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PROCESSO PENAL I

TEMA 2: FONTES E APLICAÇÃO DA


LEI PROCESSUAL PENAL

Prof. Clodovil Moreira Soares


DIREITO PROCESSUAL PENAL I
AS FONTES DO DIREITO PROCESSUAL PENAL
FONTES DO DIREITO é a origem primária do direito, identificando-se com a
gênese das normas jurídicas. No sentido aqui empregado, são todas as
formas pelas quais são criadas, modificadas ou extintas as normas de
determinado ordenamento jurídico.
QUESTÕES PREMISSAS
1ª. O SISTEMA PROCESSUAL PENAL POSSUE 1ª. NORMA É DIFERENTE DE TEXTO, ELA É O
CONSISTÊNCIA E COMPLETUDE? SENTIDO QUE DAMOS AO TEXTO;

2ª. AS NORMAS QUE PERPASSAM O SISTEMA 2ª. HÁ UMA PLURALIDADE DE FONTES DA NORMA
PROCESSUAL PENAL SURGEM A PARTIR DE PROCESSUAL PENAL, MAS ELAS DEVEM SER
DIFERENTES CANAIS, ISTO É FAZ SURGIR INTEPRETADAS HARMONICAMENTE, CADA UMA EM
CONFLITOS NORMATIVOS? SUA ESPAÇO DE NORMATIVDADE;

3ª. A ADMISSÃO DE LACUNAS IMPLICA EM 3ª. DEVER DE INTEGRIDADE DO DIREITO, IMPOSTO


RECONHECER A NECESSIDADE DE OUTROS AOS TRIBUNAIS. ART. 926 DO CPC.
CENTROS PRODUTORES NORMTATIVOS?
CLASSIFICAÇÃO DAS FONTES DO DIREITO PROCESSUAL PENAL

1.1. FONTES A. FONTES PROCESSUAIS PENAIS


HISTÓRICAS PRINCIPAIS

CONSTITUIÇÃO CÓDIGO DE PROCESSO


FEDERAL PENAL
1.2.1 FONTES IMEDIATAS OU
DIRETAS
I.
COMPLEMENT
1. FONTES B. FONTES PROCESSUAIS ARES
FORMAIS OU DE PENAIS EXTRAVAGANTES
II.
COGNIÇÃO MODIFICATI
VAS
1.2. FONTES C. TRATADOS, REGRAS E CONVENÇÕES DE
DIREITO INTERNACIONAL
DOGMÁTICAS OU
D. FONTES ORGÂNICAS PRINCIPAIS
NORMATIVAS
E. FONTES ORGÂNICAS COMPLEMENTARES

COSTUMES
PRINCÍPIOS GERAIS DE DIREITO
1.2.2. FONTES MEDIATAS OU ANALOGIA
INDIRETAS DOUTRINA
JURISPRUDÊNCIA
ANPP / COLABORAÇÃO PREMIADA (?)
2. FONTES MATERIAIS OU DE PRODUÇÃO
● PODER LEGISLATIVO, ● COMPETÊNCIA DA UNIÃO:
INTERPRETAÇÃO DA NORMA PROCESSUAL
PENAL
O direito é um só e é constituído pela linguagem. (...) No ponto,
pode-se anuir com Edvaldo Brito quando enfatiza que “a realidade
do direito é, em si, linguagem”. (...) É assim que o direito
processual penal compreenderá a interpretação/aplicação
normativa penal sem descurar da Constituição e dos fatos da
realidade. [Távora & Alencar, 2008]

“Art. 3.º A lei processual penal admitirá interpretação


extensiva e aplicação analógica, bem como o
suplemento dos princípios gerais de direito.” (CPP)
CLASSIFICAÇÃO DOS TIPOS DE INTERPRETAÇÃO
QUANTO A ORIGEM QUANTO AO MODO QUANTO AO RESULTADO
(SUJEITO) (OU MEIOS EMPREGADOS)

A. Autêntica ou legislativa. A. Literal, gramatical ou A. Declarativa - literalidade, não


v.g. Art.302 e 303. sintática. há ampliação do alcance da
norma;
B. Doutrinária ou B. Teleológica. B. Restritiva - Restringe o alcance
Científica. da lei, v.g. Art. 271.
v.g. exposição de motivos
do CPPB.
C. Judicial ou C. Lógica. C. Extensiva – a lei diz menos do
Jurisprudêncial. v.g. “Queixa” – Arts. 12 e 41 que deveria, v.g. Art. 581, inc. I.
do CPP.
D. Histórica. D. Progressiva, adaptativa ou
evolutiva- ajustar a lei as
transformações sociais, jurídicas,
cientificas, ou até mesmo morais.
(Art. 127, caput x Art. 134, )
E. Sistemática.
DISTINÇÃO ENTRE ANALOGIA E
INTERPRETAÇÃO ANALÓGICA
A analogia é um método de integração, pois a hipótese de
incidência da regra a ser aplicada não está prevista para o caso a
ser aplicado. Na interpretação analógica, método de intepretação,
o legislador prevê a ampliação do alcance da norma. Ex:
videoconferência por outro recurso tecnológico... (CPP, Art. 185,
§2º)

APLICAÇÃO SUPLETIVA E SUBSIDIÁRIA DO


CPC (2015)
- Produção de prova antecipada (Art. 225, CPC);
- Lacuna involuntária da lei (Art. 3º, CPC);
- Não se aplica na contagem dos prazos;
- IRDR (incidente de resolução de demanda repetitiva, Arts. 976
a 987, CPC)
DAS LEIS PROCESSUAIS PENAIS NO TEMPO
PRINCÍPIO DA IMEDIATIDADE (TEMPUS REGIT ACTUM):
Art. 2o A lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem
prejuízo da validade dos atos realizados sob a vigência da lei
anterior.
PRINCÍPIO DA APLICABILIDADE IMEDIATA
Duas são as consequências, então: a) os atos processuais
realizados sob a égide da lei anterior são considerados
válidos; b) as normas processuais têm imediata aplicação,
regulando o desenrolar restante do processo, respeitados o
ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada (CF,
art.5º, XXXVI; LICC, art.6º, CPP, art.2º).
TODAVIA DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA RECORREM A SEGUINTE DISTINÇÃO:
1. NORMAS PENAIS PURAS;
2. NORMAS PROCESSUAIS GENUINAMENTE;
3. NORMAS PROCESSUAIS MATERIAIS (MISTAS OU HÍBRIDAS).
DAS LEIS PROCESSUAIS PENAIS NO TEMPO
TRATAMENTO DAS LEIS PROCESSUAIS PENAIS PURAS
(TEMPUS REGIT ACTUM): Art. 2o A lei processual penal
aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade dos atos
realizados sob a vigência da lei anterior.
PARA RESOLVER O PROBLEMA DA SUCESSÃO DE LEIS PROCESSUAIS NO
TEMPO, PODE-SE COGITAR TRÊS SISTEMAS:
1. UNIDADE PROCESSUAL;
2. FASES PROCESSUAIS;
3. ISOLAMENTO DOS ATOS PROCESSUAIS.

- NORMAS HETEROTÓPICAS: embora previstas em diplomas


processuais penais, possuem conteúdo matéria, devendo, pois, retroagir
para beneficiar o acusado. (“Consiste na intromissão ou superposição de
conteúdos materiais em âmbito de incidência de uma norma de natureza
processual, ou vice versa...” – Avena)
DAS LEIS PROCESSUAIS PENAIS NO TEMPO

QUAL O ÂMBITO DE DEFINIÇÃO DAS NORMAS


PROCESSUAIS PENAIS MATERIAIS OU MISTAS?

A. CORRENTE RESTRITIVA: são normas processuais mistas


ou de conteúdo material aquelas que, embora disciplinadas em
diplomas processuais penais, disponham sobre conteúdo da
pretensão punitiva;

B. CORRENTE AMPLIATIVA: todas as normas que disciplinam


e regulam, ampliando ou limitando, direitos e garantias pessoais
constitucionalmente assegurados, mesmo sob a forma de leis
processuais, não perdem o seu conteúdo material.
DAS LEIS PROCESSUAIS PENAIS NO
ESPAÇO
CPP, Art. 1o O processo penal reger-se-á, em todo o território
brasileiro, por este Código, ressalvados:
I - os tratados, as convenções e regras de direito
internacional;
II - as prerrogativas constitucionais do Presidente da
República, dos ministros de Estado, nos crimes conexos com
os do Presidente da República, e dos ministros do Supremo
Tribunal Federal, nos crimes de responsabilidade
(Constituição, arts. 86, 89, § 2o, e 100);
III - os processos da competência da Justiça Militar;
IV - os processos da competência do tribunal especial
(Constituição, art. 122, no 17);
V - os processos por crimes de imprensa.
Parágrafo único. Aplicar-se-á, entretanto, este Código aos
processos referidos nos nos. IV e V, quando as leis especiais
que os regulam não dispuserem de modo diverso.
DAS LEIS PROCESSUAIS PENAIS NO ESPAÇO

- Considerando que a Jurisdição é expressão da Soberania nacional,


nossa Lei processual penal, em regra, é aplicada em nosso território
(Princípio da territorialidade ou lex fori). Assim, mesmo que um ato
processual tenha que ser praticado no exterior, o será conforme a
legislação processual do país que exercerá o ato.

- Entretanto, na visão da doutrina existem algumas exceções a serem


consideradas:
- A) Aplicação da lei processual penal de um Estado em
território nullius;
- B) quando houver autorização do Estado onde deva ser
praticado o ato processual;
- C) em caso de guerra, em território ocupado.
DAS LEIS PROCESSUAIS PENAIS NO ESPAÇO
CONSTITUIÇÃO FEDERAL – Art. 5º, §4º.

Art. 5º. (...)

§ 4º O Brasil se submete à jurisdição de


Tribunal Penal Internacional a cuja criação
tenha manifestado adesão. (EXERCÍCIO DA
JURISDIÇÃO PENAL INTERNACIONAL);
DAS LEIS PROCESSUAIS PENAIS NO ESPAÇO
EXCEÇÕES
- TRATADOS CONVENÇÕES E REGRAS DE DIREITO
INTERNACIONAL;
- PRERROGATIVAS CONSTITUCIONAIS DO PRESIDENTE DA
REPÚBLICA E DE OUTRAS AUTORIDADES (CF, Art. 52, incisos
I e II/Art. 51, I, Art. 86; Lei 1.079 e Dec. Lei 201/67);
- PROCESSOS DE COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA MILITAR (CPP,
Art. 1º, CF, Art. 124 e 15, §4º);
- NÃO RECEPCIONADAS PELA CF: PROCESSSOS DE
COMPETÊNCIA DO TRIBUNAL ESPECIAL E CRIMES DE
IMPRENSA;
- CRIMES ELEITORAIS (Código Eleitoral, Art. 121 da CF);
- OUTRAS: Crimes de comp. Originárias dos Tribunais (Lei
8.038/90); IMPO (Lei 9.099/95); Crimes falimentares (Lei
11.101/95); Estatuto do Idoso (Lei 10.741/03), Lei Maria da
Penha (Lei 11.340/06) e a Lei de Drogas (11.343/06).
DAS LEIS PROCESSUAIS PENAIS EM RELAÇÃO ÁS
PESSOAS
A- IMUNIDADES DIPLOMÁTICAS:
•Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, de 18/4/1961 (Decreto
Legislativo n. 103/64) – referem-se a qualquer delito e estendem-se a todos os
agentes diplomáticos; Chefe de Estado estrangeiro e membros de sua
comitiva; as sedes diplomáticas são invioláveis;
• Convenção de Viena sobre Relações Consulares, de 24/4/1963 (Decreto
Legislativo n. 06/1967) – abrange tão-só os atos realizados no exercício das
funções consulares;

B- IMUNIDADE PARLAMENTAR
• Material: imunidade absoluta ou inviolabilidade, que se fundamenta no
Art. 53, caput, CF.
• Formal: imunidade parlamentar material ou relativa, a qual se subdivide
em quatro espécies:
• - Direito de não ser preso, salvo em flagrante por crime inafiançável;
• - Direito de não ser processado (art. 53, §3º, 4º e 5º);
• - Direito de não ser obrigado a depor como testemunha (§ 6º);
• - Garantia do foro privilegiado (§1º) .
BIBLIOGRAFIA

 REFERÊNCIAS BÁSICAS:
 AVENA, Norberto. Processo Penal Esquematizado. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo : MÉTODO,
10ª. Ed. 2018.
 LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de Processo Penal: volume único - 8. ed. Ver. Ampl. E atual –
Salavador: Ed. Juspodivm, 2020.
 LOPES Júnior, Aury. Direito Processual Penal, 17ª. ed. São Paulo; Saraiva, 2020.
 NUCCI, Guilherme de Souza. Manual de Processo Penal. São Paulo: Forense, 16ª.ed- 2020.
 ROQUE ARAÚJO, Fábio & NEGRI COSTA, Klaus. Processo Penal - Didático. Salvador; Editora Jus
Podivm, 2ª.Ed.2019.

 REFERÊNCIAS COMPLEMENTARES
 FEITOZA, Denilson. Direito Processual Penal: Teoria, Crítica e Práxis. 6ª.Ed. Nitéroi,RJ: Impetus, 2009.
 POLASTRI LIMA, Marcellus. Manual de Processo Penal, Rio de Janeiro: Editora: Lumen Juris. 2007
 RANGEL, Paulo. Direito Processual Penal. 12.ª edição – 884 páginas. Editora: Lumen Juris. 2007.
 TOURINHO FILHO, Fernando da Costa. Manual de Processo Penal.
São Paulo: Saraiva. 2006.

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