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Respostas sociais e educativas para

crianças e jovens

UFCD_9634

761175 - Técnico/a de
Acão Educativa

25 Horas
Respostas sociais e educativas para crianças e jovens UFCD 9634

ÍNDICE

Objetivos e conteú dos................................................................................................................................................ 3

Respostas sociais e educativas para crianças e jovens................................................................................. 5

Ama e Creche Familiar............................................................................................................................................... 5

Creche............................................................................................................................................................................... 8

Educaçã o pré-escolar............................................................................................................................................... 10

Escolaridade obrigató ria e outras respostas.................................................................................................. 15

A criança e o jovem no contexto.......................................................................................................................... 18

Educaçã o pré-escolar............................................................................................................................................... 10

Escolaridade obrigató ria e outras respostas.................................................................................................. 15

A criança e o jovem no contexto - a separaçã o da família – a importâ ncia das rotinas................18

O tempo livre da criança e o tempo ocupado livremente.......................................................................... 26

Tempo de estudo vs tempo livre......................................................................................................................... 30

Os profissionais.......................................................................................................................................................... 32

Os cuidadores informais / formais e outros profissionais.......................................................................32

Bibliografia e netgrafia............................................................................................................................................ 36

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Objetivos:

 Identificar as respostas sociais e educativas existentes para crinças e jovens.

 Apoiar a implementaçã o de respostas sociais e educativas de adaptaçã o da criança e do


jovem.

 Identificar os profissionais que intervêm nos diferentes contextos.

Conteúdos

 Respostas sociais e educativas para crianças e jovens

 Ama e Creche Familiar

 Creche

 Educaçã o pré-escolar

 Escolaridade obrigató ria

 Outras respostas

 A criança e o jovem no contexto

 Adaptaçã o da criança e do jovem aos vá rios contextos

 A separaçã o da família

 A importâ ncia das rotinas

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 O tempo livre da criança e o tempo ocupado livremente

 Tempo de estudo vs tempo livre

 Os profissionais

 Os cuidadores informais

 Os cuidadores formais

 Outros profissionais

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jovens
Ama e Creche Familiar

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A ama é a pessoa que, mediante pagamento pela atividade exercida, cuida na sua
residência de crianças até aos três anos de idade ou até atingirem a idade de ingresso nos
estabelecimentos de educaçã o pré- escolar, por tempo correspondente ao período de trabalho
ou impedimento da família.

Cada ama poderá, no má ximo, tomar conta de quatro crianças, sem nunca colher, em
simultâ neo, mais do que uma criança com deficiência. Apesar de nã o ser obrigató rio, lê-se na
proposta de lei que o “período de permanência diá ria” da criança na companhia da ama nã o
deve exceder as 11 horas.

E tal apenas será possível caso o requerente possua uma “qualificação de dupla
certificação”, obtida por via do Sistema Nacional de Qualificaçõ es tutelado pelo IEFP. Quem,
porém, tiver “formaçã o superior em educaçã o de infâ ncia” ou puericultura, ou experiência
comprovada em cuidar de crianças de pelo menos um ano (exercido nos ú ltimos dois), ficará
dispensado de obter a referida certificaçã o.

Entende-se, por Creche Familiar, um conjunto de amas, não inferior a 12 nem superior
a 20, que residam na mesma zona geográ fica e que estejam enquadradas, técnica e
financeiramente, pelos Centros Regionais de Segurança Social, Santa Casa da
Misericórdia ou Instituições Particulares de Solidariedade Social, com atividades no
â mbito da 1.ª e 2.ª infância. Em 1980 surgem, em Custó ias, Matosinhos, as primeiras amas
enquadradas pela Segurança Social.

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O Programa foi-se estendendo a outras freguesias e, em 1990, o CIVAS foi convidado a
enquadrar institucionalmente estas amas através de um Acordo de Cooperaçã o com a
Segurança Social para 16 amas e 64 crianças, surgindo, assim, a Creche Familiar de
Matosinhos.

As amas são selecionadas por técnicos da Segurança Social e/ou do CIVAS (Educadoras,
assistentes sociais, psicó logas) e sã o preparadas para que, na sua própria habitação, possam
cuidar de crianças, por um período de tempo correspondente ao trabalho ou impedimento
dos pais. É , desta forma, um serviço prestado por amas devidamente formadas para essa
funçã o e licenciadas pelo Centro Distrital de Segurança Social, acolhendo cada uma, no
má ximo 4 crianças.

O CIVAS, enquanto instituiçã o de enquadramento, assegura a admissã o de crianças, o


pagamento da remuneraçã o das amas e do subsídio de alimentaçã o das crianças, o
fornecimento de equipamento e material didá tico necessá rio ao acolhimento das mesmas,
bem como o respetivo apoio técnico-pedagógico.

OBJETIVOS

Garantir um bom nível qualitativo da sua atividade prestando à s crianças os cuidados


necessá rios, em ambiente familiar, de modo a assegurar-lhes a satisfaçã o das suas
necessidades físicas, emocionais, sociais e cognitivas;

Colaborar na manutençã o da saú de de cada criança e do grupo que lhe está confiado.

Colaborar com as famílias das crianças de modo a que os cuidados que lhe sã o
prestados, constituam uma continuidade dos cuidados familiares.

ATIVIDADES:

O trabalho desenvolvido pela ama visa nã o só a satisfação das necessidades básicas


de alimentação, higiene, repouso e segurança, mas igualmente a realizaçã o de atividades
lúdico-pedagógicas, indispensá veis para o desenvolvimento global e harmonioso da criança.
Diariamente, através de experiências novas e diversificadas, num ambiente familiar
favorá vel e tendo em conta as caraterísticas específicas das crianças durante os seus
primeiros anos de vida, as amas em colaboração com a Educadora, asseguram um bom

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desenvolvimento físico, só cio afetivo e cognitivo, através de: atividades de expressã o plá stica,
rasgagem/colagem, pinturas com pé, mã o, pincel, dedo e utensílios variados, desenho livre,
modelagem, danças, jogos lú dicos espontâ neos, Jogos de movimento corporal livre, puzzles,
Jogos de encaixe, construçõ es com legos, exploraçã o de livros, cançõ es, histó rias, lengalengas,
comemoraçã o de datas festivas (em conjunto com o infantá rio).

Creche

Uma creche, em Portugal, consiste num espaço destinado ao apoio pedagó gico e cuidado de
crianças com idades compreendidas entre os três meses e os três anos. Dos três meses à
aquisiçã o da marcha, as crianças encontram-se em berçá rios, transitando para as salas
seguintes até aos três anos em que passam para a valência de jardim-de-infâ ncia. Ambos estes
espaços (creche e jardim de infâ ncia) encontram-se em infantá rios, colégios e externatos.

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A segurança social é a entidade reguladora e fiscalizadora das atividades relacionadas
com as crianças dos três meses aos três anos

Quais os seus objetivos?

Proporcionar o bem-estar e desenvolvimento integral das crianças num clima de


segurança afetiva e física, durante o afastamento parcial do seu meio familiar através de um
atendimento individualizado;

Colaborar estreitamente com a família numa partilha de cuidados e responsabilidades


em todo o processo evolutivo das crianças;

Colaborar de forma eficaz no despiste precoce de qualquer inadaptaçã o ou deficiência


assegurando o seu encaminhamento adequado;

Criar um clima afetivo adequado;

Proporcionar à criança situaçõ es idó neas que possam permitir-lhe o desenvolvimento


da sua inteligência;

Deixar a criança descobrir por si pró pria;

Potenciar a confiança da criança em si pró pria e nas suas possibilidades;

Ligaçã o família/escola;

Realizar um atendimento psicopedagó gico no dia-a-dia, proporcionando um


desenvolvimento emocionalmente seguro, sem substituir a família.

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Educação pré-escolar

A educação pré-escolar é a primeira etapa da educaçã o bá sica no processo de educaçã o


ao longo da vida, sendo complementar da ação educativa da família, com a qual deve
estabelecer estreita cooperaçã o, favorecendo a formaçã o e o desenvolvimento equilibrado da
criança, tendo em vista a sua plena inserçã o na sociedade como ser autó nomo, livre e
solidá rio.

De acordo com a Lei Quadro, a educação pré-escolar é a primeira etapa da educaçã o


bá sica no processo de educaçã o ao longo da vida, sendo complementar da açã o educativa da
família, com a qual deve estabelecer estreita cooperaçã o, favorecendo a formaçã o e o

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desenvolvimento equilibrado da criança, tendo em vista a sua plena inserçã o na sociedade
como ser autónomo, livre e solidário.

A educação pré-escolar refere-se à s crianças dos 3 anos até ao ingresso na


escolaridade obrigató ria e é ministrada em estabelecimentos de educaçã o pré-escolar.

A frequência da educação pré-escolar é facultativa, reconhecendo à família o


primeiro papel na educaçã o dos filhos, consagrando-se contudo, a sua universalidade para as
crianças que perfazem 5 anos de idade.

Por estabelecimento de educação pré-escolar entende-se a instituiçã o que presta


serviços vocacionados para o desenvolvimento da criança, proporcionando-lhe atividades
educativas e atividades de apoio à família:

Constituem objetivos da educação pré-escolar:

Promover o desenvolvimento pessoal e social da criança com base em experiências de


vida democrá tica, numa perspetiva de educaçã o para a cidadania;

Fomentar a inserçã o da criança em grupos sociais diversos, no respeito pela


pluralidade das culturas, favorecendo uma progressiva consciência do seu papel como
membro da sociedade;

Contribuir para a igualdade de oportunidades no acesso à escola e para o sucesso da


aprendizagem;

Estimular o desenvolvimento global de cada criança, no respeito pelas suas


características individuais, incutindo comportamentos que favoreçam aprendizagens
significativas e diversificadas;

Desenvolver a expressã o e a comunicaçã o através da utilizaçã o de linguagens mú ltiplas


como meios de relaçã o, de informaçã o, de sensibilizaçã o estética e de compreensã o do
mundo;

Despertar a curiosidade e o pensamento crítico;

Proporcionar a cada criança condiçõ es de bem-estar e de segurança, designadamente


no â mbito da saú de individual e coletiva;

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Proceder à despistagem de inadaptaçõ es, deficiências e precocidades, promovendo a
melhor orientaçã o e encaminhamento da criança;

Incentivar a participaçã o das famílias no processo educativo e estabelecer relaçõ es de


efetiva colaboraçã o com a comunidade.

A rede nacional de educação pré-escolar é constituída pela rede pú blica e pela rede
privada. À rede pú blica pertencem os estabelecimentos de educaçã o pré-escolar do
Ministério da Educação e Ciência e do Ministério da Solidariedade e da Segurança
Social. Da rede privada fazem parte os estabelecimentos com e sem fins lucrativos -
instituiçõ es do ensino particular e cooperativo, no primeiro caso e, no segundo, as instituiçõ es
particulares de solidariedade social (IPSS).

A tutela pedagógica é da responsabilidade do Ministério da Educação e Ciência,


competindo-lhe assegurar a qualidade pedagó gica do ensino ministrado nos estabelecimentos
da rede nacional de educaçã o pré-escolar.

Através de Protocolos de Cooperação assinados entre o Ministério da Educaçã o e Ciência e


o Ministério da Solidariedade e da Segurança Social, é assegurada, nos estabelecimentos da
rede nacional, a gratuitidade da componente educativa.

No caso dos jardins de infâ ncia da rede pú blica existem, também, Protocolos assinados entre o
Ministério da Educaçã o e Ciência e as autarquias por forma a que haja uma comparticipaçã o
por parte do Estado para o desenvolvimento das atividades de animaçã o e de apoio à família.
Esta componente engloba o almoço e o prolongamento de horá rio. Os valores a subsidiar sã o
estabelecidos, anualmente, através de legislaçã o pró pria. A comparticipaçã o das famílias é
calculada de acordo com as respetivas condiçõ es socioeconó micas.

Os jardins de infância asseguram um regime de funcionamento e um horá rio flexível,


onde consta as 5 horas diá rias da componente educativa, da responsabilidade do educador de
infâ ncia (com as habilitaçõ es legalmente previstas para o efeito), bem como as horas
dedicadas à s atividades de animaçã o e de apoio à família. Estes estabelecimentos mantêm-se
obrigatoriamente aberto até à s 17 h e 30 m e por um período mínimo de 8 h diá rias. No
entanto, alguns jardins-de-infâ ncia oferecem um horá rio mais alargado de funcionamento,
adaptado segundo as necessidades das famílias.

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O período de funcionamento do jardim-de-infância deve ser comunicado aos


encarregados de educação no início do ano letivo.

Critérios de admissã o e escolha de instituiçõ es

Nos jardins-de-infância da rede pública os critérios de matrícula, renovaçã o de matrícula e


constituiçã o das turmas, estã o definidos por lei (Despacho Normativo n.º 7-B/2015, de 7 de
maio, retificado pela Declaraçã o de Retificaçã o n.º 511/2015, de 18 de junho).

No caso de estabelecimento da rede privada, os pais têm liberdade de escolha


submetendo-se, no entanto, aos critérios de admissã o estabelecidos no regulamento interno
da instituiçã o.

Na educação pré-escolar os grupos sã o constituídos por um mínimo de 20 e um má ximo de


25 crianças, nã o podendo ultrapassar este limite, embora quando se trate de um grupo
homogéneo de crianças de 3 anos de idade, o nú mero de crianças confiadas a cada educador
nã o possa ser superior a 15.

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A composição etária do grupo de crianças depende da opçã o pedagó gica do educador de


infâ ncia, tendo em conta os benefícios de um grupo com idades pró ximas ou diversas, a
existência de uma ou vá rias salas, ou as características demográ ficas da localidade.

Os grupos que integrem crianças com necessidades educativas especiais de cará cter
permanente, e cujo programa educativo individual assim o determine, sã o constituídas por 20
crianças, nã o podendo incluir mais de 2 crianças nessas condições.

Estruturas alternativas organizacionais

A Educação de Infância Itinerante é uma modalidade de educaçã o pré-escolar que


possibilita o acesso das crianças dos 3 aos 5 anos de idade residentes em zonas rurais, a
atividades educativas naqueles locais onde, pelo nú mero insuficiente de crianças, (menos de
quinze), não é possível a criação de um Jardim de Infância.

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O educador de infância desloca-se às diferentes localidades geograficamente distantes e
de acesso difícil, onde trabalha com um número reduzido de crianças e desenvolve o
currículo de acordo com as orientaçõ es curriculares, da mesma forma que os educadores que
trabalham em jardim-de-infância.

Escolaridade obrigatória e outras respostas

O que é a Escolaridade Obrigatória?

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É um direito e um dever que assiste a todos os cidadã os com idades compreendidas
entre os 6 e os 18 anos.

A Escolaridade Obrigatória implica, para os encarregados de educaçã o, o dever de


procederem à matrícula dos seus educandos e, para os alunos, o dever de frequência.

Abrange apenas os Ensinos Bá sico (1º, 2º e 3º ciclos) e Secundá rio, até ao 12ºano.

A escolaridade é obrigatória até aos 18 anos?

Sim. A Escolaridade Obrigató ria implica, para os encarregados de educaçã o, o dever de


procederem à matrícula dos seus educandos e, para os alunos, o dever de frequência.

A obrigatoriedade cessa no momento do ano escolar em que o aluno complete os 18


anos. Pode terminar antes se o aluno obtiver um diploma de curso conferente do nível
secundá rio (12º ano).

A escolaridade obrigatória inclui a educação pré-escolar?

Nã o, inclui apenas os Ensino Básico e Secundário, visto abranger somente alunos com
idades compreendidas entre os 6 e os 18 anos.

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A Lei nº 85/2009, de 27 de agosto, consagra a universalidade da educaçã o pré-escolar para
todas as crianças a partir do ano em que atinjam os 5 anos de idade. Isto significa que o Estado
se compromete a garantir que exista vaga para todas as crianças com 5 anos na educaçã o pré-
escolar, caso os encarregados de educaçã o assim o desejem. Contudo, esta nã o é obrigató ria.

Quando e onde devo inscrever o meu educando?

A primeira matrícula no ensino bá sico é obrigató ria quando a criança complete 6 anos
de idade até 15 de Setembro e realiza-se no primeiro ano do 1º ciclo.

Os alunos poderão matricular-se em escolas da rede pú blica, particular e


cooperativa, bem como em instituiçõ es de educaçã o e formaçã o reconhecidas pelas entidades
competentes.

A Escolaridade Obrigatória é gratuita?

Em Portugal, o ensino é universal e gratuito, por isso nã o podem ser cobradas


propinas, taxas ou emolumentos relacionados com a matrícula, frequência e certificaçã o do
aproveitamento em escolas da rede pú blica. Isto não abrange outras instituições nem inclui
material (manuais e materiais escolares, etc.).

Os alunos em situação de carência, abrangidos pela escolaridade obrigató ria, podem


beneficiar de apoios no âmbito da ação social escolar, nomeadamente na aquisiçã o do dito
material.

Quais os deveres e direitos do aluno durante a escolaridade obrigatória?

Os deveres e direitos dos alunos estã o estabelecidos no “Estatuto do Aluno”, publicado


através da Lei nº 51/2012, de 5 de setembro.

Para os efeitos de cumprimento da legislaçã o aplicá vel, anualmente é publicado o


Calendá rio Escola que determina os períodos letivos e nã o letivos.

A escolaridade obrigatória, em Portugal, é universal e exerce-se com base na seguinte


legislação:

Lei n.º 85/2009, de 27 de agosto

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Lei n.º51/2012, de 5 de setembro

Decreto-Lei n.º176/2012, de 2 agosto

Decreto-Lei n.º 139/2012, de 5 de julho

Despacho n.º 5048-B/2013, de 12 de abril

A criança e o jovem no contexto


Adaptação da criança e do jovem aos vários contextos - A
separação da família – a importância das rotinas

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Os 12 primeiros meses de vida sã o essenciais para o bebé e para os seus pais sendo que,
nesta fase, devem aproveitar o máximo de tempo juntos, fomentando brincadeiras,
massagens e outras atividades benéficas para o bebé e gratificantes para os seus pais.

Para um crescimento saudável e feliz, a criança deverá desenvolver até aos 36 meses as
bases emocionais que a irã o “fortalecer” como ser humano.

Desta forma, torna-se indispensá vel que os pais criem momentos de qualidade na relaçã o com
os seus filhos. Também, a quantidade de tempo é muito importante para o bebé; se os pais
tiverem possibilidades, optem pela profissã o mã e/pai a tempo inteiro, se nã o, devem
organizar o horá rio de forma a dispor de tempos exclusivos para o filho. No entanto, nem
sempre é possível para os pais ficarem com os filhos apó s os 6 meses. Assim, apó s a licença de
maternidade (que pode ser partilhada com o pai do bebé), os pais têm de voltar à sua rotina
laboral, ou seja, voltar ao emprego e deixar o seu novo amor na creche, na ama ou com os
avós.

Após alguns meses de estreita relação, a tempo inteiro, entre a mã e/pai e o bebé, será
natural sentir alguma ansiedade nesta fase de separaçã o devendo, por isso, ser um processo
de transiçã o gradual, para que todos se sintam confortá veis com a nova situaçã o.

A adaptação à creche deverá ser progressiva sendo que, inicialmente, o bebé deverá ir por
curtos períodos de tempo acompanhado de um ou de ambos os progenitores, até
permanecer de manhã e à tarde. Sempre que possível a criança nã o deverá permanecer na
creche até muito tarde, nã o devendo “esticar” a hora de ir buscá -la.

Uma adaptaçã o feita nestes moldes ajuda a criança e os pais diminuindo, assim, a ansiedade
de ambos.

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Se a criança tiver algum objeto de estimação (boneco, fralda de pano, etc.) que a
acompanhe será ú til, funcionando como objeto de transiçã o. Estes objetos sã o usados pela
criança como um suporte na conquista da autonomia, uma vez que sã o uma espécie de
substituto materno e permitem à criança organizar-se mentalmente na ausência das suas
figuras de referência. As crianças ao ficarem sozinhas na cama, por exemplo, na creche ou no
jardim-de-infâ ncia, usam esses objetos para se sentirem mais confiantes.

Será imprescindível sentir confiança no sítio eleito portanto, os pais devem


certificarem-se que optam por uma creche que corresponde à filosofia de vida e ao tipo de
pedagogia que escolheram como sendo a melhor para o seu bebé.

Devem dar a conhecer todas as dú vidas e receios para que tudo fique esclarecido antes de
apresentar o bebé à sua creche (se for este o caso).

A atitude mais saudável a ter para o bebé será transmitir-lhe boas sensaçõ es. Por isso,
deverã o ter boas impressõ es desse local para que as transmitam ao seu filho.

Devem mostrar confiança e tentar transmitir a mensagem mais importante: "A Mamã já volta;
gosta muito de ti; ficará s seguro neste local, onde tens outras pessoas que também gostam de
ti e irá s brincar com outros bebés..."

É geralmente sabido que os bebés se adaptam com mais facilidade a tudo o que é novo, como
novas situaçõ es e ambientes, e quanto mais cedo a criança entrar para a creche, mais fá cil será
a sua adaptaçã o. Costuma-se dizer que a adaptaçã o dos pais é mais difícil que a das crianças,
ou seja, uma criança habitua-se mais facilmente à separação da figura parental do que os
pais à separaçã o dos filhos.

É essencial que haja segurança por parte dos pais, quando vã o deixar os filhos na creche,
mesmo que a criança chore ou implore para nã o ficar ali, é importante que os pais nã o cedam
a este tipo de “chantagem” feita pelas crianças. Deverã o sair da creche sem dar demasiada
importâ ncia à “birra”, por muito difícil que possa ser para os pais, este comportamento é o
mais adequado.

A firmeza dos pais tem um papel extremamente importante nesta hora, pois ao explicar aos
filhos, com todo o carinho e amor que os vã o buscar ao final do dia; apesar de gostarem muito
deles têm de ir trabalhar. A criança, aos poucos, vai percebendo a rotina e saberá que ao fim
do dia os pais a vã o buscar; isto cria na criança segurança e estabilidade.

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A creche deverá ser entendida como uma grande parceira na educaçã o, desenvolvimento e
crescimento do seu filho, como adjuvante na transmissã o das bases necessá rias para o seu
bem-estar físico, psíquico, emocional e intelectual.

Ao chegarem ao jardim-de-infância, as crianças trazem consigo experiências e


atitudes diferentes perante a vida, perante a aprendizagem e perante a sua pró pria auto-
estima.

As diversas origens sociais e culturais afectam essas mesmas atitudes. Proporcionar,


no jardim-de-infâ ncia, ambientes linguisticamente estimulantes e interagir verbalmente com
cada criança sã o as duas vias complementares que podem ajudar a combater as assimetrias
que afetam o desenvolvimento da linguagem nas crianças.

O educador é um dos principais elementos que pode desenvolver a relaçã o escola –


família, devendo ver a família como um parceiro activo na educaçã o como realça Isabel
Correia “a nó s educadores compete-nos deixar que essa família leve a cabo a sua funçã o. Nó s
somos como uns contemplativos da família.” Os educadores de infâ ncia encaram o
relacionamento com as famílias como algo integrante das suas tarefas profissionais.

A construçã o de uma relaçã o só lida no início da experiência de Jardim de Infâ ncia


implica que o educador conheça as experiências, a cultura, os valores e crenças educacionais
da família.

O educador pode desenvolver determinadas estratégias, de modo a fortalecer a


ligaçã o com a família, tais como: realizar reuniõ es com os pais para lhes explicar as
actividades planeadas e focar a oportunidades de aprendizagem que podem ser desenvolvidas
em casa; promover encontros individuais com os pais; apostar no convite para passeios e
excursõ es e para a participaçã o nas exposiçõ es de trabalhos das crianças; realizar peças de
teatro ou dramatizaçõ es com a colaboraçã o dos pais; e por fim, reforçar a ideia de
colaboraçã o.

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Deste modo, os pais, reconhecidos nas suas funçõ es, sentem-se disponíveis para
oferecer as suas competências, o seu tempo é para expressar as suas preocupaçõ es, as suas
alegrias, as suas expectativas. Redescobrem-se num novo papel sentindo-se apreciados,
agradecidos, integrados, solicitados para novas formas de intervir na educaçã o dos filhos.

"Aqueles que passam por nó s, nã o vã o só s, nã o nos deixam só s. Deixam um pouco de si, levam
um pouco de nó s" (Exupery)

A adaptação escolar nã o acontece apenas quando uma criança vai à creche ou à pré-
escola pela primeira vez, mas sempre que se depara com uma nova etapa de ensino ou um
novo ambiente, como uma mudança de escola ou de turma.

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Se o novo gera insegurança e ansiedade em qualquer idade, na Educaçã o Infantil, esse


processo é ainda mais intenso. Saindo das suas zonas de conforto, os pequenos veem-se num
ambiente coletivo com regras diferentes das de casa, sã o estimulados a participar em
atividades incomuns ao seu dia a dia e passam a conviver com adultos e crianças
inicialmente estranhos.

A adaptação é esse momento de transiçã o em que a criança vai-se habituando à nova rotina
longe dos familiares que tem como referência. Dia apó s dia, vai criando um vínculo com os
professores, coleguinhas e atividades, sentindo-se cada vez mais segura.

Nã o existe um tempo determinado para essa transiçã o. "Em geral, o período inicial da
adaptaçã o dura entre uma ou duas semanas, mas depende da criança, da família e das suas
experiências anteriores relacionadas à s separaçõ es que enfrentamos na vida.

Algumas posturas podem facilitar a chegada dos pequenos a esse novo universo:

Como se planear para o período de adaptação?

Antes do início das aulas, é interessante que a escola faça uma entrevista com os
responsá veis para preencher uma ficha com informaçõ es detalhadas sobre cada criança. Esse

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encontro também é uma oportunidade de criar um vínculo entre a instituição e a família e
dar mais segurança aos pais.

É importante questionar sobre as brincadeiras preferidas, medos, quem está presente no


quotidiano da criança, quanto tempo costuma passar com os pais, além de cuidados especiais
de saú de e alimentaçã o. Com essas informaçõ es, fica mais fá cil planear atividades de acordo
com os interesses e experiências das turmas.

Como deve ser a receção às crianças?

O professor deve demonstrar interesse em saber como a criança está , mesmo que ela
esteja agarrada ao colo da mã e, para criar uma aproximaçã o e transmitir segurança, mas sem
forçar uma relação que ainda está a ser criada.

Que tipo de orientação o professor pode dar para tranquilizar os familiares?

Ansiedade e insegurança sã o comuns na adaptaçã o, um período intenso e repleto de


novidades. Essa sensaçã o deve diminuir na medida em que a família estabeleça uma relação
de confiança com a escola.

Se os familiares encararem a entrada na escola como algo positivo, que gera autonomia,
crescimento, amadurecimento e ajuda na socializaçã o, será ó timo para todos. Se for
vivenciada como culpa pelo abandono, será difícil para todos.

Por isso, é importante que o professor demonstre segurança, confiança de que tudo vai dar
certo e informe os pais sobre as atividades que serã o realizadas.

As rotinas diárias sã o de extrema importâ ncia e devem acompanhar o desenvolvimento


das crianças, sendo alteradas de acordo com o seu crescimento.

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Por exemplo, no que se refere ao sono, uma rotina adequada à idade da criança faz com que
exista estabilidade no ritmo circadiano, o que permite um melhor desenvolvimento da
criança a todos os níveis.

As alterações no sono das crianças sã o um dos primeiros alertas de que algo está errado
com as rotinas, sendo estas pouco apropriadas.

A verdade é que a falta de rotinas ou a existência de rotinas desadequadas, afeta os


padrõ es alimentares, o comportamento no infantá rio e em casa, bem como o temperamento
da criança.

Estabelecer rotinas consistentes e adequadas faz com os bebés se sintam mais confiantes e
seguros face ao mundo que os rodeia. Estes comportamentos diá rios devem verificar-se para
a alimentação, tempo para brincar, horas do banho, entre outros.

As rotinas adequadas têm inú meras vantagens, uma delas é ao nível da diminuiçã o de
conflitos na relaçã o pais-filhos, uma vez que as crianças aprendem desde cedo a importâ ncia
de cumprir determinadas açõ es.

Uma outra vantagem, associada às rotinas, relaciona-se com o desenvolvimento de


competências sociais. Por exemplo, no caso da preparaçã o da chegada do irmã o mais novo é
importante que a criança perceba quais as alteraçõ es que vã o ocorrer nas suas rotinas e que
estas podem ajudar na sua relação com o irmãozinho.

O dizer “olá ” quando recebem visitas, o agradecer algo e dizer “adeus” quando se despedem,
sã o comportamentos que também devem fazer parte das rotinas das crianças, uma vez que
devem ser vistos como importantes por elas.

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Contudo, é importante que estas rotinas acompanhem o crescimento das crianças. À
medida que vã o ficando mais crescidinhas, as crianças devem assumir as suas
responsabilidades, como por exemplo lavar as mãos antes e depois das refeições.

O tempo livre da criança e o tempo ocupado livremente

O tempo livre das crianças está a tornar-se um luxo, com riscos para o seu desenvolvimento.
Elas precisam de tempo, espaço e liberdade para brincar e para nã o fazer nada. Tal como
precisam de ar para respirar.

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Mãe, não tenho nada para fazer!” A observaçã o, quase sempre acompanhada de uma
expressã o de aborrecimento e de sú plica, pode até fazer-nos sentir responsá veis pelo
“problema” e levar-nos a agir, inventando “qualquer coisa” para os entreter: uma sugestã o de
brincadeira, um filme de animaçã o na TV, um jogo no tablet… Na verdade, a urgência em
mantê-los ocupados nã o só é desnecessá ria como pode ser contraproducente.

As crianças precisam de tempo para não fazer nada, para se aborrecerem, porque é esse
confronto com o tempo livre que lhes dá a oportunidade de explorar o seu mundo interior e
exterior, estimulando a criatividade e a imaginaçã o, aprendendo a resolver problemas e
desenvolvendo competências motivacionais. Se os mantemos demasiado ocupados com
atividades estruturadas ou entretenimento tecnoló gico, dificilmente vã o descobrir as suas
paixõ es e interesses.

É preciso dar-lhes tempo, espaço e liberdade para que possam criar, inventar, descobrir-
se… Tempo para observar os insetos na rua, para escrever uma histó ria ou uma cançã o, para
construir uma fortaleza no quintal, para organizarem um torneio de futebol com os amigos do
bairro. Ou seja, explorar a tal sensaçã o inicial de aborrecimento, que os motiva a encontrar
algo de estimulante, pode ser exatamente o que a criança precisa de “fazer”. O verdadeiro
problema é que este tempo livre está a tornar-se um luxo, com riscos para o seu
desenvolvimento.

“Faz-lhes falta tempo para ‘não fazer nada’. De facto, quer seja pelos seus pesados horá rios
escolares, com pouco tempo de atividade nos recreios, quer seja pelos horá rios de trabalho

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dos pais, com avó s que (ainda) trabalham, as crianças acabam por ficar muitas horas em
contexto escolar”, aponta a psicó loga Inês Marques, coordenadora da á rea infantojuvenil da
Oficina de Psicologia. Contexto esse “tantas vezes preocupado com metas de aprendizagem
que se esquecem da importâ ncia das horas de recreio, para o desenvolvimento global da
criança”, refere a especialista, sublinhando que “num recreio a criança cresce de forma
completa e plena, nas suas dimensõ es cognitiva, emocional, social e física”. Mas hoje em dia,
“mesmo que nã o seja dentro da escola, muitas crianças têm agendas tã o ou mais preenchidas
que os seus pais, com horá rios ‘fechados’ para as mais diversas atividades estruturadas, como
a nataçã o, o piano e o inglês, por exemplo. E onde fica a mais importante - o brincar? Onde fica
a possibilidade de se deitarem no chã o do quarto ou na relva do jardim e olharem para o céu a
sonhar? Onde fica o tempo para se brincar livremente?”

O tempo dos porquês

Está na hora, entã o, de repensar a agenda dos mais pequenos e nã o a preencher em


demasia com atividades estruturadas, está na altura de deixar de os entreter com DVDs ou
jogos de vídeo durante as viagens de carro ou as refeiçõ es em restaurantes, é tempo de lhes
proporcionar a oportunidade de escolherem e inventarem as suas pró prias brincadeiras. Por
que isso permite-lhes crescer e desenvolverem-se.

A criança aprender a fazer escolhas (jogo ou leio um livro? Brinco sozinho ou procuro
companhia?), usa a criatividade quando pouco ou nada de estruturado lhe é oferecido (como
me vou entreter?), desenvolve o seu raciocínio, explora o mundo e o espaço, o seu ‘eu’ interior
e a sua relaçã o com os outros...”, É o tempo das perguntas e das respostas, porque nas ditas
atividades mais estruturadas nã o há tanto espaço para o questionar.” Por isso, o “nã o fazer
nada” é fazer muito! “Um fazer muito que é gerado pela criança, consoante os seus gostos e
interesses, consoante a sua disponibilidade e vontade do momento.

Se não brinca, asfixia

O problema, relaciona-se mais com a quantidade de atividades em que as crianças se


envolvem e nã o tanto com as atividades em si, que na sua maioria até desempenham
importantes papéis no desenvolvimento de á reas específicas do crescer. Por isso é essencial
perceber se a criança tem tempo para brincar com os seus brinquedos, com as suas

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coisas. Se ela se queixa de que nã o tem, entã o talvez brincar de forma livre esteja a ser um
luxo para ela… E brincar nunca poderá ser um luxo para uma criança. Com o risco de criarmos
crianças formatadas, contidas, que questionam menos, crianças menos curiosas, menos
criativas, menos desenrascadas.

Brincar é uma necessidade, é como respirar. Se as privamos de respirar estamos a asfixiá -


las. Também se morre asfixiado por nã o brincar. É preciso compreender isso”, alerta Maria
José Araú jo, explicando que esta asfixia vê-se no comportamento irreverente: no choro
compulsivo, no cansaço, nas birras, na impertinência, no mau humor, nas dificuldades de
aprendizagem na escola e fora dela, nas respostas inadequada.

E como se resolve esta situaçã o? Com bom senso, criando condiçõ es para que brinquem umas
com as outras. Na escola, na rua, com os primos, no parque… O importante é que brinquem e
muito, porque brincar e jogar é uma atividade muito completa mas que precisa de treino.
Brincar implica “estar com outros, saber conviver com eles, criar uma relaçã o,
experimentar, criar, inventar, explorar, imaginar.... E se nã o treinarem essas competências
com o seu grupo de pares (umas com as outras) e com os adultos que estão com elas, depois
nã o o saberã o fazer.

Por outro lado, a preocupação em manter as crianças ocupadas, muitas vezes faz com que
os pais agendem programas ao fim de semana que parecem nã o ter fim. E pelo meio perde-se
algo tã o importante e que as crianças realmente valorizam, que é o tempo de partilha: a
interação entre pais e filhos pode acabar por nã o ser tã o nutrida quando o foco é ‘apenas
fazer coisas, para depois lembrar que o que se ganha do ponto de vista emocional numa

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sessã o de có cegas ou guerra de almofadas, numa tarde de histó rias e fantoches, num bolo feito
por todos, num jogo de tabuleiro, entre tantas outras possibilidades, é incomensurá vel... E
tudo isto sem hora marcada na agenda.

Tempo de estudo vs tempo livre

As crianças têm cada vez menos tempo para brincar. E passam menos tempo ao ar livre
que os reclusos. Isto pode ter consequências sérias no seu desenvolvimento. É urgente refletir.
“Precisamos de deixar as crianças ser crianças”. A brincadeira, fundamental no
desenvolvimento da criança aos mais variados níveis, está “ameaçada” e exige uma atençã o
especial (e uma mudança radical) por parte de pais e educadores. Caso contrá rio, e a

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continuarmos assim, a (falta) de brincadeira vai ter consequências desastrosas no futuro das
nossas crianças.

O alerta foi lançado no seminário “Revisitar o valor


do Brincar”, uma iniciativa organizada pela Câ mara Municipal de Esposende, em colaboraçã o
com a Comissã o de Proteçã o de Crianças e Jovens e com o Centro de Intervençã o Psicoló gica e
Terapêutica, que pretendeu promover a reflexã o sobre a importâ ncia do Brincar no
desenvolvimento infantil. “Para a criança se desenvolver precisa de brincar”, começou por
lembrar o pediatra Hugo Rodrigues, citando estudos que comprovam como “brincar é
fundamental para construir o bem-estar cognitivo, físico, social e emocional”, sendo evidentes
as vantagens ao nível da criatividade, do desenvolvimento motor, do equilíbrio emocional e da
capacidade de resiliência. Vantagens que, como notou, se acabam por estender aos
cuidadores, seja no “reforço das relaçõ es” ou porque, ao brincar, “conseguem ver o mundo
pelo olhar das crianças” e “entender muito melhor os filhos”. A este propó sito, o pediatra
defendeu que a brincadeira deve envolver os adultos, seja participando ou, simplesmente,
“estar presente”, ou seja, por vezes “estar lá , basta ver, observar…”. Mas atençã o, alertou,
nesses momentos há que dar-lhes “uma atençã o genuína”: “Quando estiverem com as
crianças, desliguem do mundo!”

Por outro lado, alertou, “temos que dar-lhes tempo livre” e deixar as crianças brincar de
forma criativa, genuína” e “sem regras”, deixando-as inventar as suas pró prias brincadeiras.
“O brincar nã o deve castrar a criatividade e a imaginaçã o”. Uma ideia que seria mais tarde
reforçada por Carlos Neto, professor e investigador da Faculdade de Motricidade Humana
(FMH), para quem as crianças “precisam de brincar na rua, de correr riscos e viver situaçõ es
ousadas”. No fundo, “têm que se tornar mais selvagens”. E como? Tirando-as de casa,
deixando-as inventar as suas pró prias brincadeiras, ouvindo-as e deixando-as ter voz ativa.
Uma tarefa aparentemente simples mas, nos tempos que correm, cada vez mais desafiante. Na
verdade, “é mais difícil brincar que educar”, reconheceu, em jeito de crítica, o pediatra Hugo
Rodrigues, deixando um alerta a pais e educadores: “Nã o se constroem supercrianças!”. Além

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de que, avisou, “as crianças têm muitos anos para ser adultos e poucos para ser crianças…”
Sem tempo para crescer

Os profissionais
Os cuidadores informais

O Cuidador é toda a pessoa que assume como funçã o a assistência a uma outra pessoa que,
por razõ es tipologicamente diferenciadas, foi atingida por uma incapacidade, de grau

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variá vel, que nã o lhe permite cumprir, sem ajuda de outro (s), todos os atos necessá rios à sua
existência, enquanto ser humano.

A atividade do Cuidador
Informal implica uma significativa sobrecarga a nível físico, psíquico, social e financeiro,
havendo por essa razã o necessidade de medidas de apoio que considerem a sua proteçã o na
procura da qualidade de vida da pessoa cuidada e do Cuidador. O cuidador informal
desconhece por quanto tempo o será , pelo que deverá estar preparado para a funçã o e ter
apoio. Deve haver um equilíbrio entre as exigências do cuidar e os recursos e ajudas que o
cuidador possua. O estado de saú de do cuidador (físico, psíquico) influencia a qualidade dos
cuidados.

Provê cuidados e assistência para outros, mas sem remuneraçã o. Geralmente, este serviço
é prestado num contexto de relacionamento já em andamento. É uma expressão de amor e
carinho por um membro da família, amigo ou simplesmente por um outro ser humano em
necessidade. Cuidadores, no sistema informal, auxiliam a pessoa que é parte ou totalmente
dependente de auxílio em seu cotidiano, como: para se vestir, se alimentar, se higienizar,
dependa de transporte, administraçã o de medicamento, preparaçã o de alimentos e
gerenciamento de finanças.

O envolvimento prolongado na atividade de prover cuidados parece ter um efeito negativo


sobre a saú de física e emocional do cuidador, embora, geralmente, ele assuma este papel com
grande satisfação e carinho.

Diferentemente da experiência do cuidador parente de uma criança, que normalmente


resulta na reabilitaçã o, os cuidadores de pessoas debilitadas ou enfermas encaram uma
situaçã o stressante, em função da deterioração gradual do doente, a sua eventual
transferência para um tratamento institucional ou, lamentavelmente, a sua morte. Estudos
mostram problemas de sobrecarga do cuidador, altos índices de depressã o, sintomas de

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estresse, uso de psicotró picos, reduçã o no nível de imunidade e aumento da suscetibilidade a
enfermidades. Homens e mulheres parecem ser afetados similarmente, embora as mulheres
pareçam desenvolver mais stresse. Estes efeitos negativos parecem persistir em alguns
cuidadores, até mesmo após a internação ou a morte do paciente.

O Cuidador Formal:

Provê cuidados de saúde ou serviços sociais para outros, em funçã o de sua profissã o, e
usa as habilidades, a competência e a introspeçã o originadas em treinamentos específicos. Os
cuidadores formais atendem à s necessidades de cuidados de saú de pela provisã o efetiva de
serviços, competência e aconselhamento, (bem) como apoio social.

Quando a doença abarca a família e o idoso, muitas vezes as pessoas questionam-se acerca da
necessidade de cuidados face ao seu familiar. Será que elas pró prias sã o capazes de dar
resposta à s diversas situaçõ es ou, por outro lado, será que é necessá ria a intervençã o
profissional?

Afinal, o que são cuidados informais e quando é que estes são suficientes?

Cuidados informais consistem no acompanhamento que, efetivado por familiares ou


outras pessoas pró ximas, se responsabiliza pela assistência da pessoa idosa no seu dia-a-dia,
na promoçã o da sua qualidade de vida e garantindo que as suas necessidades diá rias sã o

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satisfeitas. Cuidadores informais sã o pessoas que desempenham esta funçã o numa base
informal, sem preparaçã o profissional prévia ou qualquer vínculo contratual e sem qualquer
tipo de remuneraçã o.

Os cuidados informais representam uma mais-valia, numa sociedade que ainda nã o é capaz
de dar uma resposta satisfató ria à s necessidades de cuidados por parte da populaçã o idosa.

Para além deste facto, podem representar uma fonte significativa de gratificação para as
pessoas que assumem o papel de cuidadores informais. Também para o idoso, se este tiver a
possibilidade de permanecer no domicílio e pró ximo da sua família, esta abordagem
representa a oportunidade deste se manter num ambiente familiar, de grande afetividade,
onde tem oportunidade de acompanhar os seus familiares e as suas vidas de forma mais
pró xima, desempenhando um papel significativo nas mesmas.

Apesar de esta ser uma abordagem desejada pela maioria dos idosos e pelas suas famílias,
existem obstá culos significativos que tornam difícil a implementaçã o de cuidados informais,
nalgumas situaçõ es.

Uma destas situações consiste na presença de condições mais graves de doença, onde
poderá existir uma necessidade premente de cuidados profissionais. Quando o familiar nã o
consegue dar resposta a estes problemas, é fundamental que tenha ao seu dispor uma equipa
de profissionais de saú de disponível para lhe prestar apoio.

A doença, quando instalada de forma crónica e progressiva, no idoso, pode suscitar


condiçõ es em que é necessá ria uma intervençã o especializada, na garantia dos cuidados
adequados. Nestes momentos, a presença do cuidador informal é fundamental, mas os
cuidados devem ser conduzidos e orientados pela equipa de saú de.

Os cuidados profissionais consistem num conjunto de cuidados prestados ao idoso, por uma
equipa médica, de enfermagem, fisioterapia, psicologia, etc., na articulaçã o de conhecimentos
científicos disponíveis em mú ltiplas á reas disciplinares. Em situaçõ es de agudizaçã o e
agravamento de doença, de alteraçã o do estado normal do idoso, estes cuidados devem ser
garantidos, quer em meio hospitalar, quer no domicílio, pelo profissional de saú de.

Quando a doença é prolongada, é possível que o cuidador informal receba formaçã o


especializada por parte dos profissionais de saú de e seja entã o capaz de dar uma resposta
ativa e presente, em situações especiais. No entanto, quando a família é responsá vel pelo
cuidado diferenciado ao idoso, é fundamental que esta seja preparada nã o só para a execuçã o

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de algumas técnicas diferenciadas, mas também que esta seja capaz de reconhecer os limites
da sua intervençã o.

Bibliografia e netgrafia

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COSTA J. e Santos, A. L. (2003). A falar como os bebés. O desenvolvimento linguístico
das crianças. Primeiros passos. Editorial Caminho, SA. Lisboa.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia:saberes necessá rios à prá tica educativa. Sã o


Paulo: Paz e Terra, 1996.

www.forma-te.pt

www.wikipedia.com

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