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A Importância da Gestão do Conhecimento nas empresas

Cristiano Cecatto

A indústria, em todos os cantos do planeta, sempre viveu ciclos fundamentais para o seu
desenvolvimento. Atualmente, empresas pequenas, médias ou grandes são o que são graças à estas
constantes mudanças da indústria mundial. Do período em que a produção em massa ditava as normas
do crescimento, passando pela fase da velocidade de produção, pela chegada, crescimento e difusão da
tecnologia, muito mudou. Hoje em dia, o período que vivemos é o do conhecimento.
Assim, de alguns anos para cá muito se tem ouvido falar em Gestão do Conhecimento. Tudo começou
no início da década de 90, quando várias empresas que viam seus funcionários mais antigos irem
embora passaram a notar o prejuízo que isto causava. Em muitos casos, os substitutos não conseguiam
resolver situações corriqueiras para os seus antecessores, e a chegada do prejuízo era mera questão de
tempo.
Opiniões de empresários, de pensadores e dos mais experimentados consultores garantem que, no
futuro, a maior parte do lucro estará nas mãos de quem melhor souber trabalhar e explorar a sua
informação. De acordo com um relatório da Organização Para a Cooperação e o Desenvolvimento
Econômico (OCDE), em 1998 mais da metade do PIB (Produto Interno Bruto) dos países desenvolvidos
foi produzido pelo uso do conhecimento. Nos Estados Unidos, 25% das exportações é garantida pelos
chamados bens intangíveis (softwares, consultoria, royalties e patentes, indústria cultural). Este
número pode alcançar a casa dos 70% das exportações daquele país caso se leve em conta a tecnologia
utilizada em bens tangíveis (por exemplo, em computadores).
Mais do que nunca, o conhecimento é um aliado fortíssimo para quem o possui. Nas últimas décadas,
as empresas somente se preocuparam com a gestão de produtos e redução de custos na linha de
produção. Hoje em dia, isso não é mais suficiente e não gera tanto diferencial competitivo no mercado.
O conhecimento pode ser considerado um dos melhores produtos para ser comercializado. Pode ser
vendido, gerando lucro e permanecendo com seu detentor. Um exemplo simples é o de um palestrante,
que tem consigo uma grande carga de conhecimento. Ele “vende” para o seu público, mas ainda o
mantém. Em alguns casos, pode até ganhar mais conhecimento em uma palestra, se considerarmos a
possibilidade do palestrante aprender com as opiniões e críticas da sua audiência.
Quem tem um diferencial a mais vai mais longe. E o conhecimento é, sem qualquer dúvida, o principal
diferencial. Afinal, é com ele que novas tecnologias e fórmulas positivas de trabalho surgem para a
empresa.
No Brasil a gestão do conhecimento também tem espaço. Mesmo sendo uma das principais economias
do planeta, o país ainda não tem uma indústria 100% competitiva. E o que fazer para mudar isso? O
que fazer para aumentar a qualidade das indústrias que ainda não se sustentam? O que é preciso para
solidificar o potencial dos setores onde já temos destaque positivo? Pequenas e médias empresas
podem ganhar muito com a utilização da gestão do conhecimento.
Montar uma pequena empresa não é tarefa das mais complicadas. Sobreviver no mercado é o
verdadeiro desafio. Passada esta etapa, só então se pode pensar em lucro e rentabilidade. Pesquisa
sobre esse assunto realizada na USP (Universidade de São Paulo) por José Cláudio Cyrineu Terra
classifica três tipos de empresas na atualidade: empresas que aprendem; empresas tradicionais e
pequenas atrasadas. No primeiro grupo estão as que têm maior nível de envolvimento com as práticas
de gestão do conhecimento. Grupos que conseguem os melhores resultados no mercado.
De acordo com pesquisa, o segundo tipo reúne empresas que não têm tanto envolvimento com a
gestão do conhecimento. Não alcançam resultados tão expressivos, garantem uma penetração no
mercado externo bem menor e tem poucas chances de atrair capital estrangeiro.
Já o terceiro tipo aponta empresas que praticamente desprezam as práticas de gestão do
conhecimento. São de capital predominantemente nacional, têm menor ganho recente de market share
e estão, quase sempre em terceiro lugar (ou menos ainda) em termos de posição de mercado.
Normalmente, não realizam qualquer atividade visando o mercado internacional.
Mesmo sendo amplamente defendida como algo de importância ímpar, a gestão do conhecimento ainda
não é totalmente aceita. O número de empresas que se mantém fiel aos métodos antigos, quase
sempre ultrapassados e em desuso no mercado internacional, é imenso no Brasil. Muitos
administradores acreditam que para se enquadrar às exigências de mercado basta empreender

Documento adquirido na Biblioteca Temática do Empreendedor – Sebrae


http://www.bte.com.br
investimentos fabulosos em tecnologia. Mas é necessário, de fato, um capital intelectual muito forte
para trilhar os caminhos certos.
Além dos fluxos de informação e de trabalho, uma empresa possui fluxos cognitivos entre os
“trabalhadores intelectuais” (aqueles que ditam os rumos a serem seguidos). A gestão do conhecimento
tem como meta guiar esses fluxos para um verdadeiro patrimônio de conhecimento que possa ser
usado com grande permanência na estrutura da empresa. Aliando isso com o constante apoio à
formação de funcionários, especialização daqueles que já têm algum tipo de conhecimento superior,
tudo será mais fácil para quem administra uma empresa. Se, além disso, a empresa ainda tiver a
mente aberta para realizar intercâmbios com outras empresas, promover troca de experiências, a
capacitação de todos será ainda maior.
O que pretendemos mostrar é que as empresas têm que estar atentas às mudanças do mundo. Quem
estagnar, hoje mais do que nunca, vai desaparecer inevitavelmente. É preciso estar sempre
aprendendo e se adaptando.

Cristiano Cecatto é engenheiro especialista em logística e desenvolvimento organizacional da Qualilog Consultoria.


e-mail : cecatto@qualilog.com.br - site : http://www.qualilog.com
Tel. + 55 (11) 3772-3194 / + 55 (11) 3256-8344 ramal 215

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