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UNIVERSIDADE DE CAXIAS DO SUL

ÁREA DO CONHECIMENTO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS


DISCIPLINA: DIREITO DO TRABALHO
PROFESSORA: SANDRA N. LAZZARI

AVISO PRÉVIO

CONCEITO

Aviso prévio é a denúncia do contrato por prazo indeterminado


objetivando fixar o seu termo final.
No Direito do Trabalho, aviso prévio é o ato que necessariamente
deve ser praticado pela parte do contrato de trabalho, empregado ou
empregador, que deseja rescindir o vínculo jurídico, e consiste na
manifestação desse propósito e com a antecedência que estiver obrigada
por força de lei.

ORIGENS

As origens do aviso prévio não são encontradas no Direito do


Trabalho. Surgiu como uma forma de uma parte avisar a outra que não tem
mais interesse na manutenção de determinado contrato.
No âmbito do Direito do Trabalho a Lei n.º 62, de 5 de junho de 1935,
veio especificar o aviso prévio no artigo 6º, em que tal comunicação só era
exigida do empregado em favor do empregador.
A CLT especificou o aviso prévio nos artigos 487 a 491. Leis
7.093/83, 7.108/83 e Lei nº 12.506/11.

Aviso prévio 1
Art. 487 - Não havendo prazo estipulado, a parte que, sem justo
motivo, quiser rescindir o contrato deverá avisar a outra da sua
resolução com a antecedência mínima de:
I - oito dias, se o pagamento for efetuado por semana ou tempo
inferior;
II - trinta dias aos que perceberem por quinzena ou mês, ou que
tenham mais de 12 (doze) meses de serviço na empresa.
§ 1º - A falta do aviso prévio por parte do empregador dá ao
empregado o direito aos salários correspondentes ao prazo do
aviso, garantida sempre a integração desse período no seu tempo
de serviço.
§ 2º - A falta de aviso prévio por parte do empregado dá ao
empregador o direito de descontar os salários correspondentes ao
prazo respectivo.
§ 3º - Em se tratando de salário pago na base de tarefa, o cálculo,
para os efeitos dos parágrafos anteriores, será feito de acordo
com a média dos últimos 12 (doze) meses de serviço.
§ 4º - É devido o aviso prévio na despedida indireta.
o
§ 5 O valor das horas extraordinárias habituais integra o aviso
prévio indenizado.
o
§ 6 O reajustamento salarial coletivo, determinado no curso do
aviso prévio, beneficia o empregado pré-avisado da despedida,
mesmo que tenha recebido antecipadamente os salários
correspondentes ao período do aviso, que integra seu tempo de
serviço para todos os efeitos legais.

Art. 488 - O horário normal de trabalho do empregado, durante o


prazo do aviso, e se a rescisão tiver sido promovida pelo
empregador, será reduzido de 2 (duas) horas diárias, sem prejuízo
do salário integral.
Parágrafo único - É facultado ao empregado trabalhar sem a
redução das 2 (duas) horas diárias previstas neste artigo, caso em
que poderá faltar ao serviço, sem prejuízo do salário integral, por 1
(um) dia, na hipótese do inciso l, e por 7 (sete) dias corridos, na
hipótese do inciso lI do art. 487 desta Consolidação.

Art. 489 - Dado o aviso prévio, a rescisão torna-se efetiva depois


de expirado o respectivo prazo, mas, se a parte notificante
reconsiderar o ato, antes de seu termo, à outra parte é facultado
aceitar ou não a reconsideração.
Parágrafo único - Caso seja aceita a reconsideração ou
continuando a prestação depois de expirado o prazo, o contrato
continuará a vigorar, como se o aviso prévio não tivesse sido
dado.

Art. 490 - O empregador que, durante o prazo do aviso prévio


dado ao empregado, praticar ato que justifique a rescisão imediata
do contrato, sujeita-se ao pagamento da remuneração
correspondente ao prazo do referido aviso, sem prejuízo da
indenização que for devida.

Art. 491 - O empregado que, durante o prazo do aviso prévio,


cometer qualquer das faltas consideradas pela lei como justas
para a rescisão, perde o direito ao restante do respectivo prazo.

Aviso prévio 2
A CF/88 tratou pela primeira vez do aviso prévio no inciso XXI do
artigo 7º, com a seguinte redação: “Aviso prévio proporcional ao tempo de
serviço, sendo no mínimo de 30 dias, nos termos da lei”. Portanto, o aviso
prévio só veio a ser regulamento, ou seja, a proporcionalidade do aviso com
a Lei Nº 12.506, de 11 de outubro de 2011.

Art. 1º O aviso prévio, de que trata o Capítulo VI do Título IV da


Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, aprovada pelo Decreto-
Lei no 5.452, de 1o de maio de 1943, será concedido na
proporção de 30 (trinta) dias aos empregados que contem até 1
(um) ano de serviço na mesma empresa.

Parágrafo único. Ao aviso prévio previsto neste artigo serão


acrescidos 3 (três) dias por ano de serviço prestado na mesma
empresa, até o máximo de 60 (sessenta) dias, perfazendo um total
de até 90 (noventa) dias.

No item duração do aviso prévio será melhor esclarecido a


proporcionalidade do mesmo.

NATUREZA JURÍDICA

Pode-se dizer que o aviso prévio tem tríplice natureza:


- A primeira é de comunicar à outra parte do contrato de trabalho que
não há mais interesse na continuação do pacto;
- A segunda, o aviso-prévio também pode ser analisado como o
período mínimo que a lei determina para que seja avisada a parte contrária
de que vai ser rescindido o contrato de trabalho, do modo a que o
empregador possa conseguir novo empregado para a função ou o
empregado possa procurar novo emprego.
- Terceiro lugar, diz respeito ao pagamento que vai ser efetuado pelo
empregador ao empregado pela prestação de serviços durante o restante do
contrato de trabalho, ou à indenização substitutiva pelo não cumprimento do
aviso-prévio por qualquer das partes. Há, assim a combinação dos
elementos comunicação, prazo e pagamento.
Pode-se concluir também que o aviso prévio é um direito potestativo,
a que a outra parte não pode se opor.

CABIMENTO DO AVISO PRÉVIO

O aviso prévio não é cabível em todo tipo de contrato de trabalho.


Uma vez que cabe nos contratos a prazo indeterminado, não sendo figura
nos contatos a prazo determinado, exceto quando nos contratos
determinados houver cláusula recíproca de rescisão antecipada antes do
termo final.

Aviso prévio 3
Súmula Nº 163 do TST - Contrato de experiência. Cabe
aviso prévio nas rescisões antecipadas dos contratos de
experiência, na forma do art. 4811 da CLT.

O aviso prévio é cabível sempre que o empregador dispensar o


empregado sem justa causa. Caso o empregado tenha incorrido em Justa
Causa, o empregador não é obrigado a pré-avisá-lo.
Na mesma formar, o empregado querendo rescindir o contrato de
trabalho por pedido de demissão, está, igualmente, obrigado a dar o aviso
prévio ao empregador, mas sempre que se tratar de contratos por prazo
indeterminado.
Ocorrendo falta grave durante o prazo do aviso, tanto o empregado
como do empregador, pode haver a dispensa por justa causa, conforme
Súmula 73 do TST e artigo 490 e artigo 491 da CLT.
A Lei através do Art. 487 da CLT apenas exige um aviso, não
especificando a forma como ela deve ser. Recomenda-se, sempre, na forma
escrita, em ambos os casos, isso é, de empregador para empregado e vice-
versa.

NATUREZA JURÍDICA DO PAGAMENTO

Há corrente que entende que o aviso-prévio não trabalhado tem


natureza indenizatória. Outra corrente é no sentido de afirmar que o mesmo
não trabalhado tem natureza salarial, eis que os créditos trabalhistas têm
natureza alimentar.

CONCESSÃO DO AVISO PRÉVIO

Dado o aviso prévio, comunicando a intenção de rescindir o contrato,


o principal efeito é de que a relação jurídica efetiva até o termo final do
mesmo, integrando-se no tempo de serviço para todos os efeitos legais.
Disto se conclui que todos os aumentos advindos no decorrer do prazo de
aviso são devidos ao empregado. Artigo 487, § 1º da CLT.
Pode haver reconsideração do aviso prévio. Todavia, cabe a parte
modificada, aceitar ou não, conforme art. 489 da CLT.

OS TIPOS DE AVISO PRÉVIO

a) Indenizado: Será considerado aviso prévio indenizado quando o


empregado não trabalhar durante o prazo do aviso prévio, seja, pelo fato do
empregador determinar o desligamento imediato do empregado ou quando o
empregado se desliga de imediato e o empregador efetua o desconto
corresponde ao valor do respectivo aviso no Termo de Rescisão do Contrato
de Trabalho - TRCT.
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Art. 481 - Aos contratos por prazo determinado, que contiverem cláusula assecuratória do direito
recíproco de rescisão antes de expirado o termo ajustado, aplicam-se, caso seja exercido tal direito
por qualquer das partes, os princípios que regem a rescisão dos contratos por prazo indeterminado.

Aviso prévio 4
Súmula nº 371 do TST
AVISO PRÉVIO INDENIZADO. EFEITOS. SUPERVENIÊNCIA DE
AUXÍLIO-DOENÇA NO CURSO DESTE (conversão das
Orientações Jurisprudenciais nºs 40 e 135 da SBDI-1) - Res.
129/2005, DJ 20, 22 e 25.04.2005
A projeção do contrato de trabalho para o futuro, pela
concessão do aviso prévio indenizado, tem efeitos limitados
às vantagens econômicas obtidas no período de pré-aviso, ou
seja, salários, reflexos e verbas rescisórias. No caso de
concessão de auxílio-doença no curso do aviso prévio,
todavia, só se concretizam os efeitos da dispensa depois de
expirado o benefício previdenciário. (ex-OJs nºs 40 e 135 da
SBDI-1 – inseridas, respectivamente, em 28.11.1995 e
27.11.1998). (Grifo nosso).

b) Trabalhado: Quando o empregado trabalhará durante o aviso


prévio, ou seja, o empregado continuará exercendo as suas funções
habituais e no TRCT aparecerá como saldo de salário.
O empregado durante o cumprimento do aviso prévio trabalhado que
cometer falta grave poderá ter a rescisão convertida para justa causa,
conforme o artigo 491 da CLT.
Art. 491 - O empregado que, durante o prazo do aviso prévio,
cometer qualquer das faltas consideradas pela lei como justa para
a rescisão, perde o direito ao restante do respectivo prazo.

Se na vigência do aviso prévio, houver reajuste, esse reajuste incide


sobre as parcelas a receber.

c) Dispensado: Sendo o aviso prévio um direito irrenunciável do


empregado, o pedido de dispensa do cumprimento do mesmo não exime o
empregador de efetuar o pagamento do respectivo período, salvo se o
empregado comprovar que obteve novo emprego. A respectiva
comprovação se faz através de uma declaração do novo empregador.
Conforme Súmula 276 do TST que dispões:
AVISO PRÉVIO. RENÚNCIA PELO EMPREGADO (mantida) -
Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003. O direito ao aviso prévio é
irrenunciável pelo empregado. O pedido de dispensa de
cumprimento não exime o empregador de pagar o respectivo
valor, salvo comprovação de haver o prestador dos serviços
obtido novo emprego. (Grifo nosso)

No aviso prévio, tanto trabalhado quanto indenizado, o seu período de


duração integra o tempo de serviço para todos os efeitos legais, inclusive
reajustes salariais, férias, 13º salário e indenizações. Portanto, o aviso
prévio indenizado deve ser considerado para fins de anotação da baixa da
CTPS.
Assim, se o empregador demitir o empregado hoje, indenizando o
aviso de 30 dias, a data a ser anotada na CTPS é a data do fim dos 30 dias,

Aviso prévio 5
ainda que indenizados. Assim dispõe o art. 17 da Instrução Normativa SRT
15/2010, transcrito na íntegra abaixo:

Art. 17. Quando o aviso prévio for indenizado, a data da saída a


ser anotada na Carteira de Trabalho e Previdência Social - CTPS
deve ser:
I - na página relativa ao Contrato de Trabalho, a do último dia da
data projetada para o aviso prévio indenizado; e
II - na página relativa às Anotações Gerais, a data do último dia
efetivamente trabalhado.
Parágrafo único. No TRCT, a data de afastamento a ser
consignada será a do último dia efetivamente trabalhado.

DURAÇAO DO AVISO PRÉVIO (PROPORCIONALIDADE)

Aviso prévio proporcional ao tempo de serviço de 08 dias, consoante


Art. 487, I - CLT, não existe mais, pois, com o advento da CF/882 a duração
do aviso prévio passou as ser de 30 dias, Art. 487, II - CLT. Mas, com a
publicação da Lei 12.506/20113 a duração do aviso prévio passou a ser
contado de acordo com o tempo de serviço do empregado, sendo de no
mínimo 30 (trinta) dias para aquele que tiver menos um ano de vínculo
empregatício na mesma empresa, acrescidos 3 (três) dias por ano de
serviço prestado até o máximo de 60 (sessenta) dias, perfazendo um total de
até 90 (noventa) dias.
Pelo fato da nova lei não ter especificado exatamente como o
acréscimo dos 3 dias será computado, mas através dos princípios do Direito
do Trabalho pode-se concluir que:

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CF/88. Art. 7º - São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem
à melhoria de sua condição social:
XXI - aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo no mínimo de trinta dias, nos
termos da lei.
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LEI Nº 12.506, DE 11 DE OUTUBRO DE 2011.Art. 1º O aviso prévio, de que trata o
Capítulo VI do Título IV da Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, aprovada pelo
Decreto-Lei no 5.452, de 1o de maio de 1943, será concedido na proporção de 30 (trinta)
dias aos empregados que contem até 1 (um) ano de serviço na mesma empresa.
Parágrafo único. Ao aviso prévio previsto neste artigo serão acrescidos 3 (três) dias por ano
de serviço prestado na mesma empresa, até o máximo de 60 (sessenta) dias, perfazendo
um total de até 90 (noventa) dias.

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Tabela correspondente a proporcionalidade do aviso prévio

Tempo Trabalhado em anos Dias de Aviso


Até menos de 1 ano 30
1 ano 33
2 anos 36
3 anos 39
4 anos 42
5 anos 45
6 anos 48
7 anos 51
8 anos 54
9 anos 57
10 anos 60
11 anos 63
12 anos 66
13 anos 69
14 anos 72
15 anos 75
16 anos 78
17 anos 81
18 anos 84
19 anos 87
A partir de 20 anos 90

Ainda, com relação a proporcionalidade do aviso prévio pode-se


considerar que a proporcionalidade do aviso prévio não de ser aplicada a
favor do empregador, ou seja, quando o empregado pede demissão o aviso
prévio não poderá ser superior a 30 dias, independente do tempo de serviço
na mesma empresa. (Não é um entendimento unanime).

DA NÃO CONCESSÃO

Se o empregado concede o aviso prévio e não trabalha no prazo


respectivo o empregador tem o direito de reter de seu salário o valor
correspondente ao número de dias do aviso prévio não trabalhado, conforme
artigo 487, parágrafo 2º da CLT. Se a falta for do empregador terá que pagar
os dias ao empregado.

Art. 487 - Não havendo prazo estipulado, a parte que, sem justo
motivo, quiser rescindir o contrato deverá avisar a outra da sua
resolução com a antecedência mínima de:
§ 1º - A falta do aviso prévio por parte do empregador dá ao
empregado o direito aos salários correspondentes ao prazo do
aviso, garantida sempre a integração desse período no seu tempo
de serviço.
§ 2º - A falta de aviso prévio por parte do empregado dá ao
empregador o direito de descontar os salários correspondentes ao
prazo respectivo.

Aviso prévio 7
§ 3º - Em se tratando de salário pago na base de tarefa, o cálculo,
para os efeitos dos parágrafos anteriores, será feito de acordo
com a média dos últimos 12 (doze) meses de serviço.
§ 4º - É devido o aviso prévio na despedida indireta.
§ 5º - O valor das horas extraordinárias habituais integra o aviso
prévio indenizado.
§ 6º - O reajustamento salarial coletivo, determinado no curso do
aviso prévio, beneficia o empregado pré-avisado da despedida,
mesmo que tenha recebido antecipadamente os salários
correspondentes ao período do aviso, que integra seu tempo de
serviço para todos os efeitos legais.

REDUÇÃO DA JORNADA

Durante o prazo do aviso o empregado demitido tem o direito na


redução da jornada em duas horas diárias ou de sete dias corridos,
conforme artigo 488, parágrafo único da CLT.
É proibido substituir o pagamento do período do aviso prévio pelo
pagamento das horas correspondentes, Súmula 230 do TST. Por desvirtuar
o espírito da lei, que é a garantia do empregado à busca de novo emprego.

Súmula Nº 230 - Aviso prévio. Substituição pelo pagamento das


horas reduzidas da jornada de trabalho. É ilegal substituir o
período que se reduz da jornada de trabalho, no aviso prévio, pelo
pagamento das horas correspondentes.

A redução da jornada fica a critério do empregador ou de comum


acordo entre as partes, podendo ser no início, meio ou fim da jornada.
Integram a remuneração do aviso prévio, além do salário normal, as
horas extras habitualmente prestadas, a comissões, prêmios, gratificações e
outras parcelas pagas mensalmente.
Ocorrendo a rescisão do contrato de trabalho por iniciativa do
empregado, o mesmo cumprirá a jornada de trabalho integral durante todo o
aviso prévio, pois se presume que já tenha encontrado outro emprego, não
havendo, portanto, a necessidade de redução e nem a falta ao trabalho.
Quanto à jornada inferior a 8 horas, o legislador não fez distinção.

AVISO PRÉVIO DOMICILIAR

O aviso prévio domiciliar é considerado aquele em que o empregador


dispensaria o empregado de cumpri-lo trabalhando, sendo autorizado ao
empregado permanecer durante todo período em casa.
No Brasil essa modalidade não existe em virtude de falta de previsão
legal. O art. 18 da Instrução Normativa 15/2010 do MT dispõe que caso o
empregador não permita que o empregado permaneça em atividade no local
de trabalho durante o aviso prévio, na rescisão deverão ser obedecidas as
mesmas regras do aviso prévio indenizado.
O empregador somente estará isento desta multa se houver previsão
em acordo ou convenção coletiva de trabalho desta possibilidade. A

Aviso prévio 8
Constituição Federal assegura o reconhecimento das convenções e dos
acordos coletivos, conforme artigo 7º, inciso XXVI.

IRRENUNCIABILIDADE DO AVISO PRÉVIO

Com a finalidade de proteger o empregado contra uma possível


fraude, o TST editou a seguinte súmula:

Súmula N.º 276 o direito ao aviso prévio é irrenunciável pelo


empregado. O pedido de dispensa não exime o empregador de
pagar o respectivo valor, salvo comprovação de haver o prestador
dos serviços obtido novo emprego.

ESTABILIDADE NO AVISO PRÉVIO – ACIDENTE DO TRABALHO

Quando do acidente do trabalho o trabalhador tem a estabilidade


provisória. Tal entendimento não é unânime pela Justiça do Trabalho.

Súmula nº 378 do TST - ESTABILIDADE PROVISÓRIA.


ACIDENTE DO TRABALHO. ART. 118 DA LEI Nº
8.213/1991. (inserido item III) - Res. 185/2012, DEJT
divulgado em 25, 26 e 27.09.2012.
I - É constitucional o artigo 118 da Lei nº 8.213/1991 que
assegura o direito à estabilidade provisória por período de
12 meses após a cessação do auxílio-doença ao empregado
acidentado. (ex-OJ nº 105 da SBDI-1 - inserida em
01.10.1997)
II - São pressupostos para a concessão da estabilidade o
afastamento superior a 15 dias e a consequente percepção
do auxílio-doença acidentário, salvo se constatada, após a
despedida, doença profissional que guarde relação de
causalidade com a execução do contrato de emprego.
(primeira parte - ex-OJ nº 230 da SBDI-1 - inserida em
20.06.2001)
III - O empregado submetido a contrato de trabalho por
tempo determinado goza da garantia provisória de emprego
decorrente de acidente de trabalho prevista no n no art.
118 da Lei nº 8.213/91.

AUXILIO-DOENÇA NO AVISO PRÉVIO INDENIZADO

Nos casos de auxílio-doença no curso do aviso prévio, deve-se


observar os dias trabalhados e mais os 15 primeiros dias de afastamento se
não completarem o período do aviso prévio, a contagem do aviso prévio será
suspensa no 16º dia e, após a alta médica concedida pela Previdência
Social, o empregado retornará à empresa para cumprir o restante do aviso,
pois ocorreu a suspensão do contrato de trabalho no curso do aviso prévio
Conforme entendimento do TST através da Súmula 371 do TST:

Aviso prévio 9
Súmula nº 371 do TST - AVISO PRÉVIO INDENIZADO.
EFEITOS. SUPERVENIÊNCIA DE AUXÍLIO-DOENÇA NO
CURSO DESTE (conversão das Orientações
Jurisprudenciais nºs 40 e 135 da SBDI-1) - Res. 129/2005,
DJ 20, 22 e 25.04.2005
A projeção do contrato de trabalho para o futuro, pela
concessão do aviso prévio indenizado, tem efeitos
limitados às vantagens econômicas obtidas no período
de pré-aviso, ou seja, salários, reflexos e verbas
rescisórias. No caso de concessão de auxílio-doença no
curso do aviso prévio, todavia, só se concretizam os efeitos
da dispensa depois de expirado o benefício previdenciário.
(ex-OJs nºs 40 e 135 da SBDI-1 – inseridas,
respectivamente, em 28.11.1995 e 27.11.1998)(Grifo
Nosso).

INÍCIO DA CONTAGEM DO AVISO PRÉVIO

O prazo do aviso prévio conta-se a partir do dia seguinte ao


recebimento da comunicação, que deverá ser formalizada por escrito,
conforme dispõe o art. 20 da Instrução Normativa 15/2010.
O início da contagem do dia seguinte também independerá de ser ou
não dia útil, ou seja, o início da contagem será sempre o dia seguinte, ainda
que este seja domingo, feriado ou qualquer outro dia não útil.

Súmula nº 380 do TST - AVISO PRÉVIO. INÍCIO DA


CONTAGEM. ART. 132 DO CÓDIGO CIVIL DE 2002
(conversão da Orientação Jurisprudencial nº 122 da SBDI-1)
- Res. 129/2005, DJ 20, 22 e 25.04.2005
Aplica-se a regra prevista no "caput" do art. 132 do Código
Civil de 2002 à contagem do prazo do aviso prévio,
excluindo-se o dia do começo e incluindo o do vencimento.
(ex-OJ nº 122 da SBDI-1 - inserida em 20.04.1998)

INDENIZAÇÃO DA LEI 7.238/84

O trabalhador fará jus a indenização prevista no art. 9º da lei


7.238/84, somente quando o empregado termine o aviso prévio indenizado
ou trabalhado nos trinta dias que antecedem a data-base.

Art. 9º - O empregado dispensado, sem justa causa, no


período de 30 (trinta) dias que antecede a data de sua
correção salarial, terá direito à indenização adicional
equivalente a um salário mensal, seja ele optante ou não
pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS.

INTEGRAÇÃO AO TEMPO DE SERVIÇO

O aviso prévio dado pelo empregador, tanto trabalhado quanto


indenizado, o seu período de duração integra o tempo de serviço para todos

Aviso prévio 10
os efeitos legais, inclusive reajustes salariais, férias, 13º salário e
indenizações.

RECONSIDERAÇÃO DO AVISO PRÉVIO

Se a parte que concedeu o aviso prévio desejar, antes do término,


reconsiderar o ato, à outra é facultado ou não aceitar a reconsideração.
Pode a reconsideração ser expressa quando o notificado aceita a
reconsideração proposta, ou tácita, caso continue a prestação de serviço
depois de expirado o prazo do aviso prévio.

FALTA GRAVE NO CURSO DO AVISO PRÉVIO

Ocorrendo do empregador ou do empregado cometer, durante o


curso do aviso prévio, falta grave, poderá qualquer das partes rescindir
imediatamente o contrato de trabalho.
No caso do empregador, fica ele obrigado ao pagamento da
remuneração correspondente a todo o período de aviso prévio e as demais
parcelas de direito.
Quando a falta grave cometida for pelo empregado, exceto a de
abandono de emprego, perderá o direito ao restante do prazo do aviso
prévio.

AVISO PRÉVIO NA RESCISÃO CONSENSUAL - FORMA TRABALHISTA

A nova legislação (Lei 13.467/17) institui a Demissão Consensual,


quando a extinção do contrato de trabalho acontece de comum acordo entre
empregador e empregado.
Nos termos do artigo 484-A:

Art. 484-A. O contrato de trabalho poderá ser extinto por acordo


entre empregado e empregador, caso em que serão devidas as
seguintes verbas trabalhistas: (Incluído pela Lei nº 13.467, de
2017)
I - por metade:
a) o aviso prévio, se indenizado; e
b) a indenização sobre o saldo do Fundo de Garantia do Tempo
de Serviço, prevista no § 1o do art. 18 da Lei no 8.036, de 11 de
maio de 1990;
II - na integralidade, as demais verbas trabalhistas.
§ 1o A extinção do contrato prevista no caput deste artigo permite
a movimentação da conta vinculada do trabalhador no Fundo de
Garantia do Tempo de Serviço na forma do inciso I- A do art. 20
da Lei no 8.036, de 11 de maio de 1990, limitada até 80% (oitenta
por cento) do valor dos depósitos.
§ 2o A extinção do contrato por acordo prevista no caput deste
artigo não autoriza o ingresso no Programa de Seguro-
Desemprego.

Aviso prévio 11
Portanto, essa modalidade de extinção do contrato não autoriza a
habilitação do empregado no seguro-desemprego, multa do FGTS é de 20%,
saque do FGTS é de 80% e o aviso prévio indenizado corresponde a 50%.

NÃO CABE AVISO PRÉVIO

a) Na despedida por justa causa;


b) Quando se tratar de contrato por prazo determinado (cabe no caso de
conter cláusula assecuratória do direito recíproco de rescisão antecipada e
for executada);
c) Na dissolução por força maior;
d) Na rescisão por culpa recíproca;
e) No prazo da estabilidade, conforme Súmula TST nº 348: É inválida a
concessão do aviso prévio na fluência da garantia de emprego, ante a
incompatibilidade dos dois institutos.

SÚMULA 348 TST


AVISO PRÉVIO. CONCESSÃO NA FLUÊNCIA DA GARANTIA DE
EMPREGO. INVALIDADE (mantida) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e
21.11.2003
É inválida a concessão do aviso prévio na fluência da garantia de
emprego, ante a incompatibilidade dos dois institutos.

SÚMULAS

Súmula nº 44 do TST:

A cessação da atividade da empresa, com pagamento da indenização,


simples ou em dobro, não exclui, por si só, o direito do empregado ao
aviso prévio.

Súmula nº 163 do TST:

Cabe aviso nas rescisões antecipadas dos contratos de experiência, na


forma do art. 481, da CLT.

Súmula nº 182 do TST:

O tempo do aviso prévio, mesmo indenizado, conta-se para efeito da


indenização adicional prevista no art. 9º da Lei nº 6.708, de
30.10.1979." Redação dada pela Res. 5/1983, DJ 09.11.1983

Súmula nº 230 do TST:

É ilegal substituir o período em que se reduz da jornada de trabalho, no


aviso prévio, pelo pagamento das horas correspondentes.

Súmula nº 276 do TST:

Aviso prévio 12
O direito ao aviso prévio é irrenunciável pelo empregado. O pedido de
dispensa de cumprimento não exime o empregador de pagar o valor
respectivo, salvo comprovação de haver o prestador dos serviços obtido
novo emprego.

Súmula TST nº 348:

É inválida a concessão do Aviso Prévio na fluência da garantia de


emprego, ante a incompatibilidade dos dois institutos.

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CCB – Art. 132.
CF/88 - Art. 7º, XXI
CLT - Arts. 449, 457, 458, 476, 477, 481, 482, 483, 487 a 491, 501 e 502 da CLT.
Lei nº 5.889/73.
Lei nº 6.708/79.
Lei nº 7.238/84.
Lei nº 7.712/88.
Lei nº 9.036/90.
Lei 12.506/2011.
Lei 13.467/2017.
IN SRT/MTE 3/2002, art. 18.
e IN nº 17/00.
TST – Súmulas

Aviso prévio 13