Você está na página 1de 12

PPágina

á g i n1a | 1

AO JUÍZO DA ____ VARA DOS FEITOS RELATIVOS A RELAÇÕES DE


CONSUMO, CÍVEL, CUMULADO COM REGISTRO PÚBLICO E/OU
ACIDENTES DE TRABALHO E FAZENDA DA COMARCA DE PAULO
AFONSO - TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA

FULANA DA SILVA, estado civil (ou existência de união


estável), profissão, CPF nº. xxx.xxx.xxx-xx, nacionalidade, endereço eletrônico:
XXXXXXXXXXXXX, domiciliado e residente na Rua xxxxxxxxxx, nº. xxxx, Bairro
xxxxxxxxxx, cidade de xxxxxxxxxx, vem, perante Vossa Excelência, por seus procuradores
signatários, instrumento de mandato em anexo, ajuizar a presente AÇÃO ORDINÁRIA
CUMULADA COM DANOS MORAIS e COM PEDIDO DE ANTECIPAÇÃO DE
TUTELA contra EMPRESA XXXXX, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ
sob nº XX.XXX.XXX/0001-00, endereço eletrônico xxxx@mail.com.br, com sede na
Avenida XXXXXXX, XXXX, na cidade de XXXXXXXXXXX/XX onde deverá ser citada,
forte no art. 5°, X, da Constituição Federal, e no art. 6 e 37 do Código de Defesa do
Consumidor, ante os fatos e fundamentos expostos a seguir.

DOS FATOS

1. A requerente adquiriu em XX.XX.20XX o produto


XXXXXXX XXXXXX em supermercado da região (Doc. 1).
2. Após a refeição noturna, abriu uma unidade do produto e
ingeriu um pedaço, sendo que, de imediato sentiu uma textura repugnante e um gosto
estranho, azedo, que não condizia com o produto adquirido.
3. Ao analisar o produto se deparou com um alimento
totalmente mofado e com larvas, fato que causou mais repugnância na autora (Doc. 2). Ato
contínuo, verificou a validade do produto e constatou que estava dentro do período de
consumo (Doc. 3).
4. No dia seguinte a autora realizou contato com o SAC
(Serviço de Atendimento ao Consumidor) da empresa requerida, sendo que foi solicitado o
número do lote do material e eventuais imagens do produto.
5. A autora disponibilizou o número do lote e enviou por email
as fotos do produto (Doc. 4), sendo que até o momento, ou seja, 3 meses após o ocorrido,
nenhum resposta ou satisfação foi disponibilizada à consumidora.
6. Por esta razão que a requerente vem a juízo pleitear o
reembolso do valor despendido com o produto contaminado, assim como a condenação da
mesma a título de Danos Morais, tendo em vista os dissabores e o descaso da requerida,
mesmo frente a um produto flagrantemente defeituoso.

1|Página
PPágina
á g i n2a | 2

DAS PRELIMINARES

DA ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA

Inicialmente, destaca o requerente que não possui condições de arcar com custas processuais
e honorários advocatícios sem prejuízo do sustento próprio, conforme demonstra o
documento 2 (em anexo), razão pela qual faz jus ao benefício da gratuidade da justiça, nos
termos dos artigos 98 a 102 do NCPC, o que requer desde já.

Da Inversão do Ônus da Prova

A questão do ônus da prova é de relevante importância, visto que a sua inobservância pode
vir a acarretar prejuízos aos que dela se sujeitam.
Levando-se a efeito o disposto no artigo 373 do Código de Processo Civil, provas são os
elementos através dos quais as partes tentam convencer o Magistrado da veracidade de suas
alegações, seja o autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, seja o réu quanto ao fato
impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Lembrando que estas deverão ser
indicadas na primeira oportunidade de se falar aos autos, ou seja, petição inicial e
contestação.
Tecidas tais considerações, reportemo-nos ao novo Código de Processo Civil, artigo 373, §1º
que determina:

“Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa


relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o
encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova
do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso,
desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à
parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído.”

O art. 6º do CDC, por sua vez, refere que são direitos básicos do consumidor “a facilitação
da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova, a seu favor, no
processo civil, quando a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele
hipossuficiente, segundo regras ordinárias de experiências”.
Da exegese do artigo vislumbra-se que para a inversão do ônus da prova se faz necessária a
verossimilhança da alegação, conforme o entendimento do Juiz, ou a hipossuficiência do
autor.
Portanto, são 02 (duas) as situações, presentes no artigo em tela, para a concessão da inversão
do ônus da prova, quais sejam: a verossimilhança e (ou) a hipossuficiência.
A relevância da inversão do ônus da prova está em fazer com que a pessoa de boa-fé torne-se
mais consciente de seus direitos e o fornecedor mais responsável e garantidor dos bens que
põe no comércio, assim como as compras que de fato são efetivadas em seu estabelecimento
comercial.
No caso em tela, tando a (i) verossimilhança quanto a (ii) hipossuficiência estão presentes. (i)
A primeira se fundamenta no fato de ter a autora notificado a requerida administrativamente,

2|Página
PPágina
á g i n3a | 3

inclusive enviando o número do lote e email com as imagens do produto com a contaminação
de larvas e mofo.
(ii) A segunda é flagrante, na medida em que a autora já tomou todas as atitudes possíveis
para ser ressarcida e indenizada pelo prejuízo causado, sendo que, em virtude da ausência de
resposta e satisfação da requerida, não teve outra alternativa senaão postular a intervenção do
Poder Juciiaário.
Enfim, todos os requisitos legais estão preenchidos, sendo que a inversão do ônus da prova
deve ser deferida, devendo a ré provar que a autora contraiu a aludida dívida e não a honrou.
Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, conforme veremos:

AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.


CONTRATO DE PARTICIPAÇÃO FINANCEIRA. AÇÃO
CAUTELAR DE EXIBIÇÃO DE DOCUMENTO. INTERESSE DE
AGIR. REQUERIMENTO ADMINISTRATIVO. SÚMULA 7/STJ.
COMPROVAÇÃO DE RELAÇÃO JURÍDICA. INVERSÃO DO ÔNUS
DA PROVA. MATÉRIA DE PROVA. REEXAME. INCIDÊNCIA DA
SÚMULA 7/STJ. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Nos termos do acórdão
proferido por ocasião do julgamento do REsp 982.133/RS (Relator o
eminente Ministro ALDIR PASSARINHO JUNIOR, DJe de 22/9/2008),
submetido ao rito do art. 543-C do CPC, a caracterização do interesse de
agir, em ações objetivando a exibição de documentos societários, exige a
demonstração da prova do requerimento formal na via administrativa e o
comprovante do pagamento da taxa de serviço, quando a empresa o
exigir (art. 100, § 1º, da Lei 6.404/76). 2. No caso dos autos, o acórdão
recorrido foi categórico ao afirmar que a parte formulou pedido
administrativo para a exibição da documentação societária, de modo que
a alteração do julgado quanto ao ponto encontra óbice na Súmula 7/STJ.
3. A inversão do ônus da prova, prevista no art. 6º, VIII, do Código de
Defesa do Consumidor, fica a critério do juiz, conforme apreciação dos
aspectos de verossimilhança das alegações do consumidor ou de sua
hipossuficiência. 4. Na hipótese em exame, a eg. Corte de origem, após
sopesar o acervo probatório reunido nos autos, concluiu pela inversão do
ônus da prova. O reexame de tais elementos, formadores da convicção do
d. Juízo da causa, não é possível na via estreita do recurso especial, por
exigir a análise do conjunto fático-probatório dos autos. Incidência da
Súmula 7/STJ. 5. Agravo regimental a que se nega provimento1.

Portanto, haja vista a existência da verossimilhança das alegações da requerente e da


existência da hipossuficiência da mesma, esta faz jus a inversão do ônus da prova a seu favor,
o que desde já requer.

DO MÉRITO

Do Direito

O tema ora em debate é uma típica relação de consumo, regrada pelo Código de Defesa do
Consumidor, Lei 8.078/90. No caso ocorreu o denominado pela doutrina como acidente de
consumo, que se encontra albergado nos artigos 12 a 17 da citada legislação, visto que, in
casu, houve violação à incolumidade física da autora, causando-lhe, inclusive, desmaios.
1
STJ , Relator: Ministro RAUL ARAÚJO, Data de Julgamento: 05/03/2015, T4 - QUARTA TURMA

3|Página
PPágina
á g i n4a | 4

Evidencia-se a ocorrência daquilo que o Código de Defesa do Consumidor assentou chamar


de responsabilidade pelo fato do produto ou serviço, que não se confunde com a
responsabilidade pelo vício do produto ou serviço, que tem ancoramento nos artigos 18 a 25
da lei consumerista.
A Responsabilidade pelo fato do produto decorre da exteriorização de um defeito não só
capaz de frustrar a legítima expectativa do consumidor quanto a sua fruição, mas como
também pode lhe causar riscos à saúde e à incolumidade física, tratando-se de vício de
qualidade que gera insegurança, implicando em um acidente de consumo.
Conforme destaca Zelmo Denari, um dos autores do anteprojeto do CDC:
No vício de segurança, o defeito do produto e/ou serviço geralmente é oculto apresentando-se apenas após a
utilização do mesmo que venha ocasionar os danos advindos de acidente do consumo, "supõem, como um
"prius" a manifestação de um defeito do produto ou serviço e como um 'posterius' um evento danoso". E, ainda,
na segunda hipótese o defeito costuma ser oculto, pois o evento danoso somente se manifesta na fase mais
avançada do consumo, ou seja, durante sua utilização ou fruição, e a Lei do Consumidor dela se ocupa ao
disciplinar a responsabilidade pelo fato do produto ou serviço, como aconteceu no presente caso" (Código
Brasileiro de defesa do Consumidor comentado pelos autores do anteprojeto, São Paulo, Forense, 04ª ed., 1994,
p.165)
Trata-se de evidente responsabilidade objetiva nas relações de consumo, como entende a
doutrina e também o legislador pátrio, visto que no caso em questão, a relação é de
hipossuficiência do consumidor em comparação ao fornecedor.
Com respeito ao caso sub judice, vejamos o que dispõe o Código Consumerista:

Art. 8º - Os produtos e serviços colocados no mercado de consumo não


acarretarão riscos à saúde ou segurança dos consumidores, exceto os
considerados normais e previsíveis em decorrência de sua natureza e
fruição, obrigando-se os fornecedores, em qualquer hipótese, a dar as
informações necessárias e adequadas a seu respeito.
Art. 12 - O fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro, e
o importador respondem, independentemente da existência de culpa, pela
reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos decorrentes
de projeto, fabricação, construção, montagem, fórmulas, manipulação,
apresentação ou acondicionamento de seus produtos, bem como por
informações insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos.

Nesse sentido, demonstrada e comprovada a configuração do ilícito, no tocante aos danos


causados à requerente, não restam dúvidas quanto à sua responsabilidade de plena reparação,
pois nesse ponto o Código de Defesa do Consumidor é taxativo, sem dar margem a qualquer
outro tipo de interpretação.
De acordo com a doutrina dominante, o artigo 12 do CDC criou o dever de segurança para o
fornecedor, ou seja, o dever de não lançar produto com defeito, pois, do contrário,
responderá, independentemente de culpa, por eventual acidente de consumo.

São os chamados acidentes de consumo, que se materializam através de


repercussão externa do defeito do produto, atingindo a incolumidade
físico-psíquica do consumidor e o seu patrimônio (Sergio Cavalieri Filho,
Programa de Direito do Consumidor, 3a. Edição, Atlas, São Paulo. 2011.
Pág. 289).
Quem lava a cabeça com um xampu pode legitimamente esperar que ele
não fará mal algum caso atinja seus olhos. A expectativa de segurança é
legítima quando, confrontada com o estágio técnico e as condições
específicas do tipo do produto ou do serviço, mostra-se plausível,

4|Página
PPágina
á g i n5a | 5

razoável, aceitável. Se o produto não corresponder a essa segurança


legitimamente esperada, será defeituoso. (ob. cit. Pág. 290-291).

Ao consumidor basta demonstrar o dano e o nexo causal com o produto adquirido. Não será,
portanto, necessário demonstrar a ocorrência do defeito, incumbência esta do fornecedor, o
qual também deverá provar a eventual ocorrência de excludente de sua responsabilidade.
À vista do teor dos fatos e provas carreadas, resultou configurada a responsabilização
objetiva da requerida, em face de sua desídia em permitir negociar um produto defeituoso,
nocivo à saúde, resultando em danos físicos e morais à requerente, na forma preconizada pelo
artigo 6º, VI do CDC:

Art. 6º. São Direitos básicos do consumidor:


[...]
VI - a efetiva prevenção e reparação dos danos patrimoniais e morais,
individuais, coletivos e difusos;

Em sede de jurisprudência já se entendeu que:

RECURSO INOMINADO - AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS


MATERIAIS E MORAIS ? PRODUTO IMPRÓPRIO PARA
CONSUMO ? OVO DE COLORAÇÃO VERDE ? APLICAÇÃO DO
ENUNCIADO 8.2 DA TRU ? DANOS MATERIAIS OBSERVADOS ?
DANOS MORAIS CONFIGURADOS ? QUANTUM MANTIDO (R$
3.000,00) ? SENTENÇA MANTIDA POR SEUS PRÓPRIOS
FUNDAMENTOS. Recurso conhecido e desprovido. Ante o exposto,
esta Turma Recursal resolve, por unanimidade de votos, conhecer e negar
provimento ao recurso interposto, nos exatos termos deste vot (TJPR - 1ª
Turma Recursal - 0017274-07.2014.8.16.0182/0 - Curitiba - Rel.:
Aldemar Sternadt - - J. 04.12.2015).

RECURSO INOMINADO. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS


MATERIAIS E MORAIS. ALIMENTO IMPRÓPRIO PARA O
CONSUMO. LARVAS. DANO MORAL RECONHECIDO.
INDENIZAÇÃO FIXADA EM R$ 5.000,00 E QUE NÃO COMPORTA
MAJORAÇÃO, ESTANDO INCLUSIVE O QUANTUM SUPERIOR
AOS PARÂMETROS ADOTADOS PELAS TURMAS RECURSAIS.
SENTENÇA CONFIRMADA. RECURSO NÃO PROVIDO. (Recurso
Cível Nº 71005361985, Quarta Turma Recursal Cível, Turmas Recursais,
Relator: Gisele Anne Vieira de Azambuja, Julgado em 27/03/2015). (TJ-
RS , Relator: Gisele Anne Vieira de Azambuja, Data de Julgamento:
27/03/2015, Quarta Turma Recursal Cível)
Direito do consumidor. Compra de produto alimentício. Indenização por
danos morais. Produto estragado, apesar de estar dentro do prazo de
validade. Ação julgada improcedente. Apelação da autora. Prova
documental suficiente a comprovar que o produto adquirido pela autora
estava sem condições de consumo. Fabricante que após análise técnica da
amostra do produto, não nega que estava mofado. Inversão do ônus da
prova. Exegese do art. 6º, VIII do CDC. Rés que não comprovaram
qualquer fato extintivo do direito da autora (art. 333, II CPC). Dano
moral configurado. Mera exposição de risco à saúde do consumidor gera
indenização moral. Precedentes. Dano moral fixado em R$2.500,00 para
cada ré. Responsabilidade objetiva das rés pelo fato do produto. Artigo
12 do CDC. Sentença reformada. Recurso parcialmente provido. (TJ-SP

5|Página
PPágina
á g i n6a | 6

, Relator: Francisco Occhiuto Júnior, Data de Julgamento: 05/03/2015,


32ª Câmara de Direito Privado).

O Tribunal da Cidadania já teve a oportunidade de assim decidir:

RECURSO ESPECIAL Nº 1.533.266 - RJ (2014/0331521-7) RELATOR


: MINISTRO MOURA RIBEIRO RECORRENTE : GERALDO
CERDEIRA SODRÉ ADVOGADO : ALLAN SERGIO REIS DE
BRITO E OUTRO (S) RECORRIDO : IBAC INDÚSTRIA
BRASILEIRA DE ALIMENTOS E CHOCOLATES LTDA
ADVOGADO : ALEXANDRE RODRIGUES E OUTRO (S) CIVIL.
PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO
INDENIZATÓRIA. DANO MORAL. INGESTÃO DE ALIMENTO
CONTAMINADO. PROCEDÊNCIA. VERBA INDENIZATÓRIA.
ALTERAÇÃO. DESNECESSIDADE. VALOR FIXADO EM
ATENDIMENTO AOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA
PROPORCIONALIDADE. REFORMA. SÚMULA Nº 7/STJ.
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. MAJORAÇÃO. POSSIBILIDADE.
PRECEDENTES. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO.
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por GERALDO
CERDEIRA SODRÉ, com fundamento no art. 105, III, alínea a, da
Constituição Federal, contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do
Rio de Janeiro. Versam os autos sobre ação de indenização por danos
morais ajuizada por GERALDO CERDEIRA SODRÉ contra BAC
INDÚSTRIA BRASILEIRA DE ALIMENTOS E CHOCOLATES
LTDA., julgada improcedente na origem. Interposta apelação, o relator,
monocraticamente, lhe deu provimento, a fim de julgar procedente a
demanda e condenar a ré ao pagamento de indenização fixada em R$
4.000,00 (quatro mil reais) (e-STJ, fls. 194-206), sendo a decisão
mantida, em regimental, cujo acórdão foi assim ementado: AGRAVO
INTERNO. DECISÃO QUE DEU PROVIMENTO AO RECURSO DE
APELAÇÃO INTERPOSTO PELO AGRAVANTE. DECISÃO
AGRAVADA QUE SE MANTÉM. DECISÃO ASSIM EMENTADA:
APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO DO CONSUMIDOR E PROCESSUAL
CIVIL. AÇÃO COM PRETENSÃO DE COMPENSAÇÃO POR
DANOS MORAIS. SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA.
PRELIMINAR DE VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA IDENTIDADE
FÍSICA DO JUIZ. INOCORRÊNCIA. INGESTÃO DE ALIMENTO
IMPRÓPRIO PARA CONSUMO. INTOXICAÇÃO ALIMENTAR.
FATO DO PRODUTO. ARTIGOS 8º, 12, § 1º, DO CDC.
RESPONSABILIDADE DO FABRICANTE. PRODUTO PERECÍVEL.
VALORAÇÃO DO LAUDO PERICIAL. VIOLAÇÃO DA BOA-FÉ
OBJETIVA. QUEBRA DA CONFIANÇA QUE OS CONSUMIDORES
DEPOSITAM NA QUALIDADE DO PRODUTO. DEVER DE
COMPENSAÇÃO MORAL CONFIGURADO. DANOS MORAIS IN
RE IPSA. QUANTUM ARBITRADO EM ATENÇÃO AOS
CRITÉRIOS DE RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE.
PRECEDENTES DO STJ E DESTA CORTE. 1. O princípio da
identidade física do juiz não é absoluto, pois comporta exceções,
conforme dispõe o artigo 132 do CPC. 2. Neste contexto, não houve
colheita de prova oral, assim como o feito foi sentenciado por magistrado
integrante do Grupo de Sentença, com amparo no Ato Executivo TJRJ nº
3.177/2011. 3. O fabricante responde, independentemente da existência
de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por

6|Página
PPágina
á g i n7a | 7

defeitos decorrentes de projeto, fabricação, construção, montagem,


fórmulas, manipulação, apresentação ou acondicionamento de seus
produtos, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre
sua utilização e riscos. 4. Laudo pericial técnico produzido pelo ICCE, o
qual tem valor de documento oficial que merece credibilidade a efeito de
ser examinado como prova do fato. 5. Danos morais in re ipsa
reconhecidos em virtude da falha na segurança do produto vendido ao
consumidor que acabou por expor a sua saúde. 6. O valor da
compensação moral deve ser suficiente para atenuar as consequências da
ofensa à honra dos consumidores sem significar enriquecimento sem
causa, devendo, ainda, ter o efeito de dissuadir o comerciante da prática
de nova conduta, sendo fixado o valor de R$ 4.000,00 em atenção aos
critérios de razoabilidade e proporcionalidade e precedentes desta Corte.
RECURSO A QUE SE DÁ PROVIMENTO, NA FORMA DO ARTIGO
557, § 1º-A, DO CPC. RECURSO DE AGRAVO INTERNO
DESPROVIDO (e-STJ, fls. 236). Nas razões do apelo especial, a
recorrente aponta violação dos arts. 8º e 12 da Lei n. 8.078/90 (CDC) e
20, § 3º e 4º, do CPC. Sustenta, em suma, que a verba indenizatória foi
fixada em patamar ínfimo, tendo em vista que o consumidor ingeriu
alimento (chocolate) no qual foi encontrados fungos, passando mal de
modo a precisar ser atendido em Hospital. Pugna, outrossim, pela
majoração da verba honorária, fixada em R$ 400,00, verba que não
remunera condignamente o trabalho do advogado. Com contrarrazões, o
recurso foi inadmitido na origem (e-STJ, fls. 277-280), sobrevindo
agravo que foi provido para conversão em recurso especial (e-STJ, fl.
304). É o relatório. Decido. O recurso, no entanto, não comporta
acolhimento. O Tribunal local, ao fixar o valor indenizatório por dano
moral em R$ 4.000,00, o fez ante as seguintes razões: Reconhecida a
ilicitude do ato da apelada, impõe-se a quantificação da reparação dos
danos extrapatrimoniais sofridos pelo autor. Adotando o entendimento
suso mencionado, consideram-se as seguintes variáveis para a fixação do
dano moral: a) o autor foi vítima de acidente de consumo decorrente de
defeito de produto, bombons estragados; b) o acidente de consumo
ocasionou ao consumidor incômodos significativos que ultrapassam o
mero dissabor; c) a situação econômica da ré. Na concretude dos autos,
partindo dos elementos considerados, a importância de R$ 4.000,00
mostra-se adequada e suficiente para atenuar as consequências da ofensa
à honra do apelante, não significando, por outro lado, um enriquecimento
sem causa, mas tendo como efeito a punição do ofensor, de forma a
dissuadi-lo da prática de nova conduta ilícita, estando em consonância
com os precedentes desta Corte sobre casos similares (e-STJ, fls. 204-
205). Pois bem. A jurisprudência desta Corte firmou o entendimento de
que o valor fixado pelas instâncias ordinárias, a título de indenização por
danos morais, pode ser revisto tão somente nas hipóteses em que a
condenação se revelar irrisória ou exorbitante, distanciando-se dos
padrões de razoabilidade, o que não se evidencia no presente caso. Dessa
forma, não se mostra desproporcional a fixação em R$ 4.000,00 (quatro
mil reais), a título de reparação moral decorrente da colocação de produto
impróprio para o consumo no mercado, de modo que a sua revisão
encontra óbice na Súmula nº 7 do STJ. Nesse sentido: AGRAVO
REGIMENTAL EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.
RESPONSABILIDADE CIVIL. DANO MORAL. INSCRIÇÃO
INDEVIDA EM CADASTROS DE INADIMPLENTES. ALTERAÇÃO
DO VALOR DOS DANOS MORAIS. ALEGAÇÃO DE VALOR
ÍNFIMO. REEXAME DO SUPORTE FÁTICO-PROBATÓRIO DOS

7|Página
PPágina
á g i n8a | 8

AUTOS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. DECISÃO MANTIDA. 1.


Nos termos da jurisprudência consolidada neste Superior Tribunal de
Justiça, a revisão de indenização por danos morais só é possível em
recurso especial quando o valor fixado nas instâncias locais for
exorbitante ou ínfimo, de modo a afrontar os princípios da razoabilidade
e da proporcionalidade. Ausentes tais hipóteses, incide a Súmula 7 do
STJ, a impedir o conhecimento do recurso. 2. No presente caso, não se
vislumbra nenhuma excepcionalidade que seria capaz de ensejar a
majoração pelo STJ do valor da indenização por danos morais arbitrado
nas instâncias ordinárias. Agravo regimental não provido (AgRg no
AREsp nº 573.199/RS, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, Quarta
Turma, DJe 16/10/2014). AGRAVO REGIMENTAL. ART. 535 DO
CPC. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. SÚMULA 7
DO STJ. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. JUROS DE MORA.
RESPONSABILIDADE EXTRACONTRATUAL OBJETIVA.
SÚMULA 54 DO STJ. DANOS MORAIS. INDENIZAÇÃO. DISSÍDIO
JURISPRUDENCIAL. SIMILITUDE FÁTICA. [...]. 5. A revisão do
valor fixado a título de danos morais somente é possível em sede de
recurso especial no caso em que o quantum for exorbitante ou ínfimo.
Fora essas hipóteses, aplica-se o entendimento insculpido na Súmula n. 7
do STJ. 6. Em se tratando de valor da indenização por danos morais,
torna-se incabível a análise do recurso com base na divergência
pretoriana, pois ainda que haja grande semelhança nas características
externas e objetivas, no aspecto subjetivo, os acórdãos serão sempre
distintos. Precedente. 7. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag nº
1.019.589/RJ, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJe de
17.5.2010). Com relação aos ônus da sucumbência, esta Corte não
desconhece a possibilidade da revisão dos honorários quando o valor
arbitrado se revelar manifestamente irrisório ou exagerado. No caso
presente, observo que o Tribunal local fixou referida verba em 10% do
valor da condenação, atendidos os parâmetros do art. 20, § 3º, do CPC.
Entretanto, ao meu sentir, o valor fixado se mostra insuficiente para
remunerar adequadamente o trabalho do advogado da parte autora, razão
por que se justifica a excepcional intervenção do STJ. Nesse sentido:
AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.
BRASIL TELECOM. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA.
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FIXAÇÃO. PERCENTUAL
IRRISÓRIO. MAJORAÇÃO. POSSIBILIDADE. RECURSO
ESPECIAL PROVIDO. DECISÃO MANTIDA POR SEUS PRÓPRIOS
FUNDAMENTOS. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO (AgRg
no AREsp 444.755/RS, Rel. Ministro PAULO DE TARSO
SANSEVERINO, Terceira Turma, DJe 14/10/2014) PROCESSO CIVIL.
RECURSO ESPECIAL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FIXAÇÃO.
VALOR IRRISÓRIO. REVISÃO. POSSIBILIDADE. NECESSIDADE
DE MAJORAÇÃO RECONHECIDA. 1. Admite-se excepcionalmente a
revisão do valor fixado a título de honorários advocatícios, quando a
verba for arbitrada em montante exagerado ou irrisório. Precedentes. 2.
Ocorrendo distanciamento dos critérios prescritos em lei na fixação da
verba honorária, a questão deixa de ser de fato e passa a ser de direito,
podendo, portanto, ser apreciada em sede de recurso especial, sem que
isso implique violação do enunciado nº 07 da Súmula/STJ. 3. Recurso
especial provido (Resp 137.552/SP, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI,
Terceira Turma, DJe 26/9/2013). Desse modo, é de se acolher a
pretensão recursal, nesse particular, para majorar a verba honorária, a
qual fixo na quantia de R$ 800,00 (oitocentos reais), em observância ao

8|Página
PPágina
á g i n9a | 9

disposto no art. 20, § 4º do CPC. Nessas condições, DOU PARCIAL


PROVIMENTO ao recurso especial, com fundamento no art. 557, 1º-A,
do Código de Processo Civil, a fim de majorar a verba honorária, nos
termos acima explicitados. Publique-se. Intimem-se. Brasília/DF, 11 de
junho de 2015. MINISTRO MOURA RIBEIRO Relator
(STJ - REsp: 1533266 RJ 2014/0331521-7, Relator: Ministro MOURA
RIBEIRO, Data de Publicação: DJ 18/06/2015)

O dano causado pelo ato ilícito praticado pela requerida rompeu a harmonia jurídico-
econômico anteriormente existente entre os contratantes. Assim, busca-se restabelecer o
equilíbrio, recolocando os prejudicados no status quo ante. Aplica-se, nesse caso, o princípio
restiutio in integrum. Indenizar pela metade seria fazer as vítimas suportarem o dano, os
prejuízos.
Por isso mesmo - e diferentemente do Código Civil de 1916 - o novo Código, no artigo 944,
caput, positivou o princípio da reparação integral, segundo o qual o valor da indenização
mede-se pela extensão do dano.
Assim, quando alguém comete um ato ilícito, há infração de um dever e a imputação de um
resultado. E a consequência do ato ilícito é a obrigação de indenizar, de reparar o dano, nos
termos da parte final do artigo 927 do CCB, in verbis:

“Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a
outrem, fica obrigado a repará-lo.”

O conceito de ato ilícito, por sua vez, está insculpido no artigo 186 do CCB, senão vejamos:

Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou


imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que
exclusivamente moral, comete ato ilícito.

Com efeito, a consequência jurídica do ato ilícito praticado pela requerida é, portanto, o dever
de ressarcir os danos que causou à requerente por conta da negligência de seus profissionais,
pois que culminou em atingimento à saúde da requerente, que passou por maus momentos,
ainda mais por ser uma pessoa de tenra idade.
De mais a mais, dispõe o artigo 932 do CCB o seguinte:

Art. 932. São também responsáveis pela reparação civil:


[...]
III - o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e
prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele;

Sobre tal disciplina, assim disserta o inolvidável jurisconsulto Pablo Stolze Gagliano:

“Em nosso entendimento, com a utilização do advérbio “também” no seu


caput (Art. 932. São também responsáveis pela reparação civil...) a lei
estabeleceu uma forma de solidariedade passiva, oportunizando à vítima
exigir a reparação civil diretamente do responsável legal.” (ob. cit. pág.
152).
“Não se trata de uma novidade no sistema, mas, sim, da consagração da
idéia de que se deve propugnar sempre pela mais ampla reparabilidade
dos danos causados, não permitindo que aqueles que usufruem dos

9|Página
PPágina
á g i n10
a | 10

benefícios da atividade não respondam também pelos danos causados por


ela.” (ob. cit. pág. 249).
De salientar, ainda, os ditames insertos no artigo 34 do digesto consumerista:

Art. 34 - O fornecedor do produto ou serviço é solidariamente


responsável pelos atos de seus propostos ou representantes autônomos.

É inequívoca, portanto, a responsabilidade civil da promovida. Os danos morais e materiais


sofridos pela promovente são notórios. Por tudo isto está clara e fartamente demonstrada a
responsabilidade de indenizar da promovida. Com efeito, não resta dúvida de que a requerida
deve pagar por erro de seus prepostos, à semelhança do que já ficou demonstrado pelos
ditames previstos no artigo 932, inciso III do CCB c/c artigo 34 do CDC.
Finalizando, tem-se que a relação contratual objeto desta ação encontra-se sob o pálio do
Código de Defesa do Consumidor, que em seu artigo 6º, VI elenca como direito básico do
consumidor à efetiva reparação pelos danos materiais ou morais sofridos.

DOS PEDIDOS

Dos Danos Materiais

O fato ensejador da presente ação se deu em virude do defeito em produto da requerida, mais
especificamente pela existência de mofo e larvas dentro da embalagem, sendo que o produto
inclusive restou parcialmente consumido.
Destarte, evidente que o consumidor tem o direito de reaver o montante investido, razão pela
qual desde já requer a procedência da ação determinando o reembolso da quantia de R$
X,XX (XXXXX reais e XXXXXXXXXX centavos), conforme o comprovante ora anexado
aos autos.

Do Flagrante Dano Moral

No que concerne aos Danos Morais, mister salientar que serão indenizáveis as invectivas que
efetivamente atingem e aviltam a intimidade, a vida privada, a honra, a dignidade e a imagem da
pessoa.
No caso sub judice, estamos diante de flagrante abalo moral por duas situações claras. (i)
Primeiro pelo fato de a autora ter ingerido um alimento MOFADO E COM LARVAS,
quando do consumo do produto XXXXXXXXXXX. Frise-se que, além da extrema
repugnância, a autora ainda teve náuseas e expeliu o produto.
(ii) Segundo porque a autora restou ridicularizada pela demandada, na medida em que
além de ter ingerido e comprovado a deficiência do produto, teve de enviar informações
a requerida e NUNCA recebeu nenhum tipo de resposta ou satisfação.
Com relação a configuração do Dano Moral nas relações de consumo, existe uma vasta
legislação que regula essa matéria, inclusive de ordem constitucional, justamente para
restringir a atuação das empresas quando se deparam em contratos com consumidores
hipossuficientes.
A Constituição Federal dispõe em seu art. 5º, inciso X que “são invioláveis a intimidade, a
vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano
material ou moral decorrente de sua violação”.

10 | P á g i n a
PPágina
á g i n11
a | 11

O Código de Defesa do Consumidor, por sua vez, expressa que são direitos básicos do
consumidor “a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais,
coletivos e difusos e o acesso aos órgãos judiciários e administrativos,com vistas à
prevenção ou reparação de danos patrimoniais e morais (...)”.
Por conseguinte, por ter havido um profundo desgaste por parte do consumidor, além de não
ter sido seu problema resolvido até o presente momento, mister que exista uma condenação
com o intuito de inibir o requerido de agir desta maneira com outros clientes.
A jurisprudência é inequívoca quanto ao dever de indenizar:

Ementa: RECURSO INOMINADO. AÇÃO INDENIZATÓRIA POR DANOS MORAIS E MATERIAIS.


INTOXICAÇÃO ALIMENTAR. NEXO DE CAUSALIDADE COMPROVADO ENTRE A INGESTÃO DO
ALIMENTO E O MAL ESTAR ACOMETIDO. DANO MORAL CARACTERIZADO. QUANTUM FIXADO
EM R$4.000,00, PARA CADA AUTORA. INTERNAÇÃO HOSPITALAR E PERDAS DE COMPROMISSO
EM RAZÃO DA INGESTÃO DO ALIMENTADO ESTRAGADO. DANO MATERIAL NÃO
COMPROVADO. INCUMBE A QUEM ALEGA APONTAR A ORIGEM DO CÁLCULO E O SEU
RESULTADO. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. (Recurso Cível Nº 71005649124, Quarta Turma
Recursal Cível, Turmas Recursais, Relator: Gisele Anne Vieira de Azambuja, Julgado em 28/08/2015).
APELAÇÃO CÍVEL. INDENIZATÓRIA. CONSUMO DE ALIMENTO ESTRAGADO. COMPROVAÇÃO.
DANOS MORAIS. MANUTENÇÃO. Há prova nos autos que demonstra a aquisição e consumo pela parte
autora do produto estragado, sendo este o ato lesivo. Verba indenizatória fixada dentro dos parâmetros de
proporcionalidade e razoabilidade. Recurso a que se nega seguimento, na forma do art. 557, caput, do CPC. (TJ-
RJ - APL: 135909420098190205 RJ 0013590-94.2009.8.19.0205, Relator: DES. CHERUBIN HELCIAS
SCHWARTZ, Data de Julgamento: 13/01/2012, DECIMA SEGUNDA CAMARA CIVEL, )

Em assim sendo, postula a condenação do réu no que se refere aos Danos Morais causados ao
autor.

Do Quantum Debeatur

O Dano Moral é aquela ação ou omissão que afeta a paz interior de cada um. Atinge o
sentimento de cada pessoa, a paciência, o bem-estar, a honra, enfim, tudo aquilo que não tem
valor econômico, mas que lhe cause angústia, transtorno, que tira sua tranqüilidade.
Por isto, lesados os direitos de personalidade do consumidor e sendo responsabilizados
objetivamente os causadores, é corolário lógico a indenização pelo dano moral.
A indenização por dano moral, portanto, tem caráter satisfativo-punitivo. Satisfativo quando a
verba condenatória satisfaz a vítima de forma plena, isto é, o quantum é adequado e efetivo;
punitivo quando a condenação seja suficiente a dissuadir o ofensor de novas ações ilícitas2.
Fazendo um balanceamento dessas duas características, devemos chegar a um quantum, que
no presente caso deverá seguir a concepção subjetiva, isto é, deve haver uma aferição in
concreto, a qual visa avaliar, concretamente, a satisfação na busca dos prejuízos reais
alegados pela vítima.
Para ter uma base do valor que deve ser imputado a ré, necessário tomar como parâmetro a
jurisprudência adotada pelos Tribunais Estaduais, em casos idênticos ao que ora se discute:

APELAÇÃO – Ação de indenização – Procedência. 01-Medicamento


contendo inseto – Relação de consumo – Responsabilidade objetiva –
Produto inadequado ao consumo por conter agente nocivo à saúde –
Ingestão de um comprimido – Dano moral in re ipsa – Asco, nojo e

2
CARNEIRO, Odete. Da responsabilidade civil por vício do produto e serviço, pág. 37.

11 | P á g i n a
PPágina
á g i n12
a | 12

insegurança quanto às consequências advindas da ingestão do


medicamento contaminado – Valor arbitrado com razoabilidade e
proporcionalidade em R$ 5.000,00 (cinco mil reais). 02- Honorários
advocatícios contratuais - Reparação integral do dano – Manutenção da
condenação ao ressarcimento. Decisão Mantida – Aplicação do art. 252
do Regimento Interno deste E. Tribunal de Justiça – Recursos
Improvidos. (TJ-SP - APL: 00044818620128260001 SP 0004481-
86.2012.8.26.0001, Relator: Egidio Giacoia, Data de Julgamento:
15/12/2015, 3ª Câmara de Direito Privado, Data de Publicação:
15/12/2015)

Em assim sendo, por todos os prejuízos que foram demonstrados e provados pela
demandante, postula a fixação dos Danos Morais no montante de R$ XX.000,00 (XXXXXX
mil reais), com juros e correção desde o evento danoso, evitando assim que a empresa
pratique novamente fatos análogos e satisfaça os dissabores experimentados pelo
demandante.

DOS PEDIDOS

Diante do exposto, respeitosamente requer a Vossa Excelência o que segue:


Seja designada/dispensada audiência de conciliação ou mediação na forma do previsto no
artigo 33 do NCPC;
A citação do Réu, nos termos do art. 246, inciso I do CPC/2015, para oferecer resposta no
prazo legal sob pena de preclusão, revelia e confissão;
Seja deferida a inversão do ônus da prova.
Ao final, seja julgada totalmente procedente a presente ação para condenar a ré:
d.1) A título de Danos Materias no montante de R$ X,XX (XXXX reais e XXXXXXXXXX
centavos);
D.2) A título de Danos Morais no montante de R$ XX.000,00 (XXXXX mil reais);
e) A condenação da requerida ao pagamento de honorários sucumbenciais no patamar de
20% sobre o valor da condenação.
f) O deferimento do pedido de Assistência Judiciária Gratuita;
Por fim, REQUER seja oportunizado a produção de provas por todos os meios direito
admitidos, em especial prova documental. Em tempo, requer sejam cadastrados no registro
deste processo os procuradores xxxxxxxxxxxxxxx, OAB/XX XX.XXX, expedindo-se todas
intimações em nome destes, sob pena de nulidade.
Dá-se a causa o valor de R$ XX.XXX,XX.
Nestes termos, pede deferimento.

12 | P á g i n a