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CAMINHANDO COM JESUS ATÉ A SUA ASCENSÃO

LUCAS 17.11-24.53 (QUINTA-FEIRA)

I – O MESTRE ENTRE OS APÓSTOLOS (A PÁSCOA E A CEIA DO SENHOR)


Lucas 22:7 Ora, chegou o dia dos pães ázimos, em que se devia imolar a páscoa;

1. A Páscoa foi instituída por Deus, e deveria ser celebrada para sempre (Êxodo
12.11,22-27). (Passover = passar por cima Ex.12.23).
2. A Páscoa era iniciada, ou introduzida com a festa dos pães ázimos (asmos, sem
fermento, não levedado), iniciando no dia 14 de abril e terminando no dia 21 do
mesmo mês, à tarde.
3. Jesus, com autêntico judeu não deixava de cumprir os estatutos do Senhor. Ele envia
os seus discípulos à frente para que se certificassem do local onde a páscoa seria
preparada (Lc 8-13).
4. A expressão ‘imolar a páscoa’, significa que os cordeiros pascais seriam abatidos à
tarde, e a refeição solene nas primeiras horas do dia 15, que começava às 18:00h do
dia 14 (Êxodo 12.21 Chamou, pois, Moisés todos os anciãos de Israel, e disse-lhes:
Ide e tomai-vos cordeiros segundo as vossas famílias, e imolai a páscoa).
5. È interessante notarmos que não se tratava apenas de uma festa, mas de algo que se
comia. Jesus identifica a refeição com a páscoa. Aquele momento era singular;
único na vida de Jesus e de seus discípulos. Em um ministério de três anos, é
possível que fosse a terceira páscoa com os seus discípulos. Mas aquela (esta) tinha
um caráter especial, seria a última (v.14-16).
6. Na refeição da Páscoa era obrigatório beber quatro cálices de vinho (Morris). Jesus
toma um dos cálices e, após abençoá-lo, manda que os discípulos o recebam e o
repartam entre eles (v.17). A participação do cálice era símbolo de comunhão; todos
em um mesmo cálice.
7. Na Páscoa, Jesus estabelece algo que conhecemos como ceia do Senhor (1 Cor
11.20). O pão é o seu corpo (v. 19), e o vinho, o novo pacto no seu sangue
derramado por nós (v.20). Aquela cena, aquele momento não deveriam cair no
esquecimento. Como a Páscoa para os judeus seria para sempre, a ceia do Senhor
para os cristãos terá a sua prática até que Ele venha (1 Cor 11.26).

II – SOZINHO ESTÁ NO GETSÊMANI (EMBORA ACOMPANHADO) (V.39-46).

1. O Getsêmani (no Monte das Oliveiras), que significa “prensa do óleo”, é para Jesus,
lugar de oração. Como de costume, Jesus se dirige para esse lugar. Os seus
discípulos o seguiram.
2. O jardim nos lembra flores e bom perfume; o azeite tem perfume delicioso. O
jardim de Jesus nos lembra dor, agonia e tristeza. Se o Pai quisesse o pouparia
daquele cálice. Jesus estava pronto para hora do cálice de sofrimento. Mas ali, no
jardim ‘prensa do óleo’, a vontade do Pai, nEle se cumpriria.
3. Naquela hora em que sofria o Mestre, os discípulos não puderam velar com o amigo
que se afastara para orar. O momento era de profunda tristeza. O Mestre já havia
preparado os seus corações para a despedida.
4. A falta de oração e a tristeza podem nos tornar vulneráveis à tentação. É preciso
levantar-se, espantar o sono.
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5. O evangelista Marcos registra ainda as seguintes palavras de Jesus: “Basta!chegou a
hora; o Filho do homem está sendo entregue nas mãos dos pecadores” (14.41).

III – A HORA E O PODER DAS TREVAS (V.53).

1. Jesus se misturava entre o povo. Ele era uma personagem comum em Israel; podia
passar despercebido, pois era como qualquer outro.
2. Judas que era templo de Satanás (Lc 22.3), em contraste com o crente que é templo
do Espírito (1 Cor 6.19), aproximou-se de Jesus para o beijar. Jesus percebeu que
aquele beijo era diferente dos demais, não se tratava de um ósculo santo, mas sim,
um ósculo de traição (v.48).
3. Os discípulos tomados por inexplicável coragem, ficaram a postos para sacar suas
espadas para defesa do Mestre (v.49). Um deles (Pedro Jo 18.10) fere o servo do
sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. Mas, dá um basta na violência e cura
o servo do sumo sacerdote (v.51).
4. Jesus se vê frente a frente com a casta religiosa de Israel. Eles saíram armados para
prendê-lo como se prende um salteador.
5. Eles estavam numa hora que lhes era própria: “Esta, porém, é a vossa hora e o
poder das trevas”(v.53). Nesta hora as forças do mal pensaram vencedoras.
6. Era a hora dos incrédulos; a hora dos que se envolvem com os poderes das trevas.
Era a hora de Judas.
7. Judas cumpriu o seu contrato de serviço: ele entregou o seu Mestre.
8. O que você que fazer hoje com o seu Mestre?

LUCAS 17.11-24.53 (SEXTA-FEIRA)

IV – O MESTRE É NEGADO, ZOMBADO E ESPANCADO (22.54-71)

8. Após ter sido preso, Jesus é levado à casa do sumo sacerdote (v.54). As dificuldades
encontradas por Jesus durante o seu ministério foram, principalmente , com os
religiosos: sacerdotes, escribas e fariseus. A religião instituída não suportava a
forma de Jesus ensinar o povo.
9. Pedro, como seu fiel escudeiro não arreda o pé de Jesus. O mesmo Pedro que o
Senhor intercedera por ele (v.31,32). O mesmo Pedro que puxara a espada contra o
servo do sumo sacerdote (v.50).
10. O Pedro que se julgava pronto a ir com Jesus para a prisão e morte (v.33), nega o
seu Senhor. Ele diz: “Mulher, não o conheço” (v.57). Quando acusado de ser um
deles, temendo diz: “Homem, não sou” (v.58). Outra vez alguém diz: “Também este
verdadeiramente estava com ele, porque também é galileu”. Mas Pedro insistia:
Homem, não compreendo o que dizes” (v.59,60).
11. Pedro agiu como Jesus disse que agiria: “Hoje três vezes me negarás que me
conheces, antes que o galo cante” (v.34). E o galo cantou (v.60).
12. Começa a agonia física do Senhor. Os homens que o detinham zombam de Jesus e
lhe dão pancadas (v.63). Acostumados a judiar de profetas, judiaram de Jesus.
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Queriam que Ele profetizasse quem estava lhe batendo (v.64). Para eles, tratava-se
apenas Jesus, um homem qualquer; mas para nós Ele é Senhor.
13. O Sinédrio reunido (v.66), que ao texto parece indicar, ser constituído dos anciãos,
principais sacerdotes e escribas. O Sinédrio julgava questões religiosas, portanto não
poderia impor a Jesus a pena capital.
14. Eles queriam que Jesus se incriminasse dizendo-lhes ser o Messias (eles falavam em
aramaico). Mesmo que Jesus lhes dissesse que sim, eles não acreditariam no seu
messiado (v.67).
15. Estava chegando a hora do Filho do homem assumir o seu lugar de honra (v.69,70).
Não podendo julgá-lo, o Sinédrio apela a Pilatos.

V – NEM PILATOS E NEM HERODES, MAS O PRÓPRIO POVO (23.1-25).

1. Do ponto de vista do Sinédrio, o crime de Jesus era blasfêmia, pela alegação de ser
Filho de Deus. O tribunal romano, junto com o governador não aplicaria a pena de
morte por esse crime.
2. Então, “Levantando-se toda a assembleia, levaram a Jesus a Pilatos” (23.1),
tecendo contra Ele falsas acusações: “Encontramos este homem pervertendo a
nossa nação, vedando pagar tributo a César e afirmando ser ele o Cristo, Rei”
(v.2). Mas era justamente o contrário, conforme registra o próprio Lucas (20.19-25).
3. Após interrogá-lo, Pilatos diz não ver nele crime algum (v.4). Diante da insistência
da assembleia (v.5), o jeito é deixar que Herodes resolva (v.6,7).
4. Herodes não teve nenhuma preocupação em resolver a questão, e divertindo-se com
a guarda, devolveu-o a Pilatos (v.11).
5. Nem Pilatos e nem Herodes viram em Jesus os crimes políticos que o acusavam
(v.14). Por não haver nada que o pudesse condená-lo a morte, após castigá-lo,
Pilatos o soltaria (v.16).
6. Mas a multidão gritava: “Solta-nos Barrabás” (v.17) “Crucifica-o! Crucufica-o!
(v.21).
7. Pilatos novamente disse que após açoitá-lo o soltaria, mas a multidão insistia “com
grandes gritos pedindo que fosse crucificado. E o seu clamor prevaleceu” (v.22,23).
Pilatos cedeu à grita do povo e dos principais sacerdotes judaicos (v.25).

VI – A ÚLTIMA FASE DA SUA PAIXÃO: JESUS É CRUCIFICADO (V.26-49).

1. O Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho, hoje pastor em Campinas-SP., em Ponto


Salientes de 1990, escreve que a paixão de Cristo teve três fases: (1) A paixão
interior, o momento do sofrimento íntimo (Getsêmani) Lc 22.39-46; (2) A paixão
física v.47-53 (22.47-23.25); e, (3) paixão conclusiva (v.33-49).
2. “Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, ali o crucificaram” (v.33). A
crucificação era um método cruel e espetacular de execução. Era prática corrente
naqueles dias, pois juntamente com Jesus, foram crucificados dois malfeitores.
3. Cumpre-se no Calvário a essência e o fundamento do plano divino de redenção (1
Cor 1.23,24). Na cruz foi paga a nossa dívida (Col 2.14). As forças do mal, que
pensavam vencedoras, são vencidas por Jesus, que triunfa sobre elas na cruz (v.15).
Naquela cruz foi crucificado o nosso velho homem (Rm 6.6).

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4. A versão KJ traz: “Apesar de tudo, Jesus dizia: ‘Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o
que estão fazendo’” (Lc. 23.34) . O Senhor intercede por seus algozes. A cruz seria
o grande benefício daqueles homens. Cumpre-se ali o Salmo 22 (v.18).
5. Na própria cruz, ainda em vida, Jesus assegura a um dos criminosos, mediante a sua
pública profissão de fé, que após ambos morrerem, encontrar-se-iam no paraíso (v.
39-43). Aquela não era uma sentença de morte, mas uma palavra de salvação.
Podemos dizer que aquele homem estava no lugar certo na hora certa.
6. Foram seis horas de agonia. Jesus sofreu na cruz das 09:00 às 15:00 horas. E nesta
última hora Ele clama em grande voz: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito”
(v.46). A morte não podia vencê-lo; Ele voluntariamente se entregou. Naquela hora
Ele reassume a sua posição diante do Pai.

LUCAS 17.11-24.53 (SÁBADO E DOMINGO)

VII – DESCANSAR PARA ACORDAR CEDO

16. O Sábado foi instituído para descanso. Mas aquele não era um sábado como os
demais; parece que ele tem mais de 24 horas. As mulheres que viram aonde tinha
sido colocado o corpo de Jesus (23.55) não conseguiam esconder a ansiedade.
17. Quantas vezes as mulheres pegaram nas vasilhas de especiarias, colocando-as daqui
para ali e dali para aqui. E o perfume será que está como merece o nosso Mestre?
18. Ufa! Até que enfim é Domingo. As mulheres combinam se encontrar na primeira
esquina que desce para o sepulcro de José de Arimatéia. – ‘Não percam a hora’, diz
uma delas às demais. ‘Precisamos sair bem cedo’, dizem entre si. Fica combinado
que sairiam “muito de madrugada” (24.1).
19. Só havia uma preocupação! Como não quisemos incomodar nossos maridos, quem
vai remover a pedra da frente do sepulcro?! (Marcos) Joana diz às duas Marias:
“Com certeza não seremos nós; seria preciso que todas as mulheres tivessem
vindo!”
20. Quando elas chegam ao sepulcro, a pedra estava fora do lugar; ela já não era
impedimento. Alguém veio antes de nós! Mas quem teria sido? Uma delas diz:
‘Quem foi não importa; vamos entrar’.
21. Mas, ao entrarem no sepulcro, viram que Jesus não estava ali (v.3). O que teria
acontecido? Alguém veio antes, removeu a pedra, e levou o corpo de Jesus! Que
tristeza. A KJ diz que elas “Ficaram pasmas, sem saber o que fazer” (v.4).

VIII – DANDO UMA REFRESCADA NA MEMÓRIA

1. Enquanto pensavam o que fazer, ‘dois homens com roupas que reluziam como a luz
do sol se colocaram ao lado delas. Atemorizadas, as mulheres inclinaram o rosto
para o chão’ (KJ v.4,5).

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2. Os homens as questionam. Afinal, o que elas faziam ali. Já tinham se esquecido do
que dissera Jesus? Que após ser rejeitado pelos religiosos, seria morto e no terceiro
dia ressuscitaria (v.7) (Lc 9.22).
3. Por conta do que Ele já havia dito, o que vocês vêem hoje, é que tudo se cumpriu:
“Ele não está aqui. Ressuscitou!”.
4. “Então, se lembraram das palavras de Jesus”. Foi uma algazarra total; uma alegria
radiante toma conta das mulheres. Começam a pular, dar gritos de alegria. Fizeram
uma tremenda festa nas proximidades do túmulo de José de Arimatéia.
5. Toda aquela alegria deveria ser espalhada. Era preciso contagiar a todos. O primeiro
dia da semana era dia de alegria. Como o sábado, aquele não era um domingo como
outro qualquer. “E, ao voltarem do sepulcro, elas compartilharam tudo o que lhes
acontecera aos Onze e a todos os outros” (v.9). Elas foram falando uma após a
outra (?!).
6. Parecia delírio. Como acreditar nestas mulheres?! Elas estão emocionalmente
descontroladas! A dúvida pairou sobre a cabeça dos apóstolos e discípulos:
“Entretanto, eles não acreditaram nelas” (v.11).Delírio traduz leros. Em português
diríamos que elas deviam de deixar de lero-lero (conversa mole).
7. Pelo sim ou pelo não, é melhor verificar: “Pedro, porém, levantando-se,correu ao
sepulcro” (v.12). Chegando ao sepulcro, Pedro não viu mais nada além dos lençóis
de linho. “E retirou-se para casa, maravilhado do que havia acontecido”

IX- O RESSURRETO ESTÁ ENTRE NÓS.

1. Da tristeza para alegria: a distância entre a morte e a ressurreição. Os dois discípulos


de Emaús caminharam com o Mestre (Lc 24.13-31).
2. Medo e pavor. Tem um espírito entre nós! (Dizem que alguns manuscritos antigos
aparece a palavra grega fantasma). Jesus prova que não era um fantasma ou um
pneuma. Ele era de carne e osso: “Apalpai-me e verificai” (v.39).
3. Como os apóstolos ainda estavam fora de si, Jesus lhes pede algo para comer. Um
espírito não precisa comer nada, mas Ele sim: “Tendes aqui alguma coisa para
comer?” (v.41).
4. Passado o trauma, Jesus lhes dá as últimas instruções e a responsabilidade da
pregação, pois eles “eram testemunhas destas coisas” (v.48).
5. O Senhor lhes fez a promessa do revestimento especial (v.49).
6. Após todos esses fatos, os discípulos “estavam sempre no templo, louvando a
Deus”.

Feliz Páscoa
Pr.Eli Rocha 2021