Você está na página 1de 198

Volume 1

Instituto Cidade de Deus

Etapa 3 – Volume 1

Editora
Cidade de Deus

3
FICHA CATALOGRÁFICA
Instituto Cidade Deus
Coleção Hypomoné: Etapa III / Instituto Cidade de Deus – São Carlos: Editora
Cidade de Deus, 2020.

1. Material Didático 2. Religião Católica 3. Educação Católica


I. Instituto Cidade de Deus II. Título III. Coleção.

CDD – 200.71

Todos os direitos reservados.


Proibida toda e qualquer reprodução desta edição por qualquer meio ou forma, seja ela eletrônica
ou mecânica, fotocópia, gravação ou qualquer outro meio de reprodução, sem permissão expressa
do Instituto Cidade de Deus.
Sobre a capa

SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA (LISBOA), PRESBÍTERO E DOUTOR DA IGREJA


(13 de junho)
Nasceu em Lisboa (Portugal), no final do século XII. Foi recebido entre os Cônegos
Regulares de Santo Agostinho, mas pouco depois de sua ordenação sacerdotal transferiu-se para a
Ordem dos Frades Menores com a intenção de dedicar-se à propagação da fé entre os povos da
África. Foi, entretanto, na França e na Itália que ele exerceu com excelentes frutos o ministério da
pregação, convertendo muitos hereges. Foi o primeiro professor de teologia na sua Ordem.
Escreveu vários sermões, cheios de doutrina e de unção espiritual. Morreu em Pádua no ano de
1231.
Santo Antônio de Pádua, rogai por nós!

1
2
Sumário
Apresentação do Instituto ................................................................................................................ 7
Quem somos ........................................................................................................................ 7
Nosso objetivo ..................................................................................................................... 7
Por que fazer o ensino cristão? ............................................................................................ 8
Aos mestres ..................................................................................................................................... 9
Aos estudantes ............................................................................................................................... 10
Orientações para antes dos Estudos ................................................................................... 11
Dicas práticas para a organização da rotina .................................................................................. 14
Cronograma ....................................................................................................................... 14
Orações para antes dos estudos ..................................................................................................... 21
Estudo Sagrado............................................................................................................................ 23
Significado da capa ....................................................................................................................... 24
Introdução...................................................................................................................................... 25
Semana 1 ....................................................................................................................................... 30
Doutrina Sagrada ............................................................................................................... 30
Amizade com Deus............................................................................................................ 32
Vida de Jesus ..................................................................................................................... 40
Semana 2 ....................................................................................................................................... 42
Doutrina Sagrada ............................................................................................................... 42
Amizade com Deus............................................................................................................ 44
Vida de Jesus ..................................................................................................................... 47
Semana 3 ....................................................................................................................................... 49
Doutrina Sagrada ............................................................................................................... 49
Amizade com Deus............................................................................................................ 51
Vida de Jesus ..................................................................................................................... 55
Semana 4 ....................................................................................................................................... 56
Doutrina Sagrada ............................................................................................................... 56
Amizade com Deus............................................................................................................ 59
Vida de Jesus ..................................................................................................................... 61
Língua Portuguesa ...................................................................................................................... 65
Orientações para a disciplina de Língua Portuguesa ..................................................................... 67

3
Atividades de Leitura .................................................................................................................... 68
Para Os responsáveis: Dicas Valiosas ........................................................................................... 69
Primeiro Dia ...................................................................................................................... 71
Segundo Dia ...................................................................................................................... 76
Terceiro Dia....................................................................................................................... 78
Quarto Dia ......................................................................................................................... 80
Quinto Dia ......................................................................................................................... 84
Sexto Dia ........................................................................................................................... 87
Sétimo Dia ......................................................................................................................... 89
Oitavo Dia ......................................................................................................................... 93
Nono Dia ........................................................................................................................... 94
Décimo Dia ....................................................................................................................... 97
Décimo Primeiro Dia ...................................................................................................... 102
Décimo Segundo Dia ...................................................................................................... 105
Décimo Terceiro Dia ....................................................................................................... 108
Décimo Quarto Dia ......................................................................................................... 110
Décimo Quinto Dia ......................................................................................................... 113
Décimo Sexto Dia ........................................................................................................... 115
Décimo Sétimo Dia ......................................................................................................... 118
Décimo Oitavo Dia.......................................................................................................... 121
Matemática ................................................................................................................................ 123
Introdução ................................................................................................................................... 125
A Importância dos números no plano da Salvação ......................................................... 125
O Mistério dos Números ................................................................................................. 125
Orientações ...................................................................................................................... 126
Capítulo 1 - Sistema De Numeração Indo-Arábico .................................................................... 129
O Mistério Dos Números De Rábano Mauro .................................................................. 129
O Número 11 ................................................................................................................... 129
Unidade ........................................................................................................................... 130
Dezena ............................................................................................................................. 130
Centena ............................................................................................................................ 131
Ordens E Classes ............................................................................................................. 132
Leitura e escrita dos números por extenso ...................................................................... 134

4
Atividade ......................................................................................................................... 135
Ciências ...................................................................................................................................... 137
Introdução.................................................................................................................................... 139
Capítulo 1 - Fundamentos ........................................................................................................... 140
Aula 1 – O Que É Ciências ......................................................................................................... 140
Atividades ............................................................................................................ 141
Capítulo 1 - Fundamentos ........................................................................................................... 142
Aula 2 – Hierarquia Das Ciências ............................................................................................... 142
Ciência Sagrada ............................................................................................................... 142
Atividades ............................................................................................................ 144
Capítulo 1 - Fundamentos ........................................................................................................... 146
Aula 3 - Hierarquia Das Ciências ................................................................................................ 146
Ciências Naturais ............................................................................................................. 146
Atividades ............................................................................................................ 148
Capítulo 1 - Fundamentos ........................................................................................................... 149
Aula 4 – Estudo Da Criação ........................................................................................................ 149
Atividade ............................................................................................................. 149
Atividades ............................................................................................................ 150
História ....................................................................................................................................... 151
Significado da Imagem................................................................................................................ 152
Capítulo 1 - Apresentação da disciplina História ........................................................................ 153
Por Que estudar História?................................................................................................ 153
Introdução ........................................................................................................................ 154
Comentário da Bíblia de Navarra à introdução do Evangelho de São João .................... 155
Atividades ............................................................................................................ 156
Capítulo 2 .................................................................................................................................... 157
A Divindade E Eternidade De Jesus ................................................................................ 157
Atividades ............................................................................................................ 158
Capítulo 3 .................................................................................................................................... 159
A Encarnação do Verbo e a sua manifestação como Homem ......................................... 159
Atividades ............................................................................................................ 160
Capítulo 4 .................................................................................................................................... 161
A Intervenção do Verbo na Criação e na obra salvífica da humanidade......................... 161

5
Atividade ............................................................................................................. 164
Geografia.................................................................................................................................... 165
Objetivos Da Geografia .............................................................................................................. 167
Qual a Importância desta Ciência? Como ela nos ajuda a buscar a santidade? .............. 167
Orientações Práticas ........................................................................................................ 167
A Geografia Católica ....................................................................................................... 168
Capítulo 1 - Desígnio do Amor de Deus para a humanidade e para o mundo ............................ 171
Reforçando O Saber ............................................................................................ 172
Capítulo 2 - A Missão Divina (Parte 1) ...................................................................................... 173
Reforçando O Saber ............................................................................................ 175
Capítulo 3 - A Missão Divina (Parte 2) ...................................................................................... 176
Para Quem Trabalhar? ..................................................................................................... 178
Reforçando O Saber ............................................................................................ 179
Arte ............................................................................................................................................. 181
Introdução ................................................................................................................................... 183
Estudo da Arte: Qual a importância? .......................................................................................... 184
Deus: Criador de todas as coisas. Homem: Criatura capaz de criar................................ 184
Arte Sacra: Santas Imagens ............................................................................................. 186
Beleza: Expressão e Reflexo de Deus ............................................................................. 188
Atividades ................................................................................................................................... 190
Exercício 1....................................................................................................................... 190
Exercício 2....................................................................................................................... 190
Exercício 3....................................................................................................................... 190
Exercício 4....................................................................................................................... 190

6
Apresentação do Instituto
Quem somos
O Instituto Cidade de Deus é formado por um grupo de professores católicos que deseja
educar crianças e jovens para a santidade e sabedoria.
Ao longo de nossa atividade docente, percebemos que existe um projeto global de
destruição das famílias, da inteligência e da verdade, que transforma nossos estudantes em
materialistas e ateus usando a educação para este fim. Por isso, resolvemos nos dedicar
exclusivamente à elaboração de um programa educacional tradicional, o qual servirá de base para
pais e mestres formarem seus educandos na verdadeira sabedoria.
Preparamos um material que abrange as idades de 4 a 14 anos, distribuído em dez volumes
por etapa. Seguimos o padrão curricular brasileiro, contudo, usamos um referencial teórico
totalmente fundamentado na Sagrada Escritura, na piedade, na Tradição Católica, no autêntico
Magistério, nos escritos dos Santos e intelectuais católicos.

Nosso objetivo
Nosso objetivo é, através da educação, levá-los a conhecer intimamente a Deus, a amá-Lo
acima de tudo e de todos e a desejar viver com Ele por toda a eternidade, o que se reflete
fundamentalmente nas fortes palavras de Monsenhor Gaume:
“Fazer o ensino cristão eis o intento da luta; eis a empresa que é preciso tentar, e que é
preciso realizar. Isto quer dizer:
É preciso que o cristianismo substitua o paganismo na educação.
É preciso reatar o fio do ensino católico, manifesta, sacrílega e infelizmente
quebrado na Europa (e no mundo inteiro).
É preciso pôr ao pé do berço das gerações nascentes a fonte pura da verdade, em
vez das cisternas impuras do erro; o espiritualismo em vez do sensualismo; a ordem em vez
da desordem; a vida em vez da morte.
É preciso introduzir novamente o princípio católico nas ciências, nas letras, nas
artes, nos costumes, nas instituições, para curá-las das vergonhosas moléstias que as
devoram e para as subtrair à dura escravidão em que gemem.
É preciso salvar assim a sociedade, se ela ainda pode ser salva, ou ao menos impedir
que não pereça toda a carne no cataclismo que nos ameaça.
É preciso ajudar assim os desígnios manifestos da Providência, já temperando,
como o aço, aqueles que devem suportar o embate da luta, para que avancemos
rapidamente; já conservando à religião um pequeno número de fiéis destinados a serem o
gérmen d'um reino glorioso de paz e justiça”. (Monsenhor Gaume, “Paganismo na
Educação”, 1886, p. 12-13, editado)
Somos inspirados pela encíclica Divini Illius Magistri, de Pio XI, na qual o Sumo Pontífice
exorta os católicos a educarem seus filhos para o fim último, o Céu. Para isso, a Religião deve ser
o “fundamento e a coroa de toda a instrução”, de modo que “não só em determinadas horas se
ensine aos jovens a religião, mas que toda a restante formação respire a fragrância da piedade
cristã”. Estas frases do saudoso Papa Pio XI fazem parte da essência daquilo que Deus espera da
educação.

7
É cada vez maior o número de pessoas conscientes, que compreendem o modelo atual de
educação como um modelo que levará o mundo ao mais profundo abismo.
Entre tantas mentiras que as ideologias implantaram na educação, a maior delas foi
desassociar o conhecimento de Deus do entendimento e da sabedoria. Não é possível ser
verdadeiramente sábio e entendido sem conhecer a Deus.
“A sociedade está enferma, muito enferma. Sintomas cada vez mais assustadores
não nos deixam duvidar da gravidade do mal (...). É, pois, preciso um remédio
enérgico. O ponto capital não é fazer o ensino livre, é fazê-lo cristão. De outro
modo a liberdade só servirá para abrir novas fontes envenenadas onde a mocidade
virá beber a morte”. (Mons. Gaume, p. 12)

Por que fazer o ensino cristão?


“[Porque] Não se pode dar verdadeira educação sem que esta seja ordenada para o
fim último, assim na ordem atual da Providência, isto é, depois que Deus se nos
revelou no Seu Filho Unigênito que é o único ‘caminho, verdade e vida’, não pode
dar-se educação adequada e perfeita senão a cristã”. (Pio XI)
A solução para a educação não está nas ideologias vigentes, no “clássico” ou no
“conservadorismo”, pois não existe verdadeiro conservadorismo se não for católico. A solução
somente se encontra na educação católica conservadora. Muitos se digladiam com
questionamentos sobre os melhores métodos e o mais adequado modelo educacional, ficam
demasiadamente preocupados com essa ou aquela divisão do saber, enquanto a Religião
permanece em segundo plano.
Ao orientarmos todos os nossos estudos, todo nosso empenho e tudo que temos para
conhecer a Deus, nosso desejo de saber será saciado.
“Se somente Deus for visto, Ele, que é a fonte e o princípio de todo o ser e de toda
a verdade, preencherá o desejo natural de saber, a tal ponto que nada mais se
buscará; e assim se há de ser bem-aventurado”. (Santo Tomás de Aquino)
Nosso material foi feito para reatar o fio do ensino católico rompido desde o Renascimento.
Ao mesmo tempo, nossa intenção foi presentear a Mãe de Deus com um material verdadeiramente
católico e piedoso em vista do advento do Reino de Maria, profetizado por São Luís Grignion de
Montfort.
Não será nada fácil o longo caminho que percorreremos
juntos, mas Deus nunca prometeu facilidades e sim a graça
necessária para passarmos pelas dificuldades. Você não está
sozinho. Deus está com você, Maria Santíssima está com você, seu
Anjo da Guarda e os seus Santos de devoção estão com você!
Dedicamos todas as nossas forças para elaborar um material
que leve os educandos à plena configuração a Cristo, à santidade, ao
Céu!
Quando São João Maria Vianney estava indo para Ars, a
cidade onde seria pároco, encontrou um menino e disse-lhe: Mostre-
me o caminho para Ars e eu te mostrarei o caminho para o paraíso!
Esta é a nossa meta: mostrar-lhes o caminho para o paraíso!

8
Aos mestres
Senhores Mestres,
É de suma importância compreender a essência, a importância da Educação cristã para
educar seus filhos. De acordo com o Papa Pio XI, em sua Carta encíclica Divini Illius Magistri
(acerca da educação cristã da juventude),

“Consistindo a educação essencialmente na formação do homem como ele deve ser e


portar-se, nesta vida terrena, em ordem a alcançar o fim sublime para que foi criado, é
claro que, assim como não se pode dar verdadeira educação sem que esta seja ordenada
para o fim último, assim na ordem atual da Providência, isto é, depois que Deus se nos
revelou no Seu Filho Unigênito que é o único - caminho, verdade e vida, - não pode
dar-se educação adequada e perfeita senão a cristã.
Daqui ressalta, com evidência, a importância suprema da educação cristã, não só para
cada um dos indivíduos, mas também para as famílias e para toda a sociedade humana,
visto que a perfeição desta resulta necessariamente da perfeição dos elementos que a
compõem.
Mas não há palavras que nos revelem tão bem a grandeza, a beleza, a excelência
sobrenatural da obra da educação cristã, como a sublime expressão de amor com a qual
Nosso Senhor Jesus Cristo, identificando-se com os meninos, declara: ‘Todo aquele que
receber em meu nome um destes pequeninos, a mim recebe’ ”.

Continua:
“O fim próprio e imediato da educação cristã é cooperar com a graça divina na
formação do verdadeiro e perfeito cristão (...)a fim que também a vida de Jesus se
manifeste na vossa carne mortal”.

Cabe aos pais saber, segundo o sagrado Magistério da Santa Mãe Igreja Católica, que a
família é uma comunidade privilegiada, chamada a realizar a comunhão das almas, o comum
acordo dos esposos e a diligente cooperação na educação dos filhos:
“Os pais são os primeiros responsáveis pela educação dos filhos. Testemunham esta
responsabilidade primeiro pela criação de um lar onde são regra a ternura, o perdão, o
respeito, a fidelidade e o serviço desinteressado. O lar é um lugar apropriado para a
educação das virtudes, a qual requer a aprendizagem da renúncia, de sãos critérios, do
autodomínio, condições da verdadeira liberdade. Os pais têm a grave responsabilidade de
dar bons exemplos aos filhos. Sabendo reconhecer diante deles os próprios defeitos, serão
mais capazes de os guiar e corrigir.” (CIC, 2223)

9
Aos estudantes
Caríssimos alunos,
É um prazer imenso para todos nós, do Instituto Cidade de Deus, poder contribuir, junto
com os seus pais, para a sua formação. Lembre-se que estudar é algo que agrada muito a Deus,
quando feito com o objetivo certo. Para que estudar? Quem irá responder é Santo Agostinho:
“Há pessoas que desejam saber só por saber, e isso é curiosidade; outras, para
alcançarem fama, e isso é vaidade; outras, para enriquecerem com a sua ciência, e
isso é um negócio torpe; outras, para serem edificadas, e isso é prudência; outras,
para edificarem os outros, e isso é caridade.”

Para que estudar? Para amar a Deus e ao próximo com a inteligência que você adquiriu.
Estude para edificar os outros e estabelecer em sua alma, em sua família e no mundo o triunfo de
Jesus Cristo e de Sua Igreja.
Não será nada fácil o longo caminho que percorreremos juntos, mas Deus nunca prometeu
facilidades e sim a graça necessária para passarmos pelas dificuldades. Você não está sozinho.
Deus está com você, Maria Santíssima está com você, seu Anjo da Guarda e os seus santos de
devoção estão com você! A Igreja Católica e os seus pais estão com você. Agora também temos a
honra de participar da sua vida e acompanhá-lo no caminho do desenvolvimento da razão. Vamos
ao trabalho!
Nossa meta e sincero desejo para você, caro aluno: encontrar o caminho do paraíso!

10
Orientações para antes dos Estudos

Sabemos que o nosso estudo agrada a Deus, mas qual seria a melhor forma de estudar?
Esta é uma pergunta muito difícil, mas muitos santos, ao longo da História, como Hugo de São
Vítor, deixaram algumas dicas preciosas que podemos seguir.
As dicas são:
1. Seja humilde: a humildade é uma virtude essencial para quem quer começar uma
verdadeira vida de estudante, cujo objetivo é a caridade e a sabedoria. Segundo Hugo de
São Vítor, a humildade é o princípio do aprendizado. Sem ela, o estudo só inchará o seu
orgulho. Uma virtude é um bom hábito, ou seja, é algo que precisa ser praticado todos os
dias para ser alcançado. O bom estudante deve ser humilde e manso, inteiramente alheio
aos cuidados do mundo e às tentações dos prazeres. Consciente de que será preciso buscar
a humildade para começar a trilhar o caminho da sabedoria, você terá Nosso Senhor Jesus
Cristo como modelo perfeito na prática da humildade.

2. Oração: Antes de qualquer coisa que fazemos, convém que rezemos para pedir a Deus as
graças que necessitamos para atingir um resultado que agrada ao Senhor. Assim também é
com os estudos. Antes de iniciar os passos para um bom estudo, se recolha em silêncio,
eleve o seu coração a Deus e Lhe dirija uma oração sincera, atenta e humilde.

3. Ouvir os ensinamentos: Ouvir o que o outro quer nos ensinar parece uma tarefa fácil, mas
nem sempre isto acontece. Algumas vezes nos distraímos com muita facilidade ou
“ouvimos apenas por ouvir”, sem nos esforçarmos para compreender o que se fala. Quando
um ensinamento lhe está sendo apresentado, coloque toda a sua atenção para entender o
assunto.

4. Disciplina: Contemple toda a ordem do universo. Veja como tudo funciona ordenadamente
de tal forma a possibilitar a nossa existência. Isto tudo ocorre porque Deus governa todas
as coisas através de regras e leis que Ele mesmo estabeleceu. Imagine o universo sem
regras. Imagine se, de repente, o planeta Júpiter resolvesse “passear” perto do nosso planeta
Terra. Que grande desastre! Imagine se cada um seguisse sua própria lei no trânsito.
Quantos acidentes! O mundo e o homem necessitam de regras, leis e muita disciplina para
viver de forma ordenada. Organize junto com seus pais uma boa rotina e a contemple com
disciplina; tenha horário para sua oração, estudo, alimentação, esportes, etc. Com o esforço
diário aparecerão os frutos! No término deste capítulo iremos propor um cronograma como
modelo a partir do qual poderão organizar seus estudos.

5. Leitura: A leitura é um passo fundamental para o bom estudo. Leia atentamente, buscando
compreender bem o que o texto quer lhe ensinar. Busque o significado das palavras que
lhe são desconhecidas em um bom dicionário. Quando o texto for fácil, não o leia correndo
de tal modo que se possa perder informações essenciais. Quando for difícil, não desanime

11
diante dos obstáculos. Sabemos que é muito reconfortante entender um texto complexo.
Peça ajuda do Espírito Santo, fonte da inteligência. Porém, tome cuidado com alguns tipos
de textos que “caem” em nossas mãos, pois o demônio muitas vezes nos ataca através de
más leituras.
Certa vez Dom Bosco teve um sonho no qual via um navio que representava a Igreja
sendo atacado por inimigos furiosos e, para nossa surpresa, uma das armas de ataque eram
livros incendiados que eram lançados sobre a barca de São Pedro. Vejam que sonho
impressionante e cheio de lições para nós!
São Jerônimo dedicava horas e horas de seus dias lendo, estudando e até decorando
livros de clássicos latinos (Cícero, Virgílio, Horácio, Tácito) e ainda encontrava disposição
para conhecer autores clássicos gregos. Tal era seu entusiasmo e admiração pelos escritores
clássicos que logo formou uma biblioteca só com obras deles, chegando até a copiar a mão
vários desses livros.
Um dia Jerônimo estava em oração e teve uma visão de seu julgamento. O próprio
Nosso Senhor Jesus Cristo presidia o Tribunal e perguntava sobre seu estado de alma e sua
fé:
– Sou cristão, responde Jerônimo.
Ao que o Juiz lhe replicou com severidade:
– Mentira! Tu não és cristão, mas ciceroniano…
Isso seria o mesmo que dizer: “Não és de Cristo, és de Cícero.”
O Juiz mandou que ele fosse açoitado. Os assistentes pediram clemência
argumentando que ele ainda era jovem e poderia corrigir-se, arrepender-se e salvar-se.
Diante do que lhe acontecia, Jerônimo reconheceu o estado de alma em que se encontrava
e tomou a única atitude que lhe seria conveniente: reconheceu seu erro e pediu perdão.
Naquele instante, ele fez o firme propósito de emendar-se:
“Desde aquela hora eu me entreguei com tanta diligência e atenção a ler as
coisas divinas, como jamais havia tido nas humanas”, (carta de São
Jerônimo a Santa Eustáquia).
Formados pelo exemplo dos santos e movidos pela busca de santidade de vida,
sugerimos ainda dois passos importantes após a leitura: o resumo e a memorização.
Um resumo consiste em descrever as principais informações contidas no texto lido
de forma que fique somente o essencial. Se você não foi capaz de resumir o texto, pode
significar que não entendeu o mesmo. Depois de resumir as principais ideias do texto, é
necessário que você as memorize de tal modo que fiquem guardadas em sua memória.
Certamente é difícil memorizar todas as informações de um texto, mas o que se pede é que
se retenha somente as principais, pois a memória existe para guardar em nosso interior
aquilo que se aprendeu. Este passo é fundamental para chegar ao próximo.

6. Meditação: Se a leitura é o início, a meditação é o término do processo, ou seja, através


da leitura extraímos do texto suas principais informações; já através da meditação
buscamos a causa, a origem, a utilidade e a finalidade de cada coisa. Hugo de São Vítor

12
disse que o princípio da doutrina está na leitura, e, sua consumação, na meditação. Esta é
uma espécie de admiração das coisas estudadas, buscando dissipar tudo o que é obscuro no
que se estudou. Para meditar sobre algo é necessário você conduzir o seu pensamento na
direção de uma ideia e se esforçar para explicar as coisas que ainda não são claras. Depois
disso virá a contemplação.

7. Contemplação: A diferença entre a meditação e a contemplação está na “claridade”


daquilo que se pensa, isto é, na meditação buscamos explicar ideias que ainda não são
claras, já na contemplação o que pensamos já está claro, mas deve ser admirado. Outra
diferença entre esses dois passos do estudo é que a meditação se ocupa de uma única coisa,
já a contemplação reflete sobre muitas.

Para ficar mais claro todos esses passos vamos dar um exemplo:
Imagine um quebra-cabeça cuja imagem não lhe é conhecida. Primeiramente, você
deverá conhecer as peças do jogo, virando-as de tal forma que apareçam as suas formas e
cores (leitura). Depois você deverá reunir as peças que se assemelham e separá-las em
blocos (resumo e a memorização). Após separar, você deve tentar reunir as peças,
começando pelos blocos com as cores e formas semelhantes, esforçando-se para descobrir
a imagem do quebra-cabeça (meditação). Quando as peças começarem a se encaixar, você
começará a ter maior noção do que se trata o jogo, e, depois de várias tentativas, com erros
e acertos, você descobrirá a belíssima imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, mas isso
ainda não é a contemplação. Somente depois de terminar de encaixar todas as peças, após
muito esforço, você poderá olhar para aquela pintura feita por mãos celestes, com riqueza
de formas e cores, símbolos e significados, fitar aquela Mulher vestida de Sol com a Lua
debaixo de seus pés e se deleitar de tal modo que seu coração se elevará até a Virgem,
como se ela estivesse em pessoa ali, naquele simples quebra-cabeça, e lhe dirigirá uma
belíssima oração de agradecimento pelo seu sim, que nos trouxe o Salvador! Isto é
contemplação. Mas ainda não acabou.

8. Ensinar: Ainda resta este último e não menos importante passo. Após percorrer esse longo
trajeto proposto de Leitura, Resumo, Memorização, Meditação e Contemplação, você
precisará ensinar alguém aquilo que o estudo lhe proporcionou, recordando que Santo
Agostinho nos ensinou que edificar os outros por caridade é o motivo pelo qual se deve
estudar. Para ensinar, você deve trilhar “o caminho das pedras” e, somente assim, poderá
orientar outros sobre qual caminho tomar. Observe que você deve orientar e não carregar
aquele que se ensina. É um grande desafio. Entretanto, se esse passo não for dado, de nada
valeram os outros; e, se não se consegue ensinar, quer dizer que os passos anteriores não
foram cumpridos.

13
DICAS PRÁTICAS PARA a ORGANIZAÇÃO DA
ROTINA

Cronograma
A ordem do Universo reflete a grandeza de Deus, “pois Deus não é um Deus de desordem”
(1Cor 14, 33), “mas faça-se tudo com dignidade e ordem” (1Cor 14, 40). Isto nos inspira a
organizarmos um cronograma para os nossos estudos.
Cumprir o cronograma não é somente essencial para o bom desempenho acadêmico, mas
também para a vida espiritual. Você sabia que um mosteiro possui um cronograma rígido para que
os monges, ordenados por uma rotina, ordenem também sua vida interior? Tudo em nós deve
refletir ordem, seja nossa vida interior, sejam exterior (atitudes), como nos demonstra a sabedoria
dos santos:
“Desorganização e desordens externas são sinais de desorganização interna”.
São Francisco de Sales
“Preserve a ordem e a ordem preservará você”.
São Bernardo
“Quando você mantiver sua vida em ordem, seu tempo se multiplicará e, portanto, você será
capaz de dar mais glória a Deus, trabalhando mais avidamente a Seu serviço”.
São José Maria Escrivá
Segundo Mary Kay Clark, “disciplina e discípulo vêm da mesma raiz. Se queremos ser
verdadeiros discípulos de Jesus Cristo, precisamos ter a disciplina necessária para seguir Seus
mandamentos e ensinar nossos filhos a segui-los ao invés de suas vontades egoístas. Ser
disciplinado é viver com regras. Significa estar sob controle. Para a família católica, significa
obediência às regras de Deus”.
É necessário, portanto, exigir disciplina e ordem de nossas crianças em relação aos estudos,
para que elas se adaptem em cumprir regras. Deste modo estarão aptos a obedecer a Deus. Com o
intuito de alcançar este objetivo, propomos abaixo um exemplo de cronograma, que leva em conta
as distribuições de horários que propomos com este material.
Ao elaborar uma rotina, um cronograma que deve ser seguido, os responsáveis deverão
levar em conta o tempo necessário para cada disciplina. Não existe um cronograma universal, que
se enquadre em todas as famílias, para todos os lugares e etapas. O responsável precisará discernir
e adequar toda necessidade e atividade.
Na educação infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, por exemplo, este
cronograma pode ser mais simples, uma vez que as disciplinas complementares (Ciências, História
e Geografia) seguem uma distribuição e proposta diferentes, e também precisarão de uma
flexibilidade maior do que os mais velhos. Mas, o fato é: organizar a rotina de estudos é
essencial para o aprendizado e para alcançar os objetivos propostos.
Tempo previsto para cada disciplina apresentada neste material:

14
- Estudo Sagrado: deve ser feito preferencialmente em família, prática diária, mas estudo uma vez
por semana;
- Língua Portuguesa: diariamente (o responsável deve mesclar as atividades das quatro partes
da disciplina, e não seguir apenas uma parte até o fim e depois ir para a outra.)
A partir do 4º ano, esta disciplina está dividida em quatro partes. Por ser o caso mais
complexo, utilizamos este caso como referência no modelo de cronograma):
-Leitura Mensal (LM);
-Aprendendo com os Santos e com a Igreja (ASI);
-Sagradas Escrituras (SE);
-Teoria e prática (TP);
-Matemática: de 3 a 4 vezes por semana;
-Ciências, História e Geografia: duas vezes por semana;
-Arte: uma ou duas vezes por semana;

15
16
17
18
Destaque e utilize o quadro anterior para criar o cronograma do aluno. Queremos lembrar
que este é um modelo de cronograma semanal (estudos se desenvolvendo no período da manhã).
Cada família apresenta especificidades que precisam ser consideradas ao estabelecer qualquer
horário. Um cronograma existe para auxiliar e nortear a organização familiar, não para deixar
desesperado o responsável, por não conseguir iniciar às 8h30, por exemplo. Tenha paciência e
perseverança, a Providência nunca nos abandonará!

19
20
Orações para antes dos estudos
Sinal da Cruz Signum Sanctae Crucis
Pelo sinal da Santa Cruz, livrai-nos, Deus, Per signum Crucis, de inimícis nostris, líbera
Nosso Senhor, dos nossos inimigos. nos Deus noster.
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito In nomine Patris, et Fílii, et Spíritus Sancti.
Santo. Amém. Amen.

Pai-Nosso Pater Noster


Pai Nosso que estais nos céus, santificado Pater noster, qui es in caelis; sanctificétur
seja o vosso Nome, venha a nós o vosso nomen tuum; advéniat regnum tuum; fiat
Reino, seja feita a vossa vontade assim na volúntas tua, sicut in caelo et in terra.
terra como no céu. O pão nosso de cada dia Panem nostrum cotidiánum da nobis
nos dai hoje, perdoai-nos as nossas ofensas hódie; et dimítte nobis débita nostra, sicut
assim como nós perdoamos a quem nos tem et nos dimíttimus debitóribus nostris; et ne
ofendido, e não nos deixeis cair em nos indúcas in tentatiónem; sed líbera nos
tentação, mas livrai-nos do Mal. Amém. a malo. Amen.

Ave-Maria Ave Maria


Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é Ave, María, grátia plena, Dóminus tecum,
convosco, bendita sois vós entre as benedícta tu in muliéribus, et benedictus
mulheres e bendito é o fruto do vosso fructus ventris tui Jesus. Sancta María, Mater
ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, Dei, ora pro nobis peccatóribus, nunc et in
rogai por nós, pecadores, agora e na hora da hora mortis nostrae. Amen.
nossa morte. Amém.

Vinde Espírito Santo Veni Sancte Spíritus


Vinde Espírito Santo, enchei os corações Veni Sancte Spíritus reple tuórum
dos Vossos fiéis e acendei neles o fogo do corda fidélium, et tu amóris in eis
Vosso Amor. Enviai o Vosso Espírito e ignem accénde. Emítte Spíritum tuum
tudo será criado e renovareis a face da et creabúntur. Et renovábis faciem
terra. terrae.
Oremos: Ó Deus que instruístes os corações Oremus: Deus, qui corda fidélium
dos vossos fiéis, com a luz do Espírito Sancti Spíritus illustratióne docuisti da
Santo, fazei que apreciemos retamente nobis in eódem Spíritu recta sápere, et
todas as coisas segundo o mesmo Espírito e de ejus semper consolatióne gaudére.
gozemos sempre da sua consolação. Por Per Christum Dóminum nostrum.
Cristo Senhor Nosso. Amém. Amen.

21
22
23
Significado da capa
Beato Pio IX proclama o dogma da Imaculada Conceição.

M 1854, pela Bula “Ineffabilis Deus”, o grande Papa Pio IX definia como dogma a Imaculada
E Conceição de Nossa Senhora. Ninguém sabia, mas esse solene acontecimento iria ficar
indissoluvelmente ligado à aparição de Nossa Senhora em Lourdes.
Com efeito, em 1858, de 11 de fevereiro a 16 de julho, Nossa Senhora apareceu dezoito
vezes, em Lourdes, a uma menina Bernadette Soubirous, declarando ser a Imaculada Conceição.
Esta obra foi pintada por Franceso Podesti (1800–1895) e está na sala dell'Immacolata,
Museu do Vaticano.

24
Introdução

Iniciaremos os estudos com a mais importante disciplina deste material didático: o Estudo
Sagrado. O que será aprendido? Aprenderemos a conhecer a Jesus Cristo para amá-Lo como Ele
merece! Deus nos ama tanto que enviou Seu próprio Filho ao mundo para nos salvar. O que
poderemos dar a Ele em agradecimento? O nosso coração!
Precisamos concluir o maior objetivo para o qual Deus nos deu a vida: sermos santos! Isto
ocorre quando deixamos de viver a vida voltados para nós mesmos e para coisas desnecessárias,
e, auxiliados pela graça, voltamos todas as nossas forças para nos assemelhar a Jesus Cristo, viver
como Ele viveu, amar como Ele amou e doar a vida como Ele a doou.
Como isso será feito? Abrindo a nossa vida para a graça santificante e perseverando nela
até o fim. Para permanecer na graça é necessário que se busque incessantemente a Deus através
da Santa Missa, dos sacramentos, da oração e do estudo da sagrada doutrina da Santa Igreja
Católica Apostólica Romana.
Para exemplificar a importância da Religião, vamos compará-la com o cimento. Quando
nos deparamos com belas construções, como as catedrais, os nossos olhos ficam deslumbrados
com tamanha perfeição, pois é possível contemplar a Deus através delas.

Figura 1. Catedral de Milão.

Essas construções são tão grandes e possuem tantos detalhes que podemos nos esquecer de
um elemento importante que, sem ele, tudo cairia: o cimento! Sim, o cimento tem uma função
importantíssima na construção. Quando ele entra em contato com a água, ganha a capacidade de
juntar areia e pedra, formando o concreto.

25
Assim como o cimento possibilita a construção das mais belas catedrais, o ensino da
religião católica, em contato com a Verdadeira Doutrina e a Sagrada Escritura, tem a função de
unir as demais disciplinas em Deus, para que todas formem obras magníficas que nos levem a
contemplar o Senhor!
Dessa forma, é necessário conhecer Jesus Cristo e toda a doutrina Católica, para que essas
verdades divinas fiquem impressas em nossos corações.

26
Advertências aos pais e educadores católicos
1º - Ensinar o catecismo é instruir na fé e na moral de Jesus Cristo; é dar aos filhos de Deus
a consciência da própria origem, dignidade e destino, e dos próprios deveres; é lançar e
desenvolver nas suas inteligências os princípios e os motivos da religião, da virtude e da santidade
na terra, e, portanto, da felicidade no céu.
2º - O ensino do catecismo é, por isso, o mais necessário e proveitoso para os indivíduos,
para a Igreja e para a sociedade civil; é o ensino fundamental, que forma a base da vida cristã, a
qual sempre é tíbia, vacilante e facilmente se extingue, quando ele falte ou seja mal ministrado.
3º - Sendo pais cristãos, os primeiros e principais educadores de seus filhos, devem ser
também os primeiros e principais catequistas: os primeiros, pois lhes devem instilar quase como o
leite a doutrina recebida da Igreja; os principais, pois lhes devem fazer aprender de cór em família
os princípios fundamentais da Fé, a começar pelas primeiras orações, e fazer-lhes repetir todos os
dias de maneira que pouco a pouco penetrem profundamente nos corações dos filhos. E se os pais,
como a miúdo acontece, se veem obrigados a fazerem-se substituir por outrem na educação, não
esqueçam da obrigação sacratíssima que tem de escolher pessoas e institutos tais que saibam e
queiram conscienciosamente cumprir em vez deles tão grave dever. A indiferença nesta matéria
tem sido a perda irreparável de tantos filhos. Que contas deverão dar a Deus por isto!
4º - Para ensinar com fruto é preciso saber bem a doutrina cristã, expô-la e explicá-la de
modo adequado à capacidade dos alunos e sobretudo, tratando-se de doutrina prática, é preciso
viver em conformidade com ela.
5º - Saber bem a doutrina cristã: pois como pode instruir quem não é instruído? Daqui o
grande dever para os pais e educadores de reler o catecismo e penetrar a funda as verdades nele
expostas, assistindo às explicações mais desenvolvidas dos párocos aos adultos, interrogando
pessoas competentes e lendo, se puderem, livros apropriados.
6º - Expor de modo adequado a Doutrina Cristã, isto é, com inteligência e amor, de maneira
que as crianças não se desgostem ou enfadem do mestre nem da doutrina. Por isso convém falar
ao alcance delas, empregando palavras simples e bem conhecidas, despertando-lhes a inteligência
com oportunas comparações e exemplos, e movendo-lhes os sentimentos do coração. Haja suma
discrição e comedimento para não causar cansaço; caminhe-se pouco a pouco, não se enfadando
das repetições; suportem-se com paciência e afeto a irrequietação, as distrações, as impertinências
e os demais defeitos próprios da sua idade. Haja sobremaneira evitar um ensino maquinal, que
acanha e entenebrece, pondo só em ação a memória, deixando de lado a inteligência e o coração.
7º - Finalmente viver na fé e na moral que se ensina; pois de outro modo, quem terá
coragem de ensinar aos filhos a religião que não prática, os mandamentos e preceitos que mesmo
diante deles se transgridem? E em tal caso que frutos há a esperar? Antes, pelo contrário, os pais
exautorar-se-ão por si mesmos, e habituarão os filhos à indiferença e ao desprezo dos princípios
mais necessários e dos deveres mais sagrados da vida.
8º - E já que hoje se tem criado uma atmosfera de incredulidade funestíssima para a vida
espiritual, com a guerra e todo a ideia de autoridade superior, de Deus, de revelação, de vida futura,
de mortificação, inculquem os pais e educadores, com máximo cuidado, as verdades fundamentais
das primeiras noções do catecismo; inspirem o conceito cristão da vida, o sentimento da
responsabilidade de todos os atos perante o Juiz supremo, que está em toda a parte, tudo sabe e

27
tudo vê; e infundam, com o santo temor de Deus, o amor a Nosso Senhor Jesus Cristo e da Igreja,
o gosto da caridade e da sólida piedade, e a estima das virtudes e práticas cristãs. Só assim a
educação dos filhos será fundada não sobre a areia de movediças ideias e de respeitos humanos,
mas sobre a rocha de convicções sobrenaturais, que resistirão durante a vida inteira ao embate de
todas as tempestades.
9º - Para tudo isto se requer fé viva, profunda estima de calor das almas e dos bens
espirituais, e aquele prudente amor que procura primeiro tudo assegurar a felicidade eterna às
almas que nos são mais queridas. Não é menos precisa uma graça especial para compreender a
índole dos filhos e descortinar as inclinações do espírito e do coração. Os pais cristãos, por virtude
do sacramento do Matrimônio bem recebido, têm direito às graças do próprio estado, e portanto,
às que são necessárias para a educação cristã dos filhos. Além disso, podem eles obter por meio
de humildes orações mais abundantes graças em ordem a este mesmo fim, pois é obra
particularmente agradável a Deus que se lhe eduquem adoradores, e filhos obedientes e devotos.
Façam-no, pois a custo de todo sacrifício: trata-se da eterna salvação das almas dos filhos e da
própria. Deus abençoará a sua fé e o seu a mor nesta empresa de importância capital, e há de
recompensá-los com o prêmio mais ambicionável, que é o de uma geração santa, eternamente feliz
com eles no céu.

Aos queridos alunos

Q
UANDO você gosta de um amigo, sua vontade é querer brincar, conversar, estar perto dele.
E, com essa proximidade, a amizade vai aumentando cada vez mais, não é verdade? Nosso
Senhor Jesus Cristo é o nosso melhor amigo. É muito importante estar próximo d'Ele,
conhecê-Lo e unir nosso coração ao d’Ele. É necessário conhecer Seus ensinamentos, a Doutrina
Cristã Católica, isto é, as Verdades da fé. Para que essas verdades fiquem gravadas, é necessário
decorá-las.
A palavra decorar vem do latim "cor" (coração), “guardar no coração”, “memorizar”.
Sabendo disso, guarde os ensinamentos de Nosso Senhor em sua memória, mas o mais importante
é guardá-los em seu coração, para que tudo o que você pensar, falar e agir seja igual ao pensar, ao
falar e ao agir do grande amigo, Jesus Cristo!
“15Trouxeram-lhe também criancinhas, para que Ele as tocasse. Vendo isto, os discípulos as
repreendiam.16Jesus,porém, chamou-as e disse: Deixai vir a mim as criancinhas e não as
impeçais, porque o Reino de Deus é daqueles que se parecem com elas.17Em verdade vos
declaro: quem não receber o Reino de Deus como uma criancinha, nele não entrará.18”
(Lc 18, 15-17)

Organização da disciplina
Organizamos a disciplina Estudo Sagrado em três partes:
1. Doutrina Sagrada: primeiramente os alunos deverão estudar a doutrina da Igreja Católica,
que será exposta na forma de perguntas e respostas.

28
2. Amizade com Deus: nesta parte, os alunos aprenderão as práticas de piedade que devem
ser realizadas diariamente, pois “quem reza se salva e quem não reza se condena” (Santo
Afonso).
3. A Vida de Jesus: nesta parte, os alunos aprenderão a história da Vida de Jesus, pois Ele é
a pessoa mais importante de toda a história do universo.

29
Semana 1
Doutrina Sagrada
Nesta Etapa de estudos apresentaremos os Sete Sacramentos, que serão aprendidos na
forma de perguntas e respostas. A doutrina aqui exposta foi baseada em obras fidelíssimas à
Tradição da Igreja, as quais citamos quatro principais:
— Na Escola de Jesus: O Catecismo de São Pio X explicado por meio de 190 quadros
artísticos.
— Catecismo Ilustrado de 1910: obra impressa durante o pontificado de São Pio X.
— Novo Manual do Catequista ou Explicação Literal do Catecismo da Doutrina Cristã: do
teólogo Giuseppe Perardi, publicado por ordem de São Pio X.
— Segundo Catecismo da Doutrina Cristã: Bispos do Sul do Brasil, 1903.
Recomendamos que as perguntas e respostas que forem mais importantes sejam decoradas
tal e qual se encontram escritas, para que o aluno tenha, ao longo de seus anos de estudos, toda a
Santa Doutrina gravada em sua memória.
Bons estudos!
A Graça

Que nos é mais necessário para viver cristãmente?


Não podemos observar os Mandamentos, praticar a virtude, evitar o pecado só com as
nossas forças: é-nos necessária a Graça de Deus.

Que é a Graça?
A Graça é um dom sobrenatural, que Deus nos concede gratuitamente em virtude dos
merecimentos de Jesus Cristo para efetuar a obra da nossa salvação.
Geralmente falando, pode chamar-se Graça a todo o favor que Deus nos faz; e neste sentido,
a multidão inumerável de benefícios que temos recebido desde o primeiro instante do nosso ser, e
que estamos recebendo em todos os momentos da nossa vida são outras tantas graças que Deus
nos dispensa e que estão pedindo o nosso contínuo e eterno agradecimento.

Quais são os tipos de Graça?


Há duas espécies de Graça: a Graça habitual, ou santificante, e a Graça atual e auxiliante.

30
Figura 2. A graça é-nos necessária para, nas turbulências deste mundo, praticarmos a virtude e viver os mandamentos.

31
Amizade com Deus
“Deixai vir a mim as crianças”
Mc 10, 13
Com estas doces palavras emanadas dos lábios de Nosso Senhor gostaríamos de iniciar o
tópico “Amizade com Deus” desta Etapa. Sim, nosso Senhor Jesus Cristo quer que as crianças
caminhem até Ele, pois tem por elas especial predileção: “Deixai vir a mim as crianças” (Mc 10,
13). Por acaso não se apraz seu Sagrado Coração ao ser invocado sob o título de “Menino Jesus”?
Não era assim que o preferia invocar Santa Teresinha do Menino Jesus, que segundo São Pio X, é
a maior Santa dos tempos modernos? Sim, é preciso deixar ir até Nosso Bom Jesus as criancinhas!
Deixá-las ir, no entanto, não significa tão somente não as impedir, mas sobretudo ensiná-
las a como trilhar este caminho, que só o enfrentam os mais corajosos. Por isso, a fim de as auxiliar
nesta empreitada de intimidade com Deus e de caminho de perfeição, escolhemos apresentar nesta
Etapa a segunda parte1 do livro “Exercícios
Espirituais”, de frei Manuel Sancho,
da Ordem dos Mercedários.
Sobre esta obra e seu autor,
comenta Pe. Arintero,
importante dominicano do
século XX: “Acredito que o
P. Sancho é um apóstolo e
habilíssimo diretor da
infância, o qual com
facilidade prodigiosa a
conduz pela via purgativa, e,
introduzindo-a na via
iluminativa, a dispõe para a via
unitiva”.

Figura 3. Menino demonstrando afetos ao Menino


Jesus.

Via Purgativa, Via Iluminativa e Via Unitiva


No crescimento espiritual existem três fases:
1ª Fase Purgativa: É a fase da purificação do coração, do combate ao pecado, da constante
conversão. É muito importante, pois prepara a pessoa para Deus.
2ª Fase Iluminativa: É a fase em que há o despojamento do homem velho para revestir-se
do homem novo. Aqui, Deus concede à alma uma luz para que ela consiga ver o valor que cada
coisa possui de fato, para que se abra para a graça. Desta forma, passa a aceitar todos os
sofrimentos e tribulações para aprender a aderir totalmente à vontade de Deus e a descansar
somente n’Ele. Aqui também ela passa a ter gosto ao ler as Sagradas Escrituras e ao rezar, tem um

1
A primeira parte do livro foi dada na Etapa anterior.

32
desejo maior de ser santa e virtuosa, e já começa a perceber com maior clareza a presença de Deus
e sua ação.
3ª Fase Unitiva: É a última fase do crescimento espiritual, e nesta foi a que chegaram os
maiores Santos da Igreja, muitos deles ainda crianças, como Santa Gema Galgani e Santa Elisabete
da Trindade. É chamada de matrimônio espiritual da alma com Deus, a união com a Santíssima
Trindade. O silêncio, a solidão, a contemplação marcam a via unitiva, como também a experiência
de luz e de obscuridade que leva mais para a luz. A união com Deus é transparente, irradiante e
simples. A pessoa evita os pecados pequenos, abandona-se confiantemente em Deus e desdobra-
se em boas obras e cuidados pelo próximo. As virtudes teologais e morais são vividas com
profundidade e inefabilidade. A alma é uma só coisa com Deus, como uma chama de duas velas.
Portanto, seguindo o mesmo itinerário do crescimento espiritual, nossos estudos ao longo
das Etapas 2, 3, 4 e 5 acompanharão estas fases, utilizando-se para isto dos Exercícios Espirituais
de Fr. Manuel Sancho. Veja na tabela a seguir qual será o itinerário ao longo destes anos:
Amizade Com Deus
EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS — FREI MANUEL SANCHO.
VIA PURGATIVA VIA ILUMINATIVA VIA UNITIVA
Etapa 2 Etapa 3 Etapa 4 Etapa 5
- A Oração. - O Reino de Cristo. - Amor de Jesus às - A Ressurreição de
Crianças. Cristo.
- Fim do homem. - O Nascimento de
Cristo. - Paixão de Jesus. - O amor de Deus.
- O Pecado.
- A Humildade. - A Noite da Paixão - A Conformidade
- Os Inimigos da
de Cristo. com a vontade de
Alma. - Vida oculta de
Deus.
Cristo. - A Crucifixão.
- A Morte.
- A Comunhão.
- A Obediência. - A Mortificação.
- O Inferno.
- A devoção à SS.
- As duas Bandeiras.
- O Filho Pródigo. Virgem.
- A Confissão. - Exortação para
- O Exame de antes de comungar.
Consciência diário. - A Perseverança.

O meio de avançar nestas vias


Ora, mas como faremos para crescer nesta intimidade com Nosso Senhor, quer dizer, nesta
amizade com Deus? Como avançar nestas vias? Respondemos: Contamos com a ajuda da graça,
capaz de criar em nós um coração novo e em perfeita sintonia com o de Cristo, que nunca quis o
que não fosse vontade de seu Pai. E para que essa graça produza em nós frutos copiosos de
conversão e sujeição à dulcíssima vontade de Deus, precisamos ser solícitos em nossa vida de
oração, porque é em oração que o Senhor nos fala mais particularmente e nos vai
remodelando à imagem e semelhança de seu Filho, a fim de que com Ele possamos dizer: “Eis
que eu venho […]: fazer vossa vontade, meu Deus, é o que me agrada, porque vossa Lei está no

33
íntimo de meu coração” (Sl 39, 9-10)2. Devemos, portanto, rezar sem cessar, conforme o
mandamento do Senhor, pois a oração é uma necessidade tão vital ao homem que Santo Afonso
Maria de Ligório, resumindo-a numa fórmula expressiva, pôde dizer: “Quem reza se salva; quem
não reza se condena”.
No Evangelho da Transfiguração, os discípulos de Jesus são levados “a um lugar à parte,
sobre uma alta montanha”, a fim de se encontrarem com Deus, por meio da oração.
Santa Teresa de Jesus diz:
“Que não é outra coisa a oração mental senão tratar de amizade, estando muitas vezes
tratando a sós com quem sabemos que nos ama”.3
Então, a oração trata-se de amizade com Deus. E essa amizade brota do relacionamento
intratrinitário, da amizade que o Pai tem pelo Filho, expressa nas palavras: “Este é o meu Filho
amado, no qual eu pus todo o meu agrado”. Para que também nós entremos nessa amizade e nos
transfiguremos, por assim dizer, junto com Jesus, devemos atender ao apelo do Pai, que diz:
“Escutai-o!”. Da oração brota, então, um ato efetivo de amor a Deus: determinamo-nos a
transformar a nossa vontade na vontade de Deus, como o próprio Jesus indica em outra
passagem: “Vós sois meus amigos, se fazeis o que vos mando” (Jo 15, 14).
Mas Jesus também quer que o nosso amor a Deus se desdobre no amor ao próximo:
"Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos” (Jo 15, 13). Jesus
leva-nos para o monte, mas não para que fiquemos aí, isolados em tendas, como sugeriu São Pedro;
mas, ao contrário, para que, descendo o monte, entreguemos nossa vida por Ele e pelos outros.
Então, a oração, que é amizade com Deus, desabrocha, concretamente, na prática quaresmal da
caridade.
Ainda sobre a oração, Santa Teresa dá-nos algumas indicações preciosas:
“[O iniciante] pode fazer muito para se determinar a servir bastante a Deus e despertar o
amor. A pessoa pode imaginar que está diante de Cristo e acostumar-se a enamorar-se da
Sua Sagrada Humanidade, tendo-O sempre consigo, falando com Ele, pedindo-lhe auxílio
em suas necessidades, queixando-se dos seus sofrimentos, alegrando-se com Ele em seus
contentamentos e nunca esquecendo-se Dele por nenhum motivo, e sem procurar orações
prontas, preferindo palavras que exprimam seus desejos e necessidades. É excelente
maneira de progredir, e com rapidez. E adianto que quem trabalhar para ter consigo essa
preciosa companhia, aproveitando muito dela e adquirindo um verdadeiro amor por esse
Senhor a quem tanto devemos, terá grande benefício. 3. Para isso, não façamos caso de
não ter devoção sensível— como eu disse —, mas agradeçamos ao Senhor, que nos
permite estar desejosos de contentá-Lo, embora as nossas obras sejam fracas. Esse modo
de trazer Cristo conosco é útil em todos os estados, sendo um meio seguríssimo para tirar
proveito do primeiro e breve chegar ao segundo grau de oração, bem como, nos últimos
graus, para ficarmos livres dos perigos que o demônio pode pôr. Quem quiser passar
daqui e levantar o espírito a sentir gostos, que não lhe são dados, perde, a meu ver,
tudo.”4

2
Trecho extraído e adaptado de https://padrepauloricardo.org/episodios/o-porque-da-oracao. Acesso: 18.11.2019
3
Livro da Vida, cap. 8, 5.
4
Livro da Vida, cap. 12: 2 – 3.

34
A oração não consiste em “sentir gostos”, mas em determinar-se no amor. Que, nesta
Quaresma, lembremo-nos de cultivar a verdadeira oração, “que não é outra coisa (...) senão tratar
de amizade (...) com quem sabemos que nos ama”5.
Portanto, todas as reflexões que serão feitas ao longo do ano só trarão frutos aos estudantes
se estes as meditarem, e as meditarem em oração. O trecho a seguir da Imitação de Cristo resume
bem o que queremos expressar:

Da Conversação Interior de Cristo com a Alma Fiel


Diz a Alma Fiel: Ouvirei o que em mim disser o Senhor meu Deus
(Sl 84, 9)
Bem-aventurada a alma que ouve o Senhor falar-lhe interiormente e
de seus lábios recebe palavras de consolação.
Bem-aventurados os ouvidos atentos ao sopro das divinas
inspirações e surdos aos rumores do mundo.
Mil vezes bem-aventurados os ouvidos que escutam, não as vozes
de fora, mas os ensinamentos internos da Verdade.
Bem-aventurados os olhos, que, cerrados às coisas externas, estão
abertos às interiores.
Bem-aventurados os que penetram os mistérios da alma e, por meio
dos exercícios de cada dia, mais e mais se preparam para entender os
segredos celestiais.
Bem-aventurados os que suspiram por entregar-se a Deus e se
desembaraçam de todos os impedimentos do mundo.
Medita, ó alma, estas coisas, e fecha as portas dos teus sentidos a
fim de poderes ouvir o que te disser o Senhor teu Deus

Portanto, para essa oração meditativa, para esta conversação interior com Cristo, sugerimos
que sigam os passos propostos por santo Afonso Maria de Ligório, que se encontra nas páginas
seguintes.
Recomendamos que o estudante, ou mesmo seus responsáveis, identifique qual é o melhor
horário do dia para fazer esta oração meditativa, cuja base de reflexão serão os textos aqui escritos,
de tal forma que não seja antes do momento de brincadeiras, a fim de que a criança não o faça às
pressas, ou tarde da noite, quando os cansaços do dia não permitem um aprofundamento nas
reflexões e pensamentos. Lembre-se que apesar de o tópico “Amizade com Deus” conter um

5
Extraído de https://padrepauloricardo.org/episodios/oracao-amizade-com-deus. Acesso: 18.11.2019.

35
texto para ser lido em um dia, ele deverá ser meditado ao longo de toda a semana, escolhendo
o aluno ora uma frase ora outra para meditar a cada dia.
Por fim, faça a consagração a Virgem Maria, que se encontra a seguir, pedindo-lhe a graça
de ser perseverante e paciente neste caminho que irá empreitar:

Consagração a
Nossa Senhora
Ó Senhora minha! Ó minha Mãe! Eu me ofereço
todo a vós. E em prova da minha devoção para
convosco, eu vos consagro, neste dia, meus olhos,
meus ouvidos, minha boca, meu coração e
inteiramente todo o meu ser. E como assim sou
vosso, ó boa Mãe, guardai-me e defendei-me como
coisa e propriedade vossa.
Amém.

36
A Oração Meditativa , 6

segundo Santo Afonso Maria de Ligório


A oração tem sido sempre as delícias das almas fervorosas. Estas delícias, querido leitor, o
Sagrado Coração vos convida hoje a saborear. Mais aparentes do que reais são as dificuldades
deste santo exercício. “Fazer oração mental ou meditação, diz Monsenhor Dechamps, é pensar nas
verdades da fé, para se excitar no amor divino e na prática das virtudes, cuja graça será obtida pela
oração”. A meditação chama-se oração mental, pois a oração ou súplica é a parte principal da
meditação. Assim, fazer oração mental é pensar nas verdades da fé, por exemplo, na morte, no
juízo, no céu, no inferno, na eternidade, em Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho único de Deus, que
desceu do céu, fez-se Homem por nosso amor no seio da bem-aventurada Virgem Maria, padeceu
e morreu na cruz para nos alcançar o perdão de nossos pecados. Quando o cristão pensa numa das
grandes verdades que a santa fé ensina, e pensa para se excitar a evitar o pecado, imitar a Jesus
Cristo e empregar para isto os meios que ele nos deixou, principalmente a oração e os sacramentos,
que são os canais da graça, então faz a meditação ou oração mental.
Bem vedes que muitos cristãos que nunca ouviram talvez pronunciar estas palavras, fazem
contudo a oração, visto como pensam algumas vezes nas verdades da salvação, por exemplo,
quando depois de ouvirem o sermão do domingo, pedem a Deus perdão dos pecados, tomam a
resolução de confessar-se e lhe rogam a graça de vida melhor. Faz também oração mental aquele
que se prepara para uma boa confissão, porque então, depois de ter orado e reconhecido suas faltas,
excita-se à contrição pensando no inferno que mereceu, no céu e na graça de Deus que perdeu, em
Jesus Cristo a quem nossos pecados fizeram chorar, padecer e morrer. Ainda faz oração mental,
quem, depois de ter lido n’algum bom livro, pára um pouco considerando um ponto que lhe diz
respeito e mais o comove, o depois ora a Deus, a Jesus, a Maria, aos santos anjos, ou aos santos
padroeiros, a fim de conseguir uma graça que deseja, ou cumprir uma coisa que Deus exige dele.
Em viagem e até no trabalho pode uma pessoa fazer oração mental, pois ainda então pode pensar
nas verdades da salvação, e dirigir-se a Deus em súplicas. Não se creia, pois, que este exercício,
por difícil, seja raro. Não, quando se toma a peito o negócio da salvação eterna, nele se pensa todos
os dias com tão boa vontade como os negociantes no seu comércio; e tão impossível é que nos
saiamos bem no negócio de nossa salvação, sem nele pensarmos e nos resolvermos a empregar os
meios necessários, como o é ao negociante prosperar, sem pensar nos meios de adquirir fortuna. O
mundo está cheio de pecados e o inferno de réprobos, afirma Santo Afonso, porque não se medita
nas verdades eternas.
Portanto, alma cristã, nada mais fácil que fazer oração mental. Santo Afonso torna sua prática
extremamente simples, clara, fácil e não menos frutuosa; graças ao método que ele
ensina, este exercício indispensável a quem quer santificar-se, é posto com toda verdade ao alcance
de todos: também seu desejo é que todos aprendam a meditar. Eis aqui o método de fazer a oração
mental segundo o santo doutor: “A oração mental contém três partes: a preparação, a meditação e
a conclusão.

6
Disponível em http://almasdevotas.blogspot.com/2016/05/3105-consideracao-para-vespera-do-mes.html. Acesso
em 18.11.2019.

37
A oração mental contém três partes: a preparação, a meditação e a conclusão.
I. Na Preparação fazem-se três atos:
1. Ato de Fé na presença de Deus:

Meu Deus, eu creio que estais aqui presente e vos adoro.

2. Ato de humildade.

Eu deveria estar a esta hora no Inferno; Senhor, eu me arrependo de vos


ter ofendido.

3. Ato de petição de luzes.

Eterno Pai, por amor de Jesus e Maria, esclarecei-me nesta meditação,


para que tire proveito dela.

Uma Ave-Maria à Mãe de Deus, e um Glória ao Pai a S. José, ao Anjo Custódio e ao nosso
Santo protetor. Estes atos devem ser feitos com atenção, mas brevemente; depois faz-se a
meditação.

II. Para a Meditação sirvamo-nos sempre de um livro, ao menos no começo, parando nas
passagens que mais impressão nos fazem. S. Francisco de Sales diz que devemos imitar as abelhas,
que se demoram numa flor enquanto acham mel, e voam depois para outra.
Cumpre, além disto, saber que os frutos da meditação são
três: afetos, súplicas e resoluções; nisto é que consiste o proveito da oração mental. Assim, depois
de haverdes meditado uma verdade eterna, e ter Deus falado a vosso coração, é mister que faleis a
Deus:
1º. Pelos afetos, isto é, pelos atos de fé, agradecimento, humildade, esperança; mas repeti
de preferência os atos de amor e contrição. Conforme Santo Tomás, todo ato de amor nos merece
a graça de Deus e o Paraíso. O mesmo se deve dizer do ato de contrição. Eis aqui exemplos de atos
de amor:
— Meu Deus, eu vos amo sobre todas as coisas.
— Eu vos amo de todo o meu coração.
— Quero fazer em tudo vossa vontade.
— Muito me regozijo por serdes infinitamente feliz.

38
Para o ato de contrição basta dizer:

Bondade infinita, pesa-me de vos ter ofendido.


2º. É necessário também falar a Deus pelas súplicas, pedindo-lhe as luzes de que
precisamos, a humildade ou outra virtude, uma boa morte, a salvação eterna, mas
principalmente seu amor e a santa perseverança. E si nossa alma está em grande aridez, basta
repetirmos:

— Meu Deus, socorrei-me.


— Senhor, tende compaixão de mim.
— Meu Jesus, misericórdia!
— Ainda que nada mais fizéssemos, a oração seria excelente.

3º. É mister enfim falar a Deus pelas resoluções: antes de terminar-se a oração, cumpre
tomar alguma resolução particular, por exemplo, fugir de tal ocasião, sofrer o que parece nos
molestar em tal pessoa, corrigir-se de tal defeito, etc.

III. Enfim a Conclusão compõe-se de três atos:


1º. Meu Deus, eu vos agradeço as luzes que me destes.
2º. Proponho observar as resoluções que tomei.
3º. Peço-vos, por amor de Jesus e Maria, a graça de pô-las em prática.
Termina-se a oração por um Pai-Nosso e uma Ave-Maria, para recomendar a Deus as
almas do Purgatório, os prelados da Igreja, os pecadores, parentes e amigos.
S. Francisco de Sales aconselha notar algum pensamento que mais impressão nos faz na
oração, para o recordarmos de tempos a tempos durante o dia.
Além da oração, diz Santo Afonso, é utilíssimo fazer também, cada dia, uma Leitura
Espiritual por espaço de meia hora, ou ao menos de um quarto de hora, em algum livro que trate
da vida dos Santos, ou das virtudes cristãs.
Quantos há que foram convertidos e se tornaram grandes santos, por terem lido um livro
de piedade! Aí estão S. João Colombini, Santo Inácio de Loyola, e muitos outros.

39
Vida de Jesus
Para iniciar estes estudos sobre a Vida de Jesus, a História da Salvação e de seu Corpo
Místico, a Igreja, vamos ler, ao longo dos próximos anos, duas obras de São João Bosco, intituladas
“História Sagrada” e “História Eclesiástica”. Este ano, leremos especificamente a vida de Nosso
Senhor Jesus Cristo, isto é. o Novo Testamento.
Noções Preliminares
Bíblia Sagrada - História Sagrada - Antigo e Novo Testamento - Divisão da História Sagrada -
Escritores Sagrados - Os Profetas - Veracidade dos Escritores Sagrados - Assistência Divina aos
Escritores Sagrados.

Bíblia Sagrada, História Sagrada, Antigo e Novo Testamento


As palavras Sagrada Escritura ou Bíblia Sagrada significam livro por excelência, e
designam todos os Livros Divinos que a Igreja Cató1ica reconhece como tendo sido inspirados
por Deus aos seus autores.
A História Sagrada está contida na Bíblia, e compreende a narração do que se passou no
tempo dos Patriarcas, sob o governo, dos Juízes, Reis e outros chefes principais do Povo Hebreu,
desde a criação do mundo até à fundação da Igreja de Jesus Cristo.
A Sagrada Bíblia chama-se também Antigo e Novo Testamento, isto é, Antiga e Nova Lei
O primeiro contém a narração dos fatos que sucederam antes da vinda do Salvador e os escritos
dos Profetas. O segundo, isto é, o Novo Testamento compreende os Evangelhos, os Atos dos
Apóstolos e alguns outros escritos dos mesmos.

Figura 4. Bíblia Sagrada. Foto de James Coleman.

40
Divisão da História Sagrada
A História Sagrada costuma-se dividir em sete Idades ou Épocas, cada uma das quais é
assinalada por um fato luminoso e importante.
A Primeira Época começa na Criação do Mundo e vai até o Dilúvio.
A Segunda, do Dilúvio até à Vocação de Abraão, no ano de 2093 a. C.
A Terceira, da Vocação de Abraão até à saída do povo Hebreu do Egito, no ano 1448 a. c.
A Quarta, da saída do povo Hebreu até à fundação do Templo de Salomão, no ano 968 a.
C.
A Quinta, da fundação do Templo até à escravidão dos Hebreus na Babilônia, no ano 598
a.C.
A Sexta, da escravidão do povo Hebreu até o nascimento de Jesus Cristo, pouco antes do
ano 750 da fundação de Roma.
A Sétima, do nascimento de Jesus Cristo até o ano 70 da Era Cristã, quando se deu a
destruição de Jerusalém e a dispersão dos Hebreus.

Figura 5. Cristo é Rei e Senhor da História! Foto de


DDP.

41
Semana 2
Doutrina Sagrada
A Graça (continuação)

O que é a Graça habitual ou santificante?


A Graça habitual ou santificante é um dom sobrenatural, estável e permanente, que o
Espírito Santo infunde gratuitamente pelos merecimentos de Jesus Cristo na nossa alma, a fim de
a tornar aceite e agradável a Deus e herdeira do Paraíso. Esta Graça é muito apreciável: é a Graça
por excelência, aquele dom perfeito, superior a todos os dons e sem o qual todos os dons
sobrenaturais se perdem, porque, sem a Graça santificante, não há salvação para o homem.

Figura 6. A Graça Santificante é infundida em nossa alma pelo Espírito Santo, em vista dos méritos de Nosso Senhor jesus
Cristo.

É possível perder esta Graça?


Podemos perder esta Graça: basta um só pecado mortal para nos fazer perder a Graça
habitual. Os pecados veniais não nos a fazem perder, mas diminuem seu efeito.
Podemos também, infelizmente, resistir à Graça, e resistimos-lhes demasiadas vezes.

Uma vez perdida, é possível recuperá-la?


Podemos recuperar a Graça perdida pelo Sacramento da Penitência, ou por um ato de
contrição perfeita, acompanhado do desejo de nos confessarmos.

O que é a Graça atual ou auxiliante?


A Graça atual ou auxiliante, é todo o auxílio divino e de momento, que nos excita, nos
move e ajuda a praticar a virtude e fugir do mal.

42
A Graça atual é um socorro interior ou exterior. A Graça auxiliante interior consiste na luz
sobrenatural que dá o entendimento e nos bons movimentos que dá aos corações. A Graça atual
exterior consiste nos sermões, nos bons exemplos, nos bons conselhos, nos milagres, nos castigos
dos pecadores, até nas doenças e enfermidades, etc., enfim, todo o auxílio exterior que nos leva ao
cumprimento dos nossos deveres.

A Graça atual nos é necessária?


A Graça atual é-nos tão necessária, que sem ela não podemos fazer coisa alguma útil para
a salvação.

43
Amizade com Deus
EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS PARA CRIANÇAS
FR. MANUEL SANCHO, MERCEDÁRIO.
PARTE SEGUNDA
A Imitação de Cristo
(Via Iluminativa)

Quem foi Frei Manuel Sancho?


Frei Manuel Sancho nasceu em Teruel, Espanha, em 19 de janeiro de 1874. Seus pais, ricos
em virtude mais do que em bens de fortuna, deram-lhe a caudal de sua piedade singela e prática.
Vendo despontar nele grandes dotes de virtude, entregaram ao Senhor tão preciosa prenda,
deixando sua educação aos cuidados dos frades da Ordem Real, Celestial e Militar de Nossa
Senhora das Mercês para a Redenção dos Cativos, ou simplesmente Mercedários, que acabavam
de se instalar em sua cidade. Ali ficou este durante o ano de 1885, sendo seu mestre o Pe. José
Ferrada, e logo se manifestou o talento extraordinário do postulante. Com tão hábil mestre, ele fez
rápidos progressos, sobretudo na ciência dos Santos. A caridade e a humildade, suas virtudes
favoritas, juntamente com a obediência, formaram os sólidos fundamentos da sua santidade futura.
Em 1936, desejos de martírio enchiam-lhe a alma. Certa vez, ao ouvir a notícia sobre o
martírio do Pe. Miguel Pró, no México, disse: “Graça tão grande peço-a ao Senhor todos os dias
na Santa Missa; essa é a morte dos
meus desejos, morrer fuzilado por
amor de Cristo”. Deus atendeu aos
seus desejos. As milícias vermelhas já
inundavam todo o Baixo Aragão
como uma onda infernal de sangue e
de fogo. Àquele retiro chegaram
também os violentos abalos do
vendaval. A última expedição já
estava disposta para se pôr a salvo.
Mas já era tarde. Entre eles, o P.
Comendador e o P. Sancho. Custava-
lhes tanto arrancar-se daquele lugar!
Os milicianos surpreende-os e eles
confessam seu caráter
sacerdotal…uma descarga de
fuzilaria, abre-lhes o caminho do
triunfo, enquanto seus corpos caem a
prumo. Ao mesmo tempo o grito
martirial de “Viva Cristo-Rei!” sobe-
lhes vibrante dos feridos peitos! Figura 7. Viva Cristo Rei!

44
O REINO DE CRISTO
1. Qual há de ser o primeiro dos Exercícios da semana. — 2. Apelo à conquista do Reino de
Cristo. — 3. Alegria do caminho de Cristo. — 4. Como conquistaremos almas para este Reino de
Cristo. — 5. Resumo.

1. Qual há de ser o primeiro dos Exercícios da semana


Vossa alma já está limpa de pecados pela confissão sacramental7; já concebestes ao pecado
ódio de morte; já resolvestes corrigir-vos pela oração e pelo exame quotidiano; assim dais o
primeiro passo para atingir o vosso fim último, Deus. Mas a Ele devereis chegar pela imitação de
seu Filho Jesus Cristo. Por isto, à primeira semana de Exercícios, que trata de extirpar os pecados
e que por isso pertence à Via Purgativa, segue-se naturalmente a Via Iluminativa, isto é, seguir o
caminho trilhado por Cristo, nossa luz e guia, imitando as suas altíssimas virtudes.

Figura 8. O Reino de Cristo.

Entre parênteses vos direi que isto de primeira ou segunda semana de Exercícios se refere
ao tempo que Santo Inácio deixou estabelecido para a duração dos Exercícios. Ordinariamente

7
A primeira parte dos “Exercícios Espirituais”, que trata sobre a Via Purgativa, foi dada na etapa anterior, de tal forma
que aqui o autor se refere aos textos que lá foram meditados. Ele pressupõe que somente depois ter meditado os textos
da Via Purgativa é que então se passaria a meditar os textos da Via Iluminativa, o que não é possível fazer aqui por
questões didáticas. Note que todo o conteúdo que estudaremos nesta etapa era dado de forma intensa pelo Fr. Manoel
em apenas uma semana, e que aqui eles estão dispostos para serem meditados dia a dia durante o ano todo.

45
tinham-se quatro semanas de Exercícios. Que comprido! Não é verdade? Isto me direis por que
sois crianças fracas, e rebentaríeis com a carga. Também há pessoas grandes que dizem o mesmo.
Agora eles costumam fazer-se em oito dias, e mesmo em menos, em seis, em cinco, em três, que
é muito pouco tempo para labor tão magno e importante. O comum é fazerem-se em oito dias. A
primeira semana costuma durar três ou quatro dias; a segunda e a terceira dois ou três; e a última,
um apenas. Assim, quando eu vos falar de semana, já me entendereis.
Nesta segunda semana começa-se, pois, a seguir a Cristo, e a primeira meditação ou
explicação é a do “Reino de Cristo”, meditação fundamental desta semana, como a do fim do
homem é a fundamental dos Exercícios; e, assim, como a primeira coisa que se apresenta à
consideração dos exercitantes é o fim do homem, que é Deus, para depois, pelas meditações
seguintes, afastar os impedimentos que se opõem à consecução deste fim, impedimentos esses que
são os pecados, assim também pomos agora como fundamento desta semana o “Reino de Cristo”,
que é resolvermo-nos a imitá-Lo, para depois, nas outras meditações, irmos considerando as
virtudes que Ele praticou, e procurando copiá-las em nós. Fique, pois, assente que, para imitar a
Cristo, o que é a finalidade desta segunda semana, a primeira coisa que devemos fazer é resolver-
nos a segui-Lo. Nosso fim é Deus, e a Deus se vai por Cristo.

Salmo 92
1
O Senhor reinou, e vestiu-se de magnificência, vestiu-se o Senhor
de fortaleza, e cingiu-se dela.
2
Porque firmou a redondeza da terra, que não será abalada.
3
Desde então, o Senhor, ficou estabelecido o teu trono; tu és desde a
eternidade.
Os rios, Senhor, levantaram, os rios levantaram a sua voz.
Os rios levantaram o som das suas ondas, 4com o estrondo das suas
muitas águas.
Maravilhosas são as elevações do mar, mas admirável e o Senhor
nas alturas (do céu).
5
Os teus testemunhos, Senhor, são digníssimos de fé.
A santidade convém a tua casa, Senhor, em toda a duração dos dias.

46
Vida de Jesus
Noções Preliminares (continuação)

Escritores da História Sagrada


A História Sagrada foi escrita pelos Profetas, Apóstolos e outros personagens que,
iluminados e assistidos de singular maneira pelo Espírito Santo, escreveram, sem poder inserir nos
seus escritos o mínimo erro, nem por malícia, nem por fraqueza humana.

Profetas
Eram homens mandados por Deus em vários tempos para manifestar ao povo Hebreu a sua
vontade e predizer coisas futuras, especialmente o que dizia respeito ao Messias.

Veracidade dos Escritores Sagrados


Há cinco razões especiais que demonstram terem os Sagrados Escritores dito a verdade:
1º - Narram coisas geralmente sucedidas no seu tempo, confirmadas por monumentos
verdadeiros, que perfeitamente conheciam.
2º - Se tivessem mentido, teriam sido contestados por grande número de pessoas,
testemunhas dos acontecimentos que narram, e seus escritos não teriam sido recebidos como
divino!
3º - Eram pessoas digníssimas de fé, às quais não se podia imputar nenhum crime; antes de
cada página que escreveram, transparece a boa fé e a piedade.
4º - Os fatos por eles referidos são, na maior parte, atestados também por outros profanos;
tais são: a história do Dilúvio, a destruição de Sodoma e Gomorra, a passagem do Mar Vermelho
e muitos outros.
5º - A doutrina que ensina é conforme, em tudo, aos ditames da razão.

Assistência Divina aos Escritores Sagrados


Que os escritores da História Sagrada foram inspirados por Deus, prova-se:
1º - Pelos milagres com os quais demonstravam terem sido escolhidos por Deus para
instrumentos vivos da sua palavra. Só Deus pode operar milagres; e quando uma coisa é
confirmada com milagres, podemos estar certos da intervenção divina, isto é, de uma autoridade
infalível.
2º - Pelas profecias de que a História Sagrada está cheia e que se verificaram perfeitamente;
porquanto só Deus pode predizer com certeza as coisas futuras que não têm necessária relação
com as causas naturais, nem podem ser conhecidas pelos homens muito tempo antes de sucederem.
3º - Pela santidade da doutrina ensinada na História Sagrada, santidade tão perfeita que os
incrédulos, em tempo a1gum, lhe puderam apontar qualquer defeito; ao passo que sabemos que

47
até os homens mais doutos e os de mais reta intenção, abandonados a si mesmos, estão facilmente
sujeitos ao erro.
4º - Pelo testemunho de Jesus Cristo e dos Apóstolos que declararam que toda a História
do Antigo Testamento foi escrita com a assistência especial do Espírito Santo.
5º - Pelo testemunho que a Igreja Católica deu sempre da divindade da História do Antigo
e do Novo Testamento; e a Igreja Católica, como resulta com evidência de mil argumentos é guarda
e mestra infalível das verdades reveladas por Deus.

Figura 9. São Mateus e o Anjo. Deus assistiu a todos os escritores sagrados!


48
Semana 3
Doutrina Sagrada
A Graça (continuação)

Quando Deus nos concede a Graça atual?


Deus concede-nos a Graça atual todas as vezes em que é necessária, e que a pedimos
devidamente.

Por que Deus nos concede a Graça atual?


Deus dá a Graça atual a todos os homens, porque quer que todos os homens se salvem, e
porque Nosso Senhor morreu na cruz por todos.

Recebemos a Graça por mérito nosso?


Não podemos merecer os auxílios da Graça; Nosso Senhor os dá gratuitamente; mas
podemos perdê-los.

Como alcançamos este favor de Deus?


Podemos alcançar a Graça de Deus por dois meios: pela participação nos Sacramentos
recebemos a Graça santificante; e pela oração a Graça auxiliante.

Que significa estar em “estado de Graça”?


Estar em estado de Graça significa a posse da Graça habitual. Neste feliz estado, amamos
a Deus e Deus nos ama, e todas as nossas ações, mesmo as mínimas, tornam-se sobrenaturais e
merecedoras do Paraíso.

Explicação da gravura
Na parte superior à direita, São Paulo está representado dando-nos o exemplo da fidelidade
à Graça. Um dia, quando se dirigia à cidade de Damasco com intenção de prender todos os cristãos
que nela encontrasse, ouviu uma voz que lhe disse: “Saulo, Saulo, porque me persegues?”
Respondeu-lhe: “Quem sois, Senhor?” E a voz respondeu: “Eu sou Jesus a Quem tu persegues.”
E São Paulo disse: “Senhor, que quereis que eu te faça?” (Atos 9, 3-19)
Na parte superior esquerda, vê-se Nosso Senhor falando com a mulher samaritana.

49
A alma em estado de Graça está representada por uma virgem com um lírio na mão. Está
olhando para o Céu e o Espírito Santo habita no seu coração. A alma em estado de pecado está
representada por uma mulher presa com cadeias.

Figura 10.

50
Amizade com Deus
O REINO DE CRISTO
2. Apelo à conquista do Reino de Cristo
Estais lembrados daquele exemplo que vos propus da viagem em automóvel? Disse-vos
que, para fazer aquela viagem sem percalços, havia que suprimir obstáculos que impedissem o
veículo de caminhar, havia que limpar de pedras a estrada, aplanar depressões, levantar calçadas…,
o que significa tirar os pecados, únicos impedimentos no caminho de Deus. Desembaraçada já a
alma desta carga terrível, prontas as asas e com ânimo de empreender o voo, como ignoramos o
caminho e nesta vida é de noite, carecemos de luz e guia. A luz e guia é Cristo. Logo, se queremos
seguir o caminho do Céu, devemos ter a Cristo por luz e guia.
Para que esta verdade entre, pela imaginação, no nosso entendimento, Santo Inácio propõe
uma parábola. Diz ele: figurai "um rei humano, eleito por mão de Deus Nosso Senhor, a quem
fazem reverência e obedecem todos os príncipes e todos os homens cristãos”, rei esse que diz a
todos os seus súditos: “A minha vontade é conquistar toda a terra de infiéis; portanto, quem quiser
vir comigo, deve ficar satisfeito de comer como eu, e assim de beber e de vestir, etc.; igualmente
deve, como eu, trabalhar de dia e velar de noite, etc., para que assim tenha depois parte comigo na
vitória como teve nos trabalhos. Considerai o que a um rei liberal e tão humano devem responder
os súditos, e, por conseguinte,
se algum não aceita a petição
dele, quanto merece ser
vituperado por toda gente, e
tido por perverso cavalheiro”.
Olhai as qualidades
desse rei: ele é tão poderoso
que todos os outros príncipes
e todos os cidadãos lhe
obedecem; e Deus escolheu-o
para os seus grandes
desígnios. É tão bom que só
pensa em empregar o seu
poderio para a glória de Deus,
trazendo a Deus todos os
povos. Tão grande é esse rei,
tão louváveis os seus
desígnios, que todos os
súditos devem responder-lhe
oferecendo-se-lhe em
absoluto, e o que se negar a
isso será tido por perverso
cavalheiro. Não é verdade que
deixar de segui-lo seria uma
insígne covardia? Mas, os que
Figura 11

51
o seguem, com que entusiasmo o seguem! Quantas e belas esperanças abrigam eles sob as ordens
de tal rei!
Agora escutai a explicação da parábola. O rei é Jesus Cristo, que diz a cada um de nós: “A
minha vontade é conquistar o mundo todo e todos os inimigos, e assim entrar na glória de meu
Pai; portanto, quem quiser vir comigo há de trabalhar comigo, para que, seguindo-me no penar,
também me siga na glória” (Santo Inácio). De modo que, se vós teríeis oferecido vossas pessoas
ao rei da parábola, quanto mais não deveis oferecê-las a Jesus Cristo, que é verdadeiro rei de todo
o mundo? Assim, pois, “todos os que tiverem juízo e razão hão de oferecer suas pessoas ao
trabalho”. E sabeis qual é este trabalho? É “lutar contra a sua própria sensualidade8”, é renegar-se
a si mesmo, é sermos enfim bons soldados de Cristo na conquista do Reino dos Céus para nós e
para pessoas a quem amemos.
Olhai a pessoa de Jesus Cristo, Rei magnífico que vos chama ao seu serviço. Ele é belo
sobre toda ponderação, atraente, misericordioso, amantíssimo sobretudo das crianças. Que há n'Ele
que não seja amor e doçura?
Qual será esse reino que Jesus quer conquistar? É o reino das almas, é aquele reino cuja
vinda pedimos no Pai-Nosso dizendo: “Venha a nós o vosso reino”. É este o reino que Ele quer
conquistar, e para o qual pede o vosso auxílio. Quer conquistar as almas e reinar nelas.
É tal a excelência deste reino que devemos conquistar, que só por ele se fez carne o nosso
bom Jesus, e andou entre os homens cujas almas queria ganhar, escolhendo para a sua obra os
Apóstolos, pregando pelo mundo uma doutrina trazida do Céu, para nos santificar e nos levar para
lá; fazendo o bem, morrendo por nós, deixando após si lugar para a sua Igreja santa, o seu Reino
deste mundo, a qual, seguindo a mesma rota de seu esposo Cristo, fosse continuadora e executora
da sua vontade na grande conquista das almas. Nós pertencemos a esta Igreja, e estamos obrigados,
nesta obra da salvação do mundo, a seguir o nosso Rei Jesus. Olhai como é magnífico e excelente
esse Reino! Como não seguirmos o apelo do nosso Rei Jesus? Sigamo-lo, pois, na conquista desse
Reino.
Determinadas que já estais a isso, querereis saber que coisa seja esse Reino de Cristo. Esse
Reino é a alma de cada um — como acabo de dizer, — na qual Jesus quer reinar por graça,
ajudando-o nós nessa conquista espiritual; Ele quer entrar em nossos corações e aí reinar. Mas
necessita de que vós o deixeis entrar.
— Com muitíssimo gosto — dir-me-eis. Jesus entrar e reinar em nós? Que beleza! Que
entre, que entre e reine!
Aplaudo esta resposta vossa, tão ingênua e cordial; mas, esperai. Entrar num coração e
reinar nele significa fazê-lo inteiramente seu e governá-lo à sua vontade, e isto custa à vontade
própria os seus sacrifícios. Mas não vos assusteis: dar-vos-ei um remédio muito bom para dardes
por completo o vosso coração a Jesus e lho entregardes ao seu poder amando-o deveras.
Os dois amiguinhos Antônio e Pedro amam-se entranhadamente. Aquele já é taludo e de
forças; este é menor e fraco. Certo dia eles saem juntos para brincar à margem de um rio. Pedro,
distraído, pisa em falso numa das touceiras da margem e cai no rio, que por ali é profundo. Antônio,
bom nadador, lança-se à correnteza e tira fora seu amigo já meio afogado. Desde então o amor de
Pedro ao seu salvador não tem limites. Antônio, que é bom, serve-se deste profundo carinho do

8
Explique a criança que diz respeito aos sentidos.

52
seu amiguinho para bem deste, conseguindo dele tudo quanto quer. Assim, depois de lhe salvar o
corpo, salva a alma do amigo e, consequentemente, a sua própria.
Neste exemplo Antônio reina no coração do seu amigo e consegue dele tudo o que quer, e,
ainda quando lhe peça impossíveis, o fraco e pequeno Pedro se reforça e consegue…esses
impossíveis, para dar prazer ao seu amigo.
Do mesmo modo, Jesus Cristo quer reinar nos vossos corações depois de vos haver salvado
da morte eterna, conquistando-vos para Ele e querendo que façais por Ele…que? impossíveis?
Nada disso: quer fazer em vós a sua vontade.
Os Mandamentos que Ele vos impõe e os conselhos que vos dá são, com sua ajuda, fáceis.
“Meu jugo é suave e minha carga leve”, diz Ele. É jugo o que Ele vos impõe, e o jugo é levado por
dois. Jesus Cristo está convosco nesta conquista espiritual das vossas almas. Que temeis? Olhai,
olhai o vosso capitão Jesus que vos convida a esta empresa de felicidade vossa e honra sua, e,
olhando-o, e considerando o que Ele vos pede, determinar-vos-eis a segui-lo com o maior dos
prazeres.
Agora imaginai Cristo sentado na planura de Genesaré; vede-o olhando para uma multidão
de meninos e meninas que o cercam e que disputam entre si e se atropelam para estarem mais perto
d'Ele, diz estas amorosíssimas palavras: “Deixai vir a mim as criancinhas” (Mc 10, 14). Ponde-
vos, pela consideração, entre aqueles meninos, pensai que Cristo nosso Rei vos chama e quer que
vos achegueis d'Ele, porque Ele quer conquistar um Reino, o nosso Reino, o Reino d'Ele nos vossos
corações, pois Ele o diz: “Meu reino está dentro de vós” (Lc 17, 21). À conquista de vós mesmos
caminha Ele, por isso vos chama, por isso vos quer.
Não sem razão compara-se este apelo de Cristo à conquista de um Reino. Sabeis o que
sucede quando um rei quer conquistar um Reino? Faz declaração de guerra, soam clarins,
congregam-se hostes, afiam-se e lustram-se as armas, previnem-se os ânimos valorosos… Assim
vos chama Cristo, dizendo: “Às armas, Figura 12. O Rei da França São Luís IX
meninos! pois vamos conquistar para mim o é um exemplo daqueles que aderem à
Bandeira de Cristo. Foi rei e cavaleiro
Reino de vossas almas”. Receio que as
por amor do Reino de Cristo!
meninas, que se sentem pouco belicosas, se
julguem excluídas
deste apelo: nada
disto; também vós
sois chamadas a
esta guerra de nova
categoria, porque
Cristo quer reinar nos
vossos corações.
Agora vede o
que fazem os soldados
quando o rei os chama à
conquista: “Aqui estamos! —
dizem eles. — Viva o rei!”. Assim
haveis de responder a esse chamado

53
de Cristo: “Aqui estamos, prontos a seguir-Te: Viva Jesus!” E é este precisamente o fruto do
exercício deste dia: a resolução de seguir a Cristo, mande Ele o que mandar.

Oração a São Miguel Arcanjo


São Miguel Arcanjo, gloriosíssimo Príncipe da
Milícia Celeste, defendei-nos no combate contra
os principados e as potestades, contra os
dominadores deste mundo de trevas, contra os
espíritos malignos espalhados pelos ares. Vinde
em socorro dos homens que Deus fez à imagem de
sua própria natureza e resgatou por grande preço
da tirania do demônio.
Maria Santíssima tem em vós um paladino e um
servidor perfeito. A Santa Igreja vos venera como
seu guarda e protetor. Confiou-vos o Senhor a
missão de introduzir na felicidade celeste as almas
resgatadas. Por intermédio de Maria, rogai, pois,
ao Deus da paz que esmague Satanás sob nossos
pés, a fim de que ele não mais possa manter
cativos os homens e fazer mal à Igreja. Através de
nossa Medianeira Universal, apresentai ao
Altíssimo as nossas preces, a fim de que sem
tardar o Senhor nos faça misericórdia, e vós
contenhais o dragão, a antiga serpente, que é o
demônio e Satanás e o lanceis encadeado no
abismo, para que não mais seduza as nações.

54
Vida de Jesus
O Evangelho e os Apóstolos
São Mateus e São Marcos
Evangelho é palavra grega e significa “boa notícia” ou “boa nova”. Assim são chamados
os quatro livros, ditados pelo Espírito de Deus, aos quatro escritores sagrados que narram a vida,
a pregação e a morte de Jesus Cristo.
Estas coisas são, por certo, para os cristãos uma gratíssima nova, porque pelo Evangelho
lhes é anunciada a vinda do Salvador, que, libertando-nos da escravidão do pecado, fechou o
Inferno e abriu-lhes as portas do Paraíso. Para a pregação e difusão do Evangelho, o Salvador
escolheu doze Apóstolos. – Apóstolo é também palavra grega que significa “enviado”, porque os
Apóstolos foram de fato, enviados por Jesus Cristo a todas as nações da terra a cumprir o sagrado
ministério da pregação evangélica. Aos Apóstolos o Salvador acrescentou setenta e dois
Discípulos, como alunos dele e dos Apóstolos.
Muitos escreveram as obras do Salvador, mas a Igreja Católica reconhece somente quatro
evangelistas, isto é, quatro escritores do Evangelho, assistidos pelo Espírito Santo. Dois destes
eram Apóstolos: São Mateus e São João; os outros dois são São Marcos e São Lucas.

S. Mateus – O primeiro dos quatro evangelhos tidos pela Igreja em todos os tempos no
cânon das divinas escrituras, é o de S. Mateus. Era filho de Alfeu e exercia a
profissão de publicano, isto é, cobrados de impostos. Chamado por Jesus
Cristo ao apostolado foi testemunho ocular de todas as coisas por ele narradas
na história evangélica. Acredita-se, comumente, que depois da Ascensão do
Salvador ele foi pregar a fé na Etiópia, na Pérsia e entre os Partos. Antes de
partir da Judéia foi convidado pelos fiéis e pelos Apóstolos para escrever o
seu Evangelho. Isto aconteceu pelo oitavo ano depois da Ascensão do Senhor,
ou no quadragésimo primeiro da Era Cristã. Escreveu-o em língua hebraica e
supõe-se que ele mesmo, ou S. Tiago Maior, o tenha traduzido para o grego. Figura 13
A tradução latina que nós temos é antiquíssima e aprovada pela Igreja.

S. Marcos – O segundo evangelista é S. Marcos, judeu. Crê-se geralmente que é um dos


setenta e dois discípulos de Jesus Cristo. Fiel companheiro de S. Pedro, seguiu-o nas suas viagens
até Roma. Aí serviu-lhe de secretário, de intérprete e ajudou-o a pregar a
fé na capital do Império Romano. Para consolar os fiéis desta cidade,
escreveu o seu Evangelho, em grego, pelo ano 44. O grego era, naquele
tempo, muito conhecido entre os romanos.
Terminado o trabalho, entregou-o ao seu mestre e pai espiritual, S.
Pedro, que o aprovou e deu-o para ser lido nas igrejas como escritura
autêntica. A mais reputada tradução do Evangelho de S. Marcos remonta
aos primeiros tempos do Cristianismo, e é a tradução latina aprovada pela
Igreja. Figura 14

55
Semana 4
Doutrina Sagrada
Os Sacramentos em geral

O que são os Sacramentos?


O Sacramento é um sinal visível da Graça invisível, instituído para nossa santificação. Seu
efeito principal é conferir a Graça.

Por que dizemos que os Sacramentos são “sinais visíveis da Graça”?


Chama-se ao Sacramento sinal visível de Graça, porque não só confere a Graça, mas
também a significa ou representa por meio de coisas sensíveis.

Explicação com um exemplo das duas respostas acima.


No Batismo, o derramar da água na cabeça da criança e as palavras eu te batizo, isto é, te
lavo, te purifico, são um sinal sensível da Graça que dá o Batismo: porque, assim como a água
lava o corpo e o purifica, assim a Graça conferida pelo Batismo nos purifica do Pecado.

Quem instituiu os Sacramentos?


Nosso Senhor Jesus Cristo instituiu os Sacramentos deixando neles a virtude dos seus
merecimentos. E instituiu-os a fim de nos comunicar as Graças necessárias para a nossa
santificação.

Quantos e quais são os Sacramentos?


Os Sacramentos são sete, a saber:
- Batismo (Que nos faz cristãos ou membros de Cristo e da Igreja).
- Confirmação ou Crisma (Que nos faz soldados de Cristo).
- Eucaristia (Que nos une a Cristo).
- Penitência ou Confissão (Que nos reconcilia com Cristo).
- Extrema-Unção ou Unção dos Enfermos (Que nos prepara para comparecer diante de
Cristo).
- Ordem (Que faz os Ministros de Cristo).
- Matrimônio (Que une os esposos com Cristo e sua Igreja, a fim de gerar filhos para serem
membros de Cristo).

56
Como sabemos existirem somente sete Sacramentos?
Sabemos que há sete Sacramentos e que não são nem mais nem menos pela Doutrina
constante e pela Tradição da Igreja.

O que é necessário para que haja um Sacramento?


Para um Sacramento requerem-se três coisas: matéria, forma e ministro (o qual tenha a
intenção de fazer o que a Igreja faz). A matéria é aquela coisa sensível que se emprega para fazer

Figura 15. Neste tríptico, o pintor Rogier van der Weyden, representou a cena da Paixão no centro, juntamente com a Santa Missa (no fundo), e
os outros Sacramentos nas partes laterais. A sacrífico de Nosso Senhor é a fonte de todos os sacramentos.

57
o Sacramento, como a água no Batismo. A forma são as palavras que se proferem quando se
administra o Sacramento. A intenção do ministro é a vontade de fazer o que faz a Igreja.

58
Amizade com Deus
O REINO DE CRISTO
3. Alegria do caminho de Cristo
Alegro-me com este vosso entusiasmo: se prosseguirdes nele, depressa conquistareis o
vosso coração para Cristo. Mas ai! que talvez algum pensamento desalentador, como um mau
tumor, roa esta vossa energia e faça vacilar as vossas perninhas. Seguir a Cristo nosso Rei! Que
bonito! Mas quão difícil! — diz o caruncho — e quão triste! — acrescenta. Ladeira acima, por
íngremes rochedos, sem um pouco de prazer que alegre a vida…horizontes turvos…deixando aos
lados risonhos jardins que se têm de passar de largo; fontes rumorosas, sem poder atirar-se a elas
de bruços e beber um gole sequer que acalme a sede abrasadora…
Oh! que engano funesto se dessa maneira julgais o seguir a Cristo! O caminho do prazer é
bonito na fantasia: na realidade, é uma agonia continuada. Os seus deliciosos jardins de flores têm
áspides; as suas claras fontes trazem veneno que amarga as fauces e aumenta a sede; no fim abre-
se o antro do Inferno…
Em compensação, o caminho
de Cristo não é triste como parece à
primeira vista.
Imaginai que sois uns
exploradores, desses a que chamam
boy scouts ou escoteiros, e que
caminhais por uma senda pedregosa
e ladeira acima, mas ides, com uma
turba de amiguinhos capazes de
desenrugar o cenho mais franzino.
Levam eles compridos bordões de
alpinistas, carabinas e espingardas de
ar comprimido para atirar nos
pássaros, e também sua mochila bem
repleta e uma cornetinha para as
ordens. E levam como capitão um
menino mais crescido, bonachão
como um pedaço de pão, o qual é
como se fosse pai deles. Este vai
adiante, ajuda os pequenos, corta
sarçais com a sua faca de mato e ri, e
anima, e com o seu cantil dá de beber
a quem o necessita. Quando a hoste
infantil se cansa, ele manda que
parem e, à sombra de um arvoredo,
tira um riquíssimo fortificante,
reanima-os com um par de tragos e… Figura 16. Repare no fim dos dois caminhos: a porta estreita leva à vida.

“Avante…meninos! Avante os

59
exploradores!” — diz o capitão apontando para um bosquezinho precioso, com seu castelo
pequeno no meio, fim da expedição, castelo no qual esperam os pequenos as mais gratas surpresas.
— Avante, meninos! — repete o rapaz, ajudando a este, amarrando a mochila àquele outro e as
botas a um terceiro. — Que bom capitão que temos! — dizem os exploradores, e levantam-se
como um só homem e recomeçam a penosa marcha, sem se lembrarem de penas, cantando todos
um hino guerreiro. Vamos a ver quem é o bravo que se atreve a dizer que este caminho é triste.
Pois mais alegre é o
caminho que temos de fazer para
conquistar o Reino de Cristo.
Vai conosco uma turba imensa
de Santos e Santas, gente alegre, Oração aos Escoteiros, do
embora a muitos pareça triste. O
capitão é Cristo, e, quando a sede Sacerdote Jacques Sevin
fatiga, Ele aproxima dos nossos
Senhor Jesus, ensinai-nos a sermos
lábios abrasados um riquíssimo
generosos
fortificante que tem sabor de
A Te servirmos como mereces
leite e mel, o cordial da
A darmos sem medida
Eucaristia; e nos apóia a Ele, A combatermos sem medo de
para que bebamos do seu lado sermos feridos
aberto o leite da consolação ou, A trabalharmos sem descanso
quando menos, do esforço E não esperarmos outra
animoso. Se os ardores do sol e a recompensa a não ser a de
aspereza do caminho fatigam, há sabermos que fazemos a Tua
nele suas paradazinhas onde, à vontade.
sombra amiga do nosso Capitão, Amém.
nós limpamos o suor do rosto e,
quando soa a voz de mando:
“Avante, meninos! Avante,
meus filhos”, Ele nos dá a mão e,
às vezes, até nos carrega às
costas. É triste isto? Não sabe o
que diz quem assegura que é
triste seguir a Cristo.
Um pouquinho difícil…sim, mesmo algo difícil é; mas asseguro-vos que muito mais o é
seguir o diabo. Coisa interessante! O que parece bonito e agradável aos sentidos, vindo do diabo,
que é um velho apodrecido, vem empestado e dá náuseas; e o que parece repugnante e áspero à
primeira vista, vindo de Cristo, perde a sua crueza, e tem sabor de néctar a própria amargura. Dizei-
me se há alguma coisa mais amarga do que as lágrimas, e, todavia, derramadas por Cristo, são
doces como córregos de mel. Como é isto, meu Jesus, que assim dulcificas o que tocas? É que por
onde passas vais deixando cintilações da tua formosura!

60
Vida de Jesus
O Evangelho e os Apóstolos
São Lucas e São João

S. Lucas – S. Lucas, de Antioquia, era médico de profissão. Foi


conquistado à fé por São Paulo; fiel companheiro nas longas e fatigantes
peregrinações do grande Apóstolo das Gentes, pregou o Evangelho na
Dalmácia, na Itália, nas Gálias e finalmente na Macedônia e na Acaia,
onde, com oitenta e quatro anos de idade, ganhou a coroa do martírio.
Escreveu o seu Evangelho no ano 53, colhendo notícias de testemunhas
oculares e das narrações ouvidas de S. Paulo. Acredita-se que a SS. Virgem
lhe tenha revelado várias coisas importantes. De fato, devemos a S. Lucas
o conhecimento de muitas preciosas notícias sobre a infância de Jesus e
sobre a mesma Bem-Aventurada Virgem, das quais coisas nada
Figura 17
escreveram os outros Evangelistas.
Alguns atribuem a S. Paulo o Evangelho de S. Lucas. Mas isto, diz Tertuliano, só se pode
entender no sentido de que se costuma atribuir aos mestres as obras dos discípulos. Quando S.
Paulo cita o seu Evangelho, deve-se entender o Evangelho de S. Lucas, por ele aprovado, como se
fosse obra sua.

S. João Evangelista – S. João, filho de Zebedeu e de Salomé, era


irmão de S. Tiago Maior. Nasceu em Betsaida e exerce com seu pai a
profissão de pescador, até ser chamado, pelo divino Mestre, ao apostolado,
muito jovem ainda. Foi tratado por Jesus Cristo com particular afeto, pela
sua inocência de costumes e pela virtude da pureza, que conservou sempre
ilibada. Por esse motivo, agonizando na cruz, o Salvador entregou S. João a
Maria Santíssima, como filho e Maria a João, como mãe. Na pessoa deste
Santo Apóstolo estão representados todos os cristãos, dos quais a Virgem
Santíssima é mãe piedosa.
Figura 18
Depois da Ascensão do divino Mestre, S. João pregou especialmente
na Ásia Menor, estabeleceu sua moradia em Éfeso, que governou como bispo até a idade de mais
de cem anos. Lá morreu no ano 107. Movido pela inspiração divina e pelos rogos dos fiéis, nos
últimos anos de sua vida, escreveu o seu Evangelho contra alguns hereges, que negavam a
divindade de Jesus Cristo. De fato, ele prefere escrever sobre as ações do divino Mestre, que o
fazem conhecer como verdadeiro Deus.
Fala muitas vezes de si, sem, contudo, nomear a sua pessoa. Escreveu em grego e narrou
coisas vistas por ele.
S. Jerônimo, depois de haver falado dos quatro Evangelistas, termina assim: S. Mateus
escreveu as obras de Jesus Cristo como homem, e nomeou a sua genealogia, chamando-o filho de
Davi, filho de Abraão. S. Lucas começa do sacerdócio de Zacarias. S. Marcos da profecia de

61
Malaquias e de Isaías. Por isso, o primeiro tem por símbolo o rosto de um homem; o segundo, a
cabeça de um vitelo, que indica o sacrifício que costumavam fazer os levitas; o terceiro, a cabeça
de um leão, significando a voz de S. João Batista, que clamava no deserto: Preparai o caminho do
Senhor, endireitai suas veredas. S. João tem por símbolo uma águia, porque ele, como a água,
desprendeu o voo para o Céu, no seio do Eterno Pai, dizendo: No princípio era o Verbo, e o Verbo
era junto de Deus, e o Verbo era Deus.

62
Referências das Imagens

Figura 1
http://www.orangesmile.com/extreme/img/main/duomo-di-milano_1.jpg

Figura 2
https://i.pinimg.com/originals/9e/ff/8a/9eff8ab3d02b7efcd8b44f1444ef314e.jpg

Figura 3
https://www.orvalle.es/wp-content/uploads/2018/12/adoracion-al-ni%C3%B1ojesus-colegio-
madrid-orvalle-18-11.jpg

Figura 4
https://unsplash.com/photos/p4lgsiyGW0s

Figura 5
https://unsplash.com/photos/ZivpaLNKoCg

Figura 6
http://www.igrejanossasenhoradobrasil.com.br/site/wp-content/uploads/bfi_thumb/Espirito-
Santo-4-mfu9rvepbzb2i5liutbs3900mr57m4ds7cupm1ttik.jpg

Figura 7
https://ff4.xcdn.pl/i/JGQFAAAABLAEsACyub6g/de824b871d8782897622ed91b0e07580.jpg

Figura 8
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/42/Hans_Memling_-
_Christ_with_Singing_Angels_-_KMSKA_778.jpg

Figura 9
http://images.wikioo.org/ADC/Art-ImgScreen-3.nsf/O/A-8Y34NB/$FILE/Vincenzo_campi-
st_matthew_and_the_angel.Jpg

63
Figura 10
https://missiondesainteanne.wordpress.com/cat-4A-4/

Figura 11
https://2.bp.blogspot.com/-
7kJyaii3EOc/Wp7_MnMBTEI/AAAAAAAAIPY/8FKOu9Yo2FcFx3hPao5GVIgATTf6yVOB
QCLcBGAs/s1600/K%25C3%25B6nig.jpg

Figura 12
https://i.pinimg.com/originals/f3/2e/e9/f32ee9865173aeb3c1207c7fed01c0cc.jpg

Figura 13
http://emmanuelpress.us/wp-content/uploads/2012/04/Ordination-Care-v2-presslinesmall-1.jpg

Figura 14
http://emmanuelpress.us/wp-content/uploads/2012/04/Ordination-Care-v2-presslinesmall-1.jpg

Figura 15
https://arthive.com/res/media/img/oy1000/work/40e/559675@2x.jpg

Figura 16
https://www.catholicconvert.com/wp-content/uploads/Screen-Shot-2013-03-28-at-9.43.30-
AM.png

Figura 17
http://emmanuelpress.us/wp-content/uploads/2012/04/Ordination-Care-v2-presslinesmall-1.jpg

Figura 18
http://emmanuelpress.us/wp-content/uploads/2012/04/Ordination-Care-v2-presslinesmall-1.jpg

64
65
66
Orientações para a disciplina de Língua
Portuguesa

Para formarmos crianças santas, dotadas de sabedoria, virtudes e amor, precisaremos, para esta
disciplina, de empenho diário, distribuído em leitura, interpretação, produção de textos, realização de
atividades e muita dedicação! Todo esforço valerá a pena, coragem!!!
Nosso objetivo: Conhecer a Deus, amá-Lo acima de tudo e desejar viver com Ele por toda a
eternidade!

Recomendações para esta disciplina:


1- Antes de iniciar o trabalho, ofereça seu estudo a Deus, peça a presença do Divino Espírito Santo,
busque serenidade e concentração. Realize as orações propostas na introdução deste material e
entregue seu coração e entendimento nas mãos de Nossa Senhora, para que ela o conduza pelo caminho
da sabedoria;

2- O material impresso e o seu caderno de caligrafia auxiliarão muito durante o ano. Cuide deles
com muito zelo, os mantenha limpos e organizados! Eles serão grandes instrumentos do amor de Deus
que os conduzirá a conhecer A Verdade;

3- Pule a primeira página de seu caderno, deixe-a em branco, pois outro dia será realizada uma
atividade para seu preenchimento;

4- Todas as atividades de língua portuguesa deverão ser realizadas no caderno de caligrafia, para que
sua letra se torne excelente, para que você consiga se organizar bem e para que esteja preparado para
os anos seguintes.

67
Atividades De Leitura
“Na leitura, mediante regras e preceitos, somos instruídos pelas coisas que estão escritas. A leitura
é também uma investigação do sentido por uma alma disciplinada. (...)
A importância da leitura reside em que ela pode ser utilizada para estimular a primeira operação da
inteligência que é o pensamento.”
Hugo de São Vítor

Por esta importância exposta por Hugo de São Vítor, diariamente são propostas diferentes
atividades de leitura e interpretação:

-LIVRO MENSAL: mensalmente um livro é escolhido e trabalhado detalhadamente (aspectos


literários, ortográficos, gramaticais, discursivos e interpretativos). Este livro deve ser adquirido
separadamente pelos responsáveis (muitos estão em domínio público ou disponíveis para download,
ou disponibilizados no material, como o do primeiro mês) e estes devem escolher se trabalharão as
atividades em uma semana, duas semanas ou ao longo do mês.

-APRENDENDO COM OS SANTOS E COM A IGREJA: leitura diversificada e diária sobre a


biografia, curiosidades e aspectos relevantes da vida dos santos perpetuados pela Igreja. Os textos e
excertos já estão disponibilizados no material recebido.

São Domingos Sávio lendo.

68
Para Os responsáveis: Dicas Valiosas

Qual é o significado desta imagem?

Todas as vezes que vocês encontrarem esta imagem, a atividade


proposta precisará de uma atenção/auxílio especial. Assim como São
José, na imagem, está ensinando seu filho Jesus, esta é uma
oportunidade de, com paciência e ternura, estar mais próximo da
criança para uma atividade que necessita de supervisão.

Qual é o significado deste símbolo?


Todas as vezes que esta flor de lis aparecer, o aluno deverá realizar algum tipo de
atividade, seja leitura, produção de algum texto, interpretação de textos ou frases,
etc.
- Fique atento aos registros que seu filho fará no caderno! Leia tudo o que ele
escrever, motive-o, corrija-o com docilidade e interceda sempre, pois você será um
dos maiores responsáveis por todas as virtudes que ele alcançará!

Como corrigir textos?


A tarefa diária de produção de textos é fundamental para o desenvolvimento, crescimento e
formação do estudante, mas, justamente por todo valor, exige uma atenção e trabalho maiores por
parte dos responsáveis.
- Sempre encontrar e dizer primeiro os aspectos positivos da produção textual; seja o título,
a letra, a ideia, a quantidade de palavras, o empenho... o elogio alcança milagres em todas as
crianças, desde que verdadeiro, sincero e oportuno!
- Todos os erros devem ser corrigidos, mas, com cautela:
- Se o estudante apresenta muitas dificuldades com a escrita, não convém que todos os erros
sejam corrigidos de uma vez, pode desanimá-lo; se corrigir todos de uma vez, pode ser que todas as
linhas e palavras fiquem perdidas dentro do “mar vermelho de correções”.
- Priorize um ou dois erros iniciais para corrigir e recordar, e depois, ao longo do mês ou
semanas, fique atento aos outros erros que ele cometeu na produção anterior para corrigir.
- Se o estudante não apresenta dificuldades com a escrita, para incentivá-lo, pode sugerir que
troque algumas palavras do texto por sinônimos mais rebuscados, deixando o texto mais formal e
aumentando seu vocabulário;

69
- Atividades de reescrita, a partir da correção dos erros, pode ajudar o estudante a ir cada
vez melhor.

Jesus, Maria e José, nossa família vossa é!

70
Primeiro dia
1. ORAÇÃO

- Antes de iniciar o trabalho, ofereça seu estudo a Deus, peça a presença do Divino Espírito Santo,
busque serenidade e concentração. Algumas orações curtas podem ajudar:
Divino Espírito Santo, iluminai minha inteligência e fortalecei a minha vontade.
Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, se a ti me confiou a piedade divina, sempre me
rege, me guarda, me governa, me ilumina. Amém.
Você pode e deve sempre utilizar as orações do início do material.

2. APRENDENDO COM OS SANTOS E


COM A IGREJA
Santa Veridiana, Virgem
(+ Toscana, Itália, 1242)

Nascida na Toscana consagrou desde muito


jovem sua virgindade a Deus. Peregrinou a
Santiago de Compostela e a Roma, retornando
depois à terra natal, onde voluntariamente viveu
murada numa cela, durante 34 anos, em meio a
rigorosas penitências e recebendo graças místicas
extraordinárias. (Cada dia tem seu santo, Andrade,
A. de França)
Santa Veridiana, rogai por nós!

3. margem no caderno

O caderno de caligrafia não apresenta margem, mas esta é essencial para que a escrita
seja correta, demonstrando o início dos parágrafos. Faça a margem nas páginas do
caderno. Peça ajuda de seus pais para fazer a margem nas primeiras vezes:

- Faça a margem usando a régua. É importante segurar a régua apoiada apenas em um dedo.
- Inicie com os traços horizontais (mais fáceis) e, depois de obter controle, passe aos traços verticais.
- Faça as margens nos quatro lados, formando um retângulo.

71
- É muito importante verificar se a régua está firme, pois um desvio pequeno no início do traçado leva
a um desvio grande no final. É como um erro em nossa vida: um pequeno desvio do caminho correto
pode levar a um grave erro, fazendo-nos sair do caminho e não alcançar o destino que deveríamos.
- Faça diariamente duas ou mais folhas de margem.
- Se for a primeira vez que você utiliza este tipo de caderno, peça aos seus a pais para explicarem a
você como deve ser o uso das linhas de caligrafia.
Observe o engano Depois de compreender o uso das linhas:
da aluna:

O caderno deve ficar limpo e bonito. Pule a primeira página, que será ilustrada no final da semana
ou do mês, após a leitura do primeiro livro, usando como tema um assunto do livro que você tenha
gostado muito.

4. CABEÇALHO
Faça, em seguida, o cabeçalho. Ele deverá ser escrito diariamente.

CABEÇALHO: Colocar o nome da cidade, a data (dia, mês e ano).


Na outra linha o nome completo (todos os dias!)

5. Alfabeto
Faça o alfabeto maiúsculo, faça devagar, procurando desenhar as letras com perfeição. Faça todos
os dias até alcançar um desenho de letra excelente.

72
A seguir, o alfabeto minúsculo; faça devagar, procurando desenhar as letras com perfeição. Faça
todos os dias até alcançar um desenho de letra excelente.

- Em voz alta repita várias vezes o alfabeto, iniciando por letras diferentes, inicialmente olhando
as letras, depois com o caderno fechado. Treinar a ordem alfabética muitas vezes por dia. Este
exercício vai facilitar o uso posterior do dicionário.
Responda: Quantas letras tem o nosso alfabeto?

6. leitura mensal
Neste mês trabalharemos com alguns episódios da vida de São Francisco, que você
acompanhará aqui mesmo, no material didático.
Leitura do primeiro texto:

73
São Francisco

São Francisco foi um grande santo, e um homem cheio de alegria. "A sua simplicidade, a sua fé,
o seu amor por Cristo, a sua bondade por cada homem, o fizeram feliz em toda situação.
Olhando para ele, compreendemos que é este o segredo da verdadeira felicidade: tornarmo-nos
santos!" (Bento XVI)

Introdução
Giovanni di Pietro di Bernardone, mais conhecido como São Francisco de Assis.
Nascimento: Assis, 5 de julho de 1182 — Partiu para a eternidade em 3 de outubro de 1226. Na
região e na época em que viveu era grande o apego ao luxo e às riquezas, o que minava a sociedade
e causava danos à Igreja. Propôs ele um novo ideal de pobreza, obediência e castidade, tendo
fundado a Ordem dos Frades Menores (franciscanos), que se expandiu pelo mundo através de
várias ramificações. Com Santa Clara também fundou a ordem das Clarissas.

74
Leia em voz baixa. Terminada a leitura, reinicie, lendo em voz alta. Se houver palavras
desconhecidas, peça ajuda para entender o significado. Leia várias vezes, buscando
pronunciar bem as palavras. Leia uma vez todo o texto pronunciando a pontuação, ASSIM:
São Francisco foi um grande santo, (VÍRGULA) e um homem cheio de alegria. (PONTO) (Abre
aspas) "A ...
Depois leia novamente em voz alta.

1. Copie em letra cursiva a Introdução. Atenção para os sinais gráficos, parágrafos afastados da
margem (dois dedinhos).
2. Pinte no texto as letras maiúsculas de vermelho.
3. Pinte de laranja os sinais de pontuação.
4. Grife, com o lápis vermelho, as palavras iniciadas com maiúsculas que são nomes de pessoas
ou lugares.
5. Descubra por que algumas palavras estão iniciadas em maiúsculas e não são nomes próprios.
Que sinal antecede estas palavras?
6. Copie as palavras iniciadas com letra maiúscula. Coloque-as em ordem alfabética, formando
uma lista. Separe em sílabas.
7. Onde e quando Francisco nasceu? Quando morreu? Com que idade?
8. Quais as congregações religiosas fundadas por São Francisco?

7. Tarefa
Leitura – inicie com períodos de 15 a 20 minutos sem interrupção; objetivo:
chegar a uma hora de leitura sem interrupção. Para observar seu desenvolvimento
na atenção: – Responsável, marque o tempo de leitura sem interrupção: ______

Sugestões de leitura para as tarefas


Para esta tarefa você pode utilizar o livro do mês, aqui disponibilizado, lendo-o todo numa
sequência e depois retornando para fazer os exercícios diários. Lembre-se que o texto não deve ser
lido uma única vez, mas deve ser lido até que a leitura fique nítida, até que você leia com fluidez.
Pode ser escolhido um outro livro pela família.
Para os responsáveis: Outras sugestões: Na Bíblia, ler Daniel na cova dos leões (Daniel capítulo
6), duas vezes, uma vez em voz alta; os pais podem fazer perguntas sobre o texto lido. Outra
possibilidade de leitura pode ser encontrado no site Alexandria Católica; o aluno pode ler, por
exemplo, as histórias que os pais leram para eles no segundo ano, Legenda d’oiro. Se a criança já
leu tudo, pode passar a ler vidas dos santos, biografias, milagres.

75
Segundo dia
1. ORAÇÃO
2. APRENDENDO COM OS SANTOS E COM A IGREJA
Festa de Apresentação do menino Jesus no templo

O evangelho de São Lucas narra que, depois do nascimento de Nosso Senhor e decorrido o prazo
que a Lei mosaica estabelecia para a purificação das mulheres
que davam a luz, Nossa Senhora e São José levaram o Menino
Jesus ao Templo para O apresentarem a Deus, conforme
também prescrito na Lei. Na ocasião, Maria Santíssima
ofereceu ao Senhor o sacrifício ritual de dois pombinhos,
estabelecido para a purificação das mulheres pobres. Jesus e
Maria não estavam sujeitos à Lei, mas quiseram observá-la
por amor à humanidade e para nos dar o exemplo. (Cada dia
tem seu santo, Andrade, A. de França)

Imagem da Festa de apresentação do Maria Santíssima, rogai por nós!


Menino Jesus no Templo.

3. margem no caderno
4. CABEÇALHO
5. Alfabeto
6. leitura mensal

São Francisco
Primeiros anos
Havia se iniciado o século XIII. O jovem filho do italiano Pietro Bernardone e da francesa
Pica Bernardone é batizado na catedral de São Rufino, Santa Maria Maior, com o nome de
Giovanni Pietro di Bernardone. É o filho primogênito daquele rico e bem sucedido comerciante
da cidade de Assis. O apelido de Francisco veio provavelmente por sua mãe.
Em sua juventude, viveu Francisco no meio dos filhos deste mundo e como eles foi
educado. Depois de aprender a ler e a escrever, recebeu um emprego rendoso no comércio. Mas,
com o auxílio divino, jamais se deixou levar pelo ardor das paixões que dominavam os jovens de
sua companhia. Embora fosse inclinado à vida dissipada, nunca cedeu à tentação. Vivia num
ambiente marcado pela cobiça desenfreada dos comerciantes, mas ele mesmo, embora gostasse de
obter seus lucros, jamais se prendeu desesperadamente ao dinheiro e às riquezas.
O Senhor incutia em seu coração um sentimento de piedade que o tornava generoso com os pobres.
Este sentimento foi crescendo e impregnou-o de tanta bondade que ele decidiu, como ouvinte

76
atento que era do Evangelho, ser generoso com quem lhe pedisse esmola, sobretudo a quem pedisse
por amor de Deus. No entanto, um dia, estando muito ocupado em negócios, despediu de mãos
vazias um pobre que lhe pedia uma esmola por amor de Deus. Caindo em si, correu atrás do
homem, deu-lhe uma rica esmola e prometeu ao Senhor nunca mais recusar, sendo-lhe possível, o
que quer que lhe pedissem por amor de Deus.
Observou esse propósito até a morte com uma caridade incansável e que lhe granjeou
sempre mais a graça e o amor de Deus. Mais tarde, já como perfeito imitador de Cristo, dizia que
durante sua vida mundana ele não podia ouvir estas palavras: “amor de Deus” sem ficar comovido.
Mansidão, gentileza, paciência, afabilidade mais que humana, liberalidade que ultrapassava seus
recursos eram sinais de sua natureza privilegiada que anunciavam já uma efusão mais abundante
ainda da graça divina nele.

7. exercícios
Após ler atentamente o texto, copie em seu caderno as perguntas e responda uma a
uma.
1. Como se chamavam os pais de Francisco?
2. Qual o nome de batismo de São Francisco? Por que ele ficou conhecido como Francisco?
3. Qual a profissão de seu pai?
4. Oralidade: conte aos responsáveis o que leu ontem e hoje, se houve dificuldades, o que foi mais
interessante. Responsáveis: ouvir o relato da criança.

5. EXTRA: Converse com os responsáveis sobre a primeira vez em que você foi
apresentado à igreja; descubra quando foi, quem estava presente, outras
curiosidades, se houve fotos, aproveite para revê-las!

6. Copie em letra cursiva o primeiro parágrafo do texto lido; atenção para os sinais gráficos,
parágrafos afastados da margem (dois dedinhos).
7. Pinte no texto as letras maiúsculas em vermelho.
8. Pinte de laranja os sinais de pontuação.
9. Grife, com o lápis vermelho, as palavras iniciadas com maiúsculas que são nomes de pessoas
ou lugares.
10. Descubra por que algumas palavras estão iniciadas em maiúsculas e não são nomes próprios.
Que sinal antecede estas palavras?
11. Copie as palavras iniciadas com letra maiúscula. Coloque-as em ordem alfabética, fazendo
uma lista. Separe em sílabas.
12. Escolha três palavras e escreva uma frase usando pelo menos duas das palavras copiadas na
mesma frase.

77
8. produção textual
Após conversar com seus pais sobre o seu batismo, escreva um texto em que você conta este
momento de sua vida. Complete com a sua imaginação os fatos que você não conhece; veja o
álbum de fotos ou sua certidão de batismo para acrescentar alguns detalhes. Depois, leia em voz
alta seu texto e escute os comentários de seus pais ou de seus padrinhos.

9. tarefa
Leitura – inicie com períodos de 15 a 20 minutos sem interrupção; objetivo: chegar a uma hora
de leitura sem interrupção.

78
terceiro dia
1. ORAÇÃO
2. APRENDENDO COM OS SANTOS E COM A IGREJA
Santa Águeda (ou Ágata), Virgem e Mártir - Sicília, 251

Uma das mais conhecidas mártires dos primeiros séculos do


Cristianismo. De casa nobre e rica da Sicília, havia-se Águeda
consagrado a Deus, desde a infância. O governador da ilha, tendo
ouvido falar da sua beleza e bens, considerou-a objeto próprio para
lhe satisfazer a impudicícia e avareza, e tudo envidou para dela se
apossar. A santa fez então esta prece:
"- Jesus Cristo, Soberano Senhor de todas as coisas, sabeis qual é o
meu desejo; sede o único possuidor de tudo quanto sou. E conservai-
me contra o tirano. Sou a vossa ovelha, tornai-me digna de vencer o
demônio."
Águeda sofreu sem esmorecer um cruel martírio, para preservar a
virtude da pureza e a integridade de sua fé. Depois de passar por
fortes tormentos foi conduzida ao cárcere e ali morreu, enquanto rezava.
Santa Águeda, rogai por nós!

3. margem no caderno
4. CABEÇALHO
5. Alfabeto
6. leitura mensal

São Francisco
Obediência
Naquela noite, enquanto dormia, Deus em sua bondade mostrou-lhe em visão magnífica
um grande palácio de armas que levavam a cruz de Cristo marcada nos brasões. Mostrava-lhe
assim que a gentileza que ele praticara com o pobre cavaleiro por amor ao Grande Rei seria
recompensada de modo incomparável. Perguntou Francisco para quem era tudo aquilo. E uma voz
do céu lhe respondeu: “Para ti e teus soldados”. Ainda não tinha experiência em interpretar os
divinos mistérios e ignorava a arte de ir além das aparências visíveis até as realidades invisíveis.
Por isso estava convencido, ao acordar, que essa estranha visão lhe garantia um imenso sucesso
para o futuro. Entregue a essa ilusão, decide alistar-se no exército de um conde, grande senhor da

79
Apúlia, na esperança de conquistar, sob suas ordens, essa glória militar que lhe prometia aquela
visão.
Põe-se a caminho e chega à cidade seguinte. Durante a noite ouve o Senhor lhe dizer em
tom familiar: “Francisco, quem pode fazer mais por ti: o senhor ou o servo, o rico ou o pobre?”
Francisco responde que é o senhor e o rico, evidentemente. E o Senhor lhe retruca: “Por que então
deixas o Senhor para te dedicares ao servo? Por que escolhes um pobre em vez de Deus que é
infinitamente rico?” “Senhor, responde Francisco, que quereis que eu faça?” E Deus lhe disse:
“Volta para tua terra, pois a visão que tiveste prefigura um acontecimento totalmente espiritual
que se realizará não da maneira como o homem propõe, mas assim como Deus dispõe”. De manhã,
Francisco tratou de voltar para Assis. Estava sobremodo alegre e o futuro não lhe dava
preocupação; era já um modelo de obediência e aguardou a vontade de Deus.

7. exercícios
Leia atentamente o texto. - Observe se conhece todas as palavras do texto. Se houver
palavras desconhecidas, peça ajuda para entender o significado. Releia-o muitas vezes,
até deixar penetrar o sentido em seu coração. Observe que São Francisco buscava
verdadeiramente obedecer a vontade de Deus em sua vida.
1. Copie em letra cursiva o último parágrafo do texto lido; atenção para os sinais gráficos:
parágrafos afastados da margem (dois dedinhos).
2. Pinte no texto as letras maiúsculas em vermelho.
3. Pinte de laranja os sinais de pontuação.
4. Grife, com o lápis vermelho, as palavras iniciadas com maiúsculas que são nomes de pessoas
ou lugares.
5. Descubra por que algumas palavras estão iniciadas em maiúsculas e não são nomes próprios.
Que sinal antecede estas palavras?
6. Copie as palavras iniciadas com letra maiúscula. Coloque-as em ordem alfabética, fazendo
uma lista. Separe-as em sílabas.

8. produção textual
1. Escreva uma situação pessoal em que você se enganou sobre a vontade de Deus em sua própria
vida.
2. Conte no segundo parágrafo como você descobriu o engano. Quem o ajudou? Foi um amigo?
Foram seus pais? Um catequista? Uma leitura inspirada em Deus? Seu Anjo da Guarda?
3. Conclua seu texto mostrando como você retomou o caminho correto em relação àquele engano.

9. tarefa
Leitura – inicie com períodos de 15 a 20 minutos sem interrupção; objetivo: chegar a uma hora
de leitura sem interrupção.

80
QUARTO dia
1. ORAÇÃO
2. APRENDENDO COM OS SANTOS E COM A IGREJA

Leia para o estudante o texto abaixo e converse sobre ele.

Imagem de São Paulo Miki e Companheiros Mártires.

No século XVI uma revolução havia dividido o Japão em 66 principados ou reinos


independentes. Essa descentralização era um momento propício para a implantação do
cristianismo. A Providência suscitou então São Francisco Xavier, quem em menos de onze anos
de apostolado no Oriente batizou aproximadamente dois milhões de pagãos, ganhando para a
Igreja o que Ela perdera no norte da Europa com o protestantismo. Entre os neoconvertidos para a
verdadeira fé no Japão havia reis, bonzos (sacerdotes pagãos), generais e primeiros senhores da
corte, bem como gente de todas as camadas sociais.
Sucederam a São Francisco Xavier outros sacerdotes da Companhia de Jesus, que seguiram
com o mesmo zelo os passos do Santo Apóstolo. Durante 40 anos o cristianismo floresceu na terra
do Sol Nascente.
Em 1582, um homem de origem obscura conseguiu impor-se como Imperador sob o nome
de Taicosama, reduzindo os demais reis a meros governadores. Os jesuítas receberam ordem de
expulsão do país num prazo de seis meses. Entrementes os missionários puderam continuar, com
cautela e privadamente, o seu apostolado. Em 1587 — quando mais de 200 mil japoneses já haviam
abraçado a fé —foi proibida a religião cristã. Vinte e seis residências dos missionários e 140 igrejas
foram destruídas. Os 130 jesuítas que estavam no país precisaram se esconder e diminuir muito
sua atividade apostólica para não provocar as autoridades. Esse apostolado clandestino surtiu

81
efeito, pois, de 1587 a 1597, quando a perseguição se tornou sangrenta, houve mais de cem mil
conversões apesar da proibição.
Essa era a situação quando, em 1593, sete franciscanos provenientes das Filipinas,
estabeleceram-se no Japão por ordem de Felipe II, Rei da Espanha, fundando dois mosteiros. Isso
contrariava a proibição do Papa, que destinara a evangelização do país aos jesuítas. Esses filhos
de São Francisco começaram então zelosamente seu trabalho de caridade e evangelização,
pregando publicamente, em violação a ordem do imperador. A situação piorou quando o galeão
espanhol San Felipe que carregava peças de artilharia, naufragou, levantando suspeitas das
autoridades japonesas sobre as verdadeiras intenções dos espanhóis, suspeitas que elas estenderam
aos religiosos.
O Imperador foi então implacável: condenou à morte os franciscanos e os de sua Casa, num
total de 21 pessoas, três das quais ainda quase crianças. A essas foram juntados três jesuítas, e
posteriormente os irmãos Pedro e Francisco Sukechiro perfazendo o número de 26 pessoas
condenadas.
O mais conhecido é São Paulo Miki, oriundo de família nobre e educado pelos jesuítas
desde os 11 anos de idade. Aos 22 anos entrou para o Seminário da Companhia de Jesus,“por
causa da devoção desta à Santíssima Virgem e do zelo apostólico que nela admirava”. Por sua
ciência, modéstia e eloquência, ele foi destinado à pregação antes mesmo de ordenar-se, obtendo
grandes frutos. Durante a longa viagem a caminho do martírio, Paulo Miki não cessava de exortar
seus companheiros à constância, e seus guardas pagãos a abraçarem o cristianismo.
No momento de sua crucifixão, disse ele a seus carrascos: “A única razão de minha morte
é a de que ensinei a doutrina de Cristo. Agradeço a Deus por isso. [...] Sei que credes em mim,
por isso quero dizer-vos tudo mais uma vez: pedi a Cristo que vos ajude, e sereis felizes. Eu
obedeço a Cristo. [...] Rogo a Deus que tenha piedade deles (dos perseguidores), e espero que
meu sangue caia sobre eles como uma chuva frutuosa”
(...Informações Disponíveis em: http://catolicismo.com.br/materia/materia.cfm/idmat/0242AF6B-BBE4-65C4-
3621341887A43F4B/mes/Fevereiro2016. Acesso em: 11 de jan. 2018.)

São Paulo Miki e Companheiros Mártires, rogai por nós!

3. margem no caderno
4. CABEÇALHO
5. Alfabeto
6. leitura mensal

São Francisco
A rejeição ao mundo e a entrega à pobreza
Um dia, estando Francisco a rezar na solidão e totalmente absorto em Deus, apareceu-lhe
Cristo crucificado. Diante dessa visão, “derreteu-se-lhe a alma” (Ct 5,6) e a recordação da paixão

82
de Cristo gravou-se-lhe tão profundamente no coração, que a partir desse instante dificilmente
podia conter o pranto e deixar de suspirar quando pensava no Crucificado. Ele mesmo confessou
esse fato pouco antes de morrer. Logo compreendeu que se dirigiam a ele aquelas palavras do
Evangelho: “Quem quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me” (Mt
16,24). Imbuiu-se desde então do espírito de pobreza, com um profundo sentimento de humildade
e uma atitude de profunda compaixão.
O pai de Francisco, Pedro de Bernardone, ficou inconformado com as ações de Francisco,
que doava aos pobres seus bens. Levou o caso ao bispo, acusando o filho de dissipar sua fortuna e
exigindo uma compensação por tudo o que fora por ele retirado de sua loja para dar aos pobres.
Então o jovem, inspirado pelo Espírito Santo, tomou a decisão inimaginável por todos os que ali
presenciavam a cena: entregou ao progenitor tudo o que tinha consigo, inclusive as próprias
roupas, e disse: doravante não mais direi “meu pai Pedro de Bernardone”, e sim “Pai nosso que
estais no Céu”. Coberto apenas pelo
cilício (um áspero couro animal
destinado a incomodar a pele, que usava
sob as roupas para combater certos
impulsos corporais), Francisco foi então
abrigado pela capa cedida pelo bispo, ali
renunciando publicamente à herança;
pediu a bênção episcopal e partiu para a
vida de pobreza, passando depois a ter
por companheiros vários amigos que
quiseram seguir a mesma via de
perfeição. Não chegara sequer aos 25
anos quando esses fatos ocorreram. Era
o início da família franciscana, que não
se restringiu ao sexo masculino, pois
Francisco, com a jovem Clara – que se
inclinou a seguir os passos desse santo
homem -, fundou o ramo feminino, que
obteve do papa Inocêncio III o
reconhecimento do direito de ser pobre
e de nada possuir.
Diz-se que Francisco e a Pobreza
contraíram um casamento místico. Na
verdade, conforme estudos
aprofundados feitos nos antiquíssimos
escritos históricos e alegóricos a respeito do Fundador e dos primeiros franciscanos, nota-se que o
que Francisco fez foi uma vassalagem mística com a Pobreza, a quem se entregou para servi-la. A
ela se referia como “minha senhora”, expressão que na época caracterizava uma obediência e com
a qual se entregava àquela virtude que tanto admirava. Distribuía tudo o que recebia: mantos,
túnicas, livros, toalhas de altar ou tapetes, tudo o que servisse de esmola aos pobres, para cumprir
o dever da caridade. Muitas vezes ao se encontrar com pobres carregando pesadas cargas, punha-
as sobre seus próprios ombros para auxiliá-los.

83
Entre as mais famosas e importantes virtudes, que no homem preparam um lugar para Deus
e ensinam o caminho melhor e mais rápido para chegar até Ele, a santa Pobreza sobressai a todos
por uma certa prerrogativa e supera os títulos das outras por uma beleza singular. Ela é fundamento
e guardiã das virtudes todas, e entre as conhecidas virtudes evangélicas ela tem, merecidamente,
um lugar de honra. Essas palavras iniciam o texto alegórico que mostra a relação mística entre o
Fundador franciscano e a Senhora Pobreza, esposa de Cristo.

7. exercícios
Leia silenciosamente o texto acima duas vezes. Depois leia-o pronunciando os sinais
de pontuação. Finalmente, leia em voz alta para alguém de sua casa.
Copie em seu caderno e responda as perguntas a seguir. Procure responder sem voltar
ao texto, mas se for preciso releia algum trecho para melhor responder às perguntas.
1. Diante do Crucifixo, São Francisco sentiu que uma passagem do evangelho tocava sua alma
profundamente. Releia esta passagem.
2. Por amor a Jesus São Francisco viveu uma virtude que mudou sua vida. Que virtude foi esta?
3. Ao viver esta virtude, Francisco não foi compreendido por seu pai. A quem o pai recorreu
para recuperar o dinheiro?
4. Qual foi a atitude inesperada de Francisco?
5. Que idade tinha então o jovem Francisco?
6. Copie em letra cursiva o primeiro parágrafo do texto lido; atenção para os sinais gráficos:
parágrafos afastados da margem (dois dedinhos).
7. Pinte no texto as letras maiúsculas em vermelho.
8. Pinte de laranja os sinais de pontuação.
9. Grife, com o lápis vermelho, as palavras iniciadas com maiúsculas que são nomes de pessoas
ou lugares.
10. Descubra por que algumas palavras estão iniciadas em maiúsculas e não são nomes próprios.
Que sinal antecede estas palavras?
11. Copie as palavras iniciadas com letra maiúscula. Coloque-as em ordem alfabética, fazendo
uma lista. Separe em sílabas.

8. produção textual
Escreva um parágrafo sobre coisas que você gosta de fazer e que não precisam de nenhum recurso
financeiro.

9. tarefa
Leitura – inicie com períodos de 15 a 20 minutos sem interrupção; objetivo: chegar a uma hora
de leitura sem interrupção.

84
Quinto dia
1. ORAÇÃO
2. APRENDENDO COM OS SANTOS E COM A IGREJA
São Ricardo, Rei e Confessor

Este monarca inglês teve um reinado


curto, mas cheio de bons exemplos de governo
sábio e prudente. Sua principal preocupação era
ministrar a justiça, tendo um dom especial para
apaziguar contendas e harmonizar interesses
conflitantes. Abdicou da coroa e partiu para a
Terra Santa, com o desejo de se tornar monge,
mas faleceu durante a viagem, na Itália. Foi pai
de três príncipes que também receberam as
honras dos altares: São Vinebaldo, São Vilibaldo
e Santa Valberga.
(Cada dia tem seu santo, Andrade, A. de França)

São Ricardo, rogai por nós!

Terminada a leitura, reinicie lendo em voz alta. Observe se conhece todas as palavras do texto
e, se houver palavras desconhecidas, peça ajuda para entender o significado. Leia várias vezes,
buscando pronunciar bem as palavras. Leia uma vez todo o texto pronunciando a pontuação.
Leia novamente em voz alta. Se você tem um amigo Ricardo conte a ele sobre o Santo que
leva o nome dele!

3. margem no caderno
4. CABEÇALHO
5. Alfabeto
6. leitura mensal

São Francisco

85
Seu sentimento de compaixão e o amor que as criaturas lhe
devotavam - cordeiros
A verdadeira piedade, que, na palavra do
Apóstolo, é útil a todas as coisas, enchera o coração
de Francisco, compenetrando-o tão intimamente, que
parecia dominar totalmente a personalidade do
homem de Deus. Nasciam daí a devoção que o
elevava até Deus, a compaixão que fazia dele um
outro Cristo, a amabilidade que o inclinava para o
próximo, e uma amizade com cada uma das criaturas,
que lembra nosso estado de inocência primitiva. Mas,
embora atraído espontaneamente por todas as
criaturas, seu coração o levava especialmente às
almas resgatadas pelo sangue precioso de Cristo
Jesus.
Acostumado a voltar continuamente à origem
primeira de todas as coisas, concebeu por elas todas
uma amizade extraordinária e chamava irmãos e
irmãs as criaturas, mesmo as menores, pois sabia que
elas e ele procediam do mesmo e único princípio.
Contudo, tratava com muito maior ternura e mais suavemente as criaturas que representam de certo
modo natural a piedosa mansidão de Cristo.
Viajando certa vez pelos arredores de Sena, encontrou nos campos um grande rebanho de
ovelhas. Mal as saudou, afavelmente, e todas pararam de pastar e correram para ele, levantando a
cabeça e fixando-o com os olhos. Fez-lhes tanta festa, que os pastores e irmãos ficaram
maravilhados de as ver tão contentes, desde os cordeiros até aos carneiros.
Em Santa Maria da Porciúncula, certo dia ofereceram ao homem de Deus uma ovelha que
ele de boa mente aceitou, tanto ele amava a inocência e simplicidade que esses animais manifestam
espontaneamente. O santo lhe fazia suas recomendações: estar atenta aos louvores divinos, não
causar dano aos irmãos por menor que fosse... E ela, sensível à afeição do homem de Deus, fazia
o que podia para se conformar. Quando ouvia o canto dos irmãos no coro, também entrava na
igreja, dobrava os joelhos sem que ninguém lhe tivesse ensinado e, como saudação, dava alguns
vagidos diante do altar da Virgem, Mãe do Cordeiro. Além disso, quando na celebração da missa
chegava o momento em que o sacerdote levantava o sacratíssimo corpo de Cristo, a ovelhinha
dobrava os joelhos em atitude reverente como se desse modo quisesse censurar a irreverência dos
maus cristãos e convidar os devotos à maior veneração de tão grande sacramento.
Por um certo tempo em que se encontrava na cidade de Roma, teve também sob sua guarda,
em recordação do Cordeiro sem mancha, um cordeirinho, o qual entregou à nobre e devota matrona
Jacoba de Settesoli. O cordeirinho, como se estivesse instruído pelo santo nas coisas espirituais,
era um companheiro inseparável dessa senhora, seguia-a à igreja, aí ficava com ela e com ela
voltava para casa. E se acaso a senhora não se mostrava tão diligente em levantar-se pela manhã,
o cordeirinho acordava-a com seus balidos e golpeava-a com seus pequenos chifres, exortando-a

86
com tais gestos a apressar-se a ir à igreja. Por esse motivo, aquela senhora guardava com admiração
e amor o cordeirinho, discípulo de Francisco, que era então já mestre na vida devota.

7. exercícios
Leitura: Observe se conhece todas as palavras do texto; se houver palavras desconhecidas,
peça ajuda para entender o significado. Leia tantas vezes forem necessárias até que o texto se
torne fluente. Pode ler uma vez falando os sinais de pontuação.
2. Copie, em letra cursiva, um dos parágrafos do texto lido; atenção para os sinais gráficos:
parágrafos afastados da margem (dois dedinhos). Pode aproveitar as laterais das margens para
desenhar cordeirinhos!
3. Pinte no texto as letras maiúsculas em vermelho.
4. Pinte de laranja os sinais de pontuação.
5. Grife, com o lápis vermelho, as palavras iniciadas com maiúsculas que são nomes de
pessoas ou lugares.
6. Releia o texto (a partir da cópia no caderno) nomeando os sinais de pontuação.
7. Copie as palavras iniciadas com letra maiúscula. Coloque-as numa lista, em ordem alfabética.
Depois, dividir em sílabas.
8. Escreva uma frase usando pelo menos três das palavras copiadas.

8. tarefa
Tarefa: Leitura – inicie com períodos de 15 a 20 minutos sem interrupção; objetivo: chegar a
uma hora de leitura sem interrupção.

EXTRA: Com a ajuda dos responsáveis, pesquise sobre a vida dos santos filhos do
Rei Ricardo. Leia os principais aspectos da biografia destes santos. Responda
verbalmente: a vida dos pais influencia na vida dos filhos? Curiosidade: Rei Ricardo
é considerado padroeiro dos pais de família.

87
sexto dia
1. ORAÇÃO
2. APRENDENDO COM OS SANTOS E COM A IGREJA
São Jerônimo Emiliano, Confessor (+ Veneza, 1537)

Pertencente a uma família nobre de Veneza, fez rápida carreira


como militar (soldado) e como político. Aprisionado pelos
franceses, durante o cativeiro, resolveu renunciar ao mundo e
consagrar-se por inteiro a Deus. Foi libertado prodigiosamente por
Nossa Senhora e retornou à sua cidade natal, onde foi ordenado
sacerdote e se dedicou ao cuidado dos órfãos pobres. Fundou a
ordem dos Clérigos Regulares.
(Cada dia tem seu Santo, Andrade, A. de Santos)

São Jerônimo Emiliano, rogai por nós!

Leia atentamente o texto acima, primeiro silenciosamente, depois em voz alta. Há alguma
palavra que você não conhece bem? É hora de procurar no dicionário! Anote em seu caderno
o significado da palavra e depois releia o texto, trocando a palavra procurada por seu sinônimo.

3. margem no caderno
4. CABEÇALHO
5. Alfabeto
6. leitura mensal

São Francisco

Seu sentimento de compaixão e o amor que as criaturas lhe


devotavam - a lebre
Outra ocasião, em Greccio, ofereceram ao homem de Deus uma lebrezinha viva que, posta
no chão e livre para fugir para onde queria, correu para o regaço do bondoso Pai quando este a

88
chamou. Francisco acariciou-a com ternura e afeto,
demonstrando-lhe um amor quase materno, depois
admoestou-a gentilmente que não mais se deixasse
apanhar e permitiu-lhe ir-se embora em liberdade.
Em vão, porém, a colocaram em terra para que
fugisse. Ela voltava ao Pai como se por um instinto
secreto percebesse a piedade de seu coração. Por fim,
por ordem do Pai, os irmãos a levaram a lugares mais
distantes e mais seguros.
Fato semelhante ocorreu numa ilha do lago de
Perusa. Haviam capturado uma lebre e a ofereceram
ao homem de Deus. Ela se refugiava com muita confiança nas mãos e no regaço amoroso do
homem de Deus, embora fugisse de todas as outras pessoas.

7. exercícios
Leia atentamente o texto acima, primeiro silenciosamente, depois em voz alta.
1. Há alguma palavra que você não conhece bem? É hora de procurar no dicionário! Anote em seu
caderno o significado da palavra e depois releia o texto, trocando a palavra procurada por seu
sinônimo.
2. Oralidade: Reconte o texto lido. Responsáveis: Ouvir o relato da criança.
3. Produção textual: Reescrita do texto: conte a história lida sem apoio do texto (mesmo que use
frases e expressões do texto original). Incentive a síntese; atenção para os fatos mais relevantes da
história. Atenção para os sinais gráficos: parágrafos afastados da margem (dois dedinhos).
4. Pinte no texto as letras maiúsculas em vermelho.
5. Pinte de laranja os sinais de pontuação.
6. Grife, com o lápis vermelho, as palavras iniciadas com maiúsculas que são nomes de pessoas
ou lugares.
7. Copie as palavras iniciadas com letra maiúscula. Coloque-as em ordem alfabética. Pinte de
amarelo as vogais iniciais.
8. Caligrafia: Copie a oração da Ave Maria.

7. Tarefa

Tarefa: Leitura – inicie com períodos de 15 a 20 minutos sem interrupção; objetivo: chegar a
uma hora de leitura sem interrupção.

89
sétimo dia
1. ORAÇÃO
2. APRENDENDO COM OS SANTOS E COM A IGREJA
São Miguel Febres Cordeiro, Confessor
(+ Cuenca, Equador, 1910)

Nascido em Cuenca, enfrentou grande


oposição da família para cumprir sua vocação de
Irmão das Escolas Cristãs (Lassalistas). Apesar das
dificuldades, ingressou na vida religiosa e se destacou
como educador da juventude, afirmando-se também
como escritor, gramático e filósofo. Chegou a ser
eleito membro da Academia Equatoriana da Língua.
A fama de santidade eminente o acompanhou durante
toda a vida e perdurou depois do falecimento. Foi
canonizado por João Paulo II em 1984.
(Cada dia tem seu Santo, Andrade, A. de França)
São Miguel, rogai por nós!

Leia atentamente o texto acima, primeiro silenciosamente, depois em voz alta. Há alguma
palavra que você não conhece bem? É hora de procurar no dicionário! Anote em seu caderno
o significado da palavra e depois releia o texto, trocando a palavra procurada por seu sinônimo.

3. margem no caderno
4. CABEÇALHO
5. Alfabeto
6. leitura mensal

São Francisco
Seu sentimento de compaixão e o amor que as criaturas lhe
devotavam - No lago rieti

90
Ao atravessar o lago de Rieti, a fim de alcançar o eremitério de Greccio, certo pescador,
por devoção, lhe ofereceu uma ave aquática. Tomou-a ele nas mãos abertas e convidou-a a voar
embora. Mas vendo o santo que ela não queria ir embora, levantando os olhos para o céu, ficou
imerso em longa oração. Depois de muito tempo, voltando a si, como se fosse de um outro mundo,
voltou a convidar o pássaro a voar embora e louvar o Senhor. E tendo recebido a permissão e a
bênção, expressando sua alegria com os movimentos do corpo, partiu.

Ainda no mesmo lago, ofereceram-lhe um peixe magnífico e ainda vivo; chamou-o de


“irmão”, como sempre fazia, e o colocou de volta na água perto do barco. Mas o peixe continuou
a agitar-se alegremente na água diante do homem de Deus, como se estivesse sob o influxo de seu
amor, e só se afastou do barco depois de receber a permissão e a bênção do santo.

7. exercícios
Leia atentamente o texto acima, primeiro silenciosamente, depois em voz alta. Há alguma
palavra que você não conhece bem? É hora de procurar no dicionário! Anote em seu caderno
o significado da palavra e depois releia o texto, trocando a palavra procurada por seu sinônimo.
1. Oralidade: conte o que leu de ontem para hoje, se houve dificuldades, o que foi mais interessante.
Responsáveis: Ouvir o relato da criança.

2. Produção textual: escrita livre; se quiser pode criar uma história (mesmo curtinha) ou contar
sobre o que leu, no dia anterior ou na tarefa, e que tenha gostado muito. Leia em voz alta após
concluir a escrita.
3. Do alfabeto maiúsculo que você fez hoje pinte de verde as consoantes e de amarelo as vogais.
4. Reescreva o texto lido, não como cópia, mas contando com o apoio do texto e com atenção para
as partes mais significativas. Escreva buscando atender a pontuação e aos sinais gráficos;
parágrafos afastados da margem (dois dedinhos).
7. Pinte no texto as letras maiúsculas em vermelho.

91
8. Pinte de laranja os sinais de pontuação.
9. Grife, com o lápis vermelho, as palavras iniciadas com maiúsculas que são nomes de pessoas
ou lugares.
10. Copie as palavras iniciadas com letra maiúscula. Coloque-as em ordem alfabética. Separe
em sílabas.
11. Caligrafia: escreva a oração do Anjo da guarda.

8. tarefa
Leitura – inicie com períodos de 15 a 20 minutos sem interrupção; objetivo: chegar a
uma hora de leitura sem interrupção.
EXTRA: Se houver tempo, com ajuda dos responsáveis, leia sobre a vida de
outra santa, também homenageada neste dia, Santa Bakhita:
Disponível em: http://www.arautos.org/secoes/servicos/santodia/santa-josefina-bakhita-virgem-
1947-139994. Acesso em: 10 jan. 2018.

92
oitavo dia
1. ORAÇÃO
2. APRENDENDO COM OS SANTOS E COM A IGREJA
São Cirilo e São Metódio

No dia 14 de fevereiro a Igreja celebra a memória de dois irmãos,


São Cirilo e São Metódio, bispos e confessores. Naturais da
Tessalônica se dedicaram à evangelização dos eslavos, na Europa
Central. São Cirilo criou um alfabeto próprio para os eslavos, para
cuja língua traduziu as Sagradas Escrituras e os principais livros
litúrgicos, sendo por isto considerado o pai da cultura eslava. São
Metódio foi bispo de Sírmio. Em 1980 ambos foram proclamados co-
patronos da Europa, ao lado de São Bento, pelo Papa João Paulo II.
(Cada dia tem seu Santo, Andrade, A. de França)

São Cirilo e São Metódio, rogai por nós!

Leia atentamente o texto acima, primeiro silenciosamente, depois em voz alta. Há alguma
palavra desconhecida? É hora de procurar no dicionário! Anote em seu caderno o significado
da palavra e depois releia o texto, trocando a palavra procurada por seu sinônimo.

3. margem no caderno
4. CABEÇALHO
5. Alfabeto
6. leitura mensal

São Francisco

Seu sentimento de compaixão e o amor que as criaturas lhe


devotavam - pASSARINHOS

93
Atravessando certo dia as lagunas de Veneza em companhia de um irmão, encontrou um
grande bando de passarinhos nos salgueiros cantando animadamente. Diante desse espetáculo,
disse a seu companheiro:
_ Nossos irmãos pássaros estão louvando o Criador; associemo-nos a eles para também nós
cantarmos nossas horas canônicas e os louvores do Senhor!
Entraram para o meio dos pássaros e nenhum se espantou. Mas o gorjeio ensurdecedor impedia os
irmãos de escutar um ao outro na recitação dos Salmos. Então o santo se voltou para eles e lhes
disse:
_ Irmãos passarinhos, parai de cantar até que tenhamos prestado a Deus os louvores que lhe são
devidos.
Eles se calaram imediatamente e ficaram assim até ao fim do ofício e das laudes que levam bastante
tempo. Em seguida, o santo lhes permitiu cantar e eles reencetaram o gorjeio habitual.

7. exercícios
Leitura – Leia o texto ACIMA em voz baixa. Terminada a leitura, reinicie, lendo em
voz alta, pronunciando os sinais de pontuação. Observe se todas as palavras do texto,
se houver palavras desconhecidas, peça ajuda para entender o significado. Procurar no
dicionário e anotar no caderno.
1.Oralidade: conte o que leu de ontem para hoje, se houve dificuldades, o que foi mais interessante.
Ao responsável: ouça o relato da criança.
2.Produção textual: escrita livre; se quiser pode criar uma história (mesmo curtinha) ou contar
sobre o que leu, na aula anterior ou na tarefa, algum tema que tenha gostado muito. Leia em voz
alta após concluir a escrita.
3. Copie o segundo parágrafo do texto acima; atenção para os sinais de pontuação! Parágrafos
afastados da margem (dois dedinhos).
4. Pinte no texto as letras maiúsculas em vermelho.
5. Pinte de laranja os sinais de pontuação.
6. Grife, com o lápis vermelho, as palavras iniciadas com maiúsculas que são nomes de pessoas
ou lugares.
7. Copie as palavras iniciadas com letra maiúscula. Coloque-as em ordem alfabética. Separe em
sílabas.

8. tarefa
Leitura – inicie com períodos de 15 a 20 minutos sem interrupção; objetivo: chegar a uma hora
de leitura sem interrupção.

94
nono dia
1. ORAÇÃO
2. APRENDENDO COM OS SANTOS E COM A IGREJA
São Cláudio de La Colombiere - devoto do Sagrado Coração de Jesus

São Cláudio de La Colombiere mergulhou o seu


coração na devoção e pôde ajudar Margarida Maria
Alacoque
Nasceu na Fran
ça, em 1641. Sua mãe havia profetizado muito cedo
que seu filho seria um santo religioso, o que o ajudou
no seu discernimento. Dado aos estudos, aprofundou-
se, lecionou e chegou a superior de um colégio
jesuíta.
Mas Deus tinha muitos planos para ele. Ele
dizia: “Os planos de Deus nunca se realizam senão à
custa de grandes sacrifícios”. Ao ser o confessor do
convento de Nossa Senhora da Visitação, conheceu a humilde serva do Senhor, Margarida Maria
Alacoque, que ia recebendo as promessas do Sagrado Coração de Jesus.
Ele a orientou e pôde se aprofundar também nesta devoção; amor ao coração de Jesus.
Amando o Senhor, pôde estar em comunhão também com o sacrifício e com a dor. Ele mergulhou
o seu coração nessa devoção. Com 41 anos, partiu para a glória, como havia profetizado Margarida
Maria Alacoque. O seu testemunho nos mostra que é do coração de Jesus que vem a santidade para
o nosso coração.

Leia atentamente o texto acima, primeiro silenciosamente, depois em voz alta. Há alguma
palavra que você não conhece bem? É hora de procurar no dicionário! Anote em seu caderno
o significado da palavra e depois releia o texto, trocando a palavra procurada por seu sinônimo.

3. margem no caderno
4. CABEÇALHO
5. Alfabeto
6. leitura mensal

95
São Francisco

Seu sentimento de compaixão e o amor que as criaturas lhe


devotavam - a cigarra
Uma cigarra, em Santa Maria da Porciúncula, gostava de morar numa figueira perto da cela do
homem de Deus e seu canto era um estímulo contínuo ao louvor de Deus, uma vez que ele havia
aprendido a admirar a magnificência do Criador, mesmo nas coisas pequenas. Certo dia, o servo
do Senhor chamou a cigarra que, instruída pelo céu, voou para sua mão, e disse-lhe Francisco:
“Canta, irmã cigarra, louva com teu júbilo a Deus Criador”. E ela, obedecendo, começou logo a
cantar e só parou para voltar à sua árvore, por ordem do Pai. Aí ficou durante oito dias: ia até ao
santo, cantava e voltava, conforme lhe ordenava ele. Por fim o homem de Deus disse aos
companheiros: “Vamos despedir nossa irmã cigarra: ela nos alegrou bastante com seu canto e nos
incentivou durante oito dias a louvar a Deus”. Uma vez livre, ela partiu e não mais voltou, como
se receasse desobedecer ainda que só levemente.

7. exercícios
Leia o texto acima atenciosamente. Há alguma palavra que você não conhece? Procure no
dicionário e anote no seu caderno. Depois, leia novamente, até que fique bem fácil a leitura.

1. Reescreva o texto lido, não como cópia, mas contando com o apoio do texto e com atenção
para as partes mais significativas. Escreva buscando atender à pontuação e aos sinais
gráficos; parágrafos afastados da margem (dois dedinhos).
2. Pinte no texto as letras maiúsculas em vermelho.
3. Pinte de laranja os sinais de pontuação.
4. Grife, com o lápis vermelho, as palavras iniciadas com maiúsculas que são nomes de
pessoas ou lugares.
5. Copie as palavras iniciadas com letra maiúscula. Coloque-as em ordem alfabética.
Separe em sílabas.
6. Caligrafia: escreva a oração Salve Rainha.

8. Tarefa
Leitura – inicie com períodos de 15 a 20 minutos sem interrupção; objetivo: chegar a uma hora
de leitura sem interrupção.

96
97
décimo dia
1. ORAÇÃO
2. APRENDENDO COM OS SANTOS E COM A IGREJA
Santo Onésimo, Bispo e Mártir

Bispo e mártir, Santo Onésimo teve em sua história São Paulo


e também os amigos dele. O que se sabe concretamente sobre
Onésimo está testemunhado na carta de São Paulo a Filémon
que começa assim: “Paulo, prisioneiro de Jesus Cristo, e seu
irmão Timóteo, a Filémon, nosso muito amado colaborador”
(Filémon 1,1). Foi nessa missão de São Paulo que ele
encontrou-se com um fugitivo escravo chamado Onésimo, cujo
nome significa, em grego, em grego, útil.
Onésimo abandonou a casa de seu senhor,
provavelmente levando os bens próprios deste. A partir do
versículo 8, São Paulo, pede para seu amigo uma intercessão.
“Por esse motivo, se bem que eu tenha plena autoridade
em Cristo para prescrever-te o que é da tua obrigação, prefiro
fazer apenas um apelo para a sua caridade. Eu, Paulo, idoso como estou e, agora, preso por Jesus
Cristo, venho suplicar-te em favor deste meu filho que gerei na prisão: Onésimo” (Filémon 1,8-
10). Esta expressão de São Paulo, de gerar, significa evangelizar, cuidar; não apenas dar a conhecer
a Cristo, mas acompanhar o crescimento do cristão.
Era assim o relacionamento de amor entre Paulo e Onésimo. Mas São Paulo sabia que
Onésimo precisava ir ao encontro de Filémon. Então, prossegue: “Ele poderá ter sido de pouca
serventia para ti, mas agora poderá ser útil tanto para ti quanto para mim. Torno a enviá-lo para
junto de ti e é como se fosse o meu próprio coração, que é amor do apóstolo, um amor que se
compadece e que toma a causa”.
Por isso, não só Onésimo foi ao encontro de Filémon, como este o dispensou e o perdoou.
O santo de hoje ajudou São Paulo em sua missão e chegou a ser escolhido como Bispo que,
por amor a Cristo, deixou-se apedrejar, perdoando a todos e sendo testemunho para os cristãos.
Disponível em: https://santo.cancaonova.com/santo/santo-onesimo-discipulo-de-sao-paulo/. Acesso em: 11 jan.
2018.

Santo Onésimo, rogai por nós!

3. margem no caderno
4. CABEÇALHO
5. Alfabeto
6. leitura mensal

98
São Francisco

Seu sentimento de compaixão e o amor que as criaturas lhe


devotavam – Faisão, passarinhos e o falcão
O santo estava doente em Sena, e um nobre lhe enviou um
faisão vivo que ele acabava de capturar. Assim que a ave o viu
e ouviu, de tal maneira se afeiçoou a ele, que não mais queria
se separar dele. Por diversas vezes transportada para longe do
convento, numa vinha, para que fosse embora se assim
desejasse, voltava de novo em rápido vôo ao Pai como se
houvesse sido sempre alimentada por sua mão.
O faisão foi entregue mais tarde a um homem que vinha
frequentemente visitar o santo por devoção, mas entristecida de ficar assim distante do Pai
amoroso, não quis se alimentar. Devolvida ao servo de Deus, ao vê-lo começou a se agitar
alegremente e comeu então com avidez.
Acabava o santo de voltar à ermida do Alverne certo dia para jejuar uma quaresma em
honra de São Miguel Arcanjo, quando passarinhos de toda espécie vieram voar em volta de sua
cela, como para lhe mostrar por seus pios e revoadas a alegria por sua vinda, seduzi-lo e forçá-lo
a permanecer. Ao ver tudo isso, disse ao companheiro: “Estou notando, irmão, que é vontade de
Deus permanecermos aqui por um momento, enquanto nossos irmãos passarinhos parecem
encantados com nossa chegada”.
Durante essa estadia aí, um falcão que morava por aquelas partes fez com ele um pacto de
amizade: à noite, chegando a hora em que o santo tinha por hábito levantar-se para recitar o ofício
divino, ele o antecipava sempre com seu canto. Isso era sumamente gratificante ao santo, pois a
constante solicitude que o falcão tinha com ele fazia expulsar toda tentação de preguiça. Mas
quando o servo de Deus piorava em suas enfermidades, o falcão se mostrava muito atento e
condescendente, não o despertando a horas impróprias da noite. Pelo contrário, como estava
instruído pelo próprio Deus, ao amanhecer, prorrompia em leves e suaves ruídos, à semelhança de
quem toca um sino. A alegria de toda aquela variedade de aves bem como o canto do falcão eram
seguramente o presságio divino da elevação que nesse lugar, pouco depois da aparição do serafim,
devia conferir ao cantor e ao adorador de Deus arrebatado nas asas da contemplação.

7. exercícios
Leia atentamente o texto anterior, primeiro silenciosamente, depois em voz alta.

1. São Boaventura considerava que as criaturas de Deus tinham uma predileção por São Francisco.
Como os animais tratavam São Francisco? Use os exemplos presentes no texto acima.
2. Vendo a presença de Deus em tudo, Francisco compôs o belíssimo Cântico das Criaturas em
que manifesta irmandade até mesmo com os seres inanimados ao neles perceber que, como o

99
homem, foram criados pelo Altíssimo, a quem é devido todo o louvor. Leia, reflita e depois copie
em seu caderno; copie com calma, devagar, com sua melhor letra!
Altíssimo, omnipotente, bom Senhor,
Teus são o louvor, a glória, a honra, e toda a
bênção.
Só a ti, Altíssimo, são devidos,
e nenhum homem é digno de te mencionar.
Louvado sejas, ó meu Senhor, com todas as
tuas criaturas,
especialmente o senhor irmão Sol,
que clareia o dia e com sua luz nos ilumina.
E ele é belo e radiante, com grande
esplendor;
de ti, Altíssimo, ele é a imagem.
Louvado sejas, ó meu Senhor, pela irmã
Lua e as Estrelas;
no céu as formastes claras, preciosas e
belas.
Louvado sejas, ó meu Senhor, pelo irmão
Vento
e pelo ar, ou nublado ou sereno, e todo o
tempo,
por quem dás às tuas criaturas o sustento.
Louvado sejas, ó meu Senhor, pela irmã Irmão Sol, irmão vento, irmã água, irmão fogo
Água,
que é tão útil e humilde, e preciosa e casta.
Louvado sejas, ó meu Senhor, pelo irmão Fogo,
pelo qual iluminas a noite.
Ele é belo e jucundo, e vigoroso e forte.

100
Louvado sejas, ó meu Senhor, pela nossa irmã, a mãe Terra,
que nos sustenta e governa, e produz frutos diversos,
com flores coloridas, e ervas.
Louvado sejas, ó meu Senhor, por aqueles que perdoam por teu amor
e suportam enfermidades e tribulações.
Bem aventurados aqueles que as suportam em paz,
pois por ti, Altíssimo, serão coroados.
Louvado sejas, ó meu Senhor, por nossa irmã, a Morte corporal,
da qual homem algum pode escapar.
Ai dos que morrerem em pecado mortal!
Felizes os que ela achar conformes a tua santíssima vontade,
porque a morte segunda não lhes fará mal.
Louvai e bendizei a meu Senhor, e dai-lhe graças
e servi-o com grande humildade.

101
Décimo primeiro dia
1. ORAÇÃO
2. APRENDENDO COM OS SANTOS E COM A IGREJA
São Conrado de Placência, Confessor. (+ Itália, 1351)

Era casado e vivia na cidade de Placência, na Itália. Provocou,


certo dia em que estava caçando, um incêndio acidental que
causou grandes danos, e fugiu para escapar à justiça. Tendo sabido
que um inocente fora condenado em seu lugar, apresentou-se,
confessou sua responsabilidade e ofereceu todos os seus bens para
indenizar os prejuízos. De comum acordo com a esposa, ela
ingressou num convento e ele foi servir num hospital da Sicília.
Algum tempo depois retirou-se para a solidão, onde viveu 40 anos
em oração e na penitência.
(Cada dia tem seu Santo, Andrade, A. de França)

São Conrado de Placência, rogai por nós!

1. Leia atentamente o texto acima. O que a vida de São Conrado lhe ensina?
2. Oralidade: conte o que leu de ontem para hoje, se houve dificuldades, o que foi mais
interessante. Ao responsável: ouça o relato da criança.
3. Produção textual: escrita livre; se quiser pode criar uma história (mesmo curtinha) ou
contar sobre o que leu, na aula anterior ou na tarefa, algum tema que tenha gostado
muito. Leia em voz alta após concluir a escrita.

3. margem no caderno
4. CABEÇALHO
5. Alfabeto
6. leitura mensal

São Francisco

102
Seu sentimento de compaixão e o amor que as criaturas lhe
devotavam – os lobos
Durante uma estadia no eremitério de Greccio, os habitantes da região sofriam sucessivos
prejuízos: lobos ferozes, não contentes de arrebatar o gado, atacavam também os homens; o
granizo todos os anos devastava as plantações e as vinhas. Vendo-os tão aflitos, o arauto do santo
Evangelho disse-lhes um dia num sermão: “Para honra e louvor de Deus onipotente, prometo-vos
que os males serão banidos para longe e que Deus, contemplando-vos com amor, vos enriquecerá
de bens temporais se, dando crédito às minhas palavras, vos arrependerdes mediante prévia e
sincera confissão de vossas culpas, produzindo frutos dignos de penitência’. Ao mesmo tempo,
porém, vos anuncio que se, manifestando-vos ingratos aos benefícios que haveis recebido do céu,
voltardes de novo ao ‘vômito da culpa’, se renovará a peste, serão muito maiores as penas que
haveis de sofrer e a ira do Senhor vos castigará com rigor maior”.
Ao ouvir essas terríveis advertências
do zeloso pregador, os moradores de
Greccio se entregaram imediatamente
aos rigores de uma saudável
penitência.
Logo cessaram as calamidades,
desapareceram os perigos e nem os
lobos nem o granizo jamais voltaram a
lhes causar algum mal; pelo contrário,
se alguma vez o granizo destruía os
campos vizinhos, ao aproximar-se dos
limites de Greccio, ou desaparecia por
completo ou tomava outro rumo.
Vê-se, pois, que o próprio granizo e os lobos observaram fielmente o pacto do servo de
Deus e não mais atentaram contra os bens e propriedades dos homens, convertidos realmente a
Deus, ao menos enquanto, conforme as promessas feitas, não violaram os mandamentos do
Senhor.
Devemos, pois, ter em alta consideração a piedade do bem-aventurado Pai São Francisco,
tão admirável e verdadeiramente celestial, que abrandou a ferocidade dos animais ferozes,
domesticou os animais silvestres, ensinou aos mansos e reduziu à sua primitiva obediência a
natureza animal que por causa do pecado se rebelara contra o homem.
Esta é a verdadeira piedade que, tornando amigas todas as criaturas, “é útil para tudo, pois
tem a seu favor as promessas da vida presente” (1Tm 4,8) e da futura.

7. exercícios

Leia atentamente o texto acima, leia até que possa ler com facilidade. Leia
silenciosamente, leia pronunciando os sinais gráficos, leia em voz alta.

103
1. Explique o que é um pacto, e qual foi o pacto feito por São Francisco com os
habitantes daquela região.
2. Por verdadeira piedade, nos diz São Boaventura, São Francisco ensinava a obediência
a Deus e pregava a conversão. No texto acima, onde se encontra este chamado à
conversão?
3. Observe as imagens abaixo, que representam São Francisco com lobos. São obras de
artistas de várias partes do mundo, que recontam a história do encontro de São
Francisco com lobos ferozes. Dedique-se a olhar atentamente para estas representações:
elas podem conduzir o seu pensamento e o seu coração à Deus?

8. tarefa
Mantenha o seu horário diário de leitura!

104
EXTRA: Se for possível, peça aos responsáveis que busquem a História
de São Francisco e o Lobo de Gubbio. Depois, procurem o site oficial da
cidade de Gubbio e vejam a representação do lobo!

Décimo segundo dia


1. ORAÇÃO
2. APRENDENDO COM OS SANTOS E COM A IGREJA
Santo Euquério de Orléans, Bispo e Confessor

Euquério era de Orléans. Antes do nascimento, apareceu à mãe um anjo,


anunciando-lhe o futuro do menino. Afilhado de Ansberto, bispo de Autun, dele recebeu a
confirmação.
Euquério foi menino estudioso. Moço, dedicou-se ao estudo das Santas Escrituras
e assimilou grandes conhecimentos de direito canônico. Destacou-se pela santidade e devoção à
Virgem Maria.
Sagrado bispo, Euquério passou a visitar as igrejas da diocese a sondar o clero, a
evangelizar o povo. E, num instante, tornou-se querido de toda a população.
Como o demônio não descansa, o zelo, a pureza, a humildade, e a doçura do santo
bispo despertaram a inveja de alguns mal formados; e Euquério foi exilado. Em Colônia, o santo

105
bispo, pela paciência e sobriedade, conquistou a todos os corações, do clero e do povo, sentindo-
se, entre eles, como se estivesse entre os seus diocesanos. De Colônia, Euquério foi transferido
para Liége. E fixando-se na abadia de São Trond, ali ficou a cuidar da própria salvação, falecendo
em 743.
Santo Euquério foi enterrado em São Trond, onde, então, numerosos milagres
tiveram lugar: cegos recuperaram a vista, paralíticos passaram a fazer uso dos membros,
desembaraçadamente, como se nunca lhes houvesse sucedido qualquer anormalidade, e muitos
possessos se viram livres do domínio do demônio.
Excertos de (Livro Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume III, p. 339 a 341; Cada dia tem seu Santo, p. 19)
Texto completo Disponível em: http://www.arautos.org/secoes/servicos/santodia/santo-euquerio-de-orleans-bispo-
e-confessor-140005. Acesso em: 10 jan. 2018.

Santo Euquério, rogai por nós!

1. Oralidade: conte o que leu de ontem para hoje, se houve dificuldades, o que foi mais interessante.
Ouça o relato da criança.
2. Produção textual: escrita livre; se quiser pode criar uma história (mesmo curtinha) ou contar
sobre o que leu, na aula anterior ou na tarefa, do que tenha gostado muito. Ler em voz alta após
concluir a escrita.

3. margem no caderno
4. CABEÇALHO
5. Alfabeto
6. leitura mensal

São Francisco

A Oração da Paz, espelho do amor ao próximo


Em tudo Francisco procurava seguir o Evangelho, como bem se pode perceber nas belas
palavras da Oração da Paz que externam o amor ao próximo, e que nunca perderam a atualidade:
Senhor, fazei de mim um instrumento da vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor.
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.
Onde houver discórdia, que eu leve a união.

106
Onde houver dúvidas, que eu leve a fé.
Onde houver erro, que eu leve a verdade.
Onde houver desespero, que eu leve a esperança.
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.
Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre, fazei com que eu procure mais consolar que ser consolado.
Compreender que ser compreendido; amar que ser amado.
Pois é dando que se recebe; é perdoando que se é perdoado.
E é morrendo que se vive para a vida eterna.

Algumas admoestações de Francisco evidenciam a paz e o amor que se deve ter para com
o próximo. Disse ele, comentando as palavras do Divino Mestre “bem-aventurados os pacíficos,
porque eles serão chamados filhos de Deus”: são verdadeiramente pacíficos os que, no meio de
tudo quanto padecem neste mundo, se conservam em paz, interior e exteriormente, por amor de
Nosso Senhor Jesus Cristo.
Disse também que é bem-aventurado o homem que suporta o seu próximo com suas
fraquezas tanto quanto quisera ser suportado por ele se estivesse na mesma situação.
E ainda, referindo-se à benquerença que deve reinar nas Casas da família franciscana: bem-
aventurado o servo que ama o seu confrade enfermo que não lhe pode ser útil, tanto como ao que
tem saúde e está em condições de lhe prestar serviços. Bem-aventurado o servo que tanto ama e
respeita o seu confrade quando está longe como se estivesse perto, e não diz na ausência dele coisa
alguma que não possa dizer na sua presença sem lhe faltar à caridade.

7. exercícios
Leia atentamente a oração e os comentários no texto acima.
1. Copie a oração da paz, de São Francisco de Assis
2. Observe os contrastes presentes na oração. Exemplo : ódio/ amor.
3. Decore esta oração.

107
Décimo terceiro dia
1. ORAÇÃO
2. APRENDENDO COM OS SANTOS E COM A IGREJA
São Pedro Damião, Bispo, Confessor e Doutor da Igreja (+ Itália, 1072)

Teve origem muito modesta, chegando a ser na infância


guardador de porcos. Fez com grande brilho seus estudos e
ingressou na Ordem dos Camaldulenses, na qual logo ocupou
cargos de responsabilidade. Foi forçado a aceitar a nomeação
como cardeal e bispo de Óstia, mas alguns anos depois conseguiu
demitir-se dessas funções e retornar à vida monástica. Grande
penitente, severíssimo consigo mesmo, foi também severo no
fustigar os males do seu tempo, escrevendo cartas a autoridades
eclesiásticas e civis. (...) Como sofria de insônia e frequentes
enxaquecas, é invocado pelos que padecem dessas enfermidades.
(Fonte: Cada dia tem seu Santo, p. 19/20; Andrade, A. de França)

São Pedro Damião, rogai por nós!

3. margem no caderno
4. CABEÇALHO
5. Alfabeto
6. gramática

Teoria e prática
substantivo
Substantivos são palavras que designam – dão nome – os seres.
Os substantivos comuns designam seres de uma mesma espécie, por exemplo: aves, peixes,
pedras.
Os substantivos próprios se aplicam a um ser em particular, por exemplo: Deus,
Porciúncula, Francisco.

7. exercícios

108
Retome seu caderno desde o início, pule uma linha para colocar o título da lista, e faça uma
lista com as palavras grifadas em vermelho que são nomes próprios (não repita). Que título esta
lista deve ter?
Retome seu caderno desde o início, procure e grife em azul 15 substantivos comuns. Agora
faça uma lista. Grife, em azul, o nome da lista: Substantivos comuns.
Produção textual: escrita livre; procure utilizar 10 palavras de suas listas de substantivos. Leia em
voz alta após concluir a escrita. Pode retomar o seu texto e melhorá-lo após a leitura. Reescreva
após ouvir sugestões e perguntas para escrever cada vez melhor!

8. Tarefa
Mantenha a sua leitura diária!

109
Décimo quarto dia
1. ORAÇÃO
2. APRENDENDO COM OS SANTOS E COM A IGREJA
Santa Margarida de Cortona

Margarida de Cortona foi a princípio grande


pecadora, depois ilustre penitente. Desde a
mocidade, a beleza a expôs a grandes desordens.
Por nove anos permaneceu unida a um homem
rico, buscando o luxo e os prazeres. Teve dele um
filho, que mais tarde entrou na ordem dos irmãos
Menores. Após a morte do marido Margarida
mudou inteiramente sua vida; procurava,
constantemente o lugar mais solitário, para
conversar apenas com Deus, na meditação, na
prece, nas lágrimas, nos jejuns e vigílias; o seu
único leito era o chão nu; a sua morada uma
pequenina cela. A atenção se lhe concentrava nos
pobres.
Transformou uma casa em enfermaria para os doentes; o fruto do seu trabalho, as esmolas
que lhe davam ou que ela própria pedia, tudo era para eles. A meditação habitual eram os mistérios
de Jesus Cristo, particularmente a meditação da sua dolorosa paixão; Margarida estava presa à
cruz com ele, mediante os seus próprios sofrimentos. O Salvador revelou-lhe muitos segredos.
O exemplo de sua vida santa e penitente, unido à eficácia das suas preces e austeridades
sem fim, converteu grande número de pessoas, provenientes, às vezes, de países distantes, para lhe
dar provas de reconhecimento, ou para se recomendar às suas preces.
Faleceu em 22 de fevereiro de 1297. O Papa Leão X, comprovando a verdade dos milagres
que se haviam realizado por intercessão dela, permitiu à cidade de Cortona lhe celebrasse festa.
Em 1623, Urbano VII estendeu tal permissão a toda a ordem de São Francisco. Finalmente, Bento
XII canonizou a bem-aventurada Margarida em 1723. O corpo se conservou sem o menor sinal de
corrupção; encontra-se em Cortona, na igreja das religiosas de São Francisco, que deixou o nome
de São Basílio, para tomar o de Santa Margarida.
(Excerto do Livro Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume III, p. 356 à 361) Consultado em:
http://www.arautos.org/secoes/servicos/santodia/santa-margarida-de-cortona-140007. Acesso em 10 jan. 2018.

Santa Margarida, rogai por nós!

Produção textual: escrita livre, se quiser pode criar uma história (mesmo curtinha) ou
contar sobre o que leu, na aula anterior ou na tarefa, do que tenha gostado muito. Leia em
voz alta após concluir a escrita.

110
3. margem no caderno
4. CABEÇALHO
5. Alfabeto
6. leitura mensal

São Francisco

Saudação à mãe de deus


A Santíssima Virgem, honrada na capelinha de Santa Maria dos Anjos (a Porciúncula, de onde
Francisco, ao findar seus dias neste mundo, partiria rumo à Casa do Pai) era especialmente
venerada pelo Pobrezinho de Assis, que lhe compôs uma singela saudação:
Salve, ó Senhora santa, Rainha santíssima, Mãe de Deus, ó Maria, que sois Virgem feita igreja,
eleita pelo santíssimo Pai celestial, que vos consagrou por seu santíssimo e dileto Filho e o Espírito
Santo Paráclito! Em vós residiu e reside toda a plenitude da graça e todo o bem!
Salve, ó palácio do Senhor!
Salve, ó tabernáculo do Senhor!
Salve, ó morada do Senhor!
Salve, ó manto do Senhor!
Salve, ó serva do Senhor!
Salve, ó Mãe do Senhor,
e salve vós todas, ó santas virtudes derramadas pela graça e iluminação do Espírito Santo, nos
corações dos fiéis, transformando-os de infiéis em servos fiéis de Deus!

7. exercícios
Leia atentamente a oração e os comentários no texto acima.
1. Procure no dicionário e anote em seu caderno o significado das palavras novas.
2. Copie a oração.
3. Decore esta oração.
4. Você compreendeu bem o uso da letra maiúscula? Quando é preciso usar a letra maiúscula?
5. O que são substantivos próprios?
6. O que são substantivos comuns?

8. tarefa

111
Leitura – inicie com períodos de 15 a 20 minutos sem interrupção;
objetivo: chegar a uma hora de leitura sem interrupção. Para observar
seu desenvolvimento na atenção, peça ao responsável para marcar o
tempo de leitura sem interrupção: ______

112
Décimo quinto dia
1. ORAÇÃO
2. APRENDENDO COM OS SANTOS E COM A IGREJA
São Policarpo, Bispo e Mártir (+155)

Discípulo de São João Evangelista, foi nomeado, ainda


no tempo dos Apóstolos, bispo de Esmirna, na atual Turquia.
Teve como discípulo e continuador o grande Santo Irineu, bispo
de Lyon.
São Policarpo foi martirizado aos 86 anos de idade, após
ter acusado sacerdotes pagãos.
(Cada dia tem seu Santo, p. 20, Andrade, A. de França)

São Policarpo, rogai por nós!

Produção textual: escrita livre. Se quiser pode criar uma história (mesmo curtinha) ou contar
sobre o que leu, na aula anterior ou na tarefa, do que tenha gostado muito. Leia em voz alta
após concluir a escrita.

Extra: Para saber mais, com a ajuda dos responsáveis, veja a biografia de São Policarpo
no site http://www.arautos.org/secoes/servicos/santodia/sao-policarpo-bispo-e-martir-
155-140008

3. margem no caderno
4. CABEÇALHO
5. Alfabeto
6. gramática

Teoria e prática

113
Verbos dicendi

Verbos dicendi ou verbos “de dizer” são verbos que utilizamos para introduzir um
diálogo. Alguns exemplos de verbos dicendi: falar, gritar, dizer, afirmar, exclamar,
pedir.

7. exercícios
Copie o texto acima
1. Busque em seu caderno: Seu sentimento de compaixão e o amor que as criaturas lhe
devotavam - passarinhos, releia o texto no seu caderno.
2. Quantos parágrafos tem o texto?
3. Observe os diálogos. Quem fala? Com quem fala? Que sinal gráfico marca o diálogo?
4. Localize no texto verbos dicendi e grife de roxo.
5. Agora, releia o texto em voz alta, dando uma voz diferente para a voz do personagem.

114
Décimo sexto dia
1. ORAÇÃO
2. APRENDENDO COM OS SANTOS E COM A IGREJA
São Porfírio de Gaza, Bispo e Confessor (+Palestina, 420)

Natural da Macedônia, distribuiu aos pobres toda a sua fortuna


e passou a viver na Terra Santa, como eremita, às margens do Rio
Jordão.
Foi mais tarde ordenado sacerdote e escolhido para bispo de
Gaza, na Palestina. Depois de muito ter insistido, conseguiu obter do
Imperador um decreto mandando fechar os templos pagãos de Gaza,
e reduzir a cinzas todos os ídolos de sua diocese.
Faleceu muito idoso, sempre no exercício de suas funções
pastorais.
(Cada dia tem seu Santo, p. 21, Andrade, A. de França)
Imagem: http://www.arautos.org/secoes/servicos/santodia/sao-porfirio-bispo-de-
gaza-140011

São Porfírio de Gaza, rogai por nós!

3. margem no caderno
4. CABEÇALHO
5. Alfabeto
6. leitura mensal

São Francisco

Discernindo em tudo o Criador


Dois anos antes de passar à Eternidade, o Pobrezinho de Assis compôs um belíssimo hino de
louvor a Deus, cuidadosamente registrado e passado à posteridade por um de seus seguidores.
Nele se percebe como procurava Francisco, em tudo, discernir o Criador:

115
Vós sois o santo Senhor e Deus único,
que operais maravilhas.
Vós sois o Forte.
Vós sois o Grande.
Vós sois o Altíssimo.
Vós sois o Rei onipotente,
santo Pai, Rei do Céu e da Terra.
Vós sois o Trino e Uno,
Senhor e Deus, Bem universal.
Vós sois o Bem, o Bem universal,
o sumo Bem, Senhor e Deus, vivo e
verdadeiro.
Vós sois a delícia do amor.
Vós sois a Sabedoria.
Vós sois a Humildade.
Vós sois a Paciência.
Vós sois a Segurança.
Vós sois o Descanso.
Vós sois a Alegria e o Júbilo.
Vós sois a Justiça e a Temperança.
Vós sois a Plenitude da Riqueza.
Vós sois a Beleza.
Vós sois a Mansidão.
Vós sois o Protetor.
Vós sois o Guarda e o Defensor.
Vós sois a Fortaleza.
Vós sois o Alívio.
Vós sois nossa Esperança.
Vós sois nossa Fé.
Vós sois nossa inefável Doçura.
Vós sois nossa eterna Vida,
ó grande e maravilhoso Deus,
Senhor Onipotente, misericordioso Redentor.

116
Vê-se, nessas inspiradas palavras, o profundo entendimento das riquíssimas qualidades de
Deus manifestado por aquele que se entregou à pobreza, e que abraçou os conselhos evangélicos
e as demais virtudes que tão bem percebia no Criador, a quem se deu por inteiro.
Dotado de personalidade marcante, Francisco deixou-se impregnar pelas qualidades
divinas de tal forma que não só a época em que viveu ficou marcada por sua passagem por este
mundo, mas também os séculos que se seguiram. Deixou-nos ele um dos maiores exemplos da
verdadeira contemplação das perfeições de Deus – que chegavam a levá-lo a um verdadeiro êxtase
– e do amor que se deve ter para com Ele, sem o que nenhuma religiosidade atinge sua plenitude.

7. exercícios
Leia atentamente o texto acima. Depois leia várias vezes o hino de louvor a Deus feito por
São Francisco. Agora leia o texto todo em voz alta, procurando expressar com sua voz os
louvores dados a Deus, de modo a fazer da oração de São Francisco uma oração sua também.
1. Procure no dicionário as palavras que você não conhece bem. Escreva em seu caderno.
2. Cópia: Copie, caprichando muito na letra, o hino de louvor acima.
3. Assim que puder, louve a Deus, com sua voz bem bonita, através deste hino.

8. tarefa
Leitura – iniciar com períodos de 15 a 20 minutos sem interrupção; objetivo: chegar a uma hora
de leitura sem interrupção. Verifique aqui quanto tempo lê sem interrupção alguma. Tempo de
Leitura: ____________________

117
Décimo sétimo dia
1. ORAÇÃO
2. APRENDENDO COM OS SANTOS E COM A IGREJA
São Gabriel da Virgem Dolorosa, Confessor (+Ancona, Itália, 1862)

Religioso da Congregação Passionista, viveu discretamente, sem chamar a atenção sobre


si, e faleceu com apenas 24 anos, vitimado pela tuberculose.
Sua fama de santidade, confirmada por numerosos milagres, rapidamente se espalhou. Foi
canonizado em 1920.
(Cada dia tem seu Santo, p. 21, Andrade, A. de França)
São Gabriel da Virgem Dolorosa, rogai por nós!

Oralidade: Criança: contar o que leu de ontem para hoje, se houve dificuldades, o que foi mais
interessante. Responsável: Ouvir o relato da criança.

3. margem no caderno
4. CABEÇALHO
5. Alfabeto
6. leitura mensal

São Francisco

Assemelhando-se cada vez mais ao


Altíssimo
Francisco tanto amou o Altíssimo que não só no espírito,
mas também no corpo, assemelhou-se a Deus. Cerca de dois anos
antes de sua morte, foi agraciado com as marcas da Paixão de
Cristo, passando a ter nas mãos e pés as feridas correspondentes à
crucifixão; na mesma ocasião também foi dotado de uma chaga
correspondente à que foi feita pelo soldado que, com a lança,
transpassara o coração de Jesus. Indo de encontro à cruz, teve a
glória de receber os estigmas do Crucificado.

118
Os estigmas da Paixão foram concedidos a Francisco em seguida a um momento de
profunda oração contemplativa no Monte Alverne, em que o Crucificado lhe apareceu sob a forma
inicial de um Serafim com seis asas. Registrou-se que suas mãos e pés pareciam atravessados bem
no meio pelos cravos, aparecendo as cabeças no interior das mãos e em cima dos pés, com as ponta
saindo do outro lado. Os sinais eram redondos no interior das mãos e longos no lado de fora,
deixando ver um pedaço de carne como se fossem pontas de cravos entortados e rebatidas, saindo
para fora da carne. Também nos pés estavam marcados os sinais dos cravos, sobressaindo da carne.
O lado direito parecia atravessado por uma lança, com uma cicatriz fechada que muitas vezes
soltava sangue, de maneira que sua túnica e suas calças estavam muitas vezes banhadas no sagrado
sangue. Infelizmente foram muito poucos os que mereceram ver a ferida sagrada do seu peito,
enquanto viveu crucificado o servo do Senhor crucificado. […] Pois tinha muito cuidado em
esconder essas coisas dos estranhos, e ocultava-as mesmo dos mais chegados, de maneira que até
os irmãos que eram seus companheiros e seguidores mais devotados não souberam delas por muito
tempo.
Buscando a perfeição, Frei Francisco tinha por costume não revelar, senão a poucos, ou a
ninguém, o seu principal segredo, temendo que a revelação lhe trouxesse alguma predileção por
parte dos outros que resultasse em detrimento da graça que tinha recebido. Por isso guardava
sempre em seu coração e repetia aquela frase do profeta: “Escondi tuas palavras em meu coração
para não pecar contra ti”.
Frei Francisco partiu para a eternidade no início da noite de 3 de outubro de 1226, sendo
canonizado menos de dois anos depois. Biografado por vários de seus filhos espirituais, teve a vida
divulgada em verso e em prosa até mesmo por tradição oral, em que a verdade e a lenda se
entrelaçaram tão magnífica e pitorescamente que, ainda que alguns detalhes não correspondam
minuciosamente à história da família franciscana, retratam muito bem o espírito do franciscanismo
e de seu Fundador, o seráfico São Francisco de Assis, cuja comemoração litúrgica ocorre em 4 de
outubro.
Fontes: http://www.arautos.org/secoes/artigos/especiais/sao-francisco-de-assis-2-143609
SÃO FRANCISCO DE ASSIS (Escritos e biografias de São Francisco de Assis, Crônicas e outros testemunhos do
primeiro século franciscano). Petrópolis, Editora Vozes, 2000, 9ª edição.
LEGENDA MAIOR (Vida de São Francisco de Assis) São Boaventura disponível em :
http://www.documentacatholicaomnia.eu/03d/1221-
1274,_Bonaventura,_Legenda_Major_Sancti_Francisci,_PT.pdf consultado em 23 de julho de 2018

7. exercícios
Leia atentamente o texto acima.
1. Procure descobrir o que são estigmas.
2. Converse com os responsáveis: eles conhecem algum santo que recebeu os estigmas?
3. A honra de se parecer, até no sofrimento, com Jesus, é uma honra que alguns poucos santos
receberam, sinal de intenso amor por Jesus, e de grande amor de Jesus para com eles. Um
longo caminho de obediência foi realizado antes deste sinal exterior de amor por Jesus.
Procure recordar alguns sinais de amor de São Francisco por Jesus e os relate aqui.
4. Em que dia São Francisco morreu?
5. Em que dia se comemora na Igreja católica este grande amigo de Jesus?

119
6. A partir da vida de São Francisco e tendo em mente que desenhar é também uma forma de
representar a leitura, escolha uma história da qual você tenha gostado para ilustrar na capa
do seu caderno que ficou em branco lá no início. Desenhe e colora como desejar

8. tarefa
Leitura – inicie com períodos de 15 a 20 minutos sem interrupção; objetivo: chegar a uma hora
de leitura sem interrupção.

120
Décimo oitavo dia
1. ORAÇÃO
2. APRENDENDO COM OS SANTOS E COM A IGREJA
São Romão e São Lupicino, Confessores

São Romão entrou para a vida religiosa com 35 anos, na França, onde nasceram os dois
santos de hoje. Ele foi discernindo sua vocação, que o
deixava inquieto, apesar de já estar na vida religiosa. Ao
tomar as constituições de Cassiano e o testemunho dos
Padres do deserto, deixou o convento e foi peregrinar,
procurando o lugar onde Deus o queria vivendo.
Indo para o Leste, encontrou uma natureza distante de
todos e percebeu que Deus o queria ali.
Vivia os trabalhos manuais, a oração e a leitura, até o
seu irmão Lupicino, então viúvo, se unir a ele. Fundaram
então um novo Mosteiro, que se baseava nas regras de São
Pacômio, São Basílio e Cassiano.
Romão tinha um temperamento e caminhada
espiritual onde com facilidade era dado à misericórdia, à
compreensão e tolerância. Lupicino era justiça e intolerância. Nas diferenças, os irmãos se
completavam, e ajudavam aos irmãos da comunidade, que a santidade se dá nessa conjugação:
amor, justiça, misericórdia, verdade, inspiração, transpiração, severidade, compreensão. Eles eram
iguais na busca da santidade.
O Bispo Santo Hilário ordenou Romão, que faleceu em 463. E em 480 vai para a glória
São Lupicino.
Disponível em: https://santo.cancaonova.com/santo/santos-romao-e-lupicino/. Acesso em: 11 jan. 2018.

São Romão e São Lupicino, rogai por nós!

Leia atentamente o texto acima. Procure no dicionário as palavras que você anda não conhece
e anote no caderno.

3. margem no caderno
4. CABEÇALHO
5. Alfabeto
6. exercício
Verbos dicendi – No diálogo abaixo aparecem em cinco frases verbos dicendi.

121
... Francisco põe-se a caminho e chega à cidade seguinte. Durante a noite ouve o Senhor lhe dizer
em tom familiar:
_ Francisco, quem pode fazer mais por ti: o senhor ou o servo, o rico ou o pobre?
Francisco responde:
_ É o senhor e o rico, evidentemente.
E o Senhor lhe retruca:
_ Por que então deixas o Senhor para te dedicares ao servo? Por que escolhes um pobre em vez de
Deus que é infinitamente rico?
_ Senhor, responde Francisco, que quereis que eu faça?
E Deus lhe disse:
_Volta para tua terra, pois a visão que tiveste prefigura um acontecimento totalmente espiritual
que se realizará não da maneira como o homem propõe, mas assim como Deus dispõe.
De manhã, Francisco tratou de voltar para Assis. Estava sobremodo alegre e o futuro não lhe dava
preocupação; era já um modelo de obediência e aguardou a vontade de Deus.

1.Leia atentamente, depois grife os verbos com o lápis roxo.


2.Quais são os personagens deste diálogo?
3. Releia o diálogo, procurando fazer vozes diferentes para o narrador e os dois personagens.
4. Construa um diálogo em que apareçam verbos dicendi.

7. leitura mensal

São Francisco
Literatura: Não tenha pressa, procure fazer esta atividade com alegria! Ler, sem interrupção e em
voz alta o livro “Francisco”. Leia tudo, não pule partes. Marque seu tempo de leitura. (tempo
estimado 45 minutos).

8. produção textual
Escreva o que você aprendeu com a vida de São Francisco. Depois conte para algum amigo um
fato que você gostou da vida deste seu novo amigo. Pode ler para ele a vida de São Francisco.

122
123
124
Introdução

A importância dos números: qual a função destes e da


matemática no plano da Salvação?
Caríssimos pais e filhos,
Entre todas as disciplinas, a matemática é aquela em que se torna mais difícil perceber a
ação de Deus durante o aprendizado dos conteúdos. Parece impossível relacionar essa disciplina
com a Igreja Católica e com a vida dos Santos. Porém, a própria Sagrada Escritura nos exorta sobre
o valor e a importância dos números em nossas vidas já que Deus dispôs “tudo com medida,
número e peso” (Sb 11,20). Os Santos da Igreja também escrevem em consonância com esta
passagem. Santo Agostinho (354 – 430) escreve que “sem os recursos da matemática não nos
seria possível compreender muitas passagens da Santa Escritura”, e para São Jerônimo (347 –
420 dC) “a Matemática possui uma força maravilhosa capaz de nos fazer compreender muitos
mistérios de nossa fé”. Os números também nos são absolutamente necessários e são um atributo
da razão, característica esta que nos difere de todas as outras criaturas. Como nos diz Santo Isidoro
(560 – 636 dC): “Em alguma medida, nossa vida dá-se sob a ciência dos números: por ela
sabemos as horas, acompanhamos o curso dos meses, sabemos quando retorna cada época do
ano. Pelo número aprendemos a evitar enganos. Suprimido o número de todas as coisas, tudo
perece. Se se tira o cômputo dos tempos, tudo ficará envolto na cega ignorância e o homem não
se pode diferenciar dos animais, que ignoram os procedimentos de cálculo."
Em sua obra intitulada O livre-arbítrio, Santo Agostinho nos traz a realidade de que existe
algo imutável, que não perde sua essência e não se transforma, independente do gosto ou da
maneira como cada um o utiliza: o número! Não importa como utilizamos os números, sua essência
e verdade nunca são alteradas. Não faz diferença se você acredita ou não que a soma de quatro e
três resulta em sete, isto é um fato imutável em todos os países, para todas as culturas. A partir
dessa imutabilidade observada na sequência numérica, podemos meditar sobre a imutabilidade em
outras áreas, por exemplo, os dez mandamentos, os dogmas da Igreja Católica e a essência de toda
a criação, o que nos leva a perceber que, se todas essas coisas são imutáveis, só poderiam ser
pensadas por alguém imutável em Si, ou seja, o próprio Deus.

O mistério dos números


Nosso Senhor se comunica conosco através das Sagradas Escrituras, onde tudo “é inspirado
por Deus, e útil para ensinar, para repreender, para corrigir e para formar na justiça” (II Tm 3,16).
Assim sendo, todos os números contidos nas passagens da Bíblia têm um significado importante
para compreender além do que está explicitamente escrito. Como alerta Santo Isidoro: “Não se
deve desprezar os números. Pois em muitas passagens da Sagrada Escritura se manifesta o grande
mistério que encerram”. Por exemplo, no evangelho segundo São João, capítulo 21, que relata a
pesca milagrosa, após a ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, os discípulos apanharam 153
peixes:

125
“E, sendo já manhã, Jesus se apresentou na praia, mas os discípulos não
conheceram que era Jesus. Disse-lhes, pois, Jesus: Filhos, tendes alguma coisa de
comer? Responderam-lhe: Não. E ele lhes disse: Lançai a rede para o lado direito
do barco, e achareis. Lançaram-na, pois, e já não a podiam tirar, pela multidão
dos peixes.
Então aquele discípulo, a quem Jesus amava, disse a Pedro: É o Senhor. E, quando
Simão Pedro ouviu que era o Senhor, cingiu-se com a túnica (porque estava nu) e
lançou-se ao mar. E os outros discípulos foram com o barco (porque não estavam
distantes da terra), levando a rede cheia de peixes. Logo que desceram para terra,
viram ali brasas, e um peixe posto em cima, e pão. Disse-lhes Jesus: Trazei dos
peixes que agora apanhastes. Simão Pedro subiu e puxou a rede para terra, cheia
de cento e cinquenta e três grandes peixes e, sendo tantos, não se rompeu a rede.”
(Jo 21,4-11)

Santo Agostinho escreve o simbolismo numérico como um elemento importante para a


compreensão da Revelação e por isso explica um dos possíveis significados para o número 153
dessa narração: Se somarmos os números de 1 + 2 + 3 + 4 + 5 +... até 17, temos como resultado o
número 153 (faça a conta se quiser verificar!). Mas 17 é o mesmo que 10 + 7. Por que 10? Porque
os mandamentos são 10. E, por que 7? Por causa da perfeição que se celebra nos 7 dons do Espírito
Santo.
Nessa mesma linha, o abade beneditino de Fulda, Rábano Mauro (784 – 856 d.C.), escreveu
uma obra enciclopédica, o De universo, na qual expõe os sentidos das Sagradas Escrituras, e dedica
um dos livros ao sentido dos números, o De numero. Naquela época, era comum esse mesmo tipo
de busca de sentido em tudo o que se aprendia e vivia, por isso, para seus contemporâneos não era
difícil compreender textos como os de Rábano, Agostinho e Isidoro. Entretanto existe para nós
uma grande dificuldade de pensar no sentido das coisas e relacionar cada fato com sua vida e com
o Transcendente que o cerca. É necessário fazer um esforço para trazer esse modo de pensar ao
nosso dia-a-dia, contemplando o sentido mais profundo de tudo o que iremos aprender.
Ao longo de nosso estudo, vamos analisar um pouco da obra de Rábano Mauro para
compreender melhor como o sentido por trás dos números nos mostram muitos aspectos do
mistério que iremos venerar.

Orientações
Posto que a matemática pode ser um caminho para conhecer Nosso Senhor Jesus Cristo e
compreender mais profundamente os mistérios de seu plano de Salvação revelado nas Sagradas
Escrituras, se faz necessário conhecermos antes a própria matemática, seus fundamentos e leis.
Esperamos que este material possa ser útil neste processo, mas, para isso, é preciso seguir com
humildade e paciência algumas orientações:

126
1º A criança com até dez ou onze anos de idade não precisa saber fazer cálculos complexos,
porque inúmeras vezes ela saberá fazer contas mecanicamente, mas não saberá o fundamento de
cada coisa. O estudante não precisa terminar rapidamente as tarefas, ou adiantar conteúdos para
provar que é capaz. Isso é orgulho. A partir da metodologia exposta nesse material, o aluno com
certeza irá aprender matemática, mas com paciência pois o conteúdo não será apresentado de
maneira espiralada, sendo assim, o que o aluno aprende no 2º ano não será revisado novamente no
3º, ou mesmo no 4º ou no 5º ano. Uma vez aprendido um conteúdo, ele ficará gravado na memória
e usado sempre que necessário para compreensão de uma nova gama de lições. Por isso é
importante que a criança só passe para o próximo conteúdo quando aprender muito bem aquele
que está estudando.

2º O aluno nunca deve perder de vista que não é detentor do conhecimento, ou seja, ele
ainda não sabe e está nesse processo de aprender. Assim sendo, é função dos pais pedir com o
filho, todos os dias, a virtude da humildade, no início de cada aula.

3º O método de ensino utilizado neste material utiliza a abstração como ferramenta para
aprender matemática: “A matemática pode começar a elevar a alma a grandes alturas obrigando-a
a discorrer sobre os números em si, rebelando-se contra qualquer tentativa de introduzir objetos
visíveis ou palpáveis na discussão.”9
Isso significa que não utilizaremos materiais concretos no ensino da matemática; iremos
treinar a abstração dos estudantes para que sejam capacitados ao aprendizado da filosofia e de
todas as outras matérias, já que a abstração matemática aprimora o pensamento filosófico.

4ºAmbos, pais e estudante, devem ter a plena clareza de que tudo o que for aprendido não
ocorreu por mérito do filho, mas por ação da graça de Deus. Mesmo que uma pessoa não tenha
plena consciência de que é Deus quem está agindo em sua inteligência, o Magistério da Igreja
Católica nos ensina que “aquele que se esforça, com perseverança e humildade, por penetrar no
segredo das coisas, é como que conduzido pela mão de Deus, que sustenta todos os seres e faz que
eles sejam o que são, mesmo que não tenha consciência disso” (CIC 159).

5º Em todos os textos, é importante que, antes de fazer as atividades, o estudante procure


no dicionário as palavras das quais não sabe o significado, escreva no caderno a definição de cada
uma e sublinhe o significado que mais se adequa ao contexto do texto. Por exemplo:

9
A Educação segundo a Filosofia Perene: Síntese Sobre a Educação Humana, p. 110. (www.cristianismo.org.br)

127
Para que o filho não esqueça de procurar as palavras que não conhece no dicionário, as
atividades sempre virão acompanhadas do ícone:

Importante: O próprio estudante deve procurar no dicionário e perceber qual é o


significado que mais se encaixa no contexto do texto!

6º Ao final de cada conteúdo o estudante encontrará o tópico “Atividade no caderno”.


Nessas atividades é importante que o responsável verifique e corrija tudo o que o estudante fizer,
desde as respostas às perguntas, até a própria letra com que ele copiou os textos no caderno. O uso
da régua é fundamental para desenhos, tabelas e gráficos. Caso o estudante escreva sem capricho
e atenção o responsável deve apagar e fazê-lo copiar de novo, até que fique bonito. Quanto mais
nova a criança, devemos saber que sua letra ainda está em formação. Ainda assim, o responsável
deve animar o estudante para que dê o seu melhor. As atividades não precisam ser feitas todas no
mesmo dia.

7º Quanto aos procedimentos de avaliação, temos três sugestões:


Um resumo oral, ao final da semana, sobre o que aprendeu naquela semana. Isso faz
com que o responsável perceba se o estudante realmente aprendeu o conteúdo. O
responsável pode direcionar o resumo com perguntas essenciais sobre o que foi
estudado.
Uma avaliação mensal que começará a ser enviada por e-mail a partir de março para
verificação e documentação da aprendizagem do estudante.
As próprias atividades no caderno.

8º É preciso também tomar cuidado para não colocar a matemática como o mais importante
a ser aprendido entre todas as disciplinas. Tudo o que você irá aprender só faz sentido se houver
um bom conhecimento de filosofia, dedicação e disciplina ao aprender história, geografia, arte e
as demais ciências, domínio da língua portuguesa (considerando o nível de cada idade), e,
principalmente, uma profunda intimidade com Nosso Senhor Jesus Cristo.
Vamos começar nosso estudo com uma primeira atividade: escreva em seu caderno um
glossário inicial contendo o significado das palavras que você não conhece e que estão escritas
nesta introdução. Lembre-se de grifar o melhor significado que se encaixe em cada contexto.

Bom trabalho!

128
Capítulo 1
Sistema de numeração indo-arábico

O mistério dos números de Rábano Mauro


O número 11
O número onze é figura da transgressão da lei e também dos pecadores, tal como mostra
o salmo 11 (cujo número já é símbolo) quando diz: "Salvai-me Senhor, pois
desaparecem os homens santos". Daí que também Deus tenha ordenado que se
instalassem no tabernáculo da Aliança esse mesmo número de cortinas de peles de
cabra para representar os que pecam.

Os números que utilizamos atualmente pertencem a um sistema de numeração que é


chamado “Sistema de numeração indo-arábico”. Esse sistema começou a ser pensado pelos
indianos e depois foi aprimorado e divulgado pelos árabes, através do comércio com a Europa por
volta do ano 900 d.C., daí vem o nome do sistema. Esse sistema é decimal e posicional.
Decimal porque:
- Possui dez algarismos: 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9.
- Os algarismos são agrupados de dez em dez:

Grupo 1 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9
Grupo 2 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19
Grupo 3 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29
... ...
Grupo 8 70 71 72 73 74 75 76 77 78 79

Posicional porque dependendo da posição em que os algarismos são colocados temos um


ou outro número. Por exemplo: utilizando os números 4, 6 e 2, podemos formar seis números
diferentes apenas mudando suas posições: 462, 426, 642, 624, 246, 264. No início, o algarismo 0
(zero) não havia sido pensado, então para representar “nenhuma quantidade” deixava-se um
espaço vazio ao lado dos demais algarismos.
Assim, mesmo utilizando um único algarismo, como o 5, o número muda com a posição
que esse algarismo ocupa:

129
Cinco Cinquenta Quinhentos
__5 _5_ 5__
005 050 500

Com o surgimento do algarismo zero, esse sistema de numeração ficou ainda mais prático
de ser utilizado e acabou sendo adotado por todo o mundo.

Unidade
Geralmente associamos a matemática ao ato de fazer contas, ou seja, de calcular. A palavra
cálculo vem do latim calculus, “estimativa, contagem”, e também do grego Khalix, “pequena
pedra”. Isso porque desde a criação do mundo os números são utilizados para contar e as pessoas
utilizavam pedrinhas para marcar essa contagem.
Cada item a ser contado pode ser chamado de UNIDADE. A palavra unidade tem origem
no termo latim unitas e quer dizer o que é único, indivisível.
“O Deus que concede perseverança e ânimo dê a vocês um espírito de unidade,
segundo Cristo Jesus, para que com um só coração e uma só voz vocês glorifiquem
ao Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo.” (Rm 15, 5 – 6)
Assim, se você rezou cinco Ave-Marias de um terço, podemos dizer que essas Ave-Marias
representam cinco unidades. Quatro cadernos são quatro unidades, sete objetos quaisquer
representam sete unidades.

Dezena
Voltando ao exemplo do terço, se você reza dez Ave-Marias significa que você rezou uma
DEZENA do terço. Ou seja, um conjunto de dez unidades forma uma dezena.
“E a seu pai enviou semelhantemente uma dezena de jumentos carregados do
melhor do Egito, e uma dezena de jumentos carregados de trigo e pão, e comida
para seu pai, para o caminho”. (Gn 45, 23)

Pense e responda:
Se dez unidades são uma dezena, vinte unidades são quantas dezenas?10
E 4 dezenas são quantas unidades?11
Podemos perceber que o número doze (12), por exemplo, contém uma dezena (10) e duas
unidades (2).

10
Resposta: Vinte unidades são duas dezenas.
11
Resposta: Quatro dezenas são quarenta unidades.

130
Para ficar mais fácil de saber quantas dezenas e quantas unidades um número possui
podemos montar o seguinte esquema:

O número 12 possui uma dezena e duas unidades.

Outros exemplos:
D U
6 8 O número 68 possui seis dezenas e oito unidades.
9 4 O número 94 possui nove dezenas e quatro unidades.
7 0 O número 70 possui sete dezenas.
5 O número 5 possui cinco unidades.

Centena
Um conjunto de cem unidades forma uma CENTENA. Ou seja, uma centena é o mesmo
que cem unidades.

“Um homem possui uma centena de ovelhas: uma delas se perde. Não deixa ele as
noventa e nove na montanha, para ir buscar aquela que se perdeu?”. (Mt 18, 12)

Novamente podemos dizer que se uma centena são cem unidades, então três centenas... são
trezentas unidades. E quinhentas unidades formam cinco centenas! Dessa maneira:

C D U
3 5 1 O número 351 possui três centenas, cinco dezenas e uma
unidade.
7 2 9 O número 729 possui sete centenas, duas dezenas e nove
unidades.
4 0 8 O número 408 possui quatro centenas e oito unidades.
7 9 0 O número 790 possui sete centenas e nove dezenas.

Antes de continuar lendo, pense e tente responder quantas dezenas formam uma centena?

131
Atividade no caderno
1. Copie o texto acima prestando atenção para que sua letra fique caprichada e leia em
voz alta para treinar sua leitura até pronunciar bem as palavras. Lembre-se de utilizar
a régua para fazer as tabelas e desenhos!
2. O que significa dizer que nosso sistema de numeração é decimal e posicional?
3. Defina:
a) Unidade b) Dezena c) Centena.
4. Escreva quantas unidades, dezenas e centenas possuem os números: 500, 23, 7, 988, 80.
5. Depois que Nosso Senhor Jesus Cristo subiu ao Céu, alguns dos fiéis se reuniram para eleger
um novo Apóstolo. Assim, Matias passou a fazer parte dos doze apóstolos. Os fiéis que estavam
reunidos correspondiam a uma centena e duas dezenas de pessoas. Quantas eram as pessoas
reunidas na eleição de Matias?
6. Quantas dezenas formam três centenas?
7. Quantas dezenas formam o número 520?
8. Escreva o número correspondente a:
a) Duas centenas, três dezenas e nove unidades.
b) Uma centena, oito dezenas e quarenta e três unidades.
c) Oitenta dezenas e vinte e três unidades.
9. Leia o versículo e responda à pergunta:
“Se alguém te pede para andar mil passos com ele, anda dois mil. Dá a quem te pede e
não te desvies daquele que te quer pedir emprestado” (Mt 5, 41 – 42).
Neste versículo, quantas dezenas de passos você deve andar caso alguém te peça para
andar mil passos?

Ordens e classes
Você já deve ter percebido que existem números maiores que centenas, que nos ajudam a
contar grandes quantidades, como os 2000 passos que devemos dar (atividade anterior), quando
Jesus alimentou 5000 pessoas com apenas 5 pães e 2 peixinhos, ou quando Pedro, com um só
discurso, converteu 3000 pessoas! Esses números também podem ser classificados de acordo com
sua ordem e classe.
Os grupos de Unidade, Dezena e Centena são chamados Ordens. Cada três ordens formam
um novo grupo chamado Classes. Veja os exemplos para entender melhor:

• Números com até três algarismos possuem uma, duas ou três ordens, e estão na 1ª
classe.

132
Número 1ª Classe

Centena Dezena Unidade


7 7 O número 7 possui uma ordem.
24 2 4 O número 24 possui duas ordens
538 5 3 8 O número 538 possui três ordens.

• Números que possuem entre quatro e seis algarismos, ou seja, que possuem quatro,
cinco ou seis ordens, estão na 2ª Classe. Essa classe é chamada Milhar.

Número 2ª Classe 1ª Classe


Milhar (mil)
3.000 3 0 0 0
56.324 5 6 3 2 4
780.922 7 8 0 9 2 2

O número 3000 possui quatro ordens e duas classes.


O número 56324 possui cinco ordens e duas classes.
O número 780922 possui seis ordens e duas classes.

• Números que possuem entre sete e nove algarismos, ou seja, que possuem sete, oito ou
nove ordens, estão na 3ª Classe. Essa classe é chamada Milhão.

Número 3º Classe 2ª Classe 1ª Classe


Milhão Milhar (mil)
5.000.000 5 0 0 0 0 0 0
42.546.522 4 2 5 4 6 5 2 2
988.000.657 9 8 8 0 0 0 6 5 7

O número 5000000 possui sete ordens e três classes.


O número 42546522 possui oito ordens e três classes.
O número 988000657 possui nove ordens e três classes.
Seguindo essa mesma lógica, podemos classificar qualquer número em relação à suas
ordens e classes.

133
Atividade no caderno
1. Copie o texto acima prestando atenção para que sua letra fique caprichada e leia em
voz alta para treinar sua leitura até pronunciar bem as palavras. Lembre-se de utilizar a
régua para fazer as tabelas e desenhos!
2. Quantas ordens e classes tem o número:
a) 34 b) 27936 c) 888
d) 4567000 e) 45676894332
3. Qual algarismo ocupa a sexta ordem do número 972341?

Leitura e escrita dos números por extenso


Esse tipo de classificação também nos ajuda a ler e escrever números grandes, basta
observar o nome das ordens e classes.
Observe os exemplos:

3º Classe 2ª Classe 1ª Classe


Milhão Milhar (mil)

Centena Dezena Unidade Centena Dezena Unidade Centena Dezena Unidade


de de de de de
de
milhão milhão milhão milhar milhar
milhar
3 0 0 0
5 6 4 0 0
3 2 0 5 3 3 2 0 1

Para ler estes, e quaisquer outros números, seguimos a seguinte lógica:

3.000: Três (unidade) mil (nome da classe) = três mil.


56.400: Cinquenta (dezena) e seis (unidade) mil (nome da classe) e quatrocentos (centena).
= Cinquenta e seis mil e quatrocentos.
320.533.201: Trezentos (centena) e vinte (dezena) milhões (nome da classe) quinhentos
(centena) e trinta (dezena) e três (unidade) mil (nome da classe) duzentos (centena) e um
(unidade).

134
Atividade no caderno
1. Copie o texto acima prestando atenção para que sua letra fique caprichada e leia em
voz alta para treinar sua leitura até pronunciar bem as palavras. Lembre-se de utilizar a régua
para fazer as tabelas e desenhos!
2. Escreva os números abaixo por extenso:
a) 24567 b) 1490 c) 100298400
d) 987203543 e) 9726412 f) 50000
3. Utilizando os algarismos indo-arábicos, escreva os números abaixo:
a) Três mil novecentos e cinquenta.
b) Mil oitocentos e trinta e sete.
c) Cento e nove.
d) Cento e trinta e dois mil setecentos e seis.
e) Novecentos e oitenta milhões trezentos e cinquenta e um.
f) Dez milhões vinte e três mil quatrocentos e dezessete.
4. Leia a história de Adão, seu filho Set e seu neto Enós, depois copie no seu caderno:
“Quando Deus criou o homem, ele o fez à imagem de Deus. Criou-os homem e mulher,
e os abençoou, e deu-lhes o nome de homem no dia em que os criou. Adão viveu 130 anos, e
gerou um filho à sua semelhança, à sua imagem, e deu-lhe o nome de Set. Depois de haver
gerado Set, Adão viveu 800 anos e gerou filhos e filhas. Todo o tempo que Adão viveu foi de
930 anos. E depois disso morreu. Set viveu 105 anos, e depois gerou Enós. E depois do
nascimento de Enós, viveu ainda mais 807 anos e gerou filhos e filhas. A duração total da vida
de Set foi de 912 anos; e depois disso morreu. (...) E o tempo de vida de Enós foi de 905 anos;
e morreu.” (Gn 5, 1 – 8. 11).
Escreva por extenso quantos anos Adão, Set e Enós tinham quando morreram.

135
136
137
138
Introdução

C
ARÍSSIMOS responsáveis e estudantes, este material tem o objetivo de a partir do
conhecimento do mundo natural auxiliar o desenvolvimento do pensamento, da meditação e da
contemplação, ações necessárias para que se alcance a sabedoria e se tenha a mente
sempre nas coisas divinas e em Deus.

Para alcançarmos esse objetivo, tão importante rumo à santidade, procuraremos, ao longo
deste ano de estudo, possibilitar uma maior compreensão de toda a obra da Criação, do próprio
Criador e da pessoa humana criada à Imagem e Semelhança de Deus.
Sugerimos que este estudo seja realizado de uma a três vezes por semana, sendo que em
cada semana o estudante deverá realizar a leitura e a compreensão do conteúdo, bem como as
atividades sugeridas.

139
Capítulo 1 - Fundamentos
Aula 1 – O que é ciências

A
palavra ciência vem do latim (Scientia) e significa conhecimento. Ciência, portanto, é
uma forma de conhecimento, ou seja, de conhecer as coisas, de estudar as realidades
existentes, de saber melhor sobre elas.
Conhecer algo não é simplesmente saber um pouco sobre aquilo, mas é compreender o que se
estuda de forma profunda, ou seja, não apenas observando os fatos (acontecimentos), mas
procurando entender as razões, as causas do que se observa.
Entender a causa das coisas é entender o que se estuda da melhor forma possível, é
compreender o que cada coisa é.
Por exemplo, ao observamos a água em um
copo, sabemos que ela existe, que é um líquido sem
cheiro, sem cor e sem gosto, temos um pouco de
conhecimento sobre água, o que é um princípio de
ciência. Ter uma verdadeira e profunda ciência
sobre a água é saber mais, por exemplo, que ela é
formada por substâncias menores (o oxigênio e o
hidrogênio), que foi criada por Deus para que os
seres vivos pudessem existir (conforme Gênesis 2,
4-5), e ainda mais, que é a água, derramada sobre a
cabeça no batismo, que permite o nascimento para
uma vida nova e verdadeira, em Cristo, de modo a
tornar a pessoa filha de Deus e parte da Igreja.
Mesmo que não tenhamos escrito tudo o que se
pode conhecer sobre a água, pode-se entender com Vitral representando o batismo de Jesus.

esse exemplo, que ter a ciência das coisas é procurar este conhecimento mais profundo, que busca
a causa, a função, o objetivo das coisas existirem.
Santo Tomás de Aquino (imagem na próxima página) é um santo chamado Doutor da
Igreja, pois seus muitos livros e ensinamentos nos ajudam a conhecer melhor a Deus e Sua vontade.
Este santo nos ensina também sobre Ciência no início de uma obra chamada Suma Teológica (um
“resumo” sobre várias coisas importantes a saber sobre Deus e sua doutrina). Santo Tomás foi um
homem muito sábio, e tinha o dom da ciência, ou seja, de conhecer profundamente as coisas, o
que elas são, a causa delas. Ele nos ensina o seguinte sobre ciência:
Existem dois tipos de ciência:

140
1. A ciência que se faz a partir do conhecimento de
realidades que podem ser vistas, observadas, e são
possíveis de serem estudadas pela luz natural da
inteligência. Um exemplo é a matemática.
2. A ciência que se faz a partir do conhecimento de
realidades que são superiores à luz natural da
inteligência, pois tem origem na revelação feita
por Deus (como é o caso da Ciência Sagrada ou
Teologia) ou que utiliza conhecimentos de várias
ciências que partem da luz natural da inteligência
(como a Música, que aplica conhecimentos da
matemática, da ciência natural, e de outras).

Santo Tomás de Aquino, Doutor da Igreja

ATIVIDADES

1) Leia o texto acima três vezes: duas vezes silenciosamente e a terceira em voz alta.

2) Copie os 3 primeiros parágrafos do texto “O que é ciência?” em seu caderno. (Comece


no título e termine com a frase “compreender o que cada coisa é”).

3) Copie as questões abaixo em seu caderno e depois as responda de forma breve:


1. Quando podemos dizer que temos uma verdadeira ciência de algo?
2. Quais são as duas formas de ciência ensinadas por Santo Tomás de Aquino?

4) Explique oralmente aos seus responsáveis a diferença entre ter um pouco de conhecimento
sobre algo e ter uma ciência profunda, se quiser pode usar o exemplo da água.

(Peça aos responsáveis para corrigirem suas atividades)

141
Capítulo 1 - Fundamentos
Aula 2 – Hierarquia das ciências
Já vimos que a ciência envolve um conhecimento profundo sobre as coisas. Há diversas
coisas e realidades que podemos observar, compreender e estudar, por isso dividimos o nosso
conhecimento em várias Ciências diferentes, sendo que cada uma estuda algo específico.
Por exemplo, as Ciências Naturais estudam a natureza, mas de um modo profundo, que
compreenderemos melhor nas próximas semanas. As Ciências Humanas estudam matérias
relacionadas ao ser humano, sua história, locais de habitação, entre outras coisas, sendo sempre
um estudo profundo.

Todas as formas de conhecimento são importantes para nós, pessoas, pois todos
queremos conhecer a verdade, devido a nossa inteligência, e conhecendo profundamente as
realidades, podemos chegar às verdades mais importantes para nós, para nossa vivência no mundo,
e assim podemos caminhar em direção a Deus e à santidade.

Mesmo que todas as ciências ajudem o ser humano a conhecer cada vez mais as
realidades e a verdade, há um tipo de ciência que é a mais importante do que todas as outras: a
Ciência Sagrada.
A seguir, veremos por que a Ciência Sagrada é tão importante e o que ela estuda e
compreenderemos por que ela está em 1º lugar na hierarquia das ciências.

Ciência Sagrada

A Ciência Sagrada também recebe o nome de Doutrina Sagrada. Essa ciência pertence
ao segundo tipo de ciência ensinado por Santo Tomás de Aquino, isto é, é uma ciência que se faz
a partir do conhecimento de realidades que são superiores à luz natural da inteligência, e, portanto,
seu conhecimento não é possível
simplesmente a partir de um saber
natural, mas precisa de algo mais,
de um conhecimento superior.

A Ciência Sagrada se faz


a partir do conhecimento de Deus e
dos santos (bem-aventurados), ela
aceita o que foi revelado por Deus
na história da salvação, e que está
contido na Sagrada Escritura
(Bíblia) e nos ensinamentos da Imagem para representar o fundamento da Ciência Sagrada, que se
dá a partir do conhecimento de Deus e dos santos (representado
Igreja Católica. Isso significa que a
acima) que é revelado aos homens que crerem no Cristo
Ciência Sagrada parte daquilo que o (representado abaixo).
próprio Deus revelou, e que, portanto,
é superior ao que se estuda simplesmente pela luz natural da inteligência.

142
A Ciência Sagrada pertence a um campo de estudo chamado Teologia (palavra que vem do
grego e significa “theos” – Deus e “logos” – estudo; portanto “estudo de Deus”). Esta ciência é
muito importante, pois como São Paulo nos ensina na bíblia: “Toda Escritura inspirada por Deus
é útil para ensinar, refutar, corrigir e educar na justiça” (2 Tm 3,16). Santo Tomás de Aquino
também nos ensina que a Ciência Sagrada é importante porque era necessário existir, para a
salvação do homem, um ensinamento fundado na revelação divina, pois as coisas que vão além de
sua inteligência precisariam ser reveladas por Deus.

Sendo as Ciências Sagradas uma forma de ciência que parte daquilo que Deus revelou,
e que, portanto, mostra muitas coisas superiores à inteligência humana, não será alcançada
principalmente pelo esforço do conhecimento humano, mas sim pelo ato de Fé.
O ato de fé é livremente decidir acreditar em tudo o que Deus fez e revelou, conforme nos
ensina a bíblia:
“A fé é o fundamento do que se espera, é uma certeza a respeito do que não se vê. Foi a
fé que fez a glória dos nossos antepassados. Pela fé sabemos que o universo foi criado pela
palavra de Deus, de modo que do invisível teve origem o visível. [...] Ora, sem fé é impossível
agradar a Deus, pois quem se aproxima de Deus deve acreditar que Ele existe e que recompensa
aqueles que O procuram.” (Hb 11, 1-3.6)
Estudaremos agora os motivos pelos quais a Ciência Sagrada está em 1º lugar na hierarquia
das ciências.
Vimos que há diversas ciências que estudam várias realidades diferentes. Vimos também
que todas as formas de conhecimento são importantes para o ser humano em sua busca pela
Verdade. Mesmo que todas as ciências contribuam para o conhecimento das realidades e, portanto,
da Verdade, há ciências que são mais importantes, e por isso dizemos que há uma hierarquia nas
ciências.

Hierarquia das ciências significa que há uma organização das ciências, conforme sua
importância. Nesta hierarquia, a Ciência Sagrada ocupa o 1º lugar, ou seja, é a mais importante de
todas as formas de conhecimento.

Santo Tomás de Aquino nos ensina que podemos afirmar que a Ciência Sagrada está em
1º lugar pelos seguintes motivos:

- Entre todas as formas de conhecimento (matemática, história, geografia, ciências naturais,


etc), a mais excelente (perfeita) é a Ciência Sagrada porque ela estuda aquilo que é o mais
importante: o próprio Deus. Ela também é a ciência mais certa, porque foi Deus que a revelou a
nós, e sendo assim, não pode errar.

- A forma de conhecimento mais perfeita é aquela que leva a um objetivo mais elevado, e sendo
assim, a Ciência Sagrada é a mais perfeita porque nos leva à santidade, à contemplação de Deus,
ao Paraíso, principais objetivos da vida de todo cristão.
Vamos estudar alguns exemplos para que os motivos acima fiquem mais claros:
• Diferentemente da Ciência Sagrada que parte daquilo que Deus revelou, as outras ciências
partem de princípios estudados pelas pessoas e compreendidos a partir da inteligência

143
humana. Uma vez que nossa inteligência não é perfeita, podemos errar. Já a Ciência
Sagrada não erra, pois foi revelada por Deus, que é perfeito.
• A Ciência Natural, por exemplo, estuda a natureza, enquanto a Ciência Sagrada estuda o
próprio Deus. Deus foi quem criou a Natureza e tudo o que existe, portanto, Ele é mais
importante do que tudo; logo, estudá-Lo e conhecê-Lo é mais considerável do que estudar
e conhecer outras realidades.
• Ao conhecermos os números ou mesmo os animais, podemos perceber a perfeição de tudo
o que Deus fez, mas ao estudarmos o que Deus revelou e como chegar a Ele, estamos
estudando o que é mais importante, e aquilo que, como cristãos, buscamos.

Vamos finalizar com as palavras de Santo Tomás de Aquino:


“O menor conhecimento das coisas mais elevadas é mais desejável que uma ciência
muito certa das coisas menores”

“Adoração da Santíssima Trindade”, de autoria de Albrecht Dürer. Representa o Pai


segurando a cruz do Filho e o Espírito Santo em forma de pomba sobre a cabeça do Pai.
Os três são adorados pela multidão de anjos e santos.

ATIVIDADES

1) Leia o texto acima três vezes: duas vezes silenciosamente e a terceira em voz alta.

2) Copie em seu caderno:

144
- O título “Hierarquia das ciências” e abaixo os parágrafos que apresentam esse lápis ( ) no seu
início.

- O subtítulo "Ciência Sagrada” e abaixo os parágrafos que apresentam esse lápis ( ) no seu
início.

3) Copie as questões abaixo em seu caderno e depois as responda de forma breve:


1. O que é a ciência sagrada?
2. O que é o ato de fé?
3. O que é hierarquia?

4). Leia para seus responsáveis a citação da bíblia sobre o que é a fé (Hb 11,1-3.6) e peça para eles
explicarem a você a importância da fé.

5) Conte aos seus responsáveis qual é a ciência mais importante de todas e porque ela é tão
importante.

6) Leia em voz alta a frase de Santo Tomás de Aquino (última frase) e converse com seus
responsáveis sobre o que este santo quis ensinar.

145
Capítulo 1 - Fundamentos
Aula 3 - Hierarquia das ciências
Conheceremos agora um pouco sobre as outras ciências, que serão o campo de estudo deste
material, as Ciências Naturais.

Ciências Naturais

As Ciências Naturais, também chamadas de Ciências da Natureza, estudam os seres


vivos, a criação, a natureza naquilo que ela tem de necessário, ou seja, procura compreender tudo
o que faz parte da natureza em profundidade, chegando até a causa de cada coisa, e,
consequentemente, em Deus.

Há muitos motivos importantes para se estudar as ciências naturais. Alguns são:

- o estudo da natureza remove a ignorância, retirando a superstição e criando uma piedade


confiante em Deus;

- a observação da natureza e de todo o universo nos permite reconhecer a ordenação de tudo, e,


consequentemente, nos direciona àquele que tudo criou, o próprio Deus;

- o ser humano é a única criatura que pode não apenas observar, mas procurar compreender o
que vê, conhecer em profundidade a criação, o sentido das coisas existirem e também o Criador.

Estudar e contemplar a natureza é, portanto, um caminho para reconhecer o Criador em


todas as realidades e assim caminhar na direção d’Ele, o princípio e o fim de tudo.
Pensemos, por exemplo, em uma
floresta. Ao observarmos uma parte da
floresta e tudo o que ela contém (o
movimento das árvores com o vento, as
aves e outros animais, as plantas que
alimentam os bichos, o Sol que aquece e
ilumina a floresta durante o dia, o solo
que serve de apoio para os seres vivos),
tudo está em ordem. O mínimo que
conseguirmos refletir sobre a realidade
que observamos, como a floresta, já nos
permite perceber quão belo e ordenado
foi o que Deus fez. Como essa beleza
visível na natureza só pode se originar da Adão e Eva no Paraíso Terrestre. Pintura de Wenzel Peter.
beleza perfeita, que é o próprio Deus
Criador.

146
Estudando as ciências naturais, procuraremos conhecer em profundidade a criação, e ter
sempre a mente nas coisas divinas e em Deus.
Apesar das Ciências Naturais não serem as mais elevadas, elas podem contribuir muito
para que se consiga desenvolver o pensamento, a meditação e a contemplação, de forma a poder
ajudar muito no aprendizado da Ciência Sagrada.

Muitas pessoas atualmente acabam pensando de forma errada e entendem que a Ciência
Natural (muitas vezes chamada apenas de ciência) é certa, sempre verdadeira, e por isso deixam
de acreditar naquilo que é o mais correto, que é o que a Doutrina Sagrada da Igreja nos apresenta.
Esse erro acontece porque se esquecem, ou muitas vezes não sabem, que não é possível estar errado
o que o próprio Deus revelou, pois Ele é perfeito e conhece toda a verdade, foi Ele quem criou
tudo.

A Ciência Natural, que é aquela que é estudada a partir das observações da natureza,
pode errar, e sabemos que as explicações dessa ciência já mudaram várias vezes ao longo da
história, pois as novas tecnologias ajudam a compreender melhor os fenômenos que se observam.
A explicação cientifica não é algo certo, que não pode mudar, é na verdade a melhor explicação
que os cientistas podem dar até aquele momento com os estudos realizados, e também está sujeita
a erros, já que um ser criado não possui uma inteligência perfeita como a de Deus.
Vamos entender melhor com alguns exemplos:
- Antigamente acreditava-se que os astros (o Sol, a Lua, as Estrelas) eram deuses que governavam
o mundo e decidiam sobre ele. Deus, então, por meio de seu servo Moisés, ao revelar como foi
que criou tudo, mostrou que na verdade estes astros são luzeiros que Deus fez para iluminar o dia
e a noite, e não deuses. Esse entendimento dos astros simplesmente como luzeiros é certo, pois foi
revelado por Deus, está na bíblia, no livro do Gênesis. Os cientistas, ao observarem o céu,
confirmaram aquilo que Deus já havia revelado.
- Hoje em dia muitas pessoas estão preocupadas com o cuidado dos animais, da natureza, e com
isso acabam muitas vezes prejudicando o próprio ser humano ou culpando-o por todos os males
do mundo. Deus revelou em Gênesis que as pessoas são as únicas criaturas a “Imagem e
Semelhança de Deus”, e a Igreja ensina que o ser humano não se engana ao se achar superior às
outras criaturas. Sendo assim, como somos inteligentes e recebemos de Deus a missão de cuidar

Imagem de Cristo, Rei do Universo, com o mundo nas mãos. Deus Filho é o senhor
de tudo.

147
da Terra, temos que viver bem no mundo, sabendo utilizar a natureza e cuidar dela, mas não
podemos pensar que as pessoas são menos importantes do que as outras criaturas.

ATIVIDADES

1) Leia o texto acima três vezes: duas vezes silenciosamente e a terceira em voz alta.

2) Copie em seu caderno:

- O título “Ciências Naturais” e abaixo os parágrafos que apresentam esse lápis ( ) no seu início.

3) Copie as questões abaixo em seu caderno e depois as responda de forma breve:


1. O que a Ciência Natural estuda?
2. Por que a Ciência Sagrada é mais importante que todas as outras ciências? (Caso precise volte
a consultar o material da semana anterior).
3. Por que a Ciência Natural pode errar?
4. Por que a Ciência Sagrada é certa (não erra)?

148
Capítulo 1 - Fundamentos
Aula 4 – Estudo da criação

A
criação do mundo e de tudo o que existe está relatada na Bíblia, no livro dos Gênesis,
mais especificamente nos capítulos 1 e 2. A Bíblia também é chamada de Sagrada
Escritura por apresentar a Revelação de Deus.

A palavra Gênesis significa origem, e vem da língua grega. O livro do Gênesis é o


primeiro livro das Sagradas Escrituras e conta como tudo começou, o que Deus fez e pensou sobre
tudo, sendo por isso um livro muito importante. Segundo a tradição da Igreja, quem escreveu este
livro foi Moisés, um homem escolhido por Deus. Podemos encontrar toda a história de Moisés na
Bíblia.
Para começarmos a estudar a criação, vamos ler o primeiro capítulo desse livro.

Atividade

- Pegue uma bíblia e leia uma vez silenciosamente e uma em voz alta o primeiro capítulo
do livro do Gênesis (Gn 1, 1-31).

- Copie em seu caderno a descrição abaixo, que indica o que Deus criou no primeiro dia, e
em seguida escreva também no caderno as obras de Deus em cada um dos 7 dias da criação:

1º dia: Deus criou os céus e a terra; criou também a luz e separou a luz das trevas.
(Continue até o 7º dia) 2º dia:
A obra da Criação também é relatada em algumas outras partes da bíblia, confirmando ou
complementando aquilo que está no capítulo que lemos. Para conhecer melhor, vamos ler esses
textos também, mas nas próximas aulas.

Continuação do estudo:
As Sagradas Escrituras nos revelam tudo o que Deus fez no início, e também explica
diversas vezes como Deus fez as coisas.

Ao estudarmos sobre a criação, precisamos saber que a Santa Igreja nos ensina algumas
verdades, que não podem ser contestadas por terem origem na Revelação de Deus. Essas verdades
são:

1. Todas as coisas foram criadas por Deus do nada.

149
Isso significa que Deus não usou nada para criar tudo que existe. Foi do nada, ou seja, sem usar
nenhuma matéria, que ele formou e fez tudo, todas as coisas e até nós mesmos.
2. Deus é o único princípio do universo, de todas as coisas visíveis e invisíveis,
espirituais e materiais.
Isto significa que nada no universo se originou fora de Deus, e que foi Ele que criou tudo o que
podemos ou não podemos ver.
3. Toda a criação foi um ato da bondade de Deus, que
Ele criou por Sua vontade e amor, não por
necessidade.
Isto significa que Deus não precisava criar tudo, mas Ele quis
realizar toda a obra da criação num gesto do Seu amor. Por ser
Deus, Ele não precisava das criaturas ou do mundo, mas Ele quis
fazer tudo o que existe por Seu imenso amor, Ele desejou que
nós existíssemos.
4. Foi Deus quem criou o ser humano, “à Sua Imagem
e Semelhança”, dotado de inteligência e liberdade, e
o constituiu senhor do universo.
Isto significa que nós, seres humanos, também fomos criados
por Deus do nada, e com características únicas. E por sermos
Criação dos animais e de Adão.
Imagem e Semelhança de Deus, fomos agraciados por Ele como Inscrição no ícone: “Deus disse:
aqueles aos quais o universo está submetido, ou seja, temos que Produza a terra seres vivos. E então
reinar sobre o mundo e temos responsabilidade sobre ele. Deus disse: Façamos o homem a
nossa Imagem e Semelhança”. Por
5. Deus não apenas criou o mundo, mas o conserva. Michael Kapeluck.

Ele mantém a existência das coisas, fazendo com que elas sejam o que são.
Isto significa que Deus além de criar tudo, continua mantendo o que criou, ou seja, tudo o que
existe, só existe porque Deus fez e permanece sustentando tudo aquilo que fez.
Essas verdades são muito importantes, e não podemos deixá-las de lado ao longo de nosso
estudo sobre a criação.

ATIVIDADES

1) Leia o texto acima três vezes: duas vezes silenciosamente e a terceira em voz alta.

2) Copie em seu caderno:

- O título “Estudo da Criação” e abaixo os parágrafos que apresentam esse lápis ( ) no seu início.

3) Leia e decore as 5 verdades que a Igreja ensina sobre a Criação. Depois conte aos
responsáveis e procure explicar a eles o que significa cada verdade.

150
151
Significado da imagem

A
imagem da capa do material de História representa a grande Batalha de Lepanto, ocorrida
em 1571, onde a Liga Católica, com a ajuda de Nossa Senhora do Rosário, triunfou sobre
a invasão muçulmana na Europa. Essa foi uma das maiores batalhas navais da História.
Os muçulmanos ameaçavam dominar e escravizar toda a Europa, destruindo o
cristianismo. Formou-se, então, a Liga Católica convocada pelo Papa São Pio V e liderada pelo
príncipe Dom João d’Áustria, filho do imperador do Sacro Império Carlos V. A preparação dos
soldados católicos consistiu em jejuns, orações e procissões, suplicando a Deus, por meio de Maria
Santíssima, a graça da vitória, pois o inimigo não era apenas uma ameaça para a Igreja, mas
também para a civilização. Tendo recebido a Santa Eucaristia, partiram para a batalha. No dia 7
de outubro de 1571, invocando o nome de Maria, Auxiliadora dos Cristãos, travaram dura batalha
nas águas de Lepanto. Em terra, toda a Igreja, comandada pela fé e piedade de São Pio V, se pôs
a rezar o Santo Rosário. Após algumas horas de conflito, a Liga Católica derrotou a frota
muçulmana que viu sobre os navios católicos “uma Senhora majestosa e ameaçadora”. Era Nossa
Senhora que auxiliou a Santa Igreja e conseguiu do Senhor dos Exércitos o triunfo sobre o mal.
Esse grande acontecimento histórico foi escolhido, por comprovar a visão adotada neste
material:
1. A História é palco de uma grande batalha entre o bem e o mal (Liga Católica X
Muçulmanos);
2. Nessa batalha, Deus intervém constantemente em favor de seus eleitos (aparição e
intervenção de Maria Santíssima);
3. O bem triunfará definitivamente sobre o mal no fim dos tempos (vitória católica).

152
Capítulo 1
Apresentação da Disciplina História
Este material de História deseja fazer com que você ame a Deus e contemple a Sua
Providência através dos acontecimentos históricos, ao longo do tempo. Conheceremos o grande
percurso da história da humanidade, onde observamos momentos bons, que nos fazem engrandecer
o nome de Deus, e outros ruins, que nos recordam a triste queda dos nossos primeiros pais, Adão
e Eva, e suas terríveis consequências.

Por que estudar História?

Q uem nos responde essa pergunta é São João Paulo II: “O cristianismo é religião entranhada
na História. Visto no seu mistério divino e humano, Cristo é o fundamento e o centro, o
sentido e a meta última da história”. Isso significa que estudar o passado é contemplar os
passos de Deus através da História.
Imagine um salão belíssimo, com quadros de pintores famosos, esculturas raras, contendo,
enfim, uma infinidade de coisas preciosas. O dono do salão, para atrair observadores, deve cuidar
de um detalhe muito importante: a iluminação.

Interior do Museu do Vaticano

Não adianta alguém entrar em um belíssimo salão, cheio de preciosidades, com a luz
apagada, pois assim não verá nada. Se o salão está escuro, não importa que haja nele as mais belas
pinturas. É necessário que se acendam as luzes! “Ah! Que magnífica pintura”, dirá o observador.

153
“Que escultura genial”, exclamará o visitante. Somente com a luz acesa as coisas se tornarão
interessantes.
O salão é a História e a Luz é Nosso Senhor Jesus Cristo. “O povo que andava nas trevas
verá uma grande luz e amanhecerá o dia para os que moravam nas sombras da morte” (Is 9, 1).
Jesus Cristo é o motivo de estudarmos a História, porque toda ela só faz sentido se
entendermos que Deus faz parte dela de tal forma que se fez homem e habitou entre nós, porque
nos ama e quer que vivamos com Ele por toda a eternidade.
Primeiramente estudaremos alguns aspectos de Filosofia e Teologia da História para depois
analisarmos os principais fatos ocorridos desde a Criação.
Começaremos com a leitura de um trecho da Sagrada Escritura que nos ensina coisas muito
importantes sobre Deus e sobre a História. Leia-o atentamente e depois o copie em seu caderno.

Introdução

N o princípio era o Verbo

e o Verbo estava junto de Deus,


e o Verbo era Deus!
Ele estava, no princípio, junto de Deus.
Tudo foi feito por Ele, e sem Ele nada foi feito.
Nele havia a vida, e a vida era a luz dos homens.
A luz resplandece nas trevas, e as trevas não a dominaram.
Houve um homem, enviado por Deus, que se chamava João.
Este veio como testemunha, para dar testemunho da luz,
a fim de que todos cressem por meio dele.
Não era ele a luz, mas veio para dar testemunho da luz.
O Verbo era a verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem.
Estava no mundo e o mundo foi feito por ele, e o mundo não O reconheceu.
Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam.
Mas a todos aqueles que o receberam, aos que creem no seu nome,
deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus,
os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas sim
de Deus.
E o Verbo se fez carne e habitou entre nós,
e vimos sua glória, a glória que o Filho único recebe do seu Pai,
cheio de graça e de verdade.
João dá testemunho d’Ele e clama, nestes termos:

154
“Era d’Este que eu dizia: O que vem depois de mim passou à minha frente,
Porque era antes de mim”.
E da Sua plenitude todos nós recebemos, graça por graça.
E que a Lei foi dada por meio de Moisés,
A graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo.
A Deus ninguém jamais O viu.
Um Deus, Filho Único, que está no seio do Pai,
é que O deu a conhecer.

São João 1, 1-18

Faça-se em mim segundo a vossa palavra


Anunciação e a encarnação do Verbo Eterno por Fra Angélico

Comentário da Bíblia de Navarra à Introdução do Evangelho de


São João:
Estes versículos formam a introdução ao Evangelho de São João Apóstolo; são um belo
canto que, antes do relato da vida terrena de Jesus Cristo, engradece e proclama a Sua divindade e
eternidade. Jesus é o Verbo Incriado, o Deus Unigênito que assume a nossa condição humana e
nos oferece a possibilidade de sermos filhos de Deus, isto é, de participar real e sobrenaturalmente
da própria vida divina.

155
Como ensinamentos principais que aparecem na introdução podem se observar:
1. A divindade e eternidade de Jesus;
2. A Encarnação de Jesus e a Sua manifestação como homem;
3. A intervenção de Jesus na Criação e na obra de salvação da humanidade;
4. O comportamento diverso dos homens diante da vinda do Salvador: uns O aceitam com fé
e outros O rejeitam;
Escreva e decore os quatro itens acima. Estes quatro ensinamentos nos ajudarão a entender
os aspectos mais importantes da História.

Atividades
1) Com base no texto, por que é importante estudar História?
2) Quem é o centro e o sentido da História?
3) Por que podemos dizer que Jesus é a luz da História?
4) Quem é o Verbo de Deus?
5) Sublinhe as palavras que você não conhece o significado e procure-as no dicionário.

156
Capítulo 2

A divindade e eternidade de Jesus

N
o princípio era o Verbo
e o Verbo estava junto de Deus,
e o Verbo era Deus!
Ele estava, no princípio, junto de Deus.
Tudo foi feito por Ele, e sem Ele nada foi feito.
Nele havia a vida, e a vida era a luz dos homens.
A luz resplandece nas trevas, e as trevas não a dominaram.
Jo 1, 1-5

O princípio deste livro busca olhar para os acontecimentos da história submetidos ao Poder
e à Providência de Nosso Bom Deus, ou seja, Ele e Sua Igreja serão o princípio, o meio e o fim
deste material. Portanto, primeiramente estudaremos alguns aspectos importantes sobre Deus.

O Bom Deus: embasado em textos de São João Bosco, São Pio X e Pe. Augustin Berthe.
No princípio, antes de todas as coisas que
conhecemos existirem, só Deus existia, ou seja,
só Deus é eterno. Todas as coisas foram criadas
por Ele através de um simples ato de Sua
vontade.
Só existe um Deus, porém há nesse Deus
único três pessoas diferentes: o Pai, o Filho e o
Espírito Santo. Portanto, desde toda a
eternidade, o Criador nunca esteve só, pois
encontrava Sua felicidade e Sua glória no
convívio das Três Pessoas da Trindade.
Numa extraordinária manifestação de
amor, de sabedoria e de poder, criou do nada o
Céu e a Terra, e destinou estas moradas para uma
multidão imensa de seres diferentes. No seu
infinito amor, Deus quis que esses seres
pudessem participar na Sua eterna felicidade.
Ícone da Santíssima Trindade

157
Quando você era pequeno não sabia andar nem falar. Agora já sabe muitas coisas bonitas.
Crescerá mais e será grande e forte, mas para isso procure aperfeiçoar-se cada vez mais. Porém,
Deus não pode crescer mais nem ser mais perfeito, porque Ele é e sempre foi perfeitíssimo, desde
toda a eternidade.
Se se examinar, encontrará muitos defeitos. Até o Sol tem manchas. Só Deus não tem
mancha alguma. Os reis são poderosos, Deus é poderosíssimo. Os professores sabem muitas
coisas, mas Deus sabe tudo. Seu pai e sua mãe são bons, porém Deus é muito melhor que eles.
Veja como Deus é bom e amável. Ele merece todo nosso respeito e amor. Nós devemos imitá-Lo,
pois isto nos é possível, visto sermos as únicas criaturas livres e inteligentes.
Por exemplo, podemos imitar o seu poder, praticando o bem e fugindo do mal; a sua
sabedoria, instruindo-nos sobre as verdades da fé; a sua bondade, fazendo ao nosso próximo todo
o bem que nos for possível. Para alcançarmos isso recordemo-nos daquele aviso de Jesus: “Sede
perfeitos, como também vosso Pai celestial é perfeito” (Mt 5, 48).

Atividades
1) Leia a Primeira Carta de São João, capítulo 3, versículos 7 a 21.
2) Sublinhe as palavras que você não conhece o significado e as procure no dicionário.

158
Capítulo 3

A Encarnação do Verbo e a Sua manifestação como homem

E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos Sua glória, a glória que o
Filho único recebe do Seu Pai, cheio de graça e de verdade.
Jo 1, 14

Nosso Senhor Jesus Cristo, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, o Verbo de Deus,
se fez homem e habitou entre nós para perdoar os nossos pecados, para nos servir como O modelo
de vida, para nos ensinar Suas doutrinas recebidas do Pai, para elevar a nossa natureza decaída por
causa do pecado à natureza divina, isso tudo sem perder nada de Sua infinita glória.
Esse é um texto central sobre Jesus Cristo. Nele se manifesta a realidade da Encarnação do
Filho de Deus. “Ao chegar a plenitude dos tempos, enviou Deus o Seu Filho, nascido de mulher”
(Gl 4, 4).
A frase “e o Verbo se fez carne” significa que Jesus se fez homem. “E habitou entre nós”:
Em vários momentos do Antigo Testamento anuncia-se que Deus “habitará no meio do povo” (Jr
7,3; Ez 43,9; Eclo 24,8). Jesus é perfeito Deus e perfeito homem, em Quem se cumpre todas as
antigas promessas, mais além do que poderíamos esperar. Também a promessa feita pelo profeta
Isaías onde ele anuncia que Deus habitaria conosco (Is 7,14; cfr Mt 1,23) se cumpre quando Jesus
veio viver a nossa história.
Essa é a maior prova do
amor de Deus por nós! Para
entender melhor quem é Jesus,
leia essas belas palavras de São
Pio X:
“Contempla Jesus na
serena beleza da Sua
humanidade. Você aprendeu a
conhecer e amar Jesus no colo de
Sua mãe. Jesus é o Filho de Deus
feito homem, isto é, a Segunda
Pessoa da Santíssima Trindade.
Fez-se homem para nos salvar.
Ele é eterno como o Pai, imenso
como o Pai, perfeitíssimo como o
Pai.
O Nascimento de Jesus Cristo
O Evangelho de São João
começa com esta solene introdução: ‘No princípio era o Verbo e o Verbo estava em Deus, e o
Verbo era Deus’ (Jo 1, 1). ‘E o Verbo se fez carne e habitou entre nós’ (Jo 1, 14). Deu Pai

159
confirmou no Monte da Transfiguração, que Jesus Cristo é o Verbo Encarnado: ‘Este é o meu
Filho amado, escutai-O’ (Mc 9,6).
Por que o Filho de Deus se fez homem?
Jesus se fez homem para nos salvar, isto é, para nos remir do pecado e nos reconquistar o
Paraíso.
Deus criou Adão e Eva, cumulando-os de dons maravilhosos: eram imensamente felizes,
inclinados ao bem, isentos de todas as doenças e da morte. Deu-lhes ainda o maior de todos os
dons: a graça, que os faziam filhos de Deus e herdeiros do Paraíso.
Para lhes provar a fidelidade, Deus os proibiu de comer o fruto da árvore do bem e do mal.
Mas o demônio, tomando a
forma de serpente, tentou
Eva para comê-lo. Eva
escutou o demônio, comeu o
fruto e o deu a Adão, que
também comeu. Cometeram
assim o primeiro pecado e
Deus os castigou
imediatamente. Perderam a
graça e todos os outros dons,
tanto para si quanto para os
seus descendentes; foram
expulsos do Paraíso terrestre
Adão e Eva sendo expulsos do Paraíso e o Senhor fechou-lhes
também as portas do Céu.
Como poderia o homem reconquistar a graça, tornar-se novamente filho de Deus e se salvar
do Inferno?
O Pai Celeste enviou seu Filho para nos salvar e reabrir as portas do Céu. Santo Agostinho,
grande sábio e doutor da Igreja, diz que Deus se fez homem para que nos tornássemos semelhantes
a Ele. Oh! Como Jesus é Bom e como devemos amá-Lo” (São Pio X).

Atividades
1) Sublinhe as palavras que você não conhece o significado e as procure no dicionário.
2) Escreva uma oração de agradecimento a Jesus no seu caderno, porque Ele se fez homem para
nos salvar.
3) Por que Jesus se fez homem?
4) A partir da encarnação do Verbo, como podemos provar que Deus intervém na História?

160
Capítulo 4

A intervenção do Verbo na Criação e na obra salvífica da


humanidade:

O
“ Verbo era a verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem. Estava no
mundo e o mundo foi feito por ele, e o mundo não O reconheceu. Veio para o que
era Seu, mas os Seus não O receberam. Mas a todos aqueles que O receberam, aos
que creem no Seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus, os quais não
nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas sim de
Deus”.
Jo 1, 9-13
“A Igreja Católica sabe que todos os acontecimentos se desenvolvem de acordo com a vontade
ou a permissão da Divina Providência e Deus realiza na História os seus próprios objetivos.
Deus é realmente o Senhor da História”.
S.S. Papa Pio XII
“Quem suscitou do Oriente aquele cujos passos são acompanhados de vitórias? Quem pôs
então as nações à sua mercê, e fez cair diante dele os reis? Sua espada os reduz a pó, seu arco
os dispersa como se fossem palha. Persegue-os e passa invulnerável, sem mesmo tocar com
seus pés o caminho. Quem, pois, realizou essas coisas? Aquele que desde a origem chama as
gerações à vida: eu, o Senhor, que sou o primeiro - e que estarei ainda com os últimos.”
Isaías 41, 2-4
Todos os acontecimentos da História não passam despercebidos por Deus, uma vez que
“nenhum cabelo cai de vossa cabeça sem que Deus permita” (Lc 12, 7). Todo o universo é obra
criada por Deus, que o
sustenta no ser. O ser
humano é o ápice da
criação e tudo foi feito
para o seu benefício. A
partir disso, é certo que
Deus, ao criar tudo,
estabeleceu Seu plano
para a humanidade viver
em comunhão com Ele
na eternidade. A
finalidade da ação de
Deus na História é
estabelecer com seus
filhos uma aliança já
Jesus Cristo, Senhor da História

161
nessa vida que se estenderá para a eternidade.

“Deus, árbitro de todos os tempos, do centro de Sua eternidade desenvolve toda a ordem dos
séculos, reconhece-se como Todo-Poderoso e sabe que nada pode escapar às Suas mãos
soberanas.”
Jacques Bossuet
Dessa forma, ressalta-se que tudo o que acontece em nossas vidas, acontece por permissão
divina, previamente determinada por Deus em Seu trono. Isso não significa que Deus quer ou,
muito menos, pratica o mal. O mal, sendo um ato da vontade, é decidido e praticado a partir da
liberdade de cada um. Esse aspecto será estudado com mais detalhe ao longo do material.
A partir de nossa liberdade, podemos nos conformar com o Plano Divino ou Lhe fazer
oposição. Entretanto, mesmo nos opondo, Deus, em Sua Eterna Sabedoria, realiza Seu querer.
“Deus eleva ou rebaixa os impérios, estabelece para cada povo um destino e um papel; entre
Suas mãos, os reis e os Estados não passam de instrumentos dos quais Ele se utiliza para
conduzir a humanidade a Seu celeste destino.”
História e Providência
“É preciso voltar bem atrás, à origem, ao princípio – ao núcleo flamejante que está no coração
de nossa fé. No ponto de partida de toda reflexão, é preciso afirmar que Deus existe (não há nada
de mais belo e de maior para se contemplar do que o fato de que há Deus); e nós sabemos que
Ele existe, sustentando todos os seres, e é Senhor da História; o que Ele faz é conhecê-la, tudo o
que ocorre só acontece porque Ele quis ou permitiu. E Ele nos ensinou a invocá-Lo como Pai: tal
é o primeiro fundamento de nossa segurança e de nossa confiança na História – a fé em Sua
providência, em Seu amor. Sabemos que a Sua mão Toda-Poderosa e misericordiosa sustenta,
invisível, mas presente, o desenrolar das idades desde o primeiro dia da criação”.
Henry Marrou
Essa lógica da História se exemplifica nesse episódio famoso da Sagrada Escritura:

H AVIA, na terra de Hus, um homem chamado Jó, íntegro, reto, que temia a Deus e fugia do
mal. Um dia em que os filhos de Deus se apresentaram diante do Senhor, veio também
Satanás entre eles. O Senhor disse-lhe: De onde vens tu? Andei dando volta pelo mundo,
disse Satanás, e passeando por ele. O Senhor disse-lhe: Notaste o meu servo Jó? Não há ninguém
igual a ele na terra: íntegro, reto, temente a Deus, afastado do mal. Mas Satanás respondeu ao
Senhor: É a troco de nada que Jó teme a Deus? Não cercaste como de uma muralha a sua pessoa,
a sua casa e todos os seus bens? Abençoas tudo quanto ele faz e seus rebanhos cobrem toda a
região. Mas estende a tua mão e toca em tudo o que ele possui; juro-te que te amaldiçoará na tua
face. Pois bem, respondeu o Senhor. Tudo o que ele tem está em teu poder; mas não estendas a tua
mão contra a sua pessoa. E Satanás saiu da presença do Senhor”.
Jó 1, 6-12

162
Ao observarmos atentamente esse episódio da vida de Jó percebemos que Deus está
sentado em Seu Trono Altíssimo onde é adorado por Seus filhos, os Anjos. Diante d’Ele se
apresentou também Satanás, desejoso de obter a permissão divina para tentar Jó. Nada pode o
demônio sem o consentimento do Pai. Percebemos a mesma coisa na passagem em que Jesus disse
a Pedro que Satanás pediu para peneirá-lo, contudo o Senhor intercedeu por ele:
“Simão, Simão, eis que Satanás vos
reclamou para vos peneirar como o
trigo. Mas eu roguei por ti, para que a
tua confiança não desfaleça; e tu, por
tua vez, confirma os teus irmãos”.
Lc 22, 31-32
Contemple por alguns instantes a
imagem ao lado e peça a Deus a graça de
compreender e aceitar o Seu plano de
amor para a humanidade.
“À vontade em Seu reino, Deus orienta e
governa, a partir de uma ordem
universal, tanto ‘os acidentes irregulares
que confundem a vida dos particulares’,
como ‘os grandes e memoráveis
acontecimentos que decidem a sorte dos
grandes impérios’. O governo divino se
desenvolve sob a forma de escolhas
sucessivas efetuadas no seio da
humanidade e as Sagradas Escrituras as
Jesus Cristo em seu trono onde governa o mundo e
evoca passo-a-passo, com sua contrapartida de julgará vivos e mortos
eliminações progressivas. Na verdade, a
Bíblia não possui outro objeto, senão esse
governo divino do mundo e, especialmente, dos homens.”
História e Providência
Para compreender essa concepção da História é necessário, inicialmente, um ato de Fé, pois:
“É muito difícil, talvez até mesmo impossível, explicar a visão cristã da História para um não
cristão, uma vez que é preciso aceitar a fé cristã para que se entenda a visão cristã sobre a
História. Aqueles que rejeitam a ideia da participação de uma revelação divina são obrigados,
necessariamente, a rejeitar também a visão cristã da História”.
Christopher Dawson
Assim, serão narrados neste livro os principais acontecimentos da História da Salvação da
humanidade e como os acontecimentos históricos se inserem no Plano de Deus.
Adotaremos a visão sacramental da História, onde os principais acontecimentos estudados
serão a Criação, a Queda, a Encarnação, a Redenção, a fundação da Igreja, a Santificação e o Reino
de Deus. As histórias dos egípcios, dos gregos, dos romanos, das revoluções industrial e francesa,

163
as guerras mundiais e a História do Brasil serão estudadas na relação que se estabelece com o
Plano Salvífico de Deus.
“Tal como ninguém pode ver a beleza de um poema, se o seu olhar não alcança cada verso,
assim ninguém pode compreender a beleza da ordem e do governo do Universo, se não vê na sua
inteireza. E porque nenhum homem é tão longevo que a possa ver inteiramente com os olhos da
sua carne, ou seja, enquanto estiver nessa vida, e não pode por si mesmo prever os
acontecimentos futuros, o Espírito Santo ofereceu-nos o livro da Sagrada Escritura, cuja
longitude se adapta ao decurso da História universal.”
São Boaventura
Incrível semelhança entre a introdução do Evangelho de São João e a concepção
sacramental que um historiador católico deve ter com a História: Deus Eterno criou todas as coisas
e se fez carne para salvar a humanidade caída pelo pecado. A Luz veio ao mundo, mas as trevas
não A receberam. Essa humanidade vive no tempo e suas ações determinam a qual civilização ela
pertence, ao Reino de Deus ou ao Império da Trevas cujo líder é Satanás. Uns acolhem Jesus e
seus ensinamentos e outros O rejeitam direta ou indiretamente. Deus age nos acontecimentos deste
mundo incessantemente fazendo apelos com a Sua graça ao homem que busca a si mesmo.
“O Cristianismo é religião entranhada na História. Visto no seu mistério divino e
humano, Cristo é o fundamento e o centro, o sentido e a meta última da História.”
São João Paulo II, Novo Millennio Ineunte

Atividade
1) Faça um breve resumo do capítulo 4. (Se tiver dificuldades, peça ajuda)
2) Copie a frase (esta frase é uma das mais importantes para nós):
“A Igreja Católica sabe que todos os acontecimentos se desenvolvem de acordo com a
vontade ou a permissão da Divina Providência e Deus realiza na História os seus próprios
objetivos. Deus é realmente o Senhor da História”.
S.S. Papa Pio XII
3) Como podemos dizer que todos os acontecimentos históricos não passam desapercebidos por
Deus?
4) Por que podemos dizer que tudo o que acontece é por vontade ou permissão de Deus?
5) O que significa a visão sacramental da História?
6) Sublinhe as palavras que você não conhece e procure o significado no dicionário.

164
165
166
Objetivos da Geografia

Qual a importância desta ciência? Como ela nos ajuda a buscar


a santidade?
Caríssimos responsáveis e filhos,

T
EMOS grande alegria de lhes apresentar este humilde material da ciência geográfica, que
tem por finalidade o engrandecimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, de Sua Igreja e o
triunfo da Bem-Aventurada Virgem Maria em vossos corações e mentes, para que através
dos estudos consigam contemplar o Bem, a Beleza e a Verdade expressas no Catolicismo.
É de extrema relevância que os senhores pais se dediquem à Geografia na educação de seus
filhos, pois o presente material quer apresentar uma nova Geografia, a Católica! Sendo assim, ela
é muito importante, porque trata de assuntos diferentes que envolvem toda a nossa vida, tanto a
terrena, quanto a eterna, com assuntos referentes à mapas (Cartografia), ajudando-nos a lê-los e
compreendê-los, a localizarmo-nos e orientarmo-nos no espaço. Observa, também, aspectos da
Criação Divina que nos cerca e sua perfeita harmonia, mostrando as cores, movimentos e formação
dentre os mais diversos materiais que a formam, percebendo assim a Grandeza, Beleza e Glória
de Deus Criador. Dentro deste tema, a natureza recebe destaque, por conta da formação do relevo,
vegetações, os climas, furacões, raios, mares, rios, oceanos, expondo o magnífico toque de
perfeição e poder do Senhor. São de tão grandiosa perfeição, que não faltarão passagens das
Sagradas Escrituras que exaltem sua beleza e mostrem o toque divino dado à elas, ressaltando
inclusive a importância da Geografia para a interpretação e entendimento dos lugares bíblicos.
Outro ponto fundamental da Geografia são as relações entre as pessoas (cultura, religião,
guerras, alianças, migrações etc.), que foram transformando a si mesmas e o espaço a sua volta, à
partir de uma missão dada pelo próprio Deus, Senhor do Universo, ainda em tempos de Adão. Essa
missão santa será apresentada mais adiante. Como se observa, a Geografia possui muitos assuntos
a serem tratados e todos serão vistos a partir da fé católica que está por trás de toda a ciência e vida
humana.

Orientações práticas
Antes de definirmos o que vem a ser a Geografia em sua visão católica, passemos a algumas
orientações simples e objetivas de como o estudante e os educadores/pais devem proceder ao longo
deste ano. Elas são de extrema importância no aprendizado do estudante, se forem seguidas, haverá
um ótimo desenvolvimento intelectual e espiritual para a sua vida, e, também, adquirirá as
qualidades necessárias para prosseguir no estudo da ciência geográfica.
Seguem as orientações:
1ª) Exclusivamente neste primeiro volume, serão apresentados os principais fundamentos da
Geografia, para que o estudante tenha a base correta para enxergar em cada capítulo, o objetivo
almejado.

167
2ª) Ser rígido no estudo semanal de Geografia, tanto teórico (leitura), quanto prático (exercícios e
atividades).
3ª) Para o estudo teórico recomenda-se que se estude cerca de 40 minutos semanais; para o estudo
prático não há recomendação de tempo, mas o necessário para que o estudante adquira o
conhecimento essencial do volume.
4ª) Ainda sobre o estudo prático: semanalmente será proposta uma atividade escrita (exercícios
dissertativos, ou algum outro tipo de atividade) sobre o assunto que está sendo estudado, intitulada
“Reforçando o saber”. Essa atividade será enviada junto ao material teórico e corrigida pelos
responsáveis, com a resposta contida no próprio texto. Além disso, será realizada uma avaliação
bimestral (a cada dois volumes).
5ª) Trabalho de mapas: será proposto, ocasionalmente, uma atividade sobre mapas na folha
vegetal, para que o estudante adquira uma maior noção sobre os lugares que estão à sua volta e do
estudo que está realizando.
6ª) Ter sempre em mãos um dicionário da língua portuguesa para encontrar o significado das
palavras presentes nos textos. Para facilitar, seria interessante sublinhar de vermelho as palavras
que não souber e uma estrela ao lado dos parágrafos que tiver dúvida, para serem levadas na tutoria.
7ª) Procurar a tutoria online em caso de dúvidas, via Skype, ou Whatzapp.
8ª) Evitar ao máximo assistir TV, usar computador (a menos que seja necessário) e jogar
videogame. Essas práticas, na maioria das vezes, além de estarem abarrotadas de ideologia,
sensualidade e vício, pela quantidade de imagens e o prazer que causam, destroem a imaginação
sadia, vontade de estudo e busca pela virtude.
Posto tudo isto, é muito importante ressaltar a prática da virtude da Humildade nos estudos,
pois, como diz Hugo de São Vitor, “a Humildade é o princípio do aprendizado, e sobre ela, muita
coisa tendo sido escrita, as três seguintes, de modo principal, dizem respeito ao estudante. A
primeira é que não tenha como vil nenhuma ciência e nenhuma escritura. A segunda é que não se
envergonhe de aprender de ninguém. A terceira é que, quando tiver alcançado a ciência, não
despreze os demais.”12 Estas três prescrições da humildade são o ponto chave para o bom estudo
e alcance da graça santificante. Mas, acima de tudo, tanto o filho quanto os pais, devem procurar
em tudo a virtude e agradar a Deus em suas ações: “Buscai primeiro o Reino de Deus e a Sua
justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6, 33).

“Aos que fizeram tudo o que tiveram em seu alcance para permanecer fiéis, não lhes faltará
nada, nem a guarda dos anjos nem a proteção dos santos”
(Santo Hilário de Poitiers)

12
SÃO VITOR, Hugo de. Opúsculo sobre o modo de aprender e de meditar. Disponível em:
www.cristianismo.org.br.

168
A Geografia católica
No tópico anterior, vimos um pouco sobre o que é a Geografia em si. Para facilitar ainda
mais o entendimento, comparemo-la à uma árvore. Ela é composta por tronco e galhos que lhe
conferem uma aparência diferenciada; as raízes que dão nutrientes e sustentação à árvore; e a parte
mais central, chamada de cerne, que é considerado onde está a melhor madeira para se construir
um móvel, pois é bela e resistente. Está longe dos olhos e por isso é mais trabalhoso de ser extraída.
Os galhos e o tronco, podem ser comparados aos assuntos mais comuns da Geografia,
conforme apresentamos anteriormente.
Porém, ficaria faltando apresentar também seu cerne mais belo e suas raízes mais
profundas. O cerne da Geografia representa o que há de mais belo no mundo: todas as belezas
naturais que Nosso Deus
criou para que as
contemplássemos, o ser
humano e suas diferentes
ações que o levam para
Deus. É a identidade que
possui o perfume de Cristo
e os conteúdos
engrandecem a pessoa de
Nosso Senhor Jesus Cristo.
Sua essência, o cerne, é
então o próprio Deus,
Criador de todas as coisas.
As raízes, responsáveis por
sustentar a árvore e lhe dar o alimento necessário, são as Sagradas Escrituras, a santa doutrina
católica, a vida dos santos e seus ensinamentos, tudo reunido e harmonizado dentro da Igreja
Católica Apostólica Romana.
Por definição, a Geografia Católica consiste em uma ciência que estuda a natureza e a ação
de Deus no agir humano, a partir do momento em que este recebe do Senhor uma grande missão:
governar e administrar toda a terra (a criação), podendo transformá-la e usá-la livremente, desde
que com sabedoria, para agradar e servir ao Único e Todo Poderoso Deus. E para fazer tudo isso
com perfeição, deve-se conhecer a essência da paisagem que o cerca, os animais, as plantas, águas,
rochas e as pessoas que ali habitam, transitam, sobrevivem e contemplam a Deus, até alcançarem
a vida eterna. As pessoas que vivem para si mesmo em um grande egoísmo, como Adão decaído,
podem desfrutar de alguns bens terrenos, mas carregando o peso do pecado mortal dentro de sua
alma, perderão, assim, a vida eterna.
Depois desta extensa definição, talvez ainda fique difícil de se entender tudo o que se estuda
em Geografia. Mas não há com o que se preocupar, pois ao longo dos volumes desta etapa será
apresentado todo este rico conceito de Geografia em uma forma mais ampla.
Contudo, façamos aqui um resumo do que é esta matéria tão importante para nossas vidas:
quando se vai construir uma casa, depois de se limpar o terreno, a primeira coisa a ser feita é o
alicerce. Ele é a base da casa, evitando que ela fique torta e dando-lhe firmeza. O alicerce da
Geografia é o estudo e contemplação da Grandeza e Beleza de Deus Criador expressas na natureza

169
criada por Ele e na Igreja Católica. As paredes são os assuntos referentes ao mundo natural e a
tudo aquilo que for tratar sobre a formação da sociedade, observando as principais transformações
do espaço geográfico realizadas pelo homem, desde a época de Adão até a atualidade. O telhado
que forra toda a construção é a missão geográfica do homem de ser co-criador com Deus.
Assim, é necessário lembrar que o que forma e transforma a sociedade é a Religião e a
contemplação da Verdade, ou seja, o transcendente espiritual, o Verdadeiro Deus Criador de todas
as coisas. Quanto mais um povo se aproxima disso, mais desenvolvido e santo será, caso contrário,
ficará cada vez mais destruído e sem beleza, semelhante a uma planta que não recebe água, que
depois de um tempo, murcha, seca e morre. Deus e Sua Igreja são esta água que faz com que a
planta cresça, apresente as mais belas flores e saborosos frutos.

170
Capítulo 1
Desígnio do amor de Deus para a
humanidade e para o mundo

D
EUS é o Senhor e Criador do universo. Diz-se Criador porque Ele fez do nada o céu, a
terra e todas as coisas que no céu e na terra contém, isto é, todo o universo e fez tudo por
amor. Ele cuida do mundo e de todas as coisas que criou, conserva-as e governa-as com a
sua infinita Bondade e Sabedoria, e nada acontece no mundo sem que Deus o queira ou o permita.13
Nas Sagradas Escrituras, observamos esse processo da Criação no livro do Gênesis, logo no seu
primeiro capítulo, quando Nosso Senhor faz a luz, depois o céu, divide as águas, faz aparecer a
terra firme, o Sol, a Lua, estrelas, vegetais e os animais marinhos e terrestres.
Observando esta passagem bíblica, nota-se que, para a manutenção da vida no planeta Terra
em harmonia e perfeição, nada mais seria necessário, pois já existia o céu com regime de chuvas,
rios, florestas para ajudar na chuva e no alimento dos seres vivos, animais das mais variadas
espécies, todos participantes da cadeia alimentar. Entretanto, Nosso Senhor não criou o mundo
para apenas se manter vivo. Ainda faltava algo para que o Amor Divino se manifestasse com maior
perfeição: o homem, a criatura mais nobre que Deus colocou sobre a terra.
Assim, na continuação do primeiro capítulo de Gênesis, Deus chega ao ápice de seu plano:
“Deus disse: ‘Façamos o homem à Nossa imagem e semelhança, e que eles dominem sobre os
peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos, todas as feras e todos os répteis que
rastejam sobre a terra’.”
Diz-se que o
homem foi criado à
imagem e semelhança de
Deus porque a alma
humana é espiritual e
racional, com liberdade
para agir, capaz de
conhecer e de amar a Deus,
e de adorá-Lo eternamente,
perfeições que refletem em
nós um raio da infinita
“Nosso Senhor o convida a uma grande missão: cultivar e guardar a terra em que grandeza de Deus.14 Ao
Ele o pôs, tornando-o administrador e co-criador do mundo”.
mesmo tempo, O eterno
Pai, por meio do livre e profundo desejo da Sua Sabedoria e Bondade, criou todo o universo e
elevou os homens à participação da vida divina para um fim maior: a Igreja Católica. “O mundo
foi criado em vista da Igreja”, diziam os cristãos dos primeiros tempos. Deus criou o mundo em

13
CATECISMO MAIOR DE SÃO PIO X. Rio de Janeiro: Permanência, 2009.
14
Idem.

171
ordem à comunhão na Sua Vida Divina, comunhão que se realiza pela "convocação" dos homens
em Cristo, e esta "convocação" é a Igreja. A Igreja é o fim de todas as coisas.15
Por este motivo, toda a humanidade deve buscar fazer parte da família de Deus e, de modo
particular ao homem geográfico, Nosso Senhor o convida a uma grande missão, a de cultivar e
guardar a terra em que Ele o pôs, tornando-o administrador e cocriador do mundo, com liberdade
e autonomia, mas também sabedoria e responsabilidade

Reforçando o saber
1- Defina com suas palavras o que é a Geografia Católica utilizando o exemplo da árvore e da
construção da casa para facilitar a explicação.
2- O que o homem tem de especial em relação às outras criaturas?

15
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. São Paulo: Edições Loyola, 1999.

172
Capítulo 2
A missão divina (parte 1)

A
PÓS Adão e Eva terem sido criados, Deus lhes deu a missão de serem cocriadores com
Ele, ou seja, administradores e transformadores do espaço, missão esta que se perpetuaria
entre as gerações seguintes até os dias atuais:
“Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a
mulher. Deus os abençoou: ‘Crescei e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a.
Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todos os animais que se
arrastam sobre a terra.’ Deus disse: ‘Eis que eu vos dou toda a erva que dá semente sobre
a terra, e todas as árvores frutíferas que contêm em si mesmas a sua semente, para que
vos sirvam de alimento.’ (Gn 1, 27-29)
Esta missão foi dada aos dois ainda dentro do Paraíso: “Deus tomou o homem que fizera e
o pôs no Paraíso para trabalhá-lo e guardá-lo”. Mas, como cocriadores ainda não necessitavam de
muito esforço para administrar este local, pois era perfeito. O sentido de Deus ter dado a Adão a
missão de trabalhar no Paraíso, foi por conta de que as coisas que Deus criara, cresciam mais e
melhor com a ajuda do trabalho humano, porém, este trabalho não era uma coisa necessária, era
uma graça prazerosa. Mas, isso só ocorria porque o casal vivia ainda em estado de inocência e de
graça. Aliás, todos aqueles que buscam viver na perfeita santidade também podem realizar seus
trabalhos, embora necessários à sobrevivência, de forma fácil e agradável, a ponto de não perceber
as fadigas próprias dele.
Podemos citar o exemplo de um agricultor, que
trabalha todos os dias (de Segunda à Sábado) em uma
grande plantação de feijão. Ele trabalha debaixo do Sol
quente, da manhã e da tarde, cansado pelo acúmulo das
fadigas diárias e para piorar a terra é difícil de fazer
crescer alguma coisa. Assim, ele tem duas escolhas: se
alegrar em estar lá, por saber que Deus providencia todo
o necessário e que se fizer bem feito, com amor e
dedicação, haverá muito feijão que servirá de alimento
para muitas pessoas; ou fazer o mesmo trabalho, mas
sempre preocupado se conseguirá atingir a meta, se não
vai chover muito e destruir a plantação, qual o melhor
adubo e pensar no cansaço que vai se repetir no dia
seguinte. No primeiro caso, como faz tudo por amor e
servidão a Deus, acaba se esquecendo das fadigas do dia
a dia e de todas as outras preocupações e se alegra. No Mosaico de Abel e Caim oferecendo os frutos
de seu trabalho a Deus – Um faz tudo com
segundo, por mais que a plantação cresça muito e sirva amor e dá o melhor, o outro é ranzinza e dá o
de alimento para todos, não falte dinheiro e nenhum pior.
outro contratempo, mesmo assim não ficará satisfeito e
feliz. Por isso, é de extrema relevância que observemos essas duas situações, pois elas se repetem

173
muitas vezes na sociedade atual, seja no campo, na cidade, em casa, na fábrica etc. Mais abaixo
mostraremos como mudar esse quadro.
Voltando ao percurso da História da humanidade decaída, após o pecado original e a expulsão
do Jardim, Adão e Eva perderam a graça de Deus e o direito que tinham ao Céu, submetidos a
muitas misérias na alma e no corpo e condenados a morrer. Como agora não são mais imortais e
passaram a condição de pecadores fracos, necessitavam voltar à perfeição:
“E o Senhor disse a Adão: Porque destes ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore
de que te ordenei, dizendo: ‘Não comerás dela’, maldita é a terra por causa de ti; com dor
comerás dela todos os dias da tua vida. Espinhos, e cardos também, te produzirá; e
comerás a erva do campo. No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à
terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás.” (Gn 3, 17-19)
Entretanto, isto não quer dizer que Deus os abandonou a sua própria sorte, ou que os
expulsou do Paraíso apenas para dar-lhes uma repreensão pelo delito cometido:
“Então disse o Senhor Deus: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal;
ora, para que não estenda a sua mão, e tome também da árvore da vida, e coma e viva
eternamente, o Senhor Deus, pois, o lançou fora do jardim do Éden, para lavrar a terra
de que fora tomado.” (Gn 3, 22,23).
Mesmo com o pecado dos dois, Deus, por amor à humanidade, deixa inalterada a missão
do homem de guardião da criação, mas acrescenta, então, um meio pelo qual volte a alcançar o
paraíso eterno: o trabalho (“lavrar a terra de que fora tomado”). Como será visto adiante, o
trabalho não é diferente da missão de cocriação, mas, a partir do pecado, essa missão se torna árdua
e por vezes sem interesse na salvação e servidão a Deus, vivendo apenas para enriquecimento e
vanglória de si próprio.

Após a queda, Deus prometeu um Redentor a Adão. Ele perdoou o homem e por amor à humanidade, deixa
inalterada a missão do homem de guardião da criação. E ainda fala da Santíssima Virgem, a mulher que
esmagará a cabeça da serpente.

174
Dessa maneira, o homem conseguirá voltar à perfeição e ser merecedor da habitação na
morada celeste, realizando a missão geográfica dada por Deus de dominar a terra e toda criatura,
só que agora não mais como no Paraíso Terrestre que o faziam de forma agradável. Como agora
não possuem mais as dádivas da perfeição santa, o trabalho se torna algo por vezes sofrido e
angustiante. Este foi dado a Adão e Eva não como maldição eterna, mas como fadiga e pena por
causa do pecado cometido. Eles pecaram pela desobediência e soberba, querendo ter o domínio
absoluto sobre todas as coisas, ser deuses, sem se submeterem à vontade do Criador e isso os
afastou de Seu olhar de amor.

Reforçando o saber
1- Em que consiste a missão do homem dada por Deus?
2- Por que Adão e Eva foram expulsos do Paraíso?
3- Após o pecado original, a missão de cocriação continua? Será fácil? Explique.

175
Capítulo 3
A missão divina (parte 2)

A
ruptura com Deus causada pelo pecado de Adão e Eva, foi transmitida à toda a
humanidade até o tempo presente. Ela provocou também uma ruptura interior na pessoa
humana, gerando um desequilíbrio na relação entre o homem e a mulher e na relação
deles com as demais criaturas. Nesta condição, o solo se torna ruim, ingrato e somente com o suor
do rosto será possível tirar dele alimento.
Aí explica-se a raiz mais profunda de todos os males existentes até a atualidade nas relações
entre as pessoas, de todas as situações que vão contra a dignidade da pessoa, contra a justiça e a
solidariedade. Assim, se o homem rompe com Deus, o mesmo Senhor que colocou Sua perfeição
e harmonia em todas as coisas (animais, plantas, água, rochas etc.), perde também essas qualidades
de santidade. Nesta ocasião, fica igual à Adão que antes, quando era perfeito, vivia ao lado de
muitas feras e as tomava por animais domesticados, mas agora precisava de abrigo e acessórios de
proteção contra eles. Assim como precisará, no futuro, de proteção contra seus descendentes, pois
estes também nascerão com a mancha do pecado e muitos escolherão o mal caminho, sendo
egoístas, violentas e destruindo tudo e todos que os impedirem.
Um exemplo bem conhecido de uma pessoa que resgatou a perfeição e harmonia entre
todas as coisas é São José de Anchieta, que quando começou a evangelizar os índios canibais e
violentos do Brasil, conseguiu convertê-los e trazê-los a Luz da Verdade, assim como certa vez,
enquanto rezava o rosário em uma floresta, contemplando as maravilhas de Deus expressas na
natureza, fora surpreendido por uma feroz e faminta onça e de forma dócil e amigável exclamou:
“onça, sou eu, José de Anchieta”. Ela se aproximou dele e mansamente lhe ofereceu sua cabeça
para ser acariciada. O santo também, de tanto andar
pelo litoral brasileiro em busca de evangelizar e
fazer os cristãos e índios guardarem a fé, deixava
rastros de sangue de seus pés por onde passava. São
José de Anchieta é de fato um santo trabalhador, que
exerceu bem sua missão geográfica.
Nas palavras do próprio santo, em uma carta
escrita ao responsável pelos jesuítas, Diego Láyñez, no
dia 1.º de junho de 1560, conta um pouco o que
enfrentavam os primeiros evangelizadores da Terra de
Santa Cruz (Brasil), cheio de perigos, doenças, até perda
de alguns, trabalhando dia e noite, mas com muita alegria
por saber que estavam levando mais pessoas a Deus:
“Quase sem parar, andamos visitando várias
povoações, tanto de índios como de portugueses, sem se
importar com os dias eram calmos, de chuvas ou de São José era perfeito e vivia em harmonia com a
grandes enchentes de rios e muitas vezes, de noite, criação de Deus, realizando justamente a missão
geográfica – cromolitografia ed. Berzinger & Co.
andamos por bosques muito escuros a socorrermos os

176
enfermos, com grande trabalho. Passamos por caminhos cheios de pedras, espinhos, penhascos e são
tantas estas povoações e tão longe umas das outras, que não somos suficientes para acudir tantas
necessidades, mesmo se estivéssemos em maior número, não poderíamos bastar. Ajunta-se a isto, que nós
que socorremos as necessidades dos outros, muitas vezes estamos maldispostos e cheio de dores,
desfalecemos no caminho, de maneira que apenas podemos chegar até o local dos índios e não
conseguimos voltar; assim parece que os médicos (jesuítas) tem mais necessidade de ajuda do que os
enfermos (índios). Mas nada é árduo aos que têm por meta trabalhar somente pela honra de Deus e a
salvação das almas, pelas quais não duvidarão dar a vida.”
Como pôde ser observado na história de São José,
o trabalho era sofrido, mas como ele e os jesuítas
procuravam fazer tudo com perfeição e amor à Deus, o
sofrimento era esquecido por causa da alegria com que
faziam tudo. Isto é a verdadeira missão de cocriação que
Deus havia dado à Adão dentro do Paraíso.
Falando um pouco mais sobre o trabalho de resgate
à santidade, para ser completo, ele deve ser realizado por
meio de dois esforços: a) esforço carnal, para
sobrevivência e sofrimento do corpo, através da penitência
piedosa (sofrimento do corpo) em expiação dos pecados
cometidos; b) esforço espiritual, que através da oração e
intimidade com Deus, exigem um empenho da
inteligência, do corpo e confiança na graça de Deus, para
alcançar a perfeição, além de ser responsável pelo auxílio
na contemplação das obras do Criador e de Sua própria
Adão e Eva trabalharam na terra e viveram
Grandeza. (O esforço espiritual será melhor detalhado no
em grande penitência (esforço carnal) e capítulo sobre a “Contemplação do Amor Divino”).
oração (esforço espiritual) para voltar ao
estado de inocência – Catedral de O esforço carnal seria realizado lavrando a terra,
Canterbury. caçando e sobrevivendo em um mundo cheio de incertezas
e sofrimento. Mas Deus estava com eles providenciando
todo o necessário para viverem bem: “E fez o Senhor Deus a Adão e à sua mulher túnicas de peles,
e os vestiu”. Eles ainda possuíam a grande graça de estar na presença do Senhor, pois Adão e Eva
viveram até o fim da vida em penitência pelo erro cometido e isso agradava ao Senhor.
O trabalho enquanto esforço carnal deve ser honrado, porque é fonte de riqueza ou pelo
menos manutenção da vida e eficaz contra a pobreza (falta das necessidades básicas), mas não o
colocando como objetivo de vida, idolatrando-o, pois nele não se encontra o sentido da vida, mas
sim uma forma de adoração e temor a Deus (vale mais ter um pouco com Deus, do que muito sem
Ele). Nosso Senhor Jesus Cristo ensina a apreciar o trabalho quando passa grande parte de sua vida
terrena dedicando-se ao serviço de carpinteiro na oficina de São José, a quem estava submisso.
Ensina que todos devem exercer seus dons e talentos e não esconde-los, sejam quais forem, mas
sempre se preocupando, antes de tudo, com a alma, em ganhar a salvação e não o mundo.16 Deus
dá a cada ser humano a oportunidade única de viver e espera amorosamente que ele trabalhe e

16
Pontifíco Conselho “Justiça e Paz”; tradução Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Compêndio da
doutrina social da Igreja. 7ª ed. – São Paulo: Paulinas, 2011.

177
desenvolva os talentos que Ele lhe concedeu. "Trabalhai na vossa salvação com temor e tremor" (Fl 2,
12), diz também São Paulo.

Para quem trabalhar?


A atividade humana de crescimento e de transformação da paisagem, pode e deve fazer
despertar as perfeições nele escondidas, para que o homem descubra novas formas de louvar e
glorificar a Deus e traga mais dignidade a criação e a si próprio, pois o trabalho pode ser
considerado um meio de santificação, cooperando também com o Filho em Sua obra redentora,
combatendo diariamente a deformação do pecado original. Assim, o trabalho se torna um serviço
prestado à grandeza de Deus.
Contudo, esse serviço não será submetido e direcionado somente ao Criador, mas também
ao próximo. Quando os fariseus se dirigem a Jesus para testá-lo e perguntam qual é o maior
mandamento da Lei de Deus, Ele responde:
"Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo
o teu entendimento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo
como a ti mesmo. Nestes dois mandamentos se resumem toda a lei e os profetas.”
(Mt 22, 37-40)
O mandamento do Amor é o mais
importante porque nele alcança o homem a sua
perfeição. Quanto mais uma alma ama, escreve
São João da Cruz, tanto mais perfeita é naquilo
que ama; daí resulta que esta alma que já está
perfeita, é transbordada de amor e todas as suas
ações são amor, e emprega todas as potências e
riquezas em amar dando todas as suas coisas.17
Todos são chamados a trabalhar para
conseguir o pão, mas também por solicitude para
com o próximo, ao qual o Senhor ordena dar de
comer, de beber, vestir, acolher e ser companhia.
Cada trabalhador é a mão de Cristo que continua
a criar e fazer o bem. Nenhuma atividade
humana deve ser somente para benefício próprio,
mas principalmente para ajudar o próximo,
servindo e agradando ao Senhor Deus,
O trabalho humano deve ser feito para Deus e para o
próximo, embasados na Lei do Amor.
alcançando novamente o paraíso eterno.

17
Idem.

178
Reforçando o saber
1- Quais foram as consequências do pecado de Adão e Eva para toda a humanidade? Qual a solução
apresentada por São José de Anchieta para restaurar o equilíbrio com as coisas criadas por Deus e
com Ele próprio?
3- Para quem devemos trabalhar?
4- Cite as principais características dos dois esforços presentes no trabalho. Cite exemplos de
santos ou pessoas que vivem cada um, ou os dois ao mesmo tempo.

179
180
181
182
Introdução

E
STE material tem por objetivo levar o aluno a contemplar a beleza como reflexo
de Deus, expressa na obra da criação. Que o mesmo compreenda, através da arte,
que Deus é O Autor de toda criação, que dispôs com beleza as partes do Universo;
que ele aprenda a contemplar a beleza da Arte Sacra e perceba que o dom artístico,
dado por Deus, é a forma do homem se expressar e de contemplar, em sua obra, o
próprio Criador. Que pela apreciação e escuta musical, o estudante entenda a
importância de saber ouvir e fazer silêncio, virtude necessária para alcançar a
intimidade com Deus. Que pelo estudo da Arte, o aprendizado e desenvolvimento das
habilidades artísticas conduzam o estudante à aquisição de virtudes, tal como a busca
pelo bem, pelo belo e pela verdade, frutificando em uma vida autenticamente cristã,
de santidade.

Caros alunos,

É importante que a leitura dos textos seja feita com muita atenção para maior entendimento e
aprendizado. Em seguida, realize as atividades e os exercícios.

Para exercer a apreciação e a escuta musical, durante as


atividades escute alguns Cantos Gregorianos.
A saber, o Canto Gregoriano é o canto oficial da Igreja Católica
e por essência é uma oração. Foi estabelecido pelo papa São
Gregório Magno no século VI. Indicação para encontrar os
cantos:

TV Arautos (Cantos disponível em:


<https://www.youtube.com/channel/UCV7p2362kGftQc07
bpVomUQ>
Procure a sessão “Clave de Sol”.)

Ao escutar os cantos, procure fazer silêncio, aproveitando esse


tempo para rezar e exercer essa virtude.

As aulas de Arte podem acontecer uma vez por semana. Para que
os trabalhos de Arte sejam organizados e preservados, guarde-os
em uma pasta. Sugestão: arquivar os trabalhos em uma pasta
catálogo (fácil acesso).

183
Estudo da Arte: qual a importância?

S EGUNDO a doutrina da Igreja Católica, contida no Catecismo, a arte é de fato uma forma
de expressão propriamente humana; acima da procura das necessidades vitais, comum a
todas as criaturas vivas, ela é uma superabundância gratuita da riqueza interior do ser
humano. Nascendo de um talento dado pelo Criador e do esforço do próprio homem, a arte é uma
forma de sabedoria prática, que une conhecimento e habilidade para dar forma à verdade de uma
realidade na linguagem acessível à vista e ao ouvido. A arte inclui certa semelhança com a
atividade de Deus na criação, na medida em que se inspira na verdade e no amor das criaturas.
Como qualquer outra atividade humana, a arte é ordenada e enobrecida pelo fim último do homem:
o Céu. (Catecismo da Igreja Católica - 2501)

Deus: criador de todas as coisas. Homem: criatura capaz de


criar.
“A criação, admirável e harmoniosa, Deus não a fez senão para o homem, e se a fez tão
maravilhosa, tão grande, diversificada, rica, útil, benéfica, para alimentar o corpo e conduzir a
alma a Deus, é por causa do homem”.
(São João Crisóstomo)
Sendo Criador, Deus dá o próprio ser, tira algo do nada — ex nihilo sui et subiecti — e isto,
em sentido exato, é um modo de proceder exclusivo do Onipotente.
“No princípio, Deus criou o céu e a terra.”
(Gênesis 1, 1)

Ícone Criação do mundo

184
O Altíssimo sustenta todas as criaturas, é o único Ser necessário; todos os outros são
casuais, ou seja, poderiam não existir.
“Ele existe antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem n’Ele.” (Cl 1, 17)

“E transcende os seres criados, pois está acima de todas as suas obras.” (Eclo 43, 30)

O grande e único Autor de todas as coisas, nosso Deus Todo Poderoso, vendo toda a sua
obra, a Criação, considerou-a muito boa. São João Paulo II declara, em sua “Carta aos artistas”,
que a página inicial da Bíblia nos apresenta Deus quase como o modelo exemplar de toda a pessoa
que produz uma obra de arte; no artesão, reflete-se a sua imagem de Criador. No final de sua obra,
criou o homem, o fruto mais nobre do seu projeto, a quem submeteu o mundo visível como um
campo imenso onde exprimir a sua capacidade inventiva.

Detalhe das mãos do Artesão

Por isso, quanto mais consciente está o artista do dom que possui, tanto mais se sente
movido a olhar para si mesmo e para a criação inteira com olhos capazes de contemplar e
agradecer, elevando a Deus o seu hino de louvor. Só assim é que ele pode compreender
profundamente a si mesmo e a sua vocação e missão.

185
Arte Sacra: santas imagens

Uma obra de arte (arquitetura, pintura, escultura, música etc.) é considerada sacra quando
é destinada à uma função litúrgica.

Entre as mais nobres atividades do espírito humano estão, de pleno direito, as belas artes,
e muito especialmente a arte religiosa e o seu mais alto cume, que é a arte sacra. Elas tendem, por
natureza, a exprimir de algum modo, nas obras saídas das mãos do homem, a infinita beleza de
Deus, e estarão mais orientadas para o louvor e glória de Deus se não tiverem outro fim senão o
de conduzir piamente e o mais eficazmente possível, através das suas obras, o espírito do homem
até Deus.
É esta a razão pela qual a santa Mãe Igreja amou sempre as belas artes, formou artistas e
nunca deixou de procurar o contributo delas, procurando que os objetos referentes ao culto fossem
dignos, decorosos e belos, verdadeiros sinais e símbolos do sobrenatural. A Igreja julgou-se
sempre no direito de ser como que o seu árbitro, escolhendo entre as obras dos artistas as que
estavam de acordo com a fé, a piedade e as orientações veneráveis da tradição e que melhor
pudessem servir ao culto.

Anunciação" - Beato Fra Angélico

186
A tradição musical da Igreja é um tesouro de inestimável valor, que excede todas as outras
expressões de arte, sobretudo porque o canto sagrado, intimamente unido com o texto, constitui
parte necessária ou integrante da Liturgia solene. A música sacra será, por isso, tanto mais santa
quanto mais intimamente unida estiver à ação litúrgica, quer como expressão delicada da oração,
quer como fator de comunhão, quer como elemento de maior solenidade nas funções sagradas.

Ilustração: Monges cantando Canto Gregoriano

Pelas palavras de Bento XVI, em um discurso de agradecimento ao assistir a um concerto


(2007), percebe-se a riqueza e a beleza própria da música:
"Agradeço àqueles que unem a música e a oração no louvor harmonioso de Deus e das suas
obras: eles ajudam-nos a glorificar o Criador e Redentor do mundo, que é a obra maravilhosa
das suas mãos. Estes são os meus bons votos: que a grandeza e a beleza da música possam
infundir inclusive em vós, queridos amigos, uma renovada e contínua inspiração para construir
um mundo de amor, de solidariedade e de paz.”

187
Beleza: expressão e reflexo de Deus

Os salmos são expressão da beleza Divina e por meio deles é possível contemplar a obra
perfeita do Criador:

Salmo 8

Ó Senhor, nosso Deus, como é glorioso vosso nome em toda a terra!


Vossa majestade se estende, triunfante,
por cima de todos os céus.
Da boca das crianças e dos pequeninos
sai um louvor que confunde vossos adversários,
e reduz ao silêncio vossos inimigos.
Quando contemplo o firmamento, obra de vossos dedos,
a lua e as estrelas que lá fixastes:
Que é o homem, digo-me então, para pensardes nele?
Que são os filhos de Adão, para que vos ocupeis com eles?
Entretanto, vós o fizestes quase igual aos anjos,
de glória e honra o coroastes.
Deste-lhe poder sobre as obras de vossas mãos,
vós lhe submetestes todo o universo.
Rebanhos e gados, e até os animais bravios,
pássaros do céu e peixes do mar,
tudo o que se move nas águas do oceano.
Ó Senhor, nosso Deus, como é glorioso vosso nome em toda a terra!

Paisagem: natureza

188
São João Damasceno diz que a beleza e a cor das imagens estimulam sua oração. É uma
festa para seus olhos, tanto quanto o espetáculo do campo estimula seu coração a dar glória a Deus.
A beleza é a chave do mistério e apelo ao transcendente. É convite a saborear a vida e a sonhar o
futuro.
Por isso, a beleza das coisas criadas não pode saciar e suscita aquela misteriosa saudade de
Deus que Santo Agostinho soube interpretar com expressões incomparáveis: “Tarde Vos amei, ó
Beleza tão antiga e tão nova, tarde Vos amei!” Há belezas existentes nas criaturas, que são reflexos
da Beleza do Criador e ao contemplar tal beleza estaremos conhecendo, amando, louvando e
glorificando a Deus.

“A beleza é o reflexo de Deus”

(Santo Tomás de Aquino)

189
Atividades
Exercício 1: Leia o texto novamente destacando as partes que mais lhe chamaram a atenção.
Em seguida, responda à pergunta oralmente e realize os exercícios abaixo.

Pergunta:

1. Segundo o que foi estudado, o que é Arte?

Exercício 2: Em um ambiente aberto, observe o que está a sua volta, observe a paisagem que
compõe sua visão. Contemple-a percebendo a beleza da obra de Deus e compreendendo que nada
do que está vendo existiria se Ele não tivesse criado.
Use o talento dado por Deus a você e faça uma produção artística que expresse a beleza do
grande e único Autor.
Essa produção artística pode ser feita por ilustração em folha sulfite A4, usando lápis de
cor, giz ou mesmo tinta para colorir.

A ilustração é uma imagem, desenho, pintura ou colagem que serve normalmente para
acompanhar um texto, a fim de, acrescentar informações, sintetizar, decorar ou representar
visualmente o texto.

Exercício 3: Leia Gênesis 1, 9-19.


Faça uma ilustração contemplando o que está no texto.

Exercício 4: Apreciação de imagens.


Observe as imagens a seguir:
Na primeira imagem, contemple a obra de Deus: a criação. Aprecie na imagem a beleza da
obra do grande e único Autor de todas as coisas: nosso Deus Todo Poderoso.
Na segunda, contemple-a compreendendo que o homem, como criatura de Deus, recebeu um
dom de Deus e é capaz de representar, através da Arte, a beleza que eleva nossas almas à Deus.
Ao contemplar as imagens, faça duas ilustrações representando cada uma delas.

190
191
192
193
194

Você também pode gostar