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DOENÇAS BACTERIANAS COMUNS E

ANTIBIOTICOTERAPIA EM RÉPTEIS
Douglas R. Mader, DVM
Diplomado pela ABVP (Animais de Companhia)
Serviços de Saúde de Animais de Estimação
Big Pine Key, Florida

TRADUÇÃO DO FOLHETO Antimicrobial Therapy in Exotics – Supplement to Compendium on


Continuing Education for the Practicing Veterinarian – PÁG 23

Tradução e Adaptação: Angela Basic - CRMV-SP 7958


Revisão Técnica: Mario Eduardo Pulga - CMRV-SP 2715
Revisão de Textos e Diagramação: Francisco Pantoja

Cortesia: www.bayervet.com.br

As doenças bacterianas, como um grupo, são umas de micróbios do hospital para o laboratório.
das principais causas de morbidade e de mortalidade em Os swabs são bastante eficazes quando pré-umede-
répteis. Muitas dessas doenças podem ser tratadas com cidos com salina estéril antes da colheita de amostras da
sucesso se forem reconhecidas em tempo. Doenças in- área afetada (Alguns swabs podem ser umedecidos den-
fecciosas são quase sempre secundárias a tro do tubo de transporte antes do uso). Depois de ser
imunossupressão em répteis e freqüentemente são asso- feita uma colheita cuidadosa do sítio infectado, o swab
ciadas com o estresse do cativeiro. O manejo inadequa- inoculado deve ser colocado de volta no tubo de trans-
do é, muitas vezes, a raiz do problema. porte, devendo-se deixá-lo sob temperatura ambiente por
As bactérias gram-negativas são os patógenos 15 a 20 minutos antes da refrigeração.
bacterianos mais comuns associados com doença infec-
ciosa. As bactérias gram-positivas são freqüentemente Cavidade nasal/oral
isoladas como habitantes normais em répteis e apenas Não se recomenda a colheita de amostras das secre-
raramente são implicadas em doenças. A Salmonella spp., ções das cavidades nasal e oral. Estas amostras contêm
uma bactéria ubíqua de répteis é cultivada em mais de exsudatos inflamatórios que passaram por locais
90% das colônias selecionadas de répteis e o entendi- anatômicos conhecidamente colonizados com flora nor-
mento de seu significado pode ser problemático. Os mal. Como resultado, as culturas freqüentemente reve-
anaeróbicos e os fungos patogênicos podem também ser lam um crescimento misto de bactérias, levando a uma
componentes importantes da patologia de répteis. interpretação errônea do patógeno verdadeiro.
Uma prática ruim, porém comum, na medicina de
Técnicas de colheita de amostras animais exóticos é a realização de culturas tanto da cavi-
Considerações gerais dade oral quanto da cloaca, denominada de “cultura
A colheita adequada de amostras é a chave para a combo”. Esta prática é usada como uma ferramenta de
identificação de um patógeno. Amostras inadequadamente triagem e, embora seja fácil de ser realizada, nem sem-
colhidas podem levar a resultados errôneos e a uma es- pre produz informações específicas acerca dos patógenos
colha também inadequada do antibiótico. Embora os bacterianos. A flora da cavidade oral é um reflexo das
swabs de cultura sejam a ferramenta mais importante para bactérias do ambiente. Embora o verdadeiro patógeno
a colheita de amostras, eles são pouco absorventes e for- possa estar incluído na amostra de cultura, possivelmen-
necem um meio pobre para a sobrevivência e transporte te está encoberto por uma miríade de outros

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microorganismos incidentais. Um problema similar é
encontrado quando é feita uma cultura aleatória da re-
gião da cloaca.
A amostragem de sítios específicos é preferível do
que a amostragem aleatória. Por exemplo, cobras com
estomatite infecciosa (“podridão de boca”) se benefici-
am do tratamento com antibioticoterapia apropriada com
base no isolamento bacteriano adequado. Entretanto, a
colheita de uma amostra útil pode ser difícil. Novamen-
te, uma outra prática comum (embora não seja boa) é a
de colher swabs da gengiva afetada com um culturette na
esperança de se identificar o patógeno. Uma amostra
colhida com esta técnica levará ao crescimento de várias
bactérias tanto da flora oral quanto do ambiente. As bac-
térias gram-negativas são freqüentemente isoladas, mas Figura 1. Caso de estomatite severa em uma cobra. A
o seu significado é, no mínimo, nebuloso. Uma técnica realização de cultura a partir do fundo da lesão em oposição
melhor é a de preparar a área com álcool e injetar uma à colheita de material da superfície resultará em uma
pequena quantidade de salina estéril, não bactericida (0,05 avaliação mais precisa das bactérias envolvidas.
ml-0,1 ml) no sítio de lesão. Depois da massagem da
área, a região deve ser aspirada. Uma cultura do aspirado
será mais recompensadora, microbiologicamente, do que cultura bacteriana e antibiograma.
uma amostragem aleatória da superfície (Figura 1).
As culturas da cloaca podem ser úteis em pacientes Amostragens miscelâneas
com diarréia ou outros sinais gastrointestinais. Um diag- Abscessos abertos devem ser debridados, obtendo-
nóstico adequado, tal como exames fecais à procura de se amostras do fundo da lesão, preferencialmente da co-
ovos e parasitas, incluindo protozoários, deve sempre ser bertura ou cápsula. As amostras dos abscessos fechados
feito antes das culturas bacterianas. Assim como aconte- são colhidas através da aspiração de material com o uso
ce com as culturas de cavidade oral, a interpretação dos de uma técnica estéril. A cultura de fluidos císticos e
resultados de cultura pode ser confusa, porque muitas vesiculares é feita de maneira similar.
bactérias estão normalmente presentes. As culturas de sangue são justificadas se suspeitar-
mos de septicemia. A pele deve ser desinfetada com ál-
Trato respiratório cool e seca ao ar por 30 segundos. Tanto culturas aeróbicas
A amostragem adequada é imperativa em pacientes quanto anaeróbicas podem ser feitas a partir de uma amos-
demonstrando sinais respiratórios. A cultura aleatória da tra de tamanho mínimo de 0,5 a 1,0 ml de sangue, usan-
saliva ou do exsudato traqueal dentro da cavidade oral do-se um tubo de lise-centrifugação pediátrico.
não é diagnóstica. Se existirem restrições de tempo e de A urina de répteis não é estéril. Embora os clínicos
custo, o sítio preferível de amostragem é localizado no sejam encorajados a realizar urinálise como parte de sua
alto da abertura da coana. Devido ao fato de este sítio ser base padrão de dados, a cultura e o antibiograma não são
justaposto à abertura da glote, há maior probabilidade de indicados.
ser isolado um patógeno significante.
Uma técnica preferível seria a realização de um la- Interpretando os resultados de cultura
vado traqueal. Um cateter de borracha, de tamanho apro- Os resultados de cultura devem ser correlacionados
priado, estéril, é inserido através da glote e direcionado à resposta ao tratamento. A terapêutica pode ser afinada
para os pulmões. Salina estéril (aproximadamente 1% com base nos dados do isolado e nos dados de sensibili-
do peso corpóreo do paciente) é infundida pelo cateter. dade. Duas áreas dos resultados de cultura devem ser
O paciente é delicadamente invertido, virado de um lado avaliadas: (1) os resultados quantitativos e (2) os padrões
para outro ou, de alguma forma, chacoalhado para per- de concentração inibitória mínima (CIM).
mitir a distribuição da salina dentro dos pulmões. De- Os resultados de cultura laboratorial são úteis quan-
pois que isso é realizado, retira-se tanto fluido quanto do relatados em termos quantitativos. A quantificação é
possível. Não é incomum retirar-se somente uma peque- usada para diferenciar a flora normal da patogênica. Isso
na porção da salina infundida. Qualquer fluido remanes- é especialmente verdadeiro na microbiologia clínica de
cente é prontamente absorvido pelos pulmões. Ocasio- répteis devido ao fato de que as bactérias gram-negativas
nalmente, em casos de pneumonia severa, quantidades fazem normalmente parte da flora indígena. Algumas
acima da infundida serão recuperadas. O fluido colhido vezes, o grande crescimento de uma bactéria, que nor-
deve ser usado tanto para exame citológico quanto para malmente está presente em número pequeno, é a única

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indicação de que uma infecção bacteriana é a causa da aminoglicosídeos.
doença. Por exemplo, a bactéria Proteus penneri é cultivada
As bactérias gram-negativas fazem parte da flora de um abscesso em uma tartaruga. A CIM para a
residente em cobras, porém, durante a doença (e.g., pneu- amicacina é menor que 0,5 ¼g/ml e para a gentamicina é
monia), o número dessas bactérias aumenta significati- de 8 ¼g/ml. A bactéria seria relatada como sensível a
vamente. Isso pode ser relatado pelo laboratório que rea- ambos os antibióticos de acordo com o sistema antigo,
lizou a cultura como crescimento moderado a severo, mas mostra-se que a amicacina é a melhor escolha com
sendo útil na determinação da patogenicidade de um or- base nos valores de CIM. A Pseudomonas aeruginosa é
ganismo. Um organismo comum encontrado em peque- cultivada de uma ferida em uma cobra e de uma ferida
nos números pode não ser a causa de uma infecção. Um por mordida em um iguana. Relata-se que a bactéria é
organismo comum encontrado em grandes números em sensível à piperacilina em ambos os casos. Entretanto, a
um réptil doente pode ser importante. CIM para a piperacilina para a infecção por Pseudomonas
O clínico deve requisitar antibiogramas que não ve- na cobra é menor que 8 ¼g/ml e para a infecção no iguana
nham somente informando se o organismo é resistente é de 16 ¼g/ml. Com base nessas informações, as bacté-
ou sensível aos antibióticos, mas que tragam também a rias cultivadas da cobra são claramente mais sensíveis
concentração inibitória mínima (CIM). A CIM é uma aos efeitos da piperacilina e uma dose mais baixa pode
mensuração quantitativa da concentração antibiótica no ser usada. Dentro de uma CIM esperada de um antibióti-
soro do paciente necessária para inibir o crescimento da co, um número mais baixo é mais desejável que um nú-
bactéria. mero maior. Em uma situação onde as informações de
O método de difusão dos antibióticos em disco é o CIM para duas drogas são as mesmas, a escolha do anti-
método mais antigo de determinação da sensibilidade biótico deve ser com base na droga menos cara, mais
antibiótica e é baseado em dados clínicos humanos. Este fácil de administrar e menos tóxica.
método não indica o grau de suscetibilidade que as bac-
térias cultivadas têm a diferentes antibióticos. Interpretanto os resultados “não houve cresci-
Se o clínico souber a concentração sérica do antibi- mento”
ótico que corresponde à dose usada, as informações acerca Vários fatores explicam por que o resultado “não
da CIM podem ser mais bem utilizadas e o antibiótico houve crescimento” ocorre em uma amostra colhida de
pode ser dosificado mais racionalmente. Portanto, o uso um local obviamente infectado. Um estudo recente da
das informações acerca da CIM permite que o clínico flora bacteriana de répteis doentes revelou que aproxi-
não somente selecione um antibiótico sensível, mas, es- madamente 50% das amostras cultivadas eram de bacté-
pecificamente, o mais sensível. rias anaeróbicas. Isso poderia explicar os resultados “não
Os resultados da CIM são relatados como um nú- houve crescimento” se não for requisitada uma cultura
mero verdadeiro. Se o número for baixo para um certo de anaeróbicos.
antibiótico, uma concentração comparativamente menor O resultado “não houve crescimento” também ocor-
daquele antibiótico é necessária para inibir o crescimen- re como resultado da submissão de um swab inoculado
to bacteriano; portanto, o antibiótico pode ser uma boa no qual as bactérias morrem antes de chegar ao laborató-
escolha para o tratamento. Se o número for alto para um rio para a confecção de placas. Se for obtida uma amos-
certo antibiótico, pode ser impossível alcançar a concen- tra de uma infecção agressiva, é possível realmente co-
tração sérica necessária para inibir o crescimento de bac- lher bastantes bactérias. Quando isso acontece, as bacté-
térias. A concentração mais alta que se pode conseguir rias crescem tão rápido no tubo transporte que acabam
com um antibiótico independe dos resultados de cultura exaurindo suas reservas alimentares e morrem. Outras
e sim do volume de distribuição e o tempo de depuração possibilidades incluem armazenamento prolongado, aque-
do antibiótico no paciente. cimento da amostra, meios de cultura inadequados ou
O beneficio em se usar os resultados de CIM é que o fora de validade e erro laboratorial.
clínico pode ajustar a dose do antibiótico pela sensibili-
dade do patógeno específico sem generalizar o tratamen- Microorganismos
to para um tipo de bactéria. Um antibiótico com uma Isolados gram-positivos
CIM que seja relativamente baixa na variação de sensibi- A maioria das bactérias gram-positivas não é consi-
lidade pode ser mais eficaz em uma dose mais baixa do derada patogênica em répteis. Elas são habitantes comuns,
que se a CIM fosse mais alta. Um resultado “sensível” especialmente da pele. Entretanto, algumas bactérias
não indica o grau de sensibilidade ao clínico. Portanto, o gram-positivas podem causar doença.
uso da CIM permite que o clínico evite a prescrição de Os estafilococos coagulase positivos são geralmen-
um antibiótico no limiar maior da dose, quando uma dose te patogênicos. A produção de coagulase e a
menor poderia ter a mesma eficácia. Isso é importante ao patogenicidade têm uma correlação de 95%. Deve se
usarmos drogas com potencial tóxico, tais como os considerar o tratamento de qualquer réptil que mostre

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Figura 3. “Doença vesicular” ou dermatite vesicular em
uma Boa constrictor de cauda vermelha causada por
Aeromonas sp. Esta bactéria pode ser transmitida de cobra
a cobra pelo ácaro Ophionyssus natricis.

Figura 2. Pneumonia por Pseudomonas aeruginosa em uma potencial zoonótico.


Boa constrictor. Observe o posicionamento da cobra no canto A Pseudomonas spp., especialmente a P. aeruginosa,
da gaiola, o que não é incomum em cobras com pneumonia. é freqüentemente encontrada como parte da flora normal
na cavidade oral e nos tratos intestinais de répteis. Como
tal, elas são freqüentemente consideradas como patógenos
sinais clínicos associados ao crescimento de um oportunistas. Um manejo ruim, incluindo temperaturas
estafilococo coagulase positivo. baixas e desnutrição, pode predispor os répteis às infec-
Os estreptococos são agrupados por sua habilidade ções por Pseudomonas. A Pseudomonas spp. é
de hemolisar o ágar sangue. Os dois principais tipos de freqüentemente isolada de lesões associadas com
hemólise são a alfa e a beta. Mais de 90% dos estomatite ulcerativa, pneumonia, dermatite e septicemia
estreptococos beta-hemolíticos são patogênicos; portan- (Figura 2). Os répteis saudáveis, dos quais cultiva-se
to, deve-se considerar o tratamento das infecções nestes Pseudomonas spp. em pequenos números a partir da ca-
pacientes. vidade oral ou do trato gastrointestinal, provavelmente
Todas as bactérias gram-positivas têm o potencial não precisam ser tratados.
de serem patogênicas, especialmente em um animal A Aeromonas spp. é associada com pneumonia, le-
imunossuprimido. O tratamento deve ser considerado sões da cavidade oral, lesões cutâneas e septicemia (Fi-
quando o paciente não estiver respondendo à terapia para gura 3). O ácaro de cobras Ophionyssus natricis é um
as bactérias gram-negativas ou quando estiver presente vetor desta bactéria. A Aeromonas spp isolada de ani-
uma infecção, mas não forem cultivadas bactérias gram- mais normais em pequenos números pode ser parte da
negativas. Se forem cultivados estafilococos coagulase- flora normal. Entretanto, o tratamento deve ser conside-
positivos ou estreptococos beta-hemolíticos, o tratamen- rado se o crescimento for significativo ou se o organismo
to, conforme direcionado pelos resultados de CIM, deve estiver presente em pacientes com sinais clínicos.
ser considerado. A Serratia spp. é parte da flora normal da cavidade
oral em répteis. Estes organismos são freqüentemente
Isolados gram-negativos isolados de lesões cutâneas e parecem ser introduzidos
A maioria das espécies de Salmonella spp e de por eventos traumáticos, tais como feridas por mordedu-
Salmonella arizonae (antigamente Arizona arizonae) é ras. A infecção cutânea com Serratia spp. tipicamente
considerada patogênica. Muitos répteis albergam esses causa abscessos caseosos que requerem curetagem cirúr-
organismos como parte de sua flora normal e a interpre- gica e antibioticoterapia para resolução.
tação de sua presença pode ser difícil. Os animais afeta- A Providencia spp é freqüentemente isolada da ca-
dos (em oposição aos que estão somente albergando o vidade oral de cobras saudáveis e acredita-se que seja
organismo) com Salmonella geralmente não mostram um patógeno oportunista. O tratamento é considerado se
sinais clínicos; pode ser observado somente crescimento o paciente apresentar uma condição clínica ruim.
retardado ou morte súbita. Um sinal clínico evidente A Klebsiella spp., especialmente a K. pneumoniae,
observado pelo autor é uma dermatite exsudativa e é freqüentemente associada com pneumonia e hipópio.
crostosa tanto em lagartos quanto em cobras. Estas bac- O autor isolou a Klebsiella de lesões de osteomielite em
térias têm importância em saúde pública devido ao seu iguanas e cobras (Figura 4). Estes organismos são consi-

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Figura 5. Uma bactéria álcool-ácido resistente foi
encontrada durante o exame histopatológico desta lesão na
maxila de uma tartaruga-do-deserto-da-califórnia. As
micobactérias são freqüentemente isoladas em lesões
dérmicas de tartarugas-ornamentadas-de-caixa. O teste para
organismos álcool-ácido resistentes deve ser considerado em
todas as lesões não responsivas a antibióticos em tartarugas
e cágados.

cultivadas tiveram crescimento de bactérias anaeróbicas.


A Bacteroides spp é o principal anaeróbico obrigatório
isolado de répteis. Estes fatos devem ter seu papel quan-
do da escolha empírica do antibiótico.
Figura 4. Klebsiella sp foi isolada de uma lesão por
osteomielite na articulação coxo-femural deste iguana. Antibioticoterapia em répteis
Conforme previamente mencionado, a maioria dos
patógenos bacterianos de répteis é de organismos gram-
derados como parte da flora normal por alguns clínicos. negativos. Os isolados comuns incluem Pseudomonas
Quando isolados de répteis clinicamente doentes, o paci- spp., Aeromonas spp, Klebsiella spp e Salmonella spp.
ente deve ser tratado. Até o presente momento, poucos estudos
farmacocinéticos foram publicados sobre répteis com
Micobactérias somente um número limitado de antibióticos.
A Mycobacterium spp é um organismo ubíquo no Muitos fatores devem ser considerados ao se esco-
ambiente. As espécies potencialmente patogênicas em lher um antibiótico. Os resultados de estudos
répteis incluem M. marinun, M. chelonei e M. microbiológicos e de antibiograma, as espécies sendo
thamnopheos. Embora sejam freqüentemente isoladas de tratadas, a condição física do paciente, a freqüência de
lesões cutâneas, as micobactérias também podem causar administração, o custo da terapia, a adesão do proprietá-
doenças sistêmicas acompanhadas por sinais inespecíficos rio e outros fatores são todos importantes.
como anorexia, letargia e emaciação. Os organismos ál- O clínico veterinário deve ter um entendimento com-
cool-ácido resistentes são prontamente identificados em pleto da fisiologia e da biologia dos répteis antes de ad-
raspados de pele ou por biópsia (Figura 5). Não foi rela- ministrar medicações. Visto que todos os répteis são
tado nenhum tratamento bem sucedido para ectotérmicos e o seu metabolismo é dependente da tem-
Mycobacterium spp, podendo estes organismos ter po- peratura, freqüentemente eles reagem de forma
tencial zoonótico. A eutanásia de animais clinicamente imprevisível a diferentes situações. Um bom conheci-
afetados pode ser uma opção que valha a pena discutir mento das espécies mais comuns de répteis e de suas
com o cliente. histórias de vida e peculiaridades auxiliará na prevenção
de desastres durante a terapia.
Bactérias anaeróbicas Várias publicações listam as drogas que foram ava-
Um estudo da flora bacteriana de répteis doentes liadas farmacocineticamente, assim como as drogas
revelou que aproximadamente 50% de todas as amostras freqüentemente usadas empiricamente na prática. A ten-

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TABELA 1
BACTÉRIAS GERALMENTE ISOLADAS, PATOGENICIDADE, EANTIBIÓTICOS RECOMENDADOS EM RÉPTEIS*

Isolado bacteriano Patogenicidade Antibiótico recomendado


Acinetobacter ++ Aminoglicosídeo (Amicacina) CTM, Phoenix
Fluoroquinolona (Baytrill®, Bayer)

Actinobacillus ++ Aminoglicosídeo (Amicacina) CTM, Phoenix


Fluoroquinolona (Baytrill®, Bayer)

Aeromonas +++ Aminoglicosídeo (amicacina) CTM, Phoenix

Bacteroides ++ Penicilina (Pfizerpen®,-AS Aqueous, Roering)


Cefalosporina (Ancef®, SmithKline Beecham)
Metronidazol (Flagyl® Tablets, Searle)

Citrobacter freundii +++ Aminoglicosídeo (Amicacina) CTM, Phoenix


Fluoroquinolona (Baytrill®, Bayer)

Clostridium ++ Penicilina (Pfizerpen®,-AS Aqueous, Roering)


Cefalosporina (Ancef®, SmithKline Beecham)
Metronidazol (Flagyl® Tablets, Searle)

Corynebacterium +++ Penicilina (Pfizerpen®,-AS Aqueous, Roering)


Cefalosporina (Ancef®, SmithKline Beecham)

Escherichia coli + Aminoglicosídeo (Amicacina) CTM, Phoenix

Edwardsiella ++ Aminoglicosídeo (Amicacina) CTM, Phoenix


Fluoroquinolona (Baytrill®, Bayer)

Enterobacter ++ Aminoglicosídeo (Amicacina) CTM, Phoenix


Fluoroquinolona (Baytrill®, Bayer)

Klebsiella +++ Aminoglicosídeo (Amicacina) CTM, Phoenix

Micrococcus Não patogênico Fluoroquinolona (Baytrill®, Bayer)


Cefalosporina (Ancef®, SmithKline Beecham)

Morganella +++ Aminoglicosídeo (Amicacina) CTM, Phoenix


Fluoroquinolona (Baytrill®, Bayer)

Mycobacterium +++ Tratamento não recomendado

Pasteurella ++ Fluoroquinolona (Baytrill®, Bayer)

Proteus +++ Fluoroquinolona (Baytrill®, Bayer)

Providencia ++ Aminoglicosídeo (Amicacina) CTM, Phoenix

Pseudomonas +++ Aminoglicosídeo (Amicacina) CTM, Phoenix

Salmonella ? para +++ Tratamento questionável

Serratia +++ Aminoglicosídeo (Amicacina) CTM, Phoenix

Staphylococcus (coagulase-positivo) ++ Fluoroquinolona (Baytrill®, Bayer)


Cefalosporina (Ancef®, SmithKline Beecham)

Staphylococcus (coagulase-negativo) Não patogênico Não necessário

Streptococcus (alfa-hemolítico) Não patogênico Não necessário

Streptococcus (beta-hemolítico) ++ Fluoroquinolona (Baytrill®, Bayer)


Cefalosporina (Ancef®, SmithKline Beecham)

+ e ++ = oportunistas a graus variados de patogenicidade; +++ = patogênico.


*Modificado por Rosenthal KL, Mader DM: Microbiology, in Mader DR (ed): Reptile Medicine and Surgery. Philadelphia, WB
Saunders, 1996, p 122.

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Tabela 2
DEZ PASSOS PARA USO RACIONAL DE ANTIBIÓTICOS

1. Avaliação inicial – sempre realize um exame físico completo e sangue antes dos fluidos.
adequado, incluindo a avaliação do estado de hidratação do 5. Determine o método de administração (oral, sistêmico, tópico).
animal. A desnutrição desempenha um papel significativo na Coordene sua escolha com a experiência/adesão do proprie-
escolha do antibiótico devido aos efeitos catabólicos e um tário.
aumento na produção de ácido úrico. 6. Escolha da droga – geral versus específica; droga única
2. Aqueça o animal até ele atingir a zona de temperatura ótima versus combinação (veja abaixo).
preferida. (É raro o paciente não poder esperar para ser 7. Ajuste de doses (correção para a desidratação, função renal,
aquecido adequadamente antes de se iniciar a cultura bacteriana, resultados de sensibilidade, etc).
antibioticoterapia). Monitore a temperatura corpórea (cloacal) 8. Acompanhamento e monitoração adequados (reavaliações e
do paciente. avaliações de progresso, mensurações de ácido úrico).
3. Administre fluidos conforme for necessário. 9. Drogas de primeira escolha do autor – amicacina (precaução
4. Obtenha amostras diagnósticas – sangue (hemograma/perfil em pacientes com nefropatias), ceftazidime, enrofloxacina,
bioquímico, cultura), urina (análise microscópica, cultura), sulfa-trimetoprim.
culturas específicas (pulmões, cloaca ou lavado do cólon) e 10. Drogas para terapia em combinação – metronidazol,
aspiração de massas etc. Se possível, obtenha amostras de piperacilina (e.g., combine amicacina com metronidazol).

TABELA 3
ANTIBIÓTICOS FREQUENTEMENTE UTILIZADOS NA MEDICINA DE RÉPTEIS

Antibiótico Espécie Via Dose Intervalo (hr) Referência


(mg/kg)
Amicacina Aligátor IM 2.25 96 Jacobson et al, 1988
(Amikacin CTM, Phoenix) Tartaruga-terrestre IM 5 48 Caligiuri et al, 1990
Cobra IM 5 Inicial Mader et al, 1985
2.5 72

Ceftazidima Cobra IM 20 72 Lawrence et al, 1984


(Fortaz®, Glaxo) Tartaruga-aquática IM 20 72 Stamper et al, 1997

Cloramfenicol Cobra SC 50 12-72 Bush et al, 1976


(Chloromycetin® Sodium (espécies Clark et al, 1985
Succinate, Parke-Davis) dependentes)

Doxiciclina Tartaruga-terrestre IM 50 Inicial Spörle et al, 1991


(Vibramycin®, Pfizer) 25 72

Enrofloxacina Todas IM, PO 5 24 Mader, 1996


(Baytril®, Bayer) Cágado-de-Hermann IM 10 24 Spörle et al, 1991
Tartaruga-gopher IM 5 24-48 Prezant et al, 1994
Tartaruga-estrela IM 5 12-24 Raphael et al, 1994
Iguana-verde IM, PO 5 Não determinado Maxwell &Jacobson, 1997
Aligátor IV 5 36 (para Mycoplasma) Helmick et al, 1997

Metronidazol Cobra PO 20 48 Kolmstetter et al, 1997


(Flagyl® Tablets, Searle)

Piperacilina Cobra IM 100 24 Hilf et al, 1991


(Pipracil®, Lederle)

Trimetoprim-sulfa Todas IM 30 24 (primeiras duas doses); Jacobson, 1987


(BactrimTM Pediatric 48 em diante
Suspension, Roche)

tativa de listar todas aquelas drogas aqui está além do completo e perfil bioquímico (com mensuração do ácido
objetivo deste artigo. Entretanto, é prudente oferecer al- úrico) para avaliação do equilíbrio hídrico. Animais de-
gumas linhas gerais para uma antibioticoterapia racional sidratados ou hiperuricêmicos devem ser adequadamen-
(Tabelas 1 a 3; Figura 6). te reidratados antes de se iniciar a terapia. Raramente os
casos necessitarão de mais do que 1 a 2 dias para se esta-
Considerações gerais belecer uma hidratação adequada antes do tratamento.
Antes de se iniciar o tratamento, deve ser feito um Entretanto, se, por alguma razão, o tratamento tiver de
exame completo do paciente, incluindo um hemograma começar imediatamente, o clínico deve ter a obrigação

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Figura 6. Algumas feridas, tais como esta mordedura de
roedor, são consideradas emergências e podem requerer a Figura 7. Variáveis como espécie, temperatura ambiental
combinação de terapia medicamentosa com antibióticos tais e via de administração afetam as doses de antibióticos. É
como metronidazol e amicacina. imperativo selecionar drogas apropriadas ao se tratar de
diferentes espécies de répteis.

de escolher um antibiótico não nefrotóxico.


Uma outra consideração importante é a temperatura
ambiente na qual se encontra o réptil (Figura 7). Os estu- Métodos de administração de antibióticos
dos farmacocinéticos mostram que um aumento na tem- Há muita controvérsia sobre o uso de antibióticos
peratura ambiente tende a aumentar tanto o volume de orais em répteis. Sob o ponto de vista puramente acadê-
distribuição quanto a depuração da droga. Uma diminui- mico, somente dois estudos farmacocinéticos foram fei-
ção na temperatura ambiente com uma resultante dimi- tos sobre o uso de antibióticos orais em répteis. A maio-
nuição na temperatura corpórea poderia potencialmente ria das informações sobre dosificação oral é proveniente
permitir um aumento na concentração da droga, poden- de experiência clínica.
do-se atingir níveis tóxicos se a dosagem não for dimi- Devido aos problemas inerentes de ectotermia, há
nuída proporcionalmente. uma questão acerca do quanto os antibióticos são absor-
Também já foi observado que quando os patógenos vidos. Até que se prove o contrário, todos os animais
dos répteis são tratados em temperaturas mais altas, a devem ser mantidos em suas zonas de temperaturas óti-
CIM necessária para se conseguir um tratamento eficaz mas (ZTO) quando forem prescritos antibióticos de uso
diminui consideravelmente. Isso permite que seja admi- enteral. A ZTO varia conforme a espécie e o clínico deve
nistrada uma dose mais baixa de antibiótico, um outro ter certeza de pesquisar os requerimentos adequados de
fator positivo ao se lidar com drogas potencialmente ZTO para a espécie que estiver tratando.
nefrotóxicas. Há dois métodos comuns de administração de anti-
A maioria dos pesquisadores acredita que é melhor bióticos orais. Se o paciente ainda estiver se alimentan-
tratar répteis doentes próximo da extremidade mais alta do, o antibiótico pode ser misturado com o alimento ou
de sua zona de temperatura ótima preferida. Isso não so- pode ser injetado em uma presa morta para alimentar o
mente é benéfico por razões já mencionadas, como tam- animal. A utilização de tubos gástricos é uma segunda
bém já se demonstrou que as temperaturas ambientais técnica utilizada para administrar medicações orais.
elevadas estimulam o sistema imune do hospedeiro e Embora a eficácia de antibióticos enterais seja con-
auxiliam no combate à doença de outras formas já discu- testada, o autor, com base em mais de 10 anos de experi-
tidas. ência, com literalmente milhares de pacientes, pode ates-
Ao se selecionar o antibiótico apropriado, os clíni- tar que os antibióticos orais usados em casos apropria-
cos devem considerar a condição do sistema imune do dos funcionam extremamente bem.
paciente. Em répteis criticamente doentes ou
imunocomprometidos, os antibióticos bactericidas (em Antibioticoterapia tópica
detrimento dos bacteriostáticos) são preferidos. Nos ca- Algumas vezes, a cavidade oral, que serve como meio
sos de sepsis por gram-negativos, especialmente nas in- de administração de antibióticos sistêmicos, tem que re-
fecções por Pseudomonas, o réptil está freqüentemente ceber, ela própria, medicação. Isso pode ser feito em ca-
imunocomprometido. sos de estomatite infecciosa severa onde a cavidade oral
Em muitos casos, os animais estão doentes porque está abscedada. Visto que a vascularização para uma ca-
estão imunecomprometidos devido a condições inade- vidade oral abscedada está geralmente comprometida, os
quadas de manejo, o que é geralmente causado pela ma- antibióticos administrados por via sistêmica podem não
nutenção em temperaturas subótimas. ser capazes de atingir níveis terapêuticos adequados nos

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Figura 8. A enrofloxacina, se administrada por injeção Figura 9. O acesso intravenoso é valioso tanto para a
intramuscular, tem o potencial de causar abscessos estéreis fluidoterapia quanto nos casos onde ele é necessário para a
nos sítios de injeção, como o visto nesta píton reticulada antibioticoterapia intravenosa em casos de sepsis severa por
gram-negativos.

tecidos afetados. Os antibióticos aminoglicosídeos têm eliminados por filtração glomerular como a gentamicina.
atividade diminuída em ambientes anaeróbicos e ácidos. Os antibióticos que sejam ou eliminados pelos rins
Silvadene® (Hoescht Marion Roussel) é um creme ou que sejam potencialmente nefrotóxicos não devem ser
suave e branco, miscível em água, que contém o antibió- administrados nos membros traseiros ou na cauda. O sis-
tico sulfadiazina prata. Este creme antibiótico é eficaz tema porta-renal pode ser evitado fazendo-se todas as
contra uma ampla variedade de bactérias gram-positivas injeções na metade cranial do corpo.
e gram-negativas, incluindo Pseudomonas aeruginosa, Uma consideração importante ao se selecionar um
assim como alguns tipos de fungos. O creme Silvadene® antibiótico é a sua habilidade de penetrar o sítio alvo.
é facilmente aplicado com um swab com extremidade de Por exemplo, em pacientes com estomatite severa, o su-
algodão ou outro aplicador. Não é necessária a confec- primento vascular pode estar comprometido para a cavi-
ção de curativo a menos que o paciente possa retirar o dade oral nas áreas lesadas, o que, por sua vez, pode im-
creme da área tratada. Uma nova aplicação será necessá- pedir a boa penetração do antibiótico no sítio de infec-
ria depois de 2 a 3 dias. O creme Silvadene® pode ser ção.
aplicado com segurança diretamente nas membranas Um outro método de se assegurarem níveis antibió-
mucosas da cavidade oral, sem efeitos colaterais. ticos adequados no tecido afetado é o de calcular a dose
sistêmica total, preencher a seringa e depois adicionar
Antibioticoterapia injetável um volume igual de água bacteriostática para diluí-lo para
Os antibióticos injetáveis são provavelmente a me- metade da concentração. Três quartos da dose devem ser
lhor forma de se assegurar distribuição medicamentosa injetados por via intramuscular e o um quarto restante
adequada. Entretanto, o autor acredita, firmemente, que deve ser injetado diretamente na região da boca, onde
se os antibióticos injetáveis forem necessários, o seu uso estiver presente a infecção. Se mais de uma região na
deve ser restrito ao ambiente hospitalar. boca precisar ser injetada, recomenda-se que uma nova
Os antibióticos são injetados ou por via intramuscular agulha seja usada para se prevenir a disseminação de
(Figura 8) ou, menos freqüentemente, por via subcutâ- bactérias de um local para outro.
nea. A via intravenosa de administração é freqüentemente
limitada pela disponibilidade de acesso venoso. O tama- Fluidoterapia
nho e a espécie sendo tratada determinarão se será possí- Devido aos répteis serem uricotélicos (i.e.,
vel ou não uma infusão intravenosa (Figura 9). excretarem ácido úrico como o produto final do metabo-
Os répteis têm uma variação anatômica conhecida lismo protéico), eles são suscetíveis à gota visceral. Se o
como sistema porta-renal. O sangue que deixa a cauda e paciente estiver desidratado ou desenvolver lesões renais
os membros pélvicos passa pelos rins antes de retornar devido ao tratamento com drogas nefrotóxicas, o ácido
ao coração. Estudos recentes em tartarugas-d’água e tar- úrico insolúvel forma microcristais que se depositam
tarugas-ornamentadas-de-caixa demonstraram que isso sobre superfícies serosas e dentro de tecidos como cora-
tem um efeito significante sobre os antibióticos elimina- ção, pulmões, fígado e rins (Figura 10).
dos do organismo por secreção tubular como a A gota visceral pode ser prevenida pela utilização
carbenicilina, mas não tinha efeito sobre os antibióticos de doses adequadas, pela avaliação da condição de equi-

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Leituras sugeridas
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Figura 10. Deve se ter precaução ao se administrarem Caligiuri RL, Kollias GV, Jacobson ER, et al: The effects of
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devem ser avaliados a cada 1 a 2 semanas depois do tér- 191.
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O paciente deve ser suplementado com fluidos fisi- infection in captive snakes. JAVMA 179:1223-1226, 1981.
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ministrados por via oral, intracelomática ou subcutânea 91(1):25-32, 1983.
no seio lateral, que é localizado na junção entre a muscu- Helmick KE, Papich MG, Vliet KA, et al: Preliminary kinetics
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