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CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA BACHARELADO

ATIVIDADES RÍTMICAS

PROFESSOR GUSTAVO

DANÇA NAS ANTIGAS CIVILIZAÇÕES

Porto Alegre, abril de 2009


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DANÇAS NAS ANTIGAS CIVILIZAÇÕES

Trabalho apresentado à disciplina de


Atividades Rítmicas

Carlos Alberto Balardin Júnior

Roger Marques de Matos

Tatiane de Souza Rodrigues

Willian Kain

Gislaini Bottega

Adriana Kabov Ferrari

Daniele Mello

Professor Gustavo
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Porto Alegre, abril de 2009

INTRODUÇÃO

Não havendo nenhuma documentação escrita que suporte com precisão a


dança na antiguidade, o Homem deixa-nos algo mais intuitivo, que retrata e nos faz
supor como seria a sua dança, ele deixa-nos estatuetas, pinturas e baixos-relevos
nas paredes das grutas.

Considera-se a dança como a primeira forma de comunicação, anterior à fala


e à escrita. Ao ritmo de um som muito rudimentar que escutava da Natureza, o
Homem cedo percebeu que com os movimentos (que surgiam de uma forma
inconsciente, intuitiva e natural) conseguia exprimir-se com ele próprio, permitindo-
lhe passar todas essas sensações e sentimentos também a seus similares.

Neste trabalho, procuramos apresentar as origens e registros históricos sobre


dança encontrados nas principais civilizações da antiguidade.
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1. REFERENCIAL TEÓRICO

Dançar é definido como uma manifestação instintiva do ser humano. Antes de


polir a pedra e construir abrigos, os homens já se movimentavam ritmicamente para
se aquecer e comunicar.

Considerado a mais antiga das artes, a dança é também a única que


dispensa materiais e ferramentas. Ela só depende do corpo e da vitalidade humana
para cumprir sua função enquanto instrumento de afirmação dos sentimentos e
experiências subjetivas do homem.

Inicialmente, a dança integrava rituais dedicados aos deuses, objetivando


pedir auxílio para a realização de boas caçadas e pescarias, para que as colheitas
fossem abundantes, para que fizesse sol ou chovesse. A dança fazia parte, também,
de manifestações de júbilo e congraçamento pela vitória sobre inimigos e por outros
eventos felizes

Nos dias atuais não temos a certeza nem de quando e nem de que por quais
razões o homem dançou pela primeira vez, no entanto na medida em a arqueologia
consegue traduzir as inscrições dos “povos pré-históricos”, ela nos indica a
existência da dança como parte integrante de cerimônias religiosas, nos permitindo
considerar a possibilidade de que a dança tenha nascido a partir ou de forma
concomitante ao nascimento da religião.

Foram encontradas gravuras de figuras dançando nas cavernas de Lascaux,


na medida em que estes homens usavam estas inscrições para retratar aspectos
importantes de seu dia-a-dia e de sua cultura, como os relacionados à caça, a morte
e a rituais religiosos, podemos inferir que essas figuras dançantes fizessem parte
destes rituais de cunho religioso, básicos para a sociedade de então.

A dança, tal como todas as manifestações artísticas, é fruto da necessidade


de expressão do homem, de maneira que seu aparecimento se liga tanto às
necessidades mais concretas dos homens quanto àquelas mais subjetivas. Assim,
se a arquitetura nasce da necessidade da construção de moradias adequadas e
seguras, a dança, provavelmente, veio da necessidade de exprimir a alegria ou de
aplacar fúrias dos deuses.
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Com o passar do tempo, cada povo desenvolveu suas próprias formas e


estilos de dançar, caracterizando suas diferentes culturas, da mesma forma que a
música, o vestuário, a alimentação, etc. marcam o jeito de ser próprio de cada
sociedade.

2. ANTIGO EGITO

No decorrer de sua história, o Egito praticou amplamente a Dança, em suas


formas sagradas, litúrgica funerária e finalmente dança como recreação. Pinturas
rupestres encontrada nos túmulos indicam que independente da condição social de
seu proprietário viam-se dançarinos e dançarinas, aparentemente especializados,
acompanhando os cortejos funerários (BOURCIER, 1987).

Os baixos relevos dos templos descrevem procissões com partes


coreográficas obrigatórias. A presença de dançarinas era constante na vida dos
integrantes da corte, representadas com a cabeça jogada para trás (BOURCIER,
1987).

Existem registros, datados de 3000 A.C. sobre os sacerdotes-dançarinos


“MUU”, que substituem as dançarinas dos cortejos fúnebres. Também são
encontrados, da época do baixo império, uma série de representações de um deus
dançarino chamado Bés. Na época do alto império, observa-se a prática da dança
com os joelhos flexionados, semelhante a dos hebreus, dos cretenses, dos gregos.
Em diversos períodos observa-se o gesto dos braços em oposição, uma palma
voltada para o céu, a outra para a terra (BOURCIER, 1987)

Também é possível notar o gosto dos egípcios pela dança acrobática,


principalmente pela dança em que se joga a nuca ou todo o corpo para trás a ponto
de fazer uma ponte, alcançando-se o tornozelo com as mãos. No museu egípicio de
Turim existe escultura retratando o movimento
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2.1 Dança do ventre

No antigo Egito encontramos um homem culto, inteligente, sábio, sensível à


Filosofia e à Arte. O antigo Egito foi uma das sociedades mais marcantes da história
universal.

O forte sentido espiritual que adquiriram, foi tão glorioso, que é neste período
que a Dança passa a ter um objetivo específico: ela é a ligação com o Divino,
praticada em rituais religiosos. É nesta altura que a sua essência é fortemente
desenvolvida, de tal maneira, que dura até aos dias de hoje, com o nome de Dança
Oriental.

Também através de pinturas, baixos-relevos e inscrições deixados nos


templos e nas paredes das pirâmides percebe-se que o antigo Egito era uma
sociedade matriarca, onde a Mulher tinha um papel fundamental.

A adoração à Deusa Mãe continua sendo ela a personagem e o motivo


principal em celebrações religiosas onde as mulheres (sacerdotisas) tinham a
exclusividade de comunicar-se com as deusas, homenageando-as, agradecendo-as,
pedindo-lhes favores e proteção através de movimentos com o ventre carregado de
simbolismo e energia.

Esses movimentos e arquétipos seriam a base técnica da Dança do Ventre


que conhecemos hoje. O corpo principalmente o ventre e anca demonstravam;
figuras circulares que simbolizam os ciclos da vida (da lua, estações, marés, dia e
noite, o nascer, viver e morrer) tão perfeitamente ligados à Mulher (os ciclos
menstruais, de fertilidade, de dar à luz). Supõe-se que dançavam em trajes
transparentes para uma maior visibilidade dos movimentos e as suas danças eram
consideradas sagradas.

Também a música se desenvolve e também ela é tocada pelas mulheres.


Começa por uma percussão executada com as mãos, um estalar de dedos, gritos e
bater os pés compassados ritmicamente, passando para instrumentos de percussão
feitos de madeira, ossos de animais ou marfim.
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2.2 Relação dos principais deuses Egípcios

 Anúbis: o deus dos mortos e das necrópoles (cidades dos mortos),

 Amon: o rei dos deuses, considerado o deus que traz o sol e a vida ao Egito.

 Ápis: Boi com marcas na pele e disco solar entre os chifres

 Anúkis: Coroa branca ladeada de dois chifres de gazela.

 Atum: Em Heliópolis, Atum era considerado o rei de todos os deuses, aquele


que criou o universo.

 Bastet: a deusa da guerra, uma mulher com cabeça de gato ou cabeça de leoa.

 Bés: deus da família e das mulheres grávidas.

 Hator: deusa das mulheres, muito celebrada em festas

 Hórus: o deus do céu. Sua representação divina era de um homem com


cabeça falcão, ou então apenas um falcão, sendo ele o deus mais importante do
panteão egípcio.

 Imhotep: responsável pela criação dos maiores monumentos egípcios, as


pirâmides.

 Ísis: A deusa mais popular do Egito, Ísis representa a magia e os mistérios de


todo Egito.

 Osíris: comanda do mundo subterrâneo e julga os mortos.

 Ptah: patrono das artes e dos artífices.

 Rá: é o deus sol

 Sekhmet: a deusa da cólera, muito temida, pois poderia trazer pestes,


destruição e morte para o Egito. Os egípcios a veneram em tempo de guerra para
ajudá-los nos combates.
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2.3 Origens do Carnaval

As origens do Carnaval são obscuras e longínquas. Sua memória vem do


inconsciente coletivo dos povos. Não temos como comprovar cientificamente o
nascimento do Carnaval, entretanto, baseados em pesquisas da história da evolução
do homem deduzimos que os primeiros indícios, do que mais tarde se chamaria
Carnaval, surgiram dos cultos agrários ao tempo da descoberta da agricultura.

O surgimento da agricultura só ocorreu após o final da última glaciação da


Terra, há, aproximadamente, 10.000 anos a.C., quando melhores condições
climáticas fizeram surgir nos lugares das imensas e inóspitas geleiras, bosques e
pradarias, ricas em recursos animais e vegetais. O novo ambiente da Terra fez com
os humanos saíssem das cavernas para os campos. Livres da predação dos
grandes animais, desaparecidos, os homens evoluíram para domesticação e criação
dos animais e cultivo dos vegetais (sedentarização).

Favorecidos pelos humos (ou limo) que deixavam extremamente fértil as


terras irrigadas pelo rio Nilo, teriam sido os povos que, primitivamente, habitavam
suas margens e que a partir de 4000 anos a.C. evoluíram para as unidades políticas
chamadas “Nomos”, os verdadeiros criadores da agricultura e dos cultos agrários. O
homem começou a entrar no reino da utopia através da comemoração.

No momento da festa se desligava das coisas ruins, que concretamente


tinham ido embora (o inverno que o prendiam aos abrigos) e saudava o que lhe
parecia um bem ( a entrada da primavera, o término das enchentes do rio Nilo, o
nascer e o pôr do sol), com danças e cânticos para espantar as forças negativas que
prejudicavam o plantio.

2.4 Principais Cultos Agrários

 No Egito, festa da Deusa Ísis e do Boi Apís.

 Na Pérsia, festas da deusa da Fecundidade Naita e de Mira, deus dos


Pastores

 Na Fenícia, Festa da deusa da Fecundidade Astarteia.


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 Em Creta, festa da Grande Mãe, deusa protetora da terra e da fertilidade,


representada por uma pomba.

 Na Babilônia, as Sáceas, festas que duravam cinco dias e eram marcadas


pela licença sexual e pela inversão dos papéis entre servos e senhores, e
pela eleição de um escravo rei que era sacrificado no final da celebração.

2.5 Organização Política

A sociedade do Antigo Egito apresentava uma estrutura fortemente


hierarquizada. Em termos gerais podem distinguir-se três níveis com uma
importância decrescente: o nível composto pelo faraó, nobres e altos funcionários; o
nível constituído por outros funcionários, por escribas, altos sacerdotes e generais; e
por último, o nível composto pelos agricultores, artesãos e sacerdotes, onde se
enquadrava a larga maioria da população.

No período mais antigo da história egípcia os altos cargos da administração


permaneciam dentro da família real. Apenas mais tarde é que os cargos passaram
para uma elite e tornaram-se hereditários. A possibilidade de ascender a um cargo
em função de mérito também existiu. A hereditariedade nas ocupações era
característica do Antigo Egito: esperava-se que um filho seguisse a profissão do pai.

Apesar de ser praticamente igual ao homem do ponto de vista legal, a mulher


no Antigo Egito estava relegada a uma posição secundária. Os seus papéis
principais eram os de esposa, mãe ou amante. Encontraram-se em geral excluídas
dos cargos de administração e do governo, com exceção de algumas rainhas que
governaram o Egito como último recurso (enquanto regentes na menoridade do
faraó ou em casos em que o faraó não teve filhos do sexo masculino).
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3. GRÉCIA

A civilização grega surgiu entre os mares Egeu, Jônico e Mediterrâneo, por


volta de 2000 AC. Formou-se após a migração de tribos nômades de origem indo-
européia, como, por exemplo, aqueus, jônios, eólios e dórios. As Pólis (cidades-
estado), forma que caracteriza a vida política dos gregos, surgiram por volta do
século VIII a.C. As duas Pólis mais importantes da Grécia foram: Esparta e Atenas.

3.1 Organização Política

A economia dos gregos baseava-se no cultivo de oliveiras, trigo e vinhedos. O


artesanato grego, com destaque para a cerâmica, teve grande a aceitação no Mar
Mediterrâneo. As ânforas gregas transportavam vinhos, azeites e perfumes para os
quatro cantos da península. Com o comércio marítimo os gregos alcançaram grande
desenvolvimento, chegando até mesmo a cunhar moedas de metal. Os escravos,
devedores ou prisioneiros de guerras foram utilizados como mão-de-obra na Grécia.
Cada cidade-estado tinha sua própria forma político-administrativa, organização
social e deuses protetores (Polis)

3.2 Cultura e Religião

Foi na Grécia Antiga, na cidade de Olímpia, que surgiram os Jogos Olímpicos


em homenagem aos deuses. Os gregos também desenvolveram uma rica mitologia.
Até os dias de hoje a mitologia grega é referência para estudos e livros. A filosofia
também atingiu um desenvolvimento surpreendente, principalmente em Atenas, no
século V ( Período Clássico da Grécia). Platão e Sócrates são os filósofos mais
conhecidos deste período.

A dramaturgia grega também pode ser destacada. Quase todas as cidades


gregas possuíam anfiteatros, onde os atores apresentavam peças dramáticas ou
comédias, usando máscaras. Poesia, a história, artes plásticas e a arquitetura foram
muito importantes na cultura grega.

A religião politeísta grega era marcada por uma forte marca humanista. Os
deuses possuíam características humanas e de deuses. Os heróis gregos
(semideuses) eram os filhos de deuses com mortais. Zeus, deus dos deuses,
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comandava todos os demais do topo do monte Olimpo. Podemos destacar outros


deuses gregos: Atena (deusa das artes), Apolo (deus do Sol), Ártemis (deusa da
caça e protetora das cidades), Afrodite (deusa do amor, do sexo e da beleza
corporal), Démeter (deusa das colheitas), Hermes (mensageiro dos deuses) entre
outros. A mitologia grega também era muito importante na vida desta civilização,
pois através dos mitos e lendas os gregos transmitiam mensagens e ensinamentos
importantes.

3.3 A Dança na Grécia

Os gregos deram especial importância á dança desde os primórdios da sua


civilização. Ela aparece em mitos, lendas, cerimônias, literatura e também como
matéria obrigatória na formação do cidadão

3.4 Danças, Mitos e Teatro

Labirinto do Minotauro: tal lenda deixou vestígio dançante: na época clássica,


jovens atenienses executavam uma dança do labirinto; em fila, de mãos dadas, eles
simulavam o percurso de Teseu (quem matou o Minotauro) por intermináveis
corredores.

Textos gregos referem ao costume cretense de fazer adolescentes dançarem


diante de um touro. Tem-se ai o ancestral da tourada ibérica que é um misto de
esporte e arte

Ditirambo: Da cidade de Creta veio um importante costume: o culto a Dionísio


(deus conhecido por vários nomes, inclusive deus touro, e deus bode), com suas
festas e cânticos. Os quais receberam o nome de Ditirambo. O ritual ditirâmbico
compunha-se por uma dança de saltos, acompanhada por movimentos dramáticos e
dotada de hinos apropriados que expressa o duplo nascimento de Dionísio (é o deus
mais envolvido com a Dança)
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Apolo: O centro de culto de Apolo ficava em Delfos ali, de uma caverna


subterrânea, brotavam vapores aos quais os gregos atribuíam poder mágico.
Inalando esse gás e mascando folhas de louro, a pitonisa de Apolo entrava em
transe e fazia as famosas profecias transmitidas aos fiéis pelo oráculo e que tantas
vezes são citadas na história e nas tragédias. Sófocles dirigiu um coro de
adolescentes que dançavam nus para honrar Apolo

Pantomima: Muita pantomima (é um teatro gestual que faz o menor uso


possível de palavras e o maior uso de gestos. É a arte de narrar com o corpo) era
executada pelo coro de dançarinos, vestidos com pele de bode, numa alusão a
ressurreição do deus bode (Dionísio)

3.5 Celebrações em honra a Dionísio

As Antesterias: Festas nas quais se provava as novas safras de vinho;


durante vários dias e as danças tinham lugar no terceiro dia.

As Grandes Dionisíacas: Festas realizadas no verão por quase toda a Grécia


que representavam cenas da vida do deus; são ligadas á história do teatro.

As Dionísias Urbanas: já com caráter de festival, tiveram início no século VI


a.C. Aconteciam nos fins de março.

Apolo e Dionísio simbolizavam uma verdadeira união entre o que seria terreno
e as imagens celestes. As musas gregas também estavam presentes nestas
celebrações. Dentre elas destaca-se Terpsícore, musa da dança e do teatro coral.

A deusa Deméter em sua honra as festas assumiam características


orgásticas, próprias das celebrações dionisíacas. Semelhantes no fato de que
ambas estavam intimamente ligadas ás atividades que provinham o sustento,
Deméter, o trigo, e Dionísio, o vinho, elas se diferenciavam num ponto básico:
Deméter representava a organização e a lei e Dionísio, a embriaguez e desordem.
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Outros cultos importantes: dança de Orfeu escolias (dançado por rapazes,


que, cantando e dançando, saltavam por cima de odres de vinho). Gimnopédias
(dança de adolescentes nus).

3.6 Danças Gregas

Ditirâmbicas: Danças pantomímicas em honra a Dionísio. Aquele que


representava a divindade ficava num quadrado e movimentava-se em linha reta; o
coro, disposto em circulo, evoluía em linhas fechadas, formando arcos. As danças e
evoluções do coro tinham lugar no orkestiké, ou seja, espaço entra o público e o
lugar reservado aos artistas.

3.7 Danças Religiosas

 Corybanthiaque, dedicada ao deus Zeus.

 Callinicos, em memória de Cérbero, quando acorrentado por Hércules.

 Hormos, (colar) para Ártemis.

 Gimnopédia, dançada nas festas anuais realizadas em Esparta e na


Macedônia, em honra de Apolo.

 Hiporchemata, dança de templo também em honra de Apolo.

 Anacharsis dança em torno dos altares.

3.8 Danças Dramáticas

 Ascoliasmos, alegre, viva e movimentada.

 Caríates dança nobre e ingênua.

 Enmeleia (harmonia) forma majestosa de dança, executada com movimentos


elegantes e nobres, que acompanhava as tragédias. As odes que expressavam
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emoção intensa ou alegria eram acompanhadas por uma dança movimentada, em


grande parte mimética; celebravam as ações dos deuses e os mistérios da natureza.

 Fitias ou Anapala, dança de crianças despidas.

 Jônica, dança voluptuosa e afeminada.

 Kordax: dança burlesca, típica da comédia, executada somente por homens,


feita de movimentos tão sexuais e lascivos que não podia ser executada fora do
teatro, sob pena de prisão, por atentar contra a moral pública.

3.9 Danças Guerreiras

 Pírrica. Era obrigatória na educação física dos jovens cidadãos; os bailarinos,


vestindo túnicas e armados com espadas e escudos de madeira, imitavam lutas,
praticando poses de ataque e defesa. Segundo Platão, descrevia as várias formas
de uma batalha. Em Atenas tornou-se uma dança coletiva, na qual duas fileiras de
dançarinos se confrontavam.

 Embacterion. Era dança ou marcha militar.

3.10 Bacanais

As bacanais eram festas realizadas em honra ao deus romano Baco,


chamado de Dionísio pelos gregos. Era o deus do vinho e dos prazeres. As festas
eram, muitas vezes, orgias. As bacantes, consideradas sacerdotisas do deus,
dançavam desenfreada mente vestidas com peles de leão. Por isso, a palavra
bacanal permaneceu como sinônimo de reuniões em que há orgia, sexo e danças.

3.11 Carnaval
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A palavra Carnaval vem de Carrus Navalis, por influência das festas em honra
de Dionísio, onde um carro, com um enorme tonel distribuía vinho ao povo na Roma
antiga.

Carnaval associado às Bacanais ou Grandes Dionisíacas (festa da terra, do


vinho e das florestas), efetuadas em Roma e na Grécia em louvor de Baco ou
Dioniso (com a prova do vinho novo), que decorriam nos três meses de Inverno,
celebradas, principalmente, pelos camponeses, que se apresentavam mascarados
durante as festividades.

4. ROMA

Quando os romanos conquistaram a Grécia, em 197 a.C., tinham adquirido


grande parte da cultura grega, inclusive a dança. Os artistas romanos dançavam ao
mesmo tempo em que faziam números de acrobacia e mágica. Alguns romanos
importantes, apesar da popularidade da dança, a desaprovavam. Cícero, o famoso
orador dizia: "Nenhum homem dança, a menos que esteja louco ou embriagado".

4.1 Musica e Dança em Roma

A cultura musical do leste do Mediterrâneo, sobretudo da Grécia, trazida pelas


legiões romanas em seu retorno, foi modificada e simplificada. Mesmo assim, suas
teorias musicais e acústicas, princípios de construção de instrumentos, sistema de
notação e acervo de melodias predominaram e formaram a base de toda a música
ocidental posterior. A cultura romana, em seu sóbrio racionalismo, era avessa à
dança, que, até o início do século III, restringia-se a formas processionais, ligadas a
ritos de guerra e agrícolas.

Mais tarde, a influência etrusca e grega se disseminou, mas as pessoas que


dançavam eram consideradas suspeitas, efeminadas e mesmo perigosas pela
aristocracia romana. Cícero afirmou que a dança era um sinal de insanidade. No
Império Romano, transformaram-se as festas orgásticas de Baco, a princípio só para
mulheres e realizadas durante três dias no ano.
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Embora secretos, tais cultos se disseminaram, passaram a incluir também os


homens e chegaram a uma freqüência de cinco por mês. No ano 186 a.C., sob a
alegação de obscenidade, foram proibidos e seus praticantes sofreram implacável
perseguição, só comparável à movida contra os cristãos. Por volta do ano 150 a.C.,
foi ordenado também o fechamento de todas as escolas de dança, o que não
erradicou a prática: dançarinos e professores eram trazidos, em número cada vez
maior, de outros países

A concepção de vida, racionalista e intelectualizada dos romanos, sua


dificuldade em trabalhar no terreno da imaginação e do êxtase, provavelmente,
foram os responsáveis pelo fato de a dança não ter sido entre eles uma expressão
artística poderosa. “Quando Cícero afirmava que “quase todas as pessoas que se
consideram sérias não dançam”, nada mais fazia do que interpretar um
temperamento e uma maneira de entender a existência, peculiar àquele povo.”

Para os romanos a dança não desempenhou um papel importante. Racionais,


conquistadores, monumentais, manifestaram, preferencialmente na Arquitetura seu
temperamento artístico. Entretanto, como não se tem notícia de qualquer civilização
que não tenha danças, sabe-se que algumas danças latinas eram autóctones
(sinônimo de nativos ou indígenas).

No primeiro (compreendendo a monarquia e parte do primeiro período


republicano, aproximadamente 754 a 200 a.C.), mencionam-se danças corais de
homens que pertenciam a corporações e procissões primaveris de sacerdotes
destinadas à purificação dos campos, além de danças fúnebres, de flagelação e de
armas. As danças de armas eram executadas em março, em honra ao deus Marte,
por sacerdotes guerreiros denominados “ salii ou saliens ”. Nelas praticava-se o “
tripudium ”, uma tripla batida dos pés no chão repetida por três vezes.

Mas a dança em Roma teve exíguo interesse místico; o que agradava ao


público eram as lutas entre gladiadores ou dos gladiadores contra animais ferozes,
em espetáculos marcados pela bestialidade, realizados em enormes arenas como a
do Coliseu.

Do segundo período (compreendendo o fim da primeira república e parte da


segunda, iniciando-se por volta de 200 a.C.), vale citar a “ bellicrepa ”, dança cuja
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criação foi atribuída a Rômulo, o fundador da cidade de Roma, e que simbolizava o


rapto das sabinas.

A dança se tornou, por essa época, mais importante na vida pública de Roma.
Jovens de ambos os sexos passaram a ir à escola estudar dança, agora promovida
à condição de requisito social. A tentativa, em 150 a.C., de fechar essas escolas
revelou-se inútil. Mesmo estranha à sua natureza, Roma não conseguiu resistir ao
apelo de uma arte inerente a todos os povos.

O terceiro período (Império, aproximadamente 27 a.C.) ficou marcado,


sobretudo pela madura pantomima grega, ou seja, uma ação dramática sem
palavras

Sobre os trajes, sabe-se que os atores romanos usavam uma placa metálica
na sola dos pés que servia como marcador de ritmo. O espetáculo era
acompanhado por música do princípio ao fim. Os trajes, bordados a ouro, eram
vistosos e caros, mas sumários, distantes das vestes despojadas e austeras dos
jograis gregos que lhes inspirara a arte teatral. No

Por tudo isso, o grande legado de Roma foi à pantomima A dança como
êxtase, com sua capacidade de realçar artisticamente a abstração e a imaginação,
permaneceu distante da sociedade romana, de tendência intelectual e realista.

As bacanais, executadas em honra a Baco, correspondente latino de Dioniso,


identificavam-se pelo caráter orgíaco, mas, como já foi mencionado, de Dioniso só
ficou a forma, não o espírito que movia o povo grego.

5. África

As danças africanas tiveram origem na África como parte essencial da vida


nas aldeias. Elas sempre acentuaram a unidade entre os seus membros, tendo sido
quase sempre uma atividade de grupo.

A dança tribal considerada como arte pré-histórica das mais antigas do


mundo dá uma contribuição muito importante para as sociedades existentes, porque
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muitas dessas danças tribais serviram para ajudar a escrever a história africana.
Essas danças eram feitas com o som do batuque como primeiro instrumento que
também servia como comunicador

Na dança africana, cada parte do corpo movimenta-se com um ritmo


diferente. Os pés seguem a base musical, acompanhados pelos braços que
equilibram o balanço dos pés. O corpo pode ser comparado a uma orquestra que,
tocando vários instrumentos, harmoniza-os numa única sinfonia. Outra característica
fundamental é o policentrismo que indica a existência no corpo e na música de
vários centros energéticos, assim como acontece no cosmo.

A dança africana é um texto formado por várias camadas de sentidos. Esta


dimensionalidade é entendida como a possibilidade de exprimir através e para todos
os sentidos. No momento que a sacerdotisa dança para Oxum, ela está criando a
água doce não só através do movimento, mas através de todo o aparelho sensorial.
A memória é o aspeto ontológico da estética africana.

É a memória da tradição, da ancestralidade e do antigo equilíbrio da natureza,


da época na qual não existiam diferenças, nem separação entre o mundo dos seres
humanos e os dos deuses

A repetição do padrão-musical manifesta a energia que os fieis estão


invocando. A repetição dos movimentos produz o efeito de transe que leva ao
encontro com a divindade, muito usado em rituais. O mesmo ato ou gesto é
praticado num número infinito de vezes, para dar à ação um caráter de
atemporalidade, de continuação e de criação continua.

Nas danças africanas o contato contínuo dos pés nus com a terra é
fundamental para absorver as energias que deste lugar se propagam e para
enfatizar a vida que tem que ser vivida agora e neste lugar, ao contrario das danças
ocidentais performadas sobre as pontas a testemunhar a vontade de deixar este
mundo para alcançar outro
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5.1 Características

As danças africanas variam muito de região para região, mas a maioria delas
possui características comuns. Os participantes geralmente dançam em filas ou em
círculos, raramente dançam sós ou em pares.

As danças chegam a apresentar até seis ritmos ao mesmo tempo e os


bailarinos podem usar máscaras ou enfeitar o corpo com tintas para tornar os
movimentos mais expressivos; a organização do movimento nas danças africanas
segue rigidamente certos princípios do tempo rítmico.

A dança como força de expressão dos rituais, era chamada em todas as


ocasiões, como ponto de partida para qualquer cerimônia. Elas eram dançadas, em
roda, em linha, espaço cheio, em diagonais, o que resultava em coreografias muito
bem executadas.

É consensual que as danças africanas das várias regiões do continente


passaram por mudanças decisivas ao longo da história. Muitos dos grupos étnicos
foram submetidos a constantes influências que foram alterando as características
intrínsecas a cada região.

Uma característica africana no que se refere à dança são os conceitos e a


atitude a cultura africana faz sair o movimento de várias partes do corpo
independentes entre si.

Nas danças de solo, com destaque para as danças com máscaras, existem
também movimentos cujo fim é a comunicação com a audiência, incluindo algumas
mensagens em código. O que inclui não só a dança, mas também pantomina,
gestos e certas formas de andar.

6. Danças Circulares Sagradas

A primeira formação que o ser humano adotou no desenvolvimento da vida


grupal e social foi à roda. Culturas antigas e culturas ligadas a terra perceberam a
especialidade da forma circular para o estar e fazer junto.
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Nela passaram a representar os ciclos da natureza: o ritmo das estações, o


tempo dos cultivos (semeadura, crescimento, maturação e colheita); o pulsar dos
movimentos do sol; da lua; das estrelas e dos planetas no céu; o ritmo da respiração
e dos batimentos cardíacos; a vida e a morte

Na circunferência há “n” pontos que distam igualmente do ponto central.


Todos os pontos – ou todas as pessoas que neles se encontram voltadas para o
centro – têm a visão de todos os demais da roda e todos são igualmente importantes
na composição final que é o círculo. Este contém o vazio, que ao mesmo tempo em
que garante a distância entre as pessoas, é o vazio através do qual elas estão
unidas e de onde pode emergir a criação feita por todos. Apenas compor a
circunferência da roda já constitui uma criação, num espaço diferenciado e,
possivelmente, sagrado
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CONCLUSÃO

Concluímos que, com o passar do tempo, cada povo desenvolveu suas


próprias formas e estilos de dançar, caracterizando suas diferentes culturas, da
mesma forma que a música, o vestuário, a alimentação, etc. marcam o jeito de ser
próprio de cada sociedade.

A elaboração do presente trabalho permitiu ao grupo adquiri conhecimento


sobre os pilares da Dança, no estudo das civilizações com mais nítidas contribuições
para está área da Educação Física.
22

REFERÊNCIAS

A Dança no Antigo Egito. Disponível em www.centraldancadoventre.com.br.


Acesso em: 25/04/2009

A História da Dança. Disponível em


http://br.geocities.com/quemdancaemaisfeliz/interna1.html. Acesso em: 25/04/2009

Arte Romana. Disponível em


http://www.geocities.com/Athens/Cyprus/8943/ImpRomano/ArteRomana.html.
Acesso em 25/04/2009.

BOURCIER, Paul. História da Dança no Ocidente. São Paulo, Editora Martins


Fontes, 1987.

Dança na Pré-História. Disponível em:


http://www.edukbr.com.br/artemanhas/danca_pre.asp. Acesso em: 25/04/2009.

Danças Circulares Sagradas. Disponível em http://www.semeiadanca.com.br/hist


%F3rico.htm. Acesso em 25/04/2009.

Grécia Antiga. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Gr%C3%A9cia_Antiga.


Acesso em: 25/04/2009
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http://www.danceadois.com.br/dancadesalao/cultura/um-pouco-sobre-a-historia-da-
danca-de-salao-no-brasil.html. Acesso em 25/04/2009.

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http://www.passosecompassos.com.br/matedanca/historiadanca.htm. Acesso em
25/04/09.

Origens do Carnaval. Disponível em:


http://www.avarenews.com.br/conhecaasorigensdocarnaval.htm. Acesso em:
25/04/09

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