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Fábio Lustosa Souza

NARRATIVAS DE FORMADORES DE
PROFESSORES DE QUÍMICA
1ª Edição

Belém

2020
Copyright da Edição
© 2020 Rfb Editora.

Copyright do Texto
© 2020 O Autor.

Obra sob o selo Creative Commons-Atribuição 4.0


Internacional. Esta licença permite que outros distribuam,
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fins comerciais, desde que lhe atribuam o devido crédito pela
criação original.

www.rfbeditora.com

Editor Chefe
Prof. Dr. Ednilson Sergio Ramalho de Souza.
Lattes iD: http://lattes.cnpq.br/8585311639613120.
Orcid iD: https://orcid.org/0000-0002-2816-0941.

Diagramação e arte da capa


Rosy Farias Borges.

Imagens da capa
https://milcaratulas.com/caratulas-de-quimica/
https://www2.ufjf.br/noticias/2017/05/31/nova-metodologia-rende-premio-
nacional-de-quimica/

Revisão de texto
O autor.
www.rfbeditora.com
Agradecimentos

À UFMT, pela oportunidade de qualificação docente.


Ao Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação em Ciências e
Matemáticas da UFMT, pela excelência na condução do programa.
Aos docentes do Doutorado da PPGECM da UFMT, pela valiosa contribuição
na formação doutoral.
Aos docentes do Polo da UFPA do Doutorado em Educação em Ciências e
Matemáticas (UFMT), pela valiosa contribuição na formação doutoral.
À Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação do IFMA, pelo apoio e
fomento concedido durante o doutorado.
Ao Departamento Acadêmico de Química do Campus São Luís/Monte Castelo
do IFMA, pela parceria docente estabelecida na pesquisa.
Aos docentes, colegas e amigos de profissão, pelo incentivo, companheirismo e
presteza, sobretudo nos momentos mais difíceis da trajetória de formação
doutoral.
À minha família (irmãos), por sempre acreditarem no quão foi importante o
investimento em educação deixado por nossos pais.
Aos meus professores, de todas as etapas de minha vida escolar, pelos
belíssimos exemplos que me inspiraram a ser o profissional que hoje sou.
Homenagem

A Deus, criador de todas as coisas e pessoas, o meu amor eterno.

Aos meus PAIS, Bernadete e Souza (um memorian), pelo amor e dedicação conferidos
na minha trajetória de formação pessoal.

Ao meu amor, Goreth Viana, companheira de todas as horas.


Lista de siglas
CEFET/MA Centro Federal de Educação Tecnológica do Maranhão
CONDIR Conselho de Diretores
DAQ Departamento Acadêmico de Química
EAF- Escola Agrotécnica Federal de Codó/MA
CODÓ/MA
IFMA Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do
Maranhão
LQ Licenciatura em Química
MC Monte Castelo
MEC Ministério da Educação
PARFOR Programa Nacional de Formação de Professores da
Educação Básica
PPC Projeto Pedagógico de Curso
REAMEC Rede Amazônica de Educação em Ciências e Matemática
SEMTEC Secretaria de Educação Média e Tecnológica
SL/MC São Luís/Monte Castelo
UAB Universidade Aberta do Brasil
UFMT Universidade Federal do Mato Grosso
UFPA Universidade Federal do Pará
UFPB Universidade Federal da Paraíba
UFPR Universidade Federal do Paraná
UFRRJ Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
UFSCar Universidade Federal de São Carlos
UNESP Universidade Estadual de São Paulo
UNICAMP Universidade de Campinas
Sumário

Prefácio ............................................................................................................................ 9
Reminiscências de vida e formação .......................................................................... 17
O ensino de Química nos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia
........................................................................................................................................ 33
A pesquisa narrativa na formação de professores de Química ............................ 43
Ideias expressas/subjacentes em relatos de formadores de professores de
Química sobre suas práticas docentes: entre o dito e o prescrito ......................... 49
4.1 - Práticas Pedagógicas Diferenciadas de Formadores de Professores........ 55
i) Indícios de Práticas Pedagógicas Diferenciadas de Formadores de
Professores: processos em construção ............................................................... 56
ii) Para além da intencionalidade: lacunas e dificuldades ............................. 69
iii) A Reflexão na Prática Docente em Química ............................................... 73
iv) A Pesquisa e a Extensão no Ensino de Química ........................................ 84
4.2 O Currículo na Formação de Professores de Química .............................. 90
Sobre o PPC da Licenciatura em Química, o que conhecem os formadores?
................................................................................................................................. 91
Em busca de novos/outros olhares para os formadores de professores de
Química ....................................................................................................................... 113
Referências .................................................................................................................. 122
Sobre o autor............................................................................................................... 132
9
*** Prefácio ***

Prefácio

V
ivemos em um tempo complexo. A atividade docente é
complexa. Precisamos compreender quais sentidos e
significados estamos construindo para a profissão do/a
professor/a. Temos nos perguntado, recorrentemente, sobre como estamos
preparando os futuros professores, ou quais as bases epistemológicas, teóricas e
metodológicas orientam nossas ações educativas e o processo pedagógico como
um todo. O egresso da formação inicial e aqueles em formação continuada
deverão possuir um repertório de fundamentos e habilidades composto por
pluralidade de conhecimentos teóricos e práticos - resultado da execução do
Projeto Pedagógico do Curso (PPC) e do percurso formativo vivenciado, cuja
consolidação se dará ao longo do exercício da profissão.

A Organização Didático-pedagógica, que consta no PPC de um curso,


é uma dimensão muito relevante para seu processo avaliativo inicial, ao ser
solicitada junto ao Sistema e-MEC, a autorização, o reconhecimento ou a
renovação de reconhecimento de curso. O currículo é altamente influenciado
pelos ambientes social, econômico, político, e cultural, que mudam ao longo do
tempo, e são dependentes do contexto local, nacional e internacional, que
justificam a oferta do curso na região geográfica em que está inserido e no
conceito de preparação de estudantes para um mundo cada vez mais complexo,
global e mutante.

As políticas institucionais de formação, as diretrizes curriculares dos


cursos superiores e o mercado de trabalho têm sido fortes filtros no âmbito dos
cursos, determinantes de seus objetivos explicitando sua articulação com o perfil

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*** Prefácio ***

profissional dos egressos. Todavia, há outros filtros que influenciam nas decisões
curriculares tais como fatores pragmáticos, facilidades e oportunidades,
características dos corpos docente e discente, entre outros. Sua estrutura
curricular, com tendências internacionalizadas a exemplo de programas de
mobilidade internacional, como o Erasmus Mundus, entre outros, deve trazer de
forma clara os componentes obrigatórios e optativos, e outros aspectos, entre os
quais estão a flexibilidade e acessibilidade pedagógica e atitudinal.

A Prática como Componente Curricular (PCC) na formação inicial de


professores, prevista a partir do Parecer CNE/CP 02/2002, com sua permanência
nas novas diretrizes do Parecer CNE/CP 02/2015, também assume um
importante papel na formação do/a futuro/a professor/a pela necessária
articulação entre a teoria e a prática na formação inicial, o que justificou a
introdução da obrigatoriedade de 400 horas, distribuídas ao longo do processo
formativo. Em 2002, nos perguntávamos o que seria essa Prática como
Componente Curricular, e chegou-se à conclusão que esta deveria ser
considerada como um conjunto de atividades formativas que propiciariam
vivências na aplicação do conhecimento específico, bem como dos
procedimentos inerentes à docência. Com a Resolução CNE/CP 02/2015, que
definiu as novas diretrizes para os cursos de licenciatura, temos a inclusão do
inciso IV

- 200 (duzentas) horas de atividades teórico-práticas de aprofundamento em


áreas específicas de interesse dos estudantes, conforme núcleo definido no
inciso III do artigo 12 desta Resolução, por meio da iniciação científica, da
iniciação à docência, da extensão e da monitoria, entre outras, consoante o
proje (BRASIL, 2015, p.11)

Como se percebe, já há a algum tempo preocupação com a prática do


professor/a em sala de aula, que se consolidou nas licenciaturas como
componente curricular, aprimorando a formação do/a professor/a, fugindo do
lugar comum de mecanismo para cumprimento da carga horária mínima do

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curso, contribuindo para a sua organicidade. Por outro lado, a atividade teórica,
indissociável da prática, proporciona um conhecimento tal que o futuro professor
necessitará para adequar sua prática pedagógica, para lidar com seus
pensamentos e com a sustentação das mudanças da realidade, quando
necessário.

Assim, a presente obra se constrói sobre os dados de uma pesquisa


A prática docente de professores-
formadores de professores de química, expressa em relatos de suas ações
pedagógicas, denota transição nas concepções e práticas de ensino no IFMA,
ao serem consideradas concepções epistemológicas e pedagógicas que emanam
de diretrizes oficiais e institucionais, apesar dos docentes formadores serem

e tem seu aporte epistemológico na pesquisa narrativa sobre as experiência


vividas pelos sujeitos colaboradores.

Desde o início da obra, Lustosa, o autor, nos remete à reflexão de uma

Capítulo 1 traz suas reminiscências de vida e de formação, a cujo modelo tece


várias críticas. O despertar docente do autor, ainda na adolescência, se deu na
reprodução do cenário educativo tradicional diário, iniciando ali, a construção de
seu percurso para sua definição profissional. Nesse mesmo capítulo, traz autores
que ponderam sobre o processo de formação inicial de professores, da maioria
das universidades, muito centrados, ainda, na racionalidade técnica, embora seja
perceptível nos últimos anos um movimento que se afasta desse panorama na

Lustosa vai nos guiando por seu percurso de sensibilização e de percepção do


que representa a melhoria das práticas docentes. Evidenciam-se, nesse capítulo,
etapas de uma metamorfose necessária ao docente, que se permite reformar o

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*** Prefácio ***

pensamento, que traz a multirelação e a contextualização, no viés da


aprendizagem interdisciplinar e colaborativa, considerando as implicações de
sua práxis pedagógica na existência humana de seu alunado.

No Capítulo 2, o autor apresenta o Sistema Federal de Ensino


Tecnológico dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, cuja
natureza pluricurricular, em estrutura multicampi, oportuniza a oferta de
licenciaturas, entre as quais a de Química em seis campi. Lustosa discorre sobre a
organização curricular do curso, que tem como proposta ser inovador,
integrando diversas áreas do conhecimento. O corpo docente é, em sua maioria,
titulado em nível stricto sensu, sendo que a maioria absoluta 25 de 30, atende
também ao curso técnico de Ensino Médio, tendo que atuar em diferentes
funções.

A pesquisa para o desenvolvimento de uma tese que emprega como


abordagem metodológica a narrativa é significativa no campo da educação, por
dar espaço ao indivíduo professor como ser social, em tempos e espaços diversos,
permitindo ao pesquisador compreender as vidas experienciadas e, explicitar
percepções e caminhos percorridos pelos colaboradores da pesquisa,
contribuindo com saberes de mesmo campo epistemológico, permitindo-lhe
questionar os sentidos e significados de suas vivências e aprendizagens. Assim,
no Capítulo três, em A pesquisa narrativa na formação de professores de
Química, o autor apresenta um breve referencial sobre a pesquisa narrativa
desenvolvida por ele, e como considera as vozes, os relatos e as memórias dos
sujeitos envolvidos como dados vivos de suas histórias, (re)interpretadas pelo
pesquisador, que também narra a sua própria.

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No capítulo quatro, Ideias expressas/subjacentes em relatos de


formadores de professores de Química sobre suas práticas docentes: entre o
Dito e o Prescrito, o autor após ouvir as narrativas sobre as vivências dos
professores, sujeitos colaboradores de sua pesquisa, as reconstrói e reinterpreta
seus significados, visando fomentar reflexões para a construção de novos
referenciais para a prática de ensino dos formadores de professores. O autor
descreve os métodos empregados e apresenta os docentes utilizando
pseudônimo, atendendo à ética profissional da não revelação de suas
identidades. As análises dos relatos das vivências nas entrevistas semi-
estruturadas obtidas, se deram à luz da Análise Textual Discursiva, de Moraes e
Galiazzi (2006).

Assim, Lustosa, ao dar voz aos seus colegas docentes empregando a


narrativa, lhes permite um discurso próprio e revelador de lacunas e dificuldades
em desenvolver práticas pedagógicas diferenciadas no processo de formação de
que sejam capazes de romper com uma formação tradicional de
ensino[...] [...]que o ensino de ciências promova formação para reflexão crítica e
reflexiva, com a apropriação dos conhecimentos científicos como uma forma de ler e
interpretar o mundo ao redor. [...]

A pesquisa vai mostrando, à medida em que os docentes sinalizam


para a necessidade de desenvolvimento de autonomia, de estímulo ao raciocínio
crítico e de superação de velhas práticas tradicionais de ensino, que para
propiciar a efetiva aprendizagem da Química e da futura docência pelos alunos,
coerência
entre a formação oferecida e a prática esperada do futuro professor ndo
novas formas críticas de pensar. Sobre esses aspectos, o autor, apoiado em
a
necessidade de uma ruptura curricular do paradigma cartesiano, ainda hegemônico nas

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*** Prefácio ***

práticas formativas, a fim de propiciar ao aluno formação crítica e reflexiva


interessante destacar que o PPC, do curso de Licenciatura em Química analisado
na pesquisa, traz a defesa de que os professores ultrapassem os limites da
racionalidade técnica, tendo tempo e espaço para desenvolverem suas próprias
práticas de forma competente, crítica e construtiva.

De forma clara e ancorada em teóricos, neste capítulo Lustosa leva o


leitor a ponderar sobre quatro importantes aspectos: i) Indícios de práticas
pedagógicas diferenciadas de formadores de professores: processos em construção; ii) Para
além da Intencionalidade: lacunas e dificuldades; iii) A reflexão da prática docente em
química, e iv) A pesquisa e a extensão no ensino de química. E nos mostra o
entrelaçamento dos conhecimentos teóricos com a prática vivenciada no
cotidiano que levem o professor formador a analisar as condições sociais,
políticas e econômicas que interferem em sua prática pedagógica, critica o

prática não é apenas a aplicação de conhecimentos científicos e pedagógicos, mas


lócus de reflexão e criação, onde conhecimentos são constantemente gerados e
modificados.

Ao longo do capítulo, as narrativas vão alternando nuances de


tendências pedagógicas mais tradicionais e algumas com uma ênfase na
compreensão da realidade histórico-social, de problematização social dos
conteúdos e do cotidiano dos estudantes, de valorização de seus conhecimentos
prévios e, enfim, de sensibilização transformadora, libertadora. Os estudantes
são protagonistas de seu conhecimento e os diferentes saberes docentes
utilizados para desempenhar suas funções devem oportunizar esse
protagonismo. Nessa tendência pedagógica mais progressista a relação
professor-aluno é horizontal, mais próxima e de cumplicidade.

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*** Prefácio ***

A prática docente se estrutura a partir da realidade concreta e os


métodos empregados se relacionam com a vivência do grupo, sendo esse último
tipo de grande relevância para a Educação com tendência histórico-crítica, e é
amplamente defendido por vários teóricos que se debruçam sobre o tema. Os
docentes colaboradores desta pesquisa referem-se à pesquisa e à extensão como
é tomar a pesquisa como
instrumento de ensino, de aprendizagem e de avaliação.

A leitura do contraste entre colaboradores dessa obra é interessante e


mostra lacunas que ainda existem no curso de Licenciatura em Química
estudado, e que também é necessária a preocupação com a formação de
pesquisadores da educação. As narrativas dos formadores de professores
revelam seu desconhecimento de princípios e fundamentos epistemológicos, e
precisam ressignificar sua prática docente.

Encerrando a obra, no Capítulo 5, EM BUSCA DE NOVOS/OUTROS


OLHARES PARA OS FORMADORES DE PROFESSORES DE QUÍMICA...
com o olhar de professor-pesquisador, Lustosa retoma sua tese inicial, e tenta
entender como ocorreu a formação dos formadores de professores de química e
de sua identidade profissional docente e, o autor, após escutas atentas aos
sujeitos colaboradores, apresenta dez proposições que possam contribuir na
prática formativa e na superação do paradigma de formação cartesiana e, assim,
transformar a escola a partir da reformulação efetiva do Projeto Pedagógico da
Licenciatura em Química, do IFMA.

Finalizo esse prefácio com a certeza de que essa obra que, além de meu
próprio aprendizado como formadora de futuros educadores e avaliadora de
cursos de Licenciatura, muito contribuirá para avanços não apenas do curso de
Química do IFMA, mas para qualquer outro curso de Licenciatura, pois ele traz
não apenas fundamentos teóricos e metodológicas, mas sobretudo,

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*** Prefácio ***

epistemológicos que levarão o docente a refletir sua própria práxis pedagógica e


buscar inovar, qualificando cada vez mais seu curso de formação de professores.

Profa. Dra. Edna Hardoim

UFMT

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