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PÓS GRADUAÇÃO

NEUROPSICOPEDAGOGIA CLÍNICA, INSTITUCIONAL E HOSPITALAR


PSICOPEDAGOGIA CLÍNICA, INSTITUCIONAL E HOSPITALAR
AVALIAÇÃO E INTERVENÇÃO NEUROPSICOPEDAGÓGICA E
PSICOPEDAGÓGICA

A Psicopedagogia e as dificuldades de aprendizagem


A psicopedagogia é um campo de conhecimento com interação entre a psicologia e a
pedagogia, tendo como objeto de estudo o processo de aprendizagem que é visto como
estrutural, construtivo e interacional, integrando os aspectos cognitivos, afetivos e sociais
do sujeito. Tem o intuito de facilitar o processo de ensino aprendizagem na tentativa da
remoção dos obstáculos que impedem que esse processo se realize.

A psicopedagogia tem como objetivo unir conhecimentos e princípios de ciências distintas,


com a finalidade de estabelecer a melhor e mais adequada compreensão referente às
diversas variáveis que estão inseridas nesse processo de aprendizagem. Atualmente, a
psicopedagogia clínica está envolvida a toda e qualquer situação que esteja relacionado ao
processo de aprendizagem e suas implicações. Este campo surge como uma resposta
diante de uma demanda, que cresce cada vez mais, devido ao fracasso escolar e aos
problemas de aprendizagem.

As dificuldades de aprendizagem, são causadas por problemas neurológicos que afetam a


capacidade do cérebro para entender, recordar ou comunicar informações.

As deficiências que causam maiores problemas acadêmicos são:

• percepção visual
• processamento linguístico
• habilidade motora fina
• capacidade de focar atenção.

Aliada a isso, alguns comportamentos tornam-se um complicador, como:

• Hiperatividade
• dificuldade para seguir instruções
• imaturidade social.

A frustração dos pais, da escola e também da própria criança só aumenta, pois ela se vê
incapaz de realizar a mesma atividade que seus colegas e passa até a questionar a sua
inteligência, podendo ficar irritada, isolada socialmente e até desenvolver baixa auto-
estima e depressão pelos julgamentos negativos que recebe. Segundo D’Abreu e
Marturano (2010), sete em cada dez crianças encaminhadas com queixa de dificuldade de
aprendizagem apresentam uma comorbidade emocional e/ou comportamental, com
comportamentos externalizantes (caracterizados pela oposição, agressão, hiperatividade,
impulsividade e manifestações antissociais) ou internalizantes (caracterizados pela disforia,
retraimento, medo e ansiedade). Pesquisas mostram que, quando existe a associação
entre dificuldade de aprendizagem e comportamentos externalizantes, a criança pode vir a
ter dificuldades de se relacionar, além de que problemas de comportamento podem
exacerbar as dificuldades acadêmicas. Para evitar tais consequências, os pais devem
estar alertas aos sinais que a criança emite. Ao identificarem algum atraso na leitura,
escrita ou na matemática em relação ao nível de sua série escolar, devem encaminhar
para uma avaliação psicopedagógica.

Avaliação psicopedagógica
De acordo com Weiss (2011), todo o diagnóstico psicopedagógico em si é uma
investigação do que não vai bem com o sujeito em relação a um rendimento esperado,na
avaliação psicopedagógica, a criança é considerada como um todo, pois muitos aspectos
podem estar relacionados ao problema de aprendizagem e, por isso deve ser investigado.
Segundo Weiss (2011), torna-se importante o esclarecimento da queixa pelos pais, pelo
próprio sujeito avaliado e também pela escola.

Na primeira consulta, deve-se perceber que a queixa trazida pelos pais como motivo do
encaminhamento para a avaliação às vezes não descreve só o “sintoma”, como também
traz indícios que indicam a direção para o início da investigação. Por isso, a atitude com
que o profissional acolhe o primeiro contato com a família ou o próprio paciente é muito
importante para a continuação do processo.

É necessário considerar sempre a carga de ansiedade demonstrada pelos pais neste


primeiro contato, visto que é um movimento que poderá vir a se definir pró ou contra a
avaliação.

Geralmente no primeiro contato com os pais ou responsável pelo paciente é realizada a


anamnese, com o intuito de obter mais dados sobre o sujeito. Para Weiss (1999), a
anamnese é um ponto importante para que se possa ter um bom diagnóstico, já que
através dela é possível a interação das dimensões do passado, presente e futuro do
paciente, permitindo analisar a construção ou não de sua própria continuidade e das
diferentes gerações, como a visão familiar da história de vida do paciente, que traz consigo
todos os preconceitos, normas e expectativas, a circulação dos afetos e do conhecimento,
além do peso das gerações depositadas sobre o paciente , é necessário que se verifique
durante todo o processo diagnóstico a autenticidade da queixa inicial, pois não é incomum
que os pais repitam a queixa formulada por quem os encaminhou, geralmente a escola,
sem ter qualquer reflexão sobre ela. O profissional deve observar todas as possibilidades
que possam interferir no processo de aprendizagem, pois algumas dificuldades
apresentadas podem ser decorrentes da carência sociocultural, problemas de
relacionamento familiar, distúrbios psiquiátricos ou ainda problemas de ordem orgânica,
como visual, auditivo e síndromes neurológicas. Nesses casos, deve-se encaminhar a
criança para outro profissional que possa investigar o caso e dar o direcionamento
necessário para a intervenção.

Não se deve considerar o aluno como objeto de avaliação, mas as diferentes relações e
práticas que implicam a queixa em relação ao aluno e que levam ao encaminhamento para
o atendimento psicológico. Assim, a pergunta passa de "o que o aluno tem que não
aprende?" para "como é o campo social no qual esta queixa foi produzida?". Assim, deve-
se utilizar os dados que o aluno apresenta, para compreender melhor as várias
determinações presentes no processo de produção do fracasso escolar.

Para Weiss (2011), ao final do diagnóstico psicopedagógico, o terapeuta já deve ter


formado uma visão global do paciente e sua contextualização na família, escola e seu meio
social. Assim, se faz um laudo ou informe com a finalidade de resumir as conclusões a que
se chegou na busca de respostas às perguntas iniciais que motivaram o diagnóstico. Como
afirma Weiss (1999), em alguns casos será necessário realizar um encaminhamento para
dar continuidade no trabalho. Esse trabalho subsequente pode ocorrer por meio da
intervenção psicopedagógica.
Intervenção psicopedagógica
Em casos de dificuldades de aprendizagem, quando são realizadas intervenções
psicopedagógicas precoces, é possível melhorar a evolução do aluno e reduzir os
impactos causados ao indivíduo e à sociedade. Em uma intervenção, o foco está no
sujeito, na sua relação com a aprendizagem.

O objetivo do psicopedagogo é ajudar aquele que não consegue aprender formal ou


informalmente, para que consiga não apenas interessar-se por aprender, mas também
possa adquirir ou desenvolver habilidades necessárias para tal.

Na intervenção, embora se utilize de propostas de trabalho para mediar a relação


terapêutica, as escolhas dessas propostas e as formas como são apresentadas irão
depender da particularidade de cada situação, do sujeito que está sendo atendido e da
capacitação e dos recursos que o psicopedagogo dispõe. Assim, o caráter dinâmico da
escolha das propostas e a forma como são significadas pela dupla terapeuta cliente é o
que realmente irá provocar as mudanças pretendidas já que a intervenção está voltada
para a atenção na diversidade e tem como função proporcionar ajudas individuais
necessárias para solucionar as dificuldades de aprendizagem, além de desenvolver seu
processo de amadurecimento pessoal a partir de suas características singulares. As
atividades escolhidas e propostas tanto pelo psicopedagogo como pelo cliente são
mediadoras para modificar a forma de pensar e utilizar as funções cognitivas e a posição
assumida pelo sujeito aprendente. Ao fazer uso de recursos que são escolhidos pelo
cliente ou propostos pelo terapeuta, este propicia a oportunidade para experimentar
situações que promovem a confrontação com a forma de relacionar-se com a modalidade
que se utiliza para se estabelecer essa relação. Esse confronto pode contribuir para a
tomada de consciência de um estilo de aprender, já que as diferentes modalidades de
atividades permitem entrar em contato com o “como aprendo” e “como me relaciono com o
saber”.

A avaliação psicopedagógica pode ter a duração de nove sessões, sendo realizadas uma
vez por semana, com duração de 50 minutos cada.

Pode-se utilizar os seguintes recursos:

• Anamnese
• EOCA (Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem
• Técnicas Projetivas
• Teste de Inteligência WISC–III
• Provas Piagetianas
• Atividades Pedagógicas (leitura, escrita e operações matemáticas)
• Entrevista com a pedagoga da escola
• Observações e a utilização de jogos no decorrer do processo

A avaliação do nível pedagógico, que tem por objetivo verificar o que o paciente já
aprendeu, como articula os diferentes conteúdos entre si, como faz uso desses
conhecimentos nas diferentes situações escolares e sociais, e como os utiliza no
processo de assimilação de novos conhecimentos.
Ao final da avaliação,deve-se realizada uma entrevista devolutiva com o
responsável do paciente, sendo entregue o laudo da avaliação. Posteriormente,
serái dado início à intervenção psicopedagógica, sendo realizada uma sessão
semanal, com duração de 50 minutos.
A partir do que foi observado na avaliação psicopedagógica, nas sessões de
intervenção serão realizadas atividades pedagógicas e lúdicas.
Ressalta-se que os jogos escolhidos foram utilizados com o objetivo de se trabalhar
não apenas a motivação , como também para trabalhar o aspecto pedagógico de
forma lúdica. Por exemplo, utilizar o jogo de boliche para se trabalhar matemática.
Em todos os casos em que o aprendente apresenta alguma dificuldade ou não
sabe como fazer, é possível intervir da forma mais adequada para a situação, como
auxiliar na leitura de algumas palavras contidas em uma história. Além disso,
também se trabalha aspectos como o estabelecimento de limites, tolerância à
frustração, cumprimento de regras e aumento da autoestima.
Na avaliação psicopedagógica, já existe um roteiro pré-elaborado que necessita ser
seguido. Entretanto, Giné (2004) pontua que a avaliação necessita ser coerente,
tanto no que se refere ao ponto de vista conceitual como metodológico, visando
atuar a partir das diferenças individuais como indicadores da natureza e do tipo de
apoio que o aluno necessita. O avaliador não tem o objetivo de modificar o
comportamento do paciente, mas sim de ter um olhar clínico e avaliar, para
identificar tanto as dificuldades quanto o potencial do paciente e compreender como
é o seu funcionamento global, focando na aprendizagem. De acordo com Giné
(2004), quando se tem um encaminhamento para realizar uma avaliação
psicopedagógica, basicamente essa avaliação deve ser orientada para identificar as
necessidades dos alunos referentes aos apoios pessoais e materiais que são
importantes para estimular seu processo de desenvolvimento.

A avaliação deve ser realizada o quanto antes, devido aos riscos que as crianças
com baixo desempenho escolar apresentam, essas crianças estão mais propensas a
desenvolverem comorbidade com comportamentos internalizantes ou externalizantes, o
que traz prejuízos a nível pessoal e social. Com a avaliação, é possível identificar o que
acontece com o sujeito em relação à aprendizagem e, posteriormente, a intervenção
precoce poderá diminuir os prejuízos que ele enfrentará.

Na intervenção psicopedagógica, é possível ter uma maior flexibilidade, trabalhando com


aspectos que forem surgindo ao longo da sessão.

Nessa segunda etapa é necessário ter maior criatividade para poder trabalhar as
dificuldades do paciente de uma forma lúdica e prazerosa, pois é importante que o
paciente tenha vontade de aprender. O objetivo é a longo prazo. A todo momento, como no
caso apresentado, é fornecido ajuda quando o paciente apresenta dificuldades, é
necessário “preparar o terreno” para que as crianças consigam obter sucesso de forma
regular, pois este é o único incentivo que funciona a longo prazo. Com o tempo, são
estruturadas circunstâncias para que possam obter sucesso sozinhas.

Além disso, é trabalhada a autoestima do paciente com constantes elogios, pois vários
autores como Roeser e Eccles (2000 apud STEVENATO et al, 2003) afirmam que a
criança com dificuldade de aprendizagem tem uma tendência em apresentar baixo
autoconceito por se sentir inferior às outras crianças da mesma idade. Para os autores, as
crianças que apresentam dificuldade de aprendizagem conferem essa dificuldade a si
mesmas e apresentam sentimentos de vergonha, dúvidas em relação ao seu desempenho,
baixa autoestima e distanciamento das demandas da aprendizagem, caracterizando
problemas emocionais e comportamentos internalizados.

Outra característica da intervenção psicopedagógica é atuar nas dificuldades por meio das
atividades lúdicas. Os jogos podem revelar a realidade interna da criança e a linguagem
lúdica é a mais apropriada para crianças e adolescentes.

A utilização de jogos em contextos educacionais com crianças que apresentam


dificuldades pode ser eficaz em dois sentidos: garantir o interesse e a motivação, e por
outro, estar atuando com o intuito de possibilitar a construir ou aprimorar os instrumentos
cognitivos, facilitando a aprendizagem dos conteúdos. Além de se trabalhar a dificuldade
que a criança apresenta, na intervenção também é possível intervir no comportamento. No
processo é importante trabalhar com regras e limites, pois na maioria dos atendimentos se
faz necessário fazer um acordo para que o aprendente realize as atividades que não
deseja. Algumas vezes o aprendente pode vir a não conseguir cumprir o acordo. De
acordo com Souza (2009), a criança precisa interiorizar a ideia de que muitas vezes ela
pode fazer o que deseja, mas nem sempre isso será possível. Entretanto, entre escolher
seu próprio desejo e pensar no direito que os rodeiam, muitos optam por satisfazer seu
próprio desejo, mesmo que, por vezes, prejudiquem alguém.
Sobre avaliação e intervenção neuropsicopedagógica
Os estudos mostram que a abordagem quantitativa é fortemente baseada em normas,
análises fatoriais e estudos de validade. Os testes formais são métodos estruturados
aplicados com instruções específicas e normas derivadas de uma população
representativa. Os resultados são descritos a partir de média e desvio-padrão, que
permitem a utilização de cálculos para comparação, e, embora permitam uma avaliação
quantitativa, os testes formais podem ser interpretados qualitativamente.

Existem vários instrumentos disponíveis para a investigação dos diferentes aspectos das
funções cognitivas, variando em sua forma de apresentação, complexidade das tarefas
envolvidas, critérios de correções e normas disponíveis. A seleção de instrumentos a ser
utilizada é realizada de acordo com os objetivos da avaliação, e o neuropsicopedagogo
deverá buscar materiais não vetados para seu uso, que forneçam parâmetros para
analisar/avaliar tanto as dificuldades como as facilidades de aprendizagem do sujeito. É
oportuno ressaltar, que na prática de avaliação devemos utilizar instrumentos com estudos
e padronização brasileira.

O neuropsicopedagogo deve consultar o site http://satepsi.cfp.org.br/, no item instrumentos


não privativos de psicólogos, e verificar os instrumentos (testes, escalas) que estão
favoráveis ao uso, pois há possibilidade do teste/escala ser considerado desfavorável em
determinado momento para reestudo. Segundo o código de ética profissional do psicólogo
o termo NÃO PRIVATIVO, trata-se de instrumento que pode ser utilizado tanto pela
Psicologia quanto por outras profissões.

Eixos teórico-práticos norteadores da Avaliação e Intervenção Neuropsicopedagógica no


contexto Institucional e Clínico

O Neuropsicopedagogo em seu processo de avaliação e intervenção deve ser capaz de:

a) Aplicar conceitos da Neurociência à Educação, compreendendo que esta última é um


processo que ocorre em diferentes espaços sociais e por diferentes mediadores.

b) Compreender que os constructos da Neurociência aplicada à Educação precisam da


interface com a Pedagogia e Psicologia Cognitiva para assim traçar as ações que sejam
efetivas, pois estarão pautadas na aprendizagem de conceitos, habilidades e
comportamentos bem como a forma como propor o ensino destes quesitos.

c) Entender, identificar e estimular o funcionamento de todo sistema nervoso a partir das


duas competências anteriores, focando nas funções executivas.

d) Utilizar-se da metodologia transdisciplinar para definir deu planejamento de avaliação e


intervenção, dialogando com as disciplinas, mas visando sempre uma visão além do que
está posto.
e) Reintegrar os sujeitos que atende de acordo com seus avanços e características
particulares nos aspectos pessoal, social e educacional.

Estas ações devem ser desempenhadas considerando o Código de Ética, Técnico-


Profissional, considerando a ética e o respeito ao espaço de atuação de outros
profissionais da saúde e educação.

Indicações para sessão de atendimento clínico – individual:


A avaliação neuropsicopedagógica no contexto clínico é estruturada da seguinte forma:

a) 1ª sessão – Anamnese (esta pode ser elaborada de acordo com as características do


trabalho de cada profissional e a queixa/contexto de cada atendimento);

b) 3 a 4 sessões de 1h1/2 para avaliação. Pode ocorrer em até 3 vezes na semana,


viabilizando a entrega rápida ao profissional de saúde solicitante ou escola, visando ao
processo, se necessário, adequações pedagógicas;

c) Uma sessão para devolutiva aos pais e responsáveis, sendo possível a entrega de laudo
técnico para encaminhar aos profissionais de saúde para fechamento de diagnósticos
embasados no trabalho em equipe multiprofissional;

d) Contato com a escola para orientações acadêmicas, visando à melhoria da


aprendizagem do aluno.

Para intervenção neuropsicopedagógica no contexto clínico:


a) Elaborar plano de intervenção traçando metas iniciais, intermediárias e finais para
avanços da aprendizagem;

b) Costuma-se trabalhar com duas sessões semanais;

c) Analisar o cumprimento das metas, comunicando os avanços a família e a escola, bem


como outros profissionais da equipe multiprofissional;

d) Analisar a possiblidade de alta, em casos específicos, de dificuldades de aprendizagem


transitórias, salvo os casos que necessitem de acompanhamento constante.

Indicações para sessões de atendimento institucional – coletivos:


1) Contexto Escolar
a) Em conjunto com a equipe técnica-pedagógica, o Neuropsicopedagogo observa e
detecta as demandas que necessitam de avaliação e intervenção;
b) Define e seleciona instrumentos de uso coletivo, conforme indicado nesta nota, para
que identifique o que necessita ser trabalhado: funções executivas, habilidades sociais,
linguagem, habilidades matemáticas, comportamento motor;
c) Como intervenção, planeja e executa projetos de trabalho ou oficinas temáticas. O
tempo será administrado pelos indicadores dos objetivos atingidos.
Observação: empregar a anamnese no contexto coletivo requer cuidado. Este recurso
indicamos para o trabalho clínico, pois devemos ter o cuidado de não adentrar na
atuação de outros profissionais como o Assistente Social.
2) Terceiro Setor

a) Cada instituição tem um ramo de atividades que desempenha, para assim, escolher as
melhores formas de atendimento. O Neuropsicopedagogo deverá conhecer as
características destas onde vai atuar. Elas podem ser: CRAS, OCIPs, ONGs, APAEs;

b) Ele atenderá de forma coletiva, e dependendo do caso, individual para que faça
encaminhamentos a outros profissionais especializados;

c) Segue os procedimentos do Planejamento Institucional citado no item 1, inclusive


considerando a observação quanto a anamnese.

Testagens, protocolos e estratégias de Intervenção:


Importante ressaltar o que o Neuropsicopedagogo, tanto Clínico, quanto institucional pode
avaliar em se tratando de desenvolvimento e aprendizagem:

• Atenção e funções executivas;


• Linguagem;
• Compreensão leitora;
• Memória de aprendizagem;
• Motivação - intrínseca e extrínseca;
• Estratégias de aprendizagem;
• Desenvolvimento neuromotor;
• Habilidade matemáticas;
• Habilidades sociais

Para o embasamento das atividades de Avaliação e Intervenção Neuropsicopedagógicas


orienta-se que o profissional em Neuropsicopedagogia utilize Código Internacional de
Doenças – CID 10, considerando sempre suas atualizações, o CIF - Classificações
Internacionais da Organização Mundial de Saúde (OMS) (World Health Organization
Family of International Classifications - WHO-FIC), DSM V – Manual Diagnóstico e
Estatístico de Transtornos Mentais e a A APA – American Psychological Association, pois
ela representa a Psicologia Científica dos Estados Unidos, podendo auxiliar no
conhecimento de novos saberes desta área. Os documentos acima apresentados são
manuais estatísticos, porém, possuem critérios de avaliação para dificuldades de
aprendizagem e podem orientar a realização de anamnese, além de conter diversos
interesses do neuropsicopedagogo.

A Neuropsicopedagogia pode trabalhar com pessoas de diferentes faixas etárias. Contudo,


para tal, precisa reconhecer o limiar da sua atuação quanto ao trabalho com idosos, pois
em suas bases curriculares ainda não está previsto disciplinas voltadas ao trabalho com
essa população. Necessitaria aprofundamento sobre conhecimentos voltados a doenças
degenerativas e questões específicas que, atualmente, são tratadas pela Neuropsicologia.
Desta forma, fica sob estudo desse Conselho, as vias para adentrarmos na atuação com
mais esse aspecto do desenvolvimento humano. Em tempo, é preciso considerar que
dentro da estrutura da Educação Brasileira temos o EJA – Educação de Jovens e Adultos
que merece atenção, e o trabalho da Neuropsicopedagogia pode abarcar questões
didáticas e metodológicas desse aspecto no campo da linguagem.

Material para Avaliação e Intervenção Neuropsicopedagógica Clínica:

Abaixo segue tabela estruturada com alguns instrumentos, os quais a SBNPp é favorável
para utilização nas atividades de avaliação e intervenção, seguido do objetivo da avaliação
e/ou intervenção, bem como a faixa etária a ser aplicada. Em contexto clínico, lembramos
que estas ações estão pautadas na Nota Técnica nº1/2016, prevendo a identificação das
ocorrências conforme queixa apresentada pelo paciente e o tratamento de questões
específicas e individuais que envolvam a aprendizagem

PROTOCOLO DE MATERIAL PARA AVALIAÇÃO NEUROPSICOPEDAGÓGICA CLÍNICA


Instrumento O que avalia Faixa etária
Pré-requisitos à Pré-requisitos: 13 provas 6 anos
Alfabetização IAR – Pré-
Requisitos à Alfabetização
www.centraldidatica.com
Teste de Vocabulário por Discriminação fonológica 3 a 6 anos
Figuras – USP – Capovilla Nomeação 3 a 14 anos
Livro: Teste de Vocabulário Repetição de Palavras e 3 a 14 anos
por Figuras – USP pseudopalavras 3 a 14 anos
www.memnon.com.br Consciência fonológica por 3 a 6 anos
produção oral
Consciência sintática 11 a 14 anos
Avaliação Neuropsicológica Verificar se a dificuldade 6 a 11 anos
Cognitiva: Leitura, Escrita e específica da criança refere-
Aritmética – Vol.3 se à compreensão da
Teste Contrastivo de linguagem escrita ou à
Compreensão Auditiva e de compreensão linguística
Leitura
2 subtestes: Avaliar a habilidade da
Subteste de Compreensão escrita
de Sentenças Escritas
Subteste de Compreensão
de Palavras faladas
Prova escrita sob ditado
(versão reduzida)
www.memnon.com.br
Diferença de atendimento psicopedagógico e
neuropsicopedagógico.

Psicopedagogia:

Psicopedagogia é a intersecção da pedagogia com outras áreas do conhecimento como a


psicologia, psicanálise, antropologia.

A área de atuação do psicopedagogo é a APRENDIZAGEM. Sendo assim, o foco da


psicopedagogia são os processos de aprendizagem do sujeito (clínica) ou de um grupo
(institucional).

Quando uma pessoa apresenta dificuldade em aprender um determinado conteúdo, tendo


ou não passado por intervenção pedagógica, o psicopedagogo é o profissional que vai
investigar a causa desse obstáculo à aprendizagem (dificuldade, transtorno, etc) para
então encontrar a melhor forma de intervir de modo que essa pessoa retorne ao seu
processo de aprendizagem normal.

A psicopedagogia surge pela necessidade de encontrar respostas para aquelas pessoas


que por algum motivo não conseguem aprender o conteúdo da mesma forma que os
demais.

Para isso, o psicopedagogo se utiliza de instrumentos próprios da psicopedagogia.


Aspectos de atuação do Psicopedagogo:

▪ Os processos de aprendizagem e as suas dificuldades;


▪ Promoção da aprendizagem e da inclusão social e escolar;
▪ Compreensão das dificuldades de aprendizagem;
▪ Mediação entre a família, a escola e a sociedade;
▪ Avaliação e intervenção e acompanhamento psicopedagógico;

Neuropsicopedagogia:
A neuropsicopedagogia investiga os processos de aprendizagem buscando integrar os
estudos de neurociência à psicopedagogia.

A função do neuropsicopedagogo é investigar e intervir nos obstáculos à aprendizagem se


valendo desses conhecimentos.

A Neusropsicopedagogia dedica-se a realizar a mesma função da psicopedagogia, se


valendo de um instrumento a mais, que é o estudo das neurociências.
Aspectos de atuação do Neuropsicopedagogo:

▪ Observação de questões cognitivas, comportamentais e motoras;


▪ Identificação das dificuldades e criar estratégias de aprendizagem;
▪ Avaliação, intervenção e acompanhamento neuropsicopedagogico;
▪ Compreensão da relação entre o cérebro e a aprendizagem;
▪ Promoção da educação inclusiva e reintegração social e escolar dos indivíduos;

As semelhanças entre a Psicopedagogia e a Neuropsicopedagogia é que ambas as


ciências apresenta caráter multiprofissional e transdisciplinar, tendo como foco de estudo
questões relacionadas ao desenvolvimento humano e atuação nos processos de ensino e
aprendizagem.

Sugestões de leituras:

Psicopedagogia e Neurociência: Neuropsicopedagogia e Neuropsicologia na Prática


Clínica. (Danielle Manera Ramalho)

Manual Prático do Diagnóstico Psicopedagógico Clínico. (Simaia Sampaio)

Profª Cristiane da Silva/21


REFERÊNCIAS

BATALLOSO, Juan Miguel. Dimensões da orientação psicopedagógica. In: _______. Dimensões da


psicopedagogia hoje: uma visão transdisciplinar. Tradução de Carla Higashi. Brasília: Liber Livro, 2011. cap. 7,
p. 121-157.

BRENELLI, Rosely Palermo. Espaço lúdico e diagnóstico em dificuldades de aprendizagem: contribuição do


jogo de regras. In: SISTO, Fermino Fernandes;

BORUCHOVITCH, Evely; FINI, Lucila Deihl (orgs.) Dificuldade de Aprendizagem no Contexto Psicopedagógico.
Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 2001. cap. 8, p. 167-189. BRENELLI, Rosely Palermo. O jogo no contexto
pedagógico e psicopedagógico. In:_____. O jogo como espaço para pensar: a construção de noções lógicas e
aritméticas. 8 ed. Campinas: Papirus, 2008. cap. 01, p. 19-28.

MARTURANO, Edna Maria. Associação entre comportamentos externalizantes e baixo desempenho escolar:
uma revisão de estudos prospectivos e longitudinais. Estudos de Psicologia, v. 15, n. 1, p. 43-51, jan./abr.,
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GUIMARÃES, Inês Elcione; RODRIGUES, Sônia D.; CIASCA, Sylvia Maria. Diagnóstico do distúrbio de
aprendizagem. In: CIASCA, Sylvia Maria. (Org.). Distúrbios de aprendizagem: proposta de avaliação
interdisciplinar. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003. cap. 04, p. 67-90.

GUINÉ, Climent. Avaliação psicopedagógica. In:___. Desenvolvimento psicológico e educação. 2 ed. Porto
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MARIANI, Carmelinda Cocco; MARIANI, Viviana Cocco. Utilização do lúdico para facilitar a aprendizagem dos
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ANTUNES, Mitsuko Aparecida Makino. (Org.) Psicologia Escolar: práticas críticas. São Paulo: Casa do
Psicólogo, 2003.

PORTELLA, Fabiane Ortiz; HICKEL, Neusa Kern. Psicopedagogia no cotidiano escolar: impasses e descobertas
com ensino de nove anos. Revista Psicopedagogia, São Paulo, v. 27, n.84, p.372-384, 2010. Disponível em: .
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CÓDIGO DE ÉTICA DA NEUROPSICOPEDAGOGIA. SBNPp. Resolução SBNPp N° 03/2014. Joinville/SC. 2014.


Disponível em: Acesso em 22/05/2017.

FERREIRO, E.; TEBEROSKY, A. Psicogênese da Língua Escrita. Porto Alegre: Artes Médicas, 1999. NTCTP-
SBNPp. Nota Técnica Nº 01/2016. Conselho Técnico-Profissional da SBNPp. Disponível em: . Acesso em:
22/05/2017. PIAGET, J. O Nascimento da Inteligência na Criança. 4 ed. Editora LTC, 1987. RUSSO, R.M.T.
Neuropsicopedagogia Clínica: introdução, conceitos, teoria e prática. Curitiba: Juruá, 2015.

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