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MANUAL

DE APOIO

Curso/Unidade:
Envelhecimento demográfico

Código da Unidade (se aplicável): Carga horária:


8899 25h
Índice
Objetivos ............................................................................................................................................................. 3

Conteúdos ........................................................................................................................................................... 4

Ciclo de vida (da criança ao idoso) ................................................................................................................. 6

Processo de maturação e período temporal .............................................................................................. 6


Maturação do sistema de valores – Pirâmide de Maslow .....................................................................11
Tendências e análise da demografia mundial ..............................................................................................13

Dados sobre o envelhecimento demográfico mundial atual e estimativas até 2025 ........................13
Factores que determinam o envelhecimento demográfico mundial ...................................................15
Repercussões sociais do envelhecimento demográfico.........................................................................18
Demografia Portuguesa: tendências na transição do século XX para o século XXI ............................20

Dados sobre o envelhecimento demográfico da população Portuguesa ...........................................20


Pirâmides etárias (comparação de diferentes anos) ...............................................................................22
Esperança média de vida e os fatores que contribuem para o seu aumento .....................................24
Factores que contribuem para o índice de envelhecimento .................................................................26
Estereótipos, mitos e representações sociais da população idosa ...........................................................28

Conceito de estereótipo (estereótipo positivo e negativo) ...................................................................28


Mitos mais comuns sobre a população idosa .........................................................................................29
Atitudes negativas mais comuns para com a pessoa idosa ...................................................................32
Barreiras e facilitadores atitudinais................................................................................................................33

Ajustamentos psicossociais nos idosos ........................................................................................................37

Ajustamento pessoal e social - factores influenciadores .......................................................................37


Funcionamento psicológico – factores para um bom funcionamento...............................................39
Tarefas evolutivas........................................................................................................................................41
Bibliografia........................................................................................................................................................46

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Objetivos

✓ Descrever o ciclo de vida, de acordo com os factos marcantes de cada fase/etapa.

✓ Reconhecer a evolução do envelhecimento demográfico a nível mundial e em


Portugal, bem como os aspectos inerentes ao mesmo.

✓ Identificar os estereótipos, mitos e representações sociais associados à população


idosa.

✓ Enumerar as barreiras e facilitadores atitudinais, na relação com os idosos, bem como


os seus ajustamentos psicossociais.

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Conteúdos

✓ Ciclo de vida (da criança ao idoso)

➢ Processo de maturação – fenómeno natural de todas as fases do ciclo de vida do ser


humano

➢ Maturação do sistema de valores – Pirâmide de Maslow

➢ Período temporal e os aspetos que demarcam as diferentes fases do ciclo de vida

✓ Tendências e análise da demografia mundial

➢ Dados sobre o envelhecimento demográfico mundial atual e estimativas até ao ano


de 2025

➢ Fatores que determinam o envelhecimento demográfico mundial

➢ Repercussões sociais do envelhecimento demográfico

✓ Demografia Portuguesa: tendências na transição do século XX para o século XXI

➢ Dados sobre o envelhecimento demográfico da população Portuguesa

➢ Pirâmides etárias (comparação de diferentes anos)

➢ Esperança média de vida e os fatores que contribuem para o seu aumento

➢ Factores que contribuem para o índice de envelhecimento

✓ Estereótipos, mitos e representações sociais da população idosa

➢ Conceito de estereótipo (estereótipo positivo e negativo)

➢ Mitos mais comuns sobre a população idosa

➢ Atitudes negativas mais comuns para com a pessoa idosa (gerontofobia, idadismo e
infantilização, p.e.)

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✓ Barreiras e facilitadores atitudinais

✓ Ajustamentos psicossociais nos idosos

➢ Ajustamento pessoal e social

➢ Fatores que influenciam os ajustamentos psicossociais

➢ Funcionamento psicológico – fatores para um bom funcionamento

➢ Tarefas evolutivas

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Ciclo de vida (da criança ao idoso)

Processo de maturação e período temporal

PERIODO PRÉ-NATAL (da concepção ao nascimento). No desenvolvimento físico ocorre


a concepção por fertilização normal ou outros meios. Desde o começo, a dotação genética
interage com as influencias ambientais. Formam-se as estruturas e os órgãos corporais
básicos, inicia-se o surto de crescimento do cérebro. O crescimento físico é o mais acelerado
do ciclo de vida. É grande a vulnerabilidade às influencias ambientais. No desenvolvimento
cognitivo desenvolvem-se as capacidades de aprender e lembrar, bem como as de responder
aos estímulos sensoriais. No desenvolvimento cognitivo, o feto responde à voz da mãe e
desenvolve uma preferência por ela.

PRIMEIRA INFÂNCIA (do nascimento aos 3 anos ). No desenvolvimento físico,


desenvolvem-se todos os sentidos e sistemas corporais a funcionar em níveis distintos. O
cérebro aumenta em complexidade e é sensível à exposição ambiental. O crescimento físico
e o desenvolvimento das habilidades motoras são rápidos. No desenvolvimento cognitivo,
as capacidades de aprender e lembrar estão presentes, mesmo nas primeiras semanas. O uso
de símbolos e a capacidade de resolver problemas desenvolvem-se cerca do final do segundo
ano de vida. A compreensão e o uso da linguagem desenvolvem-se rapidamente. No

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desenvolvimento psicossocial, formam-se os vínculos afectivos com os pais e outras crianças
e indivíduos. Afirma-se uma necessidade de passar da dependência à autonomia.

SEGUNDA INFÂNCIA (dos 3 aos 6 anos). No desenvolvimento físico, o crescimento é


constante. A aparência torna-se mais esguia e as proporções mais parecidas com as de um
adulto. O apetite diminui e são comuns os problemas com o sono. Surge a preferência pelo
uso de uma das mãos, aproximam-se as habilidades motoras finais e gerais e aumenta a força
física. No desenvolvimento cognitivo, o pensamento é um tanto egocêntrico, mas aumenta
a compreensão do ponto de vista dos outros. a imaturidade cognitiva resulta em algumas
ideias ilógicas sobre o mundo. Aprimoram-se a memória e a linguagem. É comum a
experiência das creches e pré-escola. No desenvolvimento psicossocial, desenvolve-se o
autoconceito, o autocontrole e a compreensão das emoções tornam-se mais complexas.
Desenvolve-se a identidade de gênero. As brincadeiras tornam-se mais criativas, mais sociais.
Altruísmo, agressão e medo são comuns. A família ainda é o foco da vida social, mas outras
crianças tornam-se mais importantes.

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TERCEIRA INFÂNCIA (dos 6 aos 11 anos). No desenvolvimento físico, o crescimento
torna-se mais lento. A força física e as habilidades atléticas aumentam. São comuns as
doenças respiratórias, mas de um modo geral a saúde é melhor do que em qualquer outra
fase do ciclo de vida. No desenvolvimento cognitivo, diminui o egocentrismo. As crianças
começam a pensar com lógica e concretamente. As habilidades de memória e linguagem
aumentam. Ganhos cognitivos permitem à criança beneficiar-se da instrução formal na
escola. Algumas crianças demonstram necessidades educacionais e talentos especiais. No
desenvolvimento psicossocial, o autoconceito torna-se mais complexo, afetando a
autoestima. A coregulação reflete um deslocamento gradual no controle dos pais para a
criança. Os colegas assumem importância fundamental.

ADOLESCÊNCIA (dos 11 aos 20 anos). No desenvolvimento físico, crescimento físico e


outras mudanças são rápidas e profundas. Ocorre a maturidade reprodutiva. Os principais
riscos para a saúde emergem de questões comportamentais, tais como transtornos atinentes
a abuso de drogas. No desenvolvimento cognitivo, desenvolve-se a capacidade de pensar em
termos abstratos e de usar o raciocínio científico. O pensamento imaturo persiste em algumas
atitudes e comportamentos. A educação se concentra na preparação para a faculdade ou para
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a profissão. No desenvolvimento psicossocial, a busca pela identidade, incluindo a identidade
sexual, torna-se central. O relacionamento com os pais geralmente amadurece. Os amigos
podem exercer influencia positiva ou negativa.

INICIO DA VIDA ADULTA (dos 20 aos 40 anos). A condição física atinge o auge, depois
declina ligeiramente. Opções de estilo de vida influenciam a saúde. No desenvolvimento
cognitivo, o pensamento e os julgamentos morais tornam-se mais complexos. São feitas as
escolhas educacionais e vocacionais. No desenvolvimento psicossocial, traços e estilos de
personalidade tornam-se relativamente estáveis, mas as mudanças na personalidade podem
ser influenciadas pelos estágios e eventos da vida. São tomadas decisões sobre
relacionamentos íntimos e estilos de vida pessoais. A maioria das pessoas casa-se e tem filhos.

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VIDA ADULTA INTERMEDIÁRIA (dos 40 aos 65 anos de idade). No desenvolvimento
físico, podem ocorrer uma letã deterioração das habilidades sensoriais, da saúde, do vigor e
da força física, mas são grandes as diferenças individuais. As mulheres entram na menopausa.
No desenvolvimento cognitivo, as capacidades mentais atingem o auge, a especialização e as
habilidades relativas à solução de problemas práticos são acentuados. A criatividade pode
declinar, mas sua qualidade é melhor. Para alguns, o sucesso na carreira e o sucesso financeiro
atingem seu máximo, para outros, poderá ocorrer esgotamento ou mudança de carreira. No
desenvolvimento psicossocial, o senso de identidade continua a se desenvolver, pode ocorrer
uma transição para para a meia-idade. A dupla responsabilidade pelo cuidado dos filhos e
dos pais idosos pode causar estresse. A saída dos filhos deixa o ninho vazio.

VIDA ADULTA TARDIA (dos 65 anos em diante). No desenvolvimento físico, a maioria


das pessoas é saudável e ativa, embora geralmente haja um declínio na saúde e das
capacidades físicas. O tempo de reação mais lento afeta alguns aspectos funcionais. No
desenvolvimento cognitivo, a maioria das pessoas é mentalmente alerta, embora inteligência
e memória possam se deteriorar em algumas áreas, a maioria das pessoas encontra meio de

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compensação. No desenvolvimento psicossocial, a reforma pode oferecer novas opções para
o aproveitamento do tempo. As pessoas desenvolvem estratégias mais flexíveis para
enfrentar perdas pessoais e a morte iminente. O relacionamento com a família e com amigos
íntimos pode proporcionar um importante apoio. A busca de significado para a vida assume
uma importância fundamental.

Maturação do sistema de valores – Pirâmide de Maslow


A hierarquia de necessidades de Maslow, é uma divisão hierárquica proposta por Abraham
Maslow, em que as necessidades de nível mais baixo devem ser satisfeitas antes das
necessidades de nível mais alto. Cada um tem de alcançar cada fase de uma hierarquia de
necessidades para atingir a sua autorrealização, definindo um conjunto de cinco necessidades:

➢ Necessidades fisiológicas (básicas), tais como a fome, a sede, o sono, o sexo, a


excreção, o abrigo;
➢ Necessidades de segurança, que vão da simples necessidade de sentir-se seguro
dentro de uma casa a formas mais elaboradas de segurança como um emprego
estável, um plano de saúde ou um seguro de vida;
➢ Necessidades sociais ou de amor, afeto, afeição e sentimentos tais como os de
pertencer a um grupo ou fazer parte de um clube;
➢ Necessidades de estima, que passam por duas vertentes, o reconhecimento das
nossas capacidades pessoais e o reconhecimento dos outros face à nossa capacidade
de adequação às funções que desempenhamos;
➢ Necessidades de autorrealização, em que o indivíduo procura tornar-se naquilo que
ele pode ser: “What humans can be, they must be: they must be true to their own
nature!”. É neste último patamar da pirâmide que Maslow considera que a pessoa
tem que ser coerente com aquilo que é na realidade “… temos de ser tudo o que
somos capazes de ser, desenvolver os nossos potenciais”.

Entretanto existem várias críticas à sua teoria, a principal é que é possível uma pessoa estar
autorrealizada, contudo não conseguir uma total satisfação das suas necessidades fisiológicas.

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➢ Necessidades Fisiológicas: São relacionadas às necessidades do organismo, e são a
principal prioridade do ser humano. Entre elas estão respirar e alimentar-se. Sem
estas necessidades supridas, as pessoas sentirão dor e desconforto e ficarão doentes.
➢ Necessidades de Segurança: Envolve a estabilidade básica que o ser humano deseja
ter. Por exemplo, segurança física (contra a violência), segurança de recursos
financeiros, segurança da família e de saúde.
➢ Necessidades Sociais: Com as duas primeiras categorias supridas, passa-se a ter
necessidades relacionadas à atividade social, como amizades, aceitação social, suporte
familiar e amor.
➢ Necessidades de Status e Estima: Todos gostam de ser respeitados e bem vistos. Este
é o passo seguinte na hierarquia de necessidades: ser reconhecido como uma pessoa
competente e respeitada. Em alguns casos leva a exageros como arrogância e
complexo de superioridade.
➢ Necessidade de Autorrealização: É uma necessidade instintiva do ser humano. Todos
gostam de sentir que estão a fazer o melhor com as suas habilidades e superar
desafios. As pessoas neste nível de necessidades gostam de resolver problemas,
possuem um senso de moralidade e gostam de ajudar os outros. Suprir esta
necessidade equivale a atingir o mais alto potencial da pessoa.

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Tendências e análise da demografia mundial

Dados sobre o envelhecimento demográfico mundial atual e


estimativas até 2025

A população mundial deverá chegar aos 8,5 mil milhões em 2020, 9,7 mil milhões em 2050
e exceder os 11 mil milhões em 2100 com a Índia a ultrapassar a China como país mais
populoso do mundo num prazo de sete anos. A Nigéria deverá ultrapassar a população dos
Estados Unidos, tornando-se o terceiro país mais populoso do mundo em 35 anos. Os dados
são de um novo relatório lançado pelas Nações Unidas.

Além disso, o relatório aponta que durante o período de 2015 a 2020, metade do crescimento
da população mundial estará concentrado em nove países: Índia, Nigéria, Paquistão,
República Democrática do Congo, Etiópia, Tanzânia, os Estados Unidos, Indonésia e
Uganda.

Wu Hongbo, Sub Secretário-Geral da ONU para Assuntos Económicos e Sociais, cujo


departamento produziu Perspetivas da População Mundial 2015, o 24º relatório com
projeções e previsões oficiais da ONU sobre população, observou que entender as mudanças

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demográficas que deverão ocorrer nos próximos anos “é uma chave para a conceção e
implementação da nova agenda de desenvolvimento”.

Os Estados-Membros das Nações Unidas estão atualmente a trabalhar na agenda sucessora


aos icónicos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio (ODMs), cujo prazo termina este
ano. Um novo quadro, focado na erradicação da pobreza, inclusão social e em preservar a
saúde do planeta, deverá ser adotado numa Cimeira Especial da ONU a ser realizada em
setembro em Nova Iorque.

De acordo com as projeções do relatório, a população atual de 7,3 mil milhões deverá
alcançar os 8,5 mil milhões em 2020, 9,7 mil milhões em 2050 e 11,2 mil milhões em 2100.

“A maioria do crescimento da população mundial projetado pode ser atribuído a uma lista
curta de países com altas taxas de fertilidade, principalmente em África, ou países com
grandes populações”, afirma o relatório.

Atualmente, a China e Índia permanecem os maiores países do mundo em termos de


população, cada uma com mais de 1 milhar de milhão de pessoas, representando 19 e 18 por
cento da população mundial respetivamente. No entanto, em 2022, a população da Índia
deverá ultrapassar a da China, aponta uma projeção do relatório.

Entre os 10 maiores países do mundo atualmente, um é em África (Nigéria), cinco na Ásia


(Bangladesh, China, Índia, Indonésia e Paquistão), dois na América Latina (Brasil e México),
um na América do Norte (EUA) e um na Europa (Federação Russa).

“Destes, a população da Nigéria, atualmente a sétima maior do mundo, é a que cresce mais
rapidamente”, afirmou o relatório. Consequentemente, a população da Nigéria deverá
ultrapassar a dos Estados Unidos em 2050, tornando-se na terceira maior do mundo.

O relatório também prevê que em 2020 as populações de seis países deverão ser superiores
a 300 milhões: China, Índia, Indonésia, Nigéria, Paquistão e Estados Unidos.

E com a maior taxa de crescimento de população, África deverá ser responsável por mais de
metade do crescimento da população mundial nos próximos 35 anos.

Durante este período, o relatório afirma que as populações de 28 países africanos deverão
crescer mais do que o dobro. Por sua vez em 2100, 10 países africanos deverão quintuplicar

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as suas populações: Angola, Burundi, República Democrática do Congo, Malawi, Mali, Níger,
Somália, Uganda, Tanzânia e Zâmbia.

“A concentração do crescimento de população nos países mais pobres representa um


conjunto de desafios, tornando mais difícil erradicar a pobreza e desigualdades, combater a
fome e subnutrição e expandir o acesso à educação e sistemas de saúde, que são essenciais
para o sucesso da nova agenda de desenvolvimento sustentável”, afirmou John Wilmoth,
Diretor da Divisão de População da ONU.

Em contraste às projeções de crescimento, é previsto um envelhecimento significante da


população nas próximas das décadas na maioria das regiões, começando pela Europa onde
34 por cento da população terá mais de 60 anos até 2050. Na América Latina, nas Caraíbas
e Ásia, a população com mais de 60 anos passará de 11/12 por cento atualmente para 25 em
2050.

Na sequência do relatório, a esperança de vida ao nascimento aumentou significativamente


nos países menos desenvolvidos nos últimos anos. Um ganho médio de seis anos na
esperança média de vida nos países mais pobres, de 56 anos em 2000-2005 para 62 anos em
2010-2015, quase o dobro do aumento registado no resto do mundo. Embora diferenças
significantes na esperança média de vida nas principais áreas e principais grupos de
rendimento deverão continuar, deverão ter uma queda significativa entre 2045 e 2050.

Factores que determinam o envelhecimento demográfico mundial

Em 2002, a ONU realizou em Madri a Assembléia Mundial das Nações Unidas sobre
envelhecimento, onde o objetivo era determinar medidas para que o idoso seja visto
positivamente e não como um encargo, o que resultou no plano internacional de ação para
o envelhecimento. Na verdade os idosos não representam apenas problemas para a
sociedade, de modo geral as pessoas estão vivendo mais e melhor, assim, os idosos podem
contribuir em suas experiências assumindo papeis importantes no mercado de trabalho, pois
muitos reformados continuam em plena atividade de trabalho.

A saúde e a qualidade de vida dos idosos, mais que em outros grupos etários, sofrem a
influência de múltiplos fatores físicos, psicológicos, sociais e culturais. Assim, avaliar e

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promover a saúde do idoso significa considerar variáveis de distintos campos do saber, numa
atuação interdisciplinar e multidimensional. O envelhecimento ativo depende de uma
diversidade de fatores determinantes que envolvem indivíduos, famílias e paises. A
compreensão das evidências que temos sobre esses fatores irá nos auxiliar a elaborar políticas
e programas que obtenham êxito nessa área. Qualidade de vida na velhice é uma avaliação
multimensional referenciada a critérios sócio normativos e intrapessoais, a respeito das
relações atuais, passadas e prospectivas entre o individuo maduro ou idoso e o seu ambiente.

A qualidade de vida na velhice dependente de muitos elementos em interação constante ao


longo da vida do individuo. Isto é, depende das condições físicas, ambiente, das condições
oferecidas pela sociedade, relativas a renda, saúde, educação formal e informal: da existência
de redes de relações de amizade e de parentesco, do grau de urbanização e das condições de
trabalho; das condições biológicas propiciadas pela genética, pela maturação, pelo estilo de
vida e pelo ambiente físico. A cultura é um fator determinante transversal dentro da estrutura
para compreender o envelhecimento ativo. A cultura que abrange todas as pessoas e
populações modela nossa forma de envelhecer, pois influencia todos os outros fatores
determinantes do envelhecimento ativo. Os valores culturais e as tradições determinam
muito como uma sociedade encara as pessoas idosas e o processo de envelhecimento.
Quando as sociedades atribuem sintomas de doença ao processo de envelhecimento, ela tem
menor probabilidade de oferecer serviços de prevenção, detecção precoce e tratamento
apropriado. A cultura é um fator chave para que a convivência com as gerações mais novas
na mesma residência seja ou não o estilo de vida preferido.

Para promover o envelhecimento ativo, os sistemas de saúde necessitam ter uma perspectiva
de curso de vida que vise à promoção da saúde, prevenção de doenças e acesso eqüitativo a
cuidado primário e de longo prazo de qualidade. Os serviços sociais e de saúde precisam ser
integrados, coordenados e eficazes em termos de custos. Não pode haver discriminação de
idade na provisão de serviços e os provedores destes devem tratar as pessoas de todas as
idades com dignidade e respeito. A promoção da saúde é o processo que permite às pessoas
controlar e melhorar sua saúde.

Os serviços de saúde mental, que desempenham um papel crucial no envelhecimento ativo,


deveriam ser uma parte integral na assistência em longo prazo. Deve-se dar uma atenção

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especial aos subdiagnósticos de doença mental (especialmente depressão) e às taxas de
suicídio entre idosos (OMS, 2001). Fatores psicológicos que são adquiridos ao longo do
curso da vida têm uma grande influência no modo como as pessoas envelhecem. A auto-
eficiência (a crença na capacidade de exercer controle sobre sua própria vida) está relacionada
às escolhas pessoais de comportamento durante o processo de envelhecimento e à
preparação para a aposentadoria. Saber superar adversidades determina o nível de adaptação
a mudanças, como a reforma, e a crises do processo de envelhecimento (privação e o
surgimento de doenças). Homens e mulheres que se preparam para a velhice e se adaptam a
mudanças fazem um melhor ajuste em sua vida depois de 60 anos. A maioria das pessoas
ficam bem-humorada à medida que envelhece e, em geral, os idosos não diferem muito dos
jovens no que se refere capacidade de solucionar problemas.

O lazer é o conjunto de ocupações as quais o indivíduo pode entregar-se de livre vontade,


seja para repousar, seja para divertir-se, recrear-se, e entreter-se, ou ainda, para sua
informação ou formação desinteressada, sua participação social voluntária ou livre
capacidade criadora após se livrar ou desembaraçar das obrigações profissionais, familiares e
sociais, reunindo as três funções do lazer: descanso; divertimento, recreação e
entretenimento; desenvolvimento pessoal. O bem-estar psicológico reflecte na avaliação
pessoal sobre as três áreas precedentes da capacidade do indivíduo para se adaptar às perdas
e da sua capacidade de se recuperar de eventos stressantes, tais como desemprego, doenças,
desastres, perdas de entes queridos, violência urbana, crises económicas, guerras e da sua
capacidade para assimilar informações positivas sobre si mesmo.

 FACTORES COMPORTAMENTAIS DETERMINANTES

Adopção de estilos de vida saudáveis e a participação ativa no cuidado da própria saúde são
importantes em todos os estágios da vida. Um dos mitos do envelhecimento é que é tarde
demais para se adotar esses estilos nos últimos anos de vida. Pelo contrário, o envolvimento
em atividades físicas adequadas, alimentação saudável, a abstinência do fumo e do álcool, e
fazer uso de medicamentos sabiamente podem prevenir doenças e o declínio funcional,
aumentar a longevidade e a qualidade de vida do individuo.

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A participação em atividades físicas regulares e moderadas pode retardar declínios funcionais,
além de diminuir o aparecimento de doenças crónicas em idosos saudáveis e doentes
crónicos. Por exemplo, uma atividade física regular e moderada reduz o risco de morte por
problemas cardíacos em 20 a 25% em pessoas com doenças do coração diagnosticada (Merz
& Forrester, 1997). Também pode reduzir substancialmente a gravidade de deficiências
associadas à cardiopatia e outras doenças crónicas.

Os problemas de alimentação em todas as idades incluem tanto a desnutrição (mais


frequente, mas não exclusivamente, nos países menos desenvolvidos) como o consumo
excessivo de caloria. Nos idosos, a desnutrição pode ser causada pelo acesso limitado a
alimentos, dificuldades socioeconómicas, falta de informação e conhecimento sobre
nutrição, escolhas erradas de alimento (alimentos ricos em gordura, por exemplo), doenças
e uso de medicamentos, perda de dentes, isolamento social, deficiências cognitivas ou físicas
que inibem a capacidade de comprar comida e prepará-la, situações de emergência e falta de
actividade física.

Repercussões sociais do envelhecimento demográfico

O envelhecimento da população é hoje um fenómeno universal, característico tanto dos


países centrais como, de modo crescente, dos países do Terceiro Mundo. Os fatores
responsáveis pelo envelhecimento são discutidos, e o processo conhecido por "transição
demográfica" tem sido abordado. As repercussões para a sociedade do progressivo
envelhecimento da população são consideradas, particularmente no que diz respeito à saúde.
A mudança do papel da mulher no mundo contemporâneo, o período de vida mais longo e
suas consequências, entre outros tópicos, fazem parte de uma discussão específica relativa à
mulher idosa.

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O envelhecimento da população é um facto preocupante na União Europeia, é um
continente onde as taxas de natalidade têm diminuído na maioria dos seus países e a
esperança média de vida tem aumentado consideravelmente, sendo já apelidada de “Europa
idosa”. Em Portugal verifica-se a mesma situação. As principais causas residem hoje na baixa
natalidade que se verifica entre os portugueses, que tem aumentado nos últimos anos e já
não assegura a renovação das gerações, e o aumento da longevidade, pelo que, actualmente,
o número de idosos ultrapassa o de crianças.

Quais as consequências do envelhecimento da população?

✓ Aumento das despesas com a saúde;


✓ A produtividade diminui, o espírito criativo e de iniciativa tão característicos dos
jovens também diminui;
✓ Aumento das despesas com a Segurança Social;
✓ Pagamento de reformas;
✓ Reduzido número de população ativa;

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✓ Novos gastos com a assistência: alojamentos adaptados à diminuição das suas
capacidades, passatempos e actividades adequados, ajudas familiares, assistentes
sociais.

Demografia Portuguesa: tendências na transição do


século XX para o século XXI

Dados sobre o envelhecimento demográfico da população Portuguesa

Para assinalar o Dia Mundial da População (11 de julho), o Instituto Nacional de Estatística
elegeu a análise de alguns indicadores demográficos relativos ao envelhecimento da
população, em Portugal e no contexto da União Europeia (UE 28).

O envelhecimento demográfico traduz alterações na distribuição etária de uma população


expressando uma maior proporção de população em idades mais avançadas. Esta dinâmica
é consequência dos processos de declínio da natalidade e de aumento da longevidade e é
entendida internacionalmente como uma das mais importantes tendências demográficas do
século XXI.

As alterações na composição etária da população residente em Portugal e para o conjunto da


UE 28 são reveladoras do envelhecimento demográfico da última década. Neste contexto,
Portugal apresenta no conjunto dos 28 Estados Membros:

➢ 5º valor mais elevado do índice de envelhecimento;


➢ 3º valor mais baixo do índice de renovação da população em idade ativa;
➢ 3º maior aumento da idade mediana entre 2003 e 2013.

Ainda de acordo com os dados divulgados naquele relatório, a proporção mundial de pessoas
com 60 e mais anos de idade aumentou de 9,2% em 1990 para 11,7% em 2013, e espera-se

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que continue a aumentar, podendo atingir 21,1% em 2050. Em valores absolutos, as
projeções das Nações Unidas apontam para que o número de pessoas com 60 e mais anos
de idade passe para mais do dobro, de 841 milhões de pessoas em 2013 para mais de 2 mil
milhões em 2050, e o número de pessoas com 80 e mais anos de idade poderá mais do que
triplicar, atingindo os 392 milhões em 2050.

A população idosa é predominantemente composta por mulheres porque estas tendem a


viver mais do que os homens.

Em 2013, a nível mundial, havia 85 homens por cada 100 mulheres no grupo etário dos 60
e mais anos, e 61 homens por cada 100 mulheres no grupo etário dos 80 e mais anos.

É expectável que este rácio aumente moderadamente nas próximas décadas, refletindo uma
melhoria ligeiramente mais rápida na esperança de vida dos homens nas idades avançadas.

Envelhecimento demográfico acentua-se em Portugal

Em resultado da queda da natalidade e do aumento da longevidade nos últimos anos,


verificou-se em Portugal o decréscimo da população jovem (0 a 14 anos de idade) e da
população em idade ativa (15 a 64 anos de idade), em simultâneo com o aumento da
população idosa (65 e mais anos de idade).

Entre 1970 e 2014, a proporção da população jovem diminuiu 14 pontos percentuais (p.p.),
passando de 28,5% do total da população em 1970 para 14,4% em 2014. Por sua vez, o peso
relativo da população idosa aumentou 11 p.p.,

passando de 9,7% em 1970 para 20,3% em 2014. A população em idade ativa aumentou 3
p.p. entre estes anos: 61,9% em 1970 e 65,3% em 2014.

O número de idosos ultrapassou o número de jovens pela primeira vez, em Portugal, em


2000, tendo o índice de envelhecimento, que traduz a relação entre o número de idosos e o
número de jovens, atingindo os 141 idosos por cada 100 jovens em 2014.

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Também o índice de dependência de idosos, que relaciona o número de idosos e o número
de pessoas em idade ativa (15 a 64 anos de idade), aumentou continuadamente entre 1970 e
2014, passando de 16 idosos por cada 100 pessoas em idade ativa em 1970, para 31 em 2014.

Por sua vez, o índice de renovação da população em idade ativa, que traduz a relação entre
o número de pessoas em idade potencial de entrada no mercado de trabalho (20 a 29 anos
de idade) e o número de pessoas em idade potencial de saída do mercado de trabalho (55 a
65 anos de idade), tem vindo a diminuir, com maior incidência nos últimos quinze anos:
desde 1999 que este índice tem diminuído continuadamente, tendo-se situado em 2010
abaixo de 100, para atingir 84 em 2014.

Pirâmides etárias (comparação de diferentes anos)

A estrutura etária da população é a distribuição dos indivíduos de uma população pelas


diferentes idades ou grupos de idades (classes etárias).

O estudo da estrutura etária é de grande importância pois, se existir tendência para o aumento
do número de jovens, pode ser necessário construir mais maternidades, escolas e infantários.
No caso de a população estar a envelhecer, é provável ter de se construir mais lares para a
terceira idade e reforçar o apoio médico.

Quando se estuda a estrutura etária da população tem-se em conta três grandes grupos
etários:

➢ jovens, dos 0 aos 14 anos;


➢ adultos, dos 15 aos 64 anos;
➢ idosos, com 65 ou mais anos.

O estudo é feito a partir de uns gráficos chamados pirâmides etárias: gráficos de barras que
representam a população por grupos de idade e sexo.

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Tipos de pirâmides etárias e características:

➢ Pirâmide Jovem: base larga, devido à elevada natalidade e topo estreito em


consequência de uma elevada mortalidade e esperança média de vida reduzida. As
pirâmides deste tipo representam populações muito jovens típicas dos países menos
desenvolvidos.

➢ Pirâmide envelhecida: base mais estreita do que a classes dos adultos. Reflecte uma
diminuição da natalidade e um aumento da esperança média de vida. É características
dos países desenvolvidos.

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Entre estes dois extremos existem situações intermédias:

➢ Pirâmide adulta: a base é ainda larga, mas existe um aumento da classe dos adultos
e dos idosos. A taxa de Natalidade está a diminuir e a esperança média de vida a
aumentar.

➢ Pirâmide rejuvenescida: reflecte alguma recuperação das classes etárias dos jovens
em virtude do aumento da fecundidade.

Esperança média de vida e os fatores que contribuem para o seu aumento

A esperança média de vida define-se como o número médio de anos que um indivíduo de
idade x esperaria viver a partir desta idade, se estivesse sujeito a uma lei de mortalidade

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observada. Particularmente, se x = 0, tem-se a expectativa de vida ao nascer. Ou seja, a
expectativa de vida ao nascer é o número de anos que se calcula que um recém-nascido pode
viver caso as taxas de mortalidade registadas da população residente, no ano de seu
nascimento, permaneçam as mesmas ao longo de sua vida. A mesma fórmula é utilizada para
o cálculo de sobrevida de uma pessoa aos 60 anos, por exemplo

A expectativa de vida ao nascer é calculada considerando, além da taxa de mortalidade, a


expectativa de sobrevida da população residente na região em que o individuo nasceu.
Fatores como saúde, educação, situação socioeconômica, criminalidade, e poluição, entre
outros, são determinantes para uma maior expectativa de vida.

Nesse sentido, o aumento da expectativa de vida da população está associado a melhoria das
condições de vida dessa população. Políticas públicas e avanços tecnológicos promovem
essas melhorias, tais como:

➢ Os cuidados com gestantes (acompanhamento pré-natal), bem como o


acompanhamento do recém-nascido e o aleitamento materno diminuem as taxas de
mortalidade infantil;
➢ Escolarização
➢ Campanhas de vacinação
➢ Saneamento básico
➢ Avanços na medicina
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A expectativa de vida ao nascer é utilizada para cálculo previdenciário, seguro de vida e é um
dos índices que compõe o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). A partir desses
índices, e de projeções calculadas a partir dele, políticas públicas devem ser estudadas e
elaboradas para que sejam atendidas as necessidades da população no presente e no futuro.

Factores que contribuem para o índice de envelhecimento

Declínio da taxa de natalidade: reduzem-se as probabilidades de nascimento e a não


renovação de gerações – inferior a 2,1 nascimentos (este aspecto não pode ser dissociado da
emigração) e a desertificação demográfica de algumas áreas do país, decréscimo da taxa de
mortalidade; aumento da esperança média de vida.

Consequências demográficas: Diminuição da taxa de natalidade, não renovação das


gerações, envelhecimento da população.

O aumento do índice de envelhecimento tem reflexos nos índices de dependência. Assim,


verifica-se que o índice de dependência total diminuiu de 50 indivíduos, em 2011, para 48,
em 2015, situando-se, em 2016, em 48,6 indivíduos. No entanto, este declínio deveu-se
exclusivamente à diminuição do número de jovens. Assim, o índice de dependência jovem
foi de 23,1 indivíduos, uma vez que a relação de idosos na população potencialmente activa
passou para 25,4 indivíduos.

Em consequência deste aumento da esperança média de vida, prevê-se que a idade


média da população aumente cerca de 2 anos para as mulheres e 2,5 para os homens, em
2018, o que poderá traduzir-se numa esperança média de vida de 84,7 anos para as mulheres
e 79 anos para os homens.

O envelhecimento da população portuguesa vai estabilizar apenas em 2049, revelam as


últimas projeções do Instituto Nacional de Estatística (INE) até 2080. As contas do INE
foram feitas para três cenários: pessimista, otimista e médio.

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O número de idosos passará de 2,1 para 2,8 milhões entre 2017 e 2080. Face ao
decréscimo da população jovem, a par do aumento da população idosa, o índice de
envelhecimento mais do que duplicará, passando de 147 para 317 idosos por cada 100 jovens
em 2080.

O índice de envelhecimento só tenderá a estabilizar perto de 2060, quando as gerações


nascidas num contexto de níveis de fecundidade abaixo do limiar de substituição das gerações
– isto é, cerca de 2,1 filhos por mulher – já se encontrarem no grupo etário igual ou superior
aos 65 anos.

O aumento do índice de envelhecimento tem reflexos nos índices de dependência. Assim,


verifica-se que o índice de dependência total diminuiu de 50 indivíduos, em 1991, para 48,
em 2001, situando-se, em 2005, em 48,6 indivíduos. No entanto, este declínio deveu-se
exclusivamente à diminuição do número de jovens. Assim, o índice de dependência jovem
foi de 23,1 indivíduos, uma vez que a relação de idosos na população potencialmente activa
passou para 25,4 indivíduos

O aumento da esperança média de vida gerou um crescimento acentuado da população


idosa, o que criou problemas, devido à falta de preparação da sociedade para esta realidade.
Como se pode verificar, por exemplo, ao nível dos setores – social e da saúde.

Para melhor compreendermos esta realidade é importante perceber as diversas etapas de


desenvolvimento do ser humano que se podem analisar através das inerentes tarefas
biopsicossociais.

Tarefas de desenvolvimento: são as que o indivíduo deve cumprir para garantir o seu
desenvolvimento e consequente ajustamento psicológico e social.

São tarefas com as quais o indivíduo satisfaz as suas necessidades pessoais e garante o
desenvolvimento e manutenção de padrões sociais e culturais, sustentando assim o seu
progresso social e cultural e consequente bem-estar. Diversos autores se referem a estas
tarefas como “lições” que as pessoas devem aprender ao longo da sua existência para se
desenvolverem de forma satisfatória e terem êxito na vida.

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As tarefas não são, portanto, estanques em cada etapa, embora algumas sejam
preferencialmente típicas de uma determinada fase. Em cada fase todas se relacionam entre
si e o prejuízo numa das tarefas pode comprometer o desenvolvimento futuro dessa tarefa
ou de outras. Assim, como o individuo, a família passa também por estágios de
desenvolvimento, conduzindo ao crescimento e à transição para um novo nível necessário e
importante no ciclo vital:

➢ Formação do casal
➢ Família com filhos pequenos;
➢ Família com filhos na escola;
➢ Família com filhos adolescentes
➢ Família com filhos adultos

Há uma expectativa social de que as pessoas cumpram com êxito as tarefas de cada fase de
desenvolvimento do ciclo vital. Na última parte do ciclo também a pessoa idosa tem tarefas
de desenvolvimento a cumprir, de modo a ser feliz e a ter qualidade na sua vida.

Estereótipos, mitos e representações sociais da


população idosa

Conceito de estereótipo (estereótipo positivo e negativo)

Pode dizer-se que o estereótipo é um conceito, ideia ou modelo de imagem atribuída às


pessoas ou grupos sociais, muitas vezes de maneira preconceituosa e sem fundamentação
teórica.

Em resumo, os estereótipos são impressões, “rótulos” criados de maneira generalizada e


simplificada pelo senso comum.

Foi com o desenvolvimento das sociedades, que os estereótipos foram se criando e


padronizando diversos aspectos relacionados ao ser humano e suas ações.

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De tal modo, esses modelos ou clichês foram se repetindo com o passar do tempo,
resultando em padrões impessoais e ideias preconcebidas.

São reproduzidos pelas culturas e veiculados em diversos meios, tal qual a televisão, internet,
e muitas vezes são representados em programas humorísticos.

Geralmente, utilizamos os estereótipos de maneira inconsciente, já que são conceitos


relacionados com a história, geografia, culturas e crenças de diversas sociedades

Note-se que esses modelos de estereótipos estão relacionados, sobretudo, aos aspectos
físicos, por exemplo, quando vemos uma menina vestida de maneira mais masculina, logo
intuímos que ela é homossexual. No entanto, essas apreciações são erróneas e de teor
depreciativo e preconceituoso. Embora os estereótipos possam apresentar apreciações
positivas ou negativas, quase sempre integram aspectos negativos.

Segundo o dicionário de português online, o termo estereótipo derivou da arte gráfica da


estereotipia, designando a chapa que era usada para esse tipo de impressão e foi gradualmente
assumindo o sentido que atualmente lhe associamos: o de um comportamento ou traço
(psicológico, social) fixo, que assume um caráter geral. Daí a palavra ser utilizada atualmente
com a conotação de "ideia preconcebida" ou "preconceito" com que se classifica algo ou
alguém, geralmente a partir de julgamentos ou expectativas a priori.

Sendo de bom tom, lembrar que o termo estereótipo, segundo a infopedia online, provém
do grego e é curiosamente uma palavra formada pela união dos vocábulos “stereos” (sólido)
e “typos” (impressão, molde) que significa “impressão sólida”.

Mitos mais comuns sobre a população idosa


Os sete mitos mais comuns sobre os idosos:

➢ A maioria das pessoas idosas é senil ou doente;

➢ A maior parte dos idosos é infeliz;

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➢ No que se refere ao trabalho, as pessoas idosas são menos produtivas do que os jovens;

➢ A maior parte dos idosos está doente e tem necessidade de ajuda para as suas atividades
quotidianas;

➢ Os idosos mantêm obstinadamente os seus atos de vida, são conservadores e incapazes


de mudar;

➢ Todas as pessoas idosas se assemelham;

➢ A maioria das pessoas idosas está isolada e sofre de solidão.

O envelhecimento é um processo que está repleto de concepções falsas, medos, crenças,


mitos e preconceitos.

“O nosso inconsciente ignora a velhice, alimenta a ilusão da eterna juventude.” (Simone de


Beauvoir)

Apresentamos de seguida, alguns mitos e respectivos factos:

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MITO:

 A velhice começa aos 65 anos; O reformado passou a uma fase de não produtividade;

FACTO:

 A velhice não começa numa idade cronológica uniforme, mas sim variável e
individualizada; A não produtividade pode interpretar-se de diversas formas, dependendo
das circunstâncias de cada indivíduo;

MITO:

 Progressivo afastamento dos interesses; Os mais velhos acham-se muito limitados


nas suas aptidões da vida;

FACTO:

 Muitas pessoas não só continuam interessadas nos diversos planos sociais e


familiares, como também é nesta etapa que participam ainda mais; Os mais velhos têm muitas
faculdades vitais;

MITO:

 Os mais velhos são inflexíveis e incapazes de mudar e adaptar-se a novas situações;


O envelhecimento vem acompanhado da perda de memória. A inteligência diminui;

FACTO:

 Muitos não só são capazes de adaptar-se continuamente a novas situações, mas


ensinam-nos através do seu exemplo; A perda de memória pode existir em qualquer Idade.
Existe modificação;

MITO:

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 O envelhecimento é uma etapa totalmente negativa; O mais velho é conservador e
defensor da tradição; Envelhecer implica ter que renunciar á sexualidade, perde o interesse e a
capacidade sexual;

FACTO:

 O envelhecimento é uma etapa vital peculiar; Cada pessoa reflete a essência da sua
personalidade á medida que cumpre os seus anos; Com a idade não desaparece a sexualidade.
Ocorre redução da frequência, falta de interesse, de parceiros;

MITO:

 O velho não aprende, é desatento, não presta atenção a nada; “Caduco…” Velho não
tem futuro. Já deu o que tinha para dar; “Isso já não é para a minha idade…”

FACTO:

 Aprendem e prestam atenção ao que lhes interessa, ao que corresponde às suas


necessidades, aos seus anseios; As pessoas devem preparar-se para envelhecer, fazer planos
e projetos. O projeto da vida pressupõe criatividade, autonomia, educação permanente;

Atitudes negativas mais comuns para com a pessoa idosa

Podemos observar dois lados (positivo e negativo) do envelhecimento e podemos optar


pela perspectiva que nos beneficia e beneficia os demais.

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Em relação à memorização, com o envelhecimento, aumenta a dificuldade em recordar
factos mais recentes e mantém-se a capacidade de recordar factos do passado longínquo.
Pela positiva, o aspecto mais valorizado na idade avançada é a sabedoria, a capacidade de
observar, a perspicácia, a habilidade de comunicação e julgamento (é fonte de bons
conselhos, compreensivo, capaz de entender a vida, apto a abranger todas as opiniões numa
decisão e competente a pensar cuidadosamente antes de decidir). Mas, de facto, o
envelhecimento físico ganha especial relevo porque a vivência da velhice faz-se, em grande
parte, pelas condições corporais. Portanto, existem fatores que tornam as pessoas mais
vulneráveis na vivência da idade avançada: deterioração da saúde, problemas de memória,
mobilidade e relacionamento social.

Barreiras e facilitadores atitudinais


Uma barreira ou um obstáculo é um objecto, coisa, acção ou situação que causa um
impedimento, cria uma dificuldade, um incómodo ou um transtorno para se alcançar
objectivos concretos.

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Como barreiras arquitetónicas podem-se enumerar todas aquelas barreiras físicas que se
interpõem a uma ação e que impedem o progresso ou a consecução de um objetivo concreto.
São exemplos:

➢ as barreiras arquitetónicas que dificultam a acessibilidade de pessoas com mobilidade


reduzida, como idosos, gestantes, crianças e deficientes físicos;
➢ as portas, portões e sistemas de controles de acesso a moradias, prédios,
estabelecimentos comerciais e até cidades, para impedir a entrada de intrusos ou
invasores;
➢ as cancelas, portões ou barreiras que regulam o acesso de entrada e saída de veículos
em estacionamentos controlados;

A melhoria das condições de vida de qualquer comunidade humana é desafiada


constantemente pela necessidade de tecnologias ainda inacessíveis ou inexistentes, que
podem ser adquiridas de outras comunidades que já as tenham desenvolvido, ou por
desenvolvimento autóctone, devendo-se suplantar, em ambos os casos, barreiras como as
seguintes:

➢ na transferência de tecnologia entre diferentes países, a capacidade de negociação


comercial e diplomática com os países fornecedores das novas tecnologias almejadas;
➢ no desenvolvimento autóctone, o nível educacional da comunidade ou do país, o
acervo de informações especializadas a que tem acesso, a sua base tecnológica e
industrial, o nível institucional da sua capacidade de pesquisa, desenvolvimento e
inovação científico-tecnológica e o nível de colaboração internacional praticado.

As barreiras à acessibilidade prejudicam a igualdade de oportunidades, favorecem a


discriminação e acentuam preconceitos. Os arquitectos têm um papel decisivo no assunto,
mesmo assinalando que a legislação portuguesa sobre normas técnicas de mobilidade tem
falhas técnicas graves, o período de adaptação de instalações não foi cumprido e a fiscalização
é inexistente.

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O planeamento urbano e o acto de projectar (quer do espaço público, quer do edificado) não
pode ficar indiferente à mobilidade dos idosos, das pessoas com deficiências, das crianças,
das grávidas, de pessoas com carrinhos de bebé, de pessoas com sacos de compras, enfim,
de todas as pessoas que não correspondam às dimensões normalizadas, que efectivamente
não servem a maior parte da população.

Urge criar soluções em vez de somente se tentar adaptar.

Projectar para o homem médio pode resultar num projecto «deficiente», pois as aptidões
funcionais variam, tendencialmente, em cada indivíduo e ao longo da sua vida.

Se as normas de acessibilidade só forem consideradas numa fase adiantada do projecto, dada


a complexidade dos temas que comportam, poderá estar comprometida a qualidade da
solução final.

A criação de condições especiais, para que um cidadão com deficiência tenha a possibilidade
de construir uma vida independente, não deveria consistir em adaptações de espaços mas
sim significar a criação de soluções que permitam uma vivência diária junto dos familiares,
nos empregos, nas escolas, nos transportes, nos espaços públicos urbanos, no edificado
colectivo e na habitação, etc., sem constrangimentos, permitindo que estes grupos de pessoas
possam tomar as opções que qualquer cidadão toma, seja ou não portador de limitações.

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Algumas destas incapacidades podem significar limitações, parciais ou totais, no andar, na
agilidade, na audição, na visão, ou até no tratamento da informação por diminuição das
funções do sistema cognitivo.

As vilas e as cidades oferecerão uma mobilidade adequada quando “estiverem preparadas


para que duas pessoas possam circular com o guarda-chuva aberto sem ter de se desviar uma
da outra” (in Rede Nacional de Cidades e Vilas com Mobilidade para Todos). Neste sentido,
torna-se necessário adequar o desenho urbano, não só para pessoas portadoras de deficiência,
mas para todos de modo geral. Existe um elevado número de pessoas que todos os dias se
depara com grandes dificuldades ou se vê impossibilitado de frequentar locais públicos, quer
devido ao conjunto de obstáculos existentes na via pública, quer devido à falta de condições
de acesso e de circulação, tanto nas ruas, como nos edifícios de utilização colectiva. Existem
barreiras que constituem obstáculos, como passeios mal dimensionados, mobiliário urbano,
postes de eletricidade, sinais de trânsito, árvores e floreiras, ilhas ecológicas e contentores do
lixo que são aplicados nos passeios roubando deste modo espaço aos peões. Tudo isto
dificulta qualquer tipo de mobilidade, especialmente das pessoas com mobilidade reduzida
(crianças, idosos, grávidas, pessoas temporariamente doentes e os deficientes). O comércio
também é considerado causador dessas barreiras, mediante a colocação no passeio da sua
mercadoria, bem como esplanadas mal organizadas. As cidades do presente e do futuro,
devem ser cidades, onde a mobilidade é permitida a todos os que nela residem, trabalham ou
estudam. Assim sendo, a abolição das barreiras arquitectónicas, constitui um objectivo de
carácter primordial e a única via para tornar as nossas cidades adequadas a todos os cidadãos,
sem discriminação de qualquer natureza.

O ambiente sócio-físico é o principal gerador das dificuldades que se impõem à livre


circulação de indivíduos ou grupos. Tais empecilhos podem ser: físicos, comunicacionais,
sociais e/ou atitudinais.

Também podemos citar como exemplo calçadas com degraus (dificultando a circulação de
pedestres), portas estreitas, rampas com inclinação exagerada, dentre tantos outros que
infelizmente ainda encontramos em nossas cidades.

Um estudo do Observatório da Deficiência e Direitos Humanos da Universidade de Lisboa


mostra que a velha máxima “Todos diferentes todos iguais” ainda não é uma realidade e que

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as pessoas com deficiência são confrontadas diariamente com barreiras à sua participação na
vida cívica e política.

Falta de acessibilidade dos edifícios, transportes e comunicações, falta de apoios à vida


independente e preconceitos são os principais problemas que as pessoas com deficiência
enfrentam no dia a dia.

Por outro lado, há muitas pessoas com deficiência impedidas de exercer o seu direito de voto,
como é o caso dos invisuais. Estes indivíduos têm que ser acompanhados por pessoas da sua
confiança, que votam por eles, porque não há voto eletrónico, nem boletins em Braille.

Ajustamentos psicossociais nos idosos

Ajustamento pessoal e social - factores influenciadores

Ajustamento social é a capacidade que um indivíduo tem de procurar a harmonia na


sociedade em que vive. O ajustamento social é quando o ser humano tem determinados
comportamentos dentro da sociedade, de forma a adequar-se a ela, sem nenhum tipo de
conflito.

É o processo que faz com que as pessoas se integrem e se adaptam à sociedade, e esse mesmo
processo contribui para a manutenção da ordem social. Quando a pessoa se adapta no
ambiente significa que ela admitiu e interiorizou os valores e símbolos da sociedade.

A velhice é considerada a última fase do desenvolvimento humano e representa o conjunto


de efeitos de fatores biológicos, psicológicos e socioculturais. Dentre as inúmeras alterações
correspondentes a esta etapa estão as perdas fisiológicas, as modificações em algumas
habilidades cognitivas, tais como na memória de trabalho, na velocidade de pensamento e
em habilidades visuoespaciais. O envelhecimento psicológico tem relação com o esforço
pessoal contínuo na procura do autoconhecimento e do sentido da vida, possibilitando uma
redução da vulnerabilidade nesta fase

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As ocorrências das alterações vivenciadas na velhice fizeram emergir inúmeros estereótipos
e ideias preconcebidas acerca do declínio funcional e das modificações biopsicossociais que
ocorrem nesse período. Nesse sentido, o envelhecer e ser idoso estão ligados a uma
denominação depreciativa, o que pode propiciar, a partir desta visão, o aparecimento de
crenças negativas a respeito dessa fase da vida.

O bem-estar psicológico pode ser entendido como a percepção da própria pessoa acerca do
ajustamento emocional e social em relação aos desafios da vida. Com base em pesquisas e
inúmeros estudos, Ryff (1989) propôs um modelo multidimensional de bem-estar
psicológico composto por seis dimensões, a saber: autoaceitação, que se refere a ter atitudes
positivas em relação a si e à vida; relação positiva com outros, definida como uma relação
satisfatória com os outros; autonomia, que diz respeito à resistência às pressões sociais; e
avaliação de si com base nos próprios padrões; domínio sobre o ambiente, que se relaciona
com a habilidade de escolher ou controlar ambientes apropriados à condição física; propósito
na vida, que diz respeito ao senso de significado da vida; e crescimento pessoal, que está
associado ao senso de realização e desenvolvimento do próprio potencial.

O senso de ajustamento psicológico é constituído a partir da interação entre as


oportunidades, as condições vividas pelo indivíduo (saúde, trabalho, moradia, educação), a
maneira pessoal como cada um organiza seu conhecimento e responde às necessidades
individuais, sociais e às demandas ambientais. Assim sendo, as experiências vividas pelo
indivíduo no contexto social, profissional e emocional influenciam no bem-estar psicológico.

Nesse sentido, os preconceitos e estereótipos em relação à velhice influenciam nas crenças


que os idosos têm sobre o próprio processo de envelhecimento, nas suas atitudes e
consequentemente pode interferir no bem-estar dos mesmos. A questão central deste estudo
é verificar se os idosos com atitudes positivas em relação à velhice também apresentam um
senso positivo de bem-estar psicológico. Supomos que tais atitudes em relação à velhice
funcionam como um recurso de enfrentamento diante das perdas e incapacidades dessa fase,
favorecendo um senso positivo de ajustamento psicológico.

São três as teorias sobre o envelhecimento psicossocial:

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Teoria do desengajamento ou afastamento: Vê o envelhecimento como um processo de
afastamento ou retirada da vida; O envelhecimento é acompanhado por um desmembrar
entre o indivíduo e a sociedade. Quando a desinserção é geral, o indivíduo modifica o seu
sistema de valores. A perda do papel que desempenha na sociedade, a perda de relações
pessoais e sociais acabam por tornar-se situações rotineiras e normais. Verifica-se que a
diminuição da satisfação da vida é proporcional à diminuição das atividades diárias.

Teoria da atividade: afirma que a sociedade deve ter as mesmas expectativas em relação ao
idoso que tem para um adulto de meia-idade; Existe um consenso sobre a relação entre as
atividades sociais e a satisfação vivida. A velhice deve ser bem planeada e sucedida
pressupondo a descoberta de novos papéis de modo a manter a autoestima para obter maior
satisfação na vida. Tudo isto leva a hipótese de que a sociedade deve conservar a saúde
valorizando o avançar da idade.

Teoria da continuidade: também conhecida como teoria de desenvolvimento do


envelhecimento porque lida com os padrões desenvolvimentais do individuo, ao longo da
vida; Afirma que o sucesso do envelhecimento depende da capacidade de cada um para
manter e continuar os padrões de comportamento anteriores. O envelhecimento é uma parte
integral e funcional do ciclo de vida. O indivíduo idoso tem todas as possibilidades de manter
todos os seus hábitos de vida, preferências, experiências e compromissos construídos
durante a vida.

Fala-se do envelhecimento como se tratando de um estado tendencialmente classificado de


“terceira idade” ou ainda “quarta idade”. No entanto, o envelhecimento não é um estado,
mas sim um processo de degradação progressiva e diferencial. Ele afeta todos os seres vivos
e o seu termo natural é a morte do organismo. É, assim, impossível datar o seu começo,
porque de acordo com o nível no qual ele se situa (biológico, psicológico ou sociológico), a
sua velocidade e gravidade variam de indivíduo para indivíduo.

Funcionamento psicológico – factores para um bom funcionamento

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Tendo em conta a necessidade de cumprir as tarefas ou, como defendia Erikson, a virtude
de cada fase de desenvolvimento do ciclo vital, é imperioso atentar nas principais tarefas de
cada fase, para podermos garantir satisfação ao longo de todas as fases desenvolvimentais,
pois se algo não se cumpre no passado, posteriormente haverá que lidar com a tarefa que
terá ficado por cumprir.

Em traços largos, devemos principalmente atentar nas tarefas básicas e de acordo com a fase
a que diz respeito.

Infância:

➢ tarefa básica:

 Dominar a leitura e a escrita

Servirá de instrumento para a sua independência, para uma comunicação mais ampla e
efectiva, que posteriormente facilitará as escolhas de formação e profissionais.

Adolescência:

➢ tarefa básica:

 Formação pessoal, emancipação

Relacionam-se com a fase anterior e prolongam-se para o período subsequente.


Permite a autonomia e independência.

Idade Adulta:

➢ tarefas básicas:

 Responsabilidades cívicas e sociais;

 Estabelecer e manter um padrão económico de vida;

 Educar os filhos para que sejam futuros adultos responsáveis e felizes;

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 Desenvolver actividades de lazer;

 Relacionamento com o cônjuge;

 Aceitar e ajustar-se às mudanças físicas da meia-idade e ajustar-se aos pais idosos.

Idade Avançada/ velhice:

➢ tarefas básicas:

 Ajustar-se ao decréscimo da força física e saúde;

 Ajustar-se à reforma e potencial ócio;

 Ajustar-se à eventualidade das perdas de entes queridos;

 Conviver com pares e outros formatos de interacçao social;

 Manter obrigações sociais e cívicas, assim como investir na saúde, exercício físico
e prazeroso de forma a garantir satisfação para viver bem a idade avançada.

Cumprir todas as tarefas é importante, como é importante também que os idosos contem
com o apoio da família, da sociedade e dos profissionais que actuam nas diferentes áreas
importantes para a idade avançada. Sob estes desígnios, a fase de desenvolvimento da idade
avançada será vivida com sucesso e os indivíduos poderão usufruir do prazer de ser e de
viver, podendo ainda contribuir para o bem comum, para um mundo mais sábio e tolerante.

Tarefas evolutivas

Podemos compreender que para um desenvolvimento saudável, não somente as tarefas


básicas de cada fase de desenvolvimento devem ser cumpridas, mas também as tarefas
evolutivas que correspondem a cada fase de desenvolvimento. As tarefas evolutivas são
portanto, as que o indivíduo deve cumprir para garantir o seu desenvolvimento e
consequente ajustamento psicológico e social.

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São tarefas com as quais as pessoas satisfazem as suas necessidades individuais e
garantem o desenvolvimento e manutenção de padrões sociais e culturais.

Desta forma dão sustentação ao progresso social e cultural e em consequência ao bem-estar


do indivíduo.

 Prioridades / Investimento pessoal

 Expectativas quanto ao futuro/ realizações e metas

Jovem adulto:

➢ Adquirir competências

Envolve o desenvolvimento das capacidades intelectuais e sociais, assim como das


habilidades físicas e manuais.

➢ Gerir sentimentos

Consciencializar os seus sentimentos.

➢ Tornar-se autónomo

Deve conseguir realizar atividades e resolver problemas, sem a ajuda de terceiros.

➢ Estabelecer uma identidade

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Conhecer-se, saber quem é, e ter confiança em si próprio.

➢ Clarificar objetivos

Estabelecer planos e prioridades.

➢ Desenvolver a integridade

Estabelecer valores pessoais e agir de acordo com eles.

➢ Desenvolver amizade adulta

São mais difíceis de serem mantidas, diferentes daquelas que foram vividas na adolescência.

➢ Tarefa da parentalidade biológica e psicológica

Casar, ter filhos e criar os filhos pequenos.

➢ Formação de uma identidade profissional adulta

Encontrar um lugar gratificante no mundo do trabalho.

Mudanças no campo dos interesses e sistema de valores

Os avanços ocorridos nas ciências, são responsáveis pelo aumento na expectativa da vida da
população que caminha para o envelhecimento. Há a preocupação em manter hábitos que
garantam uma velhice saudável.

Nesta etapa de vida, verifica-se um “regresso” afetivo à família, o individuo deixa de estar
tão centrado em si próprio para se dedicar a construir e a manter a sua família.

Casamento e os seus ajustamentos

O estabelecimento de uma relação de compromisso é uma tarefa esperada socialmente.

Esta tarefa começa com a escolha de um companheiro_casamento_gestão do casamento


(papeis conjugais).

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Carreira profissional e os seus ajustamentos

A ocupação profissional abrange uma grande parte do ciclo de vida e influência todas as
restantes áreas (vida familiar, conjugal).

O início da vida adulta é marcado pela entrada no mercado do trabalho e início da carreira
profissional.

A forma como o indivíduo se vê, depende, em grande parte, da ocupação profissional. Esta
pode ser fonte de satisfação ou pelo contrário de stress e insatisfação.

Família e seus ajustamentos

Construir uma família é outra das tarefas que se espera que o jovem adulto cumpra. Depois
do casamento há uma expectativa social de o casal tenha filhos.

A experiência da maternidade/paternidade, inicia-se na gravidez e dependendo da forma


como esta é vivida, pode gerar sentimentos positivos (orgulho, sentir-se especial) ou
sentimentos negativos (medo, cansaço, temer as responsabilidades).

O nascimento de um filho traz grandes mudanças, novos desafios e aprendizagens, é a


passagem do casal a família.

Assumir novas responsabilidades, cuidar, proteger e educar um novo ser conduz a


modificações no jovem adulto quer a nível dos valores, interesses e participação na sociedade,
assim como na sua personalidade.

O adulto (na meia idade):

➢ Orientar a geração futura (relacionamento com os filhos),

➢ Apoiar a geração ascendente (ou seja, inversão dos papeis relativamente aos pais,
cuidadores passam a ser cuidados),

➢ Reavaliação dos relacionamentos,

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➢ Aceitação do corpo que envelhece (ex. menopausa / andropausa)

A vida familiar dos adultos da meia-idade caracteriza-se assim pela:

➢ Saída dos filhos de casa (jovem adultos), para formar novas famílias.

➢ Necessidade de cuidar dos pais idosos.

➢ Entrada de novos elementos para a família (genros/noras).

➢ Assumir novos papéis, tornar-se avós.

Este novo papel social dá um novo significado à vida do indivíduo, implica um novo
envolvimento com o passado, transmite um sentimento de imortalidade pessoal, passando
pelo “estragar os netos”.

Os avós podem assumir diferentes tipos de interações com os netos: companheiros,


distantes ou mais presentes.

O casal que se manteve junto ao longo das diferentes etapas do ciclo de vida familiar, vai
encontrar grandes diferenças na sua relação conjugal. Consoante o casal tenha ou não
aprofundado a sua relação conjugal (como casal) ou longo dos anos, e tenha ou não

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enriquecido a relação conjugal ao longo dos anos e tenha ou não acompanhado de perto a
evolução pessoal que cada um dos cônjuges fará desde que se conheceram, namoram,
casaram, tiveram filhos e os criaram, até ao momento presente de casal de meia-idade.

Os casais cuja força organizadora se centrava na educação dos filhos, terá de fazer um
reajustamento conjugal mais acentuado nesta fase.

Uma tarefa com que os casais se deparam consiste em reencontrar um equilíbrio na sua
relação. É necessário fazer um balanço da relação a dois, analisando o projeto de vida
conjunta que tinham e o que pretendem alcançar no futuro.

Exige uma reflexão sobre o sentido de família e de conjugalidade.

As tarefas não são estanques em cada etapa, embora algumas sejam preferencialmente
típicas de uma determinada fase. Em cada fase todas elas se relacionam entre si e o prejuízo
numa das tarefas pode comprometer o desenvolvimento futuro dessa tarefa ou de outras.

Nesta fase de vida acontece:

➢ Aceitação do corpo que envelhece;

➢ Aceitação da limitação do tempo e da morte pessoal;

➢ Manutenção da intimidade; Reavaliação dos relacionamentos;

➢ Relacionamentos com os filhos: deixar ir, atingir igualdade, integrar novos membros;

➢ Relação com seus pais: inversão de papéis, morte e individuação;

➢ Exercício do poder e posição: trabalho e papel de instrutor;

➢ Novos significativos, habilidades e objetivos dos jogos na meia-idade; Preparação


para a velhice

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