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A atenção e práticas de contracepção de mulheres internadas por abortamento

Introdução: Mulheres que tiveram experiência com aborto, não objetivam engravidar
brevemente. No entanto, ineficaz planejamento reprodutivo e uso de contraceptivos
proporcionam gravidez imprevista ou pequeno intervalo intergestacional, que podem
ocasionar casos de reincidências abortivas e outros riscos à saúde da mulher. Vale
destacar que o aborto é uma das principais causas de morbimortalidade materna.
Objetivo: Descrever a atenção em anticoncepção e práticas contraceptivas de mulheres
internadas por aborto.
Metodologia: Estudo transversal, com enfoque descritivo sobre mulheres hospitalizadas
por abortamento, em duas unidades hospitalares públicas da cidade de Fortaleza, Ceará.
Foram realizadas 119 entrevistas, por meio de formulário, no período de maio a outubro
de 2017. Consideraram-se as variáveis: gravidez planejada; participação e informações
sobre planejamento familiar; uso de método anticoncepcional (MAC) prévio; tipo de
MAC; indicação do MAC; acesso ao MAC. Os dados foram analisados através das
frequências absolutas e relativas. A pesquisa obedeceu à Resolução 466/2012 e teve sua
aprovação por meio do Parecer nº 2.248.323 do Comitê de Ética em Pesquisa da
Universidade Estadual do Ceará.
Resultados: Identificou-se que a maior parte (64%) das mulheres declarou gravidez não
planejada. A metade (59) delas respondeu já ter ouvido informações sobre planejamento
familiar, contudo, apenas 18,5% (22) informaram ter participado de reunião sobre este
tema. Verificou-se que 78,2% (93) das entrevistadas faziam uso de MAC, sendo que o
contraceptivo hormonal (anticoncepção oral e injetável) foi o mais citado (67,7%).
Somente 39,5% (47) referiram o profissional de saúde na indicação do MAC, pois a
maioria informou que recorre às amigas, familiares e por conta própria o uso de
contraceptivo. O principal acesso para aquisição do MAC (72%) pelas participantes foi
sua compra em farmácias comerciais.
Conclusão: Notou-se que a maioria das mulheres se encontrava desinformada sobre
contracepção e sobre a importância da assistência do profissional de saúde para indicar
o MAC. Em decorrência disto, estas mulheres estão mais vulneráveis para segunda
gestação não pretendida, novo episódio de aborto ou repetição da gravidez em curto
intervalo de tempo que podem gerar morbidades maternas. Diante do contexto
apresentado, reflete-se a necessidade de avaliação do acesso e efetividade dos serviços
de saúde à atenção contraceptiva, bem como, reorganização e implantação de estratégias
que garantam acompanhamento integral e aquisição de métodos contraceptivos a todas
as mulheres, de acordo com suas particularidades.

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