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Montando seu próprio aquário

É fato extremamente comum que ao atingir certo conhecimento e domínio da "arte" da aquariofilia, o
aquarista queira ou se veja na nececidade de mais aquários para poder desenvolver seus projetos, planos
e experiências.

E nem sempre os preços encontrados no comércio permitem essa expansão, ou encontrar modelos e/ou
tamanhos específicos à necessidade do aquarista. Também os iniciantes se veêm muitas vezes
praticamente impedidos de começar seu aquário devido essa questão de preço / modelo.

Mas nada mais simples que construir um aquário. Claro que falamos aqui de aquários pequenos - médios,
até cerca de 100 / 120 litros. Aquários maiores demandam uma construção um pouco mais trabalhada,
com uso de travas.

Os vidros: medidas, tipo e demais especificações


Apesar de cortar vidro não ser algo difícil de ser feito em vidros até 6mm, não vamos trabalhar com essa
possibilidade por alguns motivos: demanda uso de ferramenta específica, que encarecerá a montagem;
perigo da manipulação de vidros recem-cortados, extremamente "afiados" (lembre-se, você não é
especialista...!!!); a falta de experiência para cortar vidros com precisão de milímetros, que pode levar a
custos maiores (vai se gastar mais vidro) ou aquários fadados a problemas (medidas incorretas, cortes
não perfeitamente alinhados etc); e porque fica mais fácil pedir já cortado numa boa vidraçaria.

Então, o que precisamos saber é o que pedir na vidraçaria.

Primeiro, o tipo de vidro: vidro comum, transparente. Não use vidro laminado, nem vidro temperado.

Segundo, não se deve empregar vidro lapidado; as bordas devem ser apenas lixadas para retirar o corte.

Terceiro, as medidas. Esse é um ponto importante, pois se não houver correção, vamos pedir vidros de
dimensões que não permitirão a montagem do aquário. Basicamente, o que temos que entender
primeiramente é que há uma ordem estrutural dos cinco vidros que compõem o aquário. São eles a base,
duas laterais, a frente e a traseira.

A base é o único vidro que ficará na horizontal, os demais estarão na vertical, e apoiados sobre ela.

Vamos exemplificar adotando um aquário-modelo padrão, de 60cm de comprimento, por 40cm de largura
e 40cm de altura.

A base terá medida, então, de 60cm comprimento X 40cm largura. Mas os outros vidros NÃO TERÃO
medidas assim tão "óbvias" -- isso é, as laterais não poderão ser de 40cm X 40 cm, nem a frente e a
traseira 60cm X 40cm.

Por que ????

Porque se for assim, não haverá um encaixe perfeito, pois "sobrará" vidro... Não se deve esquecer que o
vidro tem espessura, e essa será somada às medidas dos vidros quando eles se "encontram" !!! Mesmo
poucos milímetros fazem a diferença entre uma montagem perfeita e algo imperfeito, inseguro e muito
próximo do vazamento.

Também para aquários feitos sob medida e que ficarão praticamente "encaixados" em móveis ou paredes
essa preocupação é vital, pois apenas poucos milímetros são o suficiente para não permitir que o aquário
entre em seu local de destino. E, infelizmente, esses não sáo materiais flexíveis.

Voltando à explicação, vamos dar aos vidros de nosso aquário-modelo uma espessura: 5mm; isso
corresponde a 0.5cm (meio centímetro).

Depois de muitas tentativas e erros, os aquaristas chegaram a um modelo mais eficiente e seguro de
montagem, onde a ordem da colocação dos vidros deve sempre ser a seguinte: sobre a base ficam todos
os demais vidros; e as laterais devem estar entre a frente e a traseira.

Por isso é que as medidas tem que levar em conta a espessura do vidro. Veja bem, se as laterais ficarão
entre outros dois vidros, sua espessura tem que ter descontada a medida respectiva à soma da
espessura desses dois vidros. Como cada um tem espessura de 5mm, o total é 10 mm ou 1.0cm. Para
facilitar o entendimento, veja a figura abaixo:

Tanto a frente como a traseira, quando sobre a base,


ocupam 0.5cm na extensão total da largura da base.
Então, mais uma vez, a soma de suas espessuras
(0.5cm) devem ser somadas, totalizando 1.0cm, e
esse valor que deve ser descontado na largura dos
vidros laterais, para permitir que os mesmos caibam
entre a frente e a traseira, de maneira precisa.

Uma dica / regra funcional é calcular pela largura da


base, subtraindo dessa o valor referente à espessura
do vidro multiplicado por dois:

largura dos vidros laterais = largura da


base - (espessura x 2)

Também na determinação da altura de todos os vidros


verticais deve ser seguido o mesmo princípio,
especialmente se for o caso já citado de aquários
onde as medidas dever ser exatas (móveis, paredes
etc).

Porém, o mais comum é o aquário ficar sobre mesas,


e nesse caso tantos milímetros a mais ou a menos
não farão diferença; então, de modo a simplificar o
trabalho do vidraceiro, pode-se pedir a altura como
40cm mesmo...

Para determinar uma espessura de vido adequada, recomendamos que se siga o padrão de que o
comprimento seja sempre cerca de até máximos 1/3 maior que as medidas da altura e da largura -- sendo
essas duas últimas iguais, ou no máximo uma delas sendo 10cm maior que a outra (costuma ser a altura;
sendo, isso vira regra obrigatória).

Assim, recomendamos a seguinte tabela, em cm:

vidro 5mm -- até 60 comp / 40 (+10) alt / larg;


vidro 6mm -- até 70 comp / 40 (+10) alt / larg;
vidro 8mm -- até 80 comp/ 40 (+10) alt / larg;
vidro 10mm -- acima de 100 comp / 40 comp / larg.

Atente que não existe vidro 7 e 9mm no mercado. Quando a espessura recair num desses, escolha um
vidro imediatamente mais espesso.

Certamente haverá quem lê isso e diz agora -- "mas já ví ou tenho aquário desse tamanho com vidro
menos espesso !!!". Sim, existem e é possível, mas desde que devidamente travados -- que é o mesmo
que ocorre no caso de aquários maiores.

Cola (silicone)
O adesivo que atualmente se usa na colagem de aquários é o silicone de cura acética, atóxico e 100%
puro. Recomendamos o uso do silicone de nome comercial "Aquários e Barcos", da companhia Dow
Corning.

Existem outras marcas no mercado, igualmente boas e destinadas à colagem de aquários (100% silicone
puro, cura acética), mas não tão fáceis de se achar.

Evite apenas usar "qualquer" silicone, pois vários são destinados a outros fins, e como o já dito, alguns
até carregam "venenos" como anti mofo ou anti fungo em suas fórmulas.

Para a correta aplicação do silicone, deve-se usar uma pistola de silicone. Não adianta querer
improvisar nesse ponto, mesmo porque como se vai usar bastante adesivo, sempre compensará utilizar a
embalagem / tubo de 300g de silicone, e sem pistola não há como aplicar. As quantidades que vem nas
pequenas bisnagas são adequadas apenas para colagem de aquários muito pequenos ou para reparos;
além disso, o valor pago pela quantidade de silicone é sempre mais caro em comparação ao tubo maior.
Preparando a Colagem
De posse dos vidros cortados e lixados, e da bisnaga de silicone e pistola aplicadora, precisaremos
apenas de mais alguns poucos apetrechos para dar início à colagem em sí:

-- panos velhos, mas limpos e que não soltem fiapos (para usar com o álcool);
-- uma garrafa de álcool comum (para limpar as mãos e manchas de silicone no vidro);
-- fita adesiva forte (para segurar os vidros -- veja adiante);
-- jornal ou outro papel de grande tamanho (para forrar a mesa);
-- uma mesa;
-- algum apoio plano, que fique em ângulo de 90° com a mesa (detalharemos isso mais adiante).

Agora, devemos deixar os vidros completamente limpos e sem gordura, especialmente em suas bordas.
O método que recomendo para isso é lavá-los com uma esponja e detergente, enxaguando bem e
deixando secar naturalmente -- eu os encosto numa parede, com um pano protegendo-os junto ao chão.
Dependendo ainda do tamanho do aquário a ser montado (vidros grandes são pesados e difíceis de
manipular), uso luvas de latex para segurar os vidros depois de lavados e limpos, pois assim evito
engordurá-los novamente, já que nossas mãos (e pele) estão sempre engorduradas naturalmente --
afinal, células sebáceas servem para isso mesmo... E isso é um ponto importante, pois evita-se assim o
menor ponto que seja de má-aderência do silicone ao vidro, o que garantirá mais segurança e
longevidade ao aquário depois de colado e cheio (às vezes basta um ponto para surgir um vazamento...)

Enquanto os vidros secam, vamos preparar a mesa, forrando-a com jornal ou papel, que deve estar fixo
com fita, para não mexer quando da colagem do aquário e/ou manipulação dos vidros.

Secos os vidros, devemos deixar todos à mão, sabendo a ordem em que serão colados. A base já deve ir
para a mesa, ficando em seu centro.

Colando o Aquário

O primeiro vidro a ser colado será a


traseira sobre a base. O silicone deve ser
passado num cordão único por toda a
extensão de uma das bordas mais longas
do vidro da traseira-- figura 1, à esquerda.

O mesmo procedimento deve ser


empregado nos vidros laterais, onde se
aplicará o slicone tanto ao longo da
extremidade que ficará em contato com a
base (horizontalmente), como a lateral
que ficará em contato com a traseira
(verticalmente); veja a figura 2, à
esquerda.
Deixamos os vidros prontos, e partimos
para a colagem deles na base e entre si..
Devemos agir rápido, pois o silicone
começa a secar imediatamente, e em
menos de dois ou três minutos já haverá
certo endurecimento (cura) que não
permite mais uma colagem 100%
eficiente. Então, devemos começar
sempre colocando a traseira sobre a
base (fig. à esquerda).
Faça uma "pontaria" certeira, colocando
esse vidro bem junto da "margem" da
base, nem mais nem menos -- seus
limites devem estar paralelos de forma
perfeita, como se fossem um único vidro
em forma de "L".
Nesse momento, é interessante ter um
ajudante para segurar esse vidro no lugar,
ou ter algum objeto ou instrumento que
possa desempenhar a mesma função.
Pode-se recorrer a uma parede (no caso,
se encosta a mesa sobre a qual
trabalhamos à uma parede), ou uma
tábua, ou uma caixa / caixote etc. Apenas
verifique anteriormente se tais objetos
fazem um ângulo perfeito de 90º com a
mesa; e que tenham resistência e estejam
absolutamente fixos, pois não poderão se
mover nem um milímetro que seja.

Uma dica é colocar coisas pesadas sobre


a mesa, e nelas encostar uma tábua ou
caixote (nesse último se pode colocar
coisas dentro).

Mas ainda resta o risco do vidro cair ou se


mover no sentido contrário, isso é, para
"dentro" do aquário. Nesse caso, uma boa
dica é ou prender sua extremidade
superior com fita adesiva ao apoio (caso
da tábua ou caixote), ou colocar algum
objeto que o segure -- apenas tome
cuidado para que esse objeto não pode
encostar no silicone que sobrará na
junção dos vidros.

O ideal seria usar intrumentos adequados,


ou mesmo uma armação especialmente
feita para isso (. Mas nesse caso, além de
aumentar os custos, aumentariamos
também o trabalho envolvido, o que iria
contra a proposta de fazer de maneira
simples e barata que estamos propondo...
E como já colei diversos aquário com esse
"método", posso garantir que apesar de
ser aparentemente "mambembe",
funciona muito bem.
Continuando (e rápido, pois o silicone
seca em poucos minutos!!!!), passamos à
próxima etapa, que é colar a primeira
lateral (veja a figura 5 à esquerda).

Atente que nessa operação acabamos por


empurrar o primeiro vidro já colado (a
traseira), já que sempre que colocamos
algum dos vidros, devemos fazer certa
pressão para que o silicone se esparrame
e elimine eventuais bolhas de ar. Por isso
a ênfase acima em colocar um bom
anteparo que não permita que a traseira já
colada saia do lugar.

Depois da primeira lateral colada (e


também escorada), colamos
imediatamente em seguida a segunda
lateral.

Nesse ponto devemos rapidamente


acertar a vedação interna, esparramando
o silicone que escorre por entre os vidros
-- quando pressionamos um vidro contra o
outro (figura 6, à esquerda).

Pode-se simplesmente passar o dedo


nessa junção, esparramando o silicone;
ou usar algum tipo de espátula. Isso já vai
ajudando a formar a vedação interna do
aquário (ver adiante e figura 7)

Então, após a colagem dos três primeiros


vidros (na ordem: traseira, lateral 1 e 2),
cola-se o painel frontal, usando-se os
mesmos procedimentos acima descritos.
Não se esqueça de passar cola nas
bordas dos vidros laterais !!! (e que esses
já estão colados à traseira)
Agora que todos os vidros estão colados e os excessos de silicone esparramados de acordo ao descrito
acima e/ou recolhidos, faremos a aplicação de um "cordão" de silicone por toda a extensão interna onde
os vidros se encontram: essa será a vedação interna, que serve para evitar vazamentos. A primeira
colagem que fizemos é apenas de ordem estrutural, e serve para manter os vidros unidos. A vedação
interna também ajuda nisso, mas sua função primeira é permitir manter água no aquário, sem vazamentos.

Quase sempre a quantidade de silicone que sobrou da colagem e foi esparramada é muito pouca para
formar a vedação interna -- ao menos uma boa vedação. Então, faz-se necessária essa nova aplicação de
silicone com a pistola nos cantos onde os vidros se juntam. Mas, atenção: não se confundam, e deixe
sempre para fazer isso após a colagem do último vidro !!!

É importante tentar fazer um cordão uniforme, sem interrupções, e exatamente sobre os pontos de junção
dos vidros. Veja que há 8 junções no total, 4 junto à base, e mais 4 das laterais e a frente e a traseira.

Aplique primeiro sobre todas as junções, e deixe para esparramar depois.


Para esparramar, pode-se usar desde os
dedos até espátulas. O mais fácil, em
minha opinião, é usar os próprios dedos,
devido ao toque mais sensível, a maior
precisão conseguida e a própria forma do
dedo. Mas isso tem certos inconvenientes:
com a mão suja de silicone, qualquer
toque no vidro deixa manchas ou gotas de
silicone, dificultando a manipulação do
aquário; se tocado o vidro, pode-se
condenar a estética, pois a visão do
aquário fica "borrada" ou com pedaços de
silicone (veja como resolver isso mais
adiante); o silicone é difícil de sair da
mãos depois etc...
Então, há quem prefira empregar nessa
operação uma espátula qualquer, sendo
para isso usado desde moedas, pazinhas
de sorvete, pedaços de plástico duro etc.
O que importa é que qualquer seja o
material usada (dedos ou espátulas), a
técnica é a mesma: num movimento
uniforme, corre-se o objeto (ou dedo)
sobre o silicone, fazendo com que esse
forme uma camada ou cordão em forma
de meia-cana em relação aos vidros
(figura 7, à esquerda). Novos excessos de
silicone que fiquem na espátula / dedo
devem ser retirados, e podem ser
aproveitados para corrigir falhas.
Agora, está tudo feito, e devemos deixar o aquário quietinho por no mínimo 24 horas, tempo necessário
para que o silicone cure -- isso é, seque. Antes disso não é recomendável querer retirá-lo do lugar, sob
pena de abalar alguma junção colada, o que pode vir futuramente originar algum vazamento.

Depois de 48 horas, devemos fazer o teste de vedação: simplesmente enchemos o aquário de água, e
esperamos cerca de uma semana para verificar se está havendo algum vazamento ou não.

Caso haja algum -- espero que não !!! -- marque o ponto que está vazando, e verifique a possibilidade de
poder simplesmente aplicar silicone sobre esse ponto. Senão, você terá que fazer um recorte na vedação
interna, e fazer uma nova aplicação de silicone. Nem precisa dizer que qualquer aplicação de silicone
demanda que o aquário esteja vazio e completamente seco...

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