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REGULAÇÃO DA PREOCUPAÇÃO E DA ANSIEDADE

Aula 1 – Medo, emoção e sentimento


Introdução
É possível manejar a preocupação e ansiedade para não sermos reféns dessas
emoções. O primeiro passo é entender como elas nascem, o que significam e como o
nosso cérebro reforça e estrutura essas emoções.

Para entender
No ponto de vista biológico, a emoção pode ser considerada o final de um
processamento bem orquestrado, que o nosso cérebro faz sem que percebemos.
Dividimos o medo da capacidade de sentir medo com todas as espécies, ele pode
acontecer independentemente da consciência.

A diferença entre medo e sentimento, é que emoção é toda aquela parte


bioquímica que ocorre no interior do nosso organismo que compartilhamos com todas
as espécies, que vão resultar no cálculo que aumenta a chance de sobrevivência ou
aumenta a chance de um risco. Ou seja, as emoções vão acontecer
independentemente da nossa consciência, uma vez que tomamos consciência delas,
se torna sentimentos, e o que a ciência hoje sabe, é que quando damos nome aquelas
emoções, permite criar memórias sobre isso e podemos armazenar isso.

As vantagens dessa memorias, é que conseguimos fazer planejamento do que


pode ser perigoso ou não. Isso tornou a nossa espécie com uma capacidade de
planejar e executar coisas de modo fantástico.

Percebe-se que, a preocupação pode ser uma coisa boa, pois tem a
capacidade de antever as situações problemáticas. Mas ela também nos preocupa
muito quando não há nada que possamos fazer, não é plausível para aquela situação
ou quando está fora do nosso controle. Para conseguirmos lidar com ela, está sendo
estrutura por história eu estamos contamos, o sentimento é isso, nos demos historias
e demos significados para aquela preocupação.

A nossa mente, mente para nós, pois contamos várias histórias que não estão
acontecendo de fato. Se nós conseguirmos prestar atenção nas histórias que estamos
contamos para nós mesmos, e certificar que elas são coerentes com a realidade ou
não, pode ser um caminho que conseguimos moldar os nossos sentimentos, emoções
e comportamentos.
“Nossos pensamentos e histórias que determinam o que estamos
sentindo ou não”

Para aprender
A emoção medo é fundamental para praticamente todas as espécies, pois
representa o final de um processamento de julgamentos, que indica a percepção de
existir mais riscos do que oportunidades no ambiente.

Análise: A percepção de existir mais riscos, não quer dizer que é verdade, ou
seja, não é uma certeza.

Para praticar
É por meio de incorporações do que estamos aprendemos, que conseguimos
regular as emoções. Preste atenção nas emoções, quando estiver sentindo medo de
alguma coisa tente perceber que história você está contanto que estruturam e
reformam esses medos e comece a verificar se elas estão coerentes com a realidade.
Se elas estiverem coerentes, você estará diante de um medo produtivo. Quando não
estiverem coerentes, comece a reformular para que consiga manejar sua preocupação
e sua ansiedade.

Leitura

A origem da ansiedade
Do ponto de vista biológico, a emoção pode ser definida como o final de um
processamento bem orquestrado de todo o nosso organismo, que ocorre sem que
tenhamos consciência disso. Trata-se de um fenômeno que pode ser explicado por
dezenas de milhares de anos de evolução.

Imaginemos uma situação: um de nossos ancestrais primitivos, com fome,


depara com uma árvore cheia de frutos, mas, não muito distante dali, identifica um
predador capaz de matá-lo. Com essas duas percepções simultâneas, ele tem que
tomar uma decisão: pode correr e tentar pegar o alimento na árvore, ou optar pela
segurança, escondendo-se.

O dilema de tentar pegar o alimento ou não engloba uma série de decisões,


que são tomadas em uma fração de tempo bastante curta. Nossos ancestrais
avaliavam, sem ter consciência disso, várias coisas simultaneamente: o quanto se tem
fome, se aquela quantidade de alimento é grande, que risco vale a pena ser corrido.

Duas escolhas então são possíveis e cada uma delas coloca uma emoção em
primeiro plano: caso se conclua que a chance de comer o alimento é maior do que ser
devorado pelo predador, surge a emoção coragem; se a probabilidade de ser comido
pelo predador for maior do que a de alcançar o alimento, nasce a emoção medo. Foi
assim, aliás, que o medo se tornou um elemento protetor da espécie: avaliar perigos e
evitar riscos desnecessários aumenta nossa segurança e, por extensão, nossa chance
de sobrevivência.

Nós, seres humanos, compartilhamos essa capacidade de sentir medo com


todas as espécies, até mesmo com as bactérias. Tais microrganismos apresentam
movimento de retração quando, por exemplo, uma superfície pontiaguda se aproxima
deles. Note que as bactérias são seres unicelulares que não apresentam um sistema
nervoso estruturado. Isso mostra que o medo é uma entidade que pode acontecer
independentemente da consciência que temos do que está ocorrendo.

Sentimento e emoção são a mesma coisa?


A emoção é resultado de processos bioquímicos que acontecem no interior de
nosso organismo – e também no de outras espécies – e que permitem analisar uma
situação como uma ameaça à sobrevivência ou como uma oportunidade. Assim, as
emoções acontecem independentemente de nossa percepção racional e clara das
coisas.

Uma vez que tomamos consciência de nossas emoções também passamos a


chamá-las, sob rigor técnico, de sentimentos. Assim, retomando a situação que
apresentamos no item anterior, se nosso ancestral compreende que está sentindo
medo, a emoção se torna sentimento.

Quando nomeamos o que estamos sentindo, contamos histórias sobre o


porquê de as coisas estarem acontecendo e nos tornamos capazes de criar memória.
A ciência hoje nos mostra que o cérebro, ao longo da evolução humana, adquiriu a
capacidade de transformar a emoção, algo mais primitivo, em histórias que podem ser
armazenadas.

Mas, afinal, existe alguma vantagem nesse processo? Sim, e é simples


compreendê-lo: com a memória, nós nos tornamos capazes de planejar, de projetar,
de esboçar, de delinear, de esquematizar, diferenciando aquilo que é perigoso daquilo
que é seguro. Essa capacidade deu aos seres humanos uma fantástica vantagem
evolutiva: a possibilidade de planejamento e de execução de nossos atos.

A mente, mente
A preocupação não é, necessariamente, algo ruim. Muitas vezes, ela pode ser
boa, sobretudo se nos ajuda a antever situações que podem causar problemas. Mas a
preocupação também pode nos atrapalhar, tornando-nos improdutivos. Isso ocorre
quando não podemos fazer nada para eliminar o que está nos preocupando.

Ter preocupação com deslizamento de terras para quem mora numa encosta
de morro é aceitável. Aliás, esse sentimento pode ser protetor. Agora, um morador de
um edifício numa grande capital brasileira temer um terremoto de alta magnitude não é
plausível. O problema é que nem sempre é fácil regular essas preocupações.

Uma boa maneira de lidar com isso é lembrar que o que estamos sentindo está
sendo estruturado a partir de histórias que contamos para nós mesmos. Por exemplo,
em uma situação em que teremos que falar em público, podemos pensar: “Estão todos
me olhando” ou “Vai me dar branco”. Esses pensamentos estruturam e reforçam a
preocupação, ampliando as dificuldades. Este é o problema: a mente, mente. Não é
raro que as histórias que contamos e que os sentimentos que decorrem daí não sejam
coerentes com o que está acontecendo. Não é porque estamos pensando “Vai me dar
branco” que isso efetivamente vai ocorrer.

Se nos tornamos capaz de identificar as histórias que estamos nos contando,


podemos verificar se elas são compatíveis ou não com a realidade. Esse pode ser um
caminho bastante interessante para redefinir não só nossos sentimentos, mas também
nosso comportamento.

Aula 2 – Os estados do medo


Conheça os tipos de medos
Esses cinco estados são em ordem crescente do medo

 Receio: estado de medo provocado pela incerteza a respeito de se um


determinado evento futuro dará certo. Ele é pouco intenso e é pontual,
não fica “martelando” na cabeça.
 Preocupação: estado de medo de intensidade baixa, caracterizado por
períodos de pensamentos persistentes de que algo ruim pode
acontecer.
 Ansiedade: estado de medo de intensidade moderada provocado pela
incerteza da capacidade de enfrentar alguma situação que já esteja
ocorrendo ou que está perto de ocorrer.
 Desespero: estado de medo de grande intensidade produzido pela
sensação de incapacidade de evitar que algo ruim aconteça.

 Pânico: medo incontrolável, associado à certeza de que algo muito


ruim está acontecendo ou está na iminência de acontecer.

Para entender
É importante saber os estados dos medos, pois o nosso cérebro funciona por
palavra e quando não demos uma palavra para significar a intensidade, ela
tecnicamente deixa de existir.

Se não dermos palavras para poder distinguir os tipos de medos, teremos mais
dificuldade para poder controlar. Um exemplo, a sensação de ansiedade pode virar
pânico, já que começam iguais.
Existem várias respostas fisiológicas para o medo: transpiração, tremores,
inquietação, calafrios. Pessoas com medo podem ficar olhando ao redor, como se
procurassem algo, ou sentir o estômago revirando. Quando o medo é muito intenso,
pode ocorrer falta de ar, diarreia, vômitos e grande tensão muscular.

O medo tem gatilhos universais, que são inatos e não dependem de nossa
vontade. É o caso das sensações de asfixia, queda ou de impacto iminente. Mas
existem gatilhos que podem ser adquiridos e que variam de pessoa para pessoa,
como enfrentar situações em que o desempenho é avaliado, como um exame de
seleção ou uma competição esportiva.

Para aprender
Identificar as histórias que estão estruturando e reforçando o medo é
importante, pois permite reavaliar as interpretações da realidade a partir de evidências
que as confirmem ou as contestem
Para praticar
Só tem um jeito para que possamos se apropriar e distinguir os estados de
medo, perceba situações que estamos vivendo e começa a identificar e usar as
palavras no dia a dia. Esse projeto de distinguir e identificar os tipos de medo, é
chamo de vigilância e ele serve para regular as emoções

Leitura
Existem comportamentos clássicos associados ao medo. Uma pessoa receosa
pode apresentar hesitação, que é uma paralisação e indecisão momentânea. Os
ansiosos podem apresentar uma postura de fugir fisicamente da situação de risco. Os
indivíduos em pânico podem gritar, chorar ou até mesmo ficarem paralisados sem
conseguir agir ou falar. Às vezes, uma pessoa com medo entra num processo de
ruminação mental e fica pensando obsessivamente nas situações que geraram a
emoção desagradável.

É claro que, muitas vezes, o medo nos ajuda, afinal, precisamos evitar
ameaças. Mas você já parou para pensar em quantas vezes nós sentimos medo de
ameaças que não são reais? Podemos imaginar o seguinte: o medo tem sempre a ver
com a história mental que construímos. Nessa história, geralmente somos a
personagem principal, que enfrenta dificuldades e, muitas vezes, é vencida por elas.
Se experimentamos uma roupa diferente do nosso estilo habitual para uma festa,
começamos a imaginar como vai ser chegar ao local, o que os outros vão falar, como
iremos nos sentir. Isso pode gerar diversas emoções do espectro do medo. Mas até
que ponto devemos acreditar nessa história? Às vezes, pensamos tudo isso, e o que
acontece é inteiramente diferente.

O problema, frequentemente, é que o medo é um excelente contador de


histórias. Quanto mais impressionante o seu enredo, mais ele nos afeta, assim como
um bom filme. Por isso, temos que ter muito cuidado. Porém é impossível que uma
pessoa se livre de todos os medos. Eles fazem parte da nossa vida. Vamos ver o que
diz o filósofo holandês racionalista Espinosa (1632-1677) a respeito disso:

A esperança é uma alegria instável, surgida da ideia de uma coisa futura ou


passada, de cuja realização temos alguma dúvida.

O medo é uma tristeza instável, surgida da ideia de uma coisa futura ou


passada, de cuja realização temos alguma dúvida.
Segue-se, dessas definições, que não há esperança sem medo, nem medo
sem esperança. Com efeito, supõe-se que quem está apegado à esperança, e tem
dúvida sobre a realização de uma coisa, imagina algo que exclui a existência da coisa
futura, e, portanto, dessa maneira, entristece-se. Como consequência, enquanto está
apegado à esperança, tem medo de que a coisa não se realize. Quem,
contrariamente, tem medo, isto é, quem tem dúvida sobre a realização de uma coisa
que odeia, também imagina algo que exclui a existência dessa coisa, e portanto,
alegra-se. E, como consequência, dessa maneira, tem esperança de que a coisa não
se realize.

Espinosa, B. Ética. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2009, p. 143-144.

Note que Espinosa defende a ideia de que o medo e a esperança estão


interligados. Para ele, toda esperança envolve um medo de algo bom não se realizar,
assim como todo medo envolve uma esperança de algo ruim não se realizar. Nesse
sentido, podemos usar o medo para não nos iludir com esperanças que não se
realizarão (quem nunca se sentiu decepcionado depois de ter esperanças demais?),
mas também podemos usar a esperança para não sermos dominados pelo medo.

Aula 3 – As duas primeiras etapas para a regulação do medo


Introdução
A preocupação improdutiva, é quando o resultado de tal ato ou escolha
depende de outras pessoas, tempo. Ela só vai roubar sua energia tirando noites de
sono e ficando aéreo.

Observação: em cima já foi dito sobre a preocupação produtiva

Para entender
A primeira etapa para conseguir qualquer estado do medo, é perceber e
distinguir quem é ele (estado do medo/preocupação) e consequentemente deixa de
ser ele.

Quando coloca a emoção no lugar dela, ela não deixa de existir, mas sim não
estará tomando mais conta de você.

“você maior do que seus medos”


A segunda etapa é aceitar ele, vários estudos mostram que tentar bloquear
uma emoção e pensamentos que estão estruturando essas histórias, só vai potenciar
eles. A pior estratégia é fazer isso.

Aceitar não quer dizer que você conduzido por eles.

E também é focar no agora, se repararmos nas histórias que estruturam eles,


são histórias do futuro, ou seja, é tudo incerto. Se os pensamentos estão no futuro ou
no passado, consiga estar em alguns estantes no momento presente. Para isso deve-
se usar as sensações sensoriais, colocar as mãos ou os pés no gelado, prestar
atenção na respiração (ela é um referencial de tempo).

Para aprender
A preocupação, para ser produtiva, deve ser plausível e alertar para algo que
possa ser feito, no momento, para impedir que o que se teme aconteça.

Perceber a manifestação de preocupação ou da ansiedade improdutivas é


importante, uma vez que permite que os sentimentos não sejam confundidos com a
realidade.

A estratégia da aceitação da ansiedade e da preocupação é eficaz, pois tentar


negar ou bloquear pensamentos e emoções tem efeito contrário ao desejado; na
verdade, essas posturas potencializam esses mesmos pensamentos e emoções.

Focar a atenção no momento presente é uma estratégia efetiva para a


regulação do medo, já que essa postura diminui intensidade dos pensamentos que
estão estruturando o medo improdutivo, visto que esses pensamentos geralmente são
histórias que protejam um futuro com desfecho indesejado.

Para praticar
Entender teoricamente é “fácil”, mas para poder praticar é mais difícil, por isso
que demos perceber quando está ansioso, preocupado e está atrapalhando, mas não
brigue com esses pensamentos, tente respirar. Comece a mostrar como toda essa
história funciona e é baseado em evidências, de como tudo é um processo de
aprendizagem como qualquer outro processo e tudo é treino.
Leitura
Preocupações
Nossos ancestrais precisavam lidar com o perigo a todo momento. Grupos
inimigos, animais predadores, desastres naturais. Por isso, antecipar riscos e
preparar-se para enfrentá-los foi importante para a sobrevivência.

Esse instinto permitiu planejar o futuro, pensar sobre ele, antever ameaças e
avaliar o que poderia dar errado. Isso colaborou para a evolução da nossa civilização
e para o desenvolvimento da capacidade de nos preocuparmos.

A preocupação tem papel fundamental em nossa maneira de pensar.


Aliás, essa palavra tem uma etimologia interessante. Ela vem do latim
praeoccupatio, que designava a ocupação prévia de um lugar ou o ato de fazer algo
antecipadamente. O elemento prae-, que deu origem ao nosso prefixo pré-, traz
justamente esse traço de antecipação, de anterioridade, de adiantamento.

No entanto, tentar se preparar para coisas ruins e evitar que elas aconteçam é
sempre produtivo? Quando a preocupação mais ajuda? Quando ela atrapalha?

A preocupação tem o objetivo de encontrar uma solução, de não deixar nada


escapar, de não ser pego de surpresa, de evitar desconforto. Preocupar-se é
simplesmente uma estratégia que a nossa mente utiliza para a prevenção de
problemas. Por isso, a preocupação pode ser produtiva.

Entretanto, esse mecanismo pode se tornar um problema, em vez de ser um


instrumento para a prevenção dos problemas. Quando isso ocorre, dizemos que
estamos diante da preocupação improdutiva.

Enquanto a preocupação produtiva nos conduz a uma ação que é possível


realizar naquele momento, a preocupação improdutiva só consome tempo e energia,
sem conduzir a nada prático e efetivo.

Uma das formas de diferenciar a preocupação produtiva da improdutiva é por


meio de questionamentos simples. A primeira pergunta que pode ser feita é: essa
preocupação é plausível? Ou seja: é uma preocupação razoável e o evento que ela
teme é provável que ocorra?

Por exemplo, estar preocupado com tsunâmis no interior do Brasil parece não
ser uma preocupação plausível, pois esses fenômenos só atingem regiões costeiras.
Logo, trata-se de uma preocupação improdutiva.
Em alguns casos, mesmo que a preocupação seja plausível, isso não quer
dizer que ela seja produtiva. O próximo questionamento que precisa ser feito é: há
algo que eu possa fazer agora ou em breve?

Se a resposta a essa pergunta for negativa, você estará diante de uma


preocupação improdutiva. Por exemplo: você pode estar com dificuldade para
conseguir se concentrar numa reunião de trabalho por estar preocupado com o fato
dos seus pais estarem com idade avançada e poderem adoecer. Essa é uma
preocupação plausível, mas repare que não há nada que você possa fazer no
momento da reunião para ajudar nessa questão. Isso é uma preocupação improdutiva.
É o mesmo que gastar tempo demais imaginando o que as pessoas com quem você
não se dá bem estão falando a seu respeito. Você não tem acesso a essas
informações. O filósofo alemão Arthur Schopenhauer (1788-1860) dizia sobre isso: “O
valor que atribuímos à opinião dos outros, e a nossa preocupação constante em
relação a ela, ultrapassam, via de regra, quase toda a expectativa racional”.

As preocupações improdutivas se voltam para questões sobre as quais não


temos controle. Para resolver os problemas suscitados por elas, é preciso tempo ou a
ação de outras pessoas. Essas preocupações podem ganhar corpo e se transformar
em ansiedade improdutiva, aquela que paralisa ou tende a provocar movimentos de
escapismo ou procrastinação.

O que fazer com a preocupação e com a ansiedade?


Para lidar com a preocupação e com a ansiedade improdutivas, existe uma
estratégia que utiliza técnicas de eficácia comprovada por vários estudos. Essa
estratégia é dividida em quatro etapas. Vamos tratar aqui das duas primeiras.

A primeira coisa que deve ser feita é perceber que estamos preocupados ou
ansiosos. Essa etapa é importante pois, quando você perceber que está preocupado
ou ansioso, você deixa de ser essas emoções. Nós não somos as nossas emoções.
As emoções são estados transitórios.

A segunda atitude é de aceitação. É preciso aceitar as emoções e os


pensamentos que estão surgindo. Não se deve brigar com eles nem tentar suprimi-los.
Vários estudos demonstraram que tentar suprimir os pensamentos e as emoções
implica aumentar sua potência. Entretanto aceitar os pensamentos não quer dizer que
você vai deixar que eles conduzam seu comportamento. A ideia é apenas observá-los
sem se apegar a eles, sem fazer julgamentos diretos. Olhar os pensamentos como
sendo apenas pensamentos, e não a realidade. Os pensamentos são uma forma de
tentar descrever nossas percepções.

Além disso, é fundamental focar a atenção no agora, no instante presente.


Essa é uma forma eficaz de diminuir a intensidade dos pensamentos que estruturam
as preocupações e a ansiedade. Para isso, podemos utilizar algum referencial de
tempo, como a respiração, para se conectar ao momento presente.

Foque a sua atenção no modo como você está respirando. Procure inspirar e
expirar de modo confortável, prestando atenção no ar que entra e no ar que sai. Toda
a atenção deve estar focada no gesto de respirar. Enquanto você estiver focando na
respiração, continue aceitando os pensamentos que surgirem. Ainda não é o momento
para julgamento. Lembre-se: rotule os pensamentos que surgirem como sendo apenas
pensamentos, e não a realidade. Treine separar o pensamento da realidade. Por
exemplo: troque o “Aconteceu algum acidente” por “Estou tendo um pensamento de
que aconteceu algum acidente”.

Desse modo, somos capazes de enfraquecer a intensidade dos pensamentos,


para que seja possível reformulá-los. O foco no momento presente pode ser
trabalhado em alguns segundos ou em alguns minutos.

Aula 4 – Um “P.A.R.E.” no medo improdutivo


Para entender
A terceira etapa é reformular os pensamentos, questionar as histórias que
contamos para nós mesmos e que estão estruturando aquela ansiedade “será que
estou confundindo o possível com o provável? ” Somos especialistas confundir
possível com provável, “estou exagerando? ”, essas perguntas ajudam controlar a
ansiedade. E reforce o que é importante fazer no momento presente.

A quarta etapa é enfrente a situação e aceite as incertezas

Perceba.

Aceite e foque no Agora.

Reformule os pensamentos, Reforce o que é importante fazer no


momento presente.

Enfrente a situação
Para aprender
Reformular os pensamentos que estão estruturando o medo é crucial pois
permite que a situação seja interpretada de forma mais realista e sem exagero e
percepções.

Observe a pergunta: “como eu agiria se não tivesse com a preocupação e a


ansiedade me paralisando? ” A resposta a ela é importante para indicar a direção que
seus comportamentos devem seguir para que você supere a preocupação e a
ansiedade improdutivas.

Para praticar
O maior desafio que todos nós temos é lidar com as nossas emoções. A
ansiedade e a preocupação têm um papel importante nas nossas escolhas quando
são assertivas ou não, elas têm que quando apontar uma direção em que a prudência
é acessa e decisões boas são tomadas, a ansiedade e a preocupação foram
excelentes. Quando elas nos paralisam, elas precisam ser dominadas, é impossível
não tê-las, mas é perfeitamente possível você conseguir regular, responder de modo
apropriado, só vai conseguir fazer isso usando o “P.A.R.E.” e bastante treino.

Leitura
A estratégia PARE
Já dissemos que a preocupação é uma maneira de a nossa mente prever
problemas. Ela é produtiva quando contribui para a resolução de problemas,
conduzindo-nos a uma ação específica, que é o que se pode realizar no momento.

O problema são as preocupações improdutivas, que ocorrem quando não se


tem controle sobre os eventos que geram os temores. O que vai acontecer depende
do tempo, de outros fatores ou pessoas. Essa preocupação pode transformar-se em
ansiedade, provocando comportamentos de escapismo e procrastinação.

Para enfrentar tudo isso, podemos recorrer a uma estratégia efetiva, dividida
em quatro etapas, para lidar com a preocupação e com a ansiedade improdutivas.
Essa estratégia pode ser resumida pelo acrônimo PARE, em que as letras iniciais
correspondem às etapas utilizadas para regular a emoção nos momentos em que ela
estiver saindo do controle:

 Perceba que você está preocupado ou ansioso.


 Aceite e foque no Agora.
 Reformule os pensamentos e Reforce o que é importante fazer no
momento presente.
 Enfrente a situação.

Já tratamos das duas primeiras etapas, o P e o A, na aula passada. Agora,


vamos falar do R e do E.

 (R) Reformule os pensamentos e Reforce o que é importante fazer no


momento presente.

Este é o momento de desafiar os pensamentos que sobreviveram à etapa


anterior. Procure flexibilizar a forma como eles se manifestam. Ou seja, reformule os
pensamentos. Faça questionamentos como:

Posso estar exagerando?

Estou confundindo possível com provável?

Estou confundindo medo com realidade?

Há algo efetivo que posso fazer?

Perguntas dessa natureza ajudam a reformular os pensamentos que estão


estruturando a preocupação e a ansiedade. Após essa flexibilização, reforce o que é
importante fazer no momento presente. Pense: como eu agiria se não estivesse com a
preocupação e a ansiedade me paralisando?

A resposta a essa pergunta indica a direção que seus comportamentos devem


seguir, para que você faça o que é importante para você. Ela também prepara para a
próxima etapa.

 (E) Enfrente a situação

É hora de agir. Aproveite que a intensidade dos medos está um pouco


enfraquecida. Ligue o modo automático, aceite as incertezas e vá em direção ao que
precisa ser feito. Não perca tempo.

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