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Metrologia

Prof. Roberto Candido Pansonato


Aula 3

CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico


CONVERSA INICIAL

A metrologia é considerada a ciência da medição. O termo metrologia


vem do grego “metron” que significa medida, e “logos” que significa ciência.

De acordo com o VIM-2012 (Vocabulário Internacional de Metrologia),


metrologia é a ciência das medições e suas aplicações. Veremos nesta aula
o conjunto da terminologia empregada, bem como seus significados e
aplicações. A grande maioria dos termos a serem tratados é de uso comum
aos profissionais da área.

Vamos dar uma olhada na videoaula para começarmos a entender


alguns destes termos. Acesse-a no material on-line!

CONTEXTUALIZANDO

Problematização

A empresa Super Grinding, do ramo de usinagem de metais


especializada em retificações de precisão. Embora não tenha um grande
volume de produção seriada, muitas de suas peças são utilizadas para serem
montadas em conjuntos mecânicos em várias localidades, não só no Brasil,
mas também em algumas empresas estrangeiras. Portanto, após vários anos
trabalhando neste segmento pode-se dizer que esta empresa tem domínio
sobre o seu processo e seu produto: bons profissionais, sistemas de medição
confiáveis e bons equipamentos de manufatura.

No entanto, ainda que a Super Grinding possuísse todo esse aparato


que lhe dava um certo respaldo, houve, em uma certa ocasião, algo que
mexeu com os brios de seus funcionários.

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Em uma das peças fabricadas pela Super Grinding, neste caso um eixo
de grande diâmetro, teria que ser montado com uma condição de ajuste
deslizante (tipo H7 / g6 conforme NBR 6158) em uma carcaça de aço em um
de seus clientes, no entanto no momento do acoplamento não houve esta
possibilidade, ou seja, o eixo não se encaixava no furo, dando a nítida
impressão de que o eixo estava com dimensional acima do especificado.

Ao verificar o relatório de inspeção do eixo, a dimensão encontrada


estava dentro do especificado. Para confirmar esta dimensão, o eixo foi
retirado do cliente e disponibilizado na Super Grinding para uma verificação
física. Para ser fiel ao processo de medição que estava no relatório, utilizaram
o mesmo equipamento de medição e encontraram a mesma dimensão do
relatório.

Se os valores dimensionais encontrados tanto no relatório de inspeção


final quanto na avaliação com instrumento de medição estavam dentro do
especificado, o que poderia ter ocorrido?

Nesse momento, um ponto interessante chamou atenção de um dos


técnicos da empresa: embora a medida estivesse dentro da tolerância, a
mesma estava perto do limite superior. A partir dessa informação, ele foi
verificar detalhadamente o instrumento de medição e percebeu que, a
incerteza de medição não era adequada para aquela aplicação, ou seja,
somando-se a dimensão encontrada com a incerteza de medição do sistema
não era possível afirmar com certeza se a peça produzida estava ou não
dentro do especificado, consequentemente, aquele instrumento de medição
não era adequado à tolerância dimensional especificada.

Detalhes sobre incerteza de medição, resolução e erro de medição


serão abordados na videoaula correspondente a este tema, que está
disponível no material on-line!

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Conceito de Metrologia

Tal qual descrito anteriormente, a metrologia é, de forma bem


resumida, a ciência das medições. Ela trata do estudo e da aplicação de meios
adequados para quantificação de grandezas, tais como comprimento, ângulo,
massa, força, pressão, volume, temperatura, velocidade etc.

A metrologia engloba todos os fenômenos, instrumentos e


procedimentos envolvendo as medições e unidades de medida. Trata dos
conceitos básicos, dos métodos, dos erros e sua propagação, das unidades e
dos padrões envolvidos na quantificação de grandezas físicas. Essa ciência
também se refere ao campo de conhecimento sobre pesos e medidas e dos
sistemas de unidades nacionais e internacionais.

Conforme o Inmetro, é a

“Ciência da medição que abrange todos os aspectos teóricos e práticos


relativos às medições, qualquer que seja a incerteza, em quaisquer
campos da ciência ou tecnologia” (INMETRO. VIM - 2. ed. Brasília,
SENAI/DN, 2000. 75 p.).

Assegura, portanto, que a precisão e a confiança requeridas dos


produtos e de seus processos produtivos sejam preservadas, garantindo a
qualidade pretendida (e requerida) dos produtos, o que é fator determinante
na competição entre empresas.

Para atingir a confiabilidade e a conformidade dos produtos e


processos são necessárias ações como: calibração de instrumentos de
medição, análise dos resultados de medição, definição de boas práticas de
medição, gestão e manutenção de instrumentos de medição, entre outras
ações.

A metrologia, em função das ações acima descritas, permite que peças


manufaturadas em locais e tempos diferentes se acoplem entre si sem
necessidade de ajustes. Isso contribui para facilitar o intercâmbio de peças
entre empresas e países distintos, possibilitando agilidade e redução de
custos de produção e consequentemente aumento de produtividade.

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Como vimos anteriormente, a metrologia está dividida em três grandes
áreas: metrologia científica, metrologia industrial e metrologia legal.
Nossos estudos estarão concentrados na metrologia industrial.

Assista a mais uma videoaula acessando o material on-line!

Terminologia I

Para compreensão da ciência metrologia é necessário conhecer os


termos pertinentes entre os profissionais envolvidos no sistema. Para suportar
as definições dos termos abaixo descritos, serão utilizadas algumas
informações provenientes do Vocabulário Internacional de Metrologia 2012
(VIM 2012) (traduzido do original em francês pelo Inmetro) adicionadas com
algumas informações extras e exemplos para uma melhor compreensão. Para
mais detalhes complementares, ver link para acesso ao VIM 2012 na página
referências bibliográficas ao fim desta rota.

Grandeza

Propriedade de um fenômeno, corpo ou substância, que pode ser


expressa quantitativamente sob a forma de um número e de uma referência.
É objetivamente aquilo que se pretende medir, não se focando apenas em
medidas de comprimento, mas também por exemplo em medição de força,
pressão, temperatura, tempo etc.

Como exemplo, as grandezas de diâmetro, circunferência e


comprimento de onda são consideradas grandezas da mesma natureza,
nesse caso da natureza de grandeza denominada comprimento.

Mensurando

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Grandeza específica submetida à medição. É o objeto da medição.

Na figura, o mensurando é o comprimento da peça retangular. A escala


graduada é o instrumento de medição que, quando aplicado sobre o
mensurando, permite determinar que 24 unidades da escala estão contidas
dentro do mensurando. Como cada unidade equivale a um milímetro, temos
a indicação de 24 mm. Isso será visto com mais detalhes adiante.

Medição

“Processo de obtenção experimental de um ou mais valores que podem


ser, razoavelmente, atribuídos a uma grandeza” (VIM, 2012, p.16), no qual
não são observadas as propriedades qualitativas.

Para TOLEDO (2014, p. 31) a medição é, portanto, realizada por meio


da comparação de grandezas ou da contagem de entidades e pressupõe uma
descrição da grandeza de forma adequada ao uso pretendido para seu
resultado, segundo um procedimento e com um sistema calibrado que opera
de acordo com o procedimento especificado, incluindo as condições de
medição. Esse processo representa uma sequência de atividades envolvendo
pessoas, procedimentos, equipamentos e instrumentos de medição.

Em relação ao ato de medir, ALBERTAZI e SOUSA (2008, p. 3) definem


“medir” como: “o procedimento experimental pelo qual o valor numérico de

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uma grandeza física (mensurando) é determinado com um múltiplo e/ou uma
fração de uma unidade, estabelecida por um padrão e reconhecida
internacionalmente”. A figura a seguir, que é complementar à figura
apresentada anteriormente, nos permite ter uma ideia clara desse processo.

No caso acima, a grandeza submetida à medição (mensurando) possui


24 unidades referentes ao instrumento de medição utilizado. Como neste
caso, cada unidade equivale a um milímetro (1 mm), temos, portanto, 24 mm.
Será esse o resultado desta medição? É o que vamos ver em seguida.

Resultado da medição

É a faixa de valores dentro da qual deve estar o verdadeiro valor do


mensurando. Mas, por que o verdadeiro valor? A aplicação do sistema de
medição sobre o mensurando produz um número: a indicação (24 mm, no
caso do exemplo acima). No entanto, o trabalho de medição não termina com
a obtenção da indicação.

Em toda medição efetuada, existem erros de medição. É necessário


considerá-los, compensar o que for possível e apresentar a faixa de dúvidas
ainda remanescente no resultado de medição.

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Conforme ALBERTAZZI e SOUSA (2008, p. 12), os erros de medição
sempre deixam uma parcela de dúvidas que permite determinar apenas
aproximadamente o valor do mensurando, o que dá origem à faixa de valores
dentro da qual o valor do mensurando é esperado. Veja a figura:

O resultado de medição é composto de duas partes: o resultado base


(RB) e a incerteza de medição (IM). O resultado-base é o valor central da faixa
a que corresponde o resultado de medição. É o valor que se acredita ser o
valor real do mensurando e é calculado a partir da indicação ou da média de
várias indicações, suscetível a possível correção.

Resultado-Base

É a estimativa do valor do mensurando que, acredita-se mais se


aproximar do seu valor verdadeiro. Corresponde ao valor central do resultado
de medição.

Como exemplo vamos utilizar um eixo com diâmetro de 100 mm, sendo
medido por meio de um paquímetro. Supondo que a incerteza de medição é
de ± 0,05, pode se estimar que o verdadeiro valor do mensurando encontra-
se entre 99,95 e 100,05. Quando essa incerteza for considerada insignificante
para determinada finalidade, o resultado pode ser expresso apenas pelo único
valor medido.

Vamos à videoaula para fixar melhor a terminologia empregada nessa


etapa do estudo. Acesse-a pelo material on-line!

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Terminologia II

Erros de medição

Medir sem cometer erros é uma utopia, ou seja, não existe um sistema
perfeito. Para realizar uma medição sem erros, seriam necessários:

I) Um sistema de medição perfeito


II) Um ambiente controlado e perfeitamente estável
III) Um operador perfeito
IV) Que a grandeza sob medição (mensurando) apresente um valor
único, perfeitamente definido e estável

Na prática, nenhuma dessas quatro condições ocorrem


individualmente, quem dera simultaneamente! Como resultado, em maior ou
menor grau sempre haverá um erro de medição.

A ação combinada desses diferentes efeitos não proporcionará um


sistema de medição perfeito. Os erros de medição são inevitáveis, mas
embora eles existam, sua presença não afasta a possibilidade de obtermos
informações confiáveis a respeito do mensurando. A metrologia não nega a
existência do erro de medição, mas aponta caminhos que permitam conviver
e delimitar a ação dos erros para obtermos informações confiáveis.

Como mencionado anteriormente, os sistemas de medição, por melhor


que sejam, nunca são perfeitos e a maioria dos erros de medição tem origem
no próprio sistema de medição. As causas de erro de medição provêm:

 Do operador:
O operador provoca erros ao estabelecer uma estratégia de medição
equivocada e cometendo erros de leitura. O operador deve utilizar o
equipamento adequado e de forma correta (posição, pressão de
medição etc.).

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 Do ambiente:
As influências do ambiente de medição provocam erros de medição.
Tanto peças como instrumentos variam suas dimensões conforme a
temperatura a que são submetidos. No caso, por exemplo, de uma
grandeza de comprimento, submetida a medição fora do padrão da
temperatura de referência (20°C) poderá alterar o comportamento do
instrumento e da peça, sendo necessário conhecer se isso irá interferir
no resultado da medição.
Atenção: a temperatura de validação dos instrumentos é de 20ºC!
 Do instrumento:
Os instrumentos de medição não são perfeitos e as imperfeições
construtivas variam com o passar do tempo. Os instrumentos de
medição devem ser submetidos a ensaios periódicos para verificar se
o erro do instrumento está dentro de limites aceitáveis. Essa
verificação periódica é denominada de calibração e será vista mais
adiante. Também, ao utilizarmos um instrumento, devemos nos
atentar a sua exatidão, para que não cometamos erros que possam
causar problemas de qualidade. No exemplo a seguir, um paquímetro
está medindo uma peça com 10 mm (calibrada) e está indicando 10,20
mm. Existe, portanto, um erro de 0,20 mm. Observe:

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Fonte: SOUSA e NEVES, IFSC.

 Da peça
Podem ocorrer situações em que, mesmo com os três fatores de
medição sob controle (Operador, Ambiente e Instrumento), ainda
assim haverá grandes erros de medição. Peças mecânicas possuem
erros de forma que podem levar a erros de medição. O exemplo abaixo
ilustra bem esse problema, onde variações indesejáveis de conicidade
e erro de forma (“ovalização”) podem comprometer a medição.

Qual será o diâmetro dessa peça?

Incerteza de medição

Antes de entrarmos no conceito propriamente dito, é importante


salientar que se trata de algo bastante complexo, a ponto de haver uma
publicação exclusiva somente para este termo: “Avaliação de dados de
medição – Guia para a expressão de incerteza de medição – JCGM 100:2008
/ GUM 2008”. Devido à limitação de tempo e aos objetivos traçados para esta

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disciplina, não entraremos detalhadamente nesse conceito, focando em uma
abordagem do ponto de vista mais prático.

Conforme o VIM 2012, incerteza de medição é o parâmetro associado


ao resultado de uma medição que caracteriza a dispersão dos valores que
podem ser fundamentalmente atribuídos a um mensurando.

Para ALBERTAZZI e SOUSA (2008) incerteza de medição é a parcela


de dúvidas associada à medição. Corresponde à metade do comprimento da
faixa simétrica e está centrada em torno de um resultado-base, que exprime
a faixa de dúvidas associada à medição.

Para facilitar o entendimento, vamos utilizar uma pesquisa eleitoral


como exemplo. Imagine que exista três candidatos e o resultado da pesquisa
realizada por um determinado instituto mostrou o seguinte resultado:

Como a margem de erro da pesquisa é de ± 4%, não é possível afirmar


qual candidato está na frente da pesquisa.

Algo parecido ocorre nas medições, ou seja, as medições possuem a


sua margem de erro, a qual é denominada de incerteza. Dependendo da
magnitude da incerteza será muito difícil afirmar se uma determinada peça
está boa ou ruim.

Vamos ver o exemplo a seguir, relativo a uma medição realizada por


um instrumento chamado micrômetro.

Neste caso, em função da incerteza do instrumento de medição, existe


a possibilidade de o valor medido de 20,09 mm ser de até 20,11, portanto

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acima da tolerância admitida para a peça (20 ±0,1, ou seja, de 19,90 a 20,10).
Nota-se então que esta peça pode eventualmente estar fora das tolerâncias
especificadas (20,11mm referente ao valor medido mais a incerteza de
medição contra 20,10 mm da dimensão máxima permitida pela tolerância da
peça).

Fonte: SOUSA e NEVES (IFSC)

Para evitar este tipo de situação, em que se tem uma certa precisão
dimensional, devemos ter um cuidado especial quanto à incerteza de
medição.

Dispositivo de medição

Dispositivo utilizado para realizar medições individualmente ou


associado a um ou mais dispositivos suplementares (VIM, 2012). Utilizados
para realizar medições, como paquímetros e micrômetros, incluindo-se,
também, os dispositivos usados para medições por atributos, como os
calibradores passa/não passa para classificação de um produto conforme ou
não-conforme.

Calibradores

Instrumentos fabricados por meio de um processo de usinagem de


precisão, utilizados para verificação das tolerâncias dimensionais de peças

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fabricadas por medição indireta. Denominam-se contra-calibradores os
instrumentos fabricados com tolerâncias dimensionais relativamente mais
apertadas, os quais são utilizados para verificar as dimensões dos
calibradores de uso rotineiro.

Sistema de medição

Conjunto de elementos e recursos que permite a execução das


medições e a obtenção de resultados. Esse conjunto inclui: operador,
instrumento de medição, peça a ser medida, dispositivos, padrões, métodos,
ambiente e software.

Padrão

Conforme VIM:2012, padrão de medição é a realização da definição de


uma dada grandeza, com um valor determinado e uma incerteza de medição
associada, utilizada como referência. Como exemplo, um padrão de medição
de massa de 1 kg com uma incerteza-padrão associada de 3 μg (milésimo de
miligrama). É o valor de referência utilizado como base para comparar os
resultados obtidos com o sistema de medição.

Resolução

É a menor diferença entre indicações que pode ser significativamente


percebida e a menor medida que pode ser feita por um instrumento.

Em instrumentos com indicação digital, a resolução é dada pelo menor


incremento digital em seu mostrador, ou seja, pela menor variação de seu
último dígito.

Já nos sistemas com mostradores analógicos, a resolução depende de


fatores como:

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 Qualidade do dispositivo indicador

 Capacidade do usuário em fazer interpolações

 Decisão do usuário em função das condições de uso e das necessidades


de medição

Muitas vezes, na escolha de um instrumento de medição com base na


resolução, utiliza-se de uma regra básica: dividir a tolerância total da peça a
ser medida por 10.

Por exemplo: num caso do diâmetro de um eixo mecânico em que o


limite superior de controle (LSC) é de 10,05 mm e limite inferior de controle
(LIE) é de 9,95 mm, temos um campo de tolerância total de 0,10 mm (10,05 –
9,95). Dividindo-se este valor por 10, encontraremos o valor de 0,01 mm, que
deveria ser a resolução mínima para o dispositivo de medição.

Faixa de medição

É a faixa de valores, especificada pelo fabricante, dentro da qual o


instrumento de medição pode ser utilizado normalmente. Essa faixa delimita
os valores máximo e mínimo que o instrumento deve ser utilizado segundo
suas especificações metrológicas.

Vamos à videoaula? Acesse o material on-line!

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Exatidão e Precisão

Como foi destacado anteriormente, o erro de medição não pode ser


ignorado, pois negar a sua existência seria outro erro. A partir do momento
em que se tem as causas e a natureza do erro de medição é possível conviver
com ele e ainda obter informações confiáveis do sistema de medição.

Os termos a seguir foram destacados da terminologia para que se


possa entender em detalhes o erro de medição. Dois conceitos
importantíssimos proporcionarão uma compreensão mais apurada sobre
erros de medição: a exatidão e a precisão, que são dois parâmetros
qualitativos associados ao desempenho de um sistema.

 Exatidão:
É proporcional à diferença entre um valor medido e o valor de
referência. Esse valor observado pode ser admitido como a média de
diversos valores individuais obtidos por uma característica do mesmo
objeto que está sendo medido. Um sistema com excelente exatidão
possui a capacidade funcionar sem erros, tendo sempre um ótimo
desempenho. Um sistema que sempre acerta é um sistema com ótima
exatidão.
 Precisão:
É proporcional a diferença entre os valores observados para obter-se
uma medida. Quanto maior a concordância ou a proximidade entre
valores individuais de um conjunto de medidas, maior é a precisão de
um sistema de medição. Um sistema com ótima precisão apresenta
pouca dispersão, isto é, capacidade de obter sempre o mesmo
resultado quando submetido a repetições.

Frequentemente ocorrem alguns equívocos na definição de conceitos


desses termos que, inadvertidamente, são considerados sinônimos. No
entanto, do ponto de vista técnico metrológico, como vimos acima, exatidão e
precisão são conceitos diferentes. Para ilustrar melhor essa diferença, faz-se

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o uso do tradicional exemplo do tiro ao alvo. Nesta analogia, o centro do alvo
seria o valor verdadeiro (de referência) e as coordenadas dos tiros, as
medições.

 Na situação “A”, tem-se a situação ideal (precisos e exatos), pois todos os


tiros atingiram a região central do alvo com pequeno espalhamento.

 Na situação “B”, os resultados são exatos, pois, em média, estão próximos


do valor verdadeiro, mas não são precisos porque há uma certa dispersão.
Nesse caso específico, fica difícil prever onde o próximo tiro atingiria o alvo
caso fosse disparado. Poderia ser acima, abaixo, à direita ou à esquerda.
Os erros da situação “B” são denominados de erros aleatórios. Erro
aleatório é a parcela imprevisível do erro. É o agente que faz com que
repetições levem a resultados diferentes.

 Na situação “C”, os resultados são precisos por estarem próximos entre si,
mas não são exatos porque estão distantes do valor verdadeiro. Todos os
tiros não atingiram exatamente a mesma posição no alvo, mas suas marcas
se concentram em uma mesma região. Nesse caso específico, se fosse
acrescentado mais um tiro, por observação, provavelmente o mesmo sairia
próximo aos demais, ou seja, estaria acima e um pouco à direita do centro.
Esse tipo de erro previsível é denominado erro sistemático. Erro
sistemático é a parcela previsível do erro e corresponde ao erro médio.

 Na situação “D”, encontra-se a pior situação, pois os resultados não são


nem precisos nem exatos. Como os tiros se espalharam por uma grande
área acima e à esquerda do alvo, nesse caso tanto o erro sistemático como
os erros aleatórios são grandes.

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Fica evidente que a melhor situação é a “A” e a pior situação é a “D”.
No entanto, com relação as situações “B” e “C”, qual seria a melhor?

O ponto positivo da situação “B” é que os tiros ficaram próximos da


região central do alvo, no entanto a previsão para um tiro adicional fica
comprometida (pode ser acima, abaixo, do lado esquerdo ou direito).

Com relação a situação “C”, embora tenha atingido o alvo longe de seu
centro, concentram-se numa região restrita, bem definida, isto é, sem um tiro
adicional fosse realizado provavelmente estaria junto com os demais,
demonstrando uma certa previsibilidade.

Como desempatar esse comparativo?

Na situação “C”, a previsibilidade é um forte aspecto favorável. Um


ajuste na mira seria suficiente para melhorar o desempenho, no entanto com
a situação “B”, por mais que se faça, não haverá grandes ganhos, pois, o
espalhamento dos tiros é uma característica natural desse processo que não
pode ser melhorada com a regulagem da mira. Assim seria justo afirmar que
a situação “C” seria a segunda colocada, atrás apenas da situação “A”.

Leia artigo sobre a “A importância da Metrologia na Gestão Empresarial


e na Competitividade do País”. Nesse artigo é possível obter algumas
informações quanto ao investimento em metrologia, não somente na área
industrial, mas também na área de saúde. Boa leitura!

http://www.abepro.org.br/biblioteca/enegep2001_tr24_0698.pdf

Finalizemos este tema com a videoaula disponível no material on-line!

NA PRÁTICA

Façamos a leitura um estudo de caso relatado pela CNI (Confederação


Nacional da Industria) relativo a “mobiliário” no arquivo “Normalização,

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Metrologia e Avaliação da Conformidade em 18 Setores Brasileiros” e analise
em que pontos houve a participação da metrologia.

http://arquivos.portaldaindustria.com.br/app/conteudo_24/2012/09/05/269/2012
1127191456273460o.pdf

SÍNTESE

Nesta terceira aula conceituamos metrologia (um dos conceitos


conforme o INMETRO) e sua importância na competitividade das empresas.
Como já comentamos, a metrologia é uma ciência e possui uma terminologia
específica. O conhecimento e a compreensão desses termos são primordiais
para futuras aplicações no campo da metrologia.

Dentre os termos estudados, pode-se destacar: grandeza,


mensurando, medição, resultado da medição, erros de medição, incerteza de
medição, dispositivo de medição, calibradores, sistema de medição, padrão,
resolução e faixa de medição.

Em relação ao erro de medição, vimos os quatro principais erros de um


sistema de medição estão relacionados ao operador, ao ambiente; ao
instrumento e à peça a medir. Compreendemos as diferenças entre precisão
e exatidão (podem até parecer, mas não são sinônimos).

Conhecemos, também, os tipos de erros que ocorrem de acordo com


os resultados precisos e exatos: os erros sistemáticos e aleatórios. A partir
daí, tivemos a capacidade de analisar um sistema de medição quanto a sua
precisão e sua exatidão.

Vamos recapitular esse conteúdo? Assista à videoaula que está no


material on-line!

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REFERÊNCIAS

TOLEDO, J. C. Sistemas de Medição e de Metrologia. Curitiba: Editora


Intersaberes, 2014.

SANTOS, J. O. Metrologia e Normalização. São Paulo: Pearson, 2015.

ALBERTAZZI, A.; SOUZA, A. R. Fundamentos de Metrologia Científica e


Industrial. Barueri: Editora Manole, 2008.

SOUSA A. R.; NEVES B. M. Apostila de Metrologia I. Instituto Federal de


Santa Catarina.

Vocabulário Internacional de Metrologia: Conceitos fundamentais e gerais


e termos associados (VIM 2012). Duque de Caxias, RJ: INMETRO, 2012.
Disponível em:
<http://www.inmetro.gov.br/inovacao/publicacoes/vim_2012.pdf>. Acesso
em: 19 de agosto de 2016.

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