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UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS


DISCIPLINA: ANTROPOLOGIA DA RELIGIÃO
PROF: MARCELO NATIVIDADE
ALUNO: IAGO RODRIGUES RIBEIRO

Para a realização do trabalho de campo relacionado a atividade desta disciplina


resolvi fazer uma visita ao Campus do Itaperi da Universidade Estadual do Ceará,
localizada na Avenida Paranjana, 1700 em Fortaleza. Meu objetivo era encontrar um
jovem que se assumia como ateu (como, onde?) e que pudesse me proporcionar um
tempo de seu cotidiano e algumas respostas para indagações que preparei para essa
ida ao campo. Utilizando um contato que me foi passado por uma ex-colega de curso
das Ciências Sociais da UECE, conheci um interlocutor que se assumia como ateu (em
que situação?) e que se dispôs prontamente, após meu contato prévio com ele pela
rede social do Facebook, a responder minhas perguntas e ajudar no que mais fosse
possível. Esse interlocutor é também um aluno do sexto semestre do curso de
licenciatura em Ciências Sociais e a conversa com ele ocorreu no bloco R do Campus
no período entre 11: 00 horas e 13:00 horas, logo após o término da aula do
interlocutor.

Antes de iniciar a conversa propriamente dita, tive que esperar alguns minutos,
pois meu interlocutor participava de uma reunião para elaboração de uma chapa que
participaria do processo de eleições do Centro Acadêmico do curso de Ciências
Sociais. Observando a conversa, pude perceber um comportamento dele, que deixava
claro não permitir que seu ponto de vista fosse deixado de lado e tentava passar esse
conceito para seus futuros companheiros de chapa, e essa atitude me instigou a
começar o diálogo por um tópico que havia reservado para o fim. Terminada a reunião,
pude começar o contato com ele e, de forma inesperada, com sua namorada que
decidiu ficar e acompanhar a conversa e acabou acrescentando mais informações
interessantes. O primeiro assunto que abordei com meu interlocutor foi a militância ou
ativismo, como alguns chamam, no ateísmo. Sobre isso, ele foi bastante categórico em
afirmar que concordava plenamente com a formação de movimentos que lutassem pela
legitimação do ateísmo, ainda que com a ressalva de não ser radical a ponto de
discriminar outras crenças. Segundo ele, é importante que os ateus se coloquem contra
a influência religiosa em certos âmbitos como o político, que foi utilizado como
exemplo. Para demonstrar seu ponto de vista, ele mencionou que conhecia casos de
alguns anos antes onde indivíduos que se afirmavam ateus foram recusados para
vagas em certas empresas que não os aceitaram devido a sua opção de pensamento.
Para se defender disso, ele me informou que existiam leis que poderiam ser invocadas
pelos ateus para processar essas empresas que tivessem esse posicionamento e que
tinha certeza que esses indivíduos ganhariam o processo se resolvessem lutar
judicialmente. Dessa forma, ele afirmava que o ativismo deveria servir ao propósito de
defender os ateus de atitudes de preconceito através da colocação política quando
necessário e desmistificando o senso comum sobre esse tipo de pensamento, que para
ele consiste numa "não-crença" ou na ausência de religião, vista ainda hoje de forma
negativa por muitos.

O próximo assunto discutido foi a formação religiosa familiar dele e o momento


de ruptura com a religião. Ele me relatou que foi criado em um ambiente católico e que
nunca se sentiu verdadeiramente ligado às crenças dos pais, comparecendo a eventos
religiosos como missas apenas forçadamente. (Pensar no texto "Transmissao religiosa
na familia") A fé em uma força maior e orações para que fosse garantida uma vida boa
e próspera, simplesmente não faziam sentido como ele afirmou e assim, o ateísmo veio
de forma natural. (peça que ele explique mais esse ponto) Por esse motivo, ele me
disse que não considera que houve um momento de real ruptura por nunca ter havido
uma ligação de fato. Depois disso, perguntei a ele como foi a reação dos pais quando
ele se afirmou como descrente. De início, ele afirma que passou por algumas
reclamações e reprimendas desse tipo: "Como assim não acredita em Deus, tem que
acreditar!", mas que com o tempo sua posição foi respeitada, ainda que segundo o
relato dele, o pai reclame as vezes. Ele considera que, devido ao seu comportamento
responsável com relação as suas obrigações como estudo e posteriormente trabalho,
seus pais perceberam que a opinião divergente com relação a crença não fazia dele
uma pessoa ruim, parecido com a opinião preconceituosa de algumas pessoas que ele
menciona com humor acharem que ser ateu é algo maligno relacionado com o
demônio. Sobre esse preconceito ele disse: "Como teria relação com demônio se
também não acredito nele?". De uma forma geral, ele não se recorda de muitos outros
casos de hostilidade com relação a seu posicionamento.

Nesse momento, a namorada do interlocutor entrou na conversa, pois me dirigi a


ela e indaguei sobre sua religião. Ela me relatou que também teve criação católica e
que já foi muito relacionada com a Igreja, mas que atualmente não se considerava
católica e apenas acreditava na existência de Deus da sua própria maneira, "O Deus
de cada um" como ela afirmou que considera. (Escreva mais). Resolvi perguntar para o
interlocutor como era sua relação com os pais católicos da namorada. Ele afirmou que
nunca houve problemas com relação a sua forma de pensar, mesmo quando se
assumiu (falar mais) para eles como ateu e que a relação era de respeito mútuo.
Segundo ele, não tinha conflitos com pessoas religiosas, contanto que estas
respeitassem sua forma de pensar. Com aqueles que como ele classifica são
pregadores de uma "ditadura celestial" e afirmam que ser ateu é de fato ruim e que o
destino dessas pessoas é queimar no inferno e castigos do gênero discute e
argumenta de maneira forte defendendo sua posição sem reservas.

Para concluir esse contato inicial e firmar a possibilidade de mais encontros em


um futuro próximo, perguntei sobre possíveis amigos que também se dizem ateus (são
pessoas sem religiao) e se seria possível que os contatasse para que pudéssemos
promover uma conversa coletiva (nunca) e ele afirmou conhecer alguns, afirmando
que se comunicaria com eles para fazer o convite. (inserir essas indicações na sua
mostra). Além disso, meu interlocutor se interessou quando mencionei conhecer alguns
ateus em meu convívio na Universidade Federal do Ceará e sugeriu que poderia ser
interessante um encontro em que todos nos juntássemos para uma conversa Agradeci
a ele e sua namorada pela disponibilidade e disposição para conversar e prometi
continuar o contato para fazer possíveis arranjos de uma reunião e uma futura
entrevista mais demorada.

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