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Prof. Ms.

Reinaldo Antônio Aleixo


Direito Processual Civil
2º ano - 2005

Ponto 3 - DOS ATOS


PROCESSUAIS
I – DA FORMA DOS ATOS PROCESSUAIS.

1. Conceito de ato processual.

O processo é formado por uma série de atos, que


representam o movimento, a atividade das partes e do juiz
(sujeitos da relação processual) e auxiliares da justiça, até o
provimento final destinado a dar solução ao litígio.
O processo inicia-se e encerra-se por meio de atos
processuais (porque pertencem ao processo) praticados
pelas partes, mas existem outros acontecimentos naturais,
não provocados pelo homem que também produzem efeito
sobre o processo, como a morte (causa de extinção do
processo em alguns casos), o decurso do tempo, etc (fato
processual).
Ato – no sentido jurídico expressa a vontade
manifestada, não bastando a vontade em pensamento1. Na
técnica jurídica ora significa o próprio ato (v. art. 155 do
CPC), ora o escrito ou a forma (v. art. 154 do CPC).
Ato processual é o ato que tem relevância jurídica para
a relação processual, ou seja, aquele que atua na
constituição (petição inicial, citação); conservação (repele a

1
1 V. Moacyr Amaral Santos. Primeiras linhas de Direito Processual Civil, 19ª ed., vol. 1, SP: Saraiva,
1997, p. 279.

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litispendência, extinção do processo), desenvolvimento


(intimações, designação de dia para audiência),
modificação (citação de litisconsortes, habilitação de
herdeiros por falecimento de uma das partes) ou cessação
ou extinção da relação processual (desistência da ação,
renúncia ao direito, transação) .
Os arts. 158 a 161 do CPC trazem os atos das partes e
os arts. 162 a 165, os atos do juiz.

2 . Atos do processo e atos do procedimento.

O processo pode ser visto por dois ângulos distintos –


o do processo (relação jurídica processual) e do
procedimento (rito ou forma do processo). Assim os atos
processuais podem se dar nos dois planos.
O ato do processo tende a alcançar a composição
da lide, tais como: petição inicial, citação, contestação,
produção de provas e a sentença. O ato no plano
procedimental não influencia na relação processual e no
encaminhamento do feito rumo à solução do litígio, como:
ajustes sobre prazos; pedido de adiamento de audiência;
etc.

3 . Características dos atos processuais.

Os atos processuais possuem características próprias:

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a. Não se apresentam de forma isolada – são ligados uns


aos outros e coordenados como anéis de uma cadeia,
formando uma unidade, sendo que a validade, finalidade
e efeitos somente são atingidos quando realizados no
processo, no momento próprio e em regra, na forma
exigida ou permitida por lei (p. e. citação).
b. São ligados pela unidade de escopo – ou seja, os efeitos
não são autônomos e existem apenas para que o
processo chegue ao ato final – a sentença.
c. São interdependentes – conseqüência das anteriores e
tem relevância na teoria das nulidades dos atos
processuais.

4 . Princípios atinentes aos atos processuais.

Todo ato tem uma forma, que é o modo pelo qual se


exterioriza e pela qual se fixa no processo. No processo
vige o princípio do formalismo – uma necessidade para
assegurar a garantia para todos os interessados no
processo, pois a ausência ensejaria muitos inconvenientes
graves. Para que a forma não prepondere sobre o conteúdo,
busca-se adaptar o formalismo às necessidades e aos
costumes do tempo e em razão disso, alguns princípios
existem, para regular a forma dos atos processuais.

1º - Princípio da liberdade das formas – significa dizer


os atos processuais podem ser realizados por qualquer
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forma, desde que idônea para atingir o seu fim. Neste


sentido: art. 154 do CPC. Assim se a lei não prescrever uma
forma, esta é livre, bastando os requisitos de idoneidade e
finalidade (v. art. 171 do CPC).

2º - Princípio da instrumentalidade das formas – vale


dizer que as formas não têm valor intrínseco próprio, mas
são estabelecidas para se atingir a uma finalidade. Neste
sentido: arts. 154 e 244 do CPC.

3º - Princípio da documentação – em regra os atos


processuais são expressados de forma escrita, mesmo
havendo a expressão oral (depoimentos), impõe-se a
documentação por escrito. Observa-se que deve este
princípio acomodar-se a outro – da simplicidade –
conforme se vê no art. 168 do CPC (juntadas, vista,
conclusões) e ainda no Juizado Especial Civil.

4º - Princípio da publicidade – salvo para defender a


intimidade ou interesse social, os atos processuais serão
realizados publicamente, isto é, devem ser realizados na
presença de pessoas que quiserem assisti-los. Neste
sentido: art. 5º, inc. LX e art. 93, IX da Constituição Federal
e arts. 155 e 444 do CPC.

Há exceção em alguns casos, nos termos do art. 155


do CPC, no caso de interesse público, deve ser justificado
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pelo juiz e nos casos do inc. II (separação, etc,) é


obrigatório manter-se em segredo de justiça.

5º - Princípio do uso do vernáculo – os atos processuais


somente podem ser redigidos em língua portuguesa (art.
156 do CPC) e no caso de documento redigido em língua
estrangeira deverá vir acompanhado de versão em
vernáculo, firmada por tradutor juramentado (art. 157 do
CPC).

5 . Classificação dos atos processuais.

Não há consenso na doutrina sobre a classificação dos


atos processuais2. Uns preferem critérios objetivos,
(considerando o objeto do ato praticado), enquanto outros
preferem o critério subjetivo, baseado no sujeito que tenha
praticado o ato processual.

A classificação objetiva mostra os atos de acordo


com os momentos essenciais da relação jurídica processual:
nascimento, desenvolvimento e conclusão3.

Assim, na visão objetiva os atos processuais podem


ser:

2
V. Moacyr Amaral Santos, obra citada, p. 283.
3
V. Humberto Theodoro Júnior, obra citada, p. 215.
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a. atos de iniciativa – destinados a instaurar a relação


processual (petição inicial);
b. atos de desenvolvimento – destinados à movimentação
do processo: instrução (provas e alegações) e ordenação
(impulso, direção e formação).
c. atos de conclusão – atos decisórios do juiz e dispositivos
das partes (renúncia, transação, etc).

No entanto é de ser observado que a orientação


seguida pelo CPC brasileiro é a subjetiva, conforme se vê
dos arts. 158-161, atos da parte; 162-165, atos do juiz e
166-177, atos do escrivão, muito embora, a classificação
não seja completa, pois que, outras pessoas praticam atos
processuais, como os oficiais de justiça, peritos,
testemunhas, ressalvada a observação feita por José
Frederico Marques, no sentido de que os atos de auxiliares
e terceiros ainda não foram sistematizados.

6 . Forma: conjunto de solenidades que se devem

observar para que o ato jurídico seja plenamente


eficaz4.

Quanto à forma podem ser:

4
Clóvis Beviláqua. Teoria Geral de Direito Civil, ed. 1975, § 62, p. 24.
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a. solenes: lei prevê uma determinada forma como


condição de validade;
b. não solenes: forma livre – se prova por qualquer meio em
direito admitido.
Em regra os atos são solenes, subordinados à:
a. forma escrita;
b. a termos adequados;
c. lugares e tempo expressamente
previstos em lei.

7 . Dos atos processuais das partes com noções


sobre os recursos.
(Título V – Capítulo I – Seção I – arts. 154/156, CPC.)

Conceito: são os praticados pelas partes, terceiros e


Ministério Público, no exercício de direitos ou poderes
processuais ou para cumprimento de ônus, obrigações ou
deveres.

Classificação (de Couture):

a. Atos de obtenção: visam obter satisfação de uma


pretensão nos autos.
Podem ser:

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a1. Atos de petição: atos postulatórios (Betti) –


pedidos e requerimentos de providências ou ato
processual específico. Ex: petição inicial.
a2. Atos de afirmação: atos reais (Betti) – cria
situações concretas. Ex: exibição de documentos.
a3. Atos de prova: atos de instrução – instrutórios
(Betti) – buscam demonstrar a verdade de fatos
alegados. Ex: coleta de depoimentos de testemunhas.

b. Atos dispositivos: tem como objetivo criar, modificar ou


extinguir situações processuais – busca produzir o efeito
procurado para sua intenção.
Podem ser:
b1. Atos de submissão: expressa (art. 269, II,
CPC) ou tácita (art. 319, CPC).
b2. Atos de desistência: unilaterais (Betti) –
direito material (art. 269, V, CPC) ou direito
processual (art. 267, III, CPC).
b3. Atos de transação: contratuais (Betti) –
mérito (art. 449 e 269,III, CPC) ou questões
processuais (art. 453, I, CPC).

Deve ser observado que não há consenso no que se


refere à classificação dos atos processuais. A classificação
de Betti consta da obra de Moacyr Amaral Santos5.

5
Primeiras linhas de Direito Processual civil, vol. 1, Ed. Saraiva, 1997.
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De acordo com a natureza dos atos praticados é


possível extrair quais são aqueles que dão ensejo a
recursos, no caso de não ser decido de acordo com o
interesse da parte.

Efeitos: imediatamente – art. 158, CPC, salvo disposição


em contrário, p. e., art. 158, p. u., CPC.

Petições e autos suplementares: art. 159, CPC, cuja


finalidade encontra-se nos arts, 589, 2ª parte e 1063, p. u.,
CPC.

Protocolo: art. 160, CPC.

Cotas marginais: art. 161, CPC.

8 . Atos do juiz (órgão jurisdicional) e sua


classificação.
(Título V – Capítulo I – Seção II – arts. 158/161, CPC.)

Conceito: pronunciamentos que se exprimem por meio de


despachos ou sentenças e atos correspondentes a certas
atividades outras6.
Com relação aos pronunciamentos - art. 162, CPC:
sentenças (art. 162, § 1º), decisões interlocutórias (art. 162,
§ 2º) e despachos (art. 162, § 3º).

6
Moacyr Amaral Santos, obra citada, p. 285.
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Obs: os atos meramente ordinatórios (juntada, vista


obrigatória) – independem de despacho – servidor (art. 162,
§ 4º)7.

Classificação (de Liebman): Os atos processuais podem


ser:
a. Despachos de expediente: ordinatórios (Humberto
Theodoro Jr) – visa movimentar o processo. Ex.
determinação para intimar testemunha.
b. Despachos interlocutórios: meramente interlocutória –

decisões interlocutórias – decidem questões


controvertidas de natureza processual, sem encerrar o
processo. Ex: art. 267, V, CPC.
c. Decisões terminativas: sentenças terminativas – decidem

questões controvertidas de natureza processual e


encerram o processo sem julgamento de mérito. Ex: art.
267, VI, ou art. 283 c.c. 267, I, CPC.
d. Sentenças definitivas: decidem o mérito, i. é., decidem
do pedido, da pretensão deduzida pelo autor, acolhendo
ou rejeitando-a (v. art. 269, I, CPC).

O CPC, no artigo 162 engloba no sentido genérico os


dois tipos de sentença, considerando o conteúdo, mas
distinguem-se pelas conseqüências trazidas pelo Código, p.
e., art. 459, CPC (requisitos e efeitos da sentença).

7
Parágrafo acrescentado pela lei n. 8.952 de 13/12/94.
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É de ser observado ainda, que embora o CPC


considere a força de extinguir o processo como traço
caracterizador da sentença, na verdade a relação
processual, em regra, não acaba com a sentença, ante à
possibilidade de interposição de recursos, reexame
necessário (art. 475, CPC) ou embargos de declaração (arts.
535/538, CPC). Assim, a extinção efetiva do processo se dá
com a coisa julgada formal, ou seja, o pronunciamento do
juiz tornar-se irrecorrível. O que de ordinário ocorre é que a
sentença encerra a atividade jurisdicional do órgão
judicante perante o qual pendia a causa (Juízo onde a causa
foi proposta).

Os despachos podem ser proferidos ex officio (art.


262, CPC) ou a requerimento.

Acórdão: art. 163, CPC - julgamento proferido pelos


Tribunais.

Atos não decisórios: O art. 162 não esgota todas os atos


praticados pelo juiz, como: presidir audiências (art. 446, I,
CPC); ouvir testemunhas (art. 410, CPC); art. 446, II e art.
440, CPC, etc.

Forma: Art. 164, CPC e art. 93, IX, CF - escritos,


fundamentados, datados e assinados.
Sentenças e acórdãos: art. 458, CPC;
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Decisões interlocutórias: art. 165, CPC.


Obs: no caso do acórdão a lavratura é sempre posterior ao
julgamento.

Recursos: sentenças: apelação – arts. 513 e segts;


Decisões interlocutórias: agravo de instrumento
e retido (arts. 522 e segts).
Obs: despachos de mero expediente: não comportam
recurso (art. 504, CPC).

Classificação trazida por Humberto Theodoro Jr:

Os atos do juiz podem ser: decisórios (decisórios


propriamente ditos – preparar o obter a vontade concreta
da lei - art. 162 ou executivos – busca efetiva da vontade
da lei – penhora) e não decisórios (função administrativa
ou de polícia).

O9. Os atos processuais dos órgãos auxiliares da


justiça.
(Livro I – Título V - Capítulo I - Seção IV - arts. 166 a 171 – CPC.)

Conceito: ato praticado pelos serventuários, visando


movimentar o processo, quer documentando, quer
comunicando às partes sobre os atos processuais – arts.
141 e 143 do CPC.

Classificação (de Liebman e Frederico Marques com


pequenas modificações):

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a. Atos de movimentação: visam dar andamento ao


processo. Ex.: vista, conclusão (art. 168, CPC). Humberto
Theodoro Jr traz como sendo atos de comunicação:
intimações e citações8.
b. Atos de documentação: atestam a realização de atos da
partes, juízes ou dos auxiliares da justiça. Ex: certidão de
intimação; arts. 166, 167, 169, 170, 171, CPC .
c. Atos de execução: cumprem determinações do juiz.

Termos processuais comuns aos serventuários:


Conceito: termo processual é a expressão escrita dos
atos praticados no processo. Tem a conotação de limite de
tempo (tempo inicial – dies a quo e tempo final – dies ad
quem); de prazo (termo da contestação é de quinze dias).
Antes dos CPC de 39, tinha o sentido de limite de tempo e
com ele buscou-se dar o sentido de expressão escrita.
Moacyr Amaral Santos: Atos em que o escrivão ou
outro serventuário intervém para documentá-los.
Documentação escrita e autêntica dos atos processuais
feitas por serventuários da justiça no exercício de suas
atribuições.

Termos de andamento: espécies (de acordo com


Gabriel de Rezende Filho):
a. juntada: certidão de ingresso de petições ou
documentos nos autos (art. 168, CPC);
8
In obra citada, p. 230.
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b. vista: franqueia a manifestação de partes, Ministério

Público ou terceiro, nos autos (art. 168, CPC);


c. Conclusão: encaminhamento dos autos ao juiz para

deliberar (art. 168, CPC);


d. Recebimento: documenta o retorno dos autos ao
cartório;
e. Auto: documenta atividade do juiz, partes, perito, etc,

realizada fora dos auditórios e cartórios. Ex: auto de


embargo de obra nova – art. 983, CPC;
f. Ata: narração escrita das ocorrências das reuniões dos

Tribunais;
g. Termo de autuação: atesta iniciado o processo – art.

166, CPC;
h. Apensamento: atesta que aos autos principais foram

apensados outros (art. 105, CPC);


i. Desentranhamento: atesta que, por despacho do juiz,

foram tirados do processo, determinado documento ou


peça (art. 195, CPC).

Autos: conjunto dos atos e termos do processo. Podem ser


originais (compõem o processo) ou suplementares (art.
159, CPC – cópias das peças que formam o processo
original).

Termos prejudiciais: documentos ou atos que modificam


o direito das partes. Ex: transação (art. 842, CC);
conciliação (art. 448, CPC).
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Forma dos termos: Arts. 156 e 169/171, CPC –


datilografados ou escritos; tinta escura e indelével;
assinaturas; vedadas as abreviaturas; possível a utilização
de meio mecânico; vedados os espaços em branco;
entrelinhas, emendas e rasuras; língua portuguesa (arts.
156, CPC; 224, CC; art. 18, Dec. 13.609, de 20/10/43 –
regulamenta o ofício tradutor público e intérpretes
comerciais).

10 . Da intimação9.
(Livro I – Título V - Capítulo IV - Seção IV - arts. 234 a 242 – CPC.)

“Intimação é o ato pelo qual se dá ciência a alguém dos


atos e termos do processo, para que faça ou deixe de
fazer alguma coisa” (CPC, art. 234). O pronome alguém,
contido no art. 234, indica não somente as partes mas
também os auxiliares da Justiça e terceiros que de
algum modo devam realizar atos no processo. Há casos
em que a intimação simplesmente dá ciência de algum
ato e outros em que, além da ciência, contêm um
comando a ser cumprido.

9
DINAMARCO, Cândido Rangel. Instituições de direito processual civil. Vol. 2, São Paulo: 2001,
Malheiros, p. 507-509. (trechos sobre o tema “intimação” extraído dessa obra).
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Às partes são corriqueiramente apresentados, pela via


das intimações, os atos realizados pelo juiz (decisões
em geral), por um auxiliar da Justiça (perícias, partilhas)
ou pelo adversário (a própria demanda inicial, juntada
de documentos, interposição de recursos etc.). Assim
são as intimações, quando portadoras de mera ciência.
Essas intimações criam ônus e fazem fluir prazos, mas
não geram deveres.

Ao intimar as partes de que a sentença foi proferida,


o juízo não está emitindo um comando ao vencido para que
recorra, mas simplesmente proporcionando-lhe oportunidade
de faze-lo; o recurso é uma faculdade que o vencido tem e
ele a exercerá segundo sua própria e legítima decisão. A
intimação do recurso interposto pelo vencido também não
contém comando a responder, mas informação para que o
vencedor responda, querendo.

A estrutura da intimação torna-se complexa quando


ela leva ao sujeito, além do conhecimento de um ato
judicial que lhe ordena uma conduta, o comando a realizar
essa conduta. É o que se vê na intimação de testemunhas a
comparecer e depor, de peritos a realizar seu trabalho e,
em alguns casos, às próprias partes, para que cumpram
deveres (esses casos são tão raros quanto os deveres que
as partes têm no curso do processo). Hipótese
importantíssima é a intimação a cumprir o comando contido
na condenação por obrigação de fazer ou de não-fazer (art.
461, §§); assim também a que se faz ao executado para que
cesse a resistência ilícita em caso de contempt of court
(“desacato à autoridade do tribunal” – ou: atos atentatórios
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à dignidade da Justiça, como resistência indevida ao


cumprimento de ordem judicial).

Não gera deveres, mas ônus, a intimação da parte a


providenciar a citação de litisconsorte necessário ou
mesmo a prestar depoimento pessoal (arts. 47, parágrafo
único, e 342); elas sofrerão as conseqüências de eventual
descumprimento, mas este não é considerado um ilícito.

O dever ou o ônus de comparecimento só se impõe


quando a pessoa houver sido intimada com a antecedência
mínima de vinte-e-quatro horas, salvo se a lei dispuser
especificamente de modo diferente em relação a algum
caso em particular (art. 192) – para mais ou para menos. Ao
juiz pode ser lícito fixar prazos mais amplos que os da lei,
não porém mais breves (salvo casos excepcionalíssimos, de
extrema urgência).

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