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Conselho Editorial Internacional

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Giuliano Arns Rampinelli
Solange Machado
(Orgs.)

Manual de Sistemas Fotovoltaicos de


Geração Distribuída: Teoria e Prática
© Brazil Publishing Autores e Editores Associados Associação Brasileira de Editores Científicos
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Comitê Editorial
Editora-Chefe: Sandra Heck
Editor-Superintendente: Valdemir Paiva
Editora Científica: Kelly Miranda
Editor-Coordenador: Everson Ciriaco
Diagramação e Projeto Gráfico: Rafael Chiarelli
Arte da Capa: Paula Zettel
Revisão de Texto: Os autores

DOI: 10.31012/978-65-5861-330-5

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


Bibliotecária: Maria Isabel Schiavon Kinasz, CRB9 / 626

Manual de sistemas fotovoltaicos de geração


M294 distribuída: teoria e prática [recurso eletrônico] / organização de
Giuliano Arns Rampinelli, Solange Machado – 1.ed. - Curitiba: Brazil
Publishing, 2021.

Vários colaboradores
ISBN 978-65-5861-330-5

1. Geração distribuída de energia elétrica. 2. Sistemas de energia
fotovoltaica. I. Rampinelli, Giuliano Arns (org.). II. Machado, Solange (org.).

CDD 621.31 (22.ed)
CDU 620.91

[1ª edição – Ano 2021]


www.aeditora.com.br
Abstract

This book started from a desire to contribute scientifically with the knowledge
about photovoltaic Solar Energy – an art promoted and developed by members
of School of Sun and the NTEEL Solar. It has been possible through the research
groups from School of Sun Project and the Electric Energy Technological Nucleus
– Solar (NTEEL Solar). The School of Sun is a project from Federal University of
Santa Catarina (UFSC) which promotes scientific knowledge by the promotion of
the information. The NTEEL Solar is a group which develops projects and scientific
research in Photovoltaic Solar Energy and its applications.
This work presents topics about the Brazilian electrical sector and its
commercialization of energy, concepts about the reasoning and measurement
of the Solar Radiation, characteristics and technologies of photovoltaic cells and
modules; characteristics and technologies of inverters; monitoring and analysis
of the photovoltaic systems; consumptions and generation profiles, rules and
law, operation and maintenance of systems, softwares to dimension and simulate
systems, and energy efficiency at buildings.
It is a pleasure to share these research results from projects and scientific
researches with you, dear reader. We would like to thank all the people that have
been helping us with research so far, especially with this book. We are also thankful
for the organizations which have been supporting us: the Federal University of
Santa Catarina (UFSC), the School of Sun (UFSC), the Electric Energy Technological
Nucleus – NTEEL Solar, Graduate Program in Energy and Sustainability (PPGES),
the Undergraduate Program in Energy Engineering, the Coordination of Personnel
Improvement of Graduate and Undergraduate Studies (Capes), The National
Council of Scientific and Technological Development (CNPq) and the Foundation of
Support to Scientific Research and Innovation from Santa Catarina State (Fapesc).
This book contributes scientifically to the promotion of renewable technology,
reliable, competitive; towards sustainable development. We hope that you
appreciate it and have a great reading.
SUMÁRIO

Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8

CAPÍTULO 1
O setor elétrico brasileiro e a comercialização de energia elétrica . . 10
Solange Machado; Giuliano Arns Rampinelli

CAPÍTULO 2
Fundamentos da radiação solar. . . . . . . . . . . . . . . 44
André Possamai Rosso; Giuliano Arns Rampinelli

CAPÍTULO 3
Medição da radiação solar . . . . . . . . . . . . . . . . . 63
André Possamai Rosso; Giuliano Arns Rampinelli

CAPÍTULO 4
Tecnologias e características de células e módulos fotovoltaicos . . 112
Aline Rodrigues; Pâmela Crotti; Giuliano Arns Rampinelli;

CAPÍTULO 5
Características e tecnologias de inversores . . . . . . . . . . 144
Letícia Toreti Scarabelot; Giuliano Arns Rampinelli

CAPÍTULO 6
Dimensionamento de sistemas fotovoltaicos. . . . . . . . . . 181
Raffaela Zandomenego; Giuliano Arns Rampinelli
CAPÍTULO 7
Monitoramento e análise de sistemas fotovoltaicos de geração
distribuída. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 200
Andriele Bratti Machado; Giuliano Arns Rampinelli

CAPÍTULO 8
Perfil de consumo e de geração. . . . . . . . . . . . . . . 222
Letícia Toreti Scarabelot; Giuliano Arns Rampinelli

CAPÍTULO 9
Normas e legislação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 245
Andriele Bratti Machado; Giuliano Arns Rampinelli

CAPÍTULO 10
Comissionamento, operação e manutenção, boas práticas . . . . 260
Letícia Toreti Scarabelot; Giuliano Arns Rampinelli

CAPÍTULO 11
Softwares de dimensionamento e simulação. . . . . . . . . . 289
Karoline Roversi; Giuliano Arns Rampinelli

CAPÍTULO 12
Eficiência energética em edificações . . . . . . . . . . . . . 306
Thayane Lodete Bilésimo; Giuliano Arns Rampinelli

Sobre os autores. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 338


Introdução

Você, leitor(a), certamente já ouviu falar na Revolução Francesa


ou na Revolução Russa ou na Revolução Farroupilha. Por essência, re-
volução representa uma quebra de paradigma, uma mudança de curso,
uma transformação de conceitos e ideias. O ano era 2005 e eu estava na
cúpula central do histórico prédio Parobé da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul (UFRGS) para assistir uma palestra sobre conversão de
energia a partir do aproveitamento da Biomassa. Não tenho lembrança
do nome do palestrante ou dos tópicos que foram discutidos, mas uma
narrativa foi provocante e impactante. Segundo o palestrante, a sociedade
– organizada e estruturada em populosos centros urbanos – era insus-
tentável energeticamente. A geração de energia elétrica, centralizada e
distante das unidades consumidoras, não seria capaz de suprir a demanda
crescente e, ainda, garantir a modicidade tarifária. Mas há um caminho,
chamado geração distribuída, ou seja, geração de energia elétrica local,
urbana, entre outras características. Se você ainda não ouviu falar em
sistemas fotovoltaicos, em breve ouvirá e saberá da possibilidade de gerar
energia elétrica a partir da energia solar. A modularidade desses sistemas
permite a integração arquitetônica harmoniosa e perfeita às edificações
residenciais, comerciais ou industriais. Os sistemas fotovoltaicos apresen-
tam maturidade tecnológica, confiabilidade e competitividade econômica.
A geração distribuída com telhados solares é a quebra de paradigma, é
a mudança de curso, é a transformação de conceitos e ideias, enfim, é a
revolução do Sol. Cidades solares têm potencial para gerar mais energia
elétrica do que consomem. Cidades solares são uma necessidade, é uma
questão de sobrevivência. A sociedade pode estar condenada, mas a
causa não será o deficit de energia elétrica.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 9

Esta obra nasceu do desejo de contribuir cientificamente com o


conhecimento sobre Energia Solar Fotovoltaica – uma arte promovida e
desenvolvida por integrantes da Escola do Sol e do NTEEL Solar. A Escola
do Sol é um projeto de extensão da Universidade Federal de Santa Catari-
na (UFSC) que promove conhecimento científico e tecnológico em Energia
Solar Fotovoltaica, a partir de ações integradas entre academia, mercado e
sociedade. O Núcleo Tecnológico de Energia Elétrica – Solar (NTEEL Solar)
é um grupo que desenvolve projetos e pesquisas científicas em Energia
Solar Fotovoltaica e suas aplicações.
A presente obra, desenvolvida com muito carinho, apresenta tópicos
sobre a estrutura do setor elétrico brasileiro e a comercialização da energia
elétrica, os conceitos e fundamentação da radiação solar e a medição da
radiação solar, as tecnologias e características de células e módulos fotovol-
taicos, as características e tecnologias de inversores; o dimensionamento,
monitoramento e análise de sistemas fotovoltaicos; o perfil de consumo e de
geração de unidades prossumidoras, a compilação de normas e legislação,
o comissionamento, operação e manutenção e boas práticas de instalação
de sistemas fotovoltaicos, softwares para dimensionamento e simulação de
sistemas fotovoltaicos, e tópicos de eficiência energética em edificações.
É um privilégio partilhar os resultados de projetos e pesquisas cientí-
ficas com você, caro leitor. Aproveitamos para agradecer a todos que possibi-
litaram os nossos projetos e pesquisas científicas e, especialmente, o desen-
volvimento deste livro. Também gostaríamos de agradecer as organizações
que deram apoio aos nossos projetos e pesquisas científicas: Universidade
Federal de Santa Catarina (UFSC), Escola do Sol (UFSC), Núcleo Tecnológico
de Energia Elétrica – Solar (NTEEL Solar), Programa de Pós-Graduação em
Energia e Sustentabilidade (PPGES), curso de Engenharia de Energia, Coor-
denação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Conselho
Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Fundação de
Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc).
Este livro contribui cientificamente para a promoção de uma
tecnologia renovável, confiável, madura, competitiva e alinhada com o de-
senvolvimento sustentável. Esperamos que você aprecie nosso trabalho e
tenha uma excelente leitura.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 10

CAPÍTULO 1
O setor elétrico brasileiro e a
comercialização de energia elétrica

Este capítulo discorre sobre o setor elétrico brasileiro e seus mer-


cados de eletricidade.
O setor elétrico brasileiro é formado por agentes de geração de
energia elétrica, de transmissão, distribuição, comercialização, por consu-
midores e pelos agentes institucionais.
Os agentes de geração de energia elétrica são as concessionárias
de serviço público de geração que exploram ativos de geração a título de
serviço público; os produtores independentes que produzem energia com
finalidade de comercialização; e os autoprodutores que produzem energia
com finalidade de consumo próprio, podendo comercializar o excedente
mediante autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). A
diferença entre autoprodutor e produtor independente de energia é que o
autoprodutor possui uma carga específica para abastecer.
Os agentes de transmissão de energia elétrica são agentes que
detêm a concessão dos serviços da transmissão de energia elétrica. São
agentes que não comercializam energia.
Os agentes de distribuição de energia elétrica são empresas con-
cessionárias ou permissionárias de energia elétrica. Essas comercializam
energia no ambiente de contratação regulada (ACR).
Os agentes de comercialização de energia elétrica são as empresas
comercializadoras as quais representam comercialmente outro agente, os
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 11

consumidores livres e/ou especiais que são consumidores com demanda


mínima contratada, e importadores e exportadores de energia.
Os consumidores cativos, ou regulados, estão na área de conces-
são ou permissão dos agentes distribuidores. Esses não comercializam
energia elétrica, pois sua tarifa é regulada pela ANEEL e repassada pelo
agente distribuidor ao consumidor.
Os agentes institucionais do setor elétrico são o Conselho Nacional
de Política Energética (CNPE), Ministério de Minas e Energia (MME), Em-
presa de Pesquisa Energética (EPE), Comitê de Monitoramento do Setor
Elétrico (CMSE), ANEEL, Operador Nacional do Sistema (ONS) e Câmara
de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), conforme fluxograma 1.1.

Fluxograma 1.1 – Estrutura do setor elétrico.


Fonte: Elaborada pela autora (2020).

O CNPE formula políticas e diretrizes que asseguram o suprimento


de insumos energéticos a todo o país. Esse está diretamente ligado ao
presidente da república. O CNPE é presidido pelo ministro do MME e com-
posto por membros da administração do governo federal e representantes
escolhido pela presidência da república.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 12

O MME implementa e conduz as políticas energética que foram


formuladas pelo CNPE de acordo com a diretrizes definidas pelo CNPE.
O MME é responsável pelo planejamento, gestão e desenvolvimento da
legislação do setor elétrico.
A EPE é responsável pelos estudos de implantações das políticas
energéticas, que foram formuladas pelo CNPE e conduzidas pelo MME. A
EPE tem a finalidade de subsidiar e dar apoio técnico ao planejamento e
implementações das ações do MME para expansão e segurança do setor
elétrico. Assim como habilita tecnicamente os empreendimentos que
participam de leilões conduzidos pela ANEEL.
O CMSE acompanha e avalia a continuidade e segurança do su-
primento energético. Acompanha as atividades de geração, transmissão,
distribuição e comercialização, importação e exportação, segurança do
abastecimento e atendimento. Assim como identifica as dificuldades e
obstáculos de caráter técnico, ambiental, comercial, institucional e outros
que afetem ou possam afetar a regularidade e segurança do abasteci-
mento e expansão do setor de energia.
A ANEEL é uma autarquia, uma entidade de administração pública
indireta, que regula e fiscaliza a geração, transmissão e distribuição de
energia elétrica. As decisões da ANEEL são independentes do âmbito
político. Essa agência tem como objetivo zelar pela qualidade dos serviços
prestados e pelo estabelecimento de tarifas de transporte e consumo
para os consumidores cativos, considerando a viabilidade econômica e
financeira dos agentes. A ANEEL é responsável pelas regras e procedi-
mentos de comercialização de energia elétrica, pelo equilíbrio econômico
financeiro das concessões, por licitações na modalidade de leilão para
contratação de energia elétrica pelos agentes do Sistema Interligado
Nacional (SIN) e por mediação de conflitos entre agentes. A ANEEL tem
delegado a operação dos leilões do ACR à CCEE.
O ONS é uma instituição de direito privado sem fins lucrativos
que opera, supervisiona e controla a geração no SIN e administra a rede
básica de geração e transmissão, o SIN (verificar figura 1.1). O ONS visa o
atendimento dos requisitos de carga, a otimização de custos e a garantia
de confiabilidade do sistema. O ONS também planeja e opera o sistema
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 13

isolado e quem o fiscaliza e o regula é a ANEEL. De acordo com Mayo


(2012), o operador do sistema é uma instituição responsável por progra-
mação, despacho e operação do sistema elétrico. Independentemente de
o modelo de mercado ser pool ou de contratação bilateral, o despacho
pode ser centralizado ou descentralizado. No despacho centralizado, que
é o aplicado no Brasil, há preocupação em reduzir o custo operativo do
sistema, então o operador do sistema é responsável, uma autoridade cen-
tral, pelo despacho. No despacho descentralizado o operador zela pela
confiabilidade do sistema e corrige desequilíbrio energético, cabendo a
cada agente de mercado decidir pelos negócios mais lucrativos.
A CCEE é uma instituição de direito privado sem fins lucrativos que
tem como objetivo viabilizar a comercialização de energia elétrica no ACR
e no Ambiente de Contratação livre (ACL). Suas atividades incluem man-
ter os registros dos contratos, coletar dados de medição e contabilização
em ambos os ambientes. A contabilização no mercado de curto prazo é
realizada pela CCEE e considera os registros dos contratos e coleta dos
dados de medição. Também é de responsabilidade da CCEE a apuração e
divulgação do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD). Com a contabili-
zação dos resultados e o PLD a CCEE realiza a liquidação do mercado de
curto prazo no ACL. Outras atribuições da CCEE são operação dos leilões
de energia elétrica no ACR, desde que delegados pela ANEEL; gestão dos
montantes de energia de reserva; desenvolvimento e aplicação de regras
de comercialização e administração de contas setoriais como a Conta de
Desenvolvimento Energético (CDE), do ACR, das Bandeira, do Consumo de
Combustíveis e da Reserva Global de Reversão.
O CMSE e a EPE respondem diretamente ao MME. O ONS e a CCEE
respondem diretamente à ANEEL.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 14

Figura 1.1 – Mapa do SIN em 2020.


Fonte: ONS (2020).

No setor elétrico existe diferença entre o sistema, ou mundo, físico


e o contratual.
O sistema físico corresponde à operação do ONS no SIN. Como o
sistema de transmissão tem restrições de fluxo de energia em função da
capacidade das linhas de transmissão, o SIN é dividido em submercados.
O submercado norte é caracterizado pela predominância de hidrelétricas e
pela exportação de energia. O submercado nordeste é caracterizado pela
predominância de usinas de geração eólica e em alguns períodos importa
energia elétrica. O submercado sudeste tem como característica a im-
portação de energia elétrica. O subsistema sul é um sistema hidrotérmico
que importa e exporta energia, inclusive para outros países. É importante
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 15

observar que se efetuam a importação e a exportação de energia somente


entre submercados vizinhos.
O sistema contratual é à parte, independe do fluxo de energia
elétrica. Pode-se contratar ou vender energia elétrica de qualquer em-
preendimento independentemente de sua localização no ACL e ACR.
Segundo Mayo (2012), os produtos transacionais são os contratos físicos
e financeiros. Desenvolvidos para o mercado atacadista de energia elétri-
ca ou ACL. Dos contratos físicos participam o consumo e a produção de
eletricidade. Os contratos financeiros de eletricidade são utilizados para
mitigação de risco. A transação no mercado de eletricidade é diferente
das outras commodities, pois ainda não é armazenada e a disponibilidade
deve ser instantânea. Competências de engenharia, financeira e comer-
cial são necessárias para o bom desempenho desse mercado.

Ambiente de contratação livre

O modelo atacadista competitivo é necessário para a transparên-


cia e competitividade de preço. No âmbito mundial, esse modelo com-
preende o mercado pool de energia e o mercado de contratação bilateral
(MAYO, 2012).
No modelo pool do mercado atacadista competitivo a produção
de eletricidade de diferentes usinas é agregada. Geralmente é gerenciado
por um operador independente do mercado. No gross pool toda energia é
comercializada no pool. A decisão de operar ou não as usinas de geração
é do mercado e não dos geradores, sob risco de não serem despacha-
dos. O gross pool é um leilão de participação unilateral, em que os lances
dos geradores são agregados em ordem crescente formando a curva de
oferta, a curva de demanda é uma reta vertical e o encontro das duas é
o preço marginal do sistema. No modelo net pool do mercado atacadista
competitivo, a contratação fora do pool é permitida. Nesse modelo, os
volumes residuais não contratados são programados e comercializados
de forma voluntária no mercado centralizado, os geradores ajustam sua
produção e o consumo à demanda, cada um ofertando e equilibrando a
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 16

produção com a demanda (MAYO, 2012). No Brasil se utiliza um modelo


tipo pool nos leilões do ACR, o qual será abordado na seção Ambiente de
Contratação Regulada.
O decreto 5163 de 2004 define as bases e diretrizes da comerciali-
zação de energia elétrica, assim como dispõe de medidas que preveem a
modicidade tarifária. Esse decreto regulamenta o ACL e o ACR.
A contratação de energia elétrica no ACL ocorre de forma bila-
teral no Brasil. O ACL é um ambiente de negócios em que vendedores
e compradores negociam energia elétrica livremente entre si. Podem
comercializar energia elétrica nesse ambiente os agentes de geração, de
distribuição, de comercialização e os consumidores livres convencionais
e especiais.
De acordo com Mayo (2012), o modelo bilateral trabalha com a livre
comercialização de energia elétrica, esse modelo é a melhor maneira de
alcançar a competição na venda de eletricidade no atacado. No modelo
de contratação bilateral o comprador e o vendedor podem negociar li-
vremente os volumes, preços e condições contratuais. O negócio pode
ser concluído em dias ou anos e o operador deve sempre ser informado
sobre os dados contratados. No mercado de contratação bilateral, o maior
volume é negociado no mercado de balcão e volumes menores são co-
mercializados em bolsas de energia elétrica. O organograma 1.1 exibe o
mercado atacadista de energia elétrica.

Organograma 1.1 – Modelo de mercado atacadista competitivo.


Fonte: Mayo (2012).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 17

No mercado de balcão a energia elétrica é comprada e vendida


diretamente entre as partes interessadas, oferecendo menor custo, maior
flexibilidade relacionada à regulamentação, maior competição e possibili-
dade de negociação de preços e condições contratuais (MAYO, 2012).
De acordo com Mayo (2012), as bolsas de eletricidade ao atin-
girem nível de liquidez, fornecem o preço de referência necessário aos
mercados financeiros e de balcão por meio do mercado de curto prazo, o
chamado PLD. No âmbito mundialmente, o mercado de curto prazo inclui
os mercados:

a. D+1: é o mercado físico diário. Todos os agentes devem possuir


energia física assegurada para consumir ou gerar. As bolsas
oferecem D+1 em que as ofertas são submetidas e os negócios
liquidados no dia anterior ao despacho.
b. Mercado intradiário: este mercado fecha algumas horas antes da
entrega física da energia elétrica, permitindo ajustes e equilíbrio
entre a geração e a previsão de demanda.
c. Mercado em tempo real: após o fechamento do mercado intradi-
ário os agentes submetem ofertas de imediato.

Segundo Mayo (2012), as principais diferenças entre transações em


mercado de balcão e em bolsa de eletricidade são que no mercado de
balcão os produtos são mais diversificados que em bolsa de eletricidade,
alguns são personalizados inclusive; as transações em bolsa de eletrici-
dade são publicamente divulgadas, resultando em maior transparência
e descoberta de preço em relação ao mercado de balcão; e as bolsas
incentivam a competição devido à livre competição entre os agentes nos
leilões de energia elétrica.
No mercado de futuros, ou de contratos, o horizonte varia em anos.
Nesses contratos pode haver diferenciação entre horário de ponta, fora de
ponta, dias úteis e feriados ou pontos facultativos.
O mecanismo de gestão do congestionamento da transmissão
em mercados de eletricidade garante que a rede suporte todos os fluxos
físicos resultantes de contratações, garantindo a segurança operativa do
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 18

sistema. O operador do sistema elétrico deve definir os limites da capaci-


dade comercial de transmissão em cada área (MAYO, 2012).
O mercado de capacidade de reserva garante que os níveis de
capacidade necessários estejam disponíveis garantindo a confiabilidade
do sistema. Considerando que o equilíbrio entre demanda e oferta pode
ser alcançado no lado da demanda, a estabilidade do sistema requer
capacidade instalada a fim de atender a demanda prevista mais uma mar-
gem reserva para prevenir contra interrupções, flutuações de demanda e
manutenções programadas de equipamentos (MAYO, 2012).
O encargo de capacidade do sistema está presente nas faturas
de consumidores do mercado livre de energia elétrica. Segundo Mayo
(2012), é um pagamento pela disponibilidade dos geradores, assegu-
rando a geração de ponta e de reserva, garantindo a confiabilidade do
suprimento. O pagamento desse encargo pode ser efetuado por MW de
capacidade instalada ou adicionalmente ao pagamento dependendo do
estado do sistema e da capacidade disponível. O cálculo desse encargo
se baseia em probabilidade de perda de carga e no valor da carga perdi-
da. A perda de carga ocorre quando a demanda for maior que a geração.
O valor de carga perdida é o volume de eletricidade impedido de ser
entregue devido aos desligamentos.
O mercado de serviços ancilares, ou auxiliares, garantem a segu-
rança e estabilidade do sistema por manutenção de frequência e tensão.
Esses serviços, dependendo do mercado, podem ser contratados em lei-
lões. O operador do sistema é quem define esses serviços. Após a definição
dos serviços, atribuem-se preços para que possam ser comercializados.
Alguns exemplos são acompanhamento de carga e regulação de frequên-
cia, reserva de contingência para cobrir perda ou falha da geradora ou da
linha de transmissão, suporte reativo para controlar a tensão e capacidade
de autorreabastecimento da unidade geradora após colapso sem fonte
externa de alimentação (MAYO, 2012).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 19

Consumidor livre convencional

Considera-se consumidor livre aquele que pode escolher o forne-


cedor de energia elétrica que não seja a distribuidora. Em 2019 cerca de 80%
dos consumidores do grupo tarifário A eram consumidores livres. A econo-
mia é aproximadamente 29% em relação ao mercado (ABRACEEL, 2019).
Segundo Abraceel (2019), os consumidores livres possuem perfis
conservador e arrojado. O consumidor com perfil conservador opta por
contratos de longo prazo, devido à maior previsibilidade. O consumidor de
perfil arrojado trabalha com maiores possibilidades de ganho, entre elas
com a contratação de um valor inferior ao necessário no longo prazo e fica
exposto ao mercado de curto prazo.
O contrato ainda pode prever uma variação de consumo a ser
negociada, chamada flexibilidade, por exemplo, 10% para mais ou menos.
Ainda existe a opção de sazonalização do contrato em que o consumidor
pode estimar o perfil de consumo mensal ao longo dos anos. O contrato
pode ser elaborado considerando a flexibilidade e a sazonalidade. Ainda,
nos contratos são negociados preço, prazo, montante de energia em MW
médio e índice de reajuste.
O consumidor livre paga as faturas da geradora, da distribuidora
na parcela referente à Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD), da
comercializadora, da contribuição associativa à CCEE e do monitoramento
remoto. Ainda são recolhidos pela CCEE em uma conta a parte, o EER em
alguns meses, o Encargo de Serviço do Sistema (ESS) de acordo com a
demanda por energia térmica acionados pelo ONS fora do mérito de custo;
o aporte de garantia financeira se houver débito por parte do consumidor
livre; e se aplicadas: as penalidades. A possibilidade de lucro cabe à parte
de geração, que segundo a Abraceel (2019) corresponde a 80% da fatura
de energia no mercado cativo.
A partir de primeiro de janeiro de 2020 a demanda mínima passou
a ser 2 MW, para qualquer nível de tensão de abastecimento da unidade
consumidora (MME, 2018). Pode-se adquirir energia elétrica de qualquer
fonte de geração. Se uma unidade consumidora não possuir demanda mí-
nima para aderir ao mercado livre de energia, pode-se considerar a soma
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 20

de todas as unidades consumidoras de um mesmo Cadastro Nacional de


Pessoa Jurídica (CNPJ), constituindo a comunhão de direito; ou de diferen-
tes CPNJs se as unidades consumidoras não estiverem separadas por via
pública, constituindo a comunhão de fato (ABRACEEL, 2019).

Consumidor livre especial

Consumidores especiais precisam ter demanda mínima contrata-


da igual a 500 kW, ou 500 kW somados entre unidades consumidoras de
mesmo CNPJ ou sem divisão por via pública entre as unidades de diferen-
tes CNPJs, e devem comprar energia elétrica de fontes especiais.
Consideram-se fontes especiais de geração de energia elétrica
com direito a 50% de desconto na TUSD/TUST as fontes eólicas, solares,
biomassa e cogeração qualificada com potência menor ou igual a 30 GW,
desconsideradas as fontes para autoprodução. Ainda para o desconto
de 50%, consideram-se os empreendimentos de potencial hidrelétrico
entre 1 GW e a 30 GW inclusive, desde que mantidas as características de
PCH e que sejam destinados à geração por produção independente ou
autoprodução. Também, aplica-se esse mesmo desconto a qualquer em-
preendimento com potência igual ou inferior a 1 MW e a empreendimentos
de geração de energia oriunda de fontes eólicas, solares, biomassa e
cogeração qualificada com potência entre 30 MW e 300 MW desde que
sejam vencedores de leilão de energia nova a partir de janeiro de 2016.
Entre os empreendimentos de geração de energia solar fotovoltai-
ca com potência entre 30 MW e 300 MW, os que entraram em operação
comercial até 31 de dezembro de 2017, o desconto assegurado foi de
80% para os dez primeiros anos e 50% para os demais anos de operação
comercial. Ainda, para algumas usinas de biomassa se assegurou 100% de
desconto na TUSD/TUST. Segundo ANEEL (2006) o consumidor especial
precisa estar cadastrado no grupo de tarifação A, conforme o quadro 1.1.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 21

Quadro 1.1 – Grupos tarifários A e B.


Fonte: Elaborada pela autora (2019).

A contratação de energia incentivada assegura ao consumidor o


desconto de 50, 80 ou 100% na TUSD (ANEEL, 2006). As faturas a serem
pagas pelo consumidor especial são as mesmas que o consumidor li-
vre convencional, apenas a fatura do agente de distribuição referente
ao transporte de energia, também conhecido como valor do fio, será
reduzida de acordo com a classificação de potência e entrada de ope-
ração comercial da geração. Quem determina mensalmente os cálculos
do desconto que o agente de distribuição deve aplicar é a CCEE. Esse
desconto foi atribuído quando o consumidor especial foi instituído em
2006, para incentivar as fontes de energia em função do elevado pre-
ço da época, é importante salientar que o valor da geração de energia
oriunda de centrais solar e eólica atualmente é competitivo, no entanto o
desconto ainda é aplicado, assim como na PCH e biomassa.

Leilões de energia elétrica no ACL

Os leilões promovidos no ACL são os de compra, de venda e o de


ajuste. Todos são operados pela ANEEL.
Os leilões de compra de energia elétrica são promovidos pelos
consumidores e comercializadoras. Os compradores estabelecem preços
máximos para os lotes e os vendedores disputam os lotes em lances
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 22

decrescentes, sendo classificado o menor preço ofertado (MAYO, 2012).


Segundo CCEE 2020, os leilões de compra ocorreram em 2003 e 2004.
Nos leilões de venda de energia os vendedores, ou seja, as gera-
doras ou comercializadoras estabelecem um preço mínimo por lote e os
compradores disputam os lotes em lances crescentes, o maior valor oferta-
do é classificado (MAYO, 2012). Segundo CCEE 2020, o leilão de venda que
ocorreu em 2002 ocorreu online e utilizou o sistema do Banco do Brasil.
Os leilões de balanço de carga, ou de ajuste mensal, acertam
os créditos ou débitos de energia das geradoras e dos consumidores
livres antes da contabilização da CCEE. Esses leilões são promovidos por
geradoras, comercializadoras ou consumidores livres. A oferta é a média
mensal do PLD do submercado acrescida de um prêmio. O maior prêmio
ofertado pelo comprador é classificado (MAYO, 2012).

A contratação de energia elétrica

Os contratos de longo prazo são os contratos firmados anterior-


mente ao consumo. A duração varia de meses a anos. Certamente, quanto
mais longo o contrato mais atrativo o preço da energia se torna, no entanto
é importante observar os índices de reajuste.
Os contratos de curto prazo são firmados após o consumo do
mês corrente, a fim de não gerar multa ao consumidor por consumir uma
parcela não contratada. De Acordo com Mayo (2012), os contratos de curto
prazo cobrem as diferenças entre energia gerada ou consumida e a con-
tratada, antes da contabilização da CCEE.
Todos os contratos são registrados na CCEE. Esse registro serve
para contabilizar a liquidação do mercado de curto prazo e garantir o
fornecimento de energia elétrica aos consumidores. Segundo a Abraceel
(2019), a garantia de fornecimento aos consumidores livres é obtida por
meio de registro dos contratos na CCEE.
Caso o consumidor decida retornar ao mercado cativo, ou regula-
do, deve apresentar uma carta para a distribuidora de energia com ante-
cedência de cinco anos. A aceitação ou não fica a critério da distribuidora
(ABRACEEL, 2019).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 23

O custo marginal de operação

O Custo Marginal de Operação (CMO) é o custo por unidade de


energia produzida para atender um acréscimo de carga no sistema, ou ain-
da, é o custo para se produzir o próximo MWh. Utiliza-se no Brasil o sistema
Newave, que é um modelo matemático, para encontrar o equilíbrio entre
a utilização da água e o armazenamento. A otimização do custo é a utili-
zação da máxima energia hidrelétrica possível. Entretanto, a confiabilidade
do sistema depende de outras fontes de geração, aumentando o custo de
operação do sistema (MAYO, 2012). De acordo com CCEE 2019, utiliza-se o
sistema Decomp, além do Newave, para calcular o CMO. O Newave otimiza
o planejamento até cinco anos e o Decomp até doze meses.
O CMO no Brasil depende dos níveis dos reservatórios, afluência,
previsão de carga, Curva de Aversão ao Risco (CAR), expansão da geração
e transmissão, limites de transmissão inter-regionais, custo de combustí-
veis fósseis para termelétricas e função custo de deficit (MAYO, 2012).
Quanto aos níveis de armazenamento dos reservatórios, trabalha-
-se com custo total de oportunidade da água que é dividido em custos
imediato e futuro. Observa-se no gráfico 1.1 que a curva de custo imediato
é crescente, pois considera a utilização de energia no presente, então o ní-
vel reservatório decresce resultando em baixo custo imediato, entretanto
se despachadas usinas térmicas o nível do reservatório aumenta e o custo
imediato aumenta. O custo futuro também depende do nível dos reserva-
tórios, se esse é baixo o custo é alto e se elevado o nível o custo é baixo. A
curva de custo futuro é decrescente, essa é denominada função de custo
futuro, sua inclinação indica a variação do custo em relação ao volume
armazenado e sua derivada é denominada valor da água. A curva de custo
total é a soma das anteriores. O mínimo da curva de custo total é a meta
de volume para o reservatório alcançar. O custo total de oportunidade da
água é a soma das curvas de custo imediato e futuro, e representa o ponto
de menor custo total (MAYO, 2012).
A energia natural afluente depende da afluência nos reservatórios.
As previsões são elaboradas a partir do Newave e verificadas semanal-
mente pelo volume de precipitação das chuvas, conforme figura 1.2.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 24

Gráfico 1.1 – Minimização do custo marginal de operação de um sistema hidrotérmico.


Fonte: Mayo (2012).

A CAR estabelece o nível mínimo dos reservatórios das hidrelétricas


a fim de garantir a segurança de geração do SIN. As curvas são elaboradas
a cada dois anos, uma por subsistema. Os níveis de armazenamento de-
vem ser mantidos acima da CAR para garantir o atendimento do mercado
e a capacidade de recuperação dos reservatórios (MAYO, 2012).
O custo deficit é valor que o consumidor estaria disposto a pagar para
não ter interrupções de energia elétrica. Segundo Mayo (2012), o custo deficit
é o impacto econômico à sociedade em caso de escassez de energia elétrica,
é o preço de curto prazo que se aplicará no mercado livre em caso de racio-
namento. Se o preço de custo deficit é muito baixo resulta em utilização dos
reservatórios e probabilidade de racionamento futuro, se muito alto resulta
em preços mais elevados devido à maior utilização de recursos térmicos.
A CCEE calcula o custo deficit anualmente, e em 2020 é igual a
5.249,34 R$/MWh. Esse valor é importante para o cálculo do PLD, assim
como para o planejamento da expansão e programação do sistema elétri-
co (CCEE, 2020).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 25

Figura 1.2 – Mapa da precipitação acumulada prevista para o período de 29/06 a


05/07/2019.
Fonte: ONS (2019).

Formação de preço de eletricidade

A formação de preços no mercado de eletricidade depende da


oferta e da demanda. Quando a demanda é baixa os preços são menores,
quando a demanda é maior os preços tendem a aumentar. O cálculo de
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 26

preço de eletricidade para o gerador inclui custos fixos e variáveis e o lucro


do investimento.
Nos contratos de longo prazo, o preço da energia elétrica é uma
expectativa do mercado considerando o PLD do momento da contratação
e a duração do contrato. A vantagem em se trabalhar com os contratos de
longo prazo é contar com um valor praticamente fixo para um determi-
nado período, pois há apenas o índice de reajuste e o consumidor não se
preocupa com a variação do mercado de curto prazo. Outra vantagem é
a venda futura dessa energia no mercado de curto prazo, podendo obter
lucro. Em contrapartida, se a previsão não for eficaz e o valor do preço de
curto prazo for menor que o contratado será prejudicial ao consumidor.
A formação de preços no mercado de curto prazo de energia
ocorre em função do estudo do CMO. Segundo Mayo (2012), a teoria
econômica sugere que os preços dependam do CMO das referidas ge-
radoras sendo que se priorizam a operação das centrais geradoras que
ofertem menores preços.
Observa-se no gráfico 1.2 a formação do preço no mercado com
dois patamares de carga. O CMO para curva de baixa demanda é menor
que o CMO para curva de alta demanda. Nas bolsas de eletricidade o
preço de curto prazo D+1 é definido pelo encontro das curvas de oferta da
cadeia produtiva e demanda (MAYO, 2012).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 27

Gráfico 1.2 – Formação de preço de curto prazo com dois possíveis cenários de demanda.
Fonte: Mayo (2012).

O preço de liquidação das diferenças

A contratação por meio da compra e venda de energia é a parcela


financeira do mercado de energia elétrica, enquanto o despacho das usi-
nas e o consumo efetivo são as parcelas físicas. Segundo Abraceel (2019),
pode haver diferença entre a geração física e a contratual, assim como o
consumo efetivo e o contratado. Essas diferenças são liquidadas no mer-
cado de curto prazo o chamado PLD.
O PLD valora as sobras e deficits de energia elétrica contratados
no mercado de longo prazo, incluindo-os no mercado de curto prazo. O
cálculo se baseia no despacho ex ante, utilizando informações previstas
de geração e consumo de cada submercado (verificar figura 1.3). Esse
cálculo não considera as restrições de transmissões em cada submerca-
do. No caso de restrições de operação, como congestionamento, dentro
de um submercado há necessidade de despachar uma usina mais cara
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 28

que previsto, esse valor superior é cobrado como Encargos de Serviços


do Sistema (ESS). O despacho também pode resultar em grande volume
de energia a ser transferida entre submercados incorrendo em conges-
tionamentos devido às restrições de transmissão. No Brasil, essa restrição
é bem significante e conhecida como risco de submercado (MAYO, 2012).

Figura 1.3 – PLD para cada submercado e patamar de carga.


Fonte: CCEE (2020).

O PLD objetiva encontrar o equilíbrio entre o benefício presente do


uso da água e o benefício futuro em armazenar essa água. A CCEE calcula
semanalmente o PLD para cada patamar de carga, limitando o resultado
do cálculo por valores máximo e mínimo. As cargas leves, médias e pe-
sadas para o cálculo do PLD são fornecidas pelo ONS à CCEE, conforme
fluxograma 1.2. O valor mínimo do PLD é calculado de acordo com o maior
valor entre a base da receita de geração entre as usinas hidrelétricas e as
estimativas de custos de geração da Itaipu para o ano seguinte. O valor
máximo é calculado de acordo com o custo variável unitário máximo da
usina termelétrica em operação. Para o cálculo do PLD a CCEE considera
as semanas de sábado à sexta-feira. Em 2020 o valor mínimo do PLD é
39,68 R$/MWh e o valor máximo é 559,75 R$/MWh (CCEE, 2020).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 29
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 30

Fluxograma 1.2 – Patamares de cargas ONS.


Fonte: CCEE (2019).

Critérios para eficiência do ACL

O mercado financeiro de energia elétrica é necessário devido à


variação de preços, por exemplo, quando o preço está menor a demanda
aumenta, nesse caso, os agentes conseguem controlar os riscos dessa
variação de preço por contratos futuros. Um mercado financeiro líquido
e bem organizado caracteriza um mercado físico bem sucedido, uma vez
que evita os risco de curto prazo (MAYO, 2012).
Liquidez, transparência, confiança e poder de mercado são fato-
res que determinam a eficiência do mercado financeiro de eletricidade
(MAYO, 2012).
A liquidez é a capacidade dos agentes transacionarem uma oferta
em um período de tempo que permita administrar a carga e o risco de
preço utilizando cotação de preço confiável, com quantidade de partici-
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 31

pantes e volume suficientes para garantir custos transacionais baixos. Um


mercado líquido possui atividade de comercialização suficiente para ofe-
recer o preço mais próximo ao real em seus contratos. O índice de liquidez
indica a rotatividade da energia no mercado atacadista. Se toda a energia
consumida for negociada uma vez o índice de liquidez será igual a 1, se
essa energia for comprada por um intermediário e revendida, o índice será
2, conforme equação 1 (MAYO, 2012).

� �
Volumetransacionadototal � de � energia
� elétrica
� TWh  �  Índice
� deliquidez
� (1)
Consumo � total
� da � energia
� elétrica
� TWh �

A liquidação financeira dos contratos de curto prazo ocorre de for-


ma única ou múltipla. Nos mercados com liquidação única é considerada
toda a energia elétrica despachada com base nas transações em tempo
real, também conhecidas como preço spot. Nos mercados com liquidação
múltipla a demanda e a geradoras fazem suas ofertas no mercado D+1,
após todas as ofertas aceitas pelo operador são liquidadas. O resultado
da liquidação do despacho final é utilizado para ajustar as diferenças na
liquidação do despacho em tempo real.
A disponibilidade de preços, regras e volumes transacionados ao
público se refletem na transparência, garantindo o acesso rápido, fácil e
simultâneo destas informações. A eficiência do mercado depende dessa
transparência, da disponibilidade de fornecer informações e incorporá-las
ao preço de mercado. O público inclui os potenciais participantes do
mercado de forma a lhes indicar o melhor momento para aderirem ao
mercado, além dos que participam do mercado atacadista de energia
elétrica. Também são importantes as informações sobre outros fatores que
influenciam o preço, como a disponibilidade de geração e transmissão. A
disponibilidade de preços está presente nas bolsas de eletricidade e não
em mercados de balcão (MAYO, 2012).
A confiança é um dos fatores mais importantes para o funciona-
mento do ambiente de contratação livre, pois os participantes precisam
acreditar no mercado e nos preços praticados.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 32

O poder de mercado é a capacidade de aumentar o preço unilate-


ralmente em um período significativo para obter lucro. Quanto maior for a
concentração do mercado, cotas que uma empresa possui, maior o poder
de mercado e esse aumento da concentração dos mercados pode elevar
os preços. No mercado de energia elétrica, por exemplo, em períodos mais
competitivos um produto individual de eletricidade poderia utilizar o poder
de mercado para reter a oferta e aumentar o preço do mercado. Essa é
uma preocupação dos mercados liberalizados. Ainda, o poder de mercado
pode ser horizontal ou vertical. Um exemplo de poder vertical é quando
uma empresa possui cotas em mais de uma atividade, por exemplo, na
geração e na transmissão de eletricidade, e utiliza o poder de mercado para
aumentar os lucros. O poder de mercado horizontal é quando uma empresa
aumenta o preço por meio de uma única atividade, por exemplo, a geração
de eletricidade. As estratégias do poder de mercado horizontal podem ser
a retenção física da geração de eletricidade, não participando de lances
em leilões, operando abaixo da capacidade ou não operando; e retenção
financeira, aumentando os preços acima de lances competitivos de uma
unidade (MAYO, 2012).

Os riscos

De acordo com Dornellas (2018), risco é a medida da incerteza


que um investidor aceita tomar para realizar um ganho de investimento.
O mercado de energia elétrica a gestão de riscos inclui gerenciamento de
volumes de energia negociados, preços e as condições climáticas espera-
das. Sem essa gestão há possibilidade de perdas financeiras significativas.
Quanto maior o risco maior pode ser o lucro, logo agentes que
assumem maior risco geralmente contratam energia elétrica em contratos
de longo prazo em volume menor que o necessário, assumindo o risco de
completarem o volume faltante no mercado de curto prazo esperando um
valor de PLD com valor razoável.
Além da volatilidade do mercado de curto prazo, segundo Dor-
nellas (2018) a gestão de risco deve considerar a judicialização que envolve
o setor elétrico. A judicialização tem diversas fontes e influencia gerando
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 33

incertezas aos investidores. O risco de mercado é potencializado pelo fato


do número de consumidores de energia elétrica no ACL ter aumentado
vinte e cinco vezes em 2016 em relação ao ano anterior, aumentado o nú-
mero de operações. A preocupação da CCEE está relacionada às peque-
nas empresas, geralmente consumidores especiais, as quais não possuem
setores internos para gerenciamento do risco. A CCEE disponibiliza uma
calculadora de Conditional Value-at-Risk (CVaR) de exposição dos agentes
no mercado de curto prazo para esses consumidores. O CVaR é uma me-
todologia de cálculo de risco. Essa calculadora verifica os riscos de acordo
com os contratos registrados e validados na CCEE, permitindo simulação
entre três e sessenta meses.
Segundo Mayo (2012), os riscos são interdependes e são classifi-
cados como:

a. Risco de preço de mercado se refere à volatilidade hidrológica,


condições climáticas, flutuação de demanda e restrições na
geração e transmissão.
b. Risco de preço de combustível se refere ao risco relacionado ao
preço de combustível de geradoras termelétricas.
c. Risco de contraparte é o risco da contraparte não honrar suas
obrigações, por exemplo, a falta de pagamento.
d. Risco volumétrico se refere aos problemas que podem afetar o
volume de energia vendida e os preços de energia, tais como
previsões imprecisas pelo consumidor, perdas imprevistas na ge-
ração ou mudanças no cronograma de manutenção da geradora.
e. Risco de congestionamento de transmissão é o risco relacio-
nado à capacidade de transmissão.
f. Risco operativo se refere a paradas forçadas de geradoras
e problemas no sistema de transmissão que influenciam no
fornecimento de energia elétrica. O efeito do preço operativo
reflete nos picos de preços de curto prazo.
g. Risco de base que pode ocorrer devido à não convergência
dos preços entre duas regiões por problemas, por exemplo
como a restrição de transmissão.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 34

h. Risco de liquidez do mercado que ocorre quando uma opera-


ção não pode ser efetuada devido a uma atividade insuficiente
no mercado.
i. Risco hidrológico se refere à necessidade das UHEs compra-
rem energia no mercado de curto prazo para cumprir seus
contratos.
j. Risco regulatório é o risco que uma mudança nas leis ou regu-
lação causaria impactando o mercado de energia elétrica.

Ambiente de contratação regulada

A contratação de energia elétrica no ACR ocorre por meio de lei-


lões. Explana-se na sequência sobre as formas de contratação de energia
elétrica no âmbito mundial e brasileiro, assim como sobre os leilões de
energia com participação de recurso solar fotovoltaico.

Leilões de energia no âmbito mundial

Mundialmente os leilões de energia elétrica são classificados


quanto ao número de lados como bilaterais e unilaterais. Assim como,
podem ser classificados por preço de mercado como leilão de preço
uniforme e leilão de preço de preço discriminatório.
No critério do número de lados dos participantes existem leilões
unilaterais e bilaterais. De acordo com Mayo (2012), nos leilões unilaterais
a competição é válida apenas entre os geradores. A demanda é definida
pelo operador como uma reta vertical. Os lances de ofertas dos geradores
formam uma curva crescente. O ponto de interseção aponta o preço de
equilíbrio, conforme gráfico 1.3. Neste caso, o lance é crescente até atingir
o preço de equilíbrio.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 35

Gráfico 1.3 – Leilão com participação unilateral.


Fonte: Mayo (2012).

Nos leilões bilaterais os compradores submetem suas ofertas


especificando volume e preço. Neste caso, o lado da demanda tam-
bém compete. Observa-se no gráfico 1.4 que o encontro das curvas de
demanda e oferta aponta o equilíbrio de mercado. Os lances iguais e
abaixo do preço de equilíbrio são aceitos e os geradores são orientados a
produzirem os volumes de energia elétrica aceitos. Assim como, as ofer-
tas de compra inferiores ou igual ao preço de equilíbrio são aceitas e os
consumidores são informados sobre o volume autorizado para consumo
(MAYO, 2012).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 36

Gráfico 1.4 – Leilão com participação bilateral.


Fonte: Mayo (2012).

Nos leilões de preço uniforme todos os agentes vendedores são


pagos pelo preço marginal do sistema. Logo, todos os geradores com
lances menores que o marginal recebem um valor extra e todos os consu-
midores que ofertaram um preço maior que o marginal, pagam um preço
menor que o programado. O leilão de preço uniforme é o mais utilizado em
mercado de energia elétrica. Nos leilões de preço discriminatório o paga-
mento é exatamente a oferta e não varia conforme o preço de equilíbrio do
mercado (MAYO, 2012).

A contratação no ACR e os leilões de energia elétrica no


âmbito brasileiro

No ACR a comercialização de energia elétrica ocorre por meio


de leilões que visam a modicidade tarifária, ou seja, seguem o critério
de menor tarifa assegurando preço justo para ambas as partes. Segundo
CCEE (2020), com o objetivo de garantir a modicidade tarifária se instituiu
o modelo atual de leilões.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 37

Os leilões são realizados pela CCEE sob delegação da ANEEL. A


ANEEL é responsável pelos editais dos leilões do ACR. Os vendedores em
um leilão são os agentes de geração e comercialização de energia elétri-
ca. O agente distribuidor é o comprador de determinado leilão e repassa
aos consumidores cativos, ou regulados, a tarifa regulada pela ANEEL. No
ACR o consumidor paga o custo de energia elétrica, tributos e os encargos
setoriais em uma única fatura gerada pelo agente distribuidor. Destaca-se
que a principal função do agente distribuidor é atender os consumidores
de sua área de concessão ou permissão.
Após o MME decidir realizar um leilão os agentes de distribuição
declaram a previsão de carga futura, que prevê o consumo dos consu-
midores cativos na área de concessão. Assim, a distribuidora determina
que a partir do ano A a carga deverá ser suprida pela carga contratada em
um determinado leilão. Assim, têm-se as nomenclaturas dos leilões de A-1
à A-7, o número representa o tempo que o empreendimento entrará em
operação e iniciará o atendimento a carga.
A contratação no ACR ocorre no mercado tipo pool, em que os
compradores não escolhem os vendedores. A oferta dos vendedores é
disponibilizada e cada comprador adquire a fração de energia elétrica
necessária de todos os vencedores do leilão. Cada vendedor recebe o
preço negociado no leilão e cada comprador, ou agente distribuidor, paga
o preço médio correspondente.
Os leilões são classificados como leilão de energia existente, de
ajuste, de fontes alternativas, estruturantes, do sistema isolado, de energia
nova e de energia de reserva.
Os leilões de energia existente promovem a expansão do parque
gerador e viabilizam a contratação das usinas concluídas fisicamente. Se-
gundo CCEE (2020), como essas usinas tiveram os investimentos amortiza-
dos anteriormente, os custos são menores se comparados a outros leilões.
Os leilões de ajuste permitem o ajuste contratual do agente distri-
buidor em um curto espaço de tempo. De acordo com CCEE (2020), esses
leilões tratam desvios de previsões em leilões anteriores e mudança de
comportamento de seu mercado.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 38

Os leilões de fontes alternativas incentivam a geração de ener-


gia oriunda de centrais eólicas, de biomassa e de Pequenas Centrais
Hidrelétricas (PCH). De acordo com CCEE (2020), esse leilão foi instituído
em 2007 para atender o crescimento do ACR e incentivar as fontes eólica,
biomassa e PCH.
Os leilões estruturantes viabilizam empreendimentos de geração
que necessitam ser construídos para garantir o suprimento da demanda
no país. De acordo com CCEE (2020), esses leilões se referem a empreen-
dimentos que tenham prioridade de licitação e implantação, em vista de
seu caráter estratégico e de interesse público.
Os leilões do sistema isolado têm finalidade de suprir o consumo
de energia elétrica do sistema isolado.
Os leilões de energia nova atendem o aumento de carga dos
agentes de distribuição com empreendimentos ainda não construídos.
Os leilões de energia de reserva asseguram o fornecimento de
energia elétrica ao SIN. De acordo com CCEE (2020), a contratação da
energia de reserva foi criada para aumentar a segurança de suprimento
ao SIN. A energia elétrica provém de empreendimentos especialmente
contratados para esse fim, sejam eles novos ou existentes. Essa energia é
liquidada no mercado de curto prazo pela CCEE. Assim, nasceu o Encargo
de Energia de Reserva (EER), que é destinado a cobrir os custos dessa
contratação e é rateado entre todos os usuários da energia de reserva que
podem ser os agentes de distribuição e os participantes do ACL.

Leilões de energia com participação de recurso solar fotovoltaico

Realizaram-se três leilões de energia de reserva com participação


de empreendimentos de geração de energia solar fotovoltaica, o Leilão
de Energia de Reserva de 2014, o Primeiro Leilão de Energia de Reserva
de 2015 e o Segundo Leilão de Energia de Reserva de 2015. Segundo EPE
(2018), contrataram-se 31 empreendimentos em 2014 e 30 projetos no
primeiro leilão em 2015 e 33 projetos no segundo leilão do mesmo ano,
totalizando 3173,8 MWp e 2653 MW contratados. Os locais de instalação
das usinas podem ser verificados na figura 1.4.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 39

Figura 1.4 – Mapa de leilões de energia de reserva com empreendimentos fotovoltaicos.


Fonte: EPE (2016).

Realizaram-se três leilões de energia nova com empreendimentos


de energia solar fotovoltaica, os Leilões de Energia Nova A-5 de 2014, A-4
de 2017 e A-4 de 2018. Nesses leilões também participaram as fontes de
energia eólica, hidrelétrica e termelétrica. Contrataram-se 20 empreendi-
mentos em 2017 e 29 projetos em 2018, totalizando 1381 MW contratados.
Os prazos para início das operações dos empreendimentos vencedores
nos leilões A-4 de 2017 e A-4 de 2018 são janeiro de 2021 e janeiro de 2022
respectivamente. O prazo de suprimento para ambos é vinte anos (EPE,
2018). A figura 1.5 exibe a potência a ser agregada por município com a
inclusão dos leilões de energia nova com participação solar fotovoltaica.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 40

Figura 1.5 – Leilões de energia com empreendimentos fotovoltaicos.


Fonte: EPE (2018).

De acordo com EPE (2018), observaram-se duas tendências nos


últimos leilões com participação de energia solar fotovoltaica: o uso de
estruturas de rastreamento de um eixo, e a redução da relação entre as
potências CA e CC, resultando em maior carregamento dos inversores.
Essas duas tendências resultam em produção mais constante ao longo
do dia e em fatores de capacidade mais elevados refletindo na redução
dos preços.
Além do aumento no fator de capacidade das usinas, a redução dos
preços dos leilões ao longo do tempo está diretamente relacionada à redu-
ção nos custos de investimento. Pode-se considerar como fator importante
os juros mais baixos em 2017 e 2018 em relação aos anos anteriores, assim
como maior competição entre os empreendedores e otimismo em relação
aos custos no horizonte de entrega de energia. O gráfico 1.5 apresenta as
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 41

potências contratadas e os preços médios atualizados em 2018 da energia


solar fotovoltaica para cada leilão realizado (EPE, 2018).

Gráfico 1.5 – Potências contratadas e preços médios da energia solar fotovoltaica a cada leilão.
Fonte: EPE (2018).

Desde 2019, a energia solar fotovoltaica é a mais competitiva em


leilões, se comparada às fontes eólica, PCH, biomassa e gás natural. O
gráfico 1.6 exibe os preços de venda nos leilões, em R$/MWh, realizados
entre 2004 e 2019 com as fontes de energia solar fotovoltaica, eólica, PCH,
biomassa e gás natural (EPE, 2019).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 42

Gráfico 1.6 – Preços de venda em leilões para as fontes solar fotovoltaica, eólica, PCH,
biomassa e gás natural.
Fonte: EPE (2019).

Considerações finais

Esse capítulo foi elaborado a fim de oferecer ao leitor um panorama


geral sobre o setor elétrico brasileiro e os mercados de energia elétrica.
Inicialmente, abordaram-se os agentes e as instituições do setor elétrico
brasileiro, destacando-se as diferenças entre o mundo físico e o contratual.
Na sequência, abordaram-se os mercados de energia elétrica brasileiros,
em alguns momentos comparando-os com os demais mercados de ener-
gia mundiais. Após a abordagem de um dos mercados brasileiros, o ACR,
finalmente se explanou sobre os leilões de energia com participação solar
fotovoltaica, introduzindo os próximos capítulos deste livro.

Referências

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MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 43

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de 2006. Estabelece as condições para a comercialização de energia elétrica, oriunda de empreendi-
mentos de geração que utilizem fontes primárias incentivadas, com unidade ou conjunto de unidades
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MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 44

CAPÍTULO 2
Fundamentos da radiação solar

As características do Sol

O Sol é constituído de matéria gasosa intensamente quente e pos-


sui um formato de uma esfera. A sua estrutura contém o elemento químico
hidrogênio como elemento mais abundante. O diâmetro do Sol é de 1,39
x 109 m, e está em média a 1,5 x 1011 m da terra. A figura 2.1 apresenta
a estrutura do Sol que é composta pelas seguintes camadas: o núcleo,
zona radioativa, zona convectiva, fotosfera, cromosfera e a corona (PINHO;
GALDINO, 2014; DUFFIE; BECKMAN, 2020; MACAGNAN, 2010).

Figura 2.1 – Estrutura do Sol.


Fonte: Pinho e Galdino (2014).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 45

A região interna do Sol, o núcleo, é a região mais quente e densa.


Sua temperatura varia entre 15 x 106 K e 40 x 106 K, e a densidade entre
100.000 Kgm-3 e 150.000 Kgm-3. O núcleo é o local onde a energia é pro-
duzida por meio de reações termonucleares. Na zona convectiva é onde
acontecem os processos de convecção, predominando a transferência de
energia das regiões mais internas do Sol para a superfície solar (PINHO;
GALDINO, 2014; DUFFIE; BECKMAN, 2020; MACAGNAN, 2010).
A superfície solar, chamada de fotosfera, é a primeira região da
atmosfera solar, possuindo uma espessura de 330 km e temperatura pró-
xima de 5.800 K. A fotosfera é a fonte de maior parte da radiação visível
que o Sol emite para a terra. Um dos fenômenos fotosféricos mais notáveis
é o das manchas solares, nelas estão regiões mais frias que a fotosfera
solar, possuindo uma temperatura de cerca de 3.800 K. A região central é
chamada de umbra e pouco mais elevada na parte periférica, chamada de
penumbra. As manchas solares seguem um ciclo de onze anos em que o
número de manchas varia entre máximos e mínimos, provocando alterações
na irradiação emitida pelo Sol e também pode apresentar consequências
na Terra, alterando o comportamento da sua atmosfera. Em função destes
gradientes de temperatura e densidade se pode afirmar que o Sol não é um
radiador de corpo negro a uma temperatura constante (PINHO; GALDINO,
2014; MACAGNAN, 2010; DUFFIE; BECKMAN, 2020).
Na cromosfera do Sol se encontra uma camada gasosa com tem-
peraturas mais altas que a fotosfera. A temperatura varia de 4.300 K a mais
de 40.000 K, e sua altura é de aproximadamente 2.500 Km. A cromosfera
não é visível, devido a intensidade da irradiação ser muito mais baixa do que
aquela relativa à região da fotosfera. A região mais externa do Sol é chamada
de coroa, ela somente é visualizada na ocorrência de um eclipse, em virtude
do alto brilho da fotosfera (PINHO; GALDINO, 2014; DUFFIE; BECKMAN, 2020).
A radiação solar emitida é um resultado de várias camadas que
emitem e absorvem radiação em vários comprimentos de onda. O espec-
tro de emissão do Sol pode ser considerado apenas semelhante ao de
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 46

um corpo negro de temperatura de aproximadamente 5.800 K. No Sol, a


energia que é liberada vem de reações termonucleares, em que quatro
prótons são fundidos em um núcleo de hélio, com a liberação de energia.
Estima-se que o Sol tenha uma abundância de hidrogênio suficiente para
alimentar as reações nucleares por mais cinco bilhões de anos (PINHO;
GALDINO, 2014; DUFFIE; BECKMAN, 2020).

Geometria Sol – Terra

A Terra gira em relação ao Sol com um movimento anual que


descreve uma trajetória elíptica. O plano que contém esta órbita é cha-
mado de eclíptica e o tempo que a terra leva para percorrê-la é um ano.
A excentricidade desta órbita faz com que a distância entre o Sol e a Terra
varie 1,7%, causando um efeito na radiação solar. O seu eixo, em relação ao
plano da elipse, apresenta uma inclinação de 23,45°. Essa inclinação e seu
movimento de rotação dão origem às estações do ano (PINHO; GALDINO,
2014; DUFFIE; BECKMAN, 2020).
Ao observar o movimento do Sol, ao meio dia solar, ao longo do
ano, pode-se observar que o ângulo entre os raios do Sol e o plano do
Equador varia entre +23,45° em torno de 21 de junho (solstício de inverno
para o Hemisfério Sul), e –23,45° em 21 de dezembro (solstício de verão
para o Hemisfério Sul) (PINHO; GALDINO, 2014; DUFFIE; BECKMAN, 2020).
A figura 2.2 apresenta o movimento da Terra em torno do Sol e as
estações do ano para o Hemisfério Sul.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 47

Figura 2.2 – Movimento da Terra em relação ao Sol ao longo do ano e as estações do ano.
Fonte: Pinho e Galdino (2014).

A declinação solar (δ) pode ser calculada utilizando a equação 2.1.

 360 
sen     sen  23, 45  cos    n  10  (2.1)
 365, 25 
em que n representa o dia do ano (Juliano), contando de 1 a 365 a
partir de 1 de janeiro.

n = 1 (1 de janeiro), n = 2 (2 de janeiro), n = 365 (31 de dezembro)

Observando a figura 2.3, o ângulo (δ) apresenta valores positivos ao


norte e valores negativos ao sul do Equador e varia a cada dia do ano, che-
gando no valor máximo de +23,45° e mínimo de –23,45° (PINHO; GALDINO,
2014; MACAGNAN, 2010; DUFFIE; BECKMAN, 2020; PEREIRA, 2017).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 48

Figura 2.3 – Valores dos ângulos de declinação.


Fonte: Pereira et al. (2017).

A constante solar

A radiação emitida pelo Sol resulta em uma intensidade quase


fixa de radiação solar fora da atmosfera da Terra. A constante solar GSC é
a energia do Sol por unidade de tempo recebida em uma área unitária
do espaço livre, perpendicular à direção de propagação da radiação na
distância média Terra – Sol fora da atmosfera (DUFFIE; BECKMAN, 2020).
Antes do surgimento de foguetes e naves espaciais, a constante
solar era estimada no solo, a partir de medições, após a radiação solar
entrar na atmosfera, com uma parte absorvida e outra parte espalhada
por componentes da atmosfera. As primeiras extrapolações das medidas
terrestres foram realizadas no topo das montanhas e foram baseadas em
estimativas de transições atmosféricas em vários locais do espectro solar
(DUFFIE; BECKMAN, 2020).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 49

Com o uso das aeronaves foram realizadas medições da radiação


direta, antes de entrar na atmosfera terrestre, e foram executadas com uma
variedade de instrumentos com nove programas experimentais e resultan-
do em um valor de GSC = 1353 Wm-2, com um erro de E = ± 1,5%. Esse valor
padrão foi aceito pela Nasa (1971). Frohlich (1977) reavaliou os dados em que
se baseou a determinar o valor em 1353 Wm-2 comparando os instrumentos
com radiômetros absolutos. Os dados dos satélites Nimbus e Marine tam-
bém foram incluídos nas análises e, a partir de 1978, Frohlich recomendava
usar como valor da constante solar de 1373Wm-2, com um erro de 1 a 2%.
O valor recomendado pela Organização Meteorológica Mundial foi obtido
do valor médio de oito medidas da constante solar, realizadas entre 1969
e 1980. Este valor é: GSC = 1367 Wm-2 ou GSC = 4921 kJm-2h-1 com um desvio
padrão de 1,7 Wm-2 (DUFFIE; BECKMAN, 2020; MACAGNAN, 2010).
A figura 2.4 apresenta um esquema da geometria das relações Sol
- Terra. A excentricidade da órbita da Terra é tal que a distância entre o Sol
e a Terra varia por 1,7%. A Terra possui uma distância média de 1,495 × 1011
m em relação ao Sol, o Sol subtende um ângulo de 32° em relação a Terra
(DUFFIE; BECKMAN, 2020).

Figura 2.4 – Relação entre Sol e Terra.


Fonte: Macagnan (2010).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 50

Ângulos da Geometria Solar

Existem relações geométricas entre os raios solares, que variam


de acordo com o movimento do Sol e a superfície da Terra. Essas relações
são descritas por meio de ângulos que estão apresentados na figura 2.5, e
definidos a seguir:

(a)

(b)

Figura 2.5 – (a) Apresentação dos ângulos θZ, α e γS, representando a posição do Sol em
relação ao plano horizontal; (b) Apresentação da orientação de uma superfície inclinada
em relação ao mesmo plano: ângulos β, γ, γS e θ.
Fonte: Pinho e Galdino (2014).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 51

• Ângulo Zenital (θZ): Ângulo entre a vertical e a linha ao Sol, isto


é, o ângulo de incidência da radiação bem sobre uma superfí-
cie horizontal.
• Altura ou Elevação Solar (α): Ângulo compreendido entre a
linha do Sol e a projeção do mesmo sobre o plano horizontal.

O Ângulo θZ e α são ângulos complementares, ou seja:

θZ + α = 90° (2.2)

• Ângulo Azimutal do Sol (γS): Também conhecido como azimute


solar, é o ângulo entre a projeção dos raios solares no plano
horizontal e a direção Norte-Sul (horizonte do observador). O
deslocamento angular é tomado a partir do Norte (0°) geográfico,
sendo positivo quando a projeção se encontrar à direita do Sul
(a Leste) e negativo quando se encontrar a esquerda (a Oeste).

- 180° ≤ γS ≤ 180° (2.3)

• Ângulo Azimutal da Superfície (γ): Ângulo entre a projeção da


normal à superfície no plano horizontal e a direção Norte-Sul.
Obedece as mesmas convenções do azimute solar.
• Inclinação da superfície de captação (β): Ângulo entre o plano
horizontal e o plano da superfície em questão (0° a 90°).
• Ângulo de incidência (θ): Ângulo formado entre a superfície
normal de captação e os raios do Sol.
• Hora Angular (ω): Este ângulo não está representado no quadro
1.1, mas também é de igual importância. É o deslocamento an-
gular Leste-Oeste do meridiano do Sol, a partir do meridiano
local, devido ao movimento de rotação da Terra. Conforme
apresentado na equação 4, cada hora solar (HS) corresponde a
um deslocamento de 15°. São adotados valores negativos para
o período da manhã, positivos no período da tarde, e zero ao
meio dia solar (momento em que o Sol cruza o meridiano local).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 52

ω = (HS – 12) · 15° (2.4)

Outro cálculo que pode ser realizado é do θZ em função dos ω, δ e


da latitude local (ɸ), utilizando a equação 5.

cos z  cos .cos.cos  sen .sen (2.5)

Outra informação importante que pode ser determinada é o número


teórico de horas de Sol durante um dia, em um determinado local e época
do ano. Para realizar esse cálculo, é necessário considerar θZ = 90°. Assim,
obtém-se o ângulo horário (ωS), que é igual à hora angular do por do Sol.
Considerando-se que o comprimento angular de um dia varia entre - ωS e
+ ωS, duplica-se o valor de ωS e assim, converte-se a hora angular (15° = 1h),
obtendo-se o número teórico de horas de Sol para o dia e local em questão.

O ângulo horário do pôr do sol pode ser obtido pela equação 2.6.

 sen .sen 
ωS = cos-1   � = cos (- tgɸ·tgδ) (2.6)
-1

 cos cos 

Após determinar o valor de ωS, o número teórico de horas de Sol é


calculado:

N=
2 . ω (2.7)
S
15

Outro ângulo que podemos calcular é o ângulo de incidência (θ)


entre os raios do Sol e uma superfície com orientação (γ) e inclinação (β),
usando a equação 2.8.

cosθ = cosβ.cosδ.cosω.cosɸ + cosβ.senδ.senɸ + senβ.senγ.cosδ.senω


+ senβ.cosγ.cosδ.cosω.senɸ - senβ.cosγ.senδ.cosɸ (2.8)
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 53

Na instalação de sistemas solares, um dos requisitos mais impor-


tantes é o conhecimento do recurso solar no local onde os sistemas serão
instalados. Uma das componentes (direta) da irradiância (Gd) que incide
normalmente em um plano horizontal (Gdh) ou em uma superfície inclinada
(Gdβ), pode ser calculada por meio dos ângulos θZ e θ, desde que se tenha o
conhecimento da componente direta da irradiância incidente sobre a super-
fície, conforme a equação 2.9 (KALOGIROU, 2014; PINHO; GALDINO, 2014).

Gd , Gd ·cos cos
(2.9)
Gd ,h Gd ·cos z cos z

A figura 2.6 apresenta a irradiância incidente (direta) em uma su-


perfície horizontal (a) e uma superfície inclinada (b).

(a) (b)
Figura 2.6 – (a) Componente direta incidente sobre um plano horizontal; (b) Componente
direta incidente sobre um plano inclinado.
Fonte: Pinho e Galdino (2014).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 54

Hora solar

Os cálculos em energia solar são baseados na hora solar (HS), que


é definida pelo ângulo horário (ω), já apresentado anteriormente. A primeira
etapa para converter a hora oficial (HO) (relógio) em hora solar é considerar
a diferença de longitude entre o meridiano do observador e o meridiano
padrão no qual a hora oficial está baseada (PINHO; GALDINO, 2014; MA-
CAGNAN, 2010). Em uma segunda etapa, dada pela equação do tempo (E),
que é uma correção relacionada a dois fatores principais, a inclinação do
eixo da Terra com relação ao plano da sua órbita (eclíptica) e a excentrici-
dade da órbita da Terra (ε). A equação 2.10 demonstra a diferença entre HS
e HO (em minutos).

HS - HO = 4(Lst - Lloc) + E (2.10)

em que, Lst e Lloc representam a longitude padrão do fuso e a


longitude local, respectivamente. O fator 4 é utilizado para converter os
valores de longitude (em graus) para tempo (em minutos). O parâmetro
E é o valor resultante da Equação do Tempo (equação 2.11) em função
do ângulo diário, que apresenta a correção da variação da terra viajar em
velocidades maiores ou menores em relação ao Sol, sendo fornecido em
minutos. O gráfico 2.1 mostra a variação da Equação do Tempo ao longo do
ano (PINHO; GALDINO, 2014; DUFFIE; BECKMAN, 2020; MACAGNAN, 2010).

E = (0,000075 + 0,001868cosΩ – 0,032077senΩ – 0,014615cos2Ω –


0,04089sen2Ω) ·(229,18) (2.11)

em que,

Ω = 2π(n – 1)/365 (2.12)

sendo n o dia Juliano.


MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 55

Gráfico 2.1 – Equação do Tempo ao longo do ano.


Fonte: Pinho e Galdino (2014) e Macagnan (2010).

Observa-se que o maior valor positivo de E é em torno de 16 mi-


nutos, entre outubro e novembro, e o maior valor negativo é 14 minutos
em fevereiro. Mesmo que as diferenças devidas à Equação do Tempo
sejam relativamente pequenas, as diferenças entre hora oficial e hora
solar podem ser bastante significativas dependendo da diferença entre os
meridianos local e padrão.

Radiação solar na superfície terrestre

Como já vimos, antes da radiação solar penetrar na atmosfera


terrestre a constante solar possui um valor de GSC = 1367 Wm-2. Análises
realizadas periodicamente a partir do espaço permitiram resultados mais
qualitativos dos fluxos de energia sobre a Terra. A figura 2.7 apresenta de
forma simplificada os principais processos radioativos que acontecem
na atmosfera terrestre. Existem processos físicos de espalhamento da
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 56

radiação solar que são produzidos por moléculas de gases atmosféricos


e partículas em suspensão. Os processos físicos de absorção ocorrem
com moléculas de ozônio (O3), vapor de água, oxigênio (O2) e dióxido de
carbono (CO2) (PEREIRA et al., 2017; DUFFIE; BECKMAN, 2020).

Figura 2.7 – Processos de interação da radiação solar com os principais constituintes


atmosféricos.
Fonte: Pereira et al. (2017).

Na maioria das vezes, esses processos físicos atenuam a irradiância


solar, fazendo com que a irradiância que chega na superfície da Terra atinja
seu valor máximo de aproximadamente 1000 W/m2 no meio dia solar (mo-
mento do dia em que o Sol está em uma posição mais elevada, e a radiação
solar percorre uma espessura menor da atmosfera) em condições de céu
claro. Valores de até 1400 W/m2 por períodos curtos de tempo podem ser
observados em condições de nebulosidade parcial como consequência
do espalhamento por bordas de nuvens, ou por efeito lente causado pela
geometria Sol/Nuvens/Terra. Durante um determinado período em um
dia, a diferença de irradiação não é causada apenas pelo movimento das
nuvens, mas também pelo efeito lente, podendo elevar drasticamente o
valor da irradiância (DGS, 2008; CHIGUERU, 2017).
Em território brasileiro já foram registrados, em algumas pesqui-
sas, valores de irradiância global horizontal de até 1822 W/m2 (ZOMER;
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 57

RÜTHER, 2017). Almeida et al. (2014) presenciaram, na cidade de São Paulo,


irradiâncias de até 1590 W/m².
Esses processos de absorção e espalhamentos alteram o espectro
eletromagnético da radiação solar ao longo de seu percurso pela atmos-
fera terrestre (HAAG; KRENZINGER, 2010). Podemos observar no gráfico 2.2
as perdas do fluxo de potência entre o espectro da irradiância incidente no
topo da atmosfera.

Gráfico 2.2 – Espectro eletromagnético da irradiância no topo da atmosfera, da irradiância


ao incidir perpendicularmente sobre uma superfície inclinada (37°) ao nível do mar e voltada
para a linha do Equador; da irradiância após atravessar uma massa de ar de 1,5.
Fonte: NREL (2018).

O percentual de perda do fluxo de potência entre o espectro da


irradiância incidente no topo da atmosfera e o espectro da irradiância
global que alcança uma superfície inclinada é de aproximadamente
27%, resultando em aproximadamente 1000 W/m2 incidente sobre essa
superfície. Este nível de irradiância é considerado como valor padrão para
a especificação da potência nominal de uma célula ou de um módulo
fotovoltaico (PINHO; GALDINO, 2014).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 58

A partir desse espalhamento que a irradiância sofre ao entrar na


atmosfera, ela se divide em três componentes: direta, difusa e albedo,
apresentado na figura 2.8. A componente direta é aquela que provêm
diretamente da direção do Sol e produz sombras nítidas. A difusa é aquela
proveniente de todas as direções e que atinge a superfície após ter pas-
sado por espalhamentos ao entrar na atmosfera terrestre. Em um dia de
céu totalmente claro, 20% da radiação que atinge a superfície se refere a
componente difusa. Em um dia totalmente nublado, 100% da radiação é
difusa. Se a superfície estiver inclinada em relação ao solo, uma terceira
componente é notada, que é a componente refletida pelo entorno da su-
perfície (vegetação, solo, obstáculos etc.). O coeficiente de reflexão destas
superfícies é denominado de Albedo (PINHO; GALDINO, 2014).

Figura 2.8 – Componentes da radiação solar.


Fonte: Rosso (2019).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 59

Distribuição da irradiação solar média diária no Brasil

Para que se torne viável financeiramente um projeto fotovoltaico,


a radiação exigida é de no mínimo 3 a 4 kWh/(m2.dia). Com o valor da
irradiação solar incidente em um plano orientado na direção do Equador e
com uma inclinação próxima à latitude local, é possível calcular a energia
elétrica que pode ser convertida por um sistema fotovoltaico fixo instalado.
A figura 2.9 apresenta o mapa mostrando a irradiação média anual no Bra-
sil em um plano horizontal. Pode-se perceber que o potencial disponível
no Brasil é atraente e viável para a instalação de sistemas fotovoltaicos
(PINHO; GALDINO, 2014; PEREIRA et al., 2017).

Figura 2.9 – Mapa brasileiro do total diário da irradiação solar global horizontal em média anual.
Fonte: Pereira et al. (2017).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 60

Observando a figura 2.9, percebe-se que os valores mais baixos


de irradiâncias médias ocorrem no estado de Santa Catarina, próximo a
cidade de Joinville. Nas regiões próximas a Joinville a irradiância atinge
médias diárias de 3,5 – 3,7 kWh/m².dia. A figura 2.10 apresenta o mapa
mostrando a irradiação direta normal média anual no Brasil em um plano
horizontal. A figura 2.11 apresenta o mapa mostrando a irradiação média
anual no Brasil em um plano inclinado com a latitude do local.

Figura 2.10 – Mapa brasileiro do total diário da irradiação direta normal horizontal em
média anual.
Fonte: Pereira et al. (2017).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 61

Figura 2.11 – Mapa brasileiro do total diário da irradiação direta normal horizontal em
média anual.
Fonte: Pereira et al. (2017).

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MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 62

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MACAGNAN, M. H. Introdução a Radiação Solar. 2010. Tese (Pós-Graduação em Engenharia Mecânica) –


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MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 63

CAPÍTULO 3
Medição da radiação solar

Instrumentos de medição da radiação solar

A medição da radiação solar é muito importante para o desen-


volvimento de projetos que visam a captação e a conversão da energia
solar em outros tipos de energia. Com o conhecimento dessas medidas,
pode-se viabilizar a instalação de sistemas fotovoltaicos em uma determi-
nada região, garantindo o máximo aproveitamento do recurso ao longo de
todo o ano, em que as variações da intensidade da radiação solar sofrem
significativas alterações. Desta forma, a informação sobre o recurso solar
é a variável de maior importância no desenvolvimento de um projeto de
sistema de aproveitamento da energia solar, sendo necessária a obtenção
de dados de medição para:

• Identificação e seleção da localização mais adequada para


instalação do sistema fotovoltaico.
• Dimensionamento do gerador fotovoltaico.
• Cálculo da produção de energia anual, mensal ou diária.
• Estabelecimento de estratégias operacionais e dimensiona-
mento do sistema de armazenamento (para sistemas isolados).

Com a medição dos dados solares se obtêm experimentalmente o


valor instantâneo do fluxo energético solar (irradiância, W/m2) ou o integra-
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 64

do ao longo do tempo (irradiação Wh/m2) (Pinho; Galdino, 2014). Existem


dois instrumentos mais utilizados para a medição da irradiação solar: o
pireliômetro e o piranômetro. O pireliômetro é usado para medições da
irradiação direta e o piranômetro para irradiação global (direta + difusa).

Pireliômetros

Os pireliômetros são instrumentos utilizados para medir a irradiân-


cia direta com uma incidência normal à superfície. A componente difusa
da radiação solar é bloqueada se instalando o sensor termoelétrico dentro
de um tubo de colimação, com parede escura e apontado diretamente
ao Sol, como pode ser apresentado na figura 3.1 (PINHO; GALDINO, 2014:
MACAGNAN, 2010).

Figura 3.1 – Desenho esquemático de um pireliômetro.


Fonte: Adaptado pelo autor a partir de Pinho e Galdino (2014).

O sistema de medição da irradiância direta com o uso do pireliô-


metro pode ser realizado com o rastreamento solar de 1 ou 2 eixos. Este
aparelho consiste de um sensor localizado em uma extremidade de um
tubo telescópico e o lado oposto consiste com uma abertura, como pode
ser observado na figura 3.2 (PINHO; GALDINO, 2014; MACAGNAN, 2010).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 65

Figura 3.2 – Sistema de um pireliômetro.


Fonte: Macagnan (2010).

Os pireliômetros são instrumentos utilizados para medição em sis-


temas de concentradores solar, nos quais somente a componente direta
da radiação é utilizada para conversão da energia solar.

Piranômetros

Existem dois tipos principais de piranômetros: piranômetro ter-


moelétrico e piranômetro fotovoltaico. Ao contrário do pireliômetro, nos
piranômetros os sensores são elementos planos (PINHO; GALDINO,2014;
MACAGNAN, 2010).
Os piranômetros mais utilizados são os termoelétricos que consis-
tem em um receptor pintado de preto conectado à junção quente de uma
termopilha, que por sua vez está montada em um casco isolado. O sensor
de termopilha é construído com múltiplos termopares em série, com a
junção quente enegrecida faceando o Sol e a junção fria na parte inferior. O
sensor está acoplado com um ou dois hemisférios de cristal em sua volta.
A principal finalidade dos hemisférios de cristal é evitar efeitos transientes
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 66

causados por resfriamentos convectivos do sensor e excluir radiação de


onda larga do céu e da terra. No caso quando se usa dois hemisférios, as
trocas de radiação no infravermelho acontecem entre o hemisfério externo
e (+ frio) e o interno (+ quente), minimizando dessa maneira a troca direta no
infravermelho entre o hemisfério externo e o sensor quente (MACAGNAN,
2010). A figura 3.3 representa um piranômetro com dois hemisférios.

Figura 3.3 – Piranômetro termoelétrico com dois hemisférios de cristal.


Fonte: Rosso (2019).

Os piranômetros do tipo fotovoltaico (figura 3.4) estão sendo cada


vez mais utilizados para a medição da irradiação solar e são compostos
por uma célula fotovoltaica de pequenas dimensões. A vantagem dos
piranômetros fotovoltaicos é o seu custo, que é mais baixo que um sensor
de termopilha. Outras vantagens são de a resposta espectral ser idêntica
há de um módulo fotovoltaico convencional de célula de c-Si, ambos
com uma faixa espectral entre 400 a 1100 nm (ZEQIANG et al., 2013). Outra
vantagem do sensor fotovoltaico é de possuir um tempo de resposta pra-
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 67

ticamente instantâneo e linear com a irradiância solar (PINHO; GALDINO,


2014). A desvantagem do piranômetro fotovoltaico é que suas medidas
possuem uma menor precisão, quando comparado com um piranômetro
termoelétrico (PINHO; GALDINO, 2014; MACAGNAN, 2010).

Figura 3.4 – Piranômetro fotovoltaico.


Fonte: Pinho e Galdino (2014).

A principal origem da menor precisão deste tipo de piranômetro é


a sua resposta espectral (gráfico 3.1) que está limitada entre 400 a 1100 nm.
Os piranômetros fotovoltaicos que utilizam células de c-Si trazem incer-
tezas que podem chegar a 5% em relação ao piranômetro termoelétrico
que responde até 2500 nm. Uma vantagem do sensor fotovoltaico é que
a célula de c-Si possui o tempo de resposta praticamente instantâneo e
linear com a irradiância (PINHO; GALDINO, 2014).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 68

Gráfico 3.1 – Comparação entre as curvas de respostas do piranômetro de fotodiodo de


silício (linha contínua verde) e do piranômetro de termopilha (linha contínua vermelha).
Fonte: Pereira et al. (2017).

Outros dispositivos que podem ser utilizados para a medição da


radiação solar são as células e módulos de referência.

Células e módulos de referência

Em plantas fotovoltaicas de grande porte a dispersão espacial das


condições operacionais da planta podem afetar a representatividade dos
valores medidos de um único ponto e, portanto, os resultados do desem-
penho. Essas variações dos valores de irradiação provavelmente não são
apenas causadas pelo movimento das nuvens, mas também por outros
fenômenos da nuvem, por exemplo, o sombreamento de apenas uma
zona limitada dentro do campo fotovoltaico (GARCÍA et al., 2015).
Os simuladores solares apresentam não idealidade. Quando for usa-
da uma célula de referência calibrada com precisão semelhante às células
de um módulo fotovoltaico de teste, os erros devido a não idealidade serão
largamente cancelados. Esta é a base sobre a qual a maioria das medições
de células de rotina é realizada. A alternativa, na ausência de uma célula de
referência correspondente, é corrigir as não idealidades. Esta é a abordagem
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 69

adotada pelos laboratórios de padrões. Os erros de incompatibilidade es-


pectral são os mais difíceis de eliminar, eles são corrigidos pela técnica de
correção de incompatibilidade espectral. Assim, é requerida uma medição
precisa da irradiância espectral da fonte de luz, e as respostas espectrais das
células do módulo de teste e de referência (KEOGH; BLAKERS, 2004).
Um requisito para caracterização de uma matriz energética fotovoltai-
ca são as medições de condição de operação da irradiância no plano e tem-
peratura. Procurando por uma repetitividade espectral, respostas angulares
e térmicas, os respectivos sensores devem se comportar como os módulos
da matriz fotovoltaica, sendo melhor realizado usando módulos de referência.
Esses dispositivos geralmente não estão comercialmente disponíveis, de
modo que eles devem ser especificamente preparados sendo estabilizados e
calibrados. Os requisitos de calibração são dados nos padrões internacionais
IEC-61215 (2005) e IEC-61646 (2008), (MARTÍNEZ-MORENO et al., 2012).
Uma vantagem de usar um módulo fotovoltaico de referência em
usinas fotovoltaicas é que a leitura da irradiância realizada a partir desse
módulo é a irradiância real que chega para os outros módulos fotovoltaicos
da usina.
Martínez-Moreno et al. (2012) utilizaram um módulo de referência
como sensor exclusivo de radiação solar e temperatura da célula. Adicio-
naram uma caixa de conexão ao módulo que inclui uma resistência de
derivação e sua fiação, conhecido como resistor shunt.
A corrente elétrica formada por meio da irradiância incidida no
módulo atravessa o resistor shunt. No resistor shunt haverá uma queda de
tensão e com esse valor se pode estimar a corrente correspondente da
irradiância no momento da medição. O resistor shunt deve estar calibrado e
com a constante de calibração conhecida.
Rosso (2019) desenvolveu seis protótipos de células de referência
(figuras 3.5 e 3.6) e três protótipos de módulos de referência (figura 3.7) para a
medição da radiação solar. As células de referência eram constituídas por um
resistor shunt (figura 3.8). A partir da constante de calibração do resistor shunt
e da calibração da célula pelo simulador solar, foi possível medir a irradiância
solar por meio da queda de tensão no resistor shunt, devido a passagem de
corrente gerada pela irradiância incidida na célula fotovoltaica.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 70

(a) (b) (c)


Figura 3.5 – Protótipos de módulos de referência, PROT 1 (a), PROT 2 (b) e PROT 3 (c).
Fonte: Rosso (2019).

(a) (b) (c)


Figura 3.6 – Protótipos de células de referência, m-Si, PROT 4 (a), PROT 5 (b) e PROT 6 (c).
Fonte: Rosso (2019).

(a) (b) (c)


Figura 3.7 – Protótipos de células de referência, mc-Si, PROT 7 (a), PROT 8 (b) e PROT 9 (c).
Fonte: Rosso (2019).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 71

Figura 3.8 – Resistor shunt anexado na célula de referência.


Fonte: Rosso (2019).

Calibração das células e módulos de referência

A calibração de piranômetros, células ou módulos de referência


para medição de radiação solar pode ser realizada em ambiente indoor ou
em ambiente outdoor. Os procedimentos e métodos de calibração podem
ser realizados mediante medições em simulador solar ou sob iluminação
natural. Como a correção de correspondência depende tanto do espectro
de calibração quanto da resposta espectral da célula, não há um único
método de calibração com a melhor incerteza para todas as tecnologias
de células solares (BÜCHER, 1997). A calibração desses dispositivos con-
siste em determinar o seu Fator de Calibração e sua dependência com
relação às condições ambientais (GUIMARÃES, 2009).
Existem duas possibilidades de sistemas para calibração de
piranômetros, que são a partir dos métodos outdoor e indoor. No méto-
do outdoor, o Sol é a fonte de radiação e os instrumentos de referência
podem ser: um pirheliômetro e um piranômetro sombreado, um pirheliô-
metro e o próprio piranômetro sob calibração sombreado, ou apenas um
piranômetro, desde que todos ou cada um deles tenha rastreabilidade à
Referência Radiométrica Mundial. O pirheliômetro mede radiação direta e
o piranômetro, quando sombreado, mede a radiação difusa. A soma das
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 72

duas componentes resulta na radiação global de interesse. As normas ISO


9846:1993, ISO 9847:1992 e ASTM E82410 descrevem cada uma destas
metodologias em detalhes (GUIMARÃES et al., 2013).
No método indoor, a calibração é realizada no laboratório utilizando
uma fonte artificial de radiação (bancada óptica, esfera integradora, lâmpada
etc.) e, como instrumento de referência, pirheliômetros e/ou piranômetros.
Alguns tipos de sistema são descritos sucintamente na norma ISO 9847:1992,
embora este método seja descrito em normas, utilizados em indústrias de
sensores de radiação e com dispositivos disponíveis no mercado para esta
finalidade, ela é pouco utilizada devido principalmente às dificuldades téc-
nicas de realizar tal calibração e pela falta de confiança de seus usuários nos
sistemas atualmente disponíveis (GUIMARÃES et al., 2013).
Os sistemas de calibração utilizando o método outdoor são mais
utilizados tendo em vista o baixo custo e a facilidade de realizá-lo. Este
método é utilizado no Brasil pelo Laboratório de Instrumentação Mete-
orológica/Centro de Previsão de tempo e estudos climáticos/Instituto
Nacional de Pesquisas Espaciais.
Rosso, 2019 calibrou em ambiente indoor protótipos de células e
módulos de referência com um simulador solar Pasan SunSim 3c. Rosso,
2019 também calibrou em ambiente outdoor os protótipos de células de
referência utilizando outra célula de referência padrão, SOZ-03 (calibrada)
e um piranômetro termoelétrico, EPPLEY (calibrado).

Caracterização indoor das células e módulos de referência

O módulo fotovoltaico é submetido às condições padrões de en-


saio, uma fonte de tensão variável realiza uma varredura entre uma tensão
negativa em relação aos terminais do módulo, até ultrapassar a tensão de
circuito aberto do módulo com a corrente ficando negativa. Durante esta
varredura são registrados pares de dados de tensão e corrente, permitindo
o traçado de uma curva característica (PINHO; GALDINO, 2014). O gráfico
3.2 representa a curva característica I-V para um módulo fotovoltaico de 36
células em série, bem como a curva de potência versus tensão para este
mesmo módulo.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 73

Gráfico 3.2 – Curva característica I-V e curva de potência P-V de um módulo m-Si (36
células) com 130 W de potência e 12 V de tensão nominal.
Fonte: Bühler (2011).

Ao avaliar o desempenho de um módulo ou de um sistema foto-


voltaico é extremamente importante que as medições sejam efetuadas
em condições operacionais do módulo ou do sistema fotovoltaico (PINHO;
GALDINO, 2014; GARCIA, 2015).
O desempenho de células e módulos fotovoltaicos normalmente
é associado às condições de teste padrão (Standart Test Conditions – STC),
ou seja, nível de irradiância de 1000 W/m² ou também conhecido como 1
Sol, distribuição espectral correspondente a AM1,5 e temperatura de cé-
lula de 25 °C. Estas condições de irradiância representam as condições de
operação de um dia de céu claro, entretanto, a temperatura em operação
frequentemente resulta em temperaturas próximas a 50 °C. A diferença
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 74

entre essas temperaturas proporciona também uma diferença entre a


potência entregue pelo módulo fotovoltaico e a potência nominal, devido
à queda de tensão (MACÊDO, 2006).
A caracterização de módulos fotovoltaicos em simuladores solares
(indoor) vem se tornando mais comum do que a caracterização outdoor.
Uma vantagem do uso de simuladores solares é que o equipamento é
independente do clima e do tempo meteorológico, podendo realizar si-
mulações a qualquer momento do dia. Para as empresas produtoras de
módulos fotovoltaicos os simuladores solares são muito importantes para
a certificação do produto (CARRILO et al., 2017).
No simulador solar o sistema de medição é composto por uma car-
ga eletrônica e um conjunto de conversores analógico/digital que realizam
a aquisição de variáveis. Os conversores recebem os sinais analógicos dos
canais de entrada e transferem para o computador os respectivos valores
digitais desses canais. Quando o flash é disparado, a carga eletrônica faz a
varredura de tensão e o sistema de aquisição mede simultaneamente os
valores de corrente, tensão, irradiância e temperatura, podendo determi-
nar a curva I-V de módulos fotovoltaicos e seu ponto de máxima potência
(MOCELIN, 2014).
As medições dos resultados de ensaios realizados no simulador so-
lar são controladas por um microcomputador conectado à carga eletrônica.
Por meio do software de operação do simulador é possível transferir a curva
característica medida para as condições padrão de teste (MOCELIN, 2014).
O túnel do simulador é composto de paredes escuras de material
com baixa refletância nos comprimentos de onda de interesse. Nesta câ-
mara fica o suporte para o encaixe dos módulos, onde se encontra a célula
de referência e o módulo sob teste, a uma distância específica da lâmpada
de xenônio geradora do flash (figura 3.9).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 75

Figura 3.9 – Vista interna do simulador com a célula e módulo de referência na


caracterização elétrica indoor.
Fonte: Rosso (2019).

Na Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, Rosso,


2019, realizou os ensaios de caracterização elétrica dos protótipos de
referência no simulador solar (indoor), tendo como intuito a análise das ca-
racterísticas elétricas destes protótipos. A curva característica I-V foi obtida
para cada protótipo. O principal parâmetro elétrico avaliado dos protótipos
foram a ISC e o FF, devido o valor de irradiância ter uma correlação com
a ISC. Para certificar que os protótipos foram construídos com uma boa
qualidade e sem defeitos, foram avaliados os FF.
Para os protótipos de módulos de referência foram obtidas curvas
I-V em diferentes irradiâncias, a fim de observar o comportamento de FF
com a variação da irradiância. O gráfico 3.3 apresenta as curvas I-V em
diferentes irradiâncias para os três módulos de referência.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 76

Gráfico 3.3 – Curvas I-V em diferentes irradiâncias para os PROT 1, PROT 2 e PROT 3.
Fonte: Rosso (2019).

Observando os gráficos 3.4 e 3.5, nota-se o comportamento do FF


dos protótipos desenvolvidos em função da irradiância. A redução do fator
de forma com o aumento da irradiância é causada devido à resistência
série dos protótipos desenvolvidos. Um fator importante a ser observado
é que o FF dos módulos de referência se mantiveram acima de 70% em
todas as irradiâncias medidas, confirmando que os protótipos foram cons-
truídos com uma boa qualidade.

Gráfico 3.4 – Variação de FF com o aumento da irradiância dos módulos de referência.


Fonte: Rosso (2019).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 77

Outros parâmetros elétricos foram analisados em relação ao au-


mento da irradiância. O gráfico 3.5 mostra a linearidade da ISC em relação
ao aumento da irradiância para os módulos de referência. A partir dessa
correlação linear da ISC com a irradiância, consegue-se determinar a irradi-
ância no momento que está medindo a ISC em um dia ensolarado. Nos dias
parcialmente nublados a variação da irradiância acontece em um curto
intervalo de tempo e o valor da ISC irá variar na mesma proporção. As ISC
para os protótipos de módulos de referência foram de aproximadamente
7,9 A na condição padrão de 1000 W/m², T = 25 °C e AM = 1,5.

Gráfico 3.5 – Variação da ISC com o aumento da irradiância dos módulos de referência.
Fonte: Rosso (2019).

As curvas características I-V dos protótipos foram obtidas por meio


de um simulador solar (indoor) em condição padrão, com irradiância de
1000 W/m², temperatura de célula de 25 °C e AM 1,5. Os testes foram re-
alizados no Laboratório de Energia Solar (Labsol) da Universidade Federal
do Rio Grande do Sul (UFRGS). As curvas I-V em condição padrão dos
protótipos são apresentadas nos gráficos 3.6, 3.7 e 3.8.
Observando o gráfico 3.6, percebe-se que as curvas IV dos
módulos de referência são coincidentes. Essa proximidade das curvas
demonstra uma repetibilidade no processo construtivo dos três módulos
de referência. O valor da VOC dos módulos está próximo de 2,5 V devido
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 78

cada célula fotovoltaica possuir uma tensão de aproximadamente 0,6 V. A


ISC gerada em cada célula na condição padrão é de aproximadamente 7,8
A. Outro fator importante para analisar na curva I-V é o FF, parâmetro que
está acima dos 70%.

Gráfico 3.6 – Curvas I-V dos módulos de referência, G = 1000 W/m2, Tcélula = 25 °C e AM1,5.
Fonte: Rosso (2019).

As curvas I-V para os protótipos de células de referência (gráficos


3.7 e 3.8) não apresentam uma forma tão retangular quando comparado
com os protótipos de módulos de referência. O FF para as células de refe-
rência são menores que para os módulos de referência e estão na ordem
de 68%. As VOC para as células foram aproximadamente 0,62 V com as duas
tecnologias de c-Si.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 79

Gráfico 3.7 – Curvas I-V das células de referência de m-Si, G = 1000 W/m2, Tcélula = 25 °C e
AM1,5.
Fonte: Rosso (2019).

A ISC gerada pelas células de mc-Si é menor que a corrente gerada


pelas células de m- Si devido a tecnologia das células e essa diferença é
notável na curva I-V. A ISC nas células de m-Si é aproximadamente de 7,8 A
enquanto a ISC para as células de mc-Si é aproximadamente de 7,5 A.

Gráfico 3.8 – Curvas I-V das células de referência de mc-Si, G = 1000 W/m2, Tcélula = 25 °C e
AM1,5.
Fonte: Rosso (2019).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 80

Caracterização outdoor das células de referência

A caracterização outdoor dos protótipos de células de referência


foram divididas em calibração por meio de uma célula de referência pa-
drão (calibrada) e calibração por meio de um piranômetro termoelétrico.

Caracterização utilizando a célula de referência padrão (calibrada)

As medidas de tensão dos PROT 4, PROT 6, PROT 7, PROT 8 e PROT


9 foram realizadas no mesmo dia. Os valores de tensão para o PROT 5
foram coletados em um dia diferente dos outros protótipos.
A curva de calibração e a constante de calibração para o PROT 4
em relação a célula de referência calibrada, está apresentada no gráfico
3.9. Analisando o gráfico 3.9, observa-se que a equação da reta para o
PROT 4 é de VPROT 4 = 0,0289.G CEL REF, ou seja 28,9 mV/1000 (W/m²).

Gráfico 3.9 – Curva de calibração outdoor do PROT 4 com a célula de referência padrão.
Fonte: Rosso (2019).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 81

Caracterização utilizando o piranômetro termoelétrico

A curva de calibração e a constante de calibração para o PROT 4 em


relação ao piranômetro termoelétrico calibrado, está apresentada no gráfico
3.10. Analisando o gráfico 3.10, observa-se que a equação da reta para o
PROT 4 é de VPROT 4 = 0,0302.G PIRANÔMETRO, ou seja 30,2 mV/1000 (W/m²).

Gráfico 3.10 – Curva de calibração outdoor do PROT 4 com o piranômetro termoelétrico.


Fonte: Rosso (2019).

Calibração do resistor shunt da célula de referência

Na calibração dos resistores shunts, as células de referência junto


aos resistores foram conectadas em série uma com a outra. A primeira
célula é conectada com o resistor shunt padrão que é ligado na fonte de
corrente e no multímetro. Na última célula o resistor shunt é ligado na fonte
de corrente. A escolha dos valores de tensão aplicada foi decorrente aos
valores de corrente desejável que variaram de 1,008 a 10,021 A, com passo
de 1 A. Nos dias ensolarados a corrente elétrica na célula fotovoltaica difi-
cilmente atingi um valor de 10 A. Para cada passo foi medido a queda de
tensão nos resistores shunts de cada protótipo.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 82

Como a resistência do resistor shunt padrão é conhecida de R =


0,01 Ω, foi determinada a corrente elétrica em todos os protótipos para
cada passo aplicado. A tensão (mV) nos resistores shunts de cada protótipo
foi medida para cada valor de corrente aplicado. Com os valores de tensão
e corrente se determina o valor de resistência de cada resistor shunt. A
constante de calibração do shunt para o PROT 4 foi determinada a partir
do gráfico 3.11. A constante de calibração do resistor shunt foi determinada
para realizar as medições de irradiâncias utilizando o método de calibração
indoor, que foi realizado sem os resistores shunts.

Gráfico 3.11 – Curva de calibração do resistor shunt do PROT 4.


Fonte: Rosso (2019).

Validação das medidas de irradiância (GM) por meio


das células e módulos de referência

As medidas das irradiâncias GM com as células e módulos de


referência foram realizadas na Universidade Federal de Santa Catarina,
Campus Araranguá. As células e módulos permaneceram na posição
horizontal durante as medidas, devido a comparação com o piranômetro
fotovoltaico da estação meteorológica, da planta piloto bioclimática, que
também se encontra na posição horizontal. Para a medição da irradiância
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 83

a posição horizontal tem vantagem em relação as outras inclinações, bem


como de evitar uma interferência do componente albedo.
As medidas da GM foram coletadas em dias ensolarados, de céu
claro. O dia característico ensolarado é o dia de sol sem nenhuma nuvem.
A validação das medidas foi realizada a partir do método de calibração
indoor com as células e módulos de referência, e pelo método outdoor
com as células de referência.

Validação pelo método indoor

Os gráficos 3.12, 3.13, 3.14 e 3.15 apresentam uma correlação das


medidas de irradiância (Gm,i) dos protótipos calibrados pelo simulador solar
(indoor) em relação a GREF do piranômetro fotovoltaico da estação. Obser-
vando o gráfico 3.12, a relação da medida da Gm,i do PROT 1 está próxima
ao GREF. O valor de R² = 0,9956 está próximo de um, isso indica que a Gm,i do
PROT 1 está próxima com a GREF no momento da medição.

Gráfico 3.12 – Correlação da Gm,i do PROT 1 em relação ao GREF.


Fonte: Rosso (2019).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 84

Para o PROT 2 foram observadas grandes oscilações nas medidas


da ISC. A ISC do PROT 2 nos dias de medições atingia valores próximos de
5 A e se estagnava nessa faixa de corrente. Observando o gráfico 3.13,
percebe-se uma alta dispersão das Gm,i do PROT 2 em relação a GREF.

Gráfico 3.13 – Correlação da Gm,i do PROT 2 em relação ao GREF,


Fonte: Rosso (2019).

Devido a dispersão nas medidas do PROT 2 em relação a GREF,


atingindo valor de R²  =  0,5392 se obteve um aumento de incertezas nas
medidas. Foi realizado uma nova curva IV no simulador solar com o PROT
2 e a curva se mostrou alterada. Não foi dada continuidade nas medidas
de irradiância com o PROT 2.
Analisando o gráfico 3.14, observa-se que as medidas do PROT 3
estão próximas em relação ao GREF. O valor de R² = 0,9969.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 85

Gráfico 3.14 – Correlação da Gm,i do PROT 3 em relação ao GREF.


Fonte: Rosso (2019).

Para as células de referência os valores de R² também perma-


neceram próximos de um com os protótipos calibrados pelo simulador
solar (indoor). O gráfico 3.15 mostra a correlação das Gm,i das células de
referência em relação ao GREF.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 86

Gráfico 3.15 – Correlação das Gm,i com a GREF para as células de referência.
Fonte: Rosso (2019).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 87

Os desvios quadráticos das medidas de Gm,i das células em relação


ao GREF para uma faixa de irradiância de 200 até 1200 W/m² estão apresen-
tados no gráfico 3.16.
O PROT 6 apresentou um menor desvio em relação a referência,
quando comparado com os outros protótipos, atingindo amplitudes
mínimas e máximas de 0,14 W/m² e 45,28  W/m². O PROT 9 apresentou
os maiores desvios chegando a amplitudes máximas de 70,41 W/m² e
mínimas de 0,22 W/m².

Gráfico 3.16 – Desvios quadráticos das Gm,i das células em relação ao GREF.
Fonte: Rosso (2019).

Analisando o gráfico 3.16, observa-se que os protótipos com célu-


las de m-Si apresentaram um menor desvio quando comparado com os
protótipos de mc-Si, como já esperado, devido a célula do piranômetro
fotovoltaico da estação meteorológica também ser de m-Si. A maioria dos
protótipos obtiveram desvios de aproximadamente 10 W/m² a 30 W/m².
Esses desvios quadráticos obtidos são relativamente pequenos e podem
ser desprezados em uma análise em campo.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 88

Validação pelo método outdoor

Nas células de referência também foram analisadas as correlações


da irradiância medida (Gm,o) com a GREF pelo método de calibração outdoor.
O gráfico 3.17 mostra a correlação das Gm,o das células de referência em re-
lação ao GREF com as células de referência calibradas por meio da célula de
referência padrão. O gráfico 3.17 apresenta um R² próximo de 1, mostrando
que as medidas da Gm,o das células estão próximos da GREF.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 89

Gráfico 3.17 – Correlação das Gm,o com a GREF para os protótipos de célula de referência.
Fonte: Rosso (2019).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 90

Os desvios quadráticos das medidas de Gm,o das células de referên-


cia em relação ao GREF para uma faixa de irradiância de 200 até 1200 W/m²
estão apresentados no gráfico 3.18. O PROT 5 foi a célula que apresentou
menor desvio absoluto da Gm,o em relação à GREF quando comparado com
as demais, alcançando amplitudes mínimas de 0,52 W/m² e máximas de
59,12 W/m². O PROT 6 apresentou um desvio maior que os demais com
amplitudes mínimas de 0,24 W/m² e máximas de 118,02 W/m².

Gráfico 3.18 – Desvios quadráticos das Gm,o das células em relação ao GREF.
Fonte: Rosso (2019).

O gráfico 3.19 mostra a correlação das Gm,o das células calibradas


pelo piranômetro termoelétrico com o GREF. Os R² dos gráficos são meno-
res quando comparados com os indicados anteriormente (gráfico 3.17). As
medidas de Gm,o com as células calibradas pela célula de referência se
aproximam mais das GREF, devido ao fato do piranômetro fotovoltaico da
estação também ser de célula fotovoltaica de m-Si.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 91

Gráfico 3.19 – Correlação das Gm,o com a GREF para os protótipos de célula.
Fonte: Rosso (2019).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 92

O gráfico 3.20 apresenta os desvios quadráticos dos protótipos


calibrados com o piranômetro termoelétrico em relação ao GREF. Os protó-
tipos de mc-Si apresentaram desvios menores quando comparado com
os de m-Si. O PROT 8 foi a célula que apresentou menor desvio absoluto
da Gm,o em relação à GREF quando comparado com as demais, alcançando
amplitudes mínimas de 0,18 W/m² e máximas de 49,23 W/m². O PROT 6
apresentou um desvio maior que os demais com amplitudes mínimas de
0,05 W/m² e máximas de 79,88 W/m².

Gráfico 3.20 – Desvios quadráticos das Gm,o das células em relação ao GREF.
Fonte: Rosso (2019).

Analisando os desvios quadráticos das medidas da irradiância


com as células de referência calibrada pelos três métodos de calibra-
ção, percebe-se que quando comparados os métodos de calibração os
desvios quadráticos são diferentes para cada protótipo. Para medições
em campo essas diferenças podem ser desprezadas e podendo assim,
utilizar os três métodos de calibração para a célula de referência apre-
sentados nesse trabalho.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 93

As medidas foram realizadas entre irradiâncias de 200 até 1200 W/


m² ao longo de duas estações do ano, outono e verão. Essa faixa de irra-
diância medida foi dividida em cinco grupos variando de 200 W/m² para
cada grupo. Analisando o percentual em cada faixa se verifica realmente o
quanto o desvio significa.
O gráfico 3.21 apresenta os desvios pontuais de cada medida de
irradiância ao longo dos dias que foram realizados as medições em uma
faixa de 200 até 400 W/m². Como as medidas foram realizadas em torno
das 10h até às 15h, foi possível alcançar medições nessa faixa de irradiância
na estação do outono.

Gráfico 3.21 – Desvios pontuais das medidas de cada célula calibradas pelo método
outdoor por meio da célula de referência comparado com a célula de referência da planta
piloto em irradiâncias entre 200 e 400 W/m².
Fonte: Rosso (2019).

Observando o gráfico 3.21, percebe-se uma variação grande entre


os desvios de um protótipo em relação ao outro. Os desvios das medidas
realizadas no verão são mais agrupados quando comparado com o ou-
tono (gráfico 3.22). Essa dispersão maior no outono é explicada pelo fato
do ângulo de incidência ser maior nesse período em comparação com o
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 94

verão, afetando em um espalhamento maior da irradiância ao penetrar no


vidro da célula ou do módulo de referência.
Esse fenômeno acontece devido aos desvios ópticos da irradiância
ao atravessar o vidro de maneira não perpendicular, e por meio das leis
dos cossenos a reflexão é maior. O piranômetro fotovoltaico da estação
utilizado para as medidas da GREF não possui vidro, minimizando o espalha-
mento que acontece através do vidro.
Observando o gráfico 3.22, percebe-se que no verão além dos
desvios estarem mais agrupados também estão mais próximos de zero.
Os desvios mais próximos de zero significam que a Gm,o no momento da
medição estava mais próxima da GREF. Na época do outono, os desvios
estão mais dispersos devido ao ângulo de incidência do Sol ser maior e
possuir um maior espalhamento da radiação através do vidro do protótipo
quando comparado com o verão.

Gráfico 3.22 – Desvios pontuais das medidas de cada célula calibradas pelo método
outdoor por meio da célula de referência comparado com a célula de referência da planta
piloto em irradiâncias entre 400 e 600 W/m².
Fonte: Rosso (2019).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 95

No outono, os raios do Sol penetram no módulo fotovoltaico com


um ângulo de incidência maior que no verão, sendo assim, os raios penetram
um caminho mais longo no vidro até que alcance a célula se dispersando e
refletindo com maior facilidade. Quando os raios solares incidem de manei-
ra mais perpendicular no módulo fotovoltaico, tem-se uma concentração
energética maior de irradiância introduzida na célula fotovoltaica.
Os gráficos 3.23 e 3.24 apresentam os desvios mais agrupados e
menores na estação do verão, quando comparado com a referência. Como
já comentado, no verão a irradiância se aproxima de maneira mais frontal
em relação ao dispositivo e diminuindo as perdas ópticas da irradiância
por reflexão.

Gráfico 3.23 – Desvios pontuais das medidas de cada célula calibradas pelo método
outdoor por meio da célula de referência comparado com a célula de referência da planta
piloto em irradiâncias entre 600 e 800 W/m².
Fonte: Rosso (2019).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 96

Gráfico 3.24 – Desvios pontuais das medidas de cada célula calibradas pelo método
outdoor por meio da célula de referência comparado com a célula de referência da planta
piloto em irradiâncias entre 800 e 1000 W/m².
Fonte: Rosso (2019).

Observando o gráfico 3.25, nota-se que as células de m-Si possuem


um número maior de desvios nessa faixa de irradiância quando comparado
com a mc-Si, com exceção do PROT 5 que as medidas foram praticamente
realizadas no outono. Esse maior número de desvios é devido as células
de m-Si produzirem uma maior corrente elétrica em relação a de mc-Si e
com isso possuírem uma quantidade maior de desvios nessas faixas de
irradiâncias altas.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 97

Gráfico 3.25 – Desvios pontuais das medidas de cada célula calibradas pelo método
outdoor por meio da célula de referência comparado com o piranômetro fotovoltaico da
planta piloto em irradiâncias entre 1000 e 1200 W/m².
Fonte: Rosso (2019).

Para análise, foi determinado o desvio médio quadrático para cada


protótipo de célula de referência nas diferentes faixas de irradiâncias. A ta-
bela 3.1 apresenta o desvio médio quadrático de cada protótipo de célula
de referência em relação a cada faixa de irradiância.

Tabela 3.1 – Desvios médio quadrático das células de referência em diferentes faixas de
irradiâncias com a calibração por meio da célula de referência.

Irradiância PROT 4 PROT 5 PROT 6 PROT 7 PROT 8 PROT 9


(W/m²) (W/m²) (W/m²) (W/m²) (W/m²) (W/m²) (W/m²)

200-400 6,1082 7.4095 14.0821 14.0621 7.4587 9.1241

400-600 15,6339 13,1721 18,5926 20,4984 18,9039 21,0151

600-800 17,8365 7,9623 18,5477 20,3498 15,1497 16,5291

800-1000 17,2584 16,0152 18,9954 21,8750 17,6101 20,5699

1000-1200 11,7943 6,0730 12,2609 15,5389 12,8151 12,7183

Fonte: Rosso (2019).


MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 98

A tabela 3.1 demonstra que em maiores irradiâncias o desvio médio


dos protótipos em relação a referência é menor. Se analisar o desvio médio
do PROT 4 de 6,1082 W/m² para irradiâncias de 200 até 400 W/m² é na
ordem de 3,054% para 200 W/m² e de 1,527% para 400 W/m². Analisando
para irradiâncias maiores como de 1000 até 1200 W/m² o desvio médio
quadrático de 11,7943 é de 1,1794% para 1000 W/m² e de 0,9828% para
1200 W/m².
Os desvios menores na faixa de irradiância de 1000 W/m² e 1200
W/m² são devidos a diminuição dos desvios ópticos da irradiância pene-
trando no vidro do protótipo.
A partir da tabela 3.1 foi realizado uma nova média para cada tec-
nologia de m-Si e mc-Si das células de referência, a fim de se observar
qual a tecnologia apresenta uma média de desvios menores comparados
com a GREF (tabela 3.2).

Tabela 3.2 – Médias do desvio médio quadrático de cada protótipo calibrado com a
célula de referência e comparando as tecnologias das células de referência nas cinco
faixas de irradiância.

Faixas de Irradiâncias , m-Si , mc-Si

200-400 (W/m²) 9,7075 10,2150

400-600 (W/m²) 15,7995 20,1392

600-800 (W/m²) 14,7822 17,3429

800-1000 (W/m²) 17,4230 20,0183

1000-1200 (W/m²) 10,0428 13,6908


Fonte: Rosso (2019).

Observando a tabela 3.2, as células de m-Si apresentaram em


média um desvio menor quando comparado com as células de mc-Si.
Analisando por esse ponto as células de m-Si apresentaram uma confia-
bilidade maior para a medição da irradiância quando calibradas com uma
célula de referência padrão que também possui uma célula de m-Si.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 99

Os gráficos 3.26, 3.27, 3.28. 3.29 e 3.30 apresentam os desvios


pontuais com as células de referência calibradas por meio do piranômetro
termoelétrico.

Gráfico 3.26 – Desvios pontuais das medidas de cada célula calibradas pelo método
outdoor por meio do piranômetro termoelétrico comparado com a célula de referência da
planta piloto em irradiâncias entre 200 e 400 W/m².
Fonte: Rosso (2019).

Gráfico 3.27 – Desvios pontuais das medidas de cada célula calibradas pelo método
outdoor por meio do piranômetro termoelétrico comparado com a célula de referência da
planta piloto em irradiâncias entre 400 e 600 W/m².
Fonte: Rosso (2019).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 100

Gráfico 3.28 – Desvios pontuais das medidas de cada célula calibradas pelo método
outdoor por meio do piranômetro termoelétrico comparado com a célula de referência da
planta piloto em irradiâncias entre 600 e 800 W/m².
Fonte: Rosso (2019).

Gráfico 3.29 – Desvios pontuais das medidas de cada célula calibradas pelo método
outdoor por meio do piranômetro termoelétrico comparado com a célula de referência da
planta piloto em irradiâncias entre 800 e 1000 W/m².
Fonte: Rosso (2019).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 101

Gráfico 3.30 – Desvios pontuais das medidas de cada célula calibradas pelo método
outdoor por meio do piranômetro termoelétrico comparado com a célula de referência da
planta piloto em irradiâncias entre 1000 e 1200 W/m².
Fonte: Rosso (2019).

Analisando o gráfico 3.26, percebe-se novamente uma variação


grande entre os desvios de um protótipo em relação ao outro. Para o
método de calibração outdoor por meio do piranômetro termoelétrico os
desvios das medidas realizadas no verão são menores quando comparado
com o outono.
A tabela 3.3 apresenta o desvio médio quadrático de cada protóti-
po de célula de referência em relação a cada faixa de irradiância. Pode-se
observar na tabela 3.3 que o PROT 8 é o protótipo que apresenta um desvio
médio menor na maioria dos intervalos de irradiâncias analisados. Somen-
te no intervalo de 800 até 1000 W/m² o PROT 8 obteve o desvio médio
maior comparado com alguns protótipos. O PROT 9 vem na sequência de
menores desvios comparados com os outros protótipos.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 102

Tabela 3.3 – Desvios médios quadrático das células de referência em diferentes


irradiâncias com a calibração por meio do piranômetro termoelétrico.

Irradiância PROT 4 PROT 6 PROT 7 PROT 8 PROT 9


(W/m²) (W/m²) (W/m²) (W/m²) (W/m²) (W/m²)

200-400 7,5745 8,7508 9,1418 4,2141 6,5388

400-600 19,5414 19,2386 19,5039 15,9738 18,4949

600-800 19,5607 18,4204 15,6247 10,8446 13,2509

800-1000 17,3364 14,2866 16,3364 17,4732 18,7000

1000-1200 12,7171 13,6912 10,0578 4,7554 5,3950


Fonte: Rosso (2019).

Analisando o desvio médio do PROT 4 de 7,5745 W/m² para irra-


diâncias de 200 até 400 W/m² é na ordem de 3,78% para 200 W/m² e de
1,89% para 400 W/m². Analisando para irradiâncias maiores como de 1000
até 1200 W/m² com o desvio médio quadrático de 12,7171 W/m² é de 1,27%
para 1000 W/m² e de 1,06% para 1200 W/m².
Novamente foi realizado uma nova média para cada tecnologia
de m-Si e mc-Si das células de referência calibradas pelo piranômetro
termoelétrico, a fim de se observar qual a tecnologia de células apresen-
ta uma média de desvios menores comparados com a GREF (tabela 3.4).
Conforme a tabela 3.4, as células de referências de mc-Si calibradas pelo
piranômetro termoelétrico obtiveram desvios menores.

Tabela 3.4 – Médias do desvio médio quadrático de cada tecnologia de células calibradas
com o piranômetro termoelétrico nos cinco intervalos de irradiâncias.

Faixas de Irradiâncias , m-Si , mc-Si

200-400 (W/m²) 8,1627 6,6316

400-600 (W/m²) 19,3901 17,9910

600-800 (W/m²) 18,9906 13,2401

800-1000 (W/m²) 15,8115 17,5033

1000-1200 (W/m²) 13,2042 6,7361


Fonte: Rosso (2019).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 103

Observando a tabela 3.4, as células de mc-Si apresentaram em


média um desvio menor quando comparado com as células de m-Si. So-
mente em intervalo de irradiância entre 800-1000 W/m² o mc-Si obteve
um desvio absoluto maior. Analisando por esse ponto as células de mc- Si
apresentaram uma confiabilidade maior para a medição da irradiância
quando calibradas com um piranômetro termoelétrico.
Em percentual, as faixas maiores de irradiância possuem desvios
menores quando comparado com as baixas irradiâncias. A partir da cali-
bração pelo piranômetro termoelétrico, as células de mc-Si apresentaram
uma confiabilidade maior para a medição da irradiância quando compara-
do com a de m-Si.
Os desvios pontuais com as células de referência calibradas a partir
do simulador solar nas cinco faixas de irradiâncias também foram analisa-
dos. Os gráficos 3.31, 3.32, 3.33, 3.34 e 3.35 apresentam os desvios pontuais
com as células de referência calibradas por meio do simulador solar.

Gráfico 3.31 – Desvios pontuais das medidas de cada célula calibradas pelo método indoor
por meio do simulador solar e comparado com a célula de referência da planta piloto em
irradiâncias entre 200 e 400 W/m².
Fonte: Rosso (2019).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 104

Gráfico 3.32 – Desvios pontuais das medidas de cada célula calibradas pelo método indoor
por meio do simulador solar e comparado com a célula de referência da planta piloto em
irradiâncias entre 400 e 600 W/m².
Fonte: Rosso (2019).

Gráfico 3.33 – Desvios pontuais das medidas de cada célula calibradas pelo método
indoor por meio do simulador solar e comparado com a célula de referência da planta
piloto em irradiâncias entre 600 e 800 W/m².
Fonte: Rosso (2019).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 105

Gráfico 3.34 – Desvios pontuais das medidas de cada célula calibradas pelo método
indoor por meio do simulador solar e comparado com a célula de referência da planta
piloto em irradiâncias entre 800 e 1000 W/m².
Fonte: Rosso (2019).

Gráfico 3.35 – Desvios pontuais das medidas de cada célula calibradas pelo método
indoor por meio do simulador solar e comparado com a célula de referência da planta
piloto em irradiâncias entre 1000 e 1200 W/m².
Fonte: Rosso (2019).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 106

As células de referências calibradas por meio do simulador solar


também apresentaram desvios pontuais menores em irradiâncias maiores.
No verão, além desses desvios serem menores quando comparado com o
outono, permaneceram mais agrupados quando comparado um protótipo
com o outro.
A tabela 3.5 apresenta o desvio médio quadrático de cada protóti-
po de célula de referência em relação a cada faixa de irradiância.

Tabela 3.5 – Desvios médio quadrático das células de referência em diferentes irradiâncias
com a calibração por meio do simulador solar.

Irradiância PROT 4 PROT 5 PROT 6 PROT 7 PROT 8 PROT 9


(W/m²) (W/m²) (W/m²) (W/m²) (W/m²) (W/m²) (W/m²)

200-400 10,1883 6,9158 7,0951 3,6465 4,8564 5,3002

400-600 13,2514 5,3226 7,6319 8,8956 6,6008 9,6382

600-800 14,7534 9,3858 8,9464 13,3384 13,6494 14,4815

800-1000 13,0319 15,0020 9,8047 14,0068 11,8178 15,5058

1000-1200 10,0563 5,3861 7,2585 11,2690 11,1382 10,9146


Fonte: Rosso (2019).

Analisando o desvio médio do PROT 4 de 10,1883 W/m² para irra-


diâncias de 200 até 400 W/m² é na ordem de 5,09% para 200 W/m² e de
2,54% para 400 W/m². Analisando para irradiâncias maiores como de 1000
até 1200 W/m² com o desvio quadrático de 10,0563 W/m² é de 1,01% para
1000 W/m² e de 0,84% para 1200 W/m².
Novamente foi realizado uma nova média para cada tecnologia de
m-Si e mc-Si das células de referência calibradas pelo simulador solar, a
fim de se observar qual a tecnologia de células apresenta uma média de
desvios menores comparados com a GREF (tabela 3.6).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 107

Tabela 3.6 – Médias do desvio médio quadrático de cada protótipo calibrado com o
simulador solar e comparando as tecnologias das células de referência nas cinco faixas
de irradiância.

Faixas de Irradiâncias , m-Si , mc-Si

200-400 (W/m²) 8,0664 4,6010

400-600 (W/m²) 8,7353 8,3782

600-800 (W/m²) 11,0285 13,8231

800-1000 (W/m²) 12,6129 13,7768

1000-1200 (W/m²) 7,5670 11,1073


Fonte: Rosso (2019).

Conforme a tabela 3.6, as células de referências de mc-Si cali-


bradas pelo simulador solar obtiveram médias dos desvios quadráticos
menores para irradiâncias de 200 W/m² até 600 W/m². Em irradiâncias
maiores as células de referência de m-Si apresentaram desvios menores.
Para os módulos de referência (PROT 1 e PROT 3) as medições
foram todas realizadas na estação do outono. Analisando os gráficos 3.36,
3.37 e 3.38, percebe-se que os desvios sempre apontam para o lado nega-
tivo, devido a Gm,i medida no módulo estar sempre maior que a GREF.
As faixas de irradiâncias medidas pelos módulos de referência
foram entre 200 W/m² até 800 W/m² devido as medidas serem realizadas
somente no outono. Os gráficos 3.36, 3.37 e 3.38 apresentam os desvios pon-
tuais com os módulos de referência calibrados por meio do simulador solar.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 108

Gráfico 3.36 – Desvios pontuais das medidas dos módulos calibrados pelo método indoor
por meio do simulador solar e comparado com a célula de referência da planta piloto em
irradiâncias entre 200 e 400 W/m².
Fonte: Rosso (2019).

Gráfico 3.37 – Desvios pontuais das medidas dos módulos calibrados pelo método indoor
por meio do simulador solar e comparado com a célula de referência da planta piloto em
irradiâncias entre 400 e 600 W/m².
Fonte: Rosso (2019).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 109

Gráfico 3.38 – Desvios pontuais das medidas dos módulos calibrados pelo método indoor
por meio do simulador solar e comparado com a célula de referência da planta piloto em
irradiâncias entre 600 e 800 W/m².
Fonte: Rosso (2019).

A tabela 3.7 apresenta o desvio médio quadrático dos PROT 1 e


PROT 3 em relação as três faixas de irradiância. Se analisar o desvio mé-
dio do PROT 1 de 3,7710 W/m² para irradiâncias de 200 até 400 W/m² é
na ordem de 1,88% para 200 W/m² e de 0,94% para 400 W/m². Analisando
para irradiâncias maiores como de 600 W/m² até 800 W/m² com o desvio
quadrático de 9,6006 é de 1,60% para 600 W/m² e de 1,20% para 600 W/m².

Tabela 3.7 – Desvios médio quadrático dos módulos de referência em diferentes


irradiâncias com a calibração por meio do simulador solar.

Irradiância PROT 1 PROT 3


(W/m²) (W/m²) (W/m²)

200-400 3,3710 3,2913

400-600 4,1718 3,9221

600-800 9,6006 6,9904


Fonte: Rosso (2019).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 110

A tabela 3.7 apresenta que em maiores irradiâncias o desvio médio


dos protótipos em relação a referência é menor, mesmo para os módulos
de referência.
Para medições em campo esses desvios são relativamente baixos.
A diferença nos desvios entre o tipo de calibração para as células de refe-
rência é relativamente pequena, podendo-se concluir que os três métodos
de calibração realizados para as células de referência foram eficazes na
caracterização dos protótipos.

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MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 112

CAPÍTULO 4
Tecnologias e características de
células e módulos fotovoltaicos

A necessidade de um desenvolvimento sustentável interligado


ao um crescimento econômico se torna essencial a cada ano. A energia
solar fotovoltaica é uma tecnologia que utiliza o Sol como recurso e cada
vez mais expande no Brasil, de 2018 para 2019 cresceu cerca de 92,2%
em geração elétrica segundo o Relatório Síntese do Balanço Energético
Nacional (BEN) do ano de 2020 (BRASIL, 2020).
As células fotovoltaicas utilizada na energia solar fotovoltaica são
tecnologias capazes de produzir energia elétrica de maneira eficiente
(SAMPAIO et al., 2019). A célula fotovoltaica é encarregada pela conversão
da radiação solar em energia elétrica. Apenas uma célula produz energia
e potências elétricas pequenas, por isso são realizadas a associação de
muitas células e a encapsulação para proteção. Esse conjunto de células
é denominado de módulo fotovoltaico. Assim, a quantidade de energia e
potência elétrica aumentam (SOUZA, 2017).

Breve histórico

As células fotovoltaicas foram construídas baseadas no efeito


fotovoltaico no ano de 1839. Esse, foi descoberto por Alexandre-Edmond
Becquerel, um cientista francês, que verificou o surgimento de uma dife-
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 113

rença de potencial entre eletrodos imergidos em uma solução ácida na


presença de luz (PINHO; GALDINO, 2014).
Em 1877, foi apresentada a primeira célula fotovoltaica, constituída
de um filme de selênio posto em um substrato de ferro e coberta por uma
camada de ouro. Ela foi descoberta por W. G. Adams e R. E. Day, inventores
norte-americanos. No entanto, a célula possuía baixa eficiência, na ordem
de 0,5%, e mesmo assim dispôs de aplicação, como em máquinas fotográ-
ficas (VALLERA; BRITO, 2006).
Em seguida, muitos desenvolvimentos científicos semelhantes
foram descobertos, como o efeito fotoelétrico que apresenta similitude
com o efeito fotovoltaico. Esse, demostrado em 1950, por Albert Einstein,
cientista alemão, que recebeu o prêmio Nobel (VILLALVA; GAZOLI, 2012).
Czochralski, um cientista polonês, criou em 1918 um processo para
produzir cristais de silício. Atualmente, esse método é utilizado na indústria
de semicondutores para células fotovoltaicas e componentes eletrônicos
(VILLALVA; GAZOLI, 2012).
Em 1953 começou a história das células solares modernas, quando
um químico americano, Calvin Fuller, introduziu impurezas em uma bar-
ra de silício. Primeiro, adicionou gálio para fazer a barra virar condutora.
Segundo, em outra barra fez um banho de lítio, criando uma zona com
elétrons livres. Logo, unindo as duas, a amostra produzia uma corrente
elétrica quando exposta a luz. A primeira célula solar moderna foi apresen-
tada em 1954, substituindo o gálio por arsênio e uma difusão de boro, para
obter uma junção mais estável. Ela possuía dois centímetros quadrados,
gerava 5 mW e eficiência de 6%. O primeiro emprego de célula de silício
foi em 1955, nos Estados Unidos como fonte de alimentação de uma rede
telefônica, como mostra a figura 4.1 (VALLERA; BRITO, 2006).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 114

Figura 4.1 – Primeiro emprego de célula de silício.


Fonte: Vallera e Brito (2006).

As primeiras aplicações das células solares foram em satélites, uma


vez que elas se mostravam uma alternativa muito mais confiável que as
pilhas químicas. A pesquisa e desenvolvimento nessa área se intensificou
com a corrida espacial na segunda metade do século XX, porém ainda pos-
suía custos muito elevados para aplicações terrestres, era viável apenas em
situações muito particulares como sistemas de telecomunicações isolados.
Contudo, com a crise do petróleo na década de 70 e seus preços muito
elevados, aumentaram os investimentos na área fotovoltaica e o custo da
energia solar diminuiu consideravelmente (VALLERA; BRITO, 2006).
Hoje, existem diversas tecnologias para fabricação das células
solares, como de silício, filmes finos, multijunção, sensibilizadas a corante,
células orgânicas, entre outras. As eficiências dessas tecnologias são muito
variáveis, as orgânicas têm eficiência em torno de 15%, as de silício podem
ter mais de 25% e as de multijunção hoje podem ter até 46% de eficiência
(NREL, 2019).
Na atualidade, o material mais utilizado na fabricação das célu-
las é o silício. Isso porque, sua tecnologia já está bem avançada, com o
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 115

procedimento de produção mais barato e descomplicado. Além de ser


um material acessível, fácil de encontrar na Terra e não tóxico (VILLALVA;
GAZOLI, 2012).

Tipos de células fotovoltaicas

Existem diversas tecnologias que podem ser empregadas na fabri-


cação de células solares. Sendo que as células de silício representam 90%
da produção atual. As tecnologias fotovoltaicas podem ser classificadas
em primeira, segunda e terceira geração (BÜHLER, 2011).
A primeira geração consiste nas células de silício mono e multicris-
talino, e é a primeira tecnologia desenvolvida. A segunda geração desig-
nada de filme fino, possuem eficiência menor que as de silício, porém seu
custo também é inferior. Por fim, a terceira geração consiste em células
multijunção e para concentração, orgânicas ou poliméricas e sensibiliza-
das por corante, bem como, é uma classe nova de células que não utilizam
a junção pn (BÜHLER, 2011; PINHO; GALDINO, 2014).
Os diferentes processos construtivos e materiais dessas células
influenciam em sua eficiência. O gráfico 4.1 apresenta as eficiências das
principais tecnologias utilizadas na fabricação das células fotovoltaicas.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 116

Gráfico 4.1 – Comparação de eficiência de tecnologias de silício cristalino (crystalline


silicon), filme fino (thin film) e novo conceito (new concept): melhores células de laboratório
vs. melhores módulos de laboratório.
Fonte: Fraunhofer Institute For Solar Energy Systems (2020).

Conforme o gráfico 4.1, dentre as tecnologias apresentadas, as


células com maior eficiência são as de silício monocristalino e as de me-
nor eficiência são as de perovskita, uma nova tecnologia que vem sendo
estudada baseada em haletos orgânico-inorgânicos. O gráfico 4.2 mostra
o desenvolvimento da eficiência das células fotovoltaicas em laboratórios
de 1993 até 2019, para diferentes tecnologias.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 117

Gráfico 4.2 – Desenvolvimento de eficiências de células fotovoltaicas em laboratório.


Fonte: Fraunhofer Institute For Solar Energy Systems (2020).

Células de silício cristalino

O silício é material mais utilizado na fabricação de células solares.


Ele é um composto tetravalente, isso quer dizer que possui quatro elétrons
em sua camada de valência, uma vez que necessita realizar ligações co-
valentes para que haja oito elétrons em sua última camada e formar uma
rede cristalina. Ao dopar esse material com um átomo de uma substância
da família 5A, ou seja, que possua cinco elétrons na valência, haverá um
elétron em excesso. Esse elétron está fracamente ligado ao átomo e pode
ser facilmente retirado a temperatura ambiente. Essas substâncias são os
doadores “tipo n” e podem ser por exemplo o fósforo, arsênio ou antimônio
(PINHO; GALDINO, 2014).
E se, for adicionado um composto trivalente, que possua três elé-
trons na sua última camada, haverá a falta de um elétron para completar
suas ligações. A lacuna formada por essa falta de elétron é uma zona de
baixa energia e a energia térmica do elétron de uma ligação vizinha é
suficiente para fazê-lo mudar de posição. O boro, alumínio, gálio e índio
são exemplos de substâncias que podem ser utilizadas nesse tipo de do-
pagem e são chamados de dopantes do “tipo p” (PINHO; GALDINO, 2014).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 118

A junção das amostras com os diferentes dopantes se chama jun-


ção pn. Dado que um lado da junção há um excesso de lacunas e no outro
lado um excesso de elétrons, faz com que os elétrons começam a migrar
do lado “n” para o “p” e o contrário também acontece. Esse movimento de
cargas elétricas gera um campo elétrico. A região de depleção é a área
em que acontece o acúmulo de íons positivos e negativos (BÜHLER, 2011).
Quando essa estrutura é exposta a radiação, há formação de pares
elétron-lacuna. Se estes se formarem em uma área onde há campo elétri-
co, os elétrons serão acelerados e haverá uma corrente elétrica na junção
pn. Essa corrente gera uma diferença de potencial entre as junções “p” e
“n”. Este é o efeito fotovoltaico (BÜHLER, 2011). A figura 4.2, apresenta o que
ocorre quando há a junção pn.

Figura 4.2 – Materiais semicondutores p e n.


Fonte: Adaptado de Villalva e Gazoli (2012).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 119

O Brasil é um dos principais produtores de quartzo, minério utiliza-


do para extrair silício, contudo a purificação e a fabricação não são feitas
no país (VILLALVA; GAZOLI, 2012). As células de silício podem ser de silício
monocristalino e multicristalino.

Silício monocristalino

Um dos métodos mais conhecidos para a fabricação de células


monocristalinas é o método de Czochralski. O silício ultrapuro, superior a
99,9999%, é fundido com uma pequena quantia de dopante. Hoje, geral-
mente se utiliza o boro que é do tipo p (BÜHLER, 2011).
O lingote de um único cristal é o produto consequente desse mé-
todo. Ele é serrado e fatiado para fabricar wafers, que são lâminas muito
finas. Nos wafers são introduzidas impurezas, por processos químicos,
formando as camadas de silício p e n (VILLALVA; GAZOLI, 2012).
Por fim, são aplicadas na célula “uma película metálica em uma
das faces, uma grade metálica na outra face e uma camada de material
antirreflexivo na face que vai receber a luz” (VILLALVA; GAZOLI, 2012, p.
72). Elas normalmente alcançam eficiência de 15 a 18%, mas algumas já
podem possuir eficiências maiores que 25%. (GREEN et al., 2018; VILLALVA;
GAZOLI, 2012). A figura 4.3 apresenta uma imagem de uma célula fabricada
com silício monocristalino.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 120

Figura 4.3 – Célula de silício monocristalino.


Fonte: Rosso (2019).

As células de silício monocristalino em geral têm formato arre-


dondado ou em fatia de pizza. Elas podem ter tamanho de 10x10 cm² ou
12,5x12,5 cm² e espessura de 0,3 mm. A coloração normalmente da célula
sem antirreflexo pode ser cinza ou azulado acinzentado, com antirreflexo
pode ser azulado escuro ou quase preto, podendo apresentar cor diferen-
te conforme o tipo de tratamento antirreflexivo que ganha (SOUZA, 2017).

Silício multicristalino

As células de silício multicristalino também chamadas de silício


policristalino, são produzidas por um processo de fusão de porções de
silício puro em moldes especiais, em que é aquecido em vácuo até uma
temperatura de 1500 °C. Posteriormente, passam por um período lento de
resfriamento, até uma temperatura de 800 °C, assim, se solidificando. Após
a solidificação, os átomos de silício não se arranjam em um único cristal e
formam uma estrutura cristalina com superfícies de separação entre os
cristais (BÜHLER, 2011; SOUZA, 2017).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 121

Por último, o procedimento se mantém como a fabricação de


células de silício monocristalino, com o corte, a camada de material antir-
reflexivo na face que vai receber a luz e os contatos frontais. A eficiência
das células é em torno de 13 a 15%, porém, hoje, podem se encontrar
eficiência na ordem de 20% (NREL, 2019; SOUZA, 2017). As células de
silício multicristalino normalmente apresentam eficiências menores que a
de monocristalino, contudo seu custo de fabricação é menor (VILLALVA;
GAZOLI, 2012). A figura 4.4 mostra uma imagem de uma célula fabricada
com silício multicristalino.

Figura 4.4 – Célula de silício multicristalino.


Fonte: Centro de Referência para Energia Solar e Eólica Sérgio Brito/Centro de Pesquisas de
Energia Elétrica (2008).

As células de silício multicristalino normalmente tem formato qua-


drado. Elas podem ter tamanho de 10x10 cm², 12,5x12,5 cm² ou 15x15 cm² e
espessura de 0,3 mm. A cor geralmente da célula sem antirreflexo é cinza
prateado, e com antirreflexo é azul, apresentando aparência heterogênea
(SOUZA, 2017).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 122

Células de filmes finos

As células de filmes finos são uma nova tecnologia, que só surgiu


depois das células de silício cristalino estarem com a tecnologia muito
avançada (VILLALVA; GAZOLI, 2012). A fabricação dessas células é feita
depositando pequenos filmes em um substrato, normalmente vidro, por
meio de deposição por vaporização, banho eletrolítico ou deposição
catódica. Essas camadas estão na ordem de poucos micrômetros ( µ m )
pois esses materiais possuem uma alta absorção óptica (PINHO; GALDINO,
2014; SOUZA, 2017).
Esse tipo de célula possui eficiência menor que a de silício cris-
talino, porém seu custo também é menor, visto que essas finas camadas
são depositadas por técnicas de produção em larga escala reduzindo os
custos de produção. Podem ser construídas em superfícies rígidas ou
flexíveis, aumentando consideravelmente seu leque de aplicações, já
que não possuem tamanho e formato restrito. Os materiais que dominam
o mercado de células solares deste segmento são: silício amorfo (a-Si),
telureto de cádmio (CdTe), disseleneto de cobre, índio e gálio (CIGS), e
disseleneto de cobre e índio (CIS) (PINHO; GALDINO, 2014).
As células de disseleneto de cobre-índio-gálio e cobre-índio (CIGS
e CIS) apresentam boa resistência ao aquecimento, propriedade muito
relevante para aplicação espacial e possui coeficiente de absorção alto.
Essas células tem uma forma multicristalina (VEISSID; VILELA; PASIN,
2018). As células de CIGS em laboratório pode ter eficiência de 23,4%
(FRAUNHOFER INSTITUTE FOR SOLAR ENERGY SYSTEMS, 2020).
Diferentemente das células de silício cristalino, as células de
silício amorfo (a-Si) não têm uma estrutura atômica organizada, e sim
irregular. Elas possuem baixa eficiência, entre 5% e 9%, sendo essa sua
maior desvantagem. Devido ao efeito Staebler-Wronski, as células sofrem
degradação pela luz, e sua eficiência reduz nos primeiros 6 a 12 meses de
funcionamento até chegar em um valor estável (SOUZA, 2017). A figura 4.5,
apresenta módulo de silício amorfo de tripla junção flexível.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 123

Figura 4.5 – Módulo de silício amorfo de tripla junção.


Fonte: Bühler, Santos e Gabe (2018).

As células de telureto de cádmio (CdTe) podem apresentar eficiên-


cias próximas as células de silício multicristalino, por ação do alto nível de
absortividade ótica e ainda utilizando apenas 1% a 2% do material necessá-
rio para essa tecnologia. No entanto, como as células de silício amorfo, as
de telureto de cádmio são mais suscetíveis as mudanças do espectro solar,
ou seja, sua eficiência varia muito mais que as células de silício cristalino ao
longo dia e ano (BÜHLER; SANTOS; GABE, 2018; BÜHLER, 2011).
Atualmente, a maior eficiência em laboratório para as células
de telureto de cádmio é de 21% (FRAUNHOFER INSTITUTE FOR SOLAR
ENERGY SYSTEMS, 2020). Vale ressaltar que o cádmio (Cd) é um elemento
químico tóxico o que dificulta a produção em larga escala e o telúrio (Te) é
um material difícil de encontrar em abundância (VILLALVA; GAZOLI, 2012).
Segundo o Instituto Fraunhofer, em 2019 a produção de módulos
fotovoltaicos de filmes finos chegou a 136,8 GWp. Desse total cerca de 7,5
GWp eram de filmes finos, como pode ser visto no gráfico 4.3.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 124

Gráfico 4.3 – Produção anual de módulos fotovoltaicos com as diferentes tecnologias.


Fonte: Fraunhofer Institute For Solar Energy Systems (2020).

O gráfico 4.4 mostra a produção de módulos de filmes finos para as


três tecnologias mais encontradas no mercado. Levando em consideração
os 7,5 GWp produzidos, são 5,7 GWp de telureto de cádmio (CdTe).

Gráfico 4.4 – Produção anual de módulos fotovoltaicos com as diferentes tecnologias de


filmes finos.
Fonte: Fraunhofer Institute For Solar Energy Systems (2020).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 125

Células orgânicas, de corantes e múltiplas junções

As células orgânicas (OSC – Organic Solar Cells) e as células


sensibilizadas por corante (DSSC – Dye Sensitized Solar Cells) também
denominadas de células de Grätzel utilizam materiais orgânicos. Esses
materiais podem ser polímeros ou pequenas moléculas. As células de
múltipla junção (multijunção) são as que apresentam as maiores eficiências
entre todos os dispositivos fotovoltaicos (BÜHLER; SANTOS; GABE, 2018).
Essas células utilizam materiais não tóxicos e abundantes, resultando na
utilização em grandes escalas de produção. Elas têm uma possível semi-
transparência, flexibilidade e baixo peso (SOBRINHO, 2016).
As células orgânicas tem um princípio de funcionamento parecido
aos materiais inorgânicos, todavia abrange um nível de maior complexi-
dade. O princípio de funcionamento se fundamenta no par de buracos
elétrico (doador/aceitador). Essas células podem ser constituídas com
uma fina camada formada de polímeros ou moléculas orgânicas, podendo
estar misturadas ou em múltiplas camadas, em que são confinadas nos
materiais condutores no meio de dois eletrodos. Elas possuem baixas
eficiências. A célula orgânica pertencente à empresa Toshiba tem 11,2% de
eficiência, sendo o recorde de eficiência para essa tecnologia. Uma possí-
vel forma de a célula orgânica ser viável é por meio da utilização delas em
a associação a edifícios (BÜHLER; SANTOS; GABE, 2018; SOBRINHO, 2016).
As células sensibilizadas por corante, pertencem ao grupo das
células de filmes finos (SOBRINHO, 2016). Essas células tem um suporte
mecânico revestido com óxidos condutores transparentes, semicondutor
de filmes finos, em geral TiO2, um sensibilizador adsorvido na superfície
do semicondutor, um eletrólito que contém um mediador redox e um
contra-eletrodo capaz de regenerar o mediador redox como a platina (NA-
ZEERUDDIN; BARANOFF; GRÄTZEL, 2011). Em laboratório essas células
apresentaram eficiências superiores a 10% (PINHO; GALDINO, 2014).
Atualmente, no laboratório, as células de múltiplas junções de alta
concentração atingem uma eficiência de até 47,1% (FRAUNHOFER INSTI-
TUTE FOR SOLAR ENERGY SYSTEMS, 2020). Elas têm um aproveitamento
melhor do espectro da radiação solar, pois possuem várias janelas espec-
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 126

trais que absorvem partes seletivas do espectro, cada janela é uma junção
semicondutora (VEISSID; VILELA; PASIN, 2018). Essa tecnologia tem um
custo do watt-pico alto, e sua aplicação está sendo em satélites (PINHO;
GALDINO, 2014).

Módulos fotovoltaicos

Em um sistema fotovoltaico os módulos são os componentes que


produzem energia elétrica, por meio do efeito fotovoltaico que ocorre nas
células solares. Consequentemente, o módulo fotovoltaico é um dos prin-
cipais dispositivos em relação à confiabilidade do sistema (HONSBERG;
BOWDEN, [20--c]; SOUZA, 2017).

Estrutura do módulo

A quantidade de células dos módulos normalmente tem 60 ou


72 células com três diodos de by-pass, em que os de 60 foram projeta-
dos para aplicações residenciais e os de 72 para grandes instalações, é
possível utilizar os de 72 também em aplicações residenciais. O módulo
fotovoltaico consiste de um arranjo de células conectadas, entre 30 e 40
células, em que geralmente são 33, 36 ou 40 células conectadas em série
(HONSBERG; BOWDEN, [20--c]; SOUZA, 2017). A figura 4.6 apresenta como
as células são conectadas em série.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 127

Figura 4.6 – Células fotovoltaicas conectadas em série.


Fonte: Adaptado de Villalva e Gazoli (2012).

O módulo fotovoltaico tem suas células eletricamente encapsula-


das para isolar e protegê-las do ambiente hostil em que serão instaladas,
dado que elas estarão sempre expostas a radiação, chuva e vapor d’água.
Há diversas formas de encapsular os módulos, as células de silício cristali-
no são frequentemente rígidas com superfícies frontais de vidro, enquanto
as de silício amorfo são geralmente encapsuladas em uma matriz flexível.
A vida útil dos módulos passa de 20 anos, o que revela como o módulo fica
robusto com o encapsulamento (HONSBERG; BOWDEN, [20--c]). A figura
4.7 mostra um módulo fotovoltaico de silício.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 128

Figura 4.7 – Módulo fotovoltaico de silício.


Fonte: Honsberg e Bowden ([20--c]).

Materiais do módulo

Os materiais utilizados nos módulos fotovoltaicos de silício con-


sistem em uma superfície superior transparente, um encapsulante, uma
superfície traseira e uma moldura ao redor da borda externa. A superfície
superior transparente, precisa ser impermeável à água, deve ter baixa
resistividade térmica, ser estável sob exposição prolongada aos raios ul-
travioleta, necessita ter uma alta transmissão nos comprimentos de onda
entre 350 nm a 1200 nm, e ter uma baixa reflexão. Assim, pode ser utilizado
na superfície superior materiais como acrílico, polímeros e vidro, em que
o mais usado é o vidro temperado com baixo teor de ferro (HONSBERG;
BOWDEN, [20--b]).
O encapsulante é utilizado para fornecer adesão entre as células
fotovoltaicas, onde normalmente se utiliza o EVA entre as mesmas. O ma-
terial encapsulante deve ser estável a alta exposição aos raios ultravioletas
e a altas temperaturas. Já, na superfície traseira, se utiliza um filme pos-
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 129

terior, ou seja, uma folha fina de polímero, como Tedlar, o qual serve para
evitar a entrada de água ou vapor de água, como também, deve ter baixa
resistência térmica. Na moldura da borda externa é utilizado comumente
alumínio. A figura 4.8 mostra a estrutura básica de um módulo fotovoltaico
de silício (HONSBERG; BOWDEN, [20--b]).

Figura 4.8 – Estrutura básica de um módulo fotovoltaico com células de silício cristalino.
Fonte: Pinho e Galdino (2014).

O processo de produção de um módulo de silício cristalino pode


ser realizado de modo automático ou por manufatura. O primeiro consiste
na utilização de maquinário especializado, e o segundo não consente
uma grande produção em escala. Depois da conexão, as células são
encapsuladas, com uma lâmina de vidro temperado, material orgânico
(EVA – etileno-vinil-acetato), então, as células são conectadas, novamente
mais material orgânico, e por fim, uma cobertura (vidro, tedlar ou outros
polímeros). Assim, esse agrupamento é levado para realizar a laminagem,
sendo emoldurado e adicionados caixas de conexão (SOUZA, 2017).

Características elétricas

Alguns testes nos módulos são realizados para obter as carac-


terísticas elétricas. As condições padrão de teste (STC – Standard Test
Conditions) são realizadas nos módulos nas mesmas circunstâncias para
todos fabricantes, em que são padronizados por instituições internacionais
de certificação. Essa condição é obtida em laboratório, em que é realizado
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 130

dentro de uma câmara climática que dispõe de um sistema preciso de


controle e medição de temperatura e iluminação para manter a homoge-
neidade nos padrões de medição dos módulos fotovoltaicos (VILLALVA;
GAZOLI, 2012). Para realização do teste em STC considera irradiância (G)
de 1000 W/m², massa de ar (AM) de 1,5, temperatura da célula de 25 °C e
temperatura do ar de 0 °C (SOUZA, 2017).
A curva característica I-V de um módulo, uma célula, ou um con-
junto de módulos mostra o comportamento da corrente em função da
tensão (BÜHLER, 2007). O módulo fotovoltaico tem várias células conec-
tadas, quando elas estão operando exatamente com a mesma corrente
e tensão, se todas possuírem características elétricas idênticas e com a
mesma temperatura e insolação, a curva I-V vai ter a mesma forma que
a das células individuais, com exceção de quando a corrente e a tensão
são aumentadas (HONSBERG; BOWDEN, [20--a]). A equação 1 apresenta
corrente total do circuito.

VT
q
IT M I L M I0 exp N 1 (1)
n k T

Em que,

IT : corrente total do circuito (A);


I L : corrente de curto-circuito de uma única célula (A);
I 0 : corrente de saturação de uma única célula (A);
N : número de células em série;
M : número de células em paralelo;
n : fator de idealidade de uma única célula;
q : carga do elétron (1,602x10-19 C);
k : constante de Boltzmann (1,3806488x10-23 J/K); e
T : temperatura absoluta (K).

O gráfico 4.5 apresenta a curva I-V para células conectadas idênticas,


em que a corrente total é a multiplicação do número de células em paralelo
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 131

e a corrente de apenas uma célula. Já, a tensão total também pode ser
descrita como a multiplicação do número de células em série e a tensão de
uma célula. As equações 2, 3, 4, e 5 apresentam I SC total  , I MPtotal  , VOC total 
e VMPtotal  respectivamente (HONSBERG; BOWDEN, [20--a]).

I SC total   M  I sc célula  (2)


I MPtotal   M  I MP célula  (3)
VOC total   N  VOC  célula  (4)
VMPtotal   M  VMP célula  (5)

Gráfico 4.5 – Curva I-V para células solares idênticas.


Fonte: Adaptado de Honsberg e Bowden ([20--a]).

O traçado da curva característica I-V é um dos ensaios mais com-


pletos para analisar, estimar e qualificar um módulo ou sistemas fotovoltai-
cos (GASPARIN, 2009). O módulo fotovoltaico quando sujeito às condições
padrões de ensaio, contém uma fonte de tensão variável que efetua uma
varredura entre uma tensão negativa referente aos terminais do módulo,
até extrapolar a tensão de circuito aberto do módulo com a corrente fi-
cando negativamente. No decorrer desta varredura são registrados pares
de dados de tensão e corrente, proporcionando o traçado de uma curva
característica (PINHO; GALDINO, 2014). O gráfico 4.6 apresenta curvas I-V e
P-V para um módulo de 100 Wp.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 132

Gráfico 4.6 – Curvas I-V e P-V de um módulo com potência de 100 Wp.
Fonte: Bühler (2011).

A curva I-V de um módulo apresenta vários dados sobre ele. Para


cada ponto da curva é possível calcular a potência naquelas condições,
já que a potência é definida pelo produto da corrente e tensão. Assim, é
possível obter a corrente de curto-circuito (ISC), a tensão de circuito aberto
(VOC), tensão de corrente de máxima potência (PMP e IMP) e por fim calcular
a máxima potência do módulo que também pode ser obtida pela curva
P-V. Esses parâmetros são obtidos a partir de condições especificas de
radiação, temperatura da célula e massa de ar.

• Corrente de curto-circuito (ISC) [A]: corrente que o dispositivo


fotovoltaico fornece quando seus terminais são interligados por
um conector com resistência elétrica idealmente nula, ou seja, é
a corrente equivalente a uma tensão igual a zero (BÜHLER, 2011).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 133

• Tensão de circuito aberto (VOC) [V]: tensão entre os terminais de


uma célula fotovoltaica quando há uma corrente elétrica igual
a zero (BÜHLER, 2011).
• Ponto de máxima potência (PMP) [W]: máxima potência que o
dispositivo fotovoltaico é capaz de gerar perante uma deter-
minada situação de irradiância e temperatura (BÜHLER, 2011).
• Corrente de máxima potência (IMP) [A]: corrente que o dispositi-
vo fornece no ponto de máxima potência (BÜHLER, 2011).
• Tensão de máxima potência (VMP) [V]: tensão que aparece
nos terminais do dispositivo no ponto de máxima potência
(BÜHLER, 2011).

A partir dos dados obtidos é possível calcular o fator de forma e


eficiência dos módulos. O fator de forma (FF) é o parâmetro que determina
a qualidade dos módulos e é definido pela equação 6 (ROSSO, 2019).

VMP  I MP
FF  � (6)
VOC  I SC
Portanto, quanto melhor a qualidade dos módulos, mais próxima
de um retângulo será sua curva I-V. Assim, também é possível calcular a
sua eficiência que é definida pela equação 7.

PMP
Eficiência 100 % (7)
G A

Em que,

G: irradiância solar incidente; e


A: área do módulo.

A célula fotovoltaica possui resistências série por causa de malhas


metálicas, junção metal-semicondutor, entre outros, como também, resis-
tências em paralelo em razão de pontos de curto-circuito. Essas resistên-
cias afetam a curva I-V e contribuem para redução do FF e da eficiência. A
resistência série se inicia na resistência do próprio material semicondutor,
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 134

ela contribui para redução da ISC e o FF, enquanto a resistência em paralelo


reduz a VOC e o FF (PINHO; GALDINO, 2014).

Fatores que influenciam as características elétricas

Há vários fatores que influenciam o desempenho dos módulos fo-


tovoltaicos entre eles a temperatura e a irradiância que serão brevemente
explicados nos tópicos a seguir.

Efeito de irradiância solar

A corrente elétrica gerada a partir da irradiância incidente na jun-


ção pn é linearmente proporcional à intensidade dela, enquanto a tensão
sofre um aumento logaritmo com o aumento da irradiância, devido que
a relação entre corrente e tensão ser dada por uma função exponencial
(BÜHLER, 2011; CAAMAÑO-MARTÍN; LORENZO; LASTRES, 2002).
O gráfico 4.7 apresenta a curva característica I-V de um módulo
fotovoltaico que foi produzido no Laboratório de Pesquisa Aplicada (LPA)
da Universidade Federal de Santa Catarina – (UFSC). A curva é gerada
matematicamente para um módulo de 16 células de m-Si a 25 °C de tem-
peratura para diferentes valores de irradiância (ROSSO, 2019).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 135

Gráfico 4.7 – Curvas I-V de um módulo fotovoltaico de 16 células de m-Si em diferentes


irradiância.
Fonte: Rosso (2019).

Efeitos da temperatura

O aumento da temperatura das células causa uma diminuição da


tensão. No entanto, há um aumento na corrente que é quase impercep-
tível, ou seja, a corrente não se altera ou se altera muito pouco com a
temperatura (PINHO; GALDINO, 2014). O gráfico 4.8 retrata a influência da
temperatura da célula na curva I-V, considerando irradiância de 1000 W/
m² e de um módulo de silício monocristalino de 72 células (m-Si).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 136

Gráfico 4.8 – Curvas I-V determinadas a diferentes temperaturas.


Fonte: Bühler (2007).

Perdas por descasamento, sombreamento, Pontos quentes e


diodos de desvio

As perdas por descasamento (mismatch) são causadas pela in-


compatibilidade de células ou módulos fotovoltaicos que não possuem
características iguais ou que não estão nas mesmas condições. Esse é um
problema que leva a módulos de baixa qualidade, pois o desempenho do
conjunto é determinado pela a célula de menor fotocorrente. Por isso, o mó-
dulo fotovoltaico tem sua eficiência global diminuída. Apesar das perdas por
descasamento poderem ocorrer em qualquer um dos parâmetros, normal-
mente são causadas por diferentes correntes de curto-circuito ou tensão de
circuito aberto (HONSBERG; BOWDEN, [20--]; PINHO; GALDINO, 2014).
O sombreamento parcial, curtos em diodos de desvio, sujeira nos
módulos, entre outros, podem causar as perdas por descasamento (PI-
NHO; GALDINO, 2014). Em softwares, as perdas por descasamento podem
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 137

ser consideradas como um valor de cerca de 2%, como padrão (GASPARIN


et al., 2016).
O sombreamento nos módulos é um problema encontrado na
produção de energia elétrica. Quando um módulo fotovoltaico está sendo
sombreado por um obstáculo, como folha, depósito de sujeira sobre o vi-
dro, dentre outras possibilidades, ele pode deixar de gerar energia. Portan-
to, se somente uma célula do módulo ser sombreada, a saída de energia
pode reduzir a zero, isso ocorre porque há uma redução de corrente no
conjunto de células do módulo o que termina sendo propagado para os
outros módulos conectados em série (PINHO; GALDINO, 2014; VILLALVA;
GAZOLI, 2012).
O excesso de energia das células não sombreadas é dissipado na
célula sombreada, que pode acontecer o fenômeno ponto quente (hots-
pot). Esse fenômeno pode provocar intenso calor sobre a célula afetada,
com ruptura de vidro e fusão de polímeros e metais. Então, para evitar o
ponto quente, se utiliza diodos de desvio (by-pass) nos módulos para isolar
a célula sombreada, já que eles apresentam um caminho alternativo para
a corrente (PINHO; GALDINO, 2014).
Os diodos de desvio ficam alojados na caixa de junção. Essa caixa
fica na parte traseira do módulo, que é conectado a dois cabos elétricos
que fornece eletricidade aos módulos. Os módulos também possuem
conectores para conectar eles em série, como os conectores MC3 e MC4
(VILLALVA; GAZOLI, 2012).

Associação de módulos

Os módulos podem ser associados em série ou paralelo, depen-


dendo da tensão e corrente desejadas na saída. Se os módulos forem co-
nectados em série, a ligação acontece do terminal positivo de um módulo
ao negativo do outro, assim as tensões são somadas e as correntes não
são afetadas de acordo com as equações 8 e 9 (PINHO; GALDINO, 2014).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 138

V = V1 + V2 + ... + Vn (8)

I = I1 = I2 = ... = In (9)

Quando a conexão é feita em paralelo, une-se os terminais po-


sitivos e negativos de todos os módulos. Desta maneira, as correntes
são somadas e as tensões sem alteração conforme as equações 10 e 11
(PINHO; GALDINO, 2014).

I = I1 + I2 + ... + In (10)

V = V1 = V2 = ... = Vn (11)

Normas

As normas internacionais e nacionais para os módulos fotovol-


taicos são apresentadas no quadro 4.1, das organizações International
Electrotechnical Commission (IEC), ABNT e Inmetro.

Quadro 4.1 – Normas e regulamentos para módulos fotovoltaicos.

Org. Código Título Descrição Aplicação

Crystalline
silicon terrestrial
Estabelece ensaios Módulo de Silício
photovoltaic (PV)
de qualificação monocristalino (m-
61215:2005 modules - Design
para módulos Si) e policristalino
qualification and
fotovoltaicos (p-Si)
type approval;
Edition 2.0
IEC
Thin-film terrestrial
photovoltaic (PV) Estabelece ensaios
Módulos de filmes
modules - Design de qualificação
61646:2008 finos (a-Si, CdTe,
qualification and para módulos
CIGS etc.)
type approval; fotovoltaicos
Edition 2.0
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 139

Org. Código Título Descrição Aplicação

Photovoltaic (PV) A parte 2


module safety estabelece ensaios
qualification - Part para verificação da
Módulos
61730-2:2004 1: Requirements for segurança elétrica
fotovoltaicos
construction, Part e mecânica
2: Requirements de módulos
for testing fotovoltaicos

Estabelece o
procedimento
Salt mist corrosion
de ensaio da
testing of
resistência Módulos
61701:2011 photovoltaic (PV)
IEC de módulos fotovoltaicos
modules, Edition
fotovoltaicos
2.0
à corrosão por
névoa salina

Concentrator
photovoltaic
(CPV) modules Estabelece ensaios
Módulos
and assemblies de qualificação
62108:2007 fotovoltaicos com
- Design para módulos
concentração
qualification and fotovoltaicos
type approval;
Edition 1.0

Estabelece
requisitos e
Módulos
critérios de
fotovoltaicos - Módulos
ABNT NBR 11876:2010 aceitação
Especificação; fotovoltaicos
de módulos
Segunda Edição
fotovoltaicos de
uso terrestre

Anexo - Requisitos
de Avaliação da
Especifica os
Conformidade
procedimentos
para Sistemas e
de ensaio para Módulos
Portaria n° 004, Equipamentos
etiquetagem fotovoltaicos
Inmetro de 04 de janeiro para Energia
de módulos (e outros
de 2011 Fotovoltaica
fotovoltaicos equipamentos)
(Módulo,
(e outros
Controlador de
equipamentos)
carga, Inversor e
Bateria
Fonte: Adaptado de Pinho e Galdino (2014).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 140

Considerações finais

Esse capítulo apresentou um contexto sobre células e módulos fo-


tovoltaicos. Portanto, foi apresentada uma breve história de como sucedeu
a descoberta do efeito fotovoltaico, e a utilização de células fotovoltaicas.
Logo, foram descritos os tipos de células, como as de silício, de filme fino,
orgânicas, de corantes e múltipla junção, em que constatamos que o silí-
cio foi o material mais usado na fabricação das células solares. Ademais,
para os módulos fotovoltaicos foi apesentada sua estrutura, os materiais
utilizados, como também, as características elétricas.
Vale destacar que o traçado da curva I-V é um importante teste,
pois ele tem a função de estimar e qualificar o módulo. Nos módulos foto-
voltaicos também podem ser feitos testes mecânicos como a variação da
temperatura entre -40 °C até 85 °C, carga mecânica, resistência a granizo
e torções, ensaios de isolamento perante umidade e congelamento, resis-
tência de terminais, entre outros em que servem para verificar a capacida-
de dos mesmos resistirem a qualquer fenômeno (SOUZA, 2017).
Além de serem realizados testes nas condições padrão de teste
(STC) descrito nesse capítulo, há também testes realizados na condição
de temperatura normal de operação da célula (NOCT – Normal Operation
Cell Temperature), em que considera irradiância (G) 800  W/m², tem-
peratura do ar de 20 °C e velocidade do vento de 1 m/s (HONSBERG;
BOWDEN, [20--d]).
Os efeitos de irradiação solar e temperatura também foram apre-
sentados. O aumento da temperatura causado pelo encapsulamento das
células, causa impactos nos módulos fotovoltaicos, causando falhas ou
degradações nos mesmos, pois reduz a tensão, e consequentemente,
reduz a potência de saída (HONSBERG; BOWDEN, [20--e]). Outros proble-
mas que os módulos podem apresentar é as perdas por descasamento,
sombreamento, e pontos quentes.
Os módulos fotovoltaicos de silício podem ter uma vida útil de mais
de 20 anos. Assim, nos primeiros 10 anos pode ter uma produção de 90%
de sua saída nominal, e em até 25 anos pode ter 80% de sua saída nominal
(HONSBERG; BOWDEN, [20--c]).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 141

Em virtude dos fatos mencionados, conclui-se que as células e


módulos fotovoltaicos são importantes em um sistema fotovoltaico, por-
que a partir desses componentes é possível gerar energia elétrica. Essas
tecnologias são consideradas sustentáveis, já que utiliza o Sol como fonte
de energia. Portanto, as células e os módulos fotovoltaicos são classifica-
dos como uma tecnologia eficiente na geração de energia elétrica.

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Paulo: Érica Ltda., 2012. 228 p.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 144

CAPÍTULO 5
Características e tecnologias
de inversores

Introdução

O inversor c.c./c.a. é responsável pela conversão da energia elétri-


ca em corrente contínua (c.c.) gerada pelos módulos fotovoltaicos (arranjo
ou gerador fotovoltaico) para energia elétrica em corrente alternada (c.a.),
com características e qualidade para injeção na rede. A partir do desen-
volvimento da tecnologia os inversores tiveram aumentos consideráveis
na eficiência c.c./c.a. e segurança na conversão de energia elétrica (KRAT-
ZENBERG et al., 2014).
O avanço da eletrônica de potência embarcada em inversores per-
mitiu o rápido desenvolvimento e aperfeiçoamento em todas as funções e
características deste equipamento (YILMAZ; DINCER, 2017).
Os inversores utilizados em sistemas fotovoltaicos conectados à
rede possuem seguidor de ponto de máxima potência, proteção anti ilha-
mento, alta eficiência de conversão, sincronização automática com a rede,
baixo nível de distorção de harmônicos e fator de potência próximo da uni-
dade (MAHELA; SHAIK, 2017; RAMPINELLI; KRENZINGER; ROMERO, 2014).
Nesse sentido apenas inversores fabricados e importados con-
forme requisitos da Portaria Inmetro n° 004/2011 e que possuam registro
vigente no Inmetro, poderão ser conectados à rede de distribuição de
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 145

energia elétrica. Adicionalmente no caso de inversores com potência


superior a 10 kW devem ser apresentados os seguintes certificados:

• anti-ilhamento: IEC 62116;


• interface com a rede de distribuição: IEC 61727;
• distorção harmônica: IEC 61000-3-2 ou IEC 61000-3-4 ou IEC
61000-3-12, conforme a corrente nominal do inversor;
• cintilação: IEC 61000-3-3 ou IEC 61000-3-11 ou IEC 61000-3-5,
conforme a corrente nominal do inversor.

A maioria dos inversores utilizam uma topologia de conversão de


energia elétrica em dois estágios, o primeiro é um estágio c.c./c.a./c.c.
ou c.c./c.c., necessário para aumentar a tensão para valores superiores a
rede. O segundo estágio é a conversão c.c./c.a. para conexão com a rede
elétrica (CORTAJARENA et al., 2017; FARAJI et al., 2017).
Os fabricantes possuem garantias que normalmente fornecem
segurança financeira, pois englobam custos de reparos e substituições de
componentes, porém vale ressaltar que devem haver evidências que o
mau funcionamento teve origem por peças defeituosas. Dessa forma, o
bom uso do equipamento deve ser priorizado, já que a maioria dos fabri-
cantes não cobre danos por instalação incorreta ou mau uso do produto
(FORMICA; KHAN; PECHT, 2017).
Os inversores c.c./c.a. possuem uma eletrônica de potência im-
portante, possuindo sistemas de controles, softwares, múltiplos circuitos,
capacitores, indutores, comutadores, entre outros componentes. Devem
operar juntamente com a rede de energia elétrica, mantendo a qualidade
da energia elétrica injetada, bem como, devem ter comportamento dinâ-
mico para serem capazes de operar sob condições de oscilações rápidas
(FARANDA et al., 2015).
Dessa forma o inversor c.c./c.a. é considerado o componente mais
suscetível a falhas do sistema e entender os mecanismos de falha é es-
sencial para prever a vida útil dos inversores (DBEISS; AVENAS; ZARA, 2017;
HUANG; MAWBY, 2013) e garantir a confiabilidade (HACKE et al., 2018).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 146

Conforme muitos autores apontam o aumento de temperatura


reduz a vida útil de componentes eletrônicos, pois favorece o fenômeno
de degradação, aumentando a probabilidade de ocorrência de falhas
(PERIN, 2016). Atualmente, os estudos contam com simulação ou dados
de testes dos fabricantes, que são muito mais abundantes do que aqueles
que empregam dados de operação em campo, nos quais podem ser con-
sideradas condições ambientais e instalação (CAMPS et al., 2015).

Tecnologias de inversores c.c./c.a.

Existem duas principais classificações de topologias de inversores


para sistemas fotovoltaicos, com ou sem isolamento galvânico (figura 5.1).
O isolamento galvânico pode ser dado por um transformador de baixa
frequência ou de alta frequência (ISLAM; MEKHILEF; HASAN, 2015). As
soluções com isolamento galvânico eram obrigatórias em alguns países
(ALONSO-ABELLA; CHENLO, 2005) por apresentarem níveis de segurança
necessários. Por outro lado ocorrem perdas nos componentes extras, as-
sim os inversores sem isolamento galvânico, ou seja, sem transformadores
podem apresentar eficiências aumentadas em 1 – 2% (HAEBERLIN, 2001;
KEREKES et al., 2011).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 147

Figura 5.1 – a) inversor com transformador de baixa frequência, b) inversor com


transformador de alta frequência e c) inversor sem transformador.
Fonte: Adaptada de Perin (2016).

As diferentes topologias de inversores entre 1994-2002, apresen-


tam eficiências máximas de 96% (CALAIS et al., 2002). Haeberlin, Liebi e
Beutler (1995) reportam inversores com isolamento galvânico com efici-
ências entre 91,5 e 93%, já para inversores sem isolamento galvânico a
eficiência máxima reportada foi de 95% e eficiência europeia de 92,6%. A
partir de 2007 foram lançados inversores de alta eficiência, alcançando
até 98%, fica evidente que a eficiência dos inversores foi aumentando
gradualmente e foi possível também a redução de perdas e redução nas
temperaturas de operação (PERIN, 2016).
Alguns sistemas FV foram simulados, utilizando o software SAM,
para verificar o comportamento da eficiência média c.c./c.a. em condições
não ótimas. A partir de curvas de eficiências de diversos inversores, a figura
5.2 apresenta mapas de comportamento e interação dinâmicos de valores
de eficiência de conversão c.c./c.a. para diferentes inversores, variando o
ângulo de inclinação e desvio azimutal em três fatores de dimensionamento.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 148
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 149

Figura 5.2 – Mapas dinâmicos de valores de eficiência de conversão c.c./c.a.. (a)


Ecopower20 – 1995, (b) Covert2000 – 2001, (c) FroniusIG3000 – 2006, (d) SMA SB5000TL –
2014, (e) Fronius Primo 5.0-1 – 2016 e (f) ABB PVI-5000 – 2016.
Fonte: Elaborada pela autora.

Os inversores mais antigos apresentam eficiências médias meno-


res que os inversores atuais e variação de até 15%. Utilizando o esquema
de cores em que, do azul para o vermelho significa do menor para o maior.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 150

Observa-se que os inversores mais antigos (figuras 5.2a e 5.2b), apresen-


tam melhores eficiências de conversão c.c./c.a. no subdimensionamento
do inversor. Demonstrando que em potências relativas inferiores a 50%, a
eficiência  c.c./c.a. é significativamente menor que as eficiências de con-
versão verificadas em potências relativas superiores a 50%.
Os inversores c.c./c.a. representados nas figuras 5.2c e 5.2d apre-
sentam a transição do comportamento dos inversores c.c./c.a. comerciais.
Os inversores atuais, disponíveis comercialmente, apresentam elevadas
eficiências c.c./c.a. em praticamente todos os níveis de carregamento
(BURGER; RUTHER, 2006). Nas figuras 5.2e e 5.2f, pode-se observar varia-
ções de 1,18% e 1,0%, respectivamente. Neste cenário há maior flexibilidade
quanto a inclinação e desvio azimutal do sistema fotovoltaico, sem onerar
a eficiência. Inclusive, há inversores que apresentam melhor desempenho
de conversão c.c./c.a. em potências relativas entre 30-70%. Para inversores
que apresentam maiores eficiências c.c./c.a., o dimensionamento é unitá-
rio especialmente em altas irradiâncias (HUSSIN et al., 2017).
Os inversores sem transformadores entraram no mercado mundial
em 1995 (HAEBERLIN, 2001), atualmente o uso crescente destes inversores
monofásicos e de baixa tensão se deve ao menor custo, maior eficiência,
menor tamanho e peso em comparação com inversores com transforma-
dor (ISLAM; MEKHILEF; HASAN, 2015). O avanço da eletrônica de potência
embarcada em inversores permitiu o rápido desenvolvimento e aper-
feiçoamento em todas as funções e características deste equipamento.
Atualmente possuímos mais de 40 topologias de inversores comerciais
(PRIEB, 2012).
Os inversores conectados à rede, são classificados em:

• inversor central;
• inversor string;
• microinversor integrado ao módulo fotovoltaico;
• inversor multi-string.

Os inversores centrais na figura 5.3a são utilizados em sistemas


fotovoltaicos maiores que 10  kWp, com várias strings de módulos foto-
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 151

voltaicos em paralelo, atingindo altos níveis de potência. Geralmente


com aplicação em redes trifásicas (ISLAM; MEKHILEF; HASAN, 2015). Este
tipo de inversor apresenta algumas limitações como, cabos de alta ten-
são c.c. entre módulos e inversor, seguidor de máxima potência (MPPT)
centralizado o que causa pouca flexibilidade e perdas de energia. Outra
desvantagem é a parada de operação de todo o sistema em caso de falha
no inversor (HASSAINE et al., 2014).
Os inversores string na figura 5.3b se conectam a apenas uma
string de módulos fotovoltaicos, não apresentando perdas por associação.
Dessa forma cada string pode ter um MPPT distinto. Esses inversores ainda
apresentam melhores eficiências e baixo custo devido à larga escala de
produção (HASSAINE et al., 2014; ISLAM; MEKHILEF; HASAN, 2015), repre-
sentando 61,6% do mercado de inversores c.c./c.a. (FRAUNHOFER, 2020).
Os inversores multi-string na figura 5.3c) possuem strings adicionais ao in-
versor string. Essa topologia combina as vantagens do inversor string e do
inversor central. Permite a conexão de várias strings sob MPPTs distintos,
otimizando a operação. A aplicação se dá geralmente em sistemas foto-
voltaicos de 3-10 kW (HASSAINE et al., 2014). Ocorre a redução de custos e
a flexibilidade (ISLAM; MEKHILEF; HASAN, 2015).
Os módulos com microinversores integrados na figura 5.3d
removem as perdas por incompatibilidade de módulos e possibilitam a
expansão do sistema devido sua modularidade. Por outro lado, apresenta
redução na eficiência geral pela maior amplificação de tensão e maior
custo por watt instalado (HASSAINE et al., 2014).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 152

Figura 5.3 – a) Inversor central, b) Inversor string, c) Micro inversor e d) Inversor multi-string.
Fonte: Perin (2016).

O seguidor do ponto de máxima potência, permite o maior apro-


veitamento energético em função da irradiância solar e da temperatura.
Vários algoritmos são capazes de rastrear com rapidez e precisão o ponto
onde se encontra a maior tensão e corrente elétrica (gráfico 5.1). Dessa
forma o rastreamento deve ser dinâmico, ou seja, o ponto de operação
deve ser continuamente testado e ajustado dependendo das condições
de irradiância e temperatura ambiente instantâneas.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 153

Gráfico 5.1 – Curvas características: a) curva IxV sob irradiação solar variável e b) curva PxV
sob temperatura variável.
Fonte: Adaptada de Ahmed e Salam (2015).

Apesar da evolução tecnológica na eletrônica de potência e a ne-


cessidade de confiabilidade e segurança na operação, os equipamentos
eletrônicos apresentam como principal causa de falhas a temperatura
de operação. Em um estudo dos eventos de manutenção de uma usina
durante 5 anos, 37% das manutenções foram ocasionadas pelo inversor
c.c./c.a. e ainda 55% foram devido a temperatura de operação (WANG;
LISERRE; BLAABJERG, 2013). Hacke et al. (2018) apresentam dados de três
relatórios sobre eventos de operação e manutenção de usinas fotovol-
taicas, nos três casos os inversores apresentaram maiores chamadas de
serviços entre 43% e 70%, resultando em altos custos de manutenção e
perdas de geração de energia elétrica.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 154

Dessa forma o inversor c.c./c.a. é considerado o componente mais


suscetível a falhas do sistema e entender os mecanismos de falha é es-
sencial para prever a vida útil dos inversores (DBEISS; AVENAS; ZARA, 2017;
HUANG; MAWBY, 2013) e garantir a confiabilidade (HACKE et al., 2018).

Compatibilidade entre inversor c.c./c.a. e gerador FV

Um aspecto importante para o dimensionamento dos sistemas


fotovoltaicos é a compatibilidade entre o gerador FV e o inversor c.c./c.a..
Dependendo das tecnologias utilizadas são verificados materiais mais
susceptíveis aos fenômenos relacionados a degradação por potencial in-
duzido – PID (Potential Induced Degradation), que está diretamente ligada
à degradação dos módulos fotovoltaicos e perda de potência (gráfico 5.2),
devido ao alto potencial entre as strings e aterramento durante a operação
do sistema (MARTÍNEZ-MORENO; FIGUEIREDO; LORENZO, 2018). Este fe-
nômeno causa a incapacidade da correta operação das células fotovoltai-
cas, provocando a redução da resistência shunt e o aumento da resistência
série, ocorrendo perdas energéticas. O PID sofre influência pelos aspectos
construtivos das células e módulos fotovoltaicos, fatores ambientais e a
configuração do sistema fotovoltaico para operação conectada à rede
(MARTÍNEZ-MORENO; FIGUEIREDO; LORENZO, 2018).

Gráfico 5.2 – Curva IxV normalizada, para módulo sem degradação e módulo com PID.
Fonte: Adaptada de Martínez-Moreno, Figueiredo e Lorenzo (2018).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 155

Se tratando do sistema em operação, o nível de tensão elétrica


das strings é importante para o PID, pois o potencial medido é a diferença
para a terra, que depende do aterramento utilizado (BRECL; BOKALIC;
TOPIC, 2017). A degradação e os efeitos do PID estão diretamente ligados
a polaridade e ao nível de tensão elétrica entre célula e solo (PINGEL et
al., 2010). Dessa forma os módulos de filmes finos são mais afetados por
apresentarem menores correntes de operação e maiores tensões quando
comparados aos módulos de c-Si. Por utilizarem as células em contato
direto com o vidro, estes módulos são mais vulneráveis a fuga de íons para
a terra, acarretando na degradação na camada de TCO (óxido transparente
condutivo). Sendo assim necessário o aterramento do polo negativo (MAR-
TÍNEZ-MORENO; FIGUEIREDO; LORENZO, 2018).
Existem diferentes requisitos na composição dos sistemas, alguns
países recomendam por meio de normas as configurações mínimas para
conexão à rede. Por exemplo, na Europa as tensões c.c. podem chegar até
1000 V e nos EUA somente até 600 V, bem como os inversores sem transfor-
mador que são usados na Europa e nos EUA é comum usar inversores com
transformador pois um dos polos c.c. deve ser aterrado (PINGEL et al., 2010).
Os módulos cristalinos que usam silício tipo p ou os filmes finos
(a-Si), operam sob polarização negativa e evitar o potencial negativo é
uma solução para minimizar o impacto do PID, independentemente das
propriedades da célula ou do módulo (BRECL; BOKALIC; TOPIC, 2017). Isto
pode ser possível aterrando o polo negativo do sistema, obrigando o uso
apenas de potenciais positivos (PINGEL et al., 2010; RAMPINELLI; BÜHLER,
2012). No caso de se tratar de células cristalinas tipo n, ocorre o inverso, e
neste caso o uso de tensões elétricas positivas evitam o fenômeno, por
isso se aterra o polo positivo. Assim, evitam-se diferenças de potencial à
terra positivas (LEITE, 2012; RAMPINELLI; BÜHLER, 2012).
Os sistemas fotovoltaicos atualmente em sua maioria não pos-
suem o polo negativo nem o positivo ligados à terra (floating potential),
dessa forma, os inversores estão equipados com medidor de resistência
à terra, que monitora o sistema para baixas resistências ao solo causadas
pela degradação do isolamento (MARTÍNEZ-MORENO; FIGUEIREDO; LO-
RENZO, 2018).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 156

Diante das características de operação dos diferentes tipos de


módulos FV, a SMA Solar Tehnology especialista no desenvolvimento de
inversores FV, apresenta um resumo dessas necessidades (quadro 5.1)
(RAMPINELLI; BÜHLER, 2012). Dessa forma é possível na concepção de um
projeto de sistema fotovoltaico, prever tecnologias de gerador FV, inversor
e também qual prática de aterramento utilizar em cada caso, garantindo a
segurança e incremento do desempenho.

Quadro 5.1 – Recomendações de aterramento conforme modelo de inversor utilizado,


dadas pela SMA.

Inversores sem transformadores


Tecnologia FV ou Inversores com
característica transformadores Sem Aterramento do Aterramento do
aterramento polo negativo polo positivo

Silício cristalino R R R R_EL R_EL

Filmes finos NR NR NR R NR

Contato posterior NR NR NR NR R

Flexível ou
com substrato NR R_EL R R R
metálico traseiro
Legenda: R = Recomendado; NR = Não recomendado; R_EL = Recomendado para uma
extensão limitada.
Fonte: Rampinelli e Buhler (2012).

Outro fator importante para garantir a compatibilidade entre equi-


pamentos, é a análise da resposta aos diferentes níveis de irradiância para
diferentes tecnologias de módulos FV. Por exemplo, o silício amorfo apre-
senta eficiência nominal para praticamente todos os níveis de irradiância
(REICH et al., 2005) e dessa forma o FDI recomendado seria entre 0,9 e 1,1
(HUSSIN et al., 2012).

Fator de dimensionamento de inversor c.c./c.a.

A otimização do sistema FV de geração distribuída é fundamental


para garantir o máximo desempenho energético, segurança de operação e
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 157

viabilidade econômica (FARANDA et al., 2015). Os projetistas devem procu-


rar o perfeito casamento das características entre os componentes de um
sistema fotovoltaico, constituído basicamente de módulos fotovoltaicos,
inversores e outros componentes periféricos.
O inversor é responsável pela conversão da energia elétrica gera-
da pelos módulos fotovoltaicos em corrente contínua para energia elétrica
em corrente alternada com características e qualidade para injeção na
rede ou consumo das cargas da unidade consumidora.
A partir do desenvolvimento da tecnologia os inversores tiveram
aumentos consideráveis na eficiência c.c./c.a. e segurança na conversão
de energia, alcançando eficiências de 98% em médias potências (KRAT-
ZENBERG et al., 2014) e eficiências altas até mesmo em níveis de carre-
gamento de 10 ou 20% da potência nominal (RAMPINELLI; KRENZINGER;
PRIEB, 2007), bem como a redução dos custos (FARANDA et al., 2015). O
acoplamento entre o gerador FV e o inversor deve garantir o bom desem-
penho do conjunto.
Na literatura existem vários métodos para determinar a proporção
entre as potências do gerador FV e as potências dos inversores, com dife-
rentes nomenclaturas, v – nominal power ratio, DF – dimensioning factor, r –
sizing ratio, IPR – inverter power ratio, entre outros. Mas sempre baseados
em: razão entre potência nominal no inversor e gerador fotovoltaico em
PINV
STC: , ou razão entre potência nominal do gerador fotovoltaico em
PPV PPV
STC e potência nominal do inversor: (HUSSIN et al., 2017).
PINV
Neste trabalho se adota o conceito de fator de dimensionamento de
inversor – FDI (equação 1), para determinar a relação entre potência do inversor
e do gerador fotovoltaico em STC (RAMPINELLI; KRENZINGER; PRIEB, 2007).

PINV
FDI =� � � (1)
PFV
em que Pinv é a potência nominal do inversor e PFV é a potência do
gerador em STC.
Muitos autores propõem duas maneiras de dimensionar o inversor
em relação ao gerador fotovoltaico. A primeira é dimensionar o inversor
para a potência nominal do gerador e a segunda é reduzir a potência do
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 158

inversor para aproximadamente 70% da potência do gerador (BURGER; RU-


THER, 2006; CHEN et al., 2013). Alternativamente alguns autores levam em
consideração a tecnologia do gerador FV para definir intervalos otimizados
para o dimensionamento dos inversores (BURGER; RUTHER, 2006; DIAS;
BATISTA, 2006; MACÊDO; ZILLES, 2007; NOTTON; LAZAROV; STOYANOV,
2010). Deschamps e Ruther (2019), mostram, na tabela 5.1, as perdas de-
vido aos diferentes carregamentos do inversor para várias tecnologias de
módulos FV, a avaliação foi feita em Brotas de Macaúbas, Brasil.
Tradicionalmente, no dimensionamento do conjunto gerador foto-
voltaico-inversor, os projetistas de sistemas fotovoltaicos optam por uma
potência maior do gerador FV em comparação à potência do inversor, ou
seja, fator de dimensionamento de inversor inferior a unidade (ABD EL-AAL
et al., 2006; BURGER; RUTHER, 2006; DEMOULIAS, 2010; HUSSIN et al.,
2012; KHATIB; MOHAMED; SOPIAN, 2013; MONDOL; YOHANIS; NORTON,
2006; NOTTON; LAZAROV; STOYANOV, 2010; RAMLI et al., 2015; RODRIGO;
VELAZQUEZ; FERNANDEZ, 2016).

Tabela 5.1 – Perdas de energia de acordo com o carregamento do inversor (ILR) de cada
tecnologia FV - silício amorfo (a-Si)/microcristalino (uc-Si), silício amorfo de junção única (a-
Si), disseleneto de cobre-índio-gálio (CIGS) e silício monocristalino (c-Si) e multicristalino (m-Si).

ILR a-si/uc-si a-Si CIGS c-Si m-Si

100% 0,0% 0,2% 0,0% 0,0% 0,0%

105% 0,1% 0,5% 0,0% 0,1% 0,1%

110% 0,3% 0,9% 0,0% 0,2% 0,2%

115% 0,5% 1,6% 0,1% 0,6% 0,5%

120% 1,0% 2,4% 0,3% 1,2% 1,0%

125% 1,7% 3,5% 0,7% 2,2% 1,8%

130% 2,7% 4,8% 1,3% 3,3% 2,9%

135% 3,9% 6,3% 2,1% 4,7% 4,2%

140% 5,2% 7,8% 3,2% 6,1% 5,6%

145% 6,5% 9,3% 4,4% 7,6% 7,0%

150% 8,0% 10,8% 5,7% 9,1% 8,5%


Fonte: Deschamps e Ruther (2019).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 159

Gerenciamento térmico de inversores

Perin (2016), descreve as estratégias internas de controle da tem-


peratura dos inversores:

• Dissipador térmico passivo: em elementos que possuem maior


aquecimento, são utilizados blocos metálicos de alumínio ou
cobre acoplados entre os elementos e o ambiente. Para am-
pliar a dissipação do calor esses blocos podem possuir aletas
para facilitar a convecção natural e a radiação.
• Dissipador térmico ativo: estes possuem aletas e ventilação
forçada, desta forma, é possível alcançar uma mesma dissipa-
ção térmica utilizando dissipadores com menores dimensões.
Porém ocorre o consumo de energia elétrica para operação do
ventilador. Por possuir partes móveis, é necessária manuten-
ção, limpeza e substituição periódica dos ventiladores.
• Termostato limite liga/desliga: Este sistema atua, registrando
uma falha ou desligando o inversor sempre que a temperatura
ultrapassar um valor pré-determinado.
• Redução da potência: Nesta estratégia ocorre a redução da
potência de saída, em momentos que a temperatura interna
atinge seu limite máximo. Este recurso é chamado de tempe-
rature derating. Este controle é considerado uma estratégia
avançada e está presente nos inversores comerciais.

O gráfico 5.3 ilustra o corte de potência c.a. devido a limitação de


temperatura e apenas em temperaturas críticas pode ocorrer o desliga-
mento do inversor (RAMPINELLI; KRENZINGER; BÜHLER, 2016; SOLAR
TECHNOLOGY, 2019). A premissa deste controle é de que com a redução
da potência elétrica, ocorre também a redução da potência térmica. Nor-
malmente o seguidor do ponto de máxima potência busca o ponto onde
ocorrem os valores máximos de tensão e de corrente elétrica (COELHO;
DOS SANTOS; MARTINS, 2012), a partir da atuação da proteção contra su-
peraquecimento o ponto de interesse é deslocado para tensões elétricas
superiores a tensão do ponto de máxima potência.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 160

Gráfico 5.3 – Curva de potência de operação simulada.


Fonte: Rampinelli (2010).

Não é desejado que ocorra com frequência a atuação desta roti-


na de proteção, pois a potência elétrica é desperdiçada para atender os
limites de temperatura de operação. Por outro lado, garante a confiabili-
dade e a continuidade de operação, pois ocorre o desligamento apenas
em casos extremos.
Os gráficos 5.4a-c), demonstram a operação sob diferentes
condições de carregamento e temperatura do sistema FV. Rampinelli,
Krenzinger e Prieb (2007) apresentam no gráfico  5.4a um dia em que a
temperatura ambiente não ultrapassa os 30 °C, nesse cenário conforme
as curvas mostram, não houve sobrecarga e nem sobretemperatura no
inversor. No gráfico 5.4b ocorre sobrecarga e consequentemente o corte
de potência na saída do inversor entre 10h e 14h, dessa forma, ocorrem
temperaturas na faixa de 58 °C e a perda energética foi de aproxima-
damente 10%. O gráfico 5.4c apresenta o caso em que ocorre, além da
sobrepotência, também a sobretemperatura. Dessa forma, a potência de
saída, que já estava limitada, sofre ainda outra redução, devido ao controle
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 161

de temperatura que altera o ponto de máxima potência, a fim de atingir


uma potência de operação segura com temperaturas seguras.

Gráfico 5.4 – Curva de potência de operação simulada.


Fonte: Rampinelli, Krenzinger e Prieb (2007).

O fabricante SMA (2019), elenca alguns motivos para atuação des-


te controle, tais como: condições desfavoráveis para dissipação de calor
devido as características de instalação; dimensionamento incompatível
entre inversor e gerador FV; locais de altitudes desfavoráveis e tensão c.c.
constantemente alta. Dentre os vários motivos para a ocorrência do supe-
raquecimento, Perin (2016) aponta para o dimensionamento entre inversor
e gerador FV inadequado.
O gráfico 5.5 exemplifica a atuação da proteção de temperatura
para determinado fabricante, o processo de deslocamento do ponto de
máxima potência inicia quando a temperatura ambiente chega próximo
de 45 °C, em caso extremo, ou seja, quando atingir 60 °C o inversor acaba
saindo de operação (SOLAR TECHNOLOGY, 2019).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 162

Gráfico 5.5 – Curva de potência de operação com temperature derate.


Fonte: Solar Technology (2019).

No caso da ocorrência constante de altas tensões c.c. a que são


submetidos os inversores o fabricante exemplifica a atuação da proteção
de sobretemperatura para esses casos, conforme gráfico 5.6 (SOLAR
TECHNOLOGY, 2019). Nesses casos, pode-se considerar que as elevadas
tensões de operação, que podem ser acarretadas pelo subdimensiona-
mento dos inversores, fazem com que a atuação do corte de potência
aconteça com temperaturas menores e aumente as perdas energéticas
em momentos de altas irradiâncias.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 163

Gráfico 5.6 – Curva de potência de operação em diferentes níveis de tensão c.c. com
temperature derate.
Fonte: Solar Technology (2019).

As mudanças de temperatura ambiente e consequentemente de


operação, causam processos contínuos de aquecimento e refrigeração,
ou seja, ciclos térmicos. A magnitude destes ciclos é um dos parâmetros
mais críticos em relação a vida útil dos equipamentos eletrônicos. Nesse
sentido o controle térmico ativo tem como objetivo a redução dos ciclos
térmicos, reduzindo a probabilidade de ocorrências que causem manu-
tenções e consequentemente perdas energéticas (FALCK; ANDRESEN;
LISERRE, 2015).
Como exemplo, determinado fabricante, registra a temperatura
de operação internamente utilizando um termistor. O sensor fica próximo
aos transistores bipolares de porta isolada – IGBTs e componentes de
potência, dessa forma a temperatura de operação desses componentes
possui um ∆ de aproximadamente +20 °C. Em um estudo de caso de Fli-
cker et al. (2017), seus dados mostram um aumento de até 35 °C acima da
temperatura ambiente, quando analisadas as temperaturas de operação
dos componentes eletrônicos dos inversores. E ainda foi registrado que o
componente mais suscetível em função da irradiância medida foi o IGBT.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 164

Inversores de maiores potências podem ter além do sistema con-


vencional de troca de calor por convecção, um sistema de refrigeração
ativo, que na maioria dos casos incluem ventiladores. Sendo assim os mo-
tores apresentam um mecanismo que também pode apresentar falhas e
deve ser considerado em manutenções programadas (HACKE et al., 2018)
Utilizando dados de operação de sistemas FV conectados à rede,
com características descritas na tabela 5.2, no gráfico 5.7 se tem as curvas
de operação do SFCR A com FDI 0,76, ou seja, com inversor subdimensio-
nado em diferentes condições de irradiância diária.

Tabela 5.2 – Características dos SFCR utilizados neste trabalho.

Inversor
Gerador Temp. Tempo de
c.c./c.a. FDI Fabricante Local Ventilação
(kWp) Derating Monitoramento
(kW)

Jacinto -25~60 °C
Convecção
SFCR A 3,00 3,96 0,76 PHB Machado/ (acima 45 Dez/2018
Natural
SC °C derate)

-25~60 °C
Araranguá/ Convecção
SFCR B 3,00 3,25 0,92 PHB (acima 45 Dez/2017
SC Natural
°C derate)
Fonte: Elaborada pela autora.

Em que é possível verificar a relação direta da temperatura com a


potência de operação. Nos momentos em que o inversor c.c./c.a. atinge
sua potência nominal, acontece o corte de potência e consequentemente
a dissipação de energia térmica (gráfico 5.7a), da mesma forma, atuam as
estratégias de deslocamento do ponto de máxima potência para diminuir
sua temperatura instantânea de operação (gráfico 5.7b). O gráfico 5.7c, por
se tratar de um período com menor recurso solar na região, apresenta
menor curva de potência em operação e consequentemente menores
temperaturas registrada.
As temperaturas máximas registradas para os três dias da análise
foram de 70,3 °C, 73,1 °C e 59,3 °C, o que evidência ainda mais a relação
da potência de operação com a temperatura em que o inversor c.c./c.a.
é submetido. Vale ressaltar que a temperatura de derate deste inversor
é de 45 °C.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 165

a) 75
08/12/2018

3000

60

Temperatura (°C)
Potência (W)

2000

45

1000

30

0
08:00 10:00 12:00 14:00 16:00 18:00

Horas (h)

75
b) 27/12/2018

3000

60

Temperatura (°C)
Potência (W)

2000

45

1000

30

0
08:00 10:00 12:00 14:00 16:00 18:00

Horas (h)
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 166

Gráfico 5.7 – Curvas de potência e temperatura em operação, a) data: 08/12/2018, b)


27/12/2018 e c) 28/08/2019.
Fonte: Elaborada pela autora.

O gráfico 5.8 apresenta uma análise estatística da temperatura de


operação dos sistemas. Para todos os meses do ano o SFCR A apresenta
valores superiores de temperatura em relação ao SFCR B. Conforme a dis-
persão de dados, a amplitude de 50% das medidas de temperatura para
o SFCR A fica de 31,5 °C até 68,3 °C, já para o SFCR B a amplitude é menor
ficando de 29 °C até 52,4 °C, considerando os 12 meses.
A mediana indica o valor típico de operação e, apesar de os dois
sistemas apresentarem medianas com temperaturas adequadas, o SFCR
A com inversor c.c./c.a. subdimensionado apresenta temperaturas de
operação bastante elevadas em determinados meses, atingindo 80 °C. Isso
provavelmente reduzirá reduzir sua vida útil, devido ao estresse dos com-
ponentes eletrônicos internos (SCARABELOT; RAMPINELLLI; RAMBO, 2020).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 167

Gráfico 5.8 – Boxplot de temperatura dos sistemas SFCR A e SFCR B (inversores c.c./c.a. 3 kW).
Fonte: Scarabelot, Rampinelli e Rambo (2020).

Confiabilidade e vida útil

Os sistemas FV utilizam uma ampla variedade de inversores


c.c./c.a. em relação a potência e topologias. Dessa forma, a confiabilidade
deste equipamento depende de cada componente interno e extrair ten-
dências precisas das falhas e seus impactos se torna um processo com-
plexo (LILLO-BRAVO et al., 2018). Em campo estes equipamentos que são
projetados de maneira padrão são instalados em diferentes locais, sendo
submetidos a diferentes condições de operação (BRITO et al., 2018; LENZ;
PINHEIRO, 2018).
Toledo et al. (2019) comentam que ocorrem uma média de 32,2%
de inversores com falhas após dez anos de operação. Diante desse fato
existe a necessidade do monitoramento, verificações periódicas e a correta
manutenção, garantindo a vida útil e adequado desempenho energético
dos sistemas fotovoltaicos. Os dados de monitoramento em tempo real
fornecidos pelos inversores c.c./c.a. são de extrema importância para o
acompanhamento de sua operação e identificação de falhas pontuais
(TOLEDO et al., 2019).
Lillo-Bravo et al. (2018) apresentam um estudo utilizando vários
sistemas FV em operação por 15 meses, concluindo que a maior perda de
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 168

energia elétrica pode ser atribuída as falhas de inversores e sistema c.a..


Dessa forma, são necessários dados de sistemas em operação, simulações
e também ensaios acelerados de vida útil em laboratório.
Brito et al. (2018) mostram a teoria da Física da Falha (PoF), que
tem por objetivo identificar possíveis falhas causadas por aspectos físicos.
Utilizando este conceito é possível aplicá-lo para os sistemas FV, por meio
do projeto de confiabilidade (DfR) (fluxograma 5.1), prevendo a vida útil dos
dispositivos de eletrônica de potência quando submetidos a diferentes
estratégias de operação.
Este modelo pode ser uma ferramenta para avaliar a vida útil
considerando perfis de operação, ambiente de uso, materiais e instalação
(BRITO et al., 2018; HACKE et al., 2018). Dessa forma é necessário o perfil
de missão, ou seja, características de operação em campo para estimar
a confiabilidade dos sistemas fotovoltaicos, sendo assim um desafio a
abordagem do DfR e consequentemente definir uma solução aplicável
em qualquer ambiente e condições de operação (SANGWONGWANICH
et al., 2020). Deve-se considerar toda a lista de materiais e detalhes de
montagem como entrada dos dados (HACKE et al., 2018).

Fluxograma 5.1 – Projeto de confiabilidade utilizando a teoria da física da falha.


Fonte: Adaptada de Brito et al. (2018).

Quando se trata das placas de circuito impressas e soldas dos


inversores c.c./c.a., deve-se considerar as falhas por fadiga. Esses com-
ponentes sofrem deformações cíclicas devido a incompatibilidade no
coeficiente de expansão térmica dos materiais. O fator de aceleração do
ciclo térmico para uma temperatura média pode ser definido pelo método
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 169

Coffin-Manson, porém é negligenciado os efeitos do tempo de permanên-


cia e amplitude (HACKE et al., 2018).
Para análise de falhas com relação a temperatura e também aos
ciclos térmicos o modelo de Coffin-Manson modificado pode ser utilizado
(equação 5). Este modelo considera a temperatura máxima (Tmax ),),(viações
de temperatura (∆T) que levam a fadiga dos materiais, devido as dilata-
ções térmicas e por fim ainda considera a frequência de ocorrência dos
ciclos térmicos. Outras condições como vibrações e umidade podem ser
consideradas no coeficiente M (PERIN, 2016).

b Ea 1
1 a k Tmax (5)
Nf M. . f e
T

em que, N f o número de ciclos até a falha, ∆T é a variação


da temperatura no ciclo, f é a frequência, por dia ou por hora, Tmax é
a temperatura máxima absoluta que ocorre no ciclo, Ea é a energia de
ativação, a a frequência dos ciclos (normalmente próximo a 1/3), b é o
expoente da variação da temperatura (normalmente próximo a 2) e M é
um coeficiente que pode ser determinado experimentalmente.
Hacke et al. (2018), em sua revisão, ainda destacam a taxa de falhas
de outros itens que devem ser avaliados para conclusão da vida útil dos
inversores c.c./c.a., tais como, transistores bipolares de porta isolada –
IGBTs (18%), capacitores (4%), diodos (11%), problemas nas conexões (5%),
componentes defeituosos (9%).
Alguns autores relatam que uma das principais causas das falhas
dos inversores se dá pelo uso de capacitores eletrolíticos, na tentativa de
contornar essa fragilidade com o avanço da tecnologia se tenta aplicar
capacitores reduzidos, não eletrolíticos e outros elementos. Porém, em al-
gumas estratégias a estrutura de conversão dos inversores acaba ficando
ainda mais complexa (KAMALIRAD et al., 2018)
Os capacitores eletrolíticos utilizados em inversores monofásicos,
estão disponíveis em várias faixas de temperatura, - 20 °C a 55 °C ou então
os mais robustos de -55 °C a 125 °C. E dessa forma, os fabricantes de inver-
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 170

sores podem optar de acordo com o seu projeto, garantindo a operação e


vida útil. Adicionalmente os capacitores eletrolíticos tem sua vida útil pre-
judicada pelo aumento da temperatura e tensões elétricas de operação,
podendo ser responsáveis por 50% das falhas na quando se trata da parte
eletrônica (LENZ; PINHEIRO, 2018). Os inversores c.c./c.a. podem utilizar
vários tipos de capacitores, por exemplo, os eletrolíticos geralmente são
utilizados para manter a tensão do barramento c.c., já os poliméricos são
utilizados para uma variedades de aplicações, porém tem um custo eleva-
do (HACKE et al., 2018)
Lenz e Pinheiro (2018), apresentam um estudo utilizando diferentes
condições climáticas, baseando-se em dados meteorológicos e modelos
para simular a operação de sistemas fotovoltaicos , para avaliar o desem-
penho elétrico e térmico e ainda a estimativa da vida útil dos capacitores
utilizados no barramento c.c..
Ocorre também a publicação das estatísticas de falhas no tempo
em várias temperaturas dos IGBTs, podendo ser estimadas as taxas e o
tempo médio até a falha, com base no ajuste estatístico de dados coleta-
dos em campo ou testes em laboratório (HACKE et al., 2018). Os IGBTs e
os transistores de efeito de campo (FETs) podem ter seus dados de vida
útil considerando temperatura pela relação de Arrhenius (equação 6), o
modelo assume que a degradação é linear no tempo e depende da tem-
peratura (PERIN, 2016).

Ea 1 1
FR1 MTBF2 k
.
T2 T1
e (6)
FR2 MTBF1

em que FR1 e FR2 ão as taxas de falhas nas temperaturas de


teste ( T1 )) e temperatura da condição de uso ( T2 )), MTBF2 são os
tempos médios entre as falhas nas temperaturas T1 e T2 , Ea é a energia
de ativação, k é a constante de Boltzman (8,63.10 - 5 eV/K).
Gurpinar et al. (2016) relatam que os mecanismos de falhas estão
relacionados com os ciclos de temperatura e condições em campo devem
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 171

ser avaliadas para que os componentes internos do inversor não sofram


sobrecargas, de acordo com seus aspectos construtivos.
Considerando ciclos não uniformes a equação 7 determina a quan-
tidade de defeitos por meio-ciclo (qdpmc). A operação em campo leva a
condições aleatórias e variáveis, sendo assim as temperaturas médias e as
amplitudes mudam constantemente. Um meio-ciclo é caracterizado pela
variação entre vale e pico de temperatura, que ocorrem com combinações
variadas de temperaturas máximas (Tmax) e amplitudes (∆T). Este método
– Miner´s rule, depende da contribuição de diferentes combinações de
fonte de falhas, temperatura média e faixa de temperatura (PERIN, 2016).
Também são considerados dados de temperatura média e variação de
amplitude para contagem de ciclos (GURPINAR et al., 2016)

1
qdpmcTmax T (7)
Nf
Tmax T

Também é possível estimar a quantidade de defeitos acumulados


(qda) (SANGWONGWANICH et al., 2018b) (equação 8). Essa metodologia
é uma adaptação da regra de acumulação de danos lineares Palmgren-
-Miner. Dessa forma diferentes temperaturas podem ser aplicadas, e de
acordo com a regra, a falha acontece quando a soma do dano acumulado
é igual a um (LENZ; PINHEIRO, 2018).

nTmax T
qda (8)
Nf
Tmax T

em que, nTmax ,� � � ∆T é o número de ocorrências de ciclos para dife-


rentes pares de temperatura máxima e variação de temperatura e Nf é
o número de ciclos até a falha para os diferentes pares de temperatura
e variação.
Musallam et al. (2015) detalham resultados da avaliação de vida útil
do substrato e soldas dos IGBTs em função das diferentes temperaturas
médias de operação (gráfico 5.9). Conforme são aplicadas temperaturas
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 172

mais elevadas, ou seja, maiores temperaturas permitidas na operação dos


dispositivos menor será a quantidade de ciclos até a falha, consequente-
mente menor a vida útil dos componentes avaliados.
O estudo também cita que a estimativa da vida útil depende das
condições locais de aplicação, já que cada perfil de operação gera diferen-
tes efeitos térmicos e mecânicos nos componentes eletrônicos, afetando
a probabilidade de falhas.

Gráfico 5.9 – Curvas do número de ciclos do substrato-solda em função das variações de


temperatura.
Fonte: Adaptada de Musallam et al. (2015).

A estratégia utilizada por muitos inversores c.c./c.a. em deslocar o


ponto de máxima potência caso a temperatura exceda os limites de ope-
ração, causa preocupação, pois a verificação do novo ponto exigirá testes
além das temperaturas especificadas pelos equipamentos. Hacke et al.
(2018) apresentam um fabricante que utiliza a metodologia de Hallberg-
-Peck para estimar o tempo de falha considerando ciclos térmicos de -25
°C até 60 °C, ou seja (∆ de 85 °C) porém existem casos que seria necessário
utilizar de – 40 °C até 85 °C (∆ de 125 °C).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 173

Dessa forma, nos modelos de Coffin-Manson, considerando


as deformações cíclicas devido a incompatibilidade no coeficiente de
expansão térmica dos materiais, pode-se utilizar a forma adaptada para
determinação do fator de aceleração do ciclo térmico (equação 9), porém
é necessário negligenciar o efeito do tempo de permanência.

n
N �  T 
FATC  � stress  �  stress  (9)
N uso  Tuso 

em que N é o número de ciclos, na condição de stress em ope-


ração e na condição de uso, definida pelo fabricante ou por condições
ideais, ∆Tstress representa a temperatura acima da sugerida pelo fabricante
e ∆Tuso seria temperatura em uma condição favorável de operação e n = 2,5
é comumente utilizado para fadiga das juntas das soldas e 4 para falhas
nas interconexões dos circuitos integrados. Esse expoente é utilizado para
ajustar os dados de falha para o ciclo térmico (HACKE et al., 2018).
Os ventiladores utilizados para o resfriamento, possuem motores
que tem sua vida útil relacionada também com a temperatura de opera-
ção, sendo sua velocidade de uso e torque utilizados para prever sua vida
útil. Um estudo que abordou inversores centrais com resfriamento ativo,
demonstra que quando alterada a temperatura permitida de operação de
25 °C para 67 °C, o que seriam 30 anos de operação se tornaram menos de
83 dias (HACKE et al., 2018).
Dessa forma, é possível entender que os dados e testes são re-
alizados pelos fabricantes em ambientes de laboratórios representando
apenas condições típicas e não condições de campo. Amostras e aplica-
ção em sistemas FV em operação sob diferentes condições promoveriam
aprendizado para o aprimoramento das linhas de produção (HACKE et al.,
2018). Isso inclui testes de longo prazo dos fatores ambientais e da rede
elétrica local em que estes sistemas FV estão inseridos.
Sangwongwanich et al. (2020) apresentam um estudo comparando
questões energéticas e vida útil para inversores subdimensionados (FDI =
0,71) e aplicados as características de operação do Arizona e Dinamarca (ir-
radiância e temperatura ambiente). Este estudo descreve a determinação
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 174

da vida útil dos capacitores como objetivo. Os resultados da temperatura


de operação revelam que o inversor operando com características do Ari-
zona, será submetido a uma tensão térmica maior. Ressalta-se que para a
região do Arizona foram apresentados níveis de irradiância e temperatura
ambientes superiores do que na Dinamarca.
Dessa forma, concluiu-se a possibilidade de melhorar o rendimento
energético para a Dinamarca já que o inversor poderia aperar em um potência
superior a nominal, porém no Arizona é necessário limitar o inversor para 87,5%
da sua potência e nesse sentido os dois inversores atingiriam a expectativa de
vida de 20 anos operando em temperaturas seguras (gráfico 5.10).

Gráfico 5.10 – Análise energética utilizando estratégias para determinação do corte de


potência. a) Plimite<Pinv e b) Plimite>Pinv (Pinv: Potência nominal do inversor fotovoltaico, Pdisponível:
energia fotovoltaica disponível, Plimite: nível do limite de potência).
Fonte: Adaptada de Sangwongwanich et al. (2020).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 175

Outra questão é abordada por Sangwongwanich et al. (2018), em


que a análise de confiabilidade é feita utilizando diferentes resoluções
para os perfis de operação. O gráfico 5.11 mostra a importância do uso de
dados de alta frequência. Por exemplo, o resultado do acumulo de danos
simulados para dados a cada 5 minutos dobra quando utilizados dados a
cada 1 segundo. Dessa forma é possível analisar completamente as rápi-
das oscilações de irradiância e ciclos térmicos.

Gráfico 5.11 – Danos acumulados no dispositivo eletrônicos com diferentes resoluções


nos dados de irradiância.
Fonte: Sangwongwanich et al. (2018b).

Outros fatores também necessitam de testes em campo, por


exemplo, os efeitos de descargas atmosféricas, diretas e indiretas, e ainda
as oscilações da rede elétrica na qual os inversores são conectados, uma
vez que essas oscilações ocorrem em vários parâmetros da operação,
sendo difícil a previsão das ocorrências e das respostas dos inversores
(HACKE et al., 2018). Com análises realizadas em campo é possível estabe-
lecer padrões de manutenções e reduzir custos de reparos e evitar perdas
energéticas, aumentando a disponibilidade e confiabilidade na geração de
energia elétrica.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 176

Considerações finais

Neste Capítulo foram abordadas características e aspectos de


operação dos inversores c.c./c.a. utilizados em SFCR. Considerado o
componente mais suscetível a falhas do sistema, os inversores c.c./c.a.
atualmente contam com uma avançada eletrônica de potência, que per-
mite a operação sob condições de oscilações rápidas da rede elétrica de
distribuição na qual o SFCR é conectado.
Diante da comparação em termos de eficiência de conversão
c.c./c.a. ao longo dos anos, os equipamentos disponíveis comercialmente.
Os inversores atuais, disponíveis comercialmente, apresentam elevadas
eficiências c.c./c.a. em praticamente todos os níveis de carregamento,
alcançando eficiências de 98% em médias potências, além de garantirem
a segurança na conversão de energia elétrica
Porém, deve-se priorizar pelo bom uso do equipamento, proporcio-
nando condições de operação ideais em termos de dimensionamento e ins-
talação. O fator de dimensionamento dos SFCR, deve ser definido levando
em consideração os impactos na confiabilidade e vida útil que devem ser
determinados juntamente com as características ambientais locais.
A análise de operação de SFCR sob diferentes FDI, mostrou que
ocorrem condições distintas em termos energéticos e térmicos. Consta-
tou-se que os inversores c.c./c.a. subdimensionados apresentam maiores
frequências de sobrepotência e, consequentemente, atingem maiores
níveis de temperatura de operação ao longo do ano, além de perdas
energéticas, ocasionadas pelo corte de potência elétrica. Essa condição
poderá reduzir sua vida útil devido ao estresse dos componentes eletrôni-
cos internos, isso se deve ao fato de que a vida útil e a confiabilidade dos
equipamentos eletrônicos de potência estão diretamente afetadas pela
temperatura de operação.
Os projetistas devem procurar o perfeito casamento das caracterís-
ticas entre os componentes de um sistema fotovoltaico, constituído basica-
mente de módulos fotovoltaicos, inversores c.c./c.a. e outros componentes
periféricos. Deve-se levar em consideração as características ambientais e
de instalação, proporcionando confiabilidade e redução de custos futuros.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 177

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MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 181

CAPÍTULO 6
Dimensionamento de
sistemas fotovoltaicos

O dimensionamento correto do seu sistema fotovoltaico é


imprescindível para um projeto confiável e que entregue a geração de
energia prometida para o seu cliente. Existem diversos softwares que
realizam esse dimensionamento, agilizando seu trabalho, porém é im-
portante saber como realizar esse dimensionamento na prática, para te
ajudar iremos apresentar a seguir:

Identificando o seu projeto

A primeira coisa que deve ser feita ao iniciar um projeto de sistema


fotovoltaico é identificar as principais características, como localização da
unidade consumidora (UC), direcionamento de telhado, angulação, entre
outros, como: localização da unidade consumidora (UC), direcionamento
de telhado, angulação, entre outros.
Após a análise desses detalhes é essencial analisar o histórico de
consumo da fatura de energia para definir o percentual de consumo a ser
suprido para identificar qual a potência de módulo adequada.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 182

Analisando a fatura de energia e unidade consumidora

Ao analisar uma fatura de energia há três pontos principais a serem


analisados: o tipo do fornecimento de energia (mono, bi ou trifásico), a po-
tência disponibilizada para a UC (grupo A ou B) e o histórico de consumo
da UC.
Então, com esses detalhes devidamente analisados e somados às
coordenadas e a área disponível é possível definir o arranjo fotovoltaico
a ser utilizado. Outro ponto a se considerar, é a instalação pré-existente
no local a ser instalado o sistema fotovoltaico, se os condutores, cabos,
disjuntores e proteções serão capazes de suportar a demanda do sistema.

Dimensionamento do sistema fotovoltaico

Módulos

Após identificar seu projeto e analisar as principais características


da UC, precisamos dimensionar a quantidade de módulos necessários
para atender o consumo do local. Primeiro precisamos calcular a potência
de pico do módulo fotovoltaico, como segue (FOTOVOLTAICA UFSC, 2015):

E Psol
Ppico  (1)
G poa PR

Em que,

Ppico = potência de pico do módulo fotovoltaico (kWp)


E = Energia consumida diariamente pelas cargas (kWh/dia)
Psol = Irradiância de referência (1 kW/m²)
Gpoa = Irradiação diária do plano dos módulos (kWh/m². dia)
PR = Performance Ratio – Coeficiente de desempenho (adimensional)
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 183

A Perfomance Ratio é uma relação entre o desempenho teórico do


sistema fotovoltaico e o desempenho real dele. Se não houvesse nenhuma
perda no sistema o valor de PR seria 1, porém como há diversas variantes
que implicam no desempenho do sistema, como sombreamento, sujeira e
perdas elétricas, podemos considerar que o PR varia entre 75 a 80% para
sistemas bem dimensionados (FOTOVOLTAICA UFSC, 2015).
Vamos analisar o exemplo: Uma residência em Araranguá (SC)
com consumo médio mensal de 200 kWh, gostaria de instalar em seu
telhado um gerador fotovoltaico com capacidade para atender seu consu-
mo energético. Qual a potência do módulo fotovoltaico para atender esta
demanda? (Obs.: considerando a média mensal de irradiação de 4,15 kWh/
m².dia; e considerando que a residência é monofásica).
Como a taxa de disponibilidade de uma residência monofásica é
de 30 kWh/mês devemos descontar esse valor do consumo mensal para
não gerar energia a mais que o necessário, então o consumo médio men-
sal da residência é de 170 kWh.

E Psol 170 1
Ppico 1, 82 kWp 1820Wp
G poa PR 4 15 30 0 75

Para descobrir a quantidade de módulos que iremos utilizar devemos


dividir esse valor pela potência de pico de cada módulo. Tomaremos como
exemplo um módulo de 240 Wp. Assim, arredondando o valor teremos que
utilizar 8 módulos fotovoltaicos para atender a demanda desse consumidor.

Conexão entre módulos

Os módulos fotovoltaicos podem ser conectados de duas formas:


em série e em paralelo, mas a escolha vai depender da corrente e da ten-
são que desejamos. Quando a conexão é realizada em série (figura 6.1a),
conecta-se o terminal positivo de um módulo ao terminal negativo de
outro (CRESESB, 2014). Essa ligação permite a soma das tensões, porém o
valor da corrente é a mesma, como a seguir:
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 184

V V1 V2 V3 Vn (2)

I I1 I 2 I3 I n (3)

Para que a associação em série de fato tenha o valor de corrente


igual é considerado que os módulos são idênticos e estão sob as mes-
mas condições de radiação e temperatura (CRESESB, 2014). Em caso de
sombreamento, a corrente do conjunto sempre vai ser determinada pelo
módulo com menor corrente individual (CRESESB, 2014).
Já em caso de conexões em paralelo (figura 6.1b), une-se os ter-
minais positivos de todos os módulos entre si e da mesma forma com os
terminais negativos, com isso teremos a soma das correntes sem alteração
da tensão:

I I1 I 2 I3 I n (4)

V V1 V2 V3 Vn (5)

Figura 6.1 – Associação de módulos: a) em série; b) em paralelo.


Fonte: CRESCESB (2014).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 185

Inversor

Com a intenção de otimizar o inversor ao máximo, o dimensiona-


mento do inversor não pode ser realizada muito abaixo da nominal e nem
muito maior do que ele pode suportar (CRESESB, 2014). Como a potência
dos módulos diminui conforme o aumento da temperatura, costuma-se
dimensionar o gerador fotovoltaico com potência nominal superior a do
inversor. Segundo Cresesb (2014), mesmo quando a irradiância está perto
de 1000 W/m², a potência do gerador dificilmente vai ser aproximar de sua
potência nominal.
O Fator de Dimensionamento de Inversores (FDI) é a relação entre
a potencia nominal CA do inversor e a potência de pico do gerador fotovol-
taico, conforme a equação (CRESESB, 2014):

Pnom �
FDI =� (6)
PFV

Em que:
FDI = fator de dimensionamento do inversor (admensional)
Pnom = Potência nominal em corrente alternada do inversor (W)
PFV = Potência de pico do módulo fotovoltaico (Wp)
As literaturas mostram que os valores recomendados para o valor
do FDI ficam na faixa de 0,75 e 0,85, enquanto o limite superior é
de 1,05 (CRESESB, 2014).

Condutores

Os condutores devem ser dimensionados de acordo com a NBR


5410:2004. A seção mínima que é possível ser utilizada no condutor CC
deve ser de 4,0 mm² respeitando a queda de tensão máxima de 2% (RAM-
PINELLI; SCARABELOT; MACHADO, 2014). Os condutores deve ser com
dupla isolação para 1 kV (RAMPINELLI; SCARABELOT; MACHADO, 2014).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 186

Já para os condutores do lado CA deve ter seção mínima de 2,5


mm², respeitando a tensão máxima de 4%, com cabos flexíveis com isola-
ção para 750 V (RAMPINELLI; SCARABELOT; MACHADO, 2014).
O dimensionamento dos cabos pode ser realizado pela equação
a seguir:

(7)

Em que:

Scond = área da seção transversal (mm²)


∆V = queda de tensão admissível
L = comprimento do cabo
I = corrente máxima
V = tensão do circuito
ρ = resistividade do cobre (-0,0178 )

Os condutores elétricos devem ser dimensionados e instalados para


terem uma vida útil de, no mínimo, 25 anos que é a vida útil dos módulos.

Dimensionamento de sistemas fotovoltaicos com


utilização de software

Agora será realizado uma análise do passo-a-passo do dimen-


sionamento solar fotovoltaico, utilizando o software SOLergo (figura 6.2).
O SOLergo foi o primeiro software fotovoltaico em português, e permite
realizar o dimensionamento completo de sistemas fotovoltaicos conecta-
dos à rede de distribuição (grid connected), Off-grid (stand alone) e híbridos
(HIPER ENERGY, 2020). Para iniciar o dimensionamento fotovoltaico no sof-
tware é preciso analisar a fatura de energia. A figura 6.3 mostra a descrição
de uma fatura hipotética da Celesc Distribuidora S.A.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 187

Figura 6.2 – Imagem do software.


Fonte: Software Solergo (2020).

Figura 6.3 – Descrição da fatura de energia.


Fonte: Celesc (2020).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 188

Após abrir o software, coloca-se os dados gerais do sistema com


as principais informações do cliente, bem como a localização da unidade
consumidora e como serão as características do sistema fotovoltaico,
como é possível identificar na figura a seguir.

Figura 6.4 – Dados gerais do sistema.


Fonte: Software Solergo (2020).

Na aba consumo, é possível editar o perfil da unidade consumidora


em “Importar perfil de cargas mensais/diárias”. Identificamos a modalidade
tarifária, podendo ser mono-horária (um valor de tarifa em todos os horá-
rios), bi-horária (dois valores de tarifas) ou tri-horária (três valores de tarifa).
No exemplo, por ser uma residência de padrão de entrada monofásica,
escolhemos a modalidade mono-horária.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 189

Figura 6.5 – Perfil de carga.


Fonte: Software Solergo (2020).

Após carregar o perfil de carga, iremos para aba “Exposição” e de-


finiremos a orientação e instalação dos módulos fotovoltaicos. Por ser uma
unidade consumidora hipotética, utilizaremos a opção de azimute de 180° e
inclinação de telhado de 20º, mas é possível adaptar para outros ângulos.

Figura 6.6 – Exposição dos módulos.


Fonte: Software Solergo (2020).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 190

Com a exposição adequada definida, é necessário identificar os


dados relativos ao padrão da unidade consumidora (figura 6.7). Os deta-
lhes da distribuidora em “Tarifa de energia comprada” (figura 6.8), podem
ser facilmente encontrados na fatura de energia.

Figura 6.7 – Dados relativos ao padrão da UC.


Fonte: Software Solergo (2020).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 191

Figura 6.8 – Lista de tarifa.


Fonte: Software Solergo (2020).

Desta forma, na aba “Componentes” é possível definir o sistema


fotovoltaico, escolhendo os módulos e o inversor a ser utilizado. Após
indicar o módulo a ser utilizado, clique no botão “Calcular” e ele indicará
a quantidade de módulos necessários para serem utilizados no sistema
fotovoltaico (figura 6.9). Após o software calcular as informações, é neces-
sário escolher o inversor a ser utilizado e configurar os ratreadores (MPPTs)
do inversor com a quantidade de módulos de cada um, assim finalizando
o dimensionamento.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 192

Figura 6.9 – Aba componentes do sistema.


Fonte: Software Solergo (2020).

Figura 6.10 – Componentes do sistema.


Fonte: Software Solergo (2020).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 193

Ao clicar na aba “consumo” novamente, é possível analisar como


ficou o consumo do usuário, bem como comparar a quantidade de energia
gerada pelo sistema, o quanto o consumidor vai ter de autoconsumo e
também de quanto é enviado para a rede.

Figura 6.11 – Consumo do usuário.


Fonte: Software Solergo (2020).

Aterramento

Todas as estruturas metálicas, inversor e DPSs devem estar devida-


mente aterrados de acordo com a ABNT NBR 5410:2004. Caso a unidade já
possua sistema de aterramento, este pode ser utilizado para aterramento
dos componentes do sistema fotovoltaico (RAMPINELLI; SCARABELOT;
MACHADO, 2014).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 194

Figura 6.12 – Aterramento.


Fonte: Rampinelli, Scarabelot e Machado (2014).

Proteções

As proteções devem ser dimensionados de acordo com as normas:


IEC 60364-7-712t; NBR IEC 61643-1:2007 e IEC 60260-6. A figura 6.13 indica
quais as proteções podem ser utilizadas em cada ramal (RAMPINELLI;
SCARABELOT; MACHADO, 2014).

Figura 6.13 – Proteções.


Fonte: Rampinelli, Scarabelot e Machado (2014).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 195

Procedimentos

Os procedimentos para acesso de micro e minigeração distribuída


seguem o que é estabelecido na seção 3.7 do Módulo 3 do Procedimentos
de Distribuição de Energia Elétrica no Sistema Elétrico Nacional (Prodist).
Para a central geradora ter acesso a rede da distribuidora, é obrigatório que
o acessante (consumidor) siga as etapas de solicitação e parecer de acesso.
O formulário de acesso, de acordo com a potência instalada de ge-
ração (anexo A, B e C), deve ser enviado a acessada (distribuidora), onde o
acessante vai descrever todos os detalhes do sistema e protocolado junto
à distribuidora com os documentos necessários, indicados nos formulá-
rios e nos manuais de cada distribuidora (ANEEL, 2016). Após a realização
da solicitação de acesso, a distribuidora tem 15 dias para a emissão do
parecer de acesso, porém esse prazo pode chegar até 60 dias caso haja
necessidade de obras na rede elétrica.
Com a emissão do parecer de acesso, o consumidor pode realizar
a instalação do sistema, e então tem 120 dias para realizar a solicitação de
vistoria, e a distribuidora tem 7 dias para realizar a mesma, e então entregar
o relatório com pendências. Na figura a seguir é possível identificar todas
as etapas, com os respectivos prazos do procedimento de acesso.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 196

Figura 6.14 – Procedimentos para acesso à rede da distribuidora.


Fonte: Aneel (2020).

Faturamento e compensação

A Resolução Normativa nº 482/2012 estabelece o modo de fatu-


ramento para o sistema de compensação adotados quando a geração é
instalada no mesmo local de consumo, conforme segue:

II – para o caso de unidade consumidora com microgeração


ou minigeração distribuída, exceto para aquelas de que trata
o inciso II do art. 6º, o faturamento deve considerar a energia
consumida, deduzidos a energia injetada e eventual crédito de
energia acumulado em ciclos de faturamentos anteriores, por
posto tarifário, quando for o caso, sobre os quais deverão incidir
todas as componentes da tarifa em R$/MWh;
V – quando o crédito de energia acumulado em ciclos de fatu-
ramentos anteriores for utilizado para compensar o consumo,
não se deve debitar do saldo atual o montante de energia equi-
valente ao custo de disponibilidade, aplicado aos consumidores
do grupo B;
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 197

XI - em cada unidade consumidora participante do sistema de


compensação de energia elétrica, a compensação deve se dar
primeiramente no posto tarifário em que ocorreu a geração
e, posteriormente, nos demais postos tarifários, devendo ser
observada a relação dos valores das tarifas de energia – TE
(R$/MWh), publicadas nas Resoluções Homologatórias que
aprovam os processos tarifários, se houver;
XII - os créditos de energia ativa expiram em 60 (sessenta) me-
ses após a data do faturamento e serão revertidos em prol da
modicidade tarifária sem que o consumidor faça jus a qualquer
forma de compensação após esse prazo;

Quando a compensação for realizada em um local diferente de


onde o sistema está instalado a 2ª edição do Cadernos Temáticos ANEEL
Micro e Minigeração Distribuída (ANEEL, 2020) resume da seguinte forma:

a) Para o caso de autoconsumo remoto e geração compartilha-


da, a energia excedente é a diferença positiva entre a energia
injetada e a energia consumida. Já para empreendimentos de
múltiplas unidades consumidoras (condomínios), o excedente é
igual à energia injetada;
b) Compete ao titular da unidade consumidora com micro e
minigeração distribuída informar à distribuidora o percentual
da energia excedente a ser alocada entre as demais unidades
consumidoras caracterizadas como autoconsumo remoto,
geração compartilhada ou integrante de empreendimentos de
múltiplas unidades consumidoras;
c) O valor a ser faturado em cada uma dessas unidades é a
diferença positiva entre a energia consumida e os créditos alo-
cados no mês para a unidade consumidora, considerando-se
também eventuais créditos de meses anteriores, sendo que,
caso esse valor seja inferior ao custo de disponibilidade, para o
caso de consumidores do Grupo B (baixa tensão), será cobrado
o custo de disponibilidade;
d) Para os consumidores do Grupo A (alta tensão), não há valor
mínimo a ser pago a titulo de energia, Contudo, os consumi-
dores continuam sendo normalmente faturados pela demanda;
e) Os créditos podem ser utilizados por até 60 meses após a
data do faturamento.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 198

Composição tarifária

As cobranças de impostos, tributos federais e estaduais são de


responsabilidade da Receita Federal do Brasil e às Secretarias de Fazenda
Estaduais, então a seguir estão descritas as informações respectivas:

a. PIS/COFINS: Em 2015 a Receita Federal esclareceu como de-


veria ser realizada a cobrança para micro e minigeração distri-
buída em relação ao Programa de Integração Social (PIS) e da
Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (CO-
FINS) (ANEEL,2020). Após a publicação da Lei nº 13169/2015, o
PIS e COFINS passaram a incidir somente na diferença positiva
entre a energia consumida e a energia injetada pela unidade
consumidora com micro ou minigeração, valendo para todos
os Estados do país (ANEEL,2020).
b. ICMS: também em 2015, o Conselho Nacional de Política Fa-
zendária (Confaz) publicou o Convênio ICMS 16, que autorizou
as unidades federadas a conceder isenção nas operações
internas relativas à circulação de energia elétrica, sujeitas a fa-
turamento sob o sistema de compensação de energia (ANEEL,
2020). Atualmente, todos os Estados fazem parte da isenção
de ICMS, incidindo somente sobre a diferença entre a energia
consumida e a energia injetada na rede no mês. Nem todos os
Estados haviam aderido à isenção, mas Paraná e Santa Cata-
rina, em 2019, concederam a isenção, porém provisoriamente
(48 meses).

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MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 200

CAPÍTULO 7
Monitoramento e análise de sistemas
fotovoltaicos de geração distribuída

Analisar o desempenho de sistemas fotovoltaicos integrados a


edificações e a qualidade da energia entregue por esses, agregam con-
fiabilidade e promovem a tecnologia. Segundo Mello (2016), os SFCRs
podem ser avaliados a partir de índices de mérito técnico que expressam
a produtividade e o desempenho dos mesmos.

Sistemas fotovoltaicos conectados à rede elétrica


analisados

Escolheu-se cinco SFCRs em operação no extremo sul catarinense


para realizar uma análise espacial e temporal, a partir da determinação de
indicadores de desempenho. Também são analisados os fluxos de energia
elétrica de duas unidades prossumidoras residenciais, equivalentes aos
SFCRs de Turvo e Criciúma.
As caraterísticas dos sistemas fotovoltaicos analisados são apre-
sentadas na tabela 7.1.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 201

Tabela 7.1 – Características dos sistemas fotovoltaicos analisados.

Meleiro/
Araranguá Criciúma Meleiro Turvo
Sapiranga

Pot. Instalada 3.250 Wp 3.710 Wp 4.160 Wp 1.350 Wp 1.250 Wp

Pot. Individual 325 Wp 265 Wp 260 Wp 270 Wp 250 Wp


Arranjo FV
Quant.
10 14 16 5 5
Módulos

Potência 3.000 W 3.600 W 3.600 W 1.500 W 1.500 W


Inversor
Strings 1 2 2 1 1

Inclinação 20º 20º 20º 20º 25º


Ângulos
Azimute 0º 0º 30º O/30º L 30º L 60º L
Fonte: Elaborada pela autora (2020).

Indicadores de Desempenho

Taxa de desempenho, produtividade e fator de capacidade são os


três principais indicadores de desempenho para analisar o desempenho
energético de diferentes sistemas fotovoltaicos conectados à rede elétrica
(TONIN, 2017).
Os indicadores de desempenho normalizam os sistemas, permi-
tindo a comparação entre eles, mesmo que esses estejam em diferentes
condições de operação (diferentes localidades, layouts e potências) (CRUZ
et al., 2018; LIMA; FERREIRA; MORAIS, 2017). Neste documento, será anali-
sado somente o indicador produtividade.

Produtividade (YIELD)

A produtividade (Y) de um sistema fotovoltaico é a razão entre


a energia elétrica convertida pelo sistema fotovoltaico (kWh) e a po-
tência nominal do mesmo (kWp) Esse índice pode ser determinado em
diferentes bases temporais, por exemplo, horária, diária, mensal e anual
(RAMPINELLI, 2010).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 202

A produtividade do sistema, para os resultados apresentados neste


documento, é calculada pela a equação (1) e em base mensal

(1)

em que: PSTD é a potência nominal do SFCR na condição padrão


(STC) de 1.000 W/m², o período analisado e Pca é a potência elétrica real-
mente convertida pelo SFCR em operação (DÁVI et al., 2016).

Monitoramento

Todos os dados analisados foram extraídos da plataforma de


monitoramento wifi de cada sistema fotovoltaico descrito nesta seção. O
tratamento dos dados e elaboração dos gráficos se realizou a partir do
software Microsoft Excel aplicando a equação (1).
Os intervalos de tempo em que os dados são registrados, assim
como o período de análise de cada sistema fotovoltaico, apresentam-se
na tabela 7.2. Os dados analisados são somente os de potência c.a.

Tabela 7.2 – Integralização temporal dos dados de cada sistema fotovoltaico analisado
nesta seção.

Sistema Intervalo de Tempo Período Analisado

Criciúma 15 minutos Jan/2017 – Dez/2019

Turvo 5 minutos Jan/2017 – Dez/2019

Meleiro 15 minutos Jan/2017 – Dez/2019

Araranguá 2 minutos Jan/2018 – Dez/2019

Meleiro/Sapiranga 2 minutos Jan/2018 – Dez/2019


Fonte: Elaborada pela autora (2019).

Os sistemas fotovoltaicos de Meleiro, Araranguá e Meleiro/Sapi-


ranga apresentaram falhas ao longo do período analisado. A fim de preen-
cher as falhas para cálculo das médias mensais anuais da produtividade,
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 203

elas foram completadas com a média aritmética simples do mês faltante


dos sistemas fotovoltaicos restantes.
O sistema de Araranguá possui uma falha no mês de fevereiro
de 2018 devido a queima da antena wifi que permite o monitoramento
do sistema fotovoltaico. Este mês, para cálculo da média mensal anual
do indicador, foi preenchido com o valor resultante da média aritmética
simples do mês de fevereiro dos sistemas de Criciúma, Turvo, Meleiro e
Meleiro/Sapiranga. O sistema fotovoltaico de Meleiro apresentou uma
lacuna no mês de junho de 2018 devido a configuração da internet. O valor
mensal foi completado com a média aritmética simples do mês de junho
dos SFCRs de Criciúma, Turvo e Araranguá. O terceiro sistema fotovoltaico
que apresentou falha foi o sistema de Meleiro/Sapiranga que devido a
queima dos conectores MC4, o sistema ficou inoperante nos meses de
junho e julho de 2018. Esses meses foram preenchidos com o valor da
média aritmética simples dos indicadores de junho e julho dos sistemas
fotovoltaicos que possuíam dados medidos.

Análises

Os SFCRs foram comparados e analisados a partir do indicador de


desempenho produtividade, apresentado na seção anterior. Os resultados
obtidos para a produtividade mensal são apresentados por meio de histo-
gramas e tabelas.

Análise Espacial

O gráfico 7.1 compara mensalmente o indicador produtividade


para os três sistemas fotovoltaicos que iniciaram seu monitoramento no
ano de 2017.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 204

Gráfico 7.1 – Produtividade mensal, em kWh / kWp, para os SFCRs de Criciúma, Turvo e
Meleiro ao longo do ano de 2017.
Fonte: Elaborado pela autora (2019).

Os SFCRs instalados nas cidades de Turvo e Criciúma são mais


eficientes do que o sistema instalado na cidade de Meleiro, visto que a
produtividade destes são superiores em praticamente todos os meses.
Durante o ano de 2017, a produtividade média mensal anual, apresen-
tou o valor de 105,08 kWh / kWp para o sistema de Criciúma, 103,95 kWh / kWp
para o sistema de Turvo e 92,84 kWh / kWp para o sistema de Meleiro.
Os maiores valores de produtividade mensal calculados ocorre-
ram no mês de janeiro para todos os sistemas, sendo 132,96 kWh / kWp
para o sistema de Criciúma, 137,79 kWh / kWp para o sistema de Turvo e
127,79  kWh / kWp para o sistema de Meleiro. Já os mínimos calculados
foram de 71,12  kWh / kWp, 71,97  kWh / kWp e 59,27  kWh / kWp para os
sistemas de Criciúma, Turvo e Meleiro, respectivamente, todos para o mês
de maio.
Conforme apresentado na tabela 7.1, o sistema de Meleiro é divi-
dido em dois subsistemas com orientações diferentes. Segundo Martini,
Ferreira e Santos (2018), essa característica impacta diretamente na efi-
ciência, diminuindo-a. Outro dado a ser considerado é a revitalização do
sistema de distribuição, após início de operação do sistema fotovoltaico
de Meleiro, que ocasiona sombra parcial no mesmo. Em consequência
disto, constata-se uma queda na eficiência do SFCR, pois a produtividade
apresentou uma leve redução. A tabela 7.3 apresenta as médias mensais
da produtividade dos sistemas fotovoltaicos de Criciúma, Turvo e Meleiro
durante o ano de 2017.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 205

Tabela 7.3 – Média e desvio padrão da produtividade, em kWh / kWp, entre os SFCR de
Criciúma, Turvo e Meleiro ao longo do ano de 2017.

Média σ

Jan 132,85 5,00

Fev 118,08 7,43

Mar 108,62 6,65

Abr 88,33 7,15

Mai 67,46 7,10

Jun 76,88 5,44

Jul 101,67 10,53

Ago 100,40 6,74

Set 79,46 5,31

Out 104,22 6,17

Nov 118,69 10,49

Dez 110,81 9,84

Méd 100,62 7,32


Fonte: Elaborada pela autora (2019).

A fim de mensurar a dispersão dos dados, utilizou-se o desvio


padrão médio (σ), que em termos gerais, indica a dispersão probabilística
dos dados estimados em relação aos valores medidos (MONTGOMERY;
RUNGER, 2016). Os maiores e menores valores para o desvio padrão mé-
dio referente ao indicador produtividade correspondem a 10,53 kWh / kWp
no mês de julho e 5,00  kWh / kWp no mês de janeiro, respectivamente.
O gráfico 7.2 apresenta a variação mensal da produtividade, respectiva-
mente, para os sistemas de Criciúma, Turvo, Meleiro, Araranguá e Meleiro/
Sapiranga, durante o ano de 2018.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 206

Gráfico 7.2 – Produtividade mensal, em kWh / kWp, para os SFCRs de Criciúma, Turvo,
Meleiro, Araranguá e Meleiro/Sapiranga ao longo do ano de 2018.
Fonte: Elaborado pela autora (2019).

O gráfico 7.2 demonstra, assim como para o ano de 2017, que o


sistema de Meleiro possui os menores indicadores em todos os meses
quando comparado com os outros quatro sistemas. Em contrapartida,
outros dois sistemas se destacam: Araranguá e Meleiro/Sapiranga,
apresentando a maior produtividade em média mensal anual, conforme
tabela 7.4. O SFCR de Araranguá possui condições otimizadas de ope-
ração (GASPARIN; KRENZINGER, 2017), de acordo com a tabela 7.1, está
orientado para o Norte geográfico com inclinação de aproximadamente
20º, permitindo o pleno aproveitamento da irradiação solar incidente. O
SFCR de Meleiro/Sapiranga não possui condições otimizadas de ope-
ração, uma vez que possui desvio azimutal de 30º leste, mas também
apresentou bons indicadores, o que pode ser justificado pela falta de
dados no período de inverno, os quais foram estimados pelas médias
mensais anuais dos outros sistemas.
As falhas do sistema de Meleiro/Sapiranga ocorreram devido
a defeitos nos conectores MC4 (figura 7.1) que acarretaram a queima do
inversor e consequentemente, no desligamento do sistema fotovoltaico
até a troca do inversor. O período de lacuna devido à falta de dados é
de 31/05/2018 a 13/08/2018. Além disso, durante o mês de fevereiro,
em consequência da queima da antena wifi acoplada ao inversor que
permite o monitoramento do sistema, os dados para esse mês no SFCR
de Araranguá ficaram comprometidos e foram descartados pela falta de
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 207

confiabilidade dos mesmos. Também, durante o mês de junho, devido a


um problema na configuração da internet, os dados do SFCR de Meleiro
não foram monitorados e armazenados, criando uma lacuna.

Figura 7.1 – Defeitos nos conectores MC4.


Fonte: Arquivo pessoal (2018).

Tabela 7.4 – Resultados apresentados no gráfico 7.2 para os cinco SFCRs ao longo de 2018.

Y média Y máxima Y mínima


(kWh / kWp) (kWh / kWp) (kWh / kWp)

Criciúma 103,46 137,87 71,82

Turvo 102,32 127,28 74,35

Meleiro* 91,78 125,24 63,62

Araranguá* 113,79 157,52 66,87

Meleiro/Sapiranga* 109,54 157,27 71,92


Legenda: *Ano incompleto.
Fonte: Elaborada pela autora (2019).

A tabela 7.4 resume os resultados apresentados no gráfico 7.2. As


médias mensais anuais calculadas para os SFCRs de Meleiro, Araranguá e
Meleiro/Sapiranga foram aproximadas devido as falhas que ocorreram na
coleta de dados. O preenchimento desses meses para cálculo das médias
mensais anuais seguiu o procedimento descrito na seção 5.3.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 208

Em 2018, o sistema de Meleiro também apresentou o menor valor


médio para a produtividade. Além da revitalização da rede de distribuição
que começou a fazer sombra parcial no sistema, outro fato importante
deve ser destacado: o baixo FDI (Fator de Dimensionamento do Inversor)
(CRUZ et al., 2018). O FDI é definido pela razão entre a potência nominal do
inversor e a potência de pico do gerador fotovoltaico, quando esse valor é
baixo, o inversor pode apresentar cortes de potência e, consequentemente,
reduzir a energia gerada e os indicadores de desempenho (SCARABELOT;
RAMBO; RAMPINELLI, 2018).
A tabela 7.5 apresenta as médias mensais anuais da produtividade
para os cinco sistemas fotovoltaicos analisados durante o ano de 2018.

Tabela 7.5 – Média e desvio padrão da produtividade, em kWh / kWp, entre os SFCR de
Criciúma, Turvo e Meleiro ao longo do ano de 2018.

Média σ

Jan 120,20 14,76

Fev 121,23 13,97

Mar 108,36 8,99

Abr 106,78 9,37

Mai 90,23 9,01

Jun 71,92 3,10

Jul 73,32 7,08

Ago 99,38 8,65

Set 82,94 8,71

Out 104,25 14,42

Nov 130,54 8,71

Dez 141,04 15,69

Méd 104,18 10,20


Fonte: Elaborada pela autora (2019).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 209

As médias mensais anuais dos anos de 2017 e 2018, apresentadas


nas tabelas 7.3 e 7.5, apresentam valores semelhantes, com pequenas varia-
ções de um ano para o outro. Entretanto, observando o desvio padrão médio
da produtividade, há uma significativa dispersão dos dados, passando de
7,32  kWh / kWp no ano de 2017 para 10,20  kWh / kWp no ano de 2018. O
maior desvio padrão do indicador produtividade ocorreu no mês de dezem-
bro, com 15,69 kWh / kWp, devido a diferença de 32,28 kWh / kWp entre o
sistema de Meleiro e Araranguá. Já o menor valor se observa no mês de
junho, com 3,10 kWh / kWp, uma vez que os dados dos sistemas de Meleiro
e Meleiro/Sapiranga foram aproximados pela média aritmética simples dos
demais sistemas.
O gráfico 7.3 apresenta a variabilidade da produtividade entre os
cinco sistemas fotovoltaicos para o ano de 2019.

Gráfico 7.3 – Produtividade mensal, em kWh / kWp, para os SFCRs de Criciúma, Turvo,
Meleiro, Araranguá e Meleiro/Sapiranga ao longo do ano de 2019.
Fonte: Elaborado pela autora (2020).

Os maiores valores de produtividade mensal calculados ocorreram


no mês de dezembro para todos os sistemas, sendo 158,37 kWh / kWp, para
o sistema de Criciúma, 169,68 kWh / kWp para Turvo, 134,56 kWh / kWp para
Meleiro, 173,02 kWh / kWp para Araranguá e 171,19 kWh / kWp para o sistema
de Meleiro/Sapiranga. Já os mínimos calculados foram de 64,62 kWh / kWp,
75,68 kWh / kWp, 53,01 kWh / kWp, 71,20 kWh / kWp e 60,81 kWh / kWp para
os sistemas de Criciúma, Turvo, Meleiro, Araranguá e Meleiro/Sapiranga,
respectivamente, todos para o mês de maio.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 210

Segundo dados cedidos pelo Instituto Nacional de Meteorologia


(INMET), houve uma anomalia de 379 % de precipitação acima da média
na cidade de Laguna/SC durante o mês de maio de 2019, justificando os
menores valores de produtividade mensal para todos os sistemas fotovol-
taicos apresentados (INMET, 2019a).
A tabela 7.6 apresenta a variação mensal e anual da produtividade
considerando todos os SFCR.

Tabela 7.6 – Variação da produtividade, em kWh / kWp, entre os SFCRs durante 2017, 2018 e 2019.

2017 2018 2019

Média σ Média σ Média σ

Jan 132,85 5,00 120,20 14,76 129,04 16,57

Fev 118,08 7,43 121,23 13,97 114,84 14,32

Mar 108,62 6,65 108,36 8,99 112,30 15,66

Abr 88,33 7,15 106,78 9,37 88,14 12,05

Mai 67,46 7,10 90,23 9,01 65,07 8,86

Jun 76,88 5,44 71,92 3,10 75,35 7,03

Jul 101,67 10,53 73,32 7,08 76,94 9,16

Ago 100,40 6,74 99,38 8,65 108,89 15,34

Set 79,46 5,31 82,94 8,71 96,80 12,01

Out 104,22 6,17 104,25 14,42 103,01 15,03

Nov 118,69 10,49 130,54 8,71 123,25 12,39

Dez 110,81 9,84 141,04 15,69 161,36 16,04

Méd 100,62 7,32 104,18 10,20 104,58 12,87


Fonte: Elaborada pela autora (2020).

O maior desvio padrão ocorreu no mês de janeiro/2019, com


16,57  kWh / kWp, devido uma diferença de 39,47  kWh / kWp entre os
sistemas de Turvo e Meleiro. Já o menor valor se observa no mês de ju-
nho/2018, com 3,10 kWh / kWp, pois as lacunas dos sistemas de Meleiro
e Meleiro/Sapiranga foram aproximadas pela média aritmética simples
dos demais sistemas.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 211

Análise temporal

Esta seção apresenta os resultados individuais para a produtivida-


de dos cinco sistemas fotovoltaicos conectados à rede elétrica.
O gráfico 7.4 representa a distribuição mensal da produtividade do
SFCR de Araranguá para os anos de 2018 e 2019.

Gráfico 7.4 – Produtividade mensal, em kWh / kWp, para o SFCR de Araranguá entre 2018 e 2019.
Fonte: Elaborado pela autora (2020).

É possível observar que as curvas crescem no período de verão e


diminuem durante o inverno, visto a dependência do indicador da irradia-
ção solar (LIMA; FERREIRA; MORAIS, 2017).
Os maiores valores calculados para a produtividade foram:
173,02 kWh / kWp e 157,52 kWh / kWp, ambos para o mês de dezembro dos
anos 2019 e 2018, respectivamente. Neste caso, devido a falha no moni-
toramento wifi do inversor, o mês de fevereiro foi descartado e substituído
pela média aritmética simples do mês de fevereiro dos demais sistemas,
reduzindo seu valor por causa do sistema de Meleiro. Os resultados inferio-
res foram observados no mês de junho de 2018 (66,87 kWh / kWp) e no mês
de maio de 2019 (71,20 kWh / kWp).
O mês de agosto se destaca em relação aos demais, visto que está
fora do período de verão, em que ocorrem os maiores valores de irradiação
solar no Brasil (PEREIRA et al., 2017). Para o ano de 2018, no mês de agosto,
a produtividade foi equivalente a 111,08 kWh / kWp, bem próximo ao mês
de março, por exemplo, com 118,26 kWh / kWp. No mês de agosto de 2018,
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 212

de acordo com o Inmet, houve uma anomalia de precipitação de - 57 %


para a cidade de Urussanga/SC (INMET, 2018).
O gráfico 7.5 apresenta a produtividade mensal para o sistema
fotovoltaico de Meleiro/Sapiranga entre os anos de 2018 e 2019.

Gráfico 7.5 – Produtividade mensal, em kWh / kWp, para o SFCR de Meleiro/Sapiranga


entre 2018 e 2019.
Fonte: Elaborado pela autora (2020).

O sistema de Meleiro/Sapiranga apresentou a maior produtivida-


de no mês de dezembro para ambos os anos, sendo: 171,19  kWh / kWp
em 2019 e 157,27 kWh / kWp em 2018. Em 2019, o menor valor ocorreu no
mês de maio (60,81 kWh / kWp) e, considerando as médias calculadas para
preenchimento das lacunas no ano de 2018, o mês de junho desse ano
apresentou a menor produtividade (71,92 kWh / kWp).
Para o sistema de Meleiro/Sapiranga, verificou-se algo semelhante
ao sistema de Araranguá para o mês de agosto. Em 2019, a produtividade
calculada para o respectivo mês foi de 102,67 kWh / kWp e a anomalia de
precipitação foi de – 81 % na cidade de Florianópolis/SC (INMET, 2018, 2019b).
O gráfico 7.6 apresenta a comparação da produtividade mensal
entre os anos de 2017, 2018 e 2019 para o SFCR de Criciúma.
Observa-se variações relevantes quando se compara os indica-
dores de um ano para outro, mês a mês. As maiores diferenças calcu-
ladas foram verificadas no mês de julho, reduzindo a produtividade de
109,35 kWh / kWp em 2017 para 71,82 kWh / kWp em 2018 e, posterior-
mente, aumentando para 78,64 kWh / kWp em 2019 (σ = 19,99 kWh / kWp),
conforme apresentado na tabela 7.7.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 213

Gráfico 7.6 – Comparação da produtividade mensal, em kWh / kWp, para o SFCR de


Criciúma entre 2017, 2018 e 2019.
Fonte: Elaborado pela autora (2020).

Tabela 7.7 – Variação mensal da produtividade, em kWh / kWp, para o sistema fotovoltaico
de Criciúma.

2017 2018 2019 σ

Jan 132,96 114,92 120,74 9,21

Fev 122,20 116,09 107,52 7,38

Mar 110,09 103,47 102,41 4,16

Abr 92,81 113,04 84,81 14,55

Mai 71,12 94,04 64,62 15,45

Jun 81,50 74,43 80,66 3,86

Jul 109,35 71,82 78,64 19,99

Ago 104,18 101,18 104,34 1,78

Set 81,35 84,41 93,84 6,51

Out 108,43 96,71 97,41 6,57

Nov 124,78 133,59 125,15 4,99

Dez 122,15 137,87 158,37 18,16

Méd 105,08 103,46 101,54 9,38


Fonte: Elaborado pela autora (2020).

Nota-se que as médias mensais anuais do indicador sofreram re-


duções consecutivas durante os três anos, o que pode ser justificado pela
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 214

sujidade ou a redução de eficiência dos módulos fotovoltaicos (COMERIO


et al., 2018; DA FONSECA et al., 2020).
O gráfico 7.7 apresenta a distribuição mensal da produtividade
para os três anos de monitoramento do SFCR de Meleiro. As maiores dis-
persões nos dados foram no mês de janeiro e dezembro, representando
15,14 kWh / kWp e 14,74 kWh / kWp, respectivamente. No mês de janeiro a
produtividade variou entre 127,79 kWh / kWp e 99,55 kWh / kWp, enquanto
no mês de dezembro variou de 105,67 kWh / kWp a 134,56 kWh / kWp.

Gráfico 7.7 – Comparação da produtividade mensal, em kWh / kWp, para o SFCR de Meleiro
entre 2017, 2018 e 2019.
Fonte: Elaborado pela autora (2020).

As médias mensais do indicador são apresentadas na tabela 7.8,


assim como, a média mensal anual e o desvio padrão médio mensal.

Tabela 7.8 – Variação mensal da produtividade, em kWh / kWp, para o sistema fotovoltaico
de Meleiro.

2017 2018 2019 σ

Jan 127,79 99,55 104,21 15,14

Fev 109,51 104,23 93,75 8,02

Mar 101,35 96,23 91,19 5,08

Abr 80,09 96,40 71,70 12,56

Mai 59,27 80,21 53,01 14,24

Jun 70,89 71,92 65,09 3,68


MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 215

2017 2018 2019 σ

Jul 89,66 63,62 65,63 14,49

Ago 92,61 88,23 89,20 2,30

Set 73,47 72,33 78,80 3,45

Out 97,14 86,27 81,00 8,23

Nov 106,58 117,18 105,05 6,61

Dez 105,67 125,24 134,56 14,74

Méd 92,84 91,78 86,10 9,05


Fonte: Elaborada pela autora (2020).

O SFCR de Meleiro também apresentou a redução da produtivi-


dade média mensal anual no decorrer dos anos, como aconteceu com o
sistema de Criciúma.
O SFCR de Turvo é analisado temporalmente a partir do gráfico 7.8.
A tabela 7.9 resume os resultados obtidos, em média mensal, e o desvio
padrão médio dos dados.

Gráfico 7.8 – Comparação da produtividade mensal, em kWh / kWp, para o SFCR de Turvo
entre os três anos analisados.
Fonte: Elaborado pela autora (2020).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 216

Tabela 7.9 – Variação mensal da produtividade, em kWh / kWp, para o sistema fotovoltaico
de Turvo.

2017 2018 2019 σ

Jan 137,79 118,06 143,68 13,42

Fev 122,54 121,82 128,48 3,66

Mar 114,41 108,08 129,60 11,06

Abr 92,08 97,22 104,16 6,06

Mai 71,97 94,57 75,68 12,12

Jun 78,26 74,47 80,08 2,86

Jul 106,00 74,35 88,48 15,86

Ago 104,40 102,22 128,00 14,30

Set 83,57 81,01 108,96 15,45

Out 107,10 102,15 116,64 7,37

Nov 124,72 126,67 136,64 6,39

Dez 104,59 127,28 169,68 33,04

Méd 103,95 102,32 1,51 11,80


Fonte: Elaborada pela autora (2020).

Observa-se que em praticamente todos os meses do ano de 2019 a


produtividade foi superior a dos outros anos, inclusive a média mensal anual.
As maiores variações ocorreram nos meses de dezembro e julho, respecti-
vamente. Em dezembro/2019 foi observada a maior produtividade mensal
(169,68 kWh / kWp), chegando a um desvio padrão igual a 33,04 kWh / kWp.
Em contrapartida, o mês de junho apresentou uma pequena variação entre os
três anos, com 2,86 kWh / kWp de desvio padrão.
A média mensal anual para o sistema de Turvo apresentou um
significativo aumento no ano de 2019. Este fato pode ser justificado pela
limpeza dos módulos fotovoltaicos que permitem o maior aproveitando da
irradiação solar (TONOLO; MARIANO; JUNIOR, 2018).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 217

Análise do Fluxo de Energia Elétrica

As tabelas 7.10 e 7.11, apresentam dados de energia elétrica dos


SFCRs de Turvo e Criciúma, respectivamente. Além disso, são apresenta-
dos a média, o total e o desvio padrão (σ) dos dados.

Tabela 7.10 – Dados do sistema fotovoltaico de Turvo para o ano de 2017.

Energia
Consumo Energia Energia
Consumida Geração
Mês da Rede Injetada Injetada
Instant. Total (kWh)
(kWh) (kWh) (%)
(kWh)

Janeiro 244,00 93,00 77,91 170,91 54,41

Fevereiro 214,00 87,00 75,81 162,81 53,44

Março 247,00 82,00 69,12 151,12 54,26

Abril 144,00 76,00 52,89 128,89 58,97

Maio 110,00 76,00 42,16 118,16 64,32

Junho 123,00 54,00 24,72 78,72 68,60

Julho 99,00 79,00 37,23 116,23 67,97

Agosto 106,00 83,00 40,26 123,26 67,97

Setembro 116,00 94,00 41,21 135,21 69,52

Outubro 100,00 70,00 33,67 103,67 67,52

Novembro 110,00 110,00 51,51 161,51 68,11

Dezembro 118,00 92,00 48,21 140,21 65,62

Média 144,25 83,00 49,56 132,56 63,34

Total 1.731,00 996,00 594,70 1.590,70 -

σ 56,51 14,05 16,85 26,87 6,24


Fonte: Elaborada pela autora (2019).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 218

Tabela 7.11 – Dados do sistema fotovoltaico de Criciúma para o ano de 2017.

Energia
Energia Energia
Consumo da Consumida Geração Total
Mês Injetada Injetada
Rede (kWh) Instant. (kWh)
(kWh) (%)
(kWh)

Janeiro 745,00 209,00 273,28 482,28 43,34

Fevereiro 625,00 224,00 211,36 435,36 51,45

Março 622,00 245,00 222,45 467,45 52,41

Abril 398,00 186,00 160,91 346,91 53,62

Maio 328,00 219,00 141,44 360,44 60,76

Junho 410,00 118,00 93,62 211,62 55,76

Julho 347,00 238,00 139,13 377,13 63,11

Agosto 352,00 239,00 121,98 360,98 66,21

Setembro 400,00 227,00 165,26 392,26 57,87

Outubro 345,00 182,00 131,71 313,71 58,02

Novembro 358,00 271,00 184,84 455,84 59,45

Dezembro 346,00 237,00 181,88 418,88 56,58

Média 439,67 216,25 168,99 385,24 56,55

Total 5.276,00 2.595,00 2.027,86 4.622,86 -

σ 140,83 39,57 49,50 75,59 5,98


Fonte: Elaborada pela autora (2019).

Os dados extraídos das faturas de energia elétrica são o consumo


abatido pela rede (kWh) e a energia elétrica injetada na rede (kWh). Essa,
por sua vez, corresponde a energia elétrica injetada na rede em períodos
em que o consumo foi menor que a geração. A energia consumida ins-
tantaneamente pelas unidades prossumidoras, ou seja, aquela que não
foi registrada pelo medidor, pode ser determinada a partir dos dados de
geração total de energia elétrica apontada pelo inversor, subtraindo-se
o montante de energia que foi injetada na rede. A geração de energia
elétrica medida tem média mensal de 132,56  kWh com desvio padrão
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 219

de 26,87  kWh e 385,24  kWh com desvio padrão de 75,59  kWh, para os
sistemas de Turvo e Criciúma, respectivamente.
O gráfico 7.9 apresenta o perfil de injeção de energia elétrica das
unidades prossumidoras. A geração de energia elétrica dos SFCRs, está
dividida em energia elétrica injetada na rede e energia elétrica consumida
instantaneamente.
Para o sistema de Turvo, 63 % da energia elétrica, em média men-
sal, foi injetada na rede enquanto para o sistema de Criciúma, a energia
elétrica injetada na rede, em média mensal, foi de 56 %, este perfil é
bastante característico de residências familiares. O consumo é reduzido
durante o dia pois, normalmente, os indivíduos passam boa parte do dia
fora de casa e o pico de consumo ocorre no período noturno. Dessa forma,
o número de pessoas em uma residência não tem impacto no perfil de
consumo, mas sim o nível de ocupação, ou seja, quanto tempo as pessoas
permanecem na residência e quantas pessoas permanecem (WALLIS;
NACHREINER; MATTHIES, 2016).
A energia elétrica injetada na rede é consumida a noite ou em
períodos em que não há geração, por meio do sistema net metering. Ao
final do período de análise o abatimento no consumo proporcionado pelos
SFCRs foi de 91,89 % e 87,62 %, para Turvo e Criciúma, respectivamente.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 220

Gráfico 7.9 – Perfil de injeção de energia elétrica das unidades prossumidoras.


Fonte: Elaborado pela autora (2019).

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INMET. Boletim Climático-Estado do RS. Instituto Nacional de Meteorologia, julho, agosto, setembro,
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MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 221

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WALLIS, H.; NACHREINER, M.; MATTHIES, E. Adolescents and Electricity Consumption; Investigating Socio-
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MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 222

CAPÍTULO 8
Perfil de consumo e de geração

Introdução

O sistema de compensação de energia, internacionalmente co-


nhecido como net metering (figura 8.1), consiste em medir o fluxo de ener-
gia elétrica nos dois sentidos em uma unidade consumidora que possui
geração, ou seja, é realizada a contabilização entre a energia consumida
e a energia exportada ou injetada para a rede, dessa forma o faturamento
é dado somente pela energia ativa (DARGHOUTH et al., 2011; EID et al.,
2014). Não há comercialização de energia elétrica se ao final do período
de faturamento a energia elétrica injetada for maior que a energia elétrica
consumida. Neste caso, a unidade consumidora recebe créditos de ener-
gia elétrica. O excedente que não foi utilizado no mês corrente deve ser
utilizado para compensação em meses subsequentes.

Figura 8.1 – Sistema de compensação net metering.


Fonte: Scarabelot et al. (2018).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 223

Segundo Villareal e Moreira (2016), o setor residencial no Brasil em


2013, correspondia a aproximadamente 26% do consumo de energia elé-
trica e teve o maior índice de crescimento. O principal fator no crescimento
da demanda de energia elétrica é a popularização de equipamentos
eletrônicos e eletrodomésticos. Esse fato se dá pelo aumento da renda
familiar e a diminuição da pobreza nas últimas décadas, acarretando em
uma melhora na qualidade de vida dos brasileiros. Contribuindo para o
crescimento da demanda, o Programa Luz Para Todos, foi proposto com
o objetivo de universalizar o acesso a eletricidade com início em 2003.
Em 2015, 3,2 milhões de famílias já estavam beneficiadas pelo programa,
agregando 4,8% no total de residências (VILLAREAL; MOREIRA, 2016).
O gráfico 8.1 mostra que 72,5% dos sistemas de geração distribuída
estão instalados em unidades consumidoras residenciais (ANEEL, 2017b),
uma vez que nesta classe se encontram as maiores tarifas de energia elé-
trica, viabilidade técnica e econômica, além de serem sistemas de rápida
implementação.

Gráfico 8.1 – Unidades prossumidoras, por classe de consumo.


Fonte: ANEEL (2020).

A geração distribuída, é caracterizada por pequenos geradores


de energia elétrica conectados à rede de distribuição da concessionária
local, sendo assim possível que cada consumidor gere sua própria energia
elétrica (LACCHINI; RÜTHER, 2015).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 224

A aplicação dos sistemas fotovoltaicos em unidades consumidoras


implica em várias vantagens econômicas e técnicas, por exemplo, redução
dos custos operacionais, adiamento de atualização das linhas de distribui-
ção, menores perdas por transmissão e distribuição, aumento na qualidade
do serviço para o cliente, rápida implementação e modularidade (ISLAM;
MEKHILEF; HASAN, 2015).

Unidades prossumidoras residenciais

O consumo de energia elétrica em unidades consumidoras resi-


denciais é basicamente para cozinhar, aquecimento de água, conservação
de alimentos, iluminação de ambientes, lazer, serviços gerais e conforto
térmico (PEREIRA; ASSIS, 2013). Fatores como as regiões do país, níveis
de renda e características dos ocupantes estão associados aos hábitos e
comportamentos de consumo (VILLAREAL; MOREIRA, 2016).
Ghisi et al. (2007) apresentam em seu estudo, que o consumo
de energia elétrica apresenta sazonalidade em unidades consumidoras
residenciais. Por exemplo, o consumo de energia elétrica devido ao condi-
cionamento de ar representa 2% no inverno e 16% no verão, enquanto que
outros equipamentos elétricos têm menor variação sazonal de consumo.
Uma pesquisa com base em residências em Florianópolis, Brasil,
mostra que o consumo varia entre 7,23 kWh/dia no verão e 7,79 kWh/dia
no inverno (SILVA et al., 2014). Nesse contexto, ocorrem os problemas de
fornecimento de energia elétrica, principalmente em horários de pico de
consumo em dias quentes de verão em que a demanda de condicionado-
res de ar aumenta (PEREIRA; ASSIS, 2013).
A seguir se analisa o sistema de compensação de energia elétrica
em unidades prossumidoras residenciais no Sul do Brasil. O estudo é re-
alizado a partir do monitoramento de variáveis energéticas e elétricas de
sistemas fotovoltaicos integrados em unidades consumidoras residen-
ciais. Para a análise são considerados aspectos econômicos, indicadores
de desempenho e características de injeção de energia elétrica na rede
de distribuição.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 225

As principais características dos sistemas fotovoltaicos monitora-


dos e analisados são apresentadas na tabela 8.1. Os sistemas fotovoltaicos
estão em operação no Sul do Brasil.

Tabela 8.1 – Características dos SFCRs instalados nas unidades prossumidoras.

SFCR 1 SFCR 2 SFCR 3

Potência Instalada: 1250 Wp 2080 Wp 3710 Wp

Arranjo Potência Individual: 250 Wp 260 Wp 265 Wp


Fotovoltaico
Quantidade de
5 8 14
Módulos:

PHB1500- PHB3000- ABB PVI 3.6


Modelo:
SS SS OUTD
Inversor
Potência: 1500 W 3000 W 3600 W

Inclinação: 25 º 20 º 20 º
Ângulos
Azimute: 60 º Leste 60 º Oeste 0º

Local de Instalação Turvo/SC Turvo/SC Criciúma/SC

Tempo de monitoramento 12 meses 12 meses 12 meses


Fonte: A autora.

O perfil residencial de consumo e a geração de energia elétrica


medida foram avaliados a partir de dados dos sistemas coletados duran-
te 12 meses. Os dados de geração de energia elétrica medida dos SFCRs
foram levantados a partir da plataforma dos fabricantes, por meio do
monitoramento remoto integrado aos inversores e com base nas faturas
de energia elétrica mensais foram extraídos os dados de consumo da
rede e injeção de energia elétrica na rede. Com essas informações foi
determinada a energia elétrica consumida instantaneamente de cada
unidade prossumidora.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 226

Balanço energético

Nas tabelas 8.2, 8.3 e 8.4, são apresentados os dados extraídos


dos medidores bidirecionais, que são o consumo abatido pela rede (kWh)
e a energia elétrica injetada na rede (kWh). A energia consumida instan-
taneamente pelas unidades prossumidoras, ou seja, aquela que não foi
registrada pelo medidor, pode ser calculada a partir dos dados de geração
total de energia elétrica registrada pelo inversor, subtraindo-se o montante
de energia elétrica que foi injetada na rede.
O consumo total de energia elétrica da residência, representa a
quantidade de energia elétrica que deveria ser fornecida pela rede, caso
não houvesse sistema de geração de energia elétrica e é a soma entre o
consumo da rede e a energia elétrica que foi consumida instantaneamente.

Tabela 8.2 – Dados de consumo e geração da residência com SFCR 1.

Energia Consumo
Consumo da Injetado Geração
Mês Ref. consumida sem Geração
Rede (kWh) (kWh) Total (kWh)
inst. (kWh) (kWh/mês)

jan-17 244,00 93,00 77,91 170,91 321,91

fev-17 214,00 87,00 75,81 162,81 289,81

mar-17 247,00 82,00 69,12 151,12 316,12

abr-17 144,00 76,00 52,89 128,89 196,89

mai-17 110,00 76,00 42,16 118,16 152,16

jun-17 123,00 54,00 24,72 78,72 147,72

jul-17 99,00 79,00 37,23 116,23 136,23

ago-17 106,00 83,00 40,26 123,26 146,26

set-17 116,00 94,00 41,21 135,21 157,21

out-17 100,00 70,00 33,67 103,67 133,67

nov-17 110,00 110,00 51,51 161,51 161,51

dez-17 118,00 92,00 48,21 140,21 166,21

Total 1731,00 996,00 594,70 1590,70 2326,00

Média 144,30 83,00 49,60 132,60 193,80

Desvio Padrão 56,50 14,10 16,90 26,90 71,90


Fonte: A autora.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 227

Tabela 8.3 – Dados de consumo e geração da residência com SFCR 2.

Energia Consumo
Consumo da Injetado Geração
Mês Ref. consumida inst. sem Geração
Rede (kWh) (kWh) Total (kWh)
(kWh) (kWh/mês)

jan-17 144,00 156,00 94,00 250,00 238,00

fev-17 148,00 161,00 109,00 270,00 257,00

mar-17 192,00 138,00 92,00 230,00 284,00

abr-16 146,00 148,00 79,00 227,00 225,00

mai-16 167,00 112,00 66,00 178,00 233,00

jun-16 169,00 105,00 61,00 166,00 230,00

jul-16 213,00 97,00 63,00 160,00 276,00

ago-16 160,00 144,00 69,00 213,00 229,00

set-16 167,00 140,00 79,00 219,00 246,00

out-16 156,00 157,00 73,00 230,00 229,00

nov-16 124,00 193,00 77,00 270,00 201,00

dez-16 106,00 203,00 87,00 290,00 193,00

Total 1892,00 1754,00 949,00 2703,00 2841,00

Média 157,70 146,20 79,10 225,20 236,70

Desvio
28,20 32,00 14,30 41,60 26,60
Padrão

Fonte: A autora.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 228

Tabela 8.4 – Dados de consumo e geração da residência com SFCR 3.

Energia Consumo
Consumo da Injetado Geração
Mês Ref. consumida inst. sem Geração
Rede (kWh) (kWh) Total (kWh)
(kWh) (kWh/mês)

jan-17 745,00 209,00 273,28 482,28 1018,28

fev-17 625,00 224,00 211,36 435,36 836,36

mar-17 622,00 245,00 222,45 467,45 844,45

abr-17 398,00 186,00 160,91 346,91 558,91

mai-17 328,00 219,00 141,44 360,44 469,44

jun-17 410,00 118,00 93,62 211,62 503,62

jul-17 347,00 238,00 139,13 377,13 486,13

ago-17 352,00 239,00 121,98 360,98 473,98

set-17 400,00 227,00 165,26 392,26 565,26

out-17 345,00 182,00 131,71 313,71 476,71

nov-17 358,00 271,00 184,84 455,84 542,84

dez-17 346,00 237,00 181,88 418,88 527,88

Total 5276,00 2595,00 2027,86 4622,86 7304,00

Média 439,70 216,30 169,00 385,20 608,70

Desvio
140,80 39,60 49,50 75,60 183,80
Padrão

Fonte: A autora.

O desvio padrão dos indicadores de desempenho é mais acentua-


do na residência com SFCR 3, indicando maior sazonalidade, tanto no perfil
de consumo como no perfil de geração de energia elétrica.
As figuras 8.2, 8.3 e 8.4 apresentam os histogramas de energia
elétrica gerada mensalmente pelos SFCRs. Para os meses de janeiro,
fevereiro e março das unidades prossumidoras com os sistemas 1 e 3, o
consumo elevado pode ser atribuído ao condicionamento de ar, que para
a região Sul do Brasil, no verão, esses equipamentos podem representar
27% do consumo de energia elétrica em uma residência, sendo que esta
participação é da ordem de apenas 3% no período de inverno (GHISI et al.,
2007). O abatimento de consumo de energia elétrica foi de 68%, 95% e 63%
para os sistemas 1, 2 e 3, respectivamente.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 229

Figura 8.2 – Consumo e geração mensal de energia elétrica, residência com SFCR 1.
Fonte: A autora.

Figura 8.3 – Consumo e geração mensal de energia elétrica, residência com SFCR 2.
Fonte: A autora.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 230

Figura 8.4 – Consumo e geração mensal de energia elétrica, residência com SFCR 3.
Fonte: A autora.

Perfil de Consumo e Geração

A tabela 8.5 apresenta índices de geração de energia elétrica e


produtividade dos sistemas fotovoltaicos (FV) das unidades prossumidoras.
A figura 8.5 apresenta os índices de energia elétrica injetada na
rede mensalmente para as unidades prossumidoras. Para o SFCR 3 os
menores índices de injeção de energia elétrica acontecem nos meses de
verão, o que indica o aumento das cargas consumindo energia elétrica
durante a geração, provavelmente pelo uso de condicionadores de ar
durante o dia. Para o SFCR 3 a média mensal de energia elétrica injetada
na rede foi de 57% e o desvio padrão foi de 6%. O mesmo perfil ocorre no
SFCR 1, com média de injeção de energia elétrica de 63% e desvio padrão
de 6%. No SFCR 2 não é observado essa mesma sazonalidade no uso dos
equipamentos elétricos durante o período que ocorre a geração de ener-
gia elétrica, sendo que a média mensal de injeção foi de 65% e o desvio
padrão foi de apenas 4%.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 231

Tabela 8.5 – Índices de geração de energia elétrica e produtividade anuais dos sistemas
fotovoltaicos.

SFCR 1 SFCR 2 SFCR 3

Geração FV Total (kWh) 1590,70 2703,00 4622,90

Produtividade (kWh/kWp) 1272,50 1299,50 1246,10

Média Mensal de Geração (kWh) 132,50 225,20 385,20

Desvio Padrão Mensal (kWh) 26,80 41,60 75,60


Fonte: A autora.

Figura 8.5 – Perfil de injeção de energia elétrica mensal das unidades prossumidoras.
Fonte: A autora.

Os índices de injeção de energia elétrica e consumo instantâneo


anuais podem ser observados na figura 8.6. Este perfil com injeções de
energia elétrica acima de 50% da energia total gerada é bastante carac-
terístico de residências familiares, onde provavelmente todos os mora-
dores passem boa parte do dia fora de casa (SCARABELOT; RAMPINELLI;
RAMBO, 2018). O número de pessoas em uma residência não tem impacto
significativo no consumo, mas sim o nível de ocupação, ou seja, quanto
tempo as pessoas permanecem na residência (WALLIS et al., 2016).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 232

Figura 8.6 – Perfil de consumo das unidades prossumidoras.


Fonte: A autora.

Este perfil é bastante característico de residências familiares, onde


provavelmente todos passem boa parte do dia fora de casa. O número de
pessoas em uma residência não tem tanto impacto no consumo, mas sim
o nível de ocupação, ou seja, quanto tempo as pessoas permanecem na
residência (WALLIS; NACHREINER; MATTHIES, 2016).
Os picos de consumo ocorrem ao meio dia, pelo uso da cozinha
e às 7h e 19h pelo uso do chuveiro elétrico (SILVA et al., 2014) esses equi-
pamentos representam a maior potência presente em uma residência
(NASPOLINI; RÜTHER, 2011), predominando o consumo em horários que
não há geração de energia elétrica pelo sistema fotovoltaico. No restante
do tempo a residência apresenta consumo somente de equipamentos em
modo de espera, fazendo com que grande parte da energia gerada pelo
sistema fotovoltaico seja injetada na rede da concessionária.
Esse perfil típico residencial pode ser visto no gráfico 8.2, em que
a unidade consumidora com o sistema fotovoltaico SFCR 1 (período de in-
verno) apresenta consumo reduzido durante o dia, ocorrendo a injeção de
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 233

grande parte da energia elétrica gerada, correspondendo a parte negativa


do gráfico. Essa energia que foi injetada será consumida no período da
noite, no qual ocorre a maior demanda dessa unidade consumidora, parte
desse consumo será abatido pelos créditos de energia e o restante será
complementado pela rede.
O perfil de consumo de energia elétrica da residência foi deter-
minado a partir de um analisador de rede. O analisador utilizado é do
fabricante IMS, modelo PowerNet P-600, configurado para registrar dados
de tensão e corrente alternada, com exatidão de ± 0,20% e ± 0,20% ± 1% do
sensor de corrente, respectivamente, em intervalos de 5 minutos.

Gráfico 8.2 – Curva de carga e geração de um dia útil de inverno da unidade consumidora
com o sistema fotovoltaico SFCR 1.
Fonte: A autora.

Unidades prossumidoras comerciais

O crescimento econômico de um país está diretamente associado


à oferta de energia elétrica, da mesma maneira as pessoas têm uma cres-
cente demanda por energia elétrica visando melhor qualidade de vida e
bem-estar social (VILLAREAL; MOREIRA, 2016).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 234

Semelhante a outros países, o Brasil segue aumentando seu con-


sumo de energia elétrica ano após ano, entre 1995 e 20019 o crescimento
médio anual foi de 3,1%. Conforme o gráfico 8.3, todas as classe de con-
sumo apresentaram aumento na demanda por energia elétrica, na última
década o setor comercial apresentou 41% de acréscimo, enquanto o setor
industrial foi de 3,4% (EPE, 2020).

Gráfico 8.3 – Consumo de energia elétrica por classe.

Fonte: A autora.

A seguir, analisa-se o sistema de compensação de energia elétrica


em unidades prossumidoras comerciais. As principais características dos
sistemas fotovoltaicos monitorados e analisados são apresentadas na
tabela 8.6. Dois dos sistemas fotovoltaicos estão em operação no Sul do
Brasil e o SFCR 5 fica na região Centro-Oeste. O SFCR 4 se encontra em
uma unidade prossumidora comercial do setor de galvanização e estrutu-
ras metálicas, o SFCR 5 está instalado em uma empresa de reciclagem de
plástico e o SFCR 6 se encontra em uma associação beneficente.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 235

Tabela 8.6 – Características dos SFCRs instalados nas unidades prossumidoras.

SFCR 4 SFCR 5 SFCR 6

Potência Instalada: 78390 Wp 94050 Wp 12060 Wp

Arranjo Potência Individual: 335 Wp 330 Wp 335 Wp


Fotovoltaico
Quantidade de
234 285 36
Módulos:

Modelo: PHB36K-DT Eco25.0-3-S PHB5000D-NS


Inversor
Potência: 2x 36000 W 3x 25000 W 2x 5000 W

Inclinação: 10 º 10 º 10 º
Ângulos
Azimute: 180°/0 º 0º 0º

Lucas do Rio
Local de Instalação Criciúma/SC Criciúma/SC
Verde/MT

Tempo de monitoramento 9 meses 12 meses 10 meses

Fonte: A autora.

Balanço Energético

Nas tabelas 8.7, 8.8 e 8.9 são apresentados os dados extraídos dos
medidores bidirecionais, bem como dados do monitoramento. A energia
consumida instantaneamente pelas unidades prossumidoras, ou seja,
aquela que não foi registrada pelo medidor, pode ser calculada a partir
dos dados de geração total de energia elétrica registrada pelo inversor,
subtraindo-se o montante de energia elétrica que foi injetada na rede.
Utilizando-se a mesma metodologia aplicada nas unidades
prossumidoras residenciais, foi determinada a energia elétrica consu-
mida instantaneamente em cada unidade prossumidora comercial e o
consumo total.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 236

Tabela 8.7 – Dados de consumo e geração da unidade consumidora com SFCR 4.

Consumo Energia Energia Consumo


Geração
Mês Ref. da Rede Injetada consumida sem Geração
Total (kWh)
(kWh) (kWh) inst. (kWh) (kWh/mês)

jan-20 4599,00 8305,75 3224,15 11529,90 7823,15

fev-20 9150,00 3247,14 6131,56 9378,70 15281,56

mar-20 6852,00 3686,47 5970,23 9656,70 12822,23

abr-20 6107,00 4164,00 4864,90 9029,90 10972,90

mai-20 4092,00 3589,00 3945,50 7534,50 8037,50

jun-20 4724,00 2459,00 3450,80 5909,80 8174,80

jul-20 7041,00 970,00 3716,00 4686,00 10757,00

ago-20 9262,00 1344,00 4607,70 5951,70 13869,70

set-20 11946,00 1141,00 4750,10 5891,10 16696,10

Total 63773,00 28906,36 40660,94 69568,30 104434,94

Média 7085,89 3211,82 4517,88 7729,81 11603,88

Desvio Padrão 2606,68 2252,59 1041,56 2283,65 3277,98

Fonte: A autora.

Tabela 8.8 – Dados de consumo e geração da unidade consumidora com SFCR 5.

Consumo Energia Energia Consumo


Geração
Mês Ref. da Rede Injetada consumida sem Geração
Total (kWh)
(kWh) (kWh) inst. (kWh) (kWh/mês)

out-19 3485,00 5396,00 6112,19 11508,19 9.597,19

nov-19 4100,00 6364,00 6282,73 12646,73 10.382,73

jan-20 5740,00 10033,00 3062,13 13095,45 8.802,13

fev-20 5002,00 6720,00 4924,21 11644,21 9.926,21

mar-20 5043,00 4640,00 6736,20 11376,20 11.779,20

abr-20 4059,00 8264,00 3157,17 11421,17 7.216,17

mai-20 5412,00 6720,00 6649,82 13369,82 12.061,82

jun-20 5412,00 4120,00 7005,42 11125,42 12.417,42

jul-20 6683,00 3560,00 7569,71 11129,71 14.252,71


MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 237

Consumo Energia Energia Consumo


Geração
Mês Ref. da Rede Injetada consumida sem Geração
Total (kWh)
(kWh) (kWh) inst. (kWh) (kWh/mês)

ago-20 7052,00 2720,00 8089,00 10809,00 15.141,00

set-20 6150,00 3760,00 9207,00 12967,00 15.357,00

out-20 6683,00 4400,00 8231,00 12631,00 14.914,00

Total 64921,00 66697,00 77026,58 143723,90 141.847,58

Média 4993,92 5.558,08 6418,88 11.976,99 11.820,63

Desvio Padrão 1827,73 2.137,44 1905,07 897,22 2.702,58

Fonte: A autora.

Tabela 8.9 – Dados de consumo e geração da unidade consumidora com SFCR 6.

Consumo Energia Energia Geração Consumo


Mês Ref. da Rede Injetada consumida Total sem Geração
(kWh) (kWh) inst. (kWh) (kWh) (kWh/mês)

jan-20 1518,00 745,00 997,10 1742,10 2515,10

fev-20 1971,00 438,00 1024,30 1462,30 2995,30

mar-20 1995,00 422,00 967,70 1389,70 2962,70

abr-20 1306,00 893,00 373,60 1266,60 1679,60

mai-20 1416,00 522,00 754,70 1276,70 2170,70

jun-20 1698,00 358,00 622,70 980,70 2320,70

jul-20 1939,00 213,00 642,20 855,20 2581,20

ago-20 1804,00 325,00 725,70 1050,70 2529,70

set-20 1951,00 223,00 638,90 861,90 2589,90

dez-19 2333,00 414,00 692,50 1106,50 3025,50

Total 17931,00 4553,00 7439,40 11992,40 25370,40

Média 1793,10 455,30 743,94 1199,24 2537,04

Desvio Padrão 311,70 216,59 202,51 283,10 415,17

Fonte: A autora.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 238

O SFCR 5 possui um baixo desvio padrão na geração de energia


elétrica, isso se deve ao fato do SFRC se encontrar na região Centro-O-
este, essa região possui menores variações de irradiação solar ao longo
ano quando comparada a região Sul do Brasil. O consumo por sua vez é
caracterizado pelas atividades comerciais, depende do momento econô-
mico que a empresa vive e da demanda pelos produtos e/ou serviços, o
mesmo ocorre na unidade prossumidora com o SFCR 4.
Já para o SFCR 6, o perfil de consumo é mais linear, isso se deve
muito ao fato de as atividades serem fixas e se manterem regulares duran-
te o ano todo.
Os gráficos 8.4, 8.5 e 8.6 apresentam os histogramas de energia
elétrica gerada mensalmente pelos SFCRs, dividida em energia elétrica
injetada na rede energia elétrica consumida instantaneamente e também
o consumo total da unidade prossumidora. O mês de abril apresenta o
menor consumo na unidade prossumidora com o SFCR 6, uma vez que
acontece o período de recesso na instituição, as outras duas unidades
possuem perfis que dependem da economia e volume de serviços pres-
tados no período de monitoramento.
O abatimento de consumo de energia elétrica foi de 67%, 97% e
47% para os sistemas 4, 5 e 6, respectivamente. Apenas o SFCR 5 possui o
acúmulo de créditos que são utilizados em meses subsequentes.

Gráfico 8.4 – Consumo e geração mensal de energia elétrica, residência com SFCR 4.

Fonte: A autora.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 239

Gráfico 8.5 – Consumo e geração mensal de energia elétrica, residência com SFCR 5.

Fonte: A autora.

Gráfico 8.6 – Consumo e geração mensal de energia elétrica, residência com SFCR 6.

Fonte: A autora.

Perfil de Consumo e Geração

A tabela 8.10 apresenta índices de geração de energia elétrica e


produtividade dos sistemas fotovoltaicos (FV) das unidades prossumido-
ras. A produtividade do SFCR 5 possui a maior produtividade, porém se
encontra na região que possui 12,5% de superioridade em questões de
recurso solar anual (INPE, 2017).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 240

A produtividade dos SFCR 4 e 6 são menores que dos sistemas


instalados em residências instalados na mesma região, uma vez que são
sistema de proporções maiores, utilizando mais de um inversor e ainda
com distintas condições de orientação e inclinação. Adicionalmente os
dados coletados não representam o mesmo período de análise, ou seja,
o recuso solar possui variações quando comparados diferentes anos ou
meses (INPE, 2017).
A tabela 8.10 apresenta os índices de energia elétrica injetada na
rede e a energia elétrica consumida instantaneamente, anualmente para
as unidades prossumidoras.
As informações de consumo e curva de demanda das unidades
consumidoras determinam o perfil característico, que pode dividir os consu-
midores em grupos de usuários semelhantes (RESTREPO; SIERRA; ROSERO,
2018). De maneira geral o perfil de consumo de empresas, comércio e in-
dústria, indica um consumo entre 7h e 17h, o que difere do perfil residencial
(RESTREPO; SIERRA; ROSERO, 2018), os perfis de consumo geralmente são
definidos com base nos dias de semana (JARDINI et al., 2000).
Dessa forma em unidades prossumidoras comerciais a injeção
de energia elétrica na rede possui proporções menores do que em re-
sidências, uma vez que a geração de energia elétrica ocorre em horário
coincidente ao consumo das empresas e industrias.

Tabela 8.10 – Índices de geração de energia elétrica e produtividade anuais dos sistemas
fotovoltaicos.

SFCR 4 SFCR 5 SFCR 6

Geração FV Total (kWh) 63773,00 64921,00 11992,40

Produtividade (kWh/kWp) 1183,29 1480,83 1193,27

Média Mensal de Geração (kWh) 7085,89 4993,92 1209,54

Desvio Padrão Mensal (kWh) 2606,68 1827,73 298,27

Fonte: A autora.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 241

Os índices de injeção de energia elétrica e consumo instantâneo


anuais podem ser observados no gráfico 8.7. O perfil de injeção de energia
elétrica atinge em média 42%, dessa forma, a maior parte da energia elé-
trica é consumida instantaneamente e não é contabilizada pela medição
da distribuidora local. Este cenário é vantajoso uma vez que o consumo
da rede será minimizado e consequentemente a incidência de encargos
e impostos.
Dufo-López (2015) apresenta a primeira lei regulamentadora da
Espanha de 2011, em que a medição líquida aplicava uma taxa de acesso
aos créditos de energia, ou seja, a energia elétrica injetada na rede valia
menos que a energia da concessionária, semelhante a cobrança de im-
postos e encargos no Brasil. Também ocorre a política de medição de rede
real aplicada em muitos estados nos EUA, onde a energia injetada tem o
mesmo valor da energia da concessionária, ou seja, 1:1, implicaria em uma
rentabilidade maior dos sistemas fotovoltaicos.
Dessa forma as unidades prossumidoras que consomem a maior
parte da a energia gerada instantaneamente, ou seja, apresentam consu-
mo de energia elétrica e geração em horários coincidentes apresentam
melhor retorno de investimento, além de contribuir para minimizar a curva
de demanda necessária da rede de distribuição.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 242

Gráfico 8.7 – Perfil de consumo das unidades prossumidoras.

Fonte: A autora.

Considerações finais

Para as unidades prossumidoras analisadas, a energia elétrica que


é injetada na rede das distribuidoras locais representou uma fração variá-
vel entre 50% e 65% da energia elétrica gerada pelos SFCR das unidades
prossumidoras residenciais. Já para unidades prossumidoras comerciais
possuem uma fração menor entre 38% e 46%.
O perfil de consumo impacta diretamente no retorno de investi-
mento, uma vez que, ocorre a influência na cobrança dos encargos e im-
postos nas faturas mensais de energia elétrica. As unidades prossumidoras
comerciais possuem atratividade econômica, pois boa parte do consumo
durante o dia já é abatido instantaneamente, não sendo registrado pela
medição da distribuidora local. Em unidade prossumidoras residenciais a
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 243

atratividade se dá para o fato de possuírem os maiores valores de tarifa de


energia elétrica.
Sendo assim, incentivos estaduais ou federais são importantes para
impulsionar os sistemas fotovoltaicos como um todo. Além da redução dos
preços e análise técnica para aplicação adequada dos SFCR em relação
a viabilidade técnica, custo do investimento e tarifa para que seja possível
alcançar a rentabilidade econômica e desenvolvimento sustentável.

Referências
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de Energia Elétrica, 2020.

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MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 245

CAPÍTULO 9
Normas e legislação

Este capítulo visa apresentar brevemente as principais normativas


vigentes referentes a sistemas fotovoltaicos conectados à rede elétrica. A
Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), assim como, a Agência
Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), são os órgãos brasileiros responsá-
veis por regular e legislar o setor. Além disso, algumas normas internacio-
nais possuem vigência em território nacional, como aquelas produzidas
pela International Electrotechnical Commission (IEC). Os equipamentos para
instalação de um SFCR possuem certificação nacional, elaborados pelo
Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).

Módulos

IEC 61215:2016 – Módulos Fotovoltaicos Terrestres (PV) – qualificação de


projeto e homologação de tipo

Dividida em duas partes principais, determina uma sequência de


testes que devem ser realizados nos módulos fotovoltaicos para apontar a
resistência dos módulos conforme variações de clima e ao longo do tem-
po. É aplicada a diferentes tecnologias de módulos fotovoltaicos terrestres.
(IEC, 2008, 2016a, 2016b, 2016c, 2016d, 2016e, 2016f, 2018a).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 246

IEC 61730:2016 – Qualificação de segurança do módulo fotovoltaico (PV)

A IEC 61730:2016 complementa a IEC 61215:2016. Está dividida em


duas partes, sendo que a primeira apresenta as exigências de construção
dos módulos fotovoltaicos, a fim de prever choques elétricos, incêndio
e acidentes pessoais. Enquanto que a segunda parte estabelece as
condições de teste utilizados na verificação da segurança dos módulos
fotovoltaicos e define os requisitos mínimos de teste de segurança, bem
como, testes adicionais. Os testes previstos nesta norma incluem a inspe-
ção geral, risco de choque elétrico, risco de incêndio, estresse mecânico e
estresse ambiental (IEC, 2016g, 2016h).

IEC/TS 62915:2018 – Módulos fotovoltaicos (PV) – Aprovação de tipo,


projeto e qualificação de segurança - Reteste

Aplicada quando módulos fotovoltaicos são submetidos a mu-


danças após testes e qualificação das IEC 61730:2016 e IEC 61215:2016,
atuando como uma compilação de ambas. Relata as modificações mais
comuns que ocorrem nos módulos e os procedimentos para novos testes
com a finalidade de garantir segurança física e elétrica mesmo após as
alterações (IEC, 2018b).

IEC 62941:2019 – Módulos fotovoltaicos terrestres (PV) – sistema de quali-


dade para fabricação de módulos fotovoltaicos

Trata sobre a qualidade de empresas fabricantes de módulos foto-


voltaicos que obedecem às IEC 61730:2016 e IEC 61215:2016. Dispõe sobre
práticas, processos de fabricação e uso e manuseio de materiais aplicados
na fabricação de módulos fotovoltaicos certificados pelas Normas citadas
anteriormente. Também é possível aplica-la para fins de auditorias internas,
desde que a organização já atenda aos requisitos da ISO 9001 (IEC, 2019a).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 247

IEC 61853:2018 – Teste de desempenho do modulo fotovoltaico (PV) e


classificação de energia

Dividida em quatro partes, estabelece os requisitos e procedimen-


tos para analisar o desempenho energético de módulos fotovoltaicos sub-
metidos a diferentes condições de operação. A parte 1 fornece a potência
(em watts) do módulo fotovoltaico sujeito a irradiâncias e temperaturas
pré-definidas. A parte 2 verifica a influência de diferentes ângulos de inci-
dência da irradiação solar, determina a resposta espectral e a temperatura
de operação do módulo (IEC, 2011, 2016i).
As partes 3 e 4 se referem às variações de clima e a energia elétrica
convertida pelo módulo fotovoltaico. A parte 3 apresenta a metodologia
para cálculo da energia elétrica convertida durante um ano de operação
do módulo sujeito aos dados climáticos de referência disponíveis na parte
4 (IEC, 2018c, 2018d).
No que diz respeito aos módulos fotovoltaicos, existe uma série de
normas que podem ser consultadas no catálogo de normas da ABNT, sen-
do as descritas as principais. Seguem normas complementares referentes
a módulos fotovoltaicos:

IEC 61701:2020 – Módulos fotovoltaicos (PV) – teste de corrosão por névoa


salina (IEC, 2020a).

IEC/TS 62804-1-1:2020 – Módulos fotovoltaicos (PV) – métodos de teste


para a detecção de degradação induzida por potencial (IEC, 2020b).

IEC/TS 62782:2016 – Módulos fotovoltaicos (PV) – teste de carga mecâni-


ca cíclica (dinâmica) (IEC, 2016j).

IEC 62759-1:2015 – Módulos fotovoltaicos (PV) – teste de transporte – Par-


te 1: transporte e envio de unidades de pacote de módulo (IEC, 2015a).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 248

IEC 62938:2020 – Módulos fotovoltaicos (PV) – teste de carga de neve não


uniforme (aplicável a módulos com molduras que impeçam o deslizamen-
to de neve) (IEC, 2020c).

IEC/TS 62994:2019 – Módulos fotovoltaicos (PV) ao longo do ciclo de vida


– avaliação de risco de saúde e segurança ambiental (EH&S) – princípios
gerais e nomenclatura (IEC, 2019b).

IEC 62979:2017 – Módulos fotovoltaicos – diodo de bypass – teste de fuga


térmica (IEC, 2017a).

IEC 62716:2014/COR1 – Errata 1 – Módulos fotovoltaicos (PV) – teste de


corrosão por amônia (IEC, 2014).

IEC 62788:2020 – Procedimentos de medição para materiais usados


em módulos fotovoltaicos (IEC, 2016k, 2016l, 2017b, 2017c, 2017d, 2020d,
2020e, 2020f, 2020g, 2020h).

IEC 62790:2020 – Caixas de junção para módulos fotovoltaicos – requisitos


e testes de segurança (IEC, 2020i).

IEC 61345 Ed. 1.0 b – Teste UV para módulos fotovoltaicos (PV) (IEC, 1998).

Inversores

As principais normas em vigência para inversores fotovoltaicos


estão descritas a seguir.

NBR IEC 62116:2012 – Procedimento de ensaio de anti-ilhamento para


inversores de sistemas fotovoltaicos conectados à rede elétrica

Baseada nas IEC 61727 e IEC/TS 61836, descreve termos e con-


dições sobre os inversores fotovoltaicos e a conexão dos mesmos à rede
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 249

elétrica. Apresenta parâmetros, equipamentos e os procedimentos de


ensaio dos inversores, detalhadamente, visando avaliar o desempenho da
prevenção de ilhamento. Além disso, trás um capítulo de documentação e
anexos sobre anti-ilhamento em sistemas fotovoltaicos (ABNT, 2012).
Na presente data, esta norma se encontra em revisão.

NBR 16149:2013 – Sistemas fotovoltaicos (FV) – características da interface


de conexão com a rede elétrica de distribuição

As NBRs 16149:2013 e 16150:2013, apesar de tratarem de siste-


mas fotovoltaicos no todo, são aplicadas aos inversores, visto que esses
equipamentos realizam a conexão dos módulos fotovoltaicos com a rede
elétrica de distribuição (ABNT, 2013a, 2013b).
A NBR 16149:2013 estabelece os requisitos a qualidade da energia
elétrica entregue pelos sistemas fotovoltaicos às redes de distribuição
de energia elétrica. Apresenta limites de harmônicas e distorções, faixa
operacional de frequência, fator de potência, tensão, potência e requisitos
para proteções. Além disso, traça diretrizes sobre reconexão, aterramento
e religamento automático da rede (ABNT, 2013a).
Na presente data, esta norma se encontra em revisão.

NBR 16150:2013 – Sistemas fotovoltaicos (FV) – características da interface


de conexão com a rede elétrica de distribuição – procedimento de ensaio
de conformidade

A NBR 16150 apresenta os instrumentos de medição, os requisitos


e os procedimentos de ensaio necessários para cumprimento na NBR
16149:2013. Determina as obrigações para medição dos parâmetros de
rede e de qualidade de energia elétrica e os procedimentos de ensaio
como: cintilação, harmônicas, fator de potência, potência reativa, variações
de tensão e frequência e desconexões do sistema fotovoltaico a rede por
sub e sobretensão (ABNT, 2013b).
Na presente data, esta norma se encontra em revisão.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 250

Existem outras normas IEC suplementares que possuem vigência


em território nacional e que podem ser consultadas no catálogo de nor-
mas da ABNT:

IEC/TS 62910:2020 – Inversores fotovoltaicos conectados à rede elétri-


ca – procedimento de teste para medições de passagem de subtensão
(IEC, 2020j).

IEC 62891:2020 – Eficiência máxima do seguidor do ponto de máxima


potência de inversores fotovoltaicos conectados à rede (IEC, 2020k).

IEC 62894:2016 – Inversores fotovoltaicos – folha de dados e placa de


identificação (IEC, 2016m, 2016n).

Sistemas Fotovoltaicos

NBR 10899:2020 – Energia solar fotovoltaica – terminologia

Baseada na IEC 61836:2016, especifica os parâmetros referentes a


conversão de energia solar fotovoltaica em energia elétrica, como ângulos,
radiação solar, elementos, características, configurações e componentes
do sistema fotovoltaico (ABNT, 2020a).

NBR 16690:2019 – Instalações elétricas de arranjos fotovoltaicos – requi-


sitos de projeto

Baseada na IEC/TS 62548:2013, busca estabelecer as exigências


de projeto para instalações elétricas de sistemas fotovoltaicos, discrimi-
nando esquemas elétricos, proteções de segurança, componentes elé-
tricos, aterramento e equipotencialização. Tem o objetivo de especificar
os requisitos de segurança oriundos das características especificas dos
sistemas fotovoltaicos (ABNT, 2019).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 251

NBR 16274:2014 – Sistemas fotovoltaicos conectados à rede – requisitos


mínimos para documentação, ensaios de comissionamento, inspeção e
avaliação de desempenho

Determina a documentação mínima, assim como, as informações


a serem reunidas após a instalação de um sistema fotovoltaico conecta-
do à rede elétrica em baixa tensão. Além disso, apresenta os testes de
comissionamento e os métodos de inspeção que devem ser realizados
logo após instalação e operação do sistema fotovoltaico e também, ao
durante todo seu período de funcionamento para verificar o desempenho
energético e possíveis falhas (ABNT, 2014).
Na presente data, esta norma se encontra em revisão.

IEC 62446:2018 – Sistemas fotovoltaicos (PV) – requisitos para teste, docu-


mentação e manutenção

Dividida em três partes, indica o material que deve ser entregue ao


consumidor após instalação de um sistema fotovoltaico conectado a rede.
Aponta os parâmetros que devem ser observados em inspeções visuais e
termográficas, em testes de comissionamento, em manutenções preven-
tivas e corretivas a fim de garantir segurança na instalação e na operação
do sistema fotovoltaico (IEC, 2017e, 2018e, 2018f, 2020l).

IEC 61724:2017 – Desempenho do sistema fotovoltaico

Norma dividida em três partes que discorrem sobre o desempenho


energético de sistemas fotovoltaicos. A parte 1 expõe diretrizes sobre o
monitoramento, como equipamentos e métodos para obtenção de dados
e calculo de indicadores. As partes 2 e 3 apresentam os procedimentos
para medição e análise da energia elétrica entregue pelos sistemas fo-
tovoltaicos, sendo a parte 2 responsável pela qualidade e a parte 3 pela
produção de energia elétrica (IEC, 2016o, 2016p, 2017f, 2018g).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 252

Inmetro 004:2011 – Requisitos de avaliação da conformidade para siste-


mas e equipamentos para energia fotovoltaica

A partir do mecanismo da Etiquetagem, buscando atender os re-


quisitos para a eficiência energética e para o nível adequado de segurança,
estabelece critérios para avaliação da conformidade de sistemas e equi-
pamentos para energia fotovoltaica. Publica oito etapas para o processo
de avaliação da conformidade (INMETRO, 2011).
Para módulos fotovoltaicos o ensaio é baseado nas normas inter-
nacionais IEC 61215 e IEC 61646. Os ensaios para inversores de sistemas fo-
tovoltaicos conectados à rede são sustentados pelas NBRs 16149 e 16150,
ambas de 2013. O ensaio de anti-ilhamento deve ser realizado conforme
NBR IEC 62116: 2012 (INMETRO, 2011).

IEC 61829:2015 – Arranjo fotovoltaico (PV) – medição no local das caracte-


rísticas de corrente-tensão (IEC, 2015b).

IEC 61727:2004 – Sistemas fotovoltaicos (PV) – características da interface


de conexão à rede (IEC, 2004).

IEC 63157:2019 – Sistemas fotovoltaicos – diretrizes para garantia de quali-


dade eficaz de equipamentos de conversão de energia (IEC, 2019c).

IEC/TS 63019:2019 – Sistemas de energia fotovoltaica (PVPS) – modelo


de informação para disponibilidade (IEC, 2019d).

IEC 63049:2017 – Sistemas fotovoltaicos terrestres (PV) – diretrizes para


garantia de qualidade eficaz na instalação, operação e manutenção de
sistemas fotovoltaicos (IEC, 2017g).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 253

Proteções e Periféricos

NBR IEC 61643-1:2007 – Dispositivos de proteção contra surtos em baixa


tensão Parte 1: dispositivos de proteção conectados a sistemas de distribuição
de energia de baixa tensão – requisitos de desempenho e métodos de ensaio

Tal norma dispõe sobre os dispositivos de proteção contra surtos


(DPS), apresentando topologias, ensaios, valores de correntes e tensões e
requisitos aplicáveis aos DPS (ABNT, 2007).

NBR 5419:2015 – Proteção contra descargas atmosféricas (Versão corrigi-


da 2018)

Dividida em quatro partes, tem como principal objetivo fixar as


condições de projeto, instalação e manutenção de sistemas de proteção
contra descargas atmosféricas de estruturas, assim como, de pessoas e
instalações (ABNT, 2015a, 2015b, 2015c, 2018).

NBR 16612:2020 – Cabos de potência para sistemas fotovoltaicos, não


halogenados, isolados, com cobertura, para tensão de até 1,8 kV C.C. entre
condutores – requisitos de desempenho

Estabelece todos os requisitos para instalação, operação e inspe-


ção de cabos utilizados em corrente contínua em instalações de sistemas
fotovoltaicos com tensão continua máxima de 1,5 kV (ABNT, 2020b).

IEC/TS 63225:2019 – Incompatibilidade de conectores para aplicação CC


em sistemas fotovoltaicos

Norma que discorre sobre os conectores aplicados no lado cc de


sistemas fotovoltaicos e suas incompatibilidades proveniente de diferen-
tes fabricantes. Também trás recomendações para que a padronização
dos conectores ocorra (IEC, 2019e).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 254

Normas complementares

RN 482 – Condições gerais para o acesso de microgeração e minigeração


distribuída aos sistemas de distribuição e de compensação de energia elétrica

Define microgeração e minigeração distribuída, determinando


limites de potência instalada, e o sistema de compensação de energia
elétrica. Estabelece critérios para a instalação de sistemas fotovoltaicos
e relacionamento com as concessionárias, bem como, permissionárias de
energia de elétrica (ANEEL, 2012).

RN 687 – Alteração da RN 482 de 2012

Atualizou a Resolução Normativa 482 de 17 de abril de 2012, au-


mentando as potências de micro e minigeração distribuída, além de criar
novas categorias para o compartilhamento da energia elétrica oriunda de
sistemas de microgeração ou minigeração. Inseriu parágrafos que favo-
recem a modalidade e proporcionam maiores benefícios aos titulares de
unidades consumidoras com geração distribuída (ANEEL, 2015).
A tabela 9.1 apresenta o resumo das principais atualizações que
ocorreram na RN 482 a partir da publicação da RN 687 em 2015.

Tabela 9.1 – Comparação entre a RN 482 e a RN 687.

RN nº 482/2012 RN nº 687/2015

Microgeração Até 100 kW Até 75 kW

Minigeração Até 1 MW Até 5 MW

Créditos Válidos por 3 anos Válidos por 5 anos

Medidores Pagos Gratuitos (concessionária)

Tramitação do Processo 82 dias 34 dias

Diferentes formulários por Formulários padronizados


Burocracia
região em todo país

Pedidos Presenciais Online (a partir de 2017)


Fonte: Elaborada pela autora (2020).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 255

NBR 5410:2005 – Instalações elétricas de baixa tensão (Versão corrigida 2008)

Estabelece as condições a que devem satisfazer as instalações elé-


tricas de baixo tensão. Para tanto, traz definições, princípios fundamentais
e características gerais, proteções e seleção e instalação de componentes
(ABNT, 2004).

NR 10 – Segurança em instalações e serviços em eletricidade

Estabelece os requisitos e condições mínimas para medidas de


controle e sistemas preventivos em instalações elétricas e/ou serviços
com eletricidade. Aplica-se durante todas as etapas de projeto, além das
fases de geração, transmissão, distribuição e consumo (MTPS, 2016).

NR 35 – Trabalho em altura

Estabelece os requisitos mínimos e as medidas de proteção para o


trabalho em altura, apresentando as responsabilidades do empregador e
dos trabalhadores (MTB, 2016).

Referências
ABNT. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5410: Instalações elétricas de baixa tensão
(Versão corrigida 2008). p. 209, 2004.

ABNT. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR IEC 61643-1: Dispositivos de proteção
contra surtos em baixa tensão Parte 1: Dispositivos de proteção conectados a sistemas de distribuição de
energia de baixa tensão - Requisitos de desempenho e métodos de ensaio. p. 72, 2007.

ABNT. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR IEC 62116: Procedimento de ensaio de
anti-ilhamento para inversores de sistemas fotovoltaicos conectados à rede elétrica. p. 21, 2012.

ABNT. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 16149: Sistemas fotovoltaicos (FV) - carac-
terísticas da interface de conexão com a rede elétrica de distribuição. p. 12, 2013a.

ABNT. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 16150: Sistemas fotovoltaicos (FV) - ca-
racterísticas da interface de conexão com a rede elétrica de distribuição - procedimento de ensaio de
conformidade. p. 24, 2013b.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 256

ABNT. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 16274: Sistemas fotovoltaicos conectados
à rede - requisitos mínimos para documentação, ensaios de comissionamento, inspeção e avaliação de
desempenho. p. 52, 2014.

ABNT. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5419-1: Proteção contra descargas atmos-
féricas Parte 1 - princípios gerais. p. 67, 2015a.

ABNT. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5419-2: Proteção contra descargas atmos-
féricas Parte 2 - gerenciamento de risco (versão corrigida 2008). p. 104, 2015b.

ABNT. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5419-3: Proteção contra descargas atmos-
féricas Parte 3 - danos físicos a estruturas e perigos à vida (Versão corrigida 2008). p. 51, 2015c.

ABNT. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5419-4: Proteção contra descargas atmos-
féricas Parte 4 - sistemas elétricos e eletrônicos internos na estrutura (Versão Corrigida). p. 87, 2018.

ABNT. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 16690: Instalações elétricas de arranjos
fotovoltaicos - requisitos de projeto. p. 65, 2019.

ABNT. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10899: Energia solar fotovoltaica - termi-
nologia. p. 11, 2020a.

ABNT. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 16612: Cabos de potência para sistemas
fotovoltaicos, não halogenados, isolados, com cobertura, para tensão de até 1,8 kV C.C. entre condutores
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ANEEL. AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA. RN 482: Estabelece as condições gerais para o aces-
so de microgeração e minigeração distribuída aos sistemas de distribuição de energia elétrica, o sistema
de compensação de energia elétrica, e dá outras providências. ANEEL, p. 13, 2012.

ANEEL. AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA. RN 687: Altera a Resolução Normativa no 482, de 17
de abril de 2012, e os Módulos 1 e 3 dos Procedimentos de Distribuição - PRODIST. p. 25, 2015.

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modules - design qualification and type approval - Part 1-2 - special requirements for testing of thin-film
Cadmium Telluride (CdTe) based photovoltaic (PV) modules. p. 17, 2016c.

IEC. INTERNATIONAL ELECTROTECHNICAL COMMISSION. IEC 61215-1-3: Terrestrial photovoltaic (PV)


modules - design qualification and type approval - Part 1-3 - special requirements for testing of thin-film
amorphous silicon based photovoltaic (PV) modules. p. 17, 2016d.

IEC. INTERNATIONAL ELECTROTECHNICAL COMMISSION. IEC 61215-1-4: Terrestrial photovoltaic (PV)


modules - design qualification and type approval - Part 1-4 - special requirements for testing of thin-film
Cu(In,GA)(S,Se)2 based photovoltaic (PV) modules. p. 18, 2016e.

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systems - guidelines for effective quality assurance in PV systems installation, operation and maintenance.
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photovoltaic (PV) modules - design qualification and type approval - Part 2 - test procedures. p. 2, 2018a.

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IEC. INTERNATIONAL ELECTROTECHNICAL COMMISSION. IEC 61853-3: Photovoltaic (PV) module perfor-
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materials used in photovoltaic modules - Part 1-7 - encapsulants - test procedure of optical durability. p.
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materials used in photovoltaic modules - Part 5-1 - edge seals - suggested test methods for use with edge
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IEC. INTERNATIONAL ELECTROTECHNICAL COMMISSION. IEC 62788-6-2: Measurement procedures


for materials used in photovoltaic modules - Part 6-2 - general tests - moisture permeation testing of
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IEC. INTERNATIONAL ELECTROTECHNICAL COMMISSION. IEC 62446-2: Photovoltaic (PV) systems - requi-
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INMETRO. INSTITUTO NACIONAL DE METROLOGIA, QUALIDADE E TECNOLOGIA. Portaria 004: Requisitos


de avaliação da conformidade para sistemas e equipamentos para energia fotovoltaica. p. 50, 2011.

MTB. MINISTÉRIO DO TRABALHO. NR 35: Trabalho em altura. p. 8, 2016.

MTPS. MINISTÉRIO DO TRABALHO E PREVIDÊNCIA SOCIAL. NR 10: Segurança em instalações e serviços


em eletricidade. p. 5, 2016.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 260

CAPÍTULO 10
Comissionamento, operação e
manutenção, boas práticas

Introdução

A aplicação massiva dos sistemas FV, implicará na necessidade


de estratégias de manutenções programadas para que ocorra a mitigação
de problemas econômicos, técnicos e de desempenho. Nesse sentido, as
condições de operação em campo devem ser avaliadas constantemente,
inclusive para cada região e para diferentes características de instalação.
Possuindo dados de operação em campo é possível discutir sobre
desempenho, operação e manutenção dos sistemas FV (NASCIMENTO;
RÜTHER, 2014). As informações de operação e comportamento dos
sistemas FV agregam conhecimento para o dimensionamento técnico e
econômico, sendo possível avaliar o grau de confiabilidade e conhecer os
mecanismos de falha (VERA; PRIEB; KRENZINGER, 2006).
A longo prazo, devem ser avaliadas condições de degradação do
gerador FV, falhas de operação por problemas no sistema FV, interrupção
do fornecimento da rede de distribuição, sujeira, temperaturas de ope-
ração (NASCIMENTO; RÜTHER, 2014), recurso solar local e desempenho,
promovendo ajustes aos modelos de dimensionamento por meio de séries
de dados de longo prazo (INPE, 2017).
A maior parte das falhas ocorridas em SFCR são ocasionadas por
problemas de instalação, nesse sentido se faz necessário um bom geren-
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 261

ciamento da qualidade do projeto e da instalação (PINHO; GALDINO, 2014),


bem como, um planejamento de manutenções e verificações periódicas.
Os profissionais envolvidos em quaisquer atividades de instalação
elétrica e/ou manutenções devem atender a todos os requisitos aplicá-
veis, normas vigentes e recomendações para realização do trabalho. Sen-
do estes supervisionados por profissionais qualificados e especializados
em Energia Solar. Também são necessários equipamentos de medição
adequados e devidamente calibrados.

Documentação técnica para operação e manutenção

Os projetos de microgeração e minigeração distribuída devem ser


desenvolvidos de modo a respeitar as orientações técnicas englobadas
pelos seguintes documentos:

• NBR 5410 – Instalações Elétricas de Baixa Tensão.


• NBR 5419 – Proteção contra descargas atmosféricas.
• NBR 16274 – Sistemas fotovoltaicos conectados à rede — Re-
quisitos mínimos para documentação, ensaios de comissiona-
mento, inspeção e avaliação de desempenho.
• NBR 16149 – Sistemas fotovoltaicos (FV) – Características da
interface de conexão com a rede elétrica de distribuição.
• NBR 16690 – Instalações elétricas de arranjos fotovoltaicos –
Requisitos de projeto.
• NBR 16150 – Sistemas fotovoltaicos (FV) – Características da
interface de conexão com a rede elétrica de distribuição – Pro-
cedimento de ensaio de conformidade.
• NBR 16274 – Sistemas fotovoltaicos conectados à rede – Re-
quisitos mínimos para documentação, ensaios de comissiona-
mento, inspeção e avaliação de desempenho.
• NBR 10899 – Energia solar fotovoltaica – Terminologia.
• Prodist – Módulo 3 – Acesso ao Sistema de Distribuição – ANEEL.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 262

• Prodist – Módulo 8 – Qualidade de Energia Elétrica Revisão -


ANEEL.
• NR-10 – Segurança em Instalações e Serviço em Eletricidade;
• NR-35 – Trabalho em altura.

No caso de não haver uma norma específica para determinado


componente, o projeto deverá respeitar as normas internacionais vigentes.
Seguindo as recomendações de segurança e garantindo o correto
funcionamento a NBR 5410 preconiza que, qualquer instalação elétrica
deve ser inspecionada e ensaiada antes da sua entrada em operação.
Adicionalmente, também caso ocorram reformas ou alterações, para
comprovação da correta execução. A NBR 16274 cita que toda a instalação
deve ser verificada durante a montagem e ao final, antes de entrar em
operação e também descreve os documentos a serem entregues.
Para viabilidade da verificação das instalações elétrica, deve-se ter
acesso a todas as informações pertinentes do sistema fotovoltaico instala-
do e deve refletir a instalação exatamente como instalada, tais como:

• Dados do sistema fotovoltaico:

a) Informações básicas do sistema.


b) Informações do projetista do sistema.
c) Informações do instalador do sistema.
d) Cópia do projeto submetido a concessionária local.
e) Parecer de acesso.
f) Anotação de responsabilidade técnica de projeto e execução
(ARTs).

• Diagramas elétricos e executivos:

a) Unifilar Geral.
b) Especificações gerais do arranjo fotovoltaico.
c) Informações da série fotovoltaica.
d) Detalhes elétricos do arranjo fotovoltaico.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 263

e) Aterramento e proteção contra sobretensão.


f) Sistema de conexão c.a.

• Folhas de dados técnicos.


• Informações do projeto mecânico.
• Informações de operação e manutenção.
• Resultados dos ensaios e dados do comissionamento.
• Resultados dos ensaios de avaliação de desempenho.

Procedimentos para verificação dos sistemas


fotovoltaicos

A verificação mencionada pela NBR5410 é composta pela inspe-


ção, ensaios de comissionamento e relatórios das instalações elétricas.
Vale ressaltar o conceito de vistoria, item realizado pela conces-
sionária de distribuição de energia elétrica local. De acordo com a REN
414/2012 – ANEEL, a vistoria é uma fiscalização posterior a conexão elétri-
ca, a fim de comprovar a adequação aos padrões técnicos e de segurança
da distribuidora.
A inspeção deve preceder os ensaios ou testes de comissionamento
e também antes da energização da instalação elétrica, conforme NBR 16274.
Esse processo visa confirmar que os equipamentos conferem, em número e
características, com toda a informação contida no projeto elétrico.
Segundo a NBR 5410 a inspeção visual deve analisar se todos
os componentes estão corretamente selecionados e instalados, deve
também conferir se não há danos e se estão em conformidade com as
informações declaradas pelo fabricante. Na inspeção quaisquer anoma-
lias ou defeitos devem ser apontados, corrigidos e se necessário partes
defeituosas devem ser desconectadas visando a segurança. Os resultados
devem ser formalmente registrados indicando as não conformidades e
desvios encontrados, segundo a NBR 16384.
Segundo a NBR 16274 nos ensaios de comissionamento são rea-
lizadas medições nas instalações elétricas, visando comprovar o correto
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 264

funcionamento. Estes ensaios são realizados seguindo os requisitos da IEC


60364-6 e podem ser consultados na NBR 16274.
Os ensaios de Categoria 1, possuem uma sequência mínima que
independe da escala, tipo, localização ou complexidade do sistema.

a) ensaio do(s) circuito(s) c.a. segundo os requisitos da IEC 60364-6;


b) continuidade da ligação à terra e/ou dos condutores de liga-
ção equipotencial;
c) ensaio de polaridade;
d) ensaio da(s) caixa(s) de junção;
e) ensaio de corrente da(s) série(s) fotovoltaica(s) (curto-circuito
ou operacional);
f) ensaio de tensão de circuito aberto da(s) série(s) fotovoltaica(s);
g) ensaios funcionais;
h) ensaio de resistência de isolamento do(s) circuito(s) c.c.

Os ensaios de Categoria 2, destina-se a sistema maiores ou mais


complexos, e deve ser realizado após os ensaios de Categoria 1.

a) ensaio de curva IV da(s) série(s) fotovoltaica(s);


b) inspeção com câmera infravermelha (IR – do inglês, infrared).

Adicionalmente existem outros ensaios que podem ser aplicados


segundo a NBR 16274, são eles os ensaios adicionais, com intuito de iden-
tificar alguma anomalia que não foi detectada nos ensaios-padrão.

a) tensão ao solo – sistemas com aterramento resistivo;


b) ensaio do diodo de bloqueio;
c) ensaio de resistência de isolamento úmido;
d) avaliação do sombreamento.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 265

Operação e manutenção

Os sistemas fotovoltaicos em operação devem possuir um plano


de operação e manutenção, que defina a periodicidade das verificações.
As manutenções periódicas dependem do porte do sistema e também
das recomendações dos fabricantes de cada componente do sistema.
A operação dos SFCR deve ser acompanhada pelo usuário de ma-
neira simples, sendo que todos os parâmetros que indicam o correto fun-
cionamento devem fazer parte do manual de operação do usuário, mesmo
que ocorra o acompanhamento por parte de uma prestadora de serviços.
Vale ressaltar que para quaisquer procedimentos o SFCR deve ser
corretamente desenergizado e sinalizado, conforme procedimento defi-
nido na NBR 5410. A desenergização implica na desconexão elétrica de
todas as partes, entretanto o gerador FV, ou seja, os módulos FV, mesmo
seccionados ainda possuem tensão elétrica em seus polos. Nesse caso,
sugere-se que ocorra a obstrução completa da irradiação solar.

Módulos fotovoltaicos

Cada módulo fotovoltaico do SFCR deve ser verificado quanto as


suas condições físicas e elétricas. Mesmo que os módulos FV na maioria
dos modelos sejam protegidos por uma moldura de alumínio e com uma
superfície frontal de vidro, contra influencias ambientais, como chuva,
ventos e neve, podem ocorrer danos causados pelo transporte, durante
a instalação, pelo manuseio incorreto e ainda por impactos de galhos
de árvores e outros agentes externos. Também podem ser encontrados
defeitos de fabricação, que por sua vez, também podem acarretar em
prejuízos na eficiência energética dos módulos FV (DEITSCH et al., 2019).
Deve-se avaliar visualmente se sua superfície não apresenta ra-
chaduras ou danos aparentes (figura 10.1). Outras condições, por exemplo,
descoloração, quebras e trincas, corrosão e delaminação também devem
ser identificadas. Mesmo com danos geralmente causados por reações
químicas e mecanismos físicos, o gerador continua operando, porém fora
dos parâmetros ideais (SILVA et al., 2019).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 266

Figura 10.1 – Exemplos de danos aparentes.


Fonte: Acervo pessoal.

Figura 10.2 – Exemplos de degradações ocorridas em condições de operação.


Fonte: Adaptada de Silva et al. (2019).

Outros danos não perceptíveis visualmente podem ser identifi-


cados por inspeções utilizando termografia ou eletroluminescência. Se
um módulo ou string estiver com algum dano interno, a energia não será
convertida em energia elétrica, mas sim em energia térmica, causando
um ponto de calor (hotspot). Com imagens termográficas (figura 10.3), é
possível a avaliação e identificação da presença destes defeitos (SILVA
et al., 2019).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 267

Figura 10.3 – Imagem térmica para módulos Kyocera 135 Wp.


Fonte: Silva et al. (2019).

Caso sejam encontrados pontos quentes, deve-se verificar se são


provenientes de sombreamentos ou sujeira, se não forem essas as causas
a evolução do problema deve ser acompanhada e a substituição dos mó-
dulos com defeito deve ser realizada (PINHO; GALDINO, 2014).
Os defeitos nos módulos FV podem ser de origem intrínseca, devido
as propriedades do material, ou extrínsecos, induzidos por algum processo,
como é o caso das microfissuras e trincas (DEITSCH et al., 2019). s imagens
por eletroluminescência (figura 10.4), é outra alternativa para análise de
falhas, porém com uma resolução muito maior que a termografia.

Figura 10.4 – Exemplo de defeitos, a) defeito do material, b) interrupções nos dedos, c)


microfissuras, d) degradação da interconexão e e) partes eletricamente isoladas.
Fonte: Deitsch et al. (2019).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 268

Para aquisição de parâmetros elétricos, é utilizada a análise das


curvas IV e PV (gráfico 10.1). Normalmente os parâmetros medidos são: po-
tência máxima, tensão de circuito aberto, corrente de curto-circuito, fator
de forma, resistência série e resistência shunt (KAHOUL et al., 2017). Essas
curvas descrevem a capacidade de conversão de energia nas condições
existentes de irradiação solar e temperatura. Sendo assim, quaisquer
modificações dessas características indica danos ou degradação dos
módulos FV (SILVA et al., 2019).
Em termos práticos esse procedimento se torna mais complexo,
pois depende da desconexão dos módulos ou strings que se quer analisar,
nesse caso a intervenção nas instalações elétricas exigem condições es-
pecíficas e equipamentos adequados (MARTÍNEZ-MORENO; FIGUEIREDO;
LORENZO, 2018).

Gráfico 10.1 – Exemplo de diferenças das curvas características para distintos módulos FV.
Fonte: Kahoul et al. (2017).

A manutenção dos módulos FV geralmente estão relacionadas com


a limpeza da superfície. A sujeira ou poeira acumulada ao longo do tem-
po no gerador fotovoltaico pode reduzir a transmitância dos módulos FV,
causando perdas energéticas (MOSTEFAOUI et al., 2018). Em regiões com
alto índice de poeira ou até mesmo em países onde ocorrem tempestade
de areia, ocorre a diminuição expressiva da irradiância diária que pode ser
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 269

absorvida pelos módulos FV e consequentemente a redução da potência


elétrica atingida pelo gerador fotovoltaico (SAHOUANE et al., 2019).
Mostefaoui et al. (2018) ilustram a variação de eficiência de um
gerador com acúmulo de sujeira na superfície e após a limpeza dos
módulos FV (gráfico 10.2). De acordo com os índices de desempenho a
produtividade final do sistema FV foi de 6,21 kWh/kWp/dia e 5,95 kWh/
kWp/dia, para o sistema limpo e para o sistema sujo, respectivamente.
Este estudo realizado na Argélia, em um período específico descreve um
ganho energético de 4,4% com a limpeza do gerador FV (MOSTEFAOUI et
al., 2018). Silva et al. (2019) obtiveram uma diferença de 11,7% na geração
de energia comparando um gerador FV limpo e outro sujo e ainda uma
aumento de 10 °C na temperatura de operação do gerador FV sujo.

Gráfico 10.2 – Variação diária da eficiência de energia dos módulos FV.


Fonte: Adaptada de Mostefaoui et al. (2018).

Estes fatores influenciam também na temperatura de operação,


uma vez que o comportamento elétrico não depende apenas da tempe-
ratura ambiente (SILVA et al., 2019). Conforme medições realizadas por
Silva et al. (2019), foi encontrada uma temperatura superior nos módulos
FV sujos e essa diferença foi em torno de 10 °C. Adicionalmente a perda
energética para o conjunto de módulos naturalmente sujos, foi em torno
de 11%, nos 6 dias de teste do sistema FV que fica localizado na região
Sudeste do Brasil.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 270

Outro estudo que analisa diferentes superfícies dos módulos FV,


relata que os sistemas FV apresentam perdas por reflexão de até 15%
em períodos secos e médias anuais de 6% de perdas (PILIOUGINE et al.,
2008). No entanto, em um estudo realizado na cidade de Florianópolis/SC,
Brasil, a perda energética mensurada foi de apenas 5,3%, para esse caso
de acordo com o regime de chuvas da região, abundantes e distribuídas
ao longo do ano, a limpeza do gerador seria uma prática desnecessária
(NASCIMENTO; RÜTHER, 2014).
Quando verificada a necessidade de limpeza (figura 10.5), deve-se
contar com profissionais especializados, ou o próprio usuário caso possua
todas as instruções e cumpra todos os requisitos de segurança. Outro cui-
dado importante é que a limpeza seja feita em períodos de baixa irradiância
e temperatura, para evitar choques térmicos (PINHO; GALDINO, 2014) .

Figura 10.5 – Exemplo de uma usina fotovoltaica em processo de manutenção programada


para limpeza, na cidade de Jaciara/MT.
Fonte: Acervo pessoal.

Os produtos utilizados são apenas água e flanela limpa, também


deve-se tomar precauções para que não ocorram arranhões ou danos na
superfície dos módulos. É proibido se apoiar ou andar sobre os módulos FV.

Inversores

Os fabricantes possuem garantias que normalmente fornecem


segurança financeira, pois englobam custos de reparos e substituições de
componentes, porém vale ressaltar que devem haver evidências que o
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 271

mau funcionamento teve origem por peças defeituosas. Dessa forma, o


bom uso do equipamento deve ser priorizado, já que a maioria dos fabri-
cantes não cobre danos por instalação incorreta ou mau uso do produto
(FORMICA; KHAN; PECHT, 2017).
Os inversores c.c./c.a. possuem uma eletrônica de potência im-
portante, possuindo sistemas de controles, softwares, múltiplos circuitos,
capacitores, indutores, comutadores, entre outros componentes. Devem
operar juntamente com a rede de energia elétrica, mantendo a qualidade
da energia elétrica injetada, bem como, devem ter comportamento dinâ-
mico para serem capazes de operar sob condições de oscilações rápidas
(FARANDA et al., 2015).
Dessa forma o inversor c.c./c.a. é considerado o componente mais
suscetível a falhas do sistema e entender os mecanismos de falha é es-
sencial para prever a vida útil dos inversores (DBEISS; AVENAS; ZARA, 2017;
HUANG; MAWBY, 2013) e garantir a confiabilidade (HACKE et al., 2018).
É necessário também entender os custos de manutenção e perí-
odos fora de operação, por conta dos reparos necessários nos inversores.
Hacke et al. (2018) relatam que os inversores representam de 43% a 70%
das solicitações de serviço de determinadas usinas, bem como perdas
de energia na ordem de 36%. Para a tendência de redução de custos da
energia solar fotovoltaica é necessário o aprimoramento dos sistemas fo-
tovoltaicos, sendo uma das principais frentes o aumento da confiabilidade
de vida útil, já que os inversores contribuem em uma grande parcela do
custo de operação e manutenção (SANGWONGWANICH et al., 2020).
As principais falhas relatadas são provocadas pelo dimensiona-
mento incorreto, descargas atmosféricas e ainda falhas em componentes
eletrônicos. Porém os inversores possuem funções de monitoramento e
aquisição de dados, tornando fácil e rápida a identificação de falhas e
problemas de operação nos SFCR. A inspeção visual também pode reve-
lar informações importantes, uma vez que a maioria dos inversores apre-
sentam algumas simbologias no display que estão diretamente ligadas
com o seu funcionamento, portanto, é importante conhecer o significado
de cada uma para poder ficar atento a qualquer falha e reportar o quanto
antes o problema.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 272

A tabela 9.1 descreve os diversos componentes dos inversores


c.c./c.a., dentre eles os componentes eletrônicos são os que apresentam
maiores níveis de aquecimento, sendo que a maior dissipação térmica
vem dos semicondutores chaveados, seguidos pelos capacitores,
transformadores e indutores (PERIN, 2016). Hacke et al. (2018) apontam
os conectores, capacitores, varistores e transistores utilizados para con-
versão da energia em c.c. como os principais componentes susceptíveis
a falhas. Huang e Mawby (2013) apontam a fadiga na solda de fixação dos
componentes e danos nos fios, como exemplos de problemas causados
pelos ciclos de temperatura.
Brito et al. (2018) citam que mais de 50% das falhas acabam
ocorrendo nos capacitores e semicondutores das conexões c.c.. A tem-
peratura e o próprio sistema de gerenciamento térmico são as principais
causas de falhas em inversores c.c./c.a. (LILLO-BRAVO et al., 2018).
Dbeiss, Avenas e Zara (2017) citam que a temperatura da junção dos
semicondutores e suas variações contribuem para acelerar o envelhe-
cimento dos inversores c.c./c.a.. Musallam et al. (2015) comentam que
modelos matemáticos podem ser utilizados para estimar as falhas, como
degradação e ruptura das soldas dos componentes dos inversores para
determinadas condições de operação.
Também se pode citar rachaduras, delaminação das soldas,
descolagem dos fios de conexão e oxidação dos componentes, causadas
pelos ciclos térmicos ou vibração mecânica (BRYANT et al., 2008).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 273

Tabela 9.1 – Componentes de inversores c.c./c.a.

Componentes Elementos

Semicondutores chaveados

Capacitores

Retificadores
Eletrônicos de potência
Transformadores

Indutores

Filtros c.c. e c.a.

Sistema e controle e operação


Eletrônicos computacionais
Interface homem-máquina, comunicação

Invólucro

Dissipadores de calor

Ventiladores
Mecânicos
Conectores elétricos

Junções soldadas

Proteções, chaves e disjuntores


Fonte: Adaptado de Perin (2016).

O aumento de temperatura de operação pode ter diversas cau-


sas, internas ou externas. Dentre as causas internas, podemos destacar a
operação acima da potência nominal, projeto térmico inadequado (PERIN,
2016), ou ainda a elevada tensão c.c. de operação do gerador FV (HUSSIN
et al., 2012). Já nas causas externas, podemos citar a temperatura ambiente
elevada, instalação em local inadequado e também o acúmulo de pó no
sistema de dissipação de calor (HUSSIN et al., 2012; PERIN, 2016).
A temperatura excessiva de operação em outras partes do sistema
também prejudicam sua operação, Nascimento et al. (2019) apresentam a
ocorrência de queima de fusíveis de proteção elétrica, devido à redução
de sua capacidade de acordo com o aumento da temperatura durante um
evento de sobreirradiância. O gráfico 10.3 apresenta valores superiores a
1500 W/m² com longa duração, por volta de 5 minutos, a corrente da string
2 possuía 1,43 do valor de sua corrente nominal quando o fusível fundiu e
interrompeu a operação.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 274

Gráfico 10.3 – Curvas de tempo de operação por carregamento do inversor em diferentes


fatores de dimensionamento.
Fonte: Nascimento et al. (2019).

A vida útil e a confiabilidade dos equipamentos eletrônicos de po-


tência estão diretamente afetadas pela temperatura de operação (PERIN;
PRIEB; KRENZINGER, 2016; WANG; LISERRE; BLAABJERG, 2013). Nesse
sentido, a redução parcial da potência elétrica convertida, protege os com-
ponentes semicondutores sensíveis a altas temperaturas, proporcionando
a redução da temperatura de forma gradativa, na maioria dos inversores
comerciais, apenas em temperaturas críticas pode ocorrer o desligamento
do inversor (RAMPINELLI; KRENZINGER; BÜHLER, 2016; SOLAR TECHNO-
LOGY, 2019). Nesta estratégia ocorre a redução da potência de saída, em
momentos que a temperatura interna atinge seu limite máximo. Este re-
curso é chamado de temperature derating e é considerado uma estratégia
avançada estando presente nos inversores comerciais atualmente.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 275

Periféricos

Além dos principais componentes, como gerador FV e inversores,


os SFCR possuem ainda a instalação elétrica e proteções elétricas, que
devem ser dimensionadas e instaladas conforme a NBR 16690 e outras
normas pertinentes. Os principais componentes que visam a segurança
dos equipamentos e pessoas normalmente são, chaves seccionadoras,
fusíveis, disjuntores e dispositivos de proteção contra surtos (DPS) (PINHO;
GALDINO, 2014). No entanto vale ressaltar que, deve-se aplicar os disposi-
tivos adequados tanto para c.c. quanto para c.a.
Para a correta operação dos dispositivos de proteção, os SFCR
devem possuir aterramento de proteção dos equipamentos e o aterra-
mento funcional do sistema. O sistema de aterramento deve ser avaliado
periodicamente, além de ser dimensionado de forma que ocorra a equi-
potencialização de todas as massas, os métodos podem ser vistos na NBR
5410. Questões de compatibilização e/ou necessidade de proteção contra
descargas atmosféricas (SPDA) devem ser avaliadas e dimensionadas de
acordo com a NBR 5419.
Os cabos utilizados na parte c.c. do SFCR devem seguir a NBR
16612, além de todas as recomendações do fabricante para a instalação.

Exemplos para boas práticas de instalação

Para procedimentos de manutenção e verificações periódicas


os sistemas fotovoltaicos devem contar com definições em projeto que
viabilizem tais ações.
Dessa forma, a instalação dos módulos fotovoltaicos deve preco-
nizar o fácil acesso, tanto para a parte mecânica quanto elétrica. A figura
10.6 apresenta exemplos de instalações que não possuem espaço para
acesso a todos os módulos e cabeamento.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 276

Figura 10.6 – Exemplos de instalação com ausência de corredores para manutenção.


Fonte: Acervo pessoal.

Os módulos devem ser inteiramente incorporados as edificações,


tanto para segurança mecânica quanto para segurança elétrica, a figura
10.7 apresenta exemplos de instalações com partes que poderão sofrer
arrancamento por ação do vento.
É de extrema importância o estudo das cargas devido ao peso
que serão adicionadas pelos módulos fotovoltaicos aos telhados exis-
tentes e também a carga relacionada a força do vento que será aplicada
a estrutura. A figura 10.8 apresenta danos irreversíveis em edificações
com sistemas fotovoltaicos.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 277

Figura 10.7 – Exemplos de instalação com partes expostas.


Fonte: Acervo pessoal.

Figura 10.8 – Exemplos de instalações danificadas provavelmente pelo sobrepeso.


Fonte: Acervo pessoal.

Intervenções intencionais ou não intencionais devem ser previamen-


te evitadas, sugere-se o uso e instalação do sistema de fixação adequados
para módulos fotovoltaicos. Não se deve perfurar ou modificar a estrutura
metálica própria dos módulos fotovoltaicos, uma vez que os fabricantes
possuem as metodologias de fixação, que devem ser respeitadas.
A parte traseira dos módulos (backsheet) não deve ser danificado,
pois é responsável pelo encapsulamento e está diretamente relacionado
com a vida útil dos módulos FV. A figura 10.9 ilustra, intervenções causadas
por falta de conhecimento e cuidados na instalação.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 278

Figura 10.9 – Exemplos de intervenções inadequadas.


Fonte: Acervo pessoal.

A estrutura metálica, deve atender aos mecanismos de vento,


estando de acordo com normas pertinentes, NBR 8800, NBR 6123 e NBR
6323, por exemplo e também em conformidade com requisitos de mon-
tagem do fabricante dos módulos fotovoltaicos, conforme NBR 16690. Na
figura 10.12, tem-se exemplos de estruturas inadequadas.
Aspectos térmicos devem ser observados, para que a montagem
permita a expansão/contração máximas dos módulos FV. Características
de carregamento mecânico e forças devidas ao vento do local de instala-
ção, são avaliações necessárias para adequação da estrutura de fixação
dos módulos FV (figura 10.13).
As indicações dos fabricantes, quanto as posições das peças,
grampos de fixação e outros itens de fixação nos diferentes telhados e
estruturas, são de extrema importância para que a estrutura possua o
desempenho esperado.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 279

Deve-se evitar a corrosão eletroquímica entre estruturas metálicas


diferentes (figura 10.11), pois essa condição pode comprometer a vida útil
da estrutura de suporte.

Figura 10.11 – Exemplos de estruturas com degradação acelerada.


Fonte: Acervo pessoal.

Figura 10.12 – Exemplos de estruturas inadequadas.


Fonte: Acervo pessoal.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 280

Figura 10.13 – Exemplos de estruturas instaladas incorretamente e danos causados.


Fonte: Acervo pessoal.

As conexões elétricas e questões de cabeamento muitas vezes


também são negligenciadas (figura 10.14). Todos os condutores devem
ser identificados, bem como adequados para cada método de instalação
e local de operação. Deve-se utilizar terminais, eletrodutos, conectores,
e quaisquer materiais sempre adequados a aplicação. Adicionalmente,
conforme NBR 16690, deve-se garantir a segregação entre circuitos c.c. e
circuitos c.a.
Todas as partes em corrente contínua, módulos FV, caixas de jun-
ção, quadros de distribuição e condutores até a conexão com o inversor
devem possui isolação dupla ou reforçada (classe II), conforme NBR 16690
e NBR 16612.
Os conectores de encaixe devem estar em conformidade com a
IEC 62852 ou EM 5521, e a crimpagem deve ser realizada com ferramenta
própria. A figura 10.15 mostra a ausência de conectores e problemas de
temperaturas excessivas.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 281

No cabeamento elétrico não devem haver emendas sou soldas de


condutores com diferentes características. Vale ressaltar que os sistemas
fotovoltaicos possuem partes em corrente contínua, podendo ter elevados
níveis de tensão e corrente (PINHO; GALDINO, 2014), o que difere das ins-
talações elétricas residenciais convencionais.
Dessa forma, deve-se seguir todas as orientações de projeto e
ainda dos fabricantes, para garantir a correta instalação e operação.

Figura 10.14 – Exemplos de instalações de cabeamento inadequadas.


Fonte: Acervo pessoal.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 282

Figura 10.15 – Exemplos de instalações de conectores inadequados e ocorrência de


aquecimento excessivo.
Fonte: Acervo pessoal.

Outro fator importante para segurança do sistema FV é o sistema


de aterramento, que deve ser dimensionado e instalado corretamente,
garantindo sua operação quando necessário. A figura 10.16 mostra algu-
mas práticas equivocadas, pois os módulos FV possuem local adequado
para conexão do cabo de aterramento e se deve verificar a continuidade
elétrica das partes metálicas dos módulos FV com sistema de fixação
dos mesmos.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 283

Figura 10.16 – Exemplos de instalações do sistema de aterramento.


Fonte: Acervo pessoal.

Os inversores devem ser instalados seguindo todas as recomenda-


ções dos fabricantes em termos de ventilação, proteções elétricas, fixação
e cabeamento. Para garantir um desempenho ideal o local de instalação
dos inversores não deve exceder a temperatura ambiente de 45 °C.
Os inversores não podem ser instalados próximos a materiais ou
ambientes inflamáveis e/ou explosivos. Para garantir a vida útil deste
equipamento, sugere-se que não ocorra contato direto da luz solar, chuva
e neve. Outro detalhe importante é a instalação em local de fácil acesso,
para que os inversores possam ser vistoriados e quaisquer manobras
elétricas possam ser feitas com agilidade e segurança, alguns exemplos
podem ser vistos na figura 10.17.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 284

Figura 10.17 – Exemplos de instalações incorretas de inversores.


Fonte: Acervo pessoal.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 285

As caixas de proteção elétrica devem possuir componentes e ca-


beamento c.c. separados dos c.a.. As conexões elétricas e apertos devem
ser verificados com periodicidade, pois estes pontos representam partes
críticas dos SFCR, e ainda podem acarretar em incêndios e danos irrever-
síveis. A figura 10.18 mostra alguns SFCR com danos extremos.

Figura 10.18 – Exemplos de instalações com ocorrência de incêndio.


Fonte: Acervo pessoal.

Considerações finais

Com a aplicação massiva dos SFCR nos últimos anos no Brasil,


os profissionais e empresas devem se adequar as condições normativas,
desenvolvendo e executando os serviços de acordo com as orientações
técnicas e legais.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 286

Este Capítulo mostrou algumas orientações para garantir as condi-


ções de operação dos SFCR. Faz-se necessário também a mitigação dos
riscos e correta operação, para que os SFCR apresentem disponibilidade e
confiabilidade na geração de energia elétrica. Após a instalação e também
ao longo da vida útil do SFCR, quaisquer anomalias ou defeitos devem
ser apontados, corrigidos e se necessário partes defeituosas devem ser
desconectadas visando a segurança dos equipamentos e das pessoas.

Referências
ABNT. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5410:2004, Instalações elétricas de
baixa tensão.

ABNT. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5419 (todas as partes), Proteção contra
descargas atmosféricas.

ABNT. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6123, Forças devidas ao vento em edificações.

ABNT. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 16274, Sistemas fotovoltaicos conectados
à rede – Requisitos mínimos para documentação, ensaios de comissionamento, inspeção e avaliação de
desempenho.

ABNT. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 16612, Cabos de potência para sistemas
fotovoltaicos, não halogenados, isolados, com cobertura, para tensão de até 1,8 kV C.C. entre condutores
– Requisitos de desempenho.

ABNT. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR IEC 60529, Graus de proteção providos por
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MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 289

CAPÍTULO 11
Softwares de dimensionamento
e simulação

Atualmente, a nova ordem mundial é a busca pela autossuficiência


em geração de energia, aliada a uma diversificação da matriz energéti-
ca, ou seja, a procura por diferentes fontes de energias alternativas que
supram a demanda interna dos países, no caso de uma escassez de com-
bustíveis fósseis (IGNATIOS, 2006). Para isso, muitas políticas e programas
foram desenvolvidos e implementados visando a melhoria da eficiência
energética industrial (GALITSKY et al., 2004)
Programas de dimensionamento de sistemas fotovoltaicos foram
desenvolvidos para auxiliar no processo e já se encontram em ampla
variedade no mercado. Estes programas são importantes ferramentas
para o dimensionamento de sistemas fotovoltaicos, pois a maior parte dos
programas já contém a base de dados das características dos inversores,
dos módulos fotovoltaicos, dos níveis de radiação solar e da temperatura
ambiente dos locais de instalação.
Devido à diversidade de softwares que abrangem os sistemas
fotovoltaicos nas suas diferentes configurações, este estudo se limita a
apresentar uma seleção dos mais populares e aplicáveis para geração dis-
tribuída. Os softwares utilizados podem ser divididos em quatro categorias:
Softwares de Radiação Solar, Softwares de Dimensionamento e Simulação,
Softwares de Geração Distribuída e Softwares Complementares.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 290

Softwares de radiação solar

Software Radiasol

O programa Radiasol foi desenvolvido pelo Laboratório de Energia


Solar da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). A ferramenta é
utilizada para definir dados de radiação solar e temperatura ambiente neces-
sários para simulação. A interface do programa pode ser visto na figura 11.1.

Figura 11.1 – Interface principal do programa Radiasol.


Fonte: RADIASOL (2019).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 291

O usuário fornece os dados de Irradiação diária em média mensal


sobre um plano horizontal e dados de temperatura em base mensal sobre
um plano horizontal e dados de temperatura em base mensal e seleciona
a orientação do plano estudado. O programa então sintetiza dados horários
de irradiação global, divide esses dados em valores de radiação direta e
difusa para cada hora ao longo do ano, assim, calcula-se a irradiação diária
sobre o plano inclinado.
No fim da análise, é possível observar um gráfico ou exportar dado1s
mensais ou horários de radiação solar e suas componentes direta e difusa
e dados de temperatura ambiente. Existe um banco de dados incorporado
ao programa, o qual contém o Atlas Solarimétrico, e o programa SWERA.

Software Meteonorm

O programa Meteonorm é uma ferramenta abrangente de refe-


rência meteorológica, desenvolvido por Meteotest na Suíça. O programa
dá acesso a uma base de dados meteorológicos para aplicações solares
e projeto do sistema em qualquer local desejado no mundo e de uso em
aplicações energéticas.
O software pode ser usado como referência para projeto de edi-
fícios, sistemas de aquecimento e resfriamento, projeto de sistemas de
energia solar e muito mais. O Meteonorm contém a melhor base de dados
e com base nisso, os modelos de interpolação de última geração forne-
cem dados para todos os locais com maior precisão. A interface principal
do programa pode ser visto na figura 11.2.2

1 O programa Radiasol está disponível para download gratuito na página: www.solar.ufrgs.br.
Acesso em: 5 jun. 2018.
2 O software é gratuito e pode ser baixado no seguinte link: http://www.meteonorm.com/
downloads. Acesso em: 5 jun. 2018.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 292

Figura 11.2 – Interface principal do programa Meteonorm.


Fonte: METEONORM (2019).

Softwares de dimensionamento e simulação

Software SAM

O System Advisor Model (SAM) é um software gratuito desenvol-


vido pelo Laboratório Nacional de Energia Renovável (NREL) para prever
o desempenho de sistemas de energia renovável e analisar a viabilidade
financeira de projetos conectados a redes residenciais, comerciais e de
serviços públicos. O SAM modela uma gama de tecnologias de energia
renovável para a geração de eletricidade, incluindo sistemas fotovoltaicos,
calhas solares térmicas, torres de energia e sistemas dish-Stirling (SAM,
2014). A interface principal do software pode ser vista na figura 11.3.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 293

Figura 11.3 – Interface principal do programa SAM.


Fonte: SAM (2019).

O SAM calcula a produção total de eletricidade de um sistema em


quilowatts-hora no primeiro ano, com base nos dados meteorológicos por
hora para um local específico e nas especificações físicas dos componen-
tes do sistema de energia. Em seguida, calcula a produção total para anos
subsequentes com base em um fator de degradação anual e fluxos de
caixa anuais com base em dados financeiros e econômicos para determi-
nar o custo nivelado da energia e outras métricas econômicas.3

Software PVSyst

O software PVsyst é uma ferramenta comercializada pela PVsyst


SA da Suíça e foi desenvolvido inicialmente pela universidade de Genebra
(Suíça). O PVSyst apresenta uma ferramenta de design preliminar, com uma
estimativa rápida da produção para um estudo inicial na sua instalação,
além de uma ferramenta de projeto completa, com um estudo detalhado,
dimensionamento e simulação horária.
O software tem várias funcionalidades e ferramentas, tais como:
simulação de produção de eletricidade, avaliação econômica, pré-dimen-

3 O download do software está disponível gratuitamente no link: https://sam.nrel.gov/down-


load. Acesso em: 5 jun. 2018.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 294

sionamentos, efeitos de sombreamentos, importação de dados meteoro-


lógicos e outras facilidades. O PVsyst possui uma ampla base de dados
de módulos e inversores, além de permitir importar dados dos programas
Meteonorm e TMY2, o que facilita comparar valores simulados com valores
medidos. O programa é organizado em barras e janelas, sendo apresenta-
da na figura 11.4 a interface principal do programa PVsyst.4

Figura 11.4 – Interface principal do programa PVSyst.


Fonte: PVSYST (2019).

Software Solergo

O Solergo é um software que permite o projeto completo de


sistemas fotovoltaicos conectados à rede de distribuição (grid connected)
ou isolados (stand alone). As principais características do programa é a
organização da ordem de trabalho com compartilhamento de projetos em

4 O programa não é gratuito e o link para download pode ser acessado no link: http://www.
pvsyst.com/en/download. Acesso em: 5 jun. 2018.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 295

rede, além de salvar e restaurar, gerencia perfis de usuários para o acesso


condicional aos arquivos.
O software fornece um relatório completo do dimensionamento do
sistema, além do relatório econômico, com todos os componentes de custo,
receitas e incentivos. Além disso, o programa também tem a capacidade
de fornecer dados mais robustos, por exemplo, a redução de emissão de
poluentes quando comparado a termoelétricas, referências normativas,
diagramas elétricos e até mesmo gráficos da radiação local incidente.5

Figura 11.5 – Interface do software Solergo.


Fonte: SOLERGO (2019).

Software Homer

O software Homer (Hybrid Optimization Model for Electric Re-


newable) é um aplicativo desenvolvido pelo National Renewable Energy
Laboratory (NREL), mantido pelo United States Department of Energy. É

5 O software não é gratuito e pode ser encontrado para download no seguinte link: http://
hiperenergy.com.br/downloads-solergo/. Acesso em: 5 jun. 2018.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 296

uma ferramenta para simulação e otimização de sistemas de geração


de energia de micro e pequeno porte baseados em recursos renováveis.
Ele é muito utilizado no Brasil para simulações de sistemas isolados pois
apresenta uma interface amigável. Na figura 11.6 pode ser vista a tela
principal do software:

Figura 11.6 – Interface principal do programa Homer.


Fonte: HOMER (2019).

O Homer executa três passos para formulação dos seus resultados,


são eles, simulação, otimização e análise de sensibilidade. O programa
determina viabilidade técnica e o custo total do projeto, incluindo o custo
de instalação e de funcionamento do sistema. Além disso, o programa
simula todas as configurações possíveis de geração distribuída em busca
da solução que possua o menor custo e que satisfaça as limitações téc-
nicas do projeto. Na análise da sensibilidade, o programa realiza diversas
otimizações, em função de uma gama de dados para uma mesma entrada
e, assim, avalia os efeitos da incertezas do projeto.6

6 Para baixar o aplicativo do software Homer, acesse: http://www.homerenergy.com/login.


asp?redirect=/download.asp. Acesso em: 5 jun. 2018.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 297

Software RETScreen

O RETScreen é um software de análise para projetos de energias


renováveis desenvolvido Minister of Natural Resources do Canadá. É um
aplicativo de dimensionamento de sistemas e funciona como planilha
de cálculo do programa Excel da Microsoft. O software é utilizado para
realização de estudos preliminares e engloba várias áreas
Para área de energias Fotovoltaicas, o programa pode determinar os
custos de de produção da energia e redução de gases emitidos. Possui base
de radiação para mais de mil localidades no mundo, assim como dados de
irradiância para localidades remotas, por meio de informações de satélites.
O “Modo Visualizar” do RETScreen Expert é gratuito e dá acesso a toda a
funcionalidade do software. Algo diferente das versões anteriores do RETS-
creen é o novo “Modo Profissional” (que permite aos usuários salvar, imprimir
etc.), que agora se encontra disponível mediante assinatura anual.7

7 O download gratuito do software pode ser feito por meio do link: http://kms.energyefficien-
cycentre.org/publication-report/retscreen. Acesso em: 5 jun. 2018.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 298

Figura 11.7 – Interface principal do programa RETScreen.


Fonte: RETSCREEN (2019).

Software HELIOSCOPE

O HelioScope é uma ferramenta que foi desenvolvido com a ajuda


de uma concessão da SunShot Initiative . Ao usar o HelioScope, o usuário
digita o endereço do local, seleciona a área do teto para o array, especifica
um módulo fotovoltaico e escolhe um modelo de inversor.  Com base nes-
se modelo 3D, o HelioScope realizará a análise de sombreamento.  Com
este método, pode-se fazer uma avaliação e um projeto completos do
sistema analisado.
Além de fornecer um layout de painel PV recomendado, o HelioS-
cope fornece um diagrama de fiação detalhado, incluindo a colocação
exata de painéis, inversores e outros equipamentos. Em seguida, produz
uma lista completa de materiais. A ferramenta é baseada na web, portanto,
não há software para download e pode ser usado em qualquer computa-
dor conectado.8

8 O link para acesso do programa é: https://www.helioscope.com/enphase. Acesso em: 5


jun. 2018.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 299

Figura 11.8 – Interface principal do software HelioScope.


Fonte: HELIOSCOPE (2019).

Software PVSOL

O software PVSOL é desenvolvido pela empresa alemã  Valentin


Software GmbH em 1998. O PVSOL é um dos softwares mais utilizados
para simulação de sistemas de energia solar no mundo. A interface princi-
pal do software pode ser vista na figura 11.9.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 300

Figura 11.9 – Interface principal do software PVSOL.


Fonte: PVSOL (2019).

O software se destaca por permitir estudar a configuração de vá-


rios geradores e possuir uma ampla base de dados d9e módulos, baterias,
inversores e grupos geradores. Permite também a criação de diferentes
perfis de carga, além de possuir um gerador de sombras, possibilitando a
análise de possíveis elementos que interceptam a radiação solar.

Softwares de geração distribuída

Software PVGrid

O PVGrid é um software gratuito de autoria do Núcleo Tecnológico


de Energia Elétrica (NTEEL), da Universidade Federal de Santa Catarina
(UFSC) e tendo seu desenvolvimento finalizado no final de 2019. A interface
principal do software pode ser vista na figura 11.10.

9 O download do software para teste gratuito está disponível no link: https://materiais.solarize.
com.br/pedido-do-software-pvsol. Acesso em: 5 jun. 2018.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 301

Figura 11.10 – Interface principal do software PV Grid.


Fonte: PVGRID (2019).

O software dimensiona a potência nominal de sistemas fotovoltai-


cos de geração distribuída a partir do consumo de energia elétrica mensal
de uma ou mais unidades consumidoras (UCs). Além disso, realiza a distri-
buição de créditos excedentes de forma automática, além de permitir ao
usuário verificar o faturamento das unidades consumidoras que possuem
o sistema fotovoltaico.10

Software América do Sol

O Software América do Sol foi criado em uma parceria entre o Insti-


tuto Ideal e a Cooperação Alemã para o desenvolvimento sustentável, por
meio da  Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ)
GmbH e KfW banco de fomento alemão, no âmbito do Programa América
do Sol. O simulador solar pode ser utilizado para calcular a potência de um
sistema fotovoltaico para atender a demanda energética de uma residên-
cia, escritório ou indústria. 

10 O download do software está disponível gratuitamente no link: https://bit.ly/2ETiAYY.


Acesso em: 5 jun. 2018.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 302

A ferramenta um abastecimento da demanda elétrica anual infor-


mada pelo usuário, descontando um consumo mínimo da rede elétrica
que corresponde ao custo de disponibilidade. O software online ainda dá
acesso a um cadastro de empresas instaladoras de sistemas fotovoltaicos.
A interface do programa online pode ser visto na figura 11.11.11

Figura 11.11 – Interface principal do programa América do Sol.


Fonte: AMÉRICA DO SOL (2019).

Softwares complementares

Software AutoCAD

O AutoCAD é uma ferramenta criada pela Autodesk Inc., no ano


de 1982, utilizada especialmente para o desenvolvimento de projetos no
que diz respeito às áreas como arquitetura, construção civil, engenharia,
engenharia mecânica, indústria automobilística e outras semelhantes.
O software contém um conjunto de ferramentas para auxiliar o
desenvolvimento de desenho técnico em projetos abrangentes. Entre
os principais recursos do AutoCAD está a possibilidade de criar objetos

11 O simulador pode ser utilizado gratuitamente por meio do site: http://americadosol.org/
simulador/. Acesso em: 5 jun. 2018.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 303

em 3D e movimentá-los em diversas posições. Na área de Energia Fo-


tovoltaica, o AutoCAD pode ser utilizado para disposição dos módulos,
montagem das strings, projeto da sala dos inversores e projetos elétricos
de proteção da usina.12

Figura 11.12 – Interface principal do programa AutoCAD.


Fonte: AUTOCAD (2019).

12 O download do software está disponível por meio do link; https://www.autodesk.com.br/


products/autocad/free-trial. Acesso em: 5 jun. 2018.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 304

Software SKETCHUP

O programa foi desenvolvido pelo startup Last D Software, Boul-


der, no Colorado em 1999. O SketchUp é utilizado principalmente para criar
facilmente estudos iniciais e esboços de modelos ou maquetes em 3D. Na
figura 11.13, pode-se analisar a interface principal do software.

Figura 11.13 – Interface principal do programa SketchUp.


Fonte: SKETCHUP (2019).

O SketchUp permite alterar o modelo de forma simples e rápida,


para então verificar as consequências dessas alterações no resultado final.
Pode ser utilizado por qualquer atividade profissional que necessite de-
senvolver rascunhos de produtos tridimensionais, muito utilizado na área
de Arquitetura, mas também pode ser muito útil para simulação de um
projeto fotovoltaico.13

13 O programa é gratuito e o download pode ser feito no seguinte link: https://www.sketchup.
com/pt-BR/download/all#pt-BR. Acesso em: 5 jun. 2018.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 305

Referências
IGNATIOS, Miguel. Um Governo Autossuficiente. Gazeta Mercantil, 11 maio 2006, p. A-3. Acesso em: 2 jun. 2018.

GALITSKY, C.; PRICE, L.; WORRELL, E. Energy efficiency programs and policies in the industrial sector in
industrialized countries. Berkeley, CA: Ernest Orlando Lawrence Berkeley National Laboratory, June 2004.
Acesso em: 2 jun. 2018.

PVSYST v.5.21 Contextual Help User’s Guide, PVSYST SA, 2012. Disponível em: http://files.pvsyst.com/
pvsyst5.pdf: Acesso em: 2 jun. 2018.

BLAIR, Nate. System Advisor Model, SAM 2014.1.14: General Description. Disponível em: https://www.nrel.
gov/docs/fy14osti/61019.pdf. Acesso em: 2 jun. 2018

HELIOSCOPE. Folsom Labs, c2019.  Página Inicial. Disponível em: https://www.helioscope.com/. Acesso
em: 2 jun. 2018.

LABSOL-UFRGS. Laboratório de Energia Solar – Labsol. Porto Alegre, 2020. Disponível em: http://www.


solar.ufrgs.br/. Acesso em: 5 jun. 2018.

IDEAL INSTITUTO. Simulador Solar. s.d. Disponível em: http://americadosol.org/simulador/. Acesso em:


5 jun. 2018.

SKETCHUP. Trimble, c2020. Página inicial. Disponível em: https://www.sketchup.com/. Acesso em: 2 jun. 2018.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 306

CAPÍTULO 12
Eficiência energética em edificações

A eficiência energética na arquitetura é definida como o potencial


em proporcionar conforto térmico, visual e acústico aos usuários com baixo
consumo de energia (LAMBERTS; DUTRA; PEREIRA, 2014). A necessidade
de proporcionar tal conforto ambiental aos usuários de uma edificação
está diretamente ligada ao alto consumo de energia associado a este setor
atualmente (SORGATO; MELO; LAMBERTS, 2016).
Neste sentido, muitos países desenvolveram, recentemente, regu-
lamentações sobre eficiência energética em edificações, visando reduzir o
consumo de energia nas mesmas. A certificação das edificações também
se apresenta como uma forma de tornar efetivas tais regulamentações,
uma vez que as mesmas estimulam diversas práticas de eficiência ener-
gética, como redução de emissões de dióxido de carbono, redução do
consumo de água, uso de alguma fonte de energia renovável etc. (LOPES
et al., 2016; SORGATO; MELO; LAMBERTS, 2016).

LEED

LEED é uma sigla para Liderança em Energia e Design Ambiental


(do inglês Leadership in Energy and Environmental Design). O LEED foi cria-
do pelo USGBC (United States Green Building Council) em 1993, visando
estabelecer estratégias e padrões para criar edifícios sustentáveis. Atual-
mente, a certificação LEED é aplicável para edifícios na fase de projeto e
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 307

construção, operação e manutenção, residências e áreas externas, sendo


que cada segmento possui suas particularidades (UNITED STATES GREEN
BUILDING COUNCIL, 2020).
De maneira geral, a estrutura do LEED é relativamente simples,
apresentada em forma de checklist. O cumprimento de cada requisito
dentro das categorias estabelecidas gera pontos. Com base no número
de pontos alcançado, o projeto é classificado como: Certificado (40-49
pontos), Prata (50-59 pontos), Ouro (60-79 pontos) ou Platina (80 pontos ou
mais). A figura 12.1 ilustra os selos LEED concedidos ao projeto conforme o
nível de certificação (UNITED STATES GREEN BUILDING COUNCIL, 2020).
Atualmente, já existem mais de 110 mil projetos com algum nível
de certificação LEED, dispersos em diversos países mundo. Entre os tipos
de projetos certificados nas mais diversas fases de desenvolvimento,
encontram-se escolas, hospitais, residências uni e multifamiliares, áreas
interiores e exteriores etc.

Figura 12.1 – Níveis de certificação LEED.


Fonte: UNITED STATES GREEN BUILDING COUNCIL, 2020.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 308

Programa Brasileiro de Etiquetagem

No Brasil, foram elaborados programas de eficiência energética em


edificações, visando otimizar o consumo de energia do setor (SORGATO,
2015). O Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE), coordenado pelo Inme-
tro, tem por objetivo fornecer informações aos consumidores que auxiliem
os mesmos a optar por produtos mais eficientes. Tais informações são for-
necidas por meio de uma etiqueta que contém informações sobre consumo
de energia, emissão de ruídos, consumo de água etc. (INMETRO, 2018).
Para as edificações, existe o PBE Edifica, que concede às edifica-
ções uma etiqueta, definida como (PBE EDIFICA, 2017):

[...] Selo de Conformidade que evidencia o atendimento a


requisitos de desempenho (e, em alguns casos, adicional-
mente, também de segurança) estabelecidos em normas
e regulamentos técnicos. Dependendo do critério de de-
sempenho avaliado, ela recebe nomes diferentes. Quando a
principal informação é a eficiência energética do produto ou
da edificação, por exemplo, ela se chama Etiqueta Nacional
de Conservação de Energia (ENCE).

Com relação às edificações, a ENCE classifica de acordo com


o nível de eficiência energética, geralmente de “A” (mais eficiente) a “E”
(menos eficiente). Esta etiqueta pode ser aplicada a edificações públicas,
comerciais, de serviços e residenciais, mas é obrigatória apenas para os
novos prédios públicos federais (PBE EDIFICA, 2017).
A figura 12.2 apresenta exemplos de etiquetas concedidas a Edifi-
cações Comerciais, de Serviços e Públicas, e Unidades Habitacionais Au-
tônomas. De acordo com a figura, é possível observar que são analisados
o desempenho da envoltória, sistema de iluminação, condicionamento de
ar e aquecimento de água.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 309

Figura 12.2 – Exemplo de ENCE para edificações comerciais, de serviços e públicas (à


esquerda) e unidades habitacionais autônomas (à direita).
Fonte: PBE Edifica, 2017.

Selo Solar

O Selo Solar é outorgado pelo Instituto para o Desenvolvimento de


Energias Alternativas da América Latina (Ideal) em parceria com a Câmara
de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e o WWF-Brasil.
Este selo, que pode ser visto na figura 12.3, é concedido às empre-
sas, instituições privadas ou públicas e proprietários de edificações que
consumam anualmente um valor mínimo de energia elétrica gerada por
sistemas fotovoltaicos conectados à rede (micro ou minigeradores). O selo
pode ser concedido ainda aos que realizam a contratação de energia no
mercado livre (INSTITUTO IDEAL, 2018).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 310

Figura 12.3 – Selo Solar.


Fonte: Instituto ideal, 2018.

Consumo de energia em edificações

O aumento da urbanização em todo o mundo tem provocado um


aumento significativo na quantidade de edificações, especialmente nos
centros urbanos. Estima-se que até 2050, cerca de 70% da população
mundial estará localizada em centros urbanos e que o tempo de perma-
nência destas pessoas dentro de edificações deverá aumentar, influen-
ciando diretamente no consumo de energia deste setor (CAO; DAI; LIU,
2016; RUPP; VÁSQUEZ; LAMBERTS, 2015).
Devido ao crescente número de edificações, este setor já é um dos
maiores consumidores de energia em âmbito mundial. O setor residencial,
por exemplo, é responsável por cerca de 30% do consumo de energia
global. Os outros setores que contribuem mais significativamente são:
transporte, indústria e comércio (LI; YANG; LONG, 2018).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 311

Segundo Cabeza et al. (2014), o aumento do consumo de energia


em âmbito mundial está ligado ao avanço da tecnologia, que busca a
automatização de processos e intensifica o consumo de aparelhos ele-
troeletrônicos. Por outro lado, estima-se que cerca de 70% do uso final de
energia nas edificações seja destinado ao consumo com sistemas de con-
dicionamento de ar e iluminação artificial (RUPP; VÁSQUEZ; LAMBERTS,
2015), uma vez que a maioria das pessoas passa cerca de 90% do dia em
ambientes internos (CAO; DAI; LIU, 2016).

Perfil de consumo no Brasil

O setor de edificações (residencial, comercial e de serviços pú-


blicos) era responsável, em 2014, por consumir cerca de 31% da energia
primária mundial (SORGATO; SCHNEIDER; RÜTHER, 2018). No Brasil, este
setor consome 14% da energia primária, valor relativamente baixo quando
comparado aos Estados Unidos (41%) (LOPES et al., 2016). Contudo, quando
se trata do consumo de energia elétrica, este valor sobe para cerca de 50%
(LOPES et al., 2016; SORGATO; SCHNEIDER; RÜTHER, 2018).
Dentro do setor residencial, verifica-se que a maior parte do con-
sumo de energia se dá pelo uso de geladeiras, chuveiros e lâmpadas. O
consumo com aparelhos de ar condicionado representa cerca de 20%,
valor que deve apresentar crescimento em decorrência do aumento do
poder aquisitivo da população e da falta de adequação das edificações
ao clima local. Nos setores comercial e público, o consumo com condi-
cionamento de ar representa aproximadamente 50% do consumo total
(LAMBERTS; DUTRA; PEREIRA, 2014).

Medidas de eficiência energética

A eficiência energética, e sua relação com o conforto térmico,


tem sido objeto de muitos estudos, nos quais a arquitetura bioclimática
é apontada como uma alternativa adequada para proporcionar conforto
térmico e reduzir o consumo de energia neste setor (DAMJANOVIC et al.,
2014; INVIDIATA; GHISI, 2016; MANZANO-AGUGLIARO et al., 2015; SALKINI;
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 312

GRECO; LUCENTE, 2017; THOMSEN et al., 2016; TRIANA; LAMBERTS; SAS-


SI, 2015; VICTORIA et al., 2017).
A arquitetura bioclimática tem ganhado espaço como uma ma-
neira inteligente de alcançar a eficiência energética nas edificações, bem
como de atingir o conforto térmico ao longo do ano todo (MISSOUM et al.,
2016). Existe uma série de estratégias que podem ser adotadas de acordo
com cada zona bioclimática, interferindo diretamente no desempenho das
edificações (BARBOSA; IP, 2016; MANZANO-AGUGLIARO et al., 2015). No
Brasil, a maioria das edificações apresenta desempenho termoenergético
insatisfatório (TRIANA; LAMBERTS; SASSI, 2015).
Em alguns casos, por conta do clima onde a edificação se en-
contra, as estratégias passivas podem não ser suficientes para garantir o
conforto térmico (CASTILLA et al., 2012), entretanto, elas contribuem para a
estabilidade térmica e redução do consumo de energia com sistemas de
condicionamento de ar (DAMJANOVIC et al., 2014; SOUTULLO et al., 2016;
THOMSEN et al., 2016).
As principais estratégias incluem, de acordo com cada zona bio-
climática: orientação da edificação, espessura das paredes, escolha de
materiais e cores, dispositivos de sombreamento, aspecto construtivo do
telhado, aproveitamento da ventilação e iluminação natural, entre outros.
Alguns autores ainda consideram o resfriamento evaporativo e sistemas
de aquecimento solar como parte do projeto bioclimático, uma vez que
o condicionamento passivo de ar não exige nenhum consumo de energia
(BECCALI et al., 2017).
Em países de clima tropical, como o Brasil, o aproveitamento da
ventilação natural contribui muito para a redução do uso de sistemas de
climatização artificial (SORGATO; MELO; LAMBERTS, 2016). Em alguns
casos, por conta do clima onde a edificação se encontra, as estratégias
passivas podem não ser suficientes para garantir o conforto térmico
(CASTILLA et al., 2012; TALEB, 2015), entretanto, elas contribuem para a
estabilidade térmica da edificação (BECCALI et al., 2017; DAMJANOVIC et
al., 2014; SOUTULLO et al., 2016, 2017; THOMSEN et al., 2016).
Da mesma maneira, o aproveitamento da iluminação natural favo-
rece a redução do consumo de energia com iluminação artificial, além de
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 313

auxiliar no aquecimento passivo durante os meses mais frios (KWON; LIM,


2017; MICHAEL; HERACLEOUS, 2017; MISSOUM et al., 2016; OH et al., 2017).
Em momentos em que a iluminação natural é insuficiente, uma combina-
ção de iluminação natural e artificial pode ser obtida e otimizada por meio
de sensores (SHISHEGAR; BOUBEKRI, 2017). A NBR ISO/CIE 8995 (AS-
SOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2013) estabelece níveis
de iluminância que devem ser respeitados, a fim de promover o conforto
visual e garantir que as tarefas realizadas no interior de uma edificação
sejam executadas de forma satisfatória.

SFGD

Apesar da redução do consumo de energia proporcionado pela


arquitetura bioclimática, ainda existe uma demanda de energia remanes-
cente nestas edificações. Estudos demonstram que esta demanda pode
ser completamente suprida por fontes renováveis de energia. Como resul-
tado, surgem conceitos de edificações de alto desempenho energético,
ou mesmo autônomas (CAO; DAI; LIU, 2016; MISSOUM et al., 2016).
Na União Europeia, existe uma meta de que até 2020 todas as
novas edificações utilizem conceitos de arquitetura bioclimática, visando
melhorar o desempenho termoenergético e atingir o status de Zero Energy
Building (ZEB) com a instalação de sistemas de geração distribuída (PA-
CHECO; LAMBERTS, 2013).
O conceito de ZEB é baseado em obter uma equivalência entre
consumo e produção de energia em termos anuais. Assim, projeta-se uma
edificação eficiente visando consumir o mínimo possível de energia e em
seguida um sistema de geração distribuída que gere a energia necessária
para esta demanda (SORGATO; SCHNEIDER; RÜTHER, 2018).
O uso de sistemas fotovoltaicos conectados à rede para possibili-
tar o enquadramento das edificações no conceito de ZEB tem se tornado
comum (CAO; DAI; LIU, 2016; FUJIMOTO; YAMAGUCHI; SHIMODA, 2017).
Além de proporcionar maior grau de sustentabilidade às edificações,
muitos autores sugerem a implementação de sistemas fotovoltaicos de
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 314

geração distribuída (SFGD), devido a sua aplicabilidade tanto no cenário


urbano quanto rural (DÁVI et al., 2016; FARIA; TRIGOSO; CAVALCANTI, 2017;
MISSOUM et al., 2016; PACHECO; LAMBERTS, 2013; SANTOS; RÜTHER,
2012; SOUTULLO et al., 2016; ZHANG et al., 2016).

Módulos de silício cristalino em edificações

Os módulos de silício mono e multicristalino são os mais utilizados


nas fachadas dos edifícios. Para obter algum grau de transparência, fun-
damentalmente se varia o número de células no módulo, o que pode ser
inconveniente em alguns casos, por gerar sombras irregulares. Uma forma
de suavizar tais sombras é substituir a cobertura posterior transparente por
uma translúcida, ou ainda utilizar módulos de silício cristalino compostos
de células semitransparentes.

Módulos de silício amorfo em edificações

O silício amorfo, apesar do menor rendimento de conversão foto-


voltaica quando comparado ao silício cristalino, possui grande potencial
para integração em edificações. Os módulos de silício amorfo podem
ser fabricados em diversos tamanhos e formatos, sobre vários substratos
diferentes, como plásticos, cerâmicas ou vidros. Além disso, esta tecnolo-
gia sofre menos influência da temperatura na potência gerada do que a
anteriormente citada.
Nesta tecnologia é possível controlar, durante o processo de fabri-
cação, a espessura do semicondutor. Desta forma, pode-se obter módulos
semitransparentes de transmissão homogênea, produzindo menos som-
bras. A vedação frontal de vidro pode ser substituída por material plástico,
tornando o módulo mais leve e flexível.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 315

Módulos de telureto de cádmio (CdTe) e disseleneto de cobre e


índio (CIS)

Assim como os módulos de silício amorfo, os módulos de CdTe e


CIS tem aspecto homogêneo, porém tem aspecto mais escuro. Para atingir
um grau de transparência, é necessário fabricar os módulos de CIS sobre
vidro com zonas de pontos transparentes, de maior ou menor densidade.
Outra opção é alternar faixas de CIS com faixas de vidro transparente.

Opções de integração de sistemas fotovoltaicos à arquitetura

A instalação de sistemas fotovoltaicos em telhados de prédios,


especialmente aqueles com mais de três andares, pode ocasionar uma
geração de energia inferior à da demanda (OSSEWEIJER et al., 2018). Neste
sentido, surgem os sistemas fotovoltaicos integrados às edificações (BIPV,
do inglês Building Integrated Photovoltaic), que envolvem a utilização de
módulos integrados à envoltória da edificação, como paredes, fachadas,
dispositivos de sombreamento e janelas, no caso de módulos semitrans-
parentes (CAO; DAI; LIU, 2016; GINDI; ABDIN; HASSAN, 2017; NG; MITHRA-
RATNE, 2014; OSSEWEIJER et al., 2018).
A seguir são listadas as principais formas de integração de módu-
los fotovoltaicos às edificações (CHIVELET; SOLLA, 2010).

Fachadas ventiladas

Os sistemas de revestimento de fachada consistem em painéis


metálicos, de pedra, tijolo ou outro material, montados sobre uma estrutura
auxiliar junto a parede opaca da edificação, criando um espaço ventilado
entre as duas paredes. Por conta deste espaço ventilado, os sistemas de
fachada são adequados para a integração fotovoltaica, pois auxiliam na re-
dução da temperatura das paredes, contribuindo para manter o rendimento
das células fotovoltaicas e proporcionando espaço para cabos e conexões.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 316

Sistemas de parede-cortina

As paredes-cortina são uma opção de fachada bastante conhe-


cida, e podem ser projetadas e instaladas de duas formas: o sistema de
montantes e travessas, que é montado na obra, e o sistema modulado,
pré-fabricado em uma indústria. A ambos podem ser incorporados módu-
los fotovoltaicos, cobrindo total ou parcialmente a superfície, para manter
certo grau de transparência.
Do ponto de vista construtivo, o sistema modulado é melhor,
pois é feito em indústrias, sob condições de controle de qualidade mais
rigorosas. Do ponto de vista do rendimento, a falta de ventilação posterior
dos módulos fotovoltaicos pode causar prejuízo na geração elétrica. Além
disso, um outro problema associado às paredes-cortina é a possibilidade
de projeção de sombras.

Sistemas de janelas

Em algumas edificações, as janelas são os únicos elementos que


permitem o aproveitamento de iluminação e ventilação natural. Geralmen-
te, o projeto das janelas integra partes fixas, para aumentar a iluminação, e
móveis, para ventilação e acesso de limpeza.
Neste sistema, os módulos podem ser integrados nas partes fixas
da janela, deixando as partes móveis para a visibilidade direta. Outra al-
ternativa é utilizar módulos semitransparentes de filme fino (como os de
silício amorfo ou CIS) em toda a superfície da janela.

Brises

Podem ser de metal ou vidro, colocados com alguma inclinação


ou na posição horizontal, cobrir parte ou totalmente a fachada e ainda
serem fixos ou móveis. Por conta de sua inclinação ser voltada para o Sol,
e suas duas faces serem ventiladas, os brises são boas superfícies para a
integração fotovoltaica. Para isso, basta controlar a sombra projetada entre
uma lâmina e outra sob certos ângulos solares.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 317

A importância da integração fotovoltaica é ainda maior no caso de


um conjunto de lâminas com maiores dimensões, dispostas na vertical.
Neste caso, os brises verticais e/ou horizontais, geralmente móveis, cons-
tituem uma máscara de controle solar.

Coberturas e claraboias

É a melhor opção de integração fotovoltaica às edificações:

• Quando não se quer alterar a imagem da edificação.


• Do ponto de vista da eficiência, pois é relativamente simples
manter estes elementos livres de sombras, ventilados por trás
e orientados para o melhor ângulo solar.

Coberturas inclinadas podem incorporar telhas solares ou painéis


fotovoltaicos, enquanto as coberturas planas podem receber painéis
inclinados ou claraboias translúcidas e quase planas, com painéis incor-
porados ou nas vidraças.

Estudo de caso: aproveitamento da energia solar passiva

Nesta seção, traremos um estudo de caso em que se vê o apro-


veitamento da energia solar passiva na iluminação e manutenção da
temperatura e umidade relativa no interior de uma edificação bioclimática.
Outros aspectos abordados neste estudo podem ser encontrados em
Bilésimo (2019).

Planta Piloto Bioclimática

A edificação em questão, apresentada na figura 12.4, situa-se no


Campus de Araranguá da Universidade Federal de Santa Catarina. A tabela
12.1 apresenta as características construtivas da envoltória da edificação,
bem como seu coeficiente global de transferência de calor (U). Mais
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 318

detalhes referentes ao projeto e construção da Planta Piloto podem ser


encontrados em Guerra (2016).

Figura 12.4 – Planta Piloto Bioclimática.


Fonte: Do autor.

Tabela 12.1 – Características construtivas da envoltória da edificação.

Principal Camadas (da externa para a U (W/


Estrutura
característica interna) m².°C)

Reboco, tijolo, lã de rocha e


Parede 1 Isolamento térmico 0,451
gesso cartonado

Parede 2 Parede comum Reboco, tijolo e reboco 1,665

Cerâmica, câmara de ar,


Parede 3 Fachada ventilada 1,448
reboco, tijolo e reboco

Gramínea, terra, brita, concreto,


Cobertura 1 Telhado vegetado 0,281
EPS e reboco

Telha metálica com


Isolamento poliuretano, câmara de ar não
Cobertura 2 0,394
termoacústico ventilada, laje pré-moldada de
EPS e reboco
Fonte: Adaptado de Guerra 2016.

Cada uma das estruturas está posicionada na edificação conforme


ilustra a figura 12.5.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 319

Figura 12.5 – Composição da envoltória da Planta Piloto Bioclimática.


Fonte: Bilésimo, 2019.

A tabela 12.2 contém informações sobre as dimensões das aberturas


da planta piloto. Tanto a porta quanto as janelas da edificação são de vidro,
permitindo o máximo aproveitamento da iluminação natural. Há ainda um
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 320

tubo solar com 0,35m de diâmetro, dispositivo que permite o aproveitamen-


to da iluminação natural pela parte superior da edificação. A localização das
aberturas e do tubo solar pode ser visualizada na figura 12.6.

Tabela 12.2 – Dimensões das aberturas.

Abertura Largura x Altura (m) Altura da base (m)

P1 1,20 x 2,60 -

J1 2,40 x 1,40 1,20

J2 2,00 x 1,40 1,20

J3 0,60 x 0,60 1,50

J4 1,00 x 1,40 1,20

J5 1,40 x 1,40 1,20

Fonte: Bilésimo, 2019.

Figura 12.6 – Localização das áreas, aberturas e tubo solar na edificação.


Fonte: Bilésimo, 2019.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 321

Estabilidade térmica e higrométrica

A partir de dados coletados por uma Estação Meteorológica Au-


tomática de Superfície e de um termohigrômetro, ambos instalados na
própria edificação, verificou-se a capacidade da edificação de manter tem-
peratura e umidade relativa estáveis em seu interior. Isto se deu por meio
da aplicação das estratégias bioclimáticas mencionadas anteriormente,
uma vez que elas favorecem a interação adequada da edificação com o
clima em que ela está inserida.
A estação meteorológica registrou os dados internos na sala
que possui a fachada ventilada e uma parede com isolamento, sendo
coberta pelo telhado vegetado. O termohigrômetro, por sua vez, ficou
posicionado na sala que possui maior contato com o exterior (mais
janelas e a porta de entrada da edificação), composta pelas paredes
com isolamento térmico e coberta pelo telhado com isolamento termo-
acústico. Neste sentido, os dados registrados pelos dois equipamentos
apresentaram algumas diferenças.
É possível verificar, no gráfico 12.1, que externamente a amplitude
térmica mensal atinge os 29,1 °C, enquanto que internamente a amplitude
mensal máxima registrada foi de 14,4 °C. Um outro fato importante a ser
ressaltado diz respeito à dispersão dos dados. Internamente, os valores
registrados com maior frequência estão mais próximos uns dos outros,
indicando a estabilidade térmica no interior da edificação. O aumento da
temperatura média no interior da edificação quando comparado ao exte-
rior se justifica pela menor amplitude térmica interna. Em outras palavras,
quando a temperatura externa cai, geralmente durante a madrugada, a
temperatura interna se mantém estável. Isto é interessante especialmente
nos meses mais frios, quando a temperatura interna se mantém próxima
dos 20 °C. Nos meses mais quentes, apesar da temperatura um pouco
mais elevada (próxima dos 27 °C), a ventilação cruzada auxiliou a manter
condições ambientais agradáveis para os usuários.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 322

Gráfico 12.1 – Variação da temperatura ambiente interna e externa.


Fonte: Bilésimo, 2019.

Os registros de umidade relativa podem ser visualizados no gráfico


12.2. Observa-se que, ao contrário do que acontece com a temperatura
ambiente, os níveis de umidade relativa interna se mantêm abaixo da ex-
terna. Por outro lado, a amplitude mensal externa segue sendo maior que
a interna, em todos os meses. Externamente, foram registrados valores
de até 100%, enquanto no interior da edificação a máxima registrada foi
de pouco mais de 90%, na área que sofre mais influência do ambiente
externo, como já explicado. Comparando os dados internos da estação e
do termohigrômetro com os dados externos, observa-se a estabilidade
dos valores que ocorrem com mais frequência, assim como observado
nos dados de temperatura.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 323

Gráfico 12.2 – Variação da umidade relativa interna e externa.


Fonte: Bilésimo, 2019.

Aproveitamento da iluminação natural

O procedimento de verificação experimental das condições de


iluminação na edificação foi feito de acordo com o que é proposto pela
NBR15215-4 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2005).
As varreduras ocorreram em dias de inverno e de verão, próximos aos
solstícios, na altura do plano de trabalho (0,80 m) e com as salas abertas, a
fim de analisar a contribuição da iluminação natural total. Foram realizadas
também varreduras com as salas fechadas, a fim de avaliar a contribuição
do tubo solar.
Para a seleção dos dias representativos, utilizou-se o Índice de
Transmissividade Atmosférica (KT). Tipicamente, dias ensolarados apre-
sentam KT superior a 0,7, enquanto dias nublados possuem KT inferior a 0,3.
Valores intermediários de KT caracterizam dias intermediários. Entretanto, a
partir de observações empíricas, considerou-se, para o caso apresentado:

• KT < 0,35 – nublado;


• 0,35 ≤ KT ≤ 0,60 – intermediário;
• KT > 0,60 – ensolarado.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 324

O comportamento da radiação solar nos dias ensolarados selecio-


nados para a análise14 pode ser observado no gráfico 12.3. Em seguida, são
apresentados os resultados referentes às medições realizadas nos dias
ensolarados, nas duas áreas de maior permanência da edificação: áreas
técnicas (AT) 1 e 2.

14  Para resultados acerca dos demais dias típicos (nublado e intermediário), consulte Bilésimo (2019).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 325

Gráfico 12.3 – Comportamento da radiação solar nos dias de KT 0,68, 0,62 e 0,69,
respectivamente.
Fonte: Bilésimo, 2019.

A distribuição da iluminância na AT 1 para os dias de céu predomi-


nantemente limpo de verão e inverno pode ser observada no gráfico 12.4. De
maneira geral, observa-se que, para ambas as estações, a iluminância em
dias ensolarados permanece acima do mínimo exigido pela NBR ISO/CIE
8995 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2013), isto é, 500 lx.

a)
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 326

b)

c)

d)
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 327

e)

f)

Gráfico 12.4 – Gráfico 12.4 - Distribuição da iluminância, em lx, na AT 1 em dias de Kt 0,68


(a, c, e) e 0,62 (b, d, f).
Fonte: Bilésimo, 2019.

Nos equinócios o Sol nasce exatamente no leste, indo em direção


ao sul a medida que se aproxima do solstício de verão, e ao norte quando
se aproxima do solstício de inverno, o que justifica a distribuição da ilumi-
nância no período das 8h. Durante o verão, as aberturas voltadas para o sul
contribuem de maneira significativa para a iluminação da sala, enquanto
no inverno a contribuição maior se dá pela porta de vidro, situada na pa-
rede norte. Observa ainda a influência das aberturas situadas na área de
Circulação, nas paredes leste e sul da edificação. Por conta do local em
que o Sol nasce, como já mencionado, essa influência é mais significativa
no verão do que no inverno. A área mais próxima ao centro da parede leste
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 328

recebe a iluminação natural das aberturas situadas na AT 2, de maneira a


manter a iluminação em níveis adequados.
Para o horário do meio dia, observa-se que o dia de inverno
apresentou níveis de iluminância mais altos que os observados no dia de
verão. Observando o gráfico 12.4, verifica-se que no dia de verão (KT 0,68),
a radiação solar atingiu valores próximos de 1000 W/m², enquanto no in-
verno (KT 0,62) este valor não ultrapassou os 600 W/m². Ainda assim, esta
diferença se justifica pelo fato de que, no inverno, o ângulo solar é menor
que no verão, para um mesmo horário, ocasionando índices maiores de
iluminância, bem como uma distribuição mais uniforme ao longo da sala.
No último horário medido, observa-se que a abertura oeste passa
a apresentar influência mais significativa por conta da posição solar. Os
pontos de concentração de iluminância mais alta se alternam nas duas
estações por conta da trajetória solar. No inverno, devido ao fato de o Sol
se pôr próximo das 17h à medida que se aproxima do solstício, observam-
-se valores mais baixos de iluminância, justificados também pela curva da
radiação solar.
A distribuição da iluminância em dias ensolarados na AT 2 pode ser
vista no gráfico 12.5.

a)
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 329

b)

c)

d)
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 330

e)

f)

Gráfico 12.5 – Gráfico 12.5 - Distribuição da iluminância, em lx, na AT 2 em dias de Kt 0,69


(a, c, e) e 0,62 (b, d, f).
Fonte: Bilésimo, 2019.

Por conta da orientação leste das aberturas, o período da manhã


apresenta níveis de iluminância acima do que é exigido pela norma em
todos os pontos em dias ensolarados. Entretanto, verifica-se que o dia
de verão (KT 0,69) apresenta níveis de iluminância mais baixos que o dia
de inverno (KT 0,62) apesar da maior incidência de radiação, conforme se
observa no gráfico 12.6. Esta diferença ocorre por conta da altura solar,
que acaba fazendo com que haja mais luz natural entrando na sala neste
horário durante o inverno do que no verão, quando o Sol já está mais alto.
No horário do meio dia se observa, além da diferença no nível de
iluminância provocado pelos níveis de radiação solar, a contribuição do
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 331

tubo solar. Sua localização, ilustrada na figura 12.6, causa este efeito na
distribuição da iluminância, especialmente neste horário em que o Sol está
mais alto.
Às 18h, no verão, além das aberturas, ainda há contribuição do
tubo solar. Já no inverno, às 17h se observa maior contribuição da abertura
na parede oeste, que proporciona o aproveitamento da iluminação natural
da AT 1. Por ser um horário próximo ao pôr do sol, os níveis de radiação e,
consequentemente, de iluminância, são reduzidos.
A contribuição do tubo solar para a iluminância da AT 2 pode ser
vista no gráfico 12.4. De maneira geral, observa-se que os níveis de ilumi-
nância fornecidos pelo tubo solar no verão são sempre maiores que no
inverno, por conta da maior intensidade da radiação solar e da posição
solar nas duas estações.
Observando os três horários de ambos os dias, verifica-se
um comportamento diferente do esperado no período da manhã. Isto
acontece porque as janelas da edificação são de vidro, e as cortinas não
são totalmente opacas, favorecendo a entrada de luz pelas janelas, que
estão orientadas para o leste. Por conta da intensidade da radiação solar
neste horário e da altura solar, a contribuição do tubo solar não fica tão
evidente. Ainda assim, para este horário, é possível verificar pontos com
iluminância de até 250 lx para o dia de verão, e pouco mais de 90 lx para
o dia de inverno.

a)
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 332

b)

c)

d)
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 333

e)

f)

Gráfico 12.6 - Iluminância, em lx, fornecida pelo tubo solar em dias de Kt 0,69 (a, c, e) e
0,62 (b, d, f).
Fonte: Bilésimo, 2019.

A medida em que a altura solar aumenta, a contribuição do tubo


solar na iluminação se torna mais evidente, especialmente no horário do
meio dia. Para este horário, no verão, é possível observar que existem al-
guns pontos em que a iluminância fornecida pelo tubo é superior ao que é
exigido pela norma (500 lx) e atinge valores da ordem de 600 lx. No dia de
inverno, apesar de não ser suficiente para garantir o mínimo de iluminância
exigido, o tubo solar contribui para a iluminação da sala, de maneira que
seria necessário utilizar apenas parte do sistema de iluminação artificial.
Observando o comportamento da radiação solar no dia de verão
(gráfico 12.6, KT 0,69), observa-se que, por volta das 18h, a radiação solar
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 334

apresenta níveis da ordem de 200 W/m². Isto justifica o valor de iluminân-


cia da ordem de 120 lx observado neste horário. Para o dia de inverno, a
última medição foi realizada às 17h, quando o Sol está quase se pondo,
de maneira que os níveis de iluminância registrados ficaram próximos dos
12 lx. Por conta da posição solar e de as cortinas não serem totalmente
opacas, a contribuição do tubo também fica pouco evidente neste horário.

Considerações finais

Esta seção apresentou um estudo de caso a respeito de uma


edificação bioclimática, em que se faz o aproveitamento da energia solar
passiva na iluminação e manutenção das condições termohigrométricas
no interior da edificação.
A análise termohigrométrica mostrou a estabilidade térmica
existente no interior da edificação. Mesmo a área com maior contato com
o exterior, que sofre maior influência das condições climáticas externas,
apresentou valores estáveis quando comparados aos registrados no exte-
rior. Além disso, os valores médios no interior da edificação se mantiveram
acima das médias externas, em decorrência das menores variações ao
longo do dia.
O aproveitamento da iluminação natural se mostrou uma estra-
tégia simples e com resultados promissores. Conforme as condições do
céu, a iluminação natural poderia suprir total ou parcialmente o sistema de
iluminação artificial. O tubo solar também apresentou resultados positivos,
favorecendo a iluminação no interior sem consumir energia elétrica.
Diante do exposto, ressalta-se a importância do aproveitamento da
energia solar passiva para atingir o conforto ambiental. Com isso, é possível
obter melhor qualidade de vida, poupar recursos naturais e otimizar o uso
da energia elétrica.
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 335

Referências
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Sobre os autores

Giuliano Arns Rampinelli


Doutor e Mestre em Engenharia e Licenciado em Física pela Universidade Fede-
ral do Rio Grande do Sul (UFRGS). Professor da Universidade Federal de Santa
Catarina (UFSC), atuando no curso de Engenharia de Energia, no Programa de
Pós-Graduação em Energia e Sustentabilidade (PPGES) e no Mestrado Nacional
Profissionalizante em Ensino de Física (MNPEF). Pesquisador na área de conheci-
mento de Energia atuando, especialmente, nos temas de energia solar fotovoltaica
e suas aplicações, geração distribuída com sistemas fotovoltaicos, materiais e
componentes de sistemas fotovoltaicos, recurso e potencial solar e eólico, eficiên-
cia energética em edificações e mercado de energia elétrica. É integrante do Nú-
cleo Tecnológico de Energia Elétrica (NTEEL/UFSC) e do Laboratório de Pesquisa
Aplicada (LPA/UFSC). É coordenador da Escola do Sol (UFSC).

Solange Machado
Mestranda em Energia e Sustentabilidade com foco em sistemas de potência na
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Engenheira Eletricista graduada
pela Faculdade SATC. Atua no setor elétrico, especialmente com sistemas de
potência, desde 2007. Atual desde 2019 como assistente de pesquisa no Núcleo
Tecnológico de Energia Elétrica (NTEEL/UFSC), e como voluntária na Escola do
Sol (UFSC) e na Plant for the Planet. Suas áreas de pesquisa são mercados de
energia elétrica, energias renováveis e transição para economia de baixo carbono.

André Possamai Rosso


Doutorando em Engenharia de Minas, Metalúrgica e Materiais pela Universidade
Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. Mestre em Energia e Sustentabilidade
pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, com ênfase em Sistemas
de Energia (2019). Especialista em Engenharia de Produção pela Faculdade SATC
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 339

(2012). Graduado em Engenharia de Energia pela Universidade Federal de Santa


Catarina – UFSC (2017). Bacharel em Química pela Universidade Federal de Santa
Catarina – UFSC (2009). Áreas de pesquisa: Energias renováveis atuando principal-
mente nos temas de energia solar fotovoltaica, geração distribuída com sistemas
fotovoltaicos, materiais e componentes de sistemas fotovoltaicos, recurso e
potencial solar. Atualmente integrante do Núcleo Tecnológico de Energia Elétrica
(NTEEL/UFSC), do Laboratório de Pesquisa Aplicada (LPA/UFSC) e do Laboratório
de Transformação Mecânica (LtDM/UFRGS).

Letícia Toreti Scarabelot


Doutora em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Santa Catarina
(2020), mestra em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Santa Catarina
(2016) e Bacharel em Engenharia Elétrica pela UFSC (2013). Pesquisadora na área
de energia solar fotovoltaica, com ênfase em sistemas fotovoltaicos de geração
distribuída. Integrante do Grupo de Pesquisa Núcleo Tecnológico de Energia Elé-
trica (NTEEL). 

Thayane Lodete Bilésimo


Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil da Universi-
dade Federal de Santa Catarina. Mestra em Energia e Sustentabilidade (2019) e
Bacharel em Engenharia de Energia (2016) pela mesma instituição. Pesquisadora
na área de eficiência energética em edificações, com ênfase em edificações
centradas no usuário (occupant-centered buildings). Membro do Laboratório de
Eficiência Energética em Edificações (LabEEE) e do Núcleo Tecnológico de Energia
Elétrica (NTEEL).

Aline Rodrigues
Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Energia e Sustentabilidade pela
Universidade Federal de Santa Catarina. Bacharel em Engenharia de Energia pela
Universidade Federal de Santa Catarina (2019). Pesquisadora na área de energia
solar fotovoltaica, com ênfase em sistema fotovoltaico conectado à rede (SFCR), e
tarifação de energia elétrica. Integrante do Grupo de Pesquisa Núcleo Tecnológico
de Energia Elétrica (NTEEL).
MANUAL DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: TEORIA E PRÁTICA 340

Andriele Bratti Machado


Bacharel em Engenharia de Energia pela Universidade Federal de Santa Catarina
– UFSC (2019). Mestranda pelo Programa de Pós-Graduação em Energia e Susten-
tabilidade (PPGES/UFSC). Pesquisadora na área de energia solar fotovoltaica, com
ênfase em geração distribuída com sistemas fotovoltaicos. Integrante do Grupo
de Pesquisa Núcleo Tecnológico de Energia Elétrica (NTEEL) e do Laboratório de
Pesquisa Aplicada (LPA). 

Raffaela Zandomenego
Engenheira de Energia, especialista em Auditoria e Gestão Ambiental e mestranda
no Programa de Pós-Graduação em Energia e Sustentabilidade, da Universidade
Federal de Santa Catarina. Atualmente trabalha como Analista de Projetos, na área
de energias renováveis – empresa da região Sul de Santa Catarina. Além disso,
é sócia da Ergos, uma plataforma digital para formar e dar empregabilidade ao
jovem líder do setor de energia brasileiro, conectando-o às empresas e criado para
mudar o modelo de inserção dos jovens no mercado de energia. Participa também
de alguns projetos que visam à educação, bem como projetos de pesquisa e
desenvolvimento na área de Energia Solar Fotovoltaica. Em paralelo, desenvolve
projetos relacionados à sustentabilidade e consumo consciente.

Pâmela Crotti
Bacharel em Engenharia de Energia pela Universidade Federal de Santa Catarina -
UFSC (2020). Integrante do Núcleo Tecnológico de Energia Elétrica (NTEEL/UFSC)
e Laboratório de Pesquisa Aplicada (LPA/UFSC). Atuou em projetos de pesquisa
sobre sistemas fotovoltaicos, processamento de dados de radiação solar e carac-
terização de módulos fotovoltaicos. Atualmente trabalha em uma fabricante de
equipamentos para sistemas fotovoltaicos.

Karoline Roversi
Graduanda em Engenharia de Energia na Universidade Federal de Santa Catarina
– UFSC (2017). Atualmente é integrante do Núcleo Tecnológico de Energia Elétrica
(NTEEL/UFSC) e Laboratório de Pesquisa Aplicada (LPA/UFSC). Atua em projetos
de pesquisa e extensão na área de energias renováveis, principalmente nos temas
de energia solar fotovoltaica e geração distribuída com sistemas fotovoltaicos.