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CONDUÇÃO

Daniel Otárola Tasaico


Eng. Mecânico, M.Sc. Engenharia Ambiental
Condução é um processo pelo qual o calor fui de uma região de
alta temperatura para outra de temperatura mais baixa dentro
de um meio (sólido, líquido ou gasoso) ou, entre meios
diferentes em contato físico direto.
CONDUÇÃO
A condução de calor possui
magnitude e direção, pelo que é uma
grandeza vetorial.

A força motriz de qualquer forma


de transferência de calor é a
diferença de temperatura. Quanto
maior for essa diferença, maior
será a taxa de transferência de
calor.
Distribuição de temperatura: Variação da temperatura ao
longo do meio.
CONDUÇÃO
Em geral, em coordenadas retangulares: T (x, y, z, t).
Transferência de calor permanente: a temperatura ou
fluxo de calor mantém-se inalterado ao longo do tempo
durante a transferência de calor através de um meio, embora
ambas as quantidades possam variar de uma posição para outra.
Regime transiente ou não permanente: a temperatura
ou fluxo de calor variam ao longo do tempo.
CONDUÇÃO

Transferência de
c a l o r
tridimensional: a
temperatura varia ao
longo de todas as
três direções
principais no meio,
durante o processo
de transferência de
calor.
CONDUÇÃO
Transferência de Calor
Bidimensional: a temperatura
em um meio varia principalmente
em duas direções primárias, com
uma variação desprezível na
terceira direção.
Transferência de Calor
Unidimensional: a
temperatura no meio varia em
apenas uma direção e o calor é
transferido em apenas uma
direção.
CONDUÇÃO
A taxa de condução de calor por um meio em uma
determinada direção é proporcional à diferença de
temperatura ao longo do meio e à área normal à direção
da transferência de calor, e inversamente proporcional à
distância naquela direção.
Lei de condução
de calor de
Fourier (caso
unidimensional):
CONDUÇÃO

k: condutividade térmica do
material, que é uma medida da
capacidade do material de conduzir
calor.
dT/dx: gradiente de temperatura,
que é a inclinação da curva de
temperatura em um gráfico T - x.
CONDUÇÃO

A condutividade térmica de um material, em geral,


v a r i a c o m a t e m p e r a t u r a . M a s re s u l t a d o s
suficientemente precisos podem ser obtidos ao utilizar
um valor constante para ela usando uma temperatura
média.
CONDUÇÃO

Considerando um meio em que a


distribuição de calor seja
tridimensional, a figura mostra
uma superfície isotérmica neste
meio. O vetor do fluxo de calor
em um ponto P nesta superfície
deve ser perpendicular à
superfície e apontar no sentido
em que a temperatura decai.
Se n é a normal da superfície
isotérmica no ponto P, a taxa
de condução de calor neste
ponto pode ser expressa pela
lei de Fourier como
CONDUÇÃO
Em coordenadas retangulares, o vetor de condução de
calor pode ser expresso:
GERAÇÃO DE CALOR
Entende-se por Geração de Calor os processos de
conversão de energia mecânica, elétrica, nuclear ou química
em calor (ou energia térmica).
GERAÇÃO DE CALOR
A geração de calor é um fenômeno volumétrico. ou seja,
ocorre por todo um corpo ou meio. Portanto, a taxa de
calor gerado em um corpo é geralmente especificada por
unidade de volume e é denotada por , cuja unidade é W/m3
ou Btu/h.pé3.
A taxa de calor gerado em um meio pode variar tanto com o
tempo quanto com a posição dentro do meio. Quando a
variação da geração de calor com a posição é conhecida, a
taxa total de calor gerado em um corpo de volume V pode
ser determinada através de
EQUAÇÃO DE CONDUÇÃO DE CALOR
UNIDIMENSIONAL
Exemplos: condução de calor por uma extensa parede plana
como o muro de uma casa, o vidro de uma janela grande, a
chapa metálica de uma passadeira de ferro, uma tubulação
de vapor feita em ferro fundido, um elemento cilíndrico de
combustível nuclear, um fio de resistência elétrica, a
superfície de um recipiente esférico ou uma esfera de metal
sendo temperada ou resfriada.
EQUAÇÃO DE CONDUÇÃO DE CALOR
UNIDIMENSIONAL
Nessas e em muitas outras geometrias, a condução de
calor pode ser aproximada como unidimensional, já que a
condução de calor é predominantemente em uma
direção, sendo desprezível nas outras.
EQUAÇÃO DE CONDUÇÃO DE CALOR EM
UMA EXTENSA PAREDE PLANA

Elemento fino de espessura ∆x.


Ƿ: densidade da parede.
c: calor específico da parede.
A: área da parede normal à direção
da transferência de calor.

Ta x a d e Ta x a d e Ta x a d e Taxa de alteração
condução condução geração de da quantidade de
de calor - de calor + calor dentro = energia do
em x em x + ∆x do elemento elemento.
EQUAÇÃO DE CONDUÇÃO DE CALOR EM
UMA EXTENSA PAREDE PLANA

A alteração da quantidade de energia do elemento e a taxa


de calor gerado dentro do elemento podem ser expressas
como

Substituindo na primeira equação:


EQUAÇÃO DE CONDUÇÃO DE CALOR EM
UMA EXTENSA PAREDE PLANA

Dividindo por A∆x:

Tomando limites com ∆x→0, ∆t→0, temos:

Da definição de derivada e da lei de condução de calor de


Fourier:
EQUAÇÃO DE CONDUÇÃO DE CALOR EM
UMA EXTENSA PAREDE PLANA

Como a área A é constante para a superfície plana, a


equação de condução de calor transiente unidimensional
pode ser escrita como

Se assumimos a condutividade térmica constante em um


valor médio:

Difusividade térmica do material. Representa quão


rápido o calor se propaga através dele.
EQUAÇÃO DE CONDUÇÃO DE CALOR EM
UMA EXTENSA PAREDE PLANA

Condições específicas:

Regime permanente:

Transiente sem
geração de calor:

R e g i m e
permanente sem
geração de calor
CONDUÇÃO DE CALOR PERMANENTE EM
PAREDES PLANAS
Balanço de energia para a parede:

Em Regime Permanente:
Ta x a de
transferência de
calor através da
parede deve ser
constante.
CONDUÇÃO DE CALOR PERMANENTE EM
PAREDES PLANAS
Considerando uma parede plana
de espessura L e condutividade
térmica média k. As duas
superfícies da parede são mantidas
a temperaturas constantes T1 e T2.

Como Q e A são constantes,

dT/dx = constante
CONDUÇÃO DE CALOR PERMANENTE EM
PAREDES PLANAS
Isto significa que temperatura
a t r av é s d a p a re d e v a r i a
linearmente com x, ou seja, a
distribuição da temperatura na
parede sob condições
permanentes é uma linha reta.
Exemplo:
Considere uma parede de 3m de altura, 5m de largura e 0,3
m de espessura, cuja condutividade térmica é k = 0,9 W/m.K.
Em um determinado dia, as temperaturas das superfícies
interna e externa da parede são 16ºC e 2ºC ,
respectivamente. Determine a taxa de perda de calor através
da parede nesse dia.
CONCEITO DA RESISTÊNCIA TÉRMICA
A equação para condução de calor através de uma
parede plana pode ser reorganizada como

Resistência térmica da parede contra


a condução de calor ou
simplesmente a resistência de
condução da parede.
Equação análoga com:
CONCEITO DA RESISTÊNCIA TÉRMICA

Analogia entre os conceitos de resistência térmica e elétrica.


CONCEITO DA RESISTÊNCIA TÉRMICA
Convecção: Lei de Newton do
resfriamento.

Resistência térmica da superfície


de convecção contra o calor, ou
simplesmente a resistência de
convecção da superfície.
REDE DE RESISTÊNCIA TÉRMICA
Ta x a d e Ta x a d e Ta x a d e
convecção = condução de = convecção
de calor para calor através de calor da
a parede da parede parede
Exercícios:
Considere uma janela de vidro de 0,8 m
de altura, 1,5 m de largura, espessura de
8 mm e uma condutividade térmica de k
= 0,78 W/m.K. Determine a taxa de
transferência de calor permanente
através desta janela de vidro e a
temperatura de sua superfície interna
para um dia em que a sala seja mantida a
20ºC, enquanto a temperatura no
exterior é de -10ºC. Considere os
coeficientes de transferência do calor
sobre as superfícies interna e externa da
janela iguais a h1 = 10 W/m2.ºC e h2 = 40
W/m2.ºC, que incluem os efeitos da
radiação.
As vezes é conveniente expressar a transferência de
calor através de um meio em uma maneira análoga à lei
de Newton do resfriamento como

U: coeficiente global de transferência de calor.


PAREDES MULTICAMADAS
PAREDES MULTICAMADAS
Exercício:
Considere uma janela de painel duplo de 0,8 m de altura e
1,5 m de largura composta de duas placas de vidro (k = 0,78
W/m.K) de 4 mm de espessura, separadas por um espaço de
ar estagnado (k = 0,026 W/m.K) de 10 mm de largura.
Determine a taxa de transferência de calor permanente
através desta janela de painel duplo e a temperatura de sua
superfície interna em um dia em que a sala seja mantida a
20ºC, enquanto a temperatura no exterior é de -10ºC.
Considere os coeficientes de transferência de calor por
convecção sobre as superfícies interna e externa da janela
como h1 = 10 W/m2.ºC e h2 = 40 W/m2.ºC, que incluem os
efeitos da radiação.
RESISTÊNCIA TÉRMICA DE CONTATO

As superfícies planas que


parecem lisas na realidade são
microscopicamente rugosas.
Quando duas dessas
superfícies são pressionadas
uma contra a outra, os picos
formam um bom contato
material, mas os vales formam
vazios preenchidos com ar,
que funcionam como um
isolamento devido à baixa
condutividade térmica do ar.
RESISTÊNCIA TÉRMICA DE CONTATO

A resistência
oferecida pela
interface à
transferência de calor,
por unidade de área, é
chamada de
resistência térmica de
contato.
RESISTÊNCIA TÉRMICA DE CONTATO

A transferência de calor através da interface é a soma da


transferência de calor através dos pontos de contato sólido e
das lacunas nas áreas em que não há contato. A transferência
de calor é devida à condução através da área de contato real
e à conduçõ e/ou radiação através dos interstícios:

Condutância térmica de contato:


RESISTÊNCIA TÉRMICA DE CONTATO

Resistência térmica de contato:

A valor da resistência térmica de contato depende da


rugosidade superficial e das propriedades do material, bem
como da temperatura e da pressão na interface e do tipo de
fluido aprisionado na interface.
EXEMPLO

A condutância térmica de contato na interface de duas placas


de alumínio de um centímetro de espessura é de 11.000 W/
m2.K. Determine a espessura da placa de alumínio cuja
resistência térmica é igual à resistência térmica da interface
entre as placas.
EXEMPLO
Um fino circuito integrado (chip) de silício e um substrato de
alumínio com 8 mm de espessura são separados por uma
junta epóxi com 0,02 mm de espessura. O chip e o substrato
posuem, cada um, 10 m de lado, e suas superfícies expostas
são resfriadas por ar, que se encontra a uma temperatura de
25ºC e fornece um coeficiente convectivo de 100 W/(m2.K).
Se o chip dissipa 104 W/m2 em condições normais, ele irá
operar abaixo da temperatura máxima permitida de 85ºC?
REDES DE RESISTÊNCIA TÉRMICA
GENERALIZADA

A analogia elétrica pode ser utilizada para obter soluções


aproximadas de problemas de transferência de calor
permanente que envolvem camadas paralelas ou arranjos
em série e em paralelo, assumindo transferência de calor
unidimensional e usando a rede de resistência térmica.
A rede de resistência térmica da
parede composta mostrada, consiste
em duas resistências em paralelo. A
transferência total de calor é a soma
da transferência de calor através de
cada camada.
Considerando a combinação série - paralelo mostrada
na figura:
Para tratar problemas multidimensionais complexos de
transferência de calor, como sendo unidimensionais,
utilizam-se duas hipóteses:
1) Qualquer parede plana normal ao eixo x é
isotérmica (ou seja, que a temperatura varia apenas
na direção x).
2) Qualquer plano paralelo ao eixo x é adiabático (ou
seja, assumir que a transferência de calor ocorre
somente na direção x).
Exemplo:
Uma parede de 3m de altura e de 5 m de largura consiste
de tijolos (k = 0,72 W/m.ºC) horizontais de 16 cm x 22 cm
de secção transversal, separados por camadas de gesso (k
= 0,22 W/m.ºC) de 3 cm de espessura. Existem ainda
gessos de 2 cm de espessura de cada lado do tijolo e uma
camada de 3 cm de espessura de espuma rígida (k = 0,026
W/m.ºC) na face interna da parede, como mostrado na
figura. As temperaturas interna e externa são de 20ºC e
-10ºC, respectivamente, e os coeficientes de transferência
de calor por conveção dos lados interno e externo são h1
= 10 W/m2.ºC e h2 = 25 W/m2.ºC, respectivamente.
Assumindo uma transferência de calor unidimensional e
ignorando radiação, determinar a taxa de transferência de
calor através da parede.
Rede alternativa de resistência térmica para o exemplo
anterior, para o caso de a superfície paralela à orientação
principal da transferência de calor ser adiabática.
CONDUÇÃO DE CALOR EM CILINDROS
E ESFERAS

O calor é perdido a partir de um


tubo de água quente para o ar
exterior na direção radial e a
transferência de calor em um
longo tubo é unidimensional.

A temperatura do tubo depende de uma só direção (a


direção radial r) e pode ser expressa como T = T(r). Essa
situação é aproximada, na prática, para longos tubos (camadas
cilíndricas) e para esferas (camadas esféricas).
CONDUÇÃO DE CALOR EM CILINDROS
E ESFERAS

Na operação permanente não há nenhuma mudança


na temperatura do tubo com o tempo, em qualquer
ponto. Por isso, a taxa de transferência de calor para
dentro do tubo deve ser igual à taxa de transferência
para fora dela. Ou seja, a transferência de calor
através do tubo deve ser constante.
CONDUÇÃO DE CALOR EM CILINDROS
E ESFERAS
Consideremos um comprimento de
uma camada cilíndrica como na
figura. O raio interno r1, raio
exterior r 2 , comprimento L e
condutividade térmica média k. As
duas superfícies da camada
cilíndrica são mantidas a
temperaturas constantes T1 e T2.
Não existe nenhuma geração de
calor na camada e a condutividade
térmica é constante
CONDUÇÃO DE CALOR EM CILINDROS
E ESFERAS
A lei de Fourier da condução de calor para a transferência de
calor através da camada cilíndrica pode ser expressa como

A: área de transferência de calor na posição r.


A = 2πrL
Como A depende de r, varia na direção da transferência
de calor.
CONDUÇÃO DE CALOR EM CILINDROS
E ESFERAS
Separando variáveis e agrupando:

Substituindo o valor de A e executando as integrações:


CONDUÇÃO DE CALOR EM CILINDROS
E ESFERAS
Resistência de condução da camada cilíndrica:
CONDUÇÃO DE CALOR EM CILINDROS
E ESFERAS
Esferas
Pode ser realizada uma análise similar, que fornece:
Considerando uma
transferência de calor
unidimensional através de
uma camada cilíndrica ou
esférica que está exposta à
convecção em ambos os
l a d o s p a r a fl u i d o s a
temperaturas T∞1 e T∞2
c o m c o e fi c i e n t e s d e
transferência de calor h1 e
h2, respectivamente, como
mostrado na figura. No
regime permanente:
Para camada cilíndrica:

Para camada esférica:


CILINDROS E ESFERAS MULTICAMADA
Pode ser tratada da mesma forma que múltiplas camadas
em paredes planas, somando uma resistência adicional
em série para cada camada adicional.
A razão ∆T/R através de qualquer camada é
igual a que permanece constante para a
condução unidimensional permanente.
Exemplo:
O vapor a T∞1 = 320ºC escoa em um tubo de ferro fundido
(k = 80 W/m.ºC), cujos diâmetros interno e externo são D1
= 5 cm e D2 = 5,5 cm, respectivamente. O tubo tem
isolamento de là de vidro (k = 0,05 W/m.ºC) de 3 cm de
espessura. O calor é perdido para o meio a T∞2 = 5ºC por
conveção natural e por radiação, com um coeficiente de
transferência de calor combinado de h2 = 18 W/m2.ºC.
sendo o coeficiente de transferência de calor no interior do
tubo igual a h1 = 60 W/m2.ºC, determinar a taxa de perda de
calor a partir do vapor por unidade de comprimento do
tubo. Determinar também a queda de temperatura da
tubulação e do isolamento.
Exemplo:
Um tanque esférico de 3m de diâmetro interno e de 2 cm
de espessura de aço inoxidável (k = 15 W/m.ºC) é usado
para armazenar água gelada (com gelo) a T∞1 = 0ºC. O
tanque está situado em uma sala cuja temperatura é T∞2 =
22ºC. As paredes da sala estão também a 22ºC. A
superfície externa do tanque é preta e a transferência de
calor entre essa superfície externa e os arredores é por
convecção natural e por radiação. Os coeficientes de
transferência de calor por convecção nas superfícies interna
e externa do tanque são h1 = 80 W/m2.ºC e h2 = 10 W/
m 2 .ºC, respectivamente. Determine (a) a taxa de
transferência de calor para a água gelada no tanque e (b) a
quantidade de gelo a 0ºC que derrete durante um período
de 24 horas.
RAIO CRÍTICO DE ISOLAMENTO
Normalmente, adicionar isolamento sempre aumenta a
resistência térmica da parede sem aumentar a resistência
de convecção. Mas, a adição de isolamento em um tubo
cilíndrico ou em uma casca esférica é uma questão
diferente. O isolamento adicional aumenta a resistência de
condução da camada de isolamento, mas diminui a
resistência de convecção da superfície devido ao aumento
da superfície externa para convecção. A transferência de
calor a partir do tubo pode aumentar ou diminuir,
dependendo do efeito dominante.
RAIO CRÍTICO DE ISOLAMENTO
Considere um tubo cilíndrico de
raio externo r1 cuja temperatura
da superfície externa T 1 é
mantida constante. Agora o tubo
é isolado com um material cuja
condutividade térmica é k e o
raio externo é r2. O calor é
perdido a partir do tubo para o
meio ambiente à temperatura
T∞, com um coeficiente de
transferência de calor por
convecção h.
RAIO CRÍTICO DE ISOLAMENTO
A taxa de transferência de calor a partir do tubo isolado
para o ar ao redor pode ser expressa como

A figura representa a variação de


Q com o raio externo do
isolamento r2. Fazendo dQ/dr = 0
podemos determinar o valor de r2
em que Q atinge um máximo.
RAIO CRÍTICO DE ISOLAMENTO

A taxa de transferência de calor a partir do cilindro


aumenta com a adição de isolamento para r2 < rcr, atinge
um máximo r2 = rcr e começa a diminuir para r2 > rcr.
Assim, isolar um tubo pode realmente aumentar a taxa de
transferência de calor a partir do tubo em vez de diminuí-
la, quando r2 < rcr.
RAIO CRÍTICO DE ISOLAMENTO
Pode-se demonstrar que o raio crítico de isolamento de
uma casca esférica é
Exemplo:
Um fio elétrico de 3 mm de diâmetro e 5 m de comprimento
está firmemente recoberto com uma cobertura plástica de 2
mm de espessura, cuja condutividade térmica é k = 0,15 W/
m.ºC. Medições elétricas indicam que uma corrente de 10 A
passa através do fio e há uma queda de tensão de 8 V ao
longo do fio. Se o fio isolado está exposto a um meio a T∞ =
30ºC, com um coeficiente de transferência de calor h =12 W/
m2.ºC, determinar a temperatura na interface entre o fio e a
cobertura plástica, em funcionamento permanente.
Determinar também se, ao duplicar a espessura da cobertura
plástica, essa temperatura da interface irá aumentar ou
diminuir.
GERAÇÃO DE CALOR EM SÓLIDOS

Muitas aplicações práticas de transferência de calor


envolvem a conversão de alguma forma de energia
em energia térmica no meio. Dizemos que estes
meios envolvem geração de calor interna, que se
manifesta como um aumento em sua temperatura.
Exemplos: fios de resistência, reações químicas
exotérmicas em um sólido e reações nucleares em
pastilhas de combustível nuclear, que convertem
energia elétrica, química e nuclear em calor,
respectivamente.
Geração de calor normalmente é expressa pela unidade de
volume do meio, e é denotada por cuja unidade é W/m3.
Por exemplo, o calor gerado em um fio elétrico de raio
externo ro e comprimento L pode ser expresso como

sendo I a corrente elétrica e Re a resistência elétrica do fio.


A temperatura máxima Tmáx em um sólido que envolve
geração de calor uniforme ocorre no ponto mais distante da
superfície externa quando esta é mantida a uma temperatura
constante Ts. Por exemplo, a temperatura máxima ocorre no
plano central de uma parede plana, no eixo central de um
cilindro longo e no centro de uma esfera.
Os valores de maior interesse em um meio em que há
geração de calor são a temperatura da superfície Ts e a
temperatura máxima T máx que ocorre em operação
permanente.
A Parede Plana

Seja a parede plana da figura, na qual há geração uniforme de


energia por unidade de volume e as superfícies são mantidas a
Ts,1 e Ts,2. Para uma condutividade térmica constante K, a
forma apropriada da equação do calor é

d T q!
2

2
+ =0
dx k
A solução geral é
q! 2
T = − x + C1 x + C2
2k

C1 e C2 constantes de integração.
Condições de contorno:
T(-L) = Ts,1 e T(L) = Ts,2
Ts,2 − Ts,1 q! 2 Ts,1 + Ts,2
C1 = e C2 = L +
2L 2k 2
Distribuição de temperaturas:

!
qL2⎛ x 2⎞
Ts,2 − Ts,1 x Ts,1 + Ts,2
T ( x) = ⎜1− 2 ⎟ + . +
2k ⎝ L ⎠ 2 L 2

O fluxo térmico, com geração de calor, não é mais


independente de x.
Quando as duas superfícies são mantidas a uma mesma
temperatura, Ts,1 = Ts,2 = Ts, a distribuição de temperaturas
é simétrica em relação ao plano central.
!q 2 " x 2 %
T ( x) = L $1− 2 ' + Ts
2k # L &

A temperatura máxima está no plano q! 2


central. T ( 0 ) ≡ T0 = L + Ts
2k
A distribuição de temperaturas pode ser expressa como
2
T ( x ) − T0 " x %
=$ '
Ts − T0 #L&
Notar que no plano de simetria o gradiente de
temperatura é nulo (dT/dx = 0). Assim, não há
transferência de calor cruzando esse plano e ele pode ser
representado pela superfície adiabática mostrada na figura.
Uma implicação do resultado anterior é que a equação
correspondente também se aplica para paredes planas que
têm uma de suas superfícies (x = 0) perfeitamente isolada,
enquanto a outra superfície (x = L) é mantida a uma
temperatura fixa Ts.
EXEMPLO
Uma parede plana é composta por duas camadas de materiais,
A e B. Na parede de material A há geração de calor uniforme
q = 1,5 x 106 W/m3, kA = 75 W/(m.K) e a espessura é LA = 50
mm. A parede de material B não apresenta geração de calor, kB
= 150 W/(m.K) e a espessura é LB = 20 mm. A superfície
interna do material A está perfeitamente isolada, enquanto a
superfície externa do material B é resfriada por uma corrente
de água com T∞ = 30ºC e h = 1000 W/(m2.K).
1. Esboce a distribuição de temperaturas que existe na
parede composta em condições de regime estacionário.
2. Determine a temperatura T0 da superfície isolada e a
temperatura T2 da superfície resfriada.
SISTEMAS RADIAIS

Geração de calor pode ocorrer em uma


variedade de geometrias radiais. Em
condições de regime estacionário, a taxa
na qual o calor é gerado no interior do
cilindro deve ser igual à taxa na qual o
calor é transferido por convecção na
superfície do cilindro para um fluido em
movimento. Essa condição permite que a
temperatura da superfície seja mantida
em um valor fixo Ts.
A equação do calor para condutividade térmica k constante:
1 d ! dT $ q!
#r &+ = 0
r dr " dr % k
dT q! 2
r = − r + C1
dr 2k
A solução geral é:
q! 2
T ( r ) = − r + C1 ln r + C2
4k
Condições de contorno:
dT
=0 e T ( r0 ) = Ts
dr r=0
Para o cilindro sólido a linha de centro é uma linha de simetria
para a distribuição de temperaturas e o gradiente de
temperatura nesta posição deve ser zero. Deste modo C1 = 0.
Usando as condições de contorno na superfície em r = r0:
q! 2
T ( r ) = − r + C1 ln r + C2
4k
E a distribuição de temperaturas será
!qr02 " r 2 %
T (r ) = $1− 2 ' + Ts
4k # r0 &
Avaliando a equação anterior na linha de centro e dividindo a
própria equação pelo resultado, obtemos a distribuição de
temperaturas na forma adimensional:
2
T ( r ) − Ts "r%
= 1− $ '
T0 − Ts # r0 &
Na equação anterior T0 é a temperatura na linha de cnetro.
Para relacionar a temperatura na superfície, Ts, com a
temperatura do fluido frio, T∞, pode ser usado um balanço de
energia na superfície ou um balanço de energia global.
Adotando o segundo procedimento, obtemos
q! (π r L ) = h ( 2π r0 L ) (Ts − T∞ )
0
2

ou
!0
qr
Ts = T∞ +
2h

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