a ver com a a titu d e
do que propriam ente com o conteúdo da oração. Até que, Lucas, no
seu Evangelho, nos relata que os discípulos pediram que Jesus lhes
ensinasse a orar4.

Isto não significa dizer que eles não soubessem como orar. Alguns
deles já tin h a m uma cam inhada espiritual. Alguns deles foram discí­
pulos de João Batista. Qual foi, então, o significado do pedido deles?
Na verdade, eles queriam orar como Jesus orava. Era com um que os

'Mateus 6.1-18,
1 Mateus 6.6.
'Mateus 6.7.
4 Lucas 11,1.

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mestres ensinassem seus discípulos a orar. Em primeiro lugar, Jesus nos ensina re­
Eles, então, estavam pedindo que o Senhor cuperar a dimensão da paternidade de
Jesus lhes ensinasse a orar de acordo com Deus e honrar o seu nome
esta nova m aneira de o lh a r para a vida.
"Pai nosso que estás no céu, santificado seja
Aqueles hom ens tin h a m sido p ro fu n d a ­
o teu nome".
m ente afetados pela m ensagem de Jesus.
Por esse m otivo, não seria mais possível orar Jesus nos ensina a chamar Deus de nosso Pai
como eles oravam antes. Agora, eles iriam (pater). Isto foi revolucionário. 0 conceito da
aprender a ajustar suas orações a esse novo paternidade de Deus não era exatamente es­
je ito de viver. tranho para o am biente do AntigoTestamen-
V " Y ;Í .-••• 1 :'■■■- .\r.!f'.;
A oração conhecida como"Pai nosso" precisa to. Deus é mencionado como Pai pelo menos

ser vista, então, não como um conjunto de umas quatorze vezes no A ntigo Testamento.

palavras que precisam ser repetidas à exaus­ Deus era considerado Pai de Israel5. Mas é com

tão. A oração do "Pai nosso" é m uito mais do Jesus que o conceito da paternidade de Deus

que isso. Nela, Jesus nos ensina as dimensões ganha densidade e am plitude. Deus é o nosso
pelas quais nós precisamos aprender a orar. Pai e isto im plica que todos nós podemos nos
Ela funciona exatam ente como um modelo aproximar confiantes no seu cuidado e amor*.
para a nossa vida de oração. Éverdade que o nosso conceito de Deus, como
Pai, pode ser aprim orado ou d ificulta do em

Oração do Pai nosso função da nossa experiência fam iliar. Entre­


tanto, as pessoas que tiveram um pai amoroso
Pai nosso que estás no santificado seja
e cuidadoso compreenderão instintivam ente
o teu nome;
o que Jesus estava querendo ensinar. Jesus
venha o teu reino, seja feita a tua vontade,
nos ensina que, ao m esm o tem po em que
assim na terra como no céu;
podemos estabelecer com Deus uma relação
o pão nosso de cada dia nos dá hoje;
íntim a e afetuosa, precisamos saber honrá-
e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como lo. A expressão "santificado seja o teu nome"
também temos perdoado aos nossos deve­ demonstra uma grande reverência pelo nome
dores; de Deus. Com isto, Jesus está nos ensinando
r. ;V . •. • " , ;' • í
e não nos deixes entrar em tentação; mas a iniciar nossas orações motivados por am or
livra-nos do mal. e senso de temor.
[Pois teus sãoo reino, o poder e a glória, para s Isafas 63.16.
sempre. A m ém ]"-M ateus 6.9-13. ‘ Lucas 11.10-13.

COMPROMISSO 35

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Em segundo lugar, Jesus ensina que a entre nós, assim como é feita nos céus. Isto
vida, da maneira como nós a vivemos, é, precisamos m irar no padrão do céu. C. S.
ainda não reflete a expressão mais pro­ Lewis um dos maiores pensadores cristãos,
funda da vontade de Deus do século 20 disse: "M ire no céu e você terá

"venha o teu reino, seja feita a tua vontade, a terra por acréscimo. Mire na terra e você

assim na terra como no céu" não terá nenhuma das duas coisas"7.

0 mundo em que vivemos é injusto, violento, 0 problem a é que, diante desse estado de

m u ita coisa não faz sentido, exatam ente coisa, m uitas pessoas responsabilizam os

porque ainda está em desarm onia com o céus. Elas veem que há crianças morrendo de

céu. 0 mundo está em desarmonia com o céu fome, então elas acusam a Deus. Testemu­

porque nós adotamos um padrão existencial nham tantos atos de violência, de injustiças,

e e sp iritu a l com pletam ente diferente do e responsabilizam a Deus. Há pessoas que


padrão do céu. E, enquanto este m undo in­ não creem em Deus por causa da maneira
sistir em funcionar com um padrão diferente como o m undo se encontra. Elas se pergun­
do padrão do céu, nada vai fazer sentido. tam : se Deus existe, como é que essas coisas
Vai continuar dando tudo errado. 0 mundo acontecem? Jesus nos oferece a resposta, na
estabeleceu a m entira como padrão, mas oração do Pai Nosso. Deus não é responsável
o padrão do céu é a verdade. No m undo, pela maneira como o m undo se encontra.
as pessoas são m otivadas pela ganância, Se nós choramos pelo fato do m undo estar
mas o padrão do céu é a justiça. 0 mundo como está, Jesus tam bém chora8. 0 m undo
continua apostando na guerra, mas o padrão opera em uma lógica totalm e nte contrária
do céu é paz. No mundo, cada um quer se à lógica de Deus. É por esta razão que Jesus
servir do seu próximo, mas o padrão do céu nos ensinou a orar clamando pela vontade
é cada um servir o seu próximo. No m u n­ de Deus.
do, as pessoas continuam acreditando na
A oração do Pai Nosso não propõe um a
vingança, mas o padrão do céu é o perdão.
Então, Jesus nos ensinou a orar a fim de que atitude passiva diante do caos do mundo.

a vontade de Deus seja feita na terra, assim Jesus nos oferece um desafio. Nós não somos

como é feita no céu. 0 que acontece é que, na chamados apenas para constatar o estado

terra, ainda vivemos uma grande colisão de de coisa do m undo. Nós somos chamados

vontades. Haverá um dia em que a vontade como aqueles que são aliados de Deus na

de Deus prevalecerá sobre todas as outras. construção do seu reino. Nós somos aqueles

Mas, por enquanto, no mundo, precisamos ' lewis, (. S. Cristianismo puro e simples.
orar para que a vontade de Deus seja feita •Lucas 19.41.

36 COMPROMISSO

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que ora m : "venha o teu reino, seja feita a da nossa vida, em toda a sua com plexidade.
tu a vontade, assim na terra como no céu; Jesus quando ora a oração do Pai Nosso, o faz
Não há nenhum a passividade em orar em aramaico. E, no aramaico, esta expressão:
assim. Q uanto pode nos custar c o n trib u ir "o pão nosso de cada dia nos dá hoje" em uma
para que a vontade de Deus seja fe ita entre tradução mais literal seria assim: "dá-noshoje
nós? Pode ser que eu seja incom preendido o nosso pão de am anhã"11, em um a alusão
em alguns m om entos. Pode ser que q u e i­ m u ito clara ao maná que Deus dava para o
ram m e silenciar. Pode ser que queiram até povo no deserto, o maná que era um pão
m e perseguir. Mas Jesus nos ensinou que é diário, e que não servia para ser guardado
bem -aventurado aquele que á perseguido para o dia seguinte, exceto na sexta-feira,
por causa do evangelho9. quando o maná era dobrado, dado para a
sexta e para o sábado. Do mesmo modo, Jesus
nos ensina a orar, confiando em Deus que
Em terceiro lugar, Jesus nos ensina a
a provisão para am anhã já está ga rantida
confiar em Deus para suprir nossa vida
para nós, hoje. Nós tem os um am anhã. Nós
"o pão nosso de cada dia nos dá hoje". não precisamos andar ansiosos. Quem anda

Numa leitura rápida e superficial, dá impres­ com Deus, sabe que o seu dia seguinte já

são de que Jesus está nos ensinando a suplicar está g a ra n tid o , hoje. Não dependerá das

pela provisão do pão nosso de todos os dias. circunstâncias do am anhã.

Mas, na verdade, Jesus está falando do pão


como metáfora para tudo o que nós, como se­ CONCLUSÃO
res humanos, precisamos para nos m anter na Aprender a orar com Jesus significa aprender
vida, tudo o que um ser humano precisa para a conhecer mais o Senhor Deus e a honrar o
viver, como um ser humano, inclusive, o pão seu nom e. Aprender a orar com Jesus é nos
diário. A súplica pelo pão equivale à súplica com prom eter para que a vontade de Deus
por saúde, por afeto, portrabalho, p o rd ig n i- seja fe ita em nossa vida, e por interm é dio
dade. A súplica pelo pão tam bém equivale à de nós. A prender a orar com Jesus é apren­
súplica pelo sustento espiritual. Uma vez que der a deixar de andar ansioso e agradecer,
o próprio Senhor Jesus se apresentou como a n te cip a d a m e n te , pela provisão de Deus
o pão que desceu do céu10. Então, quando para a nossa vida.
Jesus se refere ao pão, ele está se referindo
a tu d o o que precisamos para a m anutenção

11 Bíblia, volume 1: Novo Testamento: os quatro Evan­


’ Mateus 5.10-12. gelhos. Tradução do grego por Frederico Lourenço. 1.
i
'“João 6.51. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2017. .

:t

COMPROMISSO 37

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TEXTO BfBLICO
Mateus 5; 6; 26;
Lucas 18; 2Coríntios 12;
1Pedro S; Efésios 6

TEXTO ÁUREO
Mateus 6.12,13

Depois de nos ensinar a orar, a fim de conhecer o lado paterno de Deus,


a nos comprometer para que a vontade de Deus seja feita neste mundo,
e a contar hoje, com o pão diário de am anhã, Jesus continuou a revelar
que outras dimensões precisam estar presentes em nossas orações.

Jesus nos ensinou a lidar com a confissão e com o perdão

"e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como também temos perdoado


aos nossos devedores".

Jesus nos encoraja a confessaras nossas dívidas diante de Deus. Se, por
um lado, isto nos ensina que não há espaço para aqueles que se julg am
perfeitos, entre os seguidores de Jesus, por outro lado, tam bém nos
ensina, que não há espaço para aqueles que se ju lg a m tão pecadores,
a tal ponto de não poderem ser contados entre aqueles que seguem
o Senhor Jesus. Jesus nos ensina esse princípio na parábola do fariseu
e do publicano1. Nos dias de Jesus, os fariseus eram aqueles que se
consideravam moral e espiritualm ente perfeitos. Eram zelosos quanto
ao estrito cum prim ento da Lei de Deus. Por causa disso, os fariseus se
sentiam no direito de receber as bênçãos de Deus. Na sua oração, o
fariseu agradeceu por não ser como os demais homens, ladrões, injus-

' Lucas 18.9-14.

3 8 COMPROMISSO

t
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tos e adúlteros e, ainda, por não ser como profundamente, dizendo: Ó Deus, tem miseri­
um publicano. Aproveitou para desfilar suas córdia de mim, um pecador" (Lc 18.13).
virtudes: "Jejuo duas vezes por semana e dou
Após contar esta parábola, Jesus disse que
o dízimo de tudo quanto (h
n
agLc 18.11,12).
o publicano vo lto u para casa ju s tifica d o e
Mas, sua oração não passou do teto, um a
concluiu dizendo: "pois todo o que se exaltar
vez que ele apenas "orava consigo mesmo"
será humilhado; mas o que se hum ilhar será
(Lc 18.11). Isto é, a única coisa que o fariseu
exaltado"(Lc 18.14).
conseguia considerar, enquanto orava, era
a sua suposta perfeição. Isso acontece com Na oração do Pai Nosso, o Senhor Jesus nos
ensina a confessar os nossos pecados a Deus.
todos aqueles que se acham capazes de viver
Confessar é contar para Deus exatam ente
à altura do padrão de Deus.
quem nós somos, com toda a sinceridade do
Mas, além do fariseu, havia tam bém um pu­
nosso coração. E, ao fazê-lo, ter a consciência
blicano. Os publicanos eram uma classe de
de que não estam os co n ta n d o ne nhu m a
funcionários públicos que cobravam impostos
novidade. Deus sabe m u ito m ais a nosso
do povo para o im pério romano. Eram reco­
respeito do que nós mesmos. Quando nós
nhecidos por sua corrupção, praticada tanto
decidimos ser absolutam ente sinceros dian­
contra o povo, quanto contra o erário público.
te de Deus, Deus sem pre nos revela coisas
"Havia duas classes de coletores. A prim eira
novas que ainda não estavam claras para
pertencia à ordem romana equestre2, os quais
nós. Coisas que nos ajudam , que nos escla­
agiam com o diretores do sistema. A outra
recem. Foi assim quando o apóstolo Paulo
se com punha de empregados contratados,
declarou a sua fraqueza m otivada pelo que
usualm ente aproveitados da população da
ele mesmo cham ou de "espinho na carne"\
localidade. OTalmude classificava os pu b li­
Deus disse para o apóstolo dos gentios: "A
canos como ladrões e assassinos e, portanto,
m inha graça te é suficiente, pois o meu poder
além do alcance do arre pen dim e nto e da
se aperfeiçoa na fraqueza [...]" (2Co 12.9).
vida eterna"3. Mas, ao contrário do fariseu,
Paulo não sabia disso. Ele im aginava que
0 publicano enquanto orava, "nem mesmo
quando se sentisse fo rte , isto era a m a io r
levantava os olhos ao céu, mas lam entava-se
^ [f , • • l **
1 evidência da presença de Deus na sua vida.
1A ordem equestre romana formava a mais baixa das Paulo não sabia que o poderde Deus pudesse
duas classes aristocráticas da Roma Antiga, estando se aperfeiçoar, exatam ente por m eio da sua
abaixo da ordem senatorial. Era formada por plebeus
fraqueza. Isto nos ensina que quando nós nos
que eram chamados de equestres por andar a cavalo.
1 Champlin, Russel Norman. O Novo Testamento dispom os a contar a nossa vida para Deus,
interpretado versículo por versículo. Trad. João com toda a sinceridade, Deus sempre acaba
Marques Bentes. São Paulo: Milenium Distribuidora
Cultural Ltda. p.176. Vol. 2. - < :• 42Coríntios 12.7.

COMPROMISSO 39

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d ia n te de Deus5. Sendo assim , Deus, p o r
sua in fin ita bondade, tom ou a decisão de
nos perdoar, por in te rm é d io do sacrifício
do seu Filho. Jesus assumiu a cruz, porque
não havia nada que nós pudéssemos fazer
para reparar o dano contra Deus. Então,
Jesus está no ensinando que a lógica do
evangelho deve in s tru ir a m aneira com o
lidamos com aqueles que nos causam algum
dano impossível de ser reparado. Perdoar é
revelando realidades que antes não estavam parar de cobrar de alguém um a dívida que
na nossa consciência, porque existem rea­ não pode ser paga. É para isso que exis­
lidades que só Deus é capaz de nos revelar, te o perdão. E n tre ta n to , e n tre saber que
m ais ninguém . precisamos perdoar e perdoar de fa to vai
uma grande distância. Como a oração pode
nos ajudar? É sim ples, orando por aqueles
Jesus nos ensina a perdoar aqueles que
■ :'
que não têm como reparar o m al que nos
nos ofenderam
fizeram , até que o perdão se co m ple te.6
Talvez esta seja uma das dim ensões mais
difíceis de serem com preendidas por nós: Jesus nos ensina a lidar com a tentação
"perdoar os nossos devedores". É assim e com o maligno
porque, para nós, o significado da palavra
"e não nos deixes entrar em tentação; mas
perdão ficou m u ito diluído. Usamos ind e­
livra-nos do m a
vid a m e n te a palavra perdão para situações
Na oração do Pai Nosso, Jesus tam bém nos
que podem ser remediadas de algum modo.
ensina a orar pedindo a Deus para nos livrar
E n tre ta n to , a palavra perdão só pode ser
da tentação. Por quê? Porque a tentação em
aplicada para dívidas impossíveis de serem
vez de ser o m om ento em que o crente é cha­
pagas. Isto é, para aquelas situações em que
mado a mostrar toda a sua capacidade moral,
a pessoa que nos ofendeu jam ais terá como intelectual e espiritual, de enfrentar as ciladas
nos ressarcir. Foi Deus quem nos ensinou a malignas, ela é, na verdade, a ocasião em que
verdadeira dim ensão do perdão, porque a se evidencia a nossa fraqueza diante de um
nossa dívida para com Deus era im pagável. inim igo m uito mais poderoso do que nós. Ser
É por isso que o apóstolo Paulo nos ensinou s Efésios 2.9.
que as obras não servem para nos ju s tific a r 6 Mateus 5.44.

4 0 COMPROMISSO

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pessoalmente o diabo por ocasião da te n ta ­
ção no deserto. Jesus tam bém precisou lidar
com m uitas pessoas possuídas por espíritos
imundos. Jesus nos ensina a orar pedindo a
Deus que nos livre da m alignidade com a qual
o diabo e seus anjos podem atingir nossa vida.
É uma das maneiras mais eficazes de resistir

tentado não é o mesmo que ser provado. Por as ai*ões ^ oran^°-


isso, Jesus nos ensina a não pedir que Deus 0 apóstolo Pedro nos ensina a resistir ao diabo
nos dê forças para enfrentar a tentação, mas, COm sobriedade e vig ilância12. Jesus nos en-
sim, que ele r>os livre da tentação antes que sj nou q Ue vigilância e oração sempre andam
efa encontre o seu lugar em nós. juntas. Depois de descrever a arm adura de

Foi por esta razão que, quando estava reunido Deus13, o apóstolo Paulo concluiu: toda
com os seus discípulos, na noite em que seria oração e súplica, orando em todo tempo no
traído, Jesus lhes a d v e rtiu :" Vigiai e orai, Espírito"(Ef 6.18).
para que não entreis em tentação; o espírito
está pronto, mas a carne é fraca" (M t 26.41). C O N C LU SÃO

Jesus nos forneceu as verdadeiras razões que


Jesus nos ensina a orar pedindo que devem orientar e justificaras nossas orações.
Deus nos livre do mal É orando que recuperam os a dim ensão da

Orar pedindo que Deus nos proteja de todas paternidade de Deus, ao mesmo tem po em

as realidades, de todos os seres que existem que aprendem os a te m e r o Senhor. É por


com uma única finalidade: nos destruir com m eio da oração que nos co m pro m ete m os
a sua maldade. As Escrituras Sagradas ates­ com' Deus e com a sua vontade, e aprendemos
tam: a existência de seres malignos. Na Bíblia, a descansar sabendo que o pão de am anhã
é possível encontrar vários nomes, com os já está g a ra n tid o para nós, hoje. É orando
quais o m a ligno é cham ado: satanás7, pai que aprendemos a confessar e nos dispomos
da mentora8, belzebu9, te n ta d o r101, príncipe a perdoar. É por in te rm é d io da oração que
deste m undo11 etc. Jesus teve que enfrentar
tom am os a consciência dos livram entos de
7João 1.6. Deus e nos tornam os vigilantes para resistir
8João 8.44. às ciladas do m aligno.
’ Mateus 12.27.
,0 Mateus 4.3. U 1 Pedro 5.8,9.
11 João 14.30. 13 Efésios 6.10-18.

COMPROMISSO 41

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;] TEXTO BÍBLICO
5 Mateus 6; 7;
ii Lucas 17; Jeremias 29;
\ ITessalonicenses 5
i
; TEXTO Aü REO
f Mateus 6.6

V.

Qual é o lugar da oração? Jesus respondeu dizendo que o lug ar da


oração é no quarto secreto1. No grego mais antigo, o te rm o qu a rto
secreto significava depósito ou despensa do adm inistrador da casa.
Isto é, um lugar onde ninguém suspeitaria encontrar alguém orando.
Só o adm inistradortinha acesso a aquele lugar, uma vez que era o seu
lugar de privacidade2.

Como devemos entender o significado das palavras de Jesus? 0 que


significa irr para o quarto, fechar a porta e orar em secreto? Há basica­
m ente duas maneiras de interpretar as palavras de Jesus.
y♦
’; * *' * \»i 1. ' * *,<[■' . ' : •"

IR LITERALMENTE PARA O SEU QUARTO,


TRANCAR A PORTA EALI ORAR

Particularmente, eu acredito que é m uito bom separar um lugar longe do


barulho, longe do m ovim ento só para orar. Entretanto, eu não acredito
que esta seja a m elhor interpretação para as palavras de Jesus, porque
ele mesmo orava em público. Orava com os seus discípulos, orou em
público na ressurreição de Lázaro e na m ultiplicação dos pães e peixes.
Não me parece que Jesus estava ensinando que a oração só poderia

1Mateus 6.6.
2 CHAMPLIN, Russel Norman. O Novo Testamento interpretado versículo por
versículo. Trad. João Marques Bentes. São Paulo: Milenium Distribuidora Cultural
Ltda. p.321. Vol. 1.
ser feita no isolam ento e no silêncio de um cham am de coração3. Só Deus é capaz de

cômodo isolado. enxergar este lugar. É esse lugar que Jesus


chamou de"quarto secreto", onde nós preci­

AO ORAR, DEVEMOS FAZER DO samos orar. É nesse lugar, onde só cabemos

M A IS PROFUNDO DO NOSSO SER nós e Deus, que Deus espera ser buscado. É
desse lugar que Deus nos ouve e responde
Por que penso que este é o verdadeiro signi­ às nossas orações.
ficado que Jesus quis dar às suas palavras?
Porque Jesus não está fazendo um contraste COMO DEVEMOS ORAR A DEUS
entre público e privado, mas, sim , entre a NO QUARTO SECRETO?
hipocrisia e a sinceridade. Nos primeiros ver­
1) Com hum ildade
sículos do capítulo 6, Jesus está recriminando t 1* . • i • ., , . • * ! •. ' .’ . .» * ví ’ '

Jesus disse: "Pedi, e vos será dado; buscai, e


os hipócritas que oram em pé nas esquinas a
achareis; batei, e a porta vos será aberta". Pois
fim de serem vistos e louvados pelas pessoas.
todo o que pede, recebe; quem busca, acha; e
0 problem a apontado por Jesus não é tanto
ao que bate, a porta será aberta" (M t 7.7,8).
uma questão de localização, mas, sim, de ati­
0 versículo 8 é a chave para com preender­
tude. Então, Jesus está ensinando que todas
mos como devemos orar no qu arto secreto.
as vezes que orarmos, precisamos fazer uma
Devemos orar com h u m ild a d e . Orar é um
escolha, ou op ta r pelo elogio das pessoas
exercício de dependência. Certa vez, passei
como recompensa pela exposição da nossa
em fre n te a um a igreja que exibia, na sua
piedade ou vamos optar por receber única e fachada, um en o rm e outdoor com letras,
exclusivamente a recompensa de Deus, que garrafais, onde se podia ler:"Cam panha das
nos vê, em secreto. 7 noites de conquistas". Pensei o quanto esta
campanha estava equivocada, pelo sim ples
Com isso, Jesus está ensinando que não tolera
fato de que precisamos te r sempre em m ente
os m arqueteiros de si m esmos; Jesus não
que, entre nós, só existe um conquistador e
tolera as pessoas que fazem as coisas legais
f. ) . o seu nom e é Jesus. É em nom e dele que as
para aparecer, sobretudo, quando o que está
nossas orações são dirigidas ao Pai. Deus não
em jogo é a dim ensão da nossa piedade.
nos convoca para conquistar, mas, sim, para
Agora, se nós esperamos que Deus ouça e viver debaixo da graça. Quem vive debaixo da

responda às nossas orações, vamos preci­ graça sabe que vive de favor. Mas aí alguém

sar orar a pa rtir do lugar, onde só Deus nos poderia perguntar: mas e a nossa parte? Nós

enxerga. Que lugar é esse? Há um lugar no não tem os que fazer a nossa parte? Afinal de

mais profundo do nosso ser, que as Escrituras 3Jeremias 29.13.

COMPROMISSO 43

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contas, Deus não ajuda a quem cedo m adru­
ga? É verdade que, na Bíblia, nós encontrare­
; “yj
mos Deus pedindo esforço e coragem dos seus
servos. Foi assim com Abraão, Moisés, Josué,
Maria, Pedro, Paulo e com muitos outros. Mas
nós não podem os nos esquecer de que fo i
o próprio Senhor Jesus quem disse:
também vós, quando fizerdes tudo o que vos for
ordenado, dizei: Somos servos inúteis; fizemos IM íiW M llíM A £

somente o que devíamos fazer" (Lc 17.10).


Jesus não queria hum ilhar os seus discípulos,
mas apenas m ostrar para eles que, mesmo
i: : r.ri r r' V. n ; * á oV- - - s & r '•<
depois de terem feito tudo o que estivesse ao
alcance deles, ainda assim, eles precisariam
te r a consciência de que eram completamente
dependentes da graça de Deus. 2) Confiando na bondade de Deus

Este mesmo princípio está presente no evento Jesus nos ensinou a confiar na bondade de

da pesca maravilhosa4. Qual é o princípio? Nós Deus. Ele disse: "Quem dentre vós, se o filho

podem os fazer tu d o o que estiver ao nosso lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe

alcance, mas nunca devemos nos esquecer de pedir peixe, lhe dará uma cobra?" [tM 7.9,10).

quem tem os peixes. Orar é saber que Deus


tem os peixes. Em outras palavras, os nossos 3) Com perseverança

esforços, por melhores que sejam, por mais No Evangelho de Lucas, capítulo 18, Jesus
dedicados que sejam , não conseguem dar pronunciou a parábola de um ju iz que não
conta da vida em toda a sua complexidade. A te m ia a Deus e nem se im p orta va com as
vida é m uito m aior do que nós. Nós podemos pessoas. Mesmo sabendo disso, todos os dias
nos esforçar, podemos ser m uito bons no que um a viúva batia na porta do ju iz dizendo:
fazemos, podem os ser m u ito dedicados mas "julgue m inha causa, julgue m inha causa".
quando entrarm os no quarto secreto, para 0 juiz, mesmo sendo mau, atendeu ao seu
orar, precisamos nos lem brar de que mes­ pedido, a fim de não ser mais im portunado
m o depois de term os fe ito tudo, da m elhor por aquela viúva.
m aneira possível, ainda assim nós irem os
Jesus não está com parando Deus com um
precisar daquilo que só Deus é capaz de fazer.
ju iz injusto. Mas está nos ensinando que, se
4 Lucas 5.1-7. até um ju iz injusto, por razões egoístas, foi

44 COMPROMISSO

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capaz de fazer justiça, o que Deus que é justo assim! Então, porque oramos? Oramos perse­
e bom não será capaz de fazer por aqueles verantem ente a fim de nos lem brar de quem

que confiam nele? fom os, de quem somos e em quem estamos


comprometidos a ser. Oramos todos os dias, a
Até aí tu d o bem, mas resta-nos ainda uma
fim de não sermos tragados pelo m al.
p e rg u n ta : Por que é que nós precisam os
in sistir com Deus se ele é bom , se ele nos Perseveramos em oração a fim de aprender

ama, se ele é o guardião da nossa justiça, se todos os dias a nos subm eter à vontade do

nós podem os ficar tranquilos porque Deus Pai. Oramos perseverantemente para trazerà

não irá se esquecer de nós, então, por que nossa m emória tudo aquilo que traz esperan­

perseverarem oração? ça. Oramos todos os dias para nos lem brar de
que nada poderá nos afastar do am or de Deus
Acredito que a resposta para estas perguntas
que está em Cristo Jesus. Oramos sem cessar
está nas motivações que nos levam a orar. Se
porque sabemos que Deus não se esqueceu
oramos apenas com o in tuito de satisfazer os
de nós e que vai fazer a nossa justiça brilh a r
nossos desejos e nossas vontades, para obter
como sol do m eio-dia.
1* f . *j I.% . 1J l
bênçãos, favores de Deus ou ainda quando
É por isso que precisam os perseverar em
algo sai do nosso controle. Então, realmente
oração todos os dias. Porque tod as as ve­
não sentirem os a necessidade de ser perse­
zes que somos d o m ina do pela ansiedade,
verantes em oração.
ir f j * c íj m tom ados pela ganância, pelo s e n tim e n to
A gora, se Deus é para nós apenas um fo r­ de vingança, pelo m edo; todas as vezes que
necedor de bênçãos, alguém a quem nós somos dom inados por pensam entos ruins e
buscamos nas horas difíceis ou aquele que por desejos maus que te n ta m nos em purrar
quebra os nossos galhos. Então, não faz o para o abism o; todas estas coisas nos dizem
m enor sentido perseverar em oração. Ora­ que estamos longe do nosso qu arto secre­
rem os apenas qu and o precisarm os. Mas, to, e que precisamos vo lta r a perseverar em
não é isto o que a Bíblia nos ensina. A Bíblia oração.
toda nos exorta a orar sem cessar, orar em
todo o tem po, a perseverar em oração5. Por CONCLUSÃO
quê? Porque oração não é um botão que nós
Nesses dias de grande exposição da vida
apertamos para receber uma bênção de Deus.
privada, as palavras de Jesus chegam a nós,
Deus não é um velhinho que tem um depósito
co nvidando-nos a ree nco ntrar o cam inho
grande cheio de bênçãos só esperando que
para o nosso "qu arto secreto", porque é na
alguém faça um pedido. Não! Deus não é
dim ensão do coração que Deus quer se en­
s ITessalonicenses 5.17. contrar com os seus filhos.

COMPROMISSO 4 5

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TEXTO BÍBLICO
2Coríntios 1;
Romanos 15;
Efésios 1;3;
Filipenses 1

TEXTO ÁUREO
Efésios 3.16-19

O apóstolo Paulo entende a oração como um in s tru m e n to poderoso


para a missão de Deus no m undo. Escrevendo aos co rín tio s, no
capítulo 1, ele agradece a parceria de oração. Paulo co m p a rtilh a ,
com os crentes de Corinto, as dificuldades da viagem m issionária. 0
apóstolo quer que a igreja saiba das dificuldades, dos riscos, do medo
da m orte que eles tiveram que enfrentar. E, no fin a l do seu relatório
missionário, Paulo reafirm a a sua confiança na providência de Deus,
como resultado das orações dos irm ãos. Paulo assim escreveu: "É
nele que esperamos, e ele ainda nos livrará, com a ajuda tam bém de
vossas orações por nós, para que, pelo favor que nos fo i concedido
pela intercessão de muitos, tam bém por muitos sejam dadas graças
a nosso respeito"(2Co 1.10,11).

No texto, o apóstolo dos gentios não estava falando do conforto que


sentiu quando soube das orações da Igreja de Corinto. Não. 0 apóstolo
entende que a oração dos irmãos foi decisiva para superar obstáculos
que, do ponto de vista humano, não seriam possíveis. Paulo acreditava
que, enquanto ele e seus com panheiros estavam naquela jorn ada
missionária, os crentes de Corinto estavam travando uma batalha por

46 COMPROMISSO1

1 BS •
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m eio da oração, e que as orações dos irmãos a im portância e 0alcance das nossas orações,
produziram um pro fun do im p acto no que quando 0 que está em jo g o é a missão de
estava acontecendo. Deus no m undo.
f i * ' .■) . . 1• ■-11. ’ 1, I Obi! i ■-1■‘
Paulo acredita na oração como um in s tru ­
ORANDO PELA MISSÃO DE DEUS
m e nto de lu ta e s p iritu a l. Ao convocar os
irmãos da igreja de Roma a se unirem a ele 0 que fazer para que as nossas orações pas­
em oração, Paulo escreveu: "Rogo-vos, irmãos, sem a focalizar a missão de Deus no mundo?
por nosso Senhor Jesus Cristo e pelo am or do Orar pela missão de Deus é a m aneira mais

Espírito, que luteis juntam ente comigo nas básica de p a rtic ip a r de tu d o a q u ilo 0 que
vossas orações em meu favor diante de Deus" Deus já está fazendo no m undo e ao m eu

(Rm 15.30). A palavra usada por Paulo, aqui redor. Oramos pela missão de Deus quando:

traduzida como luta, é synagonizomai, cujo • Oramos a fim de que 0 evangelho seja
pre fixo syn expressa um tip o de lu ta , em anunciado para todos os povos e nações,
contexto de sofrim ento, que pode chegar, para a m inha cidade, para 0 m eu bairro e
inclusive, ao m a rtírio 1. para as pessoas com quem m e relaciono;

O conceito que o apóstolo Paulo tinha a res­ • Intercedemos pelo crescimento da Igreja de
peito da oração era bem diferente da maioria Cristo, inclusive, a m inha com unidade local;
das motivações que nos levam a orar hoje.
• Intercedem os pelos m issionários, pelos
Orar, para o apóstolo, era o mesmo que lutar,
pastores, pelos que trabalham e se esforçam
e lu ta r pelo progresso da missão de Deus.
pelas causas do reino e pelos irmãos e irmãs, a
E ntretanto, a m aioria das nossas orações,
fim de que permaneçam firm es no propósito
em nossos dias, está relacionada com as
de Deus para as suas vidas;
nossas necessidades pessoais. Oramos por
m o tivos sérios como, necessidades fin a n ­ • Clamamos pela igreja perseguida, pelos

ceiras, conflitos pessoais, enfermidades, bem irmãos e irmãs que pagam até mesmo com

como por m otivos frívolos como, encontrar suas vidas, pelo simples fato de confessarem

uma vaga no estacionam ento do shopping, Cristo como Senhor e Salvador.

pela festinha de aniversário, pelos nossos


sonhos de consumo. Não há nada de errado AS ORAÇÕES DO APÓSTOLO PAULO

em apresentar a Deus nossas necessidades e Antes de olhar para as orações do apóstolo


desejos, mas acredito que temos subestimado Paulo, é preciso salientar que grande parte
da sua vida de oração estava voltada para
' Dicionário Internacional de Teologia. São Pau­
lo: Vida Nova, p. 91.Vol.3. a missão de Deus. Paulo tin h a m uitas pes-

1
COMPROMISSO 47

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soas sob seus cuidados pastorais. Ele havia prim eira oração, Paulo ora pela unidade dos
plantado igrejas em toda a Ásia M enor e, irm ãos, e na segunda, pela alegria e paz.
m uitos desses recém -convertidos estavam Por quê? Porque Paulo acredita que ta n to a
enfrentando perseguições, m uitos estavam unidade quanto a esperança seriam decisivos
passando necessidades, mas em todas as para o fo rta le c im e n to do te ste m u n h o da
ocasiões em que o apóstolo Paulo ora, o
igreja na cidade. Paulo sabia que quando os
seu foco é a missão de Deus. Existem 21
estrangeiros vissem a unidade da igreja, eles
ocasiões em que o apóstolo Paulo ora em
seriam atraídos para Cristo. Na segunda ora­
suas epístolas. Em todas essas ocasiões,
ção, Paulo ora por alegria e paz em m eio ao
Paulo ora vinculando uma situação ou uma
*“ . * 5 . i . t • \t - * i * *' V ** ** tu m u lto de suas vidas, para que transbordem
pessoa à missão de Deus no mundo. Vejamos
de esperança. Pessoas que tê m esperança
alguns exemplos.
em tem pos difíceis são m u ito atraentes para
aqueles que perderam a esperança. Quando
1. Orando pelos crentes em Roma um crente passa p o r um a situação m u ito

Em sua Epístola aos Romanos, no ca pítu­ difícil sem perder a esperança, e até mesmo
lo 15, Paulo ora dizendo: o Deus da com um se ntim ento de alegria, as pessoas
perseverança e do ânim o vos dê o mesmo se perguntam com o eles conseguem . Isto
modo de pensar entre vós, segundo Cristo pe rm ite ao cristão c o m p a rtilh a r a sua fé.
Jesus. Para que, unânim es e a um a só voz, É por esta razão que Paulo orou não para
glorifiqueis o Deus e Pai de nosso Senhor que os irm ãos fossem poupados de situ a ­
Jesus Cristo" (Rm 1 5 .5,6 ). A inda, no ca­
ções difíceis, mas que m antivessem a paz,
p ítu lo 15, Paulo ora dizendo: "Queo Deus
a alegria e a esperança no m eio delas, a fim
da esperança vos encha de toda alegria e
p a z na vossa fé, para que transbordeis na
esperança pelo pod er do Espírito Santo"
(Rm 15.13).

Embora a igreja em Roma estivesse come­


çando a sofrer perseguição e m uitos irmãos
estivessem te n ta n d o apenas sobreviver em
uma cidade hostil ao cristianismo, Paulo não
ora pela segurança ou pela proteção deles.
Essa seria a prim eira coisa, que muitos de nós
pensaríamos em orar, hoje. Em vez disso, na

4 8 COMPROMISSO

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de que os não crentes fossem atraídos para do aprofundam ento da sua experiência com
o evangelho. Deus, a fim de que pudessem se tornar, a cada
dia, mais parecidos com Cristo.

2. Orando pelos crentes em Éfeso


3. Orando pelos crentes em Filipos
Éfeso era o centro da adoração de Ártem is ou
Diana. Lá, Paulo e seus com panheiros foram Paulo orou assim pelos filipenses: "Epeço isto
atacados por um a m u ltid ã o que estava fu ­ em oração: Que o vosso am or aumente cada '
riosa com a mensagem do evangelho. Mas, vez m ais no pleno conhecimento e em todo
em vez de orar pela proteção dos irm ãos, entendim ento, para que aproveis as coisas
Paulo orou: "para que o Deus de nosso Senhor superiores, a fim de serdes sinceros e irre­
Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê o espírito preensíveis até o dia de Cristo, cheios do fruto
de sabedoria e de revelação no pleno conheci­ de justiça, que vem por meio de Jesus Cristo,
mento dele, sendo iluminados os olhos do vosso para glória e louvor de Deus" (Fp 1.9-11). Os
coração, para que saibais qual é a esperança do resultados que Paulo deseja ver na vida dos
chamado que ele vos fez, quais são as riquezas
filipenses é que eles aprendam a discernir o
da glória da sua herança nos santos e qual é a
que é m elhor, e que tivessem vidas puras e
suprema grandeza do seu poder para conosco,
sem culpa, porque isío traria glória e lou vor
os que cremos, segundo a atuação da força do
para Deus.
seu poder [...]" (Ef 1.17-19).

Serúdo assim, quando você fo r orar p o r al­
No capítulo 3, Paulo ora: "para que, segundo
guém , sugiro que utilize três princípios:
as riquezas da sua glória, vos conceda que
sejais interiorm ente fortalecidos com poder 1) Não ore apenas pelo aspecto mais óbvio
pelo seu Espírito. Ê que Cristo habite pela fé da situação. Em vez disso, inicie buscando a
em vosso coração, a fim de que, arraigados Deus a respeito de um a visão mais am pla da
e fundamentados em amor, vos seja possível situação e da vontade de Deus;
compreender, juntam ente com todos os santos,
2) Não ore ta n to pelos resultados, mais fo ­
a largura, o comprimento, a altura e a profun­
calize a sua oração tam bém no processo. Ore
didade desse amor, e assim conhecer esse amor
por desenvolvimento espiritual e pelos frutos
de Cristo, que excede todo o entendim ento,
na vida de quem precisa da sua intercessão;
para que sejais preenchidos até a plenitude
de Deus" [ l í 3 .1 6 -1 9 ). Esta é um a oração 3) Não se esqueça de lu ta r em oração, a fim
m issionai, cujo foco, a despeito de tudo, é o de que a missão de Deus se realize por m eio
desenvolvim ento da pessoa, do seu caráter, daqueles por quem estamos intercedendo.

COMPROMISSO 4 9

..................... V* ; ^ .. . . ........................„.........................-- •• • -------------

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TEXTO BÍBLICO
I Hebreus J3;
jí 2Coríntios 8; 9;
I Salmo 24

| TEXTO ÁUREO
[í Hebreus 13.16

Paulo inicia o capítulo 16, o ú ltim o capítulo da sua Prim eira Carta aos
Coríntios faland o em din heiro, cuidado e generosidade. 0 pano de
fun do desta fala de Paulo está relacionado com as severas privações
que os irm ãos de Jerusalém estavam passando. Por que os irm ãos de
Jerusalém estavam passando por necessidades? Há pelo m enos três
fatores que contribuíram para isto:

• Fatores políticos: a instabilidad e p o lítica m u ito pro long ada na


Judeia e as constantes rebeliões dos judeus contra o im p ério rom ano,
tornavam a vida m uito mais difícil.

• Perspectivas escatológicas equivocadas: a percepção do retorno


de Cristo, ainda para os seus dias, co ntribuiu para que a com unidade
de Jerusalém enfrentasse privações severas.

• Fatores climáticos: um desastre natural que teria afetado toda a


região da Judeia, conforme predito pelo profeta Ágabo, no livro de Atos1.

Seja com o for, o fato é que Paulo convoca a Igreja de Corinto para o
exercício do cuidado. Pouco im p o rta va se a necessidade havia sido
resultado de ignorância teológica, im previdência, ou ainda m otivada

1 Atos 11.27,28.

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p o r questões políticas. Paulo não pediu à como repartir. Assim, as Escrituras Sagradas
Igreja de Corinto um diagnóstico das causas nos ensinam que não é possível haver com u­
po rque , em situações assim , sem pre ha ­ nhão sem generosidade. Todos os recursos
verá desculpas a serem oferecidas, com o: para supriras necessidades da igreja já estão
"este problem a não é m eu" ou ainda "cada disponibilizados, já foram dados p o r Deus.
um que assuma as consequências dos seus Onde eles estão? Em nossas mãos.
atos". Mas com esse ep isód io, o a p ó sto lo
Como devemos praticar a nossa generosidade
Paulo nos ensina um g ra nde p rin c íp io : é
no â m b ito da igreja? A resposta para esta
responsabilidade dos crentes suprir a Igreja
pergunta está na Segunda Carta de Paulo
de Cristo. E com o é que nós fazemos isto? Por
aos Coríntios 9.5-15.
m eio dos recursos que Deus colocou sob a j .' I •* *

nossa responsabilidade. É por isso que Paulo


Paulo apresenta princípios que nos ajudarão
orie n ta os irm ãos de C orinto: "[...] fazei vós
a nortear a nossa prática em relação ao ato
tam bém o mesmo que ordenei às igrejas da
de co n trib u ir financeiram ente.
G alada. No prim eiro dia da semana, cada um
de vós separe o que puder, de acordo com o
seu ganho [...]" (1Co 16.1,2). GENEROSIDADE DEVE SER
PRATICADA COM ALEGRIA
Este é o verdadeiro sentido da palavra co­
m unhão. Na Carta aos Hebreus nós lemos: "[...] que já havia sido prom etida, para que

"Mas não vos esqueçais de fazer o bem e de esteja pronta como contribuição e não como

repartir com os outros, porque Deus se agrada extorsão"(v. 5);


de tais sacrifícios"(Hb 13.16). Quero cha­
"Cadaum contribua de acordo com o que
m a ra sua atenção para a expressão"repartir
decidiu no coração; não com tristeza nem
com os "so
rtuq ue é a tradução da palavra
por constrangimento, pois Deus am a a quem
koinoneo, que ta m b é m pode ser traduzida
contribui com "airg
el(v. 7).
com o com unhão. Em 2Coríntios nós lem os:
"pedindo-nos, com m uita insistência, o p ri­ Acredito que o dízim o é um dever de to d o

vilégio de particip ar da assistência em favor cristão, qu e não deve ser n e glige ncia do.

dos santos" [Id o 8.4). Porque, se era um dever sob a Lei Judaica,
m u ita mais agora, que a nossa justiça deve
Aqui, a palavra koinoneo é traduzida como
exceder à justiça dos fariseus e doutores da
participar. Em ÍT im óteo nós lemos: "quepra­
Lei2. Entretanto, o apóstolo Paulo recomenda
tiquem o bem e se enriqueçam com boas obras,
um critério mais am plo, sem a preocupação
sejam solidários e generosos" (IT m 6.18). A
palavra koinoneo é traduzida mais um a vez 2 Mateus S.20.

COMPROMISSO 51

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&

de lim ita r o percentual da oferta. Cada um A GENEROSIDADE NOS AJUDA


deve dar, segundo propõe no seu coração, se­ A APRENDER A DEPENDER
gundo a prosperidade que o Senhor lhes deu. DA PROVISÃO DE DEUS
Acredito que Paulo não está desqualificando
"E Deus époderoso para fazer toda a graça
a prática do dízim o e, sim, dando um novo
transbordarem vós, a fim de que, tendo sempre
sentido para o ato de ofertar, sabendo que
o suficiente em tudo, transbordeis em toda boa
estamos sob o olhar do Senhor, pois ele ama
obra. Conforme está escrito: Distribuiu, deu aos
aquele que contribui com alegria. Contribuir
pobres; a suajustiça permanece para sempre.
com alegria é contribuir voluntariamente, não Aquele que dá a semente ao quesemeia, epão
como se estivesse sendo obrigado. Contribuir para comer, também suprirá e m ultiplicará a
com alegria é te r a consciência de que é seu vossa semeadura, e aum entará os frutos da
o privilégio de com partilhar. vossa justiça, e em tudo sereis enriquecidos
para serdes sempre generosos, o que, por nosso
A prática da generosidade nos torna seme­
intermédio, produz ações de graças a Deus"
lhantes a Cristo. Jesus entregou a sua própria
(v. 8-11).
vida em nosso lugar e em nosso favor. Quan­
do estamos cansados, é ele quem renova as Precisamos aprender a depender da provisão
nossas forças3. Quando estamos confusos, é de Deus. Aprender a depender daquele que
ele quem nos dá sabedoria4. Quando nos sen­ supre de sem ente o que p la n ta , e de pão
tim os sós, é a sua presença que nos conforta5. o que come. O que Paulo está ensinando é
Quando estávamos consumidos pela culpa, que a criação está sob o do m ínio de Deus.
fo i ele quem nos perdoou6. Quando estáva­ 0 salm ista declara: "Ao SENHOR pertencem
mos perdidos, foi ele quem nos aproxim ou a terra e tudo o que nela existe, o mundo e os
do Pai e p e rm itiu que fôssem os adotados que nele habitam "(SI 24.1).

com o filh os de Deus7. Se você já aprendeu a A consciência da posse de Deus sobre todas
confiar no Senhor Jesus, então já descobriu as coisas in te n sifica , na rea lida de, nosso
nele um am igo, que jam ais poderia sonhar relacionam ento com ele. Quando tem os a
te r um d ia 8. Ser um d o ado r generoso nos consciência de que tu d o pertence a Deus,
torna mais parecidos com Jesus. então, tu d o o que está debaixo da nossa ad­

3 Mateus 11.28-30. m inistração nos torna mais conscientes da


4Tiago3.17. presença de Deus. 0 fato de saber que tu d o
5 Mateus 28.20.
pertence a Deus, m odifica ta m b é m o tip o
‘ Mateus 9.6.
7 Lucas 19.10. de pergunta que fazemos ao contribuir. Em
‘ João 15.13. vez de perguntar: "Q uanto do meu dinheiro

52 COMPROMISSO

______
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gratidão a Deus. A generosidade, praticada
com alegria, gera no coração de quem é aben­
çoado por ela um sentim ento de gratidão a
Deus. Por isso, seja generoso enquanto há
tem po, porque chegará o dia em que você
desejará te r sido m ais generoso, mas não
haverá m ais tem po. E algum as perguntas
poderão b ro ta r dos nossos lábios: por que
eu não fiz mais, quando podia? Por que eu
devo dar a Deus?" aprendem os a perguntar:
não me dediquei mais? Por que eu não con­
"Com quanto do dinheiro de Deus devo ficar?"
A diferença entre estas duas perguntas é de trib u í mais?

proporções m onum entais. Agora, por favor,


não confunda isso com negócio com Deus. A GENEROSIDADE M O TIVA AS

A ge nte não faz negócio com Deus por uma PESSOAS A ORAREM POR NÓS

razão m u ito sim ples, Deus não é negocian­ Talvez você se pergunte, mas, por que falar de
te. No evangelho de Jesus, Deus não nos foi generosidade, quando o nosso assunto é ora­
apresentado como um negociador, mas, sim, ção? A resposta é o apóstolo Paulo quem nos
com o Pai. Um Pai que tem prazer de suprir
dá. No fin al da passagem que estamos estu­
seus filh o s.
dando, nos versículos 13 e 14, nós lemos: "Ao
aprovarem essa ministração, eles glorificam a
A GENEROSIDADE PROMOVE
Deus por causa da obediência que confessais
A GRATIDÃO ENTRE NÓS
quanto ao evangelho de Cristo e por causa da
"Porque o m in is tra r essa assistência não generosidade da vossa contribuição para com
apenas supre as necessidades dos santos, eles epara com todos. Eeles, orando em vosso
m as tam bém transborda em muitas ações de favor, demonstram a profunda afeição que têm
graças a Deus. Ao aprovarem essa ministração, por vós, por causa da extraordinária graça de
eles glorificam a Deus po r causa da obediên­ Deus que vos foi concedida". 0 que Paulo está
cia que confessais quanto ao evangelho de nos ensinando é que se nós queremos que as
Cristo e por causa da generosidade da vossa pessoas orem por nós, precisamos aprender a
contribuição para com eles e para com todos" ser generosos com elas. Quando mais am or
(v. 12,13). nós form os capazes de com partilhar, mais

Paulo nos ensina que a generosidade pro­ pessoas se levantarão diante de Deus para
move a gratidão entre nós, mas tam bém a interceder por nós.

COMPROMISSO 53

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: TEXTO BÍBLICO
ji Hebreus 4;
| Jeremias 33; Tiago 4;
' Isaías 55; Filipenses 4;

1 Salmo 57; Mateus 26

TEXTO ÁUREO
| Isaías 55.8,9

As Escrituras Sagradas nos revelam que Deus responde as nossas ora­


ções. O próprio Deus, por interm édio do profeta Jeremias, encoraja o
seu povo a buscar respostas nele1. Agora, o fato de Deus responder as
orações do seu povo não significa que Deus sempre dirá sim . Algum as
vezes, terem os que lidar com a espera e até m esm o com o não de Deus.

Há m uitos exem plos na Bíblia em que Deus disse não para grandes
hom ens e mulheres de fé. Deus disse não para as orações de Abraão,
disse não para as orações de Moisés, disse não para as orações Paulo.
Deus já disse não até mesmo para as orações de Jesus.

Por que é im p o rta n te estudar a respeito deste tem a? Porque os "nãos


de Deus" têm um grande potencial de nos frustrar profundam ente e
podem gerar m uita confusão em nossa vida. Ao receber um não de Deus,
m uitas pessoas poderão se perguntar: se Deus é amoroso e onipotente,
por que Deus não atendeu à nossa oração? Por que algumas pessoas
recebem m ilagres e outras não? Por que algumas pessoas obtêm alívio
da dor e outras não? Eu conheço pessoas que ficaram de mal com Deus,
porque Deus lhes disse não.

'Jeremias 33.3.

54 COMPROMISSO

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m z x

Vamos analisar algumas razões possíveis que de modo errado, só para gastardes em vossos
podem estar por trás dos nãos de Deus. prazeres"(Tg 4.2,3). Em outras palavras, muitas
de nossas orações são mais bem respondidas
1 . DEUS VÊ O QUE NÒS NÃO quando Deus diz não. Deus tem sempre tem
CONSEGUIMOS ENXERGAR algo m elhor para nos oferecer.

Deus é capaz de enxergar toda a conjuntura No livro do profeta Isaías lemos: "Porque os
da nossa vida; nós, não. A nossa perspectiva meus pensamentos não são os vossos pen­
é sem pre lim ita d a . Na Carta aos Hebreus samentos, nem os vossos caminhos são os
nós lem os: "E não há criatura algum
meusa caminhos,
enco­ diz o SENHPorque, assim
berta diante dele; antes todas as coisas estão como o céu ém ais alto do que a terra, os meus
descobertas e expostas aos olhos daquele a caminhos são mais altos que os vossos cami­
quem deveremos prestar o nhos, Ae os meus pensamentos mais altos que
c(Hb 4.13).
expressão "todas as coisas estão descobertas os vossospensamentos"(Is 55.8,9). Deustem
e expostas sua m aneira de fazer as coisas. Tudo o que
[.]"revela que o ponto de vista
de Deus é profundo e abrangente. 0 sig nifi­ Deus faz é m u ito mais elevado, isto é, o que
cado o rig in a l é de que tudo está desnudado Deus faz é m uito m elhor, é com pleto. Agora,
d ia n te de Deus, isto é, nada pode lhe ser isto não significa dizer que os cam inhos de
ocultado. Só Deus é capaz de ver o que nós Deus sejam fáceis. Muitas vezes, os caminhos
não conseguim os enxergar e, por isso, ele é de Deus, para nós, requererão fé, coragem e
capaz de dizer sem que nós, m uitas vezes, capacidade de adaptação.
consigam os compreender. Quando diz não,
É exatamente isto o que o apóstolo Paulo en­
Deus tem todos os elem entos nas mãos, e a
sina na sua Carta aos Filipenses: "[...] aprendi
verdade é que Deus nos ama dem ais para
a estar satisfeito em todas as circunstâncias em
nos dar tu d o o que nós pedim os em oração.
que me encontre"(Fp 4.11). Quero chamar a sua
atenção para o verbo que Paulo usa, que tradu­
2 . DEUS TEM SEMPRE ALGO
zimos como"aprender'; no grego ( )
M ELHOR PARA NÓS
significa uma aprendizagem que vem como
M uitas orações que fazemos a Deus, refletem resultado de um processo, de um a prática.
a nossa ignorância a respeito do que seria m e­ Traz-nos à m ente a ideia que é preciso crescer
lhor para nós mesmos. Tiago, em sua carta, para aprender. Imagina que você fosse dono
esclarece as razões que justificam o fato de de um restaurante e que estivesse contratando
algumas orações não serem atendidas. Diz o cozinheiros e houvesse apenas dois candidatos.
pastor de Jerusalém: "[...] Nada tendes porque Você pergunta para o primeiro candidato:"Você
não pedis. Pedis e não recebeis, porque pedis sabe cozinhar?" Ele responde: "Bem, eu já li

COMPROMISSO 55

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m uitos livros de culinária". Você pergunta para .• . ‘i • '\ \ : r O
um outro candidato: "E você, sabe cozinhar?"
Ele responde:"Sim, passei 15 anos trabalhando
como cozinheiro de um grande restaurante".
Agora, eu lhe pergunto: para quem você daria
o emprego? Para aquele que tivesse apenas
um conhecimento teórico ou para aquele que .

tivesse tantos anos de prática? f . . i


V ' " »BÍ * Í-.H>; } i 'is ■1: ; !
1•- ■ ' V :‘ u _ J• -j
Paulo precisou aprender a aceitar as condi- 18) Vf <Í I ; i ; d
çõ e sq u e lh e fo ra m dadas. Precisou aprender > T;-''Xu 'ÍU -M 'il
a co nvive r com os nãos de Deus. Precisou
aprender que Deus está m u ito mais interes­
sado no nosso crescim ento do que no nosso
conforto. Mas, apesar de todas as dificuldades para que o Pai afastasse dele o cálice am argo
decorrentes dos nãos de Deus, um a coisa que estava prestes a beber. Mas, a oração de
nós podem os te r certeza: Deus sempre vai Jesus tam bém é composta de um ato de sub­
nos oferecer o m elhor, de um modo que nós missão de quem aprendeu acolher a vontade
possamos am adurecer e crescer na fé. do Pai como sendo a sua. Precisamos te r em
mente que, nem sempre, Deus explica os por­
3 . DEUS TEM O SEU
quês. Na m aioria das vezes, nós não irem os
PR Ó PRIO PROPÓSITO
entender tu d o o que Deus está fazendo. Nem
Deus não pe rm ite que nossas orações in te r­ sempre será confortável. Eventualm ente, o
fira m em seu propósito. Se nós oramos por nosso coração poderá sangrar. Mas Deus nos
a lg o fora do seu propósito, Deus dirá não. prom ete o que C.S. Lewis cham ou de "peso
Precisamos aprendera orar como o salmista: de g ló ria "2.
"Clamarei ao Deus altíssimo, ao Deus que tudo
Paulo, escrevendo aos coríntios, falou a res­
executa por mim"(SI 57.2). Foi exatam ente o
peito dessa promessa: "Pois nossa tribulação
que aconteceu com o nosso Senhor Jesus, no
Jardim das Oliveiras. Na noite que antecedeu leve e passageira produz para nós um a glória

à sua crucificação, Jesus orou ao Pai: "Meu incomparável, de valor eterno, pois não fixamos

Pai, se possível, afasta de m im este cálice; to­ 0 olhar nas coisas visíveis, mas naquelas que

davia, não seja como eu quero, mas como tu não se veem; pois as visíveis são temporárias,
queres" (M t 26.39). Esta oração é com posta,
1 Lewis, C. S. Peso de glória. Trad. Isabel Freire Mes­
p rim e ira m e n te de um pedido. Jesus pediu sias. Sociedade Religiosa Edições Vida Nova, SP.

56 COMPROMISSO__________

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ao passo que as que não se veem são eternas" orou três vezes, rogando que o Senhor tirasse
(2Co 4.17,18). o espinho da sua carne. Mas Deus respon­
deu, dizendo: A m inha graça te é suficiente,
4 ) SOFRER EM BENEFÍCIO pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza"
DE OUTRAS PESSOAS (2Co 12.9).

Nós vivemos em um a sociedade que rom peu A graça de Deus nos coloca de pé quando
com a dim ensão do sacrifício. As pessoas do som os te n ta d o s, q u a n d o estam os cansa­
nosso te m p o acreditam que o grande ob je­ dos, quando estamos aflitos. Certa vez, B illy
tiv o da vida é ser fe liz , custe o que custar e Graham fo i en trevistad o e o e n tre vista d o r
ser fe liz é e vita r to d o o tip o de dor, todo tip o p e rg u n to u : " 0 senhor te m 80 anos e te m
de s o frim e n to . Mas, a realidade sem pre se estado no centro das atenções públicas por
im p õe aos nossos desejos. Há situações na décadas, sem que nada tenha m aculado o
vida em que seremos chamados a enfrentar seu testem unho com o um cristão. Como o
situações difíceis por algo ou por alguém . senhor conseguiu construir um a história de
Todo co m p ro m e tim e n to envolve um a certa integridade?" Billy Graham então citou 1Co-
dose de sacrifício. ríntios 10.13: "Não veio sobre vós nenhum a

Paulo, escrevendo aos colossenses, disse: tentação que não fosse hum ana. M as Deus é

"Agora m e alegro nos meus sofrimentos por fiel e não deixará que sejais tentados além do

vós e completo no m eu corpo o que resta do que podeis resistir. Pelo contrário, jun tam en­

sofrim ento de Cristo, p o r am or do seu cor­ te com a tentação providenciará um a saída,

po, que é a igreja"(Cl 1.24). 0 apóstolo dos para que a possais suportar". Este é o segredo.

g e n tio s tin h a a plena consciência do preço Quando Deus diz não para algum a coisa, ele

qu e precisava p a g a r pela propagação do diz sim para nós.

evangelho de Jesus. Como já vim os na lição


an terio r, ora r para Paulo era o m esm o que CONCLUSÃO
lu ta r. Paulo não orava a fim de que Deus
Quando o não de Deus chegar, não deve­
livrasse os crentes das lutas, mas, sim , que
m os nos desesperar, m u ito ao c o n trá rio .
os fortalecesse para lutar.
Devemos renovar nossas esperanças p o r­
que ele tra b a lh a em todas as coisas para o
5 ) TODAS AS VEZES QUE
nosso bem . Ainda que ele nos leve para o
DEUS DISSER NÃO, ELE
deserto, ou pelos vales, ou pelas ondas, ou
DISPENSARÁ A SUA GRAÇA
pelos rios, ou até mesm o pelo fogo. Ele tem
O não de Deus veio acom panhado com a um propósito em m ente: nos tra n sfo rm a ra
m anifestação da graça na vida de Paulo. Ele im agem de Jesus.

COMPROMISSO 57

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] TEXTO BÍBLICO
| Jeremias 29;
Salmos 31; 103;

I Gênesis 50;

Romanos 5; 8

TEXTO ÁUREO
| Romanos 8.32
■ r v ' i* ' •‘ ‘

A. W. Tozer, in flu e n te escritor cristão do século passado, disse: " 0 que


vem à sua m ente quando você pensa em Deus é a coisa mais im p o rta n te
sobre você, porque afeta tu d o o mais em sua vida". Nada in flu e n cia
ta n to a nossa vida de oração quanto a m aneira com o nós percebem os
Deus. Por isso, é necessário que a ideia que nós te m o s de Deus não
seja baseada apenas no que sentim os, ou no que acham os, ou ainda,
baseada no senso com um . É fu n d a m e n ta l que os nossos conceitos a
respeito de Deus nos forneçam , se não a certeza absoluta, o m á xim o
de credibilidade possível. E onde é que nós poderem os e n co n tra r os
melhores conceitos a respeito de Deus? Nas Escrituras Sagradas. A Bíblia
é a m a ior autoridade a respeito dos conceitos com unicáveis sobre Deus.

As Escrituras Sagradas revelam Deus com o sendo m o ra lm e n te santo,


ju s to e bom . Estes a trib u to s de Deus fornece m a base m o ral para as
nossas experiências de oração. Se Deus não fosse um Deus santo, ju s to
e b o m , não faria se n tid o orar. Como a bo ndade de Deus im p a cta a
nossa vida de oração?

5 8 COMPROMISSO

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PODEMOS ORAR SABENDO aqueles que se refugiam nele. Por m ais que
QUE OS PROPÓSITOS DE a vida seja im p re visíve l, Deus pensou em
DEUS SÃO SEMPRE BONS nós e tom ou providências a nosso respeito.
Agora, com o nós podem os te r acesso a essas
As pessoas dizem :"existe algo que Deus não
bênçãos? Como nós ganham os consciência
pode fazer?"Há m uitas coisas que Deus não
a respeito dessas bênçãos? A resposta é: por
pode fazer. Por exem plo: Deus não pode ne­
m eio da oração. A verdade é que nós vivemos
gar a si mesmo; Deus não pode ser mau; Deus
em um m u ndo cheio de problem as. Então,
é bom , então, por causa da sua natureza, ele
Deus nos oferece ajuda. A vida de José nos
não pode fazer o m al. Tudo o que Deus faz é
ensina com o Deus faz isso. Seus irm ãos o
bom . Os propósitos de Deus são sempre bons.
ve n d e ra m com o escravo, m as ele acabou
0 profeta Jeremias, em sua profecia, diz: "Pois tornando-se um a espécie de prim e iro -m in is­
eu bem sei que planos tenho a vosso respeito, tro no Egito. E, anos depois, ele se encontrou
diz o SENHOR; planos de prosperidade e não de com os seus irm ãos e lhes disse: "Certamente
mal, para vos dar um futuro e uma esperança" planejastes o m a l contra m im . Porém Deus o
(Jr 29.11). Deus, por interm é dio do profeta transformou em bem, para fazer o que se vê
Jeremias, apresenta as suas intenções de nos neste dia, ou seja, conservar m uita gente com
fazer bem . Mas, como é que nós podem os vida"(Gn 50.20). Quanto m ais nós orarm os,
to m a r conhecim ento dos propósitos de Deus mais conheceremos o propósito de Deus. E
para a nossa vida? A resposta é: por m eio da quanto mais conhecerm os o seu propósito,
oração. Depois de apresentar as boas in te n ­ mais Deus pode usar tudo o que nos acontece,
ções de Deus, o profeta Jeremias diz: "Então até mesm o as coisas ruins, para trazer algum
m e invocareis e vireis orar a m im , e eu vos bem à nossa vida.
ouvirei. Vós m e buscareis e me encontrareis,
Em Romanos 5, versículos 3-5 , nós lem os: "E
quando m e buscardes de todo o coração. Eu
não somente isso, mas tam bém nos gloriamos
m e deixarei ser encontrado por vós [...]" (Jr
nas tribulações; sabendo que a tribulação pro­
29.12-14). 0 próprio Deus faz um a conexão
duz perseverança, e a perseverança, a aprova­
entre os seus propósitos para nós e a prática
ção, e a aprovação, a esperança; e a esperança
da oração.
não causa decepção, visto que o am or de Deus
Veja o que diz o Salmo 31.19: "Como foi derramado em nosso coração pelo Espírito
a tua bondade, que guardaste para os que te Santo que nos foi dado". Observe a palavra
tem em e preparaste na presença dos filhos "sabendo". 0 sentido da vida depende do que
dos homens, para os que se refugiam em ti!" nós sabemos, e não das nossas circunstâncias.
Deus reserva um a provisão de bondade para 0 que faz com que uma pessoa seja devastada

COMPROMISSO 59

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e outra consiga superar as adversidades? A
resposta é: conhecer o p ro pósito de Deus
para sua vida.

Quero com partilhar aqui a história do Dr.Vik-


to r Frankl. Logo após o ataque dos japoneses
a Pearl Harbor, V iktor foi convidado para ir à
em baixada am ericana pegar o seu visto, a
fim de m igrar para os EUA. A essa época ele
contava com 36 anos, e era d ire tor do setor
m orreram ou e n louq ueceram , para fundar
de Neurologia do Hospital Rothschild. Porém,
a terceira escola vienense de Psicoterapia,
hesitou, pois teria que deixar os seus pais,
conhecida com o Logoterapia, ou terapia do
já idosos para trás, sabendo do destino que
seria reservado para eles. Em um certo dia, propósito da vida.

chegando à casa, ele encontrou o seu pai em


lágrim as, porque os nazistas haviam ateado PODEMOS ORAR SABENDO

fo g o na sinagoga. E m ostrando um pedaço QUE DEUS SEM PRE NOS DÁ

de m árm ore que ele conseguira salvar em O QUE PRECISAM OS E NÃO


m e io aos escombros, nele estava gravada, O QUE MERECEMOS
em dourado, a letra hebraica que era a inicial
No Salmo 103, nós lem os: trata
do qu arto m andam ento. Diante disso Frankl
acordo com nossos pecados, nem nos retribui
te le fo n o u para a em baixada am ericana e
segundo nossas transgressões Como
cancelou o visto 1. 0 resultado foi que ele e
o O riente se distancia do Ocidente, assim
sua fam ília foram parar dentro de um campo
ele afasta de nós nossas transgressões" (SI
de concentração nazista. Chegando lá, ele
103.10,12). Gosto quando o rei Davi nos diz
tom ou três decisões que transform aram a sua
que Deus afasta as nossas transgressões, do
vida. A prim eira, ele decidiu fazer tu d o para
m esm o je ito que o Oriente está distante do
sobreviver àquele holocausto. A segunda,
Ocidente. Se há alguém na Bíblia que sabe
ele de cidiu ap re n d e r tu d o o que pudesse
que Deus nos trata como nós precisamos e
naquelas condições. A terceira, ele decidiu
não como nós merecemos, é Davi. Davi fez
ensinar tu d o o que ele aprendesse naque­
coisas horríveis. Davi quebrou todas as regras.
las condições para as pessoas. V iktor Frankl
Mas Davi se arrependeu e confessou os seus
saiu do campo de concentração, onde muitos
pecados e Deus deu o que ele precisava e
1 Frankl, Viktor. A vida em busca de sentido. não o que ele m erecia. Por quê? Porque a

60 COMPROMISSO

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nossa relação com Deus se baseia em quem servos. Do pastor que dá a sua vida por suas
Deus é, e não em quem nós somos. Deus nos ovelhas. Este é o significado do evangelho. É
perdoa, não porque som os bons; Deus nos isso que to rn a a nossa fé d ife re n te de q u a l­
perdoa porque ele é bom . Deus tem um bom quer outra história do m undo. Deus diz que
propósito para nós, mas quando pecamos e nós pecamos e, por isso, m erecem os ir para
estragam os tud o, Deus sabe que precisare­ o inferno. Mas, além de bom , Deus é ju s to e
mos de perdão para com eçar de novo. Pode santo. A lguém teria que pagar pelos nossos
ser que as pessoas nos reje item , mas Deus pecados. Então, a q u i está o acordo, Deus

não nos reje ita. Por essa razão, podem os nos m e sm o to m o u a decisão de p a g a r pelos

a p ro xim a r de Deus confiantes. Estou e n fa ti­ nossos pecados. O Filho de Deus, sem peca­

zando isto porque um a das prim eiras coisas do a lg u m , assum iu o nosso lugar, e m orreu

que nós fazem os, quando pecamos, é parar a nossa m o rte . Este é o evang elho , este é

de orar. Isto é o m a io r erro que um cristão o rei que se sacrifica pelos súditos. Esta é a

pode com eter na vida. Quando nós pecamos, expressão m áxim a do am or.
v
ai m e sm o e que precisarem os nos ag arrar Talvez, alguém se pergunte, mas o que isto
com Deus. Buscar a sua face, nos arrepender tem a ver com oração? A m inha resposta é:
e recomeçar. Deus não rejeita a nossa oração. TUDO. 0 que Deus fez por nós na cruz to rn a
Por quê? Porque Deus é bom . possível a nossa oração. Por quê? Vamos ler
Romanos 8.32: "Aquele que não poupou nem
PORQUE DEUS É B O M , ELE o próprio Filho, mas, pelo contrário, o entregou
SE M P R E COLOCA O NOSSO BEM por todos nós, como não nos dará tam bém
A C IM A DO SEU PRÓ PRIO BEM com ele todas as coisas?" 0 que Paulo está
nos e n sina ndo é que q u a n d o Jesus Cristo
Este é o co raçã o d o e v a n g e lh o . Esta é a
m orreu por nós na cruz, ele resolveu o nosso
b o a -n o va que o rei se sacrifica pelos seus
m a ior problem a.
súditos. Do pai que se sacrifica pelos seus
filh o s . Do S enhor que dá a vida pelos seus
CONCLUSÃO

É por isso que nós podem os contar com Deus


para encarar qualquer outra situação, porque
sabemos que não há nada que não possamos
tra zer a Deus em oração. Se ele nos am ou o
suficiente para m orrer por nós, ele nos ama o
suficiente para responderás nossas orações.

COMPROMISSO 61

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B R ASIL - U M M IN IS T É R IO SEGUNDO O CORAÇÃO DE DEUS

Q uando as mães se unem em oração, o po der de Deus opera de ta l form a que o


im possível acontece. "M ãe cristã co m p ro m e tid a com Deus só deixa de ora r pelo
filh o quando ela morre".

Nossa divisa está em Lamentações 2:19: "Derrama o teu coração como água diante
do senhor; levanta a ele as tuas mãos, pela vida de teus filhos".
■r ■ *v . ■;;; ( ... * • ' . - ’ 4,i3
Temos como missão encorajar duas ou mais mães biológicas, adotantes, ou espirituais,
com prom etidas a se reunirem , regularm ente, um a vez por sem ana e orar du rante
um a hora em fa v o r de seus filh o s, suas escolas, seus colegas, seus professores,
funcionários, diretores e todas as dem ais pessoas que te n h a m algum a influên cia
sobre eles, ta n to nas escolas quanto na sociedade em geral.

A participação no M inistério Internacional, ta n to no Brasil, em todos os 26 estados


e no D istrito Federal, e em mais de 150 países é a m esm a. Tão logo a mãe sinta o
toq ue do Espírito Santo para ser uma "M ãe unida em oração internacional", ela entra
em contato com o M inistério ou faz a inscrição on line e recebe todas as inform ações
para in icia r seu PGO - Pequeno grupo de oração.

Mães unidas em oração internacional - Brasil


Avenida M arechal Floriano, 143 - 4 o andar - Centro 20080-005—Rio de Janeiro,
RJ Telefones: (21) 3242-1778 /W h a tsA p p : 99212*0548
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contato@ m aesunidasem oracao.org

Jane Esther M onteiro de Souza de Paula Rosa


Coordenadora do M in istério M om s In Prayer International/M ães Unidas em
Oração Internacional - Brasil, há 11 anos.

62 COMPROMISSO

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localiza:

Dica: As palavras do versículo não estão soltas, mas um a ligada à outra.

Extraído: https://gincanabiblica.w ordpress.com /

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COMPROMISSO 63

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Criar e aumentar o espaço de oração concentrado e
O regular no dia a dia. Aprender a passar tem po com
Deus.

o Entregar aos cuidados de Deus a m inha vida, os


m eus dias, as m inhas circunstâncias e as pessoas
com quem eu m e relaciono.

o Pelos refugiados, pessoas nas áreas destruídas pela


guerra e pessoas enfermas confinadas em casa ou
hospitais.

o Pelos missionários, militares, pessoas que estão em


asilos e meus colegas de trabalho

o
Pelo Presidente da República, Vice-presidente,
Lideres do Congresso, Suprem a Corte e dem ais
lideranças do pais.

o Contar a Deus tudo o que se passa com igo.

Conhecer mais o Senhor Deus e honrar o seu nome.

o Permitir que a vontade de Deus seja feita em minha vida.


Deixar de andar ansioso e agradecer, antecipadamente,
pela provisão de Deus para a minha vida.

Confessar meus pecados a Deus. Perdoar aqueles

o que m e ofendem. Estar vigilante para resistir às


ciladas d o maligno.

o
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Orar a Deus no m eu lugar secreto de oração.

Lutar em oração a fim de que a m issão de Deus

o se realize por meio daqueles por quem estou


intercedendo.

o Praticar a generosidade e ofertar com alegria.


Participar de um projeto social.

Lidar com a espera e o "não" de D eus em muitas


o situações.

o
Agradecer pelas experiências vlvenciadas neste
período de estudos. Suplicar para que o espaço de
oração na m inha vida continue crescendo.
ATIVIDADES DO SUPLEMENTO

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