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Semiologia do Sistema

Nervoso
Prof. Pós-Dr. Alexandre Navarro Alves de Souza

1
Considerações iniciais

• Anatomia, lembram?
• Exame para diagnosticar afecções
• Encéfalo
• medula espinhal
• nervos
• Exame neurológico para testar integridade, localizar e
graduar a lesão

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Conceitos básicos
• Nervo => SNP
• Conjunto de feixes e envoltórios
• formado pelo endoneuro; perineuro e epineuro
• Tratos => SNC
• Conjunto de feixes com mesma função e/ou destino

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Conceitos básicos
• Gânglio
• Agrupamento de corpos celulares localizados fora do
SNC
• Núcleos
• Agrupamento de corpos celulares localizados dentro do
SNC

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Divisão anatômica (simplificada)
• S.N.C. • S.N.P
• ENCÉFALO • NERVOS
• CÉREBRO • ESPINHAIS
• CEREBELO • CRANIANOS
• TRONCO ENCEFÁLICO • GÂNGLIOS
• PONTE
• TERMINAÇÕES
• MEDULA OBLONGA
NERVOSAS
• MESENCÉFALO
• MEDULA ESPINHAL

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Divisão Embriológica do Encéfalo
• PROSENCÉFALO
• TELENCÉFALO (Cérebro)
• Hemisférios cerebrais => Córtex cerebral (substância cinzenta) + porção
medular (substância branca)
• DIENCÉFALO
• Epitálamo, Tálamo, Metatálamo e Hipotálamo
• MESENCÉFALO
• Tecto mesencefálico, Tegumento mesencefálico e Pedúnculos cerebrais
• ROMBENCÉFALO
• METENCÉFALO
• Cerebelo, Ponte,
véu medular rostral, tecto
• MIELENCÉFALO
• Medula oblonga

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Lobos Cerebrais (Telencéfalo)

Cortical lobes of the canine brain. Lateral view. 1, Frontal


lobe; 2, parietal lobe; 3, occipital lobe; 4, temporal lobe;
5, olfactory lobe.
Dyce, 2010
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Neuroanatomia funcional
• No lobo frontal = aprendizagem e as atividades motoras
finas e precisas
• O lobo parietal = atv. sensitivas, tais como dor,
propriocepção e tato (o tálamo pode processar mais
informações sensitivas nos animais)
• O lobo occipital = visão
• O lobo temporal = auditiva e vestibular.
Partes do córtex do lobo frontal e temporal estão
incluídas no sistema límbico = emoções e
comportamentos inatos de sobrevivência, tais como
proteção, reações maternais e sexuais
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Nucleos da base e diencéfalo
• Além dos lobos nos hemisférios: Núcleos da base Principais:
claustrum, corpo amigdalóide, caudado, putâmen e globo pálido.
Juntos, os três últimos constituem o corpo estriado.
contribuem para o tono muscular e início e controle da atividade
motora voluntária.
• O diencéfalo (tálamo, hipotálamo, epitálamo e subtálamo)
• hipotálamo = modula o controle do sistema nervoso autónomo de todo
o organismo. Muitos dos neurônios motores simpáticos e
parassimpáticos originam-se aí. (controle do apetite, sede, regulação
da temperatura, balanço hídrico e eletrolítico, sono e respostas
comportamentais)
• tálamo é um complexo de muitos núcleos com funções intrincadas (relé
de conexão sensitivo e motor com o cortex), das quais as principais
estão relacionadas à dor e propriocepção. Parte do sistema ativador
reticular ascendente (SARA) projeta-se do mesencéfalo, através do
tálamo, difusamente, para o córtex cerebral.
Rajão et al 2013
O tronco encefálico

• Passam vias sensitivas responsáveis por propriocepção


consciente, inconsciente e dor; vias descendentes
motoras para músculos flexores e extensores.
• Muitos dos núcleos do tronco encefálico recebem ou
emitem fibras nervosas que entram na constituição dos
nervos cranianos. (localizados 10 dos 12 pares de nervos
cranianos)
Mesencéfalo

• importantes estruturas, entre elas a formação


reticular que mantém relações nos dois sentidos
com o cérebro, o cerebelo e a medula.
• A atividade elétrica do córtex cerebral, de que
dependem os vários níveis de consciência, é
regulada basicamente pela formação reticular que
exerce função ativadora no córtex cerebral (Sistema
Ativador Reticular Ascendente - SARA).
• Manutenção do sono e vigília
SARA
• os impulsos sensoriais que chegam ao sistema
nervoso central pelos nervos espinhais e cranianos
passam também pela formação reticular e ativam o
SARA. Desta forma, quando o SARA é estimulado
por meio da via visual, auditiva, dolorosa e tátil, ele
mantém o animal em estado de alerta. Por outro
lado, quando não recebe ou não processa esses
impulsos, o animal dorme.
Ainda no mesencéfalo
• Outra estrutura importante é o núcleo rubro, que
participa do controle da motricidade somática,
recebe fibras do cerebelo e de áreas motoras do
córtex cerebral e origina o trato rubrospinal, o
principal trato motor voluntário nos animais.
Metencéfalo
• A ponte contém o nervo trigêmio (V par de nervos
cranianos) e os núcleos vestibulares (nervo
vestibulococlear
• porção vestibular: informam sobre a posição e os
movimentos da cabeça.
• Chegam ainda aos núcleos vestibulares fibras
provenientes do cerebelo, relacionadas com a
manutenção do equilíbrio.
• A partir dos núcleos vestibulares, saem tratos e
fascículos tais como o trato vestibulospinal
Ainda na ponte
• fascículo longitudinal medial, que está envolvido em
reflexos que permitem ao olho ajustar-se aos
movimentos da cabeça.
• O fascículo longitudinal medial é uma via de associação
presente em toda a extensão do tronco encefálico, que
liga todos os núcleos motores dos nervos cranianos,
sendo especialmente importantes suas conexões com
os núcleos dos nervos relacionados com o movimento
do globo ocular e da cabeça.
• Realização de reflexos que coordenam os movimentos
da cabeça com os dos olhos
Ainda na medula oblonga
• O bulbo, ou medula oblonga, possui os núcleos dos
nervos abducente, facial e vestibulococlear (VI, VII
e VIII pares de nervos cranianos), localizados na
porção rostral, na junção com a ponte.
• Os nervos glossofaríngeo, vago, acessório e
hipoglosso (IX, X, XI e XII pares de nervos cranianos)
estão localizados na porção caudal. No bulbo
localizam-se centros vitais, como o centro
respiratório e o vasomotor, que controlam o ritmo
respiratório, cardíaco, a pressão arterial, também o
centro do vómito
Rajão et al 2013
O cerebelo (metencéfalo)
• O cerebelo situa-se dorsalmente ao bulbo e à ponte, sobre
três pedúnculos cerebelares, composto de dois hemisférios
cerebelares, sendo que na porção central há o vermis.
• organizado em três regiões principais: lobos rostral, caudal e
floculonodular.
• coordenar toda a atividade motora da cabeça, pescoço,
tórax e membros.
• controla o tono muscular nos animais.
• O lobo floculonodular do cerebelo faz parte do sistema
vestibular e mantém o equilíbrio do animal.
• Desta forma, lesões do cerebelo podem causar
incoordenação motora, perda do equilíbrio e diminuição do
tono da musculatura esquelética (hipotonia).
Rajão et al 2013 Nos casos em que a lesão afetar o pedúnculo cerebelar caudal
ou lóbulo floculonodular do cerebelo, a inclinação de cabeça
pode ser contralateral ao lado da lesão, caracterizando
síndrome vestibular paradoxal (Sanders & Bagley 2003).
Princípio de constituição
• Somáticas
• Vias aferentes
• Viscerais

• Somáticas
• Vias eferentes
• Viscerais • Parassimpático
• Simpático

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Nervos cranianos
• Nervo olfatório (I)
• Nervo óptico (II)
• Nervo oculomotor (III)
• Nervo troclear (IV)
• Nervo trigêmeo (V)
• Nervo abducente (VI)
• Nervo facial (VII)
• Nervo vestibulococlear (VIII)
• Nervo glossofaríngeo (IX)
• Nervo vago (X)
• Nervo acessório (XI)
• Nervo hipoglosso (XII)

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Semiologia
• Objetivos
• Confirmar a presença de neuropatia
• Identificar
• local da lesão
• gravidade da lesão
• causa da disfunção
• Exame sistemático
• Anamnese: agudo ou crônico? Progressivo ou estável?
• Exame físico completo
• Exame neurológico metódico
 Ao examinar considerar a condição do paciente e dar o
devido cuidado ao exame

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Vamos examinar?
• Existe alteração/lesão no SN?
• Onde? (localizar a lesão)
• Gravidade e extensão da lesão?
• Diagnóstico
Identificação do Animal
• Raça
• Epilepsia: beagle, poodle, pastor alemão, são bernardo e
dachshund;
• Hidrocefalia no chihuahua
• Neoplasias no boxer.
• Cães de raças pequenas = convulsões generalizadas
moderadas, sem perda de consciência.
• Cães de raças grandes e gigantes = convulsões mais
severas e difíceis de controlar.
Identificação do Animal
• Idade
• Idosos: neoplasia, afecções degenerativas (coluna)
• Filhotes e jovens: malformações, intoxicações, traumas,
cinomose
• Os primeiros episódios da epilepsia hereditária geralmente
começam em animais de seis meses a cinco anos de idade. Já
doenças degenerativas ocorrem mais frequentemente após os
cinco anos de idade.
Anamnese
• Lembrem de aulas anteriores vocês já sabem,
porém mais atenção para inquerir sobre:
• Nível de consciência
• Mudanças de comportamento
• Convulsões
• Inquerir sobre funções dos nervos cranianos
(adiante)
• Locomoção
• Incoordenação
• Desequilíbrio
Anamnese
• Oque não muda?
• Cronologia
• Início
• Evolução
• Frequência
Porquê avaliar mudanças de
Comportamento?
• Ex:
• lesões no lobo piriforme podem levar a agressividade
(afeta sistema límbico);
• Lesões no lobo frontal (além de distúrbio motor) podem
incapacitar o animal em reconhecer o próprio dono.
• Epilépticos podem alterar seu comportamento um
pouco antes ou logo após uma convulsão.
Convulsões
• Generalizadas (primárias) e parciais (focais).
• As convulsões generalizadas = distúrbios metabólicos,
intoxicações, deficiências nutricionais e epilepsia
hereditária.
• descarga elétrica difusa no córtex cerebral, ocorrendo
simétricas e sincrônicas em todo o corpo. Podem ou não
causar perda de consciência. Quando não há perda da
consciência, são ditas leves, quando há, são ditas graves.
• As convulsões parciais ou focais originam-se de uma
área focal de atividade neuronal anómala, no córtex
cerebral.
• dependem da área que contém o foco, podendo ter
características motoras, sensoriais ou comportamentais.
Fases da convulsão
• Pródromo = duração variável (de minutos a dias) que antecede o
episódio convulsivo e que pode ou não ser identificado pelo
proprietário. Nesta fase o animal pode exteriorizar nervosismo,
ansiedade, temor inusitado ou extrema atividade física.
• Aura: Alguns autores, que consideram o termo se refere ao início da
convulsão, conscientemente vivenciado por humanos, não pode ser
identificado em animais? os quais são incapazes de comunicar
verbalmente este fenomeno.
• Icto é a convulsão propriamente dita e tem duração variável, de
segundos a minutos. Podem ocorrer várias manifestações tais como
perda de consciência, queda, convulsões tônico-clônicas, movimentos
anómalos dos membros (pedalar), relaxamento de esfíncteres, salivação
excessiva e movimentos mastigatórios.
• Pós-icto é aquela fase do episódio convulsivo que, por sua duração
geralmente longa, é muitas vezes confundida com o icto. Ela se
manifesta por um quadro típico de exaustão ou sonolência,
agressividade, temor exagerado, não reconhecimento do proprietário,
cegueira transitória e desorientação. Muitas vezes o animal mostra-se
extremamente ativo, urina e defeca em grande quantidade e
frequência, mostra-se sedento e esfomeado
Avaliação dos Nervos Cranianos
• o animal está tendo dificuldade do olfato, quando
esta preparando comida por exemplo? (I par – N.
olfatório)
• Está enxergando bem ou tem batido o corpo em
objetos quando caminha? (II par – N. Óptico)
• Animal apresenta alguma alteração de posição ou
movimento ocular? (III, IV e VI par – N. oculomotor
(tds mm. inclusive esfíncter pupilar), troclear
(obliquo dorsal) e abducente (mm. reto lateral))
• O animal apresenta dificuldade para abrir a boca ou
apreender os alimentos? (V par – N. trigêmeo,
motor mastigação, sensitivo da face, mucosas e
parassimpático de gl lacrimais e tb gl. Salivares
juntamente com IX e VII)
Avaliação dos Nervos Cranianos
• Foi observada alguma alteração na face do animal,
como, por exemplo, o lábio, pálpebra, orelha mais caída
de um dos lados, saliva escorrendo pelo canto da boca?
(VII par N. facial, motor da mímica facial sensitivo
auricula e parte da língua e parassimpático de gl
salivares)
• O animal apresenta inclinação da cabeça para um dos
lados? Tem respondido normalmente a estimulo
sonoro? (VIII par - N. vestibulococlear – audição e
equilíbrio)
• Houve alguma mudança no latido do animal?
Dificuldade de deglutição (em tempo faríngeo)? (IX par
– N.glossofaríngeo, motor mm faringe, sensitivo língua,
parassimpático de gl salivares; X – vago autônomo =
órgãos!!! + tb motor mm laringe)
• A língua do animal fica caída constantemente para um
dos lados da boca? (XII par N. Hipoglosso, motor da
lingua)
Avaliação da Locomoção
• Não é o locomotor mas sim o diferencial do sistema
visto na aula anterior
• incoordenação motora
• se ocorrem quedas
• tendências a andar em círculos ou apoiando-se nas
paredes.
• movimentos anormais da cabeça ou alterações na
postura do animal, a fim de detectar uma possível
disfunção cerebelar ou vestibular, respectivamente.
• sinais de paresia ou paralisia
• dor em coluna a palpação ou a movimentação
Sequência sugerida para o exame
neurológico
• Nível de consciência
• Postura
• Locomoção
• Exame dos nervos cranianos
• Reações posturais
• Reflexos medulares
• Tono muscular
• Avaliação sensitiva
Nível de consciência
• Alerta ou em vigília
• Responsividade normal
• Demência ou delírio = resposta anormal (vocalização
excessiva, medo, agressividade anormal)
• Depressão
• Quando a consciência é comprometida de modo pouco
intenso chama-se isto de obnubilação
• Na sonolência o animal é facilmente acordado, mas volta
logo a dormir
• Estupor
• Coma
Nível de consciência
• Alerta ou em vigília
• Depressão
• Estupor
• animal só pode ser acordado por um estímulo doloroso.
• Coma
• irresponsivo
Avaliação da Postura
• 1 cabeça paralela ao chão.
• Se o animal apresenta uma orelha mais próxima do chão do que a
outra, (uma inclinação lateral da cabeça) isto é chamado de head-tilt
• Disfunção do nervo vestibular ou núcleos vestibulares, do tronco
cerebral ou do lobo floculonodular do cerebelo. (diferenciar de
alteração por dor cervical!!!)
Avaliação da Postura
• Head turn(Rotação lateral da cabeça)
• rotacao lateral da cabeça com manutenção do
plano mediano perpendicular ao chão
• Geralmente, esta associado ao pleurostótono (rotação
do corpo) e indica lesão prosencefálica ipsilateral
Avaliação da Postura
• Rigidez descerebrada
• Rigidez e extensão dos quatro membros com opistótono
e estado mental estuporoso ou comatoso
• Relacionada a lesões graves da região rostral do tronco
encefalico.
Avaliação da Postura
• Rigidez descerebelada
• Extensão dos membros torácicos, flexão dos membros
pélvicos e opistótono
• Diferentemente da rigidez descerebrada, o animal
permanece com um nível de consciência alerta.
• Geralmente, esta relacionada a lesões cerebelares
agudas e pode ter apresentação episódica.
Avaliação da Postura
• Posição de Schiff-Sherrington
• Extensão rígida de membros torácicos com
propriocepção e função motora normal, e flacidez de
membros pélvicos com diminuição ou ausência da
função motora.
• Ocorre em casos de lesão, geralmente grave e aguda,
da medula toracolombar, em que ha dano em
neurônios inibitórios ascendentes que se projetam
cranialmente na substancia cinzenta lateral dos
segmentos craniais da medula lombar e que inibem os
neurônios motores inferiores dos membros torácicos
Posição de Schiff-Sherrington
Avaliação da Postura
• Cifose: comum em alteração toracolombar, mas tb
lombosacra
• Lordose: fraqueza de musculatura epaxial (mais raro)
• Escoliose: ocorre em mal formação congênitas, mais
raro em afecções degenerativas ou traumas
Avaliação da Postura
• Membros plantígrados ou palmígrados
• Polineuropatias
• Mais comum em causas ortopédicas, como poliartrites
ou luxações
Avaliação da Locomoção
• Relembrar aula passada de sistema locomotor
diferencial!!!!
• A marcha pode ser classificada em normal ou
anormal
• a ataxia, paresia/paralisia (diminuição/ausência da
função motora) e claudicação
Ataxia
• A perda de coordenação motora
• Os animais podem tropeçar, cair ou cruzar os membros ao
andar
• A ataxia pode ser de três tipos: cerebelar, sensorial e
vestibular.
• Em lesões cerebelares o andar é composto por uma série de
movimentos incoordenados, espasmódicos, interrompidos,
referidos como dismetria.
• apresenta medição inexata da distância (o animal não consegue
alcançar com precisão o alvo) ao realizar movimentos voluntários.
• Nestes casos, os movimentos dos membros podem ser exagerados
(hipermetria) ou diminuídos (hipometria).
• Uma lesão cerebelar unilateral pode produzir coordenação do
membro anterior e posterior ipsilateral.
• O andar do animal é firme e não há paresia
https://www.youtube.com/watch?v=gID_ZY36FP0
Ataxia
• A ataxia sensorial é causada por uma lesão que afeta as
vias proprioceptivas gerais no nervo periférico, raiz
dorsal, medula espinhal, (mais comum) tronco
encefálico e cérebro (raro).
• Há uma perda da noção da posição dos membros e do
corpo. Isso causa incoordenação, resultando em uma
postura com os membros afastados quando em estação
e uma locomoção incoordenada.
• Nas lesões da sensibilidade proprioceptiva o paciente
utiliza a visão para controlar os movimentos
incoordenados. Se vendarmos os olhos do animal,
acentua-se a ataxia.
Ataxia (injúria toracolombar)

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Ataxia (injuria cervical)

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Ataxia
• Vestibular = comum serem unilaterais caracterizada
por inclinação e queda para um dos lados. Pode-se
observar outros sinais de distúrbio vestibular, tais
como inclinação da cabeça e nistágmo.
• Pode ter tendência a andar para um dos lados,
andar em círculos.
• Lesões em córtex frontal, núcleos da base, sistema
vestibular central ou periférico podem também levar a
este quadro. Lesões em córtex produzem andar
compulsivo, prensa a cabeça contra objetos e parede
mas ela usualmente não é pendente
https://www.youtube.com/watch?v=g3Ie5YTU
rfY
Postura e locomoção
• Paresia
• Deficit de movimentos voluntários, deficit do tônus
muscular, comprometimento motor (fraqueza dos
membros = flácida); raras espasticidades de membros =>
rigidez = incapacidade de realização de movimentos
(espástica)
• monoparesia (um membro)/ hemiparesia (um lado)/
tetraparesia (quatro membros)/ paraparesia (somente
pélvicos)
• Paralisia
• Disfunção total dos movimentos voluntários
(denominações similares a paresia porém é um déficit
mais grave)

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Postura
• Estática
• Locomoção
• Passo
• Retilineo
• Circulos

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https://www.youtube.com/
watch?v=2TY4aBqNglE
Grau de paresia/paralisia
• O modo de andar pode ser graduado de O a 5
• 0, paralisia completa;
• 1, paresia com algum movimento;
• 2, paresia com a capacidade de suportar o peso, mas
sem dar passos;
• 3, paresia com a capacidade de suportar o peso e dar
alguns passos;
• 4, paresia leve, apenas com tropeços ocasionais
• 5, resistência normal
Movimentos anormais
• Tremor movimento rítmico, oscilatório e localizado
a uma região ou a todo corpo
• Tremor de intenção: parte do corpo treme ao
tentar realizar o percurso alvo
• Mioclonia: uma breve contração muscular de
produção rápida de parte do corpo
• Miotonia: relaxamento muscular voluntario
atrasado, é a rigidez. Pode melhorar com o
exercício mas alguns ataques pode levar até ao
decúbito com extensão de membros
Animal em recuperação de
cinomose
Suspeita de
miotomia congenita
Avaliação da Locomoção
• Os distúrbios locomotores, na ausência alterações
do nível de consciência, comportamentais ou de
nervos cranianos, são provavelmente causados por
lesões da medula espinhal, nervos periféricos, ou
lesões na junção neuromuscular
• Além do diferencial do locomotor
Exame dos nervos cranianos
Exame dos nervos cranianos
• l Par - Olfatório
• Uma diminuição da capacidade olfativa é
denominada hiposmia
• Perda total da olfação chama-se anosmia
• A avaliação do nervo é realizada vendando-se os
olhos do animal e colocando-se uma substância
não irritante ou um alimento próximo, para ver se
ele percebe.
• O uso de substâncias irritantes, tais como álcool ou éter,
estimula terminações do nervo trigêmeo (Vpar) na
mucosa nasal.
Exame dos nervos cranianos
• lI Par – Óptico
• Reflexo de ameaça.
• testar o nervo óptico (cuja função é sensitiva), o nervo facial
(com função motora) e suas conexões centrais no córtex
cerebral, tronco encefálico e cerebelo.
• Se faz um gesto com a mão em direção à face do animal,
tomando-se o cuidado para evitar correntes de ar pelo
movimento das mãos, o que estimularia a córnea e não o
nervo óptico
• resposta normal = fechamento das pálpebras
• A perda da resposta =lesão retina, nervo óptico, trato
óptico, córtex cerebral, tronco encefálico, cerebelo ou nervo
facial
Exame dos nervos cranianos
• lI Par – Óptico
• Reflexo pupilar à luz. (aferente)
• Antes de testarmos o reflexo pupilar à luz, devemos verificar
o tamanho e a simetria das pupilas.
• podem estar contraídas =miose;
• Havendo perda da inervação simpática (corre junto ao III), o animal
vai apresentar a chamada síndrome de Horner, que caracteriza-se
por miose, ptose palpebral, enoftalmia e protrusão da 3 pálpebra
(infecções, neoplasias, traumas (neuronios cranial a T2) e também
podem ser idiopáticas ou, até mesmo, congênitas).
• dilatadas (em midríase)
• anisocoria (uma pupila dilatada e uma contraída) = lesão
parassimpático ou simpático.
• A igualdade do diâmetro pupilar chama-se isocoria.
Exame dos nervos cranianos
• Ill Par - Oculomotor, IV Par -Troclear, VI Par –
Abducente
• O nervo oculomotor = mm extra-oculares e a
pálpebra superior. Componente parassimpático =
acomodação visual à luz.
• lesões = podem causar estrabismo ventrolateral,
ptose palpebral e midríase (efetor) se o
componente parassimpático estiver lesado.
• IV = estrabismo dorsomedial
• VI = estrabismo medial
Exame dos nervos cranianos
Exame dos nervos cranianos
• Reflexo palpebral (VII) e Sensibilidade facial (V)
• Para avaliação do reflexo palpebral = um estimulo
tátil suave nos cantos medial e lateral das
pálpebras, e espera-se que o animal feche
Exame dos nervos cranianos
Avaliação de Simetria (VII par mm mímica facial;
palpação dos músculos mastigatórios V par – ramo
mandibular)
Exame dos nervos cranianos
Exame dos nervos cranianos
• VIII Par - Vestibulococlear
• Audição (coclear) = animal de olhos vendados, barulho de
chaves, ou palmas ou assobiar = animal vira em direção ao
som
• Difícil avaliar unilateral
• Equilíbrio (vestibular) = reação postural
• aprumo vestibular
• mobilidade extra-ocular (presença de estrabismo posicional ou
nistagmo espontâneo)
• O nistagmo espontâneo horizontal ou rotatória = frequente doenças
agudas do canal semicircular ou do nervo vestibular, mas também pode
ocorrer em lesões vestibulares centrais. O nistagmo espontâneo vertical é
observado em lesões vestibulares centrais, afetando os núcleos
vestibulares e o lobo floculonodular do cerebelo.
• postura da cabeça e locomoção.
Exame dos nervos cranianos
• IX Par - Glossofaríngeo
• paladar, deglutição e está envolvido no reflexo do
vómito.
• É testado observando-se
• o reflexo de deglutição, por compressão externa da
faringe
• de vómito, por estímulo digital direto da faringe.
• Lesões causam ausência do reflexo de vómito,
diminuição do tono faringeano, disfagia e regurgitação.
Exame dos nervos cranianos
• X Par - Vago
• testado juntamente com o IX.
• Lesões no nervo vago causam ausência do reflexo de vómito,
disfagia, vocalização alterada e sinais gastrointestinais e
cardiopulmonares.
• Lesões bilaterais podem causar paralisia laringiana com
respiração estertorosa e dispneia inspiratória, além de
megaesôfago.
• XI Par - Acessório
• Não existe teste a não ser através de eletrodiagnóstico.
• Lesões podem causar atrofia da musculatura do
pescoço
Exame dos nervos cranianos
• XII Par - Hipoglosso
• motor da língua.
• testado indiretamente induzindo-se o animal a lamber
os lábios ou o focinho, fazendo-se fricção nas narinas.
• Lesões do nervo hipoglosso causam assimetria e atrofia
da língua e desvio da mesma.
• No início da paralisia unilateral do hipoglosso o desvio da
língua ocorre para o lado oposto da lesão (a paralisia flácida
dos músculos do lado lesado permite que a musculatura
contralateral desvie a língua) Em fases mais crónicas, a atrofia
e a consequente contração fibrótica resultam num desvio da
língua para o lado afetado.
Síndrome Cerebral
• andar compulsivo
• andar em círculos geralmente para o mesmo lado da lesão
• pressão da cabeça contra uma parede ocasionalmente pleurótono (inclinação
lateral do corpo).
• alterações comportamentais e de consciência, tais como demência,
incapacidade para o aprendizado, apatia, desorientação, agressividade e
hiperexcitabilidade.
• A visão pode estar prejudicada (animal bate em objctos e apresenta diminuição
da resposta à ameaça) no lado oposto da lesão;
• reflexo pupilar à luz está normal.
• Ocasionalmente a presença de convulsões com sinais sensitivos ou com
alucinações visuais.
• Pode apresentar uma locomoção normal
• saltitamento e hemilocomoção encontram-se geralmente deprimidas em
membros contralaterais à lesão.
• Em animais comatosos, a respiração pode se caracterizar por aumento e
diminuição de sua profundidade, com períodos regulares de apnéia (respiração
de Cheyne-Stokes).
Síndrome Hipotalâmica
• pouco frequente
• comportamento e nível de consciência anormais, tais como
agressividade, desorientação, hiperexcitabilidade ou coma.
• A visão está geralmente prejudicada e as pupilas ficam dilatadas,
com pequena ou nenhuma resposta ao estí-mulo luminoso.
• Podem aparecer distúrbios endócrinos, tais como diabetes
insípido e hiperadrenocorticismo
• Pode haver uma regulação anormal da temperatura corpórea,
manifestada por hipertermia, hipotermia ou pecilotermia (varia
com ambiente).
• Podem ser observadas alterações no apetite, levando à polifagia e
à obesidade, ou à anorexia e caquexia.
• Locomoção é geralmente normal.
Síndrome Mesencefálica
• incomum.
• Deprimidos ou comatosos
• pode haver opistótono (espasmo de grupos musculares do
pescoço e dos membros, que resulta na postura característica de
decúbito lateral com dorsoflexão do pescoço e rigidez dos
membros em extensão).
• Se a lesão for em um dos lados do mesencéfalo, os membros do
lado contralateral apresentarão sinais de paresia espástica (hemi-
paresia).
• Pode apresentar estrabismo ventrolateral
• Pupilas em midríase e irresponsivas à luz e ptose da pálpebra
superior.
• A visão é normal.
• Alguns animais podem apresentar hiperventilação
Síndrome Vestibular
• frequente
• Inclinação da cabeça, quedas, rolamento, andar em pequenos círculos
• Nistagmo.
• A fase rápida do nistagmo horizontal ou rotatório e geralmente na direção oposta ao lado da
lesão.
• Algumas vezes o nistagmo pode ser iniciado pelo movimento da cabeça ou quando se coloca a
cabeça em diferentes posições (nistagmo posicional).
• nistagmo fisiológico (induzido por rápidos movimentos da cabeça nos planos horizontal ou
vertical) pode ser deprimido ou estar ausente quando a cabeça é movida na direção da lesão.
• Pode-se observar estrabismo ventrolateral elevando-se a cabeça do animal. Este estrabismo é
ipsilateral
• podem ocorrer distúrbios vestibulares centrais (tronco encefálico) ou periféricos (orelha média
ou interna).
• A doença vestibular central é sugerida pela presença de nistagmo vertical ou posicionai, nível de
consciência alterado e evidência de envolvimento de outros pares de nervos cranianos (por
exemplo, V e VI pares).
• Síndrome de Horner e paralisia facial são frequentemente observadas em doenças vestibulares
periféricas associadas à otite média, uma vez que tanto a inervação simpática quanto o nervo
facial passam através da orelha média.
• Doenças vestibulares periféricas são mais comuns que as centrais.
Síndrome Cerebelar

• mais facilmente reconhecível


• resposta exagerada dos membros quando um movimento é iniciado
(hipermetria), ou durante as reações posturais, tais como o saltitamento.
• Todos os movimentos dos membros são espásticos (rígidos) e desajeitados.
• base ampla de apoio quando em repouso (estação com os membros afastados)
e quando caminha o tronco pode oscilar (ataxia do tronco).
• O início do movimento é retardado e geralmente acompanhado por tremores
(tremor de intenção).
• Os tremores da cabeça são facilmente evidenciados.
• podem estar presentes movimentos finos, pendulares ou oscilatórios dos globos
oculares.
• resposta à ameaça pode estar ausente.
• Se a lesão envolver apenas um lado do cerebelo, a deficiência na resposta à
ameaça será ispilateral.
• A visão não está afetada.
Síndrome Pontinobulbar
• múltiplos sinais de envolvimento de nervos cranianos
• apresenta hemiparesia, tetraparesia ou tetraplegia.
• Os reflexos nos membros estão intactos, apresentando-se
normais ou hiperativos.
• Os distúrbios de nervos cranianos podem incluir:
• paralisia de mandíbula
• diminuição da sensação facial e diminuição do reflexo palpebral
(nervo trigêmio)
• estrabismo medial (nervo abducente)
• inabilidade para fechar as pálpebras, paralisia labial e ptose do
pavilhão auricular (nervo facial)
• inclinação da cabeça, rolamento e nistagmo (nervo vestibular)
• paralisia de faringe e laringe resultando em disfonia, disfagia e
diminuição do reflexo de vómito (nervos glossofaríngeo e vago)
• paralisia da língua (nervo hipoglosso).
• A respiração é geralmente irregular e apnéica ou rápida e
superficial. Pode-se observar depressão mental.
Reações posturais
Avaliação da Propriocepção
Consciente

• A propriocepção consciente avalia a


habilidade do sistema aferente em
reconhecer uma posição alterada de
um membro e a capacidade do
sistema eferente de retornar o
membro à posição normal.
Reações posturais
Carrinho de mão
Saltitamento
Hemiestação/locomoção
Colocação tátil com e sem visão
Aprumo vestibular
Propulsão extensora

Ainda avaliar tônica do pescoço


e membros

99
Reações posturais
Avaliação da
propiocepção
consciente

102
Propulsão extensora
• Colocação Tátil e Colocação Visual
• testa-se o sistema proprioceptivo e visual.
• o animal é vendado e suspenso no ar, sustentado pelo
abdome e tórax. Em seguida é movido em direção à
borda de uma superfície horizontal, como uma mesa,
tocando-se a face dorsal das patas torácicas na
superfície. O animal deve rapidamente levantar as patas
e colocá-las sobre a mesa. Repete o processo com
animal tapando-se a visão
105
106
Reflexos espinhais
• Testa a integridade dos sistemas sensoriais e
motores do arco-reflexo medular
• Normais (normorreflexia)
• Diminuidos/ ausentes (hiporreflexia/arreflexia)
• NMI (causa exictação motora então sua lesão leva a
hiporreflexia / paralisia flácida
• Aumentados (hiperreflexia)
• NMS (causa inibição motora então sua lesão leva a perda da
inibição logo os reflexos encontram-se aumentados)
hiperreflexia/ paralisia espástica/ movimentos clónicos

107
NMS X NMI

108
• A medula espinhal pode ser morfológica e
funcionalmente dividida em cinco regiões:
• região cervical (C1 a C5);
• região cervicotorácica (intumescência braquial ou
cervical - C6 a T2);
• região toracolombar(T3 a L3);
• região lombossacral (intumescência lombossacral
(lombar) L4 a S2);
• região sacrococcígea (segmento S3 ao último
segmento medular)
110
Medula
• substância cinzenta forma de um H.
• três colunas (colunas ventral, dorsal e lateral)
• A coluna lateral, entretanto, não aparece em toda a extensão
da medula.
• No centro da substância cinzenta localiza-se o canal central
medular
• A massa cinzenta central contém corpos celulares de neurônios
motores inferiores, neurônios sensitivos e internunciais.
• As colunas dorsais contêm sinapses de neurônios sensitivos
periféricos e corpos celulares de neurônios sensitivos
ascendentes e internunciais.
• As colunas ventrais contêm muitos corpos celulares dos
neurônios motores inferiores dos músculos estriados.
• uma área de substância cinzenta intermediária contém corpos
celulares de neurônios motores inferiores simpáticos.
Ainda na medula
• A porção externa da medula é de substância
branca, formada por fibras, a maioria delas
mielínicas, que se agrupam em tratos e fascículos,
formando vias descendentes e ascendentes da
medula.
Vias descendentes
• As vias descendentes são formadas por fibras que se originam no córtex cerebral
ou em várias áreas do tronco encefálico e terminam fazendo sinapse com
neurônios medulares.
• Essas vias dividem-se em dois grupos: vias piramidais e extrapiramidais.
• Piramidais: cruzam obliquamente o plano mediano, constituindo a decussação
das pirâmides bulbares, compreendem o trato corticospinal (funículo lateral)
• Extrapiramidal não cruza, compreendem os tratos tectospinal, vestibulospinal
(funículo ventral), rubrospinal e reticulospinal (funículo lateral).
• (trato tectotegmentospinal lateral é simpático na porção cervical e por isso pode levar a
síndrome de Horner)
• referem-se respectivamente, o teto do mesencéfalo, os núcleos vestibulares, o
núcleo rubro e a formação reticular.
• todos esses tratos terminam na medula, em neurônios internunciais que se
ligam aos neurônios motores inferiores e assim exercem sua função motora.
Vias ascendentes
• relacionam-se direta ou indiretamente com as
fibras que penetram pela raiz dorsal, trazendo
impulsos aferentes de várias partes do corpo, e
incluem os tratos (proprioceptivos)
espinocerebelares, os fascículos grácil e cuneiforme
(funículo dorsal), trato propriospinal e os tratos
(nociceptivos) espinotalâmicos
• Propriocepção consciente é represenada no cortex
contralateral e a inconsciente predominantemente
ipsilateral (tratos espinocerebelares)
115
Reflexos espinhais
• Reflexos espinhais propioceptivos
• Membro torácico (pouco fidedignos pela dificuldade de
deflagração)
• Triceptal (nervo radial e C7-T1/2)
• Extensor carporadial (C7-T1/2)
• Biceptal (nervo musculo-cutâneo C6-C8)

118
Reflexos espinhais
• Reflexos espinhais propioceptivos
• Membro pélvico (mais fidedignos)
• patelar (nervo femoral L4-L5/6)
• Tibial cranial (nervo fibular e isquiático L6-S2)
• Gastrocnemio (pouco fidedigno)

120
122
Reflexos espinhais
• Reflexos flexores • Reflexos perineal
• Beliscamento interdigital
promove flexão do membro – Beliscamento próximo ao
• Integridade C6-T2 ou L6-S2 ânus leva a contração do
esfíncter
• Integridade S1-S3
• Integridade da cauda
• Nervos caudais a L5 sendo Cd1
a Cd5 mais importantes
Observar reflexo extensor cruzado
em mebro contralateral indica
lesão grave acima do nível testado
(NMS)
123
Avaliação nociceptiva
• Dor superficial X dor profunda
• Determina a integridade da medula espinhal e nervos
periféricos na condução do estímulo
• Indicativo de prognostico
• Sempre avaliar pré e pós-IC ou tratamento
• Ausente diminuida(hipoestesia ou hipoalgesia) normal
ou aumentada

124
Nocicepção X reflexo de
suspensão

125
126
127
Outros testes
• Panículo
• Reflexo cutâneo do tronco, beliscamento com pinça da
região lombossacral até T2, (C6-T1) indica lesão
cervicotorácica (motora) ou toracolombar (sensitiva)
(nervo toracico lateral)
• Verificar se não há movimentos clônicos (lesão
grave)
• Babinski = estimulo plantar do metatarso =
dorsoextensão de dígitos
• Lesão grave de NMS

128
Avaliação complementar
• Avaliação da micção
• NMS = T3-L3 = vesícula
urinária repleta e tensa
devido a paralisia do
músculo detrusor e
aumento do tônus
uretral (pode haver
incontinência por
extravazamento devido
a diferença de pressão)
• NMI = abaixo de L4 =
vesícula urinária flácida
e vazia(flacidez
muscular);
incontinência por
produção de urina e
ausência de barreira

129
Tónica do Pescoço
• Na tónica do pescoço a cabeça é erguida com o
animal em estação. Uma resposta normal é um
aumento do tono muscular nos membros torácicos
e diminuição nos membros pélvicos.
• Quando a cabeça é girada para um lado, há um
aumento do tono extensor nos membros do lado
para o qual houve a rotação. Este teste avalia
principalmente centros vestibulares, musculatura
do pescoço e receptores articulares além de dor em
região cervical (somada também a ventroflexão).
Localização de lesão
• Cervical = C1-C5 = NMS (MT e MP ↑ ou normais)
• Cervicotorácica = C5-T2 = NMI (MT↓ MP ↑ou Normais)
• Obs: Lesão aguda e compressiva da medula poderá levar a síndrome de horner
(ptose palpebral superior, miose e protusão da 3 palpebra = lesão de
substância cinzenta T1-T4 = lesão grave
• Toracolombar = T3-L3 = NMS (MT normais, MP ↑)
• Obs: Lesão aguda e compressiva da medula poderá levar a postura de Schiff-
Sherrington (rigidez extensora dos Mts em decúbito lateral => lesão dos NMS
que partem da região lombar para os membros torácicos, através de um
funículo inserido profundamente na medula = lesão grave
• Lombosacra = L4-S3 = NMI (MT normais, MP ↓)

131
Localização de lesão
• Cervical = C1-C5 = NMS (MT e MP ↑ ou normais)
• Cervicotorácica = C5-T2 = NMI (MT↓ MP ↑ou Normais)
• Obs: Lesão aguda e compressiva da medula poderá levar a síndrome de horner
(ptose palpebral superior, miose e protusão da 3 palpebra = lesão de
substância cinzenta T1-T4 = lesão grave
• Toracolombar = T3-L3 = NMS (MT normais, MP ↑)
• Obs: Lesão aguda e compressiva da medula poderá levar a postura de Schiff-
Sherrington (rigidez extensora dos Mts em decúbito lateral => lesão dos NMS
que partem da região lombar para os membros torácicos, através de um
funículo inserido profundamente na medula = lesão grave
• Lombosacra = L4-S3 = NMI (MT normais, MP ↓)

132
Classificação do grau

• G1 – dor (hiperestesia)

• G2 – ataxia, paresia e déficits proprioceptivos

• G3 – paresia grave – não se locomove

• G4 – paraplegia (c/ incontinência urinária – TL/LS)

• G5 – paraplegia (c/ incontinência urinária – TL/LS) e s/ dor

profunda

133
Dor = Palpação Superficial e profunda
Sintomas
• Dor cervical
• Mais comum
• Cabeça e pescoço abaixados
• Andar cauteloso
• Tensão muscular
• Deficit neurológico

135
• Porque somente dor na maioria dos casos?
• Canal medular mais largo
• Permite deslocamento medular
• Tração de raizes nervosas

136
Rocha 2012
• Porque somente dor na maioria dos casos?
• Canal medular mais largo
• Permite deslocamento medular
• Tração de raizes nervosas

137
Rocha 2012
Sinais
• Reflexos
• C1-C5 = hiperreflexia
• C6-T2 = hiporreflexia (arco reflexo medular. Ex: triceptal,
carpo-radial, biceptal)
• Dor profunda
• Perda = trauma, extrusão aguda de alta energia, malácia
(pode comprometer a respiração)

138
Diagnóstico

• RX simples
• Diminuição espaço intervertebral = DEIV
• Colapso de facetas articulares
• Opacificação de foramen intervertebral
• Mielografia/ TC/ RM
• Deslocamento dorsal/lateral da medula
• TC = evidenciação de disco no interior do canal medular
• RM = evidenciação de degeneração medular = malácia
(prognóstico ruim)

139
Espondilomielopatia cervical
• Definição
• Disturbio articular das vertebras cervicais caudais
• Sindrome de etiologia multipla
• Sinonimia
• Sindrome de Wobbler
• Instabilidade vertebral cervical
• Espondilolistese cervical

140
Classificação Localização da Causa da prognóstico
compressão compressão

Discopata Ventral de C5 a C7 Degeneração discal bom


degenerativa e hipertrofia do anel
crônica fibroso
Má formação óssea Lateral ou dorso- Má formação de ruim
ventral de C3 a C7 vértebra e facetas

Inclinação vertebral Ventral de C5-C7 Mau Bom/ reservado


posicionamento do
corpo vertebral
Má formação do Dorsal de C4 a C7 Hipertrofia do reservado
ligamento amarelo ligamento/ má
formação do arco
vertebral
Compressão em Toda circunferência Combinação de Reservado/ ruim
ampulheta de C2 a C7 alterações

141
Sinais
• Postura de base ampla em
MPs
• Marcha rígida
• Dismetria MPs
• Dor cervical
• Ventroflexão cervical
• Déficit neurológico variável

142
Afecção em segmento
toracolombar
• 75-85% das afecções em disco intervertebral em
cães
• 50-60% das luxações e fraturas em coluna
• 40% das neoplasias em vertebra ou medula
• Mais comum em raças pequenas

143
Sinais
• Variáveis
• Ataxia Mps
• Paresia/ paralisia
• Deficit propioceptivo
• Deficit nociceptivo
• Reflexos espinhais normais a aumentados Mps
• Retenção urinária (espástica)
• Schiff Sherrington (lesão aguda de alta intensidade)
• Mts normais!!!!

144
Causas de síndrome toracolombar
• Trauma: agudo, dor
• Infarto fibrocartilaginoso: agudo, usualmente sem
dor
• Isquemia por embolo em vasos que nutrem a medula =
necrose focal
• Mielopatia degenerativa/ neoplasias: crônico, sem
dor*(MD), progressivo
• DDIV: crônico ou agudo, com ou sem
dor, usualmente progressivo
145
Reavaliação clínica
1. Dor
2. Deficit proprioceptivo/ ataxia
3. Perda de movimento voluntário/ paresia/
4. Paralisia /Perda de dor superficial
5. Perda de dor profunda

146
Segmento de coluna lombo-sacra
• Diferencial de afecção em Mps
• 40-50% fraturas e luxações em cães
• 70% de neoplasias em vertebras e medula
• Segmento móvel-rígido (estresse mecânico)

147
Cauda equina
• Medula termina em L5-L6 projetam de L7 e
emergem nervos de S1-S3 (ex: nervo femoral,
pudendo, isquiático)

148
Síndrome da cauda equina
• Estenose lombosacral
• Região de estresse mecânico => sobrecarga na
articulação lombosacra => DDIV, facetas articulares, e
ligamentos => deslocamento dorsal de L7 em relação a
S1/ hipertrofia de tecidos moles => compressão de vasos
e nervos da cauda equina => desmielinização e
degeneração axonal => deficits neurológicos

149
Síndrome da cauda equina

150
Diagnóstico

151
Incidência
• Acomete mais raças grandes
• Pastor Alemão
• Rottweiller
• Labrador

• Animais idosos

152
Sinais
• Dor na cauda e região lombosacra
• Principalmente a dorsoflexão da cauda, quadril e
hiperextensão de Mps
• Fraqueza em Mps/ atrofia
• Encurtamento de passo
• Dificuldade de sentar e levantar
• Deficit neurológico = variável e progressivo
• Ex;Incontinência urinária (Paralisia flácida), ataxia, deficit
propioceptivo, paresia, paralisia
• Pelve caída
• Reflexos espinhais diminuidos
153
154
Diferencial
• DCF (RX) – associada em 35-45%
• Mielopatia degenerativa (RM)
• Artrose
• RLCC bilateral (antiga)
• Demais afecções MPs e coluna
• Exame ortopédico e neurológico completo!!!

156
Síndromes do SN
• Existem seis síndromes encefálicas e quatro medulares distintas
Revise!!!!
• Cerebral
• Hipotalâmica
• Mesencefálica
• Vestibular
• Cerebelar
• Pontinobulbar
• Cervical
• Cervicotorácica
• toracolombar
• lombossacral.
Exames complementares
• Já mencionados os principais
• Rx simples e contrastado (mielografia)
• Exames de sangue
• TC e RM
• Exame do líquido cefalorraquidiano
• Cisterna magna e punção lombar
• Distinção inflamatória, infecciosa
• Tb em degenerativas, metabólicas, traumas e neoplasia podem alterar
• Contraindicada em elevada pressão intracraniana
• Cuidado com punção errônea, anestesia
• Eletrodiagnostico: ex: Eletromiografia(EMG) e
eletroencefalografia (EEG) – atividade espontânea;
eletroneurografias induzidas com potencial evocado
UA=usually acute
Referências Bibliográficas
• FEITOSA. Semiologia Veterinária. A arte de diagnóstico
• DEWEY, C.W. Practical guide to canine and feline neurology.
2016
• RAJÃO et al., Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia.
(Cadernos Técnicos da Escola de Veterinária da UFMG).
• KONIG. Anatomia dos animais domésticos.
• FOSSUM, T.W. Small animal surgery. Mosby: Philadelphia, 2002.
• SLATTER, D. Textbook of small animal surgery. 3 ed. Philadelphia: Saunders, 2003.
• SHORES, A. Current Techniques in Canine and Feline Neurosurgery. 2017
• LORENZ, M.D. Handbook Of Veterinary Neurology. 2012.

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