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Conversão Analógico/Digital

Conversão Analógico/Digital (AD)


e Digital/Analógico (DA)

José A. Soares Augusto


Grupo de Electrónica e Instrumentação
Dep. Física da Fac. Ciências da Univ. De Lisboa
(v2-2008)
Instrumentação FCUL-DF 1

Conversões Analógico/digital
 Tópicos
 Conversão do sinal Digital para Analógico
 Conversão do sinal Analógico para Digital
 Limitação na frequência de amostragem - ritmo
de Nyquist
 Sobreposição espectral ('frequency aliasing')
 ADCs práticos de várias velocidades de
funcionamento
Instrumentação FCUL-DF 2

1
Diagramas de blocos dos ADC e DAC

•As amostras analógicas na saída do DAC são habitualmente


aplicadas num S&H para obter o sinal analógico em degraus.
• Este sinal pode então ser filtrado e suavizado (ou
reconstruído) com um filtro passa baixo (o atraso introduzido
pelo filtro não é visível na figura).
Instrumentação FCUL-DF 3

Conversão Digital/Analógico DAC


V+ref
 Tensão de saída = Vout(n)
Código de entrada = n
0110001
0100010 NMAX bit
0100100 DAC
0101011
:
:
:

V-ref
Instrumentação FCUL-DF 4

2
Conversor digital/analógico (DAC)
 V+ref ,V-ref são as tensões de referência superior e inferior,
respectivamente; NMAX= nº de bits do DAC; n é o código de
entrada digital no DAC. ∆V=1 LSB é a amplitude do degrau
V −V 
+ ref − ref
Vout (n) = V +n 
V+ref
− ref  NMAX 
 2 
=V + n∆V Saída do DAC
− ref

 Para n=0, Vout(0) = V-ref ∆V


V-ref
 Para max. n= 2NMAX -1, Vout não atinge V+ref , (e.g. NMAX=4,
n=0,1,2,..15)
 Alguns DACs têm tensões de referência internas; outros
necessitam que elas sejam colocadas externamente. Nos
exemplos seguintes, faz-se V-ref=0.
Instrumentação FCUL-DF 5

Características dos DACs


 'Glitch': pico transitório 'espúrio' na saída do
DAC que ocorre quando mais do que um bit
muda simultaneamente no código de entrada.
 Usar filtro passa-baixo para reduzir a magnitude
 Usar um 'sample & hold‘: é a melhor solução!
 Tempo de estabelecimento ('settling time'):
tempo até que a saída estabilize num limite
inferior a, tipicamente, 1/4 LSB, após a
mudança na saída do DAC.
Instrumentação FCUL-DF 6

3
DAC de tipo 1: DAC com somador pesado,
difícil de fabricar devido à ampla gama de R’s

 O bit N-i fecha o interruptor analógico (FET), Ii passa na


resistência 2N-iR. A referência inferior é a massa (0 V).

V + ref V + ref
I i
= N −i ∆I = I 1
= N −1
para o bit 1
2 R 2 R

= n∆ I = n
V + ref V
Para o código n, I n N −1
=−
R/2
o

2 R

V + ref 
Resolvendo para V O, VO = − n  N 
 2 
Instrumentação FCUL-DF 7

Diagrama do DAC com somador pesado (os


interruptores normalmente usam FETs)

c.c. virtual ≈ V-ref = 0

∆I
Instrumentação FCUL-DF 8

4
Outro diagrama do DAC com somador pesado
(os interruptores são normalmente realizados
por MOSFETs)

Instrumentação FCUL-DF 9

DAC tipo 2: escada de resistências R-2R, requer apenas


valores R e 2R, fácil de fabricar, é o mais popular
Em cada nó a corrente é dividida em 2 partes iguais: uma vai para V-ref ; a outra
vai para a entrada inversora do AMPOP. Assume-se que V-ref é 0 V neste caso.
Como V+ ≈ V- nas entradas do AMPOP, as correntes 'verticais' não mudam com o
código de entrada n. Mas switch(BitN − 1 ) governa se a corrente 2 N-1∆I flui para V- ou não.
V
+ ref
∆I = = corrente no switch(Bit1 ) correspondente ao LSB.
2N R
As correntes dos bits a '1' somam-se no nó V- do AMPOP
V  V
+ ref
I = n ∆I = n  N  = − 0 ,
 2 R  R
 
V 
+ ref
e V0 = − n  N 
 2 
 

Instrumentação FCUL-DF 10

5
Diagrama do DAC R-2R
V-ref
é a massa
corrente
Muitas
vertical
vezes

Instrumentação FCUL-DF 11

Outro diagrama do DAC R-2R

Instrumentação FCUL-DF 12

6
DAC R-2R -- circuito prático

Implementação do interruptor Sm
no DAC. Em tecnologia
BiCMOS, Qms e Qmr podem ser
implementados com MOSFETs,
evitando assim o erro devido às
As junções de Q1...QN são correntes de base dos transístores
dimensionadas por forma a que Vbe bipolares.
seja o mesmo em todos os BJT Instrumentação FCUL-DF 13

Conversão Analógica/Digital ADC


V+ref

Tensão de entrada = Vin
n=código de
saída
NMAX bit 0110001
ADC 0100010
0100100
0101011
:
:
:
V-ref
Instrumentação FCUL-DF 14

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Características principais do ADC
 n = código digital em conversão, V = tensão de entrada

 V − V− ref 1  V+ ref − V− ref V+ ref − V− ref


n= +  , onde ∆V = ≈ ,
 ∆V 2  inteiro 2N −1 2N
e.g . V− ref = 0, ∆V = 10 mV (veja figura na próxima página.)

 A linearidade mede quão bem as tensões de transição seguem


uma linha recta.
 A linearidade diferencial mede a igualdade do passo.
 Tempo de conversão: tempo entre o início e o final da conversão
 Taxa (frequência) de conversão=inverso do tempo de conversão.
Instrumentação FCUL-DF 15

Exemplo de conversor digital/analógico


 Converte um nível analógico numa saída digital
 e.g. V-ref = 0V, ∆V = 10mV.

Instrumentação FCUL-DF 16

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ADC Tipo 1: conversor de 'integração'
ou de dupla rampa (muito lento)
 Integra a entrada analógica num condensador durante um
tempo fixo e, de seguida, calcula o tempo necessário para
descarregar o condensador com taxa de descarga (dVc/dt) fixa.
 1) S1->V1: integra a entrada, com C, durante 2N períodos de relógio
 2) S1-> -Vref: liga relógio ao contador (S2->counter), com este a
'000…00', e descarrega C a taxa fixa (governada por -Vref, R e C)
 3) Quando C se descarrega até 0 V, o comparador pára o contador.

Instrumentação FCUL-DF 17

Diagrama simplificado de um ADC


de integração de dupla rampa


Instrumentação FCUL-DF 18

9
ADC de integração de dupla rampa

ADC de dupla rampa. Assume-se que


= T 1V A = T 2
Vref
V PEAK
RC RC vA é negativa. Como T1 e Vref são
V A
fixos, T2 é proporcional a vA. T2 e T1
T 2
=
Vref T 1 são valores digitais no contador
Instrumentação FCUL-DF 19

ADC tipo 2: ADC de seguimento


(também lento)
 O ADC compara repetidamente a entrada VI com a saída do DAC
 A contagem 'up/down' depende daquela comparação

Instrumentação FCUL-DF 20

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ADC tipo 3: aproximações successivas
(moderadamente lento)
 Usa pesquisa binária para fixar os bits na palavra de saída
(ver algoritmo na folha seguinte)

Instrumentação FCUL-DF 21

Algoritmo do ADC por aproximações successivas

Yes, done

Instrumentação FCUL-DF 22

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ADC tipo 4: 'flash' (muito rápido)
 Muito rápido para áudio e vídeo de qualidade.
 Muito caro para conversão com muitos bits (N).
 'Sample & hold' habitualmente dispensável.
 Um conjunto de portas XOR determina a
localização do comparador cuja entrada de
referência mais se aproxima da entrada analógica.
 Necessita de 2N-1 comparadores (cresce muito
rapidamente com N!)
 4-bit: 15 comparadores; 6-bit: 63 comparadores.

Instrumentação FCUL-DF 23

Diagrama do ADC tipo 'flash'

Instrumentação FCUL-DF 24

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ADC tipo 5: ADC flash de 2
etapas (velocidade média)
 O ADC flash puro é caro (quando o nº de bits é elevado.)
 O ADC flash de 2 etapas (ou 'subranging', ou 'half-flash') é
um híbrido entre o ADC de aproximações sucessivas e o
ADC flash puro.
 Por exemplo, os AD7280 e ADC0820 usam dois ‘flash’ de
4 bits para construir um ADC de 8 bits com 2 etapas.
 Figura seguinte: o ADC flash superior de, 4 bits (MSB),
obtém a saída digital correspondente aos 4 MSB, que são
convertidos para uma tensão analógica por um DAC de 4
bits, subtraídos da entrada analógica e multiplicados por
G=16=24. O ADC flash inferior obtém os restantes 4 LSB.

Instrumentação FCUL-DF 25

ADC flash de 8 bits de 2 etapas com 2 ADCs flash


de 4 bits (também chamado 'subranging' ou 'half-flash')
Usa 30 comparadores (versus os 28-1=255 usados por um ADC flash de 8 bits)

G=16=24
Instrumentação FCUL-DF 26

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Porquê o Sample & Hold?
Um ADC lento pode ser usado para amostrar um sinal
de variação rápida.
Mas só uma amostra pontual pode ser analizada!
Sinal Sinal de variação rápida
Vin(t1) amostrado e
Vin
a ser convertido
Vin(t1)
tempo
Palavra n
S&H gerada
e converte sinal em palavra digital n

amostragem t1 Instrumentação FCUL-DF 27

Amostragem por impulsos

Processo de amostragem periódica de um sinal. (a) Circuito 'sample-and-hold' (S&H).


O interruptor fecha uma pequena fracção (τ seg.) de cada período de relógio (T). (b)
Sinal de entrada. (c) Sinal de amostragem (controla o interruptor). (d) Sinal de saída
(aplicado na entrada do ADC).
Instrumentação FCUL-DF 28

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Limitação na frequência de
amostragem ('Nyquist rate')
 Se o tempo de conversão de um ADC fôr Tconv (seg.), a taxa
de amostragem máxima será Fmax=1/ Tconv (Hz) .
 Por exemplo, no ADC0801, Tconv =114ns+atraso do µP para
o ADC, e Fmax < 8.77KHz
 Para esta taxa de amostragem, a frequência máxima
admissível na entrada é (Fmax/2) < 4.39KHz, segundo a
teoria da amostragem de Nyquist.
 Usa-se um S&H para 'congelar' um sinal de variação rápida
quando o ADC é de baixa velocidade.
 Para uma conversão rápida, usa-se acesso directo à memória
(DMA) para copiar/ler a saída digital directamente para a
memória do µP e, assim, reduzir o atraso do µP para o ADC.

Instrumentação FCUL-DF 29

Sobreposição de frequências
('frequency aliasing')
 Este fenómeno ocorre quando a frequência mais
elevada do sinal Fentrada é maior do que metade da
frequência de amostragem ( Famostragem/2). (Veja
figura seguinte.)
 E.g., Fentrada =20KHz, Famostragem deverá ser
superior a 40KHz.
 Solução: Usar um filtro passa-baixo para limitar a
frequência máxima de entrada previamente à
amostragem com o S&H-ADC.
Instrumentação FCUL-DF 30

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Gráfico superior => 6 amostras por ciclo (fs=6f)
Gráfico médio => 3 amostras por ciclo (fs=3f)
Gráfico inferior => 6 amostras em 5 ciclos

Instrumentação FCUL-DF 31

Redução da distorção por sobreposição


espectral ('aliasing')
Usar filtro passa baixo para remover
frequências elevadas previamente à
Sinal de entrada = V(t) amostragem

palavra digital
Filtro ADC =n
Passa amostragem 0110001
Baixo: a 40KHz 0100010
fcorner=20KHz
0100100
0101011
e.g. Ganho(dB) :
Freq. max. 0
:
=20KHz -3dB corte Freq. :
Instrumentação FCUL-DF 32

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Placa ADC comercial com vários canais de
entrada (com selecção de canal) e S&H

Instrumentação FCUL-DF 33

DAC R-2R popular e suas


características

DAC0800

Instrumentação FCUL-DF 34

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ADCs comerciais (práticos)

 Baixo custo, baixa velocidade (aproximações


sucessivas, 8 bit, 8KHz amostragem), família
National Semiconductor ADC0801,2,3,4.
http://www.national.com/catalog/
 Média velocidade ('half-flash', 8 bits, 666KHz),
National Semiconductor ADC0820.
 Alta velocidade ('flash', 8 bits, 40∼80MHz,
qualidade para vídeo) Philips TDA8714 (/7/6/4).
http://207.87.19.21/products/
Instrumentação FCUL-DF 35

Descrição do ADC0801
(http://www.national.com/catalog)
 ADC de 8 bits, por aproximações sucessivas, usa uma rede
em escada diferencial potenciométrica (no DAC interno).
 'Latches' (trincos) na saída ligam directamente ao barramento
de dados.
 Este ADC foi concebido para poder ser visto como endereço
de memória (DMA) ou como porto de I/O, sem necessitar de
lógica de interface externa.
 Entradas analógicas diferenciais em tensão permitem o
aumento da rejeição de modo comum e reduzem o erro de
desvio ('offset') no zero analógico.
 A tensão de referência pode ser ajustada para se poderem
codificar tensões analógicas baixas com 8 bits de resolução.

Instrumentação FCUL-DF 36

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ADC0801

Instrumentação FCUL-DF 37

ADC0820 'half-flash'
(http://www.national.com/catalog)
 ADC0820 de 8 bits, 'half-flash', tempo de
conversão 1.5 µs
 A entrada do ADC0820 é amostrada e retida pelos
circuitos internos, eliminando a necessidade de um
S&H externo para sinais com SR inferior a 100
mV/µs (este valor é muito elevado!).
 Para uma fácil ligação a microprocessadores, o
ADC0820 foi concebido para ser visto como uma
posição de memória (DMA) ou como um porto de
I/O sem necessitar de lógica de interface externa.
Instrumentação FCUL-DF 38

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ADC0820 'half-flash'

Instrumentação FCUL-DF 39

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