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MINISTÉRIO DO ACONSELHAMENTO

Texto bíblico: Jo 3; 4.13; 2Tm 2; Tt 2; Fl. 2.1


No serviço cristão temos a oportunidade de realizar um sem número de atividades que
ajudam ao povo de Deus. Um destes serviços é o ministério do aconselhamento. Vivemos
num mundo em que o ser humano se debate em crises e mais crises. Neste contexto a igreja
precisa estar atuante para que este ministério possa ajudar as pessoas, crentes ou não, a
encontrarem um direcionamento para suas vidas, à luz da Palavra de Deus.
Devemos fitar nossos olhos em Jesus Cristo que, sem sombra de dúvida, foi o mestre do
aconselhamento.
Primeiramente vamos encontrar Jesus aconselhando á noite. É o famoso episódio
envolvendo Nicodemos, um rabino judeu, membro do Sinédrio, e um dos homens mais
ricos de Jerusalém. Este homem tinha alguns questionamentos para fazer ao Mestre, porém,
ele vem a Jesus na calada da noite. Queremos aqui destacar que existem muitas críticas a
Nicodemos por ter procurador Jesus à noite. Não existe nenhuma prova de que ele se
envergonhava de sua condição. Alguns sustentam que ele sentia mais medo que vergonha.
Através dos séculos, cristãos que professavam sua fé agiam de tal forma por medo de seus
perseguidores.
O importante no aconselhamento ministrado por Jesus foi informar ao rabino judeu sobre o
renascimento espiritual, que era tão necessário para o processo de recuperação como é para
entrar no reino de Deus. Cristo enfatiza que nascer de novo é o princípio. A parte difícil
vem a cada dia que segue, à medida que submetemos nosso coração teimoso e nossa
vontade ao controle do Espírito Santo de Deus. A verdadeira recuperação não é conseguida
pelas nossas tentativas de viver uma vida melhor. Quando nos arrependemos, confiamos a
nossa vida a Deus e buscamos obedecer-lhe, recebendo o seu perdão.
Outro momento marcante na vida de Jesus e que realça o ministério do aconselhamento nós
encontramos no encontro com a mulher adúltera. O ponto marcante desta história reside na
declaração de Jesus à mulher, quando disse: “Ninguém te condenou? E ela disse: ninguém
Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu também te condeno; vai-te e não peques mais.”
A vergonha tem mantido muitos de nós escondidos. A ideia de admitir os nossos pecados e
nos revelar a outro ser humano provoca sentimentos de vergonha e de temor de ser expostos
publicamente. Contudo, o nosso aconselhador tem de ser uma pessoa que não se surpreenda
pelo pecado nem que esteja esperando para nos condenar. Assim, como Jesus, a pessoa deve
tomar nota em particular dos nossos erros, escrevê-los na terra e não gravá-los em pedra e
exibi-los em público. Interessante observar que neste ministério, como a vergonha pode
disparar a conduta aditiva, necessitamos escolher com cuidado a pessoa na qual vamos
confiar. Cristo veio para salvar os homens, não para destruí-los. Por isso, perdoar o pecado
da mulher adúltera era um de suas obrigações naquela época, e ainda é, quando alguém se
arrepende e abandona seu pecado. No aconselhamento dado por Jesus à sua paciente Ele
não disse que não condenava o adultério com um pecado. Ele simplesmente perdoou a
mulher, assim com fez com outros pecadores. Ele abertamente disse a ela para não pecar
mais, provando que Ele condenava o adultério como pecado.
Como já temos enfatizado outras vezes o ministério cristão é um ministério de serviço. O
ministério do aconselhamento tem grande importância na vida das pessoas. É fato que Deus
nos fala de várias maneiras. Ele nos fala através de seus conselheiros. Podemos
experimentar o amor e a cura de Deus por meio de pessoas piedosas que ele envia à nossa
vida. Isso pode ser muito difícil para nós em determinadas situações. Talvez sintamos que já
não queremos estar perto de outras pessoas. Quando alcançamos outros em nome de Jesus,
nós nos convertemos em seus mensageiros. Deus nos usará para levar a sua libertação
poderosa à vida dos outros.
O apóstolo Paulo também nos ensina sobre aconselhamento. Suas cartas pastorais,
principalmente à Timóteo e Tito, serve como verdadeiro manual de aconselhamento a
jovens ministros.
Escrevendo ao jovem Timóteo Paulo diz: “E você, meu filho, seja forte por meio da graça
que é nossa por estarmos unidos em Cristo Jesus.” O aconselhador Paulo diz ao jovem
pastor que fosse forte em Cristo Jesus. O apóstolo sabia que Timóteo nunca teria êxito em
seu ministério se dependesse da sua própria força. Necessitava do único poder que é
suficiente para se viver uma vida piedosa: Deus. A verdade de que o Senhor nos dá o poder
para vivermos uma vida transformada é uma boa notícia, e precisamos comunica-la a
outros. À medida que ouvimos sobre o poder de Deus e o experimentamos, também
comunicamos essa verdade a outros. Dessa maneira, outros recebem a ajuda da graça de
Deus, e nós descobrimos o gozo de ajudar outros e de crescer na nossa fé.
Destaque-se o conselho que Paulo dá a Timóteo quando diz: “E você, Timóteo, fuja das
paixões da mocidade e procure viver uma vida correta, com fé, amor e paz, junto com os
que com um coração puro pedem a ajuda do Senhor.”
Este conselho também á apropriado para nós hoje. Precisamos fugir de lugares e situações
que possam nos levar à tentação. Devemos evitar gastar tempo com pessoas que nos façam
recair. Em vez disso, devemos estar com pessoas que nos animem e apóiem o nosso
progresso em nossa recuperação e crescimento espiritual. Se não temos amigos nem
participamos de atividades que fortaleçam a nossa recuperação, precisamos começar a
buscar e nos envolver em uma comunidade de pessoas piedosas e que nos animem.
Wayne Mack afirma que o aconselhamento, para ser chamado cristão, precisa possuir
quatro características: 1. Ser realizado por um cristão; 2. Ser centrado em Cristo (Cristo não
é um adendo ao aconselhamento, mas é a alma e o coração do aconselhamento, a solução
para os problemas. Isto contrata com o caráter antropocêntrico das psicologias modernas);
3. Ser alicerçado na Igreja (a Igreja é meio principal pelo qual Deus trás as pessoas ao seu
convívio e as conforma ao caráter de Cristo) ; 4. Ser centrado na Escritura Sagrada (a Bíblia
ajuda a compreender os problemas das pessoas e prover solução para os mesmos). De fato,
estas características englobam conceitos que, se retirados do aconselhamento cristão, o
transformará em mais uma psicoterapia puramente antropocêntrica e humanista.
O aconselhamento não é privilégio e responsabilidade apenas de alguns especialistas, mas
sim, um dever necessário à vida cristã e à comunhão. É o resultado esperado da verdadeira
maturidade espiritual.
Deus capacitou a Sua Igreja para edificação dos crentes. O alvo é que sejamos semelhantes
a Cristo. Mas, os crentes não ficarão mais parecidos com Cristo se não estiverem vencendo
a batalha contra o pecado e investindo pessoalmente na vida dos outros.