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C A R T I L H A D E

ACESSIBILIZAÇÃO

Soluções Inovadoras para Acessibilidade


1
www.biomob.org

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Amigos,
Esta cartilha foi desenvolvida pelo Biomob para ajudar os pro-
prietários a tornarem os seus estabelecimentos mais acessíveis
às pessoas com deficiência física.

Aqui, você encontrará um guia com indicações das práticas, leis


e normas vigentes, com o objetivo de possibilitar:

• a inclusão social, que consiste em oferecer oportunidades


iguais de acesso a bens e serviços para todos, combatendo a
exclusão provocada pelas diferenças de classe social, educa-
ção, idade, deficiência, gênero, preconceito social ou precon-
ceitos raciais;

• o direito de ir e vir, que garante a todo o indivíduo, nacional ou


estrangeiro, o direito de se deslocar, residir, trabalhar e ter lazer
em qualquer parte do território;

No final da Cartilha, também poderá encontrar um glossário com


os principais termos e abreviações que utilizamos.

Esperamos mostrar que não é tão complexo adequar o espaço e


as construções às necessidades de todos, eliminando os obstá-
culos ao acesso e incorporando as pessoas no convívio social.

Boa leitura.

Equipe do Biomob

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ÍNDICE
No Brasil temos 45 milhões
de pessoas com deficiência,
precisando de muitas
informações para sair de casa.
Baixe o aplicativo Biomob
e contribua com informações
para que o nosso País possa
ser muito mais acessível.

Clodoaldo Silva
Campeão Paralímpico

biomob

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08 10 11 12
O universo Símbolo atual Diversidade Cidadania:
das pessoas de acessibili- funcional vendo o
com defici- dade outro como
ência igual

13 14 15 16
Legislação Normas de Rota Calçadas
& Normas acessibilida- acessível
Técnicas de arquitetô-
nica

17 18 19 22
Vagas Entrada Rampas Elevador ou
reservadas Principal plataforma
para estacio-
namento

23 24 25 26
Área de Mobiliário Banheiros e Sinalização &
circulação adaptado Lavatórios Iconografia

27 28 30
Selo de Atividade Glossário
Conformida- lúdica
de Biomob

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6
PREFÁCIO

A Cartilha de Acessibilização BIOMOB é composta por informa-


ções simples que conduzem o leitor a um rápido contato com
a realidade das pessoas com diversidade funcional. Seja pela
objetividade das frases ou pela singularidade das ilustrações, a
Cartilha se mostra eficiente em seu propósito de informar sobre
acessibilidade.

Os textos possuem conteúdo que inspira respeito à diversida-


de humana e aos valores da ética nas relações ambientais. A
forma com que as informações estão dispostas leva o leitor a
compreender a evolução terminológica e sua atual adequação,
bem como perceber a importância da acessibilidade como fator
de inclusão social.

Rica em conteúdo e de fácil consulta, a cartilha oferece uma rara


oportunidade para conhecer o que há de novo no mundo das
normas técnicas e da acessibilização, permitindo a correção
das atitudes, ambientes, serviços e formas de comunicação.

Geraldo Nogueira

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O UNIVERSO DAS
PESSOAS COM
DEFICIÊNCIA

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A forma como nos relacionamos e co- Durante séculos, pessoas com defici-
municamos depende da nossa educa- ência eram vistas de forma pejorativa.
ção e nos modelos criados pela socie- Uma análise das últimas décadas mos-
dade. Todos temos algum preconceito tra como as mudanças no vocabulário
que influencia o modo como olhamos refletem a evolução das percepções da
para os outros. sociedade.

DATAS TERMOS LEGISLAÇÃO / CONCEITOS


USADOS

Até a Aleijado, Em 1948, a Declaração Universal dos Direitos


década Inválido, Humanos, garante a igualdade1 de todos os
de 50 Incapacitado seres humanos e o direito de ir e vir2.

Final
dos Termo deficiente introduzido na Constituição
anos 60 Brasileira (Emenda Constitucional 12/1969).
Deficiente
Final Foi garantido o acesso aos espaços públicos
dos e proibição de preconceitos e discriminações
anos 70 (Emenda Constitucional 1/1978).

Final Pessoa Termo Pessoa Portadora de Deficiência


dos Portadora de incluído na Constituição Brasileira de 1988.
anos 80 Deficiência

Pessoa Termo Pessoa Com Deficiência só se constitu-


Década com cionalizou em 2006, na "Convenção Internacio-
de 90 deficiência nal sobre Direitos das Pessoas com Deficiên-
cia", aprovado pela ONU.

Deficiência entendida como uma diversidade


2017 Diversidade funcional, sendo enfatizada a igualdade ao
Funcional invés da diferença.

1
Artigo 1 | Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e
consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade.
2
Artigo 13 | 1. Todo ser humano tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de
cada Estado. | 2. Todo ser humano tem o direito de deixar qualquer país, inclusive o próprio e a esse regressar.

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SÍMBOLO ATUAL DE
ACESSIBILIDADE
Além da linguagem, também houve Este novo símbolo da ONU, inspirado
uma evolução nos símbolos. Atual- no Homem Vitruviano desenhado por
mente a ONU criou um símbolo único Leonardo da Vinci em 1490, enfatiza a
para todas as pessoas com deficiência. igualdade de todos os seres humanos.

Homem Novo
Vitruviano Símbolo da
A figura assenta no Acessibilidade
conceito de “propor- da ONU
ção divina”, baseado
em equações matemá-
ticas e figuras geomé-
tricas perfeitas.

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DIVERSIDADE
FUNCIONAL
O modelo atual rompe com a ideia algum tipo de diversidade funcional.
criada pela sociedade de que as pes- Mas este investimento não resulta
soas com deficiência são incapazes. em uma maior inclusão. Os países
Incentiva soluções para todos, em que mais evoluíram neste tema, são
vez de desenvolver soluções para a aqueles que mais o humanizaram.
maioria “padrão”. Apesar da preocupação crescente
O Brasil tem investido na elabora- com a inclusão, ainda não temos um
ção de políticas públicas inclusivas mundo que atenda as necessidades de
para os mais de 45 milhões3 que têm todos. Por isso, precisamos ajustar a
realidade por meio de transformações:

INTERIORES
mudando a forma como
pensamos e agimos, para
vermos o outro como um EXTERIORES
igual. Aqui, entram as adaptando o meio ambien-
regras de cidadania. te, para que todos sejamos
realmente iguais no acesso à
mobilidade, cultura, lazer, tra-
balho, educação, saúde. Aqui,
estão as regras de adaptação
do espaço físico.

3. Fonte: Censo Demográfico 2010, IBGE

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CIDADANIA:
VENDO O OUTRO COMO IGUAL
As regras de cidadania contribuem para diminuir algumas das
lacunas que impossibilitam o acesso de todos a uma sociedade
mais digna e igualitária.

• Respeite as diferenças;
• Evite ser superprotetor; E QUANDO TIVER
• Pergunte se pode ajudar DÚVIDAS SOBRE A
e como; FORMA DE TRATAR
• Não subestime o seu ALGUÉM:
interlocutor;
• Dirija-se à própria • Coloque-se sempre no
pessoa e não ao lugar da outra pessoa;
acompanhante;
• Trate-a como gostaria
• Coloque-se no de ser tratado.
mesmo nível da pessoa
com quem está falando.

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LEGISLAÇÃO &
NORMAS TÉCNICAS
Em 2004, o Decreto 5.296 priori- As Normas ABNT (Associação
zou as Pessoas com Deficiência, Brasileira de Normas Técnicas)
regulamentando as Leis: seguem critérios adotados pela
maioria dos países, fundamen-
• 10.048/2000, que dá priori-
tados na necessidade de padro-
dade de atendimento às pes-
nizar e comunicar a informação
soas com deficiência, idosos
técnica.
com idade igual ou superior a
65 anos, gestantes, lactantes Em 2004 foi criada pela ABNT
e pessoas acompanhadas por a NBR 9050, a primeira Norma
crianças de colo; Técnica de acessibilidade sobre
adequação de edificações, equi-
• 10.098/2000, que estabelece
pamentos e mobiliário urbano
normas gerais e critérios bási-
às pessoas com deficiência.
cos para a promoção da acessi-
bilidade. Desde 2000, o Comitê Brasileiro
de Acessibilidade (ABNT/CB-40)
Em 2016 entrou em vigor a Lei
atua para promover acesso e
Brasileira de Inclusão (LBI),
inclusão social dessas pessoas.
também chamada de Estatuto
da Pessoa com Deficiência (Lei Atualmente, há doze normas
13.146/2015). Esta lei garante elaboradas pelo ABNT/CB-40,
a autonomia e a capacidade que atendem aos preceitos de
desses cidadãos para exercerem desenho universal e estabele-
atos da vida civil em condições cem os requisitos a adotar em
de igualdade com todos. edificações, espaços, mobiliá-
rios e equipamentos urbanos,
meios de transporte, meios de
comunicação de qualquer na-
tureza, e seus acessórios, para
que possam ser utilizados por
pessoas com deficiência.

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NORMAS DE ACESSIBILIDADE Para saber mais consulte:


ARQUITETÔNICA
• a LBI (Lei Brasileira de
A seguir, encontram-se normas Inclusão) em: biomob.org/lbi
de adequação do espaço, para:
• as normas ABNT em:
• eliminar barreiras e obstácu- biomob.org/abnt9050
los que impeçam ou limitem
os acessos às pessoas com
diversidade funcional; Estas normas destinam-se
às pessoas com algum tipo
• assegurar a liberdade de movi-
de diversidade funcional.
mentos dessas pessoas;
• garantir a circulação segura.

Cadeirantes Idosos Obesos Nanismo

Deficientes Pessoas com Carrinhos


Visuais mobilidade de bebê
reduzida

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1. Rota acessível

• É um trajeto contínuo, • Permite uma utilização


livre e sinalizado, ligando autônoma e segura por
ambientes externos e/ou todas as pessoas.
internos.

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2. Calçadas
As calçadas são divididas em três faixas: de serviço, livre e de acesso.

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FAIXA FAIXA FAIXA


DE SERVIÇO LIVRE DE ACESSO
Largura Mínima Largura Mínima Sem
de 0,75 m de 1,20 m Largura Mínima

Na beirada exterior Exclusiva para Área interior, em frente


Destinada às árvores, a circulação do imóvel ou terreno.
rampas de acesso de pedestres.
Aqui podem estar
para veículos Deve possuir rampas, toldos,
e portadores de superfície vegetação, propaganda
deficiências, postes regular, firme, e mobiliário móvel,
de iluminação, sina- contínua desde que não
lização de trânsito e e antiderrapante. impeçam o acesso
mobiliário urbano. aos imóveis.

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3. Vagas reservadas
para estacionamento
• As vagas reservadas devem ESPAÇO DAS VAGAS
seguir as dimensões e regras • As vagas devem permitir
de sinalização determinadas o desembarque do veículo
pela ABNT. pelos lados ou por trás.
• Podem ser paralelas,
SINALIZAÇÃO DAS VAGAS em diagonal ou em ângulo
• Sinalização horizontal em relação à calçada.
(chão pintado) e vertical
• Devem garantir o espaço
(postes com placas
mínimo para acesso e
indicativas).
abertura de portas.

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4. Entrada Principal

• A largura mínima da porta EDIFÍCIOS TOMBADOS


de entrada é de 80 cm. • A adaptação da entrada pode
• A entrada deve ser plana, ser feita por rampa móvel,
livre de degraus e obstáculos. rampa metálica, elevador
ou plataforma.
• Caso haja degraus, o acesso
deverá ser feito por rampas
fixas ou móveis e plataformas
de elevação.

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4.1 Rampas

METÁLICAS
EDIFICADAS • Recomendadas
• São a melhor solução. para os edifícios
tombados.

MÓVEL
• Na impossibilidade de
haver uma rampa fixa,
existe a opção pela móvel.
• Pode ser de madeira,
EVA ou metálica.

COMO CALCULAR
A INCLINAÇÃO:

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Os parâmetros para o cálculo


de uma rampa são:

Desníveis máximos de Inclinação admissível Número máximo


cada segmento de rampa em segmento de rampa de segmentos
hm i% de rampas

1,50 5,00 (1:20) Sem limite

1,00 5,00 (1:20) < i ≤ 6,25 (1:16) Sem limite

0,80 6,25 (1:16) < i ≤ 8,33 (1:12) 15

PATAMARES DE REPOUSO
• Se a inclinação for maior
que 6,25% deve ser
construído um
patamar de repouso
a cada 9 m.

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CORRIMÃOS
• Os corrimãos laterais devem • As extremidades devem ter
ser contínuos e prolongar-se acabamento recurvado, ser
paralelamente ao patamar, fixadas ou justapostas à
pelo menos por 0,30 m nas parede ou piso, ou ainda
extremidades, sem interferir ter desenho contínuo,
com áreas de circulação ou sem protuberâncias.
prejudicar a vazão.

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4.2 Elevador ou
plataforma

PLATAFORMA ELEVATÓRIA
OU ELEVADOR

• Equipamento hidráulico
utilizado para substituição
de rampa.

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5. ÁREA DE CIRCULAÇÃO

PAREDES & CORREDORES

• A largura mínima entre


paredes ou corredores é
de 80 cm, sendo desejável
1,10 m.

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6. MOBILIÁRIO
ADAPTADO
Este tópico é muito importante, principalmente para lojas,
escritórios e estabelecimentos públicos, — tanto para os clientes
quanto para funcionários.

BALCÃO DE ATENDIMENTO PROVADORES


• Pelo menos um balcão deve • As lojas de roupas devem
ter seu mobiliário rebaixado ter provadores adaptados a
para atender cadeirantes e cadeirantes e pessoas com
pessoas com nanismo, nanismo.
em especial nas caixas
de pagamento.

Mínimo
50cm

Mínimo
73cm

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7. BANHEIROS NORMAS ABNT
E LAVATÓRIOS

1
Vasos Sanitários:
A legislação exige que altura, tipo
recomendado
qualquer local que

2
abrigue 100 ou mais Lavatórios:
indivíduos tenha pelo altura, infraestrutura,
fixação
menos um banheiro

3
adaptado para pessoas Apoios:
com deficiência. tipos e como devem
ser colocados

4
Espelhos:
atenção para
a inclinação

5
altura máxima da bancada 78 a 80 cm
Papeleiras:
altura máxima do assento 46 cm não podem ser
acionadas com o pé

6
Sinalização:
indicações externas
de banheiro

78 a 80 cm 46 cm

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8. SINALIZAÇÃO & ICONOGRAFIA

Para que um local possa ser Todo o ambiente e mobiliário


considerado acessível, deve acessível tem que que ter o sím-
respeitar as normas de sinaliza- bolo SIA (Símbolo Internacional
ção, — que não são caras nem de Acessibilidade) na entrada:
difíceis de aplicar. porta ou vitrine do estabeleci-
mento, provador, banheiro, mesa,
balcão, etc.

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SELO DE
CONFORMIDADE
BIOMOB

O Biomob desenvolveu o con- E, para disseminar as boas prá-


ceito de acessibilização, unindo ticas na adaptação dos espaços,
acessibilidade e sensibilização, o Biomob criou um SELO DE
com o objetivo de conscientizar CONFORMIDADE, concedido às
a sociedade sobre as questões empresas que se adequam às
que afetam todas as pessoas regras da acessibilidade.
com mobilidade reduzida.

CERTIFICADO
2 0 1 8

6
Soluções Inovadoras para Acessibilidade

PONTOS W W W. B I O M O B . O R G
SÃO
AVALIADOS
PAT R O C Í N I O

1. Calçada frontal
2. Entrada Caso a sua empresa
deseje o Selo de
3. Circulação interna Conformidade
4. Mobiliário adaptado Biomob, contate-nos
pelo e-mail:
5. Banheiro biomob@biomob.org

6. Vagas reservadas
de estacionamento

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ATIVIDADE LÚDICA

Encontre os 5 erros na adequação ao espaço exterior.

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ANUNCIO

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GLOSSÁRIO
Acessibilidade arquitetônica - eliminar Igualitária | Igualitarismo - doutrina
barreiras ambientais físicas nas resi- que defende a igualdade de direitos
dências, edifícios, espaços e equipa- e oportunidades para todos os seres
mentos urbanos, de movo a favorecer a humanos.
inclusão.
Inclusivo(a) | Política de inclusão - con-
Biomob - Bio (Vida) + Mob (mobilida- junto de medidas que garantem a todas
de); empresa dedicada a promover a as pessoas uma participação igualitária
melhoria da qualidade de vida e mo- na sociedade, com acesso aos direitos
bilidade das pessoas com diversidade básicos: saúde, educação, moradia,
funcional. trabalho, cultura e lazer.

Cidadania - conjunto de direitos e práti- Legislação - conjunto de leis que de-


cas que permite a participação colabo- vem ser cumpridas e regulamentam a
rativa das pessoas na sua sociedade e relação entre indivíduos.
governo.
Nanismo - condição biológica em que a
Diversidade Funcional - diferenças nas estatura de um indivíduo é muito menor
atividades funcionais de locomoção, que a média da população.
comunicação, táteis e dos sentidos.
ONU - Organização das Nações Unidas
Edifícios tombados | Tombamento -
SIA - Símbolo Internacional de Acessi-
reconhecimento do valor histórico,
bilidade
artístico ou cultural de um edifício,
transformando-o em patrimônio a ser
preservado, sem alterações.

RESPOSTA
ATIVIDADE LÚDICA 1

2
1. ausência de rampa edificada
2. ausência de faixa de pedestre
3. lixeira na faixa livre 4
4. ausência de rampa fixa
5. ausência de piso tátil 5
3

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ANUNCIO

31
Essa cartilha faz parte da
campanha Brasil Acessível
realizada pela Biomob.
Contribua para a inclusão das pessoas
com deficiência na sociedade.

biomob

apoio patrocínio realização

Soluções Inovadoras para Acessibilidade

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