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MANUAL

DE APOIO

Curso/Unidade: Formador/a:
Adaptação/modificação de contextos
e materiais em função do idoso
Código da Unidade (se aplicável): Carga horária:
8905 25h
Índice
Objetivos ............................................................................................................................................3
Conteúdos..........................................................................................................................................4
2 Barreiras arquitetónicas e tecnológicas – implicações na funcionalidade do idoso..................6
Barreiras arquitetónicas e tecnológicas – características ................................................6
Barreiras arquitetónicas e tecnológicas consoante o problema de cada idoso .........7
Levantamento das barreiras arquitetónicas e tecnológicas ......................................... 10
CIF (Classificação Internacional de Funcionalidade) .................................................. 12
Higiene e segurança ........................................................................................................................ 13
Limpeza das instalações ........................................................................................................ 13
Limpeza e desinfecção do quarto........................................................................................ 15
Limpeza e desinfeção das instalações sanitárias ............................................................ 19
Limpeza e desinfeção das cozinhas ................................................................................... 23
Limpeza e desinfeção de outras instalações .................................................................... 25
Organização do espaço .......................................................................................................... 25
Acidentes e quedas na população idosa ....................................................................................... 28
Contextos e acidentes/quedas ............................................................................................. 28
Intoxicações na população idosa ........................................................................................ 31
Ergonomia ....................................................................................................................................... 33
Conceito e relação com a população idosa....................................................................... 33
Adaptações ergonómicas ....................................................................................................... 36
Utilização de ajudas técnicas de apoio à mobilização e marcha e suas funções .................... 38
Andarilho/Canadianas/ Bengalas e pirâmides/ Muletas e auxiliares/ Cadeira de
rodas............................................................................................................................................. 38
Tecnologias de apoio e ajudas técnicas para a pessoa idosa com: ........................................... 41
Deficiência motora .................................................................................................................. 41
Deficiência visual ..................................................................................................................... 46
Problemas de comunicação .................................................................................................. 50
Dificuldade intelectual e desenvolvimental (deficiência mental) .............................. 51
Avaliação e modificação do ambiente .......................................................................................... 52
Bibliografia..................................................................................................................................... 55
Objetivos

✓ Reconhecer barreiras arquitetónicas em função da funcionalidade do idoso.

✓ Descrever e executar as medidas de higiene e segurança nos diferentes contextos


de atuação do técnico de geriatria.

✓ Identificar e usar tecnologias de apoio e ajudas técnicas.

✓ Caracterizar os meios técnicos auxiliares de apoio à mobilização e marcha.

✓ Analisar as consequências resultantes dos acidentes e quedas.

✓ Avaliar e adequar o ambiente envolvente, de acordo com as orientações da


equipa técnica.
Conteúdos

✓ Barreiras arquitetónicas e tecnológicas – implicações na funcionalidade do idoso

4 ➢ Barreiras arquitetónicas e tecnológicas – características


➢ Barreiras arquitetónicas e tecnológicas consoante o problema de cada idoso
(problemas físicos, intelectuais, entre outros)
➢ Levantamento das barreiras arquitetónicas e tecnológicas
➢ CIF (Classificação Internacional de Funcionalidade)

✓ Higiene e segurança

➢ Limpeza das instalações (dependendo do local – quarto, cozinha, instalações


sanitárias…)
➢ Organização do espaço (prevenção de acidentes – potenciação da capacidade de
adaptação do idoso – economização de energia)

✓ Acidentes e quedas na população idosa

➢ Contextos e acidentes/quedas
➢ Intoxicações na população idosa

✓ Ergonomia

➢ Conceito e relação com a população idosa


➢ Adaptações ergonómicas
✓ Utilização de ajudas técnicas de apoio à mobilização e marcha e suas funções:

➢ Andarilho
➢ Canadianas
➢ Bengalas e pirâmides
➢ Muletas e auxiliares
➢ Cadeira de rodas

✓ Tecnologias de apoio e ajudas técnicas para a pessoa idosa com:

➢ Deficiência motora
➢ Deficiência visual
➢ Problemas de comunicação
➢ Dificuldade intelectual e desenvolvimental (deficiência mental)

✓ Avaliação e modificação do ambiente


Barreiras arquitetónicas e tecnológicas – implicações na
funcionalidade do idoso

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Barreiras arquitetónicas e tecnológicas – características

Uma barreira ou um obstáculo é um objeto, coisa, ação ou situação que causa um


impedimento, cria uma dificuldade, um incómodo ou um transtorno para se alcançar
objetivos concretos.

Como barreiras arquitetónicas podem-se enumerar todas aquelas barreiras físicas que se
interpõem a uma ação e que impedem o progresso ou a consecução de um objetivo concreto.
São exemplos:

✓ as barreiras arquitetónicas que dificultam a acessibilidade de pessoas com mobilidade


reduzida, como idosos, gestantes, crianças e deficientes físicos;

✓ as portas, portões e sistemas de controles de acesso a moradias, prédios,


estabelecimentos comerciais e até cidades, para impedir a entrada de intrusos ou
invasores;

✓ as cancelas, portões ou barreiras que regulam o acesso de entrada e saída de veículos


em estacionamentos controlados;

A melhoria das condições de vida de qualquer comunidade humana é desafiada


constantemente pela necessidade de tecnologias ainda inacessíveis ou inexistentes, que
podem ser adquiridas de outras comunidades que já as tenham desenvolvido, ou por
desenvolvimento autóctone, devendo-se suplantar, em ambos os casos, barreiras como as
seguintes:
✓ na transferência de tecnologia entre diferentes países, a capacidade de negociação
comercial e diplomática com os países fornecedores das novas tecnologias almejadas;

✓ no desenvolvimento autóctone, o nível educacional da comunidade ou do país, o


acervo de informações especializadas a que tem acesso, a sua base tecnológica e
industrial, o nível institucional da sua capacidade de pesquisa, desenvolvimento e
inovação científico-tecnológica e o nível de colaboração internacional praticado.

Barreiras arquitetónicas e tecnológicas consoante o problema


de cada idoso

As barreiras à acessibilidade prejudicam a igualdade de oportunidades, favorecem a


discriminação e acentuam preconceitos. Os arquitectos têm um papel decisivo no
assunto, mesmo assinalando que a legislação portuguesa sobre normas técnicas de
mobilidade tem falhas técnicas graves, o período de adaptação de instalações não foi
cumprido e a fiscalização é inexistente.
O planeamento urbano e o acto de projectar (quer do espaço público, quer do edificado) não
pode ficar indiferente à mobilidade dos idosos, das pessoas com deficiências, das crianças,
das grávidas, de pessoas com carrinhos de bebé, de pessoas com sacos de compras, enfim,
de todas as pessoas que não correspondam às dimensões normalizadas, que efectivamente
não servem a maior parte da população.
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Criar soluções em vez de adaptar:

Projectar para o homem médio pode resultar num projecto «deficiente», pois as aptidões
funcionais variam, tendencialmente, em cada indivíduo e ao longo da sua vida.

Se as normas de acessibilidade só forem consideradas numa fase adiantada do projecto,


dada a complexidade dos temas que comportam, poderá estar comprometida a qualidade da
solução final.

A criação de condições especiais, para que um cidadão com deficiência tenha a


possibilidade de construir uma vida independente, não deveria consistir em adaptações de
espaços mas sim significar a criação de soluções que permitam uma vivência diária junto dos
familiares, nos empregos, nas escolas, nos transportes, nos espaços públicos urbanos, no
edificado colectivo e na habitação, etc., sem constrangimentos, permitindo que estes grupos
de pessoas possam tomar as opções que qualquer cidadão toma, seja ou não portador de
limitações.

Algumas destas incapacidades podem significar limitações, parciais ou totais, no andar,


na agilidade, na audição, na visão, ou até no tratamento da informação por diminuição das
funções do sistema cognitivo.

As vilas e as cidades oferecerão uma mobilidade adequada quando “estiverem


preparadas para que duas pessoas possam circular com o guarda-chuva aberto sem ter de se
desviar uma da outra” (in Rede Nacional de Cidades e Vilas com Mobilidade para Todos).
Neste sentido, torna-se necessário adequar o desenho urbano, não só para pessoas
portadoras de deficiência, mas para todos de modo geral. Existe um elevado número de
pessoas que todos os dias se depara com grandes dificuldades ou se vê impossibilitado de
frequentar locais públicos, quer devido ao conjunto de obstáculos existentes na via pública,
quer devido à falta de condições de acesso e de circulação, tanto nas ruas, como nos edifícios
de utilização colectiva. Existem barreiras que constituem obstáculos, como passeios mal
dimensionados, mobiliário urbano, postes de eletricidade, sinais de trânsito, árvores e
floreiras, ilhas ecológicas e contentores do lixo que são aplicados nos passeios roubando
deste modo espaço aos peões. Tudo isto dificulta qualquer tipo de mobilidade, especialmente
das pessoas com mobilidade reduzida (crianças, idosos, grávidas, pessoas temporariamente
doentes e os deficientes). O comércio também é considerado causador dessas barreiras,
mediante a colocação no passeio da sua mercadoria, bem como esplanadas mal organizadas.
As cidades do presente e do futuro, devem ser cidades, onde a mobilidade é permitida a
todos os que nela residem, trabalham ou estudam. Assim sendo, a abolição das barreiras
arquitectónicas, constitui um objectivo de carácter primordial e a única via para tornar as
nossas cidades adequadas a todos os cidadãos, sem discriminação de qualquer natureza.

O ambiente sócio-físico é o principal gerador das dificuldades que se impõem à livre


circulação de indivíduos ou grupos. Tais empecilhos podem ser: físicos, comunicacionais,
sociais e/ou atitudinais.

Também podemos citar como exemplo calçadas com degraus (dificultando a


circulação de pedestres), portas estreitas, rampas com inclinação exagerada, dentre tantos
outros que infelizmente ainda encontramos em nossas cidades.

Um estudo do Observatório da Deficiência e Direitos Humanos da Universidade de


Lisboa mostra que a velha máxima “Todos diferentes todos iguais” ainda não é uma
realidade e que as pessoas com deficiência são confrontadas diariamente com barreiras à sua
participação na vida cívica e política.

Falta de acessibilidade dos edifícios, transportes e comunicações, falta de apoios à vida


independente e preconceitos são os principais problemas que as pessoas com deficiência
enfrentam no dia a dia.

Por outro lado, há muitas pessoas com deficiência impedidas de exercer o seu direito de
voto, como é o caso dos invisuais. Estes indivíduos têm que ser acompanhados por pessoas
da sua confiança, que votam por eles, porque não há voto eletrónico, nem boletins em Braille.
Levantamento das barreiras arquitetónicas e tecnológicas

No espaço geográfico correspondente à Europa, onde se estima que existam 800 milhões de
habitantes, existem cerca de 100 milhões de pessoas idosas e 50 milhões de pessoas com
10 alguma deficiência (este dado inclui também as pessoas idosas com deficiência). Segundo o
Eurostat, só na União Europeia existem 77 milhões de pessoas idosas e 43 milhões de
pessoas com deficiência. Com o envelhecimento da população, estima-se que em 2030, na
Europa, o número de pessoas com deficiência seja de 136 milhões.

O modelo social da incapacidade, hoje em crescendo de implementação, sugere que esta não
é, de todo, um atributo de um indivíduo, mas mais uma construção artificial do meio
envolvente, largamente imposto pela atitude da sociedade e pelas limitações do meio
construído pelo Homem. Consequentemente, qualquer processo de melhoramento e
inclusão requer acção social, e é a responsabilidade colectiva da sociedade que, em grande
parte, pode empreender as mudanças de atitude do meio envolvente necessárias à plena
participação em todas as áreas da vida.

"The International Classification of Functioning, Disability and Health" (ICF ou ICIDH-2 -


Maio 2001), documento recentemente adoptado pela Organização Mundial de Saúde (OMS),
coloca precisamente a sua ênfase no modelo social da incapacidade, atrás mencionado. É
uma descolagem radical das versões anteriores que focavam, essencialmente, os aspectos
médicos e individuais da incapacidade. "Incapacidade" é agora um termo genérico que é
apenas usado quando se pretende referenciar as três dimensões expressas na nova
classificação internacional da OMS:

1) Estruturas e função corporal;

2) Actividade; e

3) Participação.
No entanto, por razões históricas, continua-se a pensar e a incorrer no erro de que a nova
classificação da OMS expressa na ICIDH-2 diz apenas respeito a pessoas com incapacidades,
quando, de facto, ela diz respeito a todas as pessoas. Tecnicamente, o termo "pessoas com
incapacidades" está actualmente obsoleto e tem vindo a ser substituído por "pessoas com
atividade limitada".

Segundo o ICIDH-2, a definição completa de pessoas com actividade limitada é: aquelas


pessoas, de todas as idades, que estão impossibilitadas de executar, independentemente e sem
ajuda, actividades humanas básicas ou tarefas resultantes da sua condição de saúde ou
deficiência física/mental/cognitiva/psicológica, de natureza permanente ou
temporária.

A definição anterior inclui:

1) Utilizadores de cadeiras de rodas;

2) Pessoas que têm dificuldade em andar, com ou sem ajuda;

3) Pessoas idosas debilitadas;

4) Os muito jovens (com menos de 5 anos de idade);

5) Pessoas que sofrem de artrite, asma, ou problemas de coração;

6) Pessoas com deficiência visual e/ou auditiva;

7) Pessoas que têm uma deficiência cognitiva, incluindo demência, amnésia, lesão
cerebral ou delírio;

8) Mulheres em estado avançado de gravidez;

9) Pessoa com deficiências derivadas do uso de álcool, ou outras drogas como cocaína
e heroína, e alguns medicamentos;

10) Pessoas que perderam total ou parcialmente as capacidades relacionadas com a


linguagem (afasia);

11) Pessoas deficientes devido à exposição à poluição ambiental e/ou irresponsabilidade


da acção humana.
A presente versão sublinha que a capacidade funcional de uma pessoa com incapacidade
num determinado domínio é um processo interactivo entre a sua condição de saúde,
actividades e os factores contextuais. Para ser compreendido dentro deste quadro de
referência, torna-se claro que as tecnologias em geral, e as tecnologias da Sociedade da
Informação em particular, são a interface-chave entre as pessoas com incapacidades e o meio
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envolvente.

CIF (Classificação Internacional de Funcionalidade)

 O que é a CIF?

A CIF é um novo sistema de classificação inserido na Família de Classificações


Internacionais da Organização Mundial de Saúde (OMS) (World Health Organization Family
of International Classifications - WHO-FIC), constituindo o quadro de referência universal
adoptado pela OMS para descrever, avaliar e medir a saúde e a incapacidade quer ao nível
individual quer ao nível da população.

A CIF e a CID-10 - Classificação Estatística Internacional das Doenças e Problemas


Relacionados com a Saúde - Décima Revisão, abreviadamente designada por Classificação
Internacional das Doenças - são duas classificações cruciais da WHO-FIC, esta última
utilizada sobretudo pelos sectores da Saúde.

As duas classificações têm objectivos distintos e podem ser utilizadas


complementarmente. A CID-10 ... fornece uma estrutura de base etiológica ... proporciona
um diagnóstico de doenças, perturbações ou outras condições de saúde.... A CIF classifica ...
a funcionalidade e a incapacidade, associadas a uma condição de saúde. (CIF - OMS, 2001).

Diz-nos a OMS que a CIF é uma classificação com múltiplas finalidades, para ser utilizada
de forma transversal em diferentes áreas disciplinares e sectores:[...] saúde, educação,
segurança social, emprego, economia, politica social, desenvolvimento de politicas e de
legislação em geral e alterações ambientais. Foi por isso aceite pelas Nações Unidas como
uma das suas classificações sociais, considerando-a como o quadro de referência apropriado
para a definição de legislações internacionais sobre os direitos humanos, bem como, de
legislação nacional.

Com a adopção da CIF passa-se de uma classificação de "consequência das doenças"


(versão de 1980) para uma classificação de "componentes da saúde" (CIF), sendo decisivo
o seu papel na consolidação e operacionalização de um novo quadro nocional da
funcionalidade, da incapacidade humana e da saúde.

Com a CIF ultrapassaram-se, assim, muitas das críticas dirigidas à anterior classificação de
1980, nomeadamente: a sua conotação com o "modelo médico" e o não ter acompanhado
as evoluções conceptuais, cientificas e sociais, relacionadas com as questões da deficiência e
da incapacidade. Especificamente, as críticas mais frequentemente apontadas à ICIDH,
residem no facto de:

➢ estabelecer uma relação causal e unidireccional entre: deficiência - incapacidade -


desvantagem;

➢ centrar-se nas limitações "dentro" da pessoa e apenas nos seus aspectos negativos;

➢ não contemplar o papel determinante dos factores ambientais.

Higiene e segurança

Limpeza das instalações

A higiene do ambiente onde está inserida a pessoa idosa, prende-se com:

➢ Prestar cuidados de higiene e arrumação do meio envolvente e da roupa dos Idosos;

➢ Efetuar a limpeza, desinfeção e arrumação do quarto, casa de banho, cozinha e outros


espaços, utilizando os utensílios, as máquinas e os produtos de limpeza adequados;
➢ Cuidar da roupa dos Idosos, colaborando na sua limpeza e tratamento e efetuando a
sua arrumação

A infecção é definida como toda a doença contraída, o que pode afetar todas as pessoas;
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Para combater a infeção é necessário que exista Higiene, ou seja todo um conjunto de
medidas que se destinam a impedir a transmissão de agentes que provocam doenças.

➢ Como se pode prevenir a infeção?

A infeção pode ser reduzida se atuarmos ao nível dos fatores extrínsecos e se o ambiente que
rodeia o idoso for limpo.

Por isso deve existir:

➢ Limpeza e desinfeção do quarto; cozinha, casa de banho;

➢ Limpeza e desinfeção de outras instalações;

➢ Limpeza e desinfeção do material utilizado para a higiene pessoal do idoso;

➢ Limpeza e desinfeção das mãos;

➢ Deve evitar-se o cruzamento entre sujos e limpos;

➢ Deve existir sempre água limpa;

➢ Deve deitar-se regularmente água nos esgotos para que esta seja renovada e impeça
o aparecimento de alguns animais;

➢ Sempre que possível deve haver uma boa ventilação na casa e abrir-se as janelas para
a circulação de ar;
Limpeza e desinfecção do quarto

➢ Abrir portas e janelas antes de iniciar o trabalho;

➢ Utilizar lençóis limpos, secos, sem pregas e sem rugas;

➢ Não deixar migalhas de pão, fios de cabelos, etc., nos lençóis a serem reusados;

➢ Limpar o colchão, quando necessário, e deixar o estrado na posição horizontal;

➢ Observar o estado de conservação do colchão, travesseiros e impermeável;

➢ Não arrastar as roupas de cama no chão nem sacudi-las;

A arrumação da cama é importante para prevenir complicações como, por exemplo,


úlceras por pressão mais conhecidas por escaras, os lençóis devem ser bem esticados e
presos a cama para evitar que o idoso escorregue.

Se o idoso tem dificuldade para se levantar sozinho, precisa de ajuda e no caso de usar fraldas
é importante manter um lençol móvel para auxiliar na movimentação, o colchão deve ser
confortável e adequado para a necessidade de cada idoso.

Para se evitar feridas pode-se usar um colchão caixa, de ovos de água ou de ar, devendo-
se estimular o idoso a ajudar na troca da fralda pedindo para que levante o quadril ou virando-
se para o lado.

✓ As camas deverão ser arejadas diariamente, puxando a roupa até aos pés, para que a
humidade libertada pelo corpo durante o sono se liberte e o colchão e os lençóis, sequem.
A roupa durará mais tempo e o sono será mais agradável.

✓ As camas deverão ser sempre feitas antes de se limpar o quarto, para que o pó
levantado durante as limpezas, não suje as roupas

✓ Almofadas - Existem diversas qualidades. As de enchimento natural (penas), não são


muito aconselháveis pois podem causar alergias e são de mais difícil manutenção. As de
espuma, devem ser batidas todos os dias, pois deformam-se. Regularmente, deverão ser
arejadas pendurando-as no estendal, qualquer que seja o seu tipo.
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➢ Não deverão ser lavadas com muita frequência, para não se deformarem. Para as
proteger, deverá colocar-se uma forra, antes da fronha. A abertura de fronha deverá ficar no
lado oposto ao do forro.

➢ Quando se lavarem, deverão seguir-se as instruções das etiquetas. Antes de as meter


na máquina (também podem ser lavadas à mão), verificar se esta comporta o seu peso, depois
de molhadas.

➢ Terão de ser bem secas e arejadas, antes de serem guardadas ou colocadas a uso.

➢ A limpeza a seco não é muito aconselhável, pois poderão ficar resíduos de


produtos químicos, que serão inalados durante o sono.
✓ Cobertores - Os cobertores que não estão a uso, devem ser guardados (depois de
lavados) em sacos de plástico bem fechados e com naftalina, se forem de lã.

Poderá lavar-se um cobertor na máquina, desde que caiba bem. Senão lava-se na banheira
com um detergente líquido (mais fácil de remover que em pó) e depois enxagua-se em
diversas águas, tendo a última um pouco de amaciador. Para o espremer, comprime-se entre
as mãos, sem torcer, para não o deformar.

✓ Edredões - No fim do Inverno devem ser limpos, conforme as indicações


das etiquetas.

Sugestões

➢ Substituir uma capa de edredão, quando não se tem ajuda, não é tarefa fácil. Assim,
vire a capa do avesso e introduza os braços, até atingir os cantos do fundo.

➢ Com uma mão por dentro de cada canto da cobertura, agarre os cantos
correspondentes do edredão e sacuda vigorosamente o tecido da cobertura que tem sobre os
braços, para que ele vá caindo sobre o edredão e o feche dentro de si.

➢ Quando tiver acabado a operação, a cobertura estará já com o lado direito para fora

✓ Colchões - Deverão ser protegidos por um resguardo (mudado


regularmente), para absorverem menos poeira e humidade. Viram-se de vez
em quando, para evitar deformações., assim como se invertem dos pés para
a cabeça.

Em novos, procede-se a esta operação com maior frequência e depois será suficiente 2 ou
3 vezes por ano.

O pó do colchão de molas, limpa-se com uma escova e com o aspirador (com a escova
macia) com pouca sucção. O de espuma, será aspirado com o acessório para frestas, também
com pouca sucção. Tem de haver cuidado para não arrancar botões, prespontos ou danificar
o enchimento. O resguardo é muito importante, pois além de proteger o colchão, dá mais
conforto á cama e ajuda a fixar o lençol.

Sugestões

➢ As manchas de sangue, são removidas com uma pasta espessa formada por
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bicarbonato de sódio e muito pouca água. Põe-se o colchão de lado, para não
absorver a água. Quando a pasta secar, escova-se. Repete-se, até a nódoa sair. Por
fim, passa-se uma esponja com água fria salgada.

➢ Estrutura da cama - Deve ser aspirada, periodicamente Aproveita-se, quando se


vira o colchão. Para a cabeceira, se for em tecido, utiliza-se a escova macia do
aspirador. Para as ripas de madeira, o acessório das fendas.

➢ Regularmente, afasta-se da parede e do local onde se encontra para se aspirar o


chão e limpar a parede.
Limpeza e desinfeção das instalações sanitárias

➢ Deverá ser limpa pelo método “ferradura”, começando por lavar as superfícies
superiores (espelhos, armários, prateleiras, apliques, etc.) e depois as superfícies mais baixas
(loiças sanitárias, toalheiros, etc.).

➢ Depois de lavadas e enxaguadas as loiças, cortinado da banheira ou duche, torneiras


e azulejos, deverão ser secos com um pano que não largue pelo.

➢ Não deverão usar-se toalhas utilizadas na limpeza das instalações sanitárias, para não
haver propagação de bactérias.

➢ Não esquecer de verificar se há algum cabelo no chão ou nas loiças.

➢ Verificar e a quantidade de papel higiénico.


Os detergentes a utilizar em solução, cremes ou pós, devem ser adequados às áreas a limpar;

➢ Não utilizar detergentes abrasivos;

➢ Não juntar desinfetantes;

➢ As embalagens devem estar devidamente identificadas;

➢ Os recipientes reutilizáveis devem ser lavados com água quente e secos antes de uma
nova utilização.

Ao lavar o chão, deverão utilizar-se dois baldes. Um com o produto de limpeza e outro
com água limpa, de preferência, morna. Molha-se o pano ou a esfregona no produto e lava-
se uma parte do chão. Em seguida, mergulha-se na água e depois novamente no produto.
Deste modo, não se lava o chão com água suja. A água de enxaguar, deverá ser mudada com
frequência.

As loiças sanitárias e as bancadas das cozinhas, devem ser limpas diariamente com um
produto desinfetante, para evitar a proliferação de micro-organismos.

➢ Ao limpar-se a casa de banho, a primeira coisa a fazer, é puxar o autoclismo, por


uma questão de higiene e para verificar se veda bem.
➢ Não deve utilizar-se a sanita com produtos de limpeza no fundo.

➢ Deve, antes, puxar-se o autoclismo.

➢ Nunca se misturam produtos para limpeza de sanitas de marcas diferentes ou com

20 lixívia. Pode ocorrer uma reação química, que liberte vapores tóxicos.

✓ Banheira de porcelana vidrada ou esmaltada - Não se usam produtos abrasivos, pois


tornam a superfície da banheira baça. Se houver manchas persistentes, sairão com
diluente. Em seguida enxagua-se com água quente e detergente próprio para loiças e seca-
se com um pano. Repete-se a operação tantas vezes quantas forem necessárias, não
deixando atuar o diluente muito tempo, para não danificar o esmalte.
Às torneiras que pingam, deve mudar-se a válvula de imediato, pois mancham o
esmalte, deixando muitas vezes um rasto de ferrugem.
O bolor que se forma na junta de ligação entre a banheira e a parede, elimina-se com
uma escova de dentes velha, embebida em lixívia e enxagua-se, passando depois um produto
de limpeza que contenha fungicida, para retardar o aparecimento de bolores.

Sugestões:

Ao lavar as loiças sanitárias, deverá começar-se com água fria, passando-se depois para a
quente. Assim, os espelhos e vidros das janelas não embaciam tanto.

Os espelhos deverão ser limpos com limpa-vidros e não com água, pois esta pode
penetrar através do vidro e danificar o espelhado.

➢ Tapete de borracha - Lavam-se os orifícios e as rugosidades (ventosas p/


aderência), que é onde se acumula mais sujidade, esfregando com uma escova e água
com detergente para a loiça. Enxagua-se, abundantemente.

➢ Se esta manutenção não é feita com regularidade, o bolor que se acumula não sai na
totalidade. Se tal acontecer, deve mergulhar-se o tapete em água morna com lixívia,
deixar atuar um pouco, escovar, enxaguar e secar. A solução a preparar deve ser fraca,
para não deteriorar a borracha.

➢ O tapete de borracha não deve deixar-se no fundo da banheira . Só se coloca no


momento do banho.

➢ Ralos - Lavar, uma vez por semana, com um escovilhão (escova para lavar garrafas
e biberões), para evitar a acumulação de cabelos ou pelos dos panos de limpeza.

➢ Deitar nos orifícios uns pingos de lixívia, deixar atuar um pouco e enxaguar, pois
desinfeta e elimina maus cheiros.

➢ Lavatório e bidé - O processo de limpeza é idêntico ao da banheira.

➢ Sanita - Deve puxar-se o autoclismo e limpar-se com o piaçaba, a cada utilização.


Não deve usar-se lixívia, mas se tal acontecer não deve deixar-se atuar mais de 5
minutos. Deve aplicar-se um desinfetante, que limpa e refresca
➢ Tampa da sanita - Lavar, diariamente, a parte superior e inferior, com um pano
embebido em água morna e desinfetante e secar, após uma pausa para atuar, com um
pano exclusivo para tal. Lavar as borrachas de apoio regularmente.

➢ Periodicamente, retirar a tampa e lavá-la em água corrente. Assim, eliminam-se


22 resíduos de urina, acumulados à volta dos parafusos.

➢ Piaçaba - Lavar regularmente com água quente (não excessivamente, para não
estragar as cerdas) e detergente, enxaguando depois com água e desinfetante.

➢ Não esquecer de lavar o recipiente e o cabo. (Deixar um pouco de desinfetante no


recipiente, para que fique um cheiro agradável)

➢ Torneiras cromadas - Limpar com um pano húmido e secar com outro macio ou
uma camurça. Manchas de gordura saem com detergente para a loiça. As de calcário
saem esfregando com limão ou vinagre.

Sugestões

➢ Se a boca da torneira estiver obstruída com resíduos de calcário, aplicar uma


caixinha de plástico (de iogurte, por exemplo) com vinagre, fixando-a com um cordel ou fita
gomada e deixar atuar uma hora. Repetir a operação, se necessário. Enxaguar e limpar com
um pano seco.

➢ Azulejos cerâmicos - Tiram-se as manchas de sabão, shampoo, etc., lavando-os


com uma solução de água e vinagre, enxaguar e secar com pano seco. Para as juntas
escurecidas, procede-se como nas banheiras. (Se não forem secos após a lavagem ,
começam a formar-se resíduos de calcário que os tornam baços)

➢ Cortinado da banheira - Limpar diariamente, para não criar bolores.


Periodicamente, lavar a parte inferior com lixívia diluída, enxaguar e secar.
➢ Não esquecer de limpar o varão com um pano húmido. As argolas deverão ficar
todas viradas para o mesmo lado. (O cortinado coloca-se por fora da banheira, com
o franzido bem distribuído).

Importante
➢ Deverá existir sempre à mão, um produto próprio para limpeza de casas de banho,
panos próprios e um esfregão absorvente, tipo esponja.

➢ Lavar as mãos, sempre que se acabar de limpar a casa de banho ou que tenha de
interromper o serviço.

Limpeza e desinfeção das cozinhas


Equipamentos, móveis, utensílios e acessórios:

➢ Após o uso, lavar bem os equipamentos e utensílios com água e sabão neutro,
sem deixar resíduos nos cantos;
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➢ Usar apenas utensílios e equipamentos bem lavados;

➢ Desinfetar com água clorada os utensílios que não são lavados em máquina e guardá-
los limpos e secos em prateleiras;

➢ Separar os utensílios usados na preparação de alimentos crus (tábua, facas etc) dos
usados para alimentos cozidos;

➢ Esfregar bem as tabuas com escova e sabão.

Higiene do local:

➢ Lavagem do local (piso, teto, parede, etc) com água e sabão ou detergente.

➢ Desinfeção química: deixar o desinfetante em contacto por no mínimo de


15minutos;

➢ Varrer a seco, fazer uso de panos para secagem de utensílios e equipamentos,

➢ Usar escovas, esponjas ou similares de metal e nunca usar os mesmos utensílios e


panos de limpeza utilizados em casas de banho.

Periodicidade da limpeza:

Diariamente ou de acordo com o uso, semanalmente, quinzenalmente, mensalmente e


semestralmente.
Tipos de produtos e/ou utensílios de limpeza:

➢ Sabões, detergentes, limpa-fornos, limpadores desoxigenantes, pedra-pomes, lixas,


álcool, soda-cáustica,

➢ Vassoura, esfregão, baldes, esponjas, panos, escovas de fibra dura e sintética.

Limpeza e desinfeção de outras instalações

➢ Aspirar os tapetes com frequência;

➢ Levantar a ponta dos tapetes para passar um pano húmido no chão com desinfetante.

➢ De seguida, passar um pano bem seco até dar brilho.

➢ Limpar o pó das mesas e objetos. Recolocá-los no lugar.

➢ Passar uma borrifada de qualquer aromatizante.

➢ A sala deve estar bonita e agradável, e cheirando a limpeza.

Organização do espaço

Os idosos necessitam de cuidados especiais, inclusive no que diz respeito à decoração


da casa. Em alguns casos é necessário fazer adaptações para deixar o ambiente mais
funcional, ou seja, com todos os espaços montados de acordo com as limitações dos mais
velhos. Diante dessa finalidade, a proposta de decoração tem sido inovada em muitos
contextos.

O projeto de uma casa para idosos reconhece as necessidades de conforto e facilidades


nas tarefas do dia-a-dia. Os ambientes adaptados conservam estruturas reduzem as
dificuldades de circulação de uma área para outra e reduz as hipóteses de possíveis acidentes.
Móveis, revestimento e objetos decorativos devem ser pensados de acordo com o perfil
da terceira idade.

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Muitos asilos e casas de repouso já adotam uma decoração sob medida para transformar
os espaços dos idosos. As ideias são bem inovadoras, mas podem aumentar os gastos com a
obra. Nos projetos é possível notar a valorização dos moradores da terceira idade,
principalmente aqueles que estão doentes ou possuem dificuldades para realizar
atividades básicas.

Sugestões para adaptar a casa para idosos:

➢ Revestimento do chão: os idosos costumam sofrer quedas quando a residência não


possui as devidas adaptações. Isso pode agravar um quadro de doença ou até mesmo
danificar alguma parte do corpo, já que os ossos se encontram mais frágeis nessa
faixa etária. A melhor forma de prevenir acidentes é instalando pisos
antiderrapantes e construir dessa forma superfícies mais firmes para o
deslocamento dos idosos. Dependendo da forma como são usadas, as peças
conseguem aliar beleza e segurança.

➢ Cuidados com a casa de banho: o ambiente sanitário costuma ser o principal


cenário para acidentes com idosos, isso porque o chão é escorregadio e nem sempre
há uma estrutura adaptada. Devem existir barras na casa de banho para facilitar o
acesso do idoso. Quando o morador idoso possui Alzheimer, não é recomendado
usar muitos espelhos na decoração porque isso pode causar alterações
comportamentais. A casa de banho deve estar situada no primeiro andar da casa.
➢ Se possível, é recomendado evitar escadas longas ou cheias de curvas. Caso seja
necessário instalá-las para ligar dois pavimentos, deve adotar-se corrimãos. Todos os
ambientes devem ser espaçosos para que o idoso se sinta à vontade e não coloque a
segurança em risco. Para facilitar o acesso do idoso a determinadas áreas da casa, é
recomendado instalar suportes que permitam o descanso e contribuam com a
prevenção de acidentes.

➢ Mobiliário de uma casa para idosos: para evitar quedas ou outros perigos
envolvendo os ambientes residenciais, é necessário adotar móveis sem quina e fixos
no chão. A medida ajuda a evitar ferimentos caso o idoso resolva procurar
equilíbrio no item mobiliário. Tudo deve ser planeado em prol da acessibilidade
e movimentação do idoso dentro do espaço.

➢ Adaptações indicadas: se possível substitua alguns degraus distribuídos na casa por


rampas, tornando o lar mais seguro. Construa janelas amplas e adote cortinas claras,
assim fica mais fácil obter a entrada de luz natural durante o dia e facilita as atividades
do idoso que necessitam da claridade. Armazene os objetos de uso em lugares sob
medida, ou seja, nem muito alto e nem muito baixo.
➢ Na hora de decorar uma casa para idosos, é melhor evitar os apetrechos
desnecessários que representam obstáculos, como vasos e esculturas. Evite qualquer
acessório que possa resultar em quedas, como é o caso dos tapetes. Deve criar-se
facilidade para o idoso abrir as portas adotando maçaneta de alavanca ao invés de
redondas. É recomendado ainda deixar os corredores iluminados e haver
28
preocupação com o contraste da porta com a parede para que a pessoa possa ver
com mais nitidez.

Acidentes e quedas na população idosa

Contextos e acidentes/quedas

Prevenir acidentes no idoso ou quedas é uma das preocupações que a familia tem com
os seus familiares.

As quedas são responsáveis por 70% das mortes acidentais neste grupo etário, sendo as
consequências das quedas a 6ª causa de morte nos idosos!

Principais causas de quedas dos idosos em casa

Habitualmente só prestamos atenção ao risco de queda quando ela ja aconteceu e já pode ser
tarde. É importante prevenir tendo em conta alguns aspectos:

➢ História de quedas anteriores: por vezes as quedas nos idosos são importantes
indicadores de alterações na saúde e declínio funcional, pelo que deve ter em atenção
em que contexto aconteceram as quedas, se detectou algum factor precipitante,
sintomas físicos antes da queda e referi-lo ao seu médico se necessário.
➢ Tente aperceber-se de comportamentos “aventureiros” por parte do idoso
(como subir escadotes), procure compreender as suas motivações e necessidades e
explore formas de o ajudar sem que ele se sinta inferiorizado ou menos activo!

➢ Diminuição sensorial: com a idade é comum o défice visual, pelo que se torna
aconselhável uma consulta de rotina anualmente ou quando são detectadas
alterações, de forma a identificar a necessidade de colocação ou actualização de
próteses oculares.

Pode adoptar algumas medidas

➢ Certifique-se que a luz em casa é suficiente e adequada para o idoso. Tenha ainda
atenção à capacidade auditiva, que deve igualmente ser corrigida.

➢ Perda de capacidade mental: em situações de demência pode ser necessário limitar


algumas actividades por motivo de segurança, remover objectos em casa que possam
ser perigosos e avaliar a necessidade de apoio nas várias actividades de vida diárias.

➢ Alterações de mobilidade: muitas vezes os idosos têm alterações nos movimentos,


o que lhes dificulta a realização das actividades diárias normais, podendo conduzir às
quedas. Assim, deve ser avaliada a necessidade de auxiliares de marcha, como
bengalas, andarilhos, canadianas, ou alterações em casa, como correcção de sanitários
baixos, cama ou banheira, o uso de luzes nocturnas no quarto e casa de banho.

➢ Devem ter-se em atenção alterações ao nível dos pés, nomeadamente unhas


demasiadamente longas, calos dolorosos, ou mesmo o uso de calçado inadequado.
➢ Os sapatos não devem ter saltos para não prejudicar o equilíbrio, devem ter o
tamanho correcto e sola anti-derrapante, devendo evitar os chinelos. A roupa
também deve ser confortável e permitir a execução dos movimentos, tendo cuidado
com roupa muito comprida, pois o idoso pode tropeçar nela.

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➢ Escadas e degraus: Observe as escadas dentro e fora da sua casa; tem papéis,
sapatos, livros, vasos, ou outros objectos nas escadas? Retire-os e mantenha-os longe
das escadas. Tem apenas uma lâmpada nas escadas? É aconselhável pedir a um
electricista que coloque iluminação no topo e no fundo das escadas e que sejam
colocados interruptores em ambos locais podendo ser os interruptores brilhantes
para serem mais visíveis. Como estão os corrimões? Estão soltos ou partidos? Existe
apenas corrimão de um dos lados da escada? Certifique-se que tem corrimão dos
dois lados da escada, que estes são firmes e tão longos como as escadas. As
maçanetas no final do corrimão são úteis como aviso do final das escadas, para os
idosos com visão diminuída. Se tem carpete nas escadas certifique-se que está bem
fixa a todos os degraus, ou retire a carpete e aplique tiras de borracha anti-
derrapantes. Uma vez que muitas quedas são devidas à não percepção do último
degrau, se as tiras colocadas tiverem cores vivas e contrastantes, poderá prevenir essa
situação.
➢ Cozinha: Observe bem a cozinha; os utensílios que são frequentemente utilizados
encontram-se em prateleiras altas? Então remova as coisas que habitualmente utiliza
mais vezes, para as prateleiras mais baixas do seu armário. Deve evitar subir aos
bancos e escadotes, mas se for inevitável, não substitua o escadote por cadeiras ou
bancos, e prefira os escadotes com barras laterais de apoio.

Intoxicações na população idosa

A intoxicação é o efeito nocivo que é provocado quando uma substância tóxica é ingerida,
inspirada ou entra em contacto com a pele, com os olhos ou com as membranas mucosas,
como as da boca, da vagina ou do pénis.

Entre os mais de 12 milhões de produtos químicos conhecidos, menos de 3000 provocam a


maioria das intoxicações acidentais e deliberadas. No entanto, praticamente qualquer
substância ingerida em grandes quantidades pode ser tóxica. As fontes mais comuns
de tóxicos são: os medicamentos, os produtos de limpeza, os produtos para a
agricultura, as plantas, os produtos químicos industriais e as substâncias
alimentares.

Para que o tratamento seja eficaz, é fundamental identificar o tóxico e confirmar que perigos
ele implica exactamente. Existem centros de informação para casos de intoxicações,
cujos números de telefone costumam aparecer nas listas locais ou que podem ser conseguidas
sem dificuldade. Estes centros proporcionam informação sobre o tratamento de qualquer
intoxicação.

A intoxicação pode ser acidental ou intencional (no caso de assassínio ou de suicídio).


As crianças, sobretudo as menores de 3 anos, são particularmente vulneráveis à intoxicação
acidental, tal como os idosos (porque se baralham com os seus medicamentos), os doentes
hospitalizados (devido a erros de medicação) e os trabalhadores industriais (devido à sua
exposição a produtos químicos tóxicos).
Sintomas

Os sintomas de intoxicação dependem do tóxico, da quantidade ingerida e de certas

32 características da pessoa que o toma. Alguns tóxicos não são muito potentes e exigem uma
prolongada exposição ou uma ingestão repetida de grande quantidade do mesmo para causar
problemas. Outros são tão potentes que só uma gota sobre a pele pode provocar uma lesão
grave. As características genéticas podem influir no facto de uma determinada substância ser
ou não tóxica para uma determinada pessoa.

Algumas substâncias, normalmente não tóxicas, são-no efectivamente para algumas pessoas
que têm um determinado mapa genético.

A idade é um factor determinante quanto à quantidade de substância que pode ser ingerida
antes de se produzir a intoxicação. Por exemplo, uma criança pequena pode ingerir muito
mais paracetamol do que um adulto, até que se torne tóxico. As benzodiazepinas, que são
um sedativo, podem ser tóxicas para um idoso em doses que um adulto de meia idade poderá
consumir sem problema.

Os sintomas podem ser ligeiros mas incómodos (como comichões, secura na boca, visão
enevoada e dor) ou graves (como confusão, coma, ritmos cardíacos anormais, dificuldades
respiratórias e uma forte agitação). Alguns tóxicos provocam sintomas em questão de
segundos, enquanto outros o fazem só após várias horas ou até dias depois da sua ingestão.
Alguns tóxicos provocam poucos sintomas até danificarem irreversivelmente o
funcionamento de órgãos vitais tais como o fígado ou os rins. Conclusão: os sintomas de
intoxicação são tão numerosos como os tóxicos.
Diagnóstico e tratamento:

Depois de ligar para o centro de informações sobre intoxicações, os familiares ou os


amigos das vítimas podem começar os primeiros socorros, enquanto esperam a ajuda dos
profissionais. Deverão confirmar se a vítima ainda respira, se tem batimentos cardíacos
e, se for necessário, começar a fazer-lhe uma reanimação cardiopulmonar. Devido ao facto
de o tratamento ser mais eficaz quando se conhece o tóxico, deverão ser conservados tanto
o vómito da vítima como os recipientes, para que o médico possa observá-los ou analisá-los.

Quando se desconhece o tóxico, os médicos tentam identificá-lo por meio de testes de


laboratório. Uma análise ao sangue pode ser útil, mas a análise de uma amostra de urina ainda
o é mais. Os médicos podem extrair o conteúdo do estômago aspirando-o através de uma
sonda e enviá-lo para o laboratório, onde é analisado e identificado.

Quando uma pessoa ingere uma substância tóxica, é necessário provocar o vómito de
imediato, a menos que o tóxico possa ser mais prejudicial ao ser vomitado, como no caso de
objectos cortantes, produtos derivados do petróleo, a lixívia ou os ácidos. Se a pessoa estiver
muito agoniada, inconsciente ou tiver convulsões, não deverá provocar-se o vómito porque
a vítima poderá afogar-se. Para induzir o vómito costuma usar-se xarope de ipecacuanha;
as instruções para a sua administração encontram-se impressas na etiqueta do frasco. No
caso de não se conseguir este produto, pode ser usada água com sabão.

Ergonomia

Conceito e relação com a população idosa

A ergonomia é a ciência que estuda a interação do ser humano com as máquinas,


equipamentos, ambientes e sistemas.
Além de servir para a produção de objetos mais confortáveis, a ergonomia agora está a
mostrar-se útil também para facilitar o dia a dia dos idosos.

A palavra “Ergonomia” vem de duas palavras Gregas: “ergon” que significa trabalho, e
“nomos” que significa leis. Hoje em dia, a palavra é usada para descrever a ciência de
34
“conceber uma tarefa que se adapte ao trabalhador, e não forçar o trabalhador a adaptar-se
à tarefa”. Também é chamada de Engenharia dos Fatores Humanos, e ultimamente,
também se tem preocupado com a Interface Homem-Computador. As preocupações com a
ergonomia estão a tornar-se um fator essencial à medida que o uso de computadores tem
vindo a evoluir.

A Ergonomia pode ser aplicada em vários setores de atividade (Ergonomia Industrial,


hospitalar, escolar, transportes, sistemas informatizados, etc.). Em todos eles é possível
existirem intervenções ergonómicas para melhorar significativamente a eficiência,
produtividade, segurança e saúde nos postos de trabalho. A Ergonomia atua em todas as
frentes de qualquer situação de trabalho ou lazer, desde os stresses físicos nas articulações,
músculos, nervos, tendões, ossos, etc., até aos fatores ambientais que possam afetar a
audição, visão, conforto e principalmente a saúde.
A ergonomia é multidisciplinar, que usa conhecimentos de várias ciências, tais como:
anatomia, antropometria, biomecânica fisiologia, psicologia, etc. A ergonomia usa os
conhecimentos adquiridos das habilidades e capacidades humanas e estuda as limitações dos
sistemas, organizações, atividades, máquinas, ferramentas, e produtos de consumo de modo
a torná-los mais seguros, eficientes, e confortáveis para uso humano (fig. 8, 9).

Figura 8 - Elevador em cadeira Figura 9 - Maca banheira

As actividades de manutenção, que os técnicos executam junto dos doentes, relacionam-se


com necessidades de movimentar, posicionar, elevar e transportar. Estas tarefas são
efectuadas com dispêndio energético e carga física, dependentes das circunstâncias e
características antropométricas dos doentes e pessoal operador, quer seja técnico, quer seja
outro elemento da equipa prestadora de cuidados.

As organizações internacionais de ergonomia e saúde ocupacional, tem estudado o problema


dos efeitos da carga física sobre o corpo humano. Assim, e por exemplo, a Diretiva
Comunitária 90/269/CEE estabelece como "carga demasiado pesada", em operações
ocasionais, valores superiores a 30 Kg e, em operações frequentes, superiores a 20 Kg.

A necessidade de prevenir o risco de lesões é uma realidade a que os profissionais terão de


fazer frente. Entre as medidas preventivas, assumem importância, os aspectos da
organização do trabalho, o uso de equipamentos facilitadores, a adopção de técnicas
correctas de movimentação e transferência de doentes.
No que respeita à organização de trabalho, é de referir a necessidade de planear o que se
vai efetuar, de disponibilizar meios humanos para as tarefas, da importância do espírito de
equipa e interajuda na execução das ações planeadas.

O uso de dispositivos de apoio é cada vez mais necessário. Existem no mercado elevadores,
36 transferes mecânicos e elétricos, macas para banhos. Estes instrumentos já se encontram
disponíveis em muitas instituições de saúde.

Adaptações ergonómicas

Espaços externos e ambiente urbano

➢ As calçadas devem ser revestidas com material resistente, antiderrapante (áspero),


sem irregularidades, contínuo e não interrompido por degraus ou mudanças abruptas
de nível que dificultem o trânsito de pessoas idosas e deficientes.

➢ Não se devem revestir as calçadas com placas pré-moldadas com desníveis entre
placas ou com grama nos intervalos, juntas de madeira ou outros materiais, não
nivelados que alterem a continuidade do piso.

➢ Em caso de acesso de utentes de cadeiras de rodas o meio-fio (guias) das calçadas


deve ser rebaixado com rampa ligada à faixa de travessia.

Maçanetas das fechaduras

➢ Deve-se preferir as maçanetas do tipo alavanca pois oferecem melhor forma de


agarrar, devendo ser instalada a uma altura mínima de 0,90m e no máximo 1,10m.
Interruptores

➢ Os interruptores devem estar localizados entre 0,90 e 1,10m do piso e de 0,15 a 0,45
no máximo de distância horizontal das portas para facilitar o acesso e localização,
devendo preferir-se reluzentes ou iluminados, para facilitar a visualização nocturna.

Tomadas

➢ As tomadas devem situar-se a uma altura em relação ao piso de no mínimo 0,45cm


e no máximo 1,10m. Dispor em quantidade suficiente e localização adequada para
evitar o uso de extensões elétricas o que evitará o uso de extensões. O uso da
extensão elétrica é um fator que contribui para que o idoso sofra quedas no interior
das residências, principalmente no período noturno que podem tropeçar.

Ventilação

➢ Os ambientes devem ter ventilação natural suficientemente agradável, por meio de


janelas com sistema de abertura sempre para dentro ou de correr, o seu tamanho
deve seguir o desejo dos proprietários e do projeto arquitetónico. Seguindo as
normas técnicas a área de iluminação deve ser de 1/10 da área de piso para ambientes
de permanência prolongada, como salas e dormitórios, e de 1/7 da área de piso para
ambientes transitórios, como casas de banho e cozinhas.
Não basta ter um ambiente acessível, as pessoas envolvidas deverão estar conscientes
quanto ao seu uso, visto que os riscos ergonómicos podem acontecer não apenas por uma
condição insegura como por um ato inseguro. Neste sentido evitar riscos ergonómicos é de
fundamental importância para evitar as quedas em idosos, assim Bins Ely (2003) recomenda:

38
✓ Não deixar obstáculos nos caminhos;

✓ Evitar a utilização de tapetes;

✓ Verificar o piso;

✓ Não usar cera;

✓ Deixar a iluminação adequada;

✓ Ter corrimão nas escadas;

✓ Ter uma casa de banho acessível;

✓ Ter cuidado com o lixo pelas áreas de locomoção.

Utilização de ajudas técnicas de apoio à mobilização e


marcha e suas funções

Andarilho/Canadianas/ Bengalas e pirâmides/ Muletas e


auxiliares/ Cadeira de rodas

As ajudas técnicas são materiais, equipamentos e sistemas que servem para compensar a
deficiência ou atenuar-lhe as consequências, impedir o agravamento da situação clinica
da pessoa e permitir o exercício das atividades quotidianas e a participação na sua vida
escolar, profissional, pessoal e social.
Escolher uma ajuda técnica é um processo que deve ser feito de forma cuidada, refletida
e rigorosa. Deve-se ouvir a opinião dos técnicos especialistas na ajuda técnica em questão,
dos familiares e do próprio utilizador.

A ajuda técnica é um recurso, algo pessoal, que deve ser o mais adequado possível à
situação clínica da pessoa e que exige cuidados de manutenção.

Andarilho

O andarilho é um auxiliar de marcha que pode ser fixo ou articulado com estrutura em
alumínio de alta resistência e altura regulável. Este tipo de ajuda técnica é utilizado para
utentes com astenia, diminuição da amplitude dos movimentos, debilidade muscular e perda
sensorial.

Canadianas e Muletas axilares

São utilizadas quando existe dificuldade em apoiar um pé no solo ou para substituir a falta
de um membro inferior. Geralmente são de alumínio e podem variar com o grau de ajuste
ao nível da altura do braço.
Bengalas e pirâmides

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Para todos os utentes com dificuldades de marcha.

Cadeira de rodas

Uma correta posição na cadeira de rodas é um fator importante para ajudar a prevenir
contraturas, deformidades e edema de decúbito. Esta quando é prescrita de forma adequada
tem os seguintes benefícios:

 Nível máximo de comodidade;

 Maior segurança e menor risco de limitações;

 Maior mobilidade;

 Máxima capacidade de autoajuda e independência;

 Boa integridade cutânea;

 Maior controlo da postura e da musculatura;

 Minimiza as deformidades físicas e as dores;


Tecnologias de apoio e ajudas técnicas para a pessoa
idosa com:

Deficiência motora

Deficiência motora é uma disfunção física ou motora, a qual poderá ser de carácter
congénito ou adquirido.

Desta forma, esta disfunção irá afetar o indivíduo, no que diz respeito à mobilidade. À
coordenação motora ou à fala. Este tipo de deficiência pode decorrer de lesões neurológicas,
neuromusculares, ortopédicas e ainda de mal formação.

Não existe um número maior de tipos de tecnologias para auxiliar no caso da deficiência
motora que não estejam listadas aqui, mas há uma lista de alguns dos principais tipos, de
modo que possa se familiarizar com os tipos de problemas que enfrentam as pessoas com
deficiência motora. Designers não precisam saber tudo sobre todos os tipos de deficiência
motora ou de tecnologias de assistência, a fim de ter um conteúdo webdesign acessível a esta
população.

Apesar da ampla gama de tipos de deficiência motora, muitas delas resultam em necessidades
tecnológicas semelhantes no que diz respeito ao acesso da informação.
Alguns dos tipos mais comuns de ajudas técnicas para as pessoas deficientes para a
deficiência motora são os seguintes:

➢ Bastão de boca
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O “bastão de boca” é justamente aquilo que o nome indica: um bastão que é colocado na
boca. Devido à sua simplicidade e baixo custo, o “bastão de boca” é uma das mais populares
tecnologias de assistência (embora a palavra "tecnologia" possa até ser um pouco de exagero
neste caso).

Em muitos casos, há uma ponta de borracha no final do bastão para dar uma melhor tração,
e costuma ter uma base de plástico ou borracha na outra ponta que a pessoa insere na boca.
Alguém que não possa usar as mãos poderá utilizar um “bastão na boca” para escrever ou
para manipular um mouse trackball, dependendo da quantidade de controle que a pessoa tem
com o “bastão na boca” e ainda o quanto de paciência ela possa ter ao ver como estes
movimentos são difíceis.

➢ Varinhas de cabeça
As “varinhas de cabeça” são muito semelhantes em termos e função ao “bastão de boca”,
salvo se prenderem o bastão na cabeça. A pessoa faz uso deslocando a cabeça para fazer a
varinha escrever caracteres, navegar na web através de documentos e etc. A fadiga pode ser
um problema quando são necessárias várias ações para realizar uma tarefa.

➢ Interruptor de acesso único

Um interruptor de acesso único é usado por pessoas que têm mobilidade muito limitada mas
são capazes de utilizar este tipo de dispositivo.

Se uma pessoa pode mover apenas a cabeça, por exemplo, uma opção poderia ser colocar ao
lado da cabeça, o que permitiria a pessoa clicar nele com o movimento da cabeça. Esta ação
é normalmente interpretada por um software no computador, que permite ao usuário
navegar através do sistema operacional, páginas e outros ambientes.

Existem alguns softwares que facilitam a digitação de palavras, usando um recurso de


autocompletar que tenta adivinhar o que a pessoa está digitando, e permitindo que a pessoa
possa escolher entre as palavras que ele deseja.

➢ Interruptor de Aspirar e Soprar


Semelhantes em termos de funcionalidade para o Interruptor Único descrito acima, os
interruptores de soprar e aspirar são capazes de interpretar as acções do fluxo de ar do
usuário para ligar/desligar, e pode ser utilizado para vários fins, como o de controlar uma
cadeira de rodas ou até navegar em um computador.

44 O hardware pode ser combinado com um software que estende a funcionalidade deste
dispositivo simples para aplicações mais sofisticadas.

➢ Mouse trackball grande

Um mouse trackball não é necessariamente uma tecnologia de assistência, algumas pessoas


sem deficiência simplesmente podem preferir mais que o mouse padrão, mas muitas vezes é
mais fácil de operar para uma pessoa com uma deficiência motora do que o mouse padrão.

Pode-se usar um mouse trackball em conjunto com uma varinha de cabeça ou bastão de
boca.

É relativamente fácil de manipular um trackball com estes dispositivos, e mais difícil de


manipular um mouse padrão.

Alguém com tremores nas mãos também pode utilizar este tipo de mouse, uma vez que é
mais fácil de controlar, há menos risco de acidentalmente mover o cursor ao tentar clicar
sobre o botão do mouse.

Uma pessoa com tremores nas mãos também pode manipular o mouse trackball com um pé
se houver suficiente controle motor para isto.
➢ Rastreio dos olhos

Os dispositivos de rastreio e monitorização dos olhos podem ser uma valiosa alternativa para
indivíduos sem controle dos seus movimentos manuais.

O dispositivo segue o movimento dos olhos e permite que a pessoa possa navegar na web
com apenas movimentos oculares.

Este tipo especial de software permite que o tipo de pessoa, e podem incluir a tecnologia de
autocompletar para acelerar o processo.

Estes sistemas podem ser realmente caros.

Nos E.U podem chegar a milhares de dólares, por isso são menos comuns do que os
dispositivos menos sofisticados, tais como os bastões para boca ou as varinhas para cabeça.

➢ Software para reconhecimento de voz

Outra alternativa é instalar um software que permite a uma pessoa controlar o computador
utilizando a fala. Isto pressupõe que a pessoa possua uma voz que seja fácil compreender.
Algumas pessoas com deficiência motora ou com paralisia cerebral, em particular, podem ter
dificuldade de falar de uma maneira que o software possa entendê-las, pois os músculos que
controlam a voz reagem com lentidão, e muitas vezes não é audível o suficiente, apesar destas
pessoas não terem qualquer lentidão na sua capacidade mental.

46

Deficiência visual

A visão é um dos sentidos que nos ajuda a compreender o mundo à nossa volta, ao mesmo
tempo que nos dá significado para os objectos, conceitos e ideias.

O sistema de leitura para cegos, conhecido como Braile, surgiu a partir de um sistema de
leitura no escuro desenvolvido por Charles Barbier, para uso militar. Quando o francês Louis
Braille, que era cego, conheceu o sistema, passou a utilizá-lo e logo depois o modificou,
passando de um grupo de 12 pontos para um grupo de apenas 6 pontos, formado por duas
colunas com três pontos cada. O agrupamento de seis pontos possibilita a constituição de
63 símbolos diferentes que servem para representar caracteres na literatura, na matemática,
na informática e na música. O sistema foi inventado em 1825 e até hoje é utilizado em todo
o mundo.
Ler em braile é muito fácil. Basta que se conheça os símbolos e pode-se ler normalmente,
seja com o tato ou com a visão. Os caracteres são lidos da esquerda para a direita e até sinais
de pontuação são representados através dos pontinhos em alto relevo.

Para escrever é necessário um pouco mais de técnica. São utilizados dois instrumentos
chamados reglete e o punção. A reglete é uma placa de metal com orifícios em uma de suas
faces. O papel, um pouco mais grosso que o comum, é colocado em cima dessa placa e
pressionado com o punção, um instrumento semelhante a uma agulha, mas com a
extremidade arredondada, para que, ao pressionar o papel contra os orifícios da reglete, este
não seja perfurado, e sim apenas marcado. O papel é marcado da direita para a esquerda, no
sentido contrário ao da escrita. Ao terminar o papel é virado e pode-se ler normalmente.

Há computadores que já conseguem traduzir do braile e para o braile. Atualmente há


até alguns que conseguem imprimir páginas em frente e verso, reconhecer voz e transformá-
la em braile, entre outros recursos que facilitam o acesso de cegos à informática. Há também
capas para teclado com as teclas em braile. Estas se encaixam no teclado de modo que o cego
pode digitar normalmente.

Há ainda outros equipamentos como brinquedos de montar, relógios que permitem a


verificação das horas por meio do tato, etc. Há outros equipamentos que não utilizam o braile
e sim o som, para que os cegos possam ter melhor acesso. Muitos sites, computadores,
sistemas em locais públicos, etc, já fazem uso desse método.

A comunicação por meio de imagens e elementos visuais relacionados é denominada


"comunicação visual". Os humanos empregam-na desde o amanhecer dos tempos. Na
realidade, ela é predadora de todas as linguagens escritas.
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Sem dúvida que a tecnologia desenvolvida para ajudar e facilitar a vida de quem mais
precisa, de quem vive com certas limitações, é uma tecnologia de bastante valor. E felizmente
que hoje, já existem muitas com esse propósito.

As tecnologias que se seguem são alguns exemplos de, como se pode tornar importante
e essencial, a máquina na vida do ser humano.
➢ DOSVOX

O DOSVOX é um sistema para computador, e que comunica com o seu utilizador através
da voz, o que o torna útil para deficientes visuais que, com ele, conseguem aumentar a
sua autonomia no uso do computador. Esta comunicação é feita em Português, mas o serviço
permite configurar os textos para outros idiomas.

➢ WINDOW-EYES

Sendo um software comercial para Windows, o Window-Eyes é o leitor de ecrã que promove
total controlo ao utilizador daquilo que ele ouve e como ouve. Esta é uma aplicação líder
para pessoas com deficiências visuais, pois converte os componentes do SO Windows num
discurso sintetizado, o que possibilita o acesso total aos sistemas do Windows.

➢ VIRTUAL VISION

Este é um software que permite que deficientes visuais possam utilizar, com total autonomia,
o Windows, Office, IE, entre outras aplicações. A sua função é ler os menus e páginas
através de um sintetizador de voz.

➢ TALKS

Esta aplicação destina-se a deficientes visuais e é um Leitor de telemóveis. Algumas


operadoras já disponibilizam até alguns telemóveis com este tipo de software pré-instalado.
Problemas de comunicação

Pode-se colocar dentro da discussão de inclusão digital a questão do acesso as TICs por
portadores de necessidades especiais. As tecnologias de Informação e comunicação oferecem

50 para este seguimento social um possibilidade de desenvolvimento das limitações impostas


por sua condição fisiológica. O próprio Vygostsky, um dos maiores nomes na teoria da
educação, enfatiza a importância da ação, da linguagem e dos processos interativos na
construção das estruturas mentais superiores. O acesso aos recursos oferecidos pela
sociedade influenciam determinantemente nos processos de comunicação da pessoa.

Entretanto, as limitações do indivíduo com deficiência tendem a se tornarem uma barreira


para esse aprendizado. Desenvolver recursos de acessibilidade seria uma maneira
concreta de neutralizar as barreiras causadas pela deficiência e inserir esse indivíduo nos
ambientes ricos para a aprendizagem, proporcionados pela nova cultura no qual a sociedade
está inserida.

Por meio do desenvolvimento de recursos de acessibilidade, as ferramentas TICs abrem


uma possibilidade de combate aos preconceitos, impostos pelas limitações, oferecendo uma
oportunidade de condições para interagir e aprender, explicitando com mais facilidade e
sendo tratado como um “diferente-igual”… Ou seja, “diferente” por sua condição de pessoa
com deficiência, mas ao mesmo tempo “igual” por interagir, relacionar-se e competir em seu
meio com recursos mais poderosos, proporcionados pelas adaptações de acessibilidade de
que dispõe.

As Tics podem servir como um instrumento de equidade social, minimizando


diferenças e criando possibilidades de participação na vida social, pois desta forma os
indivíduos poderão, então, dar passos maiores em direção a eliminação das discriminações,
como conseqüência do respeito conquistado com a convivência, aumentando sua auto-
estima, proporcionado pelo recurso de poder, explicitar melhor seu potencial e seus
pensamentos.
Mary Pat Radabaugh já sinalizou o impacto que as TICs podem ter sobre a vida de
pessoas portadoras de deficiência:

“Para as pessoas sem deficiência, a tecnologia torna as coisas mais fáceis. Para as pessoas
com deficiência, a tecnologia torna as coisas possíveis.

Dificuldade intelectual e desenvolvimental (deficiência


mental)

Os Recursos usados para facilitar a integração e inclusão do deficiente mental na


sociedade vão desde jogos educativos manuais a um complexo sistema computadorizado
(softwares e hardwares especiais), que contemplam questões de acessibilidade, dispositivos
para adequação da postura sentada, entre outros.

Já os serviços são aqueles prestados por profissionais à pessoa com deficiência mental,
visando selecionar, obter ou usar um instrumento de tecnologia assistida.

A inclusão digital possui o papel de incluir na sociedade da informação quem tem


incapacidade de algum domínio particular ou de vários, sendo para tal impreterível políticas
que visem a inclusão, o desenvolvimento e apoio à autonomia.

Conclui-se que os avanços tecnológicos ajudam na inclusão digital, social, educacional e


profissional. Mas recursos manuais ou artesanais também ajudam os idosos portadores de
deficiência mental ou outras deficiências.
Avaliação e modificação do ambiente

O idoso com dependência e capacidade funcional diminuída requer um domicílio


52 adaptado às suas necessidades, sejam elas de locomoção, de alimentação, de higiene, entre
outras.

Portanto, a adaptação do domicílio tem como intuito a maximização do desempenho da


pessoa idosa dentro de seu próprio domicílio.

A adaptação do domicílio deve ser realizada por um grupo de profissionais da área de exatas,
humanas e de saúde, são eles: arquiteto, engenheiro, assistente social, enfermeiro,
fisioterapeuta, psicólogo e terapeuta ocupacional.

A exigência da adaptação do domicílio dá-se pela dependência parcial ou total do idoso,


principalmente, devido às quedas que podem resultar em diversas complicações, as quais se
destacam: fraturas e traumas. Dados apontam que 30% dos idosos acima de 65 anos em uma
comunidade sofrem uma queda, e a metade desses repetem o evento. Todavia, o processo
de envelhecimento para quedas é considerado multifatorial, ou seja, acomete equilíbrio,
musculatura, locomoção, neurológico, efeitos adversos de medicamentos, entre
outros.

Muitos estudos apontam necessidade de adequar o ambiente doméstico diante dos riscos
para a prevenção de quedas e do comportamento do idoso diante das situações quotidianas.

Mello e Perracini (2005) observam ser necessária a avaliação global da capacidade funcional
do ambiente doméstico. Tais avaliações são: a classificação da dependência funcional do
idoso e a avaliação ambiental. As alterações no domicílio devem ser planeadas em conjunto
com o idoso e família para escolha das melhores alternativas das modificações do contexto
domiciliar.
As sugestões para adaptação e segurança do contexto ambiental de indivíduos com
perturbações cognitivas, comportamentais, bem como de facilitação das tarefas e apoio dos
cuidadores, nas actividades básicas da vida diária, podem ser:

✓ Criar e utilizar sinais para identificação dos objectos e locais;

✓ Usar luzes durante a noite;

✓ Instalar trancas extras nas portas de saída;

✓ Usar palhinhas e alimentos que não exijam talheres, sempre que seja a única
alternativa para promover a autonomia;

✓ Simplificar a forma de vestir;

✓ Usar fitas reflectoras no piso e paredes;

✓ Manter calendário de compromissos actualizado;

✓ Manter a disposição de mobiliário;

✓ Manter os pertences no mesmo lugar;

✓ Manter trancado material de limpeza e insecticidas ou outros potencialmente


nocivos à saúde;

✓ Manter espaços livres entre as peças de mobiliário;

✓ Instalar detectores de fumo;

✓ Retirar ou almofadar as quinas dos mobiliários;

✓ Retirar ou prender tapetes pequenos;

✓ Limitar áreas de exposição com pequenos objectos (enfeites);

✓ Adaptar a iluminação às perturbações;

✓ Garantir um telefone de marcação automática;


✓ Manter números de emergência gravados no telefone e afixados em local próprio;

✓ Assegurar bom estado e acessibilidade do extintor de incêndio;

✓ Remover, isolar ou proteger fontes de calor;

54 ✓ Retirar frutas plásticas e de cera ou outras imitações;

✓ Usar pratos e copos inquebráveis;

✓ Garantir chaves extras fora de casa;

✓ Não deixar à vista chaves de veículos ou acesso a eles;

✓ Instalar barras de apoio;

✓ Usar cadeira de banho;

✓ Retirar fios do campo visual;

✓ Usar tapetes antiderrapantes;


Bibliografia

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